29.12.10

Sangue artificial


Já desde o século XVII que as transfusões sanguíneas têm sido uma tentativa de remediar as perdas de sangue causadas por cirurgias, acidentes, partos, guerras ou outras causas. .Antes da identificação dos anticorpos aglutinantes do sangue como o Rh, as transfusões então realizadas provocavam muitas mortes pelo facto do sangue do dador ser incompatível com o do receptor . Embora hoje se conheçam e se identifiquem muito bem os grupos sanguíneos (A;B;AB ;O )e os factores Rh, um dos problemas com que a medicina actual por vezes se debate é a falta de sangue compatível disponível para uma transfusão ou havendo-o, a recusa do doente em receber essa transfusão por motivos religiosos ,como acontece com as Testemunhas de Jeová.
Parece que no futuro o problema será parcialmente resolvido com o fabrico de sangue artificial. Este sangue será desenvolvido a partir de células estaminais embrionárias , e a designação de artificial refere-se apenas ao facto de ser fabricado em laboratório. O plano da Universidade de Edinburgo é simples: estimular células estaminais de embriões humanos para que originem células do sangue, isto é, glóbulos vermelhos. Recorrendo aos embriões que sobram dos tratamentos de fertilidade, os cientistas vão procurar aqueles que estão geneticamente programados para desenvolver o sangue tipo O, Rh negativo ( zero ,negativo) que é considerado como dador universal, pois pode ser dado a qualquer pessoa sem perigo de rejeição,dado não ter aglutininas nem aglutinogénios..
Este tipo de sangue é relativamente raro, sendo encontrado em apenas 7% da população mundial, mas em laboratório poderá ser desenvolvido em grandes quantidades devido à capacidade que as células estaminais têm de se multiplicar indefinidamente. Em teoria, um único embrião seria capaz de satisfazer as necessidades de sangue de um país, além de ser ,como afirmamos, compatível com qualquer humano, e estar livre de infecções.
No entanto o problema mantêm-se para os que recusam sangue com origem em outro indivíduo, por questões religiosas. Talvez para estes a solução esteja numa descoberta vinda dos USA. Claes Lundgren, médico da Universidade de Buffalo, apresentou , numa conferência de imprensa, uma ampola contendo cinco mililitros de uma solução leitosa, passando a explicar: "Estes cinco mililitros poderão salvar a vida de uma criança pesando de 10 a 15 quilos que tenha perdido metade de seu sangue."
Esta espécie de sangue artificial, é uma substância inorgânica, mais especificamente um dodecafluorpentano, ou DDFPe, um composto à base de fluorcarbono utilizado originalmente como elemento de contraste em exames médicos.
Lundgren vai prosseguir o trabalho dos Drs. Hugh Van Liew, Mark Burkard e Ingvald Tyssebotn, que fizeram as primeiras pesquisas e conseguiram transformar o DDFPe num transportador de oxigénio.
A chave para a capacidade desta nova substância está em gotículas invisíveis a olho nu. Quando aquecidas à temperatura do corpo humano, essas gotículas expandem-se em micro bolhas, pequenas o suficiente para passar através dos vasos capilares. A forte afinidade dessas micro bolhas com o oxigénio faz com que elas possam cumprir o papel do sangue, captando o oxigénio nos pulmões do paciente e levando-o até aos tecidos.
Infelizmente ainda faltam muitos testes médicos para comprovar que não existirão efeitos colaterais adversos.
Paralelamente várias Empresas farmacêuticas desenvolveram algumas variedades de sangue artificial nas décadas de 80 e 90, mas muitas abandonaram as pesquisas após enfartes, derrames cerebrais e mortes de cobaias humanas. Algumas fórmulas iniciais também causaram o colapso de vasos capilares e o aumento excessivo da pressão arterial. Porém, pesquisas adicionais levaram a vários substitutos específicos do sangue divididos em duas classes: carregadores de oxigénio que utilizam hemoglobina (HBOC, na sigla em inglês) e perfluorcarbonetos (PFC) que atrás citámos. Alguns desses substitutos, na sua fase final de teste, conseguem estar disponíveis em hospitais. Outros já estão em uso, como, por exemplo, um HBOC chamado Hemopure actualmente administrado com alguns inconvenientes em hospitais na África do Sul, onde o alastramento do HIV ameaçou o suprimento de sangue. Um carregador de oxigénio baseado em PFC, chamado Oxygent, está nos estágios finais de testes em seres humanos na Europa e América do Norte.
Os dois tipos têm estruturas químicas bastante diferentes, mas ambos trabalham basicamente através da difusão passiva. A difusão passiva tira proveito da tendência dos gases de se mover de áreas de maior concentração para áreas de menor concentração até atingir um estado de equilíbrio. No corpo humano, o oxigénio move-se dos pulmões (alta concentração) para o sangue (baixa concentração). Depois, quando o sangue atinge os vasos capilares, o oxigénio move-se do sangue (alta concentração) para os tecidos (baixa concentração).
Dissemos no início que estas descobertas resolveriam parcialmente o problema da falta de sangue pois não podemos esquecer que o sangue humano executa muitas outras funções importantes para além do transporte de oxigénio pelos glóbulos vermelhos. Os glóbulos brancos defendem o corpo das infecções bacterianas, as plaquetas promovem coagulação, e as proteínas do plasma executam várias outras funções. Por tal motivo será útil utilizar novas técnicas médicas a quando de uma cirurgia ,tal como utilizar bisturis eléctricos que evitam hemorragias ou a transfusão do próprio sangue do doente e de que existem duas técnicas: 1)- O paciente retira seu próprio sangue alguns dias antes da cirurgia e esse sangue fica guardado em bolsas até que seja necessário utilizá-lo durante a cirurgia programada. 2)- O sangue é retirado no início da cirurgia e armazenado, sendo substituído por soluções cristalóides ou coloidais como expansores do volume do plasma. Ocorrendo algum sangramento ele obviamente será menor, já que estará diluído. No final da cirurgia o sangue é reposto. Como o sangue é do próprio doente não há impedimento religioso.
Para além da conhecida transfusão , aproveitando (após filtração/heparinização) o sangue perdido no decurso de intervenções cirúrgicas, e da chamada transfusão isovolémica, (todas estas técnicas implicando apenas a utilização de sangue do paciente) as alternativas reais à transfusão tem ainda as suas limitações ,pelo que fiquemos com a esperança de que o engenho humano nos conduza no futuro a uma solução de sucesso.

24.12.10

ESCRIBAS


Podemos dizer que um escriba é todo aquele que escreve, isto é, todo aquele que utilizando símbolos , transmite manualmente uma mensagem. Ainda nos nossos dias há escribas , só que lhe chamamos escriturários.
No antigo Egipto, um escriba era uma importante figura na administração a nível civil, militar e religioso, pois a maioria dos egípcios não sabia ler nem escrever e quando precisava redigir ou ler um documento via-se obrigada a pagar o serviço de um escriba. Ser escriba não era tarefa fácil pois eram necessários cerca de 12 anos para que alguém estivesse em condições de ler e escrever os cerca de 700 hieróglifos que eram usados 1500 anos antes de Cristo e os estudos podiam começar aos quatro anos de idade. A habilidade para escrever garantia uma posição superior na sociedade e a possibilidade de progresso na carreira.. Um texto destinado a instruir os escribas, usado durante o Império Novo, garantia:
Seja um escriba. Isso o salvará da labuta e o protegerá de todo tipo de trabalho .Será poupado à enxada e ao alvião, de forma que não terá que carregar cestas. Ficará livre de manipular o remo e será poupado de todo tipo de sofrimento.
Mas então a escrita no Egipto era uma coisa assim tão difícil para que o escriba fosse tão considerado ?
Há cerca de 3000 anos , os Egípcios desenvolveram uma forma de escrever assente em vários pictogramas (imagens figurativas que representam coisas), mas também em fonogramas (símbolos que representam sons) . Meticulosamente gravados, os hieróglifos associavam, os símbolos fonéticos às imagens de objectos reais comuns, como plantas ,animais ,barcos, etc. A precisão e a minúcia da execução estavam ligadas também ao uso simbólico das cores. Escrevia-se da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita e também na vertical. A direcção da leitura era indicada pela direcção do olhar de certos símbolos que representavam homens ou animais. Este sistema de escrita recebeu a designação de "hieroglífica" (do grego hieros que significa sagrado, e ghyhhein que significa gravar) e foi criado para descrever os rituais religiosos , as comemorações de acontecimentos militares e, em última instância, até servir como agradecimento a um governante por qualquer dádiva. A escrita hieroglífica era utilizada nos documentos da vida pública e nas inscrições mais importantes. Mais tarde (cerca de 2400 AC) e por comodidade no dia-a-dia, os Egípcios desenvolveram uma forma simplificada de hieróglifos. É escrita hierática (cursiva) utilizada pelos sacerdotes nos textos sagrados ,e está adaptada ao movimento da pena molhada em tinta sobre o papiro macio. Para economizar tempo e esforço cada sinal hieroglífico foi esquematizado e até aparecem ligados entre si para que a mão não se levantasse. Escrevia-se da direita para a esquerda. Mas a dada altura, também a hierática deixou de responder à procura e exigências do quotidiano. Foi então que no Egipto se idealizou a escrita demótica (designada, então, a "escrita do povo"), por volta de 500 anos antes da nossa era, sendo que esta constituía uma redução da hierática que, por si só e como dissemos atrás, já era uma redução da hieroglífica. Relativamente ao suporte onde eram escritos, há a registar uma evolução desde o hieróglifo ao demótico, e que vai desde as inscrições de objectos em barro cozido, passando pelas pinturas nas paredes dos templos e das câmaras funerárias, em pedra e madeira, culminando com a utilização do papiro nos manuscritos. Efectivamente, o papiro – invenção atribuída ao povo egípcio –, foi o material mais importante para o segundo sistema de escrita, a partir das plantas que cresciam nas margens do rio Nilo. Estamos a falar das plantas papiros que cresciam nas terras pantanosas da foz do Nilo e cujos caules chegavam a ter quatro metros de altura, caules esses que eram cortados e justapostos às camadas numa superfície lisa, sendo que sobre a última camada era colocada uma pesada pedra lisa com a finalidade de fazer compressão dos caules . A pressão exercida fazia com que a seiva e a humidade das plantas, em contacto com a água, produzissem uma espécie de substância gelatinosa, que colava umas camadas às outras. Uma vez secas, as "folhas" eram postas em pilha e banhadas em azeite, ao que se seguia a tarefa de as alisar com a ajuda de uma pedra ( ágata).Mais tarde, os Romanos introduziram neste processo uma inovação que resultaria numa melhor qualidade do produto final: a aplicação de cola de amido para unir as fibras e assim neste papel se escreveu até ao nosso século XVIII.
A substituição do papiro pelo pergaminho teve lugar quando os Fenícios deixaram de exportar as folhas de papiro para a Ásia. O pergaminho era obtido a partir das peles de animais (como as ovelhas e as cabras), depois de esticadas, secas e polidas, após um banho em cal, por forma a evitar o mau cheiro. Já secas, as peles eram esfregadas dos dois lados com ajuda de argila e pedra-pomes. Este novo processo de obtenção de material para escrita tinha a vantagem de ser mais duradouro e de permitir a reunião das várias folhas em formato de livro, mas é destronado com o aparecimento do papel o que acontece em 1800 d. C.
Voltando ao assunto do tema, o escriba foi um aliado do Faraó e por isso as célebres estátuas de escribas sentados, com um rolo de papiro sobre os joelhos, são o melhor reflexo do seu estatuto social. Organizavam-se em torno de uma hierarquia de directores no cimo da qual se encontrava o visir, mão direita do Faraó. Que se tenha conhecimento não existiram escribas do sexo feminino, embora certas filhas de escribas tenham aprendido a ler e a escrever, mas foi muito raro. Hoje sabemos o nome de muitos escribas pois assinaram documentos ; é o caso de Pentaur, autor do célebre poema da batalha de Qadesh para glória de Ramsés II; é o caso de Imhotep, construtor da pirâmide de Saqqara ou ainda o de Amenhotep, filho de Hapu, visir de Amenhotep III.

17.12.10

O PRESÉPIO de NATAL

O Natal é uma festa de raiz religiosa rica em simbolismos, sendo poucos no mundo os que conhecem as suas origens ou o seu seu significado, pois se transformou numa grande festa de solidariedade universal, comemorada em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã está em minoria, como é o caso do Japão. Quando entramos na Quadra Natalícia podemos sentir que uma certa ternura vai envolvendo toda a gente criando nas pessoas sentimentos muitas vezes esquecidos, como o amor ao próximo com a solidariedade para os que sofrem ou passam fome. Vimo-lo neste findar de ano 2010 em que as pessoas, mesmo com a crise, doaram ao banco alimentar mais do que em anos anteriores.
Para nós o Natal comemora o nascimento de Jesus Cristo e embora historicamente, não se tenha a certeza da data do nascimento de Jesus, um acontecimento tão importante como a vinda do filho de Deus para o nosso mundo, merecia ser lembrado mas não havendo dados históricos, quando o fazer ? Ora no dia 21 de Dezembro , no hemisfério norte , ocorre o chamado solestício de inverno que é o momento em que a Terra, depois de atingir o ponto mais distante de sua órbita em relação ao Sol, reinicia seu caminho de volta fazendo com que os dias se tornem mais longos. Para comemorar o solestício de inverno havia por todo o lado uma amálgama de festividades pagãs . No ano 336 D.C., o Imperador Romano Constantino I alterou os motivos das grandes festas do solstício e passou a ser comemorado o nascimento de Cristo, o salvador da humanidade, em vez do nascimento do sol, na data fixa de 25 de Dezembro. A Igreja apropriou-se da data como forma de converter os não cristãos a aderirem ao cristianismo. A celebração do Natal é, por isso, repleta de símbolos, cristãos e pagãos, e assim as pessoas fizeram desta tradição uma das festas mais ornamentadas.
Em Portugal, e antes da apropriação comercial pela festa, nas igrejas e casas particulares montava-se o presépio, mais rico ou mais singelo consoante as possibilidades de cada um.
A palavra “presépio” significa curral, estábulo, local de recolha de gado ,mas também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José ,pela vaca e por um jumento, a que por vezes se acrescentam outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, etc.
Os primeiros presépios surgiram em Itália, no século XVI, e o seu aparecimento foi motivado pela representação teatral do nascimento de Cristo. De entre os presépios mais conhecidos, são de salientar os presépios napolitanos, que surgiram no século XVIII, e onde podiam observar-se várias cenas do quotidiano, mas o mais importante era a qualidade extraordinária das suas figuras ; só a título de exemplo, os Reis Magos eram vestidos com sedas ricamente bordadas e usavam jóias muito trabalhadas.

No que se refere a Portugal, não é nenhum exagero dizer que aqui foram feitos alguns dos mais belos presépios de todo o mundo, sendo de destacar os realizados pelo escultor e barrista Machado de Castro no século XVIII . A seguir apresentamos imagens de três presépios diferentes mas do mesmo autor.


Representações artísticas surgiram também no início do século XIII,sob a forma de pinturas e afrescos entre outras, mas a data de 1223 é para muitos o início desta tradição.
São Francisco de Assis será o autor do presépio, pois nesse ano de 1223, festejou o Natal na floresta de Greccio, levando consigo animais como, bois, vacas, burros, de forma a retratar aos seus cidadãos o que tinha acontecido nessa noite do nascimento de Jesus , criando assim o interesse das pessoas por retratar o Natal. Porém só no século XV, com o culminar de um grande interesse pela data, criaram o presépio como hoje o conhecemos, deixando para trás as pinturas das igrejas.
O presépio caseiro tem como principal característica, a versatilidade já que todas as peças podem mudar de lugar e serem vistas de vários ângulos, dando liberdade a cada pessoa para criar o seu próprio presépio. Que se saiba , foi no século XVI que surgiu o primeiro presépio particular em casa da Duquesa de Amalfi. A partir do século XVIII, a tradição insere-se em toda a Península Ibérica alastrando-se por toda a Europa.

Actualmente é um costume em inúmeras culturas que marca o Natal, existindo presépios para todos os gostos, desde miniaturas a personagens em tamanho real, muitas vezes com uma representação humana do acontecimento.Terminamos com duas fotografias de presépios no Japão

14.12.10

MACACOS versus HOMEM

Tenho uma familiar, temente a Deus e aos Homens que fica escandalizada quando afirmo que é “ prima dos macacos “ , muito embora não lhe repugne a teoria evolucionista de Darwin para os outros seres. Como ela, tenho encontrado mais pessoas, e nem são defensoras do criacionismo , pois nunca aprofundaram o tema . É para elas que alinhavo o resumido apontamento que se segue.
Como é sabido, o gene é a unidade fundamental de toda a hereditariedade e ao conjunto de todos os genes de um indivíduo de qualquer espécie. chamamos genoma. Os genes encontram-se distribuídos pelos cromossomas de um indivíduo e as características de todos os seres vivos são definidas pelo genoma que possuem. Posto isto, que diferença há entre o genoma do Homem e o do macaco ou, dito de outra maneira, que mudança terá sofrido o genoma do símio ancestral para dar o homem ?
A mutação genética devido à qual os primeiros hominídeos ( Homo habilis ---»Homo erectus ---»Homo Neandertal ---»Homo sapiens ) se separaram dos seus antepassados símios , já foi identificada por cientistas americanos da Universidade de Harvard , em 2003. O gene Tre2 foi o responsável por ter tornado os seres humanos diferentes dos macacos, durante o longo processo evolutivo . A mutação genética terá surgido há 25 milhões de anos atrás , devido talvez á fusão de dois outros genes o que fez com que os seres humanos, ao longo da sua evolução, se tenham distinguido dos seus parentes mais próximos, chimpanzés, gorilas e orangotangos, os quais, por sua vez, se tornaram também diferentes dos outros macacos, os chamados macacos do novo mundo, que mantiveram cauda longa ,entre outras características.
A mutação concedeu aos Hominídeos maxilares mais pequenos e cérebros maiores. A redução dos maxilares alterou a estrutura do crânio e eliminou músculos espessos que serviam para fixar as mandíbulas à parte superior da cabeça. Como consequência, houve um alargamento do crânio e um desenvolvimento do volume cerebral que possibilitou a linguagem e a construção de instrumentos , o que terá acontecido há 2,5 milhões de anos , na África Oriental.
Mas há mais evidências da evolução do homem que permitem aparentá-lo em primeiro grau com os chimpanzés e gorilas, até em aspectos comportamentais . Um grupo de investigadores observou que chimpanzés selvagens transportavam alimentos para dentro de uma caverna onde os repartiam com os outros elementos do grupo, tal como faziam os Homo habilis, antepassados do homem actual.
Chimpanzés e Gorilas utilizam ferramentas para fins específicos ; Jane Goodall relatou no seu diário :…….” Em Outubro de 1960 observei um chimpanzé pegar numa folha e modificá-la com a mão, dobrando-a para a tornar mais fina para que pudesse ser enfiada com maior facilidade na abertura estreita do ninho de térmitas……….estava a demonstrar o domínio de princípios rudimentares da produção de instrumentos ……também observei que utilizavam folhas a que davam a forma de copo para armazenar água . A partir daqui precisamos redefinir Homem , redefinir utensílios ou aceitar os chimpanzés como humanos ….”
Não podemos esquecer que 98% dos nossos genes são idênticos aos de outros primatas onde estão incluídos animais fisicamente diferentes do homem como os lémures, os tarsídios ,o macaco esquilo, etc. Também já se comprovou que o cromossoma 2 do homem é a fusão, topo a topo, dos cromossomas independentes 2p e 2q que existem nos outros primatas .
No que respeita a inteligência ,falando dos chimpanzés, nossos primos de 2º ou 3º graus , eles usam instrumentos para comer, para se defender e são capazes de ensinar os mais novos a utilizar correctamente certos instrumentos para determinado fim, transmitindo aspectos culturais de geração em geração. Tal como os humanos cuidam das crias, educam-nas nas suas travessuras, demonstram emoções e comunicam entre si. Perante tal, não sei por que há relutância em admitir que homem e macacos derivam de um ancestral comum próximo, logo são primos.
Olhem as fotografias abaixo e digam –me se não são atitudes humanas
Grupo em velório chorando a morte de um familiar

Casal posando para a posteridade
Cruzando os braços com enfado por não ser considerado como gente.
Carinho de mãe

Observação

Se atentar para a fotografia do início do texto verá a atitude de quem tem um problema bicudo para resolver, talvez o de não saber em quem deva votar para governar este país de macacões.

4.12.10

PAI NATAL

Agora que estamos no mês de Dezembro, as montras das casas comerciais encheram -se de pinheiros nórdicos em plástico ( made in China) e de figuras de um velho barrigudo de barbas brancas, normalmente vestido de vermelho, a que chamam de PAI NATAL (por causa da igualdade entre sexos, também aparecem umas MÃE NATAL) que vão destronando o presépio e o Menino Jesus que reinavam no meu tempo de criança.
Mas quem é o Pai Natal ?
O Pai Natal tem vários nomes dependendo do país e da sua cultura, mas trata-se sempre de S. Nicolau, um indivíduo que nasceu no ano de 350 d.C., em Patara e que, anos mais tarde, se tornou bispo da Igreja Católica. Este bispo é referenciado lendariamente por salvar marinheiros das tempestades, defender as crianças e oferecer vultuosas prendas aos mais pobres, além de outros milagres.
Este distribuidor de prendas conduz pelo céu um trenó puxado por renas carregando brinquedos para as crianças que se portaram bem durante o ano. O Pai Natal ou St Nicholas, St Nick ou Santo Claus, visita todas as casas na noite de Natal descendo pela chaminé para deixar os ditos presentes ao canto da chaminé ou da lareira, na árvore, nas peúgas ou sapatos de todas as crianças bem comportadas.( O local onde deixa as prendas depende do país) Esta imagem tipicamente americana foi introduzida nos Estados Unidos a partir da Holanda no século XVII, e em Inglaterra a partir da Alemanha em meados do século XIX.
O dia de St Nicholas, em que se recebiam as prendas, era originalmente celebrado a 6 de Dezembro mas, depois da Reforma da Igreja, os protestantes Germânicos deram especial ênfase ao Menino Jesus como sendo o “dador de prendas” no dia da Sua própria festa, a 25 de Dezembro, mas a tradição de St Nicholas prevaleceu e ficou colada ao próprio Natal. A explicação para a escolha do dia 25 de Dezembro como sendo o dia de Natal, isto é , o dia em que nasceu Jesus, prende-se com o facto desta data coincidir com a Saturnália dos romanos e com as festas pagãs célticas do Solstício de Inverno, tendo a Igreja visto aqui uma oportunidade de cristianizar a data e combater o paganismo.
No nosso país e devido á globalização das últimas décadas, o Natal foi travestido e a tendência é a substituição do Menino Jesus pelo Pai Natal na entrega dos presentes. Como disse logo de início, o presépio têm agora de coexistir, quando coexiste, com o velho das barbas e a
árvore de Natal, embora as tradições natalícias portuguesas não tenham de todo desaparecido, pelo menos no aspecto gastronómico. Assim, no dia 24 Dezembro, à noite, tem lugar a ceia de Natal ou consoada, onde reina o polvo ou bacalhau cozidos, as rabanadas, os sonhos, os filhós, etc. e já depois da missa do galo, à meia-noite, a criançada vai em busca das prendas. Em certas zonas do país arde o cepo de Natal, nos largos públicos , como adros de igrejas e á volta dessa fogueira se passa uma consoada comunitária . Voltando ao Pai Natal muitos pensam que a imagem do gordo de vermelho e com barba branca é da autoria da marca de refrigerantes Coca-Cola pois esta marca, nos anos 30 do século XX, usou a figura do Pai Natal na sua publicidade de Inverno e deu-lhe as suas cores, o branco e o vermelho. Para tal contratou o artista Haddon Sundblom para lhe compor a imagem. Contudo, Sundblom não foi original na sua escolha, já que o primeiro desenho que retratava a figura do Pai Natal ,tal como hoje o conhecemos, foi feito por Thomas Nast e publicado no semanário “Harper’s Weekly”, no ano de 1866. Esperando ter explicado quem é o PAI NATAL ,já que a Mãe Natal é coisa muito modernista, desejo-vos
BOAS FESTAS

2.12.10

PESTE NEGRA


Alguns jornalistas dos nossos dias classificaram o HIV (sida) e a Gripe A como a Peste Negra do sec XXI ; da mesma maneira a tuberculose foi a “peste negra “ do século XIX e a pneumónica a do início do século XX, tudo devido ao gigantesco número de mortes que provocaram no passado..
Mas afinal o que foi a PESTE NEGRA, surgida em 1348 ? Apenas uma doença, na altura de origem desconhecida que, em dois anos, levou à morte um terço da população europeia. “…..cidades desertas , campos abandonados cadáveres apodrecendo nas ruas , mercados vazios e um silêncio reinante onde antes havia bulício……A desconfiança havia-se instalado em lugar do afecto porque todos ,pais e filhos, vizinhos, amigos ou familiares podiam ser a fonte do veneno mortal….. assim escreve Giovanni Boccacio no seu Decameron. ( escrito entre1349 e 1353)
Numa sociedade medieval em que a religião dominava tudo, a população considerava o mal como um castigo divino, já que a dissolução dos costumes e a falta de honestidade do clero, eram razões suficientes para provocar a ira de Deus e o fim dos tempos . O Papa Clemente VI, numa bula de 1348 , declarava : “ Deus está castigando o seu povo com uma grande peste “.
Os sábios da época, embora não negando a intervenção divina , procuravam factores naturais para a doença. A universidade de Paris defendia que a origem da peste se devia à conjugação dos planetas Marte , Júpiter e Saturno sob o signo Aquário. Outros afirmavam que eram os gases da cauda de um cometa que provocara a peste e originara um sismo em Itália. Na Alemanha a culpa era dos judeus que tinham envenenado o ar e a água , razão por que foram assassinados aos milhares.
Os médicos desenvolviam numerosas teorias sobre o contágio, como o andaluz Ibn-al-Jatib que intuiu que a peste se contagiava através de corpos minúsculos , tendo prescrito que os doentes deveriam ser isolados e as suas roupas destruídas . Já para o italiano Gentile de Foligno o ar doente penetrava no corpo através da respiração , ia para o coração onde estava o espírito vital e daí se estendia a todo o corpo.
A descoberta destas vias de contágio deu lugar a teorias preventivas, hoje absurdas , como plantar arbustos aromáticos em volta das cidades para o ar pestilento não entrar, ou as pessoas lavarem-se numa mistura de limão, lima e água de rosas . Preconizavam usar uma máscara que cobria a cabeça e tinha a forma de um bico de ave .
Nesta época de obscurantismo e fanatismo religioso, faziam-se enormes procissões penitenciais com as pessoas a flagelarem as costas pois o sangue do sacrifício aplacaria a suposta ira de Deus.
Façamos agora uma pausa nesta descrição do que se pensava na Idade Média sobre a peste e historiemos, em resumo, as grandes epidemias :
1315-1317---O tempo excepcionalmente frio e chuvoso provoca escassez das colheitas e dá lugar às fomes. Esta população já debilitada pela fome sofrerá o embate da peste negra ou bubónica.
1334.-1346---No primeiro ano a peste provoca 5.000.000 de mortos na China. Entre 1337 e 1338 estende-se pela meseta central asiática e em 1346 atinge a Crimeia.
1347- 1350--- A peste vinda do oriente estende-se por toda a Europa nas suas formas bubónica , pulmonar e septicémica.
Século XVII--- Novos surtos de peste . Só Londres perde 100.000 habitantes o que corresponde a um quinto do total.
1720…..Um barco vindo da Síria atraca em Marselha e com ele vêm a peste . Morre metade da população da cidade. É o último grande surto de peste na Europa.
Mas o que era ou o que provocava a “peste negra”?
Nos porões dos navios de comércio que vinham do Oriente, entre os anos de 1346 e 1352, chegavam centenas de ratos. Estes roedores encontraram nas cidades européias um ambiente favorável para se reproduzir, pois os esgotos corriam a céu aberto e o lixo acumulava-se nas ruas. Assim os ratos passavam a ser aos milhares não havendo gatos em número ou fome suficientes para lhe dar caça , além das ratazanas serem enormes e atacarem os felinos. Estes ratos, sabe-se hoje, estavam contaminados com a bactéria Pasteurella pestis e as pulgas destes roedores transmitiam a bactéria ás pessoas através da picada. Os ratos também morriam da doença mas quando isto acontecia, as pulgas passavam rapidamente para os humanos para neles obterem seu alimento, isto é, o sangue.Após adquirir a doença, a pessoa começava a apresentar vários sintomas: primeiro apareciam nas axilas, virilhas e pescoço vários bubos (bolhas) de puz e sangue, daí o nome de peste bubónica. Em seguida, vinham os vômitos e febre alta. Era questão de dias para os doentes morrerem, pois não havia cura para a doença. Vale lembrar que, para piorar a situação, a Igreja Católica ,na época, opunha-se ao desenvolvimento científico e farmacológico. Os poucos que tentavam desenvolver remédios eram perseguidos e condenados à morte, acusados de bruxaria.
( A doença foi identificada séculos depois ,em 1894, pelo microbiologista Alexandre Yersin, depois do grande surto epidémico de Hong-Kong.)Relatos da época da epidemia mostram que a doença foi tão grave e fez tantas vítimas que faltavam caixões e espaços nos cemitérios para enterrar os mortos. Os mais pobres eram enterrados em valas comuns, apenas enrolados em panos. A doença provocou descalabro social e revoltas.
A visita da peste a Portugal, em 1348, ficou registada por escrito:"morria-se quase em saúde e os que hoje estavam sãos, iam amanhã a caminho da sepultura”.
Em 1384, o rei de Castela cercou Lisboa mas o exército invasor foi atacado pela peste. Conta Fernão Lopes:" começaram de morrer de peste alguns do arraial da gente de pequena condição. E quando algum cavaleiro ou escudeiro acertava de se finar, levavam-nos os seus a Sintra ou Alenquer ou a algum dos outros lugares que por Castela tinham voz, e ali os abriam e salgavam e punham em ataúdes do ar, ou os coziam e guardavam os ossos para os depois levarem para donde eram”
Também em 1414, quando se preparava a armada que deveria conquistar Ceuta, foram contratados navios estrangeiros que trouxeram o mal com eles. Registaram-se, em Portugal, epidemias mortíferas em 1423, 1432, 1435 e 1437. Algumas delas encontraram os portugueses com as resistências diminuídas pela fome. O rei D. Duarte foi morto pela peste em 1438.

As epidemias voltaram a assolar diversas regiões de Portugal nos anos de 1448, 1458, 1464 e 1469. Em 1477, a peste devastou Coimbra e propagou-se a Lisboa. As cidades procuravam defender-se do mal isolando-se. Os vereadores do Porto, assustados, estabeleceram como plano de defesa a interdição de entrada na cidade a quem não jurasse sobre os santos Evangelhos não vir de Coimbra nem de qualquer outro lugar onde a peste grassasse. As providências falharam e a peste entrou mesmo no burgo nortenho.

As epidemias foram-se repetindo, um pouco por todo o País. A utilidade das medidas de saúde pública foi-se tornando evidente e daí que em 1484, o rei D. João II mandou que se limpassem as canalizações bem como os monturos e esterqueiras e proibiu que se vazassem as imundices fora dos locais determinados. Naquele tempo ainda não se conheciam bactérias nem vírus, mas as causas da doença eram já atribuídas ao desrespeito das normas de higiene.

Como ainda hoje pode haver um surto destes devido a viajantes infectados vindos de países onde a doença é endémica por falta de sanidade pública, e porque referimos no texto a vários tipos de peste, vamos socorrer-nos de um MANUAL DA FARMACEUTICA MERCK que transcreveremos parcialmente, para explicar outros pontos.
As bactérias que causam a peste infectam principalmente roedores selvagens, como as ratazanas, os ratos, os esquilos e as marmotas das pradarias. A peste costuma ser transmitida às pessoas por meio das pulgas destes animais. Um acesso de tosse ou então um espirro de uma pessoa infectada dispersa bactérias através de gotas minúsculas, assim transmitindo a doença de uma pessoa para a outra. Alguns animais domésticos, em especial os gatos, também podem fazê-lo por intermédio das picadas de pulga ou pela inalação de gotículas infectadas.
Os sintomas da peste bubónica costumam aparecer de 2 a 5 dias após a exposição à bactéria, mas podem fazê-lo em qualquer momento, desde as primeiras horas até 12 dias mais tarde. Os sintomas começam subitamente com arrepios e febre até 41ºC. O batimento cardíaco acelera-se e enfraquece, de tal modo que a tensão arterial pode baixar. Os gânglios linfáticos inflamam-se (recebendo o nome de bubões) quando a febre começa ou mesmo um pouco antes. Em geral, os gânglios são extremamente dolorosos ao tacto, são duros e encontram-se rodeados de tecido edemaciado. A pele que os cobre é lisa e avermelhada, mas não mostra temperatura aumentada. É provável que o doente esteja inquieto, delirante, confuso e descoordenado. O fígado e o baço podem aumentar consideravelmente de volume, pelo que o médico os pode sentir facilmente à palpação. É possível que os gânglios linfáticos se encham de pus e drenem durante a segunda semana. Mais de 60 % das pessoas não tratadas morrem. A maioria das mortes verifica-se entre o terceiro e o quinto dia.
A peste pneumónica é uma infecção dos pulmões pelas bactérias da peste. Os sintomas, que começam abruptamente de 2 a 3 dias após a exposição às bactérias, são febre elevada, arrepios, ritmo cardíaco acelerado e, com frequência, dores de cabeça intensas. Em 24 horas começa a tosse. De início a expectoração é clara, mas começa rapidamente a apresentar sinais de sangue, até se tornar uniformemente rosada ou de cor vermelha intensa (semelhante a xarope de framboesa) e espumosa. É frequente o doente respirar rapidamente e com dificuldade. As pessoas não tratadas morrem geralmente dentro das 48 horas seguintes ao início dos sintomas.
A peste septicémica, outra variedade de peste, é uma infecção na qual a forma de peste bubónica se propaga ao sangue. Pode causar a morte mesmo antes de aparecerem outros sintomas da peste bubónica ou pneumónica.
A peste menor é uma forma ligeira de peste que costuma aparecer apenas na área geográfica em que a doença é endémica. Os seus sintomas (gânglios linfáticos inchados, febre, dor de cabeça e esgotamento) persistem ao longo de uma semana. A prevenção baseia-se no controlo dos roedores e no uso de repelentes para evitar as picadas das pulgas. Existe uma vacina, mas ela não é necessária para a maioria das pessoas que viaja para zonas onde se tenham verificado casos de peste. Aqueles que viajam e correm grandes riscos de exposição à doença podem tomar doses preventivas de tetraciclinas.

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