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17.3.12

ANTROPOLOGIA FORENSE



Quando se fala em antropologia a ideia que nos surge é a de uma ciência que estuda a origem do homem e a sua evolução até á actualidade nos seus aspectos físicos, culturais e modos de vida. Mas para além de estudar como o homem vivia no passado ou que instrumentos utilizava, a antropologia segue outros caminhos como é o caso da anatomia forense. Este ramo da antropologia estuda os ossos e tem grande importância na criminologia actual .Esta importância resulta da aplicação de conhecimentos de Antropologia às questões de direito no que diz respeito à identificação de restos cadavéricos . Explicando melhor : através dos ossos, podemos obter dados sobre o sexo, idade, estatura do falecido e pormenores da sua vida tais como hábitos alimentares, algumas doenças, lesões, etc. o que é muito importante para os historiadores e criminologistas.
Os achados biológicos podem ter diversas origens: cadáveres abandonados numa fase avançada de decomposição, corpos desfigurados resultados de mutilações ou, cadáveres que possam corresponder a indivíduos vítimas de desastres em massa , o que acontece em acidentes de aviação, naufrágios, catástrofes naturais, ou assassinatos políticos colectivos, servindo para identificar pessoas cujo corpo está irreconhecível.

Todavia, este estudo só fica completo se se conseguirem recolher outros dados que em termos comparativos possam individualizar a pessoa pois só com os dados relativos ao sexo, idade, proporções corporais é praticamente impossível identificar o cadáver.
Vamos dar alguns exemplos para melhorar a nossa afirmação: Em Outubro de 2009 o corpo do espanhol Manuel Coley Robles, sequestrado em 1976 pela ditadura argentina (1976-83), foi identificado durante a exumação realizada num cemitério público. A identificação foi feita pela justiça argentina com a cooperação da equipa de Antropologia Forense, como parte da Iniciativa Latino-Americana de Identificação de Desaparecidos.
Em uma vala fúnebre com sete mil anos e mais de 500 esqueletos humanos que foi encontrada em Herxheim, uma pequena localidade no Sudoeste da Alemanha descobriu-se o facto dos esqueletos – alguns de crianças e fetos – aparentarem ter servido para a prática de canibalismo durante o Neolítico.
A antropologia forense recorre aos conhecimentos de arqueólogos quando necessário. Estes técnicos podem ser de grande ajuda à polícia na localização do local onde o corpo e objetos pessoais da vítima foram enterrados, através de geologia e geofísica e técnicas de levantamentos, .O arqueólogo forense também pode ajudar com a escavação, utilizando ferramentas e conhecimentos semelhantes aos utilizados em uma escavação arqueológica. Isso tem de ser feito lentamente e cuidadosamente, e os arqueólogos vão registrar e preservar qualquer coisa encontrada em todas as fases e profundidades, por exemplo, flocos de tinta, cabelo, roupas ou “DNA”, pois pode ser uma evidência vital.
Também a cor e o estado do solo podem ser úteis na investigação já que podem datar objectos encontrados em túmulos, incluindo os ossos, usando uma variedade de técnicas. A datação com carbono pode determinar se o local de sepultura é recente ou antigo. As provas encontradas são trabalhadas pelos técnicos forenses que sabem como se degradam ou se decompõem os materiais ao longo do tempo e em condições específicas. Esta técnica é importante, pois pode ajudar a determinar, por exemplo, há quanto tempo um corpo foi enterrado pelo estado da roupa ou do solo circundante, ou por quanto tempo mercadorias roubadas ou furtadas tenham sido enterradas, pelo dano posterior verificado nos materiais metálicos e outros.
Mas voltemos aos antropólogos forenses; Estes trabalham com esqueletos humanos ou corpos que estão irreconhecíveis devido a queima, mutilação ou mumificação, afim de ajudar a identificar indivíduos e descobrir a causa da morte. Podem identificar os ossos e fragmentos de ossos, e determinar se eles são humanos ou de animais. O tamanho e a forma do esqueleto pode ajudar a determinar a raça, sexo, altura e idade da vítima. Os ossos podem ainda contribuir para descobrir a causa da morte ( acidental, intencional ou por doença), e se ocorreu qualquer prejuízo para os ossos antes, durante ou após a morte
Usando conhecimentos e técnicas informatizadas, os antropólogos forenses podem recriar faces a partir do crânio ou parte dele, o que pode ajudar na identificação da vítima. Esta técnica baseia-se na anatomia e fisiologia de ossos e músculos, bem como o conhecimento artístico da forma corporal
O trabalho de um antropólogo forense começa no local do crime e estende-se até ao laboratório dividindo-se em três etapas:
1º É feita uma escavação minuciosa do local onde se encontra o corpo.
2º Faz-se a recolha de informações em redor da área do crime com entrevistas às pessoas da região, consulta em arquivos municipais, eclesiásticos e militares, etc.
3º . Há uma aplicação de técnicas como a osteologia humana (área que se debruça sobre o estudo dos ossos que compõe o esqueleto), paleopatologia (ramo da ciência que se dedica ao estudo das doenças do passado) e tafonomia (estudo sistemático da evolução de fósseis). Pode ainda ser feita uma reconstrução facial do cadáver e superposição fotográfica.
Identidade do indivíduo( ser humano ou animal):
A determinação da espécie biológica constitui um passo fundamental. É o primeiro passo que se deve tomar quando se encontra qualquer material que se assemelhe a tecido ósseo. Segue-se depois o estudo das
características gerais de identificação no caso de ossos humanos
Por exemplo a determinação do sexo baseia-se no estudo comparativo das ossadas encontradas com dados de tabelas sobre a morfologia dos ossos pois as características morfológicas de certos ossos diferem consoante o sexo. Os ossos que melhor permitem identificar se a ossada é feminina ou masculina são: o crânio, a pelve e o tórax.
Para se poder obter a idade da ossada, há um conjunto de regras que variam consoante se trata de um feto, de uma criança ou de um adulto. A partir da informação sobre a faixa etária (feto,criança ou adulto) , podemos saber a sua idade. As análises feitas são ao comprimento dos ossos longos e à ossificação de alguns ossos como as suturas cranianas.
A altura é calculada através da medição do esqueleto (método anatómico), por fórmulas matemáticas ou pelo estudo dos ossos longos.
A determinação da raça é um processo muito complicado e pouco fiável. Porém pode ser caracterizada através do ângulo facial, forma do crânio, Índices cefálicos e índices dos ossos rádio e úmero. A partir desta análise podemos determinar se o indivíduo é do tipo racial caucásico, mongólico, negróide, indiano, australóide.
Características individuais. São os aspectos específicos que podem caracterizar o indivíduo com base em elementos fornecidos por pessoas conhecidas da vítima. Esta comparação pode ser feita com base em estudos radiográficos, comparação fotográfica (sobreposição de imagem em computador, pesquisando-se a existência de concordância entre as linhas e curvas da face com pontos do esqueleto) ou reconstrução da face (modelagem das partes moles sobre o crânio, ou através de desenhos).
Já a determinação da data da morte é um processo extremamente complexo pois muitas vezes os corpos estão num estado muito avançado de decomposição, estando em muitos casos esqueletizados isto é, já só ossos.
A decomposição de um corpo depende de factores como a temperatura do solo e a sua acidez.
-Quando um corpo é deixado à superfície a actividade dos insectos vai ocorrer imediatamente. Pela espécie de insectos à volta do corpo calcula-se o número de horas passadas após a morte. Mas há mais conhecimentos: Duas semanas depois, o corpo estará parcialmente decomposto (com algumas cartilagens e articulações)
Ao fim de oito meses, estará decomposto na sua totalidade, mas se um corpo for queimado leva entre um a dois anos até ficar totalmente decomposto
Se for deixado em solo arenoso pode mumificar ficando então conservado. O número e o tipo de ossos disponíveis na cena do crime podem ajudar a determinar há quanto tempo se deu a morte do indivíduo, por exemplo: ossos pequenos dispersam-se mais facilmente arrastados pelo vento ou chuvas.
Quanto mais tempo passa desde a morte, mais difícil se torna de determinar o momento da morte. Também é importante determinar o modo e causa da morte que são conceitos diferentes.
O modo da morte aborda o tipo de morte do indivíduo que pode ser: homicídio, suicídio, acidental, natural e desconhecida. A causa da morte, refere‐se ao factor que na prática provocou a morte do indivíduo, ou seja, descrições como doença, ferimentos ou lesões.
Em indivíduos que se encontram no estado de esqueleto, a causa da morte só pode ser estudada relativamente a situações que deixem marcas nestas estruturas como as fracturas, ferimentos por armas de fogo ou marcas de intoxicações crónicas pelo arsénio, sendo o raio-X uma técnica muito importante.
Como acabamos de ver a Antropologia é uma ciência muito vasta que se subdivide em várias especialidades sendo, uma delas, a que dá título a esta mensagem.

1.11.11

O LUTO EM ANIMAIS




Quando decidi escrever esta mensagem surgiu-me a dúvida se a deveria incluir na etiqueta antropologia ou na de biologia, mas acabei por decidir-me pela primeira pois os exemplos que citarei são passados com antropóides primatas, nossos “ primos” evolutivos. Tentei também não confundir reacções de Pavlov com outras que são, ou parecem ser, sentimento de luto. Postas estas advertências vamos ao assunto!
Quando, no início da década de sessenta, cumpria mobilização militar em Moçambique, comandei dois pelotões que faziam a guarda aos paióis gerais da Região Centro e que se situavam entre a cidade da Beira e a vila do Dondo , área na altura quase despovoada e de densa savana.
Como o perímetro de segurança destes vários paióis não estava ,naquela época, delimitado por qualquer cerca de rede, a zona era severamente guardada e patrulhada de dia para afastar eventuais intrusos, já que era área totalmente restrita. À noite a vigilância era ainda mais severa e, com a escuridão, a ordem era abrir fogo sobre algo que accionasse os improvisados alarmes e não se identificasse de imediato. Esta norma de segurança fez com que alguns macacos fossem abatidos , ao tentarem aproximar-se, no escuro, dos referidos paióis onde lhes cheirava a comida dos soldados.
Ao raiar do dia seguinte a esses incidentes havia sempre forte algazarra entre os macacos mais jovens empoleirados nas árvores, enquanto outros, no terreno capinado ou desmatado, tentavam aproximar-se do local onde estava o corpo do macaco morto, para o resgatar. Para o fazer mostravam atitudes ameaçadoras e chegavam a atirar paus e pedras para afastar os soldados da guarda . Quando estes soldados simulavam retirar, para detrás do paiol , os macacos rapidamente resgatavam o corpo e o levavam para a orla do terreno limpo de vegetação, tendo eu verificado, através de binóculos, que um deles tentava reanimar o companheiro , enquanto o resto do bando assistia em profundo silêncio.. Como tal não acontecesse levavam-no para o mato mais denso. ( Ver foto inserida de um velório entre macacos)
Como explicar esta reacção tão humana ? Será que sentem pena e sofrimento ,ou apenas parecem sentir ? A resposta é difícil e divide os cientistas!
Sem querer cair em antropomorfização , cito Iain Hamilton :
A macaca Tina morreu atacada por um leopardo. O macaco macho dominante manteve-se horas junto do cadáver, impedindo que outros se aproximassem; só deixou que Tarzan , irmão de Tina, se sentasse ao seu lado. Os chimpanzés reagem á morte dos seus congéneres e parece que a vêem como uma mudança profunda pois não comem, ficam deprimidos e chegam a perder peso. Se não ficamos muito admirados com isto porque se trata de animais morfologicamente muito parecidos com os humanos que dizer de situações parecidas passados com elefantes e que foram descritos por vários zoólogos ? Alguns investigadores acreditam que os elefantes manifestam grande preocupação face aos restos mortais de outros elefantes. Quando diante de ossos e outros objectos naturais, os elefantes africanos passam consideravelmente mais tempo a explorar os crânios e maxilares de outros elefantes do que em relação ao de outros animais. Também tentam levantar com a tromba um companheiro ferido ou morto, só desistindo ao fim de algumas horas.

Vejamos agora outros casos em animais não primatas e , por isso, mais afastados de nós evolutivamente:
Perda de apetite, uivos e semblante triste são alguns dos sintomas que muitos bichos de estimação apresentam após a morte de um companheiro, no caso, outro animal. Embora as reacções não sigam um padrão, o "clima de luto" entre cães e gatos é apontado como algo visível por donos que chegam a procurar a ajuda de um veterinário.
A jornalista Juliana Bussab , fundadora da ONG Adopte um Gatinho , afirma ter visto de perto as reacções de luto. Uma das situações aconteceu entre dois de seus cães, um husky siberiano e um weimaraner, apresentados um ao outro já adultos . A convivência, difícil no começo, transformou-se em amizade e, anos depois, em tristeza, após a morte do segundo. "O husky não queria comer e começou a deitar-se onde o outro usualmente descansava". Preocupada, Juliana levou o cão ao veterinário e, cerca de três meses depois da morte do amigo, as melhoras começaram a aparecer.

Já entre os gatos, ela diz que observou a relação entre dois gatinhos da mesma ninhada, acolhidos pela ONG. Com a morte do macho, a fêmea começou a chorar com frequência e procurar o companheiro, mas acabou superando sozinha em alguns meses.

A veterinária Angélica Lang Klaussner diz que casos como estes são comuns, embora também existam cães e gatos que não esbocem qualquer reacção com a morte de outro.
Voltemos aos primatas já que incluÍ esta mensagem na etiqueta antropologia:

Na realidade, segundo os primatologistas, no seio da maioria das espécies primatas a mãe reage sempre à morte das suas crias, abraçando e tratando o pequeno animal como se ainda estivesse vivo. Durante alguns dias, ou mesmo semanas, a mãe carrega o corpo para onde vai e, se necessário, discute com qualquer um que tente separá-la da cria morta.

A primatologista Sarah Hrdy, considera fazer sentido, no que diz respeito à adaptação, que as mães segurem as crias falecidas, mantendo a esperança durante algum tempo. «Se a cria não estivesse realmente morta, mas em coma temporário, porque ficou doente ou porque caiu de uma árvore, ele voltaria à vida», explicou.
«Estamos a falar de primatas que têm partos de uma só cria após longos períodos de gestação. Cada um representa um enorme investimento para a mãe», acrescentou.
Por todos os recantos da natureza, segundo os biólogos, existem animais que se comportam como se tivessem consciência do predomínio da morte, apesar de considerarem que ela não lhes diz respeito.
Michael Wilson, professor assistente de Antropologia na Universidade de Minnesota e que estudou chimpanzés na Tanzânia, comentou que estes primatas «são muito diferentes dos humanos no que toca ao seu entendimento sobre a morte e as diferenças entre os vivos e os mortos».
Os chimpanzés jovens revelam sinais de luto genuíno quando as suas progenitoras morrem. Porém, os chimpanzés adultos raramente expressam algum tipo de sentimentalismo em relação à morte de outro adulto, explicou.
Isto porque os adultos doentes ou já idosos se isolam na floresta para morrerem sozinhos; e aqueles que morrem com companhia, por norma, morrem com outros adultos.
A mesma atitude liberal se aplica ao hábito de caça desses animais. «Quando caçam outros macacos, podem matá-los ou apenas imobilizá-los antes de os começarem a comer», contou.
Para alguns animais, a morte de um membro da mesma espécie pode corresponder, em significado, a uma refeição normal.
Parece confuso e até contraditório o que acabamos de escrever mas não podemos esquecer que ,no passado, havia comunidades humanas que praticavam canibalismo, não sepultando os mortos,principalmente os inimigos. São estes pormenores que nos levam umas vezes a aceitar e outras a duvidar, se há sentimentos de dor e de perda entre os animais e , por tal motivo ,se cumprem um luto..

8.1.11

OS NOSSOS ANTEPASSADOS

Um grupo de cientistas, chefiados por Svante Pääbo, descobriu que todos os humanos actuais , excluindo os africanos , compartilham uma pequena percentagem de ADN do Homem Neandertal que viveu na Eurásia 230.000 anos antes da nossa era e que se terá extinguido há cerca de 37.000 anos.
Essa pequena porção de genoma Neandertal vem mostrar que o pequeno grupo de Homo sapiens que saiu do continente Africano (onde teria surgido) se cruzou com Homo neanderthal no Próximo Oriente, há 80.000 anos . Os seus descendentes espalharam-se pela Ásia e Europa e não devem ter voltado a ter novos contactos com mais Neandertais.
Para fazer o estudo, a equipa de Svante obteve genoma de Neandertal a partir de ossos fósseis das jazidas de Vindija na Croácia , de Mexmaiskaya na Rússia , de Feldhoper na Alemanha e Sidrón nas Astúrias (Espanha) . O referido genoma foi comparado com o de actuais sul-africanos negros , chineses han , franceses e nativos da Papua Nova Guiné. Os resultados indicam a presença de genes comuns aos neandertais em todos os grupos da população actual, excluindo os africanos negros.
O curioso é que talvez esteja aqui a possível explicação para o aparecimento do Homo sapiens de pele clara ,diferente do original africano ,de pele escura. Descobriu-se que o genoma do homem Neandertal de Lessini (Itália) e Sidrón (Espanha) , possuem o gene mclr, conforme afirma o professor Charles Lalueza- Fox da Universidade de Barcelona. O gene em causa contém a receita para a produção de uma proteína especializada na regulação de pigmentos dos mamíferos , pois actua na superfície das células que produzem os pigmentos escuros ( melanina). Quando este gene sofre mutações, produz nos humanos uma pele muito clara e cabelos ruivos.
Assim se os Neandertais tivessem duas cópias desse gene ( uma vinda do pai e outra da mãe) teriam uma pele claríssima e cabelo ruivo. Caso só houvesse uma cópia do gene, apareceria toda uma variedade de tons de pele e de cabelo, como hoje verificamos no norte da Europa.
É certo que existe hoje um longo debate sobre a razão de a humanidade ter desenvolvido olhos e cabelos claros ; há quem fale em selecção sexual, por essas características serem consideradas como atractivas e por isso procuradas, embora outros prefiram explicar o facto por uma selecção natural relacionada com a luminosidade da zona onde habitavam os povos.
Seja como for, os Homo sapiens de pele escura depois de se cruzarem com os Neandertais , deram origem a humanos de pele clara, olhos também claros e cabelo diferente na cor e no aspecto.
Os neandertais desapareceram da face da terra há 37 mil anos, como já havíamos referido, e esta nova datação foi feita por uma equipa de investigadores liderada pelo arqueólogo e investigador português João Zilhão, da Universidade britânica de Bristol, com base em achados do lugar de Pego do Diabo, em Loures, perto de Lisboa. Também neste caso as características morfológicas mistas (de neandertal e homem moderno) são apresentadas pelo menino do Lapedo, descoberto em1998, no Lagar Velho (Leiria). .
Apresentamos a seguir uma reconstituição fotográfica dessa criança
O estudo do esqueleto e dentes da criança, que tinha cinco anos na altura da sua morte, ocorrida há 30 mil anos, revelou que o menino tinha características do homem moderno, mas também de neandertal, o que abalou o mundo da arqueologia e tem, desde então, sido motivo de debate .
Nunca antes do achado do menino do Lapedo tinha sido encontrada uma prova material de mestiçagem entre Homo sapiens e Neandertal . Esta mistura de características "reflecte", assim, necessariamente um processo de miscigenação extensiva dos dois tipos de populações à época do contacto".
A permanência tardia dos neandertais nesta região lusitana deverá ter estado relacionada com factores climáticos.
O denominado Homo sapiens neanderthalensis existiu entre 230 000 e cerca de 30 000 anos. A média do cérebro( 1450 cc), é sensivelmente maior que a do Homem actual embora com uma caixa craniana mais longa e baixa e uma marcante saliência na parte traseira do crânio. Possuía um maxilar proeminente e uma testa recuada. Os Neandertal viveram maioritariamente em climas frios e as suas proporções corporais são semelhantes às das actuais populações das regiões frias: baixas e sólidas, com membros curtos, facilitando a retenção do calor. Os homens mediam em média 1,68 m com ossos fortes e pesados, mostrando sinais de uma poderosa estrutura muscular. Foram as primeiras populações que criaram rituais funerários, com o enterramento mais antigo datado de há cerca 100 000 anos. A área de dispersão dos Neandertal inclui a Europa e o Médio Oriente.
Seja qual for a verdade científica do que atrás escrevemos sobre a origem da população branca no mundo, uma outra verdade permanece ; postas de lado as diferenças genéticas e fenotípicas ( aspectos exteriores do indivíduo), as populações humanas são principalmente diferenciadas pelos seus usos e costumes, que são transmitidos de geração em geração. A espécie humana caracteriza-se então por uma forte dimensão cultural. É por isso que o conceito de etnia é hoje em dia preferido ao conceito de raça .

14.12.10

MACACOS versus HOMEM

Tenho uma familiar, temente a Deus e aos Homens que fica escandalizada quando afirmo que é “ prima dos macacos “ , muito embora não lhe repugne a teoria evolucionista de Darwin para os outros seres. Como ela, tenho encontrado mais pessoas, e nem são defensoras do criacionismo , pois nunca aprofundaram o tema . É para elas que alinhavo o resumido apontamento que se segue.
Como é sabido, o gene é a unidade fundamental de toda a hereditariedade e ao conjunto de todos os genes de um indivíduo de qualquer espécie. chamamos genoma. Os genes encontram-se distribuídos pelos cromossomas de um indivíduo e as características de todos os seres vivos são definidas pelo genoma que possuem. Posto isto, que diferença há entre o genoma do Homem e o do macaco ou, dito de outra maneira, que mudança terá sofrido o genoma do símio ancestral para dar o homem ?
A mutação genética devido à qual os primeiros hominídeos ( Homo habilis ---»Homo erectus ---»Homo Neandertal ---»Homo sapiens ) se separaram dos seus antepassados símios , já foi identificada por cientistas americanos da Universidade de Harvard , em 2003. O gene Tre2 foi o responsável por ter tornado os seres humanos diferentes dos macacos, durante o longo processo evolutivo . A mutação genética terá surgido há 25 milhões de anos atrás , devido talvez á fusão de dois outros genes o que fez com que os seres humanos, ao longo da sua evolução, se tenham distinguido dos seus parentes mais próximos, chimpanzés, gorilas e orangotangos, os quais, por sua vez, se tornaram também diferentes dos outros macacos, os chamados macacos do novo mundo, que mantiveram cauda longa ,entre outras características.
A mutação concedeu aos Hominídeos maxilares mais pequenos e cérebros maiores. A redução dos maxilares alterou a estrutura do crânio e eliminou músculos espessos que serviam para fixar as mandíbulas à parte superior da cabeça. Como consequência, houve um alargamento do crânio e um desenvolvimento do volume cerebral que possibilitou a linguagem e a construção de instrumentos , o que terá acontecido há 2,5 milhões de anos , na África Oriental.
Mas há mais evidências da evolução do homem que permitem aparentá-lo em primeiro grau com os chimpanzés e gorilas, até em aspectos comportamentais . Um grupo de investigadores observou que chimpanzés selvagens transportavam alimentos para dentro de uma caverna onde os repartiam com os outros elementos do grupo, tal como faziam os Homo habilis, antepassados do homem actual.
Chimpanzés e Gorilas utilizam ferramentas para fins específicos ; Jane Goodall relatou no seu diário :…….” Em Outubro de 1960 observei um chimpanzé pegar numa folha e modificá-la com a mão, dobrando-a para a tornar mais fina para que pudesse ser enfiada com maior facilidade na abertura estreita do ninho de térmitas……….estava a demonstrar o domínio de princípios rudimentares da produção de instrumentos ……também observei que utilizavam folhas a que davam a forma de copo para armazenar água . A partir daqui precisamos redefinir Homem , redefinir utensílios ou aceitar os chimpanzés como humanos ….”
Não podemos esquecer que 98% dos nossos genes são idênticos aos de outros primatas onde estão incluídos animais fisicamente diferentes do homem como os lémures, os tarsídios ,o macaco esquilo, etc. Também já se comprovou que o cromossoma 2 do homem é a fusão, topo a topo, dos cromossomas independentes 2p e 2q que existem nos outros primatas .
No que respeita a inteligência ,falando dos chimpanzés, nossos primos de 2º ou 3º graus , eles usam instrumentos para comer, para se defender e são capazes de ensinar os mais novos a utilizar correctamente certos instrumentos para determinado fim, transmitindo aspectos culturais de geração em geração. Tal como os humanos cuidam das crias, educam-nas nas suas travessuras, demonstram emoções e comunicam entre si. Perante tal, não sei por que há relutância em admitir que homem e macacos derivam de um ancestral comum próximo, logo são primos.
Olhem as fotografias abaixo e digam –me se não são atitudes humanas
Grupo em velório chorando a morte de um familiar

Casal posando para a posteridade
Cruzando os braços com enfado por não ser considerado como gente.
Carinho de mãe

Observação

Se atentar para a fotografia do início do texto verá a atitude de quem tem um problema bicudo para resolver, talvez o de não saber em quem deva votar para governar este país de macacões.

7.10.10

EVOLUÇÃO DA ALIMENTAÇÃO HUMANA


Perguntaram-me como teria evoluído a alimentação humana desde os tempos do Homo primitivo até aos nossos dias . A resposta , aparentemente fácil, é baseada no estudo dos fósseis do género Homo. Esse estudo paleontológico centra-se na forma e dentição dos maxilares, indo ao ponto de analisar a quantidade de esmalte dentário e a forma da coroa dos molares. Também se analisam os restos fossilizados de animais que serviram de alimento ao homem das cavernas . Neste último caso incluímos ossos e até conchas de animais marinhos e, neste caso, em Portugal são célebres os concheiros de Muge que datam do Mesolítico.
Como não podia deixar de ser, o homem primitivo, tal como qualquer outro animal, alimentava-se individualmente do que conseguia caçar e de plantas silvestres, vivendo só dos recursos naturais. Dependia das condições climatéricas, das secas e das inundações. Era um recolector puro. Com o passar de milénios, já no Neolítico, o homem aprendeu a domesticar os animais passando a depender da pastorícia, sem necessidade das longas e por vezes perigosas excursões de caça .Fazia já uma alimentação comunitária. Ao tornar-se sedentário e com a aparição da agricultura, a sua alimentação melhorou um pouco . Porém continuava dependente das calamidades naturais, normalmente climatéricas, por não saber armazenar e conservar os alimentos, daí que as fomes assolassem periodicamente as populações em qualquer parte do planeta.
A paleontologia humana mostra curiosamente que a melhoria na qualidade da alimentação acompanhou um crescimento evolutivo do cérebro. Todos os australopitecos estudados apresentavam características esqueléticas e dentais estruturadas para processar alimentos vegetais duros e de baixa qualidade energética. Certamente ingeriam carne ocasionalmente, tal como os chimpanzés de hoje, e estudos em membros mais antigos do gênero Homo sugerem que o Homo ancestral consumia menos matéria vegetal e mais animal.
Quando se estuda a evolução humana surge a pergunta :o que terá empurrado o Homo para uma maior qualidade dietética, necessária ao crescimento cerebral? Terá sido a mudança ambiental ? Ao que hoje se sabe, os Hominídeos surgiram em África e a crescente aridez da paisagem africana limitou a quantidade e variedade de alimentos vegetais comestíveis e também de animais Aqueles seres que na linha evolutiva deram origem aos robustos australopitecos desenvolveram modificações anatómicas que permitiram a subsistência com alimentos de mastigação mais difícil, porém em maior disponibilidade. O Homo erectus , desenvolveu a primeira economia caçador e recolector, em que animais de caça eram uma parte significativa da dieta com estes recursos a serem compartilhados entre os membros do grupo. A adição de pequenas porções de comida animal á dieta de frutos e outros vegetais , combinada com a divisão dos recursos que é peculiar dos grupos de caça e colecta, teria significantemente aumentado a qualidade e estabilidade da vida dos hominídeos. Uma melhor qualidade dietética, por si só, não explica por que os cérebros dos hominídeos cresceram, mas parece ter desempenhado um papel crítico na eclosão daquela mudança. Após um grande estímulo inicial no crescimento do cérebro, a dieta e a expansão desse órgão provavelmente interagiram em sinergia; cérebros maiores produziram comportamento social mais complexo, o que conduziu a outras estratégias em tácticas de obter alimento e a uma melhor alimentação que, por sua vez, fomentou a evolução adicional do cérebro. Como afirmam alguns estudiosos, a evolução do Homo erectus na África, hà 1,8 milhões de anos atrás, marcou a terceira viragem na evolução humana: o movimento inicial dos hominídeos para fora da África em busca de mais alimento. A evolução da alimentação provocada pelo êxodo foi muito lenta , e a prova do que afirmamos é que , milhares de anos depois, a população da Europa ainda não conseguia saciar a fome, para já não falar na China onde, até à primeira metade do século XX, raramente havia um ano sem fome. Ainda hoje ela não desapareceu da Ásia, da Indonésia, da África e de alguns países da América do Sul. Mas felizmente, excepto quando há calamidades ou guerras, as grandes fomes absolutas parecem estar em vias de desaparecimento, embora muitas populações sofram ainda de subalimentação, como acontece nos países subdesenvolvidos.
Ao invés, as crises de fome acabaram nos países considerados desenvolvidos, desde que as máquinas agrícolas fizeram a sua aparição e vieram permitir uma cultura intensiva do solo. Transportes rápidos, adubos químicos, irrigação, selecção de plantas e animais, combate aos parasitas agrícolas por meio de insecticidas químicos, criação da indústria das conservas, da indústria do frio, tudo isso transformou a alimentação humana. Esta transformação foi ainda acelerada pela industrialização da produção agrícola. Poucos produtos são hoje consumidos sem preparação industrial: legumes e frutos, carne, peixe, ovos, leite. A maior parte dos outros (e até parte destes) é preparada industrialmente, tratada por meios mecânicos, esterilizada pelo calor ou por raios ultravioleta, congelada, perfumada, colorida, purificada por produtos químicos, pasteurizada, destilada. A ciência química cria cada vez mais elementos de síntese, em particular produtos vitaminados. Mas não há bela sem um senão! A introdução da química na alimentação trouxe vários perigos com o uso dos adubos químicos, dos pesticidas e dos aditivos.
Se é verdade que os adubos químicos vieram possibilitar maior rendimento das colheitas , a verdade é que a qualidade dos alimentos piorou pois estes produtos alteram a qualidade dos alimentos, são incapazes de restaurar integralmente os solos e contribuem em grande escala para a poluição das águas, quando são arrastados pelas chuvas para os rios.
O DDT que em tempos foi muito usado como insecticida é hoje reconhecido como inconveniente. Este veneno absorvemo-lo nós juntamente com os legumes, o leite, a carne, os frutos, os cereais etc. Os insecticidas penetram na polpa dos vegetais e misturam-se na seiva. Os vegetais ao serem ingeridos pelos animais, acumulam-se na sua gordura e voltam a estar nos produtos alimentares de origem animal que nós ingerimos.
Muitos dos animais destinados ao talho recebem uma alimentação química que lhes eleva rapidamente o peso. Entre esses produtos, estão antibióticos e sulfamidas e, na criação industrial de aves de capoeira, hormonas femininas sintéticas. Estes produtos não são destruídos pela cozedura e muitas dessas hormonas vão dar origem às dioxinas, que são cancerígenas Também no número extremamente elevado de aditivos que são usados, alguns são cancerígenos. Até o alimento dos pobres, o pão, não foge às influências nefastas da modernização . Há ainda cem anos , o homem podia alimentar-se quase exclusivamente de pão. Hoje não o poderia fazer porque o seu valor alimentar diminuiu e ele já não é um alimento completo e fiável. Em primeiro lugar porque os trigos de grande rendimento que se cultivam agora são ricos em amido mas pobres em glúten e sais minerais, para já não falar no seu cultivo onde são usados adubos e pesticidas químicos. Até a substituição das velhas mós de pedra pelos cilindros de aço veio proporcionar uma produção maior e de uma farinha mais branca, sem as impurezas que coloriam ligeiramente a farinha e eram constituídas por substâncias nutritivas preciosas, (fósforo, cálcio, magnésio, ferro, silício, iodo, manganésio) e vitaminas B e E. Neste momento já nem quero falar nos alimentos transgénicos de que tanto se fala .
Creio que fui rápido demais na explicação histórica da evolução da alimentação humana e por isso voltemos atrás : Um dos momentos cruciais na evolução da alimentação do homem foi o controlo do fogo durante o período Paleolítico, há cerca de 2,5 milhões de anos . Não se sabe exactamente quando os precursores do Homo sapiens deixaram de consumir alimentos tal como ficavam quando os caçavam e recolectavam. Descobertas arqueológicas em cavernas da China fazem supor que o homem de Pequim,( 250 mil e 500 mil anos atrás), já utilizava o fogo para se aquecer e cozinhar carnes e vegetais . Esses são os primeiros sinais de que o homem procurava modificar os alimentos que consumia, sendo isso muito visível no período Neolítico . Ao perceber que carnes e vegetais cozidos duravam mais tempo, passou a usar o processo .Com a defumação, pela exposição das carnes e peixes à fumaça resultante da queima de madeira e carvão, fazia-se a desidratação, criando nos alimentos uma capa protectora para durar mais. Nós hoje sabemos, que há o risco das dioxinas, mas quem não vai ainda hoje procurar os “fumeiros”? Na Europa, a partir da Idade Média, criou-se o hábito de comer carne de porco e para a conservar , parte era salgada, parte defumada e o restante usado no preparo de enchidos. No nosso país interior, continuamos hoje a fazer o mesmo. Quem não conhece os presuntos caseiros? Supõe-se que a primeira forma de salga consistia em enterrar os produtos da caça na areia da praia, para que o sal do mar penetrasse nos alimentos. Na Antiguidade, fenícios, egípcios e gregos secavam peixes para poderem transportá-los com segurança. No entanto, a história mostra que o hábito do sal para preservar alimentos vem quase sempre combinado com a exposição ao sol e daí o hábito, presente até há poucos anos em Portugal, da salga do bacalhau realizada ao ar , ao sol e às moscas, nas nossas praias e linhas de costa .Na Mesopotâmia, por volta de 2000 a.C, os peixes eram abertos e conservados em salmoura a que por vezes se juntavam ervas aromáticas, tão ao gosto dos romanos . E quem fala de peixe, fala de carne, por exemplo a de bovino, ainda hoje assim preparada no Brasil, a célebre carne de sol. A utilização de baixas temperaturas para a conservação de alimentos também se perde na história. Foi no período Neolítico que o homem descobriu que a carne de caça e os vegetais guardados em locais frios se conservavam por mais tempo. Assim, o homem pré-histórico depositava seus alimentos nas partes mais escuras e frescas das cavernas. Hoje usamos os gigantescos armazéns frigoríficos , os porta contentores refrigerados e até aviões de carga com porões refrigerados pelas baixas temperaturas que existem nas altas zonas da atmosfera.
Suponho ter dado uma ideia do tema, reconhecendo que muito ficou por dizer.

7.2.10

ORIGEM DO HOMEM (2)


Em 17-4-08, na etiqueta Antropologia, deixámos uma mensagem sobre a Origem do Homem que hoje vamos actualizar. Assim, podemos afirmar que todos nós temos um pouco de etíope, pois foi na Etiópia , na jazida de Aramis que foram encontrados restos fósseis dos hominídeos mais antigos, incluindo a Lucy , uma fêmea da espécie Australopithecus aferensis que viveu há 3,2 milhões de anos. Na referida jazida, e em locais mais a norte, foram descobertos vários fragmentos de uma nova espécie , ainda mais antiga, a Ardipithecus ranidus que viveu há 4,5 milhões de anos e é conhecida pelo diminutivo de Ardi. O Ardi é um dos nossos sntepassados mais remotos , próximo daquela espécie de Símios que, há 6 milhões de anos, se dividiu em dois ramos : o dos hominídios que veio a dar o homem e o outro que veio a dar os macacos actuais. Há indícios que o A. ranidus andava sobre as patas traseiras numa posição erecta , pois a cavidade onde a coluna vertebral encaixa no crâneo assim o demonstra. O seu cérebro rondava os 300 a 350 centímetros cúbicos , semelhante ao de uma fêmea de chimpanzé actual. A cara tinha um focinho, mas menos pronunciado que o dos chimpanzés . Os dentes caninos eram parecidos com os dos australopithecus mas mais pequenos . Os antebraços eram muito grandes e as mãos tinham dedos muito compridos . Os pés possuíam dedos também muito compridos e o dedo grande estava afastado dos outros. Corria desajeitadamente e os seus pulsos permiiam agarrar-se a ramos mas não balançar-se neles . Embora vivesse na floresta passava mais tempo no chão do que nas árvores, talvez num misto de floresta e savana.O seu andar seria lento pois se estava a passar de indivíduos que viviam a trepar ás árvores para os que só caminhavam no solo. Está assim descoberto mais um elo da cadeia evolutiva do Homem.

1.3.09

VIAGENS

Não sabemos se há nos cromossomas humanos algum gene que leve o homem a viajar já que, desde sempre, os nossos antepassados longínquos observavam tudo á sua volta e tentavam saber o que se passava para além do seu horizonte visual. Para tal , apesar dos perigos que corriam, esses homens primitivos iam-se deslocando com espírito aventureiro, prontos a vencer " os monstros fantásticos" das terras ainda para eles desconhecidas. Muito mais tarde, nas civilizações grega e egípcia, as grandes viagens tinham um carácter religioso, com grandes peregrinações anuais aos santuários. Nessas grandes exibições públicas, os deuses eram transportados num andor em forma de barca, recreando o meio de transporte mais usado na época, principalmente no rio Nilo. Também os Jogos Olímpicos da Grécia antiga auspiciavam as grandes viagens, num clima de paz específica para esses jogos. As razões económicas e o desejo de encontrar terras mais férteis ou comerciar com outros povos, levavam a viagens de longo curso e duração, organizadas e pagas colectivamente. Em 1982, foram encontrados ,nas costas da Turquia , restos de um navio fenício naufragado há mais de 3.400 anos e cuja carga consistia em cerâmicas gregas, jóias egípcias, dentes de elefantes e ovos de avestruz da África central, bem como valiosos lingotes de estanho da península Ibérica. Nas viagens por terra, os peritos foram os romanos que construíram estradas ligando Roma com os pontos mais distantes do Império e por elas marchavam as legiões,os comerciantes e os cobradores de impostos.. Os verdadeiros viajantes são, no entanto, aqueles que partem por partir, para ir ao fundo do desconhecido e encontrar coisas novas. Deste tipo de viajantes da antiguidade lembremos Marco Polo que permitiu ao ocidente conhecer o oriente longínquo. A sua publicação " Livro das maravilhas" é o relato da sua assombrosa viagem á China que, além de abrir a Europa medieval ao mundo, preparou os espíritos para os descobrimentos marítimos. Seguindo a "rota da seda" ( ver neste blog etiqueta História) Marco Polo esteve vinte anos ao serviço de Kublai Kan, o grande imperador mongol, tendo assim ficado com uma perspectiva completa dos usos e costumes, da forma de governo, dos produtos existentes e dos conhecimentos científicos daqueles povos, o que permitiu aos europeus ter uma nova visão do mundo.. A amizade entre o veneziano Marco Polo e o Grâ-Kan permitiu á Europa competir com os mercadores muçulmanos nos negócios com a Ásia. Ao regressar a Veneza por mar, Marco Polo visitou lugares remotos e desconhecidos como a Índia e a Pérsia. Não podemos esquecer que a China foi pioneira nas grandes explorações marítimas. Muito antes dos europeus se lançarem a explorar o mundo , a frota de juncos do almirante Zheng He sulcou o oceano Índico e chegou ao golfo Pérsico e á costa oriental de África. Viajando em grandes juncos, como o que vemos representado na figura,supõe-se terem chegado ás Américas antes de Colombo e Magalhães, facto pouco provável devido ao tipo de embarcação, mas que reforça a tese de que os chineses tivessem conhecimento dessas terras por anteriores viagens dos fenícios. (ver neste blog Os Templários na etiqueta Enigmas da Antiguidade). No final do século XX, aparecem as viagens de lazer, as denominadas viagens turísticas, por todo o mundo, muito incrementadas pela rapidez e conforto da aviação comercial. Possivelmente a maior viagem, a mais extraordinária realizada pelo Homem, terá sido a viagem á Lua, projecto político devido á guerra fria e ao salto tecnológico havidos nos Estados Unidos da América e na ex-União Soviética.( ver neste blog LUA nosso satélite natural, na etiqueta História) Actualmente o turismo orbital terrestre está a dar os primeiros passos e será o percursor,a longa distância no tempo, do turismo planetário, agora só em filmes de ficção. Ao que se sabe, há já cinco candidatos portugueses aos voos orbitais, pese embora o preço a pagar por essa viagem de curta duração, a realizar ainda este ano de 2009.

14.2.09

A DESCOBERTA DO METAL

Se na mensagem de 17/4/08 (etiqueta Antropologia) descrevemos como teria o Ramapithecus evoluído até originar o "Homo sapiens" iremos agora referir como a descoberta do metal modificou o homem primitivo no seu modo de vida No período compreendido entre 10.000 e 2500 anos aC o aparecimento da pastorícia e agricultura levou os pequenos grupos de caçadores e recolectores a cederem o seu lugar a comunidades mais numerosas em que, para além dos pastores e agricultores, surgiam os oleiros que produziam utensílios domésticos e estatuetas de carácter religioso ou mágico. Se já houve evolução na vida do homem quando este deixou de utilizar paus para cavar o solo e passou a usar rudimentares arados de madeira, o aparecimento do metal criou nova revolução no modo de viver dos povos primitivos. Tudo terá acontecido cerca do ano 8.000 antes de Cristo quando a descoberta do metal, na Ásia ocidental, libertou o homem do longo período da Idade da Pedra. Possivelmente foi um acaso, pois, á medida que os oleiros se tornavam mais hábeis no fabrico da cerâmica passaram a usar um forno para cozer o barro. A manipulação de diferentes barros e terras para a cozedura devem ter levado ao aparecimento de fragmentos, em estado quase puro, de cobre e de ouro.Tinham descoberto umas pedras estranhas que submetidas ás temperaturas elevadas dos seus fornos se tornavam líquidas e que ,quando o forno arrefecia, o líquido tomava a forma do objecto onde fora vertido, possivelmente a forma de lâmina que era facilmente moldada.Provas do uso do metal foram descobertas ,no Irão e na Turquia , com cerca de 8.000 anos. Seis séculos depois, os habitantes da Turquia fundiam cobre e chumbo . Fabricavam pequenos medalhões, bem como contas tubulares de finas folhas de cobre enrolado.Durante muito tempo usaram o cobre e ouro em ornamentos e, só passados milénios , os utilizaram em armas ou utensílios de trabalho florestal. os metalúrgicos ao misturarem metais diferentes obtiveram as ligas como é o caso do bronze. Este é mais duro que o estanho e cobre que lhe deram origem e com ele fabricaram facas , machados e punhais de gume mais afiado.A agricultura também beneficiou pois o tosco machado de pedra de cabo mal ajustado foi substituído pela foice metálica de uma só peça e muito mais cortante. Quanto ao ferro o seu uso só se generalizou no ano 400 a C tendo a vida do homem tomado novo impulso, não idêntico em todas as regiões, passando a segundo plano o cobre e o bronze, embora ainda utilizados. A idade do ferro poderá ser tema de uma nova "postagem".

17.4.08

A ORIGEM DO HOMEM

As nossas origens estão directamente ligadas com o desaparecimento dos dinossauros,qualquer que tenha sido a causa desse desaparecimento. Os mamíferos, nossos antecessores, já existiam há milhares de anos ,antes do fim dos grandes répteis. Os acontecimentos de há 40 Ma que ditaram o fim dos dinossauros (ver postagem de Janeiro 08) pouparam tudo o que vivia sob a água e os animais de pequeno porte escondidos nas tocas ou sob uma muito densa vegetação, assim se salvando os muito pequenos mamíferos de apenas alguns centímetros de tamanho.
Nem sempre é possível ler nos fósseis cada um dos passos da linha evolutiva que conduz ao Homem ,mas podemos analisar as características dos mamíferos insectívoros, do tipo musaranho, que vieram ocupar os nichos ecológicos deixados vagos pelo desaparecimento dos grandes répteis. Os pequenos mamíferos que vegetavam no solo, alimentando-se de sementes e de insectos, subiram ás árvores, o que requeria importantes adaptações que ainda hoje são as características dos primatas, nós incluídos. A principal adaptação era uma mão com unhas, em vez de garras, e capaz de se agarrar aos ramos e de apanhar comida. Em segundo lugar, uma boa visão tri-dimensional e estereoscópica, o que só é possível com os olhos colocados na parte da frente da cabeça . Por último, a capacidade do animal se pôr de pé , por forma a libertar os membros anteriores para apanhar os alimentos. Só os primatas possuem, simultaneamente,estas três características.Foram precisos 30 Ma para que os descendentes dos musaranhos originais surgissem equipados com todas as capacidades dos modernos primatas, incluindo a visão a côres. Destes primatas primitivos, por vezes chamados pró-símios, ainda sobrevivem , em Madagáscar, os Lémures que nunca tiveram que competir com os antropoides, primatas mais evoluídos. Sigamos o esquema evolutivo abaixo.Os macacos primitivos, surgidos há 40 milhões de anos, evoluíram em dois ramos : os macacos do velho mundo (europa,ásia e áfrica) e os macacos do novo mundo (continente americano) Uma diferença ressalta nestes dois tipos de pró-símios e que é o facto dos macacos do novo mundo usarem a cauda como um quinto membro para se balançarem nas árvores, além de diferenças menores nas narinas e dentição. Só a linha dos macacos do velho mundo evoluiu e, há 25 milhões de anos, dá-se o aparecimento dos símios que são macacos sem cauda. Esta linhagem de símios, há 10 Ma, divide-se em duas: as dos símios actuais ( chimpanzé, gorila,orangotango) e a dos hominídeos que virá a dar o homem actual. Infelizmente há uma grande lacuna fóssil que não nos permite traçar, com exactidão, a linha evolutiva dos hominídeos até ao homem. (Esta lacuna é aproveitada pelos fixistas e criacionistas para combater o evolucionismo. ) Pensa-se que os hominídeos terão saído das florestas e passado a ter uma postura mais erecta, na savana entretanto surgida com a mudança de clima. Consideremos então que há 10 Ma surgiu um primata hominídeo mais evoluído, provávelmente o antepassado mais directo do homem, a que foi dado o nome de Ramapithecus.Os vestígios deste hominídeo foram encontrados nos montes Siwalick na Índia e, mais tarde, em África. Aparentemente andava erecto e não tinha maxilas alongadas ou salientes. Com um cérebro ainda pequeno, podia agarrar e manejar paus e pedras para afastar os seus inimigos. Há 6 milhões de anos, dos Ramapithecus derivaram três ramos :Australopithecus boisei, Australopithecus africanus e o Homo habilis. Os Australopithecus tinham um volume de cérebro idêntico ao de um macaco moderno, andavam erectos e serviam-se de utensílios, possivelmente ossos e seixos naturalmente aguçados. O Homo habilis tinha um cérebro mais volumoso, andava erecto e fabricava utensílios de pedra.

Australopithecus e Homo habilis chegaram a co-habitar em algumas regiões, possivelmente num relacionamento não pacífico, em nichos ecológicos diferentes e com esporádicos cruzamentos. Os Australopithecus acabam por se extinguir há 2 Ma e o género Homo vai evoluindo. Assim, há 500.000 anos, surgia o Homo erectus que viveu na Ásia, África e Europa. Utilizava o fogo e caçava animais de grande envergadura, actuando em grupo. ( A figura acima é uma reconstituição do Homo erectus )
Há 100.000 anos a espécie Homo erectus terá evoluído para duas linhagens: Homo neanderthal e Homo sapiens. O homem de Neanderthal contemporâneo do último período glaciar, deve ter-se extinguido há 40.000 anos, enquanto o Homo sapiens foi evoluindo até dar o homem moderno (Homo sapiens,sapiens), o que deve ter acontecido há 35.000 anos .
Mas não se pense que os Neanderthais eram seres embrutecidos e insensíveis,pois enterravam os seus mortos segundo um ritual que leva a admitir uma crença religiosa. Por vezes enterravam, juntamente com os mortos, alimentos e utensílios, o que indica acreditarem numa vida do além. As sepulturas eram cobertas com pedras, para evitar profanação por parte de animais. O homem de Neanderthal caçava renas, bovinos, bisontes e veados. Usavam raspadores de silex próprios para tirar a gordura das peles, com que se vestiam rudimentarmente. Fabricavam pequenas pontas de lança e bifaces em silex,chegando ao ponto de criar uma faca com serrilha,destinada a cortar os alimentos. É possível que tivessem praticado canibalismo para herdar a força e a magia dos seus inimigos. No que se refere ao Homo sapiens ,sapiens, revelou-se hábil a trabalhar a pedra e criou uma nova série de utensílios mais complexamente trabalhados com a ajuda de um punção de madeira ou de osso que funcionava como martelo. Possuiam furadores,ou sovelas, com que furavam as peles , e buris com que trabalhavam o osso, uma forma de arte. O osso e o marfim eram utilizados para pontas de lança, anzois, agulhas e arpões. O vestuário, em pele de animais, era muito trabalhado e adornado, por vezes,com conchas ou dentes. Usavam colares de dentes de cervos,cascas de caracois,discos de madrepérola e pérolas de marfim. Há 12.000 anos o homem deixou de ser caçador,dando lugar a comunidades mais numerosas de pastores e agricultores, com chefes e artífices especializados. Trigo e cevada,segados com foices de silex ,eram as culturas principais. A partir do ano 6.000, antes de Cristo, surge a utilização do cobre,bronze e ferro permitindo o fabrico de ferramentas novas e mais resistentes. De uma forma lenta e progressiva ,o animal Homem chegou ao que é hoje. Terminarenos com uma reconstituição dos nossos antepassados Homo erectus.


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