17.6.10

DOENÇA DOS PÉZINHOS

A paramiloidose é uma doença ainda incurável, vulgarmente conhecida por "doença dos pézinhos", devendo existir há já cinco séculos no nosso país mas que só foi diagnosticada nos anos 40, em pescadores da Póvoa de Varzim. O responsável por esta descoberta foi o médico e professor universitário da cidade do Porto, Dr. Corino de Andrade. De início pensou-se que a doença teria surgido em Portugal numa família de pescadores da zona da Póvoa de Varzim , mas muitos outros casos apareceram em diversas partes do mundo. Logo se aventou que a propagação da doença teria sido feita pelos portugueses através das rotas de comércio e de navegação, mas talvez tenham sido os Vickings os responsáveis pelo aparecimento da referida doença no nosso país.A paramiloidose manifesta-se normalmente entre os 25 e os 35 anos e transmite-se , por via genética, de pais a filhos. Os principais sintomas são uma grande perda de peso e de sensibilidade a estímulos nos pés e mãos . O Professor Corino de Andrade detectou esta doença ao observar pescadores da zona da Póvoa de Varzim que não sentiam dor quando se cortavam nas cordas dos barcos ou se queimavam com os cigarros A principal zona afectada são os membros inferiores . Mais tarde a doença alastra-se aos membros superiores, causando também perturbações no aparelho digestivo e problemas graves no coração e rins, na última fase da doença. É pois uma doença crónica e progressiva em que o sangue apresenta uma proteína anormal formada no fígado por troca de aminoácidos. Com uma análise sanguínea é possível saber quem são as pessoas transmissoras da doença e os possíveis futuros doentes.

É uma doença ainda mortal, mas que pode ser retardada através de um transplante hepático, com todos os seus riscos, embora neste ano de 2010 se esteja a testar um medicamento para retardar o avanço da doença.

A instrução genética alterada que faz a produção do aminoácido errado encontra-se no par cromossómico nº 18 e a sua transmissão aos descendentes é feita de acordo com o que se designa Herança Autossómica Dominante, daí que haja 50% de probabilidades dos filhos serem sãos e não transmissores , a não ser que ambos os progenitores sejam doentes e então a possibilidade de ter filhos sãos diminui para menos de 25%. Um outro novo tratamento está já a dar frutos aos filhos de portadores desta doença, Vários casais portugueses recorreram a uma técnica de procriação medicamente assistida para que os filhos nascessem sem aquela patologia.
Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), Carlos Figueiras, há casais que recorrerem a uma técnica de procriação medicamente assistida designada Diagnóstico Genético Pré-Implantação (DGPI). Trata-se de um método muito precoce de diagnóstico pré-natal para casais com elevado risco de transmissão da doença genética. O DGPI efectua-se após a remoção de uma ou duas células de embriões nos primeiros dias de desenvolvimento e posterior diagnóstico de uma patologia genética ou cromossómica, tendo como objectivo a transferência de embriões geneticamente normais no que respeita à doença estudada.O responsável da APP acentuou que há crianças com quatro, cinco e seis anos que «estão sadias sem a doença e os pais vivem felizes porque sabem que os filhos e netos nunca terão a doença». Daí que, neste momento estejam a nascer menos bebés com a doença.

7.6.10

Casas de Amsterdão

A pintura de Samuel van Hoogstraten que apresentamos , é um óleo de dois metros de altura, datado de 1662 que mostra como eram as casas na cidade holandesa de Amsterdão, caracterizadas pelo conforto e limpeza.
As vivendas eram relativamente estreitas , com fachadas de 9 metros de largura mas muito profundas, aproximadamente 60 metros, com quatro ou cinco andares , cujo acesso era feito por uma escada interior.
A pintura não mostra um palácio, mas sim uma habitação de uma família da classe média alta . Os diversos compartimentos desde o luminoso vestíbulo até à sala onde está um par de namorados e ao fundo uma possível sala de jantar, estão luxuosamente pavimentados , mobilados e decorados com pinturas e esculturas.

A limpeza, simbolizada pela escova ou esfregona , é o que se destaca no primeiro plano do quadro. Os estrangeiros do século XVII surpreendiam-se ante a mania holandesa pela limpeza chegando ao cúmulo de haver um manual para as donas de casa onde estava estipulado que às segundas e terças -feiras se deveria limpar o pó, às quartas esfregar e às sextas limpar a cozinha e a dispensa. Não sabemos o que estaria reservado para as quintas já que aos sábados se recebiam as visitas e aos Domingos era o dia do Senhor. Há quem afirme que o cão e gato representados no quadro mostram até que ponto os holandeses ,já naquela época, ensinavam os animais domésticos a fazer as suas necessidades fisiológicas em locais próprios nas traseiras das habitações.
Façamos votos que do século XVII para o século XXI os holandeses não tenham mudado de ideias.





3.6.10

FOBOS

Se tudo correr como planeado, por volta de 2014, os cientistas terão em suas mãos amostras do solo de Fobos , uma lua ou satélite natural do planeta Marte. O projecto russo é tentar que uma sonda não tripulada pouse em Fobos, recolha amostras das rochas da sua superfície e as traga de volta à Terra.
Há muito que os cientistas consideram que as luas de Marte são um objectivo melhor que a nossa Lua ou o próprio planeta Marte para um estudo do sistema solar, dado que a sua fraca gravidade se torna um factor a favor das missões espaciais. A velocidade de escape de Fobos, isto é, a velocidade necessária para sair desta lua é de apenas 11 metros por segundo, mais ou menos 40 Km /hora. Tal facto facilita o pouso e descolagem e assim gasta-se muito pouco combustível.
Já foi apresentada aos jornalistas a broca perfuradora que deverá recolher as amostras do solo de Fobos, fabricada pelo Centro de Pesquisas Espaciais , na Polónia. É que se a baixa gravidade facilita o pouso e a descolagem, torna-se num “bico de obra” para fazer um furo em Fobos, pois pelo princípio físico da acção –repulsão , a força para furar será idêntica à que actuará sobre a nave em sentido contrário, tendendo a atirá-la para o espaço. Daí a dita broca que se chama Chomik, ter sido desenhada para se apoiar pouco na nave que a transporta e agarrar-se mais ao solo enquanto trabalha .
A missão terá início em Novembro de 2011,através de um foguetão Zenit que transportará a sonda e a broca e que atingirá a órbita de Marte onze meses depois. mas o pouso em Fobos só acontecerá em início de 2013. Espera-se que regresse à Terra em 2014 e que pouse no Cazaquistão.Afigura que a seguir inserimos mostra, de cima para baixo, o veículo de retorno com o módulo de descida e o módulo de cruzeiro em pouso e em órbita

1.6.10

POR QUE CAEM AS FOLHAS DAS ÁRVORES ?


Todos já verificamos que certas árvores ficam sem folhas durante o Inverno e que as retomam na Primavera; É este fenómeno que hoje tentaremos explicar.
Chama-se abscisão foliar à queda das folhas das plantas o que acontece durante a época do ano em que os dias têm um menor número de horas de luz. Como consequência dessa menor luminosidade, o fenómeno da fotossíntese é reduzido , tendo a planta que poupar as reservas alimentares que acumulou durante o período em que a fotossíntese era intensa.. Para o conseguir como que adormece e, neste estado de dormência, o metabolismo reduz-se ao mínimo e as folhas, por não serem necessárias, caem. O que porém acontece é um fenómeno bem mais complexo e resulta da acção de diversas substâncias no interior da planta.
Da mesma forma que os animais têm hormonas que regulam as reacções metabólicas do seu organismo , as plantas possuem as fito hormonas (hormonas vegetais ) que regulam as reacções de crescimento e desenvolvimento dos tecidos vegetais , bem como induzem alterações anatómicas ou fisiológicas em células específicas chamadas células alvo. Estas células têm receptores específicos a essas fito hormonas ,localizados na membrana celular ou no hialoplasma .
As fito hormonas são substâncias orgânicas produzidas nas células vegetais , circulando normalmente nas plantas , e são eficazes mesmo em pequenas concentrações .Uma mesma hormona pode ter acção diversa , dependendo do órgão da planta onde se encontra, bem como da sua concentração e até se está acompanhada de outras hormonas.
Os principais grupos de fito hormonas são as auxinas , as citocianinas , as giberlinas , o etileno e o ácido abscisico (ABA). As auxinas são responsáveis pelos tropismos ( movimentos das plantas), pelo desenvolvimento dos frutos e pelo crescimento da raiz , caule, folhas e flores .As auxinas formam-se em tecidos chamados meristemas apicais. As citocianinas retardam o envelhecimento das plantas , estimulando a multiplicação celular. São produzidas na raiz e transportadas para toda a planta pelos vasos do xilema. As giberlinas actuam na floração e desenvolvimento dos frutos. O etileno, produzido em toda a planta, provoca o amadurecimento dos frutos e induz a abscisão das folhas. O ABA tem uma acção de iniciação e manutenção do estado de dormência das sementes e dos gomos de onde hão-de surgir os novos ramos e folhas . Tem também uma acção de fecho dos estomas nas folhas. Ao fecharem-se estes estomas , a fotossíntese e a respiração são reduzidas ao mínimo surgindo o estado de dormência da planta referido no início . Aproveitamos para esclarecer que dormina e ABA são a mesma hormona e também repetir que ela provoca resultados diferentes consoante o órgão onde está a actuar , sem esquecer a sua interacção com outras fito hormonas.
Quando a dormina está presente , diminui a quantidade de auxinas que, como dissemos atrás, produzem o crescimento de todos os tecidos vegetais por multiplicação celular. Com as auxinas em pequena quantidade a acção do etileno fica em evidência nas células do pecíolo das folhas .Por acção deste gás as paredes celulares rompem e assim o pecíolo rasga-se e as folhas caem.
Outro fenómeno curioso explica a razão pela qual as folhas, antes de caírem, mudam de cor. Voltemos a acção da dormina ; esta hormona ao induzir o fecho dos estomas reduz a possibilidade de fotossíntese e de se formarem cloroplastos , (organelos com clorofila ) que têm cor verde. Desta forma ficam em evidência os cromoplastos que co-existiam com aqueles e que tem cores várias desde o dourado ao castanho. À medida que os cloroplastos vão desaparecendo os cromoplastos ficam em evidência e a folha vai passando de verde , a castanho dourado e outras tonalidades , até que acaba por cair.

Arquivo do blogue