14.1.09

MARTE e marcianos

Visível á vista desarmada , há muito tempo que este planeta exerce uma atracção no imaginário humano. Os povos da antiguidade designavam-no de estrela vermelha,sinistra anunciadora de calamidades, guerras ou epidemias mortais. Aliás ,Marte é o mitológico Deus da guerra e da morte. Em finais do século XVII como os telescópios já permitiam observar o planeta de forma bastante precisa , o astrónomo Giovannni Cassini consegue calcular a duração do dia marciano em 24 horas e 40 minutos, sabendo-se agora que errou apenas em 3 minutos, neste seu cálculo. Hoje, com os modernos telescópios e sondas orbitais, conseguiram-se mapas pormenorizados deste planeta , mas sem marcianos visíveis . A ideia da existência de "marcianos" começou quando Giovanni Schiaparelli deu o nome de canali aquilo que julgou serem ligações rectilíneas entre grandes massas de água. Em 1893, Percival Lowel, astrónomo amador americano, defendia que os canali seriam obra produzida por uma civilização marciana inteligente que, no seu mundo moribundo, estariam a combater a desertificação. A lenda sobre marcianos aumentou quando ,em 1898, H.G. Wells escreve " A guerra dos Mundos ". Esta marcianomania durou até 1965, altura em que a sonda Mariner 4 nos enviou fotografias de Marte a dez mil quilómetros de distância. Por elas se verificava não haver cidades, nem canais ,nem água , nem erosão hidráulica de um passado distante; a superfície de Marte era mais parecida com a Lua do que com a Terra. Marte tem uma superfície crivada de crateras ,fria, seca , quase sem atmosfera , imprópria para a vida dos humanos. Em 1976 duas sondas Víking pousaram em segurança na superfície de Marte e as experiências químicas que realizaram não deram resultados conclusivos sobre vida no planeta. Em 2004 dois robots começaram a fazer viagens pela superfície marciana tendo fornecido imagens com grande nitidez. As recentes missões Phoenix que analisaram o solo levam-nos a concluir que Marte não é um planeta tão morto como parece: as câmaras captam tempestades e o aparecimento sazonal de gelo seco de dióxido de carbono o que poderá vir a ocasionar o aparecimento de microrganismos.. Se algo mais foi descoberto, está guardado nos computadores da universidade do Arizona. A vigilância constante dos robots sobre a superfície do planeta, acabou com a ideia dos discos voadores marcianos e dos seus tripulantes estiolados, de pele acastanhada e olhos amarelos que alarmaram as gentes da Terra, depois do final da 2ª Guerra Mundial.


Hoje estão desmitificadas muitas das fraudes fotográficas sobre discos voadores e marcianos e explicadas clinicamente algumas narrativas de pessoas que afirmam terem sido sequestradas temporariamente por extra-terrestres para observações médicas e experiências sexuais. Estudos médicos revelam que as pessoas que afirmam ter sido raptadas ou que tiveram encontros imediatos do 1º grau, possuíam personalidades muito próximas daquelas que experimentam a iminência de morte ,ou possuem uma forte crença esotérica ou ainda uma mente fantasiosa. Também a maioria dos que afirmaram terem sido raptados para experiências sexuais , tinham sofrido traumas sexuais ou outros, durante a infância. Os psicanalistas continuam a investigar e a tentar explicar estes fenómenos da mente do ser humano que desencadeiam a alucinação do tipo que estamos falando e se tudo não passa de recordações infantis voluntariamente reprimidas e aparentemente esquecidas. Voltando ao planeta Marte diremos que no árido deserto terrestre de Utah (USA) existe um centro de investigação onde se estudam os desafios que os primeiros colonos do planeta vermelho terão de enfrentar. Se em 2008 se diz que o planeta poderá ter conservado no subsolo os elementos necessários para devolvê-lo á vida, sonha-se que em 2508, depois de quinhentos anos de terraformação, realizada por gerações de astronautas, este possa desenvolver microrganismos , e uma atmosfera. Será que o Homem conseguirá este feito e o de por o núcleo de Mercúrio, actualmente sem movimento, num núcleo móvel, idêntico ao da Terra, com os benefícios dai inerentes ?



Será que esta litografia acima , representa o futuro longínquo de Marte? Poderá ser que, no ano 3.000, haja "marcianos" descendentes dos terráqueos , se entretanto a evolução e a Natureza não fizerem das suas com o Homo sapiens sapiens a ser apenas um fóssil extinto.



11.1.09

ESCRITA CHINESA

No mês de Dezembro 08, apareceram neste blog uns comentários em inglês e assinados em chinês que me deixaram perplexo, bem como a alguns dos meus leitores habituais.Pedi ajuda, mas poucos ou nenhuns entendiam esta escrita, até que me disseram que ,num dos casos ,estava um convite para jogar poker via Internet.Desde já os meus agradecimentos aos colegas radioamadores Júlio César que conseguiu a tradução automática e Mário Portugal que procurou o auxílio. Vai daí decidi tentar perceber como era a escrita chinesa embora soubesse que os caracteres , ou melhor, os símbolos gráficos dessa escrita , não representam letras mas sim ideias, daí serem chamados ideogramas. Quando descobri que existiam cerca de 15.000 ideogramas que podem ainda ser agrupados, pensei nas pobres crianças que têm de os aprender. Ainda por cima eles foram evoluindo ao longo dos tempos de formas complexas para mais simples. Embora sem pincel para os desenhar, vou tentar dar-vos uma ideia de como isto funciona. Olhemos o quadro abaixo: uma montanha é um conjunto de serras,imaginemos três. Uma criança muito pequena desenharia os três cumes como se vê. Um rio estaria representado pelas margens e a água dentro. No caso da árvore temos o solo,por debaixo as raízes e o tronco por cima , tendo a copa desaparecido com a evolução e simplificação.
Se usar um pouco de imaginação verá que há neles uma certa lógica. Olhe , com calma o quadro e veja se não há lógica neles , tendo em atenção que a mesma figura na vertical quer dizer uma coisa e será diferente se estiver na horizontal. Veja agora o caso acima da janela através da qual se vê o solo. Se isso acontece é porque é dia ou há sol. Faça sozinho um estudo do quadro abaixo:

Há ou não uma lógica neles ?
Como dissemos os ideogramas podem associar-se para definir ideias diferentes. Veja o exemplo a seguir:

Mais uma vez a lógica a funcionar. Até parece que estamos perante linguagem militar cifrada do século passado ,deixada nos caminhos pela guarda avançada. Demoremos um pouco sobre o quadro a seguir;



Não há dúvida que se a porta está aberta e eu posso observar a árvore no jardim é porque não há perigo á vista, pois nesse caso fechava a porta para me proteger. Se não há perigo , há tranquilidade !
Os ideogramas chineses actuais provêm de várias origens,das quais destacamos: imagem/forma ,imagem/som. Os ideogramas antigos são um desenho aproximado dos objectos representados. Vejamos abaixo o ideograma actual de homem e de onde ele veio:


O ideograma de luta é um pouco mais difícil de ver mas também se lá chega.


É melhor ficarmos por aqui pois isto é demasiado complicado para quem, como eu, não têm a veleidade de ser linguista, nem a de dizer possíveis asneiras num tema que desconhece. (Se fizer uma pesquisa no Google encontrá um site em que há frases diárias banais que poderá utilizar) .

6.1.09

OS TEMPLÁRIOS e seus segredos

A ordem dos Templários, primitivamente chamada de " Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão ", terá sido fundada em 12 de Junho de 1118, por nove cavaleiros com a intenção de defender Jerusalém e guardar o Santo Sepulcro dos infiéis , bem como proteger os peregrinos que se dirigiam á Terra Santa. Esta era a justificação oficial, pois parece que Hugues de Payens e os seus oito companheiros tinham por missão descobrir a Arca da Aliança que Salomão teria para ali mandado. O interesse pela Arca não seria só religioso mas também pelos segredos escritos que conteria, uma sabedoria antiquíssima que Moisés teria adquirido na sua iniciação em terras do Egipto. Esses escritos das Tábuas da Lei, não destinados ao conhecimento público, formariam uma enciclopédia compacta de natureza científica, escrita em linguagem codificada. A ideia dos cavaleiros era pôr em prática, com muito cuidado e de forma experimental, a verdadeira Lei Divina , a chave dos segredos do Universo,para bem da humanidade. Terá sido o rei Baldwuino II quem recebeu os nove cavaleiros, tendo estes permanecido em Jerusalém, durante vários anos , em trabalhos de pesquisa nas ruínas do Templo de Salomão. Estes trabalhos secretos de pesquisa devem ter dado resultado pois quando regressaram á Europa vinham cheios de glória e sabedoria , tendo este regresso coincidido com a aparição brusca das catedrais góticas. Saliente-se que o estilo gótico não foi uma evolução da arquitectura romana que a precedeu, era algo de novo. A arquitectura romana baseia-se numa força que actua de cima para baixo, com a cúpula redonda a pressionar ,com o seu peso, os muros ou paredes, estabilizando assim a construção. Os arcos em ogiva da catedral gótica baseiam~se na pressão que age de baixo para cima, numa tensão dinâmica que exigia cálculos constantes que superavam os conhecimentos da época. Os Templários revolucionaram também a agricultura praticando uma racionalização até então desconhecida. Outro facto misterioso está no campo financeiro: se os reis estavam, normalmente, sem dinheiro, as cidades eram pequenas e pobres, o que estaria por detrás da construção de várias catedrais góticas que consumiam somas astronómicas? De onde vieram os operários especializados, do arquitecto ao escultor? Esta classe de operários, treinada numa técnica nova era livre para, em caso de necessidade, se deslocar de uma obra para outra , originando assim os " pedreiros livres". Mas há mais mistérios !Como é que somente nove cavaleiros conseguiam proteger os peregrinos, guardar o Santo Sepulcro e defender Jerusalém ? Se os Templários juraram pobreza, como se tornou a Ordem uma das mais ricas, chegando ao ponto de financiarem os reis e o Papa ? Se existiam os cruzados para conquistar Jerusalém para quê os Templários ?Tudo muito estranho ! Diz-se que os nove cavaleiros ao instalarem-se nas ruínas do Templo de Salomão, encontraram os túneis secretos que levavam ao tesouro da biblioteca onde estavam guardados os segredos da arquitectura gótica, de navegação, de astronomia e outros, bem como as tábuas da Lei e a Arca da Aliança. A Ordem do Templo era constituída por vários graus sendo o primeiro o dos cavaleiros. Tinham graus inferiores como clérigos, irmãos servidores ,criados e artífices. Embora a Ordem tenha sido abalada na sua razão de ser quando o sagrado sepulcro foi tomado pelos muçulmanos, ainda era poderosa e imensamente rica. A corte de França e o Papa deviam-lhe dinheiro ,pelo que essa riqueza passou a ser cobiçada pelo rei de França , Filipe ,o Belo. Os Templários corriam perigo, pois o rei já havia confiscado os bens dos lombardos e judeus , expulsando-os. O rei sabia que os Templários possuíam 150.000 florins de ouro, 1o.000 casas e solares,inúmeras fortalezas ,pratas ,ouro e jóias por toda a Europa. Desta feita Filipe e o Papa, ajudados por opositores de outras Ordens, armam uma cilada , acusando os Templários de hereges. Em13 de Outubro de 1307 o rei manda prender todos os templários e o seu grão-mestre Jacques de Molay que, submetidos a torturas pela Inquisição, acabam por confessar o que o Rei e o Papa pretendiam, mesmo não sendo verdade. O Papa, para se livrar da dívida tenta ,através do Concílio de Viena de 1311 , acabar com a Ordem dos Templários. Não o conseguindo, convocou em privado um outro ,em 22 de Novembro de 1312 . Neste aboliu a Ordem , admitindo não haver provas de heresia. As riquezas dos Templários foram confiscadas em benefício da Ordem de S: João, embora grossa parcela fosse parar aos cofres do Rei Filipe. Em Portugal, o rei D. Dinis não aceita as acusações e funda a Ordem de Cristo para a qual passou alguns Templários. Desta forma os segredos ciosamente guardados pela Hierarquia Interna da Ordem que diferia da Hierarquia Externa que era profana e militar, vieram parar ao nosso país em1307. Em 1416, o Infante D.Henrique torna-se grão-mestre da Ordem de Cristo e deve ter tido acesso aos segredos fenícios de marear. Um deles seria a possibilidade de navegar no hemisfério sul e encontrar um caminho para oriente, o que foi realizado por Vasco da Gama. Não é por acaso que as caravelas ostentavam, nas velas, a Cruz de Cristo(em fundo branco), que era uma pequena alteração da Cruz dos Templários.


Em 1550, D.João III convence o Papa Júlio III a fundir as duas hierarquias e com isso os réis de Portugal passam a ser Grão- mestres, com acesso aos segredos dos Templários. Ora os Templários tinham, como já dissemos,relatórios de navegadores que já haviam percorrido regiões desconhecidas ,e preciosidades como as tábuas de declinação magnética que corrigiam as bússolas. Á medida que as navegações avançavam, eram feitos novos mapas astronómicos que forneciam orientação pelas estrelas no hemisfério sul a que só os iniciados tinham acesso. Pedro Álvares Cabral, estava no comando da esquadra porque era Cavaleiro da Ordem de Cristo e tinha por missão tomar posse de terras secretamente conhecidas,isto é.o Brasil. A sua presença era indispensável pois só a Ordem de Cristo tinha autorização para ocupar territórios de infiéis. Assim, e a coberto de uma tempestade, desgarra-se da frota com destino a oriente, ruma em sentido contrário e vai ter a terras de Vera Cruz. A Espanha tradicional adversária de Portugal e sem estes conhecimentos de navegação, faz uma política contrária junto do Vaticano para minar o monopólio da Ordem de Cristo e assim, em1492, o Papa Alexandre VI (um espanhol de Valência) reconhece em duas bulas, o direito de posse dos espanhóis sobre o que Colombo havia descoberto, rejeitando as reclamações de D.João II de que as novas terras pertenceriam a Portugal. Este diferendo entre Portugal e Espanha levou a que estes , em 1494, negociassem um tratado para dividir o novo mundo, o Tratado de Tordesilhas .Portugal saiu-se bem deste acordo: os espanhóis, pelas bulas papais, tinham direito às terras situadas a mais de 100 léguas a oeste e sul dos Açores e Cabo Verde, mas pelo Tratado de Tordesilhas essa linha imaginária passou para 370 léguas e, desta forma , as terras descobertas por Cabral estariam sob alçada de Portugal, facto que os nossos vizinhos desconheciam. Muito mais se pode imaginar dos segredos que os Templários possuiam e como estes foram sendo guardados e transmitidos através de Sociedades Secretas, mas não há provas concretas , por isso ficamos por aqui .
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4.1.09

NOVAS FORMAS DE VIDA ?

Quem disse que a vida era apanágio da biologia e a sua criação exclusiva da natureza, com o seu "caldo primitivo" de moléculas inorgânicas a evoluir para coacervados e estes para seres unicelulares que, por sua vez, deram as espécies actuais, viveu antes da época dos computadores. Hoje, os zeros e uns da informática são os ingredientes do "caldo primitivo" que, sob a acção de uma mão humana num teclado, poderão dar origem a novas formas de vida , numéricas e artificiais, escondidas nas memórias dos computadores e nos circuitos electrónicos, desenvolvendo-se em espaços virtuais desencarnados, ou via robots articulados ,mais ou menos imitativos de seres vivos. Para não ir muito longe, pensemos apenas naqueles programas informáticos, os vírus, capazes de se manter automaticamente e até de se multiplicar, adaptando-se e evoluindo para resistir aos anti-vírus,e ficaremos perplexos, pois os parâmetros citados são os da vida, tal como a concebemos. Imaginemos por momentos que estamos em finais deste século e que o avanço tecnológico foi tal que se pode transferir a consciência humana para chips ;que partes do corpo humano podem ser substituídas por interfaces robóticas e há, no dia a dia, máquinas a conviver connosco fazendo o trabalho humano. Será que podemos considerar estas máquinas seres vivos ? Os cientistas da NASA dizem que nunca os robots irão pensar como os humanos, embora ao imitarem técnicas humanas, seja para nós mais fácil comunicar com eles. Embora se pareçam com humanos, andem e falem como nós, não são humanos. Eles não choram nem sentem como nós ,embora chips neurais tridimensionais tentem aproximá-los do Homo sapiens. As redes neurais são ferramentas que permitem aos robots aprender com as suas experiências, associar percepções com acções programadas e adaptar-se a situações ou ambientes não previstos.As redes neurais imitam o cérebro, simulando uma grande teia de elementos simples, similares ás células do cérebro que aprendem com exemplos.Uma máquina assim funcione aprende como uma criança, apenas de forma muitíssimo mais lenta.Podemos dizer facilmente a um robot que um quadrado é um objecto equilátero com quatro lados mas como dizer-lhe o que é um gato ? Claro que podemos mostrar ao robot milhares de fotos diferentes de gatos e ele irá, mais tarde, ser capaz de reconhecer gatos em geral, mas isto não quer dizer que estejam a pensar como nós o fazemos, embora sejam máquinas mais eficientes. Nos nossos dias já se fabricam robots com aspecto humano e redes neurais ,a que se deu o nome de androides. O Actroide DER-2 tem aspecto feminino e uma suavidade de movimentos e expressões faciais que podem confundir-nos.


Os construtores japoneses pretendem alugar este modelo (ver foto acima) para empresas e eventos como recepcionista,pois cumprimenta com uma vénia quem chega, dá informações genéricas faladas ,etc.



E que dizer do modelo chinês a sua robot Dion que canta como se fosse verdadeiramente humana? E na figura abaixo qual é a máquina HRP-3Pe qual é o seu criador, o cientista Kawada ?




Se tem dúvidas do que afirmanos , neste muito resumido trabalho faça uma visita ao site http://www.androidworld.com/ e ficará maravilhado, mas nunca esquecendo o que afirmamos sempre : não são vida biológica, talvez se possa dizer vida tecnológica e com muita reserva.






3.1.09

MAMÍFEROS DO PASSADO

Quando os dinossauros se extinguiram no final do Cretácico (ver outra mensagem desta etiqueta), os pequenos mamíferos que então existiam e tinham ,em média, 2 a 5 cm de comprimento, evoluíram lentamente para animais de grande porte, ocupando os nichos ecológicos deixados pelos grandes répteis. A maior parte destes gigantescos mamíferos era herbívora o que lhes permitia sobreviver á base de produtos de baixo valor calórico como o são as folhas das grandes árvores. Estes mamíferos de grande porte tinham uma estrutura óssea que lhes permitia aguentar o enorme peso. Assim, os membros possuíam ossos muito robustos, curtos nas extremidades comparativamente aos que se localizavam perto do corpo, o que lhes conferia grande estabilidade. Por estranho que pareça a biomecânica dos grandes mamíferos não evoluiu da mesma forma em todos eles e assim,hoje em dia, temos os elefantes como exemplo de animais com patas grossas e fortes, autênticas colunas verticais e, por tal motivo, lentos no andar. Em sentido oposto, os rinocerontes conservam a estrutura herdada de antepassados muito mais leves, como o cavalo; as articulações da omoplata, do cotovelo e do joelho estão permanentemente flectidas e mantêm-se erguidas pela acção de tendões muito fortes nos músculos tensores. Este modelo embora implique um maior esforço permite um movimento mais dinâmico, poupando energia na corrida.Vejamos então alguns dos grandes mamíferos do passado:

Mammut borsoni-- Viveu há 4 milhões de anos (Plioceno) e possuía dentes com 5 metros de comprimento. Tinha 3,5 metros de altura e pesava seis toneladas. Em 2007 foram descobertos , na Grécia, restos fósseis deste animal.


Brontops---Esta espécie de perissodáctilo (têm nas patas dedos em número ímpar sendo o médio o mais desenvolvido) com um corpo semelhante ao do rinoceronte , podia trotar e galopar embora pesasse mais de duas toneladas. Viveu durante o Oligoceno na América do Norte.



Uintatherium----Também encontrado na América do Norte, viveu há 48 milhões de anos (Eoceno). Pesando duas a três toneladas tinha o corpo parecido com o do elefante , mas com bossas na cabeça, como se pode ver na figura abaixo.



Arsinoitherium---Com o corpo parecendo um rinoceronte, tinha a estrutura óssea do elefante. Na cabeça dois cornos gémeos de osso sólido ,diferentes dos do rinoceronte que tem origem na epiderme. O animal pesaria duas toneladas e viveu em África durante o Oligoceno.


Megatherium---Viveu na América do Sul durante o Pleistoceno e originaram as preguiças dos nossos dias. Lentos no metabolismo e na sua actividade eram extremamente fortes e musculosos, pesando cinco toneladas e a altura de um elefante.



Paracerathium---Era o maior de todos os mamíferos do passado com cerca de 6 metros de altura. Viveu na Ásia há 27 milhões de anos ,isto é, no Oligocno e tinham um peso de 18 toneladas, não nos podendo esquecer que nos nossos dias o maior mamífero é a baleia azul com 28 metros de comprimento. Este pequeno apontamento servirá para nos fazer pensar que todos os grandes animais.,grandes também no que consumiam em alimento, acabam sempre por se extinguir . Que nos sirva de lição!

17.12.08

CASTELO DE VALENÇA Situado sobre o rio Minho e face á também fortificada cidade de Tui, a praça forte de Valença , teve uma vila dentro das suas muralhas, durante muito tempo. Hoje ainda restam recordações da fortaleza medieval integradas nas defesas posteriores impostas pelo uso da artilharia. São elas duas robustas torres , nascente, flanqueando a porta da Gaviarra e trechos de muralha ,no lado nascente e também a poente, nas proximidades da porta de S.João. Fazendo ainda parte das recordações medievais as armas reais de D. Afonso III e a entrada da cisterna com uma profunda escada. Valença, a velha Contrasta,inicia a sua história com a monarquia portuguesa e a D.Afonso V se deve o regresso ao nome actual. Durante séculos sofreu obras militares de vulto promovidas pelos reis D. Afonso III, D.Dinis, D.Fernando,D. João I D.Afonso IV e D. Manuel I. A altura e formas da fortaleza medieval deixaram de servir, como dissemos, a partir da época quinhentista com o aparecimento da pirobalística, ou seja , da artilharia. O que hoje vemos é uma fortaleza construída no sentido norte-sul e com uma ligeira curvatura.



Conforme nos conta Júlio Gil em" Os mais belos castelos de Portugal", os perímetros e da obra adicionada, a coroada, cercam-se de fossos e sobre eles o relêvo em taludes. Paralelo a este existe um segundo recinto, as falsas bragas .Revelins protegem algumas cortinas e portas das muralhas, tendo um ficado em esboço, entre os baluartes de Santa Ana e de S:Jerónimo, a sudoeste da coroada. Além disso possui ainda o baluarte de Santa Bárbara e os meios baluartes de S. José e Santo António., eriçando-se a fortaleza com outros sete baluartes. Duas portas fortificadas , a da Coroada e a do Meio,têm pontes sobre o fosso. Com a guerra da Restauração da Independência,tentaram os espanhóis tomar a fortaleza várias vezes, sendo sempre repelidos. Durante os períodos de acalmia iam-se fazendo novas obras de defesa pois de Espanha "nem bom vento nem bom casamento", obras estas que se prolongaram até meio do século XVIII. Durante as Invasões Francesas as tropas do general Soult chegaram a tomar parcialmente a praça-forte, fazendo explodir a Porta do Sol e bombardeando o resto do complexo com artilharia instalada em Tui. Mesmo assim a fortaleza de Valença manteve-se fora do domínio francês e as tropas de Soult não voltaram a atravessar o rio Minho. A luta intestina entre D. Miguel e o irmão D.Pedro IV, também deixou marcas nestas velhas muralhas que só deixaram de ter utilidade no início do século XX. Ao findar este século notava-se já, em alguns locais, a necessidade de reparações provocadas pela incúria dos moradores e a ignorância dos turistas que a visitam. A última grande reparação foi feita para as comemorações do Centenário da Independência em 1940. Actualmente há estudos e pequenas obras de conservação que desejamos sejam frutuosas.

15.12.08

MEDICINA DO FUTURO



Quando escrevi sobre a Medicina do passado, logo me ocorreu que alguém me perguntaria como seria a medicina do futuro. Dessa forma alinhavei algumas linhas , baseando-me no que se sabe sobre genética, robótica, informática, células estaminais e outras descobertas como a tão falada nanotecnologia. Quem já viu filmes de ficção científica observou que os médicos eram auxiliados por máquinas inteligentes e humanoides robóticos. O que nesses filmes era pura ficção, começa agora a não o ser dando ,como exemplo,o que se passa na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra onde uma equipa liderada pelo Prof. Rui Cortezão está a desenvolver o projecto de um robot que, dentro de seis anos, poderá estar a ser usado em hospitais para cirurgias minimamente invasivas. Designado de WAM difere ,de outros já existentes, pela melhor telemanipulação e telepresença, garantindo ao cirurgião uma sensação de contacto de alta definição. Será usado em cirurgias realizadas através de pequenos orificios ou de aberturas naturais. Na América , estão em fase experimental uns óculos que usando pequenas telas de cristal líquido, projectam uma imagem tridimensional dos ossos do paciente, gerada por computador. Saíndo do capítulo robótico, outros avanços na medicina, como é o caso das células estaminais, permitem sonhar em regeneração laboratorial, de órgãos lesados , ou mesmo criação de órgãos completos,pois já foi provado laboratorialmente que uma célula estaminal adulta é capaz de se modificar em qualquer outro tipo de célula, independentemente do seu tecido de origem, desde que cultivada em condições adequadas. A ser assim,no futuro, serão anuladas certas questões ético-religiosas e os problemas de rejeição de transplantes, por serem usadas células estaminais do próprio paciente,tornando-se assim possível imaginar o fim das filas de espera por um dador compatível. O jornal Correio da Manhã ,de 20-11-2008,noticia que uma mulher de 30 anos, a viver em Barcelona, sofreu um transplante de traqueia construída com células estaminais da própria. A conhecida revista médica LANCET publicou os resultados positivos deste transplante,ocorridos cinco meses após a operação. As células estaminais são células com grande capacidade de se replicarem naturalmente,dando outras semelhantes. As células estaminais encontram-se na medula óssea,sangue, placenta e líquido amniótico podendo, segundo técnicas especiais, dar células diferentes como as do tecido ósseo, muscular,nervoso etc.

A micro-electrónica está também dando uma ajuda á medicina do futuro. Cientistas desta área de conhecimento estão aptos a dar audição a surdos profundos e imagem a certo tipo de cegueira recorrendo, neste último caso,a eléctrodos implantados no cérebro e a mini-câmaras de vídeo instaladas em óculos. Uma outra ideia curiosa surgiu do facto de alguns fabricantes de automóveis terem criado um dispositivo electrónico capaz de detectar o bafo de um condutor alcoolizado e desligar o motor .Aliando esta invenção ao facto de se estarem a treinar cães para que, com o seu olfacto apurado. detectem doenças ainda no seu início, pensa-se em criar um robot olfactivo que venha a fazer o trabalho canino. Com a nanotecnologia prevê-se a criação de máquinas de tamanho inferior ao de uma célula que, percorrendo todo o corpo pelos vasos sanguíneos, façam reparações a nível celular. Estes avanços são forçosamente lentos mas há outros a caminhar mais rapidamente, como o robot-enfermeiro que separa ,na farmácia hospitalar, a medicação prescrita a cada doente e faz a sua entrega personalizada, sem erros e a tempo e horas, registando parâmetros clínicos do paciente , enviando-os, em tempo real , ao médico.

Segundo a opinião do Dr. Nuno Nine existe já moderna tecnologia de diagnóstico. Através do varrimento eléctrico intersticial ( VEI) é possível uma análise , em tempo real, de parâmetros fisiológicos dos tecidos dos orgãos através do seu líquido intersticial. É a medicina quântica ou informática que possibilita ,em três minutos, fazer uma análise geral ao doente ,sem agulhas, recolha de sangue e outros métodos invasivos, apenas medindo impedâncias bio-eléctricas de uma mais que fraca corrente eléctrica aplicada , com eléctrodos, sobre a pele. Desenganem-se no entanto aqueles que pensam que algum dia será vencido o inexorável ciclo do nascimento- vida- morte pois,quando muito,será retardado no tempo, havendo uma longevidade maior com o auxílio robótico.

Mas será o Homem feliz num mundo de robots ? Não se tornará ele um escravo da máquina? Não será este o seu fim como espécie animal? São perguntas angustiantes de resposta difícil de enunciar. Há quem afirme que a medicina do futuro não vai necessitar de robots, pois será criado o homem geneticamente modificado, imune á doença e a medicina servirá apenas para reparar danos acidentais. Será assim ou teremos de admitir que a Natureza pode também criar novas formas de vida que ataquem o homem modificado? Criar-se-á novo homem ,respondem os optimistas. Mas ao fim de várias mutações, será ainda aquele ser um Homo sapiens,sapiens , ou outra coisa qualquer ?-pergunto eu .

10.12.08

ARTE GÓTICA ...enigmas escondidos

Quem visita as catedrais góticas, com as suas dimensões gigantescas de interiores sumptuosos que parecem ser iluminados por uma luz e um espírito sobre-humanos, fica com a ideia de pura perfeição. Imagine-se o efeito que estas construções não terão tido sobre os povos da Idade Média que as visitavam. Não é fácil datar o aparecimento do gótico embora ele apareça subitamente entre 1130 e 1140 em França. Desenvolvendo-se atinge o apogeu em algumas décadas sem qualquer ligação com estilos anteriores. Juntamente com os arquitectos, são os canteiros, os carpinteiros, os ladrilhadores e os vidreiros os obreiros destas maravilhas. Que contextos místicos terá esta arquitectura e que segredos encerra ? Outra pergunta se pode colocar: serão os locais onde estas catedrais estão implantadas ,lugares de concentração de energias? Por exemplo, a grande catedral de Chartres foi implantada numa pequena elevação de uma localidade insignificante na época, mas que fora destino de peregrinações em tempos pré-cristãos Nesta catedral ,orientada em sentido oposto ao habitual nos templos cristãos, a relação ,entre o comprimento a largura e a altura, é estranha e nada vulgar.O mesmo se pode dizer dos vitrais, capazes de decompor os raios de sol de modo tão extraordinário que , até á data, foi impossível fazer outros iguais.

Os grandiosos vitrais, o portal central, as torres e o labirinto desenhado no chão representam uma vivência cujo centro espiritual estava em Jerusalém, daí dever ser obra da Ordem dos Templários. Em plena idade média de onde vieram os conhecimentos necessários á construção das grandes abóbadas góticas? E o dinheiro para as construir? Não veio das colectas realizadas junto dos peregrinos e do povo e muito menos das abastadas ordens Beneditinas e Cistercienses. Só poderiam ter sido financiadas pelos Templários, cuja lendária riqueza, ainda hoje,permanece um mistério. Curioso também o facto de nenhuma das representações da vida de Jesus, inspiradas pelos templários, conter cenas da crucificação e isto porque aqueles recusavam-se a reconhecer o homem crucificado como sendo o verdadeiro Jesus Cristo o que, mais tarde, foi usado nos processos de acusação contra os cavaleiros desta ordem. Os elementos indispensáveis nas catedrais góticas são as rosáceas nas imponentes fachadas, as altas agulhas das torres tocando os céus, os arcos botantes e contrafortes, responsáveis por uma melhor distribuição de peso, tudo contendo saberes que eram excessivos para a época.


Esperemos que estes mistérios todos sejam um dia desvendados!

5.12.08

A MÚSICA ao longo dos tempos


O homem primitivo, para caçar em grupo, tinha necessidade de comunicar, usando sinais sonoros tais como os gritos, batimentos com pedras e sons corporais, como o bater palmas. O homem pré-histórico tinha como principal objectivo apenas imitar os sons da natureza e só muito mais tarde usou a música em cerimónias rituais, como por exemplo, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos e no decorrer da caça. Gradualmente foi introduzindo alguns rudimentares instrumentos e danças para agradar mais aos deuses. Depois de descobrir a música o homem nunca mais se separou dela ! Até ao ano 400 dC, a música assumia um papel importante em várias actividades do dia a dia , em civilizações como a romana, grega e egípcia.

Com a chegada do século XIII, em plena Idade Média, são os monges que continuam a desenvolver a teoria musical e a sua escrita. O repertório desta época são cânticos litúrgicos, transmitidos oralmente através de gerações, variando as interpretações consoante os ritos ou hábitos musicais dos diferentes povos. É assim que surge o canto gregoriano, uma forma de oração para demonstrar o amor a Deus, numa melodia simples que seguia o ritmo das palavras.É neste período que se dá a separação da música sacra da profana, já que a primeira usava apenas o orgão e ,a segunda, variados instrumentos como o alaúde, a charamela, a flauta, a harpa, a sanfona e outros mais. Outra diferença residia no facto de se usar o latim no canto religioso, e a línguagem local na música profana, com os menestreis e trovadores a cantar e compor para os senhores dos paços reais.

O período renascentista (1450-1600) é caracterizado pela mudança de pensamento do homem perante o mundo ,com influência na arte, logo na música. A Igreja fica menos rígida e permite uma troca maior entre as músicas sacra e profana. Os reis e homens ricos dão oportunidades de trabalho aos compositores e aos músicos ,promovendo festas , audições e acontecimentos culturais. As obras musicais que se desenvolvem são essencialmente vocais como a música vocal polifónica. Surgem os madrigais, o motete, a missa coral e com estas músicas os alaúdes e as violas de gamba para o acompanhamento. O Barroco (1500-1750) é o período em que a música instrumental atinge, pela primeira vez, a mesma importância que a música vocal. Neste período a música é exuberante de ritmo enérgico e frases melódicas longas muito bem organizadas. Os compositores fazem uso de um contraponto com grandes contrastes tímbricos. O violino afirma-se devido á evolução da sua construção e os instrumentos de tecla , como o cravo, evoluem também tornando-se solistas e não apenas acompanhantes. A orquestra toma maior dimensão em número de executantes e uma forma mais estruturada. A suite o ballet e a ópera são formas musicais, orquestrais e vocais que surgem e se desenvolvem durante o Barroco. No período seguinte ,o do Classicismo (1750-1810), a música é menos complicada, mais suave e de maior perfeição estética. A melodia é acompanhada de acordes e predomina sobre eles. As frases melódicas são bem definidas , curtas e claras , notando-se o princípio ,meio e fim de cada uma. O cravo cede o lugar ao piano ,e a orquestra, por diversificar os instrumentos, aumenta mais o número de executantes. Os géneros instrumentais deste período são o concerto, a sinfonia, a sonata e o quarteto de cordas.


O Romantismo (1810-1910) caracterizou-se pela liberdade de expressão e de sentimentos. As alterações políticas e sociais provocadas pela Revolução francesa de 1789 fazem ressurgir a música folclórica. Paris e Viena tornam-se os principais centros de música da Europa . Através da música os compositores mostram sentimentos e afectos da sociedade da época. Surgem compositores como Schubert, Mendelsson ou Chopin e instrumentistas como Liszt ou Paganini. Os compositores libertam-se dos mecenas e passam a compor por conta própria, surgindo as grandes salas de espectáculos e concertos, consequência da ascensão da burguesia. O Romantismo desenvolveu o virtuosismo na execução instrumental que atingiu elevados graus de dificuldade e técnica instrumental levando os músicos a tornarem-se figuras públicas de destaque.


.O século XX surgiu como a época das experiências , da procura das novas técnicas instrumentais e uma mudança da sonoridade com novas técnicas de composição, e instrumentos de sons inovadores. Surgem assim as guitarras eléctricas e os sintetizadores e com eles a música Rock e Pop. Há uma maior tendência para as culturas não europeias facto impulsionado pelos discos , gravação em cassete, CD e a popularização da rádio e televisão. Os novos timbres,harmonias, melodias e ritmos, bem como o aparecimento de novos métodos de composição fazem a renovação da linguagem musical. Com a procura e o desenvolvimento de sons novos, a composição foi abandonando o uso das sete notas da escala e começaram a escrever-se obras com a utilização de 12 notas (dodecafonismo). Esta técnica foi criada na década de 1920 pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg. Nascia a atonalidade, desaparecendo, desta forma,a maneira de organizar a música em redor de uma nota particular , a tónica, que definia um tom central, gravitando , em torno dela, a harmonia e a melodia. O dodecafonismo acaba com o papel central da tónica ,assim como a hierarquia que a tonalidade estabelecia entre as sete notas da escala convencional.

3.12.08

PETRÓGLIFOS

Já ouvimos dizer que a natureza se está a vingar dos abusos contra ela cometidos pelo homem nestes últimos séculos, daí as catástrofes globais climáticas com consequências na agricultura, na economia e na vida das populações. Se hoje nos agarramos á tecnologia para sobreviver, há milénios o homem vivia num mundo de criaturas e forças que o podiam conduzir á morte ou á vida tentando, através de práticas mágico-religiosas, defender-se da natureza. Os vestígios mais antigos dessas práticas são as gravuras rupestres (petróglifos) que encontramos em todos os continentes. Essas gravuras esculpidas na rocha com artefactos também de pedra, por vezes pintadas com tintas naturais, mostram motivos variados que julgamos ser astronómicos ou ainda mitológicos e xamanísticos, autênticos livros esculpidos na rocha. Encontramos estes petróglifos na costa gélida do Alasca e na quente Califórnia para já não falar na América do Sul onde abundam, o mesmo se passando na Europa e Ásia. No continente sul-americano muitos destes lugares sagrados são só do conhecimento das populações locais, nos quais sentem campos de forças especiais de modo a estabelecerem ligação com os seus antepassados e espíritos protectores. Já noutra "postagem" nos referimos á Pedra Letreira de Gois e ás enormes figuras de Nasca. O testemunho por detrás destes traçados das culturas da Idade da Pedra continua em segredo ,sendo curioso que na Europa, onde a pesquisa histórica está mais avançada, os círculos,espirais e símbolos animais, são os mesmos em todo o mundo. Será que os círculos concêntricos mostram a fertilidade e a água essencial á vida , ou haverá um outro segredo maior ?



As espirais representarão forças cósmicas? É que estas espirais não estão só nas gravuras rupestres mas também esculpidas em gigantescos túmulos, em escaravelhos e pinturas fúnebres do antigo Egipto. Será que a espiral se integra no complexo movimento cíclico do Sol e na sua influência sobre a água e a fertilidade animal e vegetal ? É sobretudo a espiral dupla que, no âmbito dos seus movimentos giratórios, para dentro e para fora, dá azo á interpretação de retorno e renovação, ao ciclo da vida e morte. No formato de uma espiral, quer seja tridimensional em forma de parafuso, ou plana e bidimensional, não é possível encontrar um verdadeiro princípio ou fim. A espiral continua a girar eternamente como a Via Láctea. E a dança dos dervixes (ordem mística do Islão) recriará o movimento do Universo em forma de espiral e a própria criação ? Conseguirão eles através desta dança em espiral captar as manifestações do Divino ?




E que diremos dos quadrados ? Os cantos são os pontos mais extremos do horizonte visível e correspondem aos solestícios ou aos nossos pontos cardeais. Um aspecto curioso é que quando o quadrado que simboliza o mundo, em conjunto com o altar central, é projectado para o céu, surge a pirâmide dos Maias ou dos Astecas.Teorias muito controversas afirmam que a similitude dos petróglifos e de outros símbolos arquétipicos de diferentes culturas e diversos continentes é o resultado, conforme Carl Jung, de uma estrutura herdada geneticamente no cérebro humano. Outros afirmam que esses desenhos (quadrados e espirais ) foram realizados pelos xamãs num estado alterado de consciência, induzido pelo uso de alucinogénios naturais, pois essas formas geométricas aparecem quando há problemas de visão e alucinação produzidas por drogas ou estímulos físicos. Seja como for,acredita-se que muitos petróglifos representam um tipo de linguagem fazendo referência a algum tipo de fronteira territorial entre tribos, para além de significados religiosos. Esta linha de pensamento leva-nos á escrita rúnica, uma das mais antigas , com milhares de anos. A raíz composta RU é de origem indo-europeia e significa mistério ou segredo.


Os antigos povos nórdicos acreditavam que as runas possuíam poderes mágicos, daí os xamãs as colocarem nas casas, nos barcos e nos leitos do enfermos .No alfabeto rúnico cada símbolo/letra representa uma energia específica e, devido a essa energia,as runas não eram só usadas como letras de alfabeto, mas também como talismãs mágicos, cujo valor era passado oralmente pelos mestres aos iniciados .

1.12.08

CASTELO DE MELGAÇO


"Entre as relíquias do nosso passado histórico que ajudaram ao longo dos séculos a robustecer a Nacionalidade, são decerto os castelos que melhor falam á nossa alma , na vibração ou na saudade que a sua contemplação em nós desperta. Mas não nos basta contemplar no escrínio do tempo, como formas inermes ou redivivas da grandeza que os definiu. É preciso também saber amá-los, encarando o cortejo de heroísmo e tragédias de que foram cenário para sentir a carga espiritual que deles se desprende."(Veríssimo Serrão)

Durante a curta ocupação muçulmana, no século IX, levantaram os invasores, aqui em Melgaço, uma fortificação que pretendia ser de apoio ao seu falhado plano de avanço sobre Santiago de Compostela. Na altura, a região encontrava-se deserta devido á invasão muçulmana e, pouco tempo depois,com a retirada islâmica o castelo acabou por ficar em ruínas. Sabe-se que, em 1182, já aqui existia de novo uma população, pois D. Afonso Henriques lhe concede foral, sendo edificado novo castelo (1170) dada a importância estratégica de Melgaço contra as investidas do Reino de Leão.O castelo foi ampliado no tempo de D. Dinis, com a elevação de uma segunda linha de muralhas envolvendo o quadrilátero inicial de ângulos recurvos.Os diferentes azares da Guerra da Restauração da Independência levaram ao castelo outros cercos, destruições e reconstruções , um duro preço por ocupar sítio tão estratégico. De uma terceira linha de muralhas do século XVII já pouco resta devido aos desastres das guerras e também devido á ocupação pelos invasores franceses que aqui ficaram até ao dia 11 de Junho de 1808, data em que foram expulsos definitivamente. O castelo é de planta circular e está dividido em três recintos; as muralhas ameiadas têm duas portas e três torres ,com a torre de menagem de secção quadrangular e uma outra de secção pentagonal.. Ligado a este castelo existe a lenda da Inês Negra, baseada no cerco sofrido pelo castelo a mando de D.João I, já que ele se encontrava ocupado por forças leais a Castela. Da série de assaltos e escaramuças entre a nobreza instalada dentro dos muros da vila e as classes populares instaladas fora desses muros, no chamado arraial resultou um facto que é narrado em documento antigo : ......escaramuçaram duas bravas mulheres, uma da vila e outra do arraial, e andaram ambas aos cabelos e venceu a do arraial.....(Crónica de D. João I, por Fernão Lopes)

12.11.08

HISTÓRIA DA BORRACHA

A borracha, produto usual nos nossos dias , já era conhecida pelos ameríndios antes dos europeus chegarem ao continente Americano. Os índios utilizavam-na para fazer objectos de uso pessoal como botas e chapéus impermeáveis á chuva. A borracha é o produto sólido resultante da coagulação natural da secreção da " seringueira", quando se faz uma incisão na sua casca. Esta planta arbórea tem o nome científico de Hévea brasiliensis e é abundante na floresta do Amazonas. Parece que a palavra borracha teve a sua origem no facto dos portugueses terem utilizado o produto no fabrico de botijas ou odres, em substituição dos de cabedal, para o transporte de vinho e que se designavam de borrachos. Há quem afirme que a primeira aplicação da borracha tenha sido como apagador de lápis , na Inglaterra, com a designação de India Rubber. O látex, tal como é segregado pela planta, é um polímero de isopreno e não é muito prático para fabricar objectos pois torna-se quebradiço com o frio e pegajoso com o calor. O produto necessita, por isso, ser purificado e vulcanizado , isto é, aquecido com adição de enxofre e óxidos metálicos o que vai alterar a sua estrutura química molecular, melhor dizendo, vai fazer com que as moléculas simples e individualizadas do polímero se liguem umas ás outras numa rede tridimensional , dando-lhes maior resistência e flexibilidade. Este processo de vulcanização foi descoberto acidentalmente por Goodyear,em 1840. A história da borracha natural está ligada a uma mudança radical do Brasil pois que ,desde a segunda metade do século XIX até 1920, houve uma corrida á extracção do látex semelhante á corrida ao ouro na América do Norte. Não podemos esquecer que se vivia o período da revolução industrial e da " belle époque" com uma certa prosperidade e uso de telefone, luz eléctrica,comboio etc. A corrida aos seringais amazónicos transformou a região norte do Brasil, pobre e pouco povoada, numa das mais prósperas, com a instalação de bancos e empresas estrangeiras nas cidades de Belém e Manaus. Estas cidades passaram a ter luz eléctrica, esgotos , água canalizada, telefone, grandes edifícios, luxuosas vivendas e uma vida cultural comparável á de Paris. Tudo isto durou até 1910, data em que entra no mercado internacional a borracha das colónias britânicas da Malásia ,Índia e Singapura, a um preço muito inferior ao do Brasil. Tudo aconteceu porque, em 1876, os ingleses haviam levado sementes da Hevea brasiliensis para o Jardim Botânico de Londres e ali fizeram enxertos obtendo variedades muito resistentes ao clima e ás pragas. Nas suas colónias ,utilizando plantações racionalizadas e em regime de monocultura ,obtiveram grande produtividade e maior competitividade. Assim a produção brasileira entrou em declínio e com ele se apagou o período áureo do norte deste país. Voltando um pouco atrás no tempo, para o ano de 1820, um industrial inglês , de nome Nadier, fabricou fios de borracha que vendia como suspensórios de calças. Por essa época, na América, produziam-se tecidos impermeáveis e botas de neve á base do látex pois se havia descoberto o processo industrial de corte, laminação e prensagem da borracha. Este processo deve-se a Mac Intoch que observou ser a benzina um solvente da borracha e também se deve a Hancock, um serralheiro que criou a máquina de prensagem a quente, depois de estudar o processo de vulcanização de Goodyear. Em 1845, R.W. Thomson inventa o pneumático e a câmara de ar que se tornam populares com a invenção da bicicleta , em 1869, por Michan. Nesta data já existiam brinquedos de borracha e bolas ocas e maciças para golfe e ténis .Em 1895, Michelin teve a ideia de adaptar o pneu ao automóvel passando a borracha a ser considerada essencial no mundo moderno. Este facto despertou o interesse dos químicos em a sintetizar, sendo os russos e os alemães os pioneiros nessa pesquisa. Já durante a 1ª Guerra Mundial os alemães haviam desenvolvido a borracha sintética. Este tipo de borracha é produzido a partir de derivados do petróleo (hidrocarbonetos) ,havendo duas variedades: a branca para apagar o lápis e a preta, mais resistente á corrosão, para os pneus dos carros . Um dos principais passos para produzir borracha sintética de boa qualidade foi a descoberta do modo como estão distribuídos os átomos na molécula da borracha natural. Descobriu-se que quando os átomos de carbono e de hidrogénio estão reunidos de certo modo formam a gasolina , de modo diferente o querosene e de um terceiro modo a borracha. Mesmo com tal conhecimento, não se conseguiu produzir uma borracha sintética exactamente igual á natural, pois ainda não foi possível encontrar a maneira de reproduzir as gigantescas moléculas de borracha que as árvores produzem. São os segredos técnicos da natureza a provar que o homem não lhe é superior. Mesmo assim a borracha sintética ocupou grande parte do espaço da borracha natural em todas as suas aplicações. A sua produção hoje supera em muito a da borracha natural sendo os Estados Unidos o maior produtor mundial, seguidos pelo Japão , Alemanha ReinoUnido e Brasil. As novas experiências realizadas com as borrachas sintéticas levaram já ao aparecimento de borrachas autocolantes. É este um tipo de borracha que caso se rasgue, basta colocar os dois pedaços juntos para que eles se unam novamente ,voltando a ser uma única peça. Este processo leva apenas alguns minutos e acontece espontaneamente, á temperatura ambiente, sem necessidade de adição de qualquer outro produto. O segredo está em que, ao contrário das borrachas tradicionais que são formadas por longas cadeias de polímeros, a nova borracha consiste em pequenas moléculas que se ligam entre si por pontes de hidrogénio., ligações estas muito mais fracas do que as dos polímeros naturais. Esta nova borracha é produzida a partir de ácidos gordos retirados do milho ou de outras plantas a que se adiciona ureia. Pense-se em pneus que se auto-consertam em caso de furo ,ou em roupas que nunca se rasgam e teremos um futuro brilhante. Enquanto esta borracha não estiver no domínio público apoiemos a borracha regenerada que é obtida pela reciclagem de pneus, câmaras de ar e outros objectos em borracha.

5.11.08

TAUÍSMO

Neste início do século XXI e nesta nossa civilização ocidental, cada vez mais pessoas se sentem insatisfeitas com o seu conceito de vida.Procurando algo que as inspire na realização do seu ego,começam a estudar o pensamento oriental antigo, especialmente o tauísmo, pois este vai ao encontro dos anseios do homem moderno. Tentemos então entrar nesta filosofia de vida ; enquanto o Cristianismo distingue a matéria do espírito , o corpo da alma, o mundo de Deus , para o Tauísmo é tudo a mesma coisa. Esta filosofia de vida baseia-se num tau (caminho) e está difundida na China rural, embora não reconhecida pelo governo. Um tau pode ser representado ,metafòricamente, pelos opostos yin e yang, as situações contraditórias que se nos deparam neste mundo. O yin é a escuridão, a terra, o feminino e o yang a claridade ,o céu , o masculino, mas em que cada um contém o germe do outro ,num tau uno, incompreensível para o comum mortal ocidental. A filosofia tauísta baseia-se na ideia de que tudo é parte de um sistema integral em permanente mudança. O Universo, a Terra e os seres humanos encontram-se num processo dinâmico de transformação. ; o que acontece na Terra reflecte-se no Universo e vice-versa. Deste ponto de vista, só quem não tem ambições, quem está livre da vontade e do desejo, quem se entrega ao fluxo natural do yih e do yang, pode perceber o mundo oculto do tau.. Isto não significa que o tauista viva sem vontade própria,num estado letárgico. Ele deve procurar levar uma vida simples e tranquila em harmonia com o Universo. Não deve ocupar o primeiro plano ; fazer as coisas pelas coisas e não por vaidade pessoal para dar nas vistas. Os seus actos devem ser suaves e solidários, nunca intrometidos, manipuladores e perturbadores. Recordemos que só quem está livre das limitações do amor , do ódio , da inveja e sem ambições pode penetrar no mundo secreto do tau. Vejamos, por exemplo, o tau do amor e da sexualidade. O ser humano nasce abençoado com o ching (força sexual) ,o chi (força vital), o te (força emocional)e o shen (força espiritual). A força vital e a sexual podem ser cultivadas, fortalecendo a espiritual e a emocional. No âmbito do yin e do yang, cada membro do casal entrega ao seu companheiro a parte que existe em si em embrião, possibilitando a união da energia masculina e feminina , o que é mais um passo na direcção do verdadeiro eu. As linhas mestras do tauismo estão nos poemas de Lao-Tsé (século III antes de Cristo) e que muitos duvidam ter existido, mas até esta dúvida está de acordo com a filosofia tauísta pois o que conta não é a pessoa ,mas o tau. Para terminar este apontamento, apresentamos duas máximas tauístas que se aplicam perfeitamente a nós, ocidentais: De onde venho? Para onde vou? Cada um tem de encontrar a resposta em si mesmo .


Morte e vida. A morte é o regresso á origem; è o resultado da vida que sem ela não pode existir.


4.11.08

MEDICINA DO PASSADO (2ª PARTE)

( A primeira parte deste tema foi publicada neste blog em 20-9-08)

Um velho, calvo e barbudo, com rugas que lhe marcam o rosto, fala a um grupo de jovens que o rodeia : ....breve é a vida e longa a arte; a ocasião é fugaz; a experiência enganosa; o julgamento difícil . O médico deve não somente cumprir o seu dever,como estimular a cooperação do paciente, dos seus assistentes e de todos mais... Quem assim falava era Hipócrates, nascido na ilha de Cós por volta do ano 460 ,antes de Cristo. Médico ambulante, conforme os costumes da época, percorreu toda a Grécia ensinando medicina até á sua morte aos 90 anos de idade. Era um asclépíade, isto é, membro de uma família que praticava cuidados de saúde. O maior mérito de Hipócrates foi considerar a medicina uma disciplina distinta da filosofia , não podendo a ela ser aplicada métodos especulativos. A medicina não podia ser estudada a partir de pressupostos, mas apenas pela observação científica dos fenómenos. Hipócrates tentou dissociar a medicina da superstição, combatendo a ideia de que demónios ou espíritos entrados no corpo é que provocavam as doenças. Do volumoso legado de 53 tratados de medicina que lhe são atribuídos , seleccionámos os seguintes : Juramento; Tratado sobre a doença sagrada (epilepsia) ; Tratado sobre ares ; Águas e lugares ; Prognóstico ; Tratado sobre epidemias . Hipócrates dizia : "a saúde depende da harmonia entre 4 humores: bílis preta, bílis amarela , sangue e fleugma . "Quando a harmonia não ocorre o calor vital do corpo provoca fermentação do humor em excesso que é expelido com a urina ,fezes, vómito, suor, expectoração e hemorragia nasal. Na anatomia da época não se distinguia tendões de nervos nem veias de artérias, quanto á sua função . Embora com tão empíricos conhecimentos Hipócrates conseguiu formular conceitos terapêuticos válidos ainda hoje. Achava ele que " o organismo age para combater a moléstia e o médico deve apenas colaborar no processo natural. Para tal deve fazer um diagnóstico, um prognóstico e um tratamento." Pese ele ter errado quanto ao médico apenas colaborar no processo natural , ele sabia já distinguir a doença de sintomas da mesma . Para Hipócrates, a febre era apenas um sintoma de que qualquer maleita tinha atingido o homem e não ela , em si, uma doença a curar. Era um avanço extraordinário para a época. Terá sido por influência de Hipócrates que a medicina assumiu a posição dignificante de hoje. Isso transparece claramente num dos trechos de "Juramento " Puras e santas conservarei a vida e a arte curativa.......em qualquer casa que entre, será para o bem do doente e me manterei longe de qualquer acto danoso, como também de contactos impuros com homem ou mulher, sejam eles livres ou escravos....... qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento e que não possa ser contado a estranhos, guardarei segredo como coisa que não é lícito dizer. Como ele estava actualizado, 2600 atrás! Pura e santa conservarei a vida.... Hoje diz-se que o médico tudo deve fazer para conservar a vida do doente e não provocar a morte do mesmo. Daí haver médicos oponentes ao aborto ou á eutanásia. ...qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento .....guardarei segredo . É hoje o sigilo clínico. "...me manterei longe de qualquer acto danoso....."É a deontologia médica de hoje. Não é por acaso que Hipócrates é considerado o pai da medicina .
Na Idade Média ,o diagnóstico de uma doença não podia variar muito : ou era provocado pela entrada de um demónio no corpo do doente, pela influência da Lua, de feitiços , pragas ou maus olhados, daí os exorcismos, amuletos ,rezas e promessas ,como terapia praticada nos mosteiros. Se no início os monges e restringiam á cura dos companheiros da ordem , com o tempo passaram a atender doentes alheios ao mosteiro, da mesma forma que os médicos leigos, fazendo cirurgias nem sempre bem sucedidas o que interferia na reputação dos sacerdotes. Face a este facto ,e por decisão do Concílio de Roma, em 1138, os sacerdotes foram proibidos de exercer a medicina á população.Os monges tornearam o problema de uma maneira curiosa ; como estavam proibidos de usar barba e cabelo comprido tinham , ao seu serviço, criados barbeiros. Não podendo realizar sangrias, delegaram nos criados essa função sob sua orientação. Nasciam assim os barbeiros sangradores,barbeiros cirurgiões e barbeiros dentistas, tendo alguns chegado ,nas aldeias, ao início do século XX. Pouco a pouco foram-se formando escolas leigas de medicina junto aos próprios mosteiros. Aparece assim a Escola de Salerno, muito antes do ano 1000, com influência das medicinas grega, árabe e judaica. Um dos seus grandes mestres foi Garioponto, autor da "Passionária", obra copiada e recopiada durante toda a Idade Média. Este livro, fartamente ilustrado com iluminuras, descrevia todas as doenças , da cabeça até aos pés, indicando as diferentes formas de cura. Desta escola de Salerno saíram grandes mestres com Rogério Furgado, na segunda metade do sec XII, cujos ensinamentos se mantiveram por mais de 100 anos, sendo evidente que os salernitanos praticavam a dissecação em porcos, para conhecimentos científicos. Talvez daí o conhecido provérbio : "Se queres conhecer o teu corpo abre um porco " Com o aparecimento das universidades a escola de Salerno foi entrando em decadência e quase desapareceu. Em Janeiro de 1315, rodeado pelos discípulos, o médico Mondino de Luzzi ensinou anatomia com observação directa num cadáver, dissecando-o, o que ia contra os princípios da Igreja. Este avanço no estudo do corpo humano deve-se á formação das universidades, como é o caso da Universidade de Mestres e Estudantes de Bolonha, a primeira na Europa.Um dos aspectos mais típicos e mais significativos destas universidades é o seu carácter laico e associativo. A vida intelectual começava assim a libertar-se dos conformismos e da dependência da religião . Á medida que as universidades floresciam , o espírito de pesquisa intelectual era cada vez mais incentivado e novas conquistas foram facilitando a prática da medicina, como é o caso das tentativas de anestesia dos pacientes com esponjas impregnadas de ópio e outras substâncias , tornando-se assim mais praticáveis as longas intervenções cirúrgicas com menos sofrimento para os pacientes. Também o uso do bisturi foi introduzido definitivamente, contrariando a influência islâmica que preferia a cauterização. Quanto não se andou até aos nossos dias e quanto não teremos de andar até se chegar a uma medicina sem efeitos colaterais para o paciente. Que venha breve a Medicina do Futuro.

1.11.08

V Í R U S assassinos de outros virus ?

Um vírus é, por definição. uma partícula proteica que pode infectar organismos vivos. Tipicamente estas partículas de proteína carregam no seu interior uma pequena quantidade de ácido ribo-nucleico (DNA,RNA ou ambos). Estes ácidos possuem a informação genética necessária à formação de outros vírus iguais. No entanto, estas moléculas de ácido ribo-nucleico de nada servirão se não parasitarem células hospedeiras vivas, isto é, células de seres vivos. É por este facto que alguns cientistas não consideram os vírus como seres vivos Os vírus , como dissemos, consistem em uma cápsula de proteína chamada capsulídeo que armazena e protege o material genético viral . Por vezes,envolvendo o capsulídeo, existe o envelope ou envoltório, normalmente derivado da membrana celular do hospedeiro anterior, assim possibilitando ao vírus identificar as células que pode parasitar. Os vírus não têm qualquer actividade metabólica fora da célula hospedeira, isto é, não podem captar nutrientes, utilizar energia ou realizar qualquer síntese biológica. É verdade que se multiplicam, mas de maneira diferente das células. Enquanto estas duplicam o seu conteúdo para depois se dividirem em duas células filhas, os vírus replicam-se invadindo células de outros seres e transformando o DNA e RNA dessas células em DNA e RNA vírus. Por estas razões, como já dissemos, a maior parte dos biólogos acha que os vírus não devem ser considerados seres vivos, argumentando que um organismo vivo deve possuir características como a capacidade de obter nutrientes e energia do meio ambiente , melhor dizendo, ter metabolismo para manter e construir a sua estrutura e se reproduzirem. Os organismos vivos fazem parte de uma linhagem contínua , sendo necessariamente originados de seres vivos semelhantes. Ora os vírus não manifestam crescer, degradar ou fabricar substâncias e nem reagem a estímulos, mais parecendo minerais ,pois até têm forma cristalina. No entanto esta opinião pode ser posta em causa pois, recentemente, se verificou haver estirpes de vírus que se "alimentam" de outros vírus, tal como uma espécie animal se alimenta de outros seres vivos para sobreviver. Biólogos da universidade de Aix-Marseille descobriram este facto em 2003 ao estudarem um vírus gigante infectante de amibas.. Ao isolarem uma estirpe maior (mamavírus) observaram nela estranhas partículas patogénicas baptizadas de "spoutnik". Perante uma co-infecção o virus gigante fazia-se substituir por pequenas partículas, os spoutniks, que utilizavam com maior velocidade o material celular da amiba hospedeira. A análise do genoma dos spoutniks revelou uma surpreendente composição genética, não usual ; oito dos vinte e um genes são idênticos aos do virus gigante e os restantes idênticos aos dos genes comuns das células, o que sugere que o virófago poderá atacar diferentes estirpes de vírus e não só as células. Esta conclusão vai de encontro aos que pensam que os vírus podem também ser considerados seres vivos. Resta saber se um dia poderemos usar estes vírus para combater outros vírus que nos provocam doenças. As verdades científicas de hoje podem não o ser amanhã.Há ainda tanto para descobrir sobre a natureza que o Homem se sente um ignorante perante o fenómeno da vida neste planeta.É que ,para além dos vírus, outras partículas estruturalmente simples povoam o nosso mundo e são elas os viroides,virusoides,deltavírus e priões todas elas ainda pouco conhecidas. No grupo de doenças causadas por vírus temos : raiva, rubéola, sarampo, hepatite, dengue,poliomielite, varíola, febre amarela, varicela, gripe, meningite, sida (HIV), papiloma vírus, este último causador do cancro do colo do útero, e outros mais. Para algumas destas doenças já há vacinas específicas e para outras conhecem-se os meios para evitar que os vírus se multipliquem, como é o caso dos que são propagados e multiplicados em mosquitos seus hospedeiros. Oxalá os virófagos ( vírus destruidores de outros vírus ) venham em nosso auxílio e sejam uma futura arma médica para muitas doenças .



16.10.08

G A U D I


Gaudi, de seu nome completo Antoni Gaudi i Cornet, nasceu em Reus-Tarragona- Espanha em 25 de Junho de 1852, sendo considerado como o último arquitecto artesão, deixando a sua marca pessoal em edifícios,parques e vivendas de Barcelona. Rompendo com a arquitectura do passado e utilizando arabescos e formas que imitam a natureza, criou aspectos inovadores na linha do que em Espanha se chamou modernismo, na Alemanha jugendstil, na Inglaterra liberty e em França art nouveau .Desenhou também vitrais, pórticos , móveis e decorou interiores para as novas casas com a sua marca arquitectónica. O parque e o Palácio Guell, as casas Milá, Batlló e Vicens bem como o templo da Sagrada Família são algumas das suas criações mais emblemáticas. O Parque Guell é um dos espaços mais originais da cidade de Barcelona. Inspirado nas cidades- jardim britânicas. o conde Guell encarregou Gaudi da construção de uma cidade residencial numa das suas propriedades situada na então periferia de Barcelona. As obras iniciaram-se em 1901 mas ,em 1914, apenas se tinham vendido três das sessenta casas até então construídas. Este facto devia-se aos barceloneses não estarem preparados para uma tal arquitectura de espaços ,cores, luz e formas em consonância coma natureza e, por isso, a obra ficou muito aquém do projecto inicial.
O parque , de 15 hectares, está rodeado por um muro , tendo uma entrada com dois pavilhões revestidos a peças de cerâmica sempre fragmentada e rematados por uma bela torre,como se pode observar na imagem seguinte. Entra-se nos jardins por uma escada de dupla rampa, onde se destacam um dragão mitológico, a cabeça de uma serpente e o escudo da catalunha, tudo revestido em mosaico fragmentado colorido de belo efeito decorativo.Pela boca do dragão jorra água , pois é uma fonte decorativa.

Dentro dos jardins observamos a sala das cem colunas, um enorme espaço destinado a ser mercado , tendo por cima uma praça miradouro com um enorme , contínuo e ondulante banco de jardim que contorna a referida praça miradouro. Todo o encosto do banco é decorado com mosaicos policromados.

Por todo o lado arcadas,cujas colunas de suporte imitam os rugosos troncos de árvores em sua irregularidade ,misturando-se com a vegetação natural como se pode ver nas fotos que se seguem.Actualmente nestes locais há músicos ambulantes ou pintores e outros artistas plásticos.

Uma das primeiras obras de Gaudi foi o palácio Guell em que pôs toda a sua ênfase no interior, transformando o salão central da casa no seu eixo principal .Concebeu o salão como um zimbório que atravessa todos os pisos do palácio e termina numa cúpula de inspiração bizantina , por onde a luz é filtrada realçando a decoração interior.



A casa Melá (foto que apresentámos em primeiro lugar), popularmente conhecida como La Pedrera foi a sua última grande obra. Edifício de cinco andares é talvez o mais genial trabalho iniciado em 1906 e terminado em 1910. Outra das obras emblemáticas que Gaudi deixou inacabada é o templo da Sagrada Família cujos trabalhos de conclusão ainda estão em curso, baseados em poucos desenhos e esboços que o genial arquitecto deixou, após a sua morte. Gaudi que faleceu em 1926, é conhecido por fazer um uso intensivo do arco parabólico catenário uma das formas mais comuns na Natureza. Nos seus últimos doze anos de vida devotou-se á religião católica daí a construção da Sagrada Família como acto expiatório das posíções críticas assumidas contra a Igreja na sua juventude. Estes e outros legados de Gaudi são visitados por milhares de turistas que anualmente percorrem Barcelona.

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