7.6.08

BELEZA e JUVENTUDE

Nos nossos dias proliferam, por tudo quanto é canto, cabeleireiros, ginásios, spas, salões de beleza, perfumarias, cirurgiões plásticos etc, no desejo de retardar os efeitos do inevitavel envelhecimento. Para quem pensar que o fenómeno é recente, diremos que ele já existia no tempo do antigo Egípto,catorze séculos antes de Cristo. Este povo investia muito tempo cuidando do corpo, num desejo de parecer sempre jovem, preocupação que é demonstrada por um papiro médico onde se lê : "Início do livro para transformar um velho em jovem ".Salientamos que o clima, quente e seco, obrigava a actos de higiene desligados do conceito de beleza; como o odor a suor desacreditava socialmente, era rotineiro o uso de essências desodorisantes. É vulgar encontrar pinturas murais em que servas untam o corpo das suas amas com substâncias aromáticas. O corpo de homens e mulheres devia estar depilado, para o que usavam navalhas e pinças de bronze e ainda cremes depilatórios. A barba era um símbolo de decadência e só aparecia como sinal de luto. ( este facto também ocorre em Portugal em algumas zonas rurais ) Para os egípcios , um bom aspecto passava por ter dentes brancos e alinhados e, para isso, usavam uma solução aquosa de bicarbonato e carbonato de sódio, os mesmos produtos que hoje se usam nas pastas dentíficas. Um dos principais atributos da beleza feminina era o cabelo, daí o cuidado com que o tratavam, usando pentes com uma ou duas fiadas de dentes.



A fotografia mostra um pente e uma peruca usados no antigo Egipto. O cabelo era lavado frequentemente ,usando um pó à base de cinza de vegetais e carbonato de sódio mas, as pragas de piolhos e lêndeas favoreceram o uso de perucas, discutindo-se hoje se , por baixo delas, havia cabelos curtos ou cabeças rapadas.No aspecto meramente estético, abusaram da maquilhagem que teve a sua origem em cerimónias de guerra e caça passando, posteriormente, a conceito de beleza. Para os olhos, criaram uma estética particular, ornamentando-os com traços grossos e largos. Ao princípio, delineavam os contornos com um composto à base de galena(sulfureto de chumbo) que lhes conferia a cor negra ; mais tarde usaram um sombreado verde,extraído da malaquite, para voltar definitivamente à cor negra. O curioso é que esta cor negra das pálpebras e canto dos olhos, acabava por ser uma protecção ao reflexo dos raios solares na areia. A composição da tinta usada era ainda um poderoso antiséptico, evitando as conjuntivites. A indústria de perfumaria foi uma das mais prósperas do Egipto, em parte porque os maiores consumidores eram os sacerdotes que usavam esses produtos nas cerimónias religiosas. Para lá do uso litúrgco e funerário, eram disfrutados pela população para desinfectar as habitações tal, como hoje, usamos as velas aromáticas, os sprays e produtos afins. Se pensarmos um pouco, teremos a explicação para a queima de incenso nas igrejas, de açúcar em quartos de doentes, ou de alecrim quando troveja. Como os romanos copiaram os egípcios, não nos devemos admirar da nossa " idade da borbulha" em que eles e elas passam tempos infindos diante do espelho pois, no fundo, deve ser uma reminiscência de hábitos milenares. Ocorre dizer que o conceito de beleza está hoje a ser mais discutido do que nunca ; as revistas juvenis continuam a passar a imagem habitual de beleza, sendo as raparigas as que mais sofrem com as pressões criadas por esse conceito artificial.




Se elas soubessem o trabalho de maquilhagem a que as modelos estão sujeitas e os retoques posteriores das fotografias, não se preocupariam tanto com o espelho e seriam mais felizes pois, como diz Cláudia Pinange, a beleza de uma mulher não está nas roupas que usa ou na maneira como penteia o cabelo; a verdadeira beleza está refletida na sua alma, no amor pelos outros, na paixão que demonstra. Esta beleza não envelhece, cresce com os anos .A terminar e confirmando que existe a idade da borbulha apresento-vos um quadro de Velazquez intitulado a Venus do espelho.

1 comentário:

ઇઉ disse...

Fiquei feliz por usar meu nome amigo.... Fica com Deus

Um abraço verde amarelo

Da Claudia Pinange e do Ronei Lourenzoni

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