
10.1.10
ILUMINAÇÃO PÚBLICA

9.1.10
TORNADOS

22.12.09
AEMINIUM
eminium é o nome romano de um povoado situado na colina sobranceira ao rio Mondego na sua margem direita, vinte quilómetros a norte de uma vila romana designada por Conímbriga. Com o passar dos séculos e talvez por influência do nome Conimbriga , Aeminium acabou por ser Conimbria e depois Coimbra.. Da ocupação romana de Aeminium já pouco resta, a não ser parte de um aqueduto e um grande criptopórtico do século I antes de Cristo, situado sob o que é hoje o Museu Machado de Castro, na zona alta da cidade. Um criptopórtico é uma galeria abobadada subterrânea, cujos arcos serviam para sustentar uma estrutura à superfície que, neste caso, era o fórum de Aemínium , praça pública e lugar de reunião dos diferentes habitantes da urbe. A construção do criptopórtico deveu-se ao facto de, naquele local, o declive do terreno ser muito grande e, por esta forma , se conseguir uma extensa área plana para um edifício grande e respectiva praça. A referida estrutura tem dois pisos, formados por grandes celas e galerias, sendo o piso superior de maior área. Pensa-se que durante a ocupação romana e árabe terá servido como armazem de víveres dado as celas serem lugares frescos e escuros que permitiam a conservação de alimentos. Durante a idade média o fórum foi transformado em palácio episcopal e as galerias do criptopórtico entulhadas com materiais de outros edifícios, possivelmente islâmicos ou romanos . No século XX, o paço episcopal foi transformado no Museu Machado de Castro , as galerias romanas desentulhadas e todo o material e espaço estudados. Durante os trabalhos de escavação , na zona anexa ao antigo fórum, foram descobertas redes de água e de esgotos construídas pelos romanos . A grande conduta de água ligava-se ao aqueduto que vinha de Celas e que hoje é conhecido como Arcos do Jardim.
(aqueduto ou arcos do jardim ,isto é, do Jardim Botânico ali ao lado)
O esgoto romano encontrado funcionava ainda como vazadouro de águas sujas a habitações circundantes dos séculos XIX e XX, isto a quando do início dos trabalhos de arqueologia. Foi ainda descoberta uma fonte monumental que estaria implantada na fachada do fórum , bem como alguns bustos. Outros raros vestígios de Aeminium estarão na Igreja de S.João de Almedina e na zona da porta com o mesmo nome , bem como nas caves da Livraria Almedina a ela colada. Lamentamos não ter encontrado qualquer documento público sobre os trabalhos de recuperação do criptopórtico já que tendo eles demorado mais de uma dezena de anos, certamente terão trazido á luz objectos de grande interesse histórico que aqui poderíamos citar.
(foto mostrando as galerias e celas do criptopórtico )
13.12.09
CASTELO DE COIMBRA
O castelo,cuja planta conhecida data do século XVIII, foi reconstruído no reinado de D.Afonso Henriques, sendo que D. Sancho I o mandou reforçar, aumentando o número de torres defensivas, uma delas em forma de quina junto á torre de menagem, chamada Torre de Hércules ou torre quinada. No século XVI começou a destruição da cintura de muralhas , quer pelo seu estado de ruína , quer porque a cidade crescia para fora delas e era necessária pedra para a construção dos grandes colégios universitários. A machadada final veio com a Reforma Pombalina da Universidade, na década de 1770. A construção de novos edifícios escolares e a beneficiação de outros, levou à destruição da área circundante à torre de menagem, tendo esta também começado a ser derrubada em 1773 para, a partir da sua base quadrangular, ser construído um novo observatório astronómico. Quando, dois anos mais tarde, se verificou que o local não era o melhor para as observações , as obras pararam, mas a torre de menagem já não existia . O novo observatório foi construído no extremo do pátio da universidade ,entre o Colégio de S.Pedro e a Biblioteca Joanina, tendo aí ficado até 1951, data em que foi demolido por haver já um outro moderno no alto de Santa Clara. Na segunda metade do século XIX, com a reforma dos Hospitais da Universidade, as inacabadas e abandonadas obras do primitivo observatório são aproveitadas para fazer a lavandaria e rouparia do hospital. Em 1944 estas instalações são desactivadas e demolidas expondo, pela última vez, a base da torre de menagem,como é documentado na fotografia que se segue.(A foto foi retirada do blog de Sérgio Namorado). Atrás está o Hospital de S.Lázaro que funcionou como hospital de doenças infecto -contagiosas. Neste local situam-se hoje as novas instalações da faculdade de Matemáticas.

Em 1945, existia ainda no local onde terminava o aqueduto que abastecia o castelo um arco denominado ARCO DO CASTELO mas que nada tinha a ver com ele . Foi construído como suporte aos edifícos anexos,após o terramoto de 1755

A muito custo conseguimos copiar uma planta do castelo cuja legenda é a seguinte : 1-Torre quinada ou de Hércules 2- Torre de Menagem 3- Porta do Castelo 4- Aqueduto A porta do castelo ficava a umas dezenas de metros do que é hoje a Porta Férrea da Universidade.
12.12.09
MOSTEIRO DE SANTA CRUZ -Coimbra
Foi D. Manuel I quem ordenou a modificação da arquitectura externa e interna do mosteiro por o achar pouco digno de albergar os restos mortais dos dois primeiros reis de Portugal. Assim, a fachada românica ganhou duas torres laterais com pináculos e uma platibanda ,obra iniciada em 1507. (ver foto acima )Cerca de uma dezena de anos mais tarde, entre 1522 e 1526,foi-lhe acrescentado um portal cenográfico, em pedra de Ançã. obra de Diogo de Castilho e de Nicolau de Chanterenne. Esta obra escultórica está muito degradada pelas chuvas ácidas que corroeram a pedra. As modificações no interior da igreja foram também enormes e desta feita toda a nave foi coberta por uma abóbada manuelina. Junto à entrada foi construído um coro alto, também obra de Diogo de Castilho, tendo este coro um magnífico cadeiral, de madeira esculpida e dourada, obra do mestre entalhador flamengo Machim. No sec.XVIII foi instalado um orgão novo, estilo barroco ,e as paredes foram cobertas de azulejos com motivos bíblicos. ( ver foto seguinte)
No lado esquerdo da nave única está um belo púlpito esculpido em calcário, datado de 1521 , também obra de Nicolau de Chanterenne. Das alterações mandadas efectuar pelo rei D. Manuel I constam a mudança dos restos mortais de D. Afonso Henriques e de seu filho D. Sancho I, das antigas arcas tumulares junto á fachada românica, para novos túmulos na capela -mor. Estes túmulos, um de cada lado, são parecidos , de estilo gótico-renascentista, concluídos em 1520 e mais uma vez obra de Nicolau Chanterenne e seus discípulos.Mostramos a seguir o túmulo de D. Sancho I que se encontra do lado direito da capela-mor.
A sacristia é de estilo maneirista está decorada com azulejos seiscentistas e tem quadros a óleo de Grão Vasco, entre outros. O Claustro do Silêncio (1517-1522) tem uma decoração manuelina, possuindo anexo uma sala do capítulo com uma capela datada de 1588 , onde se encontram os restos do do fundador do mosteiro.( ver fotos sguintes de Daniel Tiago)
Fora do espaço físico do mosteiro e paralelo ao claustro do Silêncio, está um outro claustro designado da Manga , construído na década de 1530 e obra de João de Ruão. Hoje é um jardim público, entre edifícios modernos que nada têm a ver com o mosteiro,como se pode observar na foto seguinte.
Podemos dizer que os primitivos terrenos agrícolas do mosteiro continuavam para o lado direito da foto anterior, por onde hoje estão os CTT e o Mercado Municipal, continuando pela avenida Sà da Bandeira até ao Jardim da Sereia ou Parque de Santa Cruz. Quem visita a igreja não encontra torre sineira mas ela situava-se em frente ao Claustro da Manga, do outro lado da rua Olimpio Nicolau Fernandes.
A torre estava entre o antigo celeiro do mosteiro (hoje esquadra da PSP) e a enfermaria do referido mosteiro(hoje escola Jaime Cortezão, ex-Escola Comercial e Industrial Avelar Brotero) Em 3 de Janeiro de 1935 a torre foi derrubada pelos bombeiros, com jactos de água nas suas fundações , pois havia muito tempo que ameaçava ruína. A foto a seguir mostra o momento da queda .
No seu lugar ,e só passados cinquenta anos , foram ali construídas uma escadas para dar acesso á rua de Montarroio. Estas escadas têm uma fonte , denominada Fonte dos Judeus que estava originalmente junto ao mercado , no início da av. Sá da Bandeira.
Outras secções do mosteiro há muito tinham sido demolidas para dar lugar ao Edifício da Câmara e outras dependências. No que respeita ao actual Café Santa Cruz,colado ao mosteiro e parecendo fazer parte dele a história resumida é a seguinte: no ano de 1530 frei Brás Braga foi nomeado ,por D.João III ,reformador dos colégios existentes na cidade. Frei Brás Braga decidiu que Santa Cruz ficaria só para os frades crúzios e que para igreja paroquial se construiria ao lado uma nova igreja conhecida como S. João de Santa Cruz, o que veio a acontecer. Com a supressão das ordens religiosas (1834) a paróquia é de novo transferida para Santa Cruz e a igreja de S. João ficou inactiva e meio abandonada. Conheceu muitas funções comerciais, foi quartel de bombeiros,esquadra de polícia, até que em 8 de Maio de 1923 se transforma em café com o piso elevado.6.12.09
O fim do mundo em 2012 ?

4.12.09
INVISIBILIDADE

21.11.09
SACERDOTES EGIPCIOS
Os Sacerdotes não pregavam os dogmas religiosos entre a população e os templos não eram lugares de culto público ,sendo o acesso a eles reservado ao clero. O culto ao Deus era realizado três vezes ao dia : ao amanhecer, ao meio dia e ao anoitecer. O Faraó ou o Sumo Sacerdote , por sua delegação, quebrava o selo da capela e abria o armário sagrado onde se encontrava a imagem mais sagrada do Deus , iniciando-se o ritual de a alimentar,lavar, vestir. pintar e adornar com jóias , como se fosse um ser vivo. É isto que podemos observar abaixo, na pintura de um papiro que passamos a descrever: O Sacerdote, com a máscara de Deus chacal Anúbis , segura a múmia enquanto , do outro lado,um outro vestindo a pele de leopardo e acolitado por mais dois , realizam os rituais atrás citados.
Os Sacerdotes Puros , antes de iniciarem o serviço diário, deviam banhar-se em água fria do Nilo e depilar cuidadosamente todo o corpo para evitar transportar os piolhos para o templo. Como se pode ver na foto de uma estela em madeira estucada e pintada , o sacerdote músico apresenta a cabeça rapada.
Como já referimos os templos não eram locais de livre acesso público pois o povo não era digno de ter contacto directo com a divindade. As procissões, quando a barca com o sacrário era carregada aos ombros dos sacerdotes puros , constituíam o único momento em que a população poderia admirar a imagem da divindade. Em geral os templos tinham como acesso a avenida processional ladeada de esfinges,com cabeças humanas ou de carneiros, tendo junto ao peito a imagem do faraó construtor.Na entrada do templo sobressaíam duas altas torres, de paredes inclinadas . Passadas estas chegava-se a um pátio aberto, cercado de colunas, cujo formato era inspirado em motivos vegetais como feixes de papiros e flores de lótus , claramente visíveis nos capiteis. Desse pátio passava-se a uma sala de colunas , totalmente coberta que dava acesso ao santuário principal do templo. Os templos compreendiam áreas contíguas com um lago sagrado usado nos rituais, casas dos servos do Deus , oficinas de artistas e artesãos , escritórios dos escribas e dos mordomos, celeiros ,etc, tudo isto cercado por uma muralha , fazendo do templo e anexos uma cidade autêntica. Os templos que, como já tinhamos dito, eram detentores de vastas propriedades onde trabalhavam agricultores e pastores, garantiam assim os víveres necessários para a sobrevivência de todo o pessoal. Os alimentos (carnes,leite,cerveja, vinho, pão diverso,óleo, fruta, legumes,vestuário ,etc)eram dados como ofertas que depois de consagradas nos altares laterais do templo iam para as dispensas para posterior distribuição pelos servos do Deus num processo chamado "reversão das oferendas".Estes celeiros eram tão grandes que podiam alimentar anualmente cerca de 30000 pessoas.
16.11.09
ANTIGRAVIDADE Realidade ou ficção?

8.11.09
ESTRADAS ROMANAS
Por certo já muitos terão ouvido dizer que quem tem boca vai a Roma ou todos os caminhos vão dar a Roma, querendo isto significar que pelas estradas se vai onde se deseja , basta ir perguntando ou estar atento às indicações das placas sinalizadoras. No entanto, a referência à cidade de Roma é devida ao facto dos Romanos terem construído ,por toda a velha Europa, estradas ligando a capital do seu império às cidades mais remotas ,isto 300 anos antes de Cristo. O complexo sistema viário por eles criado tinha mais de 90.000 Kms e permitia ligar, por exemplo, o norte da Escócia com o norte de África ou Scallabis (Santarém) com cidades do mar Negro, na Ásia. A primeira estrada romana a ser construída foi a célebre VIA APPIA ,no ano 312 antes de Cristo que ligava Roma a Brindes, perto de Pompeia. Se é certo que antes do Império Romano
já existiam rotas, caminhos e trilhos pela Europa e Ásia , foram os romanos que os organizaram como rede viária coerente , interligando itinerários principais com secundários ,aperfeiçoando a sua construção e sinalização. No início ,o sistema foi desenhado com fins políticos e militares para manter um controlo sobre as zonas conquistadas. Legionários, funcionários, comerciantes ou populações locais usavam estas vias, normalmente empedradas que vertebravam todo o Império Romano, já que este necessitava de todo o tipo de matéria prima e produtos já elaborados. A construção das estradas era supervisionada por um director ( curator viarium ) que delegava no architectus (arquitecto) a sua execução. Este, por sua vez ,tinha sob as suas ordens um agrimensor e um nivelador (actuais topógrafos) cuja função era traçar estradas o mais planas e rectilíneas possível. Em tempo de paz eram os legionários que as iam construindo, pois os salários pagos não eram assim considerados um desperdício, daí que as Legiões tivessem os seus próprios agrimensores e niveladores. Em tempo de guerra eram usados escravos, presos de delitos comuns, criminosos e prisioneiros de guerra. Normalmente calcetadas( glareae stratae ), possuíam escoamento de águas pluviais e marcos miliários para marcar a distância percorrida de 1.000 passos (1.478 metros). Estes marcos podiam conter o nome e títulos do imperador que havia autorizado a construção, a data do início da construção ou o nome dos construtores (evergetas), ou ainda outras informações consideradas importantes . Eram de forma e tamanho variáveis ,normalente cilíndricos, como se vê na foto seguinte. Por vezes havia marcos mais pequenos indicando a meia milha.
As estradas tinham largura variável consoante o trânsito local, algumas chegando aos seis metros ,e eram desenhadas por forma a evitar zonas inundáveis , possuíndo pontes de pedra para atravessar os cursos de água, ou pontes de madeira em zonas onde a pedra era difícil de obter.Tentaremos agora dar uma ideia de como eram construídas estas estradas: depois da terraplanagem ,era aberto um cabouco profundo onde se colocava uma camada de pedras graúdas com a espessura de 30 a 60 cms, conhecida como statumem, sendo esta a parte mais importante da obra, pois sobre ela se faria a futura via. Sobre o statumem era colocada areia e gravilha (20 cms) camada conhecida como rudus e por cima desta outra de igual espessura constituída por pedra triturada misturada com cal , designada de nucleus.Finalmente todo este conjunto estrutural era coberto por lages talhadas e ajustadas, por forma a obter um pavimento uniformemente liso .

O pavimento ligeiramente abaulado. mais alto ao centro, permitia a drenagem da água das chuvas para as valetas.Para além da zona empedrada da estrada, era limpa de vegetação uma faixa de terreno com dois a três metros, em declive e com drenagem que constituía a zona de segurança e estabilidade da obra. Tal como hoje há marcas pintadas nos pavimentos ,ou passeios para peões, assinalando o limite lateral da via,naqueles tempos usavam-se os crepidines, muretes laterais com 45 cms de altura e 60 de largura.(A primeira figura ainda mostra restos deste murete). Ao longo das estradas principais encontravam-se locais de descanso para os soldados e viajantes, bebedouros para os animais que puxavam os carros , isto é, as modernas áreas de serviço das nossas estradas. Pelas estradas circulavam, por vezes, mensageiros rápidos do imperador usando um selo próprio para não serem detidos pela guarda das torres de vigilância que, em sítios estratégicos ,controlava o fluxo de passageiros e mercadorias. A figura seguinte mostra a ponte Trajano onde se pode ver um marco miliário.Esta ponte foi construída entre os séculos I e II depois de Cristo e ia dar entrada em Aquae Flaviae (Chaves)

Também em Ponte de Lima, sobre o rio do mesmo nome , está outra datada do século I, mas posteriormente modificda em 1370, pelo que é difícil ver o que foi construído pelos romanos.(foto seguinte)

Terminaremos mostrando uma réplica de um carro de transporte de mercadoria e passageiros da época romana.
5.11.09
Mosteiro de Coz
da população portuguesa ,situa-se no concelho de Alcobaça, em zona campesina ou não fora ele, de início, uma granja do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.Difícil de visualizar, situa-se a 4 kms de Maiorga, na estrada para o Juncal , passando-se por ele despercebidamente dada a sua simplicidade e semi abandono. Restaurado há pouco tempo no que concerne á igreja , encontra-se fechado, sem qualquer guia oficial ou oficioso (ano de 2009) , restando a boa vontade de uma familiar do pároco local para abrir a porta , fora das horas de culto.
O que hoje resta é a igreja,a sacristia ,e o que ficou de dois pisos dos grandes dormitórios( ver foto acima) estes com janelas esventradas a que foram arrancadas as cantarias para utilização em moradias , já que a parte do antigo convento tinha sido vendida a particulares. O interior da igreja revela as reconstruções dos séculos XVII e XVIII mantendo, do século XVI, um portal manuelino que dava entrada ,a nascente, para o coro. Os altares são de rica talha dourada como podemos apreciar na foto seguinte.

A nave da igreja foi dividida em duas zonas : a zona entre o altar mor e o coro destinada aos leigos e a zona do coro para as religiosas. Estas duas zonas estão separadas por um gradeamento em madeira, actualmente restaurado e de que apresentamos um pormenor.(foto seguinte) Através desse gradeamento vemos o cadeiral e os azulejos que cobrem as paredes do coro.O cadeiral teria originalmente 106 assentos , o que mostra o número de freiras e daí poder ter-se uma ideia do número de celas e tamanho dos dormitórios bem como do resto das instalações ,hoje desaparecidas.

O tecto da nave é formado por 80 caixotões de madeira com pinturas , também restauradas mas mantendo a cor envelhecida. Por este tecto e azulejos vale a pena procurar esta maravilha do século XVII.

Interessantes também os azulejos da sacristia, anexo relativamento baixo em relação á nave da igreja, mas de valor incalculável por serem do século XVII.Por falha da nossa máquina fotográfica não os podemos fixar em pormenor pelo que recorremos , com a devida vénia, a uma foto de um blog designado Fleming de Oliveira.
(vista parcial da sacristia,com o lavatório e porta de acesso ao interior da igreja).
Terminamos este apontamento com uma pergunta : que anda a fazer o pelouro da cultura da câmara de Alcobaça que não permite estar aberto, fora da hora de culto,este tesouro arquitectónico sempre com a desculpa de falta de verba? Se tanto foi gasto num longo restauro profissional, por que manter esta joia escondida de turistas que " dão com o nariz na porta" por não saberem a quem se dirigir para fazer uma visita?
1.11.09
LUTÉCIA
Lutécia foi nome romano de um pequeno povoado piscatório situado numa ilha do rio , a que hoje chamamos Sena, e que evoluiu até dar a grande cidade de Paris. Parece que o nome deriva do facto da ilha sofrer frequentemente com as cheias do rio e ficar coberta de lama .(lutum= lama) Rigord , um monge da abadia de Saint-Denis, na sua obra Gesta Philippi Augusti, escrita em finais do século XII, afirmava que vinte e três mil troianos sob as ordens do duque Ybor tomaram a cidade de Sycambria , nas margens do Danúbio, em 895 a.C. . Esse exército atravessara o que é hoje a Alemanha e fixara-se em Lutécia , onde Ybor e os seus seguidores tomaram para si o nome de parisienses em homenagem ao lendário Páris. Há outras versões para a origem do nome como aquela que refere ter sido Pharamond ou Faramund , o legendário primeiro rei dos Francos, que baptizou o local de Lutécia Páris.
Qualquer que seja a verdade, Lutécia ou a futura Paris sempre estiveram ligadas ao rio que um dia se viria a chamar Sena. As suas águas escuras , correndo lentamente pela planície foram formando meandros , mudando muitas vezes de traçado e criando no seu leito ilhotas de natureza aluvionar.Algumas delas desapareceram ou uniram-se consoante o capricho da erosão e sedimentação fluviais , como é o caso da île de la cité , que é considerada o berço de Paris. Se Lutécia começou por ser um pequeno povoado, cresceu com a ocupação romana para a margem esquerda do rio com largas ruas esquadriadas e belas habitações , templos e palácios.

Algumas ruas da Paris de hoje resultam do traçado de ruas romanas; é o caso da rua de Saint-Jacques a antiga cardo maximus , o mesmo acontecendo com o Boulevard Saint-Michel e rua Vallet. Pensa-se que onde é hoje o nº 172 da rua de Saint.Jacques terá sido o ponto zero da cidade romana , isto é, o epicentro da construção pelos romanos. O maior dos edifícios públicos , o Forum, situava-se não muito longe do actual Panteão. Como a romanização de um local não descurava o uso de banhos termais , Lutécia dispunha de três balneários sendo o maior na actual zona de Cluny. A água corria a jorros nas fontes, balneários e latrinas dado que a cidade era abastecida de água potável através de um longo aqueduto alimentado por três nascentes localizadas nos vales de Chilly, Wissoas e Rungis. Junto da rua Monge está o que resta do anfiteatro romano. Pela foto que se segue nota-se que as bancadas desapareceram para dar lugar á rua e a pedra utilizada na construção das casas.
Lutécia romana desapareceu há muito pois o seu enorme desenvolvimento,conquistas e reconquistas ao logo dos séculos , fizeram com que os materiais das casas romanas dessem origem a outro tipo de edificação urbana , perdendo-se grande parte do legado histórico. Mesmo assim, no museu Carnavalet, que é municipal, é apresentada a história da cidade de Paris desde a pré-história até aos nossos dias , pelo que deve ser visitado numa próxima visita á cidade luz.
25.10.09
EDUCAÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA
O professor podia usar outros materiais para o ensino da escrita, como placas de barro cozido ou ardósia, mas quase nunca o papiro por ser muito caro.
A leitura era muito difícil dada a inexistência de espaços entre as palavras ou de sinais de pontuação. Os alunos liam em voz alta e decoravam textos poéticos , obras de Homero, máximas dos Sete Sábios , poemas de Hesíodo e preceitos de Quíron. Nesta primeira fase a matemática limitava-se ao cálculo, por vezes com a ajuda de um ábaco. Aprendiam a tocar lira ou flauta para acompanhar o recitar dos poemas.
Neste pedaço de vaso grego vê-se , da esquerda para a direita, o aluno (em pé)a aprender a tocar flauta, depois a aprender a escrever. A figura à direita é o pedagogo; penduradas na parede uma flauta e uma lira. Tal como hoje ,a ida à escola era uma obrigação pouco grata para os jovens, pois se deslocavam para ela muito cedo, no inverno ainda de noite, com o pedagogo a iluminar o caminho com uma candeia. De tarde havia nova sessão de estudo, isto todos os sete dias da semana , excluindo os raros dias festivos .A metodologia era quase inexistente sem atender à idade e mal aprendiam a conhecer as letras já eram obrigados a decorar textos. O ensino secundário, dos 14 aos 18 anos, desfrutava de maior consideração, com o professor (gramanatikos)a ensinar literatura de Antifonte, Demóstenes, Eurípedes,etc. Aprendiam também matemática , geometria, aritmética . música e astronomia . Estes professores eram muito considerados e solicitados por todas as cidades. Além das disciplinas atrás citadas era dada pelo paidotribos a educação física que incluía a luta ,a corrida, o salto e o lançamento do disco e do dardo. Isto tudo correspondia ao ideal de uma educação integral ou universal, aquilo a que os gregos chamavam enkyklios paideia . Finalmente, aos 18 anos ,o adolescente atingia a idade de efebos e começava a formação de cidadão grego .Esta consistia numa espécie de serviço militar que durava dois anos, a efebia, durante a qual os efebos viviam em comunidade e aprendiam o manejo de armas e estratégia para defesa da sua cidade.Também assistiam às palestras e conferências de sofistas, leitores , oradores e professores. Aos vinte e um anos atingiam a idade adulta.Em Esparta as raparigas praticavam ginástica e, mais tarde, no período helenístico, em cidades como Quios e Teos, podiam assistir às palestras e aprendiam a ler e a escrever.
15.10.09
ENERGIA VINDA DO PAPEL
Além da flexibilidade, a bateria de papel também pode ser cortada ou empilhada , diminuindo ou aumentando a capacidade de carga. Separar nanotubos de carbono com celulose dá origem a um papel preto que funciona como super condensador de escala comercial ; se os nanotubos forem separados de uma camada de lítio laminado, obtém-se uma bateria de longa duração, num papel negro de um lado e cinzento do outro. Linhardt continua a explicar : os nanotubos de carbono onde a celulose é colocada fazem um contacto com o papel ao nível molecular e numa enorme área , permitindo que o dispositivo armazene e liberte energia com eficiência ;e já estamos interessados na possibilidade de criar desfibriladores em papel , tipo descartável , como suporte médico imediato. Como a imaginação humana não fica parada, pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriram como fabricar baterias muito leves utilizando as nano estruturas de celulose de uma alga do género Cladophora , já que estas algas tem uma enorme área superficial na sua nano estrutura porosa, comparativamente com a celulose das plantas terrestres usadas no fabrico do papel. Esta nova bateria é constituída por uma nano estrutura de celulose das ditas algas ,recoberta por uma camada de polipirrol, com 50 nanómetros de espessura. Estas baterias armazenam 600 mA por centímetro cúbico e devido ao seu reduzido peso, comparativamente às baterias de lítio, talvez venham a ser a solução para armazenar a energia dos automóveis totalmente eléctricos.7.10.09
CIDADES MEDIEVAIS
e tivéssemos a possibilidade de assistir ao nascimento e crescimento de uma cidade medieval veríamos o seguinte: um grupo de pessoas que se fixa num local e cria um pequeno casario para, pouco depois ,instalar uma pequena igreja na zona central. À medida que a população cresce, o número de casas aumenta, e em torno do núcleo original começam a instalar-se mercadores e artesãos que se agrupam de acordo com a sua religião, proveniência ou profissão ( ferreiros ,carniceiros, curtidores, oleiros,arneiros, alfaiates,etc) Junto a estes bairros surge o largo do mercado e, a partir do século XIII, os conventos e suas igrejas. Se uma igreja se transforma em catedral, temos uma cidade e o incremento rápido de outras construções como sejam: a casa do bispo, a residência de religiosos, o hospital, as escolas,os fontanários . o pelourinho e a forca ,e um espaço aberto para celebrações. Na época medieval cidades e vilas não se distinguiam pelo tamanho,apenas pela existência de catedral. As cidades tinham catedral e eram, por isso, sede de bispado. Cada bispo administrava uma província sentado numa cadeira ou cátedra e a igreja onde estava essa cadeira denominava-se catedral. Era uma organização territorial que vinha dos tempos da ocupação romana. No século IV, quando surgem as invasões bárbaras , as pessoas deixam os grandes aglomerados populacionais e instalam-se em pequenos núcleos campesinos. No entanto as sedes de bispado mantiveram-se habitadas e rodearam-se de fortes muralhas para resistir aos ataques inimigos.À medida que o tempo passava o reduzido espaço dentro das muralhas levava a que as casas se aproximassem umas das outras , as ruas se estreitassem e as pedras dos edifícios antigos fossem usadas na elevação das muralhas. A estrutura romana de ruas largas e cruzando-se em ângulo recto dera origem, por falta de espaço, á estrutura medieval que tentaremos descrever a seguir. A cidade medieval cheirava a fumo de lenha, a carne e peixe. a pão e guisados, a vinho, a dejectos, tintas e curtumes, a serradura e ervas aromáticas. As ruas, de terra e lama, tinham as casas tão próximas com os andares superiores mais largos que, em alguns locais , mal entrava o sol. A maior parte do ruído provinha da zona do mercado com os gritos dos comerciantes , a conversa das pessoas , o alvoroço de patos e galinhas e o mugir do gado. Este tipo de cidade manteve-se nos séculos XI e XII crescendo sempre em torno da catedral românica.

Já que estamos a falar de catedrais góticas , algumas demorando três séculos a construir, elas nem sempre foram lugares de paz e silêncio. Durante o dia eram animadas por gentes que ali pernoitavam, pelos que a atravessavam para encurtar o caminho, ou pelos que dentro das suas paredes comerciavam de tudo .As paredes laterais estavam ocupadas por capelas que eram espaços privados e fechados, de gente rica que ali queria ser sepultada.Também nas naves laterais se instalavam escolas . O que ficava exclusivamente para o culto era o altar e o coro ,com o espaço que os unia, cor respondendo ao cruzeiro, fechado por paredes . Nos espaços abertos das naves podia-se circular livremente , normalmente não cumprindo as normas que o cabido tentava impor. Numa dessas normas que chegaram até aos nossos dias , constava a proibição de realizar representações teatrais cómicas ou contendo frases de duplo sentido, canções lascivas ,etc, pois a casa de Deus fora feita para orar e não para escarnecer. Ricos e pobres ,autoridades locais , nobres e reis , participavam na construção das catedrais , uns com mão de obra ,outros com dádivas. Quase sempre os mecenas desejavam ser recordados e ,por isso, faziam-se representar nos vitrais, nos afrescos , nos relevos e , como já referimos, nas capelas funerárias com estátuas jacentes. Algumas cidades medievais chegaram aos nossos dias quase intactas e são hoje lugares turísticos com vida própria.
