15.12.11

PEGADA ECOLÓGICA



Várias vezes a televisão apresenta programas em que se refere à pegada ecológica, sem que se veja qualquer marca ou pegada de ser vivo, pelo que a frase pode afigurar-se como estranha..
A expressão Pegada ecológica, usada pela primeira vez em 1992 por William Rees, referia-se, em termos de ecologia, à quantidade de terra e água que seriam necessárias para sustentar as gerações existentes, tendo em conta todos os recursos materiais e energéticos gastos por uma determinada população.
Hoje, a pegada ecológica é usada como um indicador de sustentabilidade ambiental. Pode ser usada para medir e até gerir os recursos através da economia. É ainda usado para explorar a sustentabilidade do estilo de vida de determinados grupos de indivíduos, produtos e serviços, sectores industriais, vizinhanças, cidades, regiões e nações.
Depois desta última definição é lógico afirmar que a pegada ecológica de uma população tecnologicamente avançada é, em geral, maior do que a de uma população subdesenvolvida. O uso excessivo de recursos naturais, o consumismo exagerado, aliado a uma grande produção de resíduos, são marcas ( pegadas) de degradação ambiental das sociedades humanas actuais que ainda não se convenceram de que fazem parte integrante da Biosfera e que têm de estar em equilíbrio com ela.
A Pegada Ecológica foi criada para nos ajudar a perceber a quantidade de recursos naturais que utilizamos para suportar o nosso estilo de vida, onde se inclui o agregado populacional (aldeia,vila ,cidade ), a casa onde moramos, os móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, o que comemos, o que fazemos nas horas de lazer.etc.
A Pegada Ecológica não procura ser uma medida exacta mas sim uma estimativa do impacto que o nosso estilo de vida tem sobre o Planeta, permitindo avaliar até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a sua capacidade de disponibilizar e renovar os seus recursos naturais, assim como absorver os resíduos e os poluentes que geramos ao longo do anos.
Como vamos
Vejamos então como diminuir a nossa pegada ecológica exemplos que retiramos da internet mas que poderiam ser ditos por qualquer aluno do ensino básico:
Reduza os consumos energéticos, utilizando aparelhos eléctricos e electrónicos de baixo consumo ( classe A) e não deixe esses aparelhos ligados se não estiverem a ser usados.
- Reduza a utilização do “ar condicionado”, usando ,por exemplo , janelas com vidro duplo.
- Reduza o consumo de água, fazendo um duche rápido, e regule as descargas do autoclismo para um mínimo.
- Minimize a produção de resíduos sólidos, poupando dinheiro ao adquirir embalagens com maior capacidade e produtos com pouca embalagem, sempre que possível recicláveis. Evite as garrafas que utilizam rolhas de plástico. Escolha produtos ecológicos ou com etiqueta ou rótulo ecológicos. Para o transporte das compras opte por reutilizar os sacos.
- Adquira produtos produzidos localmente, pois consomem menos combustível no seu transporte, produzindo menos emissões e contribuem para a manutenção do emprego e para o desenvolvimento da economia regional.
- Prefira produtos frescos em detrimento dos congelados ou enlatados pois estes gastam energia na sua conservação e no fabrico das embalagens . Aumente a proporção de vegetais em relação aos produtos derivados de carne consumidos a cada refeição.
- Deixe o automóvel em casa e utilize os transportes públicos. A utilização do comboio é um meio de transporte muito recomendado. Se utilizar o seu automóvel, procure partilhar com mais pessoas as deslocações para o local de trabalho.
- Utilize papel 100% reciclado e livre de cloro. Consuma o menor volume de papel possível e utilize sempre as duas faces das folhas. Utilize as folhas que não são necessárias para rascunho.

- Repare os equipamentos avariados antes de comprar um novo. Não deite para o lixo um equipamento que funciona, procure encaminhá-lo para quem o possa utilizar.
- Evite comprar produtos de usar e deitar fora, tais como papel de cozinha, guardanapos, toalhas de papel, talheres e copos de plástico, etc....
- Utilize os contentores de recolha selectiva, evitando colocar no lixo produtos potencialmente tóxicos, como por exemplo pilhas. Em relação ao óleo usado de cozinha, entregue-o em locais de recolha. Caso a sua localidade não seja abrangida por uma rede de recolha, coloque o mesmo numa garrafa junto com o seu lixo normal. Nunca despeje o óleo usado no esgoto.
Agora que tem uma ideia do que é a pegada ecológica torne a sua do tamanho da de uma pulga
.

1.12.11

REPRODUÇÃO DOS DINOSSAUROS

Durante muito tempo não foi assunto primordial para os paleontólogos saber como se reproduziam os répteis gigantes do passado pois se estava no início do estudo dos dinossauros e era mais importante reconstruir o seu esqueleto e aspecto exterior para uma futura classificação sistemática dentro dos répteis .
Isso não invalidou que alguns cientistas pensassem que fossem animais vivíparos e outros que eles fossem ovíparos como os répteis dos nossos dias.
A prova de que os dinossauros eram ovíparos chegou em 1923, quando Roy Chapman Andrews que chefiava uma expedição ao Deserto de Gobi na Mongólia, encontrou vários ovos num ninho fossilizado. Estudando esse ninho acabou por concluir que os ovos eram de Protoceratops.
Vários paleontólogos iniciaram então uma busca por ovos de dinossauros ao redor do mundo, tendo conseguido bons achados, a maioria deles na China e Mongólia. Outras descobertas importantes ocorreram na Europa, América do Sul e América do Norte. Estas descobertas são tão importantes que os Chineses , consideram os ovos fossilizados como tesouros nacionais e impedem a sua saída .
O paleontólogo Philip Currie achou ovos fossilizados no Canadá e escreveu um artigo para a edição de Maio de 1996, da revista National Geographic sobre ovos de dinossauros. Em uma das suas buscas teve a sorte de encontrar os ovos fósseis com pequenos embriões de hadrossaurídeos dentro deles.
Currie e alguns colegas foram então à província de Hubei na China, local onde há tantos fósseis de ovos, que eles pensaram serem pedras pois não havia possibilidade de existirem tantos ovos em um único local. Curie estava enganado, pois eram ovos. Então os moradores locais guiaram-nos pelos vários ninhos que ali existem, até chegarem às ruas de uma aldeia, onde ovos eram usados como pedras para construção. Havia ovos aparecendo nos barrancos erodidos, bem visíveis, mas infelizmente para os pesquisadores o governo Chinês proíbe a retirada dos fósseis do país, só deixando que visitem determinados sítios fossilíferos para estudo.
Assim como fez Currie, outros paleontólogos encontraram ovos de animais pré-históricos o que forneceu muito material para estudar o comportamento dos animais.
Mas como se tem a certeza de que os dinossauros punham ovos?
Poucos ovos de dinossauros contém embriões no seu interior, e poucos são encontrados, e se compararmos os achados de ovos ao número de dinossauros já catalogados, veremos que existem poucos ovos para muitos tipos de dinossauros, o que poderia indiciar que nem todos pusessem ovos. No entanto, é mais provável a ideia que não encontremos tantos ovos porque estes são frágeis e alvo directo de predadores esfomeados. Vários dinossauros eram ladrões de ovos, e entre os mais famosos estão o Velociraptor, Troodon. Predadores, provavelmente também mamíferos de pequeno porte, comiam ovos, pois estes não ofereciam resistência a um ataque e eram extremamente nutritivos.

Quando os cientistas estudam os dinossauros, fazem inferências, ou chegam a conclusões lógicas baseadas na anatomia comparada com animais actuais Uma inferência é que os dinossauros se reproduziam sexualmente e punham ovos, pois as aves e os répteis, os parentes mais próximos dos dinossauros, reproduzem-se sexualmente e também põem ovos;
Mas há mais: a pesquisadora Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, descobriu o osso medular na perna de um Tiranossauro rex. Esse é um tipo de osso que as aves usam para armazenar cálcio extra para a produção de ovo [fonte: Fields];
Ou ainda: Pesquisadores encontraram ovos fossilizados em vários locais ao redor do mundo e alguns têm embriões de dinossauro. Esses ovos parecem ser um pouco diferentes dos ovos de aves e répteis, além de terem padrões na superfície que não aparecem em nenhum ovo recente, mas isso pode ser consequência da evolução.
É muito difícil relacionar um ovo com o animal que lhe deu origem s. Os pesquisadores precisam abrir muitos ovos para encontrar apenas um embrião. Além disso, os grandes dinossauros mudavam bastante de aspecto desde que saíam do ovo até se tornarem completamente adultos. Dessa maneira, mesmo um embrião perfeito não garante uma relação com quem pôs o ovo.


Mas mesmo que uma espécie de ovo seja desconhecida, ela ainda pode fornecer informações sobre como os dinossauros viviam. Podemos afirmar que tal como as aves e os répteis, os dinossauros construíam ninhos. Enquanto alguns ninhos fósseis são pilhas de ovos amontoados a esmo rodeados por solo e detritos, outros têm padrões organizados. Algumas escavações revelaram locais com várias camadas de ovos e ninhos. Em algumas espécies, os dinossauros tomavam conta de seus ninhos com cuidado e retornavam ao mesmo local da ninhada ano após ano.
Os próprios ninhos dão aos pesquisadores uma ideia de como os ovos se desenvolviam e chocavam. Alguns ninhos têm a forma de ninhos de aves e são mais altos do que o solo ao redor. Isso sugere que alguns dinossauros chocavam seus ovos exactamente como as aves o fazem, repousando seus corpos sobre os ovos. Embora possa parecer absurdo, pesquisadores encontraram esqueletos de dinossauros posicionados sobre os ovos. Mas nem todas as espécies faziam isso - outras enterravam e abandonavam seus ninhos ao calor do terreno, como os crocodilos.
Por enquanto, tem sido difícil aos cientistas determinar se os dinossauros saíam dos ovos prontos para se defenderem sozinhos, como os répteis, ou se precisavam do cuidado dos pais, como as aves. Um estudo de seis anos de fósseis de um ovo de 80 milhões de anos, na Universidade de Leicester, determinou que pelo menos algumas espécies eram auto-suficientes quando saíam dos ovos [fonte: Science]. Mas embriões de outras espécies completamente desenvolvidos eram pequenos demais ou desajeitados para sobreviverem sem ajuda. Pesquisadores chegaram a encontrar esqueletos de um dinossauro adulto acompanhados dos esqueletos de seus filhotes [fonte: Trinity-Stevens].
Porém há muito que aprender sobre a reprodução dos dinossauros. Não se tem certeza se os dinossauros faziam rituais de acasalamento ou se competiam por parceiros. Entretanto, algumas espécies aparentemente são sexualmente dimórficas ,isto é ,,o macho era morfologicamente diferente da fêmea
Usando como fonte www.achetudoeregiao.com.br vejamos como eram os hábitos de acasalamento, incubação e outros, dos dinossauros
Todas as semanas novas espécies de dinossauros são descobertas e muitas apresentam estruturas estranhas que nem sempre podemos explicar. Tais como os, espinhos, barbatanas, placas etc... Para todas essas excentricidades antigamente tínhamos uma única explicação: combate e defesa. Por exemplo, os cornos e gorjeias dos ceratopsianos durante anos foram tidas como armas para defendê-los dos tiranossauros. Estudos recentes revelaram que tanto cornos como gorjeias eram frágeis demais para essa função. Então para que serviam? A resposta é sexo!!!
É possível que essas estruturas fossem usadas para ornamentação e exibição durante a época de acasalamento. Os ceratopsianos poderiam exibir suas coloridas gorjeias para atrair as fêmeas. Se um macho rival aparecesse os cornos poderiam ser usados para combates rituais e mostrar â fêmea quem era o mais forte.
Essa mesma explicação é aplicada por muitos especialistas para as placas dorsais , as cristas e barbatanas dorsais encontradas em muitos dinossauros.
Muitas das antigas teorias sobre o comportamento reprodutivo dos dinossauros foram postas em causa com as novas descobertas dos cientistas. Antes acreditava-se que ao depositarem os seus ovos eles os abandonavam. Indícios provam que muitas espécies não só cuidavam dos ovos como dos filhotes depois de nascerem, alguns até por bastante tempo.
Acreditava-se que os dinossauros carnívoros, como o tiranossauro, ao porem os ovos os abandonavam à própria sorte. Indícios fósseis mostram que logo após o acasalamento, macho e fêmea construíam um ninho e ali eram colocados dúzias de ovos.
Provavelmente apenas 4 ou 5 nasciam e sobreviviam. Aos nascerem ainda eram pouco desenvolvidos, pequenos e frágeis como foi mostrado por um achado de um tiranossauro juvnil. Os pais traziam –lhes comida e com o tempo eles começavam a sair para caçar pequenos animais que encontravam, sempre com a supervisão dos pais.
Os tiranossauros demoravam aproximadamente 15 anos para ficarem adultos, um período de tempo bastante curto, se levarmos em conta que nasciam do tamanho de um peru e cresciam até pesarem cerca de 6 ou 7 toneladas.
Animais menores, como oviraptores também cuidavam de suas crias, alimentando-as com comida regurgitada. Deveriam demorar pouco mais de 1 ano para atingirem o tamanho máximo.

Os ceratopsianos machos na época do acasalamento ficaram com suas gorjeias bem coloridas e as agitavam para atrair as fêmeas. Às vezes 2 machos acabavam brigando por uma fêmea. Após o acasalamento eles faziam grandes buracos no chão e depositavam seus ovos em fileiras.
Costumavam nidificar em colónias para que pudessem proteger seus ninhos e os dos outros de ladrões de ovos. Os filhotes nasciam sem chifres: estes cresciam com a idade. Mesmo depois de crescidos os filhotes ainda ficavam sob tutela dos pais até que ficassem grandes o suficiente para se defenderem sozinhos.
Os hadrossauros também nidificavam em colónias, sendo que cada ninho ficava a uma distância de aproximadamente 4 metros um do outro, para melhor protecção.
Os filhotes muito pequenos passavam muito tempo no ninho, até se desenvolverem mais para que pudessem sair. Acredita-se que levavam uns 8 anos para atingirem a idade adulta.
Os saurópodes tinham um método de reprodução muito interessante: a fêmea cavava um buraco na orla de uma floresta densa e lá depositava centenas de ovos redondos. Enterrava-os e os deixava lá. Quando nasciam os saurópodes estes já podiam caminhar manterem-se sozinhos, dentro do mato fechado. Lá ficavam por muitos anos aproveitando-se de sua camuflagem contra os predadores.É claro que nem sempre isto funcionava e a maioria era apanhada. Quando ficavam grandes demais para viver ali , saíam para campo aberto e tratavam de procurar uma manada de adultos. Se conseguissem encontrar uma os adultos instintivamente os adoptavam e passavam a cuidar deles como se fossem seus, para o resto de suas vidas.
Acredita-se que os saurópodes atingiam a maturidade sexual aos 20 anos.
Outros especialistas rejeitam o abandono dos ovos e acreditam que os saurópodes cuidavam das crias desde o período de nascimento. As discussões ainda permanecem. Os troodontes tinham um método bastante incomum de reprodução. Sabe-se que eles dividiam o território com dinossauros ornitópodes conhecidos como Orodromaeus, que cuidavam muito bem de suas crias. Os troodontes, aproveitando seu tamanho e aparência equivalente se infiltravam nos ninhos e colocavam seus próprios ovos ali. Os pais Orodromeus não percebiam a diferença e cuidavam dos ovos do intruso como se fossem seus. Os troodonte nasciam primeiro e já eram pequenas máquinas de matar. Comiam os outros ovos e, às vezes, filhotes mais fracos de Orodromaeus. Este facto acontece nos nossos dias com certas espécies de aves .

14.11.11

CURIOSIDADE ASTRONÓMICA



Quanto mais se estuda o Universo, mais coisas maravilhosas se vão descobrindo e que julgávamos serem impossíveis, como esta de um planeta designado de kepler 16, orbitando dois sois, isto é, duas estrelas
.A descoberta foi feita graças ao Kepler, o telescópio espacial programado para detectar planetas fora do nosso sistema solar.. O investigador Laurance Doyle usou o telescópio para estudar sistemas binários, ou seja, sistemas solares com duas estrelas sendo esta a primeira detecção inequívoca de um planeta que gira em torno de duas estrelas
O cientista trabalha num instituto da SETI (procura de vida extraterrestre), na Califórnia, e desde que o Kepler foi enviado para o espaço, em 2009, tem estado a observar centenas de sistemas binários que estavam no campo de visão do telescópio, ou seja, um pouco do espaço que apanha as constelações de Balança e do Cisne.

O telescópio tem uma câmara do tipo grande angular que foi desenhada para detectar a luminosidade das estrelas com um detalhe fabuloso. Quando um planeta passa à frente do seu sol faz uma pequena sombra e a quantidade de luz que chega à Terra vinda da estrela diminui algumas fracções. O telescópio consegue detectar essa variação.

No caso de duas estrelas a girar uma à volta de outra, a máquina detecta os eclipses. Foram estes eclipses que Laurance Doyle andou a observar.

“Via eclipses regulares, mas o meu olhar foi atraído para os eclipses extra que ocorriam fora de uma sequência e pensei ‘ou é um terceira estrela ou é um planeta’”, explicou Doyle. A equipa confirmou que existia um astro que passava à frente das duas estrelas, e criava eclipses diferentes.

Depois, através da medição do tamanho das duas estrelas, do grau dos eclipses criados pelo terceiro objecto e da influência que este tem nas órbitas dos sóis, os cientistas concluíram que só podia ser um planeta.
Apresentemos então o planeta Kepler 16.
No centro de gravidade do sistema há duas estrelas e por isso nenhuma está no meio. A maior, com quase sete décimos do tamanho do Sol, é a que está mais próxima deste centro. A segunda estrela tem apenas um quinto do tamanho do Sol, é mais escura e menos quente. As duas estrelas têm um período de rotação de 41 dias e uma órbita excêntrica.

O planeta é grande - do tamanho de Saturno - e meio rochoso, meio gasoso. Tem uma órbita circular à volta dos sóis, com um período de 228 dias e tem uma temperatura média entre os 103 graus negativos e 70 graus negativos.

“Tudo está alinhado de uma forma belíssima”, referiu Laurance Doyle, explicando que isso sustenta a ideia de que este planeta surgiu do mesmo disco estelar que criou os dois sóis e não foi puxado pela gravidade das estrelas, vindo de outro lado do espaço. “

1.11.11

O LUTO EM ANIMAIS




Quando decidi escrever esta mensagem surgiu-me a dúvida se a deveria incluir na etiqueta antropologia ou na de biologia, mas acabei por decidir-me pela primeira pois os exemplos que citarei são passados com antropóides primatas, nossos “ primos” evolutivos. Tentei também não confundir reacções de Pavlov com outras que são, ou parecem ser, sentimento de luto. Postas estas advertências vamos ao assunto!
Quando, no início da década de sessenta, cumpria mobilização militar em Moçambique, comandei dois pelotões que faziam a guarda aos paióis gerais da Região Centro e que se situavam entre a cidade da Beira e a vila do Dondo , área na altura quase despovoada e de densa savana.
Como o perímetro de segurança destes vários paióis não estava ,naquela época, delimitado por qualquer cerca de rede, a zona era severamente guardada e patrulhada de dia para afastar eventuais intrusos, já que era área totalmente restrita. À noite a vigilância era ainda mais severa e, com a escuridão, a ordem era abrir fogo sobre algo que accionasse os improvisados alarmes e não se identificasse de imediato. Esta norma de segurança fez com que alguns macacos fossem abatidos , ao tentarem aproximar-se, no escuro, dos referidos paióis onde lhes cheirava a comida dos soldados.
Ao raiar do dia seguinte a esses incidentes havia sempre forte algazarra entre os macacos mais jovens empoleirados nas árvores, enquanto outros, no terreno capinado ou desmatado, tentavam aproximar-se do local onde estava o corpo do macaco morto, para o resgatar. Para o fazer mostravam atitudes ameaçadoras e chegavam a atirar paus e pedras para afastar os soldados da guarda . Quando estes soldados simulavam retirar, para detrás do paiol , os macacos rapidamente resgatavam o corpo e o levavam para a orla do terreno limpo de vegetação, tendo eu verificado, através de binóculos, que um deles tentava reanimar o companheiro , enquanto o resto do bando assistia em profundo silêncio.. Como tal não acontecesse levavam-no para o mato mais denso. ( Ver foto inserida de um velório entre macacos)
Como explicar esta reacção tão humana ? Será que sentem pena e sofrimento ,ou apenas parecem sentir ? A resposta é difícil e divide os cientistas!
Sem querer cair em antropomorfização , cito Iain Hamilton :
A macaca Tina morreu atacada por um leopardo. O macaco macho dominante manteve-se horas junto do cadáver, impedindo que outros se aproximassem; só deixou que Tarzan , irmão de Tina, se sentasse ao seu lado. Os chimpanzés reagem á morte dos seus congéneres e parece que a vêem como uma mudança profunda pois não comem, ficam deprimidos e chegam a perder peso. Se não ficamos muito admirados com isto porque se trata de animais morfologicamente muito parecidos com os humanos que dizer de situações parecidas passados com elefantes e que foram descritos por vários zoólogos ? Alguns investigadores acreditam que os elefantes manifestam grande preocupação face aos restos mortais de outros elefantes. Quando diante de ossos e outros objectos naturais, os elefantes africanos passam consideravelmente mais tempo a explorar os crânios e maxilares de outros elefantes do que em relação ao de outros animais. Também tentam levantar com a tromba um companheiro ferido ou morto, só desistindo ao fim de algumas horas.

Vejamos agora outros casos em animais não primatas e , por isso, mais afastados de nós evolutivamente:
Perda de apetite, uivos e semblante triste são alguns dos sintomas que muitos bichos de estimação apresentam após a morte de um companheiro, no caso, outro animal. Embora as reacções não sigam um padrão, o "clima de luto" entre cães e gatos é apontado como algo visível por donos que chegam a procurar a ajuda de um veterinário.
A jornalista Juliana Bussab , fundadora da ONG Adopte um Gatinho , afirma ter visto de perto as reacções de luto. Uma das situações aconteceu entre dois de seus cães, um husky siberiano e um weimaraner, apresentados um ao outro já adultos . A convivência, difícil no começo, transformou-se em amizade e, anos depois, em tristeza, após a morte do segundo. "O husky não queria comer e começou a deitar-se onde o outro usualmente descansava". Preocupada, Juliana levou o cão ao veterinário e, cerca de três meses depois da morte do amigo, as melhoras começaram a aparecer.

Já entre os gatos, ela diz que observou a relação entre dois gatinhos da mesma ninhada, acolhidos pela ONG. Com a morte do macho, a fêmea começou a chorar com frequência e procurar o companheiro, mas acabou superando sozinha em alguns meses.

A veterinária Angélica Lang Klaussner diz que casos como estes são comuns, embora também existam cães e gatos que não esbocem qualquer reacção com a morte de outro.
Voltemos aos primatas já que incluÍ esta mensagem na etiqueta antropologia:

Na realidade, segundo os primatologistas, no seio da maioria das espécies primatas a mãe reage sempre à morte das suas crias, abraçando e tratando o pequeno animal como se ainda estivesse vivo. Durante alguns dias, ou mesmo semanas, a mãe carrega o corpo para onde vai e, se necessário, discute com qualquer um que tente separá-la da cria morta.

A primatologista Sarah Hrdy, considera fazer sentido, no que diz respeito à adaptação, que as mães segurem as crias falecidas, mantendo a esperança durante algum tempo. «Se a cria não estivesse realmente morta, mas em coma temporário, porque ficou doente ou porque caiu de uma árvore, ele voltaria à vida», explicou.
«Estamos a falar de primatas que têm partos de uma só cria após longos períodos de gestação. Cada um representa um enorme investimento para a mãe», acrescentou.
Por todos os recantos da natureza, segundo os biólogos, existem animais que se comportam como se tivessem consciência do predomínio da morte, apesar de considerarem que ela não lhes diz respeito.
Michael Wilson, professor assistente de Antropologia na Universidade de Minnesota e que estudou chimpanzés na Tanzânia, comentou que estes primatas «são muito diferentes dos humanos no que toca ao seu entendimento sobre a morte e as diferenças entre os vivos e os mortos».
Os chimpanzés jovens revelam sinais de luto genuíno quando as suas progenitoras morrem. Porém, os chimpanzés adultos raramente expressam algum tipo de sentimentalismo em relação à morte de outro adulto, explicou.
Isto porque os adultos doentes ou já idosos se isolam na floresta para morrerem sozinhos; e aqueles que morrem com companhia, por norma, morrem com outros adultos.
A mesma atitude liberal se aplica ao hábito de caça desses animais. «Quando caçam outros macacos, podem matá-los ou apenas imobilizá-los antes de os começarem a comer», contou.
Para alguns animais, a morte de um membro da mesma espécie pode corresponder, em significado, a uma refeição normal.
Parece confuso e até contraditório o que acabamos de escrever mas não podemos esquecer que ,no passado, havia comunidades humanas que praticavam canibalismo, não sepultando os mortos,principalmente os inimigos. São estes pormenores que nos levam umas vezes a aceitar e outras a duvidar, se há sentimentos de dor e de perda entre os animais e , por tal motivo ,se cumprem um luto..

16.10.11

CÓDICE CALIXTINO

A notícia caiu como uma bomba nos meios culturais de Espanha e do resto da Europa pelo seu imprevisto e ousadia: “ O Códice Calixtino, ou Codex Calixtinus, um livro do século XII de valor incalculável, desapareceu da Catedral de Santiago de Compostela, em Espanha. O manuscrito estava guardado numa caixa forte no arquivo da catedral e o seu desaparecimento apenas foi reportado esta terça-feira.” ( notícia de 7 de Julho de 2011)
Esta notícia curta levou o comum das pessoas a pensar tratar-se apenas de um roubo de mais um velho livro que poucos conseguiam ler , mas o crime já é considerado um dos mais graves cometidos contra o património histórico e artístico de Espanha. Mas o que é na realidade este Códice, roubado a 5 de Julho?
O Codex Calixtinus ou Códice Calixtino , é um conjunto de manuscritos com iluminuras de meados do século XII. É conhecido do grande público pelo seu livro V, que consiste no mais antigo guia para os peregrinos que faziam o Caminho rumo a Santiago de Compostela, incluindo conselhos, descrições do percurso e das obras no arte nele existentes, assim como usos e costumes das populações que viviam ao longo da rota. Os demais livros do códice são sermões, narrativas de milagres e textos litúrgicos diversos relacionados com o apóstolo São Tiago. O códice escrito em latim nos anos finais do arcebispado de Diego Gelmírez, visava servir como promoção daquela Sé. Embora apresentado originalmente como sendo da autoria do Papa Calisto II, daí o seu nome, na realidade foi redigido por vários autores no período entre 1130 e 1160, tendo elevado valor literário.
O exemplar mais antigo dos livros que constituem o Códice é datado de 1160, e é formado pela cópia de um exemplar modelo. A cópia realizada pelo monge Arnaldo de Monte em 1173 conserva-se actualmente em Barcelona
Segundo apuramos , parte do manuscrito foi traduzido para o galego no primeiro terço do século XV onde ficou conhecido como "Milagres de Santiago"", e recolhe partes da "Historia Caroli Magni e do Guia do Peregrino. O códice sofreu intervenção de restauração em 1966 , ocasião em que lhe foi reincorporado o Livro IV, que dele havia sido destacado em 1609.
Carlos Villanueva, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela e estudioso destas obras afirmou que o livro é de um valor "imenso", difícil de estabelecer caso a obra fosse leiloada.
Villanueva considera que o livro é possivelmente o original (ou pelo menos o melhor dos exemplares) do Codex Calixtinus, que descreve pela primeira vez os detalhes de várias das rotas do Caminho, com informação sobre alojamento, zonas a visitar e património e objectos de arte que podem ser conhecidos.
Um relato que, nove séculos depois, continua ainda hoje a ser citado e ainda serve de referência para alguns dos locais percorridos pelos peregrinos.
Conhecido também como o Liber Sancti Jacobi, foi realizado em honra do apóstolo Tiago, detalhando-se a vida, o martírio e a veneração da figura que tem em Compostela o seu maior culto.
O professor afirmou ainda que a obra acabou por ser divida em cinco livros e vários apêndices, entretanto reunidos, já no século passado, num único volume. Villanueva destaca o facto de que o livro estava " muito bem protegido e isolado, numa caixa forte, com acesso personalizado e muito difícil de ultrapassar". O seu roubo é de profissionais e"um golpe tremendo" para Santiago de Compostela por tratar-se de "uma peça significativa e fundamental para o conhecimento da história".
As autoridades espanholas montaram já uma ampla operação policial em toda a Espanha no intuito de encontrar a pista ao livro e pensam que pode tratar-se de um roubo realizado por um grupo contratado por algum coleccionador ou traficante de objectos deste tipo.
Apresentamos apenas um breve resumo deste acontecimento omitindo pareceres e opiniões ,muito abundantes na internet que apontam o roubo como sendo um acto publicitário em virtude das condições de extrema segurança em que se encontrava.

6.10.11

ARQUITECTURA DO VALE DO SOUSA

A arquitetura românica surgiu na Europa no século X e evoluiu para o estilo gótico no fim do século XII. Caracteriza-se por construções austeras e robustas, com paredes grossas e minúsculas janelas, cuja principal função era resistir a ataques de exércitos inimigos.
Na muito ramificada bacia hidrográfica do rio Sousa, um afluente do rio Douro, desenvolveu-se uma arquitectura românica fruto das condições físicas e sociais existentes naquela região, nos finais do século XI e até ao século XIII.
Esta arquitectura é diferente da que se observa nos templos da zona mais nortenha de Portugal, onde as construções mais antigas são, atarracadas e sólidas, lembrando o romano, com grandes pórticos ladeados por capitéis esculpidos com símbolos, animais e vegetais. Este modo de construção foi sendo progressivamente substituído pelo gótico, sendo então os templos mais altos e os pórticos de volta redonda (romanos) dando lugar aos arcos ogivais.
Como dissemos, no Vale do Sousa, o estilo românico é singular e. evidencia-se na ornamentação das entradas e dos longos frisos que decoram os espaços religiosos, bem como na técnica usada. A técnica é a do bisel, ( corte feito obliquamente) que potencia os efeitos de luz e sombra que realçam os motivos esculpidos, normalmente plantas, talvez influência árabe. A esta decoração associam-se ainda colunas prismáticas com bases bulbiformes.
Parece que tudo terá começado, no início do reino de Portugal. quando duas famílias nobres a dos Sousas e a dos Ribadouro se estabeleceram nos territórios da bacia do Sousa e sob sua protecção , ali se instalaram ordens religiosas monásticas que rapidamente se converteram em pólos de atracção de gentes rurais formando povoados com suas igrejas paroquiais. A instalação destes coutos religiosos, sobretudo junto dos cursos de água, garantiu a educação da nobreza e favoreceu a evolução destas terras e das suas gentes com a consequente construção de obras de estilo românico.
Este valioso património pode hoje ser facilmente visitado já que os municípios de Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel uniram esforços e criaram, em 1998, a Rota do Românico do Vale do Sousa.
Este roteiro, está devidamente sinalizado em toda a região e estende-se por um percurso viário de cerca de duas centenas de quilómetros. Comecemos pelo Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, em Penafiel. Este velho mosteiro beneditino foi pertença da família Ribadouro e ainda hoje guarda memória desses tempos, ao conservar no seu interior o túmulo de Egas Moniz.
De acordo com Lúcia Rosas, o Mosteiro “tem origem na fundação de uma comunidade monástica que remonta ao século X” e constitui um edifício-padrão onde as tradições locais e as influências do românico de Coimbra e do Porto se miscigenaram, padronizando o tipo de românico nacionalizado das bacias do Sousa e do Baixo Tâmega”. Assim, apresenta motivos decorativos vegetalistas (vides, acantos e palmetas) talhados a bisel e longos frisos, que existem tanto no interior como no exterior do templo.
No concelho de Paredes, está o Mosteiro de São Pedro de Cête, cuja fundação também remonta ao século X. Sofreu modificações posteriores, pois a igreja é já da época gótica.. Segundo Jorge Rodrigues, “a fachada impressiona imediatamente pela sua irregularidade, graças à altura, à grande torre ameada do lado norte e, sobretudo, ao gigantesco contraforte, sensivelmente ao centro, de decoração manuelina”.
Já o Mosteiro de São Pedro de Ferreira, a cerca de quatro quilómetros de Paços de Ferreira, é considerado por Lúcia Rosas “um dos mais cuidados monumentos do românico português”. De origens ainda não completamente esclarecidas, a igreja é precedida de uma estrutura que aparenta uma função inicial defensiva, com um campanário de dois vãos e cimalha de duas águas, “constituindo caso único no românico português”, salienta Jorge Rodrigues. Este especialista em arte românica refere ainda que “a excelente escultura do templo é essencialmente vegetalista e geométrica, com a influência de Paço de Sousa – bem perto – a fazer-se sentir nos entrançados do portal principal, nos capitéis da capela-mor”. Lúcia Rosas acrescenta ainda que “o amplo portal ocidental, com quatro colunas de cada lado, duas das quais prismáticas, está muito bem desenhado, mostrando um tratamento decorativo de acentuado valor”. Assim, conclui que “o templo deve ter sido edificado rapidamente, beneficiando de condições técnicas, materiais e financeiras de excepção, no panorama da obra românica em Portugal”.
Já o Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, propriedade dos Sousa, é um dos mosteiros beneditinos mais ricos com o portal principal representando um notável exemplo da escultura românica.
O que se passa com os mosteiros passa-se com as igrejas espalhadas por esta zona, bem como torres e pontes Desta forma os municípios que atrás citamos criaram três rotas turísticas : a dos mosteiros, a das igrejas e a das torres e pontes.
Enquanto projecto turístico cultural, a Rota do Românico visa a recuperação, a beneficiação e a criação de condições de visita dos imóveis . Após ter sido distinguida em 2009 com o Prémio Turismo de Portugal na categoria de “Requalificação de Projecto Público”, voltou a ser galardoada, além-fronteiras, com o Troféu Internacional de Turismo, no âmbito da Feira Internacional de Turismo – FITUR 2010.

29.9.11

PELÁGIO e a reconquista cristã

Mais ou menos no início do oitavo século depois de Cristo , por volta do ano 711, a Península Ibérica foi invadida por hordas de muçulmanos , comandadas por Tarik ibn-Ziyad, o que levou os visigodos cristãos que viviam na Ibéria a recuar para norte, principalmente para as Astúrias que, pelas suas características de altas montanhas escarpadas, colocava grandes dificuldades ao domínio muçulmano. O período entre os anos 711 e 1492 , foi palco da recristianização da região, ocorrendo ,por isso, longo processo de lutas contra os muçulmanos, É durante esta fase que se dá o aparecimento do Reino de Portugal e de diversos outros na Península Ibérica. Chamamos Reconquista Cristã ao movimento cristão que visava à recuperação pelos Visigodos cristãos das terras perdidas para o islamismo .
Os muçulmanos não conseguiam ocupar a região montanhosa das Astúrias onde resistiam muitos visigodos e foi aí que surgiu Pelágio (ou Pelaio) que se pôs à frente dos refugiados, iniciando imediatamente um movimento de guerrilha..A guerrilha tinha, como já dissemos, um objectivo: reapoderarem-se das suas terras e de tudo o que nelas existia. .
Vamos então falar de Pelágio .
Pelágio, ou Pelayo, foi o fundador do Reino das Astúrias e o seu primeiro rei entre 718 e 737.
Dom Pelágio, juntamente com outros nobres Visigodos foram presos em 716, por ordem de Munuza, o governador muçulmano das Astúrias, e enviados para a sede do reino, em Córdova.
Pelágio conseguiu fugir, e voltou para as Astúrias refugiando-se nas montanhas de Cangas de Onis. Em 718, D. Pelágio reuniu um grupo de seguidores e iniciou a resistência ao invasor islamita, inicialmente com escaramuças contra pequenos destacamentos militares das povoações e, mais tarde, em luta aberta.
Em 722, o wali Ambasa enviou um grande contingente militar contra os resistentes de Pelágio. Este acabou por vencer nas altas montanhas de Covadonga. Esta batalha é considerada como o ponto de partida da reconquista cristã.
Após esta vitória, o povo asturiano uniu-se e rebelou-se provocando muitas baixas entre os mouros. O governador, Munuza, organizou outra força para confrontar o exército rebelde. mas Pelágio venceu novamente e Munuza morreu. Pelágio foi aclamado rei e fundou então o Reino das Astúrias instalando a, sua corte em Cangas de Onís.
Com o reino consolidado, D. Pelágio, veio a falecer de morte natural em Cangas de Onís, no ano 737. Foi sepultado na igreja de Santa Eulália de Abamia, próxima a Covadonga que ele havia fundado. Nesta igreja ainda existe o dólmen sob o qual ele foi inicialmente sepultado. Posteriormente seus restos foram trasladados por Alfonso X para o Santuário de Covadonga. ( ver foto ao lado) De sua mulher Gaudiosa, teve Fávila, seu sucessor no trono, e Ermesinda, que viria a desposar D. Afonso I, de Astúrias, filho de Pedro, duque da Cantábria. As altas montanhas desta zona asturiana são designadas de PICOS DA EUROPA.

14.9.11

HISTÓRIA DOS TRANSPLANTES DE ORGÃOS




Durante muitos anos os médicos tentaram substituir um órgão doente de um ser humano por um outro de um animal parecido , como o porco ou o macaco, mas tal substituição matava o paciente. Tentaram depois órgãos retirados de seres humanos acabados de falecer mas também aqui o corpo do doente reconhecia que aquele órgão lhe era estranho.
Era a rejeição do tecido estranho do doador por causa do sistema imunológico do receptor que reconhecia que aquele não lhe pertencia.
O sistema imunológico é como um exército, constantemente em guarda contra qualquer invasão de bactérias, vírus ou outras substâncias potencialmente perigosas. Quando o tecido de um doador é colocado dentro do corpo de outra pessoa, este exército imunológico o vê como um invasor e inicia uma batalha. Os glóbulos brancos do sangue atacam e destroem o tecido desconhecido pelo processo chamado de rejeição . Tal já não ocorria quando o órgão do doador era de um irmão gémeo idêntico ou verdadeiro. A semelhança genética das duas pessoas impedia a reacção imunológica. O cirurgião, Joseph E. Murray, utilizou este facto quando, em 1954, realizou com êxito o seu primeiro transplante de rins entre gémeos idênticos , no Hospital Brigham and Women em Boston.A cirurgia do Dr Murray foi um progresso importantíssimo. Porém não era uma solução, já que muito poucas pessoas têm um gémeo idêntico com quem contar para a doação de órgãos.
No final dos anos 60, os médicos descobriram uma maneira de realizar transplantes entre pessoas que não fossem parentes, através da supressão da reacção imunológica do receptor, com medicamentos chamados imunossupressores, mas mesmo assim surgiam problemas pois esses medicamentos eram altamente tóxicos e o risco de infecção aumentava exponencialmente o que fazia com que a maioria dos pacientes de transplantes não vivessem muito após a operação.
Como é próprio do ser humano não desistir perante adversidades, nos anos 80, os medicamentos anti-rejeição melhoraram tanto que a cirurgia de transplante tornou-se rotineira e bem menos arriscada do que havia sido nas décadas anteriores. As taxas de sobrevivência aumentaram, tendo os cirurgiões desenvolvido os processos de transplante de órgãos essenciais, como coração, rins, fígado e pulmões. Estes êxitos levaram os médicos a pensar em órgãos "não essenciais" e assim no final dos anos 90, foram realizados os primeiros transplantes de mão, com sucesso e, neste ano de 2011, um transplante de face.
Mas falemos de um outro transplante que deu brado em todo o mundo, há mais de 40 anos.
O coração de uma pessoa morta palpitou pela primeira vez no peito de outro humano às 5h25 de 3 de Dezembro de 1967, na África do Sul. O feito foi realizado no hospital Grote-Schuur, na Cidade do Cabo e foi bem sucedido. O chefe da equipe era o professor Christiaan Barnard, então com 44 anos de idade.( 1923- 2001)
O paciente foi Louis Waskansky, de 53 anos. O órgão transplantado por Barnard e sua equipe, numa operação de 5 horas, era de uma jovem de 25 anos, que tinha morrido num acidente. Waskansky faleceu 18 dias depois da cirurgia histórica, em consequência de uma infecção pulmonar pelas razões atrás referidas e que voltamos a citar: os medicamentos então usados para combater a rejeição do organismo reduziram muito o sistema imunológico do paciente.
Um mês depois da operação espectacular, Barnard fez o segundo transplante de coração e desta vez com grande sucesso: o dentista Philip Blaiberg viveu um ano e sete meses com o coração novo. Estes transplantes não podem ser considerados puras experiências ,já que os doentes transplantados teriam apenas alguns dias de vida se o não fizessem.
A notícia do transplante propagou-se por todo mundo como acontecimento revolucionário, embora há muito tempo se transplantassem rins e córneas .
Em alguns países o transplante do coração foi uma coisa inconcebível, devido a factores religiosos dominantes como a crença de que o coração não era um órgão como os demais, mas o lugar da alma, o núcleo humano, o centro da personalidade.
Barnard a estas críticas respondeu:
"A partir de um determinado momento, a gente é apenas um pesquisador e tem que se ater ao facto de que o coração tem apenas a função de bombear o sangue. Um transplante de coração não é mais do que um transplante de rins ou de fígado".
Como já por duas vezes dissemos o grande problema na época era a rejeição. Um organismo defende-se contra todo e qualquer corpo estranho que lhe é implantado
Na actualidade, a rejeição orgânica está bastante reduzida, graças ao efeito de medicamentos desenvolvidos especialmente com esse fim e assim a taxa de mortalidade situa-se abaixo de 10% no primeiro ano depois do transplante .
E o que se passa em Portugal a nível de transplantes? Para responder a esta pergunta vamos socorrer-nos de uma notícia saída há meses no Diário de Notícias.
Portugal é o país líder mundial no transplante de fígado. De acordo com os dados da Newsletter Transplant, uma publicação da Organización de Transplantes e Conselho da Europa, foram realizados 25,8 transplantes hepáticos por milhão de habitantes em 2008. Ao todo, foram transplantados 274 portugueses que precisavam de um fígado.
Maria João Aguiar, coordenadora nacional das unidades de colheita da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST), conta ao DN que é a primeira vez que o País é líder mundial, "à frente de países como os Estados Unidos (com 20,8) e Espanha", que está em segundo lugar com uma taxa de 24 transplantes por milhão.
Morais Sarmento, o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, salienta o benefício que esta subida tem para os doentes: "Geralmente, estes casos são de situações urgentes e é sempre bom saber que há mais órgãos para quem precisa." Um exemplo é o da doença dos pezinhos, muito típica de Portugal, "em que os doentes beneficiam muito com o transplante". Melhora-se a condição de vida de muitos e salvam-se mais vidas com o aumento do transplante.
A subida na transplantação hepática, que tem sido sustentada ao longo dos últimos anos, também se fez sentir noutras áreas, nomeadamente no transplante renal. Se apenas tivermos em conta os transplantes com órgãos retirados de dadores cadáveres, Portugal está em segundo lugar a nível mundial, com uma taxa de 44,8 cirurgias por milhão de habitante. À frente, está Espanha com uma diferença reduzida em relação a Portugal: 44,9.
Em Julho deste ano de 2011 chega a notícia de em Espanha ter sido transplantado um par de pernas..
O programa de dador vivo, em que cônjuges e familiares podem dar um órgão (fígado ou rim), também está a aumentar no País. Somando os dois tipos de colheita (em dador vivo ou cadáver), Portugal fica com uma taxa de 49,4 transplantes renais, apenas ultrapassado pela Noruega e Chipre, com taxas de 58 e 83. Estes dois países apostam sobretudo na dádiva em vida, que é responsável por mais de metade da colheita.
No entanto em Setembro de 2011 e por razões orçamentais impostas pelo FMI, o nosso país está reduzir o número de transplantes o que já motivou muitas críticas nos meios médicos.

1.9.11

Castelo de Santarém




Hoje vou referir mais um castelo em que praticamente desapareceu tudo aquilo que, no nosso imaginário, é um castelo com a torre de menagem, a praça de armas , os fossos etc ; o pouco que resta foi há muito descaracterizado no castelo de Santarém.
É aceite que a primeira ocupação humana desta zona remontará a um castro ou a uma povoação do século VIII antes de.Cristo. Quanto aos Romanos sabe-se que estiveram neste local desde 138 a.C. e lhe chamaram Scalabis, sendo um importante entreposto comercial no médio curso do rio Tejo . Com a conquista da península Ibérica pelas tropas de Júlio César, no ano 90 a.C., esta povoação passou a ser fortificada e a ter uma guarnição militar permanente, sendo então designada por Praesidium Juliia .
Com a invasão da Hispânia ( península Ibérica sob domínio romano ) pelos povos bárbaros (Alanos, Vândalos), a povoação foi dada a Sunerico no ano 460 dC, para seis décadas depois ser ocupada pelos Suevos. No século VII foi a vez dos Visigodos, altura em que era denominada como Sancta Irena , para no início do século VIII, ser ocupada pelos Muçulmanos que a designavam como Chantirein ou Chantarim. Tanta mistura de povos e culturas por certo deixaram marcas na maneira se ser destas gentes e no seu DNA.


Após séculos de ocupação islâmica, chega o movimento da Reconquista Cristã e Santarém foi, por diversas vezes, alvo das investidas dos reis asturo-leoneses, época em que as suas fortificações devem ter sido sucessivamente reparadas e reforçadas pelos Muçulmanos. Na época da Independência de Portugal, sob o comando do rei D. Afonso Henriques , o Castelo de Santarém foi conquistado, ficando sob domínio de Portugal. Um novo ataque muçulmano é realizado em 1181, encontrando-se na cidade o infante D. Sancho, tendo os assaltantes recuado diante de uma contra-ofensiva dos defensores. Sob o reinado de D. Fernando (1367-1383), este procedeu-lhe reforço e ampliação nas defesas, como por exemplo a reforma da Porta de Santiago, em arco ogival (1382),


As muralhas de Santarém foram severamente danificadas por um terramoto em 1531.

D. João IV (1640-1656), no contexto da Guerra da Restauração, e, mais tarde, D. Miguel (1828-1834), no decurso das Guerras Liberais, promoveram, em cada período, obras de modernização e reforço nas defesas da então vila. Este último serviu-se do castelo da vila como reduto, de Outubro de 1833 a 17 de Maio de 1834.
Chegada a paz e o progresso económico, Santarém foi elevada a cidade em Dezembro de 1868. A exemplo do que aconteceu em outros pontos do país, a expansão da cidade absorveu as suas defesas medievais das quais restam, em nossos dias, apenas remanescentes como o recinto fortificado da Alcáçova, a Porta de Santiago, a Porta do Sol e alguns pequenos troços das muralhas..
Na década de 1990 foram iniciados trabalhos de prospecção visando identificar troços remanescentes das antigas muralhas, bem como consolidação de alguns deles
Como castelo de montanha, possui elementos do estilo românico e do estilo gótico e era primitivamente constituído pelo recinto da alcáçova e pela muralha da vila, defendida por uma barbacã. Também existia uma cerca nos bairros ribeirinhos da Ribeira e do Alfange. A cerca da vila era rasgada por sete portas, designadas pelas sete vias de acesso:Porta de Santiago, de acesso à Ribeira; Porta do Sol, de acesso ao Alfange;Porta da Alcáçova;Porta de Leiria;Porta de São Manços ;Porta de Alporão, de acesso a Marvila; e a Porta de Valada.
Destas portas, restam apenas vestígios das duas primeiras: Um brasão de armas de Portugal, ladeado por uma epigrafia (actualmente mutilada e ilegível) ladeia os restos das ogivas, interna e externa, da Porta de Santiago. Em textos antigos são referidas como fazendo parte do castelo a Torre do Bufo na Alcáçova, a Torre de Manços e a torre de menagem, junto à Alcáçova mas só chegaram aos dias de hoje o recinto junto à Porta do Sol com três torreões coroados por merlões, que se prolonga sobranceiro ao vale do Alfange, na ribeira, integrado por uma guarita seiscentista em um dos vértices; troços de muralha junto à Porta da Traição, no monte sobranceira à Fonte das Figueiras; troços da cerca da vila na escola primária de Marvila (bairro do Pereiro) .o chamado Cabaceiro ou Torre das Cabasçs que mais parece uma construção recente pelos arranjos que lhe fizeram.
Pese embora a desilusão de não se ver um castelo como o idealizamos , uma visita ao jardim da Porta do Sol compensa pelo panorama que dali se avista.

13.8.11

DINOSSAUROS Como se sabe a morfologia externa

Uma das leitoras do NOVAS deixou um comentário num artigo meu sobre dinossauros , em que afirmava “ haver muita imaginação no aspecto externo que os paleontólogos dão aos dinossauros.
É difícil para mim que não sou paleontólogo , falar de todas as técnicas usadas por esses cientistas para recriarem, com grande margem de veracidade, não só um esqueleto completo do animal a partir de alguns ossos, bem como, a partir desse esqueleto total, o aspecto exterior provável.
Posso no entanto afirmar que disciplinas como fisiologia, histologia ecologia engenharia mecânica, aerodinânica e a já muito velha anatomia comparada são apoio para o paleontólogo. Não podemos esquecer que está mais que provado que as aves evoluiram dos dinossauros voadores e aqui a anatomia comparada com aves actuais é uma grande ajuda.
Mas há mais ;Imaginar dinossauros em carne e osso não é algo difícil para os paleontólogos quando se fala de animais pré-históricos que habitaram a Terra há 65 milhões de anos. Uma nova ferramenta com tecnologia em 3D pode ajudar a solucionar o problema de remontagem dos esqueletos de grandes animais pré-históricas, imaginando até mesmo se eles seriam gordos ou magros. As informações que se seguem são do site científico Live Science.
Por meio de um equipamento de imagem a laser chamado Lidar, os pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, criaram pela primeira vez modelos computadorizados em três dimensões de cinco espécies de dinossauros - incluindo duas do Tyrannosaurus rex, uma da Acrocanthosaurus atokensis, outra do ancestral do avestruz Strutiomimum sedens, uma do herbívoro Edmontosaurus annectens e outra do hadrossauro.
De acordo com os cientistas, a técnica permite que qualquer pessoa veja e imagine como os dinossauros teriam sido em vida, levando em conta a gordura ou a magreza dos exemplares. "Você pode ver o esqueleto com uma barriga", disse Karl Bates, um dos responáveis pelo projeto de biomecânica da universidade.
Os pesquisadores utilizaram o mecanismo para fazer estimativas de peso e conceber a possível condição física dos animais na época. Cálculos de baixo peso, segundo a equipa, seriam os mais prováveis para os dinossauros porque a obesidade diminui a velocidade de caça, aumentando a necessidade de energia sobre o sistema respiratório.
Os dinossauros provavelmente tinham 30% de sua massa nas pernas traseiras. Estudos anteriores mostraram que gigantes, como o T-Rex, precisariam de muito mais músculos nos membros traseiros para se locomoverem com rapidez. A espécie Strutiomimum sedens pesava entre 400 e 600 kg e é considerada parente distante do actual avestruz. Para avaliar o esqueleto deste antigo animal, os pesquisadores fizeram análises de imagens a laser de um avestruz. Reconstruir dinossauros com estes detalhes permitirá avaliar as mudanças na massa corporal das espécies durante a evolução..
É verdade que nem tudo são facilidades e todos sabem da dificuldade de se estudar animais extintos, particularmente aqueles que não deixaram descendentes, isto é, não há hoje animais vivos que deles descenderam sem evolução , salvo casos raros ,como o peixe celacanto.
Muitas das principais perguntas sobre dinossauros, pterossauros (répteis voadores) e ictiossauros (répteis marinhos) –estão relacionadas com aspectos de sua vida. Como cresciam e viviam? Eram velozes ou lentos? Os pais cuidavam dos filhotes ou estes eram independentes e pouco tempo depois do seu nascimento já andavam pelo ambiente em busca de alimento?
Na maioria das vezes estas questões relacionadas aos aspectos da vida dos animais não têm resposta quando o que o cientista tem em suas mãos é um punhado de ossos! Isto porque se a pesquisa desse tipo de material já é difícil pelo facto de ele ser incompleto e desprovido de indícios sobre a morfologia externa da espécie , imagine falar-se em aspectos do seu comportamento!
Vejamos como a histologia pode ajudar Por se tratar de ossos os pesquisadores resolveram aplicar uma metodologia não muito usual, num esforço para entender um pouco mais sobre esses vertebrados extintos.
Tal como se faz em Geologia para estudar a estrutura microscópica das rochas, a confecção de lâminas muito delgadas do osso para estudos histológico (paleohistológicos) procuram entender a anatomia microscópica dos tecidos biológicos fossilizados,
Os ossos são os elementos de sustentação de um vertebrado. São compostos por um tecido conjuntivo que foi endurecido pela deposição de cálcio e fosfato, que formam a componente mineral dos ossos, chamada hidroxiapatite. Existe nos ossos também matéria orgânica formada por fibras, sobretudo de colagénio, além de vasos sanguíneos.
Nos fósseis, há a perda da matéria orgânica, restando apenas a parte rígida do esqueleto. Muitas vezes, os poros dos ossos fossilizados são impregnados por outros elementos, como o ferro, devido a um processo chamado de permineralização, que torna o material ainda mais duro.
Um factor importante a ter em conta é que os ossos de um ser vivo estão em constante remodelação. Sem entrar em pormenores que são do âmbito biológico e que iriam sobrecarregar este texto, podemos dizer que após a formação do tecido ósseo vemos nele duas diferentes áreas: o osso compacto e a zona do osso esponjoso. A parte mais externa do osso é formada pelo periósteo (compacto) e a mais interna, por trabéculas( esponjoso) que envolvem a cavidade medular.
As relações entre essas duas diferentes regiões do osso, como também as suas características histológicas, dependem de vários factores, incluindo o metabolismo e as condições de alimentação do animal, o que nos leva a prever se eram animais de sangue frio ou quente, a dentição, o tipo de maxilar , forma da boca ,etc.
A maior parte das pesquisas paleohistológicas é focada nos dinossauros. Alguns poucos estudos também têm sido realizados em pterossauros e em outros animais.
Com base em estudos paleohistológicos, cientistas puderam determinar que, em alguns dinossauros carnívoros e em pterossauros de grande porte, a região externa dos ossos é bastante vascularizada, o que sugere um crescimento rápido na fase jovem e acentuada diminuição desse processo na fase adulta. Trata-se de animais com um metabolismo endotérmico, isto é, podiam controlar a temperatura do seu corpo. Este padrão é tipicamente encontrado nas aves actuais que normalmente têm seu crescimento descrito como limitado – chegam rapidamente ao tamanho adulto e depois praticamente deixam de crescer. E assim entra também, agora e aqui, a anatomia comparada que nos pode dar a ideia de como seria o aspecto exterior do animal pré histórico , fazendo uma regressão evolutiva a partir de uma ave actual.
Por outro lado, pode-se verificar que, em outras espécies de dinossauros, os ossos são pouco vascularizados e existem linhas, dispostas de maneira mais cíclica, que sugerem interrupção no crescimento.
Esse tipo de característica histológica foi encontrada em saurópodes (grupo de dinossauros herbívoros que reúne algumas das maiores criaturas que já caminharam sobre a Terra e é comum nos répteis ditos tradicionais, aos quais se atribui um crescimento contínuo, como é o caso dos jacarés.
Esses animais têm metabolismo exotérmico, o que significa que eram mais dependentes do meio ambiente no que diz respeito ao controle da temperatura do seu corpo.
Desta forma e como já referimos, a pouco e pouco, vai-se tendo uma ideia de como seria o animal . Mas continuemos ::
Alguns dinossauros, como os prossaurópodes, possuem padrão histológico mais complexo: semelhante aos das aves na fase jovem e mais parecido com o dos répteis tradicionais na fase adulta . Não vamos entrar por este caminho desenvolvendo o assunto por ser demasiado complexo.
Voltando á anatomia comparada que vai assemelhando os dinossauros a aves e répteis da actualidade, duas perguntas se colocam: 1ª Como se explica a diferença de tamanho dos animais actuais em relação com os grandes dinossauros da pré- história ?
2º- Por que os mamíferos , por outro lado, sempre mantiveram um tamanho discreto?
A resposta parece basear-se na diferente constituição dos seus corpos e na bioquímica. Os mamíferos são endotérmicos e não se adaptam bem a climas quentes pois têm dificuldade em libertar o calor que desenvolvem por metabolismo, calor este que é tanto maior quanto maior for o seu corpo. Isto mostra por que os mamíferos do tempo dos dinossauros eram de pequeno porte, mais ou menos o tamanho de um rato.. Os grandes mamíferos só apareceram no final do Cenozóico quando o clima arrefeceu. Em contrapartida os dinossauros viveram em clima quente e, sem necessidade de ter um metabolismo intenso, o seu corpo não teve dificuldades em seguir a tendência natural para o gigantismo pois o clima era propício aos seres exotérmicos e a vegetação também gigante e abundante.
A evolução actuou também no tipo de coração que tinha de estar adaptado a transportar sangue a corpos gigantescos e desta forma se passa de corações de três câmaras ( 2 aurículas e 1 ventrículo) para outros de 4 câmaras o que viria a ser ideal na adaptação das aves a eras geológicas menos quentes.
Como tentei explicar a paleontologia agrega a si outras áreas de conhecimento muito diversas daí que tenhamos de acreditar no que nos afirmam e desenham os especialistas.,havendo mesmo especialistas para cada espécie de dinossauros.
Com este pequeno apontamento , forçosamente muito incompleto por não ser um” expert” na matéria, espero ter ajudado a minha leitora a ver que há muito de investigação científica e um mínimo de imaginação quando se recria o aspecto externo de um dinossauro.
E como aditamento aqui vai outro exemplo de como o estudo dos dinossauros é bastante complexo
A Science publicou recentemente um artigo onde Lars Schmitz e Ryosuke Motani, ambos da Universidade da Califórnia (Estados Unidos), conseguiram estabelecer uma metodologia para separar dinossauros diurnos e nocturnos. Para isso, os pesquisadores mediram a relação do tamanho da órbita com o diâmetro do seu anel esclerótico (conjunto de ossos vulgarmente encontrados protegendo o globo ocular nos répteis). Os resultados mostram que muitos dinossauros carnívoros eram nocturnos enquanto os herbívoros podiam transitar tanto durante o dia quanto na parte da noite. Os pterossauros, também englobados no estudo, eram diurnos.

1.8.11

QUIMIOSSÍNTESE


Todos normalmente sabemos que as plantas , por possuírem clorofila, conseguem fabricar a matéria orgânica de que são constituídas, por intermédio da energia solar, isto é, fazem fotossíntese.
Recordemos o que é este fenómeno : a fotossíntese é o processo através do qual as plantas convertem a energia da luz em energia química , transformando o dióxido de carbono (CO2),e a água (H2O) , em compostos orgânicos (CHO) e em oxigénio gasoso (O2). A luz do sol é absorvida pelas folhas das plantas através da clorofila,
Por este processo fotossintético as plantas produzem o seu próprio alimento, constituído essencialmente por açúcares como a glicose..
A equação simplificada do processo é como se segue : 6 H2O + 6CO2 → 6O2 +C6H12O6.
A fotossíntese é um processo , em que a planta acumula energia a partir da luz para uso no seu metabolismo, formando moléculas de ATP (adenosina tri-fosfato) a base energética das células dos organismos vivos.
No entanto na natureza nem tudo é linear e há outras formas de fabricar moléculas orgânicas sem necessidade de energia captada do Sol.
Alguns tipos de bactérias têm a capacidade de obter energia através da oxidação de substâncias inorgânicas e usam essa energia para fixar dióxido de carbono, produzindo assim compostos orgânicos. Fazem QUIMIOSSÍNTESE

Estas bactérias produzem os compostos orgânicos, utilizando como fonte de energia a oxidação de amoníaco (NH3), ou ado dióxido de carbono (CO2) ou do sulfureto de hidrogénio (H2S). Dizendo de outra maneira : há organismos que vivem em ambientes, tais como fumarolas, águas termais ,vulcões submarinos,etc que seriam mortais para animais e plantas que respiram oxigénio.
Este processo pode ser considerado uma alternativo à fotossíntese. na medida em que conduz à produção de compostos orgânicos. Tal como na fotossíntese, na quimiossintese é possível distinguir duas fases: uma fase de produção de ATP e NADPH. Durante esta fase, ocorre a oxidação de compostos minerais como NH3 (amoniaco), CO2 (dióxido de carbono) e H2S(ambiente sulfuroso). Esta oxidação permite a obtenção de protões e electrões que são transportados ao longo de uma cadeia, no sentido de produzir ATP e reduzir o NADP+ a NADPH;
uma segunda fase, onde ocorre o ciclo das pentoses e, tal como na fotossíntese, produzem-se compostos orgânicos a partir do dióxido de carbono absorvido, do poder redutor do NADPH e da energia contida no ATP, gerados na primeira fase.
Existem diversos tipos de bactérias capazes de realizar a oxidação de compostos minerais para obtenção de energia, podendo destacar-se as bactérias sulfurosas, as bactérias ferrosas e as bactérias nitrificantes do solo.
Sabe-se, actualmente, que este processo de autotrofia (fabrico do próprio alimento) está na base de diversos ecossistemas associados a fontes termais dos riftes oceânicos, onde não chega luz e, por isso, a fotossíntese não pode ocorrer. Contudo, nestes lugares, aparentemente hostis, a vida desenvolveu-se e evoluiu de tal forma que, hoje, é possível encontrar aí uma notável diversidade biológica. Perante estes factos será lícito pensar existir vida em planetas do nosso sistema solar onde a atmosfera está carregada de ácidos sulfurosos ou azoto que seriam mortais para o ser humano.

14.7.11

DACENTRURUS

Deve-se ao geólogo Dr Galopim de Carvalho a “dinossauromania “ que apareceu em Portugal nos anos da década de 80, do século passado. Como também fomos contagiados. aqui vai o que sabemos sobre um réptil do passado, pouco falado.

O Dacentrurus (Dacentrurus armatus) foi uma espécie herbívora e quadrúpede que viveu no fim do período Jurássico. Media cerca de 4,6 metros de comprimento e 1,8 metros de altura, tendo vivido na França, Inglaterra, Espanha e Portugal.

Era um dinossauro de tamanho médio, pertencente ao grupo dos estegossauros, tendo sido classificado como Omosaurus, e só mais tarde como Dacentrurus. Este dinossauro, à semelhança dos restantes estegossauros, possuía um par de fiadas de placas ósseas e espigões ao longo do dorso e da cauda. Há quem afirme que possuiria um grande espigão em cada ombro. Pensa-se que as placas, relativamente frágeis, serviriam provavelmente para ornamentação e regulação da temperatura corporal. Os espigões, presentes na cauda e ombros, poderiam ser usados como armas defensivas contra os predadores.
Em Portugal foram também encontrados fósseis de outros estegossauros, nomeadamente o Miragaia longicollum, descoberto recentemente na zona de Miragaia, concelho da Lourinhã, e o Stegosaurus, encontrado na zona da Batalha. Os ossos fósseis do Dacentrurus armatus podem ser vistos no Museu Geológico, em Lisboa, e no Museu da Lourinhã onde , neste último caso ,integram estudo sobre os ossos de defesa dos estegossauros e anquilossauros
O Museu da Lourinhã e a Universidade Nova de Lisboa, analisaram a microestrutura dos ossos de anquilossauros e estegossauros, e do grupo dos dinossauros couraçados, os tireóforos. Estes animais tinham o corpo com placas e espinhos que serviam para sua protecção. Este estudo, liderado pelo japonês Shoji Hayashi da Universidade de Hokkaido, foi apresentado no congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados e vem precisamente abordar a histologia (estudo dos tecidos) e estrutura destas placas e espinhos.

Os ossos do dinossauro Dacentrurus, em exposição no Museu da Lourinhã, foram analisados por uma tomografia axial computorizada e feitos pequenos cortes nos ossos, para se estudar a estrutura interna através de lâminas delgadas dos ossos observadas a microscópio.
Os resultados indicam ainda que os anquilossauros e os estegossauros usaram diferentes estratégias evolutivas para desenvolver armas defensivas.
Os espinhos dérmicos dos anquilossauros e estegossauros são semelhantes na forma geral, mas as suas características estruturais e histológicos são diferentes por possuírem estruturas peculiares de fibras de colagénio nos anquilossauros e fortes espinhos compactos nos estegossauros, o que lhes fornecia suficiente resistência para usá-los como armas defensivas. O colagénio é uma proteína de importância fundamental na constituição dos tecidos, sendo responsável por grande parte de suas propriedades físicas.

4.7.11

VIRIATO





Muito se tem escrito sobre Viriato, um herói ibérico nascido quase dois séculos antes do aparecimento do cristianismo e celebrado quer em Portugal quer em Espanha.
A península Ibérica , no tempo da colonização romana , era designada de Hispânia e ocupada por vários povos como Galaicos, Asturianos, Cantábricos, Bascos, Lusitanos , Celtas , Celtiberos e outros mais.
Ora acontece que no ano 150 antes de Cristo. o governador Romano da Hispânia Ulterior, Sérvio Galba decidiu trair os Lusitanos com quem havia feito um pacto de não agressão e a promessa de lhes dar terras para cultivarem . Desta forma concentrou os Lusitanos em determinada zona, dividiu-os em três grupos e depois destes entregarem as armas mandou as legiões romanas atacá-los. A maioria foi morta e outra parte escravizada. Um pequeno grupo conseguiu escapar e nele encontrava-se Viriato, então com vinte anos, que reunindo todos eles iniciou uma guerra de guerrilha contra Sérvio Galba,
Não se sabe se Viriato era um lusitano nascido a norte ou a sul do rio Tejo, nem tão pouco quem era a sua família . Sabe-se apenas que era pastor, habituado á vida simples e difícil das serras. Decidido a vingar a morte do seu povo, instala-se na zona montanhosa e daí faz a guerrilha pois as rugosidades e asperezas das serras eram um refúgio, onde os grandes e pesados exércitos romanos se tornavam inoperacionais.
Perante este facto os romanos tudo faziam para aí os confinar, sem tentar atacá-los directamente.
Viriato era generoso para com os seus seguidores, distribuindo o produto dos saques de acordo com a valentia demonstrada no ataque ás guarnições romanas. Terá desposado Tongina ,filha única de Astolpas, um rico proprietário da região Bética , e fugido com ela para as montanhas, continuando a luta.
Dez anos após o início da guerrilha , Viriato faz um tratado de paz com Roma e por ele é reconhecido como Amicus populi romani (amigo do povo romano). Por este tratado é considerado Dux dos Lusitanos , isto é, rei dos lusitanos.
No ano 139 aC é assassinado por dois dos seus lugares tenentes , ao que consta aliciados pelo general romano Cepião. Consta que quando os assassinos se dirigiram a Cepião para receber a recompensa este, antes de os mandar degolar, terá dito: Roma não paga a traidores.
Viriato terá tido um grande funeral como rei dos Lusitanos , queimado o seu corpo numa pira durante dois dias com danças guerreiras á sua volta e honras dos romanos . Com a sua morte cessa a oposição a Roma e a Hispânia volta a ser parte do Império Romano.

15.6.11

GÖBEKLI TEPE



Hoje vou falar-vos de uma jazida arqueológica muito antiga , do tempo em que a humanidade era ainda nómada e não tinha descoberto a agricultura, pelo menos nesta zona onde hoje se situa a Turquia .
Göbekli Tepe é o cimo de uma colina onde foi encontrado o que se pensa ser um santuário . Esta jazida arqueológica, que está a ser escavada por arqueólogos alemães e turcos, foi construída por povos caçadores recolectores , 10.000 anos antes das populações se tornarem agricultoras. Este achado revolucionou o que se sabia sobre o Neolítico e sobre o início do que se considerava o aparecimento da civilização e das religiões. Devido à forma dos edifícios, não se sabe se Gobekli Tepe eram casas de habitação ou templos, mas pensa-se que seriam templos porque os dois pilares centrais das estruturas encontradas, estão virados para Oeste, o que pode revelar sentimento religioso.
Göbekli Tepe já havia sido referenciada por uma equipa americana, que reconheceu que a colina não poderia ser inteiramente natural, mas pensou ser um mero cemitério bizantino abandonado. Desde 1994 as escavações conduzidas pelo Instituto Arqueológico Alemão e pelo Museu de Şanlıurfa, sob a direcção do arqueólogo alemão Klaus Schmich fizeram com que se tivesse certeza de que se tratava de um sítio pré-histórico embora gerações de agricultores locais frequentemente tivessem movido as pedras para limpar o terreno . Desta forma, muita evidência arqueológica foi destruída ..
Durante as escavações a grande sequência de camadas estratificadas sugere muitos milénios de actividade, talvez desde o mesolítico. A camada com indícios de ocupação humana mais antiga continha pilares monolíticos ligados por paredes construídas grosseiramente para formar estruturas circulares ou ovais. Até agora, quatro construções como essas foram desenterradas, com diâmetros entre 10 e 30 metros, mas pesquisas geofísicas indicam a existência de mais 16 dessas estruturas.
Os monólitos que formam os pilares centrais são decorados com relevos esculpidos de animais mas também por pictogramas abstractos. Esses sinais não podem ser classificados como escrita, mas podem representar símbolos sagrados amplamente compreendidos, por analogia com outros exemplos de arte rupestre do neolítico.
Os relevos atrás citados representam leões, touros, raposas, gazelas, burros, serpentes e outros répteis, insectos, aracnídeos e pássaros, particularmente abutres e aves aquáticas. Os abutres aparecem com destaque na iconografia de Çatalhüyük uma outra jazida não muito longe dali. Acredita-se que nas culturas neolíticas do sudeste da Anatólia os mortos eram deliberadamente expostos para serem devorados por abutres e depois enterrados os ossos ,como acontece na Ìndia. As casas ou templos postos a descoberto, são edifícios megalíticos redondos. As paredes são de pedra tosca, com 12 pilares monolíticos de calcário, com cerca de 10 toneladas cada, em forma de T, com altura até 3 metros, e com 2 pilares maiores no centro da estrutura. Como há provas que tinham cobertura pensa-se que tais pilares serviam para suportar a estrutura do telhado. O pavimento estava revestido com terrazo (mistura de restos de pedra, normalmente mármore, com um aglomerante). A parede exterior tinha uma espécie de degrau/banco que rodeava o edifício.
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30.5.11

Filosofando sobre a vaidade





Da janela de minha casa, olhava para a “ quinta do solar “ onde um casal de pavões ia debicando na terra húmida pelo orvalho, quando reparei que o macho abrira o seu leque de magníficas penas , numa atitude de galantear a fêmea.
Vaidoso, pensei eu alinhando pela óptica dos que afirmam que vaidoso é todo aquele que quer chamar a atenção, destacando-se dos demais. Os que assim pensam talvez tenham alguma razão , mas não nos podemos esquecer que todos nós demonstramos uma certa vaidade no que fazemos .
Será que a vaidade é fundamento dos nossos actos ? Não sei responder, mas verifico que em algumas pessoas a vaidade é sem limites e dou como exemplos : os que criam Fundações ,por vezes inoperantes, só para que tenham o seu nome nelas ; aqueles que em vida, edificam túmulos aparatosos para o seu repouso eterno ; os que recebem comendas e outros “ penduricalhos “ e desejam depois que em vez do seu nome de baptismo lhe chamem de “senhor comendador” ou” senhor conselheiro” ; os que autorizam lhe sejam erguidas estátuas ou seja dado o seu nome a ruas ou avenidas; os que tudo fazem para serem focados por uma câmara de televisão num evento social ; os que tendo sido alguma vez presidentes de alguma agremiação e já não presidindo a nada , exigem ser tratados ainda por senhor Presidente .
Será a vaidade uma coisa inata ? Não me parece, já que durante a infância o objectivo é ser igual aos demais do grupo do bairro ou da ” escolinha”, sem haver comparações ou desejo de saber quem é o mais rico, o mais inteligente ou o mais bonito. O mal está na fase de adolescente em que, para se ser aceite pelo grupo, é necessário destacar-se . Como esse destaque pode ser difícil de concretizar , muitos jovens afastam-se dos pais e dos colegas , acolhendo-se numa “tribo” onde todos são indiferenciados.
A ânsia de destaque atrás referida , na procura de ser aceite pelo grupo de adultos, leva a uma individualização e a uma via oposta à da integração social. Vencer significa destacar-se e assim, com o êxito, vem a VAIDADE, uma espécie de droga do prazer que deve ser obtida por qualquer meio, mesmo que prejudicando os outros.
Contrariamente, a derrota significa humilhação que por vezes leva à depressão. Estar sob os holofotes do sucesso, nem que seja por pouco tempo, alimenta a fogueira da vaidade e , desta forma, as pessoas tornam-se escravas dela, criando fantasias e sofrendo com qualquer pequena e eventual derrota. Recordemos o que aconteceu em toda a parte aos vencedores dos Big Brothers televisivos e outros programas similares onde há uma efémera notoriedade . Quando os programas acabam e surgem outros ídolos do público, vem a depressão, os problemas com a droga e justiça e algumas vezes o suicídio. As pessoas que não sabem administrar a perda de popularidade, perdem o sentido comum da vida, já que passa a ser um desafio constante , uma meta sempre distante, a busca de nova notoriedade.
Voltei a olhar para o pavão e admiti que a vaidade nada tem a ver com o género nem é inata no ser humano.
É a pressão da sociedade que nos subtrai o bom senso e nos faz querer ganhar qualquer disputa , mesmo que seja uma simples opinião, e o curioso é que embora conheçamos muito bem as vaidades alheias não admitimos as nossas.
Afinal a vaidade é ou não necessária embora, em geral, seja considerada como coisa negativa ? Creio que, se não for exibicionista, como nos casos que atrás citei, ela poderá ser aceitável e se vencer não for a óptica única de vida.
Nesta minha intromissão pela vaidade ainda não referi a da aparência física que leva muita gente a ser escrava da moda . Quem não conhece os casos de dietas loucas e prejudiciais à saúde só para ter determinadas medidas corporais ? Ou o bronzeado excessivo porque é essa a moda de momento ? Quem não conhece os que desejam a eterna juventude submetendo-se a cirurgias estéticas ,não sabendo envelhecer com elegância? Quem não conhece os que gastam o que já não têm para vestirem o que viram num desfile mundano ?
Todos esquecemos que um dia , mais cedo ou mais tarde, seremos pó , cinza e nada.

22.5.11

Pontos Quentes (HOTSPOT)



Os pontos quentes (em inglês hotspot), são locais da zona do manto terrestre com temperatura mais alta do que nas outras regiões. A teoria dos pontos quentes foi formulada pelo geofísico J. Tuzo Wilson ,em 1963, para explicar a existência de vulcões formando linhas coincidentes com a direcção do movimento das placas sobre as quais assentam. No Hawai ,zona que foi estudada, os vulcões parecem mostrar a passagem da crosta terrestre sobre uma zona de material magmático, localizada no manto terrestre, e que ao ascender à superfície origina sucessivos vulcões.
A origem dessas plumas térmicas ( zonas magmáticas) foi durante muito tempo atribuída à formação de uma coluna ascendente de material mais quente da zona fronteiriça entre o manto e o núcleo terrestre, e que viria até á superfície. Dados recentes põem em causa a existência destas estruturas a tais profundidades, apontando como origem das plumas térmicas a formação de zonas estáveis de convecção térmica, nas camadas mais superficiais do manto terrestre.
De acordo com a teoria de Wilson, os alinhamentos de ilhas vulcânicas ( não associadas a limites de placas ) são explicadas pela existência de zonas relativamente pequenas , mas muito quentes que existem sob a litosfera. Recordemos que a litosfera é a camada sólida da Terra formada pela crosta e pelo manto até á astenosfera, e nada melhor do que rever um pouco como é o interior do nosso planeta. O interior da Terra não é uniforme e podemos dividi-lo , usando critérios químicos , em uma camada externa (crosta) de rochas á base de silício ; um manto altamente viscoso á base de sílica e magnésio ; um núcleo sólido de ferro e niquel envolvido por uma parte líquida do mesmo material. Esta zona líquida do núcleo, girando sobre a zona sólida,dá origem ao campo magnético terrestre. O interior da Terra tem temperaturas da ordem dos 5.270 graus Kelvim. Este calor interno foi criado inicialmente durante a formação da Terra e é constantemente gerado pelo decaimento dos materiais radioactivos que se concentraram nas zonas profundas do planeta .



CROSTA --Forma a maior parte da litosfera e tem uma extensão variável consoante o local geográfico. Sob as grandes cadeias montanhosas chega a atingir 70 Kms de espessura, mas geralmente anda pelos 30 Kms. É composta basicamente por rochas cuja composição química são silicatos de alumínio sendo por isso designada de zona Sial . Existem vários tipos de crosta, sendo os principais a oceânica e a continental. A crosta oceânica é relativamente nova (150 Milhões de anos) e está em constante formação. É de composição basáltica e está coberta por sedimentos que possuem 7 Kms de espessura. A crosta continental é formada por rochas que vão dos granitos aos basaltos, tendo uma espessura média entre 30 e 40 Kms nas regiões estáveis e entre 60 a 80 Kms nas zonas sob os Himalaias e os Andes, como já nos referimos anteriormente. As rochas mais antigas andam pelos 4 MA (milhões de anos), mas também existem rochas ainda em formação, como é o caso das rochas sedimentares que resultam da destruição ou alteração das mais antigas. A zona de separação entre Crosta e Manto é-nos dada pela chamada zona de descontinuidade de Mohorovicic ou zona Moho, já que há uma descontinuidade brusca na composição quimica das rochas á base se silica e magnésio (Sima). Esta zona foi detectada pela variação brusca do comportamento das ondas sísmicas que se dirigem para o interior do planeta.

MANTO - Esta zona vai desde os 30 Kms de profundidade até aos 2900 Kms.As rochas que o constituem são de natureza silico-magnesiana e estão sujeitas nas zonas mais profundas a pressões de um milhão de atmosferas.O material do manto pode apresentar-se no estado sólido ou como uma pasta viscosa (astenosfera) na zona superior ,e sólido na inferior, devido ás altissimas pressões que contrariam o efeito da temperatura, que vai aumentando para o interior, atingindo 3500 graus Celsius já perto do núcleo. A zona da Astenosfera é importante pois possui movimentos convectivos que explicam o deslocamento dos Continentes, ou melhor, das placas continentais que suportam os continentes, empurradas pelas placas oceânicas em constante crescimento..

NÚCLEO ---Composto em grande parte por ferro (80%) e niquel o (Nife) é dividido em duas partes : o núcleo sólido, praticamente só ferro, é envolvido por uma camada liquida já contendo algum níquel.Pensa-se que é uma camada líquida porque certo tipo de ondas sísmicas são ali bloqueadas. Como já se disse, esta camada líquida girando sobre a sólida provoca o campo magnético terrestre, através de um processo conhecido como teoria do dínamo .
Voltando ao tema em epígrafe diremos que a distribuição dos pontos quentes ao nível do globo terrestre não assume uma forma aleatória, ocorrendo preferencialmente em zonas de enorme arqueamento do geóide terrestre, quer ao nível do Pacífico Ocidental quer do Atlântico.
Estes pontos quentes podem ser referenciados quer em zonas situadas entre placas, quer em zonas de dorsais, como no caso da Islândia, Açores e Tristão da Cunha, ou mesmo numa zona de formação de riftes continentais (rifting), como no caso do Afar. Os pontos quentes podem estar também localizados em zonas intraplaca do tipo continental (Yellowstone) ou numa zona de intraplaca do tipo oceânica, como no caso do Havai.

1.5.11

NEM TUDO O QUE LUZ É OURO



O velho ditado popular que afirma que nem tudo o que luz é ouro e nos alerta para as falsificações ou mistificações , pode também aplicar-se neste mundo moderno a tudo o que parecia ser uma boa ideia mas que o tempo se encarregou de demonstrar o contrário. Vejamos alguns exemplos :
Comecemos pelo plástico, surgido nos anos 50 do século XX, que parecia ser o substituto ideal para o vidro, dado o seu baixo preço de produção , facilidade de moldagem e resistência ao choque que quase levou á extinção da indústria vidreira , e que é hoje considerado uma encarnação do mal. Esta maneira de pensar ocorre pelo facto de que quando acaba a vida útil do objecto em plástico, este acaba numa lixeira, ou no mar arrastado pelas águas dos rios e, nestes lugares, demora mais de 700 anos a degradar-se com todas as consequências nefastas para o ambiente. Também se reconheceu que muitos plásticos não podem ser reciclados ou queimados pois no seu fabrico foram incorporadas substâncias que, por combustão, libertam gases tóxicos. (aconselhamos a leitura de dois artigos deste Blogue, na etiqueta Ecologia ,com os títulos : RECICLAGEM ««««POLUIÇÃO marinha )
Falemos agora do mercúrio usado nos termómetros, pilhas eléctricas e outros equipamentos cuja inalação dos vapores libertados ataca rins e sistema nervoso, Um pequeno derrame de mercúrio, mesmo que acidental, pode contaminar enormes massas de água doce ou marinha e chegar até nós pela ingestão de peixe que foi também contaminado. O perigo é tão grande que a CEE proibiu , em Abril de 2009 , o uso de termómetros de mercúrio, aparelhos de medir a tensão arterial com coluna de mercúrio e tudo o mais que contenha esta substância , mesmo que em quantidades ínfimas.
Mas há mais exemplos de que nem tudo o que luz é ouro !
O avião “Concord” considerado ideia tecnológica brilhante que podia voar a mais de 2.000 Km/h já não é fabricado ,nem voa, por ser muito ruidoso e o custo de manutenção extremamente elevado. Deixando os ares e voltando à terra, a gasolina com chumbo que aumentava a potência dos motores e os lubrificava ,foi proibida pois o chumbo é muito tóxico para as pessoas e ambiente , tal como o mercúrio de que já falamos.
E as lâmpadas incandescentes não escapam! Cento e cinquenta anos após a sua descoberta começam agora a ser eliminadas pois grande parte da energia que consomem é gasta em calor. Deixarão de ser fabricadas em 2014 e substituídas por lâmpadas de baixo consumo.
Mas até estas parecem já trazer problemas. Transcrevo o que escrevi há tempos sobre elas neste blogue (etiqueta Física):
A lâmpada de baixo consumo é a velha lâmpada fluorescente modernizada: a corrente eléctrica de nossas casas faz com que a fluorescente acenda e apague 100 vezes por segundo, mas as novas ,com os componentes electrónicos que possuem, fazem com que o número de disparos luminosos suba para milhares por segundo, resultando daí melhor qualidade de luz. No pólo positivo de cada tubo ,existe um filamento de tungsténio que ,aquecido, produz electrões e como a tensão entre os dois bornes é de 2.000 volts, forma-se uma faísca. Esta vai vaporizar o mercúrio dentro da lâmpada. Quando a tensão volta a descer estabelece-se uma corrente de electrões que acaba por ser em vaivém ,dentro do tubo. Este movimento de electrões em contacto com os átomos de mercúrio vaporizado, produz radiação ultravioleta. A radiação UV ao atingir o revestimento fluorescente do vidro do tubo faz a lâmpada brilhar com luz visível.
LADO NEGATIVO das lâmpadas de baixo consumo:
Dissemos atrás que todas as belas tinham um senão e é esse lado negativo que vamos analisar: A Agência para o Ambiente, no Reino Unido, está preocupada com os potenciais riscos para a saúde e para o ambiente provocados pelas lâmpadas de baixo consumo. Segundo os toxicologistas estas lâmpadas contêm seis a oito miligramas de mercúrio, quantidade não passível de colocar em risco o consumidor ,mas se uma destas lâmpadas se partir em casa, deve sair do compartimento durante 15 minutos, pois o mercúrio, quando inalado, tende a acumular-se nos tecidos do cérebro e é nocivo a partir de determinada quantidade. As autoridades avisam também que os fragmentos da lâmpada não devem ser recolhidos com aspirador, mas com luvas de borracha, e que as pessoas devem ter cuidado para não inalar o pó libertado. O material deve ser guardado num saco plástico e entregue ás autoridades .O que acontecerá quando milhões destas lâmpadas terminarem o seu tempo de vida e forem parar às lixeiras? Contaminação dos solos e aquíferos! Mas há mais ! Pessoas que têm estudado estas lâmpadas, como é o caso de Mário Portugal Leça Faria , diz-nos :Para que estas lâmpadas funcionem existe no seu casquilho um circuito electrónico que, por não ter ligação á massa, irradia uma frequência supersónica de 40.000 Hz. Esta frequência não audível ,perto da minha cabeça, provocava-me insónias e dores de cabeça..A própria Associação Contra as Dores de Cabeça , em Inglaterra ( Migram Action Association) atribui a estas lâmpadas as dores de cabeça em algumas pessoas ,bem como riscos de epilepsia noutras .

Terminaremos com outro exemplo de que nem tudo o que luz é ouro: neste século XXI, os SPAM, mensagens electrónicas que circulam aos milhões diárimente na Internet , podem imitar mensagens personalizadas e até infectar milhares de computadores , transformando-os em zombies que acabam por ser plataformas para outras actividades, sem que os antivírus ganhem a batalha. ( ver guerra electrónica neste blogue )

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