9.8.09

TELEVISÃO resumo histórico

Há quem diga que os antecedentes da televisão terão sido a fotografia e o cinema mas outros afirmam que terá sido a rádio ao popularizar a transmissão á distância da voz e da música por meio de ondas electromagnéticas. Se a voz e a música eram transmitidas, por que não tentar a imagem fixa e depois a movimentada? A televisão não surgiu facilmente e teve de socorrer-se de outros inventos que estavam a desenvolver-se no fim do século XIX e que passo a citar: em 1884 , o alemão Paul Nipkow, com 24 anos de idade, inventa e regista a patente de um disco com orifícios em espiral,distanciados igualmente entre si e que, ao rodar velozmente , decompunha em vários pontos claros e escuros uma imagem bastante iluminada. O somatório desses pontos refazia a imagem.

Aproveitando a propriedade do Selénio de variar a sua condutibilidade eléctrica consoante a intensidade luminosa a que é submetido , ao decompor-se uma imagem em pontos claros e escuros , estes corresponderiam a emissões e pausas de corrente eléctrica contínua.Estes seriam transmitidos á distância por meio de um cabo condutor e aí a imagem observável por um processo inverso. As primeiras transmissões de imagem devem-se ,no entanto, ao inglês John L. Baird que achava ser possível transmitir ,através de ondas electromagnéticas , os sinais eléctricos de um disco de Nipkow; em 1924 só transmitia contornos de objectos a 3 metros de distância mas, um ano depois, já eram fisionomias de pessoas . Em 1926 Baird assina um contracto com a BBC para transmissões experimentais entre Glasgow e Londres. O padrão de definição da imagem era de apenas 30 linhas usando o sistema mecãnico de Nipkow . Voltemos no entanto aos inventos do início do século XX que ajudaram a desenvolver a televisão: Boris Rosing desenvolve um sistema de televisão por rios catódicos ; segue-se, em 1923, a invenção do iconoscópio por Vladimir Zworykin que seria a base para as futuras câmaras de imagem Se Philo Earsworth patenteou, em 1927, um sistema analisador de imagem por raios catódicos foi, no entanto, Zworykin que ,ao serviço da RCA, produziu o primeiro tubo de televisão denominado ORTICON , industrializado a partir de 1945. Com máquinas rudimentares de captação de imagens já em Maio de 1935 a Alemanha inicia as emissões regulares com a França a fazer o mesmo em Novembro. A BBC inicia-as em 1936 mas com uma definição de imagem de 405 linhas. Na URSS as emissões têm início em 1938 e nos USA em 1939 , usando a definição de 340 linhas e trinta quadros por segundo. Excluindo a Alemanha, todos estes países interromperam emissões em 1939, devido á segunda guerra mundial. Paris voltou a emitir em Outubro de1944 e Moscovo em Dezembro de 1945 para transmitir o desfile da victória . Em síntese ,a televisão é constituída por uma câmara que capta a imagem, decompondo-a em sinais eléctricos que são enviados a um centro electrónico, o modulador, onde estes sinais são misturados com as ondas de um oscilador. Estas ondas hertzianas moduladas são amplificadas em potência e levadas à antena que as irradia . Estas ondas são recebidas por uma antena do receptor, onde são desmoduladas e o sinal resultante enviado para um écran de raios catódicos onde a imagem é refeita aproveitando o facto de o olho humano as reter durante uma fracção de segundo e não se aperceber que ela é composta por sucessivas linhas de pontos claros e escuros. O dispositivo electrónico utiliza os pontinhos ao longo das linhas conseguindo desenhar o frame (imagem) inteiro a cada 1/25 do segundo,isto na Europa, onde a frequência da corrente eléctrica é de 50 ciclos por segundo. Como as ondas hertzianas da TV se propagam em linha recta é necessário que as antenas emissora e receptora estejam em linha de vista uma da outra, daí o grande número de antenas repetidoras do sinal e sempre colocadas em locais muito altos. Hoje com o avanço da técnica algumas dessas antenas repetidoras estão em satélites geoestacionários, o que aconteceu pela primeira vez em 23 de Julho de 1962.(a foto mostra um dos primeiros televisores a preto e branco)Temos estado a referir à televisão a preto e branco mas que se passou com a cor? As primeiras experiências datam de 1929 quando Hebert Ives conseguiu enviar por fio, imagens coloridas com 50 linhas a 18 frames por segundo ,mas só se pode falar de televisão a cores quando os USA começam a emitir em 1954. Vários sistemas foram criados , mas todos iam de encontro a uma forte barreira : se um sistema novo surgisse, que fazer dos aparelhos antigos a preto e branco que já eram cerca de 10 milhões no início dos anos 50? Foi então criada uma comissão para colocar a cor no sistema preto e branco. Essa comissão, National Television Standards Committee , acabou por dar o nome ao sistema escolhido NTSC. O sistema desenvolvido baseava-se em utilizar o padrão a preto e branco que trabalhava com níveis de luminância (Y) a que se acrescentaram a cromância (C),ou seja a cor.O princípio de captar e receber imagens coloridas baseia-se na decomposição da luz branca em três cores primárias que são o vermelho (R ) (red=vermelho), o verde(G) (green) e o azul (B) blue ,numa proporção de nivel de 30% de vermelho,59% de verde e 11% de azul, emitidas estas cores em separado e em simultânio Na recepção o processo é inverso: a imagem é composta pelo somatório das cores, ou seja dos pontos de cor da tela do televisor. Se observarmos de perto um écran de um televisor a cores veremos que é constituído por minúsculos pontinhos verdes azuis e vermelhos que serão activados pelos sinais R.S e G emitidos.Os nossos olhos e cérebro misturam as tres imagens emitidas e parece-nos só uma a cores. Em 1967 , entra em funcionamentovna Alemanha uma variação do sistema americano a que se deu o nome de PAL e que é usado em Portugal em emissão analógica e frequências de VHF e UHF. No mesmo ano em França entra o sistema SECAM que no entanto não era compatível com o velho sistema a preto e branco. Até agora temos estado a referir a televisão de ondas hertzianas analógicas , como as da rádio em onda média ou curta , mas tal como a rádio evoluiu para emissões digitais em RDS também a televisão o está a fazer. O que recebemos através do cabo é TV digital! Esta usa um processo de modulação e compressão digital para enviar imagem de alta qualidade e som, bem como outras informações , simultaneamente numa única frequência . Para ter uma ideia da evolução televisiva diremos em resumo : a televisão iniciou-se com 30 linhas de imagem, passou a 240 e actualmente tem 480 e 525. A televisão digital chega a 1080 linhas. No que se refere ao formato de imagem passou-se de 4:3 para o 16:9 próximo do tipo panorâmico. Quanto ao som começou com o mono, passou ao estéreo de dois canais (esquerdo e direito) para actualmente ter seis canais .A televisão digital possibilita a sintonia do sinal sem fantasmas nem interferências , além da possibilidade de armazenar programas para os ver mais tarde ou um programa desde o início mesmo que ele já esteja a meio. Se até agora isto estará disponível a curto prazo para as emissões por cabo vem aí a TDT (televisão digital terrestre) em que o sinal que agora só temos por cabo virá por ondas hertzianas ,como agora chega o analógico. Portugal desligará totalmente o sinal analógico em 2012, passando só ao TDT, havendo a possibilidade de captar essas emissões nos antigos televisores desde que lhes sejam acoplados caixas descodificadoras.

26.7.09

CASTELO DE PENEDONO

Este castelo roqueiro é uma soberba obra de arte com torres bem lançadas numa base de penedos encavalitados e construído mais como residência do que como fortaleza aproveitando, no entanto, as fundações e silharias de anteriores fortificações. Não se sabe ao certo a data do nascimento do povoado onde se insere ,nem a origem do nome , possivelmente islamita , pois a única documentação conhecida data do sec X. Um documento redigido e firmado no ano 960 aponta para o facto deste castelo ter sido mandado restaurar por Rodrigo Teodoniz que o deixou, por testamento, a sua filha Chamoa tendo esta, mais tarde, doado este e outro castelo à ordem religiosa fundada por sua tia materna Mumadona . Passa-se isto no período da reconquista cristã da Península Ibérica , com as fronteiras sempre a variar , vilas e povoados perdidos e reconquistados, arrasamentos , destruições , batalhas e mortes, numa lenta progressão para sul dos cristãos . Desta forma, o castelo mudou de mãos várias vezes até a reconquista final pelo rei de Leão , Fernando Magno. D. Sancho I de Portugal, o rei povoador, para além de incentivar a fixação de gentes manda restaurar os castelos de Numão,Penedono,Longroiva , Marialva, Trancoso, Pinhel, Guarda e outros, para manter o Reino de Portugal independente dos de Leão e Castela., principalmente deste último. A vila de Penedono gozou os privilégios das cartas forais de D. Sancho I, em 1195, e de D. Afonso II em 1217. A guerra da independência entre Portugal e Castela , provocada pela morte de D. Fernando , já que a sua filha D: Beatriz era casada com o Rei de Castela , leva a que o alcaide do castelo,Gonçalo Vasques Coutinho, combata ao lado do Mestre de Avis pela causa de D. João I como rei de Portugal.

A planta do castelo é triangular com lados recurvados para fora.Na parede sul elevam-se dois finos torreões com ameias ressaltadas funcionando como reforços da porta principal. Esta, por sua vez, é encimada por um arco que liga as duas torres. Na parte traseira do castelo ,dois outros fortes torreões completam este conjunto. De modestas dimensões o seu interior é rico em sinais de pavimentos, amplas janelas quadradas com bancos laterais em cantaria e uma cisterna elevada .



20.7.09

PIRILAMPOS

O pirilampo é um insecto da família coleóptera da qual existem cerca de 2.000 espécies conhecidas . A sua característica mais observável é a bioluminiscência, melhor dizendo, a emissão de luz própria de tipo fosforescente, visível a grande distância na escuridão. É uma luz fria , por oposição á luz quente de uma lâmpada onde há libertação de luz e calor. Numa lâmpada a energia consumida é 1o% luminosa e 90 % calórica, enquanto no pirilampo 99% da energia libertada é luminosa. Esta luz é devida a uma sustância denominada luceferina que, em contacto com o ar ou com a água, produz oxiluceferina e uma luz amarela esverdeada. Alguns cientistas pensam que na espécie primitiva , de onde derivaram todas as outras , só as larvas possuíam esta luminiscência como sinal de aviso para os predadores as não comerem por serem tóxicas. Com a evolução, algumas espécies passaram também a ter esta luminosidade na fase de insecto adulto , na zona inferior do abdómen. De espécie para espécie varia a cor da luminosidade, bem como o fluxo luminoso que pode ser contínuo ou em alternância com pausas de escuridão. A frequência das emissões luminosas também varia com a espécie. Assim os machos voadores da espécie Photinus green mostram clarões duplos a cada 3 segundos , enquanto a espécie Photinus ignius tem os relâmpagos a cada 5 segundos. Também a espécie Pyractomena angulata pisca com uma luminosidade alaranjada diferente da vulgar amarelo esverdeada. Estes diferentes sinais dos machos voadores, alertam as fêmeas poisadas nas ervas para um possível acasalamento, mas estas só respondem se a frequência do sinal luminoso emitido pelo macho corresponder ao padrão da sua espécie. O mais curioso é que uma fêmea pode manter esta "conversa luminosa "com vários machos simultaneamente até se decidir por um que ache seja o melhor para fecundar os seus ovos. Os cientistas ainda não descobriram como as fêmeas fazem essa escolha. Em Portugal o período de acasalamento decorre de Maio a Agosto de acordo com a temperatura e a humidade do ar. O único centro português de estudo dos pirilampos situa-se no Parque Biológico de Gaia .

Terminaremos dizendo que este fenómeno da bioluminiscência não é exclusivo dos pirilampos pois também aparece em algas, crustáceos , mexilhões e peixes. e os japoneses já o introduziram em vertebrados geneticamente modificados.

19.7.09

HISTÓRIA DO RELÓGIO

Desde muito cedo que o Homem teve a necessidade de contar o tempo, primeiro a sequência do dia e da noite , depois a das fases da Lua , talvez a das marés e, mais tarde, a sequência das estações do ano. Terão decorrido 6.000 anos para o Homem se aperceber da passagem das horas . Estas eram contadas com o auxílio da sombra de uma vara , de um obelisco, isto é, de um relógio de sol rudimentar que acabou por evoluir para os que , embora antigos, hoje conhecemos e que mostramos de seguida. Seguiu-se o relógio de água constituído por um vaso cheio com água que se ia escoando devido a um pequeno orifício. Nas paredes do vaso estavam marcados traços indicadores do nível da água e correspondentes á passagem das horas. Este aparelho chamava-se clépsidra e difundiu-se por toda a Europa até ao sec XVI, sendo o mais exacto medidor do tempo na ausência de sol. A clépsidra mais antiga que foi encontrada em KarmaK data do reinado de Amenhotep III. Na China ,o astrónomo Y Hang inventou a clépsidra que mostrava a passagem do tempo através de um ponteiro embora a primasia do invento seja atribuída a Arquimedes. A medição do tempo neste aparelho era feita por intermédio de uma boia que elevava consigo uma barra dentada e esta, por sua vez, movia um ponteiro indicador das horas. Também eram usados as ampulhetas de fina areia e os relógios de fogo, estes sob diversas formas, como velas marcadas que se iam consumindo, ou cordas com nós que iam ardendo. Foram os povos do antigo Egipto e Mesopotâmia que dividiram o dia em 24 horas tendo construído os primeiros obliscos (gnomons) que colocados em locais estratégicos projectavam no terreno uma sombra móvel ao longo do dia, criando desta forma uma espécie de quadrante onde eram lidas as horas. Os relógios mecânicos de pesos surgem só no século XIV, aperfeiçoados depois no sec. XVI com a utilização do pêndulo de Galileu. Do sec XVII ao sec XIX introduziram-se mais melhorias nos mecanismos anteriores por forma a obter maior precisão. O relógio de bolso, como o que a seguir se mostra ,surge no séc XVIII , para no princípio do sec XX aparecer o de pulso e no final do século os de quartzo e os atómicos.Mas voltemos um pouco atrás :a medição mecânica do tempo teve origem nos conventos onde havia necessidade de regular o tempo de oração com o de trabalho. Os primeiros relógios mecânicos não mostravam as horas num quadrante ,limitando-se a tocar uma sineta a espaços regulares. Eram máquinas movidas por pesos e situavam-se na cela do monge guardião do relógio. Quando este monge ouvia a sineta tocar, dirigia-se ao sino da torre e fazia neste os toques para as diferentes orações diárias. Mais tarde, ao fazerem-se relógios maiores, estes foram montados nas torres fazendo soar os sinos, dispensando assim o monge guardião do tempo.Estes mecanismos chegaram a ser movidos por pesos de várias dezenas de quilos , o que obrigava a um enorme esforço físico para os elevar diariamente. Até se chegar ao relógio que mostrava as horas com um ponteiro num quadrante, muito teve que evoluir o relógio de soar. Damos como exemplo o sistema de escape que interrompe regularmente a queda dos pesos , como um interruptor que alternadamente trava e solta a força da máquina. Todavia,se a roda de escape girasse livremente , o peso desceria todo de uma só vez desenrolando toda a "corda" e os ponteiros girariam também muito rapidamente. Foi por isso inventado um regulador constante que cadencia o movimento da roda de escape. Esse regulador é a âncora que ligada a um pêndulo vai libertando, a espaços de tempo precisos, uma roda de escape dentada que, por sua vez, movimenta toda uma engrenagem de rodas dentadas e diferenciais ligados ao ponteiro das horas e ao dos minutos. A aplicação do pêndulo fez reduzir um erro diário de 15 minutos para10 segundos. Mais tarde o mecanismo de pesos foi substituído por uma cinta de aço que tinha a mesma função mas que permitia a redução do tamanho das máquinas , até que se chegou ao relógio de bolso, onde não há pêndulo, ou melhor, há um balanceiro que o substitui e que provoca o conhecido tic-tac.. No relógio de quartzo criado ,em 1928, por dois americanos e que se atrasava apenas um segundo a cada dez anos o seu funcionamento pode ser assim resumido: uma pilha fornece energia eléctrica a um circuito electrónico. Este circuito faz com que um cristal de quartzo, talhado de forma precisa, vibre 32.768 vezes por segundo . O circuito detecta esta vibração e transforma-a numa corrente eléctrica alternada de 1 hertz. ( equivale ao balanceiro mecânico)Esta corrente alimenta um pequeno motor e as rodas dentadas que estão ligadas aos ponteiros. Nas novas versões os ponteiros foram substituídos por algarismos de cristais líquidos. Criado como dissemos , em 1928 , só teve uso generalizado a partir de 1970. No que respeita ao relógio atómico o seu funcionamente é parecido ao anterior utilizando a frequência de oscilação da energia de um átomo. Como um pêndulo de relógio ,o átomo pode ser estimulado externamente por micro-ondas e ondas electromagnéticas, utilizando-se normalmente um isótopo do átomo de um elemento chamado Césio -133. Este tipo de átomo oscila 9.192.631.770 vezes por segundo. Desta forma , o Sistema Internacional de Unidades de Pesos e Medidas equiparou um segundo a 9.192.631.770 ciclos de radiação entre dois niveis de energia de um átomo de Césio133. Claro que alguns relógios atómicos podem usar como oscilação os átomos de Hidrogénio ou os de Rubídio. Considerado como o supra sumo da precisão mesmo assim atrasa um segundo a cada 65.ooo anos , ou seja atrasa 0,0000153 do segundo por ano. O primeiro relógio atómico foi construído nos Estados Unidos em 1949. Portugal também possui um relógio deste tipo no Observatório Nacional da Ajuda , em Lisboa, cuja variação ou êrro permitido é de 0,000.000.001 segundo por dia ou seja um bilionésimo de segundo por cada 24 horas.


( Relógio Atómico digital trabalhando com átomo de césio )

14.7.09

A GUERRA DAS CORRENTES ELECTRICAS

Foi em meados do século XIX que na América se teve a ideia de utilizar a electricidade para substituir a energia do vapor nas fábricas e o gás na iluminação das casas. Em breve surgiria também a dúvida se usar a corrente contínua de Edison ou a corrente alternada de Tesla.

Podemos dizer que a história da electricidade começa muito antes quando, em 1570 , William Gilbert demonstra a existência de forças atractivas e repulsivas do magnetismo e sugere que a Terra é um enorme íman. Stephen Gray, em 1729, consegue transmitir cargas eléctricas através de um condutor e em 1800 , Alexandre Volta inventa a pilha , a primeira fonte de corrente contínua funcional. O dínamo é inventado por Thomas Alva Edison em 1882, pondo em funcionamento a primeira central de distribuição de corrente contínua de Nova York para iluminação das habitações.A ideia de Edison foi bem acolhida pelos norte americanos já que o cientista gozava de certa popularidade devido aos seus anteriores inventos mas em breve começaram a surgir problemas: a energia fluía num só sentido e os cabos muitas vezes derretiam com a passagem da corrente, bem como não era possível transportá-la a mais de 2 kms o que obrigava a montar geradores por toda a cidade. Outro inconveniente resultava do facto da corrente contínua não poder alterar a sua voltagem o que obrigava a montagem de linhas separadas para a iluminação e para a indústria.. Dado os factos apontados, o céu de Nova York parecia uma gigantesca teia de aranha tantos eram os cabos transportadores de energia mas pior que isso era a segurança das pessoas . Durante o ciclone de 1888 os cabos partiram e caíram nas ruas matando mais de 400 pessoas e ateando incêndios.

Entretanto chegara a Nova York um jovem sérvio de nome Nikola Tesla que tinha muitas ideias para melhorar o sistema eléctrico da cidade . Edison aceitou-o como técnico e ofereceu-lhe um prémio de 50.000 dólares se conseguisse melhorar o sistema. mas ,pouco tempo passado , começaram os conflitos pois Edison tinha apenas conhecimentos dados pela experimentação, enquanto Tesla possuía uma sólida formação em matemática, mecânica ,física e engenharia sendo capaz de resolver problemas técnicos sem recorrer ao método experimental , o que irritava Edison. Quando um ano após o seu trabalho Tesla afirmou ter a solução para o transporte da energia Edison não acreditou e até desdenhou da solução recusando o pagamento do prémio. O que Tesla tinha inventado era um sistema de corrente alternada que era transportada em alta voltagem e sem perdas a grandes distâncias e que ,por meio de transformadores ,podia diminuir a voltagem no destino, consoante as necessidades .Zangado com Edison, Tesla demitiu-se passando a trabalhar para Western Union Company que o apoiou economicamente na investigação e construção de um grande alternador. Começa então uma guerra entre os dois sistemas eléctricos que durou uma década e que opunha a General Electric (Edison) á Westinghouse Corporation onde trabalhava Tesla.

Com o intuito de manter o monopólio da distribuição , Edison inicia uma campanha de difamação da corrente alternada cobrindo a cidade de cartazes que advertiam para o perigo da corrente alterna, chegando ao cúmulo de electrocutar em público cavalos e porcos para provar a sua perigosidade. Esta guerra só terminou com a Exposição Universal de Chicago, em 1893, na qual participaram 19 países e contou com 27 milhões de visitantes. Os dois sistemas foram testados, tendo-se concluído que o sistema de Tesla para além de ficar por metade do preço, não necessitava de tantos cabos e conseguia alimentar cem mil lâmpadas incandescentes sem quebra de potência , o que não aconteceu com o de Edison que ao ligar o sistema fez baixar a intensidade luminosa da cidade. Perante tal resultado ,as pessoas passaram a aceitar a corrente alterna e a cidade de Búfalo foi a primeira a ser iluminada por corrente alterna que era produzida a 32 Kms numa central hidroeléctrica das cataratas do Niagara. A corrente contínua não desapareceu por completo das cidades de todo o mundo, onde ainda é usada em transportes colectivos e outras pequenas aplicações específicas , na maioria das vezes a partir da corrente alterna rectificada

2.7.09

ESTILO GÓTICO

A passagem do estilo românico de catedrais sólidas e escuras do século VIII para o estilo gótico de linhas leves e de grande luminosidade, não está ainda bem explicada. Sabe-se que as ideias de arquitectura sólida e desprovida de ornamentos , defendida até então pelas ordens religiosas, foram contrariadas pela Ordem de Cister no início do século XII. Os cistercienses opinavam que as igrejas deveriam ser templos de luz , já que esta estava intimamente ligada com a divindade.O abade de Saints Denis aplicou esta teoria na construção da sua basílica, começando assim o estilo gótico que rapidamente se espalhou por toda a Europa. A casa de Deus, como já referimos, deveria ser o templo de luz e, para tal, era necessário aligeirar as paredes e abrir-lhes janelas com vitrais coloridos o que só era realizável com abóbadas de arcos cruzados, arcosbotantes e arcos em ogiva. Se no início, para este tipo de arquitectura , só os monges tinham os conhecimentos necessários, em breve apareceriam os mestres de obra e os operários especializados como pedreiros, ferreiros, carpinteiros, vidreiros e outros que ,agrupados em diferentes grémios , trabalhavam como uma só equipa . Mas este tema pode ser abordado por outro ângulo : o termo catedral vem do latim cathedra que quer dizer cadeira ou trono de quem ensina, tendo sido depois aplicado ás sedes episcopais ,no tempo de Carlos Magno. Com a morte deste imperador, o poder político fragmenta-se, passando do rei para a nobreza. Esta aumenta a sua força refugiando-se nos seus castelos em detrimento das cidades, não havendo neles espaço para construir catedrais. No sec XII, o crescimento espetacular da agricultura , ensinada pelas ordens de Cluny e Cister, criou excedentes e abriu portas ao comércio e ao renascimento de grandes cidades. Os bispos abandonam os castelos dos senhores feudais que os protegiam e regressam aos núcleos urbanos , onde as catedrais voltam a ter sentido. O financiamento para as novas catedrais pertencia aos bispados que, para além de fundos próprios, contava com o patrocínio dos monarcas , dos donativos dos peregrinos e dos grémios dos operários , no fundo toda a gente contribuía . Para além das funções religiosas, a catedral pretendia ser a casa de todos: as naves laterais serviriam de lugar de reunião, de sala de aula para os estudantes e de dormitório para os peregrinos . O interesse era tanto que as cidades rivalizavam entre si para construir a melhor catedral. .Também os incêndios, saques e guerras que tinham levado á destruição das velhas catedrais eram incentivo á construção de novas igrejas. Mal sabiam porém os operários dos séculos XII e XIII que construiram essas catedrais da Europa Central que, dois ou três séculos depois, a sua obra seria repudiada por uma nova sociedade e os grandes edifícios , pagos pela piedade da gente humilde, ficariam fechados, escuros e silenciosos, inúteis para a prática religiosa. Tal aconteceu com as reformas Luterana e Calvinista que se opunham ao catolicismo e ao culto e veneração de imagens, de relíquias , de procissões, isto é, a qualquer tipo de manifestação externa que impedisse uma religiosidade individual e íntima. Hoje esses templos , nos países de religião protestante , são usados como escolas ou mantidos como monumentos histórico-artísticos para turista visitar. O esquema das catedrais góticas pouco difere do das anteriores ,como se pode ver pela figura ao lado: mantém a forma de cruz com a nave (9), os transeptos (7) e o coro (4). A nave central era circundada por naves laterais (10) e na faixa horizontal dos transeptos encontrava-se o cruzeiro (6). O deambulatório (2) dava acesso ás capelas radiais (1) e servia para procissões interiores dos peregrinos .No fundo da nave situava-se a fachada da entrada ricamente cinzelada (11) Os alicerces destas catedrais tinham oito a nove metros de profundidade e eram constituídos por camadas de pedras ligadas por argamassa á base de areia ,cal e água.. Quanto aos andaimes eram simples pranchas o que constituía perigo de vida para os operários quando as paredes atingiam razoável altura. O telhado era colocado antes da construção das abóbadas e servia de apoio á rudimentar maquinaria de roldanas usada para içar a pedra para essas abóbadas. Com o telhado pronto , as pedras talhadas que formariam as nervuras dos arcos eram colocadas sobre cimbros de madeira e firmadas pelos pedreiros com argamassa. Entre os cimbros eram instaladas tábuas de madeira que serviam de cofragem ás pedras, durante o processo de secagem da argamassa. Quando esta estava seca aplicava-se nova camada de argamassa com 10 cm de espessura, e quando esta também estava seca eram retiradas as madeiras de cofragem e os cimbros (moldes curvos de madeira).
(construção dos alicerces e do telhado como se explicou no texto)
Os arcosbotantes (ver esquema acima) serviam de amparo ás altas e finas paredes da nave da catedral. Terminaremos este curto apontamento com a foto de uma gárgula, que mais não era que uma boca de escoamento de águas pluviais , e ainda a fotografia de uma fachada.

9.6.09

Castelo de ARNOIA

Este castelo roqueiro situa-se perto de Celorico de Basto, onde a penedia alterna com o arvoredo. Possui uma volumosa torre virada a sul ,com uma porta alteada dois metros em relação á base do terreiro e uma muralha pentagonal , ondeada de acordo com a sapata natural onde se apoia . Ainda virada a sul e sob a protecção imediata da torre, abre-se a singela porta da muralha. Bastante mutilado por absurdas crenças de "tesouros mouriscos ", este castelo merecia a atenção do poder local, pese embora nunca ter servido para defesa de uma povoação pois foi implantado em local quase inexpugnável e afastado de qualquer burgo , fazendo parte de um vasto plano estratégico de defesa regional. Fundado antes de existir Portugal, terá sido erguido pelos muçulmanos no século VIII. As primeiras investidas da reconquista cristã , no mesmo século , te-lo-ão danificado, sofrendo restauro já sob o domínio dos libertadores leoneses e potucalenses. De pouco interesse depois da reconquista cristã ,foi caindo no esquecimento. Não havendo grandes pormenores arquitectónicos para referir, falaremos de uma lenda.Conta a história que, no tempo do rei D. Dinis, era alcaide do castelo Martim Vasques da Cunha, partidário de D. Afonso , irmão do rei, que com este disputava o trono desde a morte de D: Afonso III .o Bolonhês. Por tal decisão partidária, pedira o alcaide a sua exoneração ao rei, mas D. Dinis recusava-a sempre. Para resolver a situação de maneira honrosa o alcaide ordenou a evacuação do castelo, trancou a porta por dentro, incendiou simbolicamente uma das casas e desceu da muralha dentro de um cesto preso a uma ameia. Como mandavam as regras da cavalaria abandonou o castelo deixando no interior tudo o que era preciso :" galo, galinha, gato, cão, sal, vinagre, azeite , pão, farinha, vinho, água, carne. peixe, ferraduras, cravos, bestas, flechas, ferro, corda, lenha, mós, alhos, cebolas, escudo, lança, espada,carvão, forja, funil, isca, pederneira, e pedras em cima das muralhas." Saíra com honra. O castelo foi , alguns meses depois, entregue a um novo alcaide Pêro Menedez que, segundo a lenda, morreu dentro do forno de cozer o pão da vila, pois se metera com uma jovem padeira viúva e esta , com a ajuda do irmão, assim se vingara. Em meados do século XX o castelo foi classificado como monumento nacional (decreto lei de 15/3/1946). O IPPAR concluiu obras de restauro e consolidação em Janeiro de 2004.


1.6.09

ELEFANTES DE GUERRA

Quem hoje observa os documentários filmados das últimas guerras não deixa de ficar impressionado com as imagens do avanço de uma coluna de carros de combate , vulgarmente designados por tanks , e pelo terror que eles provocavam nas tropas apeadas que os tinham de enfrentar. É que estas imponentes máquinas de guerra tinham substituído, no início do século XX, as cargas de cavalaria até então usadas no início de uma batalha. O que poucos saberão é que uma arma semelhante fora usada , embora com pouca frequência, na história militar da antiguidade para também "carregar" sobre o inimigo e romper as suas linhas defensivas ; estamos a falar de elefantes que pisoteavam e lançavam o terror, pois a sua grossa pele se tornava quase imune ás armas da época.
Embora há mais de 4.000 anos já existissem elefantes domados e ensinados a trabalhar na agricultura e no transporte de cargas pesadas, só por volta do ano 1.100 aC há notícias , em hinos sâncristos, de elefantes de guerra ,normalmente animais indianos mais fáceis de ensinar que os africanos.Diz-se que , no dia 1 de Outubro do ano 331 aC, o rei persa Dario III enfrentou Alexandre Magno na batalha de Gaugamela e que os 15 elefantes do exército persa causaram tal pavor aos soldados macedónicos que Alexandre teve de oferecer um sacrifício ritual a Febos , o deus do medo, na véspera da batalha para os acalmar. Alexandre ganhou essa batalha, mas ficou tão impressionado com o poder de ataque dos elefantes que posteriormente os incorporou no seu exército. Por esta altura, o rei de Magudha (Índia oriental) possuía 6.000 elefantes de guerra o que afectou de tal forma o exército de Alexandre que este desistiu de conquistar a região. O êxito desta arma de guerra levou, mais tarde, a que egípcios e cartagineses iniciassem o treino de elefantes africanos da selva, já que os da savana , de maior tamanho ,eram mais dificeis de ensinar. Na Europa é lendário o uso de elefantes por parte de Pirro II contra os Romanos na batalha de Heráclea (289 aC) e mais tarde o facto de Anibal ( general cartaginês) ter guiado os seus elefantes através dos Alpes o que afugentou os militares romanos durante a 2ª guerra púnica.

Mas todas as armas de guerra têm um ponto fraco e os romanos aprenderam a contrariar as cargas de elefantes . Assim , na batalha de Zama (202 aC) a carga resultou inútil quando os soldados se deslocaram lateralmente e deixaram passar os elefantes em corrida. Século e meio depois, na batalha de Tapso (46 aC), Júlio César armou os seus soldados com machados para ferir as patas dos elefantes , tal como no século XX a "basuca" foi utilizada para destruir as lagartas dos carros de combate e os imobilizar. Plínio , o velho, dizia que os elefantes se assustam com o grunhido dos porcos e que em Megara fora utilizada a seguinte estratégia : uma vara de porcos com o corpo untado de azeite que incendiaram foi lançada em direcção aos elefantes. Assustados com os grunhidos dos porcos a arder ,os elefantes tresmalharam em todas os sentidos destruindo ,com essa carga ,as suas próprias tropas. Outra táctica era matar com flechas o condutor do elefante ou ferir o animal na tromba com azagaias pois este entrava em pânico e fugia para qualquer lado, arrastando os outros numa espécie de " estoiro" que, se era na direcção pretendida, era um êxito defensivo total. O uso do elefante continuou no oriente por muitos anos mas, no século XIV , o uso da pólvora tornou obsoletas as cargas de elefantes, pois os animais podiam ser abatidos á distância com disparos de canhão, tal como hoje os "tanks" são vulneráveis aos misseis lançados de uma aeronave. O elefante foi também utilizado pelos exércitos como transportador de cargas pesadas ou como plataforma de tiro, pois de um palanque montado no seu dorso os arqueiros tinham um campo de tiro excelente . Documentos históricos do Sri-Lanka relatam que atavam cadeias de ferro com bolas do mesmo metal na ponta ás trombas dos elefantes e que estes as volteavam de tal maneira que dizimavam o inimigo á sua volta com toda a facilidade. Como ponto fraco desta arma do passdo cita-se a necessidade de grande quantidade de vegetação para alimento dos elefantes, o que impedia o seu uso em zonas pouco arborizadas, e o facto de na época do cio das fêmeas , os machos não obedecerem aos tratadores e andarem nervosos.

29.5.09

CARTAGO E OS SACRIFÍCIOS HUMANOS

Durante muito tempo , Cartago não se livrou da fama de possuir uma enorme estátua de bronze ,com uma fogueira dentro ,para onde eram atiradas crianças de tenra idade,num ritual de sacrifício ao deus Moloch ,como afirmava o grego Diodore que viveu cem anos antes de Cristo. Em 1921, foi descoberta uma necrópole com milhares de estelas suportando urnas em terracota contendo restos calcinados de crianças muito jovens , por vezes acompanhados por restos de animais , fazendo assim crer que o grego Diodore falara verdade. A arqueologia aceitou esta interpretação simplista e o mito continuou mas, após alguns decénios de investigação, a ideia foi posta em causa. Desta feita , o termo "molk" que se encontra na maioria das inscrições das estelas não designa um deus mas um ritual que poderá significar , quando associado á palavra baal, oferenda ou sacrifício de substituição. Por outro lado, nem na Sicília, Sardenha ,Espanha ou próximo oriente, foi encontrada qualquer estátua do tipo citado no início, mesmo nos locais tidos como sagrados pelos cartagineses. Hélène Bénichou-Safar que estudou longamente este assunto, verificou que nas outras necrópoles cartaginesas não havia sepulturas de crianças. Por quê então a concentração de sepulturas de crianças num único local ? Os peritos de medicina legal não conseguiram mostrar se as crianças foram queimadas vivas ou se eram cadáveres. Verificou-se ainda que os ossos contidos nas urnas de terracota , por vezes, pertenciam a mais de uma criança, fazendo assim cair por terra a ideia de que a figura dessas Estelas representava a criança sacrificada. Ficou comprovado que todos os corpos foram cremados na mesma posição o que anula a ideia de crianças atiradas de qualquer maneira para a fornalha do deus . Para complicar mais o problema há Estelas sem urnas funerárias e urnas sem Estela . A leitura dos epitáfios leva a supor que o ritual que presidia á incineração era privado e não uma atitude de expiação pública. Por tudo isto por que não admitir que eram nado-mortos ou crianças de tenra idade que não vingavam devido a infecções ,subnutrição, acidentes e outras causas vulgares na época e enterradas num local próprio ou específico ? Não esqueçamos que, entre nós, foi hábito haver nos cemitérios talhões reservados a crianças . A cremação talvez se devesse á ideia de assim poder levar até á divindade um ser ainda puro que tinha falecido. Este é mais um enigma da antiguidade em que somos levados a pensar ter contornos menos macabros que os inicialmente apresentados.

23.5.09

Darwinius masillae

Quem ,no dia 20 de Maio de 2009, visitou o Google deparou-se com um cabeçalho, diferente do habitual, representando um fóssil animal. O mundo não científico conhecia, desta forma, o Darwinius masillae um pequeno primata de quase 50 milhões de anos que parece ser o elo perdido na passagem dos prosímios para os símios antropoides durante a evolução humana. O animal terá vivido numa floresta onde hoje é a Alemanha , pesaria menos de um quilo no estado adulto, mas já apresentava características dos primatas mais evoluídos como dedos com unhas e não com garras . Darwinius masillae é a única espécie conhecida do género Darwinius , primata da época EOCENO de há 47 milhões de anos . Este único exemplar conhecido, baptizado de Ida, foi descoberto em 1983, em Messel, numa pedreira de xisto desactivada , a 35 Kms de Frankfurt. O fóssil era constituído por uma placa e por uma contra-placa parcial que foram vendidas em separado, seguindo percursos diversos. A contra-placa foi, em dada altura, completada artificialmente para parecer um fóssil completo e acabou, em 1991 , num museu particular de Wyoming. A parte falsificada da contraplaca foi no entanto obtida a partir da placa completa o que prova que o " falsificador" teve aceso ao fóssil completo. As duas partes foram novamente reunidas , em 2006, graças ao Museu de História Natural de Oslo que despendeu 1 milhão de dólares para tal. O animal, em vida, assemelhava-se a um lémure actual e é classificado da seguinte maneira : reino Animal, filo Cordado,classe Mamífero, ordem Primata , família notharctidae, género darwinius e espécie darwinius masillae, havendo nesta data discordância na sua classificação no que respeita a sub-ordem e infra-ordem. O seu nome vulgar de IDA é o nome da filha do Dr. Hurum, paleontólogo norueguês do museu de Oslo que conseguiu adquirir a secção do fóssil em falta e dirigiu o seu estudo. Para além dos ossos é visível a impressão dos tecidos moles e o contorno do pelo, bem como os restos da sua refeição de frutos e folhas . Exibe uma face curta com olhos dirigidos para a frente como os seres humanos, unhas em vez de garras e dentes semelhantes aos dos macacos. As mãos têm cinco dedos com polegares oponíveis como o homem. O estudo radiológico do fóssil revela tratar-se de uma fêmea juvenil que teria o pulso esquerdo fracturado. Os cientistas especulam que Ida possa ter sido sufocada por fumos de dióxido de carbono enquanto bebia no lago Messel. Diminuída pelo pulso partido,ficou inconsciente, foi levada pelas águas e afundou-se no lago, onde condições especiais de fossilização a conservaram por 47 milhões de anos .

10.5.09

CASTELO DA FEIRA

Onde hoje se situa o castelo, fora outrora um santuário pré-romano devotado ao deus Bandevelugo Toireco. Aumentado pelos romanos e posteriormente cristianizado, o templo foi, a pouco e pouco , ficando degradado e os seus materiais usados na construção de uma fortaleza que apresentava reminiscências romanas e islamitas provocadas pelos povos que a ocuparam. Durante o início do reino de Portugal esta foi aumentada para o dobro e novas obras , nos séculos XIV e XV, deram-lhe o aspecto definitivo . D. Sancho I , no século XII, escolhera-o para alojar a sua mulher ( D. Dulce) e as filhas , quando ele falecesse. Mais tarde foi dado como dote a D. Isabel de Aragão (Rainha Santa Isabel) pelo então noivo, o rei D.Dinis. Os anos correm e, já no tempo de D. Fernando este monarca, pouco antes de falecer, outorga a posse do castelo ao conde de Barcelos , João Afonso Teles. A morte de D. Fernando cria um problema dinástico pois a sua filha D. Beatriz, herdeira da coroa portuguesa, era casada com o rei de Castela. O castelo da Feira é então tomado de assalto por Gonçalo Coutinho que advogava a causa de D. João ( mestre de Avis) para rei de Portugal. Após as batalhas de Trancoso e Aljubarrota , o já rei D. João I confisca todos os bens do Conde de Barcelos e as terras de Santa Maria da Feira são entregues ao senhorio de Nuno Álvares Pereira e na descendência deste ficou até 1700. É um neto de Nuno Álvares, de nome Fernão Pereira, que manda fazer uma remodelação profunda no castelo. As obras que duraram vários anos só terminam na alcaidaria de seu filho Rui que ainda mais o fortificou. De Júlio Gil no seu livro "Os mais belos castelos de Portugal" tirámos os seguintes apontamentos:

" ....da grande cerca medieval conhecem-se apenas os cortornos .....a praça de armas tem ameias desenhadas ainda para artilharia de trons .... Sobre a base da antiga torre de menagem elevou-se a monumental alcáçova palaciana contendo um salão de festas de magnífica abóbada gótica, quatro lareiras de aquecimento , galeria alta,tribuna de músicos, escada helicoidal para o eirado e seis janelas. ......A porta principal do castelo sob protecção de pequena barbacã tem certa complexidade nas entradas desenfiadas....... no flanco a nascente da muralha um cubelo rectangular protege o poço e a poente um cubelo casamata sugere ciclópica máquina de guerra.

6.5.09

A RADIODIFUSÃO COMO ARMA DE GUERRA

As guerras mundiais do século XX não foram só feitas com armas letais como os gases, as bombas incendiárias, as granadas de morteiro e de obus, mísseis , etc ,mas também com emissões radiofónicas que nada têm a ver com radares ou comunicações militares. Um exemplo do que acabámos de referir passou-se em Portugal, país neutral na guerra de 1939-45 mas que, durante a chamada "guerra fria", foi actor importante na guerra radiofónica. Vejamos os factos : finda a segunda guerra mundial, a URSS desentende-se com os USA por causa da partilha da Alemanha e da cidade de Berlim e ocupa países do Leste Europeu como a Polónia,Checoseslováquia ,Hungria, etc, formando os chamados países da "cortina de ferro" e dando origem á guerra fria, uma guerra ideológica sem armas. Os Estados Unidos da América resolvem , por isso, criar a Radio Free Europe ( rádio europa livre) com a finalidade de emitir programas de rádio , em onda curta, direccionados aos países ocupados pela URSS e nas suas próprias línguas. Para que tal fosse possível, era necessário colocar os emissores em local correcto por forma ás ondas de rádio irem incidir naqueles países com um forte sinal e escuta razoável. O local ideal recaiu numa zona de Portugal denominada Glória do Ribatejo, local semidesabitado onde foi montado o maior centro emissor da REL (Rádio Europa Livre). Este complexo de emissores e grandes antenas transmitia continuamente programas de ideologia capitalista para os países dominados pelo comunismo e funcionou mais de 40 anos , até á queda da dominação soviética da URSS. O local da REL , com cerca de 196 hectares , onde estavam instaladas gigantescas antenas além de edifícios de apoio aos emissores, está hoje desocupado , tendo as antenas e o material de emissores sido desmantelado. Estas instalações da REL eram denominadas de RARET - sociedade anónima de rádio retransmissão e fora criada ,em 1951, para retransmitir os programas da Rádio Europa Livre cujos estúdios estavam em Munique (Alemanha). Segundo Manuel Cardoso ,engenheiro da RARET, os conteúdos programáticos eram de forma a seduzir os ouvintes dos países-alvo para as vantagens do mundo ocidental e assim, notícias censuradas ou leituras de obras proíbidas pelos regimes comunistas faziam parte da grelha da REL, gravadas com a voz de exilados políticos que se encontravam em Munique. Isto é explicado por outro ex-funcionário da RARET o Sr Mário Portugal L. Faria quando diz: " Salazar só permitia que servíssemos de espelho, ou seja, que recebêssemos e retransmitíssemos os programas vindos de Munique ." Para tal a RARET estava ligada a um importante centro de escuta na Maxoqueira (Benavente) que recebia as emissões de Holzkirchen ,oriundas dos estúdios de Munique, e as gravava ou reencaminhava logo para os diferentes emissores da Glória do Ribatejo. Estes emissores da Glória, com centenas de KWatts de potência, tinham as antenas dirigidas para a Roménia, Checoslováquia , Polónia,Hungria e Bulgária e, a partir dos anos 60, para países comunistas do médio oriente , num total de 18 línguas diferentes. Esta aparente confusão de emissões vindas da Alemanha para Portugal onde eram captadas, melhoradas tecnicamente , estruturadas conforme os países e emitidas posteriormente em diferentes comprimentos de onda , logo por diferentes emissores, só vem demonstrar a importância da radiodifusão na guerra psicológica. Em época mais recente , na guerra do Iraque , um dos primeiros edifícios que os EUA destruíram foi o dos estúdios da Rádio Bagdá, propriedade do Governo . Logo que esta deixou de emitir , aviões americanos passaram a sobrevoar o país com emissores potentes em onda curta,AM e FM emitindo música árabe e mensagens para que o povo deixasse de apoiar Saddam. A potência destes emissores era tal que abafava as outras emissoras locais do Iraque , criando na população um sentimento antiSaddan e a desmoralização nas tropas . A Rádio Iraque Livre chegou a ter emissões contínuas de cinco horas diárias . Esta táctica de guerra psicológica é muito eficiente , pois a rádio chega muito longe e é montada com facilidade durante um confronto. Também não é por acaso que, mesmo em tempo de paz, os países mantêm no ar programas radiofónicos em onda curta , destinados a outros países e na língua destes , numa constante acção de propaganda . A BBC, a Rádio Moscovo, a Rádio Neetherland, a Voz da América, a RDP África e até a Rádio Vaticana e outras mais por todo o lado, têm emissões em várias línguas e são exemplo da força psicológica deste meio de informação e contrainformação. A fotografia com que terminamos este apontamento refere-se ás antenas de onda curta da Rádio Vaticana.

1.5.09

JUDAÍSMO


Judaísmo é o nome dado á religião que originou o povo Judeu , tendo como protagonista não um indivíduo, como acontece com o Cristianismo e o Islamismo, mas o povo hebraico. É a mais antiga das três religiões monoteístas onde se incluem o cristianismo e o islamismo. Surgido do mosaísmo (conjunto de leis transmitidas por Deus ao povo de Israel, através de Moisés) o Judaísmo baseia a sua crença em três pontos: 1º- Existe um só Deus denominado YAVHÉ. 2º- O povo de Israel foi eleito por Deus para receber os mandamentos divinos que constituem a Torá. 3º--Há um pacto eterno entre Deus e o povo judeu.
As várias ramificações do Judaísmo moderno devem-se aos eventos históricos ocorridos com a comunidade judaica e baseiam-se em diferentes interpretações da religião. Entre as diferenças estão o uso de objectos religiosos como a Kipá, costumes alimentares ou o uso do hebraico como língua litúrgica. O judaísmo congrega hoje cerca de 18 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo ( Diáspora) e não é uma religião com ideias expansionistas ou de conversão, respeitando a pluralidade religiosa desde que as outras religiões não firam os mandamentos contidos na Torá. Os Judeus acreditam que, no futuro, quando o Messias chegar todos os povos reconhecerão Yavhé como Deus único.
A história do judaísmo começa no apelo de Deus a Abraão que, por volta de 1850 Ac deixou a Síria para se estabelecer na terra de Canaã,hoje Israel. Com a morte de Abraão , Jacob e os seus doze filhos emigram para o Egipto á procura de melhores condições de vida . Com o passar dos anos e ao verificarem estarem a ser tratados como escravos começam a isolar-se em locais próprios até que, por volta de 1250 A.c, Moisés leva o seu povo ,através do Mar Vermelho, novamente para Canaã. Entre os anos 500 aC e 100 dC sucederam-se , em Israel, as dominações estrangeiras: primeiro os Babilónicos, depois os Persas e por fim os Romanos. Nos séculos seguintes e até aos nossos dias a Diáspora continua cada vez mais intensa. Relembramos a expulsão dos Judeus de Espanha ,no tempo dos reis Católicos e o extermínio pelos nazis durante a 2ª Guerra Mundial.
São símbolos do judaísmo : o Muro das Lamentações em Jerusalém,restos do templo de Herodes, onde os judeus vão orar; o candelabro dos sete braços "Menorah" ; a Sinagoga lugar de oração. de reunião e de estudo. Esta religião não tem sacerdotes e o rabino é apenas um mestre na interpretação da Bíblia. O dia de oração e de descanso é o Sábado e vai desde o pôr do sol de sexta -feira até ao pôr do sol de sábado. Também é característica do judaísmo a circuncisão feita aos rapazes , oito dias após o nascimento, simbolizando a Aliança entre Deus e Abraão e é nesta altura que é dado o nome á criança . Só aos treze anos o rapaz se torna membro da comunidade ficando sujeito aos deveres e direitos que ela lhe impõe, sendo o principal o estudo da Torá . Neste livro da Lei estão as 613 obrigações que todo o hebreu deve observar e que são os cinco primeiros livros atribuídos a Moisés. Quando reza o judeu tem a cabeça coberta com o "talith", um xaile com franjas brancas e pretas e presos á testa e ao braço direito as " filactérias" pequenas bolsas que contêm as orações da Torá. O livro sagrado é a Bíblia correspondendo só ao Antigo Testamento.

Se é fácil definir um judeu como sendo um seguidor do judaismo mais difícil se torna saber quem é judeu, pois há muitas diferenças de opinião entre os judeus ortodoxos,reformistas e caraítas, bem como da influência geográfica , isto é, dos países onde residem. Se ultimamente é aceite que judeu é toda a pessoa que tenha passado por um processo de aprendizagem e conversão ao judaísmo ,ou pessoa que descenda de um membro da comunidade judaica, continua a haver desacordo no aspecto de quem deve tomar lugar no tribunal religioso que sancione uma conversão. Também não há acordo se uma criança nascida de um casamento onde um dos pais não é judeu, fica com esse estatuto por via materna ou paterna. Terminamos este curto apontamento com a oração que resume a fé judaica : ESCUTA ISRAEL O ETERNO É UM SÓ !

21.4.09

NÓS SOMOS O QUE COMEMOS

Como todos os seres vivos, o homem necessita de alimentos mas a maioria das pessoas come mal ; uns comem em demasia,outros passam fome ou cometem erros alimentares que provocam doenças. Os especialistas afirmam que a genética será a arma para recuperar as imunidades perdidas por doenças oriundas de erros alimentares mas, até essa solução chegar, a estratégia é adoptar hábitos de vida saudáveis. Dormir as horas necessárias, fazer exercício físico regularmente, ter uma alimentação equilibrada, não fumar e restringir ao máximo o consumo de álcool,constituem a melhor estratégia para conservar a saúde. Claro que ninguém está a salvo de contrair uma doença por herança genética, ter o seu envelhecimento natural, variações hormonais ,etc ,etc, mas podemos minimizar os factores de risco. Como alguém dizia : a vida é como um jogo de cartas ; a cada um de nós foi dado um conjunto de cartas (genes) mas, dependendo da forma como se jogam as cartas que possuímos, assim o resultado da partida pode ser bom ou mau. A alimentação certa, para além das suas características nutricionais , é uma ferramenta que pode destruir os radicais livres que tornam as células doentes. Está provado que uma má alimentação proteica, como acontece em países subdesenvolvidos ,está ligada a morte por infecções , o que também acontece em hospitais e lares nos quais os idosos deixaram de comer. A interacção entre nutrição e imunidade sugere a possibilidade de prevenir doenças através da alimentação. Todos os nutrientes têm importância, sejam os ácidos gordos omega 3, os sais minerais, as vitaminas ,os anti oxidantes e os alimentos pré e pró bióticos como as fibras vegetais e bactérias dos iogurtes. No caso dos antioxidantes que fazem desaparecer os radicais livres o mais importante está no azeite que também tem propriedades anti-inflamatórias e anti-cancerígenas , por possuir polifenois. Já que falàmos em radicais livres e anti-oxidantes vejamos o que são : RADICAIS LIVRES são elementos produzidos no processo respiratório e resultam da transformação de cerca de 3% do oxigénio inspirado. Esta pequena quantidade de radicais livres libertada no sangue tem efeito benéfico pois combate as bactérias e vírus do organismo, mas a poluição ambiental,o stress, o tabagismo ,o sedentarismo , uma alimentação rica em açúcares e gordura e a prática de exercícios físicos intensos levam a uma produção exagerada de radicais livres o que já é prejudicial, pois oxidam as células. É desta forma que surgem doenças degenerativas como a atenosesclerose ,hipertensão, diabetes, cataratas, Alzheimer , cancro ,artrite.Parkinson, etc. Como já dissemos os radicais livres são destruídos pelos anti-oxidantes que se encontram em vários alimentos, conjuntamente com as vitaminas e sais minerais. Uma alimentação rica em fruta, legumes,hortaliças e cereais integrais fornecem os anti-oxidantes necessários se bem que outros alimentos possuidores de vitaminas C e E , zinco, selénio, luteína e betacaroteno, complementem a dose ideal de anti-oxidantes. Considerando que o ritmo da vida moderna não permite uma alimentação racional e equilibrada, muitas empresas farmacêuticas lançam campanhas para vender suplementos minero-vitamínicos anti-oxidantes para compensar as deficiências. Estas campanhas nas revistas e televisões podem levar a excessos de efeito contrário ao desejado, pelo que se recomenda sempre um acompanhamento de médico especialista.Vejamos agora o que entendemos por alimentação racional cuja palavra chave é "equilíbrio " ou seja,a ingestão de uma grande variedade de alimentos em quantidades adequadas ao consumo de energia diária do nosso corpo, não esquecendo que a abundância ou escassez de qualquer nutriente pode levar ao desequilíbrio e originar problemas de saúde. A energia que consumimos é fornecida por três grupos de alimentos que apresentamos por ordem de importância: Hidratos de Carbono (massas, bolos, bolachas, pão ,arroz, batata, fruta) ;Gorduras (óleo,azeite,manteiga,margarina )Proteínas (leite,queijo,carne ,peixe, ovos ); para além destes nutrientes energéticos , outros há que são fundamentais, como as vitaminas , os sais minerais e as fibras. São regras básicas de uma alimentação equilibrada:
«««Comer grande variedade de alimentos respeitando os diversos grupos alimentares e não ingerir apenas alimentos de um só grupo.
«««Manter um peso saudável de acordo com a altura. A manutenção de um peso saudável , ao longo da vida, ajuda a reduzir a probabilidade de ocorrência de doenças.
«««Controlar a ingestão de gorduras.
«««Utilize o sal em mínima quantidade, substituindo-o por ervas aromáticas. O sal é o causador da hipertensão.
«««Faça uma dieta rica em legumes, frutas e leguminosas (ervilhas, favas, feijões etc).
«««Modere as bebidas alcoólicas e os refrigerantes com açúcares, São bebidas com muitas calorias e valor nutritivo quase nulo.
«««Álcool ,chá preto e café podem provocar dependência e perturbações.
«««Beba muita água que tem zero calorias e não engorda, contrariamente ao que muita gente pensa.

  • Evite esta imagem de erro alimentar

7.4.09

ASPIRINA medicamento centenário



Quando alguém se queixa de uma qualquer dor, é mais que certo ouvir outro dizer: "toma uma aspirina que isso passa!" O que nem todos sabem é que este medicamento ,de marca registada, tem 112 anos. Tudo começou em 19 de Agosto de 1897, quando Félix Hoffman, químico da Bayer, procurava um produto que aliviasse as dores reumáticas de seu pai. Ao criar a formula estável do ácido acetilsalicílico , deu ao mundo um analgésico ainda hoje usado e que, quanto mais tempo passa, mais se descobrem outras aplicações terapêuticas. A droga foi patenteada em 1899 com o nome de ASPIRINA : A de acetil SPIR de Spirea ulmaria (planta de onde se extrai o produto activo ) e INA sufixo usado nos produtos farmacêuticos. Era vendida como um pó para dissolver em água e embalado num frasco de vidro. (ver foto acima) .Félix Hoffman sabia que Hipócrates , há mais de 3500 anos , usara uma infusão de folhas e cascas de salgueiro, ricas em salicina, para aliviar as dores e febres, daí tentar obter o ácido salicílico estável.. Em 1950 a ASPIRINA entrou para o Guiness Book como o analgésico mais vendido no mundo e, ao fazer cem anos de existência (1997) nesse ano venderam-se 17 biliões de comprimidos. A embalagem do medicamento foi variando ao longo dos anos e disso mostraremos algumas fotos, sobre caixas em cartão, metal e até cortiça. Nos nossos dias, o maior uso da Aspirina é em cardiologia , nas doenças cardiovasculares, como substância capaz de diminuir o risco de formação de trombolos,isto é, de se vir a ter uma trombose.Mas todos os medicamentos têm um efeito colateral negativo e o da ASPIRINA é a sua agressão aos tecidos do estômago daí que hoje se junte ao comprimido carbonato de cálcio, carbonato de magnésio e óxido de magnésio para contrariar esse efeito.Também se podem revestir os comprimidos com uma fina película de etilcelulose por forma ao fármaco só ser absorvido no intestino mas, mesmo com estas precauções todas, a aspirina pode prolongar hemorragias pelo que não pode ser administrada a pacientes com hemofilia ou úlcera gástrica. O seu efeito é potenciado se consumida com álcool. Por tudo isto o uso prolongado de Aspirina deve ser controlado pelo médico através de análises clínicas periódicas. Terminamos este apontamento com o aspecto da recente (2009) embalagem do produto.

6.4.09

DNA LIXO e a evolução humana

Como já será do conhecimento geral, em cada um dos núcleos dos milhões de células que formam o corpo humano, existem 46 cromossomas agrupados em 23 pares . Cada cromossoma é constituído por duas moléculas de ADN ( ácido desoxirribonucleico) e cada uma dessas moléculas formada por uma sequência espiralada de nucleótidos . Estes, por sua vez,podem ter na sua constituição uma das seguintes bases orgânicas: Adenina, Timina , Citosina ou Guanina.É a ordem sequencial destes nucleótidos que determina o chamado código genético sendo cada gene nada mais que um pedaço da molécula de DNA .O esquema abaixo mostra um cromossoma com vários genes , representados por zonas escuras.

Pelo esquema se nota haver, entre os genes, espaços de cromossoma que parecem não servir para nada, pois as sequências de nucleótidos aí existentes não têm correspondência na formação de uma outra molécula denominada RNA . Por este motivo a essas zonas do DNA se chamou DNA LIXO. Esta designação é hoje imprópria pois se sabe que algumas doenças estão associadas a alterações do referido DNA lixo. Mas descobriu-se mais: se for feita uma análise comparativa dos genomas ( mapa dos genes)do homem , do chimpanzé, do macaco rhesus e de outros primatas esta análise indica que a evolução humana pode ter sido provocada por uma mutação nos genes ou por variações em zonas de DNA lixo. Essas variações foram , por exemplo, responsáveis pela activação de genes que deram origem ao dedo grande do pé ou ao polegar da mão humana oponível aos outros dedos. Estas e outras pequenas diferenças morfológicas entre o homem e os outros primatas ditaram a linha evolutiva diferenciada. Os cientistas há muito suspeitavam que as alterações genéticas eram a base da evolução , mas não sabiam onde essas alterações ocorriam.


Hoje sabe-se que as zonas do DNA lixo têm, na realidade, milhares de elementos reguladores que actuam como interruptores para activar ou desactivar os genes dos cromossomas. Uma indicação da importância biológica do DNA lixo é que muitas das suas sequências de nucleótidos se mantiveram "conservadas" mesmo em diferentes espécies de vertebrados como o homem ou o frango, o que vem reforçar a teoria da evolução a partir de um ancestral comum. Foram estudadas extensas regiões não codificantes do genoma do homem para identificar as sequências reguladoras cujas funções poderiam ter mudado durante a linha evolutiva da espécie humana. Para tal os cientistas procuraram as sequências que tinham mais pares de bases orgânicas em humanos do que em outros primatas. A sequência que aparecia mais frequentemente era a HACNS-1 e mostrava-se altamente conservada entre os vertebrados mas variava em 16 pares de bases, desde a divergência evolutiva entre o homem e o chimpanzé. Considerando que os genomas do homem e do chimpanzé são muito semelhantes, tudo leva a crer que foram mudanças na sequência HACNS-1 que contribuíram para a mudança do polegar, pulso, pé e tornozelo humanos em relação ao chimpanzé , as quais representaram vantagens críticas para o sucesso evolutivo do ser humano. A ciência genética é um mundo novo, ainda com milhões de coisas por descobrir e cada vez mais colocando os cientistas perante a sua própria ignorância perante a organização da Natureza. Se numa simples célula há um número gigantesco de segredos o que pensar no Universo a que pertencemos ?

1.4.09

ARTE NOVA

Arte Nova ou "art nouveaux" foi um estilo estético de arquitectura e de "design" que também influenciou outras artes plásticas. Tem o seu apogeu nas últimas décadas do séc XIX e foi influenciada pela 2ª Revolução Industrial. A exploração de novos materiais, como o vidro e o ferro que passaram a fazer parte dos edifícios , levaram ao novo estilo arquitectónico caracterizado pelas formas orgânicas , copiando a natureza e valorizando o trabalho artesanal.Esta tendência modernísta influenciou o mobiliário, a litografia colorida, a escultura e a pintura. O movimento recebeu vários nomes conforme os países : Flower art em Inglaterra, Florcal em Itália, Jugendstil na Alemanha e Art nouveaux na França. As origens do estilo Arte Nova remontam á Inglaterra vitoriana ; a Grande Exposição de 1851 realizou-se não só para publicitar a nova tecnologia do ferro e promover o comércio, como para divulgar aquilo que era tido como exemplo de objectos bem desenhados. Parte dos lucros da Exposição destinavam-se á fundação do Victória and Albert Museum de Londres, cujo objectivo era o incentivo das artes decorativas criando-se , com isso, um movimento de oposição aos produtos fabricados em série. Apelava-se a um artesanato inspirado numa visão romântica do regresso á natureza, nas suas formas. Este movimento inspirado por John Ruskin abriu caminho aos arquitectos como GUIMARD e GAUDI. A Arte Nova rejeitava a linha e o ângulo rectos em favor de um movimento mais natural cuja ênfase se centrava no desenho decorativo. A natureza era a principal fonte inspiradora dos artistas,em particular o mundo das plantas. Flores , caules e folhas eram objecto de escolha para a suas silhuetas curvilíneas. Os lírios, as iris e as orquídeas eram favorecidas, embora qualquer forma, desde as frondosas palmeiras ás algas marinhas fosse padrão inspirador. Insectos, pássaros coloridos, libelinhas, pavões, andorinhas e até cobras eram motivo decorativo que também se podia desenvolver a partir das curvas do corpo feminino com longas e soltas cabeleiras. A Arte Nova que teve o seu auge em finais de1880, começou a decair uma década depois , diluída por uma estética mais á altura do século XX. Em Portugal edifícios em estilo Arte Nova são comuns em Aveiro e Caldas da Raínha. Em Lisboa a casa museu Dr Anastácio Gonçalves e o Café Magestic, no Porto ,são um bom exemplo da variante portuguesa do estilo que estamos a referir. Mostramos a seguir o interior e exterior do Café Magestic.


No nosso país foi comum, mais que a arquitectura, a decoração de fachadas e interiores com azulejos "arte nova" em edifícios do início do século XX ou loiça artística de Bordalo Pinheiro. Por este motivo se diz que foi uma arte tardia de pouca duração, tendo existido de 1905 a 1920, principalmente baseada em trabalhos de serralharia artística em portões , gradeamentos e varandas ou em trabalhos de cantaria como florões, fachadas e meias fachadas, como as dos "palacetes dos brasileiros." As fotos que se seguem documentam o que acabamos de escrever e reportam-se a casas do Porto e Aveiro.



Quanto ao mobiliário deste estilo ele comporta muitas variações ,conforme os países e poucos foram os artesãos que o desenharam. As ideias vinham dos arquitectos que queriam decorar o interior dos edifícios de acordo com o exterior mas ao voltarem-se para o design de mobiliário o seu estilo revelou-se inadequado ás modernas técnicas de produção , daí o falhanço comercial.

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