
15.12.08
MEDICINA DO FUTURO

10.12.08
ARTE GÓTICA ...enigmas escondidos
Quem visita as catedrais góticas, com as suas dimensões gigantescas de interiores sumptuosos que parecem ser iluminados por uma luz e um espírito sobre-humanos, fica com a ideia de pura perfeição. Imagine-se o efeito que estas construções não terão tido sobre os povos da Idade Média que as visitavam. Não é fácil datar o aparecimento do gótico embora ele apareça subitamente entre 1130 e 1140 em França. Desenvolvendo-se atinge o apogeu em algumas décadas sem qualquer ligação com estilos anteriores. Juntamente com os arquitectos, são os canteiros, os carpinteiros, os ladrilhadores e os vidreiros os obreiros destas maravilhas. Que contextos místicos terá esta arquitectura e que segredos encerra ? Outra pergunta se pode colocar: serão os locais onde estas catedrais estão implantadas ,lugares de concentração de energias? Por exemplo, a grande catedral de Chartres foi implantada numa pequena elevação de uma localidade insignificante na época, mas que fora destino de peregrinações em tempos pré-cristãos Nesta catedral ,orientada em sentido oposto ao habitual nos templos cristãos, a relação ,entre o comprimento a largura e a altura, é estranha e nada vulgar.O mesmo se pode dizer dos vitrais, capazes de decompor os raios de sol de modo tão extraordinário que , até á data, foi impossível fazer outros iguais.

Os grandiosos vitrais, o portal central, as torres e o labirinto desenhado no chão representam uma vivência cujo centro espiritual estava em Jerusalém, daí dever ser obra da Ordem dos Templários. Em plena idade média de onde vieram os conhecimentos necessários á construção das grandes abóbadas góticas? E o dinheiro para as construir? Não veio das colectas realizadas junto dos peregrinos e do povo e muito menos das abastadas ordens Beneditinas e Cistercienses. Só poderiam ter sido financiadas pelos Templários, cuja lendária riqueza, ainda hoje,permanece um mistério. Curioso também o facto de nenhuma das representações da vida de Jesus, inspiradas pelos templários, conter cenas da crucificação e isto porque aqueles recusavam-se a reconhecer o homem crucificado como sendo o verdadeiro Jesus Cristo o que, mais tarde, foi usado nos processos de acusação contra os cavaleiros desta ordem. Os elementos indispensáveis nas catedrais góticas são as rosáceas nas imponentes fachadas, as altas agulhas das torres tocando os céus, os arcos botantes e contrafortes, responsáveis por uma melhor distribuição de peso, tudo contendo saberes que eram excessivos para a época.

Esperemos que estes mistérios todos sejam um dia desvendados!
5.12.08
A MÚSICA ao longo dos tempos
O homem primitivo, para caçar em grupo, tinha necessidade de comunicar, usando sinais sonoros tais como os gritos, batimentos com pedras e sons corporais, como o bater palmas. O homem pré-histórico tinha como principal objectivo apenas imitar os sons da natureza e só muito mais tarde usou a música em cerimónias rituais, como por exemplo, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos e no decorrer da caça. Gradualmente foi introduzindo alguns rudimentares instrumentos e danças para agradar mais aos deuses. Depois de descobrir a música o homem nunca mais se separou dela ! Até ao ano 400 dC, a música assumia um papel importante em várias actividades do dia a dia , em civilizações como a romana, grega e egípcia.
Com a chegada do século XIII, em plena Idade Média, são os monges que continuam a desenvolver a teoria musical e a sua escrita. O repertório desta época são cânticos litúrgicos, transmitidos oralmente através de gerações, variando as interpretações consoante os ritos ou hábitos musicais dos diferentes povos. É assim que surge o canto gregoriano, uma forma de oração para demonstrar o amor a Deus, numa melodia simples que seguia o ritmo das palavras.É neste período que se dá a separação da música sacra da profana, já que a primeira usava apenas o orgão e ,a segunda, variados instrumentos como o alaúde, a charamela, a flauta, a harpa, a sanfona e outros mais. Outra diferença residia no facto de se usar o latim no canto religioso, e a línguagem local na música profana, com os menestreis e trovadores a cantar e compor para os senhores dos paços reais.
O período renascentista (1450-1600) é caracterizado pela mudança de pensamento do homem perante o mundo ,com influência na arte, logo na música. A Igreja fica menos rígida e permite uma troca maior entre as músicas sacra e profana. Os reis e homens ricos dão oportunidades de trabalho aos compositores e aos músicos ,promovendo festas , audições e acontecimentos culturais. As obras musicais que se desenvolvem são essencialmente vocais como a música vocal polifónica. Surgem os madrigais, o motete, a missa coral e com estas músicas os alaúdes e as violas de gamba para o acompanhamento. O Barroco (1500-1750) é o período em que a música instrumental atinge, pela primeira vez, a mesma importância que a música vocal. Neste período a música é exuberante de ritmo enérgico e frases melódicas longas muito bem organizadas. Os compositores fazem uso de um contraponto com grandes contrastes tímbricos. O violino afirma-se devido á evolução da sua construção e os instrumentos de tecla , como o cravo, evoluem também tornando-se solistas e não apenas acompanhantes. A orquestra toma maior dimensão em número de executantes e uma forma mais estruturada. A suite o ballet e a ópera são formas musicais, orquestrais e vocais que surgem e se desenvolvem durante o Barroco. No período seguinte ,o do Classicismo (1750-1810), a música é menos complicada, mais suave e de maior perfeição estética. A melodia é acompanhada de acordes e predomina sobre eles. As frases melódicas são bem definidas , curtas e claras , notando-se o princípio ,meio e fim de cada uma. O cravo cede o lugar ao piano ,e a orquestra, por diversificar os instrumentos, aumenta mais o número de executantes. Os géneros instrumentais deste período são o concerto, a sinfonia, a sonata e o quarteto de cordas.

O Romantismo (1810-1910) caracterizou-se pela liberdade de expressão e de sentimentos. As alterações políticas e sociais provocadas pela Revolução francesa de 1789 fazem ressurgir a música folclórica. Paris e Viena tornam-se os principais centros de música da Europa . Através da música os compositores mostram sentimentos e afectos da sociedade da época. Surgem compositores como Schubert, Mendelsson ou Chopin e instrumentistas como Liszt ou Paganini. Os compositores libertam-se dos mecenas e passam a compor por conta própria, surgindo as grandes salas de espectáculos e concertos, consequência da ascensão da burguesia. O Romantismo desenvolveu o virtuosismo na execução instrumental que atingiu elevados graus de dificuldade e técnica instrumental levando os músicos a tornarem-se figuras públicas de destaque.
.O século XX surgiu como a época das experiências , da procura das novas técnicas instrumentais e uma mudança da sonoridade com novas técnicas de composição, e instrumentos de sons inovadores. Surgem assim as guitarras eléctricas e os sintetizadores e com eles a música Rock e Pop. Há uma maior tendência para as culturas não europeias facto impulsionado pelos discos , gravação em cassete, CD e a popularização da rádio e televisão. Os novos timbres,harmonias, melodias e ritmos, bem como o aparecimento de novos métodos de composição fazem a renovação da linguagem musical. Com a procura e o desenvolvimento de sons novos, a composição foi abandonando o uso das sete notas da escala e começaram a escrever-se obras com a utilização de 12 notas (dodecafonismo). Esta técnica foi criada na década de 1920 pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg. Nascia a atonalidade, desaparecendo, desta forma,a maneira de organizar a música em redor de uma nota particular , a tónica, que definia um tom central, gravitando , em torno dela, a harmonia e a melodia. O dodecafonismo acaba com o papel central da tónica ,assim como a hierarquia que a tonalidade estabelecia entre as sete notas da escala convencional.
3.12.08
PETRÓGLIFOS
Essas gravuras esculpidas na rocha com artefactos também de pedra, por vezes pintadas com tintas naturais, mostram motivos variados que julgamos ser astronómicos ou ainda mitológicos e xamanísticos, autênticos livros esculpidos na rocha. Encontramos estes petróglifos na costa gélida do Alasca e na quente Califórnia para já não falar na América do Sul onde abundam, o mesmo se passando na Europa e Ásia. No continente sul-americano muitos destes lugares sagrados são só do conhecimento das populações locais, nos quais sentem campos de forças especiais de modo a estabelecerem ligação com os seus antepassados e espíritos protectores. Já noutra "postagem" nos referimos á Pedra Letreira de Gois e ás enormes figuras de Nasca. O testemunho por detrás destes traçados das culturas da Idade da Pedra continua em segredo ,sendo curioso que na Europa, onde a pesquisa histórica está mais avançada, os círculos,espirais e símbolos animais, são os mesmos em todo o mundo. Será que os círculos concêntricos mostram a fertilidade e a água essencial á vida , ou haverá um outro segredo maior ?
As espirais representarão forças cósmicas? É que estas espirais não estão só nas gravuras rupestres mas também esculpidas em gigantescos túmulos, em escaravelhos e pinturas fúnebres do antigo Egipto. Será que a espiral se integra no complexo movimento cíclico do Sol e na sua influência sobre a água e a fertilidade animal e vegetal ? É sobretudo a espiral dupla que, no âmbito dos seus movimentos giratórios, para dentro e para fora, dá azo á interpretação de retorno e renovação, ao ciclo da vida e morte. No formato de uma espiral, quer seja tridimensional em forma de parafuso, ou plana e bidimensional, não é possível encontrar um verdadeiro princípio ou fim. A espiral continua a girar eternamente como a Via Láctea. E a dança dos dervixes (ordem mística do Islão) recriará o movimento do Universo em forma de espiral e a própria criação ? Conseguirão eles através desta dança em espiral captar as manifestações do Divino ?
E que diremos dos quadrados ? Os cantos são os pontos mais extremos do horizonte visível e correspondem aos solestícios ou aos nossos pontos cardeais. Um aspecto curioso é que quando o quadrado que simboliza o mundo, em conjunto com o altar central, é projectado para o céu, surge a pirâmide dos Maias ou dos Astecas.Teorias muito controversas afirmam que a similitude dos petróglifos e de outros símbolos arquétipicos de diferentes culturas e diversos continentes é o resultado, conforme Carl Jung, de uma estrutura herdada geneticamente no cérebro humano. Outros afirmam que esses desenhos (quadrados e espirais ) foram realizados pelos xamãs num estado alterado de consciência, induzido pelo uso de alucinogénios naturais, pois essas formas geométricas aparecem quando há problemas de visão e alucinação produzidas por drogas ou estímulos físicos. Seja como for,acredita-se que muitos petróglifos representam um tipo de linguagem fazendo referência a algum tipo de fronteira territorial entre tribos, para além de significados religiosos. Esta linha de pensamento leva-nos á escrita rúnica, uma das mais antigas , com milhares de anos. A raíz composta RU é de origem indo-europeia e significa mistério ou segredo.
Os antigos povos nórdicos acreditavam que as runas possuíam poderes mágicos, daí os xamãs as colocarem nas casas, nos barcos e nos leitos do enfermos .No alfabeto rúnico cada símbolo/letra representa uma energia específica e, devido a essa energia,as runas não eram só usadas como letras de alfabeto, mas também como talismãs mágicos, cujo valor era passado oralmente pelos mestres aos iniciados .
1.12.08

12.11.08
HISTÓRIA DA BORRACHA
A borracha, produto usual nos nossos dias , já era conhecida pelos ameríndios antes dos europeus chegarem ao continente Americano. Os índios utilizavam-na para fazer objectos de uso pessoal como botas e chapéus impermeáveis á chuva. A borracha é o produto sólido resultante da coagulação natural da secreção da " seringueira", quando se faz uma incisão na sua casca. Esta planta arbórea tem o nome científico de Hévea brasiliensis e é abundante na floresta do Amazonas. Parece que a palavra borracha teve a sua origem no facto dos portugueses terem utilizado o produto no fabrico de botijas ou odres, em substituição dos de cabedal, para o transporte de vinho e que se designavam de borrachos. Há quem afirme que a primeira aplicação da borracha tenha sido como apagador de lápis , na Inglaterra, com a designação de India Rubber. O látex, tal como é segregado pela planta, é um polímero de isopreno e não é muito prático para fabricar objectos pois torna-se quebradiço com o frio e pegajoso com o calor. O produto necessita, por isso, ser purificado e vulcanizado , isto é, aquecido com adição de enxofre e óxidos metálicos o que vai alterar a sua estrutura química molecular, melhor dizendo, vai fazer com que as moléculas simples e individualizadas do polímero se liguem umas ás outras numa rede tridimensional , dando-lhes maior resistência e flexibilidade. Este processo de vulcanização foi descoberto acidentalmente por Goodyear,em 1840. A história da borracha natural está ligada a uma mudança radical do Brasil pois que ,desde a segunda metade do século XIX até 1920, houve uma corrida á extracção do látex semelhante á corrida ao ouro na América do Norte. Não podemos esquecer que se vivia o período da revolução industrial e da " belle époque" com uma certa prosperidade e uso de telefone, luz eléctrica,comboio etc. A corrida aos seringais amazónicos transformou a região norte do Brasil, pobre e pouco povoada, numa das mais prósperas, com a instalação de bancos e empresas estrangeiras nas cidades de Belém e Manaus. Estas cidades passaram a ter luz eléctrica, esgotos , água canalizada, telefone, grandes edifícios, luxuosas vivendas e uma vida cultural comparável á de Paris. Tudo isto durou até 1910, data em que entra no mercado internacional a borracha das colónias britânicas da Malásia ,Índia e Singapura, a um preço muito inferior ao do Brasil. Tudo aconteceu porque, em 1876, os ingleses haviam levado sementes da Hevea brasiliensis para o Jardim Botânico de Londres e ali fizeram enxertos obtendo variedades muito resistentes ao clima e ás pragas. Nas suas colónias ,utilizando plantações racionalizadas e em regime de monocultura ,obtiveram grande produtividade e maior competitividade. Assim a produção brasileira entrou em declínio e com ele se apagou o período áureo do norte deste país. Voltando um pouco atrás no tempo, para o ano de 1820, um industrial inglês , de nome Nadier, fabricou fios de borracha que vendia como suspensórios de calças. Por essa época, na América, produziam-se tecidos impermeáveis e botas de neve á base do látex pois se havia descoberto o processo industrial de corte, laminação e prensagem da borracha. Este processo deve-se a Mac Intoch que observou ser a benzina um solvente da borracha e também se deve a Hancock, um serralheiro que criou a máquina de prensagem a quente, depois de estudar o processo de vulcanização de Goodyear. Em 1845, R.W. Thomson inventa o pneumático e a câmara de ar que se tornam populares com a invenção da bicicleta , em 1869, por Michan. Nesta data já existiam brinquedos de borracha e bolas ocas e maciças para golfe e ténis .Em 1895, Michelin teve a ideia de adaptar o pneu ao automóvel passando a borracha a ser considerada essencial no mundo moderno. Este facto despertou o interesse dos químicos em a sintetizar, sendo os russos e os alemães os pioneiros nessa pesquisa. Já durante a 1ª Guerra Mundial os alemães haviam desenvolvido a borracha sintética. Este tipo de borracha é produzido a partir de derivados do petróleo (hidrocarbonetos) ,havendo duas variedades: a branca para apagar o lápis e a preta, mais resistente á corrosão, para os pneus dos carros . Um dos principais passos para produzir borracha sintética de boa qualidade foi a descoberta do modo como estão distribuídos os átomos na molécula da borracha natural. Descobriu-se que quando os átomos de carbono e de hidrogénio estão reunidos de certo modo formam a gasolina , de modo diferente o querosene e de um terceiro modo a borracha. Mesmo com tal conhecimento, não se conseguiu produzir uma borracha sintética exactamente igual á natural, pois ainda não foi possível encontrar a maneira de reproduzir as gigantescas moléculas de borracha que as árvores produzem. São os segredos técnicos da natureza a provar que o homem não lhe é superior. Mesmo assim a borracha sintética ocupou grande parte do espaço da borracha natural em todas as suas aplicações. A sua produção hoje supera em muito a da borracha natural sendo os Estados Unidos o maior produtor mundial, seguidos pelo Japão , Alemanha ReinoUnido e Brasil. As novas experiências realizadas com as borrachas sintéticas levaram já ao aparecimento de borrachas autocolantes. É este um tipo de borracha que caso se rasgue, basta colocar os dois pedaços juntos para que eles se unam novamente ,voltando a ser uma única peça. Este processo leva apenas alguns minutos e acontece espontaneamente, á temperatura ambiente, sem necessidade de adição de qualquer outro produto. O segredo está em que, ao contrário das borrachas tradicionais que são formadas por longas cadeias de polímeros, a nova borracha consiste em pequenas moléculas que se ligam entre si por pontes de hidrogénio., ligações estas muito mais fracas do que as dos polímeros naturais. Esta nova borracha é produzida a partir de ácidos gordos retirados do milho ou de outras plantas a que se adiciona ureia. Pense-se em pneus que se auto-consertam em caso de furo ,ou em roupas que nunca se rasgam e teremos um futuro brilhante. Enquanto esta borracha não estiver no domínio público apoiemos a borracha regenerada que é obtida pela reciclagem de pneus, câmaras de ar e outros objectos em borracha.5.11.08
TAUÍSMO
4.11.08
MEDICINA DO PASSADO (2ª PARTE)
Um velho, calvo e barbudo, com rugas que lhe marcam o rosto, fala a um grupo de jovens que o rodeia : ....breve é a vida e longa a arte; a ocasião é fugaz; a experiência enganosa; o julgamento difícil . O médico deve não somente cumprir o seu dever,como estimular a cooperação do paciente, dos seus assistentes e de todos mais... Quem assim falava era Hipócrates, nascido na ilha de Cós por volta do ano 460 ,antes de Cristo. Médico ambulante, conforme os costumes da época, percorreu toda a Grécia ensinando medicina até á sua morte aos 90 anos de idade. Era um asclépíade, isto é, membro de uma família que praticava cuidados de saúde. O maior mérito de Hipócrates foi considerar a medicina uma disciplina distinta da filosofia , não podendo a ela ser aplicada métodos especulativos. A medicina não podia ser estudada a partir de pressupostos, mas apenas pela observação científica dos fenómenos. Hipócrates tentou dissociar a medicina da superstição, combatendo a ideia de que demónios ou espíritos entrados no corpo é que provocavam as doenças. Do volumoso legado de 53 tratados de medicina que lhe são atribuídos , seleccionámos os seguintes : Juramento; Tratado sobre a doença sagrada (epilepsia) ; Tratado sobre ares ; Águas e lugares ; Prognóstico ; Tratado sobre epidemias . Hipócrates dizia : "a saúde depende da harmonia entre 4 humores: bílis preta, bílis amarela , sangue e fleugma . "Quando a harmonia não ocorre o calor vital do corpo provoca fermentação do humor em excesso que é expelido com a urina ,fezes, vómito, suor, expectoração e hemorragia nasal. Na anatomia da época não se distinguia tendões de nervos nem veias de artérias, quanto á sua função . Embora com tão empíricos conhecimentos Hipócrates conseguiu formular conceitos terapêuticos válidos ainda hoje. Achava ele que " o organismo age para combater a moléstia e o médico deve apenas colaborar no processo natural. Para tal deve fazer um diagnóstico, um prognóstico e um tratamento." Pese ele ter errado quanto ao médico apenas colaborar no processo natural , ele sabia já distinguir a doença de sintomas da mesma . Para Hipócrates, a febre era apenas um sintoma de que qualquer maleita tinha atingido o homem e não ela , em si, uma doença a curar. Era um avanço extraordinário para a época. Terá sido por influência de Hipócrates que a medicina assumiu a posição dignificante de hoje. Isso transparece claramente num dos trechos de "Juramento " Puras e santas conservarei a vida e a arte curativa.......em qualquer casa que entre, será para o bem do doente e me manterei longe de qualquer acto danoso, como também de contactos impuros com homem ou mulher, sejam eles livres ou escravos....... qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento e que não possa ser contado a estranhos, guardarei segredo como coisa que não é lícito dizer. Como ele estava actualizado, 2600 atrás! Pura e santa conservarei a vida.... Hoje diz-se que o médico tudo deve fazer para conservar a vida do doente e não provocar a morte do mesmo. Daí haver médicos oponentes ao aborto ou á eutanásia. ...qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento .....guardarei segredo . É hoje o sigilo clínico. "...me manterei longe de qualquer acto danoso....."É a deontologia médica de hoje. Não é por acaso que Hipócrates é considerado o pai da medicina .Na Idade Média ,o diagnóstico de uma doença não podia variar muito : ou era provocado pela entrada de um demónio no corpo do doente, pela influência da Lua, de feitiços , pragas ou maus olhados, daí os exorcismos, amuletos ,rezas e promessas ,como terapia praticada nos mosteiros. Se no início os monges e restringiam á cura dos companheiros da ordem , com o tempo passaram a atender doentes alheios ao mosteiro, da mesma forma que os médicos leigos, fazendo cirurgias nem sempre bem sucedidas o que interferia na reputação dos sacerdotes. Face a este facto ,e por decisão do Concílio de Roma, em 1138, os sacerdotes foram proibidos de exercer a medicina á população.Os monges tornearam o problema de uma maneira curiosa ; como estavam proibidos de usar barba e cabelo comprido tinham , ao seu serviço, criados barbeiros. Não podendo realizar sangrias, delegaram nos criados essa função sob sua orientação. Nasciam assim os barbeiros sangradores,barbeiros cirurgiões e barbeiros dentistas, tendo alguns chegado ,nas aldeias, ao início do século XX. Pouco a pouco foram-se formando escolas leigas de medicina junto aos próprios mosteiros. Aparece assim a Escola de Salerno, muito antes do ano 1000, com influência das medicinas grega, árabe e judaica. Um dos seus grandes mestres foi Garioponto, autor da "Passionária", obra copiada e recopiada durante toda a Idade Média. Este livro, fartamente ilustrado com iluminuras, descrevia todas as doenças , da cabeça até aos pés, indicando as diferentes formas de cura. Desta escola de Salerno saíram grandes mestres com Rogério Furgado, na segunda metade do sec XII, cujos ensinamentos se mantiveram por mais de 100 anos, sendo evidente que os salernitanos praticavam a dissecação em porcos, para conhecimentos científicos. Talvez daí o conhecido provérbio : "Se queres conhecer o teu corpo abre um porco " Com o aparecimento das universidades a escola de Salerno foi entrando em decadência e quase desapareceu.
Em Janeiro de 1315, rodeado pelos discípulos, o médico Mondino de Luzzi ensinou anatomia com observação directa num cadáver, dissecando-o, o que ia contra os princípios da Igreja. Este avanço no estudo do corpo humano deve-se á formação das universidades, como é o caso da Universidade de Mestres e Estudantes de Bolonha, a primeira na Europa.Um dos aspectos mais típicos e mais significativos destas universidades é o seu carácter laico e associativo. A vida intelectual começava assim a libertar-se dos conformismos e da dependência da religião . Á medida que as universidades floresciam , o espírito de pesquisa intelectual era cada vez mais incentivado e novas conquistas foram facilitando a prática da medicina, como é o caso das tentativas de anestesia dos pacientes com esponjas impregnadas de ópio e outras substâncias , tornando-se assim mais praticáveis as longas intervenções cirúrgicas com menos sofrimento para os pacientes. Também o uso do bisturi foi introduzido definitivamente, contrariando a influência islâmica que preferia a cauterização. Quanto não se andou até aos nossos dias e quanto não teremos de andar até se chegar a uma medicina sem efeitos colaterais para o paciente. Que venha breve a Medicina do Futuro.1.11.08
V Í R U S assassinos de outros virus ?
Um vírus é, por definição. uma partícula proteica que pode infectar organismos vivos. Tipicamente estas partículas de proteína carregam no seu interior uma pequena quantidade de ácido ribo-nucleico (DNA,RNA ou ambos). Estes ácidos possuem a informação genética necessária à formação de outros vírus iguais. No entanto, estas moléculas de ácido ribo-nucleico de nada servirão se não parasitarem células hospedeiras vivas, isto é, células de seres vivos. É por este facto que alguns cientistas não consideram os vírus como seres vivos Os vírus , como dissemos, consistem em uma cápsula de proteína chamada capsulídeo que armazena e protege o material genético viral . Por vezes,envolvendo o capsulídeo, existe o envelope ou envoltório, normalmente derivado da membrana celular do hospedeiro anterior, assim possibilitando ao vírus identificar as células que pode parasitar. Os vírus não têm qualquer actividade metabólica fora da célula hospedeira, isto é, não podem captar nutrientes, utilizar energia ou realizar qualquer síntese biológica. É verdade que se multiplicam, mas de maneira diferente das células. Enquanto estas duplicam o seu conteúdo para depois se dividirem em duas células filhas, os vírus replicam-se invadindo células de outros seres e transformando o DNA e RNA dessas células em DNA e RNA vírus. Por estas razões, como já dissemos, a maior parte dos biólogos acha que os vírus não devem ser considerados seres vivos, argumentando que um organismo vivo deve possuir características como a capacidade de obter nutrientes e energia do meio ambiente , melhor dizendo, ter metabolismo para manter e construir a sua estrutura e se reproduzirem. Os organismos vivos fazem parte de uma linhagem contínua , sendo necessariamente originados de seres vivos semelhantes. Ora os vírus não manifestam crescer, degradar ou fabricar substâncias e nem reagem a estímulos, mais parecendo minerais ,pois até têm forma cristalina. No entanto esta opinião pode ser posta em causa pois, recentemente, se verificou haver estirpes de vírus que se "alimentam" de outros vírus, tal como uma espécie animal se alimenta de outros seres vivos para sobreviver. Biólogos da universidade de Aix-Marseille descobriram este facto em 2003 ao estudarem um vírus gigante infectante de amibas.. Ao isolarem uma estirpe maior (mamavírus) observaram nela estranhas partículas patogénicas baptizadas de "spoutnik". Perante uma co-infecção o virus gigante fazia-se substituir por pequenas partículas, os spoutniks, que utilizavam com maior velocidade o material celular da amiba hospedeira. A análise do genoma dos spoutniks revelou uma surpreendente composição genética, não usual ; oito dos vinte e um genes são idênticos aos do virus gigante e os restantes idênticos aos dos genes comuns das células, o que sugere que o virófago poderá atacar diferentes estirpes de vírus e não só as células. Esta conclusão vai de encontro aos que pensam que os vírus podem também ser considerados seres vivos. Resta saber se um dia poderemos usar estes vírus para combater outros vírus que nos provocam doenças. As verdades científicas de hoje podem não o ser amanhã.Há ainda tanto para descobrir sobre a natureza que o Homem se sente um ignorante perante o fenómeno da vida neste planeta.É que ,para além dos vírus, outras partículas estruturalmente simples povoam o nosso mundo e são elas os viroides,virusoides,deltavírus e priões todas elas ainda pouco conhecidas. No grupo de doenças causadas por vírus temos : raiva, rubéola, sarampo, hepatite, dengue,poliomielite, varíola, febre amarela, varicela, gripe, meningite, sida (HIV), papiloma vírus, este último causador do cancro do colo do útero, e outros mais. Para algumas destas doenças já há vacinas específicas e para outras conhecem-se os meios para evitar que os vírus se multipliquem, como é o caso dos que são propagados e multiplicados em mosquitos seus hospedeiros. Oxalá os virófagos ( vírus destruidores de outros vírus ) venham em nosso auxílio e sejam uma futura arma médica para muitas doenças .16.10.08
G A U D I
Desenhou também vitrais, pórticos , móveis e decorou interiores para as novas casas com a sua marca arquitectónica. O parque e o Palácio Guell, as casas Milá, Batlló e Vicens bem como o templo da Sagrada Família são algumas das suas criações mais emblemáticas. O Parque Guell é um dos espaços mais originais da cidade de Barcelona. Inspirado nas cidades- jardim britânicas. o conde Guell encarregou Gaudi da construção de uma cidade residencial numa das suas propriedades situada na então periferia de Barcelona. As obras iniciaram-se em 1901 mas ,em 1914, apenas se tinham vendido três das sessenta casas até então construídas. Este facto devia-se aos barceloneses não estarem preparados para uma tal arquitectura de espaços ,cores, luz e formas em consonância coma natureza e, por isso, a obra ficou muito aquém do projecto inicial.
O parque , de 15 hectares, está rodeado por um muro , tendo uma entrada com dois pavilhões revestidos a peças de cerâmica sempre fragmentada e rematados por uma bela torre,como se pode observar na imagem seguinte.
Entra-se nos jardins por uma escada de dupla rampa, onde se destacam um dragão mitológico, a cabeça de uma serpente e o escudo da catalunha, tudo revestido em mosaico fragmentado colorido de belo efeito decorativo.Pela boca do dragão jorra água , pois é uma fonte decorativa.
Dentro dos jardins observamos a sala das cem colunas, um enorme espaço destinado a ser mercado , tendo por cima uma praça miradouro com um enorme , contínuo e ondulante banco de jardim que contorna a referida praça miradouro. Todo o encosto do banco é decorado com mosaicos policromados.
Por todo o lado arcadas,cujas colunas de suporte imitam os rugosos troncos de árvores em sua irregularidade ,misturando-se com a vegetação natural como se pode ver nas fotos que se seguem.Actualmente nestes locais há músicos ambulantes ou pintores e outros artistas plásticos.

Uma das primeiras obras de Gaudi foi o palácio Guell em que pôs toda a sua ênfase no interior, transformando o salão central da casa no seu eixo principal .Concebeu o salão como um zimbório que atravessa todos os pisos do palácio e termina numa cúpula de inspiração bizantina , por onde a luz é filtrada realçando a decoração interior.

A casa Melá (foto que apresentámos em primeiro lugar), popularmente conhecida como La Pedrera foi a sua última grande obra. Edifício de cinco andares é talvez o mais genial trabalho iniciado em 1906 e terminado em 1910. Outra das obras emblemáticas que Gaudi deixou inacabada é o templo da Sagrada Família cujos trabalhos de conclusão ainda estão em curso, baseados em poucos desenhos e esboços que o genial arquitecto deixou, após a sua morte.
Gaudi que faleceu em 1926, é conhecido por fazer um uso intensivo do arco parabólico catenário uma das formas mais comuns na Natureza. Nos seus últimos doze anos de vida devotou-se á religião católica daí a construção da Sagrada Família como acto expiatório das posíções críticas assumidas contra a Igreja na sua juventude. Estes e outros legados de Gaudi são visitados por milhares de turistas que anualmente percorrem Barcelona.
15.10.08
ANTI-OXIDANTES

A ingestão destes alimentos pode não ser suficiente se o sedentarismo e uma alimentação desequilibrada estiverem presentes. Na procura de uma melhor qualidade de vida, muitas pessoas gastam dinheiro em suplementos vitamínicos e minerais , sem terem em conta as suas necessidades pessoais,copiando o que fazem os amigos, sem uma orientação profissional específica. Aqui fica um aviso: cuidado com os anúncios da televisão e revistas; antes de comprar um produto farmo-químico ou iniciar um regime alimentar especial, consulte um médico nutricionista. Aquilo que funcionou com o seu amigo pode não estar indicado para si e provocar efeitos colaterais. O melhor é comer ,diariamente,um pouco dos alimentos mostrados abaixo e pôr de lado os doces e a comida de plástico pré-fabricada.poupa na farmácia, no ginásio, no médico e viverá melhor.
13.10.08
O CITROEN 2 cavalos
A ideia de André Citroen construir um pequeno veículo motorizado, acessível a todas as bolsas, para substituir os usuais cavalos e carroças,nasceu em 1934. Era a consequência de ser um admirador de Henry Ford que, anos antes, tinha inventado a linha de montagem para fabricar o célebre Ford T , nos Estados Unidos. O citroen dois cavalos, inicialmente designado TPV,foi construído em alumínio e magnésio, materiais leves e baratos, tendo sofrido várias modificações até surgir ao público no Salão Automóvel de Paris em 1948, já depois da 2ª Guerra Mundial. A motorização era inovadora : um motor de dois cilindros horizontais, arrefecido a ar e sem motor de arranque, já que este se fazia com uma manivela exterior,como se pode ver na figura. A tracção era já feita nas rodas dianteiras, mas não possuía velocímetro ou conta quilómetros. A carroçaria em chapa ondulada muito fina, tinha um único farol e as portas abriam-se por dentro, depois de levantar, à mão ,o meio vidro da janela.O tejadilho em lona podia ser aberto enrolando-o para trás. Como o logo-tipo era um cisne, foi apelidado de patinho feio .
O pai deste primitivo modelo foi Pierre-Joules Boulanger que, nos inícios dos anos 30, elaborou um caderno de encargos para uma viatura mecanizada capaz de transportar dois agricultores e 100 Kg de carga, a uma velocidade de 60 quilómetros, sem partir um ovo ,pelas lamacentas e esburacadas estradas rurais de França. O consumo teria que ser de apenas 3 litros de gasolina aos 100 Kms.No início da guerra (1939) existiam alguns exemplares experimentais que, devido á ocupação alemã,foram destruídos e uma meia dúzia enterrados em locais secretos. Findo o conflito armado a Citroen retomou o projecto com uma carroçaria redesenhada por Flamínio Bertoni. O "lata de sardinhas", do salão de Paris de 1948 ,caiu no gosto dos franceses de menos recursos financeiros e acabou por conquistar outros países dada a sua simplicidade e poucos acessórios, embora já com velocímetro, motor de arranque e abertura exterior de portas. (ver figura 2) Renovado em 1960, o 2 CV nunca mudou muito durante os 42 anos de produção.
. As maiores modificações foram o redesenho da frente, a terceira janela lateral, dois farois dianteiros e o aumento da cilindrada para 602 cc, em 1970 . Foram ainda fabricadas algumas variantes como o Mèhari ( carroçaria em fibra de vidro) e a Dyane que não tiveram grande aceitação. O último veículo saiu da Fábrica portuguesa de Mangualde em 27 de Julho de 1990, tendo sido produzidos mais de 3 milhões de unidades. A última foto mostra esse modelo final do dois cavalos que deixou , por todo o mundo, inúmeros apaixonados agora organizados em clubes, que fazem encontros regulares tal como acontec com o "carocha" da WW.Compare-se este modelo de farois quadrados que voltaram a ser redondos nos últimos carros fabricados, com o original de antes da guerra e veremos que as linhas gerais ainda se podem observar passados tantos anos .
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9.10.08
CÉLULAS DE COMBUSTÍVEL
O hidrogénio gasoso (puro) que é introduzido na célula, ao ficar em contacto com o catalisador de platina, é oxidado e desta reacção resultam 2 protões e 2 electrões, por cada molécula de hidrogénio. Os electrões assim produzidos ( representados na figura por pequeninas bolas sem cor) são transportados ,sob a forma de corrente eléctrica contínua , por um circuito eléctrico onde realizam um trabalho( representado pela lâmpada acesa ). Por sua vez, os protões ( representados pelo sinal + ) são deslocados do ânodo para o cátodo, através do electrólito. Chegados ao cátodo reagem com o oxigénio dando, como produto final, vapor de água e calor. A escolha do electrólito é importante pois este, para além de uma espessura reduzida só deve deixar passar electrões num sentido ( os protões no outro) e não outras substâncias.. Associando, em série, várias células podemos obter potências que variam dos miliwatts aos megawatts. Consoante as necessidades, há vários tipos de células de combustível que resumiremos sem entrar em detalhe, por terem funcionamento análogo.Células de combustível com membrana de permuta protónica CCMPPCélulas de combustível alcalinas CCA ; células de combustível de ácido fosfórico CCAF: células de combustível de carbonato fundido CCCF e células de combustível de óxido sólido CCOS. As vantagens das células de combustível de hidrogénio são as seguintes : 1º- convertem mais de 90% da energia contida no combustível em electricidade e calor. 2º- a central de produção de energia pode situar-se junto do posto de consumo, não havendo perdas nem custos no transporte. 3º- o calor gerado pode ser aproveitado para outros fins. 4º-Não havendo partes móveis as avarias são mínimas. 5º- poluição quase nula . Como desvantagens teremos : a necessidade de usar metais nobres como a platina que é rara e muito cara; a necessidade de usar hidrogénio puro com problemas associados de armazenamento e transporte. Na década de 1990 as células de combustível para meios de transporte eram do tipo CCMPP . A figura mostra um autocarro com um sistema de 120 KW, utilizando o hidrogénio como combustível.
Em Novembro de 2000, a Daimler-Chrysler criou um automóvel que usa o metanol líquido como fonte de hidrogénio, pois é mais fácil de armazenar que o hidrogénio. Independentemente da escolha do combustível (hidrogénio, metanol, metano ou etano ) as células de combustível representam a solução do futuro. As desvantagens atrás apontadas estão sendo, a pouco e pouco, ultrapassadas com o aparecimento de novas membranas de troca iónica, melhores catalisadores e melhores desenhos de células. Há contudo problemas de difícil solução ,senão vejamos : O hidrogénio livre não existe neste planeta de modo que para obtê-lo há que partir moléculas que o contenham e, para tal, há consumo de energia. Os catalisadores ajudarão a reduzir essa energia, mas haverá sempre perda de energia. A maior parte do hidrogénio molecular ,hoje produzido, é obtido a partir do gás natural e, desta forma, não podemos fugir á dependência dos hidrocarbonetos não renováveis. Este gás( metano) é tratado com vapor de água para quebrar as suas moléculas e obter hidrogénio e neste processo há, globalmente, 60% de perdas de energia. Também o preço deste hidrogénio está dependente das variações de preço do gás natural. Fazer a quebra da molécula de água (H2O) , por electrólise , para obter hidrogénio é fácil e há água por todo o lado ,só que a quantidade de energia para tal é ainda maior que a do gás. Pode-se alegar que a energia eólica ou a solar proporcionariam essa energia mas não esqueçamos que a energia exigida para produzir 1 terawatt de hidrogénio é 1,3 terawtt de electricidade, logo pouco rentável. Também teríamos de ter em conta o preço da água para a electrólise da mesma ou o preço de energia obtido por central nuclear se fosse esse o caminho seguido. Mas há mais.... o hidrogénio liquefeito exige um reservatório quatro vezes maior que o de gasolina e transportar uma quantidade de hidrogénio com a energia equivalente para um posto de abastecimento exigiria 21 vezes mais auto-tanques. Tudo custos a ter em conta!. O hidrogénio comprimido ou liquefeito apresenta problemas que lhe são inerentes e sempre á custa de energia e de custos adicionais. Um outro aspecto a ter em conta é que sendo o hidrogénio o elemento mais simples ,pode escapar de qualquer contentor por mais perfeito que seja na vedação e em armazenagem evaporará á taxa de 1,6 % por dia, daí não pode ser estacionado um veículo destes em garagem, nem ao sol e, como se não bastasse, ele atravessa metais ,tornando-os quebradiços. Além de 10 vezes mais inflamável que a gasolina , arde sem chama visível. Não será preciso dizer mais para se ver o perigo em que nos metíamos. Como notícia de última hora, temos a FORD a fazer testes, neste mês de Outubro de 2008. A viatura combina uma célula de combustivel com motores eléctricos alimentados por baterias de iões de lítio. Tem o mérito de ser o primeiro híbrido do mundo a ser conduzido normalmente na via pública e pode recarregar as baterias através de uma tomada eléctrica das nossas casas. As baterias permitem andar cerca de 40 Kms com a sua energia acumulada., entrando em funcionamento automático a célula de combustível o que lhe permite fazer mais 320 Kms. O depósito de hidrogénio é de 4,5 Kg á pressão de 350 bar. Para percursos pequenos citadinos nunca é necessário usar o hidrogénio recarregando as baterias a cada 30 Kms percorridos.
( veículo da FORD a que nos referimos no texto e em testes de circulação)
4.10.08
B U D I S M O
Após a sua morte, aos oitenta anos de idade, realizou-se o 1º Concílio Budista afim de escrever os ensinamentos de Buda. A esta compilação dá-se o nome de Dharma e ao conjunto dos praticantes do budismo Sangha. O Buda, a Dharma e o Sangha são as três joias da doutrina. Chegados a este ponto vejamos, em síntese, quais sãos os objectivos do Budismo : como todos os seres procuram a felicidade, esta doutrina deve permitir aos homens alcançar a serenidade e a paz,isto é, o "estado de Buda ". Para tal o homem não deve cometer acções negativas, ter mestria sobre o espírito ,realizar acções positivas, respeitar todas as formas de vida e nunca cometer a violência.
Os princípios fundamentais do budismo são o Karma e o Renascimento. O Karma pode definir-se como a acção física, verbal ou mental, realizada com intenção e que se traduz em karmas positivos ou negativos. O renascimento é a tomada de consciência da sucessão ilimitada de vidas até se atingir a iluminação. É assim que, de um estádio de imperfeição para um de iluminação teremos : Seres do Inferno, Pretas(espíritos famintos), Animais, Humanos, Asuras (semi-deuses)e Devas ( deuses). O renascimento em formas inferiores ou superiores depende do karma praticado em vidas anteriores. O estado de nirvana será atingido quando se for capaz de sair do ciclo de morte e renascimento, isto é, da reencarnação . Há várias correntes de Budismo, umas em ascenção outras em queda total e, por estranho que pareça, esta filosofia de vida está a perder adeptos na Índia, zona onde surgiu.
30.9.08
HINDUÍSMO
Aquilo que os ocidentais consideram hinduísmo é ,para os hindus, a sanatano dharma, isto é, a verdade eterna, a lei universal que não conhece princípio nem fim, facto que leva a ser simbolizada por uma roda,o dharmachakra. (ver figura ao lado ). Esta doutrina é uma compilação mitológica e religiosa feita ao longo de cinco mil anos. Na fé dos hindus existem inúmeros cultos e tradições de adoração Deus . O hinduísmo é uma doutrina libertadora que ensina a possibilidade de se desligar deste mundo material e ilusório por meio do ascesticismo, dos livros sagrados, do ioga e da meditação. Para um hindu um verme,uma ave,um elefante, uma pedra, uma árvore ou o homem são coisas sagradas pois o absoluto está em todas elas, já que foram criação de Deus. O hinduísmo não pode ser definido como uma religião pois não tem fundador, hierarquia, liturgia ou dogmas e no entanto é praticada por 35% da população da Índia. Embora possua um vasto número de divindades tem uma trindade principal composta por Brahama (criação) Vishnu (preservação) e Shiva (destruição) (ver fotos a seguir)
Apesar desta trindade ,o hinduísmo não é politeísta pois considera que tudo vem do Brahama. Os livros sagrados são os Vedas (conhecimento divino) que apresentam hinos, escritos em sânscrito arcaico que teriam sido revelados por Brahama . Os Vedas são comentados, explicados e complementados por outras obras tais como : Brâma , Upanixada, Mahabharata e Ramayana. Quanto ao culto , os actos da vida dos crentes revestem-se de um carácter sagrado. A oração deve fazer-se duas vezes ao dia,ao nascer e põr do sol. Recitam-se textos dos Vedas e oferecem-se flores e fogo á divindade a que se presta homenagem. Existem sacerdotes os brâmanes que consagram a vida aos deuses. Muitos ritos e festas acompanham a vida dos hindus, desde o nascimento até á morte, passando pelo dom do nome, iniciação religiosa, casamento, etc,daí a dificuldade em conseguir um alinhamento de ideias para explicar o hinduísmo neste curto espaço de que dispomos, pois o culto varia de lugar para lugar ,bem como o ritual usado .20.9.08
A MEDICINA DO PASSADO (1º parte)
Em Espanha, na gruta de Gargas, em uma das suas paredes, há a impressão de uma mão com as cinco falangetas dos dedos amputadas. Acidente, acto ritual ou medida disciplinar, o que impressiona nesta pintura pré-histórica é a regularidade com que as extremidades dos dedos foram amputadas. A observação de remanescentes fósseis da Idade da Pedra (3000 AC ) evidencia já alguns conhecimentos empíricos das moléstias do aparelho esquelético do homem. A perfuração da caixa craniana (trepanação), observada em crânios, fósseis mostra que o cirurgião-curandeiro a praticava tanto em cadáveres como em pessoas vivas. Muitos dos "pacientes" devem ter morrido devido a infecções provenientes do acto, mas alguns sobreviveram. A razão da trepanação pode ter sido um acto médico para retirar um "demónio" da cabeça da pessoa . Essa pessoa ,pensa-se hoje, sofreria de histeria ou de epilepsia mas,tal como na Idade Média eram espancados á paulada, na piedosa intensão de escorraçar o demónio, naquele passado longínquo abria-se um buraco na cabeça para o tal demónio sair. Quanto á trepanação realizada nos mortos poderia tratar-se de uma tentativa de devolver a vida ao defunto . Qualquer que fosse a finalidade das trepanações pré-históricas, houve perícia na sua execução. Verificam-se trepanações em que a remoção do rectângulo ósseo foi feita após prévia perfuração de pequenos orifícios a que se seguiu o corte.
Mais vulgar era o tratamento de membros fracturados em que os ossos eram recolocados na posição original, imobilizados com talas e enfaixamentos semelhantes aos de hoje.. Também as amputações de membros eram feitas como solução radical contra a mordedura de animais venenosos ou de gangrena de uma ferida.Feridas de flechas e de lanças eram tratadas com habilidade, pois se a flecha penetrasse em região delicada, o "cirurgião" limitava-se a retirar a haste, sem tocar na ponta de pedra,isto 10.000 anos antes de Cristo. Se dermos um grande salto no tempo, para 2500 A.C, vemos estelas funerárias egípcias contendo o relatório de como o médico teria diagnosticado a causa de morte do paciente como, por exemplo, um ataque cardíaco. Nesta época a classe médica já estava separada da dos sacerdotes e havia três especialidades : oculistas, dentistas e internistas. Os médicos do Egipto treinavam os seus conhecimentos na observação interna dos animais sacrificados como o fariam, mais tarde, os gregos e os romanos. O costume egípcio de embalsamar os mortos levava também ao conhecimento e estudo da anatomia interna humana o que já não aconteceu na Europa obscurantista do sec V, por culpa da Igreja Católica que condenava o estudo em cadáveres.
Nas ruínas da cidade de Kahum, encontraram-se dois fragmentos de papiro em que estão escritas receitas para doenças femininas, 1900 anos antes de Cristo. O papiro de Ebers, documento com 110 colunas, apresenta receitas para numerosas moléstias, preceitos de higiene e um tratado de fisiologia. Já na Babilónia de 4000 anos atrás , ser médico era exercer uma profissão cheia de perigos e imprevistos. O código de Hamurabi, terrível estatuto penal, indicava o que o médico receberia por determinados tratamentos realizados com êxito, mas também as consequências de uma cirurgia falhada , em que a penalização ia desde a multa pecuneária até ao corte da mão . Na Europa do sec XVI dá-se o renascimento da anatomia. É a época em que os estudantes se esgueiram pela calada da noite para recuperar cadáveres de enforcados, ou desenterrarem corpos nos cemitérios para suprir, com esse material , a insuficiência do ensino médico teórico, imposto pelo catolicismo. Dissecam esses corpos em locais secretos ,sem se importar com a podridão e os miasmas. Leonardo da Vinci usou os mesmos estratagemas para estudar a anatomia muscular que depois aplicava nas pinturas e estatuária. Muito se andou desde os tempos primitivos até aos nossos dias em que se usa tecnologia avançada para o diagnóstico e tratamento de doenças e acidentes. Com o avanço da nanotecnologia e outras ciências, talvez um dia o médico seja apenas um robot.
