13.8.11

DINOSSAUROS Como se sabe a morfologia externa

Uma das leitoras do NOVAS deixou um comentário num artigo meu sobre dinossauros , em que afirmava “ haver muita imaginação no aspecto externo que os paleontólogos dão aos dinossauros.
É difícil para mim que não sou paleontólogo , falar de todas as técnicas usadas por esses cientistas para recriarem, com grande margem de veracidade, não só um esqueleto completo do animal a partir de alguns ossos, bem como, a partir desse esqueleto total, o aspecto exterior provável.
Posso no entanto afirmar que disciplinas como fisiologia, histologia ecologia engenharia mecânica, aerodinânica e a já muito velha anatomia comparada são apoio para o paleontólogo. Não podemos esquecer que está mais que provado que as aves evoluiram dos dinossauros voadores e aqui a anatomia comparada com aves actuais é uma grande ajuda.
Mas há mais ;Imaginar dinossauros em carne e osso não é algo difícil para os paleontólogos quando se fala de animais pré-históricos que habitaram a Terra há 65 milhões de anos. Uma nova ferramenta com tecnologia em 3D pode ajudar a solucionar o problema de remontagem dos esqueletos de grandes animais pré-históricas, imaginando até mesmo se eles seriam gordos ou magros. As informações que se seguem são do site científico Live Science.
Por meio de um equipamento de imagem a laser chamado Lidar, os pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, criaram pela primeira vez modelos computadorizados em três dimensões de cinco espécies de dinossauros - incluindo duas do Tyrannosaurus rex, uma da Acrocanthosaurus atokensis, outra do ancestral do avestruz Strutiomimum sedens, uma do herbívoro Edmontosaurus annectens e outra do hadrossauro.
De acordo com os cientistas, a técnica permite que qualquer pessoa veja e imagine como os dinossauros teriam sido em vida, levando em conta a gordura ou a magreza dos exemplares. "Você pode ver o esqueleto com uma barriga", disse Karl Bates, um dos responáveis pelo projeto de biomecânica da universidade.
Os pesquisadores utilizaram o mecanismo para fazer estimativas de peso e conceber a possível condição física dos animais na época. Cálculos de baixo peso, segundo a equipa, seriam os mais prováveis para os dinossauros porque a obesidade diminui a velocidade de caça, aumentando a necessidade de energia sobre o sistema respiratório.
Os dinossauros provavelmente tinham 30% de sua massa nas pernas traseiras. Estudos anteriores mostraram que gigantes, como o T-Rex, precisariam de muito mais músculos nos membros traseiros para se locomoverem com rapidez. A espécie Strutiomimum sedens pesava entre 400 e 600 kg e é considerada parente distante do actual avestruz. Para avaliar o esqueleto deste antigo animal, os pesquisadores fizeram análises de imagens a laser de um avestruz. Reconstruir dinossauros com estes detalhes permitirá avaliar as mudanças na massa corporal das espécies durante a evolução..
É verdade que nem tudo são facilidades e todos sabem da dificuldade de se estudar animais extintos, particularmente aqueles que não deixaram descendentes, isto é, não há hoje animais vivos que deles descenderam sem evolução , salvo casos raros ,como o peixe celacanto.
Muitas das principais perguntas sobre dinossauros, pterossauros (répteis voadores) e ictiossauros (répteis marinhos) –estão relacionadas com aspectos de sua vida. Como cresciam e viviam? Eram velozes ou lentos? Os pais cuidavam dos filhotes ou estes eram independentes e pouco tempo depois do seu nascimento já andavam pelo ambiente em busca de alimento?
Na maioria das vezes estas questões relacionadas aos aspectos da vida dos animais não têm resposta quando o que o cientista tem em suas mãos é um punhado de ossos! Isto porque se a pesquisa desse tipo de material já é difícil pelo facto de ele ser incompleto e desprovido de indícios sobre a morfologia externa da espécie , imagine falar-se em aspectos do seu comportamento!
Vejamos como a histologia pode ajudar Por se tratar de ossos os pesquisadores resolveram aplicar uma metodologia não muito usual, num esforço para entender um pouco mais sobre esses vertebrados extintos.
Tal como se faz em Geologia para estudar a estrutura microscópica das rochas, a confecção de lâminas muito delgadas do osso para estudos histológico (paleohistológicos) procuram entender a anatomia microscópica dos tecidos biológicos fossilizados,
Os ossos são os elementos de sustentação de um vertebrado. São compostos por um tecido conjuntivo que foi endurecido pela deposição de cálcio e fosfato, que formam a componente mineral dos ossos, chamada hidroxiapatite. Existe nos ossos também matéria orgânica formada por fibras, sobretudo de colagénio, além de vasos sanguíneos.
Nos fósseis, há a perda da matéria orgânica, restando apenas a parte rígida do esqueleto. Muitas vezes, os poros dos ossos fossilizados são impregnados por outros elementos, como o ferro, devido a um processo chamado de permineralização, que torna o material ainda mais duro.
Um factor importante a ter em conta é que os ossos de um ser vivo estão em constante remodelação. Sem entrar em pormenores que são do âmbito biológico e que iriam sobrecarregar este texto, podemos dizer que após a formação do tecido ósseo vemos nele duas diferentes áreas: o osso compacto e a zona do osso esponjoso. A parte mais externa do osso é formada pelo periósteo (compacto) e a mais interna, por trabéculas( esponjoso) que envolvem a cavidade medular.
As relações entre essas duas diferentes regiões do osso, como também as suas características histológicas, dependem de vários factores, incluindo o metabolismo e as condições de alimentação do animal, o que nos leva a prever se eram animais de sangue frio ou quente, a dentição, o tipo de maxilar , forma da boca ,etc.
A maior parte das pesquisas paleohistológicas é focada nos dinossauros. Alguns poucos estudos também têm sido realizados em pterossauros e em outros animais.
Com base em estudos paleohistológicos, cientistas puderam determinar que, em alguns dinossauros carnívoros e em pterossauros de grande porte, a região externa dos ossos é bastante vascularizada, o que sugere um crescimento rápido na fase jovem e acentuada diminuição desse processo na fase adulta. Trata-se de animais com um metabolismo endotérmico, isto é, podiam controlar a temperatura do seu corpo. Este padrão é tipicamente encontrado nas aves actuais que normalmente têm seu crescimento descrito como limitado – chegam rapidamente ao tamanho adulto e depois praticamente deixam de crescer. E assim entra também, agora e aqui, a anatomia comparada que nos pode dar a ideia de como seria o aspecto exterior do animal pré histórico , fazendo uma regressão evolutiva a partir de uma ave actual.
Por outro lado, pode-se verificar que, em outras espécies de dinossauros, os ossos são pouco vascularizados e existem linhas, dispostas de maneira mais cíclica, que sugerem interrupção no crescimento.
Esse tipo de característica histológica foi encontrada em saurópodes (grupo de dinossauros herbívoros que reúne algumas das maiores criaturas que já caminharam sobre a Terra e é comum nos répteis ditos tradicionais, aos quais se atribui um crescimento contínuo, como é o caso dos jacarés.
Esses animais têm metabolismo exotérmico, o que significa que eram mais dependentes do meio ambiente no que diz respeito ao controle da temperatura do seu corpo.
Desta forma e como já referimos, a pouco e pouco, vai-se tendo uma ideia de como seria o animal . Mas continuemos ::
Alguns dinossauros, como os prossaurópodes, possuem padrão histológico mais complexo: semelhante aos das aves na fase jovem e mais parecido com o dos répteis tradicionais na fase adulta . Não vamos entrar por este caminho desenvolvendo o assunto por ser demasiado complexo.
Voltando á anatomia comparada que vai assemelhando os dinossauros a aves e répteis da actualidade, duas perguntas se colocam: 1ª Como se explica a diferença de tamanho dos animais actuais em relação com os grandes dinossauros da pré- história ?
2º- Por que os mamíferos , por outro lado, sempre mantiveram um tamanho discreto?
A resposta parece basear-se na diferente constituição dos seus corpos e na bioquímica. Os mamíferos são endotérmicos e não se adaptam bem a climas quentes pois têm dificuldade em libertar o calor que desenvolvem por metabolismo, calor este que é tanto maior quanto maior for o seu corpo. Isto mostra por que os mamíferos do tempo dos dinossauros eram de pequeno porte, mais ou menos o tamanho de um rato.. Os grandes mamíferos só apareceram no final do Cenozóico quando o clima arrefeceu. Em contrapartida os dinossauros viveram em clima quente e, sem necessidade de ter um metabolismo intenso, o seu corpo não teve dificuldades em seguir a tendência natural para o gigantismo pois o clima era propício aos seres exotérmicos e a vegetação também gigante e abundante.
A evolução actuou também no tipo de coração que tinha de estar adaptado a transportar sangue a corpos gigantescos e desta forma se passa de corações de três câmaras ( 2 aurículas e 1 ventrículo) para outros de 4 câmaras o que viria a ser ideal na adaptação das aves a eras geológicas menos quentes.
Como tentei explicar a paleontologia agrega a si outras áreas de conhecimento muito diversas daí que tenhamos de acreditar no que nos afirmam e desenham os especialistas.,havendo mesmo especialistas para cada espécie de dinossauros.
Com este pequeno apontamento , forçosamente muito incompleto por não ser um” expert” na matéria, espero ter ajudado a minha leitora a ver que há muito de investigação científica e um mínimo de imaginação quando se recria o aspecto externo de um dinossauro.
E como aditamento aqui vai outro exemplo de como o estudo dos dinossauros é bastante complexo
A Science publicou recentemente um artigo onde Lars Schmitz e Ryosuke Motani, ambos da Universidade da Califórnia (Estados Unidos), conseguiram estabelecer uma metodologia para separar dinossauros diurnos e nocturnos. Para isso, os pesquisadores mediram a relação do tamanho da órbita com o diâmetro do seu anel esclerótico (conjunto de ossos vulgarmente encontrados protegendo o globo ocular nos répteis). Os resultados mostram que muitos dinossauros carnívoros eram nocturnos enquanto os herbívoros podiam transitar tanto durante o dia quanto na parte da noite. Os pterossauros, também englobados no estudo, eram diurnos.

1.8.11

QUIMIOSSÍNTESE


Todos normalmente sabemos que as plantas , por possuírem clorofila, conseguem fabricar a matéria orgânica de que são constituídas, por intermédio da energia solar, isto é, fazem fotossíntese.
Recordemos o que é este fenómeno : a fotossíntese é o processo através do qual as plantas convertem a energia da luz em energia química , transformando o dióxido de carbono (CO2),e a água (H2O) , em compostos orgânicos (CHO) e em oxigénio gasoso (O2). A luz do sol é absorvida pelas folhas das plantas através da clorofila,
Por este processo fotossintético as plantas produzem o seu próprio alimento, constituído essencialmente por açúcares como a glicose..
A equação simplificada do processo é como se segue : 6 H2O + 6CO2 → 6O2 +C6H12O6.
A fotossíntese é um processo , em que a planta acumula energia a partir da luz para uso no seu metabolismo, formando moléculas de ATP (adenosina tri-fosfato) a base energética das células dos organismos vivos.
No entanto na natureza nem tudo é linear e há outras formas de fabricar moléculas orgânicas sem necessidade de energia captada do Sol.
Alguns tipos de bactérias têm a capacidade de obter energia através da oxidação de substâncias inorgânicas e usam essa energia para fixar dióxido de carbono, produzindo assim compostos orgânicos. Fazem QUIMIOSSÍNTESE

Estas bactérias produzem os compostos orgânicos, utilizando como fonte de energia a oxidação de amoníaco (NH3), ou ado dióxido de carbono (CO2) ou do sulfureto de hidrogénio (H2S). Dizendo de outra maneira : há organismos que vivem em ambientes, tais como fumarolas, águas termais ,vulcões submarinos,etc que seriam mortais para animais e plantas que respiram oxigénio.
Este processo pode ser considerado uma alternativo à fotossíntese. na medida em que conduz à produção de compostos orgânicos. Tal como na fotossíntese, na quimiossintese é possível distinguir duas fases: uma fase de produção de ATP e NADPH. Durante esta fase, ocorre a oxidação de compostos minerais como NH3 (amoniaco), CO2 (dióxido de carbono) e H2S(ambiente sulfuroso). Esta oxidação permite a obtenção de protões e electrões que são transportados ao longo de uma cadeia, no sentido de produzir ATP e reduzir o NADP+ a NADPH;
uma segunda fase, onde ocorre o ciclo das pentoses e, tal como na fotossíntese, produzem-se compostos orgânicos a partir do dióxido de carbono absorvido, do poder redutor do NADPH e da energia contida no ATP, gerados na primeira fase.
Existem diversos tipos de bactérias capazes de realizar a oxidação de compostos minerais para obtenção de energia, podendo destacar-se as bactérias sulfurosas, as bactérias ferrosas e as bactérias nitrificantes do solo.
Sabe-se, actualmente, que este processo de autotrofia (fabrico do próprio alimento) está na base de diversos ecossistemas associados a fontes termais dos riftes oceânicos, onde não chega luz e, por isso, a fotossíntese não pode ocorrer. Contudo, nestes lugares, aparentemente hostis, a vida desenvolveu-se e evoluiu de tal forma que, hoje, é possível encontrar aí uma notável diversidade biológica. Perante estes factos será lícito pensar existir vida em planetas do nosso sistema solar onde a atmosfera está carregada de ácidos sulfurosos ou azoto que seriam mortais para o ser humano.

14.7.11

DACENTRURUS

Deve-se ao geólogo Dr Galopim de Carvalho a “dinossauromania “ que apareceu em Portugal nos anos da década de 80, do século passado. Como também fomos contagiados. aqui vai o que sabemos sobre um réptil do passado, pouco falado.

O Dacentrurus (Dacentrurus armatus) foi uma espécie herbívora e quadrúpede que viveu no fim do período Jurássico. Media cerca de 4,6 metros de comprimento e 1,8 metros de altura, tendo vivido na França, Inglaterra, Espanha e Portugal.

Era um dinossauro de tamanho médio, pertencente ao grupo dos estegossauros, tendo sido classificado como Omosaurus, e só mais tarde como Dacentrurus. Este dinossauro, à semelhança dos restantes estegossauros, possuía um par de fiadas de placas ósseas e espigões ao longo do dorso e da cauda. Há quem afirme que possuiria um grande espigão em cada ombro. Pensa-se que as placas, relativamente frágeis, serviriam provavelmente para ornamentação e regulação da temperatura corporal. Os espigões, presentes na cauda e ombros, poderiam ser usados como armas defensivas contra os predadores.
Em Portugal foram também encontrados fósseis de outros estegossauros, nomeadamente o Miragaia longicollum, descoberto recentemente na zona de Miragaia, concelho da Lourinhã, e o Stegosaurus, encontrado na zona da Batalha. Os ossos fósseis do Dacentrurus armatus podem ser vistos no Museu Geológico, em Lisboa, e no Museu da Lourinhã onde , neste último caso ,integram estudo sobre os ossos de defesa dos estegossauros e anquilossauros
O Museu da Lourinhã e a Universidade Nova de Lisboa, analisaram a microestrutura dos ossos de anquilossauros e estegossauros, e do grupo dos dinossauros couraçados, os tireóforos. Estes animais tinham o corpo com placas e espinhos que serviam para sua protecção. Este estudo, liderado pelo japonês Shoji Hayashi da Universidade de Hokkaido, foi apresentado no congresso anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados e vem precisamente abordar a histologia (estudo dos tecidos) e estrutura destas placas e espinhos.

Os ossos do dinossauro Dacentrurus, em exposição no Museu da Lourinhã, foram analisados por uma tomografia axial computorizada e feitos pequenos cortes nos ossos, para se estudar a estrutura interna através de lâminas delgadas dos ossos observadas a microscópio.
Os resultados indicam ainda que os anquilossauros e os estegossauros usaram diferentes estratégias evolutivas para desenvolver armas defensivas.
Os espinhos dérmicos dos anquilossauros e estegossauros são semelhantes na forma geral, mas as suas características estruturais e histológicos são diferentes por possuírem estruturas peculiares de fibras de colagénio nos anquilossauros e fortes espinhos compactos nos estegossauros, o que lhes fornecia suficiente resistência para usá-los como armas defensivas. O colagénio é uma proteína de importância fundamental na constituição dos tecidos, sendo responsável por grande parte de suas propriedades físicas.

4.7.11

VIRIATO





Muito se tem escrito sobre Viriato, um herói ibérico nascido quase dois séculos antes do aparecimento do cristianismo e celebrado quer em Portugal quer em Espanha.
A península Ibérica , no tempo da colonização romana , era designada de Hispânia e ocupada por vários povos como Galaicos, Asturianos, Cantábricos, Bascos, Lusitanos , Celtas , Celtiberos e outros mais.
Ora acontece que no ano 150 antes de Cristo. o governador Romano da Hispânia Ulterior, Sérvio Galba decidiu trair os Lusitanos com quem havia feito um pacto de não agressão e a promessa de lhes dar terras para cultivarem . Desta forma concentrou os Lusitanos em determinada zona, dividiu-os em três grupos e depois destes entregarem as armas mandou as legiões romanas atacá-los. A maioria foi morta e outra parte escravizada. Um pequeno grupo conseguiu escapar e nele encontrava-se Viriato, então com vinte anos, que reunindo todos eles iniciou uma guerra de guerrilha contra Sérvio Galba,
Não se sabe se Viriato era um lusitano nascido a norte ou a sul do rio Tejo, nem tão pouco quem era a sua família . Sabe-se apenas que era pastor, habituado á vida simples e difícil das serras. Decidido a vingar a morte do seu povo, instala-se na zona montanhosa e daí faz a guerrilha pois as rugosidades e asperezas das serras eram um refúgio, onde os grandes e pesados exércitos romanos se tornavam inoperacionais.
Perante este facto os romanos tudo faziam para aí os confinar, sem tentar atacá-los directamente.
Viriato era generoso para com os seus seguidores, distribuindo o produto dos saques de acordo com a valentia demonstrada no ataque ás guarnições romanas. Terá desposado Tongina ,filha única de Astolpas, um rico proprietário da região Bética , e fugido com ela para as montanhas, continuando a luta.
Dez anos após o início da guerrilha , Viriato faz um tratado de paz com Roma e por ele é reconhecido como Amicus populi romani (amigo do povo romano). Por este tratado é considerado Dux dos Lusitanos , isto é, rei dos lusitanos.
No ano 139 aC é assassinado por dois dos seus lugares tenentes , ao que consta aliciados pelo general romano Cepião. Consta que quando os assassinos se dirigiram a Cepião para receber a recompensa este, antes de os mandar degolar, terá dito: Roma não paga a traidores.
Viriato terá tido um grande funeral como rei dos Lusitanos , queimado o seu corpo numa pira durante dois dias com danças guerreiras á sua volta e honras dos romanos . Com a sua morte cessa a oposição a Roma e a Hispânia volta a ser parte do Império Romano.

15.6.11

GÖBEKLI TEPE



Hoje vou falar-vos de uma jazida arqueológica muito antiga , do tempo em que a humanidade era ainda nómada e não tinha descoberto a agricultura, pelo menos nesta zona onde hoje se situa a Turquia .
Göbekli Tepe é o cimo de uma colina onde foi encontrado o que se pensa ser um santuário . Esta jazida arqueológica, que está a ser escavada por arqueólogos alemães e turcos, foi construída por povos caçadores recolectores , 10.000 anos antes das populações se tornarem agricultoras. Este achado revolucionou o que se sabia sobre o Neolítico e sobre o início do que se considerava o aparecimento da civilização e das religiões. Devido à forma dos edifícios, não se sabe se Gobekli Tepe eram casas de habitação ou templos, mas pensa-se que seriam templos porque os dois pilares centrais das estruturas encontradas, estão virados para Oeste, o que pode revelar sentimento religioso.
Göbekli Tepe já havia sido referenciada por uma equipa americana, que reconheceu que a colina não poderia ser inteiramente natural, mas pensou ser um mero cemitério bizantino abandonado. Desde 1994 as escavações conduzidas pelo Instituto Arqueológico Alemão e pelo Museu de Şanlıurfa, sob a direcção do arqueólogo alemão Klaus Schmich fizeram com que se tivesse certeza de que se tratava de um sítio pré-histórico embora gerações de agricultores locais frequentemente tivessem movido as pedras para limpar o terreno . Desta forma, muita evidência arqueológica foi destruída ..
Durante as escavações a grande sequência de camadas estratificadas sugere muitos milénios de actividade, talvez desde o mesolítico. A camada com indícios de ocupação humana mais antiga continha pilares monolíticos ligados por paredes construídas grosseiramente para formar estruturas circulares ou ovais. Até agora, quatro construções como essas foram desenterradas, com diâmetros entre 10 e 30 metros, mas pesquisas geofísicas indicam a existência de mais 16 dessas estruturas.
Os monólitos que formam os pilares centrais são decorados com relevos esculpidos de animais mas também por pictogramas abstractos. Esses sinais não podem ser classificados como escrita, mas podem representar símbolos sagrados amplamente compreendidos, por analogia com outros exemplos de arte rupestre do neolítico.
Os relevos atrás citados representam leões, touros, raposas, gazelas, burros, serpentes e outros répteis, insectos, aracnídeos e pássaros, particularmente abutres e aves aquáticas. Os abutres aparecem com destaque na iconografia de Çatalhüyük uma outra jazida não muito longe dali. Acredita-se que nas culturas neolíticas do sudeste da Anatólia os mortos eram deliberadamente expostos para serem devorados por abutres e depois enterrados os ossos ,como acontece na Ìndia. As casas ou templos postos a descoberto, são edifícios megalíticos redondos. As paredes são de pedra tosca, com 12 pilares monolíticos de calcário, com cerca de 10 toneladas cada, em forma de T, com altura até 3 metros, e com 2 pilares maiores no centro da estrutura. Como há provas que tinham cobertura pensa-se que tais pilares serviam para suportar a estrutura do telhado. O pavimento estava revestido com terrazo (mistura de restos de pedra, normalmente mármore, com um aglomerante). A parede exterior tinha uma espécie de degrau/banco que rodeava o edifício.
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30.5.11

Filosofando sobre a vaidade





Da janela de minha casa, olhava para a “ quinta do solar “ onde um casal de pavões ia debicando na terra húmida pelo orvalho, quando reparei que o macho abrira o seu leque de magníficas penas , numa atitude de galantear a fêmea.
Vaidoso, pensei eu alinhando pela óptica dos que afirmam que vaidoso é todo aquele que quer chamar a atenção, destacando-se dos demais. Os que assim pensam talvez tenham alguma razão , mas não nos podemos esquecer que todos nós demonstramos uma certa vaidade no que fazemos .
Será que a vaidade é fundamento dos nossos actos ? Não sei responder, mas verifico que em algumas pessoas a vaidade é sem limites e dou como exemplos : os que criam Fundações ,por vezes inoperantes, só para que tenham o seu nome nelas ; aqueles que em vida, edificam túmulos aparatosos para o seu repouso eterno ; os que recebem comendas e outros “ penduricalhos “ e desejam depois que em vez do seu nome de baptismo lhe chamem de “senhor comendador” ou” senhor conselheiro” ; os que autorizam lhe sejam erguidas estátuas ou seja dado o seu nome a ruas ou avenidas; os que tudo fazem para serem focados por uma câmara de televisão num evento social ; os que tendo sido alguma vez presidentes de alguma agremiação e já não presidindo a nada , exigem ser tratados ainda por senhor Presidente .
Será a vaidade uma coisa inata ? Não me parece, já que durante a infância o objectivo é ser igual aos demais do grupo do bairro ou da ” escolinha”, sem haver comparações ou desejo de saber quem é o mais rico, o mais inteligente ou o mais bonito. O mal está na fase de adolescente em que, para se ser aceite pelo grupo, é necessário destacar-se . Como esse destaque pode ser difícil de concretizar , muitos jovens afastam-se dos pais e dos colegas , acolhendo-se numa “tribo” onde todos são indiferenciados.
A ânsia de destaque atrás referida , na procura de ser aceite pelo grupo de adultos, leva a uma individualização e a uma via oposta à da integração social. Vencer significa destacar-se e assim, com o êxito, vem a VAIDADE, uma espécie de droga do prazer que deve ser obtida por qualquer meio, mesmo que prejudicando os outros.
Contrariamente, a derrota significa humilhação que por vezes leva à depressão. Estar sob os holofotes do sucesso, nem que seja por pouco tempo, alimenta a fogueira da vaidade e , desta forma, as pessoas tornam-se escravas dela, criando fantasias e sofrendo com qualquer pequena e eventual derrota. Recordemos o que aconteceu em toda a parte aos vencedores dos Big Brothers televisivos e outros programas similares onde há uma efémera notoriedade . Quando os programas acabam e surgem outros ídolos do público, vem a depressão, os problemas com a droga e justiça e algumas vezes o suicídio. As pessoas que não sabem administrar a perda de popularidade, perdem o sentido comum da vida, já que passa a ser um desafio constante , uma meta sempre distante, a busca de nova notoriedade.
Voltei a olhar para o pavão e admiti que a vaidade nada tem a ver com o género nem é inata no ser humano.
É a pressão da sociedade que nos subtrai o bom senso e nos faz querer ganhar qualquer disputa , mesmo que seja uma simples opinião, e o curioso é que embora conheçamos muito bem as vaidades alheias não admitimos as nossas.
Afinal a vaidade é ou não necessária embora, em geral, seja considerada como coisa negativa ? Creio que, se não for exibicionista, como nos casos que atrás citei, ela poderá ser aceitável e se vencer não for a óptica única de vida.
Nesta minha intromissão pela vaidade ainda não referi a da aparência física que leva muita gente a ser escrava da moda . Quem não conhece os casos de dietas loucas e prejudiciais à saúde só para ter determinadas medidas corporais ? Ou o bronzeado excessivo porque é essa a moda de momento ? Quem não conhece os que desejam a eterna juventude submetendo-se a cirurgias estéticas ,não sabendo envelhecer com elegância? Quem não conhece os que gastam o que já não têm para vestirem o que viram num desfile mundano ?
Todos esquecemos que um dia , mais cedo ou mais tarde, seremos pó , cinza e nada.

22.5.11

Pontos Quentes (HOTSPOT)



Os pontos quentes (em inglês hotspot), são locais da zona do manto terrestre com temperatura mais alta do que nas outras regiões. A teoria dos pontos quentes foi formulada pelo geofísico J. Tuzo Wilson ,em 1963, para explicar a existência de vulcões formando linhas coincidentes com a direcção do movimento das placas sobre as quais assentam. No Hawai ,zona que foi estudada, os vulcões parecem mostrar a passagem da crosta terrestre sobre uma zona de material magmático, localizada no manto terrestre, e que ao ascender à superfície origina sucessivos vulcões.
A origem dessas plumas térmicas ( zonas magmáticas) foi durante muito tempo atribuída à formação de uma coluna ascendente de material mais quente da zona fronteiriça entre o manto e o núcleo terrestre, e que viria até á superfície. Dados recentes põem em causa a existência destas estruturas a tais profundidades, apontando como origem das plumas térmicas a formação de zonas estáveis de convecção térmica, nas camadas mais superficiais do manto terrestre.
De acordo com a teoria de Wilson, os alinhamentos de ilhas vulcânicas ( não associadas a limites de placas ) são explicadas pela existência de zonas relativamente pequenas , mas muito quentes que existem sob a litosfera. Recordemos que a litosfera é a camada sólida da Terra formada pela crosta e pelo manto até á astenosfera, e nada melhor do que rever um pouco como é o interior do nosso planeta. O interior da Terra não é uniforme e podemos dividi-lo , usando critérios químicos , em uma camada externa (crosta) de rochas á base de silício ; um manto altamente viscoso á base de sílica e magnésio ; um núcleo sólido de ferro e niquel envolvido por uma parte líquida do mesmo material. Esta zona líquida do núcleo, girando sobre a zona sólida,dá origem ao campo magnético terrestre. O interior da Terra tem temperaturas da ordem dos 5.270 graus Kelvim. Este calor interno foi criado inicialmente durante a formação da Terra e é constantemente gerado pelo decaimento dos materiais radioactivos que se concentraram nas zonas profundas do planeta .



CROSTA --Forma a maior parte da litosfera e tem uma extensão variável consoante o local geográfico. Sob as grandes cadeias montanhosas chega a atingir 70 Kms de espessura, mas geralmente anda pelos 30 Kms. É composta basicamente por rochas cuja composição química são silicatos de alumínio sendo por isso designada de zona Sial . Existem vários tipos de crosta, sendo os principais a oceânica e a continental. A crosta oceânica é relativamente nova (150 Milhões de anos) e está em constante formação. É de composição basáltica e está coberta por sedimentos que possuem 7 Kms de espessura. A crosta continental é formada por rochas que vão dos granitos aos basaltos, tendo uma espessura média entre 30 e 40 Kms nas regiões estáveis e entre 60 a 80 Kms nas zonas sob os Himalaias e os Andes, como já nos referimos anteriormente. As rochas mais antigas andam pelos 4 MA (milhões de anos), mas também existem rochas ainda em formação, como é o caso das rochas sedimentares que resultam da destruição ou alteração das mais antigas. A zona de separação entre Crosta e Manto é-nos dada pela chamada zona de descontinuidade de Mohorovicic ou zona Moho, já que há uma descontinuidade brusca na composição quimica das rochas á base se silica e magnésio (Sima). Esta zona foi detectada pela variação brusca do comportamento das ondas sísmicas que se dirigem para o interior do planeta.

MANTO - Esta zona vai desde os 30 Kms de profundidade até aos 2900 Kms.As rochas que o constituem são de natureza silico-magnesiana e estão sujeitas nas zonas mais profundas a pressões de um milhão de atmosferas.O material do manto pode apresentar-se no estado sólido ou como uma pasta viscosa (astenosfera) na zona superior ,e sólido na inferior, devido ás altissimas pressões que contrariam o efeito da temperatura, que vai aumentando para o interior, atingindo 3500 graus Celsius já perto do núcleo. A zona da Astenosfera é importante pois possui movimentos convectivos que explicam o deslocamento dos Continentes, ou melhor, das placas continentais que suportam os continentes, empurradas pelas placas oceânicas em constante crescimento..

NÚCLEO ---Composto em grande parte por ferro (80%) e niquel o (Nife) é dividido em duas partes : o núcleo sólido, praticamente só ferro, é envolvido por uma camada liquida já contendo algum níquel.Pensa-se que é uma camada líquida porque certo tipo de ondas sísmicas são ali bloqueadas. Como já se disse, esta camada líquida girando sobre a sólida provoca o campo magnético terrestre, através de um processo conhecido como teoria do dínamo .
Voltando ao tema em epígrafe diremos que a distribuição dos pontos quentes ao nível do globo terrestre não assume uma forma aleatória, ocorrendo preferencialmente em zonas de enorme arqueamento do geóide terrestre, quer ao nível do Pacífico Ocidental quer do Atlântico.
Estes pontos quentes podem ser referenciados quer em zonas situadas entre placas, quer em zonas de dorsais, como no caso da Islândia, Açores e Tristão da Cunha, ou mesmo numa zona de formação de riftes continentais (rifting), como no caso do Afar. Os pontos quentes podem estar também localizados em zonas intraplaca do tipo continental (Yellowstone) ou numa zona de intraplaca do tipo oceânica, como no caso do Havai.

1.5.11

NEM TUDO O QUE LUZ É OURO



O velho ditado popular que afirma que nem tudo o que luz é ouro e nos alerta para as falsificações ou mistificações , pode também aplicar-se neste mundo moderno a tudo o que parecia ser uma boa ideia mas que o tempo se encarregou de demonstrar o contrário. Vejamos alguns exemplos :
Comecemos pelo plástico, surgido nos anos 50 do século XX, que parecia ser o substituto ideal para o vidro, dado o seu baixo preço de produção , facilidade de moldagem e resistência ao choque que quase levou á extinção da indústria vidreira , e que é hoje considerado uma encarnação do mal. Esta maneira de pensar ocorre pelo facto de que quando acaba a vida útil do objecto em plástico, este acaba numa lixeira, ou no mar arrastado pelas águas dos rios e, nestes lugares, demora mais de 700 anos a degradar-se com todas as consequências nefastas para o ambiente. Também se reconheceu que muitos plásticos não podem ser reciclados ou queimados pois no seu fabrico foram incorporadas substâncias que, por combustão, libertam gases tóxicos. (aconselhamos a leitura de dois artigos deste Blogue, na etiqueta Ecologia ,com os títulos : RECICLAGEM ««««POLUIÇÃO marinha )
Falemos agora do mercúrio usado nos termómetros, pilhas eléctricas e outros equipamentos cuja inalação dos vapores libertados ataca rins e sistema nervoso, Um pequeno derrame de mercúrio, mesmo que acidental, pode contaminar enormes massas de água doce ou marinha e chegar até nós pela ingestão de peixe que foi também contaminado. O perigo é tão grande que a CEE proibiu , em Abril de 2009 , o uso de termómetros de mercúrio, aparelhos de medir a tensão arterial com coluna de mercúrio e tudo o mais que contenha esta substância , mesmo que em quantidades ínfimas.
Mas há mais exemplos de que nem tudo o que luz é ouro !
O avião “Concord” considerado ideia tecnológica brilhante que podia voar a mais de 2.000 Km/h já não é fabricado ,nem voa, por ser muito ruidoso e o custo de manutenção extremamente elevado. Deixando os ares e voltando à terra, a gasolina com chumbo que aumentava a potência dos motores e os lubrificava ,foi proibida pois o chumbo é muito tóxico para as pessoas e ambiente , tal como o mercúrio de que já falamos.
E as lâmpadas incandescentes não escapam! Cento e cinquenta anos após a sua descoberta começam agora a ser eliminadas pois grande parte da energia que consomem é gasta em calor. Deixarão de ser fabricadas em 2014 e substituídas por lâmpadas de baixo consumo.
Mas até estas parecem já trazer problemas. Transcrevo o que escrevi há tempos sobre elas neste blogue (etiqueta Física):
A lâmpada de baixo consumo é a velha lâmpada fluorescente modernizada: a corrente eléctrica de nossas casas faz com que a fluorescente acenda e apague 100 vezes por segundo, mas as novas ,com os componentes electrónicos que possuem, fazem com que o número de disparos luminosos suba para milhares por segundo, resultando daí melhor qualidade de luz. No pólo positivo de cada tubo ,existe um filamento de tungsténio que ,aquecido, produz electrões e como a tensão entre os dois bornes é de 2.000 volts, forma-se uma faísca. Esta vai vaporizar o mercúrio dentro da lâmpada. Quando a tensão volta a descer estabelece-se uma corrente de electrões que acaba por ser em vaivém ,dentro do tubo. Este movimento de electrões em contacto com os átomos de mercúrio vaporizado, produz radiação ultravioleta. A radiação UV ao atingir o revestimento fluorescente do vidro do tubo faz a lâmpada brilhar com luz visível.
LADO NEGATIVO das lâmpadas de baixo consumo:
Dissemos atrás que todas as belas tinham um senão e é esse lado negativo que vamos analisar: A Agência para o Ambiente, no Reino Unido, está preocupada com os potenciais riscos para a saúde e para o ambiente provocados pelas lâmpadas de baixo consumo. Segundo os toxicologistas estas lâmpadas contêm seis a oito miligramas de mercúrio, quantidade não passível de colocar em risco o consumidor ,mas se uma destas lâmpadas se partir em casa, deve sair do compartimento durante 15 minutos, pois o mercúrio, quando inalado, tende a acumular-se nos tecidos do cérebro e é nocivo a partir de determinada quantidade. As autoridades avisam também que os fragmentos da lâmpada não devem ser recolhidos com aspirador, mas com luvas de borracha, e que as pessoas devem ter cuidado para não inalar o pó libertado. O material deve ser guardado num saco plástico e entregue ás autoridades .O que acontecerá quando milhões destas lâmpadas terminarem o seu tempo de vida e forem parar às lixeiras? Contaminação dos solos e aquíferos! Mas há mais ! Pessoas que têm estudado estas lâmpadas, como é o caso de Mário Portugal Leça Faria , diz-nos :Para que estas lâmpadas funcionem existe no seu casquilho um circuito electrónico que, por não ter ligação á massa, irradia uma frequência supersónica de 40.000 Hz. Esta frequência não audível ,perto da minha cabeça, provocava-me insónias e dores de cabeça..A própria Associação Contra as Dores de Cabeça , em Inglaterra ( Migram Action Association) atribui a estas lâmpadas as dores de cabeça em algumas pessoas ,bem como riscos de epilepsia noutras .

Terminaremos com outro exemplo de que nem tudo o que luz é ouro: neste século XXI, os SPAM, mensagens electrónicas que circulam aos milhões diárimente na Internet , podem imitar mensagens personalizadas e até infectar milhares de computadores , transformando-os em zombies que acabam por ser plataformas para outras actividades, sem que os antivírus ganhem a batalha. ( ver guerra electrónica neste blogue )

22.4.11

PONTE DE ALCÂNTARA



Quem atravessa o rio Tejo em Espanha junto à cidade de Alcântara encontra uma magnífica obra de arte romana mandada construir pelo imperador Trajano por volta do ano 104 , No entanto o nome Alcantara (Al Quantarat) vem da época da ocupação muçulmana pois em árabe quer dizer “ a ponte”. Fazia parte da via romana que ligava Norba (actual Cáceres -Espanha) a Conímbriga em Portugal).
É formada por seis arcos numa distância de 194 metros de comprimento e oito de largura; a parte mais alta mede 57 metros, se não contarmos com o Arco do Triunfo construído a meio , o que lhe acrescenta mais 14 metros na altura.
O arco do triunfo é dedicado ao Imperador Trajano, A inscrição numa placa em mármore diz: "Imp. Caesari. Divi. Nervae. F.Nervae Traiano. Aug. Ger. Dacio. Pontif. Max. Trib. Potest ; VIII Imp. V.Cos V. P.P.". (Ao Imperador Cesar Nerva Trajano Augusto, filho do divino Nerva, Germânico, Dácico, Grande Potífice, Tribuno revestido da Oitava Potência, saudado Imperador pela Quinta vez, Pai da Pátria).
Toda em granito, com as pedras cortadas de modo a encaixarem sem necessidade de argamassa é uma magnífica obra de arte que teve em conta as violentas enchentes do Tejo, o que explica sua altura excepcional. O seu construtor deverá ter sido Caio Júlio Lacer que deixou escrito na pedra uma frase em latim que quer dizer : ponte que durará para sempre. No entanto ,por várias vezes alguns arcos foram destruídos para evitar invasões, tendo sido finalmente restaurado em meados do século XIX.
Numa das entradas há um pequeno templo dedicado ao Imperador Trajano que foi transformado em capela pelos cristãos e hoje é conhecido como Capela de São Julião.
A ponte está situada estrategicamente , pois cruza um profundo canhão escavado pelo rio. Este ponto estratégico foi fortificado pelos romanos daí que na margem esquerda do rio se tenha formado uma praça de armas ainda mais fortificada .

11.4.11

ANTIMATÉRIA

Há alguns anos afirmava-se que o universo tivera o seu início a partir de uma grande explosão do átomo primitivo que teria o tamanho de uma pequena bola mas que conteria toda a massa do universo, logo uma densidade infinita. Essa explosão era designada por Big Bang. O que actualmente se ensina é que no início o universo não era constituído por matéria, mas apenas por energia sob forma de radiação. Esse universo de energia passou a expandir e a esfriar e nele foram criados pares de partículas e antipartículas que se aniquilavam em grande quantidade. Com a queda da temperatura, a energia começou a formar hadrões, assim como a antimatéria a formar antihádrões, pois matéria e antimatéria seriam criadas em quantidades iguais. Hádron ( brasileiro) ou hadrão (português europeu) em Física de Partículas, é uma partícula composta, formada por um estado ligado de quarks. Os hádrons mantêm a sua coesão interna devido à interacção forte, de um modo análogo à que mantém os átomos unidos pela força electromagnética (Os hádrões mais conhecidos são os protões e os neutrões, base da matéria tal como a conhecemos , no nosso universo onde só há matéria.) Mas que terá acontecido à antimatéria que foi criada em paralelo com esta matéria ? É que nos intriga que o universo ainda exista, pois quando a matéria e a antimatéria se encontram, elas anulam-se gerando, apenas e de novo, energia . Será lógico pensar que após terem sido criadas, as partículas e as antipartículas elas se aniquilassem, impedindo que corpos mais complexos como átomos, moléculas, matéria, estrelas , planetas e, no caso da Terra, os seres vivos se pudessem formar. Será que uma pequena porção de matéria escapou ao encontro com a anti-matéria e formou o tal átomo primitivo de que falei logo no início ? Mas o que provocou esse desencontro ? Ninguém o sabe, pese haver algumas teorias um tanto ou quanto mirabolantes. Em 1966, um físico russo de nome Andrei Sakharov delineou três condições necessárias para que aparecesse esse desequilíbrio entre matéria e antimatéria. A primeira refere que os protões devem decair ; a segunda restringe a maneira uniforme de como o universo esfriou após o Big Bang ; a terceira descreve haver uma diferença de propriedade, mensurável, entre matéria e antimatéria. Admitamos a hipótese de Sakharov só que, até hoje, não houve nenhuma observação experimental do decaimento de um protão e as condições do não equilíbrio do esfriamento do universo só são compatíveis com modelos teóricos . Quanto à diferença de comportamento entre a matéria e a antimatéria , há várias experiências em curso para tentar observá-la, mas não resultados. Para espíritos simples seria fácil dizer que a anti matéria não existe, mas os cientistas no CERN não só criaram mini big- bangs, como também conseguiram agora pela primeira vez "caçar" e armazenar átomos de antimatéria. Mais precisamente 38 átomos de anti-hidrogénio.(Um átomo de hidrogénio é constituído por um protão (partícula elementar do núcleo atómico) e por um electrão negativo, que gira em torno desse núcleo. Um anti-hidrogénio é o seu inverso: tem um protão negativo, ou antiprotão, e um electrão positivo, ou positrão.) No decurso de uma experiência chamada Alpha, os 38 anti átomos foram apanhados e duraram um décimo de segundo nas mãos dos investigadores, o que "foi tempo suficiente para os estudar", segundo o CERN. Para confinar os 38 anti-hidrogénios os físicos utilizaram um novo tipo de "prisão" magnética, depois de 335 tentativas para produzir aquela antimatéria. Tudo bem, a antimatéria existe ou pode ser produzida mas continua a não se saber por que a natureza eliminou a antimatéria por forma a haver só a matéria no nosso mundo ; se as duas coexistissem o Universo não estaria cheio de átomos, mas sim de raios gama. Os pesquisadores trataram, então, de descobrir o mecanismo da natureza responsável pela separação de matéria e antimatéria, evitando a destruição. Nada conseguiram, e os primeiros radio telescópios instalados a bordo de satélites artificiais permitiram descobrir que o Universo não tem tantos raios gama como se imaginava. Foram feitos cálculos teóricos para saber quanta antimatéria poderia haver na Via Láctea que ainda não tivesse sido descoberta. Os pesquisadores partiram do facto de que também no vasto Universo haverá objectos que colidem ocasionalmente já que não existe espaço vazio, mas enormes quantidades de partículas de gás e pó. Sendo assim, ainda que só uma parte de nossa galáxia fosse constituída de antimatéria, haveria um constante cintilar de raios gama. Os resultados obtidos até agora indicam que a Via Láctea possa ter apenas uma milionésima parte de sua massa constituída de antimatéria. Com este diferencial fica a pergunta: será que em algum lugar existe a antimatéria em grande quantidade? Por meio de sondas enviadas às camadas mais altas da atmosfera descobriu-se que a Terra está exposta a um contínuo bombardeio de antiprotões, que chegam do Universo e formam parte da radiação cósmica geral, mas eles não são indícador de que existam antiestrelas, por exemplo. Como acontece nas instalações do acelerador de partículas do CERN, é possível que os antiprotões se possam formar no Universo a partir de partículas comuns, desde que ocorram entre elas choques muito violentos. Como os raios cósmicos são ricos em energia, devem produzi-los com facilidade quando atravessam a massa de gás interestelar. No fundo, é muito pouco, quase nada, o que sabemos sobre a antimatéria - embora já possamos fabricá-la durante alguns micro segundos. A antimatéria será útil quando se precisar armazenar grandes quantidades de energia, com peso e volume ínfimos. Dessa forma poderia ser utilizada para impulsionar veículos interplanetários, mas também, ser utilizada para a guerra e essa hipótese , estudada pelos Estados Unidos, já está em curso, sob protestos da comunidade científica internacional.

17.3.11

POR QUE VOA UM AVIÃO ?

Se for perguntado à maioria das pessoas por que voa um avião elas responderão que é por ter asas. A resposta está certa mas não pode ser aceite com tanta simplicidade, pois o fenómeno é diferente do que ocorre nas aves que batem as suas asas para voar. Qualquer máquina voadora mais pesada que o ar, depende da actuação da energia mecânica ao ar circundante, por forma a produzir um impulso para cima (sustentação), que contraria o peso da máquina , isto é ,o efeito da gravidade. Para que tal aconteça, é necessária uma constante acção da energia mecânica atrás referida que proporcione um movimento para a frente, contra a resistência do ar. Essa energia é fornecida pelas hélices dos motores ou pelo efeito acção reacção do jacto de gases para trás, nos motores deste tipo. O impulso produzido (tracção) é necessário não só para a permanência no ar, como também para à subida do aparelho ou decolagem.

( Na figura acima onde se lê empuxo ( brasileirismo) deverá ler-se tracção) Deixemos de lado helicópteros e autogiros e centremo-nos apenas no vulgar avião a hélice ou a jacto. Basicamente, um avião é composto de um corpo , normalmente em forma de fuso ( fuselagem do avião), e um par de asas, localizado mais ou menos a meio da estrutura, bem como uma empenagem traseira, formada por um plano horizontal e outro vertical, a asa traseira e o leme de direcção . Como todos sabemos, há um ou mais motores, montados praticamente em qualquer lugar do avião, desde o interior da fuselagem propriamente dita, até montados nas asas. Como neste tipo de aeronave, a sustentação se concentra nas asas é também nelas que se deve encontrar o centro de gravidade do avião ou. dito de maneira simplista ,.o peso da máquina. É no formato transversal da asa que está parte do segredo para o avião voar. Recordemos que o ar circundante é atirado contra as asas porque o aparelho se está a deslocar por força dos motores , a já referida tracção ou empuxe, como dizem os brasileiros .O formato da asa do avião faz com que o ar que passa por cima dela se movimente mais depressa do que o ar que passa por baixo. Isso ocorre devido às diferentes curvaturas na parte superior e inferior da asa.


Também se sabe da física que quanto maior for a velocidade do ar, menor é a sua pressão. Daí que a asa do avião sofre MAIOR pressão do ar na sua parte inferior e MENOR na parte superior. Esta diferença de pressões resulta numa força chamada de sustentação. A sustentação produzida pelas asas varia com a velocidade do avião ou, o que é o mesmo, com a velocidade do ar que passa por elas. Quanto mais rápido ele voar, mais sustentação será produzida. Assim, o aparelho tem que ganhar uma velocidade considerável no solo antes de obter sustentação suficiente para decolar. No entanto, maiores velocidades traduzem-se também em maior arrasto ou resistência do ar (mais dificuldade para o avanço), por isso os jactos e outros aviões de alta velocidade têm asas mais delgadas, que oferecem pouca resistência. Mas voltemos ao assunto. Quando em movimento, quatro forças agem sobre o avião: A tracção dos motores, o peso ou acção da gravidade, a sustentação e o arrasto devido ao atrito com o ar . Para facilitar as manobras de voo existem outros mecanismos que passamos a citar. Um dispositivo conhecido como flap foi criado para modificar uma secção da asa, a fim de que a sustentação possa ser alterada pelo piloto. Quando movimentados para baixo, os flaps aumentam a resistência ao avanço, diminuindo a velocidade do aparelho, logo a sustentação Durante o voo, o avião tem que se mover de três maneiras básicas: para cima e para baixo; de um lado para outro; e rolando ao redor de um eixo longitudinal. O movimento para cima ou para baixo é controlado pelas superfícies móveis, chamadas elevadores( na figura designados por profundor) . Movendo-se esses elevadores para cima, o avião tem o nariz ou a frente levantada, em posição de subida. Baixando-se os elevadores, o efeito é o oposto. Para o avião curvar para a direita ou para a esquerda usa-se uma superfície móvel vertical, conhecido como leme . No caso de apenas o leme ser usado, o avião "derrapa" lateralmente, pois não há uma força contrária horizontal que evite o avião de continuar a virar. Movendo-se os ailerons , superfícies de controle nas extremidades das asas, o avião pode ser forçado a inclinar-se para o lado interno da curva. A acção combinada de aileron e leme fazem o avião curvar facilmente , embora inclinado, tal como acontece com um motociclista ao fazer uma curva apertada . Falemos agora do helicóptero cuja diferença para o avião é ter asas não fixas, isto é, são rotativas. Como já dissemos para haver sustentação é necessário que o ar passe com velocidade pela asa ou, o que vai dar ao mesmo que a asa passe com velocidade pelo ar. É o que acontece com as pás do helicóptero (asas rotativas) que giram passando pelo ar com grande velocidade e como essas pás têm o mesmo perfil das asas de um avião criam a sustentação do aparelho. As asas geram sustentação desviando o ar para baixo mas beneficiando-se da reacção oposta e igual que resulta disso. Ao conjunto de pás rotativas do helicóptero é chamado de rotor principal. Estas pás são accionadas por um motor Se for dado às pás um pequeno ângulo de ataque em relação à árvore (suporte onde gira o rotor), as pás começam a gerar sustentação e também tracção ,obrigando o aparelho a movimentar-se para a frente. Este conjunto de forças funciona muito bem até ao momento em que o helicóptero sai do chão. Nesse momento, não existe nada que evite que o motor (e assim o corpo do aparelho) gire exactamente como o rotor principal.( efeito físico denominado torque) Desse modo, na falta de algo que o evite, o corpo do aparelho gira em direcção oposta á do rotor principal . Para evitar que o corpo do aparelho gire, é preciso aplicar uma força em sentido contrário. O modo normal de fornecer força ao corpo do aparelho é anexar outro conjunto de asas rotativas na vertical e na extremidade uma longa viga. Essas asas são chamadas de rotor de cauda. O rotor de cauda produz tracção como uma hélice de avião. Produzindo tracção na direcção lateral, ele age contra a tendência do motor de fazer o aparelho girar. Aqui fica de uma maneira muito simplificada como voam os aparelhos mais pesados que o ar.

15.3.11

CASTELO DE SILVES

Muito embora haja inúmeras opiniões sobre a possível existência de um reduto defensivo anterior ao actual, talvez romano ou mesmo anterior, o que foi confirmado até hoje é a existência de uma muralha construída logo após a conquista árabe ,no séc. VIII, muralha essa quase totalmente oculta. O que existe actualmente remonta quase exclusivamente à ocupação islâmica (séc.XII-XIII), e à época das lutas da reconquista cristã feita pelos primeiros reis de Portugal.
O castelo, como não podia deixar de ser, situa-se no ponto mais alto da cidade, construído em rocha do tipo grés vermelho e próximo das torres da antiga Sé. Destruído parcialmente por vários terramotos acabou por ser recuperado em 1940, ao abrigo das comemorações nacionais da independência de Portugal.
Da sua estrutura fazem parte a Alcáçova que era a zona nobre do castelo, com uma área de 12.000 metros quadrados rodeados por uma muralha contendo duas portas : a principal que dava acesso à cidade (Medina) e outra a norte, mais pequena , de acesso directo ao exterior, a conhecida porta da traição.
As muralhas desta alcáçova são exteriormente reforçadas por onze torres de planta rectangular de concepção diferente, pois duas são albarrãs, isto é, destacam-se do pano de muralha através de um passadiço.
No interior da alcáçova existem duas cisternas, muito provavelmente mouras, uma das quais abobadada, o aljibe, e outra, conhecida por Cisterna dos Cães, muito profunda, havendo quem diga que liga ao rio. Estão em andamento trabalhos de investigação numa habitação muçulmana, quem sabe se o mítico Palácio das Varandas, o Axarajibe..
Como dissemos a porta principal do Castelo abria para a cidade que também era amuralhada. Ainda hoje são visíveis na zona norte e poente algumas torres albarrãs, quase não restauradas. Na Rua Nova da Boavista há duas grandes albarrãs e junto à Câmara Municipal outras três, uma das quais a mais importante porta da Medina, hoje Biblioteca Municipal e outrora a Casa da Câmara.
As Muralhas do Arrabalde envolveriam a parte mais baixa da cidade. Dessa estrutura de material mais pobre resta o conhecido Arco da Rebola (Rua da Cruz da Palmeira).
Completariam este forte dispositivo militar algumas barbacãs e fossos dispostos nos locais mais vulneráveis

11.3.11

FILOSOFANDO SOBRE O AMOR



Hoje deu-me para filosofar sobre o amor que une os seres humanos, normalmente um homem e uma mulher,e que os cientistas querem reduzir a um simples fenómeno hormonal para cumprir o designio de propagação da espécie .
Mas o amor será só bioquímica ou haverá algo mais ? O que é o amor ? Quem o inventou ? Quando surgiu ? Não me sai da cabeça o nosso épico Luis de Camões quando escreveu:
O amor é fogo que arde sem se ver……é ferida que doi e não se sente….
Será o amor aquele fluido invisível que nos entra pelos olhos, pelas narinas e pelos ouvidos e nos inebriaga modificando-nos para sempre ?. É que ele chega , instala-se , e por vezes tem vontade de partir, mas vai ficando, criando como que raízes. Pode haver quem me contradiga e afirme que ele tem um fim. Eu acho que não, ele apenas se transforma com o tempo e por vontade e travessura desse deus pagão a que deram o nome de Eros.
Difícil, é muito difícil definir o amor !….. um amigo dizía-me : uma pessoa diz eu amo-te. Tu não ligas. A pessoa vai-se embora. Tu sentes a falta e queres que ela volte, mas às vezes é tarde de mais. Tu sofres e isso é amor.
Como as crianças são mais sábias que os dultos porque são puras, perguntei a uma de seis anos o que era o amor e ela respondeu:Amor é quando alguém te magoa, e tu, mesmo muito magoado, não gritas, porque sabes que isso fere os seus sentimentos" –
Foi profunda a resposta , mas vejamos agora o que disse sobre o mesmo tema uma adolescente de 16 anos:
O amor é:
Sonhar, intuindo sensações e emoções...
Brilho nos olhos e intensa alegria na alma...
Sentir o palpitar acelerado do coração só de pensar...
Desejar estar junto, sem reservas, disfarces, cúmplice.
Tocar e ser tocada de tantas formas...
Com palavras, com silencio, com olhares, dar e sentir prazer.
Não precisar perguntar, nem responder, apenas compreender.
Falar sobre tudo ou não precisar dizer nada.
Aceitar os defeitos e reconhecer as qualidades
Compartilhar tempo e espaço.
Recordar o passado, viver o presente
e não pensar no futuro.
Maravilhoso o que escreveu Liliana Coutinho Ribeiro, em 2007, e que mostra o que é o amor , numa aluna do secundário.
Continuemos a pesquisa voltando ao amor de adultos , àqueles que perderam o ser amado, lendo Luís de Camões
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou
.


Ou então este outro soneto do mesmo poeta :


Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Embora sem ter ainda uma definição para o amor uma coisa é certa: não é um fenómeno fisiológico. Miguel Esteves Cardoso escreveu:

«Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem.
Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances — porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.(…..)

Continuo sem encontrar uma definição de amor, por isso fico-me por aqui esperando que alguém o consiga fazer e seja feliz.

4.3.11

VELA LATINA


Uma das coisas que desperta a atenção de quem estuda pela primeira vez os feitos marítimos dos Portugueses é a de que eles navegavam contra o vento seguindo a direcção desejada o que, para um leigo na matéria, se afigura impossível.
Tal é possível devido ao tipo de vela usado, de forma triangular, a chamada vela latina. Parece que este tipo de vela terá surgido cerca de 200 anos antes de Cristo, na região do Mediterrâneo, e chegado ao ocidente séculos depois, já na Idade Média.
Foi com este tipo de vela que os marinheiros portugueses deixaram de fazer navegação paralela á costa ( cabotagem) e se aventuram para o interior do oceano .
O uso de velas triangulares em mar aberto permitia navegar à bolina, ou seja, contra o vento, avançando em zig-zag. Esta trajectória podia ser empreendida por entre ventos contrários e mais rapidamente do que as embarcações que utilizavam as velas quadrangulares.
Depois das viagens de exploração na costa africana, seguiram-se trajectos mais longos, como é o caso das viagens para a Índia. Para tal surgiu a nau, que também usava a vela latina juntamente com as de pano redondo
Como funciona a vela latina é o que tentaremos explicar de forma resumida, sem recorrer a um esquema de forças físicas vectoriais.
Imaginemos uma piscina com um barco de borracha dentro. Se o barco estiver ligado a uma corda e uma criança o puxar do lado esquerdo da piscina, o barco vai para o lado esquerdo. Se no entanto o barco tiver outra corda puxada por por outra criança do lado direito o barco avança em frente se as duas forças forem iguais. Se houver uma pequena diferença de forças o barco avança em frente embora deslizando para o lado da força maior.
A vela triangular desenvolve uma série de efeitos ,relacionados à dinâmica dos fluidos. Ela permite navegar contra o vento, aproveitando a diferença de pressão do ar, que se forma entre sua "face externa" (aquela que se torna convexa pela pressão interna do vento) e sua "face interna" (aquela que se torna côncava), isto é ,surgem duas forças com direcções opostas sobre a vela e portanto sobre o mastro que a suporta, tal como no caso das forças das duas crianças ,uma de cada lado da piscina. A resultante destas duas forças, como já vimos, impele o barco para a frente, embora deslizando no sentido da força maior, mas este pequeno desvio pode ser compensado pelo leme da embarcação. O barco navega em frente ,contra o vento ,como em pequenos zig-zag compensados pelo leme traseiro ou pela quilha , nos barcos modenos. Ôvo de Colombo , não é?

25.2.11

BEBIDA DA LIBERDADE




Quando se sentar num café ou numa esplanada, num restaurante barato ou de luxo e pedir uma bica, um cimbalino , um café cheio, curto ou comprido, pingado ou não, lembre-se que está a pedir uma bebida com mais de 500 anos e que é considerada uma bebida da liberdade.
Proveniente do Yéman, e tendo como porto exportador a cidade de Moka, o café foi , desde há séculos, adoptado pelos muçulmanos como bebida ideal, dado não ser alcoólica e portanto não ir contra a lei corânica e ainda por ter qualidades estimulantes. Por tal motivo, foi no Oriente que surgiram os primeiros estabelecimentos, exclusivamente para consumir esta bebida.
Já no século XVI, Constantinopla ,Medina, Meca, Cairo ,Damasco ou Bagdad possuíam salões aos quais afluíam só os homens para saborearem a bebida de café e tratar longamente dos negócios. O costume dos homens se reunirem nestes estabelecimentos foi trazido para a Europa, no século XVII, pelos viajantes diplomáticos ou pelos comerciantes que negociavam pelo Império Otomano .
Através de documentos existentes na alfândega de Londres, sabe-se que foi por volta de 1640 que os primeiros sacos de café chegaram aos portos europeus e que , em 1652, se abriu em Londres o primeiro estabelecimento denominado Café. Um ano depois já existiam vários cafés que , como seria de esperar, se convertiam em clubes políticos onde, por vezes, se discutiam os ideais republicanos, num país monárquico.
Curiosamente e contrariando o snobismo inglês, para entrar nesses cafés não era necessário ser rico ou nobre, apenas pagar um “ peni” e ir decentemente vestido. Os clientes, todos homens, dedicavam-se a fumar, degustar café, conversar, ou ler os diferentes panfletos e gazetas. Dadas as diferentes correntes ideológicas que neles se discutiam por vezes havia pancadaria ou duelos , o que foi aproveitado pelos fabricantes de cerveja para solicitarem ao Rei que os cafés fossem fechados.
Deixemos Londres e vejamos o que se passava no resto da Europa : em Paris , na década de 1670, surgiram vendedores ambulantes que ofereciam ,em plena rua, café aquecido num pequeno braseiro. Primeiro era bebido amargo, depois passou a ser adoçado com açúcar e mais tarde misturado com leite. Nos cafés franceses de luxo, como o célebre Procópio, a bebida era servida em taças de prata . Neste café as mesas eram de mármore e havia candelabros e espelhos, sendo proibido fumar ou beber cerveja. As senhoras, acompanhadas por cavalheiros, já frequentavam estes cafés que possuíam esplanadas onde também se serviam gelados e xaropes , podendo-se jogar xadrez ou ler os diversos jornais , tudo em sentido oposto aos cabarés e tabernas , antros escuros e cheios de fumo, frequentados por bêbados e prostitutas.
Foi nestes cafés, espalhados pela Europa , que se discutiu política, filosofia, se conspirou e se mudou muitas vezes o rumo dos países, daí o título deste pequeno apontamento: CAFÉ BEBIDA DA LIBERDADE

12.2.11

CASTELO DE VISEU



Ultimamente, na etiqueta Castelos de Portugal, tenho procurado chamar a atenção para cidades onde os castelos desapareceram, restando uns curtos metros de muralha, como também é o caso da cidade de Viseu .
Segundo os vestígios descobertos, a povoação da época neolítica que deu origem a Viseu, nasceu no alto do monte onde se situa hoje a Sé. A localização do burgo fez dele um ponto de passagem do norte para o sul, tal como entre o litoral e o interior , daí que, durante a dominação romana, Viseu fosse um centro de grande importância. São prova disso os inúmeros vestígios arqueológicos encontrados na região, de que se destacam moedas, sepulturas, marcos miliários, pontes e principalmente as estradas que para a povoação convergiam em grande número.
São no entanto uns curtos trechos de muralha que permitem hoje recordar a sua anterior grandeza. A explicação do desaparecimento do castelo talvez esteja no facto da cidade não ter sido muito decisiva na luta pela reconquista cristã e, a pouco e pouco, essa acalmia acabar por absorver o castelo e a cerca medievais, aproveitando-se a sua pedra para edificar outras construções, o que foi um erro fatal nas situações de guerra que se seguiram. Com efeito, ao longo do reinado de D. Fernando , Portugal e Castela entraram em conflito por três vezes e Viseu foi atacada algumas vezes, sem grande defesa, até que a paz foi estabelecida, definitivamente, em 1411. Durante o reinado do mestre de Avis, uma nova muralha com sete portas começa a ser erguida , mas só ficou concluída no período de D. Afonso V. É dessa muralha “afonsina” que mostramos um esquema onde estão representadas as portas de soar (1),de S.José (2) , de Stª Cristina (3), de S. Miguel(4) de S, Sebastião (5), dos Cavaleiros (6) e a do postigo (7).



Como a sua importância de reduto militar vai decrescendo, a cidade começa a alargar para fora das muralhas e a fazer-se o desmantelamento das mesmas, para aproveitar a pedra já aparelhada, de tal forma que hoje é difícil reconhecer onde estavam situadas.
Como escreve João Luís Inês Vaz a muralha romana de Viseu é uma estrutura de defesa que datará do século III embora eles tenham fundado a cidade no século I e "traçaram-lhe um perímetro que tinha como limite o seguinte percurso actual: Rua da Regueira (lado norte), hoje Rua de João Mendes, Largo Mouzinho de Albuquerque, Rua do Carvalho, por uma linha direita ao Largo da Misericórdia, Rua do Chão do Mestre, Rua de D. Duarte, Largo de Santa Cristina até à Rua da Regueira (lado sul)".
É talvez do século III um troço dessa muralha e um torreão semi-circular que foi descoberto em Março de 2004 na Rua Formosa, quando decorriam as obras de requalificação daquela via pedonal. Estes vestígios estão agora visíveis através de uma placa de vidro assente ao nível do solo. Como no tempo de D. João I há referências a um castelo em ruínas, pode-se concluir que Viseu não tinha só muralhas , houve na realidade um castelo cuja data de construção é talvez do período da reconquista cristã.

7.2.11

Avião JUNKER



Quando falei (na etiqueta transportes) da história do DC3 Dakota como um excelente avião comercial e de guerra , todo ele fabricado em metal por imposição da aeronáutica civil americana que proibira aviões de passageiros com estrutura em madeira, omiti uma outra lenda voadora , neste caso de origem alemã, o Junker 52 também ele fabricado em metal e muito usado na aviação comercial de todo o mundo.
O Junkers Ju 52 era um avião com motor a pistão, fabricado desde 1932 pela empresa Junkers, com capacidade de uma dezena de passageiros. A sua construção parou em 1945, mas continuou a voar por largos anos ao serviço comercial e da força aérea de vários países europeus. Foram produzidas mais de 4.000 unidades, só na Alemanha. O Ju 52/1m tinha um resistente esqueleto metálico e sua fuselagem era revestida de chapas de duralumínio ondulado, permitindo um menor arrastamento em voo ,isto é, menor atrito com o ar.
Essa aeronave fez o seu voo inaugural em 03 de Setembro de 1930. Apesar de equipada com motores dos mais simples da época, era capaz de acomodar facilmente 17 passageiros.
Os seus pilotos apelidaram-no carinhosamente de "Tante Ju"-'Tia Ju', pela facilidade de pilotar e poder operar em qualquer pista por mais rústica que fosse.
Projectado por Ernst Zindel ,na fábrica da cidade de Dessau, o modelo inicial tinha apenas um motor e o protótipo começou a ser produzido em 1931, mas devido a falta de interesse da Deutsche Lufthansa, foram adicionados ao avião mais dois motores para aumentar o seu desempenho. Fabricado com motores BMW, alguns modelos para exportação também utilizavam motores Pratt & Whitney Wasp ou Bristol Pegasus, tendo-se transformado na aeronave “ coqueluche” da Lufthansa, em 1944. Dado não ter cabina pressurizada eram usadas máscaras de oxigénio nas grandes altitudes como quando sobrevoava os Alpes. Começou a perder espaço no mercado com o aparecimento dos aviões Douglas DC-2 e DC-3, que eram mais económicos e transportavam um número maior de passageiros.
Com o final da guerra o Junker foi utilizado em muitos países como avião comercial ou de transporte militar, como aconteceu entre nós.
Antes de se ter iniciado a segunda guerra mundial (1939) já este avião tinha sido testado na guerra civil espanhola, como transporte de tropas, principalmente de soldados vindos do Marrocos para a Espanha, além de servir de bombardeiro e transporte para missões de pára-quedistas pela Legião Condor. A FAP (Força aérea portuguesa) importou, em 1937, 10 unidades da versão g3e; em 1951 importou 2 unidades da versão g7e, e em 1962 mais 14 unidades designados Amiot AAC-1 Toucan, fabricadas em França. Antes da Guerra Colonial foram utilizados como aviões civis de transporte de pessoas e bens e, durante a guerra, como aviões de transporte e lançamento de pára-quedistas.

A fotografia acima é de um avião Junker atribuido à Força Aérea Portuguesa



2.2.11

ESTRADAS MODERNAS



Embora pareça que as campanhas ecológicas falharam nos seus objectivos e que os crimes ambientais são cada vez em maior número, ou que a “Green Peace “ realiza apenas acções mediáticas para “inglês ver”, a verdade é que ,a pouco e pouco ,a consciência ecológica se vai instalando e vão sendo testadas ideias para diminuir a dependência energética do petróleo e do combustível atómico. São as centrais eólicas e solares, os automóveis híbridos ou a electricidade com acumuladores , centrais hídricas, biocombustível etc, tudo numa perspectiva de diminuir o CO2 e o efeito de estufa.
Recentemente o Governo dos USA contratou a empresa Solar Roadways para desenhar e construir painéis solares super resistentes que venham a ser o futuro pavimento das auto estradas, substituindo assim o asfalto betuminoso e ,ao mesmo tempo, produzir energia.
Teoricamente, um quilómetro de uma estrada solar de pista dupla poderá produzir energia suficiente para abastecer uma cidade de cinco mil habitantes e não seriam necessárias mais de 4 horas de sol.
O novo piso terá de ser inquebrável e seguro. O nível superior será feito a partir de material translúcido e de alta resistência, estando ainda em fase de estudo para se encontrar a melhor aderência. Terá também luzes LED embutidas numa segunda camada , funcionando como um sistema para indicar as faixas de rodagem da estrada, limites de velocidade e outras informações. A terceira camada é composta por circuitos electrónicos onde estão colocados os circuitos integrados de controlo das células dos LED e ainda a armazenagem de energia . A quarta camada distribui a energia e sinais de dados (telefone, TV ou internet, por exemplo). Haverá ainda a possibilidade de, nos locais onde é normal nevar, este pavimento aquecer e derreter o gelo. Além, viabilizando o início da produção dos pneus verdes
Mas não é só a nível do pavimento que se trabalha . Os próprios pneus estão a mudar pois os chamados pneus verdes, são ecologicamente menos danosos dos que os pneus actuais. Isto porque um dos principais ingredientes dos pneus tradicionais, derivado do petróleo, é substituído por um composto derivado de plantas. Como no caso do etanol brasileiro, a solução para a fabricação dos pneus verdes, a partir de matérias-primas renováveis, pode vir da cana-de-açúcar, mas também do milho e até de uma gramínea, a switchgrass, muito pesquisada nos Estados Unidos. O novo processo usa os açúcares derivados da biomassa para produzir o composto químico chamado isopreno, hoje um derivado do petróleo, um dos principais componentes do pneu. Um dos desafios técnicos em curso tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Tem sido utilizado um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os hidratos de carbono da biomassa em bio isopreno. O isopreno tem várias utilizações além da fabricação de pneus, de luvas cirúrgicas e produtos de higiene feminina a adesivos de alta fusão e copolímeros de bloco
Outra pesquisa: partindo de um material desenvolvido por japoneses, engenheiros holandeses estão a criar a primeira “estrada verde”, capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que circulam por ela. O pavimento é um cimento especial que contém um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de azoto emitidos pelos escapes dos carros, principais responsáveis pela chuva ácida.
O cimento purificador de ar recebe no seu fabrico um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do sol, o material reage com os óxidos de azoto transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.
Em Portugal a pavimentação de estradas também tomou um novo rumo. O processo envolve a incorporação da borracha ,em pedaços ou em pó, resultante de pneus velhos triturados. Apesar do maior custo, a adição de restos de pneus no pavimento pode até dobrar a vida útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de elasticidade ante mudanças de temperatura. O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contacto dos veículos com a estrada. E, além de todos esses benefícios, ainda é uma solução ambientalmente correcta para dar destino aos milhões de pneus jogados no lixo diariamente.

1.2.11

QUE É PENSAR ?




Uma vez mais, sentado diante do teclado do meu computador, pensava eu num novo tema para este meu blogue NOVAS quando me ocorreu dissertar um pouco sobre o que era pensar…. mas como alguém já escreveu, haverá alguma diferença entre pensar e desfiar pensamentos ?
Julgo que me estou a meter em sarilhos, já que não sou filósofo nem cursei numa faculdade de filosofia , mas que diria o espírito do meu antigo professor liceal , Dr. Alberto Martins de Carvalho, se soubesse que eu agora parara de pensar?
Pensar, no sentido etimológico do termo, quer dizer sopesar, pôr na balança para avaliar o peso de alguma coisa, ponderar. Mas as pedras e as árvores existem, têm peso, mas não pensam que eu saiba ; quanto aos animais, alguns terão lampejos de pensamento e somente o homem tem a capacidade de construir pensamentos através da palavra escrita e falada e, com essa capacidade, transmitir conhecimentos.
Parece que encontrei um fio condutor que me leva a algum lado, por isso continuemos . Sabemos que ainda estamos longe de utilizar ao máximo o nosso cérebro, no sentido de pensar, pois os cientistas afirmam que só usamos uma parcela muito diminuta dele. Será por essa razão que não conseguimos pensar com profundidade naquilo que estamos pensando? Pode ser, mas não podemos esquecer que estamos obrigados a pensar melhor porque a vida, com as suas dificuldades, nos coloca num beco sem saída,…. tal como eu estou agora!
Claude Bernard dizia: "Assim como o homem não pode avançar a não ser colocando um pé depois do outro, o espírito ,naturalmente, deve colocar um pé depois do outro.”
É isso que vou fazer : parar um pouco para pensar e avançar, pé ante pé , nesta caminhada de pensar.
Aristóteles dizia: "A marcha natural do intelecto é partir das coisas mais conhecíveis e mais claras para nós….. “ Como consequência do pensamento aristotélico, recordo que as ideias são apreendidas, primeiramente, na sua generalidade, até de forma nebulosa e somente depois é que elas se vão sedimentando no nosso cérebro. É melhor exemplificar: pensei na serra da Estrêla. A imagem de ser muito alta preenche todo o meu pensamento, contudo, para a conhecer melhor terei de a galgar e analisar de cima a baixo nos seus aspectos climáticos, orográficos, geológicos e biológicos, pois quanto mais particular for o dado analisado, maior conhecimento se tem a seu respeito. É por isso que existem as especializações na ciência, que cada vez mais vão se distanciando do todo para tratar de algum facto em particular
Também o meu falecido mestre me ensinou que a primeira das preocupações que se deve ter para um bom pensar é saber perguntar, o que é uma arte, como ele afirmava. Ele dizia que um aluno devia ser avaliado não pelas respostas que dá, mas pelas perguntas que faz, e é por isso que a filosofia se baseia muito mais na pergunta do que na resposta pois .na vida, estamos sempre em busca de respostas.
Nesta linha de raciocínio eu pergunto a mim mesmo O QUE É PENSAR , só que não obtenho a desejada resposta.
Alto, tal como dizia o Poirot da Agatha Christie , parece que as minhas células cinzentas estão a funcionar : a actividade de pensar confere ao homem “asas” para mover-se no mundo e “raízes” para aprofundar-se na realidade logo , pensar é voar sobre o que não se sabe.
O Dr Martins de Carvalho tinha razão: Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas, como acontece actualmente em algumas das nossas escolas, onde a filosofia não é obrigatória para todos os cursos e passou a segundo plano..As escolas devem existir não para ensinar as respostas mas para ensinar as perguntas, pois somente estas nos permitem navegar pelo desconhecido e, no entanto, não podemos viver sem respostas.
Como, ou eu não sei formular as perguntas, ou Minerva não me quer responder , considero melhor terminar este meu voo filosófico com duas ideias que encontrei na NET e que transcrevo com o nome das autoras

O que é pensar?
é imaginar?
é lembrar?
é reflectir?
ou é filosofar
O que é pensar?
Pensamos em cores?
Objectos?
Desenhos?
Em tudo o que se pode pensar
Mas nunca paramos e pensamos
O que é pensar?
(Júlia Costa Triches)





Pensar é sonhar
Pensar é morar
Pensar é criar
Pensar é viver
Pensar é querer
Pensar é amar
Pensar é olhar
Pensar é estudar
Pensar é gostar
Pensar é simplesmente legal
Pensar é muito Bom
Eu adoro pensar

(Letícia T, Magalhães dos Santos)

23.1.11

AQUEDUTO DE TRAJANO


Todos os dias aparecem achados arqueológicos de civilizações perdidas há milénios ou de obras arquitectónicas mais recentes que conhecíamos apenas por documentação escrita , mas cuja localização real, no terreno, se havia esquecido. Está incluído neste último caso o aqueduto mandado construir pelo imperador Trajano , considerado na época ( ano 109 dC) uma obra de grande vulto.
A cidade de Roma ,naquela época, consumia já 160 milhões de litros de água por dia, sobretudo em fontes, lagos, banhos e latrinas públicas. Uma parte desse caudal de água ia também directamente para casa dos patrícios ricos que viviam em “vilas”. O resto da população recorria a fontanários públicos espalhados pela cidade. A água era levada á cidade de Roma por canais e aquedutos sendo um destes o de Trajano do qual, como afirmámos, se perdeu o rasto com o crescimento da cidade de Roma no século XVII, pois se foi utilizando a pedra desse aqueduto para construção das casas.
Sabia-se da sua existência por documentos antigos e até havia uma ideia da zona por onde ele passava, hoje uma das grandes avenidas de Roma, mas nada de concreto aparecia que servisse de testemunho.
Ora dois documentalistas britânicos ,Tedy e Michael O’Neill, especialistas da Roma antiga, descobriram (2009-2010) os restos de uma fonte pertencente á cisterna de captação de água para o aqueduto de Trajano.
Esta estrutura, de que também se havia perdido o rasto há séculos , estava debaixo de uma abandonada igreja do século XIII, a 35 km de Roma , perto do lago Bracciano., A fonte estava coberta por uma gruta artificial que acolhia uma capela dedicada á Virgem e que fora remodelada no século XVIII.


A fonte é, sem dúvida , uma estrutura romana pois foi construída com a técnica usada no tempo de Trajano. Possui um labirinto de galerias abobadadas, poços, túneis de captação e o canal que dá início ao aqueduto, tudo isto observável por não ter água.
A fonte é composta por uma sala dedicada ao deus da fonte ou ás ninfas , tendo lateralmente duas cavidades cobertas por arcos e pintadas com um azul egípcio . A base eram arcas de água das quais partia o canal para o aqueduto que fora construído no ano 109 dC, Este aqueduto era um dos onze que abasteciam Roma e a descoberta da sua nascente permite confirmar a estimativa do seu trajecto até à cidade.

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