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14.9.11

HISTÓRIA DOS TRANSPLANTES DE ORGÃOS




Durante muitos anos os médicos tentaram substituir um órgão doente de um ser humano por um outro de um animal parecido , como o porco ou o macaco, mas tal substituição matava o paciente. Tentaram depois órgãos retirados de seres humanos acabados de falecer mas também aqui o corpo do doente reconhecia que aquele órgão lhe era estranho.
Era a rejeição do tecido estranho do doador por causa do sistema imunológico do receptor que reconhecia que aquele não lhe pertencia.
O sistema imunológico é como um exército, constantemente em guarda contra qualquer invasão de bactérias, vírus ou outras substâncias potencialmente perigosas. Quando o tecido de um doador é colocado dentro do corpo de outra pessoa, este exército imunológico o vê como um invasor e inicia uma batalha. Os glóbulos brancos do sangue atacam e destroem o tecido desconhecido pelo processo chamado de rejeição . Tal já não ocorria quando o órgão do doador era de um irmão gémeo idêntico ou verdadeiro. A semelhança genética das duas pessoas impedia a reacção imunológica. O cirurgião, Joseph E. Murray, utilizou este facto quando, em 1954, realizou com êxito o seu primeiro transplante de rins entre gémeos idênticos , no Hospital Brigham and Women em Boston.A cirurgia do Dr Murray foi um progresso importantíssimo. Porém não era uma solução, já que muito poucas pessoas têm um gémeo idêntico com quem contar para a doação de órgãos.
No final dos anos 60, os médicos descobriram uma maneira de realizar transplantes entre pessoas que não fossem parentes, através da supressão da reacção imunológica do receptor, com medicamentos chamados imunossupressores, mas mesmo assim surgiam problemas pois esses medicamentos eram altamente tóxicos e o risco de infecção aumentava exponencialmente o que fazia com que a maioria dos pacientes de transplantes não vivessem muito após a operação.
Como é próprio do ser humano não desistir perante adversidades, nos anos 80, os medicamentos anti-rejeição melhoraram tanto que a cirurgia de transplante tornou-se rotineira e bem menos arriscada do que havia sido nas décadas anteriores. As taxas de sobrevivência aumentaram, tendo os cirurgiões desenvolvido os processos de transplante de órgãos essenciais, como coração, rins, fígado e pulmões. Estes êxitos levaram os médicos a pensar em órgãos "não essenciais" e assim no final dos anos 90, foram realizados os primeiros transplantes de mão, com sucesso e, neste ano de 2011, um transplante de face.
Mas falemos de um outro transplante que deu brado em todo o mundo, há mais de 40 anos.
O coração de uma pessoa morta palpitou pela primeira vez no peito de outro humano às 5h25 de 3 de Dezembro de 1967, na África do Sul. O feito foi realizado no hospital Grote-Schuur, na Cidade do Cabo e foi bem sucedido. O chefe da equipe era o professor Christiaan Barnard, então com 44 anos de idade.( 1923- 2001)
O paciente foi Louis Waskansky, de 53 anos. O órgão transplantado por Barnard e sua equipe, numa operação de 5 horas, era de uma jovem de 25 anos, que tinha morrido num acidente. Waskansky faleceu 18 dias depois da cirurgia histórica, em consequência de uma infecção pulmonar pelas razões atrás referidas e que voltamos a citar: os medicamentos então usados para combater a rejeição do organismo reduziram muito o sistema imunológico do paciente.
Um mês depois da operação espectacular, Barnard fez o segundo transplante de coração e desta vez com grande sucesso: o dentista Philip Blaiberg viveu um ano e sete meses com o coração novo. Estes transplantes não podem ser considerados puras experiências ,já que os doentes transplantados teriam apenas alguns dias de vida se o não fizessem.
A notícia do transplante propagou-se por todo mundo como acontecimento revolucionário, embora há muito tempo se transplantassem rins e córneas .
Em alguns países o transplante do coração foi uma coisa inconcebível, devido a factores religiosos dominantes como a crença de que o coração não era um órgão como os demais, mas o lugar da alma, o núcleo humano, o centro da personalidade.
Barnard a estas críticas respondeu:
"A partir de um determinado momento, a gente é apenas um pesquisador e tem que se ater ao facto de que o coração tem apenas a função de bombear o sangue. Um transplante de coração não é mais do que um transplante de rins ou de fígado".
Como já por duas vezes dissemos o grande problema na época era a rejeição. Um organismo defende-se contra todo e qualquer corpo estranho que lhe é implantado
Na actualidade, a rejeição orgânica está bastante reduzida, graças ao efeito de medicamentos desenvolvidos especialmente com esse fim e assim a taxa de mortalidade situa-se abaixo de 10% no primeiro ano depois do transplante .
E o que se passa em Portugal a nível de transplantes? Para responder a esta pergunta vamos socorrer-nos de uma notícia saída há meses no Diário de Notícias.
Portugal é o país líder mundial no transplante de fígado. De acordo com os dados da Newsletter Transplant, uma publicação da Organización de Transplantes e Conselho da Europa, foram realizados 25,8 transplantes hepáticos por milhão de habitantes em 2008. Ao todo, foram transplantados 274 portugueses que precisavam de um fígado.
Maria João Aguiar, coordenadora nacional das unidades de colheita da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST), conta ao DN que é a primeira vez que o País é líder mundial, "à frente de países como os Estados Unidos (com 20,8) e Espanha", que está em segundo lugar com uma taxa de 24 transplantes por milhão.
Morais Sarmento, o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, salienta o benefício que esta subida tem para os doentes: "Geralmente, estes casos são de situações urgentes e é sempre bom saber que há mais órgãos para quem precisa." Um exemplo é o da doença dos pezinhos, muito típica de Portugal, "em que os doentes beneficiam muito com o transplante". Melhora-se a condição de vida de muitos e salvam-se mais vidas com o aumento do transplante.
A subida na transplantação hepática, que tem sido sustentada ao longo dos últimos anos, também se fez sentir noutras áreas, nomeadamente no transplante renal. Se apenas tivermos em conta os transplantes com órgãos retirados de dadores cadáveres, Portugal está em segundo lugar a nível mundial, com uma taxa de 44,8 cirurgias por milhão de habitante. À frente, está Espanha com uma diferença reduzida em relação a Portugal: 44,9.
Em Julho deste ano de 2011 chega a notícia de em Espanha ter sido transplantado um par de pernas..
O programa de dador vivo, em que cônjuges e familiares podem dar um órgão (fígado ou rim), também está a aumentar no País. Somando os dois tipos de colheita (em dador vivo ou cadáver), Portugal fica com uma taxa de 49,4 transplantes renais, apenas ultrapassado pela Noruega e Chipre, com taxas de 58 e 83. Estes dois países apostam sobretudo na dádiva em vida, que é responsável por mais de metade da colheita.
No entanto em Setembro de 2011 e por razões orçamentais impostas pelo FMI, o nosso país está reduzir o número de transplantes o que já motivou muitas críticas nos meios médicos.

29.12.10

Sangue artificial


Já desde o século XVII que as transfusões sanguíneas têm sido uma tentativa de remediar as perdas de sangue causadas por cirurgias, acidentes, partos, guerras ou outras causas. .Antes da identificação dos anticorpos aglutinantes do sangue como o Rh, as transfusões então realizadas provocavam muitas mortes pelo facto do sangue do dador ser incompatível com o do receptor . Embora hoje se conheçam e se identifiquem muito bem os grupos sanguíneos (A;B;AB ;O )e os factores Rh, um dos problemas com que a medicina actual por vezes se debate é a falta de sangue compatível disponível para uma transfusão ou havendo-o, a recusa do doente em receber essa transfusão por motivos religiosos ,como acontece com as Testemunhas de Jeová.
Parece que no futuro o problema será parcialmente resolvido com o fabrico de sangue artificial. Este sangue será desenvolvido a partir de células estaminais embrionárias , e a designação de artificial refere-se apenas ao facto de ser fabricado em laboratório. O plano da Universidade de Edinburgo é simples: estimular células estaminais de embriões humanos para que originem células do sangue, isto é, glóbulos vermelhos. Recorrendo aos embriões que sobram dos tratamentos de fertilidade, os cientistas vão procurar aqueles que estão geneticamente programados para desenvolver o sangue tipo O, Rh negativo ( zero ,negativo) que é considerado como dador universal, pois pode ser dado a qualquer pessoa sem perigo de rejeição,dado não ter aglutininas nem aglutinogénios..
Este tipo de sangue é relativamente raro, sendo encontrado em apenas 7% da população mundial, mas em laboratório poderá ser desenvolvido em grandes quantidades devido à capacidade que as células estaminais têm de se multiplicar indefinidamente. Em teoria, um único embrião seria capaz de satisfazer as necessidades de sangue de um país, além de ser ,como afirmamos, compatível com qualquer humano, e estar livre de infecções.
No entanto o problema mantêm-se para os que recusam sangue com origem em outro indivíduo, por questões religiosas. Talvez para estes a solução esteja numa descoberta vinda dos USA. Claes Lundgren, médico da Universidade de Buffalo, apresentou , numa conferência de imprensa, uma ampola contendo cinco mililitros de uma solução leitosa, passando a explicar: "Estes cinco mililitros poderão salvar a vida de uma criança pesando de 10 a 15 quilos que tenha perdido metade de seu sangue."
Esta espécie de sangue artificial, é uma substância inorgânica, mais especificamente um dodecafluorpentano, ou DDFPe, um composto à base de fluorcarbono utilizado originalmente como elemento de contraste em exames médicos.
Lundgren vai prosseguir o trabalho dos Drs. Hugh Van Liew, Mark Burkard e Ingvald Tyssebotn, que fizeram as primeiras pesquisas e conseguiram transformar o DDFPe num transportador de oxigénio.
A chave para a capacidade desta nova substância está em gotículas invisíveis a olho nu. Quando aquecidas à temperatura do corpo humano, essas gotículas expandem-se em micro bolhas, pequenas o suficiente para passar através dos vasos capilares. A forte afinidade dessas micro bolhas com o oxigénio faz com que elas possam cumprir o papel do sangue, captando o oxigénio nos pulmões do paciente e levando-o até aos tecidos.
Infelizmente ainda faltam muitos testes médicos para comprovar que não existirão efeitos colaterais adversos.
Paralelamente várias Empresas farmacêuticas desenvolveram algumas variedades de sangue artificial nas décadas de 80 e 90, mas muitas abandonaram as pesquisas após enfartes, derrames cerebrais e mortes de cobaias humanas. Algumas fórmulas iniciais também causaram o colapso de vasos capilares e o aumento excessivo da pressão arterial. Porém, pesquisas adicionais levaram a vários substitutos específicos do sangue divididos em duas classes: carregadores de oxigénio que utilizam hemoglobina (HBOC, na sigla em inglês) e perfluorcarbonetos (PFC) que atrás citámos. Alguns desses substitutos, na sua fase final de teste, conseguem estar disponíveis em hospitais. Outros já estão em uso, como, por exemplo, um HBOC chamado Hemopure actualmente administrado com alguns inconvenientes em hospitais na África do Sul, onde o alastramento do HIV ameaçou o suprimento de sangue. Um carregador de oxigénio baseado em PFC, chamado Oxygent, está nos estágios finais de testes em seres humanos na Europa e América do Norte.
Os dois tipos têm estruturas químicas bastante diferentes, mas ambos trabalham basicamente através da difusão passiva. A difusão passiva tira proveito da tendência dos gases de se mover de áreas de maior concentração para áreas de menor concentração até atingir um estado de equilíbrio. No corpo humano, o oxigénio move-se dos pulmões (alta concentração) para o sangue (baixa concentração). Depois, quando o sangue atinge os vasos capilares, o oxigénio move-se do sangue (alta concentração) para os tecidos (baixa concentração).
Dissemos no início que estas descobertas resolveriam parcialmente o problema da falta de sangue pois não podemos esquecer que o sangue humano executa muitas outras funções importantes para além do transporte de oxigénio pelos glóbulos vermelhos. Os glóbulos brancos defendem o corpo das infecções bacterianas, as plaquetas promovem coagulação, e as proteínas do plasma executam várias outras funções. Por tal motivo será útil utilizar novas técnicas médicas a quando de uma cirurgia ,tal como utilizar bisturis eléctricos que evitam hemorragias ou a transfusão do próprio sangue do doente e de que existem duas técnicas: 1)- O paciente retira seu próprio sangue alguns dias antes da cirurgia e esse sangue fica guardado em bolsas até que seja necessário utilizá-lo durante a cirurgia programada. 2)- O sangue é retirado no início da cirurgia e armazenado, sendo substituído por soluções cristalóides ou coloidais como expansores do volume do plasma. Ocorrendo algum sangramento ele obviamente será menor, já que estará diluído. No final da cirurgia o sangue é reposto. Como o sangue é do próprio doente não há impedimento religioso.
Para além da conhecida transfusão , aproveitando (após filtração/heparinização) o sangue perdido no decurso de intervenções cirúrgicas, e da chamada transfusão isovolémica, (todas estas técnicas implicando apenas a utilização de sangue do paciente) as alternativas reais à transfusão tem ainda as suas limitações ,pelo que fiquemos com a esperança de que o engenho humano nos conduza no futuro a uma solução de sucesso.

29.9.10

CERVEJA E DIURESE


Embora o título desta mensagem pareça despropositado, a ideia é alertar para o abuso desta bebida, sem as devidas precauções.
Comecemos por dizer que diurese é a produção de grande quantidade de urina e que pode haver várias razões para que tal venha a acontecer . Uma delas é a ingestão de cerveja e daí se dizer que a cerveja é diurética. No fundo, tudo está no funcionamento dos rins que fabricam urina com a finalidade de regular a concentração de minerais no sangue e de limpar, dessa forma, o organismo de compostos inúteis. Com esta frase até parece que me estou a contradizer . Recordemos que a urina é composta aproximadamente por 95% de água e 2 % de ureia. Nos 3% restantes, podemos encontrar fosfatos, sulfatos, amónia, magnésio, cálcio, ácido úrico, creatinina, sódio, potássio e outros elementos.
Como estas substâncias não são inertes ou inofensivas em maiores percentagens que o normal, é necessário uma maior quantidade de água para serem diluídas e retiradas do sangue .
Voltando ao assunto do título da mensagem, a cerveja tem grande quantidade daquelas substâncias tais como açúcares, proteínas , iões e outras moléculas, resultantes da fermentação do lúpulo logo os rins necessitam de maior número de moléculas de água para as diluir e excretar, indo buscar essa água ao organismo. Tal facto pode provocar desidratação e desequilíbrio percentual a nível de outros minerais que são necessários ao metabolismo celular. Este é o primeiro alerta que deixo.
Para se ter uma ideia do que afirmei ,direi que, se bebermos um litro de água os rins fabricam 385 ml de urina, mas se bebermos um litro de cerveja eles fabricam 1012 ml de urina, quase três vezes mais.
Mas há mais ! Um consumo exagerado de cerveja, porque tem álcool, provoca forte desidratação e diminuição de água no tecido cerebral com as consequências que são por demais conhecidas a curto e longo prazo. Desta feita o ideal seria que, após uma noite de copos de cerveja, se bebesse bastante água natural. Mas quem se lembra ou consegue fazer tal coisa ?
Afinal devemos ou não beber cerveja ? A resposta ,como para tudo, é moderação. A cerveja é, sem dúvida, uma bebida saudável e que faz parte da dieta do Homem desde tempos ancestrais. Foi muitas vezes olhada como uma bebida dos pobres e inferior ao vinho, mas tem vindo a crescer não só em termos de qualidade como também de consumo. É hoje bem nítido que as cervejas não são apenas boas para beber, como também fazem bem à nossa saúde, desde que consumidas moderada e regularmente, isto é, não mais de duas garrafas " mini" por dia. Há muita publicidade que se refere aos benefícios do vinho na saúde, levando a que as pessoas considerem que apenas esta bebida nos trará bem-estar. Todavia a cerveja, tal como o vinho, contem um grande número de componentes, entre os quais antioxidantes e vitaminas.
Para os meus leitores que querem uma explicação mais alargada de como se dá a filtragem das substâncias nocivas nos rins aqui vai um pequeno resumo que suponho seja suficiente. Cada rim contém cerca de um milhão de unidades encarregadas da filtragem (nefrónios). Um nefrónio é constituído por uma estrutura redonda e oca (cápsula de Bowman), que contém uma rede de vasos sanguíneos (o glomérulo).
O sangue penetra no glomérulo com uma pressão elevada. Por tal facto, grande parte da fracção líquida do sangue é filtrada através de pequenos poros situados nas paredes dos vasos sanguíneos do glomérulo e também pela camada interna da cápsula de Bowman; as células sanguíneas e as moléculas maiores, como as proteínas, não são filtradas. O líquido filtrado, já depurado, penetra no espaço de Bowman (a zona que se encontra entre as camadas interna e externa da cápsula de Bowman) e passa pelo tubo que sai da mesma. Na primeira parte do tubo (tubo proximal), absorvem-se a maior parte do sódio, água, glicose e outras substâncias filtradas, as quais, posteriormente, voltam a integrar o sangue. . A parte seguinte do nefrónio é a ansa de Henle. À medida que o líquido passa através da ansa, o sódio e vários outros electrólitos são bombeados para o interior do rim e o restante fica cada vez mais diluído. Este líquido diluído passa para a parte seguinte do nefrónio (o tubo distal), onde se bombeia mais sódio para dentro, em troca de potássio, que passa para o interior do tubo.
O líquido proveniente de vários nefrónios passa para o interior do chamado tubo colector. Nos tubos colectores, o líquido pode seguir através do rim sob a forma de urina diluída, ou a água desta pode ser absorvida e devolvida ao sangue, fazendo com que a urina seja mais concentrada. Mediante as hormonas que influem na função renal, o organismo controla a concentração de urina segundo as suas necessidades de água.
A urina formada nos rins flui pelos ureteres para o interior da bexiga, onde é armazenada até sair para o exterior.
Depois de tudo isto, beba cerveja , mas com moderação e não esqueça de um copo de água ao deitar para repor a água perdida por diurese.

17.6.10

DOENÇA DOS PÉZINHOS

A paramiloidose é uma doença ainda incurável, vulgarmente conhecida por "doença dos pézinhos", devendo existir há já cinco séculos no nosso país mas que só foi diagnosticada nos anos 40, em pescadores da Póvoa de Varzim. O responsável por esta descoberta foi o médico e professor universitário da cidade do Porto, Dr. Corino de Andrade. De início pensou-se que a doença teria surgido em Portugal numa família de pescadores da zona da Póvoa de Varzim , mas muitos outros casos apareceram em diversas partes do mundo. Logo se aventou que a propagação da doença teria sido feita pelos portugueses através das rotas de comércio e de navegação, mas talvez tenham sido os Vickings os responsáveis pelo aparecimento da referida doença no nosso país.A paramiloidose manifesta-se normalmente entre os 25 e os 35 anos e transmite-se , por via genética, de pais a filhos. Os principais sintomas são uma grande perda de peso e de sensibilidade a estímulos nos pés e mãos . O Professor Corino de Andrade detectou esta doença ao observar pescadores da zona da Póvoa de Varzim que não sentiam dor quando se cortavam nas cordas dos barcos ou se queimavam com os cigarros A principal zona afectada são os membros inferiores . Mais tarde a doença alastra-se aos membros superiores, causando também perturbações no aparelho digestivo e problemas graves no coração e rins, na última fase da doença. É pois uma doença crónica e progressiva em que o sangue apresenta uma proteína anormal formada no fígado por troca de aminoácidos. Com uma análise sanguínea é possível saber quem são as pessoas transmissoras da doença e os possíveis futuros doentes.

É uma doença ainda mortal, mas que pode ser retardada através de um transplante hepático, com todos os seus riscos, embora neste ano de 2010 se esteja a testar um medicamento para retardar o avanço da doença.

A instrução genética alterada que faz a produção do aminoácido errado encontra-se no par cromossómico nº 18 e a sua transmissão aos descendentes é feita de acordo com o que se designa Herança Autossómica Dominante, daí que haja 50% de probabilidades dos filhos serem sãos e não transmissores , a não ser que ambos os progenitores sejam doentes e então a possibilidade de ter filhos sãos diminui para menos de 25%. Um outro novo tratamento está já a dar frutos aos filhos de portadores desta doença, Vários casais portugueses recorreram a uma técnica de procriação medicamente assistida para que os filhos nascessem sem aquela patologia.
Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), Carlos Figueiras, há casais que recorrerem a uma técnica de procriação medicamente assistida designada Diagnóstico Genético Pré-Implantação (DGPI). Trata-se de um método muito precoce de diagnóstico pré-natal para casais com elevado risco de transmissão da doença genética. O DGPI efectua-se após a remoção de uma ou duas células de embriões nos primeiros dias de desenvolvimento e posterior diagnóstico de uma patologia genética ou cromossómica, tendo como objectivo a transferência de embriões geneticamente normais no que respeita à doença estudada.O responsável da APP acentuou que há crianças com quatro, cinco e seis anos que «estão sadias sem a doença e os pais vivem felizes porque sabem que os filhos e netos nunca terão a doença». Daí que, neste momento estejam a nascer menos bebés com a doença.

18.3.10

História do Viagra



A potência sexual foi sempre um elemento primordial para o homem , mesmo nas sociedades primitivas pois era significado de poder. Os Gregos antigos não escapavam a esta premissa e a cura da impotência preocupava já os médicos daqueles tempos .
Certamente terão fracassado as rezas dos “ asclépiades” e por isso os “hipocráticos” aplicavam no pénis , no ânus e nas coxas uma mistura de azeite e pimenta , esfregando toda a zona com um ramo de urtigas . Não sabemos se acertaram com o receituário! Também entre os chineses a potência sexual é obsessão histórica : o elixir dourado procurado pela alquimia taoista para obter a imortalidade estava relacionada com o rendimento sexual do homem. Os farmacêuticos ambulantes da antiga China dispunham de vários medicamentos tais como sangue de serpente que os velhos deveriam beber por uma taça de cristal, ou sopas de barbatanas de tubarão ou de ninhos de andorinha. Ainda hoje os ervanários chineses vendem lâminas de cornos de veado para estimular a potência sexual. Não eram só os chineses que assim pensavam; Henrique IV meio irmão de Isabel , a católica, de Espanha chegou a enviar emissários a África para procurarem o corno do unicórnio. Ficou para a história com o cognome de “o impotente”.
Em 1985, dois investigadores dos laboratórios farmacêuticos Pfizer, Simon Campbell e David Roberts que trabalhavam num fármaco para as doenças cardiovasculares , verificaram que o citrato de sildenafil era um poderoso agente eréctil , pois inibia um enzima que limita a produção de oxido nítrico. A substância em causa dava lugar a um maior fluxo de sangue no corpo cavernoso do pénis e a uma prolongada erecção . Os laboratórios da Pfizer patentearam o produto em 1996 e comercializaram-no com o nome de Viagra. Embora surta os efeitos desejados , tem efeitos secundários indesejáveis como dores de cabeça ,vermelhidão no rosto e visão azul, para já não falar em casos raros de morte por enfarte cardíaco . Parece que o nome do medicamento deriva da antiga palavra oriental vyaghra que significa homem com força de tigre.
Não fujo à tentação de transcrever passagens de um site que afirmava :….desde que apareceu o viagra os velhos andam todos malucos ! Embora o viagra tenha salvo alguns casamentos em risco e tenha dado a outros novas cores, serve igualmente para destruir as famílias e semear a desgraça , tudo porque a relação está a ser feita na base de uma performance sexual artificial. Não se pense, no entanto, que este tema diz respeito só aos velhos . A moda do viagra estendeu-se a outras idades . São os jovens que perspectivando uma relação ocasional e querendo fazer boa figura , recorrem ao elixir e a relação que começa esforçadamente na cama ,continua nesta somente até os parceiros se cansarem um do outro. As mulheres devem desconfiar do macho que conheceram na discoteca e que se manteve firme várias horas. Não pensem que ele se manterá sempre assim pois mais cedo ou mais tarde os efeitos secundários do medicamento se farão sentir. O mesmo podemos dizer de certos produtos anunciados como afrodisíacos femininos que transformam a mulher numa devoradora de homens. Os efeitos secundários são inevitáveis.

21.4.09

NÓS SOMOS O QUE COMEMOS

Como todos os seres vivos, o homem necessita de alimentos mas a maioria das pessoas come mal ; uns comem em demasia,outros passam fome ou cometem erros alimentares que provocam doenças. Os especialistas afirmam que a genética será a arma para recuperar as imunidades perdidas por doenças oriundas de erros alimentares mas, até essa solução chegar, a estratégia é adoptar hábitos de vida saudáveis. Dormir as horas necessárias, fazer exercício físico regularmente, ter uma alimentação equilibrada, não fumar e restringir ao máximo o consumo de álcool,constituem a melhor estratégia para conservar a saúde. Claro que ninguém está a salvo de contrair uma doença por herança genética, ter o seu envelhecimento natural, variações hormonais ,etc ,etc, mas podemos minimizar os factores de risco. Como alguém dizia : a vida é como um jogo de cartas ; a cada um de nós foi dado um conjunto de cartas (genes) mas, dependendo da forma como se jogam as cartas que possuímos, assim o resultado da partida pode ser bom ou mau. A alimentação certa, para além das suas características nutricionais , é uma ferramenta que pode destruir os radicais livres que tornam as células doentes. Está provado que uma má alimentação proteica, como acontece em países subdesenvolvidos ,está ligada a morte por infecções , o que também acontece em hospitais e lares nos quais os idosos deixaram de comer. A interacção entre nutrição e imunidade sugere a possibilidade de prevenir doenças através da alimentação. Todos os nutrientes têm importância, sejam os ácidos gordos omega 3, os sais minerais, as vitaminas ,os anti oxidantes e os alimentos pré e pró bióticos como as fibras vegetais e bactérias dos iogurtes. No caso dos antioxidantes que fazem desaparecer os radicais livres o mais importante está no azeite que também tem propriedades anti-inflamatórias e anti-cancerígenas , por possuir polifenois. Já que falàmos em radicais livres e anti-oxidantes vejamos o que são : RADICAIS LIVRES são elementos produzidos no processo respiratório e resultam da transformação de cerca de 3% do oxigénio inspirado. Esta pequena quantidade de radicais livres libertada no sangue tem efeito benéfico pois combate as bactérias e vírus do organismo, mas a poluição ambiental,o stress, o tabagismo ,o sedentarismo , uma alimentação rica em açúcares e gordura e a prática de exercícios físicos intensos levam a uma produção exagerada de radicais livres o que já é prejudicial, pois oxidam as células. É desta forma que surgem doenças degenerativas como a atenosesclerose ,hipertensão, diabetes, cataratas, Alzheimer , cancro ,artrite.Parkinson, etc. Como já dissemos os radicais livres são destruídos pelos anti-oxidantes que se encontram em vários alimentos, conjuntamente com as vitaminas e sais minerais. Uma alimentação rica em fruta, legumes,hortaliças e cereais integrais fornecem os anti-oxidantes necessários se bem que outros alimentos possuidores de vitaminas C e E , zinco, selénio, luteína e betacaroteno, complementem a dose ideal de anti-oxidantes. Considerando que o ritmo da vida moderna não permite uma alimentação racional e equilibrada, muitas empresas farmacêuticas lançam campanhas para vender suplementos minero-vitamínicos anti-oxidantes para compensar as deficiências. Estas campanhas nas revistas e televisões podem levar a excessos de efeito contrário ao desejado, pelo que se recomenda sempre um acompanhamento de médico especialista.Vejamos agora o que entendemos por alimentação racional cuja palavra chave é "equilíbrio " ou seja,a ingestão de uma grande variedade de alimentos em quantidades adequadas ao consumo de energia diária do nosso corpo, não esquecendo que a abundância ou escassez de qualquer nutriente pode levar ao desequilíbrio e originar problemas de saúde. A energia que consumimos é fornecida por três grupos de alimentos que apresentamos por ordem de importância: Hidratos de Carbono (massas, bolos, bolachas, pão ,arroz, batata, fruta) ;Gorduras (óleo,azeite,manteiga,margarina )Proteínas (leite,queijo,carne ,peixe, ovos ); para além destes nutrientes energéticos , outros há que são fundamentais, como as vitaminas , os sais minerais e as fibras. São regras básicas de uma alimentação equilibrada:
«««Comer grande variedade de alimentos respeitando os diversos grupos alimentares e não ingerir apenas alimentos de um só grupo.
«««Manter um peso saudável de acordo com a altura. A manutenção de um peso saudável , ao longo da vida, ajuda a reduzir a probabilidade de ocorrência de doenças.
«««Controlar a ingestão de gorduras.
«««Utilize o sal em mínima quantidade, substituindo-o por ervas aromáticas. O sal é o causador da hipertensão.
«««Faça uma dieta rica em legumes, frutas e leguminosas (ervilhas, favas, feijões etc).
«««Modere as bebidas alcoólicas e os refrigerantes com açúcares, São bebidas com muitas calorias e valor nutritivo quase nulo.
«««Álcool ,chá preto e café podem provocar dependência e perturbações.
«««Beba muita água que tem zero calorias e não engorda, contrariamente ao que muita gente pensa.

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15.12.08

MEDICINA DO FUTURO



Quando escrevi sobre a Medicina do passado, logo me ocorreu que alguém me perguntaria como seria a medicina do futuro. Dessa forma alinhavei algumas linhas , baseando-me no que se sabe sobre genética, robótica, informática, células estaminais e outras descobertas como a tão falada nanotecnologia. Quem já viu filmes de ficção científica observou que os médicos eram auxiliados por máquinas inteligentes e humanoides robóticos. O que nesses filmes era pura ficção, começa agora a não o ser dando ,como exemplo,o que se passa na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra onde uma equipa liderada pelo Prof. Rui Cortezão está a desenvolver o projecto de um robot que, dentro de seis anos, poderá estar a ser usado em hospitais para cirurgias minimamente invasivas. Designado de WAM difere ,de outros já existentes, pela melhor telemanipulação e telepresença, garantindo ao cirurgião uma sensação de contacto de alta definição. Será usado em cirurgias realizadas através de pequenos orificios ou de aberturas naturais. Na América , estão em fase experimental uns óculos que usando pequenas telas de cristal líquido, projectam uma imagem tridimensional dos ossos do paciente, gerada por computador. Saíndo do capítulo robótico, outros avanços na medicina, como é o caso das células estaminais, permitem sonhar em regeneração laboratorial, de órgãos lesados , ou mesmo criação de órgãos completos,pois já foi provado laboratorialmente que uma célula estaminal adulta é capaz de se modificar em qualquer outro tipo de célula, independentemente do seu tecido de origem, desde que cultivada em condições adequadas. A ser assim,no futuro, serão anuladas certas questões ético-religiosas e os problemas de rejeição de transplantes, por serem usadas células estaminais do próprio paciente,tornando-se assim possível imaginar o fim das filas de espera por um dador compatível. O jornal Correio da Manhã ,de 20-11-2008,noticia que uma mulher de 30 anos, a viver em Barcelona, sofreu um transplante de traqueia construída com células estaminais da própria. A conhecida revista médica LANCET publicou os resultados positivos deste transplante,ocorridos cinco meses após a operação. As células estaminais são células com grande capacidade de se replicarem naturalmente,dando outras semelhantes. As células estaminais encontram-se na medula óssea,sangue, placenta e líquido amniótico podendo, segundo técnicas especiais, dar células diferentes como as do tecido ósseo, muscular,nervoso etc.

A micro-electrónica está também dando uma ajuda á medicina do futuro. Cientistas desta área de conhecimento estão aptos a dar audição a surdos profundos e imagem a certo tipo de cegueira recorrendo, neste último caso,a eléctrodos implantados no cérebro e a mini-câmaras de vídeo instaladas em óculos. Uma outra ideia curiosa surgiu do facto de alguns fabricantes de automóveis terem criado um dispositivo electrónico capaz de detectar o bafo de um condutor alcoolizado e desligar o motor .Aliando esta invenção ao facto de se estarem a treinar cães para que, com o seu olfacto apurado. detectem doenças ainda no seu início, pensa-se em criar um robot olfactivo que venha a fazer o trabalho canino. Com a nanotecnologia prevê-se a criação de máquinas de tamanho inferior ao de uma célula que, percorrendo todo o corpo pelos vasos sanguíneos, façam reparações a nível celular. Estes avanços são forçosamente lentos mas há outros a caminhar mais rapidamente, como o robot-enfermeiro que separa ,na farmácia hospitalar, a medicação prescrita a cada doente e faz a sua entrega personalizada, sem erros e a tempo e horas, registando parâmetros clínicos do paciente , enviando-os, em tempo real , ao médico.

Segundo a opinião do Dr. Nuno Nine existe já moderna tecnologia de diagnóstico. Através do varrimento eléctrico intersticial ( VEI) é possível uma análise , em tempo real, de parâmetros fisiológicos dos tecidos dos orgãos através do seu líquido intersticial. É a medicina quântica ou informática que possibilita ,em três minutos, fazer uma análise geral ao doente ,sem agulhas, recolha de sangue e outros métodos invasivos, apenas medindo impedâncias bio-eléctricas de uma mais que fraca corrente eléctrica aplicada , com eléctrodos, sobre a pele. Desenganem-se no entanto aqueles que pensam que algum dia será vencido o inexorável ciclo do nascimento- vida- morte pois,quando muito,será retardado no tempo, havendo uma longevidade maior com o auxílio robótico.

Mas será o Homem feliz num mundo de robots ? Não se tornará ele um escravo da máquina? Não será este o seu fim como espécie animal? São perguntas angustiantes de resposta difícil de enunciar. Há quem afirme que a medicina do futuro não vai necessitar de robots, pois será criado o homem geneticamente modificado, imune á doença e a medicina servirá apenas para reparar danos acidentais. Será assim ou teremos de admitir que a Natureza pode também criar novas formas de vida que ataquem o homem modificado? Criar-se-á novo homem ,respondem os optimistas. Mas ao fim de várias mutações, será ainda aquele ser um Homo sapiens,sapiens , ou outra coisa qualquer ?-pergunto eu .

4.11.08

MEDICINA DO PASSADO (2ª PARTE)

( A primeira parte deste tema foi publicada neste blog em 20-9-08)

Um velho, calvo e barbudo, com rugas que lhe marcam o rosto, fala a um grupo de jovens que o rodeia : ....breve é a vida e longa a arte; a ocasião é fugaz; a experiência enganosa; o julgamento difícil . O médico deve não somente cumprir o seu dever,como estimular a cooperação do paciente, dos seus assistentes e de todos mais... Quem assim falava era Hipócrates, nascido na ilha de Cós por volta do ano 460 ,antes de Cristo. Médico ambulante, conforme os costumes da época, percorreu toda a Grécia ensinando medicina até á sua morte aos 90 anos de idade. Era um asclépíade, isto é, membro de uma família que praticava cuidados de saúde. O maior mérito de Hipócrates foi considerar a medicina uma disciplina distinta da filosofia , não podendo a ela ser aplicada métodos especulativos. A medicina não podia ser estudada a partir de pressupostos, mas apenas pela observação científica dos fenómenos. Hipócrates tentou dissociar a medicina da superstição, combatendo a ideia de que demónios ou espíritos entrados no corpo é que provocavam as doenças. Do volumoso legado de 53 tratados de medicina que lhe são atribuídos , seleccionámos os seguintes : Juramento; Tratado sobre a doença sagrada (epilepsia) ; Tratado sobre ares ; Águas e lugares ; Prognóstico ; Tratado sobre epidemias . Hipócrates dizia : "a saúde depende da harmonia entre 4 humores: bílis preta, bílis amarela , sangue e fleugma . "Quando a harmonia não ocorre o calor vital do corpo provoca fermentação do humor em excesso que é expelido com a urina ,fezes, vómito, suor, expectoração e hemorragia nasal. Na anatomia da época não se distinguia tendões de nervos nem veias de artérias, quanto á sua função . Embora com tão empíricos conhecimentos Hipócrates conseguiu formular conceitos terapêuticos válidos ainda hoje. Achava ele que " o organismo age para combater a moléstia e o médico deve apenas colaborar no processo natural. Para tal deve fazer um diagnóstico, um prognóstico e um tratamento." Pese ele ter errado quanto ao médico apenas colaborar no processo natural , ele sabia já distinguir a doença de sintomas da mesma . Para Hipócrates, a febre era apenas um sintoma de que qualquer maleita tinha atingido o homem e não ela , em si, uma doença a curar. Era um avanço extraordinário para a época. Terá sido por influência de Hipócrates que a medicina assumiu a posição dignificante de hoje. Isso transparece claramente num dos trechos de "Juramento " Puras e santas conservarei a vida e a arte curativa.......em qualquer casa que entre, será para o bem do doente e me manterei longe de qualquer acto danoso, como também de contactos impuros com homem ou mulher, sejam eles livres ou escravos....... qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento e que não possa ser contado a estranhos, guardarei segredo como coisa que não é lícito dizer. Como ele estava actualizado, 2600 atrás! Pura e santa conservarei a vida.... Hoje diz-se que o médico tudo deve fazer para conservar a vida do doente e não provocar a morte do mesmo. Daí haver médicos oponentes ao aborto ou á eutanásia. ...qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento .....guardarei segredo . É hoje o sigilo clínico. "...me manterei longe de qualquer acto danoso....."É a deontologia médica de hoje. Não é por acaso que Hipócrates é considerado o pai da medicina .
Na Idade Média ,o diagnóstico de uma doença não podia variar muito : ou era provocado pela entrada de um demónio no corpo do doente, pela influência da Lua, de feitiços , pragas ou maus olhados, daí os exorcismos, amuletos ,rezas e promessas ,como terapia praticada nos mosteiros. Se no início os monges e restringiam á cura dos companheiros da ordem , com o tempo passaram a atender doentes alheios ao mosteiro, da mesma forma que os médicos leigos, fazendo cirurgias nem sempre bem sucedidas o que interferia na reputação dos sacerdotes. Face a este facto ,e por decisão do Concílio de Roma, em 1138, os sacerdotes foram proibidos de exercer a medicina á população.Os monges tornearam o problema de uma maneira curiosa ; como estavam proibidos de usar barba e cabelo comprido tinham , ao seu serviço, criados barbeiros. Não podendo realizar sangrias, delegaram nos criados essa função sob sua orientação. Nasciam assim os barbeiros sangradores,barbeiros cirurgiões e barbeiros dentistas, tendo alguns chegado ,nas aldeias, ao início do século XX. Pouco a pouco foram-se formando escolas leigas de medicina junto aos próprios mosteiros. Aparece assim a Escola de Salerno, muito antes do ano 1000, com influência das medicinas grega, árabe e judaica. Um dos seus grandes mestres foi Garioponto, autor da "Passionária", obra copiada e recopiada durante toda a Idade Média. Este livro, fartamente ilustrado com iluminuras, descrevia todas as doenças , da cabeça até aos pés, indicando as diferentes formas de cura. Desta escola de Salerno saíram grandes mestres com Rogério Furgado, na segunda metade do sec XII, cujos ensinamentos se mantiveram por mais de 100 anos, sendo evidente que os salernitanos praticavam a dissecação em porcos, para conhecimentos científicos. Talvez daí o conhecido provérbio : "Se queres conhecer o teu corpo abre um porco " Com o aparecimento das universidades a escola de Salerno foi entrando em decadência e quase desapareceu. Em Janeiro de 1315, rodeado pelos discípulos, o médico Mondino de Luzzi ensinou anatomia com observação directa num cadáver, dissecando-o, o que ia contra os princípios da Igreja. Este avanço no estudo do corpo humano deve-se á formação das universidades, como é o caso da Universidade de Mestres e Estudantes de Bolonha, a primeira na Europa.Um dos aspectos mais típicos e mais significativos destas universidades é o seu carácter laico e associativo. A vida intelectual começava assim a libertar-se dos conformismos e da dependência da religião . Á medida que as universidades floresciam , o espírito de pesquisa intelectual era cada vez mais incentivado e novas conquistas foram facilitando a prática da medicina, como é o caso das tentativas de anestesia dos pacientes com esponjas impregnadas de ópio e outras substâncias , tornando-se assim mais praticáveis as longas intervenções cirúrgicas com menos sofrimento para os pacientes. Também o uso do bisturi foi introduzido definitivamente, contrariando a influência islâmica que preferia a cauterização. Quanto não se andou até aos nossos dias e quanto não teremos de andar até se chegar a uma medicina sem efeitos colaterais para o paciente. Que venha breve a Medicina do Futuro.

15.10.08

ANTI-OXIDANTES

Há dias , meio sonolento, ouvia um anúncio televisivo de um produto qualquer em que realçavam o seu poder anti- oxidante e o benefício para a saúde. Como já não creio muito em tais anúncios resolvi explorar o tema . Na realidade garantir ao organismo uma barreira que o proteja contra a agressividade dos factores externos que provocam infecções ou inflamações, pode ser obtida com os anti-oxidantes que combatem os radicais livres. Os radicais livres são elementos destruidores da estrutura das células, levando ao aparecimento de doenças degenerativas e ao envelhecimento precoce. Os radicais livres são produzidos no decorrer do processo respiratório e, em quantidades normais, têm uma acção benéfica anti-bacteriana e anti-vírica. O mal vem da poluição , do stress, do tabagismo e sedentarismo que contribuem para um aumento exagerado destes radicais livres.Uma alimentação rica em gorduras,açúcar e álcool ou pobre em vitaminas e minerais, dão também origem ao excesso de radicais livres. O mesmo acontece quando se praticam exercícios físicos exagerados dado que há grande consumo de oxigénio pelo corpo.Este excesso danifica as células saudáveis e aumenta o risco de desenvolvimento de doenças crónicas como atenoesclerose, hipertensão,diabetes, Alzheimer,cancro, Parkinson,artrite ,etc. Os anti-oxidantes são moléculas químicas capazes de neutralizar os radicais livres e podem ser encontrados nas frutas, legumes ,hortaliças e cereais integrais. De seguida apresentamos um quadro elucidativo de onde encontrar naturalmente anti-oxidantes.


A ingestão destes alimentos pode não ser suficiente se o sedentarismo e uma alimentação desequilibrada estiverem presentes. Na procura de uma melhor qualidade de vida, muitas pessoas gastam dinheiro em suplementos vitamínicos e minerais , sem terem em conta as suas necessidades pessoais,copiando o que fazem os amigos, sem uma orientação profissional específica. Aqui fica um aviso: cuidado com os anúncios da televisão e revistas; antes de comprar um produto farmo-químico ou iniciar um regime alimentar especial, consulte um médico nutricionista. Aquilo que funcionou com o seu amigo pode não estar indicado para si e provocar efeitos colaterais. O melhor é comer ,diariamente,um pouco dos alimentos mostrados abaixo e pôr de lado os doces e a comida de plástico pré-fabricada.poupa na farmácia, no ginásio, no médico e viverá melhor.

20.9.08

A MEDICINA DO PASSADO (1º parte)

Em Espanha, na gruta de Gargas, em uma das suas paredes, há a impressão de uma mão com as cinco falangetas dos dedos amputadas. Acidente, acto ritual ou medida disciplinar, o que impressiona nesta pintura pré-histórica é a regularidade com que as extremidades dos dedos foram amputadas. A observação de remanescentes fósseis da Idade da Pedra (3000 AC ) evidencia já alguns conhecimentos empíricos das moléstias do aparelho esquelético do homem. A perfuração da caixa craniana (trepanação), observada em crânios, fósseis mostra que o cirurgião-curandeiro a praticava tanto em cadáveres como em pessoas vivas. Muitos dos "pacientes" devem ter morrido devido a infecções provenientes do acto, mas alguns sobreviveram. A razão da trepanação pode ter sido um acto médico para retirar um "demónio" da cabeça da pessoa . Essa pessoa ,pensa-se hoje, sofreria de histeria ou de epilepsia mas,tal como na Idade Média eram espancados á paulada, na piedosa intensão de escorraçar o demónio, naquele passado longínquo abria-se um buraco na cabeça para o tal demónio sair. Quanto á trepanação realizada nos mortos poderia tratar-se de uma tentativa de devolver a vida ao defunto . Qualquer que fosse a finalidade das trepanações pré-históricas, houve perícia na sua execução. Verificam-se trepanações em que a remoção do rectângulo ósseo foi feita após prévia perfuração de pequenos orifícios a que se seguiu o corte. Mais vulgar era o tratamento de membros fracturados em que os ossos eram recolocados na posição original, imobilizados com talas e enfaixamentos semelhantes aos de hoje.. Também as amputações de membros eram feitas como solução radical contra a mordedura de animais venenosos ou de gangrena de uma ferida.Feridas de flechas e de lanças eram tratadas com habilidade, pois se a flecha penetrasse em região delicada, o "cirurgião" limitava-se a retirar a haste, sem tocar na ponta de pedra,isto 10.000 anos antes de Cristo. Se dermos um grande salto no tempo, para 2500 A.C, vemos estelas funerárias egípcias contendo o relatório de como o médico teria diagnosticado a causa de morte do paciente como, por exemplo, um ataque cardíaco. Nesta época a classe médica já estava separada da dos sacerdotes e havia três especialidades : oculistas, dentistas e internistas. Os médicos do Egipto treinavam os seus conhecimentos na observação interna dos animais sacrificados como o fariam, mais tarde, os gregos e os romanos. O costume egípcio de embalsamar os mortos levava também ao conhecimento e estudo da anatomia interna humana o que já não aconteceu na Europa obscurantista do sec V, por culpa da Igreja Católica que condenava o estudo em cadáveres. Nas ruínas da cidade de Kahum, encontraram-se dois fragmentos de papiro em que estão escritas receitas para doenças femininas, 1900 anos antes de Cristo. O papiro de Ebers, documento com 110 colunas, apresenta receitas para numerosas moléstias, preceitos de higiene e um tratado de fisiologia. Já na Babilónia de 4000 anos atrás , ser médico era exercer uma profissão cheia de perigos e imprevistos. O código de Hamurabi, terrível estatuto penal, indicava o que o médico receberia por determinados tratamentos realizados com êxito, mas também as consequências de uma cirurgia falhada , em que a penalização ia desde a multa pecuneária até ao corte da mão . Na Europa do sec XVI dá-se o renascimento da anatomia. É a época em que os estudantes se esgueiram pela calada da noite para recuperar cadáveres de enforcados, ou desenterrarem corpos nos cemitérios para suprir, com esse material , a insuficiência do ensino médico teórico, imposto pelo catolicismo. Dissecam esses corpos em locais secretos ,sem se importar com a podridão e os miasmas. Leonardo da Vinci usou os mesmos estratagemas para estudar a anatomia muscular que depois aplicava nas pinturas e estatuária. Muito se andou desde os tempos primitivos até aos nossos dias em que se usa tecnologia avançada para o diagnóstico e tratamento de doenças e acidentes. Com o avanço da nanotecnologia e outras ciências, talvez um dia o médico seja apenas um robot.
(A figura mostra um vaso babilónico em que está representado o Deus da Cura e que terá servido para fabricar um medicamento ) (Este tema tem continuação em medicina do passado 2ª parte)

21.5.08

O triunfo da VACÍNIA

Uma das doenças da Europa do séc XVIII era a varíola de origem vírica ; de contágio fácil, afetava muitas pessoas, provocando grande mortandade.Para cúmulo do azar, as pessoas que escapavam à morte ficavam com cicatrizes, principalmente na cara, o que as marcava para toda a vida. Além de desfeiar, na sociedade supersticiosa daquela época, as cicatrizes eram consideradas como um castigo divino para graves pecados. Edward Jenner, médico inglês da última década do sec XVIII,tinha observado o seguinte : os criadores de vacas que haviam sofrido levemente de uma doença destes animais, muito parecida com a varíola, ficavam com uma maior resistência a esta doença. Baseado nesta observação, injectou linfa de vaca doente em indivíduos que queria libertar da varíola. Ao fazer isto, provocou nas pessoas uma reacção de defesa que lhes permitiu superar as consequências de outro contágio de varíola. A "vacinia" (do latim vacca), assim se chamava a doença das vacas, passou então a ser o termo genérico para qualquer produto de laboratório que contenha germes, mortos ou atenuados, da doença a tratar.

No século passado ,criaram-se com êxito vacinas contra a febre amarela , raiva, tétanos, difteria e cólera. Também a rubéola e poliomielite deixaram de ser ameaça na Europa e América do Norte. Mas deixemos a parte histórica e vejamos a científica: uma vacina é uma substância derivada, ou quimicamente semelhante, a um agente infeccioso, causador de doença. Esta substância é reconhecida pelo sistema imunitário do indivíduo vacinado que reage como se tivesse sido realmente atacado pelo agente infectante. O facto do agente não existir na vacina com capacidade para se multiplicar ràpidamente e causar doença dá, ao sistema imunitário das pessoas, tempo para preparar a defesa e memorizá-la. Esta memorização fará com que o sistema imunitário responda com rapidez e eficácia a uma verdadeira infecção, no futuro. Uma vacina tem, em geral, quatro componentes : o antigénio que pode ser o agente infeccioso inactivado ou atenuado ou ainda partes do agente; o solvente é,normalmente, água esterilizada ;conservantes,antibióticos e estabilizadores que servem para estabilizar o antigeno e evitar que este seja alterado por invasão bacteriana; adjuvantes que são compostos á base de alumínio com a finalidade de aumentar a resposta imunológica do indivíduo vacinado. As vacinas podem ser classificadas em três grandes grupos: Vacinas inactivadas ou inertes---o agente bacteriano ou viral é inactivado e incapaz de se multiplicar mas mantendo a capacidade de activar o sistema imunológico. São vacinas muito seguras, não havendo a possibilidade de originar a doença. Têm a desvantagem de requerer várias tomadas, 4 a 5 doses espaçadas, para terem efeitos. São exemplos deste tipo as vacinas a VIP( pólio), Pw (tosse convulsa),DTPa (difteria,tétano). Vacinas VIVAS atenuadas---O agente patogénico, obtido a partir de um indivíduo infectado,é enfraquecido através de um hospedeiro não natural ou de um meio adverso; este agente vivo atenuado, quando inoculado, multiplica-se sem causar doença, estimulando o sistema imunitário. São vacinas fáceis de produzir, existindo um pequeno risco de poder provocar infecção.São exemplo as vacinas :VAP(pólio) VAS,VAR,VASPR (sarampo,papeira e rubéola) e BCG (tuberculose). Finalmente há as vacinas por recombinação genética que se usam técnicas de biologia molecular e engenharia genética.


Actualmente usam-se vacinas polivalentes, tendo em conta os subtipos mais vulgares de virus razão porque, por exemplo, a vacina da gripe tem de ser modificada todos os anos, de acordo com as mutações detectadas no agente patológico. Infelizmente, para a SIDA e Gripe Aviária não foi ainda possível uma vacinação credível, mas não é de desanimar pois ,há pouco tempo ,surgiu a vacina para o cancro do colo do útero, o que se pensava ser impossível realizar . Doenças que na Europa há muito foram erradicadas por vacinação, continuam a provocar em África graves surtos epidémicos, tudo por culpa dos seus venais governantes. A terminar , alertamos para o facto de que qualquer vacina só deve ser tomada sob indicação e controlo médico, pois pode haver contra indicações, por as pessoas serem alérgicas aos conservantes e estabilizadores da vacina, ou por possuirem deficiência imunitária devida ao HIV , a tramento de quimioterapia ou outro.
Algumas vacinas em Portugal são gratuitas, fazendo parte do Plano Nacional de Vacinação, informação que pode colher em qualquer Centro de Saúde. Última Hora . Já depois de publicada esta mensagem chega-nos a notícia (8 de Junho de 2008) de que a Agência Europeia do Medicamento aprovou, a 14 de Maio, a primeira vacina pré-pandémica para humanos contra o virus das aves H5N1(Gripe Aviária) . A vacina tem o nome de PREPANDIX da multinacional GlaxoSmithKline.No entanto, a sub-directora geral de saúde afirmou ser prematuro Portugal adquirir a vacina. Como sempre , andamos no velho adágio de " casa roubada ,trancas na porta".

25.3.08

DENGUE

Os jornais ,rádio e televisões noticiaram , no Domingo de Páscoa, o surto de Dengue que grassa no Rio de Janeiro com títulos que não deixam margem para dúvidas : "Exército nas ruas para combater Dengue " Mais de 30 pessoas já morreram no Rio de Janeiro " "Mosquito assassino ".
Estatística do assassino na América do Sul em 2007 : Colombia 2o mortos.Equador 5;Paraguai 17; Brasil 158, Não há vacina para o DENGUE
A TAP informou que vai reforçar as medidas de desinfestação dos aviões provenientes do Rio de Janeiro , antes de descolarem daquela cidade. Vai ser aplicado um spray na cabina ,depois de todos os passageiros estarem a bordo,como já vinha acontecendo nos voos oriundos de África. Não podemos esquecer que todos os anos e em todo o Mundo são infectadas 50 milhões de pessoas.Destes casos 500.000 são de Dengue Hemorrágico, vinte mil dos quais são mortais.

Portugal está no limite da zona de maior risco de transmissão da doença.
Sobre este tema aconselhamos a leitura do que publicàmos neste BLOG em 23 de Janeiro de 2008,sob o título Mosquitos em ataque .

19.2.08



ALIMENTAÇÃO ESCOLAR


"Mente sã em corpo são" era um lema dos antigos gregos que o aplicavam á sua juventude,incitando-a a uma dieta mediterrânica e a praticar desporto. Nas nossas escolas há hoje um incentivo ao desporto como fonte de saúde ,mas muito pouco se tem feito em educação alimentar. Por variadas razões, a maioria dos alunos não faz uma boa alimentação, daí o crescente número de obesos juvenis
É na escola que os alunos passam a maior parte do dia e onde tomam várias refeições,nem sempre apropriadas.É possível que haja cantinas que forneçam refeições variadas,ricas em vegetais, com significativo peso de peixe,com sopas, fruta e um reduzido teor de gorduras saturadas, mas de que vale esse plano alimentar se ao lado estão os bolos,os chocolates,as bebidas açucaradas, etc ?. Quando isto não acontece dentro da Escola, está ali mesmo em frente da porta, nos cafés e pastelarias , ao arrepio de uma antiga lei que não permite tais estabelecimentos comerciais a menos de 1 Km da Escola.
Sabemos que a alimentação e seus vícios são influenciados por factores sócioculturais e económicos mas, como diz a nutricionista Drª Alexandra Aleixo , a alimentação escolar deve ultrapassar os objectivos de saciedade e ter objectivos específicos nutricionais com vista á prevenção de futuras doenças metabólicas . Continuando a citar a referida nutricionista :As crianças dos 6 aos 12 anos fazem 4 a 5 refeições ao dia,sendo o pequeno almoço a primeira refeição e a mais importante de todas. O pequeno almoço deverá ser tomado em casa,devendo integrar sempre um alimento á base de cereais,que poderá ser pão,flocos de aveia ou de outros cereais, de preferência sem açucar ou chocolate. A comida deve ser quase insossa,a fruta deve ser comida três vezes ao dia e as hortaliças devem ser nas sopas ou no prato, em duas refeições. As nossas caldeiradas podem ser a alternativa aos fritos e a água deve ser a bebida de eleição. Os principais segredos de uma boa alimentação escolar são a simplicidade , a qualidade e variedade dos produtos utilizados.

Apresentamos agora uma lista de vários vegetais e das suas propriedades para a saúde :
Abóbora...Possui capacidades laxativas e diuréticas e é útil para combater infeccões.
Alho......... Muito importante para o sistema imunitário e circulatório evita tromboses,reduz o colesterol e a tensão arterial e é útil em doenças coronárias.Reduz as inflamaçãoes nas articulações.
Alface...... Reduz o colesterol e a ansiedade. Possui efeitos diuréticos e laxantes.
Batata.....Podem contribuir para o aumento de peso,mas usadas com moderação tem capacidades vasodilatadoras,ajudando na hipertensão.Ricas em vitamina C e em potássio.
Cebola.....Capacidades preventivas das doenças cardiovasculares; reduz o colesterol, a tensão arterial e impede a formação de trombos. É um bom diurético,indicado no tratamento da gota e diarreias . Por possuir enxofre pode ajudar na prevenção do cancro do estõmago.
Feijão verde..Ajuda na calcificação dos ossos durante a menopausa.Rico em cálcio e potássio.
Cenoura.....Antioxidante recomendado para combater a degeneração ocular.Reduz o mau colesterol aumentando o bom.
Pimento vermelho...Potente desintoxicante rico em vitamina C, mais do que os citrinos. Pode aliviar vómitos e é analgésico.
Ervilhas......Combatem a fadiga e a debilidade por serem ricas em sais minerais. Melhoram o sono.
Ananás... Bom para todos os problemas circulatórios,torna o sangue mais fluído e evita tromboses. Depurativo e diurético,melhora a digestão e reduz os gases .
Banana.....Rica em potássio reduz as caimbras musculares,fortalece o cabelo e funciona como antidepressivo.
Cereja.....Combate a prisão de ventre e o ácido úrico.
Laranja e limão..... Ricos em vitamina C,são bons antioxidantes e evitam doenças degenerativas .
Tomate....Anti-inflamatório e antioxidante.
Maçã..... É indicada para quem sofre dos rins. Actua preventivamente em relação ao cancro e tem capacidades anti-inflamatórias no aparelho digestivo.
Pêra.....Benéfica para problemas de próstata.
Vamos agora falar de produtos LIGHT ; Leite,bolachas,refrigerantes, massas....hoje tudo pode ser light e para o ser basta apenas uma redução de 25% em carbo-hidratos, gorduras , proteínas ou açúcares . Podemos nós confiar na rotulagem destes produtos? Parece que não, pois esta é insuficiente e em muitos casos o valor energético global final tem o mesmo valor calórico que o produto normal. No caso de batatas fritas analisadas a redução de calorias era irrisória. Aqui fica o aviso : antes de comprar leia com atenção a rotulagem e verifique se não está a comprar "gato por lebre".

23.1.08

Mosquitos ao ataque

Biol

MOSQUITOS em ataque



Paludismo e Dengue são doenças responsáveis por milhares de mortes que têm, como ponto comum, o facto de serem transmitidas pelos mosquitos que acabaram de reconquistar definitivamente antigos territórios,resistindo aos insecticidas criados pelo Homem. A ofensiva é planetária e em breve o mosquito será considrado o inimigo público nº1. Tomemos como exemplo o Aedes albopactus mosquito muito activo ao amanhecer e ao crepúsculo que é veículo patogénico do Dengue e da febre do Nilo. Embora ameaçado nas cidades sobrevive muito bem no meio rural . Durante as suas dez semanas de vida não se desloca a grandes distâncias, já que voa pouco e, no entanto, já se instalou nas cidades e nos cinco continentes. A maneira de o evitar é acabar com acumulações de água nos jardins e nas varandas das casas,sabendo-se que os seus ovos resistem ao inverno.
O Dengue por ele transmitido ao homem é um virus que provoca febres altas,dores de cabeça,vómitos, dores musculares e articulares e, por vezes, hemorragias na conjuntiva ocular ou sangramento nasal. Em 1% dos casos ocorre uma hemorragia muito grave, como a gastrointestinal ou a cerebral, que levam á morte. Para o Dengue não existe vacina ou tratamento, daí os milhares de infectados por ano .
Mais comum entre nós o Anophele gambiae que transmite o paludismo,reproduz-se em charcos, nos carreiros das estradas de terra encharcadas de água e até em pneus abandonados que tenham água da chuva ou orvalho. São as fêmeas que picam o ser humano, com um máximo de agessividade á noite. O parasita transmitido pela picada do mosquito provoca febre intensa e cíclica,com dores musculares,distúrbios intestinais e enfraquecimento. Por sua vez a espécie de mosquito designada por Culex vishnui é transmissora da encefalia japonesa .Vivendo na Ásia e picando ao anoitecer, está activo de Junho a Setembro, reproduzindo-se nos arrozais,pântanos ,canais e águas estagnadas,tendo uma grande preferência pelos aviários e suiniculturas com pouca higiene . A encefalia japonesa manifesta-se por febre alta, dores de cabeça, alterações de equilíbrio, movimentos involuntários e coma em muitos casos. Existe vacina mas não tratamento. Como seria fastidioso descrever outras espécies de mosquito e as doenças que transmitem ,preferimos abordar a maneira como eles se infectam. Quando um mosquito nasce é , na maioria dos casos, isento de qualquer virus patogénico,já que a fêmea não transmite aos ovos qualquer virose que possua.
Os mosquitos alimentam-se de líquidos vegetais açucarados do tipo néctar, mas as fêmeas têm necessidade,para o desenvolvimento dos seus ovos, de aceder ás proteínas presentes no sangue dos vertebrados.
Graças aos seus receptores químicos e térmicos,escolhem uma presa de sangue quente e poisam numa zona da epiderme bem irrigada por vasos sanguíneos e aí recolhendo alguns mililitros de sangue. Todos os virus patogénicos existentes no sangue do animal picado, passam agora para o corpo do mosquito, multiplicando-se nele e alojando-se nas glândulas salivares .Este processo infeccioso dura uma a duas semanas e assim o mosquito que tinha nascido isento de doença ,torna-se portador dela. Pode acontecer que este mosquito fêmea infectado ,ao procurar mais sangue para os seus ovos, pique o Homem infectando-o com a sua saliva ,que funciona como anticoagulante.
Felizmente ,nem todos os virus infectam os mosquitos,devido ao seu sistema imunitário e será por isso que ainda não foi encontrado o virus HIV nestes insectos . Um problema que o Homem não pode esquecer é a capacidade de adaptação dos mosquitos aos insecticidas , o aparecimento de gerações cada vez mais resistentes e que se espalham por todo o mundo muito rápidamente viajando em barcos e aviões. O combate tem de ser feito em várias frentes e há quem pense nas andorinhas e outras aves que deles se alimentam, ou na esterilização radiológica de machos que fecundem as fêmeas dos mosquitos com ovos não activos, isto para além da higienização de pecuárias e vacinação de pesoas e animais . O ideal será atacar os locais de postura e evitar águas estagnadas.

15.1.08


GRIPE DAS AVES ( H5N1)



Este virus da gripe é designado por H5N1, mas a doença por ele provocada é conhecida há já um século. É uma doença contagiosa entre aves e por vezes suínos,transmitindo-se principalmente pelas fezes e produz múltiplos danos nos orgãos internos e a morte em menos de 48 horas. A designação H5N1 deve-se ao seguinte : H é a hemoglutinina, proteína que o virus utiliza para se colar ás células que infecta e N é a neurominidase, enzima que permite aos novos virus saírem da célula hospedeira .Todos os virus gripais,pertencem á família Orthomyxoviridae que pode ser dividida em três géneros A,B e C , sendo os dois primeiros epidemiológicos e o C sem causar doenças graves. O ser humano é infectado pelo género B que costuma provocar epidemias regionais mas não pandemias . Os virus do grupo A contaminam o Homem , mas também suínos,cavalos ,baleias e aves. Nem todas as variedades do virus do grupo A da gripe infectam igualmente os animais . Por exemplo, o nosso organismo é a incubadora onde se desenvolvem as diferentes variedades de virus que nos atacam no inverno e que são seleccionadas para produzir cada vacina anual. Algo semelhante acontece com as aves,sobretudo as aquáticas,cujo organismo é alvo de múltiplos virus gripais .

O virus A da Gripe tem 16 subtipos H e 9 subtipos N mas,que se saiba, apenas os subtipos H5 e H7 causaram surtos de gripe aviária preocupantes pela virulência que alcançaram. Todavia,existem estirpes deste par infeccioso com efeito mais benigno e passageiro . Os cientistas suspeitam que são, precisamente, esses virus inofensivos que se introduzem nos aviários,geralmente transportados por aves migratórias e que se transformaram, depois de circularem algum tempo nos galinheiros, em assassinos das aves. Há exemplos palpáveis dessa metamorfose; na epidemia americana de 1983/84 o discreto virus H5N2 transfigurou-se, em apenas seis meses, num agente agressivo que matou 90% das aves doentes. Os virus A da gripe são muito instáveis e sofrem constantes mutações, pois carecem dos mecanismos genéticos necessários para corrigir os erros que ocorrem durante a divisão do seu material genético. Pouco a pouco algumas dessas mutações conseguem eliminá-los ou atenuá-los, mas podem também torná-los mais agressivos .Por vezes , as alterações sucedem-se de forma drástica, devido a um mecanismo que os biólogos designam por deslocamento antigénico. Quando isso se verifica o virus A da gripe desenvolve uma camuflagem para os seus antigenes (elementos da sua estrutura contra os quais o sistema imunitário do hospedeiro produz anticorpos específicos para os neutralizar), o que lhes permite enganar as defesas do organismo . Recentemente, descobriu-se que o deslocamento pode surgir quando duas estirpes diferentes do virus da gripe coincidem no mesmo organismo. Graças a este conluio dos genes , aparece um novo agente infeccioso para o qual não há tratamento. O século XX foi fustigado por três pandemias : em 1918,no final da 1ª Grande Guerra , a GRIPE ESPANHOLA com o virus H1N1 matou 40.000.000 de pessoas ,depois em 1957 a GRIPE ASIÁTICA com o virus H2N2 liquidou 2.000.000 de seres humanos e ,finalmente, em 1968 a GRIPE DE HONG-KONG com o virus H3N2 fez 1.000.000 de vítimas mortais. Parece que nas duas últimas pandemias foram aves aquáticas que transportaram os genes desconhecidos e os suínos serviram de incubadoras . O H5N1 é preocupante porque tendo surgido em 2003 no sueste asiático, oi um surto gripal prolongado,severo e persistente e apesar de terem sido sacrificadas 150 milhões de aves o virus atingiu a Rússia,Grécia ,Roménia e Turquia. Mas há mais : os patos domésticos podem transmitir o virus sem apresentarem sinais de infecção e tem-se verificado que o actual H5N1 é mais virulento que o mesmo de1997 e 2004. O virus já infectou duas centenas de pessoas e matou muitas dezenas, normalmente em explorações aviárias com más condições de higiene,como acontece na Ásia. O maior risco de contaminação ocorre nos matadouros improvisados ,quando se retiram as vísceras. O virus H5N1 morre á temperatura de 70 graus pelo que não se transmite pelo consumo de carne cozinhada. Até agora a transmissão do mesmo entre humanos não está provada ,já que o contágio exige um contacto muito próximo com a pessoa infectada. Há porém o risco do virus " aprender" atransmitir-se entre humanos, por mutação ou por se aliar a outro virus humano . Embora não haja uma vacina definitiva está-se já a produzir protótipos que oferecem proteccão para o actual H5N1 mas mesmo que a vacina estivesse pronta, como se iriam produzir 100 milhões de doses por mês para combater uma pandemia ? Neste cenário 98% da população mundial ficaria desprotegida ,dada a facilidade com que hoje as pessoas se deslocam não havendo possibilidade de quarentena .Até agora só o medicamento Tamiflu parece combater o H5N1 , mas já apareceram no Vietame estirpes resistentes a ele .

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