22.8.08

OS CELTAS NOSSOS ANTEPASSADOS



Não se pode falar de uma raça, nem sequer de um povo, talvez de várias tribos aparentadas com usos comuns. Oriundos do norte da Europa, passaram os Pirineus em direcção á Península Ibérica por volta do ano 900 A.C., fixando-se no norte da Ibéria . Se durante 200 anos Celtas e Iberos praticamente se ignoraram, a partir do ano 700 A.C , começaram a misturar-se dando origem aos Celtiberos . Eram agricultores e pastores, mas também possuiam armas metálicas como lanças, espadas, machados, escudos ,capacetes e couraças. Eram politeístas adorando os seres da natureza, principalmente as árvores, daí que muitos dos nossos apelidos sejam Pereira, Nogueira,Pinheiro, Oliveira,Castanheira, etc. O chefe religioso era o druída, mistura de mago e curandeiro, conhecedor das estrelas e da natureza. Altos e fortes eram cultos, pois gostavam do canto dos poetas e faziam artesanato artístico. Homens e mulheres prendiam os longos cabelos penteados com alfinetes de ouro, prata ou bronze, consoante as posses. Da sua passagem deixaram numerosos vestígios, como os que encontramos no nosso país nas regiões de xisto e granito. São restos de construções, normalmente circulares que muitos associam a " povoados fortificados ", embora a maioria fossem simples locais de habitação , característicos da Idade do Ferro e denominados de castros. Os castros, tomam a designação de citânias quando de maiores dimensões e habitados permanentemente, como é o caso da citânia de Briteiros. Invariavelmente localizados no cimo dos montes permitiam um controlo táctico dos campos agrícolas em redor. Nestes montes havia sempre fontes,poços ou cursos de água o que lhes permitia resistir em caso de cerco. Um castro típico possui duas a três muralhas de defesa e dentro as casas de três a cinco metros, na maioria circulares, feitas de pedra solta e terra, com telhado cónico de colmo suspenso por um pilar central de madeira.

A distribição das casas dentro do castro é alinhada, revelando já uma organização. Alguns historiadores afirmam que alguns castros são da idade do bronze e do Neolítico, anteriores aos Celtas terem vindo para a península Ibérica. Os Romanos destruiram muitos castros,devido á feroz resistência dos povos castrejos á sua ocupação, embora outros fossem aproveitados e aumentados como cidades romanas. A zona castreja encontra-se, para além da Galiza espanhola, na região entre os rios Douro e Minho, nos concelhos de Caminha, Cerveira, Valença, Coura, Viana do Castelo,Ponte de Lima e Esposende. As citânias mais conhecidas são as de Sanfins, Briteiros, Bagunte, Alvarelho e ainda a cividade de Terroso.


Dissemos atrás que muitos dos castros celtas foram aproveitados pelos romanos que os modificaram. É o caso da citânia de Briteiros descoberta ,em 1875, pelo arqueólogo Martins Sarmento.É um povoado da Idade do Ferro, situado no monte de S. Romão, freguesia de Briteiros, concelho de Guimarães. Possui três muralhas de dois metros de largura e cinco metros de altura; as casas são circulares e de origem céltica pela sua disposição e desenhos decorativos. A influência da romanização neste povoado é evidenciada pelas inscrições latinas, moedas, cerâmica, vidros ,etc. Como testemunho da antiguidade da citânia de Briteiros estão os achados de instrumentos de pedra neolíticos ou de bronze. Por outro lado, as mamoas e as gravuras rupestres , nas proximidades , mostram a existência de uma cultura anterior á romana. A citânia deve ter sido abandonada no séc III D.C. Das mamoas falaremos mais adiante pois ainda há que dizer dos castros e para isso vamos aproveitar o que já foi estudado sobre a cividade de Terroso . Erigida no monte da Cividade (Póvoa de Varzim) fica a 5 kms da costa o que possibilitava o comércio com o Mediterrâneo. Terá sido construída entre os anos 900 e 800 AC, como consequência de deslocação de populações da planície litoral . A cividade foi erguida a 152 metros de altitude o que permitia uma excelente posição de vigilância sobre a região. As três cinturas de muralhas eram compostas de grandes blocos de pedra sem argamassa e a altura dependia do relêvo. Nas zonas de fácil acesso as muralhas eram altas e largas enquanto nas zonas de declive eram mais simples. As habitações estavam agrupadas em núcleos com algumas casas possuindo um átrio. Os núcleos familiares eram compostos por quatro a cinco divisões circulares que abriam para um pátio central.Os núcleos eram separados por arruamentos estreitos que dividiam o povoado em quatro partes sendo, cada uma delas, composta por 4 a 5 núcleos familiares. A população cultivava trigo , cevada e fava e pastoreava vacas, ovelhas, porcos e cavalos. Estando perto do mar alimentavam-se também de lapas , mexilhões e ouriços do mar.. Cremavam os mortos depositando as cinzas em pequenas fossas circulares, dentro e fora do povoado. Vejamos agora as mamoas,também elas ligadas ao rito funerário. O nome deriva dos romanos que deram o nome de mammulas ás pequenas elevações de terreno parecidas com os seios de uma mulher. As mamoas ou tumuli eram edificações artificiais de pedra e areia com a finalidade de proteger o dólmen, cobrindo completamente a câmara mortuária e o corredor, quando este existia. A mamoa, ao esconder e proteger a sepultura dava-lhe, ao mesmo tempo, uma certa monumentalidade.Também é possível que tivesse servido de rampa para o transporte da pedra que servia de tampa da câmara mortuária. Em Portugal as mamoas estão normalmente dispostas em grupo, ocupando zonas planas que não serviam para a agricultura, ou á beira de caminhos. Estas sepulturas megalíticas monumentais deviam ser de antepassados importantes ou de suas relíquias ,pois os mortos comuns não eram assim enterrados. Estes monumentos funerários devem ter tido um significado simbólico importante que desconhecemos. Encontramos dólmens desde o fim do quinto milénio antes de Cristo até ao fim do terceiro milénio AC..Estes monumentos pré-históricos são também conhecidos por antas, arcas ou orcas. A anta ou dólmen escondido debaixo de uma colina artificial (mamoa) era como um útero abrigado do olhar, onde se colocavam relíquias no interior da terra. Podemos imaginar que para os Celtas essa deposição de relíquias funerárias seria como que o regresso de um humano ao útero do ventre materno da Terra Mãe. Julga-se que a origem mais remota dos Celtas esteja em povos de origem Indo-Europeia, já que a língua usada tem muitas semelhanças com duas daquela zona.Terminamos este apontamento sobre os celtas mostrando moedas por eles utilizadas e o vestuário branco de um druída. Para os mais pequenos talvez uma leitura do Asterix e do Obelix podesse ilustrar a vida destes povos cujo sangue nos corre nas veias, mesmo que em pequena percentagem.


19.8.08

FILOSOFANDO


Há dias ,sentado diante do computador, pensava num novo tema que interessasse aos meus leitores do NOVAS quando me surgiu na cabeça aquela frase de Descartes :" penso, logo existo ". Mas por que surgiu aquela frase no meu consciente e como se formou?- continua a ser um enigma.É que os pensamentos sejam eles geniais, delirantes, tristes ou alegres,jorram constantemente sem sabermos a sua origem. Eu sei que os filósofos empiristas afirmam que os pensamentos nascem das nossas sensações e que outros, já no sec XIX, afirmavam que eles resultavam das sensações que se combinariam com ideias simples,originando ideias abstratas mais complexas que seriam a base dos pensamentos.Neste momento comecei a sorrir ao lembrar-me de Mill quando dizia :" Vejo um cavalo :é uma sensação. Penso no dono do cavalo : é uma ideia. A ideia do proprietário faz-me pensar que o seu cargo é ministro do Estado: é outra ideia. A ideia de ministro faz-me pensar em cargos públicos e eis-me envolvido numa série de ideias políticas.." Assim estou eu enredado numa série de pensamentos sem saber como eles surgem. Como é que eu saio disto ? Eles ensinaram-me que as ideias são fruto de uma mistura aleatória de sensações externas e de processos cognitivos internos. No cérebro as ideias saltitariam de forma inconsciente até que alguns destes elementos de pensamento se combinariam como peças do Lego, para produzir uma nova ideia. Mas em que consiste este jogo do Lego cerebral ? Estou como no princípio : mistério!.Também sei que é o cortex pré-frontal que funciona como chefe de orquestra, pois lá convergem as sensações de visão e da audição e também zonas ligadas á memória .Esta ligação privilegiada assegura as funções cognitiva de alto nível, tais como planificação e criatividade. E eu continuo sem criar nada para os meus leitores. Sabemos que pensamos mas não sabemos como pensamos. Isto é mais um enigma da ciência ou a prova da nossa ignorância. Agora surgiu o Sócrates: Só sei que nada sei ". Isto assim não vai lá. A minha área é a ciência pura dos números , das leis físicas e químicas, dos quantas e de outras coisas que tais, mas como o tema está na memória do computador,vou publicar. A propósito, a memória do computador é como a nossa? Isto dava outro artigo ! Não, não me meto nessa aventura. Até breve com um tema da minha área de saber e continuem a visitar o wwwnovas.blogspot.com

14.8.08

O FUTURO

Um enorme número de investigadores e especialistas de todas as ciências procuram prever o que será o futuro da humanidade, como irá evoluir a ciência e que níveis poderá atingir o conhecimento humano. Já em 1964, Nikolai Kardashev tinha criado uma escala para avaliar a evolução tecnológica de uma civilização, baseada na quantidade de energia que tivesse á sua disposição. Segundo essa escala, o grau I pertenceria á civilização que aproveitasse toda a energia própria do seu planeta, controlasse o clima, cultivasse os oceanos e explorasse o seu sistema solar. As do grau II conseguiriam colonizar outros sistemas solares, usando a energia das estrelas. As de grau III, usariam a energia das galáxias e manipulariam o espaço-tempo a bel-prazer. Nesta escala estaremos hoje no grau 0,7, pois entre os avanços tecnológicos necessários para atingir o grau I, estarão a produção barata da antimatéria, a produção de energia por fusão nuclear, a inteligência artificial e a utilização de nano tecnologia. Alguns dos pressupostos atrás enunciados estão a ser desenvolvidos, embora dando ainda os primeiros passos. Raymond Kurzwell vaticina que, nos próximos 25 anos, os computadores atingirão a capacidade e subtileza do cérebro humano, isto é, teremos a inteligência artificial, que acabará por conduzir à fusão do ser humano com a tecnologia que desenvolveu. As inteligências não biológicas terão capacidade de reinventar outras, avançando tanto que teremos de melhorar a nossa artificialmente para não ficarmos para trás.. Isso seria feito á custa de nano-robõts interagindo directamente com os nosos neurónios. Também a NASA tenta encontrar planetas extra-solares, parecidos com a Terra e que possam ser colonizados . Michio Kaku , físico americano, considera que, teoricamente, não há nada que nos impeça de viajar no tempo. Para tal, será só necessário criar e manter um pequeno buraco negro que agiria como porta entre duas regiões do espaço-tempo. O único óbice será a quantidade quase infinita de energia para o manter, pelo que deverão passar vários milénios antes de a saber obter. Se nos voltarmos para o teletransporte que todos conhecemos da série televisiva Star Trek diremos que, em Junho de 2004, uma equipa de investigadores de Innsbruck anunciou ter conseguido transferir, de forma autónoma, estados quânticos entre átomos fisicamente isolados,o que é ainda imensamente longe de transportar uma simples molécula . Na altura este pequeno avanço foi considerado útil para desenvolver computadores ultra rápidos, enviando e recebendo informação de forma instantânea . Michiro Kaku pensa que as impossibilidades actuais de atingir o grau I poderão estar resolvidas dentro de dois séculos. Até lá fazemos votos de que a Humanidade consiga sobreviver como espécie natural .

6.8.08

STRADIVARIUS

Qualquer pessoa medianamente culta, mesmo sem ser melómana, ao ouvir a palavra Stradivarius associa-a a um violino raro e muito cobiçado. Na realidade os violinos desta marca têm uma sonoridade especial e valem milhares de euros cada. O nome deriva do seu construtor o italiano António Giacomo Stradivari, nascido em Cremona em 1648 e falecido em 1737 que se tornou célebre na arte de fabricar instrumentos de corda como violas, violinos, violoncelos e harpas. O seu êxito surge , entre 1700 e 1722 , quando construiu os seus violinos mais famosos como o Beto em 1705, o Cremonese em 1715, o Messias e o Medici em 1716. Pensa-se que Stradivari terá construído um milhar de violinos dos quais só há registo de 650 . O mais famoso é o Messias que se encontra no museu Ashmoleara em Oxford. A sonoridade dos violinos Stradivarius é tão especial que foram estudados ao pormenor para se tentar descobrir o seu segredo. Sabe-se que as madeiras usadas eram o acer e o abeto, o primeiro para o tampo harmónico e o segundo para o fundo e braço. As madeiras seleccionadas eram as mais antigas e ressequidas, posteriormente tratadas com diversos minerais (boratos e silicatos ) e verniz de Bianca. Também se aceita como certo que a sonoridade dos violinos se deve ao verniz usado que continha pozolana, uma cinza vulcânica antigamente usada como cola entre o verniz e a madeira, tornando o instrumento mais duro. Há quem pense que Stradivari seleccionava madeiras de navios naufragados pois seria mais dura devido ao contacto com a água salgada.Outros afirmam que o frio extremo que se fazia sentir na Europa daquela época terá feito com que as árvores desenvolvessem fibras mais compactas logo madeiras mais duras. A análise feita por TAC aos violinos antigos mostra esse facto. Qualquer que seja o segredo destes famosos violinos o que sabemos é que , em 2006, um Hammer Stradivarius de 1707 foi leiloado por 2,4 milhões de Euros e há meses (Abril de 2008) um outro Stradivarius, do ano 1700 , foi comprado por 1.273.000 dólares americanos .

1.8.08

NANOTECNOLOGIA

Se procurarmos uma definição simples para nanotecnologia teremos que é o processo de montar matéria a partir dos átomos, organizando-os a bel-prazer e de maneira diferente do que acontece naturalmente .A ideia é antiga e foi "sonhada" pelo físico Richard Feynman, em 1959, numa altura em que o átomo era a parte mais pequena da matéria. Hoje em dia o sonho de Feynman está a tornar-se uma realidade e o nanómetro ( 1 milionésimo de milímetro) é uma vulgar unidade de trabalho dos cientistas . Se Freyman apenas dizia que os princípios da Física não eram contra a possibilidade de manipular a matéria, átomo a átomo e que teoricamente era algo que podia ser feito, embora nunca levado a cabo por sermos grandes demais,os cientistas de hoje pensam em criar máquinas que actuem dentro do corpo humano levadas pela corrente sanguínea, ou gravar bibliotecas nacionais inteiras numa superfície de poucos centímetros quadrados e outras coisas fantásticas. Se for conseguido este sistema de engenharia molecular, haverá nova revolução industrial com importantes consequências económicas, sociais, ambientais e militares. Tudo isto começa a ser pensado porque os conceitos da física clássica foram derrubados e a física quântica nos mostra que as partículas sub-atómicas (ver postagem de 12-6-2008 sob o título a partícula de Deus )não se comportam como no mundo molecular.Tentam os cientistas dos nossos dias ligar os átomos de forma a criar novas moléculas,isto é, novos materiais.O processo seria feito através de um montador molecular, uma máquina de tamanho microscópico capaz de organizar átomos e moléculas de acordo com instruções dadas. Um montador molecular poderia actuar de forma isolada ou em conjunto podendo, neste caso, ser capaz de construir objectos macroscópicos. Este fabrico de moléculas novas com propriedades especiais, nomeadamente com funções de sensores ou reparadores, revolucionaria o mundo. Há quem imagine, por exemplo, a possibilidade de desobstrução de vasos sanguíneos por nanorobots feitos á medida, ou o fabrico de telhas que além de isoladoras de água e luz, sejam fotovoltaicas Será que um dia podemos criar nanofábricas ,isto é, um aparelho simples e pequeno, na aparência, cheio de processadores químicos,computadores e robots em que os produtos seriam fabricados directamente a partir dos projectos nele introduzidos? Das nonofábricas resultariam produtos de alta qualidade a um preço irrisório bem como a criação de novas nanofábricas, num fenómeno de autoreprodução que podia ser útil em Biologia ou no fabrico de novas fábricas a ritmo exponencial. Esta capacidade de reprodução é , teoricamente, uma das grandes vantagens de um montador molecular e também um dos seus grandes riscos.Um montador poderia reproduzir-se descontroladamente e ameaçar vidas humanas de forma semelhante ás epidemias. Especialistas advertem que é necessário tomar precauções pois os riscos para a saúde humana não são conhecidos, além de persistirem outros problemas como a dificuldade de trabalhar com os átomos individuais necessários á construção do montador. É também difícil modelar o comportamento de objectos complexos em escala nanométrica que obdecem ás leis quânticas que são diferentes das da física clássica á escala do nosso mundo. Outro dos possíveis problemas será a poluição gerada pelos nanomateriais, já que as nanopartículas , dado o seu ínfimo tamanho, podem entrar nas células animais e vegetais, acumulando-se na cadeia alimentar, num efeito idêntico ao dos metais pesados e ao do DDT. Já foram colocadas várias questões ,tais como : A quem pertencerá a nova tecnologia ? Estará ela acessível a todos ? Terá efeitos negativos sobre os seres vivos ? Quem controla as armas destruidoras dela obtidas? Será que a contrução de máquinas inteligentes capazes de fabricar outras ,destruirão a espécie humana? As perguntas são tão pertinentes que já existe um organismo internacional para dar a conhecer as teorias da gestão responsável da nanotecnologia.

Arquivo do blogue