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3.11.10

NÃO MATARÁS


Sempre que abordo um tema da religião católica, vem ao meu pensamento um dos mandamentos da Lei de Deus – NÃO MATARÁS—que muitas vezes foi ignorado pelos Chefes religiosos.
O que a seguir comentarei nem sequer tem a ver com intransigências religiosas contra os infiéis ou defensores do Corão, o que talvez pudesse justificar alguma guerra, mas sim uma guerra entre irmãos cristãos.
Combatei os hereges com mão poderosa e braço firme “ proclamava o papa Inocêncio III , para lançar milhares de cruzados , em 1209, contra os cristãos albigenses do sul de França, tudo com a desculpa de ter sido assassinado o Legado papal Peire de Castelnau , por um escudeiro do Conde de Tolosa.
Quando os cruzados conquistaram Lavour, em 3 de Maio de 1211, Simão Montfort mandou enforcar Aimeric Montreal e mais oitenta cavaleiros. Como o patíbulo ruiu devido ao peso do nobre, mandou degolar os outros . A senhora da cidade ,Guirauda , irmã de Aimeric , foi entregue á soldadesca que depois de abusar dela a lançou a um poço. Nesse dia, 300 a 400 cátaros foram queimados na fogueira, enquanto os seus bens passaram para Simão Montfort. Tudo isto aprovado pela Igreja de Roma que se sentia ameaçada no seu poder ditatorial religioso e temporal e que perdera a guerra contra o Islão quer em Espanha quer na Terra Santa.. Mas há mais exemplos da barbárie contra os cristãos cátaros : Ao iniciar-se o assalto a Beziers, alguns cruzados perguntaram ao Legado papal ( Arnau Amalric) como poderiam distinguir os hereges dos bons católicos que estavam na cidade. A resposta foi mais ou menos assim: mata-os a todos que Deus saberá distingui-los depois.
E afinal de que constava a heresia dos cátaros ou albigenses para se fazer tão cruenta guerra que fora antecedida , é verdade, de uma tentativa pacífica para os converter ?
Os cátaros acreditavam que o homem na sua origem havia sido um ser espiritual e para adquirir consciência e liberdade, precisou de um corpo material, sendo necessário várias reencarnações para se libertar. Acreditavam na existência de dois deuses, um do bem (Deus) e outro do mal (Satã), que teria criado o mundo material . Não concebiam a ideia de inferno pois no fim o deus do Bem triunfaria sobre o do Mal . Praticavam a abstinência de certos alimentos como a carne e tudo o que proviesse da procriação. Jejuavam antes do Natal, Páscoa e Pentecostes, e não matavam qualquer animal. Os crentes tinham um ofício divino onde dividiam o pão entre si mas não considerando esse pão o corpo de Cristo.
A Igreja Católica estabeleceu a repressão às heresias através de concílios, exigindo que o poder secular participasse do processo. Desta forma, através do estudo do cânone 27 do III Concílio de Latrão (1179) e do cânone 3 do IV Concílio de Latrão (1215), verificar-se-á os princípios adoptados pela Igreja Católica para reprimir a heresia cátara e percebe-se a necessidade que a Igreja Católica tinha de a eliminar , pois esta ameaçava seu poder. A Igreja só poderia manter-se no poder com a certeza de que era a única e verdadeira herdeira de Cristo e de que passavam por ela os caminhos que levavam á salvação.
Embora seja impossível nesta curta mensagem explicar tudo aquilo que era considerado heresia, podemos ainda dizer que os cátaros eram acusados de abalarem a ordem social existente e de aspirarem à destruição da sociedade medieval.(Leia-se poder temporal do Papa e do Rei de França) Renunciavam aos bens materiais pregando o retorno ao cristianismo primitivo.
Mas voltemos ao quinto mandamento que é o título da mensagem.
Dizem os teólogos católicos : “Só Deus é senhor da vida humana. Os homens devem respeitá-la. Matar voluntariamente um ser humano é pecado, quer seja por homicídio, eutanásia, violência, guerra injusta , roubo, herança ou aborto. É também pecado contra o quinto mandamento: odiar, guardar rancor, inimizade, desejar o mal, insultar.
O que é próprio do cristão é amar, porque Deus é amor. Se aprendermos a amar, não nos custará perdoar de coração quando alguém nos ofende. Isto não impede o direito e o dever da pessoa e da sociedade à legítima defesa. Por isso, as autoridades legais podem impor justas penas aos agressores e inclusive, como em alguns países, matar em caso de extrema gravidade, esgotados todos os meios que seriam mais conformes com a dignidade da pessoa humana. “
Estou a lembrar-me do assaltante de uma escola nos EUA que ameaçava matar mais alunos além dos que já tinha ferido mortalmente e que acabou por ser abatido por um atirador especial da polícia, isto para já não falar de outros casos semelhantes que são do domínio público.
Será que com o que acabei de transcrever os teólogos se contradizem ? Continuemos a ouvir a opinião deles:
Por que é que a legítima defesa de pessoas e de sociedades não vai contra o quinto mandamento ?
Porque com a legítima defesa se exerce a escolha de defender e valorizar o direito à própria vida e à dos outros, e não a escolha de matar. Para quem tem responsabilidade pela vida do outro, a legítima defesa pode até ser um dever grave. Todavia ela não deve comportar um uso da violência maior que o necessário. Neste caso está a defesa armada de um povo quando, sem motivo, é atacado por outro.”
No que respeita ao aborto o tema é muito polémico e a posição da Igreja continua a não ser uniforme ou concordante. Sobre este tema , o Prof de Teologia e Ética da Marquett University, Dr Daniel Maguire diz o seguinte:
“Na igreja católica não há uma só doutrina vigente sobre contracepção e aborto. No entanto, a mais conhecida é a doutrina conservadora defendida pelo Papa, por muitos membros da hierarquia e, também, por uma minoria significativa de teólogos católicos. Esta doutrina insiste em afirmar que todos os meios de contracepção artificial e o aborto são contra as leis de Deus …….. Se houver um crescimento excessivo da população, a natureza nos matará de fome, doença ou por uma destruição ambiental, como ocorre em muitas partes do mundo. A alternativa a estes males é o planeamento familiar…….Num mundo perfeito, onde os métodos contraceptivos estivessem à disposição de todas as pessoas; onde mulher e homem fossem educados e se respeitassem mutuamente; onde a pobreza não causasse danos à vida, neste tipo de utopia o aborto seria muito raro. Porém o nosso mundo não é uma utopia. Num mundo onde há gravidezes não desejadas e não planeadas, uma mulher deveria poder abortar por razões sérias e sãs……..Em todas as maiores religiões do mundo isto é possível e aceitável. Em meu último livro SACRED CHOICES: The Right to Contraception and Abortion in Ten World Religions (Fortress Press, 2001) (Escolhas Sagradas: o direito à contracepção e ao aborto em dez religiões do mundo) demonstro como todas as maiores religiões do mundo - incluindo o catolicismo - reconhecem a fecundidade como uma benção que pode ser também um castigo. Todas estas religiões têm perspectivas conservadoras sobre o planeamento familiar, tanto quanto a católica. Mas de mesmo modo convivem perspectivas mais moderadas que permitem a contracepção e o aborto quando necessário…..”
Como se pode verificar e também relativamente ao aborto ,nas diferentes correntes cristãs não há uniformidade de ideias quanto ao mandamento NÃO MATARÁS.
Se entrarmos no tema da eutanásia então o problema é ainda mais complicado com as diferentes Igrejas cristãs a terem pontos comuns e de divergência, mas vejamos só o catolicismo romano que foi a confissão religiosa que mais estudou a questão da eutanásia, ou, pelo menos, a que mais publicou directrizes a respeito; O documento mais completo é a Declaração Sobre a Eutanásia (5-5-1980), da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Nesse documento pode ler-se: "Por eutanásia, entendemos uma acção ou omissão que, por sua natureza ou nas intenções, provoca a morte a fim de eliminar toda a dor. A eutanásia situa-se, portanto, no nível das intenções e no nível dos métodos empregados". A eutanásia é considerada uma "violação da Lei Divina, uma ofensa à dignidade humana, um crime contra a vida e um atentado contra a humanidade". Outro documento , de João Paulo II (1995) , é a Carta Encíclica Evangelium Vitae. Mantendo a argumentação anterior coloca o problema como sendo "um dos sintomas mais alarmantes da ` cultura da morte' que avança, sobretudo, nas sociedade do bem-estar, caracterizadas por uma mentalidade da eficiência que faz aparecer demasiadamente gravoso e insuportável o número crescente das pessoas idosas e debilitadas. Com muita frequência, estas acabam por ser isoladas da família e da sociedade, organizada quase exclusivamente sobre a base de critérios de produtividade, segundo os quais uma vida irremediavelmente incapaz não tem mais nenhum valor" A doutrina católica tradicional reconhece que o sofrimento, embora possa ser integrado no mistério da morte e ressurreição de Cristo, pode também ser fútil e nocivo . Os esforços por manter a vida física podem legitimamente cessar quando a continuação da vida biológica faz com que se deteriore, em vez de promover, a integração espiritual e moral da pessoa.. Dos documentos mais antigos aos mais recentes, há uma evolução no modo de interpretar o sofrimento e propor normas morais. A Declaração sobre a Eutanásia, de 1980, dialoga melhor com a racionalidade científica, reconhecendo que em ambos os lados existem convicções sérias e conscienciosas.
No entanto no quinto mandamento está apenas escrito NÃO MATARÁS sem a condicionante A NÃO SER QUE ….. . Grande dilema este !.

26.8.10

A INQUISIÇÃO

Inquisição é o acto de inquirir, isto é, indagar, investigar, interrogar judicialmente. No caso da Santa Inquisição, significa "questionar judicialmente aqueles que, de uma forma ou de outra, se opõem aos preceitos da Igreja Católica". Dessa forma, a Santa Inquisição, também conhecida como Santo Ofício, foi um tribunal eclesiástico criado com a finalidade "oficial" de investigar e punir os crimes contra a fé católica. Na prática, os não cristãos representavam uma constante ameaça à autoridade clerical e a Inquisição era um recurso para impor à força a supremacia católica, exterminando todos que não aceitavam o cristianismo nos padrões impostos pela Igreja de Roma.
A Santa Inquisição teve verdadeiramente o seu início no ano de 1184, em Verona, com o Papa Lúcio III. Pouco depois, em 1198, o Papa Inocêncio III liderou uma cruzada contra os albigenses, promovendo execuções em massa. A cruzada albigense (a denominação é derivada de Albi, cidade situada ao sudoeste da França), também conhecida como cruzada cátara ou cruzada contra os cátaros, foi um conflito armado que aconteceu em 1209 e 1244, por iniciativa Papal com o apoio da dinastia dos Capetos (reis da França na época), com o fim de reduzir pela força o catarismo, um movimento religioso qualificado como heresia pela Igreja Católica e , ao mesmo tempo, dando aos Capetos a possibilidade de estender os seus territórios para sul.
Em 1229, sob a liderança do Papa Gregório IX, no Concílio de Tolouse, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício.
Este tribunal instalou-se em França, Alemanha, Espanha e mais tarde em Portugal, incluindo todas colónias destes dois últimos países.
Em Portugal foi introduzida no reinado de D. João III, em 1536, após vários anos de negociações com a Santa Sé, para que ela ficasse sobre a alçada do rei. O inquisidor –geral era nomeado pelo papa mas sob proposta do rei. Havia tribunais em Lisboa, Coimbra e Évora, cidades onde estavam os grandes colégios de Jesuítas . Como é fácil de imaginar passou a ser um instrumento ao serviço do poder real e se no início se relacionava apenas com práticas religiosas , estendeu-se a outras áreas como a censura de livros, bigamia, feitiçaria e política.
O modo de actuação do tribunal era o seguinte: os suspeitos de denúncia anónima ( normalmente um papel com um nome e uma acusação deixado à porta do Santo Ofício), eram interrogados para se obter a prova de culpa , socorrendo-se o tribunal de testemunhas cujo nome era mantido secreto , ou de confissão do acusado normalmente conseguida por meio de tortura. A sentença era dada em sessão pública (auto de fé) e esta podia ser a morte na fogueira, prisão, penitencias ou apreensão de bens, daí uma perseguição movida aos judeus, cristãos novos que possuíam a riqueza .
Foi o entanto em Espanha, no tempo dos chamados Reis Católicos que a Inquisição tomou uma força enorme. Em 1545, Francisco de Enzinas, protestante exilado, escrevia assim a um amigo : Não penses que os inquisidores tenham algo de humano para além do aspecto físico. Na realidade são criados de Satanás que saqueiam Espanha e não têm interesse noutra coisa que não seja despojar os ricos dos seus haveres e em perder milhares de almas…… Quando querem apanhar algum, inventam que disse uma blasfémia , metem-no numa masmorra e inventam culpas horríveis para que o inocente seja tido como infame….tudo isto em segredo
O segredo , a tortura, os cárceres e a morte definiam esta justiça inquisitorial e justificavam o medo que o Santo Ofício inspirava nas populações .
Em Portugal a força da Inquisição gerou conflitos entre o Rei D. João IV e os Jesuítas que eram os inquisidores, por o monarca ter suspendido o confisco de bens aos judeus e cristãos novos. É no entanto no reinado de D. José que o Marquês de Pombal extingue o tribunal, no ano de 1821, e expulsa os Jesuítas do país . Em Espanha o Santo Ofício é extinto no ano de 1834.
Recuemos um pouco na história e tentemos perceber como aparece a Inquisição em Portugal, ou melhor, o Tribunal do Santo Ofício. Em Março de 1492 os reis de Castela, Fernando e Isabel, ordenaram que todos os judeus baptizados fossem expulsos sob pena de morte, e o nosso rei D. João II autorizou a sua passagem e estadia em Portugal pois o seu destino final seria o norte de África . Muitos resolveram ficar e quando o prazo de estadia terminou foram considerados cativos do rei. Em 1493 D. João II ordena que as crianças judias entre os 2 e os 10 anos fossem baptizadas e enviadas para S:Tomé onde receberiam educação cristã . Com a morte de D: João II sucede-lhe D. Manuel e um dos seus primeiros actos foi restituir a liberdade aos judeus , mas ao pretender casar com a filha dos reis católicos , esta exigiu que ele expulsasse primeiro todos os judeus e mouros de Portugal. O rei D. Manuel acedeu e manda fazer a expulsão por decreto de 24-12-1496. Por causa dos bens imóveis e dinheiro que os judeus possuíam começaram a surgir problemas nesta saída . É neste período que surgem as verdadeiras e as falsas conversões ao cristianismo e os chamados cristãos novos que eram olhados com desconfiança e inveja pela restante população e daí o aparecimento de denúncias o mais absurdas possível. Ao morrer D. Manuel e com a subida ao trono de D. João III, é pedida ao papa a introdução da Inquisição em Portugal, como já nos havíamos referido anteriormente. Os regulamentos da Inquisição portuguesa copiaram os espanhóis, criando-se em Lisboa o Conselho Geral, desvinculado de Roma.
Quando Portugal perde a independência, após a morte de D. Sebastião , governam o reino os reis Filipes de Espanha , sendo decretadas as Ordenações Filipinas. Estas que vigoraram em Portugal a partir de 1603, mandavam que os mouros e os judeus andassem com um sinal (carapuça ou chapéu amarelo para os judeus e lua de pano vermelho para os mouros).
As Ordenações eram pródigas em castigos de pena de morte. Na verdade, contudo, o degredo era quase sempre colocado, nas Ordenações, como alternativa à pena capital, com uma evidente finalidade colonizadora, uma vez que os condenados, diante de tão radical encruzilhada, acabavam optando por serem degredados para as colónias. Os modos de início do processo lembravam aqueles definidos pelo papa Inocêncio III, em 1216, a saber: per inquisitionem (de ofício, correspondente às devassas), per denuntiationem (por denúncia, em que o denunciante não se vinculava ao processo) e per accusationem (por acusação, a querela das Ordenações, em que o acusador oficiava no decorrer de todo o feito).
A tortura foi prevista nas Ordenações , com o nome de tratos no corpo, somente nos delitos de maior gravidade em que houvesse acusação escrita e mediante decisão expressa do magistrado , da qual cabia recurso. Os principais alvos da Inquisição lusitana foram como temos dito, os judeus convertidos, chegando ao ponto de um decreto de 1640 proibir-lhes o acesso aos cargos de juiz, meirinho, notário, escrivão, procurador, feitor, almoxarife, médico e boticário. Nesta época, em todas as Igrejas, os editais da Inquisição eram lidos, incitando os fieis, sob pena de excomunhão, a denunciarem as pessoas que praticassem judaísmo
No séc. XVII houve certo recuo da Inquisição, atacada de todos os lados, tanto pelos judeus instalados em posições de mando político e detentores do comércio e de muitas das riquezas locais, como até por membros do clero, como o padre António Vieira, que muito a criticou em seus sermões.
Padre António Vieira , designado pelo rei, em 1643, para negociar junto à França e à Holanda a reconquista de colónias perdidas durante guerras anteriores, propôs, entre outras coisas, o regresso a Portugal dos judeus mercadores que andavam por diversas partes da Europa, com a garantia de que não seriam molestados pela Inquisição, de modo que pudessem usar a sua riqueza ao serviço da arrasada economia do reino.
O dinheiro dos judeus serviria, também, no pensamento de Vieira, para consolidar uma Companhia de Comércio no Brasil, à semelhança das companhias holandesas, com o objectivo de defender a navegação entre a metrópole e as colónias. O dinheiro, sempre o dinheiro a deturpar o princípio religioso que a Igreja devia seguir sob a capa de combater o “pecado” da usura. Analisemos este aspecto :O Concílio de Viena de 1331 autorizou os tribunais da Inquisição a perseguir os cristãos que praticassem a usura, não mencionando se eram cristãos novos ou velhos. Com isso a igreja conseguiu livre arbítrio para sentenciar á morte um usurário e ainda ficar com seus bens em troca da salvação de sua alma. A igreja condenava o usurário porque o fruto de seu dinheiro não vinha de um trabalho suado. Os maiores usurários daquela época eram os judeus pois impossibilitados de exercer qualquer actividade liberal , procuravam alternativas para sobreviver e a que lhes sobrou foi a de fornecer empréstimos , cobrando juros sobre o dinheiro negociado, conforme o tempo que o negociante esperava para receber. Os cristãos também praticavam a usura, iludindo de inúmeras maneiras a sua proibição. O facto é que muitos cristãos praticavam este pecado, mas tendo uma preocupação cada vez maior com os lucros e a concorrência que os judeus representavam.
Através da ordenança de Melum, de 1220, os judeus foram relegados à baixa usura, ou seja, só poderiam emprestar sob penhor, aos camponeses, aos artesãos ou à plebe. Assim, o que era vinculado às heresias determinadas pelo Santo Ofício passava a um jogo de interesses ; havia uma preocupação, por parte da igreja católica, em colocar os negócios do povo hebreu numa escala inferior à dos usurários cristãos. Quando Filipe o Belo de França expulsou os judeus ficaram os usurários cristãos e o povo queixava-se deles como se pode ver numa balada da época

Toda gente pobre se queixa
Pois os judeus foram muito mais bondoso
Ao fazer seus negócios
Do que o são agora os cristãos
Pedem garantias e vínculos
Pedem penhores e tudo extorquem
A todos despojando e esfolando…
Mas se os judeus
Permanecessem no reino da França,
Os cristãos teriam tido
Muito grande ajuda, que agora
Não tem mais.
(século XIII)


Em Portugal, a usura foi apenas mais um pretexto para que se perseguisse o judeu, que juntamente com suas práticas heréticas judaizantes, se tornava alvo fácil para quem só queria enriquecer através da legitimidade de um orgão da igreja.
O Santo Ofício português começa actuar num período propício, economicamente falando, pois o espírito capitalista começa dar seus primeiros passos : onde o comerciante tem influência, a economia progride, a agricultura desenvolve-se, as cidades estruturam-se.
Nesta dinâmica de desenvolvimento europeu Portugal instaura a Inquisição e fundará o império colonial . Embora a Inquisição se tivesse se estabelecido no Reino, com a clausula de que não se confiscassem bens de condenados, durante pelo menos dez anos. o certo é que os abusos foram cometidos em nome do progresso que se instalava e propagava na restante Europa .Portugal viu na Inquisição e na prática do confisco de bens, a oportunidade para que o sonho dourado de estabilidade política e económica se concretizasse através da salvação das almas.
Assim, além de utilizar seu poder para fazer crescer e avolumar o cofre da Igreja, em troca da salvação das almas dos infiéis, o Santo Ofício infringiu o maior dos mandamentos da lei de Deus: Não Matarás.


Bibliografia sobre o tema :
AYLLÓN, Fernando. El Tribunal de la Inquisición; De la leyenda a la historia. Lima, Fondo Editorial Del Congreso Del Perú, 1997.

WALSH, William T. Personajes de la Inquisición. Madrid, Espasa-Calpe, S. A., 1963.

FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977.

MAISONNEUVE, Henri. L’Inquisition. Paris, ed. Desclée, 1989.

1.5.09

JUDAÍSMO


Judaísmo é o nome dado á religião que originou o povo Judeu , tendo como protagonista não um indivíduo, como acontece com o Cristianismo e o Islamismo, mas o povo hebraico. É a mais antiga das três religiões monoteístas onde se incluem o cristianismo e o islamismo. Surgido do mosaísmo (conjunto de leis transmitidas por Deus ao povo de Israel, através de Moisés) o Judaísmo baseia a sua crença em três pontos: 1º- Existe um só Deus denominado YAVHÉ. 2º- O povo de Israel foi eleito por Deus para receber os mandamentos divinos que constituem a Torá. 3º--Há um pacto eterno entre Deus e o povo judeu.
As várias ramificações do Judaísmo moderno devem-se aos eventos históricos ocorridos com a comunidade judaica e baseiam-se em diferentes interpretações da religião. Entre as diferenças estão o uso de objectos religiosos como a Kipá, costumes alimentares ou o uso do hebraico como língua litúrgica. O judaísmo congrega hoje cerca de 18 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo ( Diáspora) e não é uma religião com ideias expansionistas ou de conversão, respeitando a pluralidade religiosa desde que as outras religiões não firam os mandamentos contidos na Torá. Os Judeus acreditam que, no futuro, quando o Messias chegar todos os povos reconhecerão Yavhé como Deus único.
A história do judaísmo começa no apelo de Deus a Abraão que, por volta de 1850 Ac deixou a Síria para se estabelecer na terra de Canaã,hoje Israel. Com a morte de Abraão , Jacob e os seus doze filhos emigram para o Egipto á procura de melhores condições de vida . Com o passar dos anos e ao verificarem estarem a ser tratados como escravos começam a isolar-se em locais próprios até que, por volta de 1250 A.c, Moisés leva o seu povo ,através do Mar Vermelho, novamente para Canaã. Entre os anos 500 aC e 100 dC sucederam-se , em Israel, as dominações estrangeiras: primeiro os Babilónicos, depois os Persas e por fim os Romanos. Nos séculos seguintes e até aos nossos dias a Diáspora continua cada vez mais intensa. Relembramos a expulsão dos Judeus de Espanha ,no tempo dos reis Católicos e o extermínio pelos nazis durante a 2ª Guerra Mundial.
São símbolos do judaísmo : o Muro das Lamentações em Jerusalém,restos do templo de Herodes, onde os judeus vão orar; o candelabro dos sete braços "Menorah" ; a Sinagoga lugar de oração. de reunião e de estudo. Esta religião não tem sacerdotes e o rabino é apenas um mestre na interpretação da Bíblia. O dia de oração e de descanso é o Sábado e vai desde o pôr do sol de sexta -feira até ao pôr do sol de sábado. Também é característica do judaísmo a circuncisão feita aos rapazes , oito dias após o nascimento, simbolizando a Aliança entre Deus e Abraão e é nesta altura que é dado o nome á criança . Só aos treze anos o rapaz se torna membro da comunidade ficando sujeito aos deveres e direitos que ela lhe impõe, sendo o principal o estudo da Torá . Neste livro da Lei estão as 613 obrigações que todo o hebreu deve observar e que são os cinco primeiros livros atribuídos a Moisés. Quando reza o judeu tem a cabeça coberta com o "talith", um xaile com franjas brancas e pretas e presos á testa e ao braço direito as " filactérias" pequenas bolsas que contêm as orações da Torá. O livro sagrado é a Bíblia correspondendo só ao Antigo Testamento.

Se é fácil definir um judeu como sendo um seguidor do judaismo mais difícil se torna saber quem é judeu, pois há muitas diferenças de opinião entre os judeus ortodoxos,reformistas e caraítas, bem como da influência geográfica , isto é, dos países onde residem. Se ultimamente é aceite que judeu é toda a pessoa que tenha passado por um processo de aprendizagem e conversão ao judaísmo ,ou pessoa que descenda de um membro da comunidade judaica, continua a haver desacordo no aspecto de quem deve tomar lugar no tribunal religioso que sancione uma conversão. Também não há acordo se uma criança nascida de um casamento onde um dos pais não é judeu, fica com esse estatuto por via materna ou paterna. Terminamos este curto apontamento com a oração que resume a fé judaica : ESCUTA ISRAEL O ETERNO É UM SÓ !

4.10.08

B U D I S M O

Como já aconteceu com o Hinduísmo, é difícil para os ocidentais compreender esta doutrina como uma religião, pois não existe um Deus criador; talvez seja mais um caminho de crescimento . O Budismo foi fundado na Índia, 600 anos antes de Cristo, por um rico príncipe chamado Sidharta que, aos 29 anos de idade, teve quatro visões . Pelas visões do envelhecimento, doença e morte tomou conhecimento do inexorável caminho que é a vida humana. Numa quarta visão um eremita revelou-lhe o meio de alcançar a paz interior. Deixando a sua fortuna e família partiu em busca da verdade . Depois de seis anos de vida ascesta compreeendeu que não era pela auto-mortificação do corpo , nem pela auto-indulgência que devia seguir. Um caminho intermédio levou-o, aos 35 anos, á iluminação ou sabedoria, passando a ser chamado Buda Sakyamuni que significa sábio do clã Sakya. Como afirmámos no início , Buda não é um deus, apenas um humano que alcançou a iluminação pela prática da compreensão da verdade suprema do Universo e a visão profunda dos caminhos da vida humana. Durante 45 anos ,Buda Sakyamuni viajou com os seus discípulos por toda a Índia encarnando todas as virtudes que pregava,traduzindo em acções as suas palavras.Após a sua morte, aos oitenta anos de idade, realizou-se o 1º Concílio Budista afim de escrever os ensinamentos de Buda. A esta compilação dá-se o nome de Dharma e ao conjunto dos praticantes do budismo Sangha. O Buda, a Dharma e o Sangha são as três joias da doutrina. Chegados a este ponto vejamos, em síntese, quais sãos os objectivos do Budismo : como todos os seres procuram a felicidade, esta doutrina deve permitir aos homens alcançar a serenidade e a paz,isto é, o "estado de Buda ". Para tal o homem não deve cometer acções negativas, ter mestria sobre o espírito ,realizar acções positivas, respeitar todas as formas de vida e nunca cometer a violência.

Os princípios fundamentais do budismo são o Karma e o Renascimento. O Karma pode definir-se como a acção física, verbal ou mental, realizada com intenção e que se traduz em karmas positivos ou negativos. O renascimento é a tomada de consciência da sucessão ilimitada de vidas até se atingir a iluminação. É assim que, de um estádio de imperfeição para um de iluminação teremos : Seres do Inferno, Pretas(espíritos famintos), Animais, Humanos, Asuras (semi-deuses)e Devas ( deuses). O renascimento em formas inferiores ou superiores depende do karma praticado em vidas anteriores. O estado de nirvana será atingido quando se for capaz de sair do ciclo de morte e renascimento, isto é, da reencarnação . Há várias correntes de Budismo, umas em ascenção outras em queda total e, por estranho que pareça, esta filosofia de vida está a perder adeptos na Índia, zona onde surgiu.

30.9.08

HINDUÍSMO

Aquilo que os ocidentais consideram hinduísmo é ,para os hindus, a sanatano dharma, isto é, a verdade eterna, a lei universal que não conhece princípio nem fim, facto que leva a ser simbolizada por uma roda,o dharmachakra. (ver figura ao lado ). Esta doutrina é uma compilação mitológica e religiosa feita ao longo de cinco mil anos. Na fé dos hindus existem inúmeros cultos e tradições de adoração Deus . O hinduísmo é uma doutrina libertadora que ensina a possibilidade de se desligar deste mundo material e ilusório por meio do ascesticismo, dos livros sagrados, do ioga e da meditação. Para um hindu um verme,uma ave,um elefante, uma pedra, uma árvore ou o homem são coisas sagradas pois o absoluto está em todas elas, já que foram criação de Deus. O hinduísmo não pode ser definido como uma religião pois não tem fundador, hierarquia, liturgia ou dogmas e no entanto é praticada por 35% da população da Índia. Embora possua um vasto número de divindades tem uma trindade principal composta por Brahama (criação) Vishnu (preservação) e Shiva (destruição) (ver fotos a seguir) Apesar desta trindade ,o hinduísmo não é politeísta pois considera que tudo vem do Brahama. Os livros sagrados são os Vedas (conhecimento divino) que apresentam hinos, escritos em sânscrito arcaico que teriam sido revelados por Brahama . Os Vedas são comentados, explicados e complementados por outras obras tais como : Brâma , Upanixada, Mahabharata e Ramayana. Quanto ao culto , os actos da vida dos crentes revestem-se de um carácter sagrado. A oração deve fazer-se duas vezes ao dia,ao nascer e põr do sol. Recitam-se textos dos Vedas e oferecem-se flores e fogo á divindade a que se presta homenagem. Existem sacerdotes os brâmanes que consagram a vida aos deuses. Muitos ritos e festas acompanham a vida dos hindus, desde o nascimento até á morte, passando pelo dom do nome, iniciação religiosa, casamento, etc,daí a dificuldade em conseguir um alinhamento de ideias para explicar o hinduísmo neste curto espaço de que dispomos, pois o culto varia de lugar para lugar ,bem como o ritual usado .



11.9.08

O ISLAMISMO

Quando publiquei A rota da seda (1-9-08) afirmei que fora por esta longa via que os mercadores espalharam o Islamismo, da Arábia até á China, influenciando de tal forma as civilizações que hoje é uma das grandes religiões do mundo. Dissertar sobre Islamismo é tarefa para teólogos especializados e no contexto deste blog caber-nos-ia apenas abordar o tema sintéticamente. O fundador desta religião foi o profeta Maomé (Muhammad), nascido em Meca no ano 570 da nossa era. Até aos cinco anos de idade ficou entregue a uma ama . Por morte de sua mãe herda uma escrava, alguns carneiros e cinco camelos ; é recolhido pelo avô e depois pelo tio materno Abû Tâlib . Protegido por Deus dos perigos da juventude, foi pastor de carneiros e depois, aos vinte anos, caravaneiro ao serviço de Khadidja, viúva rica, com quem acaba por casar. Deste casamento nasce Fátima, a sua muito amada filha.. Por esta altura, os povos da Arábia eram politeístas mas Maomé, agora um mercador bem sucedido, foi influenciado pela crença judaico-cristã da existência de um só Deus. No ano 610, tinha Maomé 40 anos, foi sujeito a várias visões do arcanjo Gabriel (Jibreel). Após uma acalmia visionária de dois anos, na noite de 26 para 27 do mês Ramadão, a aparição surge de novo , no monte Hira, e ordena : Prega em nome do teu Senhor . As revelações, repetem-se violentas e acabam por lhe ditar o que viria a ser o livro sagrado dos muçulmanos O Corão ( Al-Quran). Nessas visões recebeu instruções para pregar a oração , a purificação e a fé num Deus único , Alá (Allah). A pregação da nova religião não foi fácil, pois os governadores de Meca sentiam-se ameaçados pelas novas ideias. Esta oposição foi de tal forma violenta que Maomé e os seus seguidores tiveram que fugir para Medina, caminhada realizada no ano 622 e que é conhecida como a Hégira. Em Medina angaria facilmente mais adeptos pois as suas ideias tendiam a construir uma sociedade mais justa, já que a maioria da população era muito pobre. Com o rápido crescimento de apoiantes recaptura Meca, em 630, torna-se seu governador e cria um estado Islâmico, banindo os adoradores de ídolos. Faleceu no ano de 632, aos sessenta e dois anos de idade, mas a religião por ele fundada espalhou-se , em apenas dez anos, pela Palestina, Síria, Pérsia e Egipto em consequência de uma Jihad ,ou guerra santa, levada a cabo pelo califa Omar. No ano 656, iniciou-se uma disputa entre Muawiya e Ali (genro de Maomé) pela chefia da religião islâmica e que termina com o assassinato de Ali , em 661. Como resultado deste assassinato surgem duas correntes religiosas, os sunitas e os xiitas cuja rivalidade ainda hoje se mantém. Duzentos anos após Maomé, o Islão já se tinha difundido por todo o Médio Oriente, norte de África e Península Ibérica.. Deixando o capítulo histórico, vejamos um pouco da sua religião . O Islão é visto pelos seus seguidores como um modo de vida ( diin) pois inclui instruções que regulam toda a actividade do crente, não havendo uma distinção entre o temporal e o espiritual. A mensagem do Islão assenta em cinco pilares : Recitação do Credo (Shahada) ; cinco orações diárias( Salah ); Esmola obrigatória (zakah); Jejum durante o Ramadão ;fazer, pelos menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca ,se houver disponibilidade financeira. O Islão ensina seis crenças principais: - Crença em Alá , único Deus.- Crença nos Anjos, seres criados por Alá. - Crença nos Livros Sagrados ( A Tora entregue por Deus a Moisés,os Salmos a David, o Evangelho a Jesus Cristo e o Corão , o último e completo livro sagrado , a Maomé)- Crença nos profetas enviados por Deus, incluindo neles Jesus Cristo, sendo Maomé o sêlo dos profetas, por ser o último . -Crença no dia do Juizo Final, no qual as acções de cada um serão julgadas.- Crença na predestinação ou em que tudo o que acontece é por vontade de Alá. Todos os capítulos do livro corânico começam com a seguinte frase: Em nome de Deus (Alá) ,o beneficiente, o misericordioso ... Os três lugares mais sagrados para o Islão são : a Caaba (o cubo) um edifício situado dentro da mesquita principal de Meca e que contém num canto a pedra negra. (ver foto ao lado )O segundo lugar é Medina onde se encontra o túmulo de Maomé.O terceiro é Jerusalém por estar associado aos profetas anteriores a Maomé e também por crerem que foi nesta cidade que o Profeta ascendeu aos céus (Mi'raj) onde dialogou com Deus e com os outros Profetas . O Islamismo confere um estatuto de protecção aos judeus e cristãos já que estes acreditam num Deus único e possuem um livro sagrado. Não consideram Jesus Cristo como filho de Deus, apenas como penúltimo profeta e Maria, sua Mãe, como a mulher mais virtuosa só comparada a Fátima ,a filha de Maomé. Os templos são designados de mesquitas (masjid) e o oficiante das orações de imâ. Os crentes são chamados para as cinco orações diárias pelo muezim, cuja voz se faz ouvir do ponto mais alto da mesquita, normalmente dos miranetes, as altas e delgadas torres que, diga-se a verdade, nem sempre existem em todas as mesquitas.(ver fotografia) No salão de orações não há cadeiras nem bancos, apenas tapetes onde os crentes fazem as suas orações. Homens e mulheres ocupam lugares distintos no salão, com estas a orar em lugares protegidos por cortinas para não serem vistas pelos crentes. Dentro do salão de orações existe um nicho orientado para Meca designado de mirhab que simboliza a caaba e para onde os crentes se viram ao orar. (ver figura seguinte )Perto do mirhab está um púlpito a partir do qual se faz o sermão. As mesquitas têm também uma funçao de escola religiosa e de ensino geral. Como a limpeza é sinal de pureza, não se pode orar sem lavar as partes do corpo geralmente expostas á sujidade, poeiras, etc, havendo no pátio das mesquitas locais próprios para tal. Este ritual consiste em lavar três vezes as mãos, a boca, o nariz, a cara e os braços e uma vez com a mão molhada , a cabeça , as orelhas e o pescoço, para finalmente lavar os pés três vezes. Após este ritual de pureza o crente entra descalço no salão de orações e faz a oração sozinho ou em conjunto. (este ritual está muito bem documentado fotográficamente em várias imagens no site http://www.comunidadeislamica.pt/ ) No deserto ou onde não haja água, este ritual pode ser alterado segundo normas bem definidas. As duas correntes islâmicas, sunitas e xiitas,diferem essencialmente no seguinte: Os sunitas consideram como chefes os sucessores directos de Maomé, defendem a sunna ou práticas do Profeta tal como foram relatadas oralmente pelos seus companheiros e foram postas em livros de hadith. Os xiitas consideram chefes os sucessores de Ali, genro de Maomé. Nas mesquitas não há imagens nem qualquer desenho figurativo e as representações,a existirem, são estilizadas.Chegámos assim ao fim desta resenha ,esperando ter mostrado, ainda que muito rápidamente, o que é o Islamismo. O futuro desta religião dependerá das respostas que os países que a praticam derem a duas questões fundamentais: uma, a definição do Islão como força de unidade e a outra a sua adaptação ao mundo novo global em que são lançados os seus filhos.


(As figuras com que terminamos mostram a escada de um púlpito e o tecto da mesquita azul em Marrocos)

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