21.11.10

TLALTECUHTLI


Há meses, a France Press noticiava: A Tlaltecuhtli, a deusa da Terra, o maior monólito( bloco único de pedra) da cultura asteca e o único colorido, será exibido pela primeira vez em meados de Junho na capital mexicana após ter sido descoberto em 2006, informou o Instituto de Antropologia do México. O monólito, datado de 1502, com um peso de 12 toneladas e um tamanho de 4,19 por 3,62 metros, "é o maior já descoberto" da cultura asteca e "a única peça escultural mexicana que conserva suas cores originais", informou o Instituto em um comunicado.
Esta peça, foi descoberta em Outubro de 2006 quando se realizavam trabalhos de remodelação no centro histórico da Cidade do México, e é maior em tamanho que a Pedra do Sol (ou Calendário Asteca), um dos monólitos mais conhecidos, e maior que a Coyolxauhqui, que representa a deusa da Lua.
Sob um fundo avermelhado, a Tlaltecuhtli representa uma figura feminina de corpo inteiro de cor ocre, com cabelo encaracolado, e da boca sai um jacto de sangue tendo os braços flexionados para cima "em alusão de que é a deusa da Terra e que todas as criaturas voltam para ela.

Este monólito, assim como o Calendário Asteca e a Coyolxauhqui, fazia parte do chamado Templo Maior, que foi o coração da cultura asteca até a chegada dos conquistadores espanhóis . A Deusa está de cócoras para parir , ao mesmo tempo que bebe o seu sangue , devorando o ser que criou, simbolizando o ciclo de vida e morte dos Astecas,
Após anos de escavações minuciosas foi descoberto num poço, junto ao monólito, as mais exóticas oferendas : junto á superfície 21 facas sacrificiais de sílex branco pintado de vermelho ; mais fundo, um fardo envolvido por folhas de piteira que continha um sortido de furadores sacrificiais em osso de jaguar, barras de copal (incenso), plumas e contas de jade.
Mais abaixo, fechados numa caixa de pedra os esqueletos de duas águias reais (símbolo do sol) com os corpos virados para poente.
Até Janeiro de 2010, foram descobertos mais seis níveis com oferendas o último dos quais a 7 metros de profundidade, Esta oferenda era um vaso cerâmico com 310 contas verdes, brincos e estatuetas.
No fundo da caixa de pedra que atrás referimos um cão ou lobo fêmea trazia um colar de jade ao pescoço,um cinto de búzios e brincos de trurqueza. As jóias indiciam que seria um animal de estimação real com a tarefa de guiar e proteger o amo durante a odisseia das trevas.
Quem seria este amo ? A questão é que nunca foram descobertos restos mortais de nenhum imperador asteca , havendo registos históricos afirmando que três soberanos astecas foram cremados e as suas cinzas enterradas na base do Templo Maior . Outros indícios do monólito apontam a data de 1502 ano em que Ahuitzotl, o mais temido governante do império foi a enterrar e o seu túmulo deve estar muito perto do local onde o monólito foi descoberto.
O que se sabe de Ahuitzotl é o seguinte: funcionário militar de alta patente subiu ao trono em 1486, depois do seu irmão Tizoc perder o controlo do império e morrer. Reinou 16 anos e os seus exércitos ocuparam grandes extensões de terra costeira até à actual Guatemala.
Os trabalhos arqueológicos que estão a ser desenvolvidos são difíceis e morosos pois é necessário contornar redes de esgotos e metropolitano, evitar fios telefónicos e de fibra óptica , bem como cabos de electricidade. A equipa do arqueólogo Leonardo Lopez acredita que, mais tarde ou mais cedo, encontrará o túmulo de Ahuitzotl.
Sobre este assunto aconselhamos uma leitura atenta da revista NATIONAL GEOGRAPHIC de Novembro de 2010.

18.11.10

LINHAS DE TORRES

Certamente já ouviu falar das “linhas de torres” ( correctamente deveria ser “linhas de Torres Vedras “) , relacionadas com as tropas invasoras de Napoleão Bonaparte . Estas invasões francesas ocorreram entre 1807 e 1811 porque Portugal não acatou a ordem de Napoleão de fechar os seus portos à navegação inglesa, com quem ele estava em guerra. Devido à recusa portuguesa, a França invadiu Portugal, com o apoio de dois corpos de exército espanhóis, tendo o corpo de exército francês, comandado pelo general Junot, entrado em Lisboa em 30 de Novembro 1807, obrigando a Família Real e o Governo a irem para o Brasil Os abusos, as injustiças, os roubos e os massacres perpetrados pelas forças de ocupação francesas, levaram a revoltas em Portugal nos princípios de Junho de 1808, encorajadas pelas revoltas espanholas que tinham eclodido uns dias antes. A Inglaterra ajuda-nos militarmente, travam-se batalhas que acabam com Junot a assinar um tratado de amnistia que lhe permite retirar do país.
“E se eles voltam?” era o dilema português, após Junot ser expulso em Agosto de 1808. E eles voltaram! O resultado foi a mais curta invasão napoleónica, comandada pelo general Soult em que a violência do confronto foi característica dominante. Mas invadir Portugal pelo Norte, tendo o Porto como objectivo intermédio, revelou‑se um erro, só possível de explicar pela ignorância relativamente ao temperamento dos Portugueses, o apego à sua terra e a relutância em colaborar com intrusos ostensivos além também da ignorância francesa pela orografia, pelo clima e pelos recursos alimentares e de alojamento da região nortenha.
Assim o Exército «galego» de Soult que tinha Lisboa como objectivo final, não foi sequer capaz de se aguentar no Douro. A acção dos Fronteiros de Chaves e a reconquista desta vila por Francisco da Silveira deram um contributo defensivo inestimável, parando o abastecimento do exército francês. Desta forma as forças anglo-lusas comandadas pelo general Arthur Wellesley e pelo marechal Beresford voltam a vencer e Soult retira. Mas Napoleão era teimoso !
Como diz a professora universitária Cristina Clímaco “ Face à iminência de uma 3ª invasão pelas tropas de Napoleão, Wellington elaborou em 1810 um plano de defesa de Portugal assente em 3 pontos: a edificação de uma linha de fortificações a norte da península de Lisboa - as Linhas de Torres Vedras -, a retirada da população da Beira e da Estrema­dura para a retaguarda das fortificações, e a destruição de todos os meios de subsistências e de meios de produção que pudessem permitir às tropas francesas subsistirem na região. Wellington contava para o sucesso do seu plano com o nacionalismo do povo português ao qual pediu o sacrifício de se arruinar e de arruinar o país para o salvar das garras da águia francesa.” Assim à força de braços, voluntariamente umas vezes, outras forçada , a população construiu 152 fortificações com 523 bocas de fogo, ao longo de uma centena de quilómetros , tudo no mais absoluto sigilo e em tempo “record”.
Montes de terra, árvores derrubadas, pedra, argamassa e alguma madeira eis o sistema de fortificações de campanha mais eficiente da história militar, pois era difícil prever por onde Napoleão iria invadir Portugal e era necessário proteger Lisboa e o seu excelente porto de mar. Para tal são projectadas três linhas de defesa a norte de Lisboa que reforçam os obstáculos naturais do terreno e permitem controlar os acessos. Estes trabalhos parece terem sido iniciados a 3 de Novembro de 1809, sob orientação de Arthur Wellesley, então comandante do exército anglo-luso.
A primeira linha , vulgarmente conhecida como segunda, vai de Ribamar à Povoa de Santa Iria , controla os desfiladeiros de Mafra, Montachique e Via Longa , pois se apoia na artilharia instalada nas serras de Chipre, Fanhões e Serves bem como no cabeço de Montachique, Como estas linhas têm um flanco direito de fraca resistência ao inimigo é criada uma outra linha 13 quilómetros mais a norte , a primeira , que vai desde Alhandra à foz do rio Sizandro, em Torres Vedras. Os flancos frágeis destas linhas eram reforçados por flotilhas de navios ingleses , autênticas batarias moveis de artilharia. Curioso é referir que, para além dos fortins , obras hidráulicas foram usadas na defesa pois ao serem inundadas as lezírias, desde Alverca até ao norte de Alhandra , o exército francês não podia passar. Para que tal acontecesse no tempo seco, foram construídos diques sucessivos ao longo do rio Sizandro, diques estes protegidos pela artilharia colocada na margem esquerda. Tudo isto construído no maior secretismo.
Quando as tropas francesas do general Massena chegam às linhas, em 11 de Outubro de 1810, deparam-se com estas fortificações de campanha , bem guarnecidas de artilharia. o exército aliado situado numa posição impenetrável e um terreno despovoado e não cultivado.
As linhas de Torres Vedras não são fortificações contínuas , pelo contrário, são posições separadas umas das outras, mas ligadas na retaguarda por estradas militares ; só os seus pontos importantes são fortificados .A maioria são. como dissemos, pequenos postos de artilharia de defesas precárias em madeira e terra. (ver foto do início do texto) A ideia é não acontecer uma grande batalha onde os franceses ganhariam por serem tropa altamente treinada, mas sim flagelar constantemente e em diversos pontos o inimigo, desgastando-o e desmoralizando-o dado estar a actuar numa zona de terra queimada desde Coimbra até Torres Vedras. A partir de Almeida (distrito da Guarda) onde começa a 3ª invasão francesa , Massena encontra um país silencioso . Um ofício de 23 de Setembro de 1810 dirigido ao Estado maior Francês diz o seguinte : “ Atravessamos um deserto, nem uma alma se encontra, tudo foi abandonado. Os ingleses levam a sua barbárie até ao fuzilamento do pobre que permanecesse em sua casa, mulheres , crianças e idosos ,todos fogem, não se encontra um guia em nenhum lado.” A população é obrigada a esconder ou destruir os produtos das colheitas que não consegue transportar consigo, a deixar as suas casas e a refugiar-se no interior das linhas. Tudo para privar o inimigo de recursos, obrigando-o a morrer de fome , já que os franceses tinham por norma abastecer-se localmente. A 4 de Março de 1811 os franceses retiram e começa assim o declínio do império de Napoleão.
Como curiosidade referimos : Participaram na obra mais de 150.000 camponeses que foram recrutados ao longo de um ano. O êxodo maciço da população forçado a viver a sul das linhas foi de cerca de 200.000 pessoas . As equipas trabalhavam em grupos de 1.000 a 1.500 homens , coordenados por um oficial engenheiro inglês e 150 capatazes. As várias fortificações foram ocupadas por 25.000 milícias e 11.000 ordenanças portuguesas, 8.000 espanhóis e 2500 fuzileiros navais ingleses. Como tropas regulares estavam 34.000 britânicos e 24.500 soldados portugueses. É incrível como isto não transpirou para o inimigo. O exército anglo-luso instalou-se nas linhas entre 9 e 11 de Outubro de 1810. No dia 11 todas as tropas encontravam-se ao abrigo deste sistema defensivo. As tropas de milícias e também de ordenanças guarneceram as diferentes obras de defesa e aí receberam treino de manobras defensivas. As tropas do exército anglo-luso foram utilizadas como uma força móvel e não como guarnição às posições defensivas. Desta forma, estariam sempre disponíveis para se movimentarem para qualquer ponto das linhas onde a ameaça francesa viesse a colocar em perigo a integridade da defesa. Tendo em consideração os eixos segundo os quais um eventual ataque por parte dos franceses seria mais provável e mais perigoso, Wellington dispôs o seu exército, com excepção da 3ª Divisão (Picton), em dois blocos: um em frente ao Sobral, entre Monte Agraço e Runa; o outro, na região de Alhandra. O quartel-general de Wellington ficou colocado na Quinta do Barão de Manique e o de Beresford no Casal Cochim, em Pêro Negro
Para que as linhas de defesa funcionassem na perfeição o exército aliado tinha de poder acorrer rapidamente a qualquer posição que estivesse a ser atacada pelos franceses. Para tal eram necessárias estradas militares mas também comunicações muito rápidas de instruções e ordens de batalha . Desta forma foi montado na serra do Socorro ( Mafra) um telégrafo de sinais (bandeiras e balões coloridos) que permitia transmitir para oito fortes onde também havia mastros de sinais . Assim as fortificações das linhas de Torres e os seus flancos ,comunicavam entre si, mas também com os navios ingleses fundeados no Tejo e na costa . As mensagens eram em código previamente estabelecido e muito simples, pois bastava transmitir um número que correspondia a uma determinada situação. A foto que se segue mostra a reconstituição de um desses postos telegráficos .

11.11.10

CARAVAGGIO


O pintor Caravaggio nasceu numa pequena aldeia de Itália e ,na pia baptismal, recebe o nome ilustre de Michelangelo, da família Merisi, residente na paróquia de San Giorgio, junto ao Paço Bianco di Caravaggio, cujo nome depois adoptou. Aos 12 anos, começa a trabalhar na oficina de Simone Peterzano, um modesto pintor que se intitulava "discípulo de Ticiano". Não fica aqui muito tempo e por volta dos 15 anos, foge para Roma, onde anda de oficina em oficina, trocando assim de mestre. As suas primeiras obras religiosas causam escândalo por se afastarem do tradicional, dividindo o público entre admiradores e inimigos. Considerado arruaceiro , estave sempre envolvido em duelos e discussões. "Não sou um pintor valentão, como me chamam, mas sim um pintor valente, isto é, que sabe pintar bem e imitar bem as coisas naturais", disse Caravaggio perante o tribunal que julgava a sua primeira acusação de perturbar a ordem pública. Eram palavras foram sacrílegas na Roma de seu tempo, pois com elas Caravaggio denegria as estátuas clássicas e declarava nada ter a aprender com elas. Não lhe interessava mais a Roma antiga que o Renascimento tentou ressuscitar com o mito do homem heróico. Preferia a humanidade vulgar das feiras e tavernas do tempo em que vivia ,com os vendedores de frutas, músicos ambulantes, ciganos e prostitutas.Eram estes os seus modelos para os quadros, Sem um mecenas chegou a vender pinturas nas ruas, até que passou a trabalhar para o cardeal Del Monte, patrono da "Academia de São Lucas". Habitando o palácio do cardeal e com uma pensão regular, Caravaggio realiza então uma série de importantes quadros de temática religiosa. Uma das características mais importantes de suas pinturas é, como já dissemos, retratar o aspecto mundano dos eventos bíblicos usando como modêlos o povo comum das ruas de Roma. Outra característica marcante são os efeitos de iluminação criados pelo jogo de luzes e sombras, que causam um impacto realista . Usava geralmente um fundo escuro e agrupava a cena em primeiro plano com focos de luz sobre os detalhes, ressaltando principalmente os rostos.

Com uma vida boémia e afundado em dívidas, começa a decadência. Recusa a oferta do príncipe Doria Pamphili para decorar uma parte de seu palácio e insiste em pintar "quadros verdadeiros", certo de encontrar compradores. A sua situação piora em 1606, quando mata o nobre Tommasoni .Foge para Nápoles e depois ruma à ilha de Malta, onde recebe a comenda Cruz de Malta. Devido ao seu feitio brigão tem problemas com um nobre maltês e é preso. Ajudado por amigos, foge para a Sicília. Muda de cidade seguidamente: de Siracusa a Messina, daí a Palermo, retornando a Nápoles, no Outono de 1609. O seu esconderijo é descoberto e, perto de uma taberna, ferem-no à espada. Recolhido e medicado, tenta voltar a Roma por via marítima. Todavia, não totalmente recuperado, vertendo sangue e minado pela malária, Caravaggio morre numa praia deserta próxima de Roma, aos 39 anos.
Dias depois, junto com a barca onde tinha abandonado seus haveres, chega a Roma apenas uma notícia lutuosa:"Tem-se notícia do falecimento de Michelangelo Caravaggio, pintor famoso como colorista e retratista baseado na natureza..."Alheio a qualquer maneirismo, mas sensível à interpretação poética e transfiguradora do mundo real, Michelangelo Merisi da Caravaggio foi um artista despojado numa época marcada pelo excesso ornamental barroco. Contra a corrente saudosista de seu tempo, criou uma arte arraigadamente humana, realista e original. Seu critério quase "funcional" de pintura, à moderna, teve o condão de enfurecer muitos donos da cultura e árbitros do gosto da época. A esses, Caravaggio sempre deu de ombros: pintava para todos os séculos, não para o seu. Abaixo seguem fotos de quadros onde o primeiro representa S.Tomé a observar Cristo ressuscitado.




9.11.10

VIAGEM Á LUA


Quando era um jovem, "devorava" os livros de Júlio Verne e “ delirava” com a aventura do homem ir á Lua tal como era descrita no livro : um aventureiro francês chamado Michel Ardan, de modos extravagantes, propõe que um projéctil tripulado seja lançado e apresenta-se como candidato a "astronauta". Depois desta surpreendente proposta, dois dos membros do "Gun Club" também embarcam nesta "loucura". Para que este empreendimento se realizasse, foram construídos um canhão, uma bala oca, e um telescópio, todos de dimensões impensável; a quantidade de pólvora usada também era de volumes impensáveis .Depois de disparada a bala, quando se aproximou da Lua, em vez de alunar, entrou em órbita da própria lua. Os três passageiros apenas tinham mantimentos para 3 meses, ficando a saga em aberto. O futuro dos três astronautas, é descrito na obra À roda da Lua. Na minha juventude era a fantasia mas, já adulto , a fantasia materializou-se.
Não fui dos que viram pela televisão a chegada do homem á Lua pois em Lourenço Marques ( Moçambique) não havia ainda emissões de televisão nesse ano de 1969 o que não impediu que escutasse a transmissão do acontecimento via rádio e ficasse muito impressionado com o facto. Curioso é que mais de 40 anos após a Apolo 11 levar o homem à Lua , haja ainda muito boa gente que duvida do que aconteceu em 20 de Julho de 1969 e não estou a falar da minha velha tia que nunca saiu da aldeia onde morreu com noventa anos e que só acreditava no que estava na Bíblia. Estou a falar de gente da cidade , com alguma escolaridade, que depois de ver filmes e ler livros com argumentos "científicos" defende a ideia de que tudo não passou de uma conspiração americana para enganar os Russos durante a Guerra Fria, e continuam a duvidar de que tal tenha acontecido.
Apresento a seguir “ argumentos” dos que defendem ter havido uma fraude, mas também uma possível explicação que rebate os ditos argumentos :
Argumento 1. Se só havia uma única fonte de luz que era o Sol, como se explica que as sombras dos astronautas tenham comprimentos diferentes?
Resposta A diferença é causada pela topografia do solo lunar. Atrás dos dois astronautas, há uma elevação. O astronauta que estava mais perto dela ficou com a sombra mais curta
Argumento 2 A bandeira americana não poderia tremular num ambiente sem atmosfera e tal facto seria provocado pelo ar condicionado do estúdio em que o filme foi rodado
Resposta A bandeira está enrugada, pois chegou à Lua dobrada num pacote. Imagens de vídeo mostram que a bandeira, apesar da aparente ondulação, está imóvel.
Argumento 3 As marcas das botas usadas pelos astronautas são mais parecidas com marcas feitas em solo húmido. Como na Lua não há água as imagens são falsas.
Resposta As fotos foram feitas para registar a natureza da poeira lunar e elas mostram que a superfície é seca, fina e se compacta facilmente, por causa da ausência de ar.
Argumento 4 As temperaturas na superfície lunar variam tanto entre 120º C negativos e 150º positivos que nem filmes especiais seriam capazes de resistir a tamanha oscilação térmica.
Resposta Os filmes não foram expostos a essas temperaturas extremas. No vácuo lunar o calor não se propaga por condução , só por irradiação (incidência directa de luz) e os seus efeitos foram muito reduzidos com a protecção reflexiva, dado as câmaras terem sido envolvidas com material branco
Argumento 5 Não aparecem estrelas no céu em nenhuma das fotos .
Resposta Em locais muito claros, como o solo dos desertos ou da Lua, o tempo de exposição do filme deve ser muito reduzido, o que impediu que as estrelas ficassem "impressas" na película.

Como penso que a discussão, entre os que acreditam e os que negam que o homem esteve na Lua, é estéril, passo a uma resenha histórica : A missão do Projecto Apollo era levar homens à Lua e trazê-los de volta , mas a possibilidade de não dar certo era tão grande que o presidente dos EUA, Richard Nixon, já tinha um discurso pronto para cada uma das situações: o sucesso ou o fracasso da missão.
A NASA enviou , em diferentes datas, 17 naves do Projecto Apollo. As naves números 11, 12, 14, 15, 16 e 17 tiveram sucesso e cumpriram a missão de pousar em solo lunar mas a Apollo 13 teve problemas no abastecimento de oxigénio do módulo de comando ao entrar na órbita lunar e não conseguiu fazer a alunagem. Antes destas, outras naves também chegaram à órbita da Lua, mas não realizaram alunagem, nem era esse o seu real objectivo, Eram apenas naves de testes. As que fizeram alunagem trouxeram, no total, cerca de 400 kg de rochas lunares para estudo.
A nave Apollo 11 foi a quinta missão tripulada e a primeira a pousar na
Lua e era tripulada pelos astronautas Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins. Neil Armstrong, comandante da missão, foi o primeiro ser humano a pisar a superfície lunar. A nave era composta pelo módulo de comando Columbia, o módulo lunar Eagle e o módulo de serviço e foi lançada de Cabo Canaveral, na Florida, às 13:32 UTC de 16 de Julho, no interior do nariz de um foguetão Saturno V.
O destino da viagem era um local chamado Mar da Tranquilidade
, uma zona plana, formada de lava basáltica solidificada. Após a separação dos módulos da Apollo enquanto Michael Collins ficava no módulo de Comando numa órbita cem quilómetros acima do satélite, Armstrong e Aldrin começaram a sua descida ao Mar da Tranqüilidade a bordo do Módulo Eagle .Várias vezes durante a descida, o computador enviou alarmes. A trajectória da nave parecia boa, mas a mensagem de alerta “1202” trouxe alguns segundos tensos à tripulação até que o controlo de Houston avisou que os alarmes eram devidos a sobrecarga do computador. Embora o computador teimasse em levar o módulo para um local não programado acabou por alunar por comando manual da Neil Armstrong quando estavam apenas a 150 metros da superfície da Lua. A mais de 300 mil quilómetros dali, o mundo, que acompanhava ao vivo as comunicações de rádio entre o Controle de Voo no Centro Espacial em Houston e a Apolo 11, entrava em comoção e aplaudia e gritava freneticamente. Claro que não cabe nesta pequena mensagem citar todas as peripécias que surgiram nesta descida e, para os mais curiosos ou para os cépticos, aconselho uma busca na net em APOLLO 11 da Wikipédia.
Finalmente, cerca de seis horas e meia após o pouso, foi aberta a escotilha do Módulo Lunar e Armstrong rastejou em direcção a saída; primeiro os pés, depois as mãos. Instantes depois pisou o degrau mais alto da escada, em frente à bancada de trabalho da nave, onde estavam acondicionados os equipamentos científicos a serem usados na missão. A mais importante peça de equipamento era, sem dúvida, uma câmara
de TV a preto e branco..

Neil Armstrong precisou de dar um salto de um metro do último degrau da escada até ao protector das patas do Módulo. Dali estava apenas a dois
centímetros de pisar na superfície lunar propriamente dita. Parou no suporte por um momento, testando o chão com a ponta de suas botas, antes de finalmente pisar o solo lunar e dizer a célebre frase :
Este é um pequeno passo para o homem, mas um enorme salto para a humanidade

3.11.10

NÃO MATARÁS


Sempre que abordo um tema da religião católica, vem ao meu pensamento um dos mandamentos da Lei de Deus – NÃO MATARÁS—que muitas vezes foi ignorado pelos Chefes religiosos.
O que a seguir comentarei nem sequer tem a ver com intransigências religiosas contra os infiéis ou defensores do Corão, o que talvez pudesse justificar alguma guerra, mas sim uma guerra entre irmãos cristãos.
Combatei os hereges com mão poderosa e braço firme “ proclamava o papa Inocêncio III , para lançar milhares de cruzados , em 1209, contra os cristãos albigenses do sul de França, tudo com a desculpa de ter sido assassinado o Legado papal Peire de Castelnau , por um escudeiro do Conde de Tolosa.
Quando os cruzados conquistaram Lavour, em 3 de Maio de 1211, Simão Montfort mandou enforcar Aimeric Montreal e mais oitenta cavaleiros. Como o patíbulo ruiu devido ao peso do nobre, mandou degolar os outros . A senhora da cidade ,Guirauda , irmã de Aimeric , foi entregue á soldadesca que depois de abusar dela a lançou a um poço. Nesse dia, 300 a 400 cátaros foram queimados na fogueira, enquanto os seus bens passaram para Simão Montfort. Tudo isto aprovado pela Igreja de Roma que se sentia ameaçada no seu poder ditatorial religioso e temporal e que perdera a guerra contra o Islão quer em Espanha quer na Terra Santa.. Mas há mais exemplos da barbárie contra os cristãos cátaros : Ao iniciar-se o assalto a Beziers, alguns cruzados perguntaram ao Legado papal ( Arnau Amalric) como poderiam distinguir os hereges dos bons católicos que estavam na cidade. A resposta foi mais ou menos assim: mata-os a todos que Deus saberá distingui-los depois.
E afinal de que constava a heresia dos cátaros ou albigenses para se fazer tão cruenta guerra que fora antecedida , é verdade, de uma tentativa pacífica para os converter ?
Os cátaros acreditavam que o homem na sua origem havia sido um ser espiritual e para adquirir consciência e liberdade, precisou de um corpo material, sendo necessário várias reencarnações para se libertar. Acreditavam na existência de dois deuses, um do bem (Deus) e outro do mal (Satã), que teria criado o mundo material . Não concebiam a ideia de inferno pois no fim o deus do Bem triunfaria sobre o do Mal . Praticavam a abstinência de certos alimentos como a carne e tudo o que proviesse da procriação. Jejuavam antes do Natal, Páscoa e Pentecostes, e não matavam qualquer animal. Os crentes tinham um ofício divino onde dividiam o pão entre si mas não considerando esse pão o corpo de Cristo.
A Igreja Católica estabeleceu a repressão às heresias através de concílios, exigindo que o poder secular participasse do processo. Desta forma, através do estudo do cânone 27 do III Concílio de Latrão (1179) e do cânone 3 do IV Concílio de Latrão (1215), verificar-se-á os princípios adoptados pela Igreja Católica para reprimir a heresia cátara e percebe-se a necessidade que a Igreja Católica tinha de a eliminar , pois esta ameaçava seu poder. A Igreja só poderia manter-se no poder com a certeza de que era a única e verdadeira herdeira de Cristo e de que passavam por ela os caminhos que levavam á salvação.
Embora seja impossível nesta curta mensagem explicar tudo aquilo que era considerado heresia, podemos ainda dizer que os cátaros eram acusados de abalarem a ordem social existente e de aspirarem à destruição da sociedade medieval.(Leia-se poder temporal do Papa e do Rei de França) Renunciavam aos bens materiais pregando o retorno ao cristianismo primitivo.
Mas voltemos ao quinto mandamento que é o título da mensagem.
Dizem os teólogos católicos : “Só Deus é senhor da vida humana. Os homens devem respeitá-la. Matar voluntariamente um ser humano é pecado, quer seja por homicídio, eutanásia, violência, guerra injusta , roubo, herança ou aborto. É também pecado contra o quinto mandamento: odiar, guardar rancor, inimizade, desejar o mal, insultar.
O que é próprio do cristão é amar, porque Deus é amor. Se aprendermos a amar, não nos custará perdoar de coração quando alguém nos ofende. Isto não impede o direito e o dever da pessoa e da sociedade à legítima defesa. Por isso, as autoridades legais podem impor justas penas aos agressores e inclusive, como em alguns países, matar em caso de extrema gravidade, esgotados todos os meios que seriam mais conformes com a dignidade da pessoa humana. “
Estou a lembrar-me do assaltante de uma escola nos EUA que ameaçava matar mais alunos além dos que já tinha ferido mortalmente e que acabou por ser abatido por um atirador especial da polícia, isto para já não falar de outros casos semelhantes que são do domínio público.
Será que com o que acabei de transcrever os teólogos se contradizem ? Continuemos a ouvir a opinião deles:
Por que é que a legítima defesa de pessoas e de sociedades não vai contra o quinto mandamento ?
Porque com a legítima defesa se exerce a escolha de defender e valorizar o direito à própria vida e à dos outros, e não a escolha de matar. Para quem tem responsabilidade pela vida do outro, a legítima defesa pode até ser um dever grave. Todavia ela não deve comportar um uso da violência maior que o necessário. Neste caso está a defesa armada de um povo quando, sem motivo, é atacado por outro.”
No que respeita ao aborto o tema é muito polémico e a posição da Igreja continua a não ser uniforme ou concordante. Sobre este tema , o Prof de Teologia e Ética da Marquett University, Dr Daniel Maguire diz o seguinte:
“Na igreja católica não há uma só doutrina vigente sobre contracepção e aborto. No entanto, a mais conhecida é a doutrina conservadora defendida pelo Papa, por muitos membros da hierarquia e, também, por uma minoria significativa de teólogos católicos. Esta doutrina insiste em afirmar que todos os meios de contracepção artificial e o aborto são contra as leis de Deus …….. Se houver um crescimento excessivo da população, a natureza nos matará de fome, doença ou por uma destruição ambiental, como ocorre em muitas partes do mundo. A alternativa a estes males é o planeamento familiar…….Num mundo perfeito, onde os métodos contraceptivos estivessem à disposição de todas as pessoas; onde mulher e homem fossem educados e se respeitassem mutuamente; onde a pobreza não causasse danos à vida, neste tipo de utopia o aborto seria muito raro. Porém o nosso mundo não é uma utopia. Num mundo onde há gravidezes não desejadas e não planeadas, uma mulher deveria poder abortar por razões sérias e sãs……..Em todas as maiores religiões do mundo isto é possível e aceitável. Em meu último livro SACRED CHOICES: The Right to Contraception and Abortion in Ten World Religions (Fortress Press, 2001) (Escolhas Sagradas: o direito à contracepção e ao aborto em dez religiões do mundo) demonstro como todas as maiores religiões do mundo - incluindo o catolicismo - reconhecem a fecundidade como uma benção que pode ser também um castigo. Todas estas religiões têm perspectivas conservadoras sobre o planeamento familiar, tanto quanto a católica. Mas de mesmo modo convivem perspectivas mais moderadas que permitem a contracepção e o aborto quando necessário…..”
Como se pode verificar e também relativamente ao aborto ,nas diferentes correntes cristãs não há uniformidade de ideias quanto ao mandamento NÃO MATARÁS.
Se entrarmos no tema da eutanásia então o problema é ainda mais complicado com as diferentes Igrejas cristãs a terem pontos comuns e de divergência, mas vejamos só o catolicismo romano que foi a confissão religiosa que mais estudou a questão da eutanásia, ou, pelo menos, a que mais publicou directrizes a respeito; O documento mais completo é a Declaração Sobre a Eutanásia (5-5-1980), da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. Nesse documento pode ler-se: "Por eutanásia, entendemos uma acção ou omissão que, por sua natureza ou nas intenções, provoca a morte a fim de eliminar toda a dor. A eutanásia situa-se, portanto, no nível das intenções e no nível dos métodos empregados". A eutanásia é considerada uma "violação da Lei Divina, uma ofensa à dignidade humana, um crime contra a vida e um atentado contra a humanidade". Outro documento , de João Paulo II (1995) , é a Carta Encíclica Evangelium Vitae. Mantendo a argumentação anterior coloca o problema como sendo "um dos sintomas mais alarmantes da ` cultura da morte' que avança, sobretudo, nas sociedade do bem-estar, caracterizadas por uma mentalidade da eficiência que faz aparecer demasiadamente gravoso e insuportável o número crescente das pessoas idosas e debilitadas. Com muita frequência, estas acabam por ser isoladas da família e da sociedade, organizada quase exclusivamente sobre a base de critérios de produtividade, segundo os quais uma vida irremediavelmente incapaz não tem mais nenhum valor" A doutrina católica tradicional reconhece que o sofrimento, embora possa ser integrado no mistério da morte e ressurreição de Cristo, pode também ser fútil e nocivo . Os esforços por manter a vida física podem legitimamente cessar quando a continuação da vida biológica faz com que se deteriore, em vez de promover, a integração espiritual e moral da pessoa.. Dos documentos mais antigos aos mais recentes, há uma evolução no modo de interpretar o sofrimento e propor normas morais. A Declaração sobre a Eutanásia, de 1980, dialoga melhor com a racionalidade científica, reconhecendo que em ambos os lados existem convicções sérias e conscienciosas.
No entanto no quinto mandamento está apenas escrito NÃO MATARÁS sem a condicionante A NÃO SER QUE ….. . Grande dilema este !.

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