30.9.08

HINDUÍSMO

Aquilo que os ocidentais consideram hinduísmo é ,para os hindus, a sanatano dharma, isto é, a verdade eterna, a lei universal que não conhece princípio nem fim, facto que leva a ser simbolizada por uma roda,o dharmachakra. (ver figura ao lado ). Esta doutrina é uma compilação mitológica e religiosa feita ao longo de cinco mil anos. Na fé dos hindus existem inúmeros cultos e tradições de adoração Deus . O hinduísmo é uma doutrina libertadora que ensina a possibilidade de se desligar deste mundo material e ilusório por meio do ascesticismo, dos livros sagrados, do ioga e da meditação. Para um hindu um verme,uma ave,um elefante, uma pedra, uma árvore ou o homem são coisas sagradas pois o absoluto está em todas elas, já que foram criação de Deus. O hinduísmo não pode ser definido como uma religião pois não tem fundador, hierarquia, liturgia ou dogmas e no entanto é praticada por 35% da população da Índia. Embora possua um vasto número de divindades tem uma trindade principal composta por Brahama (criação) Vishnu (preservação) e Shiva (destruição) (ver fotos a seguir) Apesar desta trindade ,o hinduísmo não é politeísta pois considera que tudo vem do Brahama. Os livros sagrados são os Vedas (conhecimento divino) que apresentam hinos, escritos em sânscrito arcaico que teriam sido revelados por Brahama . Os Vedas são comentados, explicados e complementados por outras obras tais como : Brâma , Upanixada, Mahabharata e Ramayana. Quanto ao culto , os actos da vida dos crentes revestem-se de um carácter sagrado. A oração deve fazer-se duas vezes ao dia,ao nascer e põr do sol. Recitam-se textos dos Vedas e oferecem-se flores e fogo á divindade a que se presta homenagem. Existem sacerdotes os brâmanes que consagram a vida aos deuses. Muitos ritos e festas acompanham a vida dos hindus, desde o nascimento até á morte, passando pelo dom do nome, iniciação religiosa, casamento, etc,daí a dificuldade em conseguir um alinhamento de ideias para explicar o hinduísmo neste curto espaço de que dispomos, pois o culto varia de lugar para lugar ,bem como o ritual usado .



20.9.08

A MEDICINA DO PASSADO (1º parte)

Em Espanha, na gruta de Gargas, em uma das suas paredes, há a impressão de uma mão com as cinco falangetas dos dedos amputadas. Acidente, acto ritual ou medida disciplinar, o que impressiona nesta pintura pré-histórica é a regularidade com que as extremidades dos dedos foram amputadas. A observação de remanescentes fósseis da Idade da Pedra (3000 AC ) evidencia já alguns conhecimentos empíricos das moléstias do aparelho esquelético do homem. A perfuração da caixa craniana (trepanação), observada em crânios, fósseis mostra que o cirurgião-curandeiro a praticava tanto em cadáveres como em pessoas vivas. Muitos dos "pacientes" devem ter morrido devido a infecções provenientes do acto, mas alguns sobreviveram. A razão da trepanação pode ter sido um acto médico para retirar um "demónio" da cabeça da pessoa . Essa pessoa ,pensa-se hoje, sofreria de histeria ou de epilepsia mas,tal como na Idade Média eram espancados á paulada, na piedosa intensão de escorraçar o demónio, naquele passado longínquo abria-se um buraco na cabeça para o tal demónio sair. Quanto á trepanação realizada nos mortos poderia tratar-se de uma tentativa de devolver a vida ao defunto . Qualquer que fosse a finalidade das trepanações pré-históricas, houve perícia na sua execução. Verificam-se trepanações em que a remoção do rectângulo ósseo foi feita após prévia perfuração de pequenos orifícios a que se seguiu o corte. Mais vulgar era o tratamento de membros fracturados em que os ossos eram recolocados na posição original, imobilizados com talas e enfaixamentos semelhantes aos de hoje.. Também as amputações de membros eram feitas como solução radical contra a mordedura de animais venenosos ou de gangrena de uma ferida.Feridas de flechas e de lanças eram tratadas com habilidade, pois se a flecha penetrasse em região delicada, o "cirurgião" limitava-se a retirar a haste, sem tocar na ponta de pedra,isto 10.000 anos antes de Cristo. Se dermos um grande salto no tempo, para 2500 A.C, vemos estelas funerárias egípcias contendo o relatório de como o médico teria diagnosticado a causa de morte do paciente como, por exemplo, um ataque cardíaco. Nesta época a classe médica já estava separada da dos sacerdotes e havia três especialidades : oculistas, dentistas e internistas. Os médicos do Egipto treinavam os seus conhecimentos na observação interna dos animais sacrificados como o fariam, mais tarde, os gregos e os romanos. O costume egípcio de embalsamar os mortos levava também ao conhecimento e estudo da anatomia interna humana o que já não aconteceu na Europa obscurantista do sec V, por culpa da Igreja Católica que condenava o estudo em cadáveres. Nas ruínas da cidade de Kahum, encontraram-se dois fragmentos de papiro em que estão escritas receitas para doenças femininas, 1900 anos antes de Cristo. O papiro de Ebers, documento com 110 colunas, apresenta receitas para numerosas moléstias, preceitos de higiene e um tratado de fisiologia. Já na Babilónia de 4000 anos atrás , ser médico era exercer uma profissão cheia de perigos e imprevistos. O código de Hamurabi, terrível estatuto penal, indicava o que o médico receberia por determinados tratamentos realizados com êxito, mas também as consequências de uma cirurgia falhada , em que a penalização ia desde a multa pecuneária até ao corte da mão . Na Europa do sec XVI dá-se o renascimento da anatomia. É a época em que os estudantes se esgueiram pela calada da noite para recuperar cadáveres de enforcados, ou desenterrarem corpos nos cemitérios para suprir, com esse material , a insuficiência do ensino médico teórico, imposto pelo catolicismo. Dissecam esses corpos em locais secretos ,sem se importar com a podridão e os miasmas. Leonardo da Vinci usou os mesmos estratagemas para estudar a anatomia muscular que depois aplicava nas pinturas e estatuária. Muito se andou desde os tempos primitivos até aos nossos dias em que se usa tecnologia avançada para o diagnóstico e tratamento de doenças e acidentes. Com o avanço da nanotecnologia e outras ciências, talvez um dia o médico seja apenas um robot.
(A figura mostra um vaso babilónico em que está representado o Deus da Cura e que terá servido para fabricar um medicamento ) (Este tema tem continuação em medicina do passado 2ª parte)

11.9.08

O ISLAMISMO

Quando publiquei A rota da seda (1-9-08) afirmei que fora por esta longa via que os mercadores espalharam o Islamismo, da Arábia até á China, influenciando de tal forma as civilizações que hoje é uma das grandes religiões do mundo. Dissertar sobre Islamismo é tarefa para teólogos especializados e no contexto deste blog caber-nos-ia apenas abordar o tema sintéticamente. O fundador desta religião foi o profeta Maomé (Muhammad), nascido em Meca no ano 570 da nossa era. Até aos cinco anos de idade ficou entregue a uma ama . Por morte de sua mãe herda uma escrava, alguns carneiros e cinco camelos ; é recolhido pelo avô e depois pelo tio materno Abû Tâlib . Protegido por Deus dos perigos da juventude, foi pastor de carneiros e depois, aos vinte anos, caravaneiro ao serviço de Khadidja, viúva rica, com quem acaba por casar. Deste casamento nasce Fátima, a sua muito amada filha.. Por esta altura, os povos da Arábia eram politeístas mas Maomé, agora um mercador bem sucedido, foi influenciado pela crença judaico-cristã da existência de um só Deus. No ano 610, tinha Maomé 40 anos, foi sujeito a várias visões do arcanjo Gabriel (Jibreel). Após uma acalmia visionária de dois anos, na noite de 26 para 27 do mês Ramadão, a aparição surge de novo , no monte Hira, e ordena : Prega em nome do teu Senhor . As revelações, repetem-se violentas e acabam por lhe ditar o que viria a ser o livro sagrado dos muçulmanos O Corão ( Al-Quran). Nessas visões recebeu instruções para pregar a oração , a purificação e a fé num Deus único , Alá (Allah). A pregação da nova religião não foi fácil, pois os governadores de Meca sentiam-se ameaçados pelas novas ideias. Esta oposição foi de tal forma violenta que Maomé e os seus seguidores tiveram que fugir para Medina, caminhada realizada no ano 622 e que é conhecida como a Hégira. Em Medina angaria facilmente mais adeptos pois as suas ideias tendiam a construir uma sociedade mais justa, já que a maioria da população era muito pobre. Com o rápido crescimento de apoiantes recaptura Meca, em 630, torna-se seu governador e cria um estado Islâmico, banindo os adoradores de ídolos. Faleceu no ano de 632, aos sessenta e dois anos de idade, mas a religião por ele fundada espalhou-se , em apenas dez anos, pela Palestina, Síria, Pérsia e Egipto em consequência de uma Jihad ,ou guerra santa, levada a cabo pelo califa Omar. No ano 656, iniciou-se uma disputa entre Muawiya e Ali (genro de Maomé) pela chefia da religião islâmica e que termina com o assassinato de Ali , em 661. Como resultado deste assassinato surgem duas correntes religiosas, os sunitas e os xiitas cuja rivalidade ainda hoje se mantém. Duzentos anos após Maomé, o Islão já se tinha difundido por todo o Médio Oriente, norte de África e Península Ibérica.. Deixando o capítulo histórico, vejamos um pouco da sua religião . O Islão é visto pelos seus seguidores como um modo de vida ( diin) pois inclui instruções que regulam toda a actividade do crente, não havendo uma distinção entre o temporal e o espiritual. A mensagem do Islão assenta em cinco pilares : Recitação do Credo (Shahada) ; cinco orações diárias( Salah ); Esmola obrigatória (zakah); Jejum durante o Ramadão ;fazer, pelos menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca ,se houver disponibilidade financeira. O Islão ensina seis crenças principais: - Crença em Alá , único Deus.- Crença nos Anjos, seres criados por Alá. - Crença nos Livros Sagrados ( A Tora entregue por Deus a Moisés,os Salmos a David, o Evangelho a Jesus Cristo e o Corão , o último e completo livro sagrado , a Maomé)- Crença nos profetas enviados por Deus, incluindo neles Jesus Cristo, sendo Maomé o sêlo dos profetas, por ser o último . -Crença no dia do Juizo Final, no qual as acções de cada um serão julgadas.- Crença na predestinação ou em que tudo o que acontece é por vontade de Alá. Todos os capítulos do livro corânico começam com a seguinte frase: Em nome de Deus (Alá) ,o beneficiente, o misericordioso ... Os três lugares mais sagrados para o Islão são : a Caaba (o cubo) um edifício situado dentro da mesquita principal de Meca e que contém num canto a pedra negra. (ver foto ao lado )O segundo lugar é Medina onde se encontra o túmulo de Maomé.O terceiro é Jerusalém por estar associado aos profetas anteriores a Maomé e também por crerem que foi nesta cidade que o Profeta ascendeu aos céus (Mi'raj) onde dialogou com Deus e com os outros Profetas . O Islamismo confere um estatuto de protecção aos judeus e cristãos já que estes acreditam num Deus único e possuem um livro sagrado. Não consideram Jesus Cristo como filho de Deus, apenas como penúltimo profeta e Maria, sua Mãe, como a mulher mais virtuosa só comparada a Fátima ,a filha de Maomé. Os templos são designados de mesquitas (masjid) e o oficiante das orações de imâ. Os crentes são chamados para as cinco orações diárias pelo muezim, cuja voz se faz ouvir do ponto mais alto da mesquita, normalmente dos miranetes, as altas e delgadas torres que, diga-se a verdade, nem sempre existem em todas as mesquitas.(ver fotografia) No salão de orações não há cadeiras nem bancos, apenas tapetes onde os crentes fazem as suas orações. Homens e mulheres ocupam lugares distintos no salão, com estas a orar em lugares protegidos por cortinas para não serem vistas pelos crentes. Dentro do salão de orações existe um nicho orientado para Meca designado de mirhab que simboliza a caaba e para onde os crentes se viram ao orar. (ver figura seguinte )Perto do mirhab está um púlpito a partir do qual se faz o sermão. As mesquitas têm também uma funçao de escola religiosa e de ensino geral. Como a limpeza é sinal de pureza, não se pode orar sem lavar as partes do corpo geralmente expostas á sujidade, poeiras, etc, havendo no pátio das mesquitas locais próprios para tal. Este ritual consiste em lavar três vezes as mãos, a boca, o nariz, a cara e os braços e uma vez com a mão molhada , a cabeça , as orelhas e o pescoço, para finalmente lavar os pés três vezes. Após este ritual de pureza o crente entra descalço no salão de orações e faz a oração sozinho ou em conjunto. (este ritual está muito bem documentado fotográficamente em várias imagens no site http://www.comunidadeislamica.pt/ ) No deserto ou onde não haja água, este ritual pode ser alterado segundo normas bem definidas. As duas correntes islâmicas, sunitas e xiitas,diferem essencialmente no seguinte: Os sunitas consideram como chefes os sucessores directos de Maomé, defendem a sunna ou práticas do Profeta tal como foram relatadas oralmente pelos seus companheiros e foram postas em livros de hadith. Os xiitas consideram chefes os sucessores de Ali, genro de Maomé. Nas mesquitas não há imagens nem qualquer desenho figurativo e as representações,a existirem, são estilizadas.Chegámos assim ao fim desta resenha ,esperando ter mostrado, ainda que muito rápidamente, o que é o Islamismo. O futuro desta religião dependerá das respostas que os países que a praticam derem a duas questões fundamentais: uma, a definição do Islão como força de unidade e a outra a sua adaptação ao mundo novo global em que são lançados os seus filhos.


(As figuras com que terminamos mostram a escada de um púlpito e o tecto da mesquita azul em Marrocos)

6.9.08

C I B E R G U E R R A


Numa época em que um computador é coisa banal, mesmo os que os não possuem estão deles dependentes ; receber o vencimento, a pensão, ir ao médico, fazer análises clínicas, um movimento bancário, pagar a luz ou o telefone, etc,etc e lá estão computadores e bases de dados a funcionar. Tudo muito bonito, rápido e fácil neste nosso mundo tecnológico, mas uma espada de Democles sobre a nossa cabeça. Um ataque puramente informático ,de origem criminosa ou militar, aos servidores computacionais de um país e temos o caos nesse país. É a ciberguerra e ela não é ficção, pois já foi praticada. Em Abril de 2007, a Estónia foi vitima de um agressão ciberterrorista, ao que parece ,em retaliação ao derrube de uma estátua em homenagem aos soldados soviéticos que combateram os exércitos alemães de Hitler. Ficheiros do governo, dos grandes bancos e até as caixas multi-banco sofreram um ataque de pedidos de informação que deixaram a Estónia isolada do resto do mundo. Perante este facto concreto ,os Governos de todo o mundo decidiram criar equipas especializadas em segurança digital. Em Portugal o CERT é a única equipa preparada para combater uma ameaça digital e resulta de um protocolo assinado entre um departamento governamental (UMIC) e a Microsoft. A técnica mais perigosa dos atacantes consiste em provocar o colapso dos servidores, os gigantescos computadores onde estão alojadas as Webs que podemos ver nos nossos monitores. O colapso obtem-se através de uma avalanche de pedidos simultaneos para uma mesma página, vindos de vários pontos do mundo e a que o servidor não dá resposta,bloqueando. Chama-se a isto denegação de serviço (denial of service) . Para dominar os milhares de computadores de cada país , de onde partirão os pedidos simultâneos para a mesma web, será necessário "escravizá-los" ou, como outros dizem, transformá-los em zombies. Um zombie é um computador no qual foi introduzido, sem o utilizador saber, um programa que o permite operar á distância. Calcula-se que haverá 6 milhões de zombies controlados para fins criminosos e cuja actividade é paga a 25dolars (USA) por hora de ataque. Se quizermos evitar que o nosso computador se torne em zombie devemos ter os seguintes cuidados:
1- Evitar navegar em páginas de empresas desconhecidas.
2- A conta de utilizador não deve ter previlégios de administrador.
3-Devemos utilizar antivirus, antispams, firewalls,etc e actualizá-los regularmente.
O perigo circula na Internet e é real, senão vejamos : Em Maio ,deste ano de 2008, lia-se no jornal India Times : ...os chineses estão constantemente a esquadrinhar e mapear as nossas redes oficiais ..... Diz-se também que um bombardeamento feito pela aviação Israelita a um edifício militar Sírio, fora apoiado por um ataque informático contra as defesas de radar daquele país que ,bloqueadas ,não detectaram os aviões. Dois meses depois, no dia em que começou o conflito entre a Rússia e a Geórgia, houve um ataque aos sites governamentais da Geórgia, ao que parece provocado pela rede criminal de hackers " Russian Business Network " com ligações ao mais alto nível. Se uma denegação distribuída de serviço atingisse o nosso país, como iríamos fazer a entrega electrónica do IRS,o levantamento ou pagamento em postos multibancos, transferências etc ? Uma corrida aos bancos a levantar dinheiro vivo para fazer pagamentos ,levaria ao encerramento dos mesmos por falta de liquidez. O maior receio de todas as autoridades internacionais é que os ataques da ciberguerra não se limitem ás grandes empresas ou a determinado país mas ao funcionamento global da Internet, num apagão geral que provocaria o fim da rêde. Isto já foi tentado em 2002 e 2007 tendo como alvo o DNS (sistema de nomes de domínios) ,isto é, o local onde estão os complexos códigos numéricos de cada site. A listagem oficial de todos os domínios activos encontra-se apenas em treze servidores,sendo eles a verdadeira chave da INTERNET. Se fossem atingidos a internet deixaria de existir. O ataque de 2007 foi feito por zombies sobre seis dos treze servidores mundiais de DNS, sendo dois deles afetados grandemente. Foi este ataque que levou a uma aliança de defesa internacional.,como já referimos. A mais recente defesa é a criptografia quântica do DNS. Como se processa o ataque pode ser assim sintetizado: O país A quer atacar o país B. A contracta cibercriminosos (botmasters)para atacar B . Os botmasters dominam os botnets que são redes de milhares de zombies. Quando o botmaster dá a ordem os milhares de zombies lançam pedidos ao site que deve se atacado (governo , empresa, banco,laboratório,etc ) que acaba por colapsar deixando de funcionar. A III guerra mundial vai ser a guerra electrónica de computadores e poucos soldados no campo de batalha, mas com consequências devastadoras.

1.9.08

A ROTA DA SEDA

Quem diria que a larva de um simples insecto, cuja espécie é classificada cientificamente de Bombyx mon, fosse originar uma tão grande revolução comercial entre o oriente e o ocidente, isto há 4.000 anos. As larvas ,oriundas das centenas de ovos postos pelo insecto, alimentando-se constantemente de folhas de amoreira , têm um período de vida de 40 dias findo os quais constroem casulos onde se encerram para se transformarem em novos insectos. É destes casulos, construídos durante três dias e três noites que se retira a seda. Cada casulo é formado por um único fio de material proteico fabricado pelas glândulas salivares da larva (bicho da seda). Este fio de baba , com cerca de 1200 metros, solidifica instantaneamente em contacto com o ar, podendo ser retirado se colocarmos o casulo intacto em água a ferver. Hoje, como no passado, um tecido de seda natural é um luxo pese embora o produto já não ser exclusivo da longínqua e interdita China, como acontecia na dinastia HAN. Segundo registos da época ,a seda além de macia e bonita tinha poderes mágicos contra a chuva e trovoadas. Para chegar á Europa, fazia um longo percurso terrestre, de cerca de 6.000 kms, entre Chang' an (capital do país na dinastia Tang) e Constantinopla no Maditerrânio. Este trajecto, longo e difícil, atravessava montanhas, desertos, oásis, ás vezes a altitudes superiores aos 2.500 metros, era feito em caravanas de camelos e foi designado de Rota da Seda, embora outros produtos como pérolas e pedras preciosas fossem também comercializadas. A viagem durava cerca de um ano e estava sujeita aos ataques de salteadores. Havia a possibilidade de transporte marítimo desde Cantão até ao mar Mediterrânio, passando pelo sul da Índia e da Península Arábica, mas embora mais rápida e com maior volume de carga, estava contudo sujeita a tempestades, naufrágios e pirataria. O caminho terrestre não era um único havendo, em algumas zonas, alternativas para evitar assaltos ou situações climáticas adversas. A seda que já conhecida na China 2000 anos antes de Cristo, começou a ser usada na Europa só nos últimos dois séculos ,antes da nossa era. O segrêdo do seu fabrico manteve-se muito bem guardado até ao século VI; parece que, por esta altura, alguém terá trazido, ás escondidas ,alguns bichos da seda para a Europa e aqui reproduziram-se tanto que acabaram com o monopólio da China. A rota da seda, importante sobre o ponto de vista comercial, influenciou também a maneira de pensar e a cultura dos povos por onde passou, muito especialmente no aspecto religioso, pois com os comerciantes viajavam monges ,soldados e aventureiros. Desta forma expandiu-se o Budismo e o Islãmismo até terras orientais da China. Quando os países da Europa já tinham a sua própria produção de seda, o comércio com a Ásia virou-se para as especiarias e daí uma luta pelo controlo das rotas marítimas, terminando o interesse pela rota terrestre. Importante para o crescimento da rota marítima foi o feito dos portugueses ao descobrir o caminho marítimo para a Índia através do cabo da Boa Esperança , o que evitava os ataques de piratas . A paixão pela legendária Rota da Seda mantem-se ainda hoje com exploradores, geógrafos e aventureiros a percorre-la , agora em caravanas de camiões com telefone de satélite, GPS, e outras comodidades modernas. Existem muitas lendas em torno do fabrico da seda: uma delas diz-nos que foi descoberta ,por acaso, por uma raínha chinesa que, quando tomava chá sob uma amoreira, um casulo de bicho da seda terá caído na sua chávena de chá a ferver e , desta forma, soltou o fio de seda. O processo para desmanchar o casulo ainda continua hoje a ser o mesmo,isto é, mergulhá-los em água a ferver. Na China a deusa da seda é a imperatriz Hsi Ling Shi que teria inventado o tear. A figura ao lado é uma antiga pintura chinesa em um biombo, onde se observa um recipiente cheio de casulos em água a ferver e um tambor para enrolar o fio de seda que se vai soltando dos casulos.

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