17.3.12

ANTROPOLOGIA FORENSE



Quando se fala em antropologia a ideia que nos surge é a de uma ciência que estuda a origem do homem e a sua evolução até á actualidade nos seus aspectos físicos, culturais e modos de vida. Mas para além de estudar como o homem vivia no passado ou que instrumentos utilizava, a antropologia segue outros caminhos como é o caso da anatomia forense. Este ramo da antropologia estuda os ossos e tem grande importância na criminologia actual .Esta importância resulta da aplicação de conhecimentos de Antropologia às questões de direito no que diz respeito à identificação de restos cadavéricos . Explicando melhor : através dos ossos, podemos obter dados sobre o sexo, idade, estatura do falecido e pormenores da sua vida tais como hábitos alimentares, algumas doenças, lesões, etc. o que é muito importante para os historiadores e criminologistas.
Os achados biológicos podem ter diversas origens: cadáveres abandonados numa fase avançada de decomposição, corpos desfigurados resultados de mutilações ou, cadáveres que possam corresponder a indivíduos vítimas de desastres em massa , o que acontece em acidentes de aviação, naufrágios, catástrofes naturais, ou assassinatos políticos colectivos, servindo para identificar pessoas cujo corpo está irreconhecível.

Todavia, este estudo só fica completo se se conseguirem recolher outros dados que em termos comparativos possam individualizar a pessoa pois só com os dados relativos ao sexo, idade, proporções corporais é praticamente impossível identificar o cadáver.
Vamos dar alguns exemplos para melhorar a nossa afirmação: Em Outubro de 2009 o corpo do espanhol Manuel Coley Robles, sequestrado em 1976 pela ditadura argentina (1976-83), foi identificado durante a exumação realizada num cemitério público. A identificação foi feita pela justiça argentina com a cooperação da equipa de Antropologia Forense, como parte da Iniciativa Latino-Americana de Identificação de Desaparecidos.
Em uma vala fúnebre com sete mil anos e mais de 500 esqueletos humanos que foi encontrada em Herxheim, uma pequena localidade no Sudoeste da Alemanha descobriu-se o facto dos esqueletos – alguns de crianças e fetos – aparentarem ter servido para a prática de canibalismo durante o Neolítico.
A antropologia forense recorre aos conhecimentos de arqueólogos quando necessário. Estes técnicos podem ser de grande ajuda à polícia na localização do local onde o corpo e objetos pessoais da vítima foram enterrados, através de geologia e geofísica e técnicas de levantamentos, .O arqueólogo forense também pode ajudar com a escavação, utilizando ferramentas e conhecimentos semelhantes aos utilizados em uma escavação arqueológica. Isso tem de ser feito lentamente e cuidadosamente, e os arqueólogos vão registrar e preservar qualquer coisa encontrada em todas as fases e profundidades, por exemplo, flocos de tinta, cabelo, roupas ou “DNA”, pois pode ser uma evidência vital.
Também a cor e o estado do solo podem ser úteis na investigação já que podem datar objectos encontrados em túmulos, incluindo os ossos, usando uma variedade de técnicas. A datação com carbono pode determinar se o local de sepultura é recente ou antigo. As provas encontradas são trabalhadas pelos técnicos forenses que sabem como se degradam ou se decompõem os materiais ao longo do tempo e em condições específicas. Esta técnica é importante, pois pode ajudar a determinar, por exemplo, há quanto tempo um corpo foi enterrado pelo estado da roupa ou do solo circundante, ou por quanto tempo mercadorias roubadas ou furtadas tenham sido enterradas, pelo dano posterior verificado nos materiais metálicos e outros.
Mas voltemos aos antropólogos forenses; Estes trabalham com esqueletos humanos ou corpos que estão irreconhecíveis devido a queima, mutilação ou mumificação, afim de ajudar a identificar indivíduos e descobrir a causa da morte. Podem identificar os ossos e fragmentos de ossos, e determinar se eles são humanos ou de animais. O tamanho e a forma do esqueleto pode ajudar a determinar a raça, sexo, altura e idade da vítima. Os ossos podem ainda contribuir para descobrir a causa da morte ( acidental, intencional ou por doença), e se ocorreu qualquer prejuízo para os ossos antes, durante ou após a morte
Usando conhecimentos e técnicas informatizadas, os antropólogos forenses podem recriar faces a partir do crânio ou parte dele, o que pode ajudar na identificação da vítima. Esta técnica baseia-se na anatomia e fisiologia de ossos e músculos, bem como o conhecimento artístico da forma corporal
O trabalho de um antropólogo forense começa no local do crime e estende-se até ao laboratório dividindo-se em três etapas:
1º É feita uma escavação minuciosa do local onde se encontra o corpo.
2º Faz-se a recolha de informações em redor da área do crime com entrevistas às pessoas da região, consulta em arquivos municipais, eclesiásticos e militares, etc.
3º . Há uma aplicação de técnicas como a osteologia humana (área que se debruça sobre o estudo dos ossos que compõe o esqueleto), paleopatologia (ramo da ciência que se dedica ao estudo das doenças do passado) e tafonomia (estudo sistemático da evolução de fósseis). Pode ainda ser feita uma reconstrução facial do cadáver e superposição fotográfica.
Identidade do indivíduo( ser humano ou animal):
A determinação da espécie biológica constitui um passo fundamental. É o primeiro passo que se deve tomar quando se encontra qualquer material que se assemelhe a tecido ósseo. Segue-se depois o estudo das
características gerais de identificação no caso de ossos humanos
Por exemplo a determinação do sexo baseia-se no estudo comparativo das ossadas encontradas com dados de tabelas sobre a morfologia dos ossos pois as características morfológicas de certos ossos diferem consoante o sexo. Os ossos que melhor permitem identificar se a ossada é feminina ou masculina são: o crânio, a pelve e o tórax.
Para se poder obter a idade da ossada, há um conjunto de regras que variam consoante se trata de um feto, de uma criança ou de um adulto. A partir da informação sobre a faixa etária (feto,criança ou adulto) , podemos saber a sua idade. As análises feitas são ao comprimento dos ossos longos e à ossificação de alguns ossos como as suturas cranianas.
A altura é calculada através da medição do esqueleto (método anatómico), por fórmulas matemáticas ou pelo estudo dos ossos longos.
A determinação da raça é um processo muito complicado e pouco fiável. Porém pode ser caracterizada através do ângulo facial, forma do crânio, Índices cefálicos e índices dos ossos rádio e úmero. A partir desta análise podemos determinar se o indivíduo é do tipo racial caucásico, mongólico, negróide, indiano, australóide.
Características individuais. São os aspectos específicos que podem caracterizar o indivíduo com base em elementos fornecidos por pessoas conhecidas da vítima. Esta comparação pode ser feita com base em estudos radiográficos, comparação fotográfica (sobreposição de imagem em computador, pesquisando-se a existência de concordância entre as linhas e curvas da face com pontos do esqueleto) ou reconstrução da face (modelagem das partes moles sobre o crânio, ou através de desenhos).
Já a determinação da data da morte é um processo extremamente complexo pois muitas vezes os corpos estão num estado muito avançado de decomposição, estando em muitos casos esqueletizados isto é, já só ossos.
A decomposição de um corpo depende de factores como a temperatura do solo e a sua acidez.
-Quando um corpo é deixado à superfície a actividade dos insectos vai ocorrer imediatamente. Pela espécie de insectos à volta do corpo calcula-se o número de horas passadas após a morte. Mas há mais conhecimentos: Duas semanas depois, o corpo estará parcialmente decomposto (com algumas cartilagens e articulações)
Ao fim de oito meses, estará decomposto na sua totalidade, mas se um corpo for queimado leva entre um a dois anos até ficar totalmente decomposto
Se for deixado em solo arenoso pode mumificar ficando então conservado. O número e o tipo de ossos disponíveis na cena do crime podem ajudar a determinar há quanto tempo se deu a morte do indivíduo, por exemplo: ossos pequenos dispersam-se mais facilmente arrastados pelo vento ou chuvas.
Quanto mais tempo passa desde a morte, mais difícil se torna de determinar o momento da morte. Também é importante determinar o modo e causa da morte que são conceitos diferentes.
O modo da morte aborda o tipo de morte do indivíduo que pode ser: homicídio, suicídio, acidental, natural e desconhecida. A causa da morte, refere‐se ao factor que na prática provocou a morte do indivíduo, ou seja, descrições como doença, ferimentos ou lesões.
Em indivíduos que se encontram no estado de esqueleto, a causa da morte só pode ser estudada relativamente a situações que deixem marcas nestas estruturas como as fracturas, ferimentos por armas de fogo ou marcas de intoxicações crónicas pelo arsénio, sendo o raio-X uma técnica muito importante.
Como acabamos de ver a Antropologia é uma ciência muito vasta que se subdivide em várias especialidades sendo, uma delas, a que dá título a esta mensagem.

2 comentários:

Patih salles disse...

Boa tarde! O que eu preciso para me tornar um antropólogo forense?(faculdade)
Obrigada!

Anónimo disse...

Brasil economicamente mais forte? Só se for nos bolsos dos políticos! Coitado dos brasileiros! Somos mais fortes sim, mas economicamente...

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