5.8.10

TEMPLÀRIOS ....verdades ou mitos


Quando criei a etiqueta Enigmas da Antiguidade previ que alguns dos meus leitores seriam seguidores do conteúdo dos textos mas que outros os achariam um disparate pegado. No entanto, o que ontem era verdade , hoje já não o é, com o oposto também a aplicar-se e isto em qualquer campo do conhecimento humano. Sem querer de forma alguma comparar-me a Galileu que no século XVIII foi condenado só porque defendeu que a Terra girava em torno do Sol, o que ia contra as ideias da Igreja Católica, por que hei-de eu escamotear a opinião de alguns estudiosos sobre os TEMPLÁRIOS, mesmo que isso fira a susceptibilidade de algum meu habitual leitor? O futuro decidirá sobre quem tem razão. Vamos então ao tema:

Muito se tem escrito sobre os Templários e os seus presumíveis mistérios , em virtude de, no século XVIII, correrem muitas lendas sobre esta Ordem militar . Tanto os seus detractores como os seus defensores publicaram centenas de livros e escritos com os respectivos argumentos. Durante o romantismo afirmava-se que “os bons cavaleiros eram vítimas de um poder tirânico” . Esta e outras teses foram cultivadas pelos movimentos esotéricos e ocultistas que haviam surgido para preencher o vazio deixado pelo progressivo desaparecimento da influência da religião católica da vida pública . A eles se juntava a ascensão de movimentos maçónicos, sociedades fechadas com misteriosos rituais .
O final abrupto da Ordem do Templo , fruto da inegável inveja e da intriga do rei Filipe IV de França e de confissões arrancadas sob tortura, e ainda a condenação à morte na fogueira do seu último Grão Mestre, considerado herege e bruxo, foram um magnífico ponto de partida para fazer voar a pena dos escritores. Vejamos alguns factos :
OS TEMPLÁRIOS FORAM SACRÍLEGOS . A principal acusação que recaiu sobre a ordem foi de sacrilégio, o que constituiu motivo suficiente para que fossem presos e processados . A denúncia consistia em que, para se entrar na Ordem , os noviços eram obrigados a cuspir na cruz e a renegar Cristo . Documentos , há pouco desclassificados de secretos , revelam o seguinte : o Papa Clemente V teria chamado o Grão Mestre Jacques de Molay e outros dirigentes para lhes pedir explicações sobre o assunto; estes reconheceram ter sido usual tal prática, com a finalidade de só admitir na Ordem os mais abnegados, sacrificados e obedientes . Tendo os noviços jurado obediência cega aos seus superiores, era dada essa ordem como ” prova de fogo “. Se por um lado havia a obediência cega, por outro não podiam renegar a Fé. Muitos negavam-se a cumprir tal ordem apesar de ameaçados com punhais e adagas e outros cuspiam de forma a não acertar no crucifixo ; outros ainda, não sabendo o que fazer, fugiam . Estas reacções dos noviços eram analisadas pelos mestres para decidir se seriam aceites como cavaleiros . Devemos aqui dizer que idêntico pedido os esperaria se caíssem nas mãos dos sarracenos , sendo a recusa punida com a decapitação. O mais curioso é que esta prova existiu durante mais de cem anos sem que qualquer Papa se incomodasse com tal, até que Clemente V , por razões que adiante veremos, resolveu mandar investigar.
OS TEMPLARIOS PARATICAVAM SODOMIA . Esta imputação vem ligada à anterior .O noviço depois de superada a prova de obediência era recebido com um beijo na boca , típico da fraternidade monástica que o acolhia e comum em outras ordens religiosas. Parece que este beijo seria seguido de outro no umbigo e nas nádegas como prova de total obediência. É possível que algum dos preceptores exagerasse neste terceiro beijo e ordenasse ser dado no pénis. Estes excessos não deveriam ser aceites pelos postulantes, sendo então exortados à castidade mas dizendo-lhes que se esta castidade fosse uma grande renúncia , então deveriam aceitar apenas relações homossexuais com os seus irmãos. Uma vez mais os noviços se deviam mostrar avessos a tal , embora permanecendo em silêncio como sinal de respeito. Nas exaustivas averiguações que se empreenderam quando se dissolveu a Ordem e que abarcaram umas mil audições , apenas seis cavaleiros declararam ter tido relações homossexuais , o que é uma percentagem ínfima e idêntica á encontrada em outras ordens religiosas que nunca foram perseguidas por tal motivo.
HEREGES E IDÓLATRAS . O secretismo da Ordem facilitava suspeitas de todo o tipo, como a de adorarem secretamente um ídolo com a forma de uma cabeça barbuda que levavam sempre com eles. Dizia-se que o facto era devido á convivência com os muçulmanos e essa cabeça pintada seria Maomé. Sabe-se que os Templários traziam consigo as imagens das cabeças de Santa Úrsula e de Santa Eufémia, mas a de um barbudo nunca foi comprovado. Há quem admita que , a ter esta acusação validade, seria a pintura do sudário que os cavaleiros adorariam por reafirmar a morte e ressurreição de Cristo, numa atitude para combater a ideologia dos cátaros que negavam a divindade de Cristo.
ERAM MAUS COMBATENTES . Embora documentos muçulmanos afirmem serem os Templários combatentes ferozes e disciplinados que preferiam a morte a retirar do campo de batalha , a verdade é que os cavaleiros foram acusados da perda da Terra Santa . Pese embora algumas falhas de vulto no plano militar, a perda da Terra Santa deveu-se mais ao clima de rivalidades entre os mestres templários do que a serem maus combatentes .As intrigas entre os mestres minaram a resistência dos cruzados, como é o caso do mestre Gerard de Ridefort que, incompreensível e suspeitosamente, salvara a vida nas duas ocasiões em que Saladino o capturara. A verdade é que quando em 1291 caiu o último reduto cristão (S. João de Acre) foram os Templários os seus defensores e não outros cruzados.
OS TEMPLÁRIOS ERAM CORRUPTOS . Outra das acusações feita contra a Ordem era a de possuírem uma enorme fortuna, superior à dos reis, fruto do saque de guerra , roubo e usura. Chegaram mesmo a acusá-los de ter rotas navais secretas para a América ( Colombo seria um Templário) de onde traziam carregamentos de ouro e prata. A verdade é que em meados do século XIV, já com a Ordem Templária extinta, os marinheiros europeus não se aventuravam a descer a costa atlântica de África , quanto mais atravessar o oceano para ir á América do Sul. A sua imensa fortuna devia-se a doações particulares da Igreja e de Reis , tanto em moeda como em edifícios, povos e feudos. Isto permitia, juntamente com as isenções fiscais que gozavam, amealhar imensa fortuna que era acrescida com a venda de relíquias trazidas da Terra Santa , uma das mercadorias mais lucrativas da época. Os Templários afirmavam que as lascas de madeira que vendiam não eram fragmentos da cruz de Cristo, mas que tendo estado em contacto com fragmentos verdadeiros, guardados em Jerusalém , tinham adquirido propriedades milagrosas. Se a Ordem em si era rica , chegando a financiar vários estados , os seus membros apenas tinham direito aos bens de família e a uma pequena verba de 4 dinários . A que se deve então a acusação de corruptos ? Em finais do século XIII, com S. João de Acre já perdido, os Templários atribuíram ao Papa Bonifácio VIII um elevado subsídio para o aliviar de apuros económicos . Ao saber disto, o rei de França , Filipe IV; exigiu ao tesoureiro da Ordem no país, 300.000 florins em ouro para aguentar as loucas despesas da sua corte. Como esta quantia nunca mais era amortizada pela corte de Filipe IV, começaram as intrigas para que os bens da ordem passassem para a coroa francesa e a dívida do papado anulada mas, para isso, o Papa Clemente V tinha de extinguir a Ordem.
O Papa estava num dilema : ou salvava os Templários mas a Igreja de França afastava-se de Roma , ou acabava com a Ordem e não haveria um cisma religioso . Clemente V atrasou imenso a sua decisão mas quando o rei Filipe IV mandou executar na fogueira , em 1308, o bispo de Troyes sob a acusação de bruxaria , o Papa começou a ceder . Acusou a Ordem de indignidade e maus hábitos embora a absolvesse de praticar heresia. Como a pressão do rei continuava muito forte, o Papa acabou por extinguir os Templários em 1312, sendo executado o seu Grão Mestre por ordem real. Depois disto começaram as lendas ! (ver ainda nesta etiqueta Enigmas, “Os Templários e os seus segredos”)


Apresento abaixo uma relação bibliográfica para quem deseje aprofundar o assunto das Cruzadas e dos Cavaleiros Templários:
- História das cruzadas – S. Runciman, Imago, 3 volumes, 2002 – 2003
- Templários: Os cavaleiros de Deus – Edward Burman, Círculo do Livro, 1997
- História dos cavaleiros templários: e os pretendentes de sua sucessão seguida da história das ordens de Cristo e Montesa – Élize de Montagnac, Madras, 2005
- Locais sagrados dos cavaleiros templários – John K. Young, Madras, 2005
- No tempo dos cavaleiros da Távola redonda – Michel Pastoreau, Círculo do Livro, 1989
- Templários em Portugal: a verdadeira história – Pedro Silva, Ícone, 2005
- Os cavaleiros de Cristo: templários, teutónicos, hospitalários e outras ordens militares na idade média – Alain Demurger, Jorge Zahar, 2002
- As viagens do descobrimento – Eduardo Bueno, Objetiva, 1998
- The Templars and the Assassins: The Militia of Heaven – James Wasserman, Destiny Books, 1st edition, 2001.
- História das Cruzadas - Joseph-François Michaud, Editora das Américas, 7 volumes, Tradução Pe. Vicente Pedroso,1956.
- Secret Societies of the Middle Ages – The Assassins, the Templars and the Secret Tribunals of Westphalia – Thomas Keightley, Weiser Books, 1st edition, 2005.
- Portugal Templário – A presença templária em Portugal – José Manuel Capêlo, Editora Zéfiro, 1ª Edição, 2008.

26.7.10

VULCANISMO na ISLÂNDIA

Já noutro local deste blogue se falou de vulcões e de como eles se encontram distribuídos pela superfície da Terra, associados aos limites das placas litosféricas, numa simples abordagem da Tectónica de Placas. Contudo alguns vulcões não estão associados aos limites de placas, sendo designados por de intra-placa , como é o caso dos vulcões havaianos no interior da Placa Pacífica e que são alimentados por um ponto quente ou hot spot.
O que hoje vamos referir é o vulcanismo da Islândia que, há meses, tantos problemas criou à navegação aérea de todo o mundo , pelas cinzas que lançou a grande altura. A Islândia é uma ilha toda ela constituída por planaltos de lava expelida através de crateras fissurais e umas poucas crateras clássicas de forma circular. O complexo vulcânico da Islândia tem cerca de 100.000 quilómetros quadrados e a rocha predominante é o basalto.
Em virtude da sua posição relativamente à Dorsal Atlântica, a Islândia está em expansão territorial , devido ao constante crescimento dos fundos oceânicos para um lado e outro da crista .(rever o tema tectónica de placas na etiqueta Geologia). Pelo que dissemos, as rochas mais antigas com cerca de 15 milhões de anos situam-se nas zonas extremas ocidental e oriental que não têm actividade vulcânica. A actividade actual limita-se á parte central da ilha que está situada sobre a crista média atlântica. Como consequência desta emissão vulcânica, tipo explosivo de cinzas vulcânicas, foram dias de espera nos aeroportos. O caos ficou instalado no Norte da Europa e afectou o resto do continente. Este foi o cenário mais visível ou mediático como consequência da erupção do vulcão do glaciar Eyjafjllajokull, no Sul da Islândia. No entanto, a actividade do vulcão poderá ter afectado também a saúde pública dos islandeses e também de populações de mais longe e trazer perigos geológicos.A cinza criada pela erupção do vulcão islandês é muito densa. Segundo Teresa Ferreira, investigadora do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) da Universidade dos Açores, ainda é muito cedo para saber as reais consequências. “Tudo aquilo que se possa dizer é muito especulativo, porque o vulcão pode mudar de características – dependendo da duração da erupção e da sua intensidade”. Embora a actividade seja num local pouco povoado, as cinzas depositam-se em áreas de cultivo o que levou à evacuação da população local. “A inalação de enxofre é muito prejudicial para a saúde pública” .Ainda em termos locais, "o degelo do glaciar leva ao aumento dos caudais nos rios" e, consequentemente, a "danos nas pontes". Esta é “uma erupção subglaciar com características hidrovulcânicas e a sua maior explosividade resulta da erupção do magma quente com a água – o que leva à fusão do gelo do glaciar”. A página do CVARG sublinha que nas regiões vulcânicas activas, os gases dissolvidos no magma libertam-se para a atmosfera quer durante as erupções, quer em períodos de repouso como aqueles que se vivem actualmente nos Açores. Os gases libertam-se à superfície em locais bem definidos como, por exemplo, ao nível das plumas eruptivas, lagos ácidos, lagos de lava, fumarolas e nascentes, ou de um modo difuso, imperceptível e contínuo, através dos solos e de nascentes de água termal ou fria gaseificada.

Um especialista islandês garante que a erupção do vulcão da Islândia terá parado, sendo que, actualmente, a cratera expele apenas vapor de água, representado pelo fumo. Ainda assim, a declaração não é unânime, com alguns peritos a alertar que é necessário esperar mais algum tempo para ter a certeza do fim da actividade do vulcão.
De acordo com o vulcanólogo João Luís Gaspar, em declarações à TSF, ainda é cedo para se garantir que o vulcão voltou a adormecer, apesar de, «, o tremor vulcânico que se fazia sentir na zona ter baixado progressiva e significativamente, assim como o índice de explosividade e as nuvens que se vêem a partir da cratera serem essencialmente constituídas por vapor de água».
«Saber se este é o fim ou não da erupção vai obrigar a que aguardemos mais alguns dias»,
considerou o vulcanólogo português quando deu a referida entrevista «Lembro que este aparelho vulcânico já entrou em actividade há algum tempo, a sua actividade decresceu, pensou-se mesmo que tinha terminado, mas depois começou com mais violência», alertou ainda o especialista.


Em tempo geológico , a acalmia que se regista até hoje nada significa, e como a dinâmica interna do nosso planeta continua, tudo pode acontecer de um momento para o outro.

Terminamos com um mapa da crista média atlântica onde se regista a localização da Islândia.

19.7.10

FILOSOFANDO sobre Física


Passeando distraidamente o olhar pelos expositores de uma livraria deparei-me com um pequeno livro de capa ao gosto oriental cujo título era : SEXO QUANTICO. Quântico ???Será que li bem ? Estava certo, era sexo quântico! Que coisa estranha esta de misturar sexo com Física sub-atómica. Eu sei que fui educado no pensamento ocidental, marcado por uma predominância racional, em oposição ao modo de pensar oriental que tem por base o misticismo , mas falar em sexo sub-atómico era demais . Reconheço não ser de admirar que depois de ter sido editado o livro “Tao da Física”, de Fritjof Capra, tenham surgido conceitos um tanto obscuros como “cura quântica”, “consciência quântica”, e agora este “sexo quântico”, entre outros . No Tau da Física, Capra compara a dança de Shiva – deus hindu que personifica as mutações do Universo – com os movimentos das partículas sub-atómicas descritas pela mecânica quântica e até a dualidade física onda-partícula da luz ,acaba por se transformar na unidade Ying/Yang das religiões orientais. Por causa do referido livro, grande parte das filosofias e misticismos orientais, bem como a parapsicologia e a arte de curandeiro foram apresentadas e pregadas como verdades pelos seus praticantes.
Por que teria o fisico Capra escrito o tal livro ? Tudo terá acontecido num verão de 1969, quando ele estava sentado em frente ao mar, numa praia da Califórnia, observando as ondas e reflectindo sobre os vários movimentos rítmicos da natureza, tais como as ondas, as batidas do coração e o ritmo da respiração, associando-os à "estrutura" física da matéria que, como sabemos, é composta por átomos em constante vibração. A formação e o ensino de tantos anos em Física, juntamente com o ambiente da praia em que estava, acabou por fazer Capra idealizar coisas que estão fora do racionalismo de um professor de física. Recordemos palavras de Capra:
"Neste momento, subitamente, apercebi-me intensamente do ambiente que me cercava: este se afigurava em mim como se participasse, em seus vários níveis ritmicos, de uma gigantesca dança cósmica. Eu sabia, como físico, que a areia, as rochas, a água e o ar ao meu redor eram constituídos de moléculas e átomos em vibração constante (...). Tudo isso me era familiar em razão de minha pesquisa com a Física de alta energia; mas até aquele momento, porém, tudo isso me chegara apenas através de gráficos, diagramas e teorias matemáticas. Mas, sentado na praia, senti que minhas experiências anteriores subitamente adquiriam vida. Assim, eu "vi" (...) pulsações rítmicas em que partículas eram criadas e destruídas (...) Nesse momento compreendi que tudo isso se tratava daquilo que os hindus, simbolicamente, chamam de A Dança de Shiva (...)".
"Eu passara por um longo treino em Física teórica e pesquisara durante vários anos. Ao mesmo tempo, tornara-me interessado no misticismo oriental e começara a ver paralelos entre este e a Física moderna. Sentia-me particularmente atraído pelos desconcertantes aspectos do Zen que me lembravam os enigmas da Física Quântica (...)".
O resultado da apropriação ,fora do contexto , das ideias de Capra, foram livrarias recheadas de publicações místicas , jornais, revistas ,rádio e televisões dando espaço a todo tipo de charlatanismo. Tudo por causa da interpretação aligeirada da mecânica quântica. Continuando a olhar para o livro do Sexo Quântico exposto na livraria , recordei Richard Feynman, também professor e físico quântico, quando disse: “Houve uma época em que os jornais diziam que só havia doze pessoas no mundo que entendiam a teoria da relatividade. Acho que essa época nunca existiu. Pode ter havido uma época em que só uma pessoa a entendia, porque foi o primeiro a intuir a coisa e ainda não havia formulado a teoria. Mas depois que as pessoas leram o trabalho de Einstein, muitas entenderam a teoria da relatividade, de uma maneira ou de outra; certamente mais que doze. Por outro lado, acho que posso dizer sem medo de errar que ninguém entende mecânica quântica.” O que Feynman disse há 60 anos ainda vale hoje. Não entendemos a mecânica quântica pelo facto de que o mundo das partículas sub-atómicas contradizer toda a nossa intuição e concepção do mundo em que vivemos. Ao nível ultramicroscópico o universo torna-se um lugar estranho ,ilógico, onde as partículas podem estar em muitos lugares simultaneamente, atravessar barreiras sólidas, ou não se importarem com distâncias ou o espaço-tempo. Estes fenómenos só acontecem no microcosmos das partículas sub-atómicas mas , para um organismo complexo, formado por muitas partículas diferentes, de átomos e moléculas, as leis da mecânica quântica não se aplicam . A Física clássica explica com precisão tudo o que se passa no nosso mundo macoscópico e não é preciso recorrer à teoria quântica para justificar um sonho extravagante ou experiências pessoais paranormais. Como já dissemos tudo o que acontece no nosso mundo tem ou terá no futuro explicação na física clássica Entremos então um pouco nessa física, aquela que estudei na universidade, para ter uma espécie de contra ponto com os misticismos . Os meus apontamentos universitários diziam que a teoria quântica começara no início do sec XX, quando os cientistas de termodinâmica tentaram medir a energia total dentro de um forno aquecido a uma determinada temperatura. Os cálculos revelavam que esta energia era infinita, coisa impossível perante a lógica do conhecimento. Uma onda, seja ela qual for, sempre foi transporte de energia, definida por uma amplitude, frequência e comprimento. Quanto maior for a frequência, ou quanto menor for o comprimento de onda, maior será a energia envolvida. Segundo se pensava, todos os comprimentos de onda eram possíveis no interior do forno e, desse modo, a energia seria infinita , conclusão ilógica para os pesquisadores. Então, Max Plank propôs que quando se trata de energia, não são possíveis fracções linearmente variáveis da mesma, mas sim blocos mínimos de energia que são transportados, os quanta de energia que são proporcionais à frequência da onda em questão . Nas equações matemáticas que explicavam a ideia surgia a constante de Plank: = 1.05x10^-34 kg.m²/s - número muito pequeno que só se aplica em escala atómica, mas que funcionava com incrível exactidão, embora não se soubesse bem como. Também no início do sec XIX, Thomas Young já demonstrara a natureza ondulatória da luz numa experiência simples, mas que abalou os conceitos newtonianos sobre a luz como sendo unicamente coisa corpuscular. Quase trinta anos depois, era o físico Heinrich Hertz a observar que algumas substancias como o silício libertavam electrões ao serem atingidos por um feixe de luz – o hoje vulgar efeito fotoeléctrico. Em 1905, Einstein sugeriu que, se aplicássemos a noção de que a luz também só pode ser transportada em blocos ou quantas de energia poderíamos entender os mecanismos do efeito fotoeléctrico. Cada quanta de energia corresponderia a um fotão, ou seja, a uma partícula de luz Ficou por isso aceite que a luz – ou qualquer partícula portadora de energia e momento - se comporta simultaneamente como uma onda e como partícula. Acontece porém que este carácter da matéria não pode ser compreendido completamente com base nos conhecimentos que construímos a partir das nossas experiências diárias num mundo que é composto de objectos biliões e biliões de vezes maiores que um fotão.
Voltei de novo ao pensamento dos seguidores de Capra.
Um ponto da teoria quântica em que eles se apoiam é o Princípio da Incerteza de Heisenberg que diz não ser possível prever a posição e o momento de uma partícula . (Existe uma onda, descrita pela equação de Schroedinger, que define o local mais provável onde a partícula se encontra, mas qualquer procedimento que seja usado para observarmos a partícula , afectará a sua posição já que os instrumentos ópticos utilizados, de uma forma ou de outra, terão de usar energia para o tornar observável). É no princípio da incerteza que eles se agarram para rebater a Física do mundo em que vivemos. Segundo o princípio referido, é possível que alguém possa atravessar uma parede mas a hipótese disso ocorrer é infinitamente pequena, tal como a do leitor ganhar o euromilhões todas as semanas , durante dez anos. Por que afirmo isto ? Porque no princípio da incerteza, à medida em que se aumenta a escala, os efeitos são menos observáveis e prováveis. Se as leis da mecânica quântica fossem aplicáveis ao nosso mundo, fenómenos bizarros eram comuns e para nós, seria normal estar em dois lugares ao mesmo tempo, por exemplo . Se o mundo quântico não é o nosso, porquê falar de cura quântica , consciência quântica e sexo quântico e outras coisas quânticas no mundo molecular que, esse sim, é o de que somos feitos e vivemos.
Como já li algures, é triste observar que, enquanto cientistas incansáveis materializam as leis da mecânica quântica em bens e facilidades para o mundo, os desvarios de outras pessoas, sejam elas bem ou mal intencionadas , criem um mercado absurdamente lucrativo e promissor onde o termo “quântico” é usado para vender pseudo-ciências. NÃO ENTREI NA LIVRARIA e o livro “O sexo quântico” ficou na montra. .

5.7.10

IDADE DA TERRA

A determinação da idade da Terra é um caso complicado devido a dois problemas que se põem aos investigadores: em primeiro lugar é necessário ter um método capaz de avaliar uma dimensão de tempo tão grande quanto a do tempo geológico e, em segundo, escolher o material rochoso a datar. Se o primeiro problema foi resolvido com o advento dos métodos de datação utilizando o declínio radioactivo de elementos com semi-vida longa ,o outro ponto, foi de mais difícil solução já que, depois da sua formação, a Terra sofreu intensa modificação que resdistribuiu os elementos químicos.
A tarefa de encontrar as rochas primitivas mostrou-se mais complexa que o previsto ; nas rochas consideradas muito antigas que foram datadas, o resultado revelou-se decepcionante pois as idades inicialmente encontradas foram de apenas 2 a 2,7 Giga anos e nós sabemos que deveria ser de mais ou menos 4 Ga. (quatro mil milhões de anos )
Perante a dificuldade de encontrar na Terra rochas primitivas, o cientista Patterson (1950) resolveu analisar rochas extraterrestres para obter a idade da Terra pois o nosso sistema solar, com os seus planetas, formou-se todo ao mesmo tempo. Aplicando o método de datação do declínio Urânio/Chumbo em meteoritos, obteve a idade de 4,55 Ga e, desde então ,esta é considerada a idade da Terra.
. O intervalo de tempo que compreende toda a história da Terra, desde a sua formação até ao período actual, é o que denominamos por Tempo Geológico,ou seja, o Tempo Geológico corresponde aos 4,6 mil milhões de anos da Terra.
Será que o meu leitor é capaz de imaginar o que significa todo este intervalo de tempo? Provavelmente não.
Para melhor compreender esta escala de tempo faremos uma pequena simulação:"Imagine que os 4,5 mil milhões de anos da Terra foram comprimidos em um só ano . Nesta nova escala de tempo, as rochas mais antigas que se conhecem (~3,6 mil milhões de anos) teriam surgido apenas em Março. Os primeiros seres vivos, (de ~ 3,4 biliões de anos) apareceram nos mares em Maio. As plantas e os animais terrestres surgiram no final de Novembro (à cerca de 400 milhões de anos). Os dinossauros dominaram os continentes e os mares nos meados de Dezembro, mas desapareceram no dia 26, isto é entre 190 a 65 milhões de anos), mais ou menos a mesma época em que as Montanhas Rochosas começaram a elevar-se. Os humanóides apareceram em algum momento da noite de 31 de Dezembro (há aproximadamente 11 milhões de anos). Roma governou o mundo durante 5 segundos, das 23h:59m:45s até 23h:59:50s. Colombo descobriu a América (1492) 3 segundos antes da meia noite, e a geologia nasceu com as escritos de James Hutton (1795), Pai da Geologia Moderna, há pouco mais que 1 segundo antes do final desse movimentado ano dos anos." (extraído de Eicher, 1968)
Deixemos estas fantasias e voltemos á realidade: O tempo geológico está dividido em intervalos que possuem um significado em termos de evolução da Terra. A escala do tempo geológico, cujo esqueleto rudimentar foi estabelecido ainda no século XIX , está dividida em graus hierárquicos cada vez menores da seguinte forma:
Eons , Eras, Períodos e Épocas
A Comissão Internacional sobre Estratigrafia da União Internacional de Ciências Geológicas reconhece no seu Quadro Estratigráfico Internacional três éons:
Arqueano: compreendido entre 3,85 biliões de anos e 2,5 biliões de anos atrás, aproximadamente, marcado pela actividade vulcânica e fluxo de calor três vezes maior que o actual.
Proterozóico: do Latim ("primeira vida") está compreendido entre 2,5 biliões e 542 milhões de anos e é o período onde houve acumulação de oxigénio na atmosfera (atribuído às algas azuis).
Fanerozóico: Começou cerca de 550 milhões de anos e vai até hoje e abrange o período de tempo em que animais com cascos duros que se fossilizariam eram abundantes.
Outros geólogos reconhecem um quarto período anterior ao Arqueano:
Hadeano ( Hades, deus do inferno na mitologia grega,) que vai da formação da Terra (4,5 mil milhões de anos, aproximadamente) até o início do processo de formação das rochas que marcou o início do período Arqueano.
Nota: Há quem chame ao conjunto dos éons anteriores ao Fanerozóico de Pré-Cambrico (uma denominação obsoleta, contudo).
ERAS
As diferentes eras geológicas correspondem a grandes intervalos de tempo, divididos em períodos. A alternância das eras geológicas foi estabelecida através de alterações significativas na crosta terrestre, sendo, portanto, classificadas em cinco eras geológicas distintas: Arqueozoica, Proterozoica, Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. (da mais antiga para a mais moderna)
Arqueozoica É caracterizada pela formação da crosta terrestre, em que surgiram os escudos cristalinos e as rochas magmáticas, com as mais antigas formações orográficas. Esse período teve início há, aproximadamente, 4 biliões de anos .
ProterozoicaEstima-se que esta era geológica teve início cerca de 2,5 biliões de anos atrás e terminou há 550 milhões de anos. Durante esse período ocorreu intensa actividade vulcânica, facto que promoveu o deslocamento do magma do interior da Terra para a superfície, originando os grandes depósitos de minerais metálicos, por exemplo, ferro, manganésio, ouro, etc. Na era geológica do Proterozoico ocorreu grande acumulação de oxigénio na atmosfera. Também ficou caracterizada pelo surgimento das primeiras formas de vida unicelulares avançadas.
Paleozoica A era Paleozoica prevaleceu desde 550 a 250 milhões de anos atrás. Nesse período a superfície terrestre passou por grandes transformações, como o surgimento dos conjuntos montanhosos dos Alpes Escandinavos (Europa). Esta era geológica também se caracteriza pela ocorrência de rochas sedimentares e metamórficas, formadas pela geodinâmica interna , e o aparecimento de grandes florestas, glaciações, e dos primeiros insectos e répteis.
Mesozoica A era Mesozoica iniciou-se cerca de 250 milhões de anos atrás, tendo ficado marcada pelo intenso vulcanismo e consequente derrame de lavas em várias partes do globo. Também ficou caracterizada pelo processo de sedimentação dos fundos marinhos, que originou grande parte das jazidas petrolíferas hoje conhecidas. Outras características dessa era geológica são a fragmentação gradual do único continente existente denominado Pangea, o surgimento de grandes répteis como, por exemplo, o dinossauro, o aparecimento de pequenos mamíferos, e o desenvolvimento de flores nas plantas.
Cenozoica Esta era geológica está dividida em dois períodos: Terciário (aproximadamente 60 milhões de anos atrás) e Quaternário (1 milhão de anos atrás).
- Terciário: Caracterizado pelo intenso movimento da crosta terrestre,(deriva continental e choque de placas) facto que originou os dobramentos modernos, originando as mais altas cadeias montanhosas da Terra, como os Andes (América do Sul), os Alpes (Europa) e o Himalaia (Ásia). Nessa era geológica surgiram aves, várias espécies de mamíferos, além de primatas.
- Quaternário: Era geológica que teve início há cerca de 1 milhão de anos e perdura até os dias actuais. As principais ocorrências nesse período foram: grandes glaciações; actual formação dos continentes e oceanos e o aparecimento do homem.

Passemos agora aos períodos e épocas em que se dividem as eras mas para comodidade dos leitores vamos apresenta-los em esquema com as datas do seu início em Ma (milhões de anos )
ERA
Paleozóica
Período
Pérmico……286 Ma
Carbónico… 360 Ma
Devónico…. 408 Ma
Silúrico…… .438 Ma
Ordivicico….505 Ma
Câmbrico…..545 Ma
Mesosoica
Período
Cretácico…..144 Ma
Jurássico……208 Ma
Triássico…….245 Ma

Cenozoica
Período
Quaternário…………………..
( Èpocas)
Holoceno ou actual 0,01 Ma
Pleistoceno………1,6 Ma

Terceário …………………
(Épocas)
Plioceno…………..5,3 Ma
Mioceno……………23,7 Ma
Oligoceno………..36,6 Ma
Eoceno…………….57,8 Ma
Paleoceno…………66 Ma

Estas subdivisões foram estabelecidas ainda antes do desenvolvimento dos métodos de datação absoluta. As subdivisões de tempo definidas, portanto, não representam intervalos de tempo equivalentes, mas refletem a possibilidade de desvendar os detalhes da evolução geológica em todos os tempos. O registro geológico mais recente é mais completo e apresenta maior número de fósseis, permitindo delimitar intervalos temporais menores. O registro da evolução geológica antiga é muito mais fragmentado e com a ausência de fósseis possibilita apenas a delimitação de intervalos de tempo maiores, marcados por grandes eventos globais.

2.7.10

FÓSSEIS

Por definição, um fóssil é um vestígio ou resto de ser vivo ( animal, planta ou outro ) que ficou preservado em rocha sedimentar ou em âmbar. As rochas sedimentares onde se encontram os fósseis são contemporâneas desses seres vivos, isto é, têm a mesma idade. Quando os fósseis se encontram em rochas metamórficas eles são contemporâneos das rochas sedimentares que deram origem às rochas metamórficas.Os seres vivos do passado podem ser preservados como partes de corpo ,impressões, moldes, rastos e pegadas. O estudo dos fósseis permite conhecer o passado (paleo). daí que a ciência que a eles se dedica se designe por Paleontologia .A formação de fósseis é um fenómeno frequente, havendo inúmeros vestígios fossilizados desses antigos seres vivos, incluindo mesmo restos orgânicos delicados, tudo dependendo das condições em que a fossilização ocorreu. É certo que a conservação de matéria orgânica é um facto raro mas, pelo contrário, as partes esqueléticas duras como conchas, carapaças, dentes e ossos são muito abundantes. Em qualquer das circunstâncias, para que os restos de um organismo fossilizem é fundamental que estes sejam rapidamente cobertos por sedimentos ( lodos,areias , argilas,resinas) e que fiquem ao abrigo do ar. Convém esclarecer que só os vestígios ou restos de organismos com mais de 11.000 anos serão considerados fósseis. Este limite é baseado na data em que ocorreu a última glaciação e, dessa forma, os fósseis mais modernos serão designados por subfósseis. Os fósseis podem ser classificados em dois grupos básicos : somatofósseis e icnofósseis . Os primeiros são constituídos por restos do corpo (soma) dos organismos como, por exemplo, dentes,esqueletos, carapaças, folhas, conchas, troncos,etc , enquanto os segundos serão formados pelos vestígios da actividade biológica e incluem pegadas, escrementos (coprólitos), túneis, e cascas de ovos. As diferentes formas, sob as quais aparecem os fósseis,devem-se aos vários processos de fossilização que ocorrem após o subterramento, sendo o mais frequente a fossilização por mineralização. Este processo, vulgarmente chamado de petrificação, consiste na substituição dos restos orgânicos por matéria mineral, ou a formação de um molde desses restos. Acontece quando o organismo é coberto rapidamente por sedimentos após a morte ou após o processo inicial de decomposição. O grau de deterioração do organismo, no momento em que é recoberto, determina os pormenores apresentados pelo fóssil: alguns são apenas partes de esqueletos ou dentes enquanto outros mostram as penas ou tecidos moles.Os sedimentos que cobriram os seres acabam por se compactar lentamente, formando as rochas sedimentares, e os restos orgânicos dos seres vivos que nelas ficaram aprisionados, podem ser lentamente substituídos por outra substância mineral. Como exemplo ,diremos que o carbonato de cálcio dos ossos poderá ser substituído por sílica dos sedimentos. Mas não há só fósseis de mineralização dos restos orgânicos, pois já dissemos que os sedimentos podem produzir fósseis do tipo molde, quer ele seja um molde externo ou interno. Um molde de fóssil é formado devido aos fluidos infiltrados através dos sedimentos que dissolvem os restos do organismo, criando um espaço na rocha com a forma desse organismo. Se o espaço criado for preenchido, posteriormente, com mais sedimentos minerais, forma-se o fóssil molde. A figura que apresentamos a seguir mostra um fóssil do tipo molde interno. O que vemos são os sedimentos petrificados que encheram o interior de uma concha de forma helicoidal, depois das partes moles terem desaparecido. Posteriormente , os fluidos de circulação dissolveram o material de que era formada a concha, restando apenas os ditos sedimentos internos petrificados.
Vejamos agora os fósseis designados de conservação. Animais como os insectos , aracnideos ou pequenos répteis podem ficar presos em resina ou âmbar de certas árvores do passado, permanecendo intactos durante muitos milhares de anos. Estes fósseis que podem ser encontrados em rochas sedimentares designam-se de conservações totais. Um exemplo raríssimo de um grande animal fossilizado em conservação , são mamutes nas turfeiras da Sibéria.Conservados pelo frio do gelo, estavam em tão bom estado que foi possível analisar o tipo sanguíneo e o que tinham comido antes de morrerem. A figura anterior mostra um fóssil conservação de um insecto.
Podemos ainda encontar os chamados pseudofósseis que,como o nome indica, não são fósseis nem devem ser tratados como tal. São apenas produtos geológicos que fazem lembrar estruturas orgânicas fossilizadas como é o caso das dendrites. Estas são precipitações inorgânicas de minerais dissolvidos na água , e que lembram fósseis de impressão de plantas. (Ilustramos o que dissemos com a foto anterior).Também devemos excluir da paleontologia os designados fósseis vivos que mais não são que organismos actuais vivos e únicos representantes de grupos que foram abundantes e diversificados no passado da Terra. Os organismos actuais apelidados de fósseis vivos apresentam,muito frequentemente, os aspectos morfológicos dos seres do passado, preservados sob a forma de verdadeiros fósseis. Um exemplo muito conhecido são os peixes da espécie Latimeria chalumnae, descoberta em 1938 nos mares da África do Sul e conhecidos como Celecantos, grupo de que só há fósseis.Estudando os fósseis e comparando-os com os seres actuais, os cientistas descobriram a linha evolutiva que muitos animais e plantas tiveram através dos tempos. Quanto ao tipo de informação que um fóssil fornece ,podemos falar em fósseis de idade e fósseis de fácies.Os primeiros, são grupos de fósseis com a mesma idade geológica que datam e caracterizam os estratos onde se encontram. Se os mesmos fósseis de idade se encontrarem em rochas distanciadas milhares de quilómetros, podemos garantir que essas rochas, embora distantes, têm a mesma idade.Os fósseis de facies ou de ambiente , pelo seu lado, dão a conhecer o ambiente em que a rocha se formou. Por exemplo: o fóssil de peixe que surgiu no calcário( ver foto acima) mostra-nos que aquela rocha calcária se formou numa bacia marinha, embora hoje possa estar muito acima do nível do mar e até dele afastada. Recapitulemos então o que já dissemos : Um fóssil é um resto ou vestígio de um ser vivo do passado. Processo de fossilização é o conjunto de transformações( normalmente mineralização) que os seres vivos ou os seus restos experimentaram a seguir á sua morte e ao seu soterramento no solo. Segundo a natureza do corpo, do sedimento onde se conserva e das águas de infiltração que o atravessam, a fossilização realiza-se por vários processos, que voltamos a recordar: lº- conservação ,parcial ou total, neste último caso designada de mumificação, que ocorre no âmbar ou nos desertos onde os cadáveres ficam desidratados;2º- mineralização, em que substâncias minerais como a sílica, carbonato de cálcio, óxidos de ferro ou qualquer outra substância dissolvida podem substituir ,pouco a pouco, os constituintes originais do ser; 3º-incrustação ,em que precipitações de carbonato de cálcio envolvem(incrustam) o organismo como é vulgar nas plantas aquáticas. (Mostramos a seguir um fóssil por incrustação)
4º-moldagem, em que o corpo do animal ou vegetal desaparece completamente mas deixa na rocha um molde; 5º- incarbonização, processo frequente nas plantas, em que a matéria orgânica, ao abrigo do ar, se vai enriquecendo progressivamente em carbono; 6º- marca ou impressão, quando ocorre a conservação de vestígios dos seres vivos, como pegadas, marcas de folhas etc ; A figura seguinte mostra a impressão de folhas num xisto, a que se juntou, para termo de comparação, folhas reais de uma planta da mesma espécie que ainda vive nos nossos dias .
O grande interesse do estudo dos fósseis reside na datação das rochas e na observação da evolução das espécies usando-se, como já dissemos, os fósseis de idade, que tem que obdecer a dois requisitos simultâneos : a) Um curto período de duração da espécie( poucos milhare de anos ) b) Uma grande distribuição geografica, isto é ,que tenham vivido em zonas distantes umas das outras no do nosso planeta. A ampla distribuição presupõe que as espécies tenham possuido uma grande capacidade reprodutiva, para que se encontrem vários exemplares no mesmo local.È o caso das trilobites marinhas que mostramos a seguir. A terminar mostramos um quadro de fósseis característicos ou de idade e fácies

17.6.10

DOENÇA DOS PÉZINHOS

A paramiloidose é uma doença ainda incurável, vulgarmente conhecida por "doença dos pézinhos", devendo existir há já cinco séculos no nosso país mas que só foi diagnosticada nos anos 40, em pescadores da Póvoa de Varzim. O responsável por esta descoberta foi o médico e professor universitário da cidade do Porto, Dr. Corino de Andrade. De início pensou-se que a doença teria surgido em Portugal numa família de pescadores da zona da Póvoa de Varzim , mas muitos outros casos apareceram em diversas partes do mundo. Logo se aventou que a propagação da doença teria sido feita pelos portugueses através das rotas de comércio e de navegação, mas talvez tenham sido os Vickings os responsáveis pelo aparecimento da referida doença no nosso país.A paramiloidose manifesta-se normalmente entre os 25 e os 35 anos e transmite-se , por via genética, de pais a filhos. Os principais sintomas são uma grande perda de peso e de sensibilidade a estímulos nos pés e mãos . O Professor Corino de Andrade detectou esta doença ao observar pescadores da zona da Póvoa de Varzim que não sentiam dor quando se cortavam nas cordas dos barcos ou se queimavam com os cigarros A principal zona afectada são os membros inferiores . Mais tarde a doença alastra-se aos membros superiores, causando também perturbações no aparelho digestivo e problemas graves no coração e rins, na última fase da doença. É pois uma doença crónica e progressiva em que o sangue apresenta uma proteína anormal formada no fígado por troca de aminoácidos. Com uma análise sanguínea é possível saber quem são as pessoas transmissoras da doença e os possíveis futuros doentes.

É uma doença ainda mortal, mas que pode ser retardada através de um transplante hepático, com todos os seus riscos, embora neste ano de 2010 se esteja a testar um medicamento para retardar o avanço da doença.

A instrução genética alterada que faz a produção do aminoácido errado encontra-se no par cromossómico nº 18 e a sua transmissão aos descendentes é feita de acordo com o que se designa Herança Autossómica Dominante, daí que haja 50% de probabilidades dos filhos serem sãos e não transmissores , a não ser que ambos os progenitores sejam doentes e então a possibilidade de ter filhos sãos diminui para menos de 25%. Um outro novo tratamento está já a dar frutos aos filhos de portadores desta doença, Vários casais portugueses recorreram a uma técnica de procriação medicamente assistida para que os filhos nascessem sem aquela patologia.
Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), Carlos Figueiras, há casais que recorrerem a uma técnica de procriação medicamente assistida designada Diagnóstico Genético Pré-Implantação (DGPI). Trata-se de um método muito precoce de diagnóstico pré-natal para casais com elevado risco de transmissão da doença genética. O DGPI efectua-se após a remoção de uma ou duas células de embriões nos primeiros dias de desenvolvimento e posterior diagnóstico de uma patologia genética ou cromossómica, tendo como objectivo a transferência de embriões geneticamente normais no que respeita à doença estudada.O responsável da APP acentuou que há crianças com quatro, cinco e seis anos que «estão sadias sem a doença e os pais vivem felizes porque sabem que os filhos e netos nunca terão a doença». Daí que, neste momento estejam a nascer menos bebés com a doença.

7.6.10

Casas de Amsterdão

A pintura de Samuel van Hoogstraten que apresentamos , é um óleo de dois metros de altura, datado de 1662 que mostra como eram as casas na cidade holandesa de Amsterdão, caracterizadas pelo conforto e limpeza.
As vivendas eram relativamente estreitas , com fachadas de 9 metros de largura mas muito profundas, aproximadamente 60 metros, com quatro ou cinco andares , cujo acesso era feito por uma escada interior.
A pintura não mostra um palácio, mas sim uma habitação de uma família da classe média alta . Os diversos compartimentos desde o luminoso vestíbulo até à sala onde está um par de namorados e ao fundo uma possível sala de jantar, estão luxuosamente pavimentados , mobilados e decorados com pinturas e esculturas.

A limpeza, simbolizada pela escova ou esfregona , é o que se destaca no primeiro plano do quadro. Os estrangeiros do século XVII surpreendiam-se ante a mania holandesa pela limpeza chegando ao cúmulo de haver um manual para as donas de casa onde estava estipulado que às segundas e terças -feiras se deveria limpar o pó, às quartas esfregar e às sextas limpar a cozinha e a dispensa. Não sabemos o que estaria reservado para as quintas já que aos sábados se recebiam as visitas e aos Domingos era o dia do Senhor. Há quem afirme que o cão e gato representados no quadro mostram até que ponto os holandeses ,já naquela época, ensinavam os animais domésticos a fazer as suas necessidades fisiológicas em locais próprios nas traseiras das habitações.
Façamos votos que do século XVII para o século XXI os holandeses não tenham mudado de ideias.





3.6.10

FOBOS

Se tudo correr como planeado, por volta de 2014, os cientistas terão em suas mãos amostras do solo de Fobos , uma lua ou satélite natural do planeta Marte. O projecto russo é tentar que uma sonda não tripulada pouse em Fobos, recolha amostras das rochas da sua superfície e as traga de volta à Terra.
Há muito que os cientistas consideram que as luas de Marte são um objectivo melhor que a nossa Lua ou o próprio planeta Marte para um estudo do sistema solar, dado que a sua fraca gravidade se torna um factor a favor das missões espaciais. A velocidade de escape de Fobos, isto é, a velocidade necessária para sair desta lua é de apenas 11 metros por segundo, mais ou menos 40 Km /hora. Tal facto facilita o pouso e descolagem e assim gasta-se muito pouco combustível.
Já foi apresentada aos jornalistas a broca perfuradora que deverá recolher as amostras do solo de Fobos, fabricada pelo Centro de Pesquisas Espaciais , na Polónia. É que se a baixa gravidade facilita o pouso e a descolagem, torna-se num “bico de obra” para fazer um furo em Fobos, pois pelo princípio físico da acção –repulsão , a força para furar será idêntica à que actuará sobre a nave em sentido contrário, tendendo a atirá-la para o espaço. Daí a dita broca que se chama Chomik, ter sido desenhada para se apoiar pouco na nave que a transporta e agarrar-se mais ao solo enquanto trabalha .
A missão terá início em Novembro de 2011,através de um foguetão Zenit que transportará a sonda e a broca e que atingirá a órbita de Marte onze meses depois. mas o pouso em Fobos só acontecerá em início de 2013. Espera-se que regresse à Terra em 2014 e que pouse no Cazaquistão.Afigura que a seguir inserimos mostra, de cima para baixo, o veículo de retorno com o módulo de descida e o módulo de cruzeiro em pouso e em órbita

1.6.10

POR QUE CAEM AS FOLHAS DAS ÁRVORES ?


Todos já verificamos que certas árvores ficam sem folhas durante o Inverno e que as retomam na Primavera; É este fenómeno que hoje tentaremos explicar.
Chama-se abscisão foliar à queda das folhas das plantas o que acontece durante a época do ano em que os dias têm um menor número de horas de luz. Como consequência dessa menor luminosidade, o fenómeno da fotossíntese é reduzido , tendo a planta que poupar as reservas alimentares que acumulou durante o período em que a fotossíntese era intensa.. Para o conseguir como que adormece e, neste estado de dormência, o metabolismo reduz-se ao mínimo e as folhas, por não serem necessárias, caem. O que porém acontece é um fenómeno bem mais complexo e resulta da acção de diversas substâncias no interior da planta.
Da mesma forma que os animais têm hormonas que regulam as reacções metabólicas do seu organismo , as plantas possuem as fito hormonas (hormonas vegetais ) que regulam as reacções de crescimento e desenvolvimento dos tecidos vegetais , bem como induzem alterações anatómicas ou fisiológicas em células específicas chamadas células alvo. Estas células têm receptores específicos a essas fito hormonas ,localizados na membrana celular ou no hialoplasma .
As fito hormonas são substâncias orgânicas produzidas nas células vegetais , circulando normalmente nas plantas , e são eficazes mesmo em pequenas concentrações .Uma mesma hormona pode ter acção diversa , dependendo do órgão da planta onde se encontra, bem como da sua concentração e até se está acompanhada de outras hormonas.
Os principais grupos de fito hormonas são as auxinas , as citocianinas , as giberlinas , o etileno e o ácido abscisico (ABA). As auxinas são responsáveis pelos tropismos ( movimentos das plantas), pelo desenvolvimento dos frutos e pelo crescimento da raiz , caule, folhas e flores .As auxinas formam-se em tecidos chamados meristemas apicais. As citocianinas retardam o envelhecimento das plantas , estimulando a multiplicação celular. São produzidas na raiz e transportadas para toda a planta pelos vasos do xilema. As giberlinas actuam na floração e desenvolvimento dos frutos. O etileno, produzido em toda a planta, provoca o amadurecimento dos frutos e induz a abscisão das folhas. O ABA tem uma acção de iniciação e manutenção do estado de dormência das sementes e dos gomos de onde hão-de surgir os novos ramos e folhas . Tem também uma acção de fecho dos estomas nas folhas. Ao fecharem-se estes estomas , a fotossíntese e a respiração são reduzidas ao mínimo surgindo o estado de dormência da planta referido no início . Aproveitamos para esclarecer que dormina e ABA são a mesma hormona e também repetir que ela provoca resultados diferentes consoante o órgão onde está a actuar , sem esquecer a sua interacção com outras fito hormonas.
Quando a dormina está presente , diminui a quantidade de auxinas que, como dissemos atrás, produzem o crescimento de todos os tecidos vegetais por multiplicação celular. Com as auxinas em pequena quantidade a acção do etileno fica em evidência nas células do pecíolo das folhas .Por acção deste gás as paredes celulares rompem e assim o pecíolo rasga-se e as folhas caem.
Outro fenómeno curioso explica a razão pela qual as folhas, antes de caírem, mudam de cor. Voltemos a acção da dormina ; esta hormona ao induzir o fecho dos estomas reduz a possibilidade de fotossíntese e de se formarem cloroplastos , (organelos com clorofila ) que têm cor verde. Desta forma ficam em evidência os cromoplastos que co-existiam com aqueles e que tem cores várias desde o dourado ao castanho. À medida que os cloroplastos vão desaparecendo os cromoplastos ficam em evidência e a folha vai passando de verde , a castanho dourado e outras tonalidades , até que acaba por cair.

31.5.10

A RÁDIO DIGITAL



Quem escuta uma estação de rádio, muitas vezes não se apercebe da grande evolução que este meio de comunicação sofreu nos últimos vinte anos. É vulgar termos as nossas estações de rádio favoritas, normalmente em FM, aquelas que programamos no rádio do carro e que escutamos enquanto vamos para o trabalho ou quando damos uma volta pela cidade. No entanto, quando se viaja para longe da emissora de rádio preferida, o sinal vai desaparecendo até virar apenas ruído. A maioria dos sinais de rádio FM alcança apenas uns cinquenta quilómetros a partir da antena. Do que acabamos de dizer resulta que em viagens longas, nas quais passamos por cidades diferentes, temos de mudar de estação a não ser que se esteja sintonizado numa emissora de âmbito nacional que tenha espalhados pelo país vários repetidores e que o rádio do carro tenha um sistema automático que os vá detectando e sintonizando ,isto é, um sistema (RDS) Agora imagine uma estação de rádio que pudesse transmitir sinais a milhares de quilómetros de distância e que chegassem até ao rádio do seu carro completamente limpos.
A XM Satellite Radio e a Sirius Satellite Radio nos Estados Unidos já lançaram um serviço deste tipo. É a rádio digital, também conhecida como rádio satélite, oferecendo música ininterrupta, próxima da qualidade de CD, e vinda do espaço. No entanto não é absolutamente necessário que ela venha de um satélite; pode ser oriunda de uma antena terrestre.

As empresas que usam rádio digital têm comparado a importância dos seus serviços ao impacto que a TV a cabo teve na televisão . A rádio digital permite, além de vários programas musicais distintos serem emitidos por um mesmo emissor , enviar simultaneamente também outros dados, como informações especializadas, GPS, etc.
Tentemos explicar melhor imaginando , por exemplo, uma ouvinte de nome Sofia daqui a dez anos :
. De manhã, o alarme do seu Rádio Digital acorda-a com música da sua rádio local favorita. Carrega no botão "boletim meteorológico" do seu rádio e este transmite, cortando a música, o mais recente boletim dos respectivos serviços. Empregada por uma grande empresa, Sofia trabalha a partir de sua casa, mas hoje tinha uma reunião marcada às 9 horas no centro da cidade. Para preparar a reunião, senta-se ao computador . Logo que começa a trabalhar clica no ícone de rádio no ecrã. Está sintonizado para a estação que ela mais gosta e a música, com qualidade CD, faz o ambiente enquanto ela começa a pesquisa. Às 8.30, Sofia entra para o seu carro, talvez eléctrico, e pergunta ao computador de bordo qual o melhor caminho para os escritórios da empresa. O computador está actualizado em tempo real com informação do trânsito enviada por uma rádio local. Com confiança, é aconselhada a seguir um percurso alternativo. Enquanto se aproxima do edifício, ela vê e revê o lugar para estacionar o automóvel – o parque mais próximo do edifício está cheio, mas existe um lugar no quarteirão seguinte. De novo, a informação em tempo real é fornecida via Rádio Digital. Quando Sofia regressa da reunião , liga o auto-rádio, para escutar música mas estando com fome e escutando um anúncio de um restaurante carrega no botão mais informações que lhe mostra o nome e endereço do restaurante no ecrã de cristais líquidos, bem como o menu do dia.
Agora que demos uma curta ideia das possibilidades da rádio digital vejamos outros aspectos ,como o que é o sistema DAB , já usado em Portugal. DAB é a sigla para “Digital Audio Broadcasting”, ou seja, a emissão digital do sinal analógico de áudio, tal como o conhecemos actualmente como meio de comunicação utilizando a FM (frequência modulada) ou a AM (amplitude modulada) . Mas como é que isto tudo funciona ?
A recepção de sinais analógicos da rádio convencional pode ser prejudicada pelas condições atmosféricas ou pode também ser interrompida nos vales profundos do terreno, em túneis ou proximidade de edifícios altos – especialmente nas cidades. Neste último caso o tipo de interferência no FM é provocado por “harmónicas”.resultantes do reflexo do sinal nos edifícios .(É o conhecido caso dos fantasmas na televisão ) O DAB evita este problema enviando uma série de bits que podem ser reconhecidos mesmo na presença de interferência. Essa interferência é praticamente ignorada pelos receptores DAB com a ajuda de um sistema chamado COFDM. (Coded Orthogonal Frequency Division Multiplex”). Este sistema usa uma relação matemática precisa para dividir o sinal rádio tanto por 1536 diferentes frequências condutoras como pelo seu atraso temporal. Isto faz com que, mesmo que alguns sinais sejam afectados por interferência ou o sinal seja perdido por um pequeno período, o receptor é capaz de o recuperar e reconstruir perfeitamente. O COFDM também permite que a mesma frequência seja usada por uma vasta área. Isto significa que não é necessário estar sempre a sintonizar a rádio quando se viaja de carro.
Nos nossos dias, as rádios nacionais, como a Antena 1 , a Rádio Comercial, e a Rádio Renascença utilizam até 20 frequências diferentes para serem escutadas em todo o país e o sistema RDS o que apenas faz é escolher automaticamente a frequência mais forte ,dando a sensação de que continuamos na frequência inicial, quando isso não é verdade. Com o DAB a mesma frequência é utilizada em todos os retransmissores ao longo do país e, em áreas de sobreposição, os sinais reforçam o sinal total recebido. Isto é uma maneira inteligente de utilizar o que antes era considerada uma interferência, como uma vantagem.
O som límpido e cristalino que o DAB produz é criado por uma compressão de som altamente eficiente, conhecida por MUSICAM que funciona deitando fora os sons que não são detectáveis pelo ouvido humano. Este sistema é semelhante à forma como os ficheiros de som são gravados num computador. Até agora apenas um simples texto pode ser associado à emissão FM e que resulta num RDS que mostra o nome da estação e permite a sintonia automática para o sinal mais forte e informação de trânsito.
O espectro adicional que o DAB oferece vai fazer que o RDS pareça básico. A BBC já está a utilizar um software que permite enviar para um ecrã LCD ligado ao receptor DAB o nome da música, artista e mesmo o nome do álbum
Várias ideias surgiram para utilização da componente de dados do DAB. Uma ideia é uma versão radiofónica de teletexto com melhores gráficos, outra ideia é permitir o download de ficheiros áudio e vídeo que seriam gravados em memória para ver mais tarde. Possíveis ficheiros seriam informação de trânsito, resultados desportivos ou meteorologia.
Em Portugal o panorama não tem evoluído muito nos últimos anos. Foi dada à RDP a função de gestão da rede Nacional de DAB em Portugal tendo sido atribuída uma frequência nacional, no canal 12B de VHF, nos 225,648 MHz. Desde 1998 que Portugal usufrui de rádio digital. O sistema Digital Audio Broadcast (DAB) foi o escolhido, mas passados doze anos tudo continua na mesma: a única estação a transmitir em digital continua a ser a RDP e os ouvintes que a escutam em DAB não serão muitos, porque um receptor ainda é caro e não se encontram no mercado. Além do mais os mesmos programas poderem ser escutados simultaneamente em qualquer receptor de FM, sem que se note diferença de qualidade sonora, o que leva a não procurar receptores DAB. .Os ensaios com a rádio digital sucedem-se por essa Europa fora, mas as experiências não têm tido os melhores resultados, havendo, inclusive, alguns países que têm abandonado as emissões em DAB sendo a única excepção a Inglaterra.A verdade é que o DAB não apresenta, como dissemos, muitas vantagens sonoras em relação à FM. O argumento esgrimido de um relativo melhor som tem sido rebatido na prática, com muitos ouvintes a afirmar que a rádio é essencialmente áudio, e num carro - o local onde, hoje em dia, a rádio é mais escutada - é o essencial. Tudo o resto - os serviços que o DAB pode oferecer em paralelo com o áudio - pode levar a uma desatenção por parte do condutor e colocar em perigo a segurança rodoviária.
Não podemos esquecer ou confundir que a quase totalidade das rádios locais emite programas digitais através da internet, para serem escutadas num PC em qualquer ponto do globo , mas isto não é a emissão em DAB de que estávamos a falar.
(texto compilado a partir de vários sites acessiveis na internet tais como: Depart.Engenharia Informática da UC; Rádio digital de Rui Melo ; www.gmcs.pt ; www.aminharadio)

22.5.10

Criação de uma CÉLULA ARTIFICIAL

Na passada quinta feira (20 de Maio) pesquisadores americanos anunciaram uma revolução na história da Ciência ao criarem uma célula artificial e dando origem também a uma preocupação no meio científico.

Após 15 anos de trabalho, os cientistas conseguiram algo extraordinário no laboratório: programaram com um computador a informação genética que passou a controlar a vida e a reprodução de células bacterianas.

Primeiro, os cientistas produziram em laboratório uma cópia sintética do genoma de uma bactéria, isto é, o conjunto de todo o material genético localizado no núcleo das células bacterianas. Em seguida, inseriram o novo genoma dentro de uma outra bactéria. O genoma sintético passou a funcionar normalmente.

Craig Venter,um dos decifradores do Genoma Humano e um dos inovadores desta biotecnologia nos Estados Unidos, disse que as células sintéticas poderão revolucionar o dia a dia do ser humano. Segundo ele, vacinas, como a da gripe, poderão ser feitas em horas. Hoje, elas demoram meses para ser produzidas.

A célula pode ser desenhada no computador para desempenhar uma função que não existe na natureza, por exemplo, capturar dióxido de carbono na atmosfera e transformar o que é poluição em combustível e esta célula vai reproduzir-se sozinha.

Craig Venter afirmou que células sintéticas podem iniciar uma nova revolução industrial dentro de dez ou 20 anos, produzindo alimentos baratos, novas formas de filtrar água e de produzir energia.
Tentemos explicar de outra maneira o que fez a equipa de Craig: No princípio tínhamos o genoma da bactéria Mycoplasma mycoides que os cientistas manipularam para criar ADN sintetizado em laboratório. Introduziram esse genoma manipulado num citoplasma vazio. A bactéria com o novo ADN cresceu comandada por ordens genéticas artificiais e diferentes do normal e reproduziu-se em milhões de células. É a primeira vez que a ciência se aproxima tanto da origem da vida. "É a primeira célula do planeta que tem como pai um computador", anunciou Graig Venter que insiste que não criou vida do zero, pois, apesar de o cromossoma ser artificial, a base foi uma célula já existente. Na realidade, o que fizeram foi a mistura de duas experiências que já tinham realizado antes: criar um genoma artificial (em 2008) e transplantar um genoma de uma bactéria para outra. Neste caso, tinham eliminado 14 genes da bactéria Mycoplasma mycoides, patogénicos nas cabras, e introduziram sequências de ADN que em vez de terem os aminoácidos típicos – adenina ,guanina ,citosina e timina - incluem outros. Mas as reacções não foram só de espanto: poucas horas após o anúncio, vários cientistas alertaram para a falta de legislação sobre organismos sintéticos e mostraram até algum cepticismo. Em declarações ao "Times", Pat Mooney, do ETC Group (activistas contra a biotecnologia) chamou-lhe o momento da caixa de Pandora.

Outros cientistas alertaram também, que as células artificiais poderiam ser usadas como armas biológicas. Por isso, pediram controle rígido do material genético usado para criar um genoma.

21.5.10

Santuário da Lapa

Quando se pretende escrever sobre antigos santuários de Portugal ficamos sempre enredados em lendas que passaram oralmente de geração em geração, sem que haja qualquer escrito que possa validar o seu conteúdo.
É o que acontece com o santuário de Nossa Senhora da Lapa , na freguesia de Quintela , concelho de Sernancelhe , distrito de Viseu. Diz uma das lendas que, em 1498, uma pastorinha de 12 anos, de nome Joana, muda de nascença, introduzindo-se por entre as fendas das rochas encimadas pela grande lapa (caverna), aí encontrou uma linda imagem da Virgem, que ali teria sido escondida há mais de quinhentos anos por umas religiosas fugindo a uma perseguição, possivelmente dos mouros.
O carinho que a menina dedicou à imagem, valeu-lhe uma especial protecção da Virgem que por milagre lhe concedeu o dom da fala.
Depressa se divulgou o milagre, originando uma crescente afluência de peregrinos, jamais interrompida até aos dias de hoje.
Os primeiros devotos prepararam uma gruta debaixo da lapa, onde entronizaram a imagem, construindo ao lado uma pequena ermida.
Uma variação da mesma lenda afirma que uma menina pastora, muda, encontrou uma imagem da Virgem nos montes e levou-a para casa. A mãe não ligou à estátua e lançou-a para a lareira. A menina, falando pela primeira vez na vida, pediu à mãe que não queimasse a imagem. Talvez por isso a estátua da Virgem que está no santuário apresente marcas de queimaduras. Outra história ligada a este santuário diz que uma menina entretinha-se a fiar lã enquanto pastoreava os rebanhos quando foi atacada por um enorme lagarto que aterrorizava a região. Para se salvar, atirou os novelos de lã para a boca do monstro tendo este ficado completamente "empanturrado". Levou-o então pela ponta de um fio até casa, onde foi morto e empalhado. E não há dúvida que, entre os muitos ex-votos de peregrinos, havia no tecto do santuário um grande "lagarto", embora os mais cépticos digam que ele foi lá posto por um homem para agradecer à Virgem tê-lo salvo de um crocodilo na Índia. (O animal muito estragado é um caimão. Foi parcialmente recuperado e está hoje numa caixa de vidro.)
Em 1576, a Lapa foi confiada aos Padres da Companhia de Jesus, sediados no Colégio de Coimbra. Estes construíram, então, o actual Santuário, abrigando a penedia no seu interior. Em 1685 iniciaram a construção do "Colégio da Lapa", contíguo ao Santuário. Daqui partiu a devoção para os mais variados pontos do país e do mundo, chegando à Índia e ao Brasil. Esta expansão foi facilitada pela actividade missionária dos mesmos Padres Jesuítas, aos quais estava confiado este Santuário. Mas histórias, lendas e milagres são o que não falta neste santuário com muitos ex-votos e com uma curiosa passagem entre rochas por onde só se consegue esgueirar quem não cometeu pecados graves ou já lhe foram perdoados. Como é lógico os obesos não passam e para se manter a lenda dizem que aqueles cometeram o pecado da gula. Agora que já falámos de lendas vejamos a parte arquitectónica; O Santuário abriga na capela-mor, onde está o altar do Menino Jesus da Lapa, o dito rochedo milagroso .Assim debaixo da rocha que forma a gruta onde apareceu a imagem de Nossa Senhora, está o altar da Senhora da Lapa, ladeando uma irregular e estreita passagem que vai dar ao presépio, de centenas de figurinhas, obra da escola de Machado de Castro. O altar deixa ver um painel de prata e os mármores de Carrara. A servir de altar-mor fica o altar do Menino Jesus, revestido de trajes napoleónicos, aferrolhado por forte gradeamento de ferro e ladeado por quadros de D. Josefa de Óbidos. Também, sob pequena estátua da Mater Dolorosa se divisa o mais pequeno mas significativo altar da Senhora da Boa Morte A aludida capela do Santíssimo, jazigo da família do primeiro Conde da Lapa, tem um rico altar de talha joanina e forma um espaço convidativo para reflectir.
Junto do arco-cruzeiro, do lado da Epístola, vê-se o altar de Stº António. Do lado do Evangelho, temos o altar da Crucifixão ou do Calvário . No altar de S. José está representada a passagem deste homem, que após o cumprimento da sua discreta missão, recebe a coroa da justiça. Resta o Altar da Senhora da Soledade, em que a Virgem, aos pés da cruz, contempla os instrumentos da Paixão.
Por detrás da capela-mor , no compartimento que rodeia a lapa, está a Casa do Peso, assim chamada por nela estarem as balanças onde as pessoas se dirigiam para as próprias pesagens, com vista à futura entrega do mesmo peso em trigo no cumprimento da promessa deste teor
Na sacristia pode apreciar-se belo paramenteiro e seis ex-votos de notável interesse e acentuado valor. A igreja, vista do exterior ostenta uma frontaria com o triângulo pretensamente apoiado em duas colunas embutidas no muro frontal; e, à cabeceira, por detrás do passadiço que dá para o colégio, o campanário com os dois sinos que encarrega de dar as horas e de chamar os devotos para os ofícios .
( Algumas fotografias inseridas são da autoria de Ana Ramon e encontram-se no seu blogue A Paixão dos Sentidos )

11.5.10

MP3 e o antigamente

Nos nossos dias, é vulgar ver os jovens a andar pelas ruas a “abanar o capacete” com uns micro auscultadores nos ouvidos e escutando música, horas seguidas, no formato MP3. As gerações dos anos trinta e quarenta ficam admiradas como um tão pequeno aparelho do tamanho de uma caixa de fósforos possa conter tanta música gravada. Vamos tentar explicar o mistério mas antes comecemos por ver como se iniciou a ideia de “congelar” os sons para mais tarde os voltar a escutar. Em 18 de Abril de 1877, Charles Cros entregou na academia das Ciências Francesa um projecto para um sistema de gravação e reprodução sonora, a que deu o nome de “Paléophone”.
Quatro meses mais tarde, o inventor americano Thomas A. Edison consegue melhorar a experiência de Cros e reproduzir o som gravado, chamando ao seu invento “Fonógrafo”.
O Fonógrafo era constituído por um cilindro giratório em torno do seu eixo, com um sistema de progressão horizontal e accionado por uma manivela. Thomas Edison melhora a sua invenção inicial substituindo o papel encerado do cilindro por uma folha de estanho, e separando ainda o estilete de gravar do de reproduzir.

Os cilindros de Edison tinham uma duração limitada de 3 a 4 utilizações, além de um mau som e curta duração das gravações, cerca de um minuto. Em 1886, Chichester Bell e Charles Sumner Tainer registaram a patente de um fonógrafo aperfeiçoado a que chamaram Gramofone, tendo substituído a folha de estanho por um cilindro de cera mineral, o ozocerito, e o estilete de aço por um de safira em forma de goiva. O passo seguinte é dado por Emile Berliner que em 1888,muda a forma dos cilindros para discos planos de 33 cm de diâmetro e 6,4 cm de espessura .
Na mesma época em que se gravavam os sons em cilindros e discos atrás citados, o dinamarquês Valdemar Poulsen patenteia o primeiro sistema de gravação magnética o “Telegraphone”. Estamos em 1898 mas seria preciso esperar várias décadas para o sistema se comercializar.
Na máquina original, a gravação era feita em fio de aço do género usado para as cordas dos pianos. O arame saía de um carreto onde estava enrolado e passava por um electroíman que o magnetizava segundo um padrão que variava de acordo com os sons captados por um microfone. O fio, à medida que ia sendo magnetizado, ia enrolando-se noutro cilindro.
Para reproduzir o som gravado era só passar o arame magnetizado pelo electroíman e, por indução magnética, geravam-se correntes eléctricas que eram transformadas em som original nos auscultadores. Este sistema, foi muito melhorado ao longo dos anos e era usado pelas estações de radiodifusão . Manteve-se até aos anos 40, quando foi substituído pela fita de plástico revestida a óxido de ferro. Mas voltemos atrás no tempo para termos uma sequência lógica nesta nossa história.
A concorrência entre os Cilindros e os Discos atingiu o auge na viragem do século XIX para o século XX, acabando o Cilindro por ser totalmente derrotado em 1905, quando os Irmãos Pathé adoptaram o Disco.
Nestes primeiros tempos as gravações eram muito demoradas pois cada cilindro ou disco era gravado individualmente, ou seja, para fazer dez discos o artista tinha de cantar dez vezes.
Esta situação terminou quando Emile Berliner passou a usar um disco original para fazer os outros. Com esta nova técnica os discos passaram a ser prensados, com o recurso a matrizes obtidas por galvanoplastia, num composto à base de goma-laca, o velho disco de 78 r.pm. que se manteria em uso até meados de 1948. (O aparecimento da microgravação surgiu experimentalmente em 1943). Recuemos uma vez mais no tempo, até início do século XX.
Em 1907, a Columbia Gramophone apresenta ao público, pela primeira vez, um disco de dupla face e com a espessura de um centímetro. Esta novidade era tão espectacular, que a Columbia deu ordens aos seus vendedores para atirarem os discos ao chão, para provarem que eram inquebráveis.
Os avanços técnicos sucedem-se e os discos vão aumentando de tamanho e diminuindo de espessura. Discos de 50 e 60 cm de diâmetro, com cerca de 15 minutos de duração, são já comuns em 1910.
Os laboratórios Bell experimentam em 1919 o registo eléctrico, gravações obtidas electricamente através de um microfone, isto é, o primeiro “pick-up”. O “pick-up” é a célula captadora de som composta por uma ponta, a agulha, e um sistema conversor que aproveita as variações introduzidas no campo magnético de uma bobine condutora, produzindo desta forma pequenas correntes eléctricas que,ao serem amplificadas, reproduzem o som original.
Por este facto os gramofones estiveram na moda apenas até finais dos anos 20, altura em que apareceram no mercado os primeiros gira-discos eléctricos.
A gravação em disco era prática comum mas ,paralelamente, a gravação magnética ia-se impondo para outros fins que não o de fazer discos. Desde que Poulsen inventou o “Telegraphone”, que as melhorias foram muitas, mas ao chegar a década de 30, ainda se gravava em fio de aço e este ainda se manteria em uso em muitas estações de Rádio até aos anos 40, como já havíamos referido anteriormente.
Em 1934, a BASF produzia na Alemanha a primeira fita de gravação magnética, para uma máquina da AEG Telefunken. A fita era de plástico revestido num dos lados com um pó de oxido de ferro, o que permitia uma diminuição no peso e no tamanho dos carretos e o aumento da fidelidade e duração da gravação.
Este invento era um avanço considerável na gravação sonora, já que as estações de rádio podiam já gravar os seus programas e manipulá-los em estúdio. Se houvesse um engano, podia ser corrigido a partir do ponto em que ocorrera o erro e não repetindo na totalidade, como acontecia com os discos. A guerra contudo atrasou todas as experiências . Após a II Guerra Mundial o Vinil iria sobrepor-se à goma-laca, o material de que eram feitos os discos há mais de 60 anos. Este novo material permitia que os sulcos dos discos fossem mais estreitos, o que permitia reduzir a velocidade e aumentar a duração dos mesmos ,tocando cerca de 23 minutos de cada lado a 33 1/3 rpm. Este novo disco que foi introduzido pela Columbia recebeu o nome de Long Playing ou simplesmente LP.
A gravação manteve-se praticamente inalterável durante uma década, com os estúdios a gravarem em bobines de fita magnética em Mono que depois passavam a uma matriz, que faria vários discos de vinil iguais, para serem vendidos ao público.
Só em 1958 é que o panorama musical muda de novo com a introdução de discos de 45 e 33 1/3 rpm, estereofónicos.

A gravação profissional avançava e, para os amadores, as empresas iam criando aparelhos mais pequenos de bobines. Nos anos 60, a empresa Philips introduziu no mercado a cassete, uma pequena caixa que continha os carretos e a fita magnética, transformando desta forma a gravação doméstica, e a profissional .

A década de setenta traz uma novidade à gravação: a quadrifonia. Este sistema grava quatro sinais de som independentes. Pretendia-se com esta solução criar um ambiente mais realista, colocando 4 altifalantes em torno do ouvinte (surround), mas esta solução só seria viável comercialmente em finais dos anos 90 com a introdução do DVD Vídeo, DVD Audio e Super Audio Compact Disc, numa versão de 5 colunas mais um sub woofer.
Devido aos altos custos de produção e das aparelhagens reprodutoras, o sistema foi abandonado sendo feitas só umas poucas gravações neste sistema.

Na década de 70, assiste-se ao aparecimento da gravação digital, usando a técnica “PCM”, Pulse Code Modulation, num gravador de vídeo profissional, isto conseguido pela “Nippon Columbia” .
Em finais da década a Sony e a Phillips aliaram-se para desenvolver um disco digital de apenas 11,5 cm de diâmetro e com a duração de uma hora de um só lado. Em 1983, começou a comercialização deste suporte digital com o nome de Compact Disc, ou simplesmente CD.

O CD era anunciado como o “som superior e eterno”, pois os fabricantes afirmavam que o disco não sofria desgaste, já que não era tocado por nenhuma agulha como no vinil, e por ser digital o som era de “superior qualidade”.
Mas dez anos depois, o CD, ainda não se tinha conseguido impor, pois a qualidade do som era inferior ao disco de vinil e sofria dos mesmos problemas de manuseamento: era preciso ter cuidado para não riscar a face gravada, e os leitores de CD sofriam de “microfonia”, ou seja captavam as vibrações da energia acústica emanada pelas colunas, tal e qual uma agulha de gira-discos.
O CD só acabou por se impor, não pelas suas “qualidades” mas porque era mais barato fabricar CDs do que discos de Vinil e assim os velhinhos LPs deixaram de ser fabricados em massa, no inicio dos anos 1990.
Paralelamente ao lançamento do CD, com a entrada na era da gravação digital, havia que pensar na substituição das velhas cassetes e bobines de fita analógica. Trabalhando agora em campos separados a Philips e a Sony, apresentam duas soluções de gravação doméstica digital.
A Philips apresenta a sucessora da cassete analógica , a“D.C.C”., Digital Compact Cassete. Este suporte era igual às cassetes analógicas mas de gravação digital e os gravadores de DCC até podiam ler as cassetes analógicas. Não teve sucesso comercial e a Philips deixou de comercializar este suporte em meados dos anos 90.
A Sony apresenta, em finais da década de 80, o “D.A.T.”, Digital Audio Tape, uma cassete totalmente diferente e de qualidade de som superior ao CD, mas devido ao seu preço e à falta de cassetes DAT pré-gravadas, apenas conheceu sucesso nos meios profissionais.

Após o fracasso comercial do DAT a Sony apresenta em 1993 um suporte digital novo, com uma qualidade próxima da de um CD: O Mini-Disc.
O Mini-Disc apresentou-se como uma alternativa viável à cassete analógica, que nos anos 90 era ainda o suporte mais popular, acesso directo a faixas, regravável um milhão de vezes sem perda de qualidade, digital, etc.. Este suporte depressa ganhou adeptos, até porque o CD gravável ainda não era uma opção ao alcance de todos. Naquela altura os CD-R só gravavam uma vez, eram caros, assim como o equipamento que os gravava. Os CD-RW, apareceram depois, mas ainda eram mais caros.
O CD em 1994, sofre uma melhoria, embora esta “melhoria” não seja consensual, com a introdução do “H.D.C.D.”, “High Definition Compatible Digital”, um sistema da americana “Pacific Microsonics, Inc.”. Quando os discos são gravados com este sistema soam melhor em leitores de CD convencionais, e os leitores HDCD tiram melhor partido das gravações em CDs normais, o ideal era o disco e o leitor serem HDCD.

Com o abandono da DCC, por parte da Philips, esta começou a comercializar gravadores de CDs, fazendo concorrência ao MD, mas ainda assim sem grande sucesso pois a gravação de CDs estava dominada pelos computadores. Por esta altura a cassete analógica ainda cá estava.
Em 1996, aparece um suporte novo de vídeo que traz uma novidade em som: o Surround.
O “D.V.D.”, Digital Versatile Disc, foi a tecnologia que mais rapidamente teve sucesso junto dos consumidores, enquanto o CD demorou cerca de quinze anos para se impor, o DVD apenas precisou de três.
O DVD-Video, trazia a novidade do surround, cinco canais de som independentes e mais um de baixas frequências, traziam para casa o som do cinema. Neste suporte três formatos de som eram concorrentes: o Doldy Digital; o DTS e o MPEG multichanel.
O MPEG multichanel depressa foi abandonado, mantendo-se o Doldy Digital e o DTS como formatos concorrentes.
O aparecimento do DVD-Video trouxe de novo à tona as deficiências do CD, numa altura em que os discos de vinil voltavam a aparecer nas prateleiras das discotecas, talvez por nostalgia ou porque ainda se fabricavam gira-discos. Isto fez com que Philips e Sony se juntassem outra vez para criar o sucessor do CD, já que se falava do DVD-Audio, para sucessor do CD ; esta “reunião” fez surgir o “S.A.C.D.”, Super Audio Compact Disc”.
O DVD-Audio é uma melhoria em relação ao CD, tem melhor som e é multicanal, mas a gravação ainda é em PCM, como há 30 anos.
O SACD é também um salto qualitativo em relação ao CD e um passo à frente do DVD-Audio, pois grava em “D.S.D.”, “Direct Stream Digital”, que é um avanço em relação ao PCM.
Enquanto os sistemas de alta definição tentam ganhar posição no mercado, formatos baseados em computador e fortemente comprimidos, como o mp3 , ganham terreno principalmente nos consumidores mais jovens. A Internet proporcionou isso mesmo. Mas afinal o que é o mp3 ?

O MP3 (MPEG-1/2 Audio Layer 3) foi um dos primeiros tipos de compressão de áudio com perdas imperceptíveis ao ouvido humano. O método de compressão usado no MP3 consiste em retirar do áudio tudo aquilo que o ouvido normalmente não conseguiria perceber, devido ás limitações da audição próprias do ser humano que tentaremos explicar mais à frente.
MP3 é a abreviatura de MPEG 1 Layer-3 (camada 3). As camadas referem-se ao esquema de compressão de áudio do MPEG-1. Foram projectadas em número de 3, cada uma com finalidades e capacidades diferentes. Enquanto a camada 1, que dá menor compressão, se destina a utilização em ambientes de áudio profissional (estúdios, emissoras de TV, etc) onde o nível de perda de qualidade deve ser mínimo devido à necessidade de reprocessamento, a camada 3 destina-se ao áudio que será usado pelo cliente final. Como se espera que esse áudio não sofra novos ciclos de processamento, isto é, não sirva para fazer mais cópias, a compressão pode ser menos exigente e aproveitar melhor as características psico acústicas do som limitando-se apenas às frequências que o ser humano detecta..
A compressão típica da camada 1 é de 4 para1 a camada 2 é de 8:1 enquanto a da camada 3 é de 11 para 1. É importante lembrar que essa diferença da compressão não tem nada a ver com uma camada ser mais avançado que a outra tecnologicamente
Após o êxito mundial da Internet, o MP3 causou grande revolução no mundo do entretenimento. Assim como o LP de vinil, a cassete de áudio ou o CD, o MP3 fortaleceu-se como um popular meio de distribuição de músicas. A questão chave para entender todo o sucesso do MP3 baseia-se no facto de que, antes dele ser desenvolvido, uma música no computador era armazenada no formato WAV, que é o formato padrão para arquivo de som em PCs, chegando a ocupar dezenas de megabytes no disco do computador
As taxas de compressão alcançadas pelo MP3 chegam a até 12 vezes, dependendo da qualidade desejada. Para fazer isso o MP3 utiliza, além das técnicas habituais de compressão, estudos das limitações e imperfeições da audição humana.
Como tínhamos prometido, vamos dar uma ideia do que significam as limitações do ouvido humano:
Faixa de frequência audível humana: O ouvido humano, devido às suas limitações físicas, é capaz de detectar sons numa faixa de frequência que varia de 20 a 20.000 Hz, Desta forma, não faz sentido armazenar dados referentes a sons fora desta faixa de frequência, pois ao serem reproduzidos, os mesmos não serão percebidos por um ser humano. Esta é a primeira limitação da audição humana do qual o sistema MP3 faz uso para alcançar altas taxas de compressão.
Limiar de audição na faixa de frequência audível: Outro factor utilizado pela codificação MP3 é a curva de percepção da audição humana dentro da faixa de frequências audíveis, ou limiar de audição. Apesar da faixa de audição humana variar entre 20 e 20.000 Hz, a sensibilidade para sons dentro desta faixa não é uniforme. Ou seja, a percepção da intensidade de um som varia com a frequência em que este se encontra. Desta forma, o MP3 utiliza-se desta propriedade para obter compressão em arquivos de áudios..
Mascaramento em frequência e mascaramento temporal: O mascaramento em frequência ocorre quando um som que normalmente poderia ser ouvido é mascarado por outro, de maior intensidade, que encontra-se em uma frequência próxima. Ou seja, o limiar de audição é modificado (aumentado) na região próxima à frequência do som que causa o ocorrência do mascaramento, sendo que isto se deve à limitação da percepção de frequências do ouvido humano. O mascaramento em frequência depende da frequência em que o sinal se encontra, podendo variar de 100Hz a 4 KHz. Em função deste comportamento, o que o método de compressão do MP3 faz é identificar casos de mascaramento em frequência e descartar sinais que não serão audíveis devido a este fenómeno.
E de electrónica já chega por hoje.

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