11.3.11

FILOSOFANDO SOBRE O AMOR



Hoje deu-me para filosofar sobre o amor que une os seres humanos, normalmente um homem e uma mulher,e que os cientistas querem reduzir a um simples fenómeno hormonal para cumprir o designio de propagação da espécie .
Mas o amor será só bioquímica ou haverá algo mais ? O que é o amor ? Quem o inventou ? Quando surgiu ? Não me sai da cabeça o nosso épico Luis de Camões quando escreveu:
O amor é fogo que arde sem se ver……é ferida que doi e não se sente….
Será o amor aquele fluido invisível que nos entra pelos olhos, pelas narinas e pelos ouvidos e nos inebriaga modificando-nos para sempre ?. É que ele chega , instala-se , e por vezes tem vontade de partir, mas vai ficando, criando como que raízes. Pode haver quem me contradiga e afirme que ele tem um fim. Eu acho que não, ele apenas se transforma com o tempo e por vontade e travessura desse deus pagão a que deram o nome de Eros.
Difícil, é muito difícil definir o amor !….. um amigo dizía-me : uma pessoa diz eu amo-te. Tu não ligas. A pessoa vai-se embora. Tu sentes a falta e queres que ela volte, mas às vezes é tarde de mais. Tu sofres e isso é amor.
Como as crianças são mais sábias que os dultos porque são puras, perguntei a uma de seis anos o que era o amor e ela respondeu:Amor é quando alguém te magoa, e tu, mesmo muito magoado, não gritas, porque sabes que isso fere os seus sentimentos" –
Foi profunda a resposta , mas vejamos agora o que disse sobre o mesmo tema uma adolescente de 16 anos:
O amor é:
Sonhar, intuindo sensações e emoções...
Brilho nos olhos e intensa alegria na alma...
Sentir o palpitar acelerado do coração só de pensar...
Desejar estar junto, sem reservas, disfarces, cúmplice.
Tocar e ser tocada de tantas formas...
Com palavras, com silencio, com olhares, dar e sentir prazer.
Não precisar perguntar, nem responder, apenas compreender.
Falar sobre tudo ou não precisar dizer nada.
Aceitar os defeitos e reconhecer as qualidades
Compartilhar tempo e espaço.
Recordar o passado, viver o presente
e não pensar no futuro.
Maravilhoso o que escreveu Liliana Coutinho Ribeiro, em 2007, e que mostra o que é o amor , numa aluna do secundário.
Continuemos a pesquisa voltando ao amor de adultos , àqueles que perderam o ser amado, lendo Luís de Camões
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou
.


Ou então este outro soneto do mesmo poeta :


Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Embora sem ter ainda uma definição para o amor uma coisa é certa: não é um fenómeno fisiológico. Miguel Esteves Cardoso escreveu:

«Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem.
Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances — porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.(…..)

Continuo sem encontrar uma definição de amor, por isso fico-me por aqui esperando que alguém o consiga fazer e seja feliz.

4 comentários:

Maria Paz disse...

Tema interessante. Não sei onde li uma teoria (?) que fomos divididos e separados da nossa outra metade e passamos toda a vida à procura dela. Quando a encontramos nasce então o amor. Gosto desta imagem e penso que pela sua dimensão poucos de nós conhecem o verdadeiro amor.

Duarte Fernandes Pinto disse...

Mais uma excelente mensagem !!!
Esta dedicada a uma das palavras mais difíceis de definir. Está de parabéns, Sr. joaquim Nogueira !!!

cedamott disse...

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