1.5.10

Filosofando ou talvez não.

A ÚLTIMA GOTA

Numa noite silenciosa em que o sono se recusava a chegar, ia escutando ,de tempos a tempos, o que me parecia ser o pingar de uma torneira . Reagindo contra o torpor, pensei no que seria da Humanidade se aquele pingo fosse a última gota de água potável existente na Terra.
Na Terra ?!- duvidou o meu ego –Se os humanos tivessem baptizado o planeta a partir de um olhar lançado do espaço , este ter-se-ia chamado Água, pois este elemento é o que se encontra em maioria, à sua superfície. Recordei que neste nosso mundo 97% da água é salgada e dos 3% restantes (de água dita doce) só 1% está á nossa disposição. À disposição não será bem assim, pois mais de metade encontra-se sob a forma de gelo nas zonas polares e a restante anda pelos aquíferos que estamos a esgotar a uma velocidade superior à da taxa natural de recarga.
Ouvi cair mais um pingo mas não me levantei pois o meu pensamento voou para a Química ; a água era apenas uma quantidade enorme de dois átomos de hidrogénio ligados a um de oxigénio. Também pensei que o volume de água do nosso planeta se mantivera sempre inalterado, embora sob várias formas, podendo dizer que a água que os dinossauros beberam é a mesma que hoje cai sob a forma de chuva. Continuei deitado pois não havia problemas!
Mas será ela suficiente para um mundo cada vez mais povoado e industrializado ? Em 2025, calcula-se que dois mil milhões de pessoas viverão em zonas onde a água escasseia. Olá! afinal há problemas.
Quando me ia a levantar para fechar melhor a torneira recordei Bárbara Kingsolver que afirmara: água é vida, é o caldo salgado da nossa origem, o sistema circulatório do planeta, mas o nosso maior medo é a possibilidade de escassez ou excesso de água. Excesso?! Mas isso é óptimo! Como 2/3 do nosso organismo são água e os líquidos vitais são salinos, tal como o oceano, está tudo bem. Além disso, os cientistas garantem que ela não faltará. Não me levantei.
Bárbara Kingsolver falara não só de escassez mas também de excesso de água; Qual seria o problema? De repente fez-se luz: cheias, degelo, furacões, subida do nível dos mares, deslizamentos de terras como na Madeira, tudo provocado pela alteração dos valores padrão da pluviosidade, consequência do aumento da temperatura média do planeta, desflorestação, etc. Voltei a raciocinar em termos de Física: se existem mais moléculas de água no ar quente do que no ar frio geram-se grandes tempestades sobre os oceanos pelo ar quente sobreaquecido pelo efeito de estufa, e uma forte evaporação e consequente seca em regiões interiores.
Já bem acordado pensei: Embora a água brote da terra em fontes e nascentes , o mesmo não acontece aos canos e bombas que a trazem até nós, filtrada e desinfectada e, por tal motivo, temos de a pagar. Ouvi cair mais um pingo. Levantei-me e fui fechar bem a torneira pois me lembrei desta última gota num mundo sedento com o das imagens que se seguem.


Crianças transportando água num solo completamente seco e estéril
Bebendo água de um charco,através de um filtro de impurezas

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