1.3.10

POMPEIA cidade dos prazeres

Em 21-4-08, publiquei, na etiqueta História , uma mensagem intitulada POMPEIA..auge e morte que hoje vou completar sob outro aspecto. A julgar pelo elevado número de esculturas e pinturas da deusa Vénus , a vida diária dos habitantes de Pompeia estava presidida pelo prazer. O jogo, a bebida e o amor eram prazeres a que os pompeianos se entregavam em banquetes particulares nas tabernas que acolhiam os ociosos bebedores ou os viciados jogadores e que podiam degenerar em orgias. O mesmo acontecia nos bordeis oficiais ou clandestinos.
Aos homens residentes em Pompeia agradava organizar, em suas casas, ceias em que os convidados eram servidos em louça luxuosa. Geralmente, um banquete de requinte disponibilizava sete pratos aos convidados do evento. Pastas, cogumelos e frutos do mar temperados integravam as entradas que aguçavam os sentidos dos convidados. Para o prato principal era indispensável a escolha de uma bela carne acompanhada por frutas, molhos e cebolas que sustentavam a variada gama de sabores a serem degustados. No fim, a sobremesa do banquete era composta por frutas, bolos quentes e flores. Na sala, o triclinium era mobilado com três leitos onde se recostavam três convivas . Naquela época comer deitado era um acto que evidenciava condição social abastada. Apenas os menos afortunados e os escravos comiam sentados. Não podemos esquecer que esses banquetes também se transformavam em grandes orgias onde os prazeres carnais também eram excessivamente consumidos. Para animar o evento, músicos mostravam suas habilidades tocando a lira, a chitara, castanholas de origem hispânica e tambores importados do norte da África. O cordax era uma das danças eróticas que despertavam a paixão entre os convidados. Nesse momento, a festa alcançava o seu auge. Com esta agitação toda, um grande banquete exigia que o seu responsável contasse com um grande número de escravos. Normalmente, eles tinham a função de trocar os recipientes com água quente para lavar as mãos, espantar as moscas da comida e, em alguns casos, eram também utilizados como objectos sexuais dos convidados da festa. Quando a festa era de facto luxuosa, alguns escravos eram especialmente designados para acompanhar os convidados no retorno a casa. Além disso eram usados trajes específicos, bem como elaborados penteados e joias. O afresco que apresentamos a seguir, encontrado em Pompeia, mostra o ambiente : à esquerda , um escravo ajuda a descalçar um convidado , enquanto na direita um outro escravo ampara outro convidado que acabou de vomitar para poder continuar a comer e a beber. Em alguns locais havia salas próprias para vomitar.
Os pompeianos eram viciados no jogo dos dados como é comprovado pelo grande número destes objectos que foram encontrados nas escavações arqueológicas A imagem seguinte mostra uma pintura mural na parede de uma taberna e onde são retratados dois jogadores em plena partida . Uma inscrição na parede regista o caso de um indivíduo que ganhou 850 denários , o equivalente ao soldo de um legionário durante quatro anos .
Em Pompeia abundam pinturas de tema sexual. Na sua maioria aparecem em lugares associados à prostituição, como sejam tabernas, termas ou bordeis , embora também tenham aparecido em quartos escondidos de casas particulares. Nesta cidade a prostituição era uma actividade comum, aceite pela sociedade, comentada até mesmo em grafites nos muros. Os grafites faziam a propaganda! Consignavam os preços e as especialidades sexuais das mulheres. Graças a estes grafites, os arqueologos que estudam Pompéia descobriram que a prostituição era praticada até em reservados restaurantes, como complemento à refeição.
Um dos elementos característicos da paisagem urbana da cidade eram as tabernas, cerca de 200, o que dava uma média de uma por cada 60 habitantes , crianças e escravos incluídos . Isto pode ser explicado pelo elevado número de marinheiros e mercadores que constituíam uma grande população flutuante . Também se pensa que muitas tabernas seriam locais de venda de produtos comestíveis , como legumes, frutos secos, e guisados , estes confeccionados numa cozinha à parte . Estas tabernas, vendessem elas só vinho ou também comida, abriam directamente para a rua. Tinham grandes vasilhas embutidas em buracos no balcão. Há quem pense que por baixo havia brasas para manter os alimentos e as bebidas quentes.
Os bares não tinham bancos e os clientes enquanto bebiam garatujavam as paredes. Numa dessas paredes foi encontrado escrito um duelo amoroso entre dois homens que se apaixonaram por Íris , a escrava da mulher do taberneiro. Em raras tabernas haveria bancos e mesas , onde se poderiam sentar uma vintena de pessoas. Pompeia possuía ainda um teatro, um auditório para actuações musicais, e um anfiteatro onde cabia toda a população para assistir a corridas , jogos e lutas de gladiadores. Assim se pode comprovar que Pompeia era uma cidade de prazeres.

2 comentários:

Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus disse...

Excelente texto, prezado Joaquim.

Sou um grande admirador do Império Romano, e leio tudo o que o posso sobre o tema, por puro prazer (sou biólogo).

No youtube há uma excelente série da BBC sobre a vida do Imperador Claudius (I, Claudius).

Abraços do Brasil

JOAQUIM NOGUEIRA disse...

Caro colega biólogo . Só hoje tive oportunidade de ler o seu comentário que agradeço. Tenho mais temas sobre Roma e também sobre biologia para editar . Esteja atento pois talvez sejam publicados em Fevereiro ou Março. Um abraço

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