4.2.10

TÚMULO DE PACAL

Inúmeras vezes o arqueólogo Alberto Ruz subiu a escadaria do templo da Inscrições de Palenque , sem suspeitar que no interior do compacto monumento se ocultava uma cripta cujo conteúdo iria mudar o rumo das investigações sobre os antigos Maias. Corria o ano de 1949 e Alberto Ruz olhava, uma vez mais, os hieróglifos das paredes do santuário quando a sua atenção se deteve numa das lajes do chão. Estas pareciam ter uma dupla fiada de perfurações em todo o seu comprimento, perfurações estas tapadas com tampões de pedra, formando círculos. Para que serviam as perfurações ninguém o sabia . O solo da sala central do templo apresentava um grande afundamento ao lado da laje perfurada, mas pensava-se ser ele devido a uma tentativa de saque. Ruz observou que essa cavidade tinha o fundo tamponado com pedras e lajes ligadas com massa de cal. Trabalhos a partir desse buraco e depois da laje perfurada, permitiram encontrar uma longa escadaria que descia pelo interior da pirâmide. Os construtores dessa passagem abobadada tinham-na atulhado com toneladas de escombros, de tal forma que os arqueólogos levaram anos para a limpar. Ao fim de 20 metros de escadaria alcançava-se um recanto onde estavam os restos de vários indivíduos espalhados pelo chão e cobertos por cinábrio e cal viva. Na parede ,uma enorme laje triangular basculava sobre si mesma dando entrada para uma câmara de paredes decoradas; no centro da sala uma enorme arca de pedra cuja tampa era decorada com baixos relevos.(ver foto seguinte)

Levantada esta tampa, com o auxílio de macacos hidráulicos, surgiu um sarcófago de pedra com a forma de útero e ,no seu interior, um cadáver coberto de cinábrio e jóias de jade. No mausoléu havia cerâmicas , contas ,colares, braceletes, peitorais, brincos e uma bela máscara de jade. Após vários estudos , descobriu-se que se tratava da tumba do rei Kinich Janaabe Pacal I, nascido no ano 603 e que reinara entre 615 e 683.


Palenque fica situada no México e foi uma das metrópoles da civilização Maia. A cidade era formada por cerca de 700 edificações. Pacal I, durante o seu reinado, iniciou um programa de construção que originou uma das mais finas artes e arquitecturas da civilização Maia. Os estudiosos das construções maias procuraram, durante anos , a unidade de medida usada pelos construtores ,fosse em metros, pés ou polegadas. Chegaram a uma estranha conclusão : os engenheiros de Pacal utilizaram uma corda para fazer quatro círculos entrecruzados que formariam os cantos de um quadrado. As cordas também foram utilizadas para traçar uma diagonal e um arco. Repetindo o processo projectaram todas as edificações pois se baseavam na Geometria Sagrada que copia as formas da natureza, como as flores. Pacal fez questão que os símbolos sagrados fossem enterrados com ele ; dentro do seu túmulo foi encontrado em uma mão uma esfera de jade, e na outra um cubo de jade que são as formas geométricas chave que inspiraram e possibilitaram a construção da cidade que acabou por ser abandonada após a sua morte.

Quanto à tampa do sarcófago há quem veja nela representado um indivíduo a pilotar uma nave espacial, com capacete e até respirador . Há ainda quem veja as chamas do foguetãoSerá que este povo voava? Já nada é de espantar!

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