21.11.09

SACERDOTES EGIPCIOS

A civilização egípcia ,uma das mais antigas, sempre mostrou práticas religiosas, primeiro animistas (5.000 anos antes de Cristo) tendo depois evoluído para uma espiritualidade repleta de deuses. Esta nova espiritualidade mantinha vestígios anímicos, uma vez que esses deuses eram divindades antropomórficas , ou seja, tinham elementos humanos e animais As primeiras referências a sacerdotes do Egipto datam da Primeira e Segunda Dinastias, 3.000 anos antes de Cristo, embora as inscrições que a eles aludem sejam meros títulos honoríficos que não permitem determinar, em rigor, as suas funções. Do Império Antigo existem já mais informações , sabendo-se que os sacerdotes principais eram escolhidos entre os familiares do Rei (Faraó) ou pessoas muito próximas dele. Os sacerdotes constituíam uma casta previligiada que ia obtendo cada vez mais poder mas não chegando a acumular grandes riquezas. A partir da quinta dinastia (2494- 2345 aC) com a construção de grandes templos consagrados a Rá, o deus Sol, a classe sacerdotal ganhou independência e influência.Esta influência foi aumentando nas dinastias que se seguiram, chegando a haver 80.000 sacerdotes no templo de Amon, em Karnak, no tempo de Ramsés III. Devemos esclarecer que eram consideradas sacerdotes todas as pessoas que trabalhavam no templo e que a sua actividade nada tinha de semelhante com a dos clérigos das actuais religiões ocidentais. Aquelas pessoas eram, na realidade, servos do Deus e, consoante as habilitações que possuíam , assim estavam destinadas a tarefas específicas. Se sabiam ler e escrever, iriam interpretar textos, escrever documentos etc; outros praticavam observação astronómica e definiam calendários de colheitas; outros ainda dedicavam-se á medicina preparando medicamentos,fazendo sangrias ,criando elixires ,exorcismos etc; outros eram guardas e assim por diante. Os servidores do Deus podiam casar e ter outras profissões sem incompatibilidade com o serviço do templo. Existia entre esses sacerdotes ou servidores uma hierarquia que determinava a que lugares no templo poderiam ter acesso. O clero egípcio estava organizado segundo uma rígida estrutura piramidal em que no vértice estava o Faraó como sumo-sacerdote de todo o país e de todos os deuses. Dele dependiam os corpos sacerdotais dos diferentes templos e deuses. Os corpos sacerdotais eram chefiados pelos sumo sacerdotes que tomaram designações diferentes ao longo dos tempos e consoante os lugares de culto. Como exemplo citamos o que se passava com o templo de Amon ,em Karnak,com os seus 80.ooo servidores: O Sumo-sacerdote ou Primeiro Servidor era nomeado pelo Faraó que delegava nele o privilégio de ser o Deus encarnado, isto depois de ouvido o oráculo. Não esqueçamos que o Faraó era considerado o Deus encarnado. O Primeiro Servidor do Deus era assistido por um Alto Clero que com ele podia aceder às zonas mais sagradas do templo. Este Alto Clero era ainda constituído por um Segundo,Terceiro e Quarto Servidores do Deus e tinha por missão o governo do templo, dirigir os trabalhadores e controlar todas as propriedades e terras que o santuário possuísse. Estes quatro dignitários eram apoiados por numeroso pessoal auxiliar tal como mordomos,secretários,escribas,guardas ,criados e serviçais indiferenciados. Existia também um Baixo Clero formado por sacerdotes puros, ou uab que se ocupavam do ritual diário e carregavam a "Barca Divina" nas procissões .Tinham também uma hierarquia que passava pelo Director, Supervisor e Grande Sacerdote Uab, a que se acrescentavam os sacerdotes horários ,sacerdotes horóscopos , sacerdotes músicos e sacerdotes auxiliares com diferentes funções no templo. Neste imenso pessoal existiam também mulheres cuja actividade era a música e a dança para deleite do Deus, leia-se do Faraó. À cabeça deste clero feminino estava a Raínha ou uma filha solteira do Faraó,consideradas a Esposa do Deus ou Divina Adoradora ; seguiam-se a Supervisora do Harém (equivalendo ao 2º Servidor do Deus) que verdadeiramente dirigia a área feminina ; a Mãe do Deus e a Ama do Deus , formando todas elas o Alto Clero Feminino. No Baixo Clero encontravam-se as sacerdotisas puras , as cantoras de Amon, as músicas, as bailarinas e as leigas. Na foto abaixo vemos a raínha Nefertite (1ª Servidora) em ritual de oferenda ao Deus .Os Sacerdotes não pregavam os dogmas religiosos entre a população e os templos não eram lugares de culto público ,sendo o acesso a eles reservado ao clero. O culto ao Deus era realizado três vezes ao dia : ao amanhecer, ao meio dia e ao anoitecer. O Faraó ou o Sumo Sacerdote , por sua delegação, quebrava o selo da capela e abria o armário sagrado onde se encontrava a imagem mais sagrada do Deus , iniciando-se o ritual de a alimentar,lavar, vestir. pintar e adornar com jóias , como se fosse um ser vivo. É isto que podemos observar abaixo, na pintura de um papiro que passamos a descrever: O Sacerdote, com a máscara de Deus chacal Anúbis , segura a múmia enquanto , do outro lado,um outro vestindo a pele de leopardo e acolitado por mais dois , realizam os rituais atrás citados.



Os Sacerdotes Puros , antes de iniciarem o serviço diário, deviam banhar-se em água fria do Nilo e depilar cuidadosamente todo o corpo para evitar transportar os piolhos para o templo. Como se pode ver na foto de uma estela em madeira estucada e pintada , o sacerdote músico apresenta a cabeça rapada.


Como já referimos os templos não eram locais de livre acesso público pois o povo não era digno de ter contacto directo com a divindade. As procissões, quando a barca com o sacrário era carregada aos ombros dos sacerdotes puros , constituíam o único momento em que a população poderia admirar a imagem da divindade. Em geral os templos tinham como acesso a avenida processional ladeada de esfinges,com cabeças humanas ou de carneiros, tendo junto ao peito a imagem do faraó construtor.Na entrada do templo sobressaíam duas altas torres, de paredes inclinadas . Passadas estas chegava-se a um pátio aberto, cercado de colunas, cujo formato era inspirado em motivos vegetais como feixes de papiros e flores de lótus , claramente visíveis nos capiteis. Desse pátio passava-se a uma sala de colunas , totalmente coberta que dava acesso ao santuário principal do templo. Os templos compreendiam áreas contíguas com um lago sagrado usado nos rituais, casas dos servos do Deus , oficinas de artistas e artesãos , escritórios dos escribas e dos mordomos, celeiros ,etc, tudo isto cercado por uma muralha , fazendo do templo e anexos uma cidade autêntica. Os templos que, como já tinhamos dito, eram detentores de vastas propriedades onde trabalhavam agricultores e pastores, garantiam assim os víveres necessários para a sobrevivência de todo o pessoal. Os alimentos (carnes,leite,cerveja, vinho, pão diverso,óleo, fruta, legumes,vestuário ,etc)eram dados como ofertas que depois de consagradas nos altares laterais do templo iam para as dispensas para posterior distribuição pelos servos do Deus num processo chamado "reversão das oferendas".Estes celeiros eram tão grandes que podiam alimentar anualmente cerca de 30000 pessoas.

16.11.09

ANTIGRAVIDADE Realidade ou ficção?

Se há anos atrás nos perguntassem de que era feito o Universo ,teríamos respondido que era de matéria a que hoje acrescentamos :de energia e matéria negras. Os físicos, à força de cálculos matemáticos, chegaram à seguinte conclusão : a matéria vulgar do universo , aquela de que são feitos os seres vivos , as galáxias ou as estrelas, é apenas 5% do total. O que serão os 95% restantes ? É aqui que as coisas se complicam : 25% serão de uma matéria a que os cosmologistas , à falta de melhor, classificam de matéria negra, matéria nunca observada mas imposta pelas equações matemáticas que explicam os fenómenos gravitacionais à escala das galáxias. Os restantes 70% serão constituídos por energia negra , a energia que explica a aceleração e expansão do Universo. Se este é o modelo aceite pela maioria dos físicos ,outros há a afirmar que o Cosmos é composto , em partes iguais , de matéria e de antimatéria , estando esta última a ser estudada em grandes aceleradores de partículas. Pensam estes físicos que a cada partícula elementar da matéria ( electrão, protão,quark, etc) está associada uma partícula de antimatéria que lhe é semelhante, mas de carga eléctrica oposta.Definiu-se antipartícula como sendo aquela que reagindo com a partícula "espelho", se aniquilaria.Este conceito baseia-se na Física Quântica Relativa que leva a associar a cada partícula uma outra, com a mesma massa e o mesmo spin, mas em que a carga eléctrica , os números bariónico e leptónico , têm igual valor absoluto, mas sinal contrário. É o caso do neutrão e do antineutrão, partículas de carga eléctrica neutra com o mesmo spin , mas que se distinguem por terem os números bariónicos e leptónicos simétricos. (Não vamos aqui entrar em explicações matemáticas e físicas do que são estes números , pois não seriam acessíveis á maioria dos leitores deste blog ) Embora alguns positrões ( partículas espelho dos electrões) tenham sido já observados em laboratório com potentes aceleradores de partículas , eles nunca foram detectados na natureza. Voltemos ao nosso tema : se a gravidade é a força atractiva entre duas massas de matéria , será que existe antigravidade entre duas massas de antimatéria ? Se no tempo de Isac Newton existisse uma macieira (de antimatéria) com maçãs(anti matéria) ele não veria as maçãs a cair para o solo , mas sim a afastarem-se dele por antigravidade.

Mas existe ou não esta força ? Em 1993, Eugene Podkletnov, físico russo a trabalhar na Universidade de Tecnologia da Finlândia , desenvolveu um mecanismo que parecia conseguir anular parcialmente a lei da gravidade de Newton e diminuir o peso dos corpos , mecanismo este que foi analisado exaustivamente pela NASA e pelo instituto MAX PLANCK da Alemanha. O mecanismo consistia num pequeno anel de 20 cms de diâmetro que girava a 3.000 totações por minuto ,a uma temperatura próxima do zero absoluto. Fora construído para testar a capacidade de super condutibilidade do material cerâmico. Podkletnov conta o que acontecera : " Nós estávamos a trabalhar de noite quando fomos visitados por um amigo que usa cachimbo, pelo que a sala rapidamente ficou muito cheia de fumo do tabaco. Reparámos, por acaso, que o fumo parecia ser repelido junto ao nosso equipamento que estava a funcionar , como se encontrasse uma barreira invisível. Estudámos o assunto e verificámos que na zona de ar que correspondia à projecção do nosso equipamento, havia um abaixamento da pressão atmosférica. Experiências posteriores mostraram que objectos , colocados sobre o equipamento, perdiam peso e essa perda era porporcional ao número de equipamentos que se punham a funcionar". Nos nossos dias ,os estudos de Podkletnov a que se juntaram os do italiano Modanese e do norte americano J. Schuwer foram catalogados e reunidos pela Gravity Society, tendo a NASA feito experiências com equipamentos maiores no Centro Espacial Marshall,em Huntsville. O projecto da NASA é o "delta G" e visa construir uma nave espacial cuja aceleração fosse dada pela antigravidade sem que ela interferisse no corpo dos tripulantes. Curioso é que a construtora de aviões Boeing anda interessada em estudar este assunto para reduzir o peso dos aviões e reduzir o consumo dos mesmos.

8.11.09

ESTRADAS ROMANAS

Por certo já muitos terão ouvido dizer que quem tem boca vai a Roma ou todos os caminhos vão dar a Roma, querendo isto significar que pelas estradas se vai onde se deseja , basta ir perguntando ou estar atento às indicações das placas sinalizadoras. No entanto, a referência à cidade de Roma é devida ao facto dos Romanos terem construído ,por toda a velha Europa, estradas ligando a capital do seu império às cidades mais remotas ,isto 300 anos antes de Cristo. O complexo sistema viário por eles criado tinha mais de 90.000 Kms e permitia ligar, por exemplo, o norte da Escócia com o norte de África ou Scallabis (Santarém) com cidades do mar Negro, na Ásia. A primeira estrada romana a ser construída foi a célebre VIA APPIA ,no ano 312 antes de Cristo que ligava Roma a Brindes, perto de Pompeia. Se é certo que antes do Império Romano Negritojá existiam rotas, caminhos e trilhos pela Europa e Ásia , foram os romanos que os organizaram como rede viária coerente , interligando itinerários principais com secundários ,aperfeiçoando a sua construção e sinalização. No início ,o sistema foi desenhado com fins políticos e militares para manter um controlo sobre as zonas conquistadas. Legionários, funcionários, comerciantes ou populações locais usavam estas vias, normalmente empedradas que vertebravam todo o Império Romano, já que este necessitava de todo o tipo de matéria prima e produtos já elaborados. A construção das estradas era supervisionada por um director ( curator viarium ) que delegava no architectus (arquitecto) a sua execução. Este, por sua vez ,tinha sob as suas ordens um agrimensor e um nivelador (actuais topógrafos) cuja função era traçar estradas o mais planas e rectilíneas possível. Em tempo de paz eram os legionários que as iam construindo, pois os salários pagos não eram assim considerados um desperdício, daí que as Legiões tivessem os seus próprios agrimensores e niveladores. Em tempo de guerra eram usados escravos, presos de delitos comuns, criminosos e prisioneiros de guerra. Normalmente calcetadas( glareae stratae ), possuíam escoamento de águas pluviais e marcos miliários para marcar a distância percorrida de 1.000 passos (1.478 metros). Estes marcos podiam conter o nome e títulos do imperador que havia autorizado a construção, a data do início da construção ou o nome dos construtores (evergetas), ou ainda outras informações consideradas importantes . Eram de forma e tamanho variáveis ,normalente cilíndricos, como se vê na foto seguinte. Por vezes havia marcos mais pequenos indicando a meia milha.


As estradas tinham largura variável consoante o trânsito local, algumas chegando aos seis metros ,e eram desenhadas por forma a evitar zonas inundáveis , possuíndo pontes de pedra para atravessar os cursos de água, ou pontes de madeira em zonas onde a pedra era difícil de obter.Tentaremos agora dar uma ideia de como eram construídas estas estradas: depois da terraplanagem ,era aberto um cabouco profundo onde se colocava uma camada de pedras graúdas com a espessura de 30 a 60 cms, conhecida como statumem, sendo esta a parte mais importante da obra, pois sobre ela se faria a futura via. Sobre o statumem era colocada areia e gravilha (20 cms) camada conhecida como rudus e por cima desta outra de igual espessura constituída por pedra triturada misturada com cal , designada de nucleus.Finalmente todo este conjunto estrutural era coberto por lages talhadas e ajustadas, por forma a obter um pavimento uniformemente liso .




O pavimento ligeiramente abaulado. mais alto ao centro, permitia a drenagem da água das chuvas para as valetas.Para além da zona empedrada da estrada, era limpa de vegetação uma faixa de terreno com dois a três metros, em declive e com drenagem que constituía a zona de segurança e estabilidade da obra. Tal como hoje há marcas pintadas nos pavimentos ,ou passeios para peões, assinalando o limite lateral da via,naqueles tempos usavam-se os crepidines, muretes laterais com 45 cms de altura e 60 de largura.(A primeira figura ainda mostra restos deste murete). Ao longo das estradas principais encontravam-se locais de descanso para os soldados e viajantes, bebedouros para os animais que puxavam os carros , isto é, as modernas áreas de serviço das nossas estradas. Pelas estradas circulavam, por vezes, mensageiros rápidos do imperador usando um selo próprio para não serem detidos pela guarda das torres de vigilância que, em sítios estratégicos ,controlava o fluxo de passageiros e mercadorias. A figura seguinte mostra a ponte Trajano onde se pode ver um marco miliário.Esta ponte foi construída entre os séculos I e II depois de Cristo e ia dar entrada em Aquae Flaviae (Chaves)


Também em Ponte de Lima, sobre o rio do mesmo nome , está outra datada do século I, mas posteriormente modificda em 1370, pelo que é difícil ver o que foi construído pelos romanos.(foto seguinte)





Terminaremos mostrando uma réplica de um carro de transporte de mercadoria e passageiros da época romana.

5.11.09

Mosteiro de Coz


O mosteiro de Santa Maria de Cós (ou Coz), desconhecido da maioria da população portuguesa ,situa-se no concelho de Alcobaça, em zona campesina ou não fora ele, de início, uma granja do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.Difícil de visualizar, situa-se a 4 kms de Maiorga, na estrada para o Juncal , passando-se por ele despercebidamente dada a sua simplicidade e semi abandono. Restaurado há pouco tempo no que concerne á igreja , encontra-se fechado, sem qualquer guia oficial ou oficioso (ano de 2009) , restando a boa vontade de uma familiar do pároco local para abrir a porta , fora das horas de culto.

Considerando o que citámos , resolvemos dar o nosso humilde contributo divulgando a sua riqueza de talha e azulejo. De origem muito antiga (1279), foi fundado por D. Fernando , abade de Alcobaça, servindo inicialmente para acolher as viúvas que optassem por se dedicar á vida religiosa. O que hoje é visitável data do século XVI e deveu-se ao abade comendatário de Alcobaça, D.Afonso, filho do rei D. Manuel I e destinava-se a albergar uma comunidade feminina da ordem de Cister.

O que hoje resta é a igreja,a sacristia ,e o que ficou de dois pisos dos grandes dormitórios( ver foto acima) estes com janelas esventradas a que foram arrancadas as cantarias para utilização em moradias , já que a parte do antigo convento tinha sido vendida a particulares. O interior da igreja revela as reconstruções dos séculos XVII e XVIII mantendo, do século XVI, um portal manuelino que dava entrada ,a nascente, para o coro. Os altares são de rica talha dourada como podemos apreciar na foto seguinte.


A nave da igreja foi dividida em duas zonas : a zona entre o altar mor e o coro destinada aos leigos e a zona do coro para as religiosas. Estas duas zonas estão separadas por um gradeamento em madeira, actualmente restaurado e de que apresentamos um pormenor.(foto seguinte) Através desse gradeamento vemos o cadeiral e os azulejos que cobrem as paredes do coro.O cadeiral teria originalmente 106 assentos , o que mostra o número de freiras e daí poder ter-se uma ideia do número de celas e tamanho dos dormitórios bem como do resto das instalações ,hoje desaparecidas.



O tecto da nave é formado por 80 caixotões de madeira com pinturas , também restauradas mas mantendo a cor envelhecida. Por este tecto e azulejos vale a pena procurar esta maravilha do século XVII.


Interessantes também os azulejos da sacristia, anexo relativamento baixo em relação á nave da igreja, mas de valor incalculável por serem do século XVII.Por falha da nossa máquina fotográfica não os podemos fixar em pormenor pelo que recorremos , com a devida vénia, a uma foto de um blog designado Fleming de Oliveira.

(vista parcial da sacristia,com o lavatório e porta de acesso ao interior da igreja).

Terminamos este apontamento com uma pergunta : que anda a fazer o pelouro da cultura da câmara de Alcobaça que não permite estar aberto, fora da hora de culto,este tesouro arquitectónico sempre com a desculpa de falta de verba? Se tanto foi gasto num longo restauro profissional, por que manter esta joia escondida de turistas que " dão com o nariz na porta" por não saberem a quem se dirigir para fazer uma visita?

1.11.09

LUTÉCIA


Lutécia foi nome romano de um pequeno povoado piscatório situado numa ilha do rio , a que hoje chamamos Sena, e que evoluiu até dar a grande cidade de Paris. Parece que o nome deriva do facto da ilha sofrer frequentemente com as cheias do rio e ficar coberta de lama .(lutum= lama) Rigord , um monge da abadia de Saint-Denis, na sua obra Gesta Philippi Augusti, escrita em finais do século XII, afirmava que vinte e três mil troianos sob as ordens do duque Ybor tomaram a cidade de Sycambria , nas margens do Danúbio, em 895 a.C. . Esse exército atravessara o que é hoje a Alemanha e fixara-se em Lutécia , onde Ybor e os seus seguidores tomaram para si o nome de parisienses em homenagem ao lendário Páris. Há outras versões para a origem do nome como aquela que refere ter sido Pharamond ou Faramund , o legendário primeiro rei dos Francos, que baptizou o local de Lutécia Páris.

Qualquer que seja a verdade, Lutécia ou a futura Paris sempre estiveram ligadas ao rio que um dia se viria a chamar Sena. As suas águas escuras , correndo lentamente pela planície foram formando meandros , mudando muitas vezes de traçado e criando no seu leito ilhotas de natureza aluvionar.Algumas delas desapareceram ou uniram-se consoante o capricho da erosão e sedimentação fluviais , como é o caso da île de la cité , que é considerada o berço de Paris. Se Lutécia começou por ser um pequeno povoado, cresceu com a ocupação romana para a margem esquerda do rio com largas ruas esquadriadas e belas habitações , templos e palácios.



Algumas ruas da Paris de hoje resultam do traçado de ruas romanas; é o caso da rua de Saint-Jacques a antiga cardo maximus , o mesmo acontecendo com o Boulevard Saint-Michel e rua Vallet. Pensa-se que onde é hoje o nº 172 da rua de Saint.Jacques terá sido o ponto zero da cidade romana , isto é, o epicentro da construção pelos romanos. O maior dos edifícios públicos , o Forum, situava-se não muito longe do actual Panteão. Como a romanização de um local não descurava o uso de banhos termais , Lutécia dispunha de três balneários sendo o maior na actual zona de Cluny. A água corria a jorros nas fontes, balneários e latrinas dado que a cidade era abastecida de água potável através de um longo aqueduto alimentado por três nascentes localizadas nos vales de Chilly, Wissoas e Rungis. Junto da rua Monge está o que resta do anfiteatro romano. Pela foto que se segue nota-se que as bancadas desapareceram para dar lugar á rua e a pedra utilizada na construção das casas.



Lutécia romana desapareceu há muito pois o seu enorme desenvolvimento,conquistas e reconquistas ao logo dos séculos , fizeram com que os materiais das casas romanas dessem origem a outro tipo de edificação urbana , perdendo-se grande parte do legado histórico. Mesmo assim, no museu Carnavalet, que é municipal, é apresentada a história da cidade de Paris desde a pré-história até aos nossos dias , pelo que deve ser visitado numa próxima visita á cidade luz.






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