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6.1.12

SERÁ ISTO O FUTURO ?



Baterias na roupa
Que a electrónica tem evoluído muito e tem transformado, a cada dia que passa, a nossa maneira de viver é um dado adquirido que ninguém refuta. Telemóveis, relógios de pulso que recebem televisão, GPS cada vez mais sofisticados, câmaras de vídeo e fotográficas digitais e em miniatura , tablets , etc são tão corriqueiros que nem nos perguntamos que tecnologia electrónica usam para serem objectos tão complexos e tão pequenos no tamanho..
A cada dia que passa, são cada vez mais os produtos que incorporam partículas concebidas em laboratório, partículas essas vinte e cinco mil vezes mais pequenas que a espessura de um cabelo. É a nanotecnologia . A manipulação da matéria à escala do átomo permite desenvolver aplicações alucinantes como o caso que hoje vos apresento.
Cientistas da NASA, nos Estados Unidos, idealizaram um nanogerador que consegue extrair energia eléctrica das vibrações produzidas pelo nosso corpo quando em movimento. Desta forma estão a desenvolver roupas capazes de fornecer electricidade a pequenos gadgets, isto é, pequenos aparelhos ou, para ser mais preciso, pequenas engenhocas.
Também já foi construído um cabo com nanotubos metálicos que conduz electricidade praticamente sem perdas, mesmo ao longo de grandes distâncias, o que acabaria de vez com as actuais redes eléctricas de cobre Também se estudam placas solares de nanotubos extremamente finas e flexíveis , sendo os nanotubos aplicados de forma parecida a um aerossol, o que transforma qualquer superfície exposta ao sol num gerador de energia .
Voltemos, no entanto, ao título desta mensagem : Energia do movimento em baterias
Todo o movimento realizado pelo corpo é convertido em energia, que é armazenada nos nanofios e usada para os mais diversos fins, desde iluminação no espaço sideral onde não há luz solar, até mesmo para carregar o telemóvel no seu bolso, enquanto caminha. Os cientistas afirmam que o óxido de zinco utilizado nos nanotubos é barato e possui propriedades piezo eléctricas , isto é, quando o material sofre pressão pelo atrito, uma diferença de potencial é criada, podendo assim ser armazenada a energia durante a rotina diária.
A ideia é que o material seja usado como apoio energético extra para robots e astronautas em missões interplanetárias, logo ideia, interessante para a NASA. Um cientista afirma: “As pessoas estão desperdiçando energia o tempo todo ao andar ou mover os braços e como não se pode evitar esta perda, o melhor é capturá-la e carregar uma pequena bateria”. Não podemos esquecer que qualquer forma de energia se pode transformar noutra o essencial é saber como fazê-lo.
Como é evidente o projecto ainda não está em produção para o público , já que são precisas maiores pesquisas para que os nanofios sejam viáveis em diversas aplicações ou usos. A verdade é que o óxido de zinco é capaz de reter mais de dez vezes a carga do lítio hoje usado em baterias, ou seja, o projecto parece ser um tanto quanto promissor.
Neste mundo em que vivemos , de visionários, para não os apelidar de loucos, a luta entre laboratórios de pesquisa é enorme, senão vejamos; Cientistas do MIT descobriram como usar um vírus comum para desenvolver materiais a serem utilizados numa nova geração de baterias recarregáveis de iões de lítio com alto desempenho.
A principal vantagem dessa biotecnologia é que as baterias serão flexíveis o suficiente para serem incorporadas na roupa, com as vantagens atrás descritas .
Teoricamente, essas baterias terão perda mínima de potência quando sem uso e suportarão um número de ciclos de carga e descarga muito superior às actuais.
O vírus, chamado bacteriófago M13, é um vírus filamentoso, composto de 2.700 cópias de uma proteína externa (pVIII), e é muito fácil de ser modificado genética e quimicamente. O M13 infecta bactérias mas é inofensivo para os seres humanos.
Será que o meu leitor já se imaginou, daqui a uns anos , a andar pela casa de noite sem necessitar de acender as luzes, só porque a roupa que usa vai fornecendo energia a uma lâmpada de LEDS ou de outro tipo qualquer que venham a inventar, transformando-se assim em pirilampo gigante ?

31.5.10

A RÁDIO DIGITAL



Quem escuta uma estação de rádio, muitas vezes não se apercebe da grande evolução que este meio de comunicação sofreu nos últimos vinte anos. É vulgar termos as nossas estações de rádio favoritas, normalmente em FM, aquelas que programamos no rádio do carro e que escutamos enquanto vamos para o trabalho ou quando damos uma volta pela cidade. No entanto, quando se viaja para longe da emissora de rádio preferida, o sinal vai desaparecendo até virar apenas ruído. A maioria dos sinais de rádio FM alcança apenas uns cinquenta quilómetros a partir da antena. Do que acabamos de dizer resulta que em viagens longas, nas quais passamos por cidades diferentes, temos de mudar de estação a não ser que se esteja sintonizado numa emissora de âmbito nacional que tenha espalhados pelo país vários repetidores e que o rádio do carro tenha um sistema automático que os vá detectando e sintonizando ,isto é, um sistema (RDS) Agora imagine uma estação de rádio que pudesse transmitir sinais a milhares de quilómetros de distância e que chegassem até ao rádio do seu carro completamente limpos.
A XM Satellite Radio e a Sirius Satellite Radio nos Estados Unidos já lançaram um serviço deste tipo. É a rádio digital, também conhecida como rádio satélite, oferecendo música ininterrupta, próxima da qualidade de CD, e vinda do espaço. No entanto não é absolutamente necessário que ela venha de um satélite; pode ser oriunda de uma antena terrestre.

As empresas que usam rádio digital têm comparado a importância dos seus serviços ao impacto que a TV a cabo teve na televisão . A rádio digital permite, além de vários programas musicais distintos serem emitidos por um mesmo emissor , enviar simultaneamente também outros dados, como informações especializadas, GPS, etc.
Tentemos explicar melhor imaginando , por exemplo, uma ouvinte de nome Sofia daqui a dez anos :
. De manhã, o alarme do seu Rádio Digital acorda-a com música da sua rádio local favorita. Carrega no botão "boletim meteorológico" do seu rádio e este transmite, cortando a música, o mais recente boletim dos respectivos serviços. Empregada por uma grande empresa, Sofia trabalha a partir de sua casa, mas hoje tinha uma reunião marcada às 9 horas no centro da cidade. Para preparar a reunião, senta-se ao computador . Logo que começa a trabalhar clica no ícone de rádio no ecrã. Está sintonizado para a estação que ela mais gosta e a música, com qualidade CD, faz o ambiente enquanto ela começa a pesquisa. Às 8.30, Sofia entra para o seu carro, talvez eléctrico, e pergunta ao computador de bordo qual o melhor caminho para os escritórios da empresa. O computador está actualizado em tempo real com informação do trânsito enviada por uma rádio local. Com confiança, é aconselhada a seguir um percurso alternativo. Enquanto se aproxima do edifício, ela vê e revê o lugar para estacionar o automóvel – o parque mais próximo do edifício está cheio, mas existe um lugar no quarteirão seguinte. De novo, a informação em tempo real é fornecida via Rádio Digital. Quando Sofia regressa da reunião , liga o auto-rádio, para escutar música mas estando com fome e escutando um anúncio de um restaurante carrega no botão mais informações que lhe mostra o nome e endereço do restaurante no ecrã de cristais líquidos, bem como o menu do dia.
Agora que demos uma curta ideia das possibilidades da rádio digital vejamos outros aspectos ,como o que é o sistema DAB , já usado em Portugal. DAB é a sigla para “Digital Audio Broadcasting”, ou seja, a emissão digital do sinal analógico de áudio, tal como o conhecemos actualmente como meio de comunicação utilizando a FM (frequência modulada) ou a AM (amplitude modulada) . Mas como é que isto tudo funciona ?
A recepção de sinais analógicos da rádio convencional pode ser prejudicada pelas condições atmosféricas ou pode também ser interrompida nos vales profundos do terreno, em túneis ou proximidade de edifícios altos – especialmente nas cidades. Neste último caso o tipo de interferência no FM é provocado por “harmónicas”.resultantes do reflexo do sinal nos edifícios .(É o conhecido caso dos fantasmas na televisão ) O DAB evita este problema enviando uma série de bits que podem ser reconhecidos mesmo na presença de interferência. Essa interferência é praticamente ignorada pelos receptores DAB com a ajuda de um sistema chamado COFDM. (Coded Orthogonal Frequency Division Multiplex”). Este sistema usa uma relação matemática precisa para dividir o sinal rádio tanto por 1536 diferentes frequências condutoras como pelo seu atraso temporal. Isto faz com que, mesmo que alguns sinais sejam afectados por interferência ou o sinal seja perdido por um pequeno período, o receptor é capaz de o recuperar e reconstruir perfeitamente. O COFDM também permite que a mesma frequência seja usada por uma vasta área. Isto significa que não é necessário estar sempre a sintonizar a rádio quando se viaja de carro.
Nos nossos dias, as rádios nacionais, como a Antena 1 , a Rádio Comercial, e a Rádio Renascença utilizam até 20 frequências diferentes para serem escutadas em todo o país e o sistema RDS o que apenas faz é escolher automaticamente a frequência mais forte ,dando a sensação de que continuamos na frequência inicial, quando isso não é verdade. Com o DAB a mesma frequência é utilizada em todos os retransmissores ao longo do país e, em áreas de sobreposição, os sinais reforçam o sinal total recebido. Isto é uma maneira inteligente de utilizar o que antes era considerada uma interferência, como uma vantagem.
O som límpido e cristalino que o DAB produz é criado por uma compressão de som altamente eficiente, conhecida por MUSICAM que funciona deitando fora os sons que não são detectáveis pelo ouvido humano. Este sistema é semelhante à forma como os ficheiros de som são gravados num computador. Até agora apenas um simples texto pode ser associado à emissão FM e que resulta num RDS que mostra o nome da estação e permite a sintonia automática para o sinal mais forte e informação de trânsito.
O espectro adicional que o DAB oferece vai fazer que o RDS pareça básico. A BBC já está a utilizar um software que permite enviar para um ecrã LCD ligado ao receptor DAB o nome da música, artista e mesmo o nome do álbum
Várias ideias surgiram para utilização da componente de dados do DAB. Uma ideia é uma versão radiofónica de teletexto com melhores gráficos, outra ideia é permitir o download de ficheiros áudio e vídeo que seriam gravados em memória para ver mais tarde. Possíveis ficheiros seriam informação de trânsito, resultados desportivos ou meteorologia.
Em Portugal o panorama não tem evoluído muito nos últimos anos. Foi dada à RDP a função de gestão da rede Nacional de DAB em Portugal tendo sido atribuída uma frequência nacional, no canal 12B de VHF, nos 225,648 MHz. Desde 1998 que Portugal usufrui de rádio digital. O sistema Digital Audio Broadcast (DAB) foi o escolhido, mas passados doze anos tudo continua na mesma: a única estação a transmitir em digital continua a ser a RDP e os ouvintes que a escutam em DAB não serão muitos, porque um receptor ainda é caro e não se encontram no mercado. Além do mais os mesmos programas poderem ser escutados simultaneamente em qualquer receptor de FM, sem que se note diferença de qualidade sonora, o que leva a não procurar receptores DAB. .Os ensaios com a rádio digital sucedem-se por essa Europa fora, mas as experiências não têm tido os melhores resultados, havendo, inclusive, alguns países que têm abandonado as emissões em DAB sendo a única excepção a Inglaterra.A verdade é que o DAB não apresenta, como dissemos, muitas vantagens sonoras em relação à FM. O argumento esgrimido de um relativo melhor som tem sido rebatido na prática, com muitos ouvintes a afirmar que a rádio é essencialmente áudio, e num carro - o local onde, hoje em dia, a rádio é mais escutada - é o essencial. Tudo o resto - os serviços que o DAB pode oferecer em paralelo com o áudio - pode levar a uma desatenção por parte do condutor e colocar em perigo a segurança rodoviária.
Não podemos esquecer ou confundir que a quase totalidade das rádios locais emite programas digitais através da internet, para serem escutadas num PC em qualquer ponto do globo , mas isto não é a emissão em DAB de que estávamos a falar.
(texto compilado a partir de vários sites acessiveis na internet tais como: Depart.Engenharia Informática da UC; Rádio digital de Rui Melo ; www.gmcs.pt ; www.aminharadio)

11.5.10

MP3 e o antigamente

Nos nossos dias, é vulgar ver os jovens a andar pelas ruas a “abanar o capacete” com uns micro auscultadores nos ouvidos e escutando música, horas seguidas, no formato MP3. As gerações dos anos trinta e quarenta ficam admiradas como um tão pequeno aparelho do tamanho de uma caixa de fósforos possa conter tanta música gravada. Vamos tentar explicar o mistério mas antes comecemos por ver como se iniciou a ideia de “congelar” os sons para mais tarde os voltar a escutar. Em 18 de Abril de 1877, Charles Cros entregou na academia das Ciências Francesa um projecto para um sistema de gravação e reprodução sonora, a que deu o nome de “Paléophone”.
Quatro meses mais tarde, o inventor americano Thomas A. Edison consegue melhorar a experiência de Cros e reproduzir o som gravado, chamando ao seu invento “Fonógrafo”.
O Fonógrafo era constituído por um cilindro giratório em torno do seu eixo, com um sistema de progressão horizontal e accionado por uma manivela. Thomas Edison melhora a sua invenção inicial substituindo o papel encerado do cilindro por uma folha de estanho, e separando ainda o estilete de gravar do de reproduzir.

Os cilindros de Edison tinham uma duração limitada de 3 a 4 utilizações, além de um mau som e curta duração das gravações, cerca de um minuto. Em 1886, Chichester Bell e Charles Sumner Tainer registaram a patente de um fonógrafo aperfeiçoado a que chamaram Gramofone, tendo substituído a folha de estanho por um cilindro de cera mineral, o ozocerito, e o estilete de aço por um de safira em forma de goiva. O passo seguinte é dado por Emile Berliner que em 1888,muda a forma dos cilindros para discos planos de 33 cm de diâmetro e 6,4 cm de espessura .
Na mesma época em que se gravavam os sons em cilindros e discos atrás citados, o dinamarquês Valdemar Poulsen patenteia o primeiro sistema de gravação magnética o “Telegraphone”. Estamos em 1898 mas seria preciso esperar várias décadas para o sistema se comercializar.
Na máquina original, a gravação era feita em fio de aço do género usado para as cordas dos pianos. O arame saía de um carreto onde estava enrolado e passava por um electroíman que o magnetizava segundo um padrão que variava de acordo com os sons captados por um microfone. O fio, à medida que ia sendo magnetizado, ia enrolando-se noutro cilindro.
Para reproduzir o som gravado era só passar o arame magnetizado pelo electroíman e, por indução magnética, geravam-se correntes eléctricas que eram transformadas em som original nos auscultadores. Este sistema, foi muito melhorado ao longo dos anos e era usado pelas estações de radiodifusão . Manteve-se até aos anos 40, quando foi substituído pela fita de plástico revestida a óxido de ferro. Mas voltemos atrás no tempo para termos uma sequência lógica nesta nossa história.
A concorrência entre os Cilindros e os Discos atingiu o auge na viragem do século XIX para o século XX, acabando o Cilindro por ser totalmente derrotado em 1905, quando os Irmãos Pathé adoptaram o Disco.
Nestes primeiros tempos as gravações eram muito demoradas pois cada cilindro ou disco era gravado individualmente, ou seja, para fazer dez discos o artista tinha de cantar dez vezes.
Esta situação terminou quando Emile Berliner passou a usar um disco original para fazer os outros. Com esta nova técnica os discos passaram a ser prensados, com o recurso a matrizes obtidas por galvanoplastia, num composto à base de goma-laca, o velho disco de 78 r.pm. que se manteria em uso até meados de 1948. (O aparecimento da microgravação surgiu experimentalmente em 1943). Recuemos uma vez mais no tempo, até início do século XX.
Em 1907, a Columbia Gramophone apresenta ao público, pela primeira vez, um disco de dupla face e com a espessura de um centímetro. Esta novidade era tão espectacular, que a Columbia deu ordens aos seus vendedores para atirarem os discos ao chão, para provarem que eram inquebráveis.
Os avanços técnicos sucedem-se e os discos vão aumentando de tamanho e diminuindo de espessura. Discos de 50 e 60 cm de diâmetro, com cerca de 15 minutos de duração, são já comuns em 1910.
Os laboratórios Bell experimentam em 1919 o registo eléctrico, gravações obtidas electricamente através de um microfone, isto é, o primeiro “pick-up”. O “pick-up” é a célula captadora de som composta por uma ponta, a agulha, e um sistema conversor que aproveita as variações introduzidas no campo magnético de uma bobine condutora, produzindo desta forma pequenas correntes eléctricas que,ao serem amplificadas, reproduzem o som original.
Por este facto os gramofones estiveram na moda apenas até finais dos anos 20, altura em que apareceram no mercado os primeiros gira-discos eléctricos.
A gravação em disco era prática comum mas ,paralelamente, a gravação magnética ia-se impondo para outros fins que não o de fazer discos. Desde que Poulsen inventou o “Telegraphone”, que as melhorias foram muitas, mas ao chegar a década de 30, ainda se gravava em fio de aço e este ainda se manteria em uso em muitas estações de Rádio até aos anos 40, como já havíamos referido anteriormente.
Em 1934, a BASF produzia na Alemanha a primeira fita de gravação magnética, para uma máquina da AEG Telefunken. A fita era de plástico revestido num dos lados com um pó de oxido de ferro, o que permitia uma diminuição no peso e no tamanho dos carretos e o aumento da fidelidade e duração da gravação.
Este invento era um avanço considerável na gravação sonora, já que as estações de rádio podiam já gravar os seus programas e manipulá-los em estúdio. Se houvesse um engano, podia ser corrigido a partir do ponto em que ocorrera o erro e não repetindo na totalidade, como acontecia com os discos. A guerra contudo atrasou todas as experiências . Após a II Guerra Mundial o Vinil iria sobrepor-se à goma-laca, o material de que eram feitos os discos há mais de 60 anos. Este novo material permitia que os sulcos dos discos fossem mais estreitos, o que permitia reduzir a velocidade e aumentar a duração dos mesmos ,tocando cerca de 23 minutos de cada lado a 33 1/3 rpm. Este novo disco que foi introduzido pela Columbia recebeu o nome de Long Playing ou simplesmente LP.
A gravação manteve-se praticamente inalterável durante uma década, com os estúdios a gravarem em bobines de fita magnética em Mono que depois passavam a uma matriz, que faria vários discos de vinil iguais, para serem vendidos ao público.
Só em 1958 é que o panorama musical muda de novo com a introdução de discos de 45 e 33 1/3 rpm, estereofónicos.

A gravação profissional avançava e, para os amadores, as empresas iam criando aparelhos mais pequenos de bobines. Nos anos 60, a empresa Philips introduziu no mercado a cassete, uma pequena caixa que continha os carretos e a fita magnética, transformando desta forma a gravação doméstica, e a profissional .

A década de setenta traz uma novidade à gravação: a quadrifonia. Este sistema grava quatro sinais de som independentes. Pretendia-se com esta solução criar um ambiente mais realista, colocando 4 altifalantes em torno do ouvinte (surround), mas esta solução só seria viável comercialmente em finais dos anos 90 com a introdução do DVD Vídeo, DVD Audio e Super Audio Compact Disc, numa versão de 5 colunas mais um sub woofer.
Devido aos altos custos de produção e das aparelhagens reprodutoras, o sistema foi abandonado sendo feitas só umas poucas gravações neste sistema.

Na década de 70, assiste-se ao aparecimento da gravação digital, usando a técnica “PCM”, Pulse Code Modulation, num gravador de vídeo profissional, isto conseguido pela “Nippon Columbia” .
Em finais da década a Sony e a Phillips aliaram-se para desenvolver um disco digital de apenas 11,5 cm de diâmetro e com a duração de uma hora de um só lado. Em 1983, começou a comercialização deste suporte digital com o nome de Compact Disc, ou simplesmente CD.

O CD era anunciado como o “som superior e eterno”, pois os fabricantes afirmavam que o disco não sofria desgaste, já que não era tocado por nenhuma agulha como no vinil, e por ser digital o som era de “superior qualidade”.
Mas dez anos depois, o CD, ainda não se tinha conseguido impor, pois a qualidade do som era inferior ao disco de vinil e sofria dos mesmos problemas de manuseamento: era preciso ter cuidado para não riscar a face gravada, e os leitores de CD sofriam de “microfonia”, ou seja captavam as vibrações da energia acústica emanada pelas colunas, tal e qual uma agulha de gira-discos.
O CD só acabou por se impor, não pelas suas “qualidades” mas porque era mais barato fabricar CDs do que discos de Vinil e assim os velhinhos LPs deixaram de ser fabricados em massa, no inicio dos anos 1990.
Paralelamente ao lançamento do CD, com a entrada na era da gravação digital, havia que pensar na substituição das velhas cassetes e bobines de fita analógica. Trabalhando agora em campos separados a Philips e a Sony, apresentam duas soluções de gravação doméstica digital.
A Philips apresenta a sucessora da cassete analógica , a“D.C.C”., Digital Compact Cassete. Este suporte era igual às cassetes analógicas mas de gravação digital e os gravadores de DCC até podiam ler as cassetes analógicas. Não teve sucesso comercial e a Philips deixou de comercializar este suporte em meados dos anos 90.
A Sony apresenta, em finais da década de 80, o “D.A.T.”, Digital Audio Tape, uma cassete totalmente diferente e de qualidade de som superior ao CD, mas devido ao seu preço e à falta de cassetes DAT pré-gravadas, apenas conheceu sucesso nos meios profissionais.

Após o fracasso comercial do DAT a Sony apresenta em 1993 um suporte digital novo, com uma qualidade próxima da de um CD: O Mini-Disc.
O Mini-Disc apresentou-se como uma alternativa viável à cassete analógica, que nos anos 90 era ainda o suporte mais popular, acesso directo a faixas, regravável um milhão de vezes sem perda de qualidade, digital, etc.. Este suporte depressa ganhou adeptos, até porque o CD gravável ainda não era uma opção ao alcance de todos. Naquela altura os CD-R só gravavam uma vez, eram caros, assim como o equipamento que os gravava. Os CD-RW, apareceram depois, mas ainda eram mais caros.
O CD em 1994, sofre uma melhoria, embora esta “melhoria” não seja consensual, com a introdução do “H.D.C.D.”, “High Definition Compatible Digital”, um sistema da americana “Pacific Microsonics, Inc.”. Quando os discos são gravados com este sistema soam melhor em leitores de CD convencionais, e os leitores HDCD tiram melhor partido das gravações em CDs normais, o ideal era o disco e o leitor serem HDCD.

Com o abandono da DCC, por parte da Philips, esta começou a comercializar gravadores de CDs, fazendo concorrência ao MD, mas ainda assim sem grande sucesso pois a gravação de CDs estava dominada pelos computadores. Por esta altura a cassete analógica ainda cá estava.
Em 1996, aparece um suporte novo de vídeo que traz uma novidade em som: o Surround.
O “D.V.D.”, Digital Versatile Disc, foi a tecnologia que mais rapidamente teve sucesso junto dos consumidores, enquanto o CD demorou cerca de quinze anos para se impor, o DVD apenas precisou de três.
O DVD-Video, trazia a novidade do surround, cinco canais de som independentes e mais um de baixas frequências, traziam para casa o som do cinema. Neste suporte três formatos de som eram concorrentes: o Doldy Digital; o DTS e o MPEG multichanel.
O MPEG multichanel depressa foi abandonado, mantendo-se o Doldy Digital e o DTS como formatos concorrentes.
O aparecimento do DVD-Video trouxe de novo à tona as deficiências do CD, numa altura em que os discos de vinil voltavam a aparecer nas prateleiras das discotecas, talvez por nostalgia ou porque ainda se fabricavam gira-discos. Isto fez com que Philips e Sony se juntassem outra vez para criar o sucessor do CD, já que se falava do DVD-Audio, para sucessor do CD ; esta “reunião” fez surgir o “S.A.C.D.”, Super Audio Compact Disc”.
O DVD-Audio é uma melhoria em relação ao CD, tem melhor som e é multicanal, mas a gravação ainda é em PCM, como há 30 anos.
O SACD é também um salto qualitativo em relação ao CD e um passo à frente do DVD-Audio, pois grava em “D.S.D.”, “Direct Stream Digital”, que é um avanço em relação ao PCM.
Enquanto os sistemas de alta definição tentam ganhar posição no mercado, formatos baseados em computador e fortemente comprimidos, como o mp3 , ganham terreno principalmente nos consumidores mais jovens. A Internet proporcionou isso mesmo. Mas afinal o que é o mp3 ?

O MP3 (MPEG-1/2 Audio Layer 3) foi um dos primeiros tipos de compressão de áudio com perdas imperceptíveis ao ouvido humano. O método de compressão usado no MP3 consiste em retirar do áudio tudo aquilo que o ouvido normalmente não conseguiria perceber, devido ás limitações da audição próprias do ser humano que tentaremos explicar mais à frente.
MP3 é a abreviatura de MPEG 1 Layer-3 (camada 3). As camadas referem-se ao esquema de compressão de áudio do MPEG-1. Foram projectadas em número de 3, cada uma com finalidades e capacidades diferentes. Enquanto a camada 1, que dá menor compressão, se destina a utilização em ambientes de áudio profissional (estúdios, emissoras de TV, etc) onde o nível de perda de qualidade deve ser mínimo devido à necessidade de reprocessamento, a camada 3 destina-se ao áudio que será usado pelo cliente final. Como se espera que esse áudio não sofra novos ciclos de processamento, isto é, não sirva para fazer mais cópias, a compressão pode ser menos exigente e aproveitar melhor as características psico acústicas do som limitando-se apenas às frequências que o ser humano detecta..
A compressão típica da camada 1 é de 4 para1 a camada 2 é de 8:1 enquanto a da camada 3 é de 11 para 1. É importante lembrar que essa diferença da compressão não tem nada a ver com uma camada ser mais avançado que a outra tecnologicamente
Após o êxito mundial da Internet, o MP3 causou grande revolução no mundo do entretenimento. Assim como o LP de vinil, a cassete de áudio ou o CD, o MP3 fortaleceu-se como um popular meio de distribuição de músicas. A questão chave para entender todo o sucesso do MP3 baseia-se no facto de que, antes dele ser desenvolvido, uma música no computador era armazenada no formato WAV, que é o formato padrão para arquivo de som em PCs, chegando a ocupar dezenas de megabytes no disco do computador
As taxas de compressão alcançadas pelo MP3 chegam a até 12 vezes, dependendo da qualidade desejada. Para fazer isso o MP3 utiliza, além das técnicas habituais de compressão, estudos das limitações e imperfeições da audição humana.
Como tínhamos prometido, vamos dar uma ideia do que significam as limitações do ouvido humano:
Faixa de frequência audível humana: O ouvido humano, devido às suas limitações físicas, é capaz de detectar sons numa faixa de frequência que varia de 20 a 20.000 Hz, Desta forma, não faz sentido armazenar dados referentes a sons fora desta faixa de frequência, pois ao serem reproduzidos, os mesmos não serão percebidos por um ser humano. Esta é a primeira limitação da audição humana do qual o sistema MP3 faz uso para alcançar altas taxas de compressão.
Limiar de audição na faixa de frequência audível: Outro factor utilizado pela codificação MP3 é a curva de percepção da audição humana dentro da faixa de frequências audíveis, ou limiar de audição. Apesar da faixa de audição humana variar entre 20 e 20.000 Hz, a sensibilidade para sons dentro desta faixa não é uniforme. Ou seja, a percepção da intensidade de um som varia com a frequência em que este se encontra. Desta forma, o MP3 utiliza-se desta propriedade para obter compressão em arquivos de áudios..
Mascaramento em frequência e mascaramento temporal: O mascaramento em frequência ocorre quando um som que normalmente poderia ser ouvido é mascarado por outro, de maior intensidade, que encontra-se em uma frequência próxima. Ou seja, o limiar de audição é modificado (aumentado) na região próxima à frequência do som que causa o ocorrência do mascaramento, sendo que isto se deve à limitação da percepção de frequências do ouvido humano. O mascaramento em frequência depende da frequência em que o sinal se encontra, podendo variar de 100Hz a 4 KHz. Em função deste comportamento, o que o método de compressão do MP3 faz é identificar casos de mascaramento em frequência e descartar sinais que não serão audíveis devido a este fenómeno.
E de electrónica já chega por hoje.

15.10.09

ENERGIA VINDA DO PAPEL

Se eu tivesse escrito esta mensagem há uma dúzia de anos, diriam que estava maluco ou que era visionário ; a verdade é que o avanço da nanotecnologia ( ver este título na etiqueta cultura geral ) nos permite hoje afirmar que o papel pode ser a futura fonte de energia para a enorme quantidade de produtos electrónicos usados no dia a dia. Tal como os plásticos desencadearam uma revolução no fabrico de materiais ,uma nova fonte de energia ,obtida por nanotubos de carbono separados por celulose ,está a revolucionar a alimentação de equipamentos que vão dos iPhones aos marca-passos para as pessoas cardíacas. Robert Linhardt do Rensselaer Polytechnic Institute (RPI), em Nova YorK , afirma : Já construímos uma bateria de papel, um super condensador e um dispositivo híbrido, que poderiam ser usados numa variedade de aplicações de armazenamento de energia . Esses dispositivos são leves e flexíveis e compostos por papel celulósico , um material biocompatível e que não agride o ambiente. Foi produzido em colaboração com três outros laboratórios do RPI e funciona ao utilizar a celulose para separar nanotubos de carbono , alinhados uns com os outros e funcionando como eléctrodos. Fabricados os nanotubos de carbono , a celulose é dissolvida num electrólito, conhecido como sal líquido, e derramado na bateria de papel. Após a secagem o resultado é uma fina folha de papel nanocomposto que pode ser enrolado, torcido, dobrado . Além da flexibilidade, a bateria de papel também pode ser cortada ou empilhada , diminuindo ou aumentando a capacidade de carga. Separar nanotubos de carbono com celulose dá origem a um papel preto que funciona como super condensador de escala comercial ; se os nanotubos forem separados de uma camada de lítio laminado, obtém-se uma bateria de longa duração, num papel negro de um lado e cinzento do outro. Linhardt continua a explicar : os nanotubos de carbono onde a celulose é colocada fazem um contacto com o papel ao nível molecular e numa enorme área , permitindo que o dispositivo armazene e liberte energia com eficiência ;e já estamos interessados na possibilidade de criar desfibriladores em papel , tipo descartável , como suporte médico imediato. Como a imaginação humana não fica parada, pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriram como fabricar baterias muito leves utilizando as nano estruturas de celulose de uma alga do género Cladophora , já que estas algas tem uma enorme área superficial na sua nano estrutura porosa, comparativamente com a celulose das plantas terrestres usadas no fabrico do papel. Esta nova bateria é constituída por uma nano estrutura de celulose das ditas algas ,recoberta por uma camada de polipirrol, com 50 nanómetros de espessura. Estas baterias armazenam 600 mA por centímetro cúbico e devido ao seu reduzido peso, comparativamente às baterias de lítio, talvez venham a ser a solução para armazenar a energia dos automóveis totalmente eléctricos.

9.8.09

TELEVISÃO resumo histórico

Há quem diga que os antecedentes da televisão terão sido a fotografia e o cinema mas outros afirmam que terá sido a rádio ao popularizar a transmissão á distância da voz e da música por meio de ondas electromagnéticas. Se a voz e a música eram transmitidas, por que não tentar a imagem fixa e depois a movimentada? A televisão não surgiu facilmente e teve de socorrer-se de outros inventos que estavam a desenvolver-se no fim do século XIX e que passo a citar: em 1884 , o alemão Paul Nipkow, com 24 anos de idade, inventa e regista a patente de um disco com orifícios em espiral,distanciados igualmente entre si e que, ao rodar velozmente , decompunha em vários pontos claros e escuros uma imagem bastante iluminada. O somatório desses pontos refazia a imagem.

Aproveitando a propriedade do Selénio de variar a sua condutibilidade eléctrica consoante a intensidade luminosa a que é submetido , ao decompor-se uma imagem em pontos claros e escuros , estes corresponderiam a emissões e pausas de corrente eléctrica contínua.Estes seriam transmitidos á distância por meio de um cabo condutor e aí a imagem observável por um processo inverso. As primeiras transmissões de imagem devem-se ,no entanto, ao inglês John L. Baird que achava ser possível transmitir ,através de ondas electromagnéticas , os sinais eléctricos de um disco de Nipkow; em 1924 só transmitia contornos de objectos a 3 metros de distância mas, um ano depois, já eram fisionomias de pessoas . Em 1926 Baird assina um contracto com a BBC para transmissões experimentais entre Glasgow e Londres. O padrão de definição da imagem era de apenas 30 linhas usando o sistema mecãnico de Nipkow . Voltemos no entanto aos inventos do início do século XX que ajudaram a desenvolver a televisão: Boris Rosing desenvolve um sistema de televisão por rios catódicos ; segue-se, em 1923, a invenção do iconoscópio por Vladimir Zworykin que seria a base para as futuras câmaras de imagem Se Philo Earsworth patenteou, em 1927, um sistema analisador de imagem por raios catódicos foi, no entanto, Zworykin que ,ao serviço da RCA, produziu o primeiro tubo de televisão denominado ORTICON , industrializado a partir de 1945. Com máquinas rudimentares de captação de imagens já em Maio de 1935 a Alemanha inicia as emissões regulares com a França a fazer o mesmo em Novembro. A BBC inicia-as em 1936 mas com uma definição de imagem de 405 linhas. Na URSS as emissões têm início em 1938 e nos USA em 1939 , usando a definição de 340 linhas e trinta quadros por segundo. Excluindo a Alemanha, todos estes países interromperam emissões em 1939, devido á segunda guerra mundial. Paris voltou a emitir em Outubro de1944 e Moscovo em Dezembro de 1945 para transmitir o desfile da victória . Em síntese ,a televisão é constituída por uma câmara que capta a imagem, decompondo-a em sinais eléctricos que são enviados a um centro electrónico, o modulador, onde estes sinais são misturados com as ondas de um oscilador. Estas ondas hertzianas moduladas são amplificadas em potência e levadas à antena que as irradia . Estas ondas são recebidas por uma antena do receptor, onde são desmoduladas e o sinal resultante enviado para um écran de raios catódicos onde a imagem é refeita aproveitando o facto de o olho humano as reter durante uma fracção de segundo e não se aperceber que ela é composta por sucessivas linhas de pontos claros e escuros. O dispositivo electrónico utiliza os pontinhos ao longo das linhas conseguindo desenhar o frame (imagem) inteiro a cada 1/25 do segundo,isto na Europa, onde a frequência da corrente eléctrica é de 50 ciclos por segundo. Como as ondas hertzianas da TV se propagam em linha recta é necessário que as antenas emissora e receptora estejam em linha de vista uma da outra, daí o grande número de antenas repetidoras do sinal e sempre colocadas em locais muito altos. Hoje com o avanço da técnica algumas dessas antenas repetidoras estão em satélites geoestacionários, o que aconteceu pela primeira vez em 23 de Julho de 1962.(a foto mostra um dos primeiros televisores a preto e branco)Temos estado a referir à televisão a preto e branco mas que se passou com a cor? As primeiras experiências datam de 1929 quando Hebert Ives conseguiu enviar por fio, imagens coloridas com 50 linhas a 18 frames por segundo ,mas só se pode falar de televisão a cores quando os USA começam a emitir em 1954. Vários sistemas foram criados , mas todos iam de encontro a uma forte barreira : se um sistema novo surgisse, que fazer dos aparelhos antigos a preto e branco que já eram cerca de 10 milhões no início dos anos 50? Foi então criada uma comissão para colocar a cor no sistema preto e branco. Essa comissão, National Television Standards Committee , acabou por dar o nome ao sistema escolhido NTSC. O sistema desenvolvido baseava-se em utilizar o padrão a preto e branco que trabalhava com níveis de luminância (Y) a que se acrescentaram a cromância (C),ou seja a cor.O princípio de captar e receber imagens coloridas baseia-se na decomposição da luz branca em três cores primárias que são o vermelho (R ) (red=vermelho), o verde(G) (green) e o azul (B) blue ,numa proporção de nivel de 30% de vermelho,59% de verde e 11% de azul, emitidas estas cores em separado e em simultânio Na recepção o processo é inverso: a imagem é composta pelo somatório das cores, ou seja dos pontos de cor da tela do televisor. Se observarmos de perto um écran de um televisor a cores veremos que é constituído por minúsculos pontinhos verdes azuis e vermelhos que serão activados pelos sinais R.S e G emitidos.Os nossos olhos e cérebro misturam as tres imagens emitidas e parece-nos só uma a cores. Em 1967 , entra em funcionamentovna Alemanha uma variação do sistema americano a que se deu o nome de PAL e que é usado em Portugal em emissão analógica e frequências de VHF e UHF. No mesmo ano em França entra o sistema SECAM que no entanto não era compatível com o velho sistema a preto e branco. Até agora temos estado a referir a televisão de ondas hertzianas analógicas , como as da rádio em onda média ou curta , mas tal como a rádio evoluiu para emissões digitais em RDS também a televisão o está a fazer. O que recebemos através do cabo é TV digital! Esta usa um processo de modulação e compressão digital para enviar imagem de alta qualidade e som, bem como outras informações , simultaneamente numa única frequência . Para ter uma ideia da evolução televisiva diremos em resumo : a televisão iniciou-se com 30 linhas de imagem, passou a 240 e actualmente tem 480 e 525. A televisão digital chega a 1080 linhas. No que se refere ao formato de imagem passou-se de 4:3 para o 16:9 próximo do tipo panorâmico. Quanto ao som começou com o mono, passou ao estéreo de dois canais (esquerdo e direito) para actualmente ter seis canais .A televisão digital possibilita a sintonia do sinal sem fantasmas nem interferências , além da possibilidade de armazenar programas para os ver mais tarde ou um programa desde o início mesmo que ele já esteja a meio. Se até agora isto estará disponível a curto prazo para as emissões por cabo vem aí a TDT (televisão digital terrestre) em que o sinal que agora só temos por cabo virá por ondas hertzianas ,como agora chega o analógico. Portugal desligará totalmente o sinal analógico em 2012, passando só ao TDT, havendo a possibilidade de captar essas emissões nos antigos televisores desde que lhes sejam acoplados caixas descodificadoras.

4.1.09

NOVAS FORMAS DE VIDA ?

Quem disse que a vida era apanágio da biologia e a sua criação exclusiva da natureza, com o seu "caldo primitivo" de moléculas inorgânicas a evoluir para coacervados e estes para seres unicelulares que, por sua vez, deram as espécies actuais, viveu antes da época dos computadores. Hoje, os zeros e uns da informática são os ingredientes do "caldo primitivo" que, sob a acção de uma mão humana num teclado, poderão dar origem a novas formas de vida , numéricas e artificiais, escondidas nas memórias dos computadores e nos circuitos electrónicos, desenvolvendo-se em espaços virtuais desencarnados, ou via robots articulados ,mais ou menos imitativos de seres vivos. Para não ir muito longe, pensemos apenas naqueles programas informáticos, os vírus, capazes de se manter automaticamente e até de se multiplicar, adaptando-se e evoluindo para resistir aos anti-vírus,e ficaremos perplexos, pois os parâmetros citados são os da vida, tal como a concebemos. Imaginemos por momentos que estamos em finais deste século e que o avanço tecnológico foi tal que se pode transferir a consciência humana para chips ;que partes do corpo humano podem ser substituídas por interfaces robóticas e há, no dia a dia, máquinas a conviver connosco fazendo o trabalho humano. Será que podemos considerar estas máquinas seres vivos ? Os cientistas da NASA dizem que nunca os robots irão pensar como os humanos, embora ao imitarem técnicas humanas, seja para nós mais fácil comunicar com eles. Embora se pareçam com humanos, andem e falem como nós, não são humanos. Eles não choram nem sentem como nós ,embora chips neurais tridimensionais tentem aproximá-los do Homo sapiens. As redes neurais são ferramentas que permitem aos robots aprender com as suas experiências, associar percepções com acções programadas e adaptar-se a situações ou ambientes não previstos.As redes neurais imitam o cérebro, simulando uma grande teia de elementos simples, similares ás células do cérebro que aprendem com exemplos.Uma máquina assim funcione aprende como uma criança, apenas de forma muitíssimo mais lenta.Podemos dizer facilmente a um robot que um quadrado é um objecto equilátero com quatro lados mas como dizer-lhe o que é um gato ? Claro que podemos mostrar ao robot milhares de fotos diferentes de gatos e ele irá, mais tarde, ser capaz de reconhecer gatos em geral, mas isto não quer dizer que estejam a pensar como nós o fazemos, embora sejam máquinas mais eficientes. Nos nossos dias já se fabricam robots com aspecto humano e redes neurais ,a que se deu o nome de androides. O Actroide DER-2 tem aspecto feminino e uma suavidade de movimentos e expressões faciais que podem confundir-nos.


Os construtores japoneses pretendem alugar este modelo (ver foto acima) para empresas e eventos como recepcionista,pois cumprimenta com uma vénia quem chega, dá informações genéricas faladas ,etc.



E que dizer do modelo chinês a sua robot Dion que canta como se fosse verdadeiramente humana? E na figura abaixo qual é a máquina HRP-3Pe qual é o seu criador, o cientista Kawada ?




Se tem dúvidas do que afirmanos , neste muito resumido trabalho faça uma visita ao site http://www.androidworld.com/ e ficará maravilhado, mas nunca esquecendo o que afirmamos sempre : não são vida biológica, talvez se possa dizer vida tecnológica e com muita reserva.






6.9.08

C I B E R G U E R R A


Numa época em que um computador é coisa banal, mesmo os que os não possuem estão deles dependentes ; receber o vencimento, a pensão, ir ao médico, fazer análises clínicas, um movimento bancário, pagar a luz ou o telefone, etc,etc e lá estão computadores e bases de dados a funcionar. Tudo muito bonito, rápido e fácil neste nosso mundo tecnológico, mas uma espada de Democles sobre a nossa cabeça. Um ataque puramente informático ,de origem criminosa ou militar, aos servidores computacionais de um país e temos o caos nesse país. É a ciberguerra e ela não é ficção, pois já foi praticada. Em Abril de 2007, a Estónia foi vitima de um agressão ciberterrorista, ao que parece ,em retaliação ao derrube de uma estátua em homenagem aos soldados soviéticos que combateram os exércitos alemães de Hitler. Ficheiros do governo, dos grandes bancos e até as caixas multi-banco sofreram um ataque de pedidos de informação que deixaram a Estónia isolada do resto do mundo. Perante este facto concreto ,os Governos de todo o mundo decidiram criar equipas especializadas em segurança digital. Em Portugal o CERT é a única equipa preparada para combater uma ameaça digital e resulta de um protocolo assinado entre um departamento governamental (UMIC) e a Microsoft. A técnica mais perigosa dos atacantes consiste em provocar o colapso dos servidores, os gigantescos computadores onde estão alojadas as Webs que podemos ver nos nossos monitores. O colapso obtem-se através de uma avalanche de pedidos simultaneos para uma mesma página, vindos de vários pontos do mundo e a que o servidor não dá resposta,bloqueando. Chama-se a isto denegação de serviço (denial of service) . Para dominar os milhares de computadores de cada país , de onde partirão os pedidos simultâneos para a mesma web, será necessário "escravizá-los" ou, como outros dizem, transformá-los em zombies. Um zombie é um computador no qual foi introduzido, sem o utilizador saber, um programa que o permite operar á distância. Calcula-se que haverá 6 milhões de zombies controlados para fins criminosos e cuja actividade é paga a 25dolars (USA) por hora de ataque. Se quizermos evitar que o nosso computador se torne em zombie devemos ter os seguintes cuidados:
1- Evitar navegar em páginas de empresas desconhecidas.
2- A conta de utilizador não deve ter previlégios de administrador.
3-Devemos utilizar antivirus, antispams, firewalls,etc e actualizá-los regularmente.
O perigo circula na Internet e é real, senão vejamos : Em Maio ,deste ano de 2008, lia-se no jornal India Times : ...os chineses estão constantemente a esquadrinhar e mapear as nossas redes oficiais ..... Diz-se também que um bombardeamento feito pela aviação Israelita a um edifício militar Sírio, fora apoiado por um ataque informático contra as defesas de radar daquele país que ,bloqueadas ,não detectaram os aviões. Dois meses depois, no dia em que começou o conflito entre a Rússia e a Geórgia, houve um ataque aos sites governamentais da Geórgia, ao que parece provocado pela rede criminal de hackers " Russian Business Network " com ligações ao mais alto nível. Se uma denegação distribuída de serviço atingisse o nosso país, como iríamos fazer a entrega electrónica do IRS,o levantamento ou pagamento em postos multibancos, transferências etc ? Uma corrida aos bancos a levantar dinheiro vivo para fazer pagamentos ,levaria ao encerramento dos mesmos por falta de liquidez. O maior receio de todas as autoridades internacionais é que os ataques da ciberguerra não se limitem ás grandes empresas ou a determinado país mas ao funcionamento global da Internet, num apagão geral que provocaria o fim da rêde. Isto já foi tentado em 2002 e 2007 tendo como alvo o DNS (sistema de nomes de domínios) ,isto é, o local onde estão os complexos códigos numéricos de cada site. A listagem oficial de todos os domínios activos encontra-se apenas em treze servidores,sendo eles a verdadeira chave da INTERNET. Se fossem atingidos a internet deixaria de existir. O ataque de 2007 foi feito por zombies sobre seis dos treze servidores mundiais de DNS, sendo dois deles afetados grandemente. Foi este ataque que levou a uma aliança de defesa internacional.,como já referimos. A mais recente defesa é a criptografia quântica do DNS. Como se processa o ataque pode ser assim sintetizado: O país A quer atacar o país B. A contracta cibercriminosos (botmasters)para atacar B . Os botmasters dominam os botnets que são redes de milhares de zombies. Quando o botmaster dá a ordem os milhares de zombies lançam pedidos ao site que deve se atacado (governo , empresa, banco,laboratório,etc ) que acaba por colapsar deixando de funcionar. A III guerra mundial vai ser a guerra electrónica de computadores e poucos soldados no campo de batalha, mas com consequências devastadoras.

26.4.08

A RÁDIO


Muito se tem escrito sobre este invento e variadas as abordagens ao tema nos inúmeros sites disponíveis. Pela nossa parte, limitar-nos-emos a uma pequena descrição por forma a não cansar o leitor. Diremos que os primeiros passos foram dados, em 1863, quando Maxwel demonstrou, teoricamente, a existência de ondas electromagnéticas. Vinte e cinco anos depois, Rudolfo Hertz construiu um equipamento onde se verificava ser possível passar energia eléctrica entre dois pontos, sem recorrer a um fio condutor. Hertz provou ainda que a electricidade viajava na atmosfera sob a forma de ondas, a uma velocidade de 300.000 Kms por segundo. São as ondas hertezianas. Parece que, pela mesma altura, o padre Landel de Moura, no Brasil, fazia experiências idênticas . Devemos salientar que anteriores invenções terão contribuído para o aparecimento da rádio como sejam : o telefone (A. Bell), o fonógrafo (T.Edison) e o microfone (E. Berliner). Gugliermo Marconi, em 1896 , baseado nas experiências de Hertz e de Tesla e aproveitando o coesor de Brenly, a antena de Popov e um sistema de sintonia desenvolvido por Lodge, contruiu um equipamento que lhe permitiu emitir sinais de radiofrequência a 100 metros de distância e, tempos depois,distâncias maiores.

(foto que apresentamos acima é a do primeiro emissor Marconi)
Tinha assim começado a era da radiocomunicação que é uma coisa diferente da radiodifusão. A primeira é um sistema de contactos entre duas estações (transmissoras e receptoras) através de ondas de rádio, enquanto a segunda é uma transmissão de sinais num só sentido, pois o receptor(ouvinte) não tem possibilidade de dar resposta. Abordaremos em primeiro lugar a radiodifusão. Consideram alguns que a primeira transmissão radiofónica foi realizada , em 1906, por Lee de Forest ao testar uma válvula tríodo (lâmpada de rádio ).Comprovado está que este cientista realizou, em 1908, uma emissão a partir da Torre Eiffel que foi escutada por postos militares em Marselha e que, em 1916,continuava a fazer emisões de voz e música com uma emissora em Nova York. Como já demos a entender, a radiodifusão é a transmissão de ondas de rádio previamente moduladas , por voz ou música, e que chegam aos ouvintes que possuam um receptor,vulgarmente conhecido por rádio.


( foto acima mostra um rádio a válvulas termoiónias da década 1940 )
As primeiras transmissões comerciais regulares datam de 1920, irradiadas pela estação KDKA ,em Pittsburgh e pela WEAF de New York,em 1922. Nesta década,vários países europeus e americanos montaram os seus emissores de rádio, começando logo a ser notados os primeiros problemas na radiopropagação, tais como interferências, espalhamentos e outros, até então desconhecidos. As interferências entre emissoras eram tão graves, em países distantes e principalmente de noite que foi necessário regulamentar as potências e as frequências de emissão, tendo-se criado um organismo internacional para tal fim. Nascia a URI (União Internacional de Rádiodifusão ) no ano de 1925. A foto seguinte mostra um dos primitivos receptores de rádio, anterior á descoberta das válvulas termoiónicas, o conhecido receptor a cristal de galena.

Ao que julgo saber, Portugal teve a sua primeira emissora de radiodifusão em 1924,com o indicativo P1 AA (ct1AA) e funcionado, mais ou menos com certa regularidade ,até 1934.Foi seu fundador o radioamador Sr Abílio Nunes dos Santos. Seguiu-se o Rádio Clube Português em Novembro de 1931 e só mais tarde a Emissora Nacional de Radiodifusão (actual RDP) que começou a emitir em Agosto de 1935. Quanto á Rádio Renascença, esta começou a emitir em 1 de Janeiro de 1937. Antes de 1931, existiam apenas alguns pequenos postos de radioamadores a emitir ,esporadicamente, palestras, recitais de piano e alguma música de gramofone.


Mas o que é uma estação de radiodifusão ? Basicamente é constituída por um estúdio ,onde são gerados os programas ao vivo ou em sistemas de reprodução, e pelo emissor ligado á respectiva antena. O estúdio é formado por uma ou mais salas acusticamente isoladas, onde microfones, gravadores de fita, leitores de CD ou qualquer outro suporte de som ,podem ser misturados numa consola de comando para depois chegar ao emissor. Quando o emissor fica longe do estúdio, um circuito especial faz o enlace entre as duas unidades. As fotos que se seguem são de estúdios de duas emissoras portuguesas que há muito deixaram de operar ; nelas se podem ver as consolas de comando, microfones, gravadores e giradiscos, a única fonte de música dessa época.




As ondas lançadas no éter são ,posteriormente ,captadas pela antena do aparelho receptor que as amplifica, sintoniza, faz a desmodulação do áudio, sinal este que é amplificado para se escutar nos altifalantes. A faixa de frequências para a onda média vai dos 535 aos 1565 Khz,em AM ; as emissoras que pretendem atingir longas distâncias (milhares de Kms) usam a onda curta dos 3 aos 30 Mhz; as rádios locais utilizam frequências mais altas,dos 88 aos 108 Mhz, em FM. Já que falámos em AM e FM ,vejamos o que isto significa: dissemos que as ondas de rádio,qualquer que fosse a sua frequência, necessitavam ser moduladas, por voz ou música, para se poderem escutar. AM significa modulação em amplitude,isto é, a onda portadora de sinal tem sempre a mesma frequência, o que varia é a amplitude da onda,de acordo com o sinal sonoro que lhe foi introduzido.

FM significa modulação de frequência,isto é, a onda portadora mantém sempre a mesma amplitude e o que varia é a frequência ,consoante o sinal sonoro injectado.

Ultimamente prepara-se a rádio digital que permitirá que as emissões em FM tenham a qualidade de um CD e as de AM parecerem FM. Devido á facilidade actual no acesso á escuta, a radiodifusão oferece inúmeras possibilidades na educação de um país. Ao utilizar este meio aliado á escola consegue-se, em muitos países, uma educação de qualidade em locais distantes dos centros urbanos. O contacto entre locutor e ouvinte cria a oportunidade de grande mobilização e de divulgação de conteúdos cívicos, principalmente nas zonas rurais. A nossa radiodifusão , especialmente a maioria das rádios locais, perdeu muito do misticismo e encanto dos velhos tempos, chegando-se ao ponto de grande parte da emissão ser feita automaticamente, isto é, a música e anúncios são emitidos a partir de um pré-programado computador. É aquilo a que alguém já chamou radiodifusão enlatada.Mostramos a seguir um estúdio de uma rádio local , em funcionamento.


Passemos agora à radiocomunicação que, ,como dissemos, é um contacto entre duas estações emissoras-receptoras como, por exemplo, entre vários radioamadores, as viaturas dos bombeiros e o quartel, os aviões e a torre de controlo ou os taxis e a central coordenadora. A radiocomunicação iniciou-se, por volta de 1912, como um telégrafo sem fio mas,quando se descobriu a modulação das ondas, começou a comunicação vocal, embora a telegrafia (morse) só tenha caído em desuso nos anos 70. No início da radiocomunicação usava-se um emissor separado do receptor mas, desde a década de 80, vulgarizou-se o uso do transceptor que é um equipamento emissor-receptor. O telemóvel,hoje tão vulgar, é um transceptor,como o são os equipamentos da Banda do Cidadão ou dos radioamadores. A estes últimos se deve muito do avanço nas comunicações via rádio, pois as suas constantes experiências na tentativa de melhorar as comunicações, com fracas potências, deram origem a conhecimenos que foram aproveitados e desenvolvidos pela indústria. Mostramos a estação do falecido radioamador CT1 QA, capitão Jaime Varela Santos que foi fundador da Rádio Ribatejo, em Santarém.

Terminaremos dizendo que radiogonometria, GPS, radiotermia médica, radiolocalização, televisão, radioastronomia, farol aeronautico ,radar,tudo são o resultado das ondas hertzianas.

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