25.2.11

BEBIDA DA LIBERDADE




Quando se sentar num café ou numa esplanada, num restaurante barato ou de luxo e pedir uma bica, um cimbalino , um café cheio, curto ou comprido, pingado ou não, lembre-se que está a pedir uma bebida com mais de 500 anos e que é considerada uma bebida da liberdade.
Proveniente do Yéman, e tendo como porto exportador a cidade de Moka, o café foi , desde há séculos, adoptado pelos muçulmanos como bebida ideal, dado não ser alcoólica e portanto não ir contra a lei corânica e ainda por ter qualidades estimulantes. Por tal motivo, foi no Oriente que surgiram os primeiros estabelecimentos, exclusivamente para consumir esta bebida.
Já no século XVI, Constantinopla ,Medina, Meca, Cairo ,Damasco ou Bagdad possuíam salões aos quais afluíam só os homens para saborearem a bebida de café e tratar longamente dos negócios. O costume dos homens se reunirem nestes estabelecimentos foi trazido para a Europa, no século XVII, pelos viajantes diplomáticos ou pelos comerciantes que negociavam pelo Império Otomano .
Através de documentos existentes na alfândega de Londres, sabe-se que foi por volta de 1640 que os primeiros sacos de café chegaram aos portos europeus e que , em 1652, se abriu em Londres o primeiro estabelecimento denominado Café. Um ano depois já existiam vários cafés que , como seria de esperar, se convertiam em clubes políticos onde, por vezes, se discutiam os ideais republicanos, num país monárquico.
Curiosamente e contrariando o snobismo inglês, para entrar nesses cafés não era necessário ser rico ou nobre, apenas pagar um “ peni” e ir decentemente vestido. Os clientes, todos homens, dedicavam-se a fumar, degustar café, conversar, ou ler os diferentes panfletos e gazetas. Dadas as diferentes correntes ideológicas que neles se discutiam por vezes havia pancadaria ou duelos , o que foi aproveitado pelos fabricantes de cerveja para solicitarem ao Rei que os cafés fossem fechados.
Deixemos Londres e vejamos o que se passava no resto da Europa : em Paris , na década de 1670, surgiram vendedores ambulantes que ofereciam ,em plena rua, café aquecido num pequeno braseiro. Primeiro era bebido amargo, depois passou a ser adoçado com açúcar e mais tarde misturado com leite. Nos cafés franceses de luxo, como o célebre Procópio, a bebida era servida em taças de prata . Neste café as mesas eram de mármore e havia candelabros e espelhos, sendo proibido fumar ou beber cerveja. As senhoras, acompanhadas por cavalheiros, já frequentavam estes cafés que possuíam esplanadas onde também se serviam gelados e xaropes , podendo-se jogar xadrez ou ler os diversos jornais , tudo em sentido oposto aos cabarés e tabernas , antros escuros e cheios de fumo, frequentados por bêbados e prostitutas.
Foi nestes cafés, espalhados pela Europa , que se discutiu política, filosofia, se conspirou e se mudou muitas vezes o rumo dos países, daí o título deste pequeno apontamento: CAFÉ BEBIDA DA LIBERDADE

12.2.11

CASTELO DE VISEU



Ultimamente, na etiqueta Castelos de Portugal, tenho procurado chamar a atenção para cidades onde os castelos desapareceram, restando uns curtos metros de muralha, como também é o caso da cidade de Viseu .
Segundo os vestígios descobertos, a povoação da época neolítica que deu origem a Viseu, nasceu no alto do monte onde se situa hoje a Sé. A localização do burgo fez dele um ponto de passagem do norte para o sul, tal como entre o litoral e o interior , daí que, durante a dominação romana, Viseu fosse um centro de grande importância. São prova disso os inúmeros vestígios arqueológicos encontrados na região, de que se destacam moedas, sepulturas, marcos miliários, pontes e principalmente as estradas que para a povoação convergiam em grande número.
São no entanto uns curtos trechos de muralha que permitem hoje recordar a sua anterior grandeza. A explicação do desaparecimento do castelo talvez esteja no facto da cidade não ter sido muito decisiva na luta pela reconquista cristã e, a pouco e pouco, essa acalmia acabar por absorver o castelo e a cerca medievais, aproveitando-se a sua pedra para edificar outras construções, o que foi um erro fatal nas situações de guerra que se seguiram. Com efeito, ao longo do reinado de D. Fernando , Portugal e Castela entraram em conflito por três vezes e Viseu foi atacada algumas vezes, sem grande defesa, até que a paz foi estabelecida, definitivamente, em 1411. Durante o reinado do mestre de Avis, uma nova muralha com sete portas começa a ser erguida , mas só ficou concluída no período de D. Afonso V. É dessa muralha “afonsina” que mostramos um esquema onde estão representadas as portas de soar (1),de S.José (2) , de Stª Cristina (3), de S. Miguel(4) de S, Sebastião (5), dos Cavaleiros (6) e a do postigo (7).



Como a sua importância de reduto militar vai decrescendo, a cidade começa a alargar para fora das muralhas e a fazer-se o desmantelamento das mesmas, para aproveitar a pedra já aparelhada, de tal forma que hoje é difícil reconhecer onde estavam situadas.
Como escreve João Luís Inês Vaz a muralha romana de Viseu é uma estrutura de defesa que datará do século III embora eles tenham fundado a cidade no século I e "traçaram-lhe um perímetro que tinha como limite o seguinte percurso actual: Rua da Regueira (lado norte), hoje Rua de João Mendes, Largo Mouzinho de Albuquerque, Rua do Carvalho, por uma linha direita ao Largo da Misericórdia, Rua do Chão do Mestre, Rua de D. Duarte, Largo de Santa Cristina até à Rua da Regueira (lado sul)".
É talvez do século III um troço dessa muralha e um torreão semi-circular que foi descoberto em Março de 2004 na Rua Formosa, quando decorriam as obras de requalificação daquela via pedonal. Estes vestígios estão agora visíveis através de uma placa de vidro assente ao nível do solo. Como no tempo de D. João I há referências a um castelo em ruínas, pode-se concluir que Viseu não tinha só muralhas , houve na realidade um castelo cuja data de construção é talvez do período da reconquista cristã.

7.2.11

Avião JUNKER



Quando falei (na etiqueta transportes) da história do DC3 Dakota como um excelente avião comercial e de guerra , todo ele fabricado em metal por imposição da aeronáutica civil americana que proibira aviões de passageiros com estrutura em madeira, omiti uma outra lenda voadora , neste caso de origem alemã, o Junker 52 também ele fabricado em metal e muito usado na aviação comercial de todo o mundo.
O Junkers Ju 52 era um avião com motor a pistão, fabricado desde 1932 pela empresa Junkers, com capacidade de uma dezena de passageiros. A sua construção parou em 1945, mas continuou a voar por largos anos ao serviço comercial e da força aérea de vários países europeus. Foram produzidas mais de 4.000 unidades, só na Alemanha. O Ju 52/1m tinha um resistente esqueleto metálico e sua fuselagem era revestida de chapas de duralumínio ondulado, permitindo um menor arrastamento em voo ,isto é, menor atrito com o ar.
Essa aeronave fez o seu voo inaugural em 03 de Setembro de 1930. Apesar de equipada com motores dos mais simples da época, era capaz de acomodar facilmente 17 passageiros.
Os seus pilotos apelidaram-no carinhosamente de "Tante Ju"-'Tia Ju', pela facilidade de pilotar e poder operar em qualquer pista por mais rústica que fosse.
Projectado por Ernst Zindel ,na fábrica da cidade de Dessau, o modelo inicial tinha apenas um motor e o protótipo começou a ser produzido em 1931, mas devido a falta de interesse da Deutsche Lufthansa, foram adicionados ao avião mais dois motores para aumentar o seu desempenho. Fabricado com motores BMW, alguns modelos para exportação também utilizavam motores Pratt & Whitney Wasp ou Bristol Pegasus, tendo-se transformado na aeronave “ coqueluche” da Lufthansa, em 1944. Dado não ter cabina pressurizada eram usadas máscaras de oxigénio nas grandes altitudes como quando sobrevoava os Alpes. Começou a perder espaço no mercado com o aparecimento dos aviões Douglas DC-2 e DC-3, que eram mais económicos e transportavam um número maior de passageiros.
Com o final da guerra o Junker foi utilizado em muitos países como avião comercial ou de transporte militar, como aconteceu entre nós.
Antes de se ter iniciado a segunda guerra mundial (1939) já este avião tinha sido testado na guerra civil espanhola, como transporte de tropas, principalmente de soldados vindos do Marrocos para a Espanha, além de servir de bombardeiro e transporte para missões de pára-quedistas pela Legião Condor. A FAP (Força aérea portuguesa) importou, em 1937, 10 unidades da versão g3e; em 1951 importou 2 unidades da versão g7e, e em 1962 mais 14 unidades designados Amiot AAC-1 Toucan, fabricadas em França. Antes da Guerra Colonial foram utilizados como aviões civis de transporte de pessoas e bens e, durante a guerra, como aviões de transporte e lançamento de pára-quedistas.

A fotografia acima é de um avião Junker atribuido à Força Aérea Portuguesa



2.2.11

ESTRADAS MODERNAS



Embora pareça que as campanhas ecológicas falharam nos seus objectivos e que os crimes ambientais são cada vez em maior número, ou que a “Green Peace “ realiza apenas acções mediáticas para “inglês ver”, a verdade é que ,a pouco e pouco ,a consciência ecológica se vai instalando e vão sendo testadas ideias para diminuir a dependência energética do petróleo e do combustível atómico. São as centrais eólicas e solares, os automóveis híbridos ou a electricidade com acumuladores , centrais hídricas, biocombustível etc, tudo numa perspectiva de diminuir o CO2 e o efeito de estufa.
Recentemente o Governo dos USA contratou a empresa Solar Roadways para desenhar e construir painéis solares super resistentes que venham a ser o futuro pavimento das auto estradas, substituindo assim o asfalto betuminoso e ,ao mesmo tempo, produzir energia.
Teoricamente, um quilómetro de uma estrada solar de pista dupla poderá produzir energia suficiente para abastecer uma cidade de cinco mil habitantes e não seriam necessárias mais de 4 horas de sol.
O novo piso terá de ser inquebrável e seguro. O nível superior será feito a partir de material translúcido e de alta resistência, estando ainda em fase de estudo para se encontrar a melhor aderência. Terá também luzes LED embutidas numa segunda camada , funcionando como um sistema para indicar as faixas de rodagem da estrada, limites de velocidade e outras informações. A terceira camada é composta por circuitos electrónicos onde estão colocados os circuitos integrados de controlo das células dos LED e ainda a armazenagem de energia . A quarta camada distribui a energia e sinais de dados (telefone, TV ou internet, por exemplo). Haverá ainda a possibilidade de, nos locais onde é normal nevar, este pavimento aquecer e derreter o gelo. Além, viabilizando o início da produção dos pneus verdes
Mas não é só a nível do pavimento que se trabalha . Os próprios pneus estão a mudar pois os chamados pneus verdes, são ecologicamente menos danosos dos que os pneus actuais. Isto porque um dos principais ingredientes dos pneus tradicionais, derivado do petróleo, é substituído por um composto derivado de plantas. Como no caso do etanol brasileiro, a solução para a fabricação dos pneus verdes, a partir de matérias-primas renováveis, pode vir da cana-de-açúcar, mas também do milho e até de uma gramínea, a switchgrass, muito pesquisada nos Estados Unidos. O novo processo usa os açúcares derivados da biomassa para produzir o composto químico chamado isopreno, hoje um derivado do petróleo, um dos principais componentes do pneu. Um dos desafios técnicos em curso tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Tem sido utilizado um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os hidratos de carbono da biomassa em bio isopreno. O isopreno tem várias utilizações além da fabricação de pneus, de luvas cirúrgicas e produtos de higiene feminina a adesivos de alta fusão e copolímeros de bloco
Outra pesquisa: partindo de um material desenvolvido por japoneses, engenheiros holandeses estão a criar a primeira “estrada verde”, capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que circulam por ela. O pavimento é um cimento especial que contém um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de azoto emitidos pelos escapes dos carros, principais responsáveis pela chuva ácida.
O cimento purificador de ar recebe no seu fabrico um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do sol, o material reage com os óxidos de azoto transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.
Em Portugal a pavimentação de estradas também tomou um novo rumo. O processo envolve a incorporação da borracha ,em pedaços ou em pó, resultante de pneus velhos triturados. Apesar do maior custo, a adição de restos de pneus no pavimento pode até dobrar a vida útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de elasticidade ante mudanças de temperatura. O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contacto dos veículos com a estrada. E, além de todos esses benefícios, ainda é uma solução ambientalmente correcta para dar destino aos milhões de pneus jogados no lixo diariamente.

1.2.11

QUE É PENSAR ?




Uma vez mais, sentado diante do teclado do meu computador, pensava eu num novo tema para este meu blogue NOVAS quando me ocorreu dissertar um pouco sobre o que era pensar…. mas como alguém já escreveu, haverá alguma diferença entre pensar e desfiar pensamentos ?
Julgo que me estou a meter em sarilhos, já que não sou filósofo nem cursei numa faculdade de filosofia , mas que diria o espírito do meu antigo professor liceal , Dr. Alberto Martins de Carvalho, se soubesse que eu agora parara de pensar?
Pensar, no sentido etimológico do termo, quer dizer sopesar, pôr na balança para avaliar o peso de alguma coisa, ponderar. Mas as pedras e as árvores existem, têm peso, mas não pensam que eu saiba ; quanto aos animais, alguns terão lampejos de pensamento e somente o homem tem a capacidade de construir pensamentos através da palavra escrita e falada e, com essa capacidade, transmitir conhecimentos.
Parece que encontrei um fio condutor que me leva a algum lado, por isso continuemos . Sabemos que ainda estamos longe de utilizar ao máximo o nosso cérebro, no sentido de pensar, pois os cientistas afirmam que só usamos uma parcela muito diminuta dele. Será por essa razão que não conseguimos pensar com profundidade naquilo que estamos pensando? Pode ser, mas não podemos esquecer que estamos obrigados a pensar melhor porque a vida, com as suas dificuldades, nos coloca num beco sem saída,…. tal como eu estou agora!
Claude Bernard dizia: "Assim como o homem não pode avançar a não ser colocando um pé depois do outro, o espírito ,naturalmente, deve colocar um pé depois do outro.”
É isso que vou fazer : parar um pouco para pensar e avançar, pé ante pé , nesta caminhada de pensar.
Aristóteles dizia: "A marcha natural do intelecto é partir das coisas mais conhecíveis e mais claras para nós….. “ Como consequência do pensamento aristotélico, recordo que as ideias são apreendidas, primeiramente, na sua generalidade, até de forma nebulosa e somente depois é que elas se vão sedimentando no nosso cérebro. É melhor exemplificar: pensei na serra da Estrêla. A imagem de ser muito alta preenche todo o meu pensamento, contudo, para a conhecer melhor terei de a galgar e analisar de cima a baixo nos seus aspectos climáticos, orográficos, geológicos e biológicos, pois quanto mais particular for o dado analisado, maior conhecimento se tem a seu respeito. É por isso que existem as especializações na ciência, que cada vez mais vão se distanciando do todo para tratar de algum facto em particular
Também o meu falecido mestre me ensinou que a primeira das preocupações que se deve ter para um bom pensar é saber perguntar, o que é uma arte, como ele afirmava. Ele dizia que um aluno devia ser avaliado não pelas respostas que dá, mas pelas perguntas que faz, e é por isso que a filosofia se baseia muito mais na pergunta do que na resposta pois .na vida, estamos sempre em busca de respostas.
Nesta linha de raciocínio eu pergunto a mim mesmo O QUE É PENSAR , só que não obtenho a desejada resposta.
Alto, tal como dizia o Poirot da Agatha Christie , parece que as minhas células cinzentas estão a funcionar : a actividade de pensar confere ao homem “asas” para mover-se no mundo e “raízes” para aprofundar-se na realidade logo , pensar é voar sobre o que não se sabe.
O Dr Martins de Carvalho tinha razão: Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas, como acontece actualmente em algumas das nossas escolas, onde a filosofia não é obrigatória para todos os cursos e passou a segundo plano..As escolas devem existir não para ensinar as respostas mas para ensinar as perguntas, pois somente estas nos permitem navegar pelo desconhecido e, no entanto, não podemos viver sem respostas.
Como, ou eu não sei formular as perguntas, ou Minerva não me quer responder , considero melhor terminar este meu voo filosófico com duas ideias que encontrei na NET e que transcrevo com o nome das autoras

O que é pensar?
é imaginar?
é lembrar?
é reflectir?
ou é filosofar
O que é pensar?
Pensamos em cores?
Objectos?
Desenhos?
Em tudo o que se pode pensar
Mas nunca paramos e pensamos
O que é pensar?
(Júlia Costa Triches)





Pensar é sonhar
Pensar é morar
Pensar é criar
Pensar é viver
Pensar é querer
Pensar é amar
Pensar é olhar
Pensar é estudar
Pensar é gostar
Pensar é simplesmente legal
Pensar é muito Bom
Eu adoro pensar

(Letícia T, Magalhães dos Santos)

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