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20.2.12

O QUE É PRECISO É SABER COMO FAZER

Quando andávamos no Liceu aprendíamos uma lei química que dizia ; “ na Natureza nada se cria nem nada se perde, tudo se transforma ! “ Na base dessa lei não me admirei com o título de uma notícia que dizia ser possível transformar os plásticos em combustível.
A ser verdade isso resolveria um grave problema ambiental que já tínhamos focado neste blogue, o das lixeiras de plásticos. Pesquisando na net encontrei o seguinte:
Uma empresa americana desenvolveu uma técnica para reciclar plásticos que os transforma novamente em petróleo e gás natural de que são feitos. O processo usa emissões de microondas especialmente ajustadas para quebrar os polímeros que formam os plásticos em hidrocarbonetos mais simples.
Além de reaproveitar as toneladas de plástico descartadas diariamente na natureza, o procedimento facilita a remoção de metais e outras substâncias embutidas.
Segundo o site da revista científica New Scientist, o processo criado pela Global Resource Corporation (GRC) usa cerca de 1,2 mil freqüências de microondas diferentes. Cada uma delas age em um hidrocarboneto específico, que se transforma em óleo diesel ou gás combustível. A máquina é chamada de Hawk-10 e pode ser produzida em vários tamanhos.
Tudo o que não for hidrocarboneto será deixado intocado, o que inclui metais e silício. Com isso, é possível reciclar também as partes metálicas do lixo tecnológico.
Até aqui o processo parece ser um achado pois nos é afirmado que, alimentando o Hawk-10 com aproximadamente nove quilos de pneus velhos, produz-se 4,5 l de diesel, 1,4 m³ de gás combustível, 1 kg de aço puro e 3,4 kg de resíduo carbónico de alta qualidade que pode ser usado em pigmentos.
Embora produza óleo diesel e por isso não colabore directamente para reduzir a emissão de CO2 na natureza, a técnica cria uma nova fonte de energia baseada em lixo e ainda reduz a necessidade de aterros sanitários para depositar os dejetos tecnológicos.
Mais, segundo o site consultado, a máquina é capaz de se auto-alimentar com o próprio gás que produz, é 100% livre de emissões e não produz nenhum resíduo poluente. O próprio CO2 produzido na queima do gás é realimentado para a entrada e reprocessado.
Além do benefício ambiental e dos ganhos com produção de energia e reciclagem de metais, o processo pode reduzir custos operacional em actividades que produzam lixo tecnológico em grandes quantidades. O site oficial da empresa é http://carbonrecovery.com.
Como não há fartura que não dê em fome ,continuei a visitar sites sobre o tema e encontrei este assinado por BRUNO REZENDE
Há alguns dias tenho acompanhado a publicação desta notícia em importantes sites de meio ambiente, trata-se da invenção de uma máquina da empresa japonesa Blest Company. Segundo Akinori Ito, executivo da empresa, a máquina é capaz de transformar 1 kg de plástico em 1 litro de óleo combustível gastando apenas 1 KW de electricidade.

Bom, a história é bonita o suficiente para deixar uma pulga atrás da orelha. Estranhei que nesta semana a notícia tenha se espalhado por aqui como se fosse a invenção do século. Após uma pesquisada rápida na internet achei alguns sites do Japão e outros países citando o protótipo deste projecto desde 2007. Depois entendi porque só nesta semana a notícia se espalhou pelo mundo, a equipe de marketing da empresa actuou, pois a máquina começou a ser comercializada recentemente. A única diferença da máquina de 2007 para a de 2010 é que conseguiram reduzir o tamanho e peso, apenas 50 kg. Outro ponto importante, e não divulgado por aqui, é que a máquina ainda não é capaz de transformar o politereftalato de etileno (PET) em combustível, ou seja, vamos ter que continuar fazendo artesanato com as garrafas.

A proposta desta máquina é interessante e obscura. Interessante porque se cada pessoa tiver em sua casa uma máquina dessas poderá reciclar o lixo plástico, reduzindo o desperdício em lixeiras, além de ter uma mini refinaria para produzir seu combustível. Já o lado obscuro desta máquina se resume em sua existência, pois o plástico é necessário para a máquina cumprir sua função, portanto esta máquina se apresenta como uma forma subliminar de defesa para não reduzir o volume de produção de plástico no planeta. Resumindo: se o plástico acabar a máquina não funciona. Com certeza o senhor Akinori não quer isso. Mas esqueceram de o avisar que a produção de plástico consome recursos e polui, sem contar o CO2 que esta máquina deixa de emitir não representa nada perto do que foi emitido lá na fábrica de plástico.

Fica a pergunta :, não seria mais fácil reduzir o uso do plástico ou investir em programas de recolha selectiva e reciclagem ao invés de comercializar esta máquina?Muitos podem discordar, mas vejo esta invenção apenas como um paliativo ambiental cujo real interesse é puramente comercial.

O Sr Bruno Rezende tem alguma razão no que afirma mas a ideia não é de deitar fora se em vez de máquinas de reciclar domésticas se construírem enormes maquinas profissionais nas estações de reciclagem de lixos.
Termino como comecei Nada se ceia nem nada se perde, tudo se transforma. O que é preciso saber como FAZER

15.12.11

PEGADA ECOLÓGICA



Várias vezes a televisão apresenta programas em que se refere à pegada ecológica, sem que se veja qualquer marca ou pegada de ser vivo, pelo que a frase pode afigurar-se como estranha..
A expressão Pegada ecológica, usada pela primeira vez em 1992 por William Rees, referia-se, em termos de ecologia, à quantidade de terra e água que seriam necessárias para sustentar as gerações existentes, tendo em conta todos os recursos materiais e energéticos gastos por uma determinada população.
Hoje, a pegada ecológica é usada como um indicador de sustentabilidade ambiental. Pode ser usada para medir e até gerir os recursos através da economia. É ainda usado para explorar a sustentabilidade do estilo de vida de determinados grupos de indivíduos, produtos e serviços, sectores industriais, vizinhanças, cidades, regiões e nações.
Depois desta última definição é lógico afirmar que a pegada ecológica de uma população tecnologicamente avançada é, em geral, maior do que a de uma população subdesenvolvida. O uso excessivo de recursos naturais, o consumismo exagerado, aliado a uma grande produção de resíduos, são marcas ( pegadas) de degradação ambiental das sociedades humanas actuais que ainda não se convenceram de que fazem parte integrante da Biosfera e que têm de estar em equilíbrio com ela.
A Pegada Ecológica foi criada para nos ajudar a perceber a quantidade de recursos naturais que utilizamos para suportar o nosso estilo de vida, onde se inclui o agregado populacional (aldeia,vila ,cidade ), a casa onde moramos, os móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, o que comemos, o que fazemos nas horas de lazer.etc.
A Pegada Ecológica não procura ser uma medida exacta mas sim uma estimativa do impacto que o nosso estilo de vida tem sobre o Planeta, permitindo avaliar até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a sua capacidade de disponibilizar e renovar os seus recursos naturais, assim como absorver os resíduos e os poluentes que geramos ao longo do anos.
Como vamos
Vejamos então como diminuir a nossa pegada ecológica exemplos que retiramos da internet mas que poderiam ser ditos por qualquer aluno do ensino básico:
Reduza os consumos energéticos, utilizando aparelhos eléctricos e electrónicos de baixo consumo ( classe A) e não deixe esses aparelhos ligados se não estiverem a ser usados.
- Reduza a utilização do “ar condicionado”, usando ,por exemplo , janelas com vidro duplo.
- Reduza o consumo de água, fazendo um duche rápido, e regule as descargas do autoclismo para um mínimo.
- Minimize a produção de resíduos sólidos, poupando dinheiro ao adquirir embalagens com maior capacidade e produtos com pouca embalagem, sempre que possível recicláveis. Evite as garrafas que utilizam rolhas de plástico. Escolha produtos ecológicos ou com etiqueta ou rótulo ecológicos. Para o transporte das compras opte por reutilizar os sacos.
- Adquira produtos produzidos localmente, pois consomem menos combustível no seu transporte, produzindo menos emissões e contribuem para a manutenção do emprego e para o desenvolvimento da economia regional.
- Prefira produtos frescos em detrimento dos congelados ou enlatados pois estes gastam energia na sua conservação e no fabrico das embalagens . Aumente a proporção de vegetais em relação aos produtos derivados de carne consumidos a cada refeição.
- Deixe o automóvel em casa e utilize os transportes públicos. A utilização do comboio é um meio de transporte muito recomendado. Se utilizar o seu automóvel, procure partilhar com mais pessoas as deslocações para o local de trabalho.
- Utilize papel 100% reciclado e livre de cloro. Consuma o menor volume de papel possível e utilize sempre as duas faces das folhas. Utilize as folhas que não são necessárias para rascunho.

- Repare os equipamentos avariados antes de comprar um novo. Não deite para o lixo um equipamento que funciona, procure encaminhá-lo para quem o possa utilizar.
- Evite comprar produtos de usar e deitar fora, tais como papel de cozinha, guardanapos, toalhas de papel, talheres e copos de plástico, etc....
- Utilize os contentores de recolha selectiva, evitando colocar no lixo produtos potencialmente tóxicos, como por exemplo pilhas. Em relação ao óleo usado de cozinha, entregue-o em locais de recolha. Caso a sua localidade não seja abrangida por uma rede de recolha, coloque o mesmo numa garrafa junto com o seu lixo normal. Nunca despeje o óleo usado no esgoto.
Agora que tem uma ideia do que é a pegada ecológica torne a sua do tamanho da de uma pulga
.

2.2.11

ESTRADAS MODERNAS



Embora pareça que as campanhas ecológicas falharam nos seus objectivos e que os crimes ambientais são cada vez em maior número, ou que a “Green Peace “ realiza apenas acções mediáticas para “inglês ver”, a verdade é que ,a pouco e pouco ,a consciência ecológica se vai instalando e vão sendo testadas ideias para diminuir a dependência energética do petróleo e do combustível atómico. São as centrais eólicas e solares, os automóveis híbridos ou a electricidade com acumuladores , centrais hídricas, biocombustível etc, tudo numa perspectiva de diminuir o CO2 e o efeito de estufa.
Recentemente o Governo dos USA contratou a empresa Solar Roadways para desenhar e construir painéis solares super resistentes que venham a ser o futuro pavimento das auto estradas, substituindo assim o asfalto betuminoso e ,ao mesmo tempo, produzir energia.
Teoricamente, um quilómetro de uma estrada solar de pista dupla poderá produzir energia suficiente para abastecer uma cidade de cinco mil habitantes e não seriam necessárias mais de 4 horas de sol.
O novo piso terá de ser inquebrável e seguro. O nível superior será feito a partir de material translúcido e de alta resistência, estando ainda em fase de estudo para se encontrar a melhor aderência. Terá também luzes LED embutidas numa segunda camada , funcionando como um sistema para indicar as faixas de rodagem da estrada, limites de velocidade e outras informações. A terceira camada é composta por circuitos electrónicos onde estão colocados os circuitos integrados de controlo das células dos LED e ainda a armazenagem de energia . A quarta camada distribui a energia e sinais de dados (telefone, TV ou internet, por exemplo). Haverá ainda a possibilidade de, nos locais onde é normal nevar, este pavimento aquecer e derreter o gelo. Além, viabilizando o início da produção dos pneus verdes
Mas não é só a nível do pavimento que se trabalha . Os próprios pneus estão a mudar pois os chamados pneus verdes, são ecologicamente menos danosos dos que os pneus actuais. Isto porque um dos principais ingredientes dos pneus tradicionais, derivado do petróleo, é substituído por um composto derivado de plantas. Como no caso do etanol brasileiro, a solução para a fabricação dos pneus verdes, a partir de matérias-primas renováveis, pode vir da cana-de-açúcar, mas também do milho e até de uma gramínea, a switchgrass, muito pesquisada nos Estados Unidos. O novo processo usa os açúcares derivados da biomassa para produzir o composto químico chamado isopreno, hoje um derivado do petróleo, um dos principais componentes do pneu. Um dos desafios técnicos em curso tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Tem sido utilizado um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os hidratos de carbono da biomassa em bio isopreno. O isopreno tem várias utilizações além da fabricação de pneus, de luvas cirúrgicas e produtos de higiene feminina a adesivos de alta fusão e copolímeros de bloco
Outra pesquisa: partindo de um material desenvolvido por japoneses, engenheiros holandeses estão a criar a primeira “estrada verde”, capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que circulam por ela. O pavimento é um cimento especial que contém um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de azoto emitidos pelos escapes dos carros, principais responsáveis pela chuva ácida.
O cimento purificador de ar recebe no seu fabrico um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do sol, o material reage com os óxidos de azoto transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.
Em Portugal a pavimentação de estradas também tomou um novo rumo. O processo envolve a incorporação da borracha ,em pedaços ou em pó, resultante de pneus velhos triturados. Apesar do maior custo, a adição de restos de pneus no pavimento pode até dobrar a vida útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de elasticidade ante mudanças de temperatura. O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contacto dos veículos com a estrada. E, além de todos esses benefícios, ainda é uma solução ambientalmente correcta para dar destino aos milhões de pneus jogados no lixo diariamente.

1.5.10

Filosofando ou talvez não.

A ÚLTIMA GOTA

Numa noite silenciosa em que o sono se recusava a chegar, ia escutando ,de tempos a tempos, o que me parecia ser o pingar de uma torneira . Reagindo contra o torpor, pensei no que seria da Humanidade se aquele pingo fosse a última gota de água potável existente na Terra.
Na Terra ?!- duvidou o meu ego –Se os humanos tivessem baptizado o planeta a partir de um olhar lançado do espaço , este ter-se-ia chamado Água, pois este elemento é o que se encontra em maioria, à sua superfície. Recordei que neste nosso mundo 97% da água é salgada e dos 3% restantes (de água dita doce) só 1% está á nossa disposição. À disposição não será bem assim, pois mais de metade encontra-se sob a forma de gelo nas zonas polares e a restante anda pelos aquíferos que estamos a esgotar a uma velocidade superior à da taxa natural de recarga.
Ouvi cair mais um pingo mas não me levantei pois o meu pensamento voou para a Química ; a água era apenas uma quantidade enorme de dois átomos de hidrogénio ligados a um de oxigénio. Também pensei que o volume de água do nosso planeta se mantivera sempre inalterado, embora sob várias formas, podendo dizer que a água que os dinossauros beberam é a mesma que hoje cai sob a forma de chuva. Continuei deitado pois não havia problemas!
Mas será ela suficiente para um mundo cada vez mais povoado e industrializado ? Em 2025, calcula-se que dois mil milhões de pessoas viverão em zonas onde a água escasseia. Olá! afinal há problemas.
Quando me ia a levantar para fechar melhor a torneira recordei Bárbara Kingsolver que afirmara: água é vida, é o caldo salgado da nossa origem, o sistema circulatório do planeta, mas o nosso maior medo é a possibilidade de escassez ou excesso de água. Excesso?! Mas isso é óptimo! Como 2/3 do nosso organismo são água e os líquidos vitais são salinos, tal como o oceano, está tudo bem. Além disso, os cientistas garantem que ela não faltará. Não me levantei.
Bárbara Kingsolver falara não só de escassez mas também de excesso de água; Qual seria o problema? De repente fez-se luz: cheias, degelo, furacões, subida do nível dos mares, deslizamentos de terras como na Madeira, tudo provocado pela alteração dos valores padrão da pluviosidade, consequência do aumento da temperatura média do planeta, desflorestação, etc. Voltei a raciocinar em termos de Física: se existem mais moléculas de água no ar quente do que no ar frio geram-se grandes tempestades sobre os oceanos pelo ar quente sobreaquecido pelo efeito de estufa, e uma forte evaporação e consequente seca em regiões interiores.
Já bem acordado pensei: Embora a água brote da terra em fontes e nascentes , o mesmo não acontece aos canos e bombas que a trazem até nós, filtrada e desinfectada e, por tal motivo, temos de a pagar. Ouvi cair mais um pingo. Levantei-me e fui fechar bem a torneira pois me lembrei desta última gota num mundo sedento com o das imagens que se seguem.


Crianças transportando água num solo completamente seco e estéril
Bebendo água de um charco,através de um filtro de impurezas

2.7.08

RECICLAR

Há pouco tempo, sob o título "A Terra esgotada e a morrer ", referimos a necessidade de reciclar ao máximo todos os desperdícios e, sobretudo, os electrodomésticos e equipamentos electrónicos que devem ser tratados por empresas especializadas, em virtude dos materiais perigosos que contêm. No nosso país, desde o ano 2006,quando se compra um aparelho eléctrico ou electrónico , paga-se uma taxa ecológica para financiar a reciclagem desses equipamentos ,quando termina a sua via útil. Compete à ASAE fiscalizar se a lei é cumprida, pois os comerciantes são obrigados a receber os equipamentos velhos, na compra de outros novos, e a encaminhá-los para as empresas de reciclagem. Para se ter uma ideia do que são estas empresas de reciclagem diremos que a Metec, no Japão, destroi 900 frigoríficos por dia, tendo outras secções onde são desmantelados televisores, aparelhos de ar condicionado e computadores. Como a Metec, há dezenas de outras no Japão. Antes dos aparelhos serem destruídos pelas máquinas trituradoras são-lhes retirados os elementos contaminantes do meio ambiente . O colossal número de 40 mil toneladas anuais de lixo electrónico no mundo, deve-se ao facto da vida útil dos equipamentos ser cada vez mais curta, dois a três anos, por ficarem ultrapassados tecnologicamente. Em 2004, os americanos deitaram para o lixo 315 milhões de computadores pessoais, 90% dos quais ainda estavam em perfeitas condições de operacionalidade.Durante muitos anos não houve consciência das populações em saber para onde ia este lixo; se alguma quantidade ia parar ás lixeiras, juntamente com outro tipo de detritos, a maioria dele foi exportado para países do terceiro mundo , como India, Paquistão e países africanos onde é reciclado sem qualquer tecnologia, estando a envenenar pessoas, solos, aquíferos e atmosfera. Para termos uma ideia desta contaminação diremos : o arsénio dos Leds provoca cancro do pulmão ; o bário, dos tubos catódicos dos velhos televisores e computadores, altera-se com o ar e afecta músculos, fígado e coração; o cádmio das baterias, toners e tintas de impressoras está associado a cancer pulmonar. A preocupação é tal que a Comissão Europeia, em 2005, emitiu uma directiva proíbindo o uso de chumbo, mercúrio e cádmio em qualquer equipamento, mas os resultados não devem ser positivos, pois há ainda milhões de aparelhos a funcionar com estas substâncias e que, daqui a alguns anos, estarão nas lixeiras africanas. Uma solução para este problema será usar o equipamento durante mais anos e não ir na moda de o trocar, só porque apareceu um modelo novo. Se têm um televisor a cores há três anos, por que trocar por um" plasma" se os programas visualisados são os mesmos? O "plasma " ao fim de um ano estará também ultrapassado ! E quem fala em televisores fala em telemóveis, onde a moda de trocar caiu no absurdo de o fazer duas vezes por ano .

18.6.08

A TERRA, esgotada e a morrer !

Nos dias de hoje, já não podemos escamotear uma verdade há tanto tempo ocultada; os recursos naturais estão a chegar ao fim e aquilo que uns consomem não pode ser consumido por outros. O petróleo esgota-se, os oceanos esvaziam-se de peixes, os solos empobrecem e o ar e água enchem-se de poluentes. Um sentimento de angústia instalou-se neste início do terceiro milénio, com países muito populosos ( India e China) a disputar, com legítima ambição, os recursos naturais que ainda restam. Deixar a Terra e ir colonizar Marte é ainda uma utopia. À humanidade não resta outra escolha senão viver num mundo esgotado. É verdade que a ciência e a indústria podem dar uma ajuda, mas não são capazes de repor os recursos aos níveis de há um século . È PRECISO AGIR RAPIDAMENTE!
Duplicar a produção agrícola nos terrenos empobrecidos e com falta de água é um problema a resolver até 2050. Não nos podemos esquecer que a população aumenta em 80 milhões de indivíduos, por ano ,e que em 2050 devem existir 9 biliões de seres humanos. Há optimistas a afirmar que, há cinquenta anos, a população tinha crescido para 3 biliões e que a agricultura respondeu favorávelmente a esse crescimento. A FAO desaconselha este optimismo, dados os preços dos fertilizantes necessários e o aumento de resistência aos insecticidas por parte das pragas cerealíferas. Não esqueçamos que, entre 2005 e 2008, o preço do trigo quadruplicou e o de milho e arroz triplicou. Para este problema , alguns especialistas apontam as seguintes soluções : fazer rotatividade de cultivo, reciclando os resíduos sobrantes para criar ecossistemas superprodutivos, recorrendo menos aos adubos químicos ; irrigar menos, mas melhor, recorrendo ao processo gota-a-gota ; apostar em sub-espécies mais produtivas e mais resistentes aos parasitas e poluição, não sendo de excluir espécies geneticamente modificadas para alcançar tais finalidades ; eliminar o lavrar do terreno, colocando mecanicamente as sementes em pequenos orifícios. Se o lavrar da terra tem a vantagem de arejar o terreno e destruir as ervas daninhas, tem como inconvenientes pôr o solo a nú, aumentando a erosão,com o húmus a desaparecer a cada chuvada, bem como a destruição da microfauna que produz o carbono necessário ás plantas; cultivar leguminosas para enriquecer o solo de azoto, reduzindo-se o uso de nitratos químicos .
Deixando a agricultura e passando á indústria onde o problema é mais grave, o lema será produzir com menos. Dado o alto preço da energia e das matérias primas, somado à falta de petróleo (espera-se que em 2030 a produção seja 5 vezes menor que a actual) ,a indústria tem que ser repensada e são apresentadas as seguintes sugestões:1- aplicação de novos materiais,de preferência recicláveis, nos objectos fabricados. 2-Reservar o petróleo para usos nobres como o fabrico de adubos, plásticos, solventes, nylon, resinas e lubrificantes, podendo os transportes usar outras formas de energia com motores híbridos, eléctricos,a ar comprimido, gás natural, hidrogénio ou óleos alimentares já usados.3-Alugar em vez de vender ,como faz a Rank Xerox que, desde 1980, aluga equipamentos e os melhora constantemente, evitando que os compradores os deitem nas lixeiras ,por ultrapassados. 4- Colocar bicicletas gratuítas nos centros urbanos, evitando o uso de carros em percursos relativamente pequenos, experiência já realizada em Aveiro. 5- Partilha do veículo particular em percursos comuns e fomentar o uso de transportes colectivos baratos ,rápidos e frequentes. 6-Reciclar o mais possível .





E o que fazer com o lixo produzido ? Estima-se que, a nível mundial, sejam quatro biliões de toneladas / ano. A solução não é fácil, pois as lixeiras estão a transbordar, a incineração polui, e a reciclegem é parcial, havendo produtos que pela sua perigosidade têm de ser armazenados e selados e sob vigilância constante. Alguns países optaram pela queima dos lixos urbanos embora saibam que as dioxinas que ela liberta passam para os solos e animais ,entrando na cadeia alimentar humana, sendo um potencial risco cancerígeno. A única vantagem de incinerar seria a produção de energia eléctrica, embora com rendimento aleatório, dada a variedade de produtos a queimar. Uma alternativa é a termólise, isto é, não chegar a queimar, aquecendo os detritos entre 350 e 750 º C, na ausência de oxigénio. Este processo permite que a matéria orgânica se decomponha em gases e matéria sólida. Os gases resultantes, metano e hidrogénio, seriam usados para secar os resíduos sólidos e aquecer as paredes do forno . Os produtos sólidos resultantes são estáveis ,tais como vidro, metais, sais e cinzas. Como o carbono se combinaria com o cloro, não se formariam dioxinas. Por sua vez as cinzas seriam transformadas em coque que é um combustível caseiro. Uma tonelada de detritos dariam 240 Kg de coque. Também a prática de compostar os detritos orgânicos ( restos de comida, vegetais, papeis, e lamas das ETAR ), por acção da fermentação, leva á formação de adubos naturais usados na agricultura. De qualquer forma,uma reciclagem levada ao extremo, tem de ser posta em marcha com a colaboração de todos, evitando-se o excesso de lixo. São recicláveis os seguintes produtos : papel, papelão, tecidos, embalagens, garrafas de vidro ,latas de alumínio , fios metálicos, metais, plásticos( PEAD-PEBD- PVC ), parafusos, pregos, pneus, tintas, tinteiros, óleos usados ,restos da construção civil e restos de alimentos. Não são recicláveis ou só o podem ser por algumas empresas :lâmpadas fluorescentes e de baixo consumo, pilhas eléctricas, electrodomésticos, baterias ,espelhos, cristal , papel químico e metalizado, esferovite e plastificados. Como no nosso país não há um local próprio para recolha de lâmpadas fluorescentes e de baixo consumo, podem as mesmas ser colocadas nos " pilhómetros",dado conterem mercúrio. Esta reciclagem, com separação de materiais, deve ser iniciada em casa de cada cidadão, evitando-se um posterior consumo de energia para o fazer industrialmente. Passando agora para o ar e água teremos outro grave problema com o seu lento envenenamento, provocado pela indústria e agricultura em larga escala.O referido problema é agudizado pela destruição sistemática das florestas tropicais em África e na Amazónia, que são o grande repositório do oxigénio da atmosfera. Para se ter uma ideia da contaminação das águas , já se chegou ao extremo de usar águas dos esgotos para se ter água potável .Isto acontece em Singapura ,usando-se um complicado sistema de membranas osmóticas, obtendo-se no final água isenta de sais minerais, microrganismos, metais pesados, etc, mas ao preço de 1 € o metro cúbico , um pouco mais barato que dessalinizar água do mar.Estão a ser produzidos 100.000 metros cúbicos de água, diariamente, mas que equivalem apenas a 15% das necessidades. Em Vanves, arredores de Paris, está a ser aplicado em passeios e ruas, um betão contendo dióxido de titânio, esperando-se que, por acção dos ultra-violetas da luz solar, este fotocatalizador possa tirar do ar 30% do dióxido de azoto. Tudo está a ser tentado, mas a que preço de energia e da saúde do Homem? A TERRA ESTÁ A MORRER....e nós com ela !

6.6.08

MARÉS NEGRAS

Como se não chegassem as catástrofes naturais, sob a forma de terramotos, tsunamis, incêndios florestais, inundações, secas, etc, o Homem, com a sua imprudência, provoca outras bem mais graves. Neste blog, já nos referimos á poluição dos mares pelos plásticos, em postagem de 25-3-2008; hoje abordaremos o caso da poluição dos mares com hidrocarbonetos (petróleo e afins) dando origem ás tristemente célebres marés negras que afetaram gravemente fauna e flora marinhas e produziram doenças respiratórias nos trabalhadores e voluntários encarregados de as combater. Infelizmente, não são só os acidentes com os navios petroleiros a causar marés negras pois refinarias e plataformas de exploração petrolífera têm a sua quota-parte nestas marés negras.


Em 24 de Março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez, propriedade da empresa americana Mobil, embateu em rochas da baia de Prince, no Alasca, por razões pouco esclarecidas. Devido ao acidente, o barco derramou 40.000 toneladas de crude nesses mares gélidos,com consequências gravosas para os bancos pesqueiros e outra fauna marinha. Êrro humano, negligência grosseira, tripulação não qualificada, levaram a que a Mobil tivesse que pagar multas milionárias. O caso teve uma repercussão insólita em todo o mundo, criando uma grande sensibilidade na opinião pública. Os Estados Unidos aprovaram uma lei que regularia, daí em diante, o transporte marítimo de crude, com consequências negativas para o resto dos países. Esta lei dava um prazo muito curto aos armadores para modificar os navios cisternas, já que só permitia a entrada em portos americanos a navios de duplo casco., além de obrigar a seguros muito mais caros. A Lei, OPA 90,prejudicou imenso as companhias transportadoras do resto do mundo que só podiam operar com os barcos monocasco em rotas diferentes das habituais, mais distantes e ,a maior parte das vezes ,com bandeira de conveniência . Mesmo depois de aprovada a OPA 90, vários foram os acidentes e marés negras que ocorreram por todo o lado. Perto de nós, mais propriamente na Galiza, em 1992, o petroleiro de bandeira Grega ANGEAU SEA, em pleno temporal, iniciou uma arriscada manobra para entrar nos pantanais da Repsol. O barco partiu-se em dois,derramando 70.000 ton. de crude.O último acidente que, por sorte, não atingiu a costa portuguesa, deu-se a 18 de Novembro de 2002, com o petroleiro PRESTIGE. Um temporal abriu um rombo de 40 metros no casco ,por onde ia perdendo o fuel que transportava. O comandante pediu autorização para aportar a La Corunha, pedido que foi negado pelas autoridades espanholas que rebocaram o barco para mar aberto. Depois de várias horas de reboque, o Prestige partiu-se em dois e afundou a 133 milhas do cabo Finisterra. Foram para o mar 77.000 toneladas de fuel. O vento e as correntes marinhas levaram o produto para a zona de Espanha que teve 900 Kms de linha costeira afetada pelo viscoso fuel, mais contaminante que o crude. Bancos de pesca e viveiros de marisco foram totalmente destruídos ; as zonas turísticas impraticáveis e milhares de pesoas intoxicadas. Por sorte, o vento que soprava para norte, impediu que a maré negra chegasse á zona costeira de Portugal.

25.3.08

POLUIÇÃO


POLUIÇÃO DOS OCEANOS (na era do plástico)

Aprendemos na escola que os oceanos ocupam 70% da superfície da Terra e que a fauna e flora que neles habitam ainda não estão totalmente conhecidas, principalmente as das suas profundezas , onde não chega a luz. Também constantemente ouvimos relatos das agressões a que os oceanos estão sujeitos por via da acção humana. A Greenpeace e outras organizações ambientalistas têm alertado para as lavagens dos tanques dos petroleiros em alto mar, para o transporte de substâncias redioactivas e mais recentemente para este facto : o material plástico nas águas marinhas atingiu níveis inéditos na história,com um impacto ambiental colossal, que pode ser calculado em 15.000 fragmentos desse material por cada quilómetro quadrado de oceano. As primeiras vítimas desta poluição são mamíferos marinhos que engolem os plásticos julgando ser alimento, ou os levam para as suas crias, pela mesma razão. Há meia dúzia de anos uma baleia "minke "(espécie em vias de extinção) foi encontrada morta na costa da Normandia com 800Kg de plástico no estômago. Não são só os mamíferos marinhos as vítimas desta poluição. pois moluscos e peixes estão a ser envenenados pelos compostos de estanho das tintas dos plásticos PVC. O plástico encontrado no mar não é apenas formado por sacos e garrafas, existindo um bem pior --as pellets-- pequenas bolas com meio centímetro de diâmetro utilizadas pela indústria e que chegam ao mar como lixo da mesma. Como têm grande capacidade de absorção de poluentes, cada uma delas tem uma concentração tóxica um milhão de vezes maior do que a água onde se encontram. Com tudo isto os oceanos estão a ser transformados em enormes lixeiras, fazendo com que 3/4 das regiões pesqueiras de todo o mundo estejam ameaçadas. Para além da falta de pescado o Homem corre o risco de ser contaminado através da cadeia alimentar,pagando caro a sua irresponsabilidade. Só para se ter uma ideia da tragédia vamos citar alguns exemplos :A baía de Guanabara (Rio de Janeiro) recebe 20.000 litros de esgoto não tratado, por segundo, o que levou á destruição total da vida marinha naquela zona ; As costas da China e do Japão, por serem muito populosas e industrializadas, têm as águas mais poluídas do mundo com metais pesados e fertilizantes agrícolas, tormando-se mortais para o Homem, através da cadeia alimentar; Dois terços do stock de bacalhau e outros peixes alimentares foi destruído pelas plataformas petrolíferas do mar do Norte e pelos fertilizantes agrícolas arrastados pelos rios . Esta espiral destruidora não terá retorno se não for travada a tempo. A inconsciência do Homem vai levar á sua destruição dentro de pouco tempo ou a mutações que ninguém pode prever, podendo desaparecer como espécie da face deste planeta .

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