15.3.11

CASTELO DE SILVES

Muito embora haja inúmeras opiniões sobre a possível existência de um reduto defensivo anterior ao actual, talvez romano ou mesmo anterior, o que foi confirmado até hoje é a existência de uma muralha construída logo após a conquista árabe ,no séc. VIII, muralha essa quase totalmente oculta. O que existe actualmente remonta quase exclusivamente à ocupação islâmica (séc.XII-XIII), e à época das lutas da reconquista cristã feita pelos primeiros reis de Portugal.
O castelo, como não podia deixar de ser, situa-se no ponto mais alto da cidade, construído em rocha do tipo grés vermelho e próximo das torres da antiga Sé. Destruído parcialmente por vários terramotos acabou por ser recuperado em 1940, ao abrigo das comemorações nacionais da independência de Portugal.
Da sua estrutura fazem parte a Alcáçova que era a zona nobre do castelo, com uma área de 12.000 metros quadrados rodeados por uma muralha contendo duas portas : a principal que dava acesso à cidade (Medina) e outra a norte, mais pequena , de acesso directo ao exterior, a conhecida porta da traição.
As muralhas desta alcáçova são exteriormente reforçadas por onze torres de planta rectangular de concepção diferente, pois duas são albarrãs, isto é, destacam-se do pano de muralha através de um passadiço.
No interior da alcáçova existem duas cisternas, muito provavelmente mouras, uma das quais abobadada, o aljibe, e outra, conhecida por Cisterna dos Cães, muito profunda, havendo quem diga que liga ao rio. Estão em andamento trabalhos de investigação numa habitação muçulmana, quem sabe se o mítico Palácio das Varandas, o Axarajibe..
Como dissemos a porta principal do Castelo abria para a cidade que também era amuralhada. Ainda hoje são visíveis na zona norte e poente algumas torres albarrãs, quase não restauradas. Na Rua Nova da Boavista há duas grandes albarrãs e junto à Câmara Municipal outras três, uma das quais a mais importante porta da Medina, hoje Biblioteca Municipal e outrora a Casa da Câmara.
As Muralhas do Arrabalde envolveriam a parte mais baixa da cidade. Dessa estrutura de material mais pobre resta o conhecido Arco da Rebola (Rua da Cruz da Palmeira).
Completariam este forte dispositivo militar algumas barbacãs e fossos dispostos nos locais mais vulneráveis

11.3.11

FILOSOFANDO SOBRE O AMOR



Hoje deu-me para filosofar sobre o amor que une os seres humanos, normalmente um homem e uma mulher,e que os cientistas querem reduzir a um simples fenómeno hormonal para cumprir o designio de propagação da espécie .
Mas o amor será só bioquímica ou haverá algo mais ? O que é o amor ? Quem o inventou ? Quando surgiu ? Não me sai da cabeça o nosso épico Luis de Camões quando escreveu:
O amor é fogo que arde sem se ver……é ferida que doi e não se sente….
Será o amor aquele fluido invisível que nos entra pelos olhos, pelas narinas e pelos ouvidos e nos inebriaga modificando-nos para sempre ?. É que ele chega , instala-se , e por vezes tem vontade de partir, mas vai ficando, criando como que raízes. Pode haver quem me contradiga e afirme que ele tem um fim. Eu acho que não, ele apenas se transforma com o tempo e por vontade e travessura desse deus pagão a que deram o nome de Eros.
Difícil, é muito difícil definir o amor !….. um amigo dizía-me : uma pessoa diz eu amo-te. Tu não ligas. A pessoa vai-se embora. Tu sentes a falta e queres que ela volte, mas às vezes é tarde de mais. Tu sofres e isso é amor.
Como as crianças são mais sábias que os dultos porque são puras, perguntei a uma de seis anos o que era o amor e ela respondeu:Amor é quando alguém te magoa, e tu, mesmo muito magoado, não gritas, porque sabes que isso fere os seus sentimentos" –
Foi profunda a resposta , mas vejamos agora o que disse sobre o mesmo tema uma adolescente de 16 anos:
O amor é:
Sonhar, intuindo sensações e emoções...
Brilho nos olhos e intensa alegria na alma...
Sentir o palpitar acelerado do coração só de pensar...
Desejar estar junto, sem reservas, disfarces, cúmplice.
Tocar e ser tocada de tantas formas...
Com palavras, com silencio, com olhares, dar e sentir prazer.
Não precisar perguntar, nem responder, apenas compreender.
Falar sobre tudo ou não precisar dizer nada.
Aceitar os defeitos e reconhecer as qualidades
Compartilhar tempo e espaço.
Recordar o passado, viver o presente
e não pensar no futuro.
Maravilhoso o que escreveu Liliana Coutinho Ribeiro, em 2007, e que mostra o que é o amor , numa aluna do secundário.
Continuemos a pesquisa voltando ao amor de adultos , àqueles que perderam o ser amado, lendo Luís de Camões
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou
.


Ou então este outro soneto do mesmo poeta :


Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Embora sem ter ainda uma definição para o amor uma coisa é certa: não é um fenómeno fisiológico. Miguel Esteves Cardoso escreveu:

«Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem.
Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances — porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.(…..)

Continuo sem encontrar uma definição de amor, por isso fico-me por aqui esperando que alguém o consiga fazer e seja feliz.

4.3.11

VELA LATINA


Uma das coisas que desperta a atenção de quem estuda pela primeira vez os feitos marítimos dos Portugueses é a de que eles navegavam contra o vento seguindo a direcção desejada o que, para um leigo na matéria, se afigura impossível.
Tal é possível devido ao tipo de vela usado, de forma triangular, a chamada vela latina. Parece que este tipo de vela terá surgido cerca de 200 anos antes de Cristo, na região do Mediterrâneo, e chegado ao ocidente séculos depois, já na Idade Média.
Foi com este tipo de vela que os marinheiros portugueses deixaram de fazer navegação paralela á costa ( cabotagem) e se aventuram para o interior do oceano .
O uso de velas triangulares em mar aberto permitia navegar à bolina, ou seja, contra o vento, avançando em zig-zag. Esta trajectória podia ser empreendida por entre ventos contrários e mais rapidamente do que as embarcações que utilizavam as velas quadrangulares.
Depois das viagens de exploração na costa africana, seguiram-se trajectos mais longos, como é o caso das viagens para a Índia. Para tal surgiu a nau, que também usava a vela latina juntamente com as de pano redondo
Como funciona a vela latina é o que tentaremos explicar de forma resumida, sem recorrer a um esquema de forças físicas vectoriais.
Imaginemos uma piscina com um barco de borracha dentro. Se o barco estiver ligado a uma corda e uma criança o puxar do lado esquerdo da piscina, o barco vai para o lado esquerdo. Se no entanto o barco tiver outra corda puxada por por outra criança do lado direito o barco avança em frente se as duas forças forem iguais. Se houver uma pequena diferença de forças o barco avança em frente embora deslizando para o lado da força maior.
A vela triangular desenvolve uma série de efeitos ,relacionados à dinâmica dos fluidos. Ela permite navegar contra o vento, aproveitando a diferença de pressão do ar, que se forma entre sua "face externa" (aquela que se torna convexa pela pressão interna do vento) e sua "face interna" (aquela que se torna côncava), isto é ,surgem duas forças com direcções opostas sobre a vela e portanto sobre o mastro que a suporta, tal como no caso das forças das duas crianças ,uma de cada lado da piscina. A resultante destas duas forças, como já vimos, impele o barco para a frente, embora deslizando no sentido da força maior, mas este pequeno desvio pode ser compensado pelo leme da embarcação. O barco navega em frente ,contra o vento ,como em pequenos zig-zag compensados pelo leme traseiro ou pela quilha , nos barcos modenos. Ôvo de Colombo , não é?

25.2.11

BEBIDA DA LIBERDADE




Quando se sentar num café ou numa esplanada, num restaurante barato ou de luxo e pedir uma bica, um cimbalino , um café cheio, curto ou comprido, pingado ou não, lembre-se que está a pedir uma bebida com mais de 500 anos e que é considerada uma bebida da liberdade.
Proveniente do Yéman, e tendo como porto exportador a cidade de Moka, o café foi , desde há séculos, adoptado pelos muçulmanos como bebida ideal, dado não ser alcoólica e portanto não ir contra a lei corânica e ainda por ter qualidades estimulantes. Por tal motivo, foi no Oriente que surgiram os primeiros estabelecimentos, exclusivamente para consumir esta bebida.
Já no século XVI, Constantinopla ,Medina, Meca, Cairo ,Damasco ou Bagdad possuíam salões aos quais afluíam só os homens para saborearem a bebida de café e tratar longamente dos negócios. O costume dos homens se reunirem nestes estabelecimentos foi trazido para a Europa, no século XVII, pelos viajantes diplomáticos ou pelos comerciantes que negociavam pelo Império Otomano .
Através de documentos existentes na alfândega de Londres, sabe-se que foi por volta de 1640 que os primeiros sacos de café chegaram aos portos europeus e que , em 1652, se abriu em Londres o primeiro estabelecimento denominado Café. Um ano depois já existiam vários cafés que , como seria de esperar, se convertiam em clubes políticos onde, por vezes, se discutiam os ideais republicanos, num país monárquico.
Curiosamente e contrariando o snobismo inglês, para entrar nesses cafés não era necessário ser rico ou nobre, apenas pagar um “ peni” e ir decentemente vestido. Os clientes, todos homens, dedicavam-se a fumar, degustar café, conversar, ou ler os diferentes panfletos e gazetas. Dadas as diferentes correntes ideológicas que neles se discutiam por vezes havia pancadaria ou duelos , o que foi aproveitado pelos fabricantes de cerveja para solicitarem ao Rei que os cafés fossem fechados.
Deixemos Londres e vejamos o que se passava no resto da Europa : em Paris , na década de 1670, surgiram vendedores ambulantes que ofereciam ,em plena rua, café aquecido num pequeno braseiro. Primeiro era bebido amargo, depois passou a ser adoçado com açúcar e mais tarde misturado com leite. Nos cafés franceses de luxo, como o célebre Procópio, a bebida era servida em taças de prata . Neste café as mesas eram de mármore e havia candelabros e espelhos, sendo proibido fumar ou beber cerveja. As senhoras, acompanhadas por cavalheiros, já frequentavam estes cafés que possuíam esplanadas onde também se serviam gelados e xaropes , podendo-se jogar xadrez ou ler os diversos jornais , tudo em sentido oposto aos cabarés e tabernas , antros escuros e cheios de fumo, frequentados por bêbados e prostitutas.
Foi nestes cafés, espalhados pela Europa , que se discutiu política, filosofia, se conspirou e se mudou muitas vezes o rumo dos países, daí o título deste pequeno apontamento: CAFÉ BEBIDA DA LIBERDADE

12.2.11

CASTELO DE VISEU



Ultimamente, na etiqueta Castelos de Portugal, tenho procurado chamar a atenção para cidades onde os castelos desapareceram, restando uns curtos metros de muralha, como também é o caso da cidade de Viseu .
Segundo os vestígios descobertos, a povoação da época neolítica que deu origem a Viseu, nasceu no alto do monte onde se situa hoje a Sé. A localização do burgo fez dele um ponto de passagem do norte para o sul, tal como entre o litoral e o interior , daí que, durante a dominação romana, Viseu fosse um centro de grande importância. São prova disso os inúmeros vestígios arqueológicos encontrados na região, de que se destacam moedas, sepulturas, marcos miliários, pontes e principalmente as estradas que para a povoação convergiam em grande número.
São no entanto uns curtos trechos de muralha que permitem hoje recordar a sua anterior grandeza. A explicação do desaparecimento do castelo talvez esteja no facto da cidade não ter sido muito decisiva na luta pela reconquista cristã e, a pouco e pouco, essa acalmia acabar por absorver o castelo e a cerca medievais, aproveitando-se a sua pedra para edificar outras construções, o que foi um erro fatal nas situações de guerra que se seguiram. Com efeito, ao longo do reinado de D. Fernando , Portugal e Castela entraram em conflito por três vezes e Viseu foi atacada algumas vezes, sem grande defesa, até que a paz foi estabelecida, definitivamente, em 1411. Durante o reinado do mestre de Avis, uma nova muralha com sete portas começa a ser erguida , mas só ficou concluída no período de D. Afonso V. É dessa muralha “afonsina” que mostramos um esquema onde estão representadas as portas de soar (1),de S.José (2) , de Stª Cristina (3), de S. Miguel(4) de S, Sebastião (5), dos Cavaleiros (6) e a do postigo (7).



Como a sua importância de reduto militar vai decrescendo, a cidade começa a alargar para fora das muralhas e a fazer-se o desmantelamento das mesmas, para aproveitar a pedra já aparelhada, de tal forma que hoje é difícil reconhecer onde estavam situadas.
Como escreve João Luís Inês Vaz a muralha romana de Viseu é uma estrutura de defesa que datará do século III embora eles tenham fundado a cidade no século I e "traçaram-lhe um perímetro que tinha como limite o seguinte percurso actual: Rua da Regueira (lado norte), hoje Rua de João Mendes, Largo Mouzinho de Albuquerque, Rua do Carvalho, por uma linha direita ao Largo da Misericórdia, Rua do Chão do Mestre, Rua de D. Duarte, Largo de Santa Cristina até à Rua da Regueira (lado sul)".
É talvez do século III um troço dessa muralha e um torreão semi-circular que foi descoberto em Março de 2004 na Rua Formosa, quando decorriam as obras de requalificação daquela via pedonal. Estes vestígios estão agora visíveis através de uma placa de vidro assente ao nível do solo. Como no tempo de D. João I há referências a um castelo em ruínas, pode-se concluir que Viseu não tinha só muralhas , houve na realidade um castelo cuja data de construção é talvez do período da reconquista cristã.

7.2.11

Avião JUNKER



Quando falei (na etiqueta transportes) da história do DC3 Dakota como um excelente avião comercial e de guerra , todo ele fabricado em metal por imposição da aeronáutica civil americana que proibira aviões de passageiros com estrutura em madeira, omiti uma outra lenda voadora , neste caso de origem alemã, o Junker 52 também ele fabricado em metal e muito usado na aviação comercial de todo o mundo.
O Junkers Ju 52 era um avião com motor a pistão, fabricado desde 1932 pela empresa Junkers, com capacidade de uma dezena de passageiros. A sua construção parou em 1945, mas continuou a voar por largos anos ao serviço comercial e da força aérea de vários países europeus. Foram produzidas mais de 4.000 unidades, só na Alemanha. O Ju 52/1m tinha um resistente esqueleto metálico e sua fuselagem era revestida de chapas de duralumínio ondulado, permitindo um menor arrastamento em voo ,isto é, menor atrito com o ar.
Essa aeronave fez o seu voo inaugural em 03 de Setembro de 1930. Apesar de equipada com motores dos mais simples da época, era capaz de acomodar facilmente 17 passageiros.
Os seus pilotos apelidaram-no carinhosamente de "Tante Ju"-'Tia Ju', pela facilidade de pilotar e poder operar em qualquer pista por mais rústica que fosse.
Projectado por Ernst Zindel ,na fábrica da cidade de Dessau, o modelo inicial tinha apenas um motor e o protótipo começou a ser produzido em 1931, mas devido a falta de interesse da Deutsche Lufthansa, foram adicionados ao avião mais dois motores para aumentar o seu desempenho. Fabricado com motores BMW, alguns modelos para exportação também utilizavam motores Pratt & Whitney Wasp ou Bristol Pegasus, tendo-se transformado na aeronave “ coqueluche” da Lufthansa, em 1944. Dado não ter cabina pressurizada eram usadas máscaras de oxigénio nas grandes altitudes como quando sobrevoava os Alpes. Começou a perder espaço no mercado com o aparecimento dos aviões Douglas DC-2 e DC-3, que eram mais económicos e transportavam um número maior de passageiros.
Com o final da guerra o Junker foi utilizado em muitos países como avião comercial ou de transporte militar, como aconteceu entre nós.
Antes de se ter iniciado a segunda guerra mundial (1939) já este avião tinha sido testado na guerra civil espanhola, como transporte de tropas, principalmente de soldados vindos do Marrocos para a Espanha, além de servir de bombardeiro e transporte para missões de pára-quedistas pela Legião Condor. A FAP (Força aérea portuguesa) importou, em 1937, 10 unidades da versão g3e; em 1951 importou 2 unidades da versão g7e, e em 1962 mais 14 unidades designados Amiot AAC-1 Toucan, fabricadas em França. Antes da Guerra Colonial foram utilizados como aviões civis de transporte de pessoas e bens e, durante a guerra, como aviões de transporte e lançamento de pára-quedistas.

A fotografia acima é de um avião Junker atribuido à Força Aérea Portuguesa



2.2.11

ESTRADAS MODERNAS



Embora pareça que as campanhas ecológicas falharam nos seus objectivos e que os crimes ambientais são cada vez em maior número, ou que a “Green Peace “ realiza apenas acções mediáticas para “inglês ver”, a verdade é que ,a pouco e pouco ,a consciência ecológica se vai instalando e vão sendo testadas ideias para diminuir a dependência energética do petróleo e do combustível atómico. São as centrais eólicas e solares, os automóveis híbridos ou a electricidade com acumuladores , centrais hídricas, biocombustível etc, tudo numa perspectiva de diminuir o CO2 e o efeito de estufa.
Recentemente o Governo dos USA contratou a empresa Solar Roadways para desenhar e construir painéis solares super resistentes que venham a ser o futuro pavimento das auto estradas, substituindo assim o asfalto betuminoso e ,ao mesmo tempo, produzir energia.
Teoricamente, um quilómetro de uma estrada solar de pista dupla poderá produzir energia suficiente para abastecer uma cidade de cinco mil habitantes e não seriam necessárias mais de 4 horas de sol.
O novo piso terá de ser inquebrável e seguro. O nível superior será feito a partir de material translúcido e de alta resistência, estando ainda em fase de estudo para se encontrar a melhor aderência. Terá também luzes LED embutidas numa segunda camada , funcionando como um sistema para indicar as faixas de rodagem da estrada, limites de velocidade e outras informações. A terceira camada é composta por circuitos electrónicos onde estão colocados os circuitos integrados de controlo das células dos LED e ainda a armazenagem de energia . A quarta camada distribui a energia e sinais de dados (telefone, TV ou internet, por exemplo). Haverá ainda a possibilidade de, nos locais onde é normal nevar, este pavimento aquecer e derreter o gelo. Além, viabilizando o início da produção dos pneus verdes
Mas não é só a nível do pavimento que se trabalha . Os próprios pneus estão a mudar pois os chamados pneus verdes, são ecologicamente menos danosos dos que os pneus actuais. Isto porque um dos principais ingredientes dos pneus tradicionais, derivado do petróleo, é substituído por um composto derivado de plantas. Como no caso do etanol brasileiro, a solução para a fabricação dos pneus verdes, a partir de matérias-primas renováveis, pode vir da cana-de-açúcar, mas também do milho e até de uma gramínea, a switchgrass, muito pesquisada nos Estados Unidos. O novo processo usa os açúcares derivados da biomassa para produzir o composto químico chamado isopreno, hoje um derivado do petróleo, um dos principais componentes do pneu. Um dos desafios técnicos em curso tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Tem sido utilizado um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os hidratos de carbono da biomassa em bio isopreno. O isopreno tem várias utilizações além da fabricação de pneus, de luvas cirúrgicas e produtos de higiene feminina a adesivos de alta fusão e copolímeros de bloco
Outra pesquisa: partindo de um material desenvolvido por japoneses, engenheiros holandeses estão a criar a primeira “estrada verde”, capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que circulam por ela. O pavimento é um cimento especial que contém um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de azoto emitidos pelos escapes dos carros, principais responsáveis pela chuva ácida.
O cimento purificador de ar recebe no seu fabrico um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do sol, o material reage com os óxidos de azoto transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.
Em Portugal a pavimentação de estradas também tomou um novo rumo. O processo envolve a incorporação da borracha ,em pedaços ou em pó, resultante de pneus velhos triturados. Apesar do maior custo, a adição de restos de pneus no pavimento pode até dobrar a vida útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de elasticidade ante mudanças de temperatura. O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contacto dos veículos com a estrada. E, além de todos esses benefícios, ainda é uma solução ambientalmente correcta para dar destino aos milhões de pneus jogados no lixo diariamente.

1.2.11

QUE É PENSAR ?




Uma vez mais, sentado diante do teclado do meu computador, pensava eu num novo tema para este meu blogue NOVAS quando me ocorreu dissertar um pouco sobre o que era pensar…. mas como alguém já escreveu, haverá alguma diferença entre pensar e desfiar pensamentos ?
Julgo que me estou a meter em sarilhos, já que não sou filósofo nem cursei numa faculdade de filosofia , mas que diria o espírito do meu antigo professor liceal , Dr. Alberto Martins de Carvalho, se soubesse que eu agora parara de pensar?
Pensar, no sentido etimológico do termo, quer dizer sopesar, pôr na balança para avaliar o peso de alguma coisa, ponderar. Mas as pedras e as árvores existem, têm peso, mas não pensam que eu saiba ; quanto aos animais, alguns terão lampejos de pensamento e somente o homem tem a capacidade de construir pensamentos através da palavra escrita e falada e, com essa capacidade, transmitir conhecimentos.
Parece que encontrei um fio condutor que me leva a algum lado, por isso continuemos . Sabemos que ainda estamos longe de utilizar ao máximo o nosso cérebro, no sentido de pensar, pois os cientistas afirmam que só usamos uma parcela muito diminuta dele. Será por essa razão que não conseguimos pensar com profundidade naquilo que estamos pensando? Pode ser, mas não podemos esquecer que estamos obrigados a pensar melhor porque a vida, com as suas dificuldades, nos coloca num beco sem saída,…. tal como eu estou agora!
Claude Bernard dizia: "Assim como o homem não pode avançar a não ser colocando um pé depois do outro, o espírito ,naturalmente, deve colocar um pé depois do outro.”
É isso que vou fazer : parar um pouco para pensar e avançar, pé ante pé , nesta caminhada de pensar.
Aristóteles dizia: "A marcha natural do intelecto é partir das coisas mais conhecíveis e mais claras para nós….. “ Como consequência do pensamento aristotélico, recordo que as ideias são apreendidas, primeiramente, na sua generalidade, até de forma nebulosa e somente depois é que elas se vão sedimentando no nosso cérebro. É melhor exemplificar: pensei na serra da Estrêla. A imagem de ser muito alta preenche todo o meu pensamento, contudo, para a conhecer melhor terei de a galgar e analisar de cima a baixo nos seus aspectos climáticos, orográficos, geológicos e biológicos, pois quanto mais particular for o dado analisado, maior conhecimento se tem a seu respeito. É por isso que existem as especializações na ciência, que cada vez mais vão se distanciando do todo para tratar de algum facto em particular
Também o meu falecido mestre me ensinou que a primeira das preocupações que se deve ter para um bom pensar é saber perguntar, o que é uma arte, como ele afirmava. Ele dizia que um aluno devia ser avaliado não pelas respostas que dá, mas pelas perguntas que faz, e é por isso que a filosofia se baseia muito mais na pergunta do que na resposta pois .na vida, estamos sempre em busca de respostas.
Nesta linha de raciocínio eu pergunto a mim mesmo O QUE É PENSAR , só que não obtenho a desejada resposta.
Alto, tal como dizia o Poirot da Agatha Christie , parece que as minhas células cinzentas estão a funcionar : a actividade de pensar confere ao homem “asas” para mover-se no mundo e “raízes” para aprofundar-se na realidade logo , pensar é voar sobre o que não se sabe.
O Dr Martins de Carvalho tinha razão: Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas, como acontece actualmente em algumas das nossas escolas, onde a filosofia não é obrigatória para todos os cursos e passou a segundo plano..As escolas devem existir não para ensinar as respostas mas para ensinar as perguntas, pois somente estas nos permitem navegar pelo desconhecido e, no entanto, não podemos viver sem respostas.
Como, ou eu não sei formular as perguntas, ou Minerva não me quer responder , considero melhor terminar este meu voo filosófico com duas ideias que encontrei na NET e que transcrevo com o nome das autoras

O que é pensar?
é imaginar?
é lembrar?
é reflectir?
ou é filosofar
O que é pensar?
Pensamos em cores?
Objectos?
Desenhos?
Em tudo o que se pode pensar
Mas nunca paramos e pensamos
O que é pensar?
(Júlia Costa Triches)





Pensar é sonhar
Pensar é morar
Pensar é criar
Pensar é viver
Pensar é querer
Pensar é amar
Pensar é olhar
Pensar é estudar
Pensar é gostar
Pensar é simplesmente legal
Pensar é muito Bom
Eu adoro pensar

(Letícia T, Magalhães dos Santos)

23.1.11

AQUEDUTO DE TRAJANO


Todos os dias aparecem achados arqueológicos de civilizações perdidas há milénios ou de obras arquitectónicas mais recentes que conhecíamos apenas por documentação escrita , mas cuja localização real, no terreno, se havia esquecido. Está incluído neste último caso o aqueduto mandado construir pelo imperador Trajano , considerado na época ( ano 109 dC) uma obra de grande vulto.
A cidade de Roma ,naquela época, consumia já 160 milhões de litros de água por dia, sobretudo em fontes, lagos, banhos e latrinas públicas. Uma parte desse caudal de água ia também directamente para casa dos patrícios ricos que viviam em “vilas”. O resto da população recorria a fontanários públicos espalhados pela cidade. A água era levada á cidade de Roma por canais e aquedutos sendo um destes o de Trajano do qual, como afirmámos, se perdeu o rasto com o crescimento da cidade de Roma no século XVII, pois se foi utilizando a pedra desse aqueduto para construção das casas.
Sabia-se da sua existência por documentos antigos e até havia uma ideia da zona por onde ele passava, hoje uma das grandes avenidas de Roma, mas nada de concreto aparecia que servisse de testemunho.
Ora dois documentalistas britânicos ,Tedy e Michael O’Neill, especialistas da Roma antiga, descobriram (2009-2010) os restos de uma fonte pertencente á cisterna de captação de água para o aqueduto de Trajano.
Esta estrutura, de que também se havia perdido o rasto há séculos , estava debaixo de uma abandonada igreja do século XIII, a 35 km de Roma , perto do lago Bracciano., A fonte estava coberta por uma gruta artificial que acolhia uma capela dedicada á Virgem e que fora remodelada no século XVIII.


A fonte é, sem dúvida , uma estrutura romana pois foi construída com a técnica usada no tempo de Trajano. Possui um labirinto de galerias abobadadas, poços, túneis de captação e o canal que dá início ao aqueduto, tudo isto observável por não ter água.
A fonte é composta por uma sala dedicada ao deus da fonte ou ás ninfas , tendo lateralmente duas cavidades cobertas por arcos e pintadas com um azul egípcio . A base eram arcas de água das quais partia o canal para o aqueduto que fora construído no ano 109 dC, Este aqueduto era um dos onze que abasteciam Roma e a descoberta da sua nascente permite confirmar a estimativa do seu trajecto até à cidade.

8.1.11

OS NOSSOS ANTEPASSADOS

Um grupo de cientistas, chefiados por Svante Pääbo, descobriu que todos os humanos actuais , excluindo os africanos , compartilham uma pequena percentagem de ADN do Homem Neandertal que viveu na Eurásia 230.000 anos antes da nossa era e que se terá extinguido há cerca de 37.000 anos.
Essa pequena porção de genoma Neandertal vem mostrar que o pequeno grupo de Homo sapiens que saiu do continente Africano (onde teria surgido) se cruzou com Homo neanderthal no Próximo Oriente, há 80.000 anos . Os seus descendentes espalharam-se pela Ásia e Europa e não devem ter voltado a ter novos contactos com mais Neandertais.
Para fazer o estudo, a equipa de Svante obteve genoma de Neandertal a partir de ossos fósseis das jazidas de Vindija na Croácia , de Mexmaiskaya na Rússia , de Feldhoper na Alemanha e Sidrón nas Astúrias (Espanha) . O referido genoma foi comparado com o de actuais sul-africanos negros , chineses han , franceses e nativos da Papua Nova Guiné. Os resultados indicam a presença de genes comuns aos neandertais em todos os grupos da população actual, excluindo os africanos negros.
O curioso é que talvez esteja aqui a possível explicação para o aparecimento do Homo sapiens de pele clara ,diferente do original africano ,de pele escura. Descobriu-se que o genoma do homem Neandertal de Lessini (Itália) e Sidrón (Espanha) , possuem o gene mclr, conforme afirma o professor Charles Lalueza- Fox da Universidade de Barcelona. O gene em causa contém a receita para a produção de uma proteína especializada na regulação de pigmentos dos mamíferos , pois actua na superfície das células que produzem os pigmentos escuros ( melanina). Quando este gene sofre mutações, produz nos humanos uma pele muito clara e cabelos ruivos.
Assim se os Neandertais tivessem duas cópias desse gene ( uma vinda do pai e outra da mãe) teriam uma pele claríssima e cabelo ruivo. Caso só houvesse uma cópia do gene, apareceria toda uma variedade de tons de pele e de cabelo, como hoje verificamos no norte da Europa.
É certo que existe hoje um longo debate sobre a razão de a humanidade ter desenvolvido olhos e cabelos claros ; há quem fale em selecção sexual, por essas características serem consideradas como atractivas e por isso procuradas, embora outros prefiram explicar o facto por uma selecção natural relacionada com a luminosidade da zona onde habitavam os povos.
Seja como for, os Homo sapiens de pele escura depois de se cruzarem com os Neandertais , deram origem a humanos de pele clara, olhos também claros e cabelo diferente na cor e no aspecto.
Os neandertais desapareceram da face da terra há 37 mil anos, como já havíamos referido, e esta nova datação foi feita por uma equipa de investigadores liderada pelo arqueólogo e investigador português João Zilhão, da Universidade britânica de Bristol, com base em achados do lugar de Pego do Diabo, em Loures, perto de Lisboa. Também neste caso as características morfológicas mistas (de neandertal e homem moderno) são apresentadas pelo menino do Lapedo, descoberto em1998, no Lagar Velho (Leiria). .
Apresentamos a seguir uma reconstituição fotográfica dessa criança
O estudo do esqueleto e dentes da criança, que tinha cinco anos na altura da sua morte, ocorrida há 30 mil anos, revelou que o menino tinha características do homem moderno, mas também de neandertal, o que abalou o mundo da arqueologia e tem, desde então, sido motivo de debate .
Nunca antes do achado do menino do Lapedo tinha sido encontrada uma prova material de mestiçagem entre Homo sapiens e Neandertal . Esta mistura de características "reflecte", assim, necessariamente um processo de miscigenação extensiva dos dois tipos de populações à época do contacto".
A permanência tardia dos neandertais nesta região lusitana deverá ter estado relacionada com factores climáticos.
O denominado Homo sapiens neanderthalensis existiu entre 230 000 e cerca de 30 000 anos. A média do cérebro( 1450 cc), é sensivelmente maior que a do Homem actual embora com uma caixa craniana mais longa e baixa e uma marcante saliência na parte traseira do crânio. Possuía um maxilar proeminente e uma testa recuada. Os Neandertal viveram maioritariamente em climas frios e as suas proporções corporais são semelhantes às das actuais populações das regiões frias: baixas e sólidas, com membros curtos, facilitando a retenção do calor. Os homens mediam em média 1,68 m com ossos fortes e pesados, mostrando sinais de uma poderosa estrutura muscular. Foram as primeiras populações que criaram rituais funerários, com o enterramento mais antigo datado de há cerca 100 000 anos. A área de dispersão dos Neandertal inclui a Europa e o Médio Oriente.
Seja qual for a verdade científica do que atrás escrevemos sobre a origem da população branca no mundo, uma outra verdade permanece ; postas de lado as diferenças genéticas e fenotípicas ( aspectos exteriores do indivíduo), as populações humanas são principalmente diferenciadas pelos seus usos e costumes, que são transmitidos de geração em geração. A espécie humana caracteriza-se então por uma forte dimensão cultural. É por isso que o conceito de etnia é hoje em dia preferido ao conceito de raça .

5.1.11

ORIGEM DOS VERTEBRADOS



Por vezes surgem-me , através de E-mail, perguntas como a que dá título a esta mensagem e a que tento dar resposta o mais simples possível , por isso vejamos o assunto em epígrafe! Como vertebrado consideramos qualquer animal dotado de crânio e de uma espinha dorsal que envolva a corda dorsal ou notocorda e, geralmente, com dois pares de membros. Há sete classes vivas de vertebrados: Agnatha ou ciclóstoma( lampreia e similares) Chondrichthyes, ou peixes cartilaginosos ; Osteichthyes ou peixes osseos; Amphibia ou dos anfíbios; Reptilia ou dos répteis; Aves; e Mammalia ou dos mamíferos,
Como apareceram estes animais no nosso planeta é o que tentaremos explicar , pois muitas foram as teorias que, ao longo dos tempos, tentaram justificar o aparecimento da vida na Terra. Da intervenção divina à teoria evolucionista de Darwin, passando pela geração espontânea, as explicações foram-se sucedendo, com defensores e opositores, mas a verdade de que ninguém tem dúvidas , é a de que os primeiros vertebrados surgiram no meio líquido, há milhões de anos atrás.
A comunidade científica no entanto continua à procura dos antepassados dos vertebrados que se relacionem com os NÃO CORDADOS , como os equinodermes primitivos, ou com CORDADOS PRIMITIVOS como a Ascídia´, cujo esquema larvar aprsentamos a seguir.
Este animal dos nossos dias só apresenta uma corda dorsal na fase larvar, desaparecendo esta quando o animal se modifica no aspecto físico e fica fixo ao substrato. ( ver foto)Mesmo na fase larvar a , corda dorsal é tão simples que só chega a meio do corpo. De qualquer forma esta corda dorsal simples é precursora da coluna vertebral de outras espécies mais evoluídas.
Vejamos então como tudo se terá passado : da Ascídia os seres cordados svoluiram para o Anfioxo que já tem notocorda ao longo de todo o corpo durante as fases larvar e adulta , mas ainda sem vértebras a protegê-la. O Anfioxo pode ser considerado uma forma muito primitiva de peixe cuja fotografia apresentamos a seguir:
Estes protopeixes surgiram e vivem, ainda hoje, em água doce . Curioso é referir que espécies semelhantes aos protopeixes conseguiram chegar aos nossos dias e estamos a referirmo-nos á lampreia que não é classificada como peixe pois embora possua uma corda dorsal desenvolvida não tem mandíbulas , característica própria dos peixes actuais.
No entanto, em rochas com 540 milhões de anos foram já observados fósseis de peixes sem mandíbulas e que, por isso, foram designados por Agnatas . A partir destes evoluíram peixes mandibulados de esqueleto cartilaginoso, como os tubarões e as raias. Nestes peixes cartilaginosos a notocorda é rodeada e limitada por anéis de cartilagem, formando assim já uma coluna vertebral. Destes ,evoluíram por calcificação das cartilagens, os peixes ósseos , com verdadeiras vértebras ,deixando de haver uma noto corda, no seu real sentido.
A partir deste ponto é fácil entender que algumas espécies de peixes ósseos pudessem viver também fora de água, enterrados na lama. Ainda hoje em África existem essas espécies que respiram por guelras na água e pela bexiga natatória fora dela, quando os pântanos secam.
Também se compreende e admite que as barbatanas de alguns destes peixes de dupla respiração evoluíssem para patas , dando outros animais que foram os antepassados dos actuais batráquios (rãs ,sapos etc). Dos batráquios evoluíram os répteis de todas as formas e feitios, com patas ou sem elas, aquáticos , terrestres ou aéreos . com escamas ou com carapaças, todos eles vertebrados com costelas e vértebras . Dos répteis evoluíram dois ramos actuais: os das aves e o dos mamíferos .
Resumindo podemos dizer que os vertebrados (do latim vertebratus, com vértebras) constituem um subfilo de animais cordados, compreendendo os agnatos, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Caracterizam-se pela presença de coluna vertebral segmentada e de crânio que lhes protege o cérebro.
Outras características adicionais são a presença de um sistema muscular geralmente simétrico ( a simetria bilateral é também uma característica dos vertebrados ) e de um sistema nervoso central, formado pelo cérebro e pela medula espinhal localizados dentro da parte central do esqueleto (crânio e coluna vertebral). Julgamos que ,desta maneira simplista , respondemos á questão que nos fora posta.

1.1.11

MÁQUINA QUÂNTICA


Durante o ano de 2010 referi-me várias vezes, na etiqueta Física , ao mundo quântico onde as leis físicas são diferentes das da Física Clássica que regem este nosso mundo de objectos visíveis . Ora em Dezembro do ano que acabou de findar, surgiu a revelação da criação da primeira ligação entre o universo quântico do infinitamente pequeno e o mundo visível , sendo o facto considerado a descoberta mais significativa de 2010,isto segundo a revista norte-americana Science.
A realização de um aparelho quântico, por uma equipa de físicos da Universidade da Califórnia, foi revelada em Março, na revista britânica Nature ,mas só agora foi conhecida pelo comum dos mortais.
Até 2010, todos as máquinas fabricadas pelo homem seguiam as leis da mecânica clássica, mas Andrew Cleland e John Martinis obtiveram um efeito quântico num pedaço de metal suficientemente grosso para ser observado a olho nu, logo fugindo à física clássica . Com a ajuda de um micro circuito eléctrico supercondutor conseguiram que o pedaço de metal vibrasse pouco e, simultaneamente, vibrasse muito ,o que só é possível pelas leis da mecânica quântica , isto é, no mundo do infinitamente pequeno .Embora os físicos não tenham conseguido ter o objecto em dois sítios diferentes ao mesmo tempo, o que seria a lei quântica total , o feito é extraordinário.
Para que se compreenda melhor o valor da experiência ,lembramos de novo que ,até agora, todos os objectos construídos pelo homem se regem pelas leis da mecânica clássica. Ora o grupo de cientistas atrás referido, ao criar um dispositivo visível a olho nu que se move segundo as leis comportamentais das coisas infinitamente pequenas, como moléculas, átomos e partículas sub-atómicas, deu um salto enorme para um mundo que se considerava ficção.
O Site Inovação Tecnológica anunciou o feito, na reportagem Mecânica quântica aplica-se ao movimento de objectos macroscópicos, destacando então que se tratava de uma experiência histórica. A máquina quântica tem uma aparência muito simples: uma pequena haste metálica, semelhante à extremidade de um estilete, fixada de modo a vibrar no interior de um sulco escavado num material semicondutor, considerado tecnicamente como um ressoador mecânico. Os cientistas resfriaram-no até que ele atingisse o estado fundamental de energia, isto é, o estado de menor energia permitida pelas leis da mecânica quântica .
De seguida, injectaram na máquina um único quanta de energia, um fonão, a menor unidade física de vibração mecânica, provocando-lhe o menor grau de excitação possível.
Verificaram então aquilo que era previsto pela mecânica quântica: a máquina vibrava muito e vibrava pouco, ao mesmo tempo, provando que os princípios da mecânica quântica podem ser aplicados ao movimento de objectos macroscópicos, tal como o são às partículas atómicas e sub atómicas. Tudo aconteceu à temperatura de apenas 25 milikelvins e o seu efeito durou apenas alguns nanossegundos, já que ele é afectado pelas mais ínfimas influências do mundo macroscópico ao seu redor.

Tal controlo sobre o movimento deste dispositivo, cuja fita metálica media 60 micrómetros,logo visível a olho nu, deverá permitir aos cientistas manipularem esses movimentos minúsculos, de forma parecida com o que eles fazem hoje ao manipular as correntes eléctricas e as partículas de luz.
A experiência abrirá o caminho para que se discutam as fronteiras da mecânica quântica e da mecânica clássica e até mesmo o nosso próprio sentido do que é a realidade.
Se a mecânica quântica permite que uma partícula atómica esteja em dois lugares ao mesmo tempo, por que não admitir que algo grande , formado por moléculas, não poderia conseguir o mesmo feito ? Por que não pensar que esse algo grande poderia ser um homem ? Teríamos então o teletransporte da série televisiva Guerra das Estrelas.
Só sabemos com exactidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida (GOETHE)

29.12.10

Sangue artificial


Já desde o século XVII que as transfusões sanguíneas têm sido uma tentativa de remediar as perdas de sangue causadas por cirurgias, acidentes, partos, guerras ou outras causas. .Antes da identificação dos anticorpos aglutinantes do sangue como o Rh, as transfusões então realizadas provocavam muitas mortes pelo facto do sangue do dador ser incompatível com o do receptor . Embora hoje se conheçam e se identifiquem muito bem os grupos sanguíneos (A;B;AB ;O )e os factores Rh, um dos problemas com que a medicina actual por vezes se debate é a falta de sangue compatível disponível para uma transfusão ou havendo-o, a recusa do doente em receber essa transfusão por motivos religiosos ,como acontece com as Testemunhas de Jeová.
Parece que no futuro o problema será parcialmente resolvido com o fabrico de sangue artificial. Este sangue será desenvolvido a partir de células estaminais embrionárias , e a designação de artificial refere-se apenas ao facto de ser fabricado em laboratório. O plano da Universidade de Edinburgo é simples: estimular células estaminais de embriões humanos para que originem células do sangue, isto é, glóbulos vermelhos. Recorrendo aos embriões que sobram dos tratamentos de fertilidade, os cientistas vão procurar aqueles que estão geneticamente programados para desenvolver o sangue tipo O, Rh negativo ( zero ,negativo) que é considerado como dador universal, pois pode ser dado a qualquer pessoa sem perigo de rejeição,dado não ter aglutininas nem aglutinogénios..
Este tipo de sangue é relativamente raro, sendo encontrado em apenas 7% da população mundial, mas em laboratório poderá ser desenvolvido em grandes quantidades devido à capacidade que as células estaminais têm de se multiplicar indefinidamente. Em teoria, um único embrião seria capaz de satisfazer as necessidades de sangue de um país, além de ser ,como afirmamos, compatível com qualquer humano, e estar livre de infecções.
No entanto o problema mantêm-se para os que recusam sangue com origem em outro indivíduo, por questões religiosas. Talvez para estes a solução esteja numa descoberta vinda dos USA. Claes Lundgren, médico da Universidade de Buffalo, apresentou , numa conferência de imprensa, uma ampola contendo cinco mililitros de uma solução leitosa, passando a explicar: "Estes cinco mililitros poderão salvar a vida de uma criança pesando de 10 a 15 quilos que tenha perdido metade de seu sangue."
Esta espécie de sangue artificial, é uma substância inorgânica, mais especificamente um dodecafluorpentano, ou DDFPe, um composto à base de fluorcarbono utilizado originalmente como elemento de contraste em exames médicos.
Lundgren vai prosseguir o trabalho dos Drs. Hugh Van Liew, Mark Burkard e Ingvald Tyssebotn, que fizeram as primeiras pesquisas e conseguiram transformar o DDFPe num transportador de oxigénio.
A chave para a capacidade desta nova substância está em gotículas invisíveis a olho nu. Quando aquecidas à temperatura do corpo humano, essas gotículas expandem-se em micro bolhas, pequenas o suficiente para passar através dos vasos capilares. A forte afinidade dessas micro bolhas com o oxigénio faz com que elas possam cumprir o papel do sangue, captando o oxigénio nos pulmões do paciente e levando-o até aos tecidos.
Infelizmente ainda faltam muitos testes médicos para comprovar que não existirão efeitos colaterais adversos.
Paralelamente várias Empresas farmacêuticas desenvolveram algumas variedades de sangue artificial nas décadas de 80 e 90, mas muitas abandonaram as pesquisas após enfartes, derrames cerebrais e mortes de cobaias humanas. Algumas fórmulas iniciais também causaram o colapso de vasos capilares e o aumento excessivo da pressão arterial. Porém, pesquisas adicionais levaram a vários substitutos específicos do sangue divididos em duas classes: carregadores de oxigénio que utilizam hemoglobina (HBOC, na sigla em inglês) e perfluorcarbonetos (PFC) que atrás citámos. Alguns desses substitutos, na sua fase final de teste, conseguem estar disponíveis em hospitais. Outros já estão em uso, como, por exemplo, um HBOC chamado Hemopure actualmente administrado com alguns inconvenientes em hospitais na África do Sul, onde o alastramento do HIV ameaçou o suprimento de sangue. Um carregador de oxigénio baseado em PFC, chamado Oxygent, está nos estágios finais de testes em seres humanos na Europa e América do Norte.
Os dois tipos têm estruturas químicas bastante diferentes, mas ambos trabalham basicamente através da difusão passiva. A difusão passiva tira proveito da tendência dos gases de se mover de áreas de maior concentração para áreas de menor concentração até atingir um estado de equilíbrio. No corpo humano, o oxigénio move-se dos pulmões (alta concentração) para o sangue (baixa concentração). Depois, quando o sangue atinge os vasos capilares, o oxigénio move-se do sangue (alta concentração) para os tecidos (baixa concentração).
Dissemos no início que estas descobertas resolveriam parcialmente o problema da falta de sangue pois não podemos esquecer que o sangue humano executa muitas outras funções importantes para além do transporte de oxigénio pelos glóbulos vermelhos. Os glóbulos brancos defendem o corpo das infecções bacterianas, as plaquetas promovem coagulação, e as proteínas do plasma executam várias outras funções. Por tal motivo será útil utilizar novas técnicas médicas a quando de uma cirurgia ,tal como utilizar bisturis eléctricos que evitam hemorragias ou a transfusão do próprio sangue do doente e de que existem duas técnicas: 1)- O paciente retira seu próprio sangue alguns dias antes da cirurgia e esse sangue fica guardado em bolsas até que seja necessário utilizá-lo durante a cirurgia programada. 2)- O sangue é retirado no início da cirurgia e armazenado, sendo substituído por soluções cristalóides ou coloidais como expansores do volume do plasma. Ocorrendo algum sangramento ele obviamente será menor, já que estará diluído. No final da cirurgia o sangue é reposto. Como o sangue é do próprio doente não há impedimento religioso.
Para além da conhecida transfusão , aproveitando (após filtração/heparinização) o sangue perdido no decurso de intervenções cirúrgicas, e da chamada transfusão isovolémica, (todas estas técnicas implicando apenas a utilização de sangue do paciente) as alternativas reais à transfusão tem ainda as suas limitações ,pelo que fiquemos com a esperança de que o engenho humano nos conduza no futuro a uma solução de sucesso.

24.12.10

ESCRIBAS


Podemos dizer que um escriba é todo aquele que escreve, isto é, todo aquele que utilizando símbolos , transmite manualmente uma mensagem. Ainda nos nossos dias há escribas , só que lhe chamamos escriturários.
No antigo Egipto, um escriba era uma importante figura na administração a nível civil, militar e religioso, pois a maioria dos egípcios não sabia ler nem escrever e quando precisava redigir ou ler um documento via-se obrigada a pagar o serviço de um escriba. Ser escriba não era tarefa fácil pois eram necessários cerca de 12 anos para que alguém estivesse em condições de ler e escrever os cerca de 700 hieróglifos que eram usados 1500 anos antes de Cristo e os estudos podiam começar aos quatro anos de idade. A habilidade para escrever garantia uma posição superior na sociedade e a possibilidade de progresso na carreira.. Um texto destinado a instruir os escribas, usado durante o Império Novo, garantia:
Seja um escriba. Isso o salvará da labuta e o protegerá de todo tipo de trabalho .Será poupado à enxada e ao alvião, de forma que não terá que carregar cestas. Ficará livre de manipular o remo e será poupado de todo tipo de sofrimento.
Mas então a escrita no Egipto era uma coisa assim tão difícil para que o escriba fosse tão considerado ?
Há cerca de 3000 anos , os Egípcios desenvolveram uma forma de escrever assente em vários pictogramas (imagens figurativas que representam coisas), mas também em fonogramas (símbolos que representam sons) . Meticulosamente gravados, os hieróglifos associavam, os símbolos fonéticos às imagens de objectos reais comuns, como plantas ,animais ,barcos, etc. A precisão e a minúcia da execução estavam ligadas também ao uso simbólico das cores. Escrevia-se da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita e também na vertical. A direcção da leitura era indicada pela direcção do olhar de certos símbolos que representavam homens ou animais. Este sistema de escrita recebeu a designação de "hieroglífica" (do grego hieros que significa sagrado, e ghyhhein que significa gravar) e foi criado para descrever os rituais religiosos , as comemorações de acontecimentos militares e, em última instância, até servir como agradecimento a um governante por qualquer dádiva. A escrita hieroglífica era utilizada nos documentos da vida pública e nas inscrições mais importantes. Mais tarde (cerca de 2400 AC) e por comodidade no dia-a-dia, os Egípcios desenvolveram uma forma simplificada de hieróglifos. É escrita hierática (cursiva) utilizada pelos sacerdotes nos textos sagrados ,e está adaptada ao movimento da pena molhada em tinta sobre o papiro macio. Para economizar tempo e esforço cada sinal hieroglífico foi esquematizado e até aparecem ligados entre si para que a mão não se levantasse. Escrevia-se da direita para a esquerda. Mas a dada altura, também a hierática deixou de responder à procura e exigências do quotidiano. Foi então que no Egipto se idealizou a escrita demótica (designada, então, a "escrita do povo"), por volta de 500 anos antes da nossa era, sendo que esta constituía uma redução da hierática que, por si só e como dissemos atrás, já era uma redução da hieroglífica. Relativamente ao suporte onde eram escritos, há a registar uma evolução desde o hieróglifo ao demótico, e que vai desde as inscrições de objectos em barro cozido, passando pelas pinturas nas paredes dos templos e das câmaras funerárias, em pedra e madeira, culminando com a utilização do papiro nos manuscritos. Efectivamente, o papiro – invenção atribuída ao povo egípcio –, foi o material mais importante para o segundo sistema de escrita, a partir das plantas que cresciam nas margens do rio Nilo. Estamos a falar das plantas papiros que cresciam nas terras pantanosas da foz do Nilo e cujos caules chegavam a ter quatro metros de altura, caules esses que eram cortados e justapostos às camadas numa superfície lisa, sendo que sobre a última camada era colocada uma pesada pedra lisa com a finalidade de fazer compressão dos caules . A pressão exercida fazia com que a seiva e a humidade das plantas, em contacto com a água, produzissem uma espécie de substância gelatinosa, que colava umas camadas às outras. Uma vez secas, as "folhas" eram postas em pilha e banhadas em azeite, ao que se seguia a tarefa de as alisar com a ajuda de uma pedra ( ágata).Mais tarde, os Romanos introduziram neste processo uma inovação que resultaria numa melhor qualidade do produto final: a aplicação de cola de amido para unir as fibras e assim neste papel se escreveu até ao nosso século XVIII.
A substituição do papiro pelo pergaminho teve lugar quando os Fenícios deixaram de exportar as folhas de papiro para a Ásia. O pergaminho era obtido a partir das peles de animais (como as ovelhas e as cabras), depois de esticadas, secas e polidas, após um banho em cal, por forma a evitar o mau cheiro. Já secas, as peles eram esfregadas dos dois lados com ajuda de argila e pedra-pomes. Este novo processo de obtenção de material para escrita tinha a vantagem de ser mais duradouro e de permitir a reunião das várias folhas em formato de livro, mas é destronado com o aparecimento do papel o que acontece em 1800 d. C.
Voltando ao assunto do tema, o escriba foi um aliado do Faraó e por isso as célebres estátuas de escribas sentados, com um rolo de papiro sobre os joelhos, são o melhor reflexo do seu estatuto social. Organizavam-se em torno de uma hierarquia de directores no cimo da qual se encontrava o visir, mão direita do Faraó. Que se tenha conhecimento não existiram escribas do sexo feminino, embora certas filhas de escribas tenham aprendido a ler e a escrever, mas foi muito raro. Hoje sabemos o nome de muitos escribas pois assinaram documentos ; é o caso de Pentaur, autor do célebre poema da batalha de Qadesh para glória de Ramsés II; é o caso de Imhotep, construtor da pirâmide de Saqqara ou ainda o de Amenhotep, filho de Hapu, visir de Amenhotep III.

17.12.10

O PRESÉPIO de NATAL

O Natal é uma festa de raiz religiosa rica em simbolismos, sendo poucos no mundo os que conhecem as suas origens ou o seu seu significado, pois se transformou numa grande festa de solidariedade universal, comemorada em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã está em minoria, como é o caso do Japão. Quando entramos na Quadra Natalícia podemos sentir que uma certa ternura vai envolvendo toda a gente criando nas pessoas sentimentos muitas vezes esquecidos, como o amor ao próximo com a solidariedade para os que sofrem ou passam fome. Vimo-lo neste findar de ano 2010 em que as pessoas, mesmo com a crise, doaram ao banco alimentar mais do que em anos anteriores.
Para nós o Natal comemora o nascimento de Jesus Cristo e embora historicamente, não se tenha a certeza da data do nascimento de Jesus, um acontecimento tão importante como a vinda do filho de Deus para o nosso mundo, merecia ser lembrado mas não havendo dados históricos, quando o fazer ? Ora no dia 21 de Dezembro , no hemisfério norte , ocorre o chamado solestício de inverno que é o momento em que a Terra, depois de atingir o ponto mais distante de sua órbita em relação ao Sol, reinicia seu caminho de volta fazendo com que os dias se tornem mais longos. Para comemorar o solestício de inverno havia por todo o lado uma amálgama de festividades pagãs . No ano 336 D.C., o Imperador Romano Constantino I alterou os motivos das grandes festas do solstício e passou a ser comemorado o nascimento de Cristo, o salvador da humanidade, em vez do nascimento do sol, na data fixa de 25 de Dezembro. A Igreja apropriou-se da data como forma de converter os não cristãos a aderirem ao cristianismo. A celebração do Natal é, por isso, repleta de símbolos, cristãos e pagãos, e assim as pessoas fizeram desta tradição uma das festas mais ornamentadas.
Em Portugal, e antes da apropriação comercial pela festa, nas igrejas e casas particulares montava-se o presépio, mais rico ou mais singelo consoante as possibilidades de cada um.
A palavra “presépio” significa curral, estábulo, local de recolha de gado ,mas também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José ,pela vaca e por um jumento, a que por vezes se acrescentam outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, etc.
Os primeiros presépios surgiram em Itália, no século XVI, e o seu aparecimento foi motivado pela representação teatral do nascimento de Cristo. De entre os presépios mais conhecidos, são de salientar os presépios napolitanos, que surgiram no século XVIII, e onde podiam observar-se várias cenas do quotidiano, mas o mais importante era a qualidade extraordinária das suas figuras ; só a título de exemplo, os Reis Magos eram vestidos com sedas ricamente bordadas e usavam jóias muito trabalhadas.

No que se refere a Portugal, não é nenhum exagero dizer que aqui foram feitos alguns dos mais belos presépios de todo o mundo, sendo de destacar os realizados pelo escultor e barrista Machado de Castro no século XVIII . A seguir apresentamos imagens de três presépios diferentes mas do mesmo autor.


Representações artísticas surgiram também no início do século XIII,sob a forma de pinturas e afrescos entre outras, mas a data de 1223 é para muitos o início desta tradição.
São Francisco de Assis será o autor do presépio, pois nesse ano de 1223, festejou o Natal na floresta de Greccio, levando consigo animais como, bois, vacas, burros, de forma a retratar aos seus cidadãos o que tinha acontecido nessa noite do nascimento de Jesus , criando assim o interesse das pessoas por retratar o Natal. Porém só no século XV, com o culminar de um grande interesse pela data, criaram o presépio como hoje o conhecemos, deixando para trás as pinturas das igrejas.
O presépio caseiro tem como principal característica, a versatilidade já que todas as peças podem mudar de lugar e serem vistas de vários ângulos, dando liberdade a cada pessoa para criar o seu próprio presépio. Que se saiba , foi no século XVI que surgiu o primeiro presépio particular em casa da Duquesa de Amalfi. A partir do século XVIII, a tradição insere-se em toda a Península Ibérica alastrando-se por toda a Europa.

Actualmente é um costume em inúmeras culturas que marca o Natal, existindo presépios para todos os gostos, desde miniaturas a personagens em tamanho real, muitas vezes com uma representação humana do acontecimento.Terminamos com duas fotografias de presépios no Japão

14.12.10

MACACOS versus HOMEM

Tenho uma familiar, temente a Deus e aos Homens que fica escandalizada quando afirmo que é “ prima dos macacos “ , muito embora não lhe repugne a teoria evolucionista de Darwin para os outros seres. Como ela, tenho encontrado mais pessoas, e nem são defensoras do criacionismo , pois nunca aprofundaram o tema . É para elas que alinhavo o resumido apontamento que se segue.
Como é sabido, o gene é a unidade fundamental de toda a hereditariedade e ao conjunto de todos os genes de um indivíduo de qualquer espécie. chamamos genoma. Os genes encontram-se distribuídos pelos cromossomas de um indivíduo e as características de todos os seres vivos são definidas pelo genoma que possuem. Posto isto, que diferença há entre o genoma do Homem e o do macaco ou, dito de outra maneira, que mudança terá sofrido o genoma do símio ancestral para dar o homem ?
A mutação genética devido à qual os primeiros hominídeos ( Homo habilis ---»Homo erectus ---»Homo Neandertal ---»Homo sapiens ) se separaram dos seus antepassados símios , já foi identificada por cientistas americanos da Universidade de Harvard , em 2003. O gene Tre2 foi o responsável por ter tornado os seres humanos diferentes dos macacos, durante o longo processo evolutivo . A mutação genética terá surgido há 25 milhões de anos atrás , devido talvez á fusão de dois outros genes o que fez com que os seres humanos, ao longo da sua evolução, se tenham distinguido dos seus parentes mais próximos, chimpanzés, gorilas e orangotangos, os quais, por sua vez, se tornaram também diferentes dos outros macacos, os chamados macacos do novo mundo, que mantiveram cauda longa ,entre outras características.
A mutação concedeu aos Hominídeos maxilares mais pequenos e cérebros maiores. A redução dos maxilares alterou a estrutura do crânio e eliminou músculos espessos que serviam para fixar as mandíbulas à parte superior da cabeça. Como consequência, houve um alargamento do crânio e um desenvolvimento do volume cerebral que possibilitou a linguagem e a construção de instrumentos , o que terá acontecido há 2,5 milhões de anos , na África Oriental.
Mas há mais evidências da evolução do homem que permitem aparentá-lo em primeiro grau com os chimpanzés e gorilas, até em aspectos comportamentais . Um grupo de investigadores observou que chimpanzés selvagens transportavam alimentos para dentro de uma caverna onde os repartiam com os outros elementos do grupo, tal como faziam os Homo habilis, antepassados do homem actual.
Chimpanzés e Gorilas utilizam ferramentas para fins específicos ; Jane Goodall relatou no seu diário :…….” Em Outubro de 1960 observei um chimpanzé pegar numa folha e modificá-la com a mão, dobrando-a para a tornar mais fina para que pudesse ser enfiada com maior facilidade na abertura estreita do ninho de térmitas……….estava a demonstrar o domínio de princípios rudimentares da produção de instrumentos ……também observei que utilizavam folhas a que davam a forma de copo para armazenar água . A partir daqui precisamos redefinir Homem , redefinir utensílios ou aceitar os chimpanzés como humanos ….”
Não podemos esquecer que 98% dos nossos genes são idênticos aos de outros primatas onde estão incluídos animais fisicamente diferentes do homem como os lémures, os tarsídios ,o macaco esquilo, etc. Também já se comprovou que o cromossoma 2 do homem é a fusão, topo a topo, dos cromossomas independentes 2p e 2q que existem nos outros primatas .
No que respeita a inteligência ,falando dos chimpanzés, nossos primos de 2º ou 3º graus , eles usam instrumentos para comer, para se defender e são capazes de ensinar os mais novos a utilizar correctamente certos instrumentos para determinado fim, transmitindo aspectos culturais de geração em geração. Tal como os humanos cuidam das crias, educam-nas nas suas travessuras, demonstram emoções e comunicam entre si. Perante tal, não sei por que há relutância em admitir que homem e macacos derivam de um ancestral comum próximo, logo são primos.
Olhem as fotografias abaixo e digam –me se não são atitudes humanas
Grupo em velório chorando a morte de um familiar

Casal posando para a posteridade
Cruzando os braços com enfado por não ser considerado como gente.
Carinho de mãe

Observação

Se atentar para a fotografia do início do texto verá a atitude de quem tem um problema bicudo para resolver, talvez o de não saber em quem deva votar para governar este país de macacões.

4.12.10

PAI NATAL

Agora que estamos no mês de Dezembro, as montras das casas comerciais encheram -se de pinheiros nórdicos em plástico ( made in China) e de figuras de um velho barrigudo de barbas brancas, normalmente vestido de vermelho, a que chamam de PAI NATAL (por causa da igualdade entre sexos, também aparecem umas MÃE NATAL) que vão destronando o presépio e o Menino Jesus que reinavam no meu tempo de criança.
Mas quem é o Pai Natal ?
O Pai Natal tem vários nomes dependendo do país e da sua cultura, mas trata-se sempre de S. Nicolau, um indivíduo que nasceu no ano de 350 d.C., em Patara e que, anos mais tarde, se tornou bispo da Igreja Católica. Este bispo é referenciado lendariamente por salvar marinheiros das tempestades, defender as crianças e oferecer vultuosas prendas aos mais pobres, além de outros milagres.
Este distribuidor de prendas conduz pelo céu um trenó puxado por renas carregando brinquedos para as crianças que se portaram bem durante o ano. O Pai Natal ou St Nicholas, St Nick ou Santo Claus, visita todas as casas na noite de Natal descendo pela chaminé para deixar os ditos presentes ao canto da chaminé ou da lareira, na árvore, nas peúgas ou sapatos de todas as crianças bem comportadas.( O local onde deixa as prendas depende do país) Esta imagem tipicamente americana foi introduzida nos Estados Unidos a partir da Holanda no século XVII, e em Inglaterra a partir da Alemanha em meados do século XIX.
O dia de St Nicholas, em que se recebiam as prendas, era originalmente celebrado a 6 de Dezembro mas, depois da Reforma da Igreja, os protestantes Germânicos deram especial ênfase ao Menino Jesus como sendo o “dador de prendas” no dia da Sua própria festa, a 25 de Dezembro, mas a tradição de St Nicholas prevaleceu e ficou colada ao próprio Natal. A explicação para a escolha do dia 25 de Dezembro como sendo o dia de Natal, isto é , o dia em que nasceu Jesus, prende-se com o facto desta data coincidir com a Saturnália dos romanos e com as festas pagãs célticas do Solstício de Inverno, tendo a Igreja visto aqui uma oportunidade de cristianizar a data e combater o paganismo.
No nosso país e devido á globalização das últimas décadas, o Natal foi travestido e a tendência é a substituição do Menino Jesus pelo Pai Natal na entrega dos presentes. Como disse logo de início, o presépio têm agora de coexistir, quando coexiste, com o velho das barbas e a
árvore de Natal, embora as tradições natalícias portuguesas não tenham de todo desaparecido, pelo menos no aspecto gastronómico. Assim, no dia 24 Dezembro, à noite, tem lugar a ceia de Natal ou consoada, onde reina o polvo ou bacalhau cozidos, as rabanadas, os sonhos, os filhós, etc. e já depois da missa do galo, à meia-noite, a criançada vai em busca das prendas. Em certas zonas do país arde o cepo de Natal, nos largos públicos , como adros de igrejas e á volta dessa fogueira se passa uma consoada comunitária . Voltando ao Pai Natal muitos pensam que a imagem do gordo de vermelho e com barba branca é da autoria da marca de refrigerantes Coca-Cola pois esta marca, nos anos 30 do século XX, usou a figura do Pai Natal na sua publicidade de Inverno e deu-lhe as suas cores, o branco e o vermelho. Para tal contratou o artista Haddon Sundblom para lhe compor a imagem. Contudo, Sundblom não foi original na sua escolha, já que o primeiro desenho que retratava a figura do Pai Natal ,tal como hoje o conhecemos, foi feito por Thomas Nast e publicado no semanário “Harper’s Weekly”, no ano de 1866. Esperando ter explicado quem é o PAI NATAL ,já que a Mãe Natal é coisa muito modernista, desejo-vos
BOAS FESTAS

2.12.10

PESTE NEGRA


Alguns jornalistas dos nossos dias classificaram o HIV (sida) e a Gripe A como a Peste Negra do sec XXI ; da mesma maneira a tuberculose foi a “peste negra “ do século XIX e a pneumónica a do início do século XX, tudo devido ao gigantesco número de mortes que provocaram no passado..
Mas afinal o que foi a PESTE NEGRA, surgida em 1348 ? Apenas uma doença, na altura de origem desconhecida que, em dois anos, levou à morte um terço da população europeia. “…..cidades desertas , campos abandonados cadáveres apodrecendo nas ruas , mercados vazios e um silêncio reinante onde antes havia bulício……A desconfiança havia-se instalado em lugar do afecto porque todos ,pais e filhos, vizinhos, amigos ou familiares podiam ser a fonte do veneno mortal….. assim escreve Giovanni Boccacio no seu Decameron. ( escrito entre1349 e 1353)
Numa sociedade medieval em que a religião dominava tudo, a população considerava o mal como um castigo divino, já que a dissolução dos costumes e a falta de honestidade do clero, eram razões suficientes para provocar a ira de Deus e o fim dos tempos . O Papa Clemente VI, numa bula de 1348 , declarava : “ Deus está castigando o seu povo com uma grande peste “.
Os sábios da época, embora não negando a intervenção divina , procuravam factores naturais para a doença. A universidade de Paris defendia que a origem da peste se devia à conjugação dos planetas Marte , Júpiter e Saturno sob o signo Aquário. Outros afirmavam que eram os gases da cauda de um cometa que provocara a peste e originara um sismo em Itália. Na Alemanha a culpa era dos judeus que tinham envenenado o ar e a água , razão por que foram assassinados aos milhares.
Os médicos desenvolviam numerosas teorias sobre o contágio, como o andaluz Ibn-al-Jatib que intuiu que a peste se contagiava através de corpos minúsculos , tendo prescrito que os doentes deveriam ser isolados e as suas roupas destruídas . Já para o italiano Gentile de Foligno o ar doente penetrava no corpo através da respiração , ia para o coração onde estava o espírito vital e daí se estendia a todo o corpo.
A descoberta destas vias de contágio deu lugar a teorias preventivas, hoje absurdas , como plantar arbustos aromáticos em volta das cidades para o ar pestilento não entrar, ou as pessoas lavarem-se numa mistura de limão, lima e água de rosas . Preconizavam usar uma máscara que cobria a cabeça e tinha a forma de um bico de ave .
Nesta época de obscurantismo e fanatismo religioso, faziam-se enormes procissões penitenciais com as pessoas a flagelarem as costas pois o sangue do sacrifício aplacaria a suposta ira de Deus.
Façamos agora uma pausa nesta descrição do que se pensava na Idade Média sobre a peste e historiemos, em resumo, as grandes epidemias :
1315-1317---O tempo excepcionalmente frio e chuvoso provoca escassez das colheitas e dá lugar às fomes. Esta população já debilitada pela fome sofrerá o embate da peste negra ou bubónica.
1334.-1346---No primeiro ano a peste provoca 5.000.000 de mortos na China. Entre 1337 e 1338 estende-se pela meseta central asiática e em 1346 atinge a Crimeia.
1347- 1350--- A peste vinda do oriente estende-se por toda a Europa nas suas formas bubónica , pulmonar e septicémica.
Século XVII--- Novos surtos de peste . Só Londres perde 100.000 habitantes o que corresponde a um quinto do total.
1720…..Um barco vindo da Síria atraca em Marselha e com ele vêm a peste . Morre metade da população da cidade. É o último grande surto de peste na Europa.
Mas o que era ou o que provocava a “peste negra”?
Nos porões dos navios de comércio que vinham do Oriente, entre os anos de 1346 e 1352, chegavam centenas de ratos. Estes roedores encontraram nas cidades européias um ambiente favorável para se reproduzir, pois os esgotos corriam a céu aberto e o lixo acumulava-se nas ruas. Assim os ratos passavam a ser aos milhares não havendo gatos em número ou fome suficientes para lhe dar caça , além das ratazanas serem enormes e atacarem os felinos. Estes ratos, sabe-se hoje, estavam contaminados com a bactéria Pasteurella pestis e as pulgas destes roedores transmitiam a bactéria ás pessoas através da picada. Os ratos também morriam da doença mas quando isto acontecia, as pulgas passavam rapidamente para os humanos para neles obterem seu alimento, isto é, o sangue.Após adquirir a doença, a pessoa começava a apresentar vários sintomas: primeiro apareciam nas axilas, virilhas e pescoço vários bubos (bolhas) de puz e sangue, daí o nome de peste bubónica. Em seguida, vinham os vômitos e febre alta. Era questão de dias para os doentes morrerem, pois não havia cura para a doença. Vale lembrar que, para piorar a situação, a Igreja Católica ,na época, opunha-se ao desenvolvimento científico e farmacológico. Os poucos que tentavam desenvolver remédios eram perseguidos e condenados à morte, acusados de bruxaria.
( A doença foi identificada séculos depois ,em 1894, pelo microbiologista Alexandre Yersin, depois do grande surto epidémico de Hong-Kong.)Relatos da época da epidemia mostram que a doença foi tão grave e fez tantas vítimas que faltavam caixões e espaços nos cemitérios para enterrar os mortos. Os mais pobres eram enterrados em valas comuns, apenas enrolados em panos. A doença provocou descalabro social e revoltas.
A visita da peste a Portugal, em 1348, ficou registada por escrito:"morria-se quase em saúde e os que hoje estavam sãos, iam amanhã a caminho da sepultura”.
Em 1384, o rei de Castela cercou Lisboa mas o exército invasor foi atacado pela peste. Conta Fernão Lopes:" começaram de morrer de peste alguns do arraial da gente de pequena condição. E quando algum cavaleiro ou escudeiro acertava de se finar, levavam-nos os seus a Sintra ou Alenquer ou a algum dos outros lugares que por Castela tinham voz, e ali os abriam e salgavam e punham em ataúdes do ar, ou os coziam e guardavam os ossos para os depois levarem para donde eram”
Também em 1414, quando se preparava a armada que deveria conquistar Ceuta, foram contratados navios estrangeiros que trouxeram o mal com eles. Registaram-se, em Portugal, epidemias mortíferas em 1423, 1432, 1435 e 1437. Algumas delas encontraram os portugueses com as resistências diminuídas pela fome. O rei D. Duarte foi morto pela peste em 1438.

As epidemias voltaram a assolar diversas regiões de Portugal nos anos de 1448, 1458, 1464 e 1469. Em 1477, a peste devastou Coimbra e propagou-se a Lisboa. As cidades procuravam defender-se do mal isolando-se. Os vereadores do Porto, assustados, estabeleceram como plano de defesa a interdição de entrada na cidade a quem não jurasse sobre os santos Evangelhos não vir de Coimbra nem de qualquer outro lugar onde a peste grassasse. As providências falharam e a peste entrou mesmo no burgo nortenho.

As epidemias foram-se repetindo, um pouco por todo o País. A utilidade das medidas de saúde pública foi-se tornando evidente e daí que em 1484, o rei D. João II mandou que se limpassem as canalizações bem como os monturos e esterqueiras e proibiu que se vazassem as imundices fora dos locais determinados. Naquele tempo ainda não se conheciam bactérias nem vírus, mas as causas da doença eram já atribuídas ao desrespeito das normas de higiene.

Como ainda hoje pode haver um surto destes devido a viajantes infectados vindos de países onde a doença é endémica por falta de sanidade pública, e porque referimos no texto a vários tipos de peste, vamos socorrer-nos de um MANUAL DA FARMACEUTICA MERCK que transcreveremos parcialmente, para explicar outros pontos.
As bactérias que causam a peste infectam principalmente roedores selvagens, como as ratazanas, os ratos, os esquilos e as marmotas das pradarias. A peste costuma ser transmitida às pessoas por meio das pulgas destes animais. Um acesso de tosse ou então um espirro de uma pessoa infectada dispersa bactérias através de gotas minúsculas, assim transmitindo a doença de uma pessoa para a outra. Alguns animais domésticos, em especial os gatos, também podem fazê-lo por intermédio das picadas de pulga ou pela inalação de gotículas infectadas.
Os sintomas da peste bubónica costumam aparecer de 2 a 5 dias após a exposição à bactéria, mas podem fazê-lo em qualquer momento, desde as primeiras horas até 12 dias mais tarde. Os sintomas começam subitamente com arrepios e febre até 41ºC. O batimento cardíaco acelera-se e enfraquece, de tal modo que a tensão arterial pode baixar. Os gânglios linfáticos inflamam-se (recebendo o nome de bubões) quando a febre começa ou mesmo um pouco antes. Em geral, os gânglios são extremamente dolorosos ao tacto, são duros e encontram-se rodeados de tecido edemaciado. A pele que os cobre é lisa e avermelhada, mas não mostra temperatura aumentada. É provável que o doente esteja inquieto, delirante, confuso e descoordenado. O fígado e o baço podem aumentar consideravelmente de volume, pelo que o médico os pode sentir facilmente à palpação. É possível que os gânglios linfáticos se encham de pus e drenem durante a segunda semana. Mais de 60 % das pessoas não tratadas morrem. A maioria das mortes verifica-se entre o terceiro e o quinto dia.
A peste pneumónica é uma infecção dos pulmões pelas bactérias da peste. Os sintomas, que começam abruptamente de 2 a 3 dias após a exposição às bactérias, são febre elevada, arrepios, ritmo cardíaco acelerado e, com frequência, dores de cabeça intensas. Em 24 horas começa a tosse. De início a expectoração é clara, mas começa rapidamente a apresentar sinais de sangue, até se tornar uniformemente rosada ou de cor vermelha intensa (semelhante a xarope de framboesa) e espumosa. É frequente o doente respirar rapidamente e com dificuldade. As pessoas não tratadas morrem geralmente dentro das 48 horas seguintes ao início dos sintomas.
A peste septicémica, outra variedade de peste, é uma infecção na qual a forma de peste bubónica se propaga ao sangue. Pode causar a morte mesmo antes de aparecerem outros sintomas da peste bubónica ou pneumónica.
A peste menor é uma forma ligeira de peste que costuma aparecer apenas na área geográfica em que a doença é endémica. Os seus sintomas (gânglios linfáticos inchados, febre, dor de cabeça e esgotamento) persistem ao longo de uma semana. A prevenção baseia-se no controlo dos roedores e no uso de repelentes para evitar as picadas das pulgas. Existe uma vacina, mas ela não é necessária para a maioria das pessoas que viaja para zonas onde se tenham verificado casos de peste. Aqueles que viajam e correm grandes riscos de exposição à doença podem tomar doses preventivas de tetraciclinas.

21.11.10

TLALTECUHTLI


Há meses, a France Press noticiava: A Tlaltecuhtli, a deusa da Terra, o maior monólito( bloco único de pedra) da cultura asteca e o único colorido, será exibido pela primeira vez em meados de Junho na capital mexicana após ter sido descoberto em 2006, informou o Instituto de Antropologia do México. O monólito, datado de 1502, com um peso de 12 toneladas e um tamanho de 4,19 por 3,62 metros, "é o maior já descoberto" da cultura asteca e "a única peça escultural mexicana que conserva suas cores originais", informou o Instituto em um comunicado.
Esta peça, foi descoberta em Outubro de 2006 quando se realizavam trabalhos de remodelação no centro histórico da Cidade do México, e é maior em tamanho que a Pedra do Sol (ou Calendário Asteca), um dos monólitos mais conhecidos, e maior que a Coyolxauhqui, que representa a deusa da Lua.
Sob um fundo avermelhado, a Tlaltecuhtli representa uma figura feminina de corpo inteiro de cor ocre, com cabelo encaracolado, e da boca sai um jacto de sangue tendo os braços flexionados para cima "em alusão de que é a deusa da Terra e que todas as criaturas voltam para ela.

Este monólito, assim como o Calendário Asteca e a Coyolxauhqui, fazia parte do chamado Templo Maior, que foi o coração da cultura asteca até a chegada dos conquistadores espanhóis . A Deusa está de cócoras para parir , ao mesmo tempo que bebe o seu sangue , devorando o ser que criou, simbolizando o ciclo de vida e morte dos Astecas,
Após anos de escavações minuciosas foi descoberto num poço, junto ao monólito, as mais exóticas oferendas : junto á superfície 21 facas sacrificiais de sílex branco pintado de vermelho ; mais fundo, um fardo envolvido por folhas de piteira que continha um sortido de furadores sacrificiais em osso de jaguar, barras de copal (incenso), plumas e contas de jade.
Mais abaixo, fechados numa caixa de pedra os esqueletos de duas águias reais (símbolo do sol) com os corpos virados para poente.
Até Janeiro de 2010, foram descobertos mais seis níveis com oferendas o último dos quais a 7 metros de profundidade, Esta oferenda era um vaso cerâmico com 310 contas verdes, brincos e estatuetas.
No fundo da caixa de pedra que atrás referimos um cão ou lobo fêmea trazia um colar de jade ao pescoço,um cinto de búzios e brincos de trurqueza. As jóias indiciam que seria um animal de estimação real com a tarefa de guiar e proteger o amo durante a odisseia das trevas.
Quem seria este amo ? A questão é que nunca foram descobertos restos mortais de nenhum imperador asteca , havendo registos históricos afirmando que três soberanos astecas foram cremados e as suas cinzas enterradas na base do Templo Maior . Outros indícios do monólito apontam a data de 1502 ano em que Ahuitzotl, o mais temido governante do império foi a enterrar e o seu túmulo deve estar muito perto do local onde o monólito foi descoberto.
O que se sabe de Ahuitzotl é o seguinte: funcionário militar de alta patente subiu ao trono em 1486, depois do seu irmão Tizoc perder o controlo do império e morrer. Reinou 16 anos e os seus exércitos ocuparam grandes extensões de terra costeira até à actual Guatemala.
Os trabalhos arqueológicos que estão a ser desenvolvidos são difíceis e morosos pois é necessário contornar redes de esgotos e metropolitano, evitar fios telefónicos e de fibra óptica , bem como cabos de electricidade. A equipa do arqueólogo Leonardo Lopez acredita que, mais tarde ou mais cedo, encontrará o túmulo de Ahuitzotl.
Sobre este assunto aconselhamos uma leitura atenta da revista NATIONAL GEOGRAPHIC de Novembro de 2010.

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