10.3.09

MOAI

A ilha de Páscoa, perdida no meio do oceano Pacífico a 3760 kms do Chile, de início não tinha nome e era o único mundo conhecido dos seus habitantes que, depois de uma chegada enigmática, nunca foram mais além. Depois tomou o nome de Rapa Nui e, nos nossos dias ,ilha de Páscoa, sendo conhecida pelas gigantescas e enigmáticas estátuas como a que vemos ao lado e a que se dá o nome de moai. As primeiras pesquisas sistemáticas sobre a ilha datam do final do século XIX e terão sido feitas por William Judah Thomson que chegou a Rapa Nui em 1886. Este oficial da marinha terá obtido dos anciãos informações detalhadas sobre as suas origens e posterior divisão em dois clãs, denominados "orelhas curtas" e "orelhas compridas ".Na sua investigação contabilizou 555 estátuas e plataformas cerimoniais,além de grutas e testemunhos de arte rupestre. Muito mais tarde,em 1934, o suíço Alfred Métraux fez pesquisas linguísticas e etnográficas bem como aos petróglifos encontrados, tendo estes estudos sido publicados em 1939. Um ano após a publicação destes estudos, Thor Heyerdahl demonstrou que o povo desta ilha teria vindo do Peru e não da Ásia ,como se supunha até então. Por que foi a ilha escolhida para ser habitada, ou quem construiu os enormes moai são perguntas que ainda hoje se colocam.Os moai foram esculpidos na cinza vulcânica endurecida do vulcão Rano Raraku, na ponta nordeste da ilha e depois transportados para a zona costeira. Aí foram colocados em plataformas (ahu) paralelas ao mar e de costas para ele, com a excepção de sete moai que olham para o mar, em Ahu Akivi. Estima-se que tenham sido esculpidos entre os anos 1400 e 1600 depois de Cristo. De tamanhos diferentes ,representam seres humanos das virilhas para cima. A cara tem maxilar inferior robusto, boca fechada de lábios avançados e um nariz proeminente com narinas bem delineadas. As mãos têm longos dedos estilizados apontando para o sexo. Julga-se que representam os sábios do clã ( chefes ou sacerdotes ) ainda em vida e colocados nas plataformas. Quando o retratado morria e era enterrado embalsamado abaixo da estátua, esta transformava-se em moai, pois a pedra absorvia a alma do defunto. Por tal razão, ainda hoje nenhum indígena se encosta ou toca num moai, a não ser naqueles que ainda se encontram nos locais onde foram esculpidos. Pesando toneladas, pergunta-se como foi possível transportá-los de tão longe até ao local onde foram implantados. Em 1993, uma empresa japonesa chegou á ilha para reerguer quinze moai de Ahu Tangaraki que, em 1960, tinham sido derrubados por um maremoto. O trabalho levou três anos pois os guindastes tombavam com o peso. A falta de árvores na ilha leva os arqueólogos a pensar se as gigantescas estátuas não teriam sido transportadas em trenós, rolando em cilindros feitos de troncos de árvores, tal como se pensa ter acontecido na construção das pirâmides incas e egípcias. Ao serem estudados pólens fósseis, alguns cientistas salientam o facto de , há vários séculos, a ilha proporcionar todos os meios de subsistência mas que a excessiva cultura e os incêndias provocados pelas guerras locais destruíram o equilíbrio ecológico, levando os seus habitantes á fome. Outro enigma da ilha é exibido nas paredes e colunas de muitas casas, em pictogramas entalhados na madeira das tábuas e que são indecifráveis ainda hoje. Estes pictogramas representam seres vivos, desde homens a animais marinhos, bem como armas e outros que parecem ser lemes. Embora todos os originais estejam em museus fora da ilha, localmente existem cópias fieis e de uma delas apresentamos a foto a seguir.

3.3.09

O QUE COMEMOS

Um estudo recente indica que, numa escala de 1 a 10 , as pessoas dão, em média, 8 pontos á qualidade do que se come e nota negativa para pratos pré-cozinhados, pizzas e hamburguers. Embora se oiça dizer frequentemente que a fruta de hoje não sabe a nada ou que o peixe congelado não presta ,ou ainda que já não há frango do campo e que os enchidos caseiros é que eram bons, a verdade é que se verifica o contrário. Se alguns perderam o sabor natural, ganharam em segurança e quantidade disponível. Eu sei que, por vezes, a qualidade e inocuidade dos alimentos são afectadas, originando intoxicações em massa, mas isso é devido a fraudes e não aos alimentos em si. Foi o caso da doença das vacas doidas que não se deveu ao facto dos animais serem alimentados com rações , mas sim a essas farinhas estarem já contaminadas com priões antes de servirem de rações. Faltou o controlo no início da cadeia alimentar, como era obrigatório, daí o surto. O mesmo poderíamos dizer dos surtos da peste suína africana, da febre aftosa ou do perigo recente da gripe das aves em aviários orientais sem controlo sanitário. Estes escândalos alimentares levaram as autoridades sanitárias internacionais a estender o controlo a todas as etapas do processo de produção, desde as sementeiras no campo á criação de animais em herdades ,passando pela sua alimentação, abate, transformação, acondicionamento, distribuição e venda final.
Vamos focar este nosso apontamento no produto alimentar mais antigo o pão. Tradicionalmente visto como um bem de primeira necessidade, era fabricado só com farinha, água, fermento e sal mas, nos nossos dias, a química entrou na panificação. A grande diferença entre o fabrico artesanal e o industrial do pão reside no seguinte: as panificadoras utilizam cerca de 90 produtos químicos para obterem uma maior regularidade na produção, simplificação do processo e tempo de levedação. Assim são acrescentados anti oxidantes para melhorar a massa, emulsionantes (E-322 e E-482) para retardar o endurecimento, fermentos á base de amilase para acelerar a levedação, reguladores de PH (E-341), anti aglomerantes, branqueadores, leveduras geneticamente modificadas que reduzem para 30 minutos o tempo de fermentação em vez das antigas cinco horas do pão artesanal. A adição de levedura de cerveja e de vinho de inferior qualidade servem para gaseificar a massa.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a dose diária de 250 g de pão, que fornecerá ao organismo humano as quantidades necessárias de hidratos de carbono,fibras, cálcio ,ferro,iodo, magnésio,zinco e vitaminas (tiamina,riboflavina,ácido fólico). Sabemos que se não fossem estes processos industrializados de fabrico, o pão não chegaria aos habitantes dos grandes centros urbanos ou teríamos de ter uma padaria com forno por cada mil habitantes, o que se traduziria em milhares de padeiros, de fornos e uma quantidade enorme de combustível para além do tempo perdido no fabrico.
O tipo de pão que encontramos á venda pode classificar-se em dois grupos : Pão Comum-(carcaças, papo-seco, baguette francesa etc) Quer seja o de miolo duro ou o de miolo mole, é feito com farinha de trigo, água ,sal e levedura, sendo permitidos os aditivos que melhorem o valor nutritivo ou acelerem a fermentação. Pão especial - distingue-se do anterior pela sua composição, havendo as variedades seguintes: Pão integral --- é feito com farinhas que contêm 100% da moagem do grão. Pão com farelo--- possui 200g de farelo por cada quilo de farinha. Pão de leite---para além dos ingredientes básicos entram o leite e o açúcar. Tosta--- o pão depois de normalmente cozido é cortado em fatias e sujeito a um processo de tostagem eléctrica. Pão de passas---Á massa acrescentam-se 500 g de passas por quilo de farinha sendo uma variante deste o pão com passas em que a quantidade de passas adicionada é de apenas 100 gramas. Gressinos--- Á massa primária é adicionada grande quantidade de gordura, para poder ser laminada e cortada em cilindros antes de ser levada ao forno. Pão ázimo---- a massa não é fermentada antes de cozer.

Como vivemos na era da velocidade, do desperdício e do descartável temo que alguém ,um dia , nos venha dizer que o pão se faça de tudo, até de farinha,água, sal e fermento, parodiando um conhecido viticultor da Bairrada que, em 1940, dizia que o vinho se podia fazer de tudo, até de uvas.

1.3.09

VIAGENS

Não sabemos se há nos cromossomas humanos algum gene que leve o homem a viajar já que, desde sempre, os nossos antepassados longínquos observavam tudo á sua volta e tentavam saber o que se passava para além do seu horizonte visual. Para tal , apesar dos perigos que corriam, esses homens primitivos iam-se deslocando com espírito aventureiro, prontos a vencer " os monstros fantásticos" das terras ainda para eles desconhecidas. Muito mais tarde, nas civilizações grega e egípcia, as grandes viagens tinham um carácter religioso, com grandes peregrinações anuais aos santuários. Nessas grandes exibições públicas, os deuses eram transportados num andor em forma de barca, recreando o meio de transporte mais usado na época, principalmente no rio Nilo. Também os Jogos Olímpicos da Grécia antiga auspiciavam as grandes viagens, num clima de paz específica para esses jogos. As razões económicas e o desejo de encontrar terras mais férteis ou comerciar com outros povos, levavam a viagens de longo curso e duração, organizadas e pagas colectivamente. Em 1982, foram encontrados ,nas costas da Turquia , restos de um navio fenício naufragado há mais de 3.400 anos e cuja carga consistia em cerâmicas gregas, jóias egípcias, dentes de elefantes e ovos de avestruz da África central, bem como valiosos lingotes de estanho da península Ibérica. Nas viagens por terra, os peritos foram os romanos que construíram estradas ligando Roma com os pontos mais distantes do Império e por elas marchavam as legiões,os comerciantes e os cobradores de impostos.. Os verdadeiros viajantes são, no entanto, aqueles que partem por partir, para ir ao fundo do desconhecido e encontrar coisas novas. Deste tipo de viajantes da antiguidade lembremos Marco Polo que permitiu ao ocidente conhecer o oriente longínquo. A sua publicação " Livro das maravilhas" é o relato da sua assombrosa viagem á China que, além de abrir a Europa medieval ao mundo, preparou os espíritos para os descobrimentos marítimos. Seguindo a "rota da seda" ( ver neste blog etiqueta História) Marco Polo esteve vinte anos ao serviço de Kublai Kan, o grande imperador mongol, tendo assim ficado com uma perspectiva completa dos usos e costumes, da forma de governo, dos produtos existentes e dos conhecimentos científicos daqueles povos, o que permitiu aos europeus ter uma nova visão do mundo.. A amizade entre o veneziano Marco Polo e o Grâ-Kan permitiu á Europa competir com os mercadores muçulmanos nos negócios com a Ásia. Ao regressar a Veneza por mar, Marco Polo visitou lugares remotos e desconhecidos como a Índia e a Pérsia. Não podemos esquecer que a China foi pioneira nas grandes explorações marítimas. Muito antes dos europeus se lançarem a explorar o mundo , a frota de juncos do almirante Zheng He sulcou o oceano Índico e chegou ao golfo Pérsico e á costa oriental de África. Viajando em grandes juncos, como o que vemos representado na figura,supõe-se terem chegado ás Américas antes de Colombo e Magalhães, facto pouco provável devido ao tipo de embarcação, mas que reforça a tese de que os chineses tivessem conhecimento dessas terras por anteriores viagens dos fenícios. (ver neste blog Os Templários na etiqueta Enigmas da Antiguidade). No final do século XX, aparecem as viagens de lazer, as denominadas viagens turísticas, por todo o mundo, muito incrementadas pela rapidez e conforto da aviação comercial. Possivelmente a maior viagem, a mais extraordinária realizada pelo Homem, terá sido a viagem á Lua, projecto político devido á guerra fria e ao salto tecnológico havidos nos Estados Unidos da América e na ex-União Soviética.( ver neste blog LUA nosso satélite natural, na etiqueta História) Actualmente o turismo orbital terrestre está a dar os primeiros passos e será o percursor,a longa distância no tempo, do turismo planetário, agora só em filmes de ficção. Ao que se sabe, há já cinco candidatos portugueses aos voos orbitais, pese embora o preço a pagar por essa viagem de curta duração, a realizar ainda este ano de 2009.

24.2.09

ENERGIA GEOTÉRMICA

A palavra geotermia deriva do grego geo que significa terra e de termia que quer dizer calor, por isso ,geotermia é o calor próprio da Terra. Podemos considerar como sendo cinco as fontes de energia geotèrmica : hidrotermal ( nascentes de água quente ,geisers e reservatórios profundos), calor do sub-solo , salmoura geopressurizada, rochas quentes e secas (nas zonas profundas da Terra) e o magma. As duas primeiras fontes já estão em uso generalizado e as restantes em fase experimental ou em estudo teórico. Para que se possa entender como é aproveitada a energia calórica da Terra, temos de recordar como é constituído o nosso planeta. A Terra tem , no seu interior, locais de elevada temperatura onde as rochas se encontram derretidas , formando o magma..(as razões desse facto foram referidas na " postagem" de 10/2/08 sob a etiqueta Geologia) Por tal motivo, á medida que vamos descendo da superfície para o interior do planeta a temperatura vai aumentando já que, entre outras razões, nos estamos a aproximar de um magma. A água das chuvas que se infiltra pelas linhas de fractura das rochas e pelas falhas geológicas, vai atingindo essas rochas mais quentes e, ao absorver esse calor, eleva a sua temperatura podendo mesmo vaporizar. Esta água sobreaquecida tende a voltar á superfície sob a forma de nascentes, geisers e fumarolas , ou ficar retida em reservatórios naturais no interior do planeta. É o vapor e mais usualmente a água aquecida que são utilizados para fazer mover as turbinas geradoras de electricidade, ou outra aplicação de interesse humano. O uso directo deste potencial de energia data de há milhares de anos; existem evidências de que os japoneses, no ano 11.000 antes de Cristo, usavam as fontes termais para cozinhar e tomar banho e que os índios americanos acampavam junto de fontes termais com intuitos curativos. Os romanos usavam a água termal para aquecimento das suas piscinas públicas e para tratamentos de certas doenças. Na Islândia do século IX eram realizadas culturas em terrenos naturalmente aquecidos para se terem duas colheitas anuais. Dissemos atrás que, por vezes, a água quente fica retida em reservatórios naturais ; quando a temperatura desses reservatórios é inferior a 100º C, usa-se o seu calor para aquecimento directo de edifícios, como acontece em Reiquiavique (Islândia) que tem 95% dos edifícios assim aquecidos.

Mas há outras formas para aproveitar esta geotermia; o subsolo constitui uma reserva de calor que se mantém constante ao longo do ano, independentemente da temperatura da superfície. A apenas 20 metros de profundidade a temperatura ronda os 17ºC todo o ano. Este diferencial térmico ,entre a superfície e o subsolo, é aproveitado através de bombas térmicas para aquecer casas no inverno ou refrigerá-las no verão. Este calor é utilizado directamente pelas bombas de calor (GHP's) a um baixo custo.Existem três componentes numa GHP. Em primeiro lugar há um permutador de calor que é um sistema de tubos ,chamado loop ,enterrado no solo, perto do edifício que se quer aquecido ou arrefecido. Uma mistura de água e anticongelante circula pelos tubos e este líquido absorve ou liberta o calor no solo. O segundo componente de uma GHP é um sistema de condutas no interior do edifício e através do qual pode circular o ar quente ou o ar frio.. O terceiro componente é uma bomba de calor que transfere calor entre o circuito e as condutas. No inverno , porque o solo é mais quente que o ar, o calor do subsolo é transferido para o edifício, sendo o processo invertido no verão. Como só se gasta energia eléctrica para movimentar o calor, em vez de o produzir,a GHP é mais eficiente e rentável do que os métodos tradicionais de controlo da temperatura, isto é , aquecedores ou ar condicionado.

A primeira tentativa de gerar electricidade de fontes geotérmicas de vapor ocorreu em 1904 em Larderello, na Itália. Os esforços foram mal sucedidos pois as máquinas utilizadas avariaram devido aos gases que vinham com o vapor e que corroeram as tubagens mas ,em 1913, outra central teve êxito produzindo 250 kW, aumentando o seu valor para 100 MW, em 1940. Por volta de 1970, um campo de geisers, na Califórnia, produzia 500MW de electricidade. O México,Japão, Filipinas, Quénia e Islândia têm expandido a produção de energia eléctrica por este processo. As centrais eléctricas utilizam o vapor ou a água muito quente de poços perfurados até aos reservatórios que estão ,pelo menos, a 1500 metros abaixo da superfície. Actualmente existem três tipos diferentes de energia geotérmica em funcionamento comercial: energia de jazigos de vapor ,jazigos de rocha húmida e jazigos binários. No primeiro caso o vapor é canalizado directamente de um reservatório natural para a turbina do gerador de electricidade á superfície.Note-se que o vapor seco é um recurso de alto valor mas relativamente raro pois nem todos os jazigos têm uma pressão de gás suficientemente elevada para fazer accionar as turbinas a alta velocidade. Por exemplo, nos Estados Unidos só existe uma área onde o vapor seco está disponível para uso comercial, no norte da Califórnia. Para além dos EUA este tipo de aproveitamento só existe em Larderello (Itália) e em Cierro Preto (México). O segundo tipo de aproveitamento que envolve rochas húmidas é dos mais vulgares sendo usada água super aquecida, a volta de 180 º C, de um reservatório natural profundo onde a água está sob alta pressão. Esta pressão evita que a água passe ao estado de vapor embora esteja mais quente do que o normal ponto de ebulição.É esta água quente que acciona as turbinas geradoras de corrente eléctrica. É um processo poluente pois a água trás consigo gases sulfurosos que passam para a atmosfera. Os jazigos binários tem água quente entre os 107 e 120ºC e embora esta temperatura não seja suficiente para produzir vapor de água com pressão suficiente é contudo usado para aquecer um fluido secundário com um ponto de ebulição muito mais baixo que o da água. A água quente canalizada juntamente com o fluído secundário obriga este, num permutador de calor, a vaporizar e, sob esta forma, vai accionar uma turbina. A água que cedeu calor ao fluido secundário é injectada de novo no solo para ser reaquecida, enquanto o líquido secundário é condensado num líquido pronto para ser reutilizado. Neste processo não existe poluição atmosférica. Como dissemos no início ,só os dois primeiros tipos de jazigos estão a ser utilizados na produção de electricidade com os seguintes benefícios:1º- é uma energia limpa pois só usa o vapor de água. 2º- exige uma pequena área de instalação de maquinaria. 3º-As centrais operam 24 horas por dia, ao contrário das eólicas e das solares que dependem das condições meteorológicas. Como desvantagens teremos : Os reservatórios geotérmcos utilizáveis serem raros e distantes das áreas de consumo ; poderem esgotar-se se a quantidade de vapor ou de água quente retirada não for artificialmente reinjectada; poder haver poluição do ar por sulfuretos, dióxido de carbono ou outros, se o vapor for aplicado directamente nas turbinas.
O futuro da energia geotérmica está nas outras fontes ainda em estudo e que passamos a expor: existem recursos de rochas quentes e secas ao longo de toda a crosta terrestre, a uma profundidade de 5 a 8 Kms. A dificuldade reside em se ser capaz de chegar a esses recursos. Teoricamente , isso seria realizado pela perfuração de poços nas rochas em dois locais relativamente próximos, injectando água fria num dos poços . Esta água circularia pela rocha quente e era retirada super aquecida pelo segundo poço, sendo depois utilizada em turbinas. Existe uma central experimental deste tipo a funcionar em Inglaterra. Se um dia conseguirmos furar até á zona da astenosfera teremos energia ilimitada, mas para tal serão necessárias muitas pesquisas e tecnologias diferentes das actuais.
Em Portugal ,as fontes termais são usadas ,há séculos, no tratamento de doenças reumáticas e outras, estando as "termas" espalhadas de norte a sul do país. O aproveitamento para produção de energia eléctrica é feito nos Açores, na ilha de S. Miguel, onde 40% da energia consumida tem esta origem. Na ilha existem duas centrais , a do Pico Vermelho e a da Ribeira Grande. Também na ilha Terceira, junto ao Algar do Carvão ,estão a ser feitos estudos que parecem indicar a possibilidade de montar uma central geradora de electricidade.

14.2.09

A DESCOBERTA DO METAL

Se na mensagem de 17/4/08 (etiqueta Antropologia) descrevemos como teria o Ramapithecus evoluído até originar o "Homo sapiens" iremos agora referir como a descoberta do metal modificou o homem primitivo no seu modo de vida No período compreendido entre 10.000 e 2500 anos aC o aparecimento da pastorícia e agricultura levou os pequenos grupos de caçadores e recolectores a cederem o seu lugar a comunidades mais numerosas em que, para além dos pastores e agricultores, surgiam os oleiros que produziam utensílios domésticos e estatuetas de carácter religioso ou mágico. Se já houve evolução na vida do homem quando este deixou de utilizar paus para cavar o solo e passou a usar rudimentares arados de madeira, o aparecimento do metal criou nova revolução no modo de viver dos povos primitivos. Tudo terá acontecido cerca do ano 8.000 antes de Cristo quando a descoberta do metal, na Ásia ocidental, libertou o homem do longo período da Idade da Pedra. Possivelmente foi um acaso, pois, á medida que os oleiros se tornavam mais hábeis no fabrico da cerâmica passaram a usar um forno para cozer o barro. A manipulação de diferentes barros e terras para a cozedura devem ter levado ao aparecimento de fragmentos, em estado quase puro, de cobre e de ouro.Tinham descoberto umas pedras estranhas que submetidas ás temperaturas elevadas dos seus fornos se tornavam líquidas e que ,quando o forno arrefecia, o líquido tomava a forma do objecto onde fora vertido, possivelmente a forma de lâmina que era facilmente moldada.Provas do uso do metal foram descobertas ,no Irão e na Turquia , com cerca de 8.000 anos. Seis séculos depois, os habitantes da Turquia fundiam cobre e chumbo . Fabricavam pequenos medalhões, bem como contas tubulares de finas folhas de cobre enrolado.Durante muito tempo usaram o cobre e ouro em ornamentos e, só passados milénios , os utilizaram em armas ou utensílios de trabalho florestal. os metalúrgicos ao misturarem metais diferentes obtiveram as ligas como é o caso do bronze. Este é mais duro que o estanho e cobre que lhe deram origem e com ele fabricaram facas , machados e punhais de gume mais afiado.A agricultura também beneficiou pois o tosco machado de pedra de cabo mal ajustado foi substituído pela foice metálica de uma só peça e muito mais cortante. Quanto ao ferro o seu uso só se generalizou no ano 400 a C tendo a vida do homem tomado novo impulso, não idêntico em todas as regiões, passando a segundo plano o cobre e o bronze, embora ainda utilizados. A idade do ferro poderá ser tema de uma nova "postagem".

1.2.09

Castelo de LANHOSO

No maior maciço rochoso de Portugal está edificado o castelo de Lanhoso e este alto pedestal granítico que o suporta deu-lhe enorme importância estratégica. A sua torre de menagem foi assente em restos de uma outra , bem mais antiga, não sendo por acaso que ela ali existisse já que estava na via romana de Astorga a Braga, em direcção a Chaves. O enorme cabeço granítico, quase inexpugnável, foi primordial para a construção da torre militar , cem anos antes de Cristo, torre essa ampliada no tempo do imperador romano Vespasiano. Antes da ocupação romana existiu naquele sítio uma citânia o que mostra que até os Celtas já haviam considerado o local como importante ponto estratégico. Durante a Idade Média a torre foi remodelada e serviu de residência senhorial a D. Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal, não sendo verdade que aqui estivesse prisioneira do filho, após a batalha de S. Mamede. Em 1170, o castelo foi incendiado pelo seu alcaide Rodrigo Gonçalves Pereira, ao que consta por sua mulher o ter traído com um frade. Nesse incêndio morreu toda a gente que habitava o castelo, bem como os animais, todos considerados coniventes com o adultério. Desta feita ficou abandonado durante séculos.No século XVII, um abastado comerciante da zona decide ali erguer uma réplica do Santuário do Bom Jesus de Braga ,começando a utilizar a pedra das muralhas para construir o templo, escadório e capelas. Por pouco não desapareceu também o castelo ,salvo por ter desaparecido o tão fanático fervor religioso, com a passagem do tempo.Hoje pode observar-se uma extensa barbacã elíptica, a porta da cerca protegida por dois altos cubelos e a torre de menagem com a praça de armas de muralha casteleira. O castelo de Lanhoso situa-se a sul do rio Cávado e a norte do rio Ave, muito perto de Braga. Foi objecto de musealização no ano de 1996 ali se encontrando exposto um conjunto de achados como um capacete celta em bronze, esculturas romanas , fragmentos de telhas imbricadas e cossoiros ,isto é,peças em barro, redondas e furadas,que serviam de disco inferior dos fusos. Num dia de verão , é local a visitar fazendo as tão badaladas " férias cá dentro."

14.1.09

MARTE e marcianos

Visível á vista desarmada , há muito tempo que este planeta exerce uma atracção no imaginário humano. Os povos da antiguidade designavam-no de estrela vermelha,sinistra anunciadora de calamidades, guerras ou epidemias mortais. Aliás ,Marte é o mitológico Deus da guerra e da morte. Em finais do século XVII como os telescópios já permitiam observar o planeta de forma bastante precisa , o astrónomo Giovannni Cassini consegue calcular a duração do dia marciano em 24 horas e 40 minutos, sabendo-se agora que errou apenas em 3 minutos, neste seu cálculo. Hoje, com os modernos telescópios e sondas orbitais, conseguiram-se mapas pormenorizados deste planeta , mas sem marcianos visíveis . A ideia da existência de "marcianos" começou quando Giovanni Schiaparelli deu o nome de canali aquilo que julgou serem ligações rectilíneas entre grandes massas de água. Em 1893, Percival Lowel, astrónomo amador americano, defendia que os canali seriam obra produzida por uma civilização marciana inteligente que, no seu mundo moribundo, estariam a combater a desertificação. A lenda sobre marcianos aumentou quando ,em 1898, H.G. Wells escreve " A guerra dos Mundos ". Esta marcianomania durou até 1965, altura em que a sonda Mariner 4 nos enviou fotografias de Marte a dez mil quilómetros de distância. Por elas se verificava não haver cidades, nem canais ,nem água , nem erosão hidráulica de um passado distante; a superfície de Marte era mais parecida com a Lua do que com a Terra. Marte tem uma superfície crivada de crateras ,fria, seca , quase sem atmosfera , imprópria para a vida dos humanos. Em 1976 duas sondas Víking pousaram em segurança na superfície de Marte e as experiências químicas que realizaram não deram resultados conclusivos sobre vida no planeta. Em 2004 dois robots começaram a fazer viagens pela superfície marciana tendo fornecido imagens com grande nitidez. As recentes missões Phoenix que analisaram o solo levam-nos a concluir que Marte não é um planeta tão morto como parece: as câmaras captam tempestades e o aparecimento sazonal de gelo seco de dióxido de carbono o que poderá vir a ocasionar o aparecimento de microrganismos.. Se algo mais foi descoberto, está guardado nos computadores da universidade do Arizona. A vigilância constante dos robots sobre a superfície do planeta, acabou com a ideia dos discos voadores marcianos e dos seus tripulantes estiolados, de pele acastanhada e olhos amarelos que alarmaram as gentes da Terra, depois do final da 2ª Guerra Mundial.


Hoje estão desmitificadas muitas das fraudes fotográficas sobre discos voadores e marcianos e explicadas clinicamente algumas narrativas de pessoas que afirmam terem sido sequestradas temporariamente por extra-terrestres para observações médicas e experiências sexuais. Estudos médicos revelam que as pessoas que afirmam ter sido raptadas ou que tiveram encontros imediatos do 1º grau, possuíam personalidades muito próximas daquelas que experimentam a iminência de morte ,ou possuem uma forte crença esotérica ou ainda uma mente fantasiosa. Também a maioria dos que afirmaram terem sido raptados para experiências sexuais , tinham sofrido traumas sexuais ou outros, durante a infância. Os psicanalistas continuam a investigar e a tentar explicar estes fenómenos da mente do ser humano que desencadeiam a alucinação do tipo que estamos falando e se tudo não passa de recordações infantis voluntariamente reprimidas e aparentemente esquecidas. Voltando ao planeta Marte diremos que no árido deserto terrestre de Utah (USA) existe um centro de investigação onde se estudam os desafios que os primeiros colonos do planeta vermelho terão de enfrentar. Se em 2008 se diz que o planeta poderá ter conservado no subsolo os elementos necessários para devolvê-lo á vida, sonha-se que em 2508, depois de quinhentos anos de terraformação, realizada por gerações de astronautas, este possa desenvolver microrganismos , e uma atmosfera. Será que o Homem conseguirá este feito e o de por o núcleo de Mercúrio, actualmente sem movimento, num núcleo móvel, idêntico ao da Terra, com os benefícios dai inerentes ?



Será que esta litografia acima , representa o futuro longínquo de Marte? Poderá ser que, no ano 3.000, haja "marcianos" descendentes dos terráqueos , se entretanto a evolução e a Natureza não fizerem das suas com o Homo sapiens sapiens a ser apenas um fóssil extinto.



11.1.09

ESCRITA CHINESA

No mês de Dezembro 08, apareceram neste blog uns comentários em inglês e assinados em chinês que me deixaram perplexo, bem como a alguns dos meus leitores habituais.Pedi ajuda, mas poucos ou nenhuns entendiam esta escrita, até que me disseram que ,num dos casos ,estava um convite para jogar poker via Internet.Desde já os meus agradecimentos aos colegas radioamadores Júlio César que conseguiu a tradução automática e Mário Portugal que procurou o auxílio. Vai daí decidi tentar perceber como era a escrita chinesa embora soubesse que os caracteres , ou melhor, os símbolos gráficos dessa escrita , não representam letras mas sim ideias, daí serem chamados ideogramas. Quando descobri que existiam cerca de 15.000 ideogramas que podem ainda ser agrupados, pensei nas pobres crianças que têm de os aprender. Ainda por cima eles foram evoluindo ao longo dos tempos de formas complexas para mais simples. Embora sem pincel para os desenhar, vou tentar dar-vos uma ideia de como isto funciona. Olhemos o quadro abaixo: uma montanha é um conjunto de serras,imaginemos três. Uma criança muito pequena desenharia os três cumes como se vê. Um rio estaria representado pelas margens e a água dentro. No caso da árvore temos o solo,por debaixo as raízes e o tronco por cima , tendo a copa desaparecido com a evolução e simplificação.
Se usar um pouco de imaginação verá que há neles uma certa lógica. Olhe , com calma o quadro e veja se não há lógica neles , tendo em atenção que a mesma figura na vertical quer dizer uma coisa e será diferente se estiver na horizontal. Veja agora o caso acima da janela através da qual se vê o solo. Se isso acontece é porque é dia ou há sol. Faça sozinho um estudo do quadro abaixo:

Há ou não uma lógica neles ?
Como dissemos os ideogramas podem associar-se para definir ideias diferentes. Veja o exemplo a seguir:

Mais uma vez a lógica a funcionar. Até parece que estamos perante linguagem militar cifrada do século passado ,deixada nos caminhos pela guarda avançada. Demoremos um pouco sobre o quadro a seguir;



Não há dúvida que se a porta está aberta e eu posso observar a árvore no jardim é porque não há perigo á vista, pois nesse caso fechava a porta para me proteger. Se não há perigo , há tranquilidade !
Os ideogramas chineses actuais provêm de várias origens,das quais destacamos: imagem/forma ,imagem/som. Os ideogramas antigos são um desenho aproximado dos objectos representados. Vejamos abaixo o ideograma actual de homem e de onde ele veio:


O ideograma de luta é um pouco mais difícil de ver mas também se lá chega.


É melhor ficarmos por aqui pois isto é demasiado complicado para quem, como eu, não têm a veleidade de ser linguista, nem a de dizer possíveis asneiras num tema que desconhece. (Se fizer uma pesquisa no Google encontrá um site em que há frases diárias banais que poderá utilizar) .

6.1.09

OS TEMPLÁRIOS e seus segredos

A ordem dos Templários, primitivamente chamada de " Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão ", terá sido fundada em 12 de Junho de 1118, por nove cavaleiros com a intenção de defender Jerusalém e guardar o Santo Sepulcro dos infiéis , bem como proteger os peregrinos que se dirigiam á Terra Santa. Esta era a justificação oficial, pois parece que Hugues de Payens e os seus oito companheiros tinham por missão descobrir a Arca da Aliança que Salomão teria para ali mandado. O interesse pela Arca não seria só religioso mas também pelos segredos escritos que conteria, uma sabedoria antiquíssima que Moisés teria adquirido na sua iniciação em terras do Egipto. Esses escritos das Tábuas da Lei, não destinados ao conhecimento público, formariam uma enciclopédia compacta de natureza científica, escrita em linguagem codificada. A ideia dos cavaleiros era pôr em prática, com muito cuidado e de forma experimental, a verdadeira Lei Divina , a chave dos segredos do Universo,para bem da humanidade. Terá sido o rei Baldwuino II quem recebeu os nove cavaleiros, tendo estes permanecido em Jerusalém, durante vários anos , em trabalhos de pesquisa nas ruínas do Templo de Salomão. Estes trabalhos secretos de pesquisa devem ter dado resultado pois quando regressaram á Europa vinham cheios de glória e sabedoria , tendo este regresso coincidido com a aparição brusca das catedrais góticas. Saliente-se que o estilo gótico não foi uma evolução da arquitectura romana que a precedeu, era algo de novo. A arquitectura romana baseia-se numa força que actua de cima para baixo, com a cúpula redonda a pressionar ,com o seu peso, os muros ou paredes, estabilizando assim a construção. Os arcos em ogiva da catedral gótica baseiam~se na pressão que age de baixo para cima, numa tensão dinâmica que exigia cálculos constantes que superavam os conhecimentos da época. Os Templários revolucionaram também a agricultura praticando uma racionalização até então desconhecida. Outro facto misterioso está no campo financeiro: se os reis estavam, normalmente, sem dinheiro, as cidades eram pequenas e pobres, o que estaria por detrás da construção de várias catedrais góticas que consumiam somas astronómicas? De onde vieram os operários especializados, do arquitecto ao escultor? Esta classe de operários, treinada numa técnica nova era livre para, em caso de necessidade, se deslocar de uma obra para outra , originando assim os " pedreiros livres". Mas há mais mistérios !Como é que somente nove cavaleiros conseguiam proteger os peregrinos, guardar o Santo Sepulcro e defender Jerusalém ? Se os Templários juraram pobreza, como se tornou a Ordem uma das mais ricas, chegando ao ponto de financiarem os reis e o Papa ? Se existiam os cruzados para conquistar Jerusalém para quê os Templários ?Tudo muito estranho ! Diz-se que os nove cavaleiros ao instalarem-se nas ruínas do Templo de Salomão, encontraram os túneis secretos que levavam ao tesouro da biblioteca onde estavam guardados os segredos da arquitectura gótica, de navegação, de astronomia e outros, bem como as tábuas da Lei e a Arca da Aliança. A Ordem do Templo era constituída por vários graus sendo o primeiro o dos cavaleiros. Tinham graus inferiores como clérigos, irmãos servidores ,criados e artífices. Embora a Ordem tenha sido abalada na sua razão de ser quando o sagrado sepulcro foi tomado pelos muçulmanos, ainda era poderosa e imensamente rica. A corte de França e o Papa deviam-lhe dinheiro ,pelo que essa riqueza passou a ser cobiçada pelo rei de França , Filipe ,o Belo. Os Templários corriam perigo, pois o rei já havia confiscado os bens dos lombardos e judeus , expulsando-os. O rei sabia que os Templários possuíam 150.000 florins de ouro, 1o.000 casas e solares,inúmeras fortalezas ,pratas ,ouro e jóias por toda a Europa. Desta feita Filipe e o Papa, ajudados por opositores de outras Ordens, armam uma cilada , acusando os Templários de hereges. Em13 de Outubro de 1307 o rei manda prender todos os templários e o seu grão-mestre Jacques de Molay que, submetidos a torturas pela Inquisição, acabam por confessar o que o Rei e o Papa pretendiam, mesmo não sendo verdade. O Papa, para se livrar da dívida tenta ,através do Concílio de Viena de 1311 , acabar com a Ordem dos Templários. Não o conseguindo, convocou em privado um outro ,em 22 de Novembro de 1312 . Neste aboliu a Ordem , admitindo não haver provas de heresia. As riquezas dos Templários foram confiscadas em benefício da Ordem de S: João, embora grossa parcela fosse parar aos cofres do Rei Filipe. Em Portugal, o rei D. Dinis não aceita as acusações e funda a Ordem de Cristo para a qual passou alguns Templários. Desta forma os segredos ciosamente guardados pela Hierarquia Interna da Ordem que diferia da Hierarquia Externa que era profana e militar, vieram parar ao nosso país em1307. Em 1416, o Infante D.Henrique torna-se grão-mestre da Ordem de Cristo e deve ter tido acesso aos segredos fenícios de marear. Um deles seria a possibilidade de navegar no hemisfério sul e encontrar um caminho para oriente, o que foi realizado por Vasco da Gama. Não é por acaso que as caravelas ostentavam, nas velas, a Cruz de Cristo(em fundo branco), que era uma pequena alteração da Cruz dos Templários.


Em 1550, D.João III convence o Papa Júlio III a fundir as duas hierarquias e com isso os réis de Portugal passam a ser Grão- mestres, com acesso aos segredos dos Templários. Ora os Templários tinham, como já dissemos,relatórios de navegadores que já haviam percorrido regiões desconhecidas ,e preciosidades como as tábuas de declinação magnética que corrigiam as bússolas. Á medida que as navegações avançavam, eram feitos novos mapas astronómicos que forneciam orientação pelas estrelas no hemisfério sul a que só os iniciados tinham acesso. Pedro Álvares Cabral, estava no comando da esquadra porque era Cavaleiro da Ordem de Cristo e tinha por missão tomar posse de terras secretamente conhecidas,isto é.o Brasil. A sua presença era indispensável pois só a Ordem de Cristo tinha autorização para ocupar territórios de infiéis. Assim, e a coberto de uma tempestade, desgarra-se da frota com destino a oriente, ruma em sentido contrário e vai ter a terras de Vera Cruz. A Espanha tradicional adversária de Portugal e sem estes conhecimentos de navegação, faz uma política contrária junto do Vaticano para minar o monopólio da Ordem de Cristo e assim, em1492, o Papa Alexandre VI (um espanhol de Valência) reconhece em duas bulas, o direito de posse dos espanhóis sobre o que Colombo havia descoberto, rejeitando as reclamações de D.João II de que as novas terras pertenceriam a Portugal. Este diferendo entre Portugal e Espanha levou a que estes , em 1494, negociassem um tratado para dividir o novo mundo, o Tratado de Tordesilhas .Portugal saiu-se bem deste acordo: os espanhóis, pelas bulas papais, tinham direito às terras situadas a mais de 100 léguas a oeste e sul dos Açores e Cabo Verde, mas pelo Tratado de Tordesilhas essa linha imaginária passou para 370 léguas e, desta forma , as terras descobertas por Cabral estariam sob alçada de Portugal, facto que os nossos vizinhos desconheciam. Muito mais se pode imaginar dos segredos que os Templários possuiam e como estes foram sendo guardados e transmitidos através de Sociedades Secretas, mas não há provas concretas , por isso ficamos por aqui .
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4.1.09

NOVAS FORMAS DE VIDA ?

Quem disse que a vida era apanágio da biologia e a sua criação exclusiva da natureza, com o seu "caldo primitivo" de moléculas inorgânicas a evoluir para coacervados e estes para seres unicelulares que, por sua vez, deram as espécies actuais, viveu antes da época dos computadores. Hoje, os zeros e uns da informática são os ingredientes do "caldo primitivo" que, sob a acção de uma mão humana num teclado, poderão dar origem a novas formas de vida , numéricas e artificiais, escondidas nas memórias dos computadores e nos circuitos electrónicos, desenvolvendo-se em espaços virtuais desencarnados, ou via robots articulados ,mais ou menos imitativos de seres vivos. Para não ir muito longe, pensemos apenas naqueles programas informáticos, os vírus, capazes de se manter automaticamente e até de se multiplicar, adaptando-se e evoluindo para resistir aos anti-vírus,e ficaremos perplexos, pois os parâmetros citados são os da vida, tal como a concebemos. Imaginemos por momentos que estamos em finais deste século e que o avanço tecnológico foi tal que se pode transferir a consciência humana para chips ;que partes do corpo humano podem ser substituídas por interfaces robóticas e há, no dia a dia, máquinas a conviver connosco fazendo o trabalho humano. Será que podemos considerar estas máquinas seres vivos ? Os cientistas da NASA dizem que nunca os robots irão pensar como os humanos, embora ao imitarem técnicas humanas, seja para nós mais fácil comunicar com eles. Embora se pareçam com humanos, andem e falem como nós, não são humanos. Eles não choram nem sentem como nós ,embora chips neurais tridimensionais tentem aproximá-los do Homo sapiens. As redes neurais são ferramentas que permitem aos robots aprender com as suas experiências, associar percepções com acções programadas e adaptar-se a situações ou ambientes não previstos.As redes neurais imitam o cérebro, simulando uma grande teia de elementos simples, similares ás células do cérebro que aprendem com exemplos.Uma máquina assim funcione aprende como uma criança, apenas de forma muitíssimo mais lenta.Podemos dizer facilmente a um robot que um quadrado é um objecto equilátero com quatro lados mas como dizer-lhe o que é um gato ? Claro que podemos mostrar ao robot milhares de fotos diferentes de gatos e ele irá, mais tarde, ser capaz de reconhecer gatos em geral, mas isto não quer dizer que estejam a pensar como nós o fazemos, embora sejam máquinas mais eficientes. Nos nossos dias já se fabricam robots com aspecto humano e redes neurais ,a que se deu o nome de androides. O Actroide DER-2 tem aspecto feminino e uma suavidade de movimentos e expressões faciais que podem confundir-nos.


Os construtores japoneses pretendem alugar este modelo (ver foto acima) para empresas e eventos como recepcionista,pois cumprimenta com uma vénia quem chega, dá informações genéricas faladas ,etc.



E que dizer do modelo chinês a sua robot Dion que canta como se fosse verdadeiramente humana? E na figura abaixo qual é a máquina HRP-3Pe qual é o seu criador, o cientista Kawada ?




Se tem dúvidas do que afirmanos , neste muito resumido trabalho faça uma visita ao site http://www.androidworld.com/ e ficará maravilhado, mas nunca esquecendo o que afirmamos sempre : não são vida biológica, talvez se possa dizer vida tecnológica e com muita reserva.






3.1.09

MAMÍFEROS DO PASSADO

Quando os dinossauros se extinguiram no final do Cretácico (ver outra mensagem desta etiqueta), os pequenos mamíferos que então existiam e tinham ,em média, 2 a 5 cm de comprimento, evoluíram lentamente para animais de grande porte, ocupando os nichos ecológicos deixados pelos grandes répteis. A maior parte destes gigantescos mamíferos era herbívora o que lhes permitia sobreviver á base de produtos de baixo valor calórico como o são as folhas das grandes árvores. Estes mamíferos de grande porte tinham uma estrutura óssea que lhes permitia aguentar o enorme peso. Assim, os membros possuíam ossos muito robustos, curtos nas extremidades comparativamente aos que se localizavam perto do corpo, o que lhes conferia grande estabilidade. Por estranho que pareça a biomecânica dos grandes mamíferos não evoluiu da mesma forma em todos eles e assim,hoje em dia, temos os elefantes como exemplo de animais com patas grossas e fortes, autênticas colunas verticais e, por tal motivo, lentos no andar. Em sentido oposto, os rinocerontes conservam a estrutura herdada de antepassados muito mais leves, como o cavalo; as articulações da omoplata, do cotovelo e do joelho estão permanentemente flectidas e mantêm-se erguidas pela acção de tendões muito fortes nos músculos tensores. Este modelo embora implique um maior esforço permite um movimento mais dinâmico, poupando energia na corrida.Vejamos então alguns dos grandes mamíferos do passado:

Mammut borsoni-- Viveu há 4 milhões de anos (Plioceno) e possuía dentes com 5 metros de comprimento. Tinha 3,5 metros de altura e pesava seis toneladas. Em 2007 foram descobertos , na Grécia, restos fósseis deste animal.


Brontops---Esta espécie de perissodáctilo (têm nas patas dedos em número ímpar sendo o médio o mais desenvolvido) com um corpo semelhante ao do rinoceronte , podia trotar e galopar embora pesasse mais de duas toneladas. Viveu durante o Oligoceno na América do Norte.



Uintatherium----Também encontrado na América do Norte, viveu há 48 milhões de anos (Eoceno). Pesando duas a três toneladas tinha o corpo parecido com o do elefante , mas com bossas na cabeça, como se pode ver na figura abaixo.



Arsinoitherium---Com o corpo parecendo um rinoceronte, tinha a estrutura óssea do elefante. Na cabeça dois cornos gémeos de osso sólido ,diferentes dos do rinoceronte que tem origem na epiderme. O animal pesaria duas toneladas e viveu em África durante o Oligoceno.


Megatherium---Viveu na América do Sul durante o Pleistoceno e originaram as preguiças dos nossos dias. Lentos no metabolismo e na sua actividade eram extremamente fortes e musculosos, pesando cinco toneladas e a altura de um elefante.



Paracerathium---Era o maior de todos os mamíferos do passado com cerca de 6 metros de altura. Viveu na Ásia há 27 milhões de anos ,isto é, no Oligocno e tinham um peso de 18 toneladas, não nos podendo esquecer que nos nossos dias o maior mamífero é a baleia azul com 28 metros de comprimento. Este pequeno apontamento servirá para nos fazer pensar que todos os grandes animais.,grandes também no que consumiam em alimento, acabam sempre por se extinguir . Que nos sirva de lição!

17.12.08

CASTELO DE VALENÇA Situado sobre o rio Minho e face á também fortificada cidade de Tui, a praça forte de Valença , teve uma vila dentro das suas muralhas, durante muito tempo. Hoje ainda restam recordações da fortaleza medieval integradas nas defesas posteriores impostas pelo uso da artilharia. São elas duas robustas torres , nascente, flanqueando a porta da Gaviarra e trechos de muralha ,no lado nascente e também a poente, nas proximidades da porta de S.João. Fazendo ainda parte das recordações medievais as armas reais de D. Afonso III e a entrada da cisterna com uma profunda escada. Valença, a velha Contrasta,inicia a sua história com a monarquia portuguesa e a D.Afonso V se deve o regresso ao nome actual. Durante séculos sofreu obras militares de vulto promovidas pelos reis D. Afonso III, D.Dinis, D.Fernando,D. João I D.Afonso IV e D. Manuel I. A altura e formas da fortaleza medieval deixaram de servir, como dissemos, a partir da época quinhentista com o aparecimento da pirobalística, ou seja , da artilharia. O que hoje vemos é uma fortaleza construída no sentido norte-sul e com uma ligeira curvatura.



Conforme nos conta Júlio Gil em" Os mais belos castelos de Portugal", os perímetros e da obra adicionada, a coroada, cercam-se de fossos e sobre eles o relêvo em taludes. Paralelo a este existe um segundo recinto, as falsas bragas .Revelins protegem algumas cortinas e portas das muralhas, tendo um ficado em esboço, entre os baluartes de Santa Ana e de S:Jerónimo, a sudoeste da coroada. Além disso possui ainda o baluarte de Santa Bárbara e os meios baluartes de S. José e Santo António., eriçando-se a fortaleza com outros sete baluartes. Duas portas fortificadas , a da Coroada e a do Meio,têm pontes sobre o fosso. Com a guerra da Restauração da Independência,tentaram os espanhóis tomar a fortaleza várias vezes, sendo sempre repelidos. Durante os períodos de acalmia iam-se fazendo novas obras de defesa pois de Espanha "nem bom vento nem bom casamento", obras estas que se prolongaram até meio do século XVIII. Durante as Invasões Francesas as tropas do general Soult chegaram a tomar parcialmente a praça-forte, fazendo explodir a Porta do Sol e bombardeando o resto do complexo com artilharia instalada em Tui. Mesmo assim a fortaleza de Valença manteve-se fora do domínio francês e as tropas de Soult não voltaram a atravessar o rio Minho. A luta intestina entre D. Miguel e o irmão D.Pedro IV, também deixou marcas nestas velhas muralhas que só deixaram de ter utilidade no início do século XX. Ao findar este século notava-se já, em alguns locais, a necessidade de reparações provocadas pela incúria dos moradores e a ignorância dos turistas que a visitam. A última grande reparação foi feita para as comemorações do Centenário da Independência em 1940. Actualmente há estudos e pequenas obras de conservação que desejamos sejam frutuosas.

15.12.08

MEDICINA DO FUTURO



Quando escrevi sobre a Medicina do passado, logo me ocorreu que alguém me perguntaria como seria a medicina do futuro. Dessa forma alinhavei algumas linhas , baseando-me no que se sabe sobre genética, robótica, informática, células estaminais e outras descobertas como a tão falada nanotecnologia. Quem já viu filmes de ficção científica observou que os médicos eram auxiliados por máquinas inteligentes e humanoides robóticos. O que nesses filmes era pura ficção, começa agora a não o ser dando ,como exemplo,o que se passa na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra onde uma equipa liderada pelo Prof. Rui Cortezão está a desenvolver o projecto de um robot que, dentro de seis anos, poderá estar a ser usado em hospitais para cirurgias minimamente invasivas. Designado de WAM difere ,de outros já existentes, pela melhor telemanipulação e telepresença, garantindo ao cirurgião uma sensação de contacto de alta definição. Será usado em cirurgias realizadas através de pequenos orificios ou de aberturas naturais. Na América , estão em fase experimental uns óculos que usando pequenas telas de cristal líquido, projectam uma imagem tridimensional dos ossos do paciente, gerada por computador. Saíndo do capítulo robótico, outros avanços na medicina, como é o caso das células estaminais, permitem sonhar em regeneração laboratorial, de órgãos lesados , ou mesmo criação de órgãos completos,pois já foi provado laboratorialmente que uma célula estaminal adulta é capaz de se modificar em qualquer outro tipo de célula, independentemente do seu tecido de origem, desde que cultivada em condições adequadas. A ser assim,no futuro, serão anuladas certas questões ético-religiosas e os problemas de rejeição de transplantes, por serem usadas células estaminais do próprio paciente,tornando-se assim possível imaginar o fim das filas de espera por um dador compatível. O jornal Correio da Manhã ,de 20-11-2008,noticia que uma mulher de 30 anos, a viver em Barcelona, sofreu um transplante de traqueia construída com células estaminais da própria. A conhecida revista médica LANCET publicou os resultados positivos deste transplante,ocorridos cinco meses após a operação. As células estaminais são células com grande capacidade de se replicarem naturalmente,dando outras semelhantes. As células estaminais encontram-se na medula óssea,sangue, placenta e líquido amniótico podendo, segundo técnicas especiais, dar células diferentes como as do tecido ósseo, muscular,nervoso etc.

A micro-electrónica está também dando uma ajuda á medicina do futuro. Cientistas desta área de conhecimento estão aptos a dar audição a surdos profundos e imagem a certo tipo de cegueira recorrendo, neste último caso,a eléctrodos implantados no cérebro e a mini-câmaras de vídeo instaladas em óculos. Uma outra ideia curiosa surgiu do facto de alguns fabricantes de automóveis terem criado um dispositivo electrónico capaz de detectar o bafo de um condutor alcoolizado e desligar o motor .Aliando esta invenção ao facto de se estarem a treinar cães para que, com o seu olfacto apurado. detectem doenças ainda no seu início, pensa-se em criar um robot olfactivo que venha a fazer o trabalho canino. Com a nanotecnologia prevê-se a criação de máquinas de tamanho inferior ao de uma célula que, percorrendo todo o corpo pelos vasos sanguíneos, façam reparações a nível celular. Estes avanços são forçosamente lentos mas há outros a caminhar mais rapidamente, como o robot-enfermeiro que separa ,na farmácia hospitalar, a medicação prescrita a cada doente e faz a sua entrega personalizada, sem erros e a tempo e horas, registando parâmetros clínicos do paciente , enviando-os, em tempo real , ao médico.

Segundo a opinião do Dr. Nuno Nine existe já moderna tecnologia de diagnóstico. Através do varrimento eléctrico intersticial ( VEI) é possível uma análise , em tempo real, de parâmetros fisiológicos dos tecidos dos orgãos através do seu líquido intersticial. É a medicina quântica ou informática que possibilita ,em três minutos, fazer uma análise geral ao doente ,sem agulhas, recolha de sangue e outros métodos invasivos, apenas medindo impedâncias bio-eléctricas de uma mais que fraca corrente eléctrica aplicada , com eléctrodos, sobre a pele. Desenganem-se no entanto aqueles que pensam que algum dia será vencido o inexorável ciclo do nascimento- vida- morte pois,quando muito,será retardado no tempo, havendo uma longevidade maior com o auxílio robótico.

Mas será o Homem feliz num mundo de robots ? Não se tornará ele um escravo da máquina? Não será este o seu fim como espécie animal? São perguntas angustiantes de resposta difícil de enunciar. Há quem afirme que a medicina do futuro não vai necessitar de robots, pois será criado o homem geneticamente modificado, imune á doença e a medicina servirá apenas para reparar danos acidentais. Será assim ou teremos de admitir que a Natureza pode também criar novas formas de vida que ataquem o homem modificado? Criar-se-á novo homem ,respondem os optimistas. Mas ao fim de várias mutações, será ainda aquele ser um Homo sapiens,sapiens , ou outra coisa qualquer ?-pergunto eu .

10.12.08

ARTE GÓTICA ...enigmas escondidos

Quem visita as catedrais góticas, com as suas dimensões gigantescas de interiores sumptuosos que parecem ser iluminados por uma luz e um espírito sobre-humanos, fica com a ideia de pura perfeição. Imagine-se o efeito que estas construções não terão tido sobre os povos da Idade Média que as visitavam. Não é fácil datar o aparecimento do gótico embora ele apareça subitamente entre 1130 e 1140 em França. Desenvolvendo-se atinge o apogeu em algumas décadas sem qualquer ligação com estilos anteriores. Juntamente com os arquitectos, são os canteiros, os carpinteiros, os ladrilhadores e os vidreiros os obreiros destas maravilhas. Que contextos místicos terá esta arquitectura e que segredos encerra ? Outra pergunta se pode colocar: serão os locais onde estas catedrais estão implantadas ,lugares de concentração de energias? Por exemplo, a grande catedral de Chartres foi implantada numa pequena elevação de uma localidade insignificante na época, mas que fora destino de peregrinações em tempos pré-cristãos Nesta catedral ,orientada em sentido oposto ao habitual nos templos cristãos, a relação ,entre o comprimento a largura e a altura, é estranha e nada vulgar.O mesmo se pode dizer dos vitrais, capazes de decompor os raios de sol de modo tão extraordinário que , até á data, foi impossível fazer outros iguais.

Os grandiosos vitrais, o portal central, as torres e o labirinto desenhado no chão representam uma vivência cujo centro espiritual estava em Jerusalém, daí dever ser obra da Ordem dos Templários. Em plena idade média de onde vieram os conhecimentos necessários á construção das grandes abóbadas góticas? E o dinheiro para as construir? Não veio das colectas realizadas junto dos peregrinos e do povo e muito menos das abastadas ordens Beneditinas e Cistercienses. Só poderiam ter sido financiadas pelos Templários, cuja lendária riqueza, ainda hoje,permanece um mistério. Curioso também o facto de nenhuma das representações da vida de Jesus, inspiradas pelos templários, conter cenas da crucificação e isto porque aqueles recusavam-se a reconhecer o homem crucificado como sendo o verdadeiro Jesus Cristo o que, mais tarde, foi usado nos processos de acusação contra os cavaleiros desta ordem. Os elementos indispensáveis nas catedrais góticas são as rosáceas nas imponentes fachadas, as altas agulhas das torres tocando os céus, os arcos botantes e contrafortes, responsáveis por uma melhor distribuição de peso, tudo contendo saberes que eram excessivos para a época.


Esperemos que estes mistérios todos sejam um dia desvendados!

5.12.08

A MÚSICA ao longo dos tempos


O homem primitivo, para caçar em grupo, tinha necessidade de comunicar, usando sinais sonoros tais como os gritos, batimentos com pedras e sons corporais, como o bater palmas. O homem pré-histórico tinha como principal objectivo apenas imitar os sons da natureza e só muito mais tarde usou a música em cerimónias rituais, como por exemplo, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos e no decorrer da caça. Gradualmente foi introduzindo alguns rudimentares instrumentos e danças para agradar mais aos deuses. Depois de descobrir a música o homem nunca mais se separou dela ! Até ao ano 400 dC, a música assumia um papel importante em várias actividades do dia a dia , em civilizações como a romana, grega e egípcia.

Com a chegada do século XIII, em plena Idade Média, são os monges que continuam a desenvolver a teoria musical e a sua escrita. O repertório desta época são cânticos litúrgicos, transmitidos oralmente através de gerações, variando as interpretações consoante os ritos ou hábitos musicais dos diferentes povos. É assim que surge o canto gregoriano, uma forma de oração para demonstrar o amor a Deus, numa melodia simples que seguia o ritmo das palavras.É neste período que se dá a separação da música sacra da profana, já que a primeira usava apenas o orgão e ,a segunda, variados instrumentos como o alaúde, a charamela, a flauta, a harpa, a sanfona e outros mais. Outra diferença residia no facto de se usar o latim no canto religioso, e a línguagem local na música profana, com os menestreis e trovadores a cantar e compor para os senhores dos paços reais.

O período renascentista (1450-1600) é caracterizado pela mudança de pensamento do homem perante o mundo ,com influência na arte, logo na música. A Igreja fica menos rígida e permite uma troca maior entre as músicas sacra e profana. Os reis e homens ricos dão oportunidades de trabalho aos compositores e aos músicos ,promovendo festas , audições e acontecimentos culturais. As obras musicais que se desenvolvem são essencialmente vocais como a música vocal polifónica. Surgem os madrigais, o motete, a missa coral e com estas músicas os alaúdes e as violas de gamba para o acompanhamento. O Barroco (1500-1750) é o período em que a música instrumental atinge, pela primeira vez, a mesma importância que a música vocal. Neste período a música é exuberante de ritmo enérgico e frases melódicas longas muito bem organizadas. Os compositores fazem uso de um contraponto com grandes contrastes tímbricos. O violino afirma-se devido á evolução da sua construção e os instrumentos de tecla , como o cravo, evoluem também tornando-se solistas e não apenas acompanhantes. A orquestra toma maior dimensão em número de executantes e uma forma mais estruturada. A suite o ballet e a ópera são formas musicais, orquestrais e vocais que surgem e se desenvolvem durante o Barroco. No período seguinte ,o do Classicismo (1750-1810), a música é menos complicada, mais suave e de maior perfeição estética. A melodia é acompanhada de acordes e predomina sobre eles. As frases melódicas são bem definidas , curtas e claras , notando-se o princípio ,meio e fim de cada uma. O cravo cede o lugar ao piano ,e a orquestra, por diversificar os instrumentos, aumenta mais o número de executantes. Os géneros instrumentais deste período são o concerto, a sinfonia, a sonata e o quarteto de cordas.


O Romantismo (1810-1910) caracterizou-se pela liberdade de expressão e de sentimentos. As alterações políticas e sociais provocadas pela Revolução francesa de 1789 fazem ressurgir a música folclórica. Paris e Viena tornam-se os principais centros de música da Europa . Através da música os compositores mostram sentimentos e afectos da sociedade da época. Surgem compositores como Schubert, Mendelsson ou Chopin e instrumentistas como Liszt ou Paganini. Os compositores libertam-se dos mecenas e passam a compor por conta própria, surgindo as grandes salas de espectáculos e concertos, consequência da ascensão da burguesia. O Romantismo desenvolveu o virtuosismo na execução instrumental que atingiu elevados graus de dificuldade e técnica instrumental levando os músicos a tornarem-se figuras públicas de destaque.


.O século XX surgiu como a época das experiências , da procura das novas técnicas instrumentais e uma mudança da sonoridade com novas técnicas de composição, e instrumentos de sons inovadores. Surgem assim as guitarras eléctricas e os sintetizadores e com eles a música Rock e Pop. Há uma maior tendência para as culturas não europeias facto impulsionado pelos discos , gravação em cassete, CD e a popularização da rádio e televisão. Os novos timbres,harmonias, melodias e ritmos, bem como o aparecimento de novos métodos de composição fazem a renovação da linguagem musical. Com a procura e o desenvolvimento de sons novos, a composição foi abandonando o uso das sete notas da escala e começaram a escrever-se obras com a utilização de 12 notas (dodecafonismo). Esta técnica foi criada na década de 1920 pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg. Nascia a atonalidade, desaparecendo, desta forma,a maneira de organizar a música em redor de uma nota particular , a tónica, que definia um tom central, gravitando , em torno dela, a harmonia e a melodia. O dodecafonismo acaba com o papel central da tónica ,assim como a hierarquia que a tonalidade estabelecia entre as sete notas da escala convencional.

3.12.08

PETRÓGLIFOS

Já ouvimos dizer que a natureza se está a vingar dos abusos contra ela cometidos pelo homem nestes últimos séculos, daí as catástrofes globais climáticas com consequências na agricultura, na economia e na vida das populações. Se hoje nos agarramos á tecnologia para sobreviver, há milénios o homem vivia num mundo de criaturas e forças que o podiam conduzir á morte ou á vida tentando, através de práticas mágico-religiosas, defender-se da natureza. Os vestígios mais antigos dessas práticas são as gravuras rupestres (petróglifos) que encontramos em todos os continentes. Essas gravuras esculpidas na rocha com artefactos também de pedra, por vezes pintadas com tintas naturais, mostram motivos variados que julgamos ser astronómicos ou ainda mitológicos e xamanísticos, autênticos livros esculpidos na rocha. Encontramos estes petróglifos na costa gélida do Alasca e na quente Califórnia para já não falar na América do Sul onde abundam, o mesmo se passando na Europa e Ásia. No continente sul-americano muitos destes lugares sagrados são só do conhecimento das populações locais, nos quais sentem campos de forças especiais de modo a estabelecerem ligação com os seus antepassados e espíritos protectores. Já noutra "postagem" nos referimos á Pedra Letreira de Gois e ás enormes figuras de Nasca. O testemunho por detrás destes traçados das culturas da Idade da Pedra continua em segredo ,sendo curioso que na Europa, onde a pesquisa histórica está mais avançada, os círculos,espirais e símbolos animais, são os mesmos em todo o mundo. Será que os círculos concêntricos mostram a fertilidade e a água essencial á vida , ou haverá um outro segredo maior ?



As espirais representarão forças cósmicas? É que estas espirais não estão só nas gravuras rupestres mas também esculpidas em gigantescos túmulos, em escaravelhos e pinturas fúnebres do antigo Egipto. Será que a espiral se integra no complexo movimento cíclico do Sol e na sua influência sobre a água e a fertilidade animal e vegetal ? É sobretudo a espiral dupla que, no âmbito dos seus movimentos giratórios, para dentro e para fora, dá azo á interpretação de retorno e renovação, ao ciclo da vida e morte. No formato de uma espiral, quer seja tridimensional em forma de parafuso, ou plana e bidimensional, não é possível encontrar um verdadeiro princípio ou fim. A espiral continua a girar eternamente como a Via Láctea. E a dança dos dervixes (ordem mística do Islão) recriará o movimento do Universo em forma de espiral e a própria criação ? Conseguirão eles através desta dança em espiral captar as manifestações do Divino ?




E que diremos dos quadrados ? Os cantos são os pontos mais extremos do horizonte visível e correspondem aos solestícios ou aos nossos pontos cardeais. Um aspecto curioso é que quando o quadrado que simboliza o mundo, em conjunto com o altar central, é projectado para o céu, surge a pirâmide dos Maias ou dos Astecas.Teorias muito controversas afirmam que a similitude dos petróglifos e de outros símbolos arquétipicos de diferentes culturas e diversos continentes é o resultado, conforme Carl Jung, de uma estrutura herdada geneticamente no cérebro humano. Outros afirmam que esses desenhos (quadrados e espirais ) foram realizados pelos xamãs num estado alterado de consciência, induzido pelo uso de alucinogénios naturais, pois essas formas geométricas aparecem quando há problemas de visão e alucinação produzidas por drogas ou estímulos físicos. Seja como for,acredita-se que muitos petróglifos representam um tipo de linguagem fazendo referência a algum tipo de fronteira territorial entre tribos, para além de significados religiosos. Esta linha de pensamento leva-nos á escrita rúnica, uma das mais antigas , com milhares de anos. A raíz composta RU é de origem indo-europeia e significa mistério ou segredo.


Os antigos povos nórdicos acreditavam que as runas possuíam poderes mágicos, daí os xamãs as colocarem nas casas, nos barcos e nos leitos do enfermos .No alfabeto rúnico cada símbolo/letra representa uma energia específica e, devido a essa energia,as runas não eram só usadas como letras de alfabeto, mas também como talismãs mágicos, cujo valor era passado oralmente pelos mestres aos iniciados .

1.12.08

CASTELO DE MELGAÇO


"Entre as relíquias do nosso passado histórico que ajudaram ao longo dos séculos a robustecer a Nacionalidade, são decerto os castelos que melhor falam á nossa alma , na vibração ou na saudade que a sua contemplação em nós desperta. Mas não nos basta contemplar no escrínio do tempo, como formas inermes ou redivivas da grandeza que os definiu. É preciso também saber amá-los, encarando o cortejo de heroísmo e tragédias de que foram cenário para sentir a carga espiritual que deles se desprende."(Veríssimo Serrão)

Durante a curta ocupação muçulmana, no século IX, levantaram os invasores, aqui em Melgaço, uma fortificação que pretendia ser de apoio ao seu falhado plano de avanço sobre Santiago de Compostela. Na altura, a região encontrava-se deserta devido á invasão muçulmana e, pouco tempo depois,com a retirada islâmica o castelo acabou por ficar em ruínas. Sabe-se que, em 1182, já aqui existia de novo uma população, pois D. Afonso Henriques lhe concede foral, sendo edificado novo castelo (1170) dada a importância estratégica de Melgaço contra as investidas do Reino de Leão.O castelo foi ampliado no tempo de D. Dinis, com a elevação de uma segunda linha de muralhas envolvendo o quadrilátero inicial de ângulos recurvos.Os diferentes azares da Guerra da Restauração da Independência levaram ao castelo outros cercos, destruições e reconstruções , um duro preço por ocupar sítio tão estratégico. De uma terceira linha de muralhas do século XVII já pouco resta devido aos desastres das guerras e também devido á ocupação pelos invasores franceses que aqui ficaram até ao dia 11 de Junho de 1808, data em que foram expulsos definitivamente. O castelo é de planta circular e está dividido em três recintos; as muralhas ameiadas têm duas portas e três torres ,com a torre de menagem de secção quadrangular e uma outra de secção pentagonal.. Ligado a este castelo existe a lenda da Inês Negra, baseada no cerco sofrido pelo castelo a mando de D.João I, já que ele se encontrava ocupado por forças leais a Castela. Da série de assaltos e escaramuças entre a nobreza instalada dentro dos muros da vila e as classes populares instaladas fora desses muros, no chamado arraial resultou um facto que é narrado em documento antigo : ......escaramuçaram duas bravas mulheres, uma da vila e outra do arraial, e andaram ambas aos cabelos e venceu a do arraial.....(Crónica de D. João I, por Fernão Lopes)

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