23.5.09

Darwinius masillae

Quem ,no dia 20 de Maio de 2009, visitou o Google deparou-se com um cabeçalho, diferente do habitual, representando um fóssil animal. O mundo não científico conhecia, desta forma, o Darwinius masillae um pequeno primata de quase 50 milhões de anos que parece ser o elo perdido na passagem dos prosímios para os símios antropoides durante a evolução humana. O animal terá vivido numa floresta onde hoje é a Alemanha , pesaria menos de um quilo no estado adulto, mas já apresentava características dos primatas mais evoluídos como dedos com unhas e não com garras . Darwinius masillae é a única espécie conhecida do género Darwinius , primata da época EOCENO de há 47 milhões de anos . Este único exemplar conhecido, baptizado de Ida, foi descoberto em 1983, em Messel, numa pedreira de xisto desactivada , a 35 Kms de Frankfurt. O fóssil era constituído por uma placa e por uma contra-placa parcial que foram vendidas em separado, seguindo percursos diversos. A contra-placa foi, em dada altura, completada artificialmente para parecer um fóssil completo e acabou, em 1991 , num museu particular de Wyoming. A parte falsificada da contraplaca foi no entanto obtida a partir da placa completa o que prova que o " falsificador" teve aceso ao fóssil completo. As duas partes foram novamente reunidas , em 2006, graças ao Museu de História Natural de Oslo que despendeu 1 milhão de dólares para tal. O animal, em vida, assemelhava-se a um lémure actual e é classificado da seguinte maneira : reino Animal, filo Cordado,classe Mamífero, ordem Primata , família notharctidae, género darwinius e espécie darwinius masillae, havendo nesta data discordância na sua classificação no que respeita a sub-ordem e infra-ordem. O seu nome vulgar de IDA é o nome da filha do Dr. Hurum, paleontólogo norueguês do museu de Oslo que conseguiu adquirir a secção do fóssil em falta e dirigiu o seu estudo. Para além dos ossos é visível a impressão dos tecidos moles e o contorno do pelo, bem como os restos da sua refeição de frutos e folhas . Exibe uma face curta com olhos dirigidos para a frente como os seres humanos, unhas em vez de garras e dentes semelhantes aos dos macacos. As mãos têm cinco dedos com polegares oponíveis como o homem. O estudo radiológico do fóssil revela tratar-se de uma fêmea juvenil que teria o pulso esquerdo fracturado. Os cientistas especulam que Ida possa ter sido sufocada por fumos de dióxido de carbono enquanto bebia no lago Messel. Diminuída pelo pulso partido,ficou inconsciente, foi levada pelas águas e afundou-se no lago, onde condições especiais de fossilização a conservaram por 47 milhões de anos .

10.5.09

CASTELO DA FEIRA

Onde hoje se situa o castelo, fora outrora um santuário pré-romano devotado ao deus Bandevelugo Toireco. Aumentado pelos romanos e posteriormente cristianizado, o templo foi, a pouco e pouco , ficando degradado e os seus materiais usados na construção de uma fortaleza que apresentava reminiscências romanas e islamitas provocadas pelos povos que a ocuparam. Durante o início do reino de Portugal esta foi aumentada para o dobro e novas obras , nos séculos XIV e XV, deram-lhe o aspecto definitivo . D. Sancho I , no século XII, escolhera-o para alojar a sua mulher ( D. Dulce) e as filhas , quando ele falecesse. Mais tarde foi dado como dote a D. Isabel de Aragão (Rainha Santa Isabel) pelo então noivo, o rei D.Dinis. Os anos correm e, já no tempo de D. Fernando este monarca, pouco antes de falecer, outorga a posse do castelo ao conde de Barcelos , João Afonso Teles. A morte de D. Fernando cria um problema dinástico pois a sua filha D. Beatriz, herdeira da coroa portuguesa, era casada com o rei de Castela. O castelo da Feira é então tomado de assalto por Gonçalo Coutinho que advogava a causa de D. João ( mestre de Avis) para rei de Portugal. Após as batalhas de Trancoso e Aljubarrota , o já rei D. João I confisca todos os bens do Conde de Barcelos e as terras de Santa Maria da Feira são entregues ao senhorio de Nuno Álvares Pereira e na descendência deste ficou até 1700. É um neto de Nuno Álvares, de nome Fernão Pereira, que manda fazer uma remodelação profunda no castelo. As obras que duraram vários anos só terminam na alcaidaria de seu filho Rui que ainda mais o fortificou. De Júlio Gil no seu livro "Os mais belos castelos de Portugal" tirámos os seguintes apontamentos:

" ....da grande cerca medieval conhecem-se apenas os cortornos .....a praça de armas tem ameias desenhadas ainda para artilharia de trons .... Sobre a base da antiga torre de menagem elevou-se a monumental alcáçova palaciana contendo um salão de festas de magnífica abóbada gótica, quatro lareiras de aquecimento , galeria alta,tribuna de músicos, escada helicoidal para o eirado e seis janelas. ......A porta principal do castelo sob protecção de pequena barbacã tem certa complexidade nas entradas desenfiadas....... no flanco a nascente da muralha um cubelo rectangular protege o poço e a poente um cubelo casamata sugere ciclópica máquina de guerra.

6.5.09

A RADIODIFUSÃO COMO ARMA DE GUERRA

As guerras mundiais do século XX não foram só feitas com armas letais como os gases, as bombas incendiárias, as granadas de morteiro e de obus, mísseis , etc ,mas também com emissões radiofónicas que nada têm a ver com radares ou comunicações militares. Um exemplo do que acabámos de referir passou-se em Portugal, país neutral na guerra de 1939-45 mas que, durante a chamada "guerra fria", foi actor importante na guerra radiofónica. Vejamos os factos : finda a segunda guerra mundial, a URSS desentende-se com os USA por causa da partilha da Alemanha e da cidade de Berlim e ocupa países do Leste Europeu como a Polónia,Checoseslováquia ,Hungria, etc, formando os chamados países da "cortina de ferro" e dando origem á guerra fria, uma guerra ideológica sem armas. Os Estados Unidos da América resolvem , por isso, criar a Radio Free Europe ( rádio europa livre) com a finalidade de emitir programas de rádio , em onda curta, direccionados aos países ocupados pela URSS e nas suas próprias línguas. Para que tal fosse possível, era necessário colocar os emissores em local correcto por forma ás ondas de rádio irem incidir naqueles países com um forte sinal e escuta razoável. O local ideal recaiu numa zona de Portugal denominada Glória do Ribatejo, local semidesabitado onde foi montado o maior centro emissor da REL (Rádio Europa Livre). Este complexo de emissores e grandes antenas transmitia continuamente programas de ideologia capitalista para os países dominados pelo comunismo e funcionou mais de 40 anos , até á queda da dominação soviética da URSS. O local da REL , com cerca de 196 hectares , onde estavam instaladas gigantescas antenas além de edifícios de apoio aos emissores, está hoje desocupado , tendo as antenas e o material de emissores sido desmantelado. Estas instalações da REL eram denominadas de RARET - sociedade anónima de rádio retransmissão e fora criada ,em 1951, para retransmitir os programas da Rádio Europa Livre cujos estúdios estavam em Munique (Alemanha). Segundo Manuel Cardoso ,engenheiro da RARET, os conteúdos programáticos eram de forma a seduzir os ouvintes dos países-alvo para as vantagens do mundo ocidental e assim, notícias censuradas ou leituras de obras proíbidas pelos regimes comunistas faziam parte da grelha da REL, gravadas com a voz de exilados políticos que se encontravam em Munique. Isto é explicado por outro ex-funcionário da RARET o Sr Mário Portugal L. Faria quando diz: " Salazar só permitia que servíssemos de espelho, ou seja, que recebêssemos e retransmitíssemos os programas vindos de Munique ." Para tal a RARET estava ligada a um importante centro de escuta na Maxoqueira (Benavente) que recebia as emissões de Holzkirchen ,oriundas dos estúdios de Munique, e as gravava ou reencaminhava logo para os diferentes emissores da Glória do Ribatejo. Estes emissores da Glória, com centenas de KWatts de potência, tinham as antenas dirigidas para a Roménia, Checoslováquia , Polónia,Hungria e Bulgária e, a partir dos anos 60, para países comunistas do médio oriente , num total de 18 línguas diferentes. Esta aparente confusão de emissões vindas da Alemanha para Portugal onde eram captadas, melhoradas tecnicamente , estruturadas conforme os países e emitidas posteriormente em diferentes comprimentos de onda , logo por diferentes emissores, só vem demonstrar a importância da radiodifusão na guerra psicológica. Em época mais recente , na guerra do Iraque , um dos primeiros edifícios que os EUA destruíram foi o dos estúdios da Rádio Bagdá, propriedade do Governo . Logo que esta deixou de emitir , aviões americanos passaram a sobrevoar o país com emissores potentes em onda curta,AM e FM emitindo música árabe e mensagens para que o povo deixasse de apoiar Saddam. A potência destes emissores era tal que abafava as outras emissoras locais do Iraque , criando na população um sentimento antiSaddan e a desmoralização nas tropas . A Rádio Iraque Livre chegou a ter emissões contínuas de cinco horas diárias . Esta táctica de guerra psicológica é muito eficiente , pois a rádio chega muito longe e é montada com facilidade durante um confronto. Também não é por acaso que, mesmo em tempo de paz, os países mantêm no ar programas radiofónicos em onda curta , destinados a outros países e na língua destes , numa constante acção de propaganda . A BBC, a Rádio Moscovo, a Rádio Neetherland, a Voz da América, a RDP África e até a Rádio Vaticana e outras mais por todo o lado, têm emissões em várias línguas e são exemplo da força psicológica deste meio de informação e contrainformação. A fotografia com que terminamos este apontamento refere-se ás antenas de onda curta da Rádio Vaticana.

1.5.09

JUDAÍSMO


Judaísmo é o nome dado á religião que originou o povo Judeu , tendo como protagonista não um indivíduo, como acontece com o Cristianismo e o Islamismo, mas o povo hebraico. É a mais antiga das três religiões monoteístas onde se incluem o cristianismo e o islamismo. Surgido do mosaísmo (conjunto de leis transmitidas por Deus ao povo de Israel, através de Moisés) o Judaísmo baseia a sua crença em três pontos: 1º- Existe um só Deus denominado YAVHÉ. 2º- O povo de Israel foi eleito por Deus para receber os mandamentos divinos que constituem a Torá. 3º--Há um pacto eterno entre Deus e o povo judeu.
As várias ramificações do Judaísmo moderno devem-se aos eventos históricos ocorridos com a comunidade judaica e baseiam-se em diferentes interpretações da religião. Entre as diferenças estão o uso de objectos religiosos como a Kipá, costumes alimentares ou o uso do hebraico como língua litúrgica. O judaísmo congrega hoje cerca de 18 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo ( Diáspora) e não é uma religião com ideias expansionistas ou de conversão, respeitando a pluralidade religiosa desde que as outras religiões não firam os mandamentos contidos na Torá. Os Judeus acreditam que, no futuro, quando o Messias chegar todos os povos reconhecerão Yavhé como Deus único.
A história do judaísmo começa no apelo de Deus a Abraão que, por volta de 1850 Ac deixou a Síria para se estabelecer na terra de Canaã,hoje Israel. Com a morte de Abraão , Jacob e os seus doze filhos emigram para o Egipto á procura de melhores condições de vida . Com o passar dos anos e ao verificarem estarem a ser tratados como escravos começam a isolar-se em locais próprios até que, por volta de 1250 A.c, Moisés leva o seu povo ,através do Mar Vermelho, novamente para Canaã. Entre os anos 500 aC e 100 dC sucederam-se , em Israel, as dominações estrangeiras: primeiro os Babilónicos, depois os Persas e por fim os Romanos. Nos séculos seguintes e até aos nossos dias a Diáspora continua cada vez mais intensa. Relembramos a expulsão dos Judeus de Espanha ,no tempo dos reis Católicos e o extermínio pelos nazis durante a 2ª Guerra Mundial.
São símbolos do judaísmo : o Muro das Lamentações em Jerusalém,restos do templo de Herodes, onde os judeus vão orar; o candelabro dos sete braços "Menorah" ; a Sinagoga lugar de oração. de reunião e de estudo. Esta religião não tem sacerdotes e o rabino é apenas um mestre na interpretação da Bíblia. O dia de oração e de descanso é o Sábado e vai desde o pôr do sol de sexta -feira até ao pôr do sol de sábado. Também é característica do judaísmo a circuncisão feita aos rapazes , oito dias após o nascimento, simbolizando a Aliança entre Deus e Abraão e é nesta altura que é dado o nome á criança . Só aos treze anos o rapaz se torna membro da comunidade ficando sujeito aos deveres e direitos que ela lhe impõe, sendo o principal o estudo da Torá . Neste livro da Lei estão as 613 obrigações que todo o hebreu deve observar e que são os cinco primeiros livros atribuídos a Moisés. Quando reza o judeu tem a cabeça coberta com o "talith", um xaile com franjas brancas e pretas e presos á testa e ao braço direito as " filactérias" pequenas bolsas que contêm as orações da Torá. O livro sagrado é a Bíblia correspondendo só ao Antigo Testamento.

Se é fácil definir um judeu como sendo um seguidor do judaismo mais difícil se torna saber quem é judeu, pois há muitas diferenças de opinião entre os judeus ortodoxos,reformistas e caraítas, bem como da influência geográfica , isto é, dos países onde residem. Se ultimamente é aceite que judeu é toda a pessoa que tenha passado por um processo de aprendizagem e conversão ao judaísmo ,ou pessoa que descenda de um membro da comunidade judaica, continua a haver desacordo no aspecto de quem deve tomar lugar no tribunal religioso que sancione uma conversão. Também não há acordo se uma criança nascida de um casamento onde um dos pais não é judeu, fica com esse estatuto por via materna ou paterna. Terminamos este curto apontamento com a oração que resume a fé judaica : ESCUTA ISRAEL O ETERNO É UM SÓ !

21.4.09

NÓS SOMOS O QUE COMEMOS

Como todos os seres vivos, o homem necessita de alimentos mas a maioria das pessoas come mal ; uns comem em demasia,outros passam fome ou cometem erros alimentares que provocam doenças. Os especialistas afirmam que a genética será a arma para recuperar as imunidades perdidas por doenças oriundas de erros alimentares mas, até essa solução chegar, a estratégia é adoptar hábitos de vida saudáveis. Dormir as horas necessárias, fazer exercício físico regularmente, ter uma alimentação equilibrada, não fumar e restringir ao máximo o consumo de álcool,constituem a melhor estratégia para conservar a saúde. Claro que ninguém está a salvo de contrair uma doença por herança genética, ter o seu envelhecimento natural, variações hormonais ,etc ,etc, mas podemos minimizar os factores de risco. Como alguém dizia : a vida é como um jogo de cartas ; a cada um de nós foi dado um conjunto de cartas (genes) mas, dependendo da forma como se jogam as cartas que possuímos, assim o resultado da partida pode ser bom ou mau. A alimentação certa, para além das suas características nutricionais , é uma ferramenta que pode destruir os radicais livres que tornam as células doentes. Está provado que uma má alimentação proteica, como acontece em países subdesenvolvidos ,está ligada a morte por infecções , o que também acontece em hospitais e lares nos quais os idosos deixaram de comer. A interacção entre nutrição e imunidade sugere a possibilidade de prevenir doenças através da alimentação. Todos os nutrientes têm importância, sejam os ácidos gordos omega 3, os sais minerais, as vitaminas ,os anti oxidantes e os alimentos pré e pró bióticos como as fibras vegetais e bactérias dos iogurtes. No caso dos antioxidantes que fazem desaparecer os radicais livres o mais importante está no azeite que também tem propriedades anti-inflamatórias e anti-cancerígenas , por possuir polifenois. Já que falàmos em radicais livres e anti-oxidantes vejamos o que são : RADICAIS LIVRES são elementos produzidos no processo respiratório e resultam da transformação de cerca de 3% do oxigénio inspirado. Esta pequena quantidade de radicais livres libertada no sangue tem efeito benéfico pois combate as bactérias e vírus do organismo, mas a poluição ambiental,o stress, o tabagismo ,o sedentarismo , uma alimentação rica em açúcares e gordura e a prática de exercícios físicos intensos levam a uma produção exagerada de radicais livres o que já é prejudicial, pois oxidam as células. É desta forma que surgem doenças degenerativas como a atenosesclerose ,hipertensão, diabetes, cataratas, Alzheimer , cancro ,artrite.Parkinson, etc. Como já dissemos os radicais livres são destruídos pelos anti-oxidantes que se encontram em vários alimentos, conjuntamente com as vitaminas e sais minerais. Uma alimentação rica em fruta, legumes,hortaliças e cereais integrais fornecem os anti-oxidantes necessários se bem que outros alimentos possuidores de vitaminas C e E , zinco, selénio, luteína e betacaroteno, complementem a dose ideal de anti-oxidantes. Considerando que o ritmo da vida moderna não permite uma alimentação racional e equilibrada, muitas empresas farmacêuticas lançam campanhas para vender suplementos minero-vitamínicos anti-oxidantes para compensar as deficiências. Estas campanhas nas revistas e televisões podem levar a excessos de efeito contrário ao desejado, pelo que se recomenda sempre um acompanhamento de médico especialista.Vejamos agora o que entendemos por alimentação racional cuja palavra chave é "equilíbrio " ou seja,a ingestão de uma grande variedade de alimentos em quantidades adequadas ao consumo de energia diária do nosso corpo, não esquecendo que a abundância ou escassez de qualquer nutriente pode levar ao desequilíbrio e originar problemas de saúde. A energia que consumimos é fornecida por três grupos de alimentos que apresentamos por ordem de importância: Hidratos de Carbono (massas, bolos, bolachas, pão ,arroz, batata, fruta) ;Gorduras (óleo,azeite,manteiga,margarina )Proteínas (leite,queijo,carne ,peixe, ovos ); para além destes nutrientes energéticos , outros há que são fundamentais, como as vitaminas , os sais minerais e as fibras. São regras básicas de uma alimentação equilibrada:
«««Comer grande variedade de alimentos respeitando os diversos grupos alimentares e não ingerir apenas alimentos de um só grupo.
«««Manter um peso saudável de acordo com a altura. A manutenção de um peso saudável , ao longo da vida, ajuda a reduzir a probabilidade de ocorrência de doenças.
«««Controlar a ingestão de gorduras.
«««Utilize o sal em mínima quantidade, substituindo-o por ervas aromáticas. O sal é o causador da hipertensão.
«««Faça uma dieta rica em legumes, frutas e leguminosas (ervilhas, favas, feijões etc).
«««Modere as bebidas alcoólicas e os refrigerantes com açúcares, São bebidas com muitas calorias e valor nutritivo quase nulo.
«««Álcool ,chá preto e café podem provocar dependência e perturbações.
«««Beba muita água que tem zero calorias e não engorda, contrariamente ao que muita gente pensa.

  • Evite esta imagem de erro alimentar

7.4.09

ASPIRINA medicamento centenário



Quando alguém se queixa de uma qualquer dor, é mais que certo ouvir outro dizer: "toma uma aspirina que isso passa!" O que nem todos sabem é que este medicamento ,de marca registada, tem 112 anos. Tudo começou em 19 de Agosto de 1897, quando Félix Hoffman, químico da Bayer, procurava um produto que aliviasse as dores reumáticas de seu pai. Ao criar a formula estável do ácido acetilsalicílico , deu ao mundo um analgésico ainda hoje usado e que, quanto mais tempo passa, mais se descobrem outras aplicações terapêuticas. A droga foi patenteada em 1899 com o nome de ASPIRINA : A de acetil SPIR de Spirea ulmaria (planta de onde se extrai o produto activo ) e INA sufixo usado nos produtos farmacêuticos. Era vendida como um pó para dissolver em água e embalado num frasco de vidro. (ver foto acima) .Félix Hoffman sabia que Hipócrates , há mais de 3500 anos , usara uma infusão de folhas e cascas de salgueiro, ricas em salicina, para aliviar as dores e febres, daí tentar obter o ácido salicílico estável.. Em 1950 a ASPIRINA entrou para o Guiness Book como o analgésico mais vendido no mundo e, ao fazer cem anos de existência (1997) nesse ano venderam-se 17 biliões de comprimidos. A embalagem do medicamento foi variando ao longo dos anos e disso mostraremos algumas fotos, sobre caixas em cartão, metal e até cortiça. Nos nossos dias, o maior uso da Aspirina é em cardiologia , nas doenças cardiovasculares, como substância capaz de diminuir o risco de formação de trombolos,isto é, de se vir a ter uma trombose.Mas todos os medicamentos têm um efeito colateral negativo e o da ASPIRINA é a sua agressão aos tecidos do estômago daí que hoje se junte ao comprimido carbonato de cálcio, carbonato de magnésio e óxido de magnésio para contrariar esse efeito.Também se podem revestir os comprimidos com uma fina película de etilcelulose por forma ao fármaco só ser absorvido no intestino mas, mesmo com estas precauções todas, a aspirina pode prolongar hemorragias pelo que não pode ser administrada a pacientes com hemofilia ou úlcera gástrica. O seu efeito é potenciado se consumida com álcool. Por tudo isto o uso prolongado de Aspirina deve ser controlado pelo médico através de análises clínicas periódicas. Terminamos este apontamento com o aspecto da recente (2009) embalagem do produto.

6.4.09

DNA LIXO e a evolução humana

Como já será do conhecimento geral, em cada um dos núcleos dos milhões de células que formam o corpo humano, existem 46 cromossomas agrupados em 23 pares . Cada cromossoma é constituído por duas moléculas de ADN ( ácido desoxirribonucleico) e cada uma dessas moléculas formada por uma sequência espiralada de nucleótidos . Estes, por sua vez,podem ter na sua constituição uma das seguintes bases orgânicas: Adenina, Timina , Citosina ou Guanina.É a ordem sequencial destes nucleótidos que determina o chamado código genético sendo cada gene nada mais que um pedaço da molécula de DNA .O esquema abaixo mostra um cromossoma com vários genes , representados por zonas escuras.

Pelo esquema se nota haver, entre os genes, espaços de cromossoma que parecem não servir para nada, pois as sequências de nucleótidos aí existentes não têm correspondência na formação de uma outra molécula denominada RNA . Por este motivo a essas zonas do DNA se chamou DNA LIXO. Esta designação é hoje imprópria pois se sabe que algumas doenças estão associadas a alterações do referido DNA lixo. Mas descobriu-se mais: se for feita uma análise comparativa dos genomas ( mapa dos genes)do homem , do chimpanzé, do macaco rhesus e de outros primatas esta análise indica que a evolução humana pode ter sido provocada por uma mutação nos genes ou por variações em zonas de DNA lixo. Essas variações foram , por exemplo, responsáveis pela activação de genes que deram origem ao dedo grande do pé ou ao polegar da mão humana oponível aos outros dedos. Estas e outras pequenas diferenças morfológicas entre o homem e os outros primatas ditaram a linha evolutiva diferenciada. Os cientistas há muito suspeitavam que as alterações genéticas eram a base da evolução , mas não sabiam onde essas alterações ocorriam.


Hoje sabe-se que as zonas do DNA lixo têm, na realidade, milhares de elementos reguladores que actuam como interruptores para activar ou desactivar os genes dos cromossomas. Uma indicação da importância biológica do DNA lixo é que muitas das suas sequências de nucleótidos se mantiveram "conservadas" mesmo em diferentes espécies de vertebrados como o homem ou o frango, o que vem reforçar a teoria da evolução a partir de um ancestral comum. Foram estudadas extensas regiões não codificantes do genoma do homem para identificar as sequências reguladoras cujas funções poderiam ter mudado durante a linha evolutiva da espécie humana. Para tal os cientistas procuraram as sequências que tinham mais pares de bases orgânicas em humanos do que em outros primatas. A sequência que aparecia mais frequentemente era a HACNS-1 e mostrava-se altamente conservada entre os vertebrados mas variava em 16 pares de bases, desde a divergência evolutiva entre o homem e o chimpanzé. Considerando que os genomas do homem e do chimpanzé são muito semelhantes, tudo leva a crer que foram mudanças na sequência HACNS-1 que contribuíram para a mudança do polegar, pulso, pé e tornozelo humanos em relação ao chimpanzé , as quais representaram vantagens críticas para o sucesso evolutivo do ser humano. A ciência genética é um mundo novo, ainda com milhões de coisas por descobrir e cada vez mais colocando os cientistas perante a sua própria ignorância perante a organização da Natureza. Se numa simples célula há um número gigantesco de segredos o que pensar no Universo a que pertencemos ?

1.4.09

ARTE NOVA

Arte Nova ou "art nouveaux" foi um estilo estético de arquitectura e de "design" que também influenciou outras artes plásticas. Tem o seu apogeu nas últimas décadas do séc XIX e foi influenciada pela 2ª Revolução Industrial. A exploração de novos materiais, como o vidro e o ferro que passaram a fazer parte dos edifícios , levaram ao novo estilo arquitectónico caracterizado pelas formas orgânicas , copiando a natureza e valorizando o trabalho artesanal.Esta tendência modernísta influenciou o mobiliário, a litografia colorida, a escultura e a pintura. O movimento recebeu vários nomes conforme os países : Flower art em Inglaterra, Florcal em Itália, Jugendstil na Alemanha e Art nouveaux na França. As origens do estilo Arte Nova remontam á Inglaterra vitoriana ; a Grande Exposição de 1851 realizou-se não só para publicitar a nova tecnologia do ferro e promover o comércio, como para divulgar aquilo que era tido como exemplo de objectos bem desenhados. Parte dos lucros da Exposição destinavam-se á fundação do Victória and Albert Museum de Londres, cujo objectivo era o incentivo das artes decorativas criando-se , com isso, um movimento de oposição aos produtos fabricados em série. Apelava-se a um artesanato inspirado numa visão romântica do regresso á natureza, nas suas formas. Este movimento inspirado por John Ruskin abriu caminho aos arquitectos como GUIMARD e GAUDI. A Arte Nova rejeitava a linha e o ângulo rectos em favor de um movimento mais natural cuja ênfase se centrava no desenho decorativo. A natureza era a principal fonte inspiradora dos artistas,em particular o mundo das plantas. Flores , caules e folhas eram objecto de escolha para a suas silhuetas curvilíneas. Os lírios, as iris e as orquídeas eram favorecidas, embora qualquer forma, desde as frondosas palmeiras ás algas marinhas fosse padrão inspirador. Insectos, pássaros coloridos, libelinhas, pavões, andorinhas e até cobras eram motivo decorativo que também se podia desenvolver a partir das curvas do corpo feminino com longas e soltas cabeleiras. A Arte Nova que teve o seu auge em finais de1880, começou a decair uma década depois , diluída por uma estética mais á altura do século XX. Em Portugal edifícios em estilo Arte Nova são comuns em Aveiro e Caldas da Raínha. Em Lisboa a casa museu Dr Anastácio Gonçalves e o Café Magestic, no Porto ,são um bom exemplo da variante portuguesa do estilo que estamos a referir. Mostramos a seguir o interior e exterior do Café Magestic.


No nosso país foi comum, mais que a arquitectura, a decoração de fachadas e interiores com azulejos "arte nova" em edifícios do início do século XX ou loiça artística de Bordalo Pinheiro. Por este motivo se diz que foi uma arte tardia de pouca duração, tendo existido de 1905 a 1920, principalmente baseada em trabalhos de serralharia artística em portões , gradeamentos e varandas ou em trabalhos de cantaria como florões, fachadas e meias fachadas, como as dos "palacetes dos brasileiros." As fotos que se seguem documentam o que acabamos de escrever e reportam-se a casas do Porto e Aveiro.



Quanto ao mobiliário deste estilo ele comporta muitas variações ,conforme os países e poucos foram os artesãos que o desenharam. As ideias vinham dos arquitectos que queriam decorar o interior dos edifícios de acordo com o exterior mas ao voltarem-se para o design de mobiliário o seu estilo revelou-se inadequado ás modernas técnicas de produção , daí o falhanço comercial.

25.3.09

UM EXÉRCITO EM TERRACOTA



Em Março de 1974, camponeses chineses de Lintong (na região de Xi'an) que abriam um poço, viram aparecer da argila uma cabeça humana de tamanho natural,feita de terracota. Embora o facto não fosse inédito na região , as autoridades foram informadas e , em breve,um grupo de arqueólogos estudava o local. Estes acabaram por descobrir que ali estaria enterrado o lendário 1º Imperador da China, QIN SHI HUANGDI. (século III antes de Cristo). Este imperador que em vida podia mobilizar mais de um milhão de soldados , desejou que o seu túmulo fosse guardado por um exército de terracota em tamanho natural. Durante as escavações arqueológicas, não surgiu apenas o túmulo,mas um verdadeiro microcosmo do império Qin, com 7.000 guerreiros,600 cavalos e 100 carros de guerra , tudo modelado em argila e distribuídos por três fossas, além de outras figuras de artesãos.
Os soldados , em cada uma das fossas, diferem uns dos outros e revelam um tratamento muito cuidadoso dos pormenores do rosto, já que ao serem modelados ficaram com uma expressão individualizada e com as características das diferentes etnias da China. Dá a impressão de que cada soldado posou para o escultor pois que se podem reconhecer 24 formas diferentes de bigodes, pêras ,suíças , tranças e rabos de cavalo.O pormenor chegou á variedade de capacetes dos oficiais e á sua categoria, bem como aos diferentes tipos de cintos e sapatos.


As estátuas eram coloridas e de acordo com o fardamento usado pelos diferentes regimentos a que pertenciam, isto é, archeiros, infantaria, cavalaria com carros , quartel general e regimento de serviços de apoio. Cavalos, arreios, carros de combate , tudo tem pormenores que os diferenciam, como acontecia na realidade.


A descrição individualizada de cada uma das fossas, com a posição de soldados , carros e cavalos, tornar-se-ia fastidiosa para os nossos leitores menos entendidos em arqueologia , pelo que nos debruçaremos sobre outros aspectos deste gigantesco complexo funerário de 56.000 metros quadrados. Qin Shi Huangdi, de seu verdadeiro nome, Ying Zheng, era um senhor feudal dotado de excepcionais qualidades políticas e militares. Tendo subido ao trono com apenas 13 anos conseguiu , no ano 221 antes de Cristo, unificar os reinos e fundar a China, o primeiro país feudal constituído por múltiplas etnias. Na sua política de unificação padronizou a escrita, a moeda e as unidades de medida. Implementou também um novo siatema de administração, dividindo o país em 36 províncias e criando ministérios que dependiam de si directamente, nomeando os principais oficiais políticos e militares. Fortemente supersticioso, acreditava na vida eterna do seu reino e dinastia , começando a construir o seu túmulo logo após ascender ao trono. As obras do túmulo prolongaram-se por 37 anos e chegaram a empregar mais de 720.000 trabalhadores, a maior parte dos quais condenados e prisioneiros de guerra. O túmulo propriamente dito erguia-se a 115 metros de altura e estava rodeado por duas muralhas..Era formado por um palácio onde foi deposto o sarcófago de pedra rodeado de objectos de prata ,ouro e pedras preciosas de valor incalculável. Além das já citadas fossas onde estão os soldados, o complexo compreende centenas de outras galerias que reproduzem o império terrestre de Qin Shi Haungdi. Os guerreiros e cavalos de terracota simbolizavam o exército de elite que o guardavam na sua passagem para o outro mundo. Ao longo dos séculos a cobertura em madeira deste exército apodreceu e abateu, danificando uma boa parte das estátuas, mas a maioria encontra-se perfeitamente conservada , constituindo um testemunho do passado, classificado como património mundial pela UNESCO, desde 1987.


22.3.09

NOTÍCIAS DA BIOLOGIA



Gene da hipertensão- Foi agora identificado um gene que pode estar relacionado com o aumento do risco de se desenvolver pressão arterial alta. Pensa-se que muitos mais genes estarão envolvidos na hipertensão primária mas como outros factores estão também associados á doença , como sejam a dieta alimentar, prática de exercício físico e stress, tem sido difícil identificar o gene ou grupo de genes específicos da hipertensão. O STK 39 ( serina-trionina quinase) foi o primeiro gene a ser indicado como tendo influência na hipertenção. Encontra-se localizado no cromossoma 2 e produz uma proteína que ajuda no processamento de sal pelos rins, sendo o sal o verdadeiro causador do aumento da pressão sanguínea.Esta descoberta tem uma grande importância pois aumenta a capacidade de criar tratamentos específicos para cada indivíduo. Serão ,no entanto, necessárias mais pesquisas pois, como dissemos, a hipertensão é uma doença muito complexa, sendo o STK 39 apenas uma peça do quebra-cabeças de factores que levam á hipertensão.

TRANGÉNICOS--- sabemos que , no organismo humano, a vitamina A actua na formação de pigmentos visuais e na manutenção da estrutura epitelial normal. A carência desta vitamina provoca cegueira nocturna e xeroftalmia(secamento da córnea), além de pele seca e escamosa. No arroz normal, o betacaroteno que dá a vitamina A aparece na casca , mas esta é retirada quando o arroz é tratado. Foi verificado que as populações asiáticas que se alimentam praticamente só com arroz , tem baixos valores de vitamina A . Para contornar este problema, a engenharia genética obteve um arroz transgénico que recebeu genes da planta narciso, permitindo a produção de betacaroteno na parte central do grão de arroz. Deste modo, mesmo descascado ,o arroz que é chamado de dourado ,fornece a vitamina A ao homem. Outro exemplo de planta transgénica útil ao homem é a que produz hirudina . Todos sabemos que a hirudina , substância que impede a coagulação do sangue , é produzida pela sanguessuga daí elas terem sido usadas pela medicina do império romano para provocar sangrias. Nos nossos dias, o gene produtor de hirudina foi isolado e introduzido no genoma da planta oleaginosa Carthamus tinctorius . A planta transgénica obtida passou a produzir hirudina que não causa alergia ás pessoas, ao contrário da heparina um anticoagulante usado no tratamento das tomboses e que ,em alguns casos, pode produzir as alergias. Cada vez mais a Biologia é forte aliado da Medicina, como podemos ver por estes simples exemplos.

14.3.09

CASTELO DE GUIMARÃES


Local embrionário dos ideais da independência de Portugal, este castelo tem prestígio e honra a que se acrescenta beleza arquitectural e paisagística . Embora não haja documentação comprovativa , nele se diz ter nascido D. Afonso Henriques , o infante que a si mesmo se armou cavaleiro. A história deste castelo deve remontar a dois séculos antes do nascimento de D.Afonso Henriques, quando a condessa Mumadona , viúva do senhor de Vimaranes, ali fez a fundação de um mosteiro para nele poder professar após a viuvez. Porém, o século X não permitia a paz nestas terras já que sarracenos e bárbaros assolavam os indefesos povoados para destruir, saquear e arranjar escravos ; os muçulmanos vinham do sul e os vikings, que eram marinheiros, subiam os rios com o mesmo propósito. Perante estes ataques ,Mumadona apressa a construção de uma defesa para o mosteiro e camponeses e assim , no outeiro do monte Latite, foi erguida uma simples torre e uma não menos precária muralha que já servia de protecção.
O conde D. Henrique e a sua mulher D. Teresa que embora filha de Afonso VI de Leão , desejavam a independência do récem criado Condado Portucalense, decidem ir morar para Guimarães (Vimaranes), sendo a primitiva torre defensiva ampliada e robustecidas as muralhas. Muitos anos depois, novas obras são realizadas por D. Diniz e D.João I, sendo hoje ainda visíveis as marcas da alcáçova do século XIV que ocupava dois pisos, bem como as amplas janelas para o exterior e duas lareiras.(ver foto 2) Três robustas torres se distribuem pelas muralhas bem como torreões de protecção ás portas que foram abertas na cerca. Acima de todas elas a torre de menagem de planta quadrada,forte e com frestas (foto 1). Largos e seguros ardaves ao longo dos parapeitos de ameias pentagonais unem torres e cubelos. O castelo era maior mas , no século XIX , a Câmara Municipal mandou destruir parte da muralha exterior, utilizando a pedra em obras locais, chegando ao cúmulo de ,em 1836, um vereador propor a destruição total do castelo e usar a pedra em obras de pavimentação das ruas. O bom senso ganhou por um voto e por isso hoje podemos apreciar , com orgulho, este castelo. Em oposição ás ideias do século XIX , ao governo de Salazar se deve a reconstrução da quase totalidade dos castelos que se encontravam ao abandono e degradados pelo roubo de pedra aparelhada para construções particulares, fazendo lembrar a destruição do Coliseu romano para edificar palácios. A obra de recuperação geral dos castelos pelo Estado Novo inseria-se nas comemorações do 4º centenário da reconquista da independência de Portugal que, como é sabido ,ocorreu em 1 de Dezembro de 1640.

10.3.09

MOAI

A ilha de Páscoa, perdida no meio do oceano Pacífico a 3760 kms do Chile, de início não tinha nome e era o único mundo conhecido dos seus habitantes que, depois de uma chegada enigmática, nunca foram mais além. Depois tomou o nome de Rapa Nui e, nos nossos dias ,ilha de Páscoa, sendo conhecida pelas gigantescas e enigmáticas estátuas como a que vemos ao lado e a que se dá o nome de moai. As primeiras pesquisas sistemáticas sobre a ilha datam do final do século XIX e terão sido feitas por William Judah Thomson que chegou a Rapa Nui em 1886. Este oficial da marinha terá obtido dos anciãos informações detalhadas sobre as suas origens e posterior divisão em dois clãs, denominados "orelhas curtas" e "orelhas compridas ".Na sua investigação contabilizou 555 estátuas e plataformas cerimoniais,além de grutas e testemunhos de arte rupestre. Muito mais tarde,em 1934, o suíço Alfred Métraux fez pesquisas linguísticas e etnográficas bem como aos petróglifos encontrados, tendo estes estudos sido publicados em 1939. Um ano após a publicação destes estudos, Thor Heyerdahl demonstrou que o povo desta ilha teria vindo do Peru e não da Ásia ,como se supunha até então. Por que foi a ilha escolhida para ser habitada, ou quem construiu os enormes moai são perguntas que ainda hoje se colocam.Os moai foram esculpidos na cinza vulcânica endurecida do vulcão Rano Raraku, na ponta nordeste da ilha e depois transportados para a zona costeira. Aí foram colocados em plataformas (ahu) paralelas ao mar e de costas para ele, com a excepção de sete moai que olham para o mar, em Ahu Akivi. Estima-se que tenham sido esculpidos entre os anos 1400 e 1600 depois de Cristo. De tamanhos diferentes ,representam seres humanos das virilhas para cima. A cara tem maxilar inferior robusto, boca fechada de lábios avançados e um nariz proeminente com narinas bem delineadas. As mãos têm longos dedos estilizados apontando para o sexo. Julga-se que representam os sábios do clã ( chefes ou sacerdotes ) ainda em vida e colocados nas plataformas. Quando o retratado morria e era enterrado embalsamado abaixo da estátua, esta transformava-se em moai, pois a pedra absorvia a alma do defunto. Por tal razão, ainda hoje nenhum indígena se encosta ou toca num moai, a não ser naqueles que ainda se encontram nos locais onde foram esculpidos. Pesando toneladas, pergunta-se como foi possível transportá-los de tão longe até ao local onde foram implantados. Em 1993, uma empresa japonesa chegou á ilha para reerguer quinze moai de Ahu Tangaraki que, em 1960, tinham sido derrubados por um maremoto. O trabalho levou três anos pois os guindastes tombavam com o peso. A falta de árvores na ilha leva os arqueólogos a pensar se as gigantescas estátuas não teriam sido transportadas em trenós, rolando em cilindros feitos de troncos de árvores, tal como se pensa ter acontecido na construção das pirâmides incas e egípcias. Ao serem estudados pólens fósseis, alguns cientistas salientam o facto de , há vários séculos, a ilha proporcionar todos os meios de subsistência mas que a excessiva cultura e os incêndias provocados pelas guerras locais destruíram o equilíbrio ecológico, levando os seus habitantes á fome. Outro enigma da ilha é exibido nas paredes e colunas de muitas casas, em pictogramas entalhados na madeira das tábuas e que são indecifráveis ainda hoje. Estes pictogramas representam seres vivos, desde homens a animais marinhos, bem como armas e outros que parecem ser lemes. Embora todos os originais estejam em museus fora da ilha, localmente existem cópias fieis e de uma delas apresentamos a foto a seguir.

3.3.09

O QUE COMEMOS

Um estudo recente indica que, numa escala de 1 a 10 , as pessoas dão, em média, 8 pontos á qualidade do que se come e nota negativa para pratos pré-cozinhados, pizzas e hamburguers. Embora se oiça dizer frequentemente que a fruta de hoje não sabe a nada ou que o peixe congelado não presta ,ou ainda que já não há frango do campo e que os enchidos caseiros é que eram bons, a verdade é que se verifica o contrário. Se alguns perderam o sabor natural, ganharam em segurança e quantidade disponível. Eu sei que, por vezes, a qualidade e inocuidade dos alimentos são afectadas, originando intoxicações em massa, mas isso é devido a fraudes e não aos alimentos em si. Foi o caso da doença das vacas doidas que não se deveu ao facto dos animais serem alimentados com rações , mas sim a essas farinhas estarem já contaminadas com priões antes de servirem de rações. Faltou o controlo no início da cadeia alimentar, como era obrigatório, daí o surto. O mesmo poderíamos dizer dos surtos da peste suína africana, da febre aftosa ou do perigo recente da gripe das aves em aviários orientais sem controlo sanitário. Estes escândalos alimentares levaram as autoridades sanitárias internacionais a estender o controlo a todas as etapas do processo de produção, desde as sementeiras no campo á criação de animais em herdades ,passando pela sua alimentação, abate, transformação, acondicionamento, distribuição e venda final.
Vamos focar este nosso apontamento no produto alimentar mais antigo o pão. Tradicionalmente visto como um bem de primeira necessidade, era fabricado só com farinha, água, fermento e sal mas, nos nossos dias, a química entrou na panificação. A grande diferença entre o fabrico artesanal e o industrial do pão reside no seguinte: as panificadoras utilizam cerca de 90 produtos químicos para obterem uma maior regularidade na produção, simplificação do processo e tempo de levedação. Assim são acrescentados anti oxidantes para melhorar a massa, emulsionantes (E-322 e E-482) para retardar o endurecimento, fermentos á base de amilase para acelerar a levedação, reguladores de PH (E-341), anti aglomerantes, branqueadores, leveduras geneticamente modificadas que reduzem para 30 minutos o tempo de fermentação em vez das antigas cinco horas do pão artesanal. A adição de levedura de cerveja e de vinho de inferior qualidade servem para gaseificar a massa.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a dose diária de 250 g de pão, que fornecerá ao organismo humano as quantidades necessárias de hidratos de carbono,fibras, cálcio ,ferro,iodo, magnésio,zinco e vitaminas (tiamina,riboflavina,ácido fólico). Sabemos que se não fossem estes processos industrializados de fabrico, o pão não chegaria aos habitantes dos grandes centros urbanos ou teríamos de ter uma padaria com forno por cada mil habitantes, o que se traduziria em milhares de padeiros, de fornos e uma quantidade enorme de combustível para além do tempo perdido no fabrico.
O tipo de pão que encontramos á venda pode classificar-se em dois grupos : Pão Comum-(carcaças, papo-seco, baguette francesa etc) Quer seja o de miolo duro ou o de miolo mole, é feito com farinha de trigo, água ,sal e levedura, sendo permitidos os aditivos que melhorem o valor nutritivo ou acelerem a fermentação. Pão especial - distingue-se do anterior pela sua composição, havendo as variedades seguintes: Pão integral --- é feito com farinhas que contêm 100% da moagem do grão. Pão com farelo--- possui 200g de farelo por cada quilo de farinha. Pão de leite---para além dos ingredientes básicos entram o leite e o açúcar. Tosta--- o pão depois de normalmente cozido é cortado em fatias e sujeito a um processo de tostagem eléctrica. Pão de passas---Á massa acrescentam-se 500 g de passas por quilo de farinha sendo uma variante deste o pão com passas em que a quantidade de passas adicionada é de apenas 100 gramas. Gressinos--- Á massa primária é adicionada grande quantidade de gordura, para poder ser laminada e cortada em cilindros antes de ser levada ao forno. Pão ázimo---- a massa não é fermentada antes de cozer.

Como vivemos na era da velocidade, do desperdício e do descartável temo que alguém ,um dia , nos venha dizer que o pão se faça de tudo, até de farinha,água, sal e fermento, parodiando um conhecido viticultor da Bairrada que, em 1940, dizia que o vinho se podia fazer de tudo, até de uvas.

1.3.09

VIAGENS

Não sabemos se há nos cromossomas humanos algum gene que leve o homem a viajar já que, desde sempre, os nossos antepassados longínquos observavam tudo á sua volta e tentavam saber o que se passava para além do seu horizonte visual. Para tal , apesar dos perigos que corriam, esses homens primitivos iam-se deslocando com espírito aventureiro, prontos a vencer " os monstros fantásticos" das terras ainda para eles desconhecidas. Muito mais tarde, nas civilizações grega e egípcia, as grandes viagens tinham um carácter religioso, com grandes peregrinações anuais aos santuários. Nessas grandes exibições públicas, os deuses eram transportados num andor em forma de barca, recreando o meio de transporte mais usado na época, principalmente no rio Nilo. Também os Jogos Olímpicos da Grécia antiga auspiciavam as grandes viagens, num clima de paz específica para esses jogos. As razões económicas e o desejo de encontrar terras mais férteis ou comerciar com outros povos, levavam a viagens de longo curso e duração, organizadas e pagas colectivamente. Em 1982, foram encontrados ,nas costas da Turquia , restos de um navio fenício naufragado há mais de 3.400 anos e cuja carga consistia em cerâmicas gregas, jóias egípcias, dentes de elefantes e ovos de avestruz da África central, bem como valiosos lingotes de estanho da península Ibérica. Nas viagens por terra, os peritos foram os romanos que construíram estradas ligando Roma com os pontos mais distantes do Império e por elas marchavam as legiões,os comerciantes e os cobradores de impostos.. Os verdadeiros viajantes são, no entanto, aqueles que partem por partir, para ir ao fundo do desconhecido e encontrar coisas novas. Deste tipo de viajantes da antiguidade lembremos Marco Polo que permitiu ao ocidente conhecer o oriente longínquo. A sua publicação " Livro das maravilhas" é o relato da sua assombrosa viagem á China que, além de abrir a Europa medieval ao mundo, preparou os espíritos para os descobrimentos marítimos. Seguindo a "rota da seda" ( ver neste blog etiqueta História) Marco Polo esteve vinte anos ao serviço de Kublai Kan, o grande imperador mongol, tendo assim ficado com uma perspectiva completa dos usos e costumes, da forma de governo, dos produtos existentes e dos conhecimentos científicos daqueles povos, o que permitiu aos europeus ter uma nova visão do mundo.. A amizade entre o veneziano Marco Polo e o Grâ-Kan permitiu á Europa competir com os mercadores muçulmanos nos negócios com a Ásia. Ao regressar a Veneza por mar, Marco Polo visitou lugares remotos e desconhecidos como a Índia e a Pérsia. Não podemos esquecer que a China foi pioneira nas grandes explorações marítimas. Muito antes dos europeus se lançarem a explorar o mundo , a frota de juncos do almirante Zheng He sulcou o oceano Índico e chegou ao golfo Pérsico e á costa oriental de África. Viajando em grandes juncos, como o que vemos representado na figura,supõe-se terem chegado ás Américas antes de Colombo e Magalhães, facto pouco provável devido ao tipo de embarcação, mas que reforça a tese de que os chineses tivessem conhecimento dessas terras por anteriores viagens dos fenícios. (ver neste blog Os Templários na etiqueta Enigmas da Antiguidade). No final do século XX, aparecem as viagens de lazer, as denominadas viagens turísticas, por todo o mundo, muito incrementadas pela rapidez e conforto da aviação comercial. Possivelmente a maior viagem, a mais extraordinária realizada pelo Homem, terá sido a viagem á Lua, projecto político devido á guerra fria e ao salto tecnológico havidos nos Estados Unidos da América e na ex-União Soviética.( ver neste blog LUA nosso satélite natural, na etiqueta História) Actualmente o turismo orbital terrestre está a dar os primeiros passos e será o percursor,a longa distância no tempo, do turismo planetário, agora só em filmes de ficção. Ao que se sabe, há já cinco candidatos portugueses aos voos orbitais, pese embora o preço a pagar por essa viagem de curta duração, a realizar ainda este ano de 2009.

24.2.09

ENERGIA GEOTÉRMICA

A palavra geotermia deriva do grego geo que significa terra e de termia que quer dizer calor, por isso ,geotermia é o calor próprio da Terra. Podemos considerar como sendo cinco as fontes de energia geotèrmica : hidrotermal ( nascentes de água quente ,geisers e reservatórios profundos), calor do sub-solo , salmoura geopressurizada, rochas quentes e secas (nas zonas profundas da Terra) e o magma. As duas primeiras fontes já estão em uso generalizado e as restantes em fase experimental ou em estudo teórico. Para que se possa entender como é aproveitada a energia calórica da Terra, temos de recordar como é constituído o nosso planeta. A Terra tem , no seu interior, locais de elevada temperatura onde as rochas se encontram derretidas , formando o magma..(as razões desse facto foram referidas na " postagem" de 10/2/08 sob a etiqueta Geologia) Por tal motivo, á medida que vamos descendo da superfície para o interior do planeta a temperatura vai aumentando já que, entre outras razões, nos estamos a aproximar de um magma. A água das chuvas que se infiltra pelas linhas de fractura das rochas e pelas falhas geológicas, vai atingindo essas rochas mais quentes e, ao absorver esse calor, eleva a sua temperatura podendo mesmo vaporizar. Esta água sobreaquecida tende a voltar á superfície sob a forma de nascentes, geisers e fumarolas , ou ficar retida em reservatórios naturais no interior do planeta. É o vapor e mais usualmente a água aquecida que são utilizados para fazer mover as turbinas geradoras de electricidade, ou outra aplicação de interesse humano. O uso directo deste potencial de energia data de há milhares de anos; existem evidências de que os japoneses, no ano 11.000 antes de Cristo, usavam as fontes termais para cozinhar e tomar banho e que os índios americanos acampavam junto de fontes termais com intuitos curativos. Os romanos usavam a água termal para aquecimento das suas piscinas públicas e para tratamentos de certas doenças. Na Islândia do século IX eram realizadas culturas em terrenos naturalmente aquecidos para se terem duas colheitas anuais. Dissemos atrás que, por vezes, a água quente fica retida em reservatórios naturais ; quando a temperatura desses reservatórios é inferior a 100º C, usa-se o seu calor para aquecimento directo de edifícios, como acontece em Reiquiavique (Islândia) que tem 95% dos edifícios assim aquecidos.

Mas há outras formas para aproveitar esta geotermia; o subsolo constitui uma reserva de calor que se mantém constante ao longo do ano, independentemente da temperatura da superfície. A apenas 20 metros de profundidade a temperatura ronda os 17ºC todo o ano. Este diferencial térmico ,entre a superfície e o subsolo, é aproveitado através de bombas térmicas para aquecer casas no inverno ou refrigerá-las no verão. Este calor é utilizado directamente pelas bombas de calor (GHP's) a um baixo custo.Existem três componentes numa GHP. Em primeiro lugar há um permutador de calor que é um sistema de tubos ,chamado loop ,enterrado no solo, perto do edifício que se quer aquecido ou arrefecido. Uma mistura de água e anticongelante circula pelos tubos e este líquido absorve ou liberta o calor no solo. O segundo componente de uma GHP é um sistema de condutas no interior do edifício e através do qual pode circular o ar quente ou o ar frio.. O terceiro componente é uma bomba de calor que transfere calor entre o circuito e as condutas. No inverno , porque o solo é mais quente que o ar, o calor do subsolo é transferido para o edifício, sendo o processo invertido no verão. Como só se gasta energia eléctrica para movimentar o calor, em vez de o produzir,a GHP é mais eficiente e rentável do que os métodos tradicionais de controlo da temperatura, isto é , aquecedores ou ar condicionado.

A primeira tentativa de gerar electricidade de fontes geotérmicas de vapor ocorreu em 1904 em Larderello, na Itália. Os esforços foram mal sucedidos pois as máquinas utilizadas avariaram devido aos gases que vinham com o vapor e que corroeram as tubagens mas ,em 1913, outra central teve êxito produzindo 250 kW, aumentando o seu valor para 100 MW, em 1940. Por volta de 1970, um campo de geisers, na Califórnia, produzia 500MW de electricidade. O México,Japão, Filipinas, Quénia e Islândia têm expandido a produção de energia eléctrica por este processo. As centrais eléctricas utilizam o vapor ou a água muito quente de poços perfurados até aos reservatórios que estão ,pelo menos, a 1500 metros abaixo da superfície. Actualmente existem três tipos diferentes de energia geotérmica em funcionamento comercial: energia de jazigos de vapor ,jazigos de rocha húmida e jazigos binários. No primeiro caso o vapor é canalizado directamente de um reservatório natural para a turbina do gerador de electricidade á superfície.Note-se que o vapor seco é um recurso de alto valor mas relativamente raro pois nem todos os jazigos têm uma pressão de gás suficientemente elevada para fazer accionar as turbinas a alta velocidade. Por exemplo, nos Estados Unidos só existe uma área onde o vapor seco está disponível para uso comercial, no norte da Califórnia. Para além dos EUA este tipo de aproveitamento só existe em Larderello (Itália) e em Cierro Preto (México). O segundo tipo de aproveitamento que envolve rochas húmidas é dos mais vulgares sendo usada água super aquecida, a volta de 180 º C, de um reservatório natural profundo onde a água está sob alta pressão. Esta pressão evita que a água passe ao estado de vapor embora esteja mais quente do que o normal ponto de ebulição.É esta água quente que acciona as turbinas geradoras de corrente eléctrica. É um processo poluente pois a água trás consigo gases sulfurosos que passam para a atmosfera. Os jazigos binários tem água quente entre os 107 e 120ºC e embora esta temperatura não seja suficiente para produzir vapor de água com pressão suficiente é contudo usado para aquecer um fluido secundário com um ponto de ebulição muito mais baixo que o da água. A água quente canalizada juntamente com o fluído secundário obriga este, num permutador de calor, a vaporizar e, sob esta forma, vai accionar uma turbina. A água que cedeu calor ao fluido secundário é injectada de novo no solo para ser reaquecida, enquanto o líquido secundário é condensado num líquido pronto para ser reutilizado. Neste processo não existe poluição atmosférica. Como dissemos no início ,só os dois primeiros tipos de jazigos estão a ser utilizados na produção de electricidade com os seguintes benefícios:1º- é uma energia limpa pois só usa o vapor de água. 2º- exige uma pequena área de instalação de maquinaria. 3º-As centrais operam 24 horas por dia, ao contrário das eólicas e das solares que dependem das condições meteorológicas. Como desvantagens teremos : Os reservatórios geotérmcos utilizáveis serem raros e distantes das áreas de consumo ; poderem esgotar-se se a quantidade de vapor ou de água quente retirada não for artificialmente reinjectada; poder haver poluição do ar por sulfuretos, dióxido de carbono ou outros, se o vapor for aplicado directamente nas turbinas.
O futuro da energia geotérmica está nas outras fontes ainda em estudo e que passamos a expor: existem recursos de rochas quentes e secas ao longo de toda a crosta terrestre, a uma profundidade de 5 a 8 Kms. A dificuldade reside em se ser capaz de chegar a esses recursos. Teoricamente , isso seria realizado pela perfuração de poços nas rochas em dois locais relativamente próximos, injectando água fria num dos poços . Esta água circularia pela rocha quente e era retirada super aquecida pelo segundo poço, sendo depois utilizada em turbinas. Existe uma central experimental deste tipo a funcionar em Inglaterra. Se um dia conseguirmos furar até á zona da astenosfera teremos energia ilimitada, mas para tal serão necessárias muitas pesquisas e tecnologias diferentes das actuais.
Em Portugal ,as fontes termais são usadas ,há séculos, no tratamento de doenças reumáticas e outras, estando as "termas" espalhadas de norte a sul do país. O aproveitamento para produção de energia eléctrica é feito nos Açores, na ilha de S. Miguel, onde 40% da energia consumida tem esta origem. Na ilha existem duas centrais , a do Pico Vermelho e a da Ribeira Grande. Também na ilha Terceira, junto ao Algar do Carvão ,estão a ser feitos estudos que parecem indicar a possibilidade de montar uma central geradora de electricidade.

14.2.09

A DESCOBERTA DO METAL

Se na mensagem de 17/4/08 (etiqueta Antropologia) descrevemos como teria o Ramapithecus evoluído até originar o "Homo sapiens" iremos agora referir como a descoberta do metal modificou o homem primitivo no seu modo de vida No período compreendido entre 10.000 e 2500 anos aC o aparecimento da pastorícia e agricultura levou os pequenos grupos de caçadores e recolectores a cederem o seu lugar a comunidades mais numerosas em que, para além dos pastores e agricultores, surgiam os oleiros que produziam utensílios domésticos e estatuetas de carácter religioso ou mágico. Se já houve evolução na vida do homem quando este deixou de utilizar paus para cavar o solo e passou a usar rudimentares arados de madeira, o aparecimento do metal criou nova revolução no modo de viver dos povos primitivos. Tudo terá acontecido cerca do ano 8.000 antes de Cristo quando a descoberta do metal, na Ásia ocidental, libertou o homem do longo período da Idade da Pedra. Possivelmente foi um acaso, pois, á medida que os oleiros se tornavam mais hábeis no fabrico da cerâmica passaram a usar um forno para cozer o barro. A manipulação de diferentes barros e terras para a cozedura devem ter levado ao aparecimento de fragmentos, em estado quase puro, de cobre e de ouro.Tinham descoberto umas pedras estranhas que submetidas ás temperaturas elevadas dos seus fornos se tornavam líquidas e que ,quando o forno arrefecia, o líquido tomava a forma do objecto onde fora vertido, possivelmente a forma de lâmina que era facilmente moldada.Provas do uso do metal foram descobertas ,no Irão e na Turquia , com cerca de 8.000 anos. Seis séculos depois, os habitantes da Turquia fundiam cobre e chumbo . Fabricavam pequenos medalhões, bem como contas tubulares de finas folhas de cobre enrolado.Durante muito tempo usaram o cobre e ouro em ornamentos e, só passados milénios , os utilizaram em armas ou utensílios de trabalho florestal. os metalúrgicos ao misturarem metais diferentes obtiveram as ligas como é o caso do bronze. Este é mais duro que o estanho e cobre que lhe deram origem e com ele fabricaram facas , machados e punhais de gume mais afiado.A agricultura também beneficiou pois o tosco machado de pedra de cabo mal ajustado foi substituído pela foice metálica de uma só peça e muito mais cortante. Quanto ao ferro o seu uso só se generalizou no ano 400 a C tendo a vida do homem tomado novo impulso, não idêntico em todas as regiões, passando a segundo plano o cobre e o bronze, embora ainda utilizados. A idade do ferro poderá ser tema de uma nova "postagem".

1.2.09

Castelo de LANHOSO

No maior maciço rochoso de Portugal está edificado o castelo de Lanhoso e este alto pedestal granítico que o suporta deu-lhe enorme importância estratégica. A sua torre de menagem foi assente em restos de uma outra , bem mais antiga, não sendo por acaso que ela ali existisse já que estava na via romana de Astorga a Braga, em direcção a Chaves. O enorme cabeço granítico, quase inexpugnável, foi primordial para a construção da torre militar , cem anos antes de Cristo, torre essa ampliada no tempo do imperador romano Vespasiano. Antes da ocupação romana existiu naquele sítio uma citânia o que mostra que até os Celtas já haviam considerado o local como importante ponto estratégico. Durante a Idade Média a torre foi remodelada e serviu de residência senhorial a D. Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal, não sendo verdade que aqui estivesse prisioneira do filho, após a batalha de S. Mamede. Em 1170, o castelo foi incendiado pelo seu alcaide Rodrigo Gonçalves Pereira, ao que consta por sua mulher o ter traído com um frade. Nesse incêndio morreu toda a gente que habitava o castelo, bem como os animais, todos considerados coniventes com o adultério. Desta feita ficou abandonado durante séculos.No século XVII, um abastado comerciante da zona decide ali erguer uma réplica do Santuário do Bom Jesus de Braga ,começando a utilizar a pedra das muralhas para construir o templo, escadório e capelas. Por pouco não desapareceu também o castelo ,salvo por ter desaparecido o tão fanático fervor religioso, com a passagem do tempo.Hoje pode observar-se uma extensa barbacã elíptica, a porta da cerca protegida por dois altos cubelos e a torre de menagem com a praça de armas de muralha casteleira. O castelo de Lanhoso situa-se a sul do rio Cávado e a norte do rio Ave, muito perto de Braga. Foi objecto de musealização no ano de 1996 ali se encontrando exposto um conjunto de achados como um capacete celta em bronze, esculturas romanas , fragmentos de telhas imbricadas e cossoiros ,isto é,peças em barro, redondas e furadas,que serviam de disco inferior dos fusos. Num dia de verão , é local a visitar fazendo as tão badaladas " férias cá dentro."

14.1.09

MARTE e marcianos

Visível á vista desarmada , há muito tempo que este planeta exerce uma atracção no imaginário humano. Os povos da antiguidade designavam-no de estrela vermelha,sinistra anunciadora de calamidades, guerras ou epidemias mortais. Aliás ,Marte é o mitológico Deus da guerra e da morte. Em finais do século XVII como os telescópios já permitiam observar o planeta de forma bastante precisa , o astrónomo Giovannni Cassini consegue calcular a duração do dia marciano em 24 horas e 40 minutos, sabendo-se agora que errou apenas em 3 minutos, neste seu cálculo. Hoje, com os modernos telescópios e sondas orbitais, conseguiram-se mapas pormenorizados deste planeta , mas sem marcianos visíveis . A ideia da existência de "marcianos" começou quando Giovanni Schiaparelli deu o nome de canali aquilo que julgou serem ligações rectilíneas entre grandes massas de água. Em 1893, Percival Lowel, astrónomo amador americano, defendia que os canali seriam obra produzida por uma civilização marciana inteligente que, no seu mundo moribundo, estariam a combater a desertificação. A lenda sobre marcianos aumentou quando ,em 1898, H.G. Wells escreve " A guerra dos Mundos ". Esta marcianomania durou até 1965, altura em que a sonda Mariner 4 nos enviou fotografias de Marte a dez mil quilómetros de distância. Por elas se verificava não haver cidades, nem canais ,nem água , nem erosão hidráulica de um passado distante; a superfície de Marte era mais parecida com a Lua do que com a Terra. Marte tem uma superfície crivada de crateras ,fria, seca , quase sem atmosfera , imprópria para a vida dos humanos. Em 1976 duas sondas Víking pousaram em segurança na superfície de Marte e as experiências químicas que realizaram não deram resultados conclusivos sobre vida no planeta. Em 2004 dois robots começaram a fazer viagens pela superfície marciana tendo fornecido imagens com grande nitidez. As recentes missões Phoenix que analisaram o solo levam-nos a concluir que Marte não é um planeta tão morto como parece: as câmaras captam tempestades e o aparecimento sazonal de gelo seco de dióxido de carbono o que poderá vir a ocasionar o aparecimento de microrganismos.. Se algo mais foi descoberto, está guardado nos computadores da universidade do Arizona. A vigilância constante dos robots sobre a superfície do planeta, acabou com a ideia dos discos voadores marcianos e dos seus tripulantes estiolados, de pele acastanhada e olhos amarelos que alarmaram as gentes da Terra, depois do final da 2ª Guerra Mundial.


Hoje estão desmitificadas muitas das fraudes fotográficas sobre discos voadores e marcianos e explicadas clinicamente algumas narrativas de pessoas que afirmam terem sido sequestradas temporariamente por extra-terrestres para observações médicas e experiências sexuais. Estudos médicos revelam que as pessoas que afirmam ter sido raptadas ou que tiveram encontros imediatos do 1º grau, possuíam personalidades muito próximas daquelas que experimentam a iminência de morte ,ou possuem uma forte crença esotérica ou ainda uma mente fantasiosa. Também a maioria dos que afirmaram terem sido raptados para experiências sexuais , tinham sofrido traumas sexuais ou outros, durante a infância. Os psicanalistas continuam a investigar e a tentar explicar estes fenómenos da mente do ser humano que desencadeiam a alucinação do tipo que estamos falando e se tudo não passa de recordações infantis voluntariamente reprimidas e aparentemente esquecidas. Voltando ao planeta Marte diremos que no árido deserto terrestre de Utah (USA) existe um centro de investigação onde se estudam os desafios que os primeiros colonos do planeta vermelho terão de enfrentar. Se em 2008 se diz que o planeta poderá ter conservado no subsolo os elementos necessários para devolvê-lo á vida, sonha-se que em 2508, depois de quinhentos anos de terraformação, realizada por gerações de astronautas, este possa desenvolver microrganismos , e uma atmosfera. Será que o Homem conseguirá este feito e o de por o núcleo de Mercúrio, actualmente sem movimento, num núcleo móvel, idêntico ao da Terra, com os benefícios dai inerentes ?



Será que esta litografia acima , representa o futuro longínquo de Marte? Poderá ser que, no ano 3.000, haja "marcianos" descendentes dos terráqueos , se entretanto a evolução e a Natureza não fizerem das suas com o Homo sapiens sapiens a ser apenas um fóssil extinto.



11.1.09

ESCRITA CHINESA

No mês de Dezembro 08, apareceram neste blog uns comentários em inglês e assinados em chinês que me deixaram perplexo, bem como a alguns dos meus leitores habituais.Pedi ajuda, mas poucos ou nenhuns entendiam esta escrita, até que me disseram que ,num dos casos ,estava um convite para jogar poker via Internet.Desde já os meus agradecimentos aos colegas radioamadores Júlio César que conseguiu a tradução automática e Mário Portugal que procurou o auxílio. Vai daí decidi tentar perceber como era a escrita chinesa embora soubesse que os caracteres , ou melhor, os símbolos gráficos dessa escrita , não representam letras mas sim ideias, daí serem chamados ideogramas. Quando descobri que existiam cerca de 15.000 ideogramas que podem ainda ser agrupados, pensei nas pobres crianças que têm de os aprender. Ainda por cima eles foram evoluindo ao longo dos tempos de formas complexas para mais simples. Embora sem pincel para os desenhar, vou tentar dar-vos uma ideia de como isto funciona. Olhemos o quadro abaixo: uma montanha é um conjunto de serras,imaginemos três. Uma criança muito pequena desenharia os três cumes como se vê. Um rio estaria representado pelas margens e a água dentro. No caso da árvore temos o solo,por debaixo as raízes e o tronco por cima , tendo a copa desaparecido com a evolução e simplificação.
Se usar um pouco de imaginação verá que há neles uma certa lógica. Olhe , com calma o quadro e veja se não há lógica neles , tendo em atenção que a mesma figura na vertical quer dizer uma coisa e será diferente se estiver na horizontal. Veja agora o caso acima da janela através da qual se vê o solo. Se isso acontece é porque é dia ou há sol. Faça sozinho um estudo do quadro abaixo:

Há ou não uma lógica neles ?
Como dissemos os ideogramas podem associar-se para definir ideias diferentes. Veja o exemplo a seguir:

Mais uma vez a lógica a funcionar. Até parece que estamos perante linguagem militar cifrada do século passado ,deixada nos caminhos pela guarda avançada. Demoremos um pouco sobre o quadro a seguir;



Não há dúvida que se a porta está aberta e eu posso observar a árvore no jardim é porque não há perigo á vista, pois nesse caso fechava a porta para me proteger. Se não há perigo , há tranquilidade !
Os ideogramas chineses actuais provêm de várias origens,das quais destacamos: imagem/forma ,imagem/som. Os ideogramas antigos são um desenho aproximado dos objectos representados. Vejamos abaixo o ideograma actual de homem e de onde ele veio:


O ideograma de luta é um pouco mais difícil de ver mas também se lá chega.


É melhor ficarmos por aqui pois isto é demasiado complicado para quem, como eu, não têm a veleidade de ser linguista, nem a de dizer possíveis asneiras num tema que desconhece. (Se fizer uma pesquisa no Google encontrá um site em que há frases diárias banais que poderá utilizar) .

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