10.3.08

PONTE AÉREA PARA BERLIM (1948-1949)

Por ser um dos acontecimentos mais dramáticos ocorrido na Europa depois do final da 2ª Guerra Mundial, merece ser recordado.
A concordância de acções que existira entre os Estados Unidos e a URSS,durante a guerra contra os Alemães, começou a desaparecer logo que o III Reich deu sinais de cair. Com a derrota da Alemanha e o final da guerra na Europa, logo na Conferência de Potsdam se verificou que ia haver problemas com a partilha do território alemão . O território fora dividido em quatro zonas (britânica, francesa, americana e russa ) e a capital (Berlim) que se encontrava na zona russa, dividida em quatro sectores.
Stalin (URSS) afirmava que devia dominar inteiramente a cidade de Berlim pois tinha sido o "exército vermelho" o primeiro a entrar na cidade e ainda por esta estar bem no meio da zona Russa. Os americanos e ingleses consideravam que tinham o mesmo direito, pois as suas tropas também tinham combatido na cidade. Afirmavam ainda que a zona oriental da Alemanha estava a ser comunisada e esta doutrina a expandir-se pelas regiões de leste.Para combater esta expansão , os Estados Unidos da América oferecem planos de ajuda militar e monetária a todos os governos que resistissem ao avanço do comunismo. Um destes planos ficou conhecido por Plano Marshall e tinha por finalidade ajudar a reconstrução da economia,das vias de comunicação, das habitações e das fábricas, que a guerra havia destruído. A URSS e os paises da " cortina de ferro" (países da sua órbita) ,consideravam que os Americanos não estavam a ajudar convenientemente os países do leste europeu, os mais sacrificados pela guerra. O desacordo cresceu ainda mais quando os Estados Unidos, o Reino Unido(Inglaterra )e a França lançam uma nova moeda, comum nas suas zonas , criando assim na Alemanha duas economias paralelas, com prejuizo para o bloco comunista. Em retaliação a URSS decide bloquear todos os acessos terrestres aos sectores da América,Reino Unido e França ,na cidade de Berlim.
Perante esta grave situação, os Americanos ameaçam abrir á força uma passagem e caso o exército russo reagisse, bombardeariam com os B-29 todos os aeródromos da Alemanha oriental. Como os B-29 estavam conotados como lançadores de bombas atómicas, temeu-se o pior . Os bombardeamentos não se chegaram a efectuar porque surgiu um outro problema mais grave : havia necessidade urgente de carvão para abastecer as tropas e civis cercados em Berlim.É então posta em marcha uma enorme operação aérea com todos os aviões de carga disponíveis e outros trazidos dos Estados Unidos. Durante onze meses, pelos três estreitos corredores aéreos, fizeram-se 300.000 voos que aterravam ,dia e noite, nos três aeroportos de Berlim levando carvão,gasolina,comida , medicamentos e tudo o mais que era solicitado. A média foi de um avião a cada três minutos, embora os Russos os tentassem impedir com voos de caças , balões de barragem e holofotes para cegar os pilotos durante as aterragens nocturnas. Eram transportadas cerca de 15.000 toneladas de produtos , por dia . Na figura, vemos crianças alemãs assistindo aos voos e aguardando goluseimas que lhe eram atiradas em pequenos paraquedas, alguns feitos com lenços de assoar . O cerco a Berlim durou de 24 de Junho de 1948 a 12 de Maio de 1949, data em que Stalin se convenceu da inutilidade da sua atitude de bloqueio. Nesta operação morreram 39 aviadores Americanos,31 Britânicos e 5 Alemães . O fim do bloqueio não trouxe paz ás pessoas de Berlim, pois a URSS isolou o seu sector dos restantes , através de um muro fortemente armado, para evitar a fuga dos cidadãos para os outros sectores. É deste muro, denominado "muro da vergonha" que mostramos uma foto. Este muro foi derrubado a 9 de Novembro de 1989 e tendo acabado a guerra fria,deu-se a reunificação alemã.

1 comentário:

César Westin disse...

Por um Tratado, a Inglaterra declarou guerra à Alemanha nazista em 1939.
Após a morte de diversos pilotos britânicos (e americanos) no Bloqueio de Berlim "afinaram" para as bravatas dos soviéticos?
César Westin
cesarwestin@gmail.com

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