
6.12.09
O fim do mundo em 2012 ?

4.12.09
INVISIBILIDADE

21.11.09
SACERDOTES EGIPCIOS
Os Sacerdotes não pregavam os dogmas religiosos entre a população e os templos não eram lugares de culto público ,sendo o acesso a eles reservado ao clero. O culto ao Deus era realizado três vezes ao dia : ao amanhecer, ao meio dia e ao anoitecer. O Faraó ou o Sumo Sacerdote , por sua delegação, quebrava o selo da capela e abria o armário sagrado onde se encontrava a imagem mais sagrada do Deus , iniciando-se o ritual de a alimentar,lavar, vestir. pintar e adornar com jóias , como se fosse um ser vivo. É isto que podemos observar abaixo, na pintura de um papiro que passamos a descrever: O Sacerdote, com a máscara de Deus chacal Anúbis , segura a múmia enquanto , do outro lado,um outro vestindo a pele de leopardo e acolitado por mais dois , realizam os rituais atrás citados.
Os Sacerdotes Puros , antes de iniciarem o serviço diário, deviam banhar-se em água fria do Nilo e depilar cuidadosamente todo o corpo para evitar transportar os piolhos para o templo. Como se pode ver na foto de uma estela em madeira estucada e pintada , o sacerdote músico apresenta a cabeça rapada.
Como já referimos os templos não eram locais de livre acesso público pois o povo não era digno de ter contacto directo com a divindade. As procissões, quando a barca com o sacrário era carregada aos ombros dos sacerdotes puros , constituíam o único momento em que a população poderia admirar a imagem da divindade. Em geral os templos tinham como acesso a avenida processional ladeada de esfinges,com cabeças humanas ou de carneiros, tendo junto ao peito a imagem do faraó construtor.Na entrada do templo sobressaíam duas altas torres, de paredes inclinadas . Passadas estas chegava-se a um pátio aberto, cercado de colunas, cujo formato era inspirado em motivos vegetais como feixes de papiros e flores de lótus , claramente visíveis nos capiteis. Desse pátio passava-se a uma sala de colunas , totalmente coberta que dava acesso ao santuário principal do templo. Os templos compreendiam áreas contíguas com um lago sagrado usado nos rituais, casas dos servos do Deus , oficinas de artistas e artesãos , escritórios dos escribas e dos mordomos, celeiros ,etc, tudo isto cercado por uma muralha , fazendo do templo e anexos uma cidade autêntica. Os templos que, como já tinhamos dito, eram detentores de vastas propriedades onde trabalhavam agricultores e pastores, garantiam assim os víveres necessários para a sobrevivência de todo o pessoal. Os alimentos (carnes,leite,cerveja, vinho, pão diverso,óleo, fruta, legumes,vestuário ,etc)eram dados como ofertas que depois de consagradas nos altares laterais do templo iam para as dispensas para posterior distribuição pelos servos do Deus num processo chamado "reversão das oferendas".Estes celeiros eram tão grandes que podiam alimentar anualmente cerca de 30000 pessoas.
16.11.09
ANTIGRAVIDADE Realidade ou ficção?

8.11.09
ESTRADAS ROMANAS
Por certo já muitos terão ouvido dizer que quem tem boca vai a Roma ou todos os caminhos vão dar a Roma, querendo isto significar que pelas estradas se vai onde se deseja , basta ir perguntando ou estar atento às indicações das placas sinalizadoras. No entanto, a referência à cidade de Roma é devida ao facto dos Romanos terem construído ,por toda a velha Europa, estradas ligando a capital do seu império às cidades mais remotas ,isto 300 anos antes de Cristo. O complexo sistema viário por eles criado tinha mais de 90.000 Kms e permitia ligar, por exemplo, o norte da Escócia com o norte de África ou Scallabis (Santarém) com cidades do mar Negro, na Ásia. A primeira estrada romana a ser construída foi a célebre VIA APPIA ,no ano 312 antes de Cristo que ligava Roma a Brindes, perto de Pompeia. Se é certo que antes do Império Romano
já existiam rotas, caminhos e trilhos pela Europa e Ásia , foram os romanos que os organizaram como rede viária coerente , interligando itinerários principais com secundários ,aperfeiçoando a sua construção e sinalização. No início ,o sistema foi desenhado com fins políticos e militares para manter um controlo sobre as zonas conquistadas. Legionários, funcionários, comerciantes ou populações locais usavam estas vias, normalmente empedradas que vertebravam todo o Império Romano, já que este necessitava de todo o tipo de matéria prima e produtos já elaborados. A construção das estradas era supervisionada por um director ( curator viarium ) que delegava no architectus (arquitecto) a sua execução. Este, por sua vez ,tinha sob as suas ordens um agrimensor e um nivelador (actuais topógrafos) cuja função era traçar estradas o mais planas e rectilíneas possível. Em tempo de paz eram os legionários que as iam construindo, pois os salários pagos não eram assim considerados um desperdício, daí que as Legiões tivessem os seus próprios agrimensores e niveladores. Em tempo de guerra eram usados escravos, presos de delitos comuns, criminosos e prisioneiros de guerra. Normalmente calcetadas( glareae stratae ), possuíam escoamento de águas pluviais e marcos miliários para marcar a distância percorrida de 1.000 passos (1.478 metros). Estes marcos podiam conter o nome e títulos do imperador que havia autorizado a construção, a data do início da construção ou o nome dos construtores (evergetas), ou ainda outras informações consideradas importantes . Eram de forma e tamanho variáveis ,normalente cilíndricos, como se vê na foto seguinte. Por vezes havia marcos mais pequenos indicando a meia milha.
As estradas tinham largura variável consoante o trânsito local, algumas chegando aos seis metros ,e eram desenhadas por forma a evitar zonas inundáveis , possuíndo pontes de pedra para atravessar os cursos de água, ou pontes de madeira em zonas onde a pedra era difícil de obter.Tentaremos agora dar uma ideia de como eram construídas estas estradas: depois da terraplanagem ,era aberto um cabouco profundo onde se colocava uma camada de pedras graúdas com a espessura de 30 a 60 cms, conhecida como statumem, sendo esta a parte mais importante da obra, pois sobre ela se faria a futura via. Sobre o statumem era colocada areia e gravilha (20 cms) camada conhecida como rudus e por cima desta outra de igual espessura constituída por pedra triturada misturada com cal , designada de nucleus.Finalmente todo este conjunto estrutural era coberto por lages talhadas e ajustadas, por forma a obter um pavimento uniformemente liso .

O pavimento ligeiramente abaulado. mais alto ao centro, permitia a drenagem da água das chuvas para as valetas.Para além da zona empedrada da estrada, era limpa de vegetação uma faixa de terreno com dois a três metros, em declive e com drenagem que constituía a zona de segurança e estabilidade da obra. Tal como hoje há marcas pintadas nos pavimentos ,ou passeios para peões, assinalando o limite lateral da via,naqueles tempos usavam-se os crepidines, muretes laterais com 45 cms de altura e 60 de largura.(A primeira figura ainda mostra restos deste murete). Ao longo das estradas principais encontravam-se locais de descanso para os soldados e viajantes, bebedouros para os animais que puxavam os carros , isto é, as modernas áreas de serviço das nossas estradas. Pelas estradas circulavam, por vezes, mensageiros rápidos do imperador usando um selo próprio para não serem detidos pela guarda das torres de vigilância que, em sítios estratégicos ,controlava o fluxo de passageiros e mercadorias. A figura seguinte mostra a ponte Trajano onde se pode ver um marco miliário.Esta ponte foi construída entre os séculos I e II depois de Cristo e ia dar entrada em Aquae Flaviae (Chaves)

Também em Ponte de Lima, sobre o rio do mesmo nome , está outra datada do século I, mas posteriormente modificda em 1370, pelo que é difícil ver o que foi construído pelos romanos.(foto seguinte)

Terminaremos mostrando uma réplica de um carro de transporte de mercadoria e passageiros da época romana.
5.11.09
Mosteiro de Coz
da população portuguesa ,situa-se no concelho de Alcobaça, em zona campesina ou não fora ele, de início, uma granja do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.Difícil de visualizar, situa-se a 4 kms de Maiorga, na estrada para o Juncal , passando-se por ele despercebidamente dada a sua simplicidade e semi abandono. Restaurado há pouco tempo no que concerne á igreja , encontra-se fechado, sem qualquer guia oficial ou oficioso (ano de 2009) , restando a boa vontade de uma familiar do pároco local para abrir a porta , fora das horas de culto.
O que hoje resta é a igreja,a sacristia ,e o que ficou de dois pisos dos grandes dormitórios( ver foto acima) estes com janelas esventradas a que foram arrancadas as cantarias para utilização em moradias , já que a parte do antigo convento tinha sido vendida a particulares. O interior da igreja revela as reconstruções dos séculos XVII e XVIII mantendo, do século XVI, um portal manuelino que dava entrada ,a nascente, para o coro. Os altares são de rica talha dourada como podemos apreciar na foto seguinte.

A nave da igreja foi dividida em duas zonas : a zona entre o altar mor e o coro destinada aos leigos e a zona do coro para as religiosas. Estas duas zonas estão separadas por um gradeamento em madeira, actualmente restaurado e de que apresentamos um pormenor.(foto seguinte) Através desse gradeamento vemos o cadeiral e os azulejos que cobrem as paredes do coro.O cadeiral teria originalmente 106 assentos , o que mostra o número de freiras e daí poder ter-se uma ideia do número de celas e tamanho dos dormitórios bem como do resto das instalações ,hoje desaparecidas.

O tecto da nave é formado por 80 caixotões de madeira com pinturas , também restauradas mas mantendo a cor envelhecida. Por este tecto e azulejos vale a pena procurar esta maravilha do século XVII.

Interessantes também os azulejos da sacristia, anexo relativamento baixo em relação á nave da igreja, mas de valor incalculável por serem do século XVII.Por falha da nossa máquina fotográfica não os podemos fixar em pormenor pelo que recorremos , com a devida vénia, a uma foto de um blog designado Fleming de Oliveira.
(vista parcial da sacristia,com o lavatório e porta de acesso ao interior da igreja).
Terminamos este apontamento com uma pergunta : que anda a fazer o pelouro da cultura da câmara de Alcobaça que não permite estar aberto, fora da hora de culto,este tesouro arquitectónico sempre com a desculpa de falta de verba? Se tanto foi gasto num longo restauro profissional, por que manter esta joia escondida de turistas que " dão com o nariz na porta" por não saberem a quem se dirigir para fazer uma visita?
1.11.09
LUTÉCIA
Lutécia foi nome romano de um pequeno povoado piscatório situado numa ilha do rio , a que hoje chamamos Sena, e que evoluiu até dar a grande cidade de Paris. Parece que o nome deriva do facto da ilha sofrer frequentemente com as cheias do rio e ficar coberta de lama .(lutum= lama) Rigord , um monge da abadia de Saint-Denis, na sua obra Gesta Philippi Augusti, escrita em finais do século XII, afirmava que vinte e três mil troianos sob as ordens do duque Ybor tomaram a cidade de Sycambria , nas margens do Danúbio, em 895 a.C. . Esse exército atravessara o que é hoje a Alemanha e fixara-se em Lutécia , onde Ybor e os seus seguidores tomaram para si o nome de parisienses em homenagem ao lendário Páris. Há outras versões para a origem do nome como aquela que refere ter sido Pharamond ou Faramund , o legendário primeiro rei dos Francos, que baptizou o local de Lutécia Páris.
Qualquer que seja a verdade, Lutécia ou a futura Paris sempre estiveram ligadas ao rio que um dia se viria a chamar Sena. As suas águas escuras , correndo lentamente pela planície foram formando meandros , mudando muitas vezes de traçado e criando no seu leito ilhotas de natureza aluvionar.Algumas delas desapareceram ou uniram-se consoante o capricho da erosão e sedimentação fluviais , como é o caso da île de la cité , que é considerada o berço de Paris. Se Lutécia começou por ser um pequeno povoado, cresceu com a ocupação romana para a margem esquerda do rio com largas ruas esquadriadas e belas habitações , templos e palácios.

Algumas ruas da Paris de hoje resultam do traçado de ruas romanas; é o caso da rua de Saint-Jacques a antiga cardo maximus , o mesmo acontecendo com o Boulevard Saint-Michel e rua Vallet. Pensa-se que onde é hoje o nº 172 da rua de Saint.Jacques terá sido o ponto zero da cidade romana , isto é, o epicentro da construção pelos romanos. O maior dos edifícios públicos , o Forum, situava-se não muito longe do actual Panteão. Como a romanização de um local não descurava o uso de banhos termais , Lutécia dispunha de três balneários sendo o maior na actual zona de Cluny. A água corria a jorros nas fontes, balneários e latrinas dado que a cidade era abastecida de água potável através de um longo aqueduto alimentado por três nascentes localizadas nos vales de Chilly, Wissoas e Rungis. Junto da rua Monge está o que resta do anfiteatro romano. Pela foto que se segue nota-se que as bancadas desapareceram para dar lugar á rua e a pedra utilizada na construção das casas.
Lutécia romana desapareceu há muito pois o seu enorme desenvolvimento,conquistas e reconquistas ao logo dos séculos , fizeram com que os materiais das casas romanas dessem origem a outro tipo de edificação urbana , perdendo-se grande parte do legado histórico. Mesmo assim, no museu Carnavalet, que é municipal, é apresentada a história da cidade de Paris desde a pré-história até aos nossos dias , pelo que deve ser visitado numa próxima visita á cidade luz.
25.10.09
EDUCAÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA
O professor podia usar outros materiais para o ensino da escrita, como placas de barro cozido ou ardósia, mas quase nunca o papiro por ser muito caro.
A leitura era muito difícil dada a inexistência de espaços entre as palavras ou de sinais de pontuação. Os alunos liam em voz alta e decoravam textos poéticos , obras de Homero, máximas dos Sete Sábios , poemas de Hesíodo e preceitos de Quíron. Nesta primeira fase a matemática limitava-se ao cálculo, por vezes com a ajuda de um ábaco. Aprendiam a tocar lira ou flauta para acompanhar o recitar dos poemas.
Neste pedaço de vaso grego vê-se , da esquerda para a direita, o aluno (em pé)a aprender a tocar flauta, depois a aprender a escrever. A figura à direita é o pedagogo; penduradas na parede uma flauta e uma lira. Tal como hoje ,a ida à escola era uma obrigação pouco grata para os jovens, pois se deslocavam para ela muito cedo, no inverno ainda de noite, com o pedagogo a iluminar o caminho com uma candeia. De tarde havia nova sessão de estudo, isto todos os sete dias da semana , excluindo os raros dias festivos .A metodologia era quase inexistente sem atender à idade e mal aprendiam a conhecer as letras já eram obrigados a decorar textos. O ensino secundário, dos 14 aos 18 anos, desfrutava de maior consideração, com o professor (gramanatikos)a ensinar literatura de Antifonte, Demóstenes, Eurípedes,etc. Aprendiam também matemática , geometria, aritmética . música e astronomia . Estes professores eram muito considerados e solicitados por todas as cidades. Além das disciplinas atrás citadas era dada pelo paidotribos a educação física que incluía a luta ,a corrida, o salto e o lançamento do disco e do dardo. Isto tudo correspondia ao ideal de uma educação integral ou universal, aquilo a que os gregos chamavam enkyklios paideia . Finalmente, aos 18 anos ,o adolescente atingia a idade de efebos e começava a formação de cidadão grego .Esta consistia numa espécie de serviço militar que durava dois anos, a efebia, durante a qual os efebos viviam em comunidade e aprendiam o manejo de armas e estratégia para defesa da sua cidade.Também assistiam às palestras e conferências de sofistas, leitores , oradores e professores. Aos vinte e um anos atingiam a idade adulta.Em Esparta as raparigas praticavam ginástica e, mais tarde, no período helenístico, em cidades como Quios e Teos, podiam assistir às palestras e aprendiam a ler e a escrever.
15.10.09
ENERGIA VINDA DO PAPEL
Além da flexibilidade, a bateria de papel também pode ser cortada ou empilhada , diminuindo ou aumentando a capacidade de carga. Separar nanotubos de carbono com celulose dá origem a um papel preto que funciona como super condensador de escala comercial ; se os nanotubos forem separados de uma camada de lítio laminado, obtém-se uma bateria de longa duração, num papel negro de um lado e cinzento do outro. Linhardt continua a explicar : os nanotubos de carbono onde a celulose é colocada fazem um contacto com o papel ao nível molecular e numa enorme área , permitindo que o dispositivo armazene e liberte energia com eficiência ;e já estamos interessados na possibilidade de criar desfibriladores em papel , tipo descartável , como suporte médico imediato. Como a imaginação humana não fica parada, pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriram como fabricar baterias muito leves utilizando as nano estruturas de celulose de uma alga do género Cladophora , já que estas algas tem uma enorme área superficial na sua nano estrutura porosa, comparativamente com a celulose das plantas terrestres usadas no fabrico do papel. Esta nova bateria é constituída por uma nano estrutura de celulose das ditas algas ,recoberta por uma camada de polipirrol, com 50 nanómetros de espessura. Estas baterias armazenam 600 mA por centímetro cúbico e devido ao seu reduzido peso, comparativamente às baterias de lítio, talvez venham a ser a solução para armazenar a energia dos automóveis totalmente eléctricos.7.10.09
CIDADES MEDIEVAIS
e tivéssemos a possibilidade de assistir ao nascimento e crescimento de uma cidade medieval veríamos o seguinte: um grupo de pessoas que se fixa num local e cria um pequeno casario para, pouco depois ,instalar uma pequena igreja na zona central. À medida que a população cresce, o número de casas aumenta, e em torno do núcleo original começam a instalar-se mercadores e artesãos que se agrupam de acordo com a sua religião, proveniência ou profissão ( ferreiros ,carniceiros, curtidores, oleiros,arneiros, alfaiates,etc) Junto a estes bairros surge o largo do mercado e, a partir do século XIII, os conventos e suas igrejas. Se uma igreja se transforma em catedral, temos uma cidade e o incremento rápido de outras construções como sejam: a casa do bispo, a residência de religiosos, o hospital, as escolas,os fontanários . o pelourinho e a forca ,e um espaço aberto para celebrações. Na época medieval cidades e vilas não se distinguiam pelo tamanho,apenas pela existência de catedral. As cidades tinham catedral e eram, por isso, sede de bispado. Cada bispo administrava uma província sentado numa cadeira ou cátedra e a igreja onde estava essa cadeira denominava-se catedral. Era uma organização territorial que vinha dos tempos da ocupação romana. No século IV, quando surgem as invasões bárbaras , as pessoas deixam os grandes aglomerados populacionais e instalam-se em pequenos núcleos campesinos. No entanto as sedes de bispado mantiveram-se habitadas e rodearam-se de fortes muralhas para resistir aos ataques inimigos.À medida que o tempo passava o reduzido espaço dentro das muralhas levava a que as casas se aproximassem umas das outras , as ruas se estreitassem e as pedras dos edifícios antigos fossem usadas na elevação das muralhas. A estrutura romana de ruas largas e cruzando-se em ângulo recto dera origem, por falta de espaço, á estrutura medieval que tentaremos descrever a seguir. A cidade medieval cheirava a fumo de lenha, a carne e peixe. a pão e guisados, a vinho, a dejectos, tintas e curtumes, a serradura e ervas aromáticas. As ruas, de terra e lama, tinham as casas tão próximas com os andares superiores mais largos que, em alguns locais , mal entrava o sol. A maior parte do ruído provinha da zona do mercado com os gritos dos comerciantes , a conversa das pessoas , o alvoroço de patos e galinhas e o mugir do gado. Este tipo de cidade manteve-se nos séculos XI e XII crescendo sempre em torno da catedral românica.

Já que estamos a falar de catedrais góticas , algumas demorando três séculos a construir, elas nem sempre foram lugares de paz e silêncio. Durante o dia eram animadas por gentes que ali pernoitavam, pelos que a atravessavam para encurtar o caminho, ou pelos que dentro das suas paredes comerciavam de tudo .As paredes laterais estavam ocupadas por capelas que eram espaços privados e fechados, de gente rica que ali queria ser sepultada.Também nas naves laterais se instalavam escolas . O que ficava exclusivamente para o culto era o altar e o coro ,com o espaço que os unia, cor respondendo ao cruzeiro, fechado por paredes . Nos espaços abertos das naves podia-se circular livremente , normalmente não cumprindo as normas que o cabido tentava impor. Numa dessas normas que chegaram até aos nossos dias , constava a proibição de realizar representações teatrais cómicas ou contendo frases de duplo sentido, canções lascivas ,etc, pois a casa de Deus fora feita para orar e não para escarnecer. Ricos e pobres ,autoridades locais , nobres e reis , participavam na construção das catedrais , uns com mão de obra ,outros com dádivas. Quase sempre os mecenas desejavam ser recordados e ,por isso, faziam-se representar nos vitrais, nos afrescos , nos relevos e , como já referimos, nas capelas funerárias com estátuas jacentes. Algumas cidades medievais chegaram aos nossos dias quase intactas e são hoje lugares turísticos com vida própria.
26.9.09
SANTA CLARA -A-VELHA
A iluminação era realizada por duas rosáceas, uma em cada topo da nave central, e por janelas duplas nas paredes laterais. Posteriormente foi acrescentado á igreja um claustro e uma sala capitular , além de outras dependências. A igreja foi sagrada em 1330, mas o local da sua implantação fora uma má escolha por ser terreno de aluvião. Logo em 1331 , uma cheia do rio Mondego invadiu o recinto, tendo começado o lento afundamento do edifício devido ao próprio peso. Para compensar este afundamento um novo plano de chão foi construído a meia altura da igreja , o que obrigou à elevação das naves primitivas. Muito embora ao longo dos séculos que se seguiram se tenham feito trabalhos de drengem e conservação, o mosteiro e a igreja foram abandonados em 29 de Outubro de 1677. As freiras , o espólio e o corpo incorrupto da Raínha Santa foram transferidos para um novo mosteiro,no cimo do monte da Esperança, a actual igreja de Santa Clara-a-Nova. Com este abandono , o antigo edifício este foi-se enterrando cada vez mais e assim permaneceu durante séculos, com água até meia altura como se pode observar na foto de J.G. Mota.
Em 1991 começaram as obras de recuperação e resgate , obras que só terminaram neste ano de 2009 , com um custo de 7,5 milhões de euros , mas que permite vê-lo hoje em toda a sua beleza arquitectónica.
Embora a base do mosteiro esteja a uma cota muito inferior à do rio, uma grande ensecadeira e um sistema de bombagem para retirar a água que se acumule por escorrência , é possível visitá-lo na totalidade, bem como a um moderno centro de interpretação deste legado histórico onde se expõem artefactos de há três séculos, encontrados durante os trabalhos de recuperação. Nas paredes exteriores ( fotografias acima) é visível a marca do nível das águas antes dessa recuperação.As fotos que se seguem mostram o segundo piso que foi construído, em 1333 ,por cima das colunas primitivas e que era suposto solucionarem o problema das cheias.
A fotografia acima ,de Pascale Van Landuyt, mostra que parte do referido 2º piso abateu com o andar dos séculos.Em 1954 , o aspecto de Santa Clara -a-Velha era como está documentado pela objectiva de Mário Novais.
Actualmente está como se segue podendo-se verificar a diferença.
O antigo túmulo da Raínha Santa , foi obra de mestre Pero ,executada em meados do século XIV .No coro baixo da Igreja de Santa Clara -a- Nova, está o velho túmulo, bem como os retábulos maneiristas do antigo convento se encontram nas paredes laterais da nova igreja. Quanto ao corpo incorrupto da Raínha Santa foi transladado , em 3 de Julho de 1696, para um túmulo de prata colocado sobre o altar mor, por vontade do povo da cidade de Coimbra que o custeou na íntegra e elegeu esta Santa como padroeira da cidade.
A foto acima é do túmulo primitivo da Raínha Santa .Feito em estilo gótico,é da autoria de mestre Pero . Uma visita a todo o conjunto, incluíndo a parte museológica, demora cerca de 1 hora e meia , de terça feira a domingo no horário seguinte :Maio a Setembro das 10,00 h às 19.00 h ; Outubro a Abril 10h00 às 17h00 . Entrada gratuíta aos Domingos e feriados até às 14h00.Facilidade de estacionamento automóvel.
24.9.09
LISBOA arqueológica
Que Lisboa é uma cidade muito antiga todos o afirmam; mas muito poucos saberão que, por baixo das ruas e prédios da baixa pombalina, estão vestígios arqueológicos das sucessivas ocupações da cidade por cartagineses , romanos , mouros e portugueses do período anterior ao terramoto de1775. 
Mais além, outro piso de vidro permite observar restos de muros anteriores ao terramoto de 1755 que foram postos a descoberto pelas escavações arqueológicas patrocinadas pelo BCP. Descendo para as caves , podem observar-se as bases rectangulares de pedra e argila das casas fenícias , com o local onde acendiam o fogo para cozinhar limitado por seixos rolados . Ao lado destas casas surgem vestígios romanos , numa mistura de solos e épocas causada pelos cataclismos e reconstruções já referidos. Estes vestígios romanos são cetárias ,isto é, tanques de salga de peixe que foram construídos sobre as estruturas fenícias , mais antigas. Noutra sala alinham-se cinco tanques de salga e onde se observam vasos romanos que serviam para preparar iguarias à base de peixe moído, marisco, sal e ervas aromáticas. A zona de salga deveria ser muito grande pois se estende até à actual Rua Augusta . Como se tudo isto não fosse já um riquíssimo espólio arqueológico, podemos ainda observar um conjunto de três piscinas romanas para os banhos quentes,frios e tépidos.As piscinas dão para um átrio central onde é visível um grande mosaico de figuras geométricas, possivelmente do sec.III da nossa era. Por cima deste mosaico assentam silos árabes e um forno de ferro do período reconstrução pombalina, esta amálgama resultante das sucessivas reconstruções. Deixando as caves do BCP , podemos encontrar mais cetárias romanas na Casa Napoleão ( nº 70 da rua dos Fanqueiros) e na célebre Casa dos Bicos Nesta última podemos ainda ver partes da muralha mourisca da cidade e um pavimento árabe de tijoleira em espinha. Também na rua da Prata , com entrada por um alçapão entre os carris do carro eléctrico, se pode visitar, uma vez por ano,devido ás dificuldades de acesso, galerias do período romano e cuja função é ainda hoje discutida pelos especialistas . Deste último caso mostramos as fotos seguintes.


Esta curta resenha mostra-nos uma Lisboa ainda desconhecida para a maioria dos Lisboetas e de certeza haverá muito mais a desvendar noutros pontos da cidade de Ulisses.
15.9.09
O PODER DAS PEDRAS
que fui obrigado a estudar em disciplina ministrada pelo já falecido professor doutor José Custódio de Morais. Nada me leva a negar que, como elementos da natureza, os cristais não possuam capacidades energéticas que possam vir a ser utilizadas a nosso favor. Basta pensar no quartzo, cujos átomos podem oscilar numa dada frequência , certa e precisa, quando excitados por uma fraca corrente eléctrica. Se assim não fosse e não teríamos os modernos e vulgares relógios que usamos. Correndo o risco de aparecer por aí um qualquer "zé ferino" a duvidar de tudo o que está para além da sua imediata e sensorial percepção do mundo, tentarei desenvolver o tema proposto. Recordo para já que há rochas a emitir energia e esta, embora não sentida pelo homem, existe, como foi comprovado já no início do século XX. É o caso do radão, gás radioactivo libertado pelos granitos e que, sendo prejudicial ao homem, é considerado uma " energia negativa". Será com um espírito de total abertura a fenómenos ora inexplicáveis que pesquisarei sobre o asunto nas fontes disponíveis .2.9.09
ABELARDO o filósofo poeta
Desta aproximação veio um louco amor que viria a ser fatal. Quando Heloísa apareceu grávida de Abelardo ,o tio Fulbert ficou fulo pois tinha consentido nas aulas mas estando a pupila acompanhada de uma criada. Heloísa foge para casa da irmã de Abelardo, em Le Pallet, onde dá à luz um filho a que deram o nome de Astrolábio. Para não prejudicar a carreira académica de Abelardo, e Heloísa deixar de ser mãe solteira, o tio Fulbert faz-lhes um casamento secreto em Notre Dame. Fulbert que aceitara este estratagema , desconfiou contudo de uma posterior proposta de Abelardo para que Heloísa se refugiasse num convento, pensando que seria esta ideia uma maneira de Abelardo repudiar a sobrinha. Resolve então vingar-se pagando a sicários para castrar Abelardo, o que veio a acontecer. Pelas leis da época um castrado já não podia dar aulas e , por tal motivo, Abelardo deixa o ensino na universidade de Paris e refugia-se na escola-mosteiro de St.Denis , acabando por aí morrer em 1121.Durante muitos anos o casal viu-se algumas vezes mas sem se falar. Cada um em seu convento , trocavam cartas amorosas das quais transcrevemos duas , as mais conhecidas: 

No aspecto filosófico destacamos de Abelardo o seguinte : reformulou o conceitualismo, posição intermédia entre o idealismo e o materialismo. O idealismo nega a realidade individual das coisas distintas do "eu " e só delas admite a ideia , enquanto o materialismo reduz tudo , incluindo a alma, à unidade da matéria . O Conceitualismo defende que o universal existe nas próprias coisas e que, separado delas, não é uma realidade em si própria como queriam os realistas , nem uma simples palavra como queriam os nominalistas , mas um conceito do espírito. As obras de Abelardo abrangiam três áreas:lógica, teologia e ética . No seu primeiro e mais famoso livro SIC ET NON já demontrava uma personalidade polémica pois as questões filosóficas e teológicas nele contidas levaram a diversos pontos de vista entre os académicos. O seu escrito mais polémico intitulava-se Dialéctica , mas teve outros como : Glosas literais, Lógica nostrorum, Logica ingredientibus , Theologia summi boni , além de uma autobiografia Historia calamitatum ou História das minhas desventuras onde conta os amores e as desgraças do seu casamento com Heloísa. Nas cartas que escreve á sua amada surge o Abelardo professor e o Abelardo homem, carregado de dúvidas e de paixões, estimulado por um desejo de busca que põe a razão ( a dialética ) como instrumento chave da formação humana.Esta história de amor de Heloísa e Abelardo foi recriada, séculos mais tarde, com "Romeu e Julieta" para já não falar de Pedro e Inês no nosso país, cujo amor é recordado em Coimbra na velha Quinta das Lágrimas e na moderníssima e bela ponte pedonal sobre o Mondego.
1.9.09
DIVAGANDO
28.8.09
FUSÃO NUCLEAR e a crise energética
Na Terra, o hidrogénio poderia ser obtido a partir da água do mar a baixo preço. O rendimento energético seria alto e o lixo resultante bem menos perigoso que o da fissão , pois haveria apenas o trítio como nuclídeo radioactivo. Não esqueçamos que na fissão, o urânio usado, para além de finito, produz Plutónio nos reactores ditos "reprodutores" e este novo elemento é excelente para o fabrico de bombas atómicas. Quem já não ouviu falar do receio de que os reactores nucleares energéticos do Irão e Coreia do Norte estejam também a produzir plutónio com fins militares? Estes reactores usam urânio 235 ou 233 como material físsel , água como como fluído de troca de calor, grafite como moderador da reacção diminuindo a velocidade dos neutrões e barras de cádmio ou boro como controlo, já que estas substâncias absorvem os neutrões.
O esquema acima mostra que um átomo de Urânio 235 ao ser bombardeado por neutrões ,quebra em átomos de Bário e Cripton, com libertação de mais neutrões e muita energia. Voltemos á fusão: se este processo necessita de muita energia térmica para se iniciar ( milhões de graus ) ele não é possível ? É , e já foi usado militarmente com a bomba de hidrogénio. Em laboratório, existem já reactores de fusão nuclear, classificados em dois tipos consoante a tecnologia :os de confinamento magnético e os de confinamento inercial. Estas estratégias são ditadas pelo facto de as temperaturas envolvidas para o arranque da fusão serem tão altas que nenhum material as pode aguentar, pois volatilizaria. A estratégia de confinamento magnético baseia-se em manter um plasma , onde se dará a reacção nuclear, sempre afastado das paredes do reactor por intermédio de fortes campos magnéticos ; o plasma manter-se-à em constante movimento em torno do eixo do toro da câmara . Este tipo de reactor denomina-se TOKAMAK ,sigla da frase grega câmara toroidal em enrolamentos magnéticos
e é o mais promissor para aplicação comercial. Já a estratégia de um reactor de confinação inercial é a de colocar uma enorme concentração de energia num pequeno ponto do combustível nuclear por forma a provocar a ignição , sem que os elementos da reacção toquem as paredes do reactor. Vários tokamak foram já construídos na Europa,USA, Rússia e Japão mas a energia libertada é quase igual á fornecida, excepção feita ao reactor japonês que, em 1998, obteve um cociente de 1 para 1,25. Se o problema da fusão reside na colossal quantidade de energia necessária para o arranque, os cientistas estão a pensar na possibilidade da fusão a frio, isto é, fusão que ocorresse em condições de baixa temperatura, em vez dos milhões de graus exigidos nos tokamak . O primeiro relato de uma fusão a frio foi dado, em 1989, por Martin Fleichman e Stanley Pons da universidade de Utah. Se bem que a comunidade científica tivesse duvidado do facto, outros cientistas observaram , em experiências posteriores, o aparecimento de excesso de calor, de trítio e de hélio e mutações nucleares. Em Março deste ano de 2009, cientistas de um laboratório da marinha dos USA comunicaram resultados promissores de fusão nuclear a frio. Pamela Mosier-Boss do SPAWAR afirmou :" de acordo com o nosso conhecimento, é a primeira vez que neutrões de alta energia são produzidos a partir de reacções nucleares com energia fraca; se há fusão devem observar-se neutrões e foi o que aconteceu, a não ser que esses neutrões se devam a outra espécie de reacção nuclear desconhecida ". Steven Krivit que acompanha há vinte anos as actividades de pesquisa de fusão a frio , considera importantes os trabalhos de Pamela e que se os neutrões observados não são resultado de uma fusão a frio e sim de um processo nuclear desconhecido, este deve ser investigado pois se situa entre a física e a química. Esperemos para ver .
