
1.12.08

12.11.08
HISTÓRIA DA BORRACHA
A borracha, produto usual nos nossos dias , já era conhecida pelos ameríndios antes dos europeus chegarem ao continente Americano. Os índios utilizavam-na para fazer objectos de uso pessoal como botas e chapéus impermeáveis á chuva. A borracha é o produto sólido resultante da coagulação natural da secreção da " seringueira", quando se faz uma incisão na sua casca. Esta planta arbórea tem o nome científico de Hévea brasiliensis e é abundante na floresta do Amazonas. Parece que a palavra borracha teve a sua origem no facto dos portugueses terem utilizado o produto no fabrico de botijas ou odres, em substituição dos de cabedal, para o transporte de vinho e que se designavam de borrachos. Há quem afirme que a primeira aplicação da borracha tenha sido como apagador de lápis , na Inglaterra, com a designação de India Rubber. O látex, tal como é segregado pela planta, é um polímero de isopreno e não é muito prático para fabricar objectos pois torna-se quebradiço com o frio e pegajoso com o calor. O produto necessita, por isso, ser purificado e vulcanizado , isto é, aquecido com adição de enxofre e óxidos metálicos o que vai alterar a sua estrutura química molecular, melhor dizendo, vai fazer com que as moléculas simples e individualizadas do polímero se liguem umas ás outras numa rede tridimensional , dando-lhes maior resistência e flexibilidade. Este processo de vulcanização foi descoberto acidentalmente por Goodyear,em 1840. A história da borracha natural está ligada a uma mudança radical do Brasil pois que ,desde a segunda metade do século XIX até 1920, houve uma corrida á extracção do látex semelhante á corrida ao ouro na América do Norte. Não podemos esquecer que se vivia o período da revolução industrial e da " belle époque" com uma certa prosperidade e uso de telefone, luz eléctrica,comboio etc. A corrida aos seringais amazónicos transformou a região norte do Brasil, pobre e pouco povoada, numa das mais prósperas, com a instalação de bancos e empresas estrangeiras nas cidades de Belém e Manaus. Estas cidades passaram a ter luz eléctrica, esgotos , água canalizada, telefone, grandes edifícios, luxuosas vivendas e uma vida cultural comparável á de Paris. Tudo isto durou até 1910, data em que entra no mercado internacional a borracha das colónias britânicas da Malásia ,Índia e Singapura, a um preço muito inferior ao do Brasil. Tudo aconteceu porque, em 1876, os ingleses haviam levado sementes da Hevea brasiliensis para o Jardim Botânico de Londres e ali fizeram enxertos obtendo variedades muito resistentes ao clima e ás pragas. Nas suas colónias ,utilizando plantações racionalizadas e em regime de monocultura ,obtiveram grande produtividade e maior competitividade. Assim a produção brasileira entrou em declínio e com ele se apagou o período áureo do norte deste país. Voltando um pouco atrás no tempo, para o ano de 1820, um industrial inglês , de nome Nadier, fabricou fios de borracha que vendia como suspensórios de calças. Por essa época, na América, produziam-se tecidos impermeáveis e botas de neve á base do látex pois se havia descoberto o processo industrial de corte, laminação e prensagem da borracha. Este processo deve-se a Mac Intoch que observou ser a benzina um solvente da borracha e também se deve a Hancock, um serralheiro que criou a máquina de prensagem a quente, depois de estudar o processo de vulcanização de Goodyear. Em 1845, R.W. Thomson inventa o pneumático e a câmara de ar que se tornam populares com a invenção da bicicleta , em 1869, por Michan. Nesta data já existiam brinquedos de borracha e bolas ocas e maciças para golfe e ténis .Em 1895, Michelin teve a ideia de adaptar o pneu ao automóvel passando a borracha a ser considerada essencial no mundo moderno. Este facto despertou o interesse dos químicos em a sintetizar, sendo os russos e os alemães os pioneiros nessa pesquisa. Já durante a 1ª Guerra Mundial os alemães haviam desenvolvido a borracha sintética. Este tipo de borracha é produzido a partir de derivados do petróleo (hidrocarbonetos) ,havendo duas variedades: a branca para apagar o lápis e a preta, mais resistente á corrosão, para os pneus dos carros . Um dos principais passos para produzir borracha sintética de boa qualidade foi a descoberta do modo como estão distribuídos os átomos na molécula da borracha natural. Descobriu-se que quando os átomos de carbono e de hidrogénio estão reunidos de certo modo formam a gasolina , de modo diferente o querosene e de um terceiro modo a borracha. Mesmo com tal conhecimento, não se conseguiu produzir uma borracha sintética exactamente igual á natural, pois ainda não foi possível encontrar a maneira de reproduzir as gigantescas moléculas de borracha que as árvores produzem. São os segredos técnicos da natureza a provar que o homem não lhe é superior. Mesmo assim a borracha sintética ocupou grande parte do espaço da borracha natural em todas as suas aplicações. A sua produção hoje supera em muito a da borracha natural sendo os Estados Unidos o maior produtor mundial, seguidos pelo Japão , Alemanha ReinoUnido e Brasil. As novas experiências realizadas com as borrachas sintéticas levaram já ao aparecimento de borrachas autocolantes. É este um tipo de borracha que caso se rasgue, basta colocar os dois pedaços juntos para que eles se unam novamente ,voltando a ser uma única peça. Este processo leva apenas alguns minutos e acontece espontaneamente, á temperatura ambiente, sem necessidade de adição de qualquer outro produto. O segredo está em que, ao contrário das borrachas tradicionais que são formadas por longas cadeias de polímeros, a nova borracha consiste em pequenas moléculas que se ligam entre si por pontes de hidrogénio., ligações estas muito mais fracas do que as dos polímeros naturais. Esta nova borracha é produzida a partir de ácidos gordos retirados do milho ou de outras plantas a que se adiciona ureia. Pense-se em pneus que se auto-consertam em caso de furo ,ou em roupas que nunca se rasgam e teremos um futuro brilhante. Enquanto esta borracha não estiver no domínio público apoiemos a borracha regenerada que é obtida pela reciclagem de pneus, câmaras de ar e outros objectos em borracha.5.11.08
TAUÍSMO
4.11.08
MEDICINA DO PASSADO (2ª PARTE)
Um velho, calvo e barbudo, com rugas que lhe marcam o rosto, fala a um grupo de jovens que o rodeia : ....breve é a vida e longa a arte; a ocasião é fugaz; a experiência enganosa; o julgamento difícil . O médico deve não somente cumprir o seu dever,como estimular a cooperação do paciente, dos seus assistentes e de todos mais... Quem assim falava era Hipócrates, nascido na ilha de Cós por volta do ano 460 ,antes de Cristo. Médico ambulante, conforme os costumes da época, percorreu toda a Grécia ensinando medicina até á sua morte aos 90 anos de idade. Era um asclépíade, isto é, membro de uma família que praticava cuidados de saúde. O maior mérito de Hipócrates foi considerar a medicina uma disciplina distinta da filosofia , não podendo a ela ser aplicada métodos especulativos. A medicina não podia ser estudada a partir de pressupostos, mas apenas pela observação científica dos fenómenos. Hipócrates tentou dissociar a medicina da superstição, combatendo a ideia de que demónios ou espíritos entrados no corpo é que provocavam as doenças. Do volumoso legado de 53 tratados de medicina que lhe são atribuídos , seleccionámos os seguintes : Juramento; Tratado sobre a doença sagrada (epilepsia) ; Tratado sobre ares ; Águas e lugares ; Prognóstico ; Tratado sobre epidemias . Hipócrates dizia : "a saúde depende da harmonia entre 4 humores: bílis preta, bílis amarela , sangue e fleugma . "Quando a harmonia não ocorre o calor vital do corpo provoca fermentação do humor em excesso que é expelido com a urina ,fezes, vómito, suor, expectoração e hemorragia nasal. Na anatomia da época não se distinguia tendões de nervos nem veias de artérias, quanto á sua função . Embora com tão empíricos conhecimentos Hipócrates conseguiu formular conceitos terapêuticos válidos ainda hoje. Achava ele que " o organismo age para combater a moléstia e o médico deve apenas colaborar no processo natural. Para tal deve fazer um diagnóstico, um prognóstico e um tratamento." Pese ele ter errado quanto ao médico apenas colaborar no processo natural , ele sabia já distinguir a doença de sintomas da mesma . Para Hipócrates, a febre era apenas um sintoma de que qualquer maleita tinha atingido o homem e não ela , em si, uma doença a curar. Era um avanço extraordinário para a época. Terá sido por influência de Hipócrates que a medicina assumiu a posição dignificante de hoje. Isso transparece claramente num dos trechos de "Juramento " Puras e santas conservarei a vida e a arte curativa.......em qualquer casa que entre, será para o bem do doente e me manterei longe de qualquer acto danoso, como também de contactos impuros com homem ou mulher, sejam eles livres ou escravos....... qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento e que não possa ser contado a estranhos, guardarei segredo como coisa que não é lícito dizer. Como ele estava actualizado, 2600 atrás! Pura e santa conservarei a vida.... Hoje diz-se que o médico tudo deve fazer para conservar a vida do doente e não provocar a morte do mesmo. Daí haver médicos oponentes ao aborto ou á eutanásia. ...qualquer coisa que eu veja ou escute durante o tratamento .....guardarei segredo . É hoje o sigilo clínico. "...me manterei longe de qualquer acto danoso....."É a deontologia médica de hoje. Não é por acaso que Hipócrates é considerado o pai da medicina .Na Idade Média ,o diagnóstico de uma doença não podia variar muito : ou era provocado pela entrada de um demónio no corpo do doente, pela influência da Lua, de feitiços , pragas ou maus olhados, daí os exorcismos, amuletos ,rezas e promessas ,como terapia praticada nos mosteiros. Se no início os monges e restringiam á cura dos companheiros da ordem , com o tempo passaram a atender doentes alheios ao mosteiro, da mesma forma que os médicos leigos, fazendo cirurgias nem sempre bem sucedidas o que interferia na reputação dos sacerdotes. Face a este facto ,e por decisão do Concílio de Roma, em 1138, os sacerdotes foram proibidos de exercer a medicina á população.Os monges tornearam o problema de uma maneira curiosa ; como estavam proibidos de usar barba e cabelo comprido tinham , ao seu serviço, criados barbeiros. Não podendo realizar sangrias, delegaram nos criados essa função sob sua orientação. Nasciam assim os barbeiros sangradores,barbeiros cirurgiões e barbeiros dentistas, tendo alguns chegado ,nas aldeias, ao início do século XX. Pouco a pouco foram-se formando escolas leigas de medicina junto aos próprios mosteiros. Aparece assim a Escola de Salerno, muito antes do ano 1000, com influência das medicinas grega, árabe e judaica. Um dos seus grandes mestres foi Garioponto, autor da "Passionária", obra copiada e recopiada durante toda a Idade Média. Este livro, fartamente ilustrado com iluminuras, descrevia todas as doenças , da cabeça até aos pés, indicando as diferentes formas de cura. Desta escola de Salerno saíram grandes mestres com Rogério Furgado, na segunda metade do sec XII, cujos ensinamentos se mantiveram por mais de 100 anos, sendo evidente que os salernitanos praticavam a dissecação em porcos, para conhecimentos científicos. Talvez daí o conhecido provérbio : "Se queres conhecer o teu corpo abre um porco " Com o aparecimento das universidades a escola de Salerno foi entrando em decadência e quase desapareceu.
Em Janeiro de 1315, rodeado pelos discípulos, o médico Mondino de Luzzi ensinou anatomia com observação directa num cadáver, dissecando-o, o que ia contra os princípios da Igreja. Este avanço no estudo do corpo humano deve-se á formação das universidades, como é o caso da Universidade de Mestres e Estudantes de Bolonha, a primeira na Europa.Um dos aspectos mais típicos e mais significativos destas universidades é o seu carácter laico e associativo. A vida intelectual começava assim a libertar-se dos conformismos e da dependência da religião . Á medida que as universidades floresciam , o espírito de pesquisa intelectual era cada vez mais incentivado e novas conquistas foram facilitando a prática da medicina, como é o caso das tentativas de anestesia dos pacientes com esponjas impregnadas de ópio e outras substâncias , tornando-se assim mais praticáveis as longas intervenções cirúrgicas com menos sofrimento para os pacientes. Também o uso do bisturi foi introduzido definitivamente, contrariando a influência islâmica que preferia a cauterização. Quanto não se andou até aos nossos dias e quanto não teremos de andar até se chegar a uma medicina sem efeitos colaterais para o paciente. Que venha breve a Medicina do Futuro.1.11.08
V Í R U S assassinos de outros virus ?
Um vírus é, por definição. uma partícula proteica que pode infectar organismos vivos. Tipicamente estas partículas de proteína carregam no seu interior uma pequena quantidade de ácido ribo-nucleico (DNA,RNA ou ambos). Estes ácidos possuem a informação genética necessária à formação de outros vírus iguais. No entanto, estas moléculas de ácido ribo-nucleico de nada servirão se não parasitarem células hospedeiras vivas, isto é, células de seres vivos. É por este facto que alguns cientistas não consideram os vírus como seres vivos Os vírus , como dissemos, consistem em uma cápsula de proteína chamada capsulídeo que armazena e protege o material genético viral . Por vezes,envolvendo o capsulídeo, existe o envelope ou envoltório, normalmente derivado da membrana celular do hospedeiro anterior, assim possibilitando ao vírus identificar as células que pode parasitar. Os vírus não têm qualquer actividade metabólica fora da célula hospedeira, isto é, não podem captar nutrientes, utilizar energia ou realizar qualquer síntese biológica. É verdade que se multiplicam, mas de maneira diferente das células. Enquanto estas duplicam o seu conteúdo para depois se dividirem em duas células filhas, os vírus replicam-se invadindo células de outros seres e transformando o DNA e RNA dessas células em DNA e RNA vírus. Por estas razões, como já dissemos, a maior parte dos biólogos acha que os vírus não devem ser considerados seres vivos, argumentando que um organismo vivo deve possuir características como a capacidade de obter nutrientes e energia do meio ambiente , melhor dizendo, ter metabolismo para manter e construir a sua estrutura e se reproduzirem. Os organismos vivos fazem parte de uma linhagem contínua , sendo necessariamente originados de seres vivos semelhantes. Ora os vírus não manifestam crescer, degradar ou fabricar substâncias e nem reagem a estímulos, mais parecendo minerais ,pois até têm forma cristalina. No entanto esta opinião pode ser posta em causa pois, recentemente, se verificou haver estirpes de vírus que se "alimentam" de outros vírus, tal como uma espécie animal se alimenta de outros seres vivos para sobreviver. Biólogos da universidade de Aix-Marseille descobriram este facto em 2003 ao estudarem um vírus gigante infectante de amibas.. Ao isolarem uma estirpe maior (mamavírus) observaram nela estranhas partículas patogénicas baptizadas de "spoutnik". Perante uma co-infecção o virus gigante fazia-se substituir por pequenas partículas, os spoutniks, que utilizavam com maior velocidade o material celular da amiba hospedeira. A análise do genoma dos spoutniks revelou uma surpreendente composição genética, não usual ; oito dos vinte e um genes são idênticos aos do virus gigante e os restantes idênticos aos dos genes comuns das células, o que sugere que o virófago poderá atacar diferentes estirpes de vírus e não só as células. Esta conclusão vai de encontro aos que pensam que os vírus podem também ser considerados seres vivos. Resta saber se um dia poderemos usar estes vírus para combater outros vírus que nos provocam doenças. As verdades científicas de hoje podem não o ser amanhã.Há ainda tanto para descobrir sobre a natureza que o Homem se sente um ignorante perante o fenómeno da vida neste planeta.É que ,para além dos vírus, outras partículas estruturalmente simples povoam o nosso mundo e são elas os viroides,virusoides,deltavírus e priões todas elas ainda pouco conhecidas. No grupo de doenças causadas por vírus temos : raiva, rubéola, sarampo, hepatite, dengue,poliomielite, varíola, febre amarela, varicela, gripe, meningite, sida (HIV), papiloma vírus, este último causador do cancro do colo do útero, e outros mais. Para algumas destas doenças já há vacinas específicas e para outras conhecem-se os meios para evitar que os vírus se multipliquem, como é o caso dos que são propagados e multiplicados em mosquitos seus hospedeiros. Oxalá os virófagos ( vírus destruidores de outros vírus ) venham em nosso auxílio e sejam uma futura arma médica para muitas doenças .16.10.08
G A U D I
Desenhou também vitrais, pórticos , móveis e decorou interiores para as novas casas com a sua marca arquitectónica. O parque e o Palácio Guell, as casas Milá, Batlló e Vicens bem como o templo da Sagrada Família são algumas das suas criações mais emblemáticas. O Parque Guell é um dos espaços mais originais da cidade de Barcelona. Inspirado nas cidades- jardim britânicas. o conde Guell encarregou Gaudi da construção de uma cidade residencial numa das suas propriedades situada na então periferia de Barcelona. As obras iniciaram-se em 1901 mas ,em 1914, apenas se tinham vendido três das sessenta casas até então construídas. Este facto devia-se aos barceloneses não estarem preparados para uma tal arquitectura de espaços ,cores, luz e formas em consonância coma natureza e, por isso, a obra ficou muito aquém do projecto inicial.
O parque , de 15 hectares, está rodeado por um muro , tendo uma entrada com dois pavilhões revestidos a peças de cerâmica sempre fragmentada e rematados por uma bela torre,como se pode observar na imagem seguinte.
Entra-se nos jardins por uma escada de dupla rampa, onde se destacam um dragão mitológico, a cabeça de uma serpente e o escudo da catalunha, tudo revestido em mosaico fragmentado colorido de belo efeito decorativo.Pela boca do dragão jorra água , pois é uma fonte decorativa.
Dentro dos jardins observamos a sala das cem colunas, um enorme espaço destinado a ser mercado , tendo por cima uma praça miradouro com um enorme , contínuo e ondulante banco de jardim que contorna a referida praça miradouro. Todo o encosto do banco é decorado com mosaicos policromados.
Por todo o lado arcadas,cujas colunas de suporte imitam os rugosos troncos de árvores em sua irregularidade ,misturando-se com a vegetação natural como se pode ver nas fotos que se seguem.Actualmente nestes locais há músicos ambulantes ou pintores e outros artistas plásticos.

Uma das primeiras obras de Gaudi foi o palácio Guell em que pôs toda a sua ênfase no interior, transformando o salão central da casa no seu eixo principal .Concebeu o salão como um zimbório que atravessa todos os pisos do palácio e termina numa cúpula de inspiração bizantina , por onde a luz é filtrada realçando a decoração interior.

A casa Melá (foto que apresentámos em primeiro lugar), popularmente conhecida como La Pedrera foi a sua última grande obra. Edifício de cinco andares é talvez o mais genial trabalho iniciado em 1906 e terminado em 1910. Outra das obras emblemáticas que Gaudi deixou inacabada é o templo da Sagrada Família cujos trabalhos de conclusão ainda estão em curso, baseados em poucos desenhos e esboços que o genial arquitecto deixou, após a sua morte.
Gaudi que faleceu em 1926, é conhecido por fazer um uso intensivo do arco parabólico catenário uma das formas mais comuns na Natureza. Nos seus últimos doze anos de vida devotou-se á religião católica daí a construção da Sagrada Família como acto expiatório das posíções críticas assumidas contra a Igreja na sua juventude. Estes e outros legados de Gaudi são visitados por milhares de turistas que anualmente percorrem Barcelona.
15.10.08
ANTI-OXIDANTES

A ingestão destes alimentos pode não ser suficiente se o sedentarismo e uma alimentação desequilibrada estiverem presentes. Na procura de uma melhor qualidade de vida, muitas pessoas gastam dinheiro em suplementos vitamínicos e minerais , sem terem em conta as suas necessidades pessoais,copiando o que fazem os amigos, sem uma orientação profissional específica. Aqui fica um aviso: cuidado com os anúncios da televisão e revistas; antes de comprar um produto farmo-químico ou iniciar um regime alimentar especial, consulte um médico nutricionista. Aquilo que funcionou com o seu amigo pode não estar indicado para si e provocar efeitos colaterais. O melhor é comer ,diariamente,um pouco dos alimentos mostrados abaixo e pôr de lado os doces e a comida de plástico pré-fabricada.poupa na farmácia, no ginásio, no médico e viverá melhor.
13.10.08
O CITROEN 2 cavalos
A ideia de André Citroen construir um pequeno veículo motorizado, acessível a todas as bolsas, para substituir os usuais cavalos e carroças,nasceu em 1934. Era a consequência de ser um admirador de Henry Ford que, anos antes, tinha inventado a linha de montagem para fabricar o célebre Ford T , nos Estados Unidos. O citroen dois cavalos, inicialmente designado TPV,foi construído em alumínio e magnésio, materiais leves e baratos, tendo sofrido várias modificações até surgir ao público no Salão Automóvel de Paris em 1948, já depois da 2ª Guerra Mundial. A motorização era inovadora : um motor de dois cilindros horizontais, arrefecido a ar e sem motor de arranque, já que este se fazia com uma manivela exterior,como se pode ver na figura. A tracção era já feita nas rodas dianteiras, mas não possuía velocímetro ou conta quilómetros. A carroçaria em chapa ondulada muito fina, tinha um único farol e as portas abriam-se por dentro, depois de levantar, à mão ,o meio vidro da janela.O tejadilho em lona podia ser aberto enrolando-o para trás. Como o logo-tipo era um cisne, foi apelidado de patinho feio .
O pai deste primitivo modelo foi Pierre-Joules Boulanger que, nos inícios dos anos 30, elaborou um caderno de encargos para uma viatura mecanizada capaz de transportar dois agricultores e 100 Kg de carga, a uma velocidade de 60 quilómetros, sem partir um ovo ,pelas lamacentas e esburacadas estradas rurais de França. O consumo teria que ser de apenas 3 litros de gasolina aos 100 Kms.No início da guerra (1939) existiam alguns exemplares experimentais que, devido á ocupação alemã,foram destruídos e uma meia dúzia enterrados em locais secretos. Findo o conflito armado a Citroen retomou o projecto com uma carroçaria redesenhada por Flamínio Bertoni. O "lata de sardinhas", do salão de Paris de 1948 ,caiu no gosto dos franceses de menos recursos financeiros e acabou por conquistar outros países dada a sua simplicidade e poucos acessórios, embora já com velocímetro, motor de arranque e abertura exterior de portas. (ver figura 2) Renovado em 1960, o 2 CV nunca mudou muito durante os 42 anos de produção.
. As maiores modificações foram o redesenho da frente, a terceira janela lateral, dois farois dianteiros e o aumento da cilindrada para 602 cc, em 1970 . Foram ainda fabricadas algumas variantes como o Mèhari ( carroçaria em fibra de vidro) e a Dyane que não tiveram grande aceitação. O último veículo saiu da Fábrica portuguesa de Mangualde em 27 de Julho de 1990, tendo sido produzidos mais de 3 milhões de unidades. A última foto mostra esse modelo final do dois cavalos que deixou , por todo o mundo, inúmeros apaixonados agora organizados em clubes, que fazem encontros regulares tal como acontec com o "carocha" da WW.Compare-se este modelo de farois quadrados que voltaram a ser redondos nos últimos carros fabricados, com o original de antes da guerra e veremos que as linhas gerais ainda se podem observar passados tantos anos .
n
9.10.08
CÉLULAS DE COMBUSTÍVEL
O hidrogénio gasoso (puro) que é introduzido na célula, ao ficar em contacto com o catalisador de platina, é oxidado e desta reacção resultam 2 protões e 2 electrões, por cada molécula de hidrogénio. Os electrões assim produzidos ( representados na figura por pequeninas bolas sem cor) são transportados ,sob a forma de corrente eléctrica contínua , por um circuito eléctrico onde realizam um trabalho( representado pela lâmpada acesa ). Por sua vez, os protões ( representados pelo sinal + ) são deslocados do ânodo para o cátodo, através do electrólito. Chegados ao cátodo reagem com o oxigénio dando, como produto final, vapor de água e calor. A escolha do electrólito é importante pois este, para além de uma espessura reduzida só deve deixar passar electrões num sentido ( os protões no outro) e não outras substâncias.. Associando, em série, várias células podemos obter potências que variam dos miliwatts aos megawatts. Consoante as necessidades, há vários tipos de células de combustível que resumiremos sem entrar em detalhe, por terem funcionamento análogo.Células de combustível com membrana de permuta protónica CCMPPCélulas de combustível alcalinas CCA ; células de combustível de ácido fosfórico CCAF: células de combustível de carbonato fundido CCCF e células de combustível de óxido sólido CCOS. As vantagens das células de combustível de hidrogénio são as seguintes : 1º- convertem mais de 90% da energia contida no combustível em electricidade e calor. 2º- a central de produção de energia pode situar-se junto do posto de consumo, não havendo perdas nem custos no transporte. 3º- o calor gerado pode ser aproveitado para outros fins. 4º-Não havendo partes móveis as avarias são mínimas. 5º- poluição quase nula . Como desvantagens teremos : a necessidade de usar metais nobres como a platina que é rara e muito cara; a necessidade de usar hidrogénio puro com problemas associados de armazenamento e transporte. Na década de 1990 as células de combustível para meios de transporte eram do tipo CCMPP . A figura mostra um autocarro com um sistema de 120 KW, utilizando o hidrogénio como combustível.
Em Novembro de 2000, a Daimler-Chrysler criou um automóvel que usa o metanol líquido como fonte de hidrogénio, pois é mais fácil de armazenar que o hidrogénio. Independentemente da escolha do combustível (hidrogénio, metanol, metano ou etano ) as células de combustível representam a solução do futuro. As desvantagens atrás apontadas estão sendo, a pouco e pouco, ultrapassadas com o aparecimento de novas membranas de troca iónica, melhores catalisadores e melhores desenhos de células. Há contudo problemas de difícil solução ,senão vejamos : O hidrogénio livre não existe neste planeta de modo que para obtê-lo há que partir moléculas que o contenham e, para tal, há consumo de energia. Os catalisadores ajudarão a reduzir essa energia, mas haverá sempre perda de energia. A maior parte do hidrogénio molecular ,hoje produzido, é obtido a partir do gás natural e, desta forma, não podemos fugir á dependência dos hidrocarbonetos não renováveis. Este gás( metano) é tratado com vapor de água para quebrar as suas moléculas e obter hidrogénio e neste processo há, globalmente, 60% de perdas de energia. Também o preço deste hidrogénio está dependente das variações de preço do gás natural. Fazer a quebra da molécula de água (H2O) , por electrólise , para obter hidrogénio é fácil e há água por todo o lado ,só que a quantidade de energia para tal é ainda maior que a do gás. Pode-se alegar que a energia eólica ou a solar proporcionariam essa energia mas não esqueçamos que a energia exigida para produzir 1 terawatt de hidrogénio é 1,3 terawtt de electricidade, logo pouco rentável. Também teríamos de ter em conta o preço da água para a electrólise da mesma ou o preço de energia obtido por central nuclear se fosse esse o caminho seguido. Mas há mais.... o hidrogénio liquefeito exige um reservatório quatro vezes maior que o de gasolina e transportar uma quantidade de hidrogénio com a energia equivalente para um posto de abastecimento exigiria 21 vezes mais auto-tanques. Tudo custos a ter em conta!. O hidrogénio comprimido ou liquefeito apresenta problemas que lhe são inerentes e sempre á custa de energia e de custos adicionais. Um outro aspecto a ter em conta é que sendo o hidrogénio o elemento mais simples ,pode escapar de qualquer contentor por mais perfeito que seja na vedação e em armazenagem evaporará á taxa de 1,6 % por dia, daí não pode ser estacionado um veículo destes em garagem, nem ao sol e, como se não bastasse, ele atravessa metais ,tornando-os quebradiços. Além de 10 vezes mais inflamável que a gasolina , arde sem chama visível. Não será preciso dizer mais para se ver o perigo em que nos metíamos. Como notícia de última hora, temos a FORD a fazer testes, neste mês de Outubro de 2008. A viatura combina uma célula de combustivel com motores eléctricos alimentados por baterias de iões de lítio. Tem o mérito de ser o primeiro híbrido do mundo a ser conduzido normalmente na via pública e pode recarregar as baterias através de uma tomada eléctrica das nossas casas. As baterias permitem andar cerca de 40 Kms com a sua energia acumulada., entrando em funcionamento automático a célula de combustível o que lhe permite fazer mais 320 Kms. O depósito de hidrogénio é de 4,5 Kg á pressão de 350 bar. Para percursos pequenos citadinos nunca é necessário usar o hidrogénio recarregando as baterias a cada 30 Kms percorridos.
( veículo da FORD a que nos referimos no texto e em testes de circulação)
4.10.08
B U D I S M O
Após a sua morte, aos oitenta anos de idade, realizou-se o 1º Concílio Budista afim de escrever os ensinamentos de Buda. A esta compilação dá-se o nome de Dharma e ao conjunto dos praticantes do budismo Sangha. O Buda, a Dharma e o Sangha são as três joias da doutrina. Chegados a este ponto vejamos, em síntese, quais sãos os objectivos do Budismo : como todos os seres procuram a felicidade, esta doutrina deve permitir aos homens alcançar a serenidade e a paz,isto é, o "estado de Buda ". Para tal o homem não deve cometer acções negativas, ter mestria sobre o espírito ,realizar acções positivas, respeitar todas as formas de vida e nunca cometer a violência.
Os princípios fundamentais do budismo são o Karma e o Renascimento. O Karma pode definir-se como a acção física, verbal ou mental, realizada com intenção e que se traduz em karmas positivos ou negativos. O renascimento é a tomada de consciência da sucessão ilimitada de vidas até se atingir a iluminação. É assim que, de um estádio de imperfeição para um de iluminação teremos : Seres do Inferno, Pretas(espíritos famintos), Animais, Humanos, Asuras (semi-deuses)e Devas ( deuses). O renascimento em formas inferiores ou superiores depende do karma praticado em vidas anteriores. O estado de nirvana será atingido quando se for capaz de sair do ciclo de morte e renascimento, isto é, da reencarnação . Há várias correntes de Budismo, umas em ascenção outras em queda total e, por estranho que pareça, esta filosofia de vida está a perder adeptos na Índia, zona onde surgiu.
30.9.08
HINDUÍSMO
Aquilo que os ocidentais consideram hinduísmo é ,para os hindus, a sanatano dharma, isto é, a verdade eterna, a lei universal que não conhece princípio nem fim, facto que leva a ser simbolizada por uma roda,o dharmachakra. (ver figura ao lado ). Esta doutrina é uma compilação mitológica e religiosa feita ao longo de cinco mil anos. Na fé dos hindus existem inúmeros cultos e tradições de adoração Deus . O hinduísmo é uma doutrina libertadora que ensina a possibilidade de se desligar deste mundo material e ilusório por meio do ascesticismo, dos livros sagrados, do ioga e da meditação. Para um hindu um verme,uma ave,um elefante, uma pedra, uma árvore ou o homem são coisas sagradas pois o absoluto está em todas elas, já que foram criação de Deus. O hinduísmo não pode ser definido como uma religião pois não tem fundador, hierarquia, liturgia ou dogmas e no entanto é praticada por 35% da população da Índia. Embora possua um vasto número de divindades tem uma trindade principal composta por Brahama (criação) Vishnu (preservação) e Shiva (destruição) (ver fotos a seguir)
Apesar desta trindade ,o hinduísmo não é politeísta pois considera que tudo vem do Brahama. Os livros sagrados são os Vedas (conhecimento divino) que apresentam hinos, escritos em sânscrito arcaico que teriam sido revelados por Brahama . Os Vedas são comentados, explicados e complementados por outras obras tais como : Brâma , Upanixada, Mahabharata e Ramayana. Quanto ao culto , os actos da vida dos crentes revestem-se de um carácter sagrado. A oração deve fazer-se duas vezes ao dia,ao nascer e põr do sol. Recitam-se textos dos Vedas e oferecem-se flores e fogo á divindade a que se presta homenagem. Existem sacerdotes os brâmanes que consagram a vida aos deuses. Muitos ritos e festas acompanham a vida dos hindus, desde o nascimento até á morte, passando pelo dom do nome, iniciação religiosa, casamento, etc,daí a dificuldade em conseguir um alinhamento de ideias para explicar o hinduísmo neste curto espaço de que dispomos, pois o culto varia de lugar para lugar ,bem como o ritual usado .20.9.08
A MEDICINA DO PASSADO (1º parte)
Em Espanha, na gruta de Gargas, em uma das suas paredes, há a impressão de uma mão com as cinco falangetas dos dedos amputadas. Acidente, acto ritual ou medida disciplinar, o que impressiona nesta pintura pré-histórica é a regularidade com que as extremidades dos dedos foram amputadas. A observação de remanescentes fósseis da Idade da Pedra (3000 AC ) evidencia já alguns conhecimentos empíricos das moléstias do aparelho esquelético do homem. A perfuração da caixa craniana (trepanação), observada em crânios, fósseis mostra que o cirurgião-curandeiro a praticava tanto em cadáveres como em pessoas vivas. Muitos dos "pacientes" devem ter morrido devido a infecções provenientes do acto, mas alguns sobreviveram. A razão da trepanação pode ter sido um acto médico para retirar um "demónio" da cabeça da pessoa . Essa pessoa ,pensa-se hoje, sofreria de histeria ou de epilepsia mas,tal como na Idade Média eram espancados á paulada, na piedosa intensão de escorraçar o demónio, naquele passado longínquo abria-se um buraco na cabeça para o tal demónio sair. Quanto á trepanação realizada nos mortos poderia tratar-se de uma tentativa de devolver a vida ao defunto . Qualquer que fosse a finalidade das trepanações pré-históricas, houve perícia na sua execução. Verificam-se trepanações em que a remoção do rectângulo ósseo foi feita após prévia perfuração de pequenos orifícios a que se seguiu o corte.
Mais vulgar era o tratamento de membros fracturados em que os ossos eram recolocados na posição original, imobilizados com talas e enfaixamentos semelhantes aos de hoje.. Também as amputações de membros eram feitas como solução radical contra a mordedura de animais venenosos ou de gangrena de uma ferida.Feridas de flechas e de lanças eram tratadas com habilidade, pois se a flecha penetrasse em região delicada, o "cirurgião" limitava-se a retirar a haste, sem tocar na ponta de pedra,isto 10.000 anos antes de Cristo. Se dermos um grande salto no tempo, para 2500 A.C, vemos estelas funerárias egípcias contendo o relatório de como o médico teria diagnosticado a causa de morte do paciente como, por exemplo, um ataque cardíaco. Nesta época a classe médica já estava separada da dos sacerdotes e havia três especialidades : oculistas, dentistas e internistas. Os médicos do Egipto treinavam os seus conhecimentos na observação interna dos animais sacrificados como o fariam, mais tarde, os gregos e os romanos. O costume egípcio de embalsamar os mortos levava também ao conhecimento e estudo da anatomia interna humana o que já não aconteceu na Europa obscurantista do sec V, por culpa da Igreja Católica que condenava o estudo em cadáveres.
Nas ruínas da cidade de Kahum, encontraram-se dois fragmentos de papiro em que estão escritas receitas para doenças femininas, 1900 anos antes de Cristo. O papiro de Ebers, documento com 110 colunas, apresenta receitas para numerosas moléstias, preceitos de higiene e um tratado de fisiologia. Já na Babilónia de 4000 anos atrás , ser médico era exercer uma profissão cheia de perigos e imprevistos. O código de Hamurabi, terrível estatuto penal, indicava o que o médico receberia por determinados tratamentos realizados com êxito, mas também as consequências de uma cirurgia falhada , em que a penalização ia desde a multa pecuneária até ao corte da mão . Na Europa do sec XVI dá-se o renascimento da anatomia. É a época em que os estudantes se esgueiram pela calada da noite para recuperar cadáveres de enforcados, ou desenterrarem corpos nos cemitérios para suprir, com esse material , a insuficiência do ensino médico teórico, imposto pelo catolicismo. Dissecam esses corpos em locais secretos ,sem se importar com a podridão e os miasmas. Leonardo da Vinci usou os mesmos estratagemas para estudar a anatomia muscular que depois aplicava nas pinturas e estatuária. Muito se andou desde os tempos primitivos até aos nossos dias em que se usa tecnologia avançada para o diagnóstico e tratamento de doenças e acidentes. Com o avanço da nanotecnologia e outras ciências, talvez um dia o médico seja apenas um robot.
11.9.08
O ISLAMISMO
Quando publiquei A rota da seda (1-9-08) afirmei que fora por esta longa via que os mercadores espalharam o Islamismo, da Arábia até á China, influenciando de tal forma as civilizações que hoje é uma das grandes religiões do mundo. Dissertar sobre Islamismo é tarefa para teólogos especializados e no contexto deste blog caber-nos-ia apenas abordar o tema sintéticamente. O fundador desta religião foi o profeta Maomé (Muhammad), nascido em Meca no ano 570 da nossa era. Até aos cinco anos de idade ficou entregue a uma ama . Por morte de sua mãe herda uma escrava, alguns carneiros e cinco camelos ; é recolhido pelo avô e depois pelo tio materno Abû Tâlib . Protegido por Deus dos perigos da juventude, foi pastor de carneiros e depois, aos vinte anos, caravaneiro ao serviço de Khadidja, viúva rica, com quem acaba por casar. Deste casamento nasce Fátima, a sua muito amada filha.. Por esta altura, os povos da Arábia eram politeístas mas Maomé, agora um mercador bem sucedido, foi influenciado pela crença judaico-cristã da existência de um só Deus. No ano 610, tinha Maomé 40 anos, foi sujeito a várias visões do arcanjo Gabriel (Jibreel). Após uma acalmia visionária de dois anos, na noite de 26 para 27 do mês Ramadão, a aparição surge de novo , no monte Hira, e ordena : Prega em nome do teu Senhor . As revelações, repetem-se violentas e acabam por lhe ditar o que viria a ser o livro sagrado dos muçulmanos O Corão ( Al-Quran). Nessas visões recebeu instruções para pregar a oração , a purificação e a fé num Deus único , Alá (Allah). A pregação da nova religião não foi fácil, pois os governadores de Meca sentiam-se ameaçados pelas novas ideias. Esta oposição foi de tal forma violenta que Maomé e os seus seguidores tiveram que fugir para Medina, caminhada realizada no ano 622 e que é conhecida como a Hégira. Em Medina angaria facilmente mais adeptos pois as suas ideias tendiam a construir uma sociedade mais justa, já que a maioria da população era muito pobre. Com o rápido crescimento de apoiantes recaptura Meca, em 630, torna-se seu governador e cria um estado Islâmico, banindo os adoradores de ídolos. Faleceu no ano de 632, aos sessenta e dois anos de idade, mas a religião por ele fundada espalhou-se , em apenas dez anos, pela Palestina, Síria, Pérsia e Egipto em consequência de uma Jihad ,ou guerra santa, levada a cabo pelo califa Omar. No ano 656, iniciou-se uma disputa entre Muawiya e Ali (genro de Maomé) pela chefia da religião islâmica e que termina com o assassinato de Ali , em 661. Como resultado deste assassinato surgem duas correntes religiosas, os sunitas e os xiitas cuja rivalidade ainda hoje se mantém. Duzentos anos após Maomé, o Islão já se tinha difundido por todo o Médio Oriente, norte de África e Península Ibérica.. Deixando o capítulo histórico, vejamos um pouco da sua religião . O Islão é visto pelos seus seguidores como um modo de vida ( diin) pois inclui instruções que regulam toda a actividade do crente, não havendo uma distinção entre o temporal e o espiritual. A mensagem do Islão assenta em cinco pilares : Recitação do Credo (Shahada) ; cinco orações diárias( Salah ); Esmola obrigatória (zakah); Jejum durante o Ramadão ;fazer, pelos menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca ,se houver disponibilidade financeira. O Islão ensina seis crenças principais: 1º- Crença em Alá , único Deus. 2º- Crença nos Anjos, seres criados por Alá. 3º - Crença nos Livros Sagrados ( A Tora entregue por Deus a Moisés,os Salmos a David, o Evangelho a Jesus Cristo e o Corão , o último e completo livro sagrado , a Maomé)4º- Crença nos profetas enviados por Deus, incluindo neles Jesus Cristo, sendo Maomé o sêlo dos profetas, por ser o último . 5º-Crença no dia do Juizo Final, no qual as acções de cada um serão julgadas. 6º- Crença na predestinação ou em que tudo o que acontece é por vontade de Alá. Todos os capítulos do livro corânico começam com a seguinte frase: Em nome de Deus (Alá) ,o beneficiente, o misericordioso ...
Os três lugares mais sagrados para o Islão são : a Caaba (o cubo) um edifício situado dentro da mesquita principal de Meca e que contém num canto a pedra negra. (ver foto ao lado )O segundo lugar é Medina onde se encontra o túmulo de Maomé.O terceiro é Jerusalém por estar associado aos profetas anteriores a Maomé e também por crerem que foi nesta cidade que o Profeta ascendeu aos céus (Mi'raj) onde dialogou com Deus e com os outros Profetas . O Islamismo confere um estatuto de protecção aos judeus e cristãos já que estes acreditam num Deus único e possuem um livro sagrado. Não consideram Jesus Cristo como filho de Deus, apenas como penúltimo profeta e Maria, sua Mãe, como a mulher mais virtuosa só comparada a Fátima ,a filha de Maomé. Os templos são designados de mesquitas (masjid) e o oficiante das orações de imâ. Os crentes são chamados para as cinco orações diárias pelo muezim, cuja voz se faz ouvir do ponto mais alto da mesquita
, normalmente dos miranetes, as altas e delgadas torres que, diga-se a verdade, nem sempre existem em todas as mesquitas.(ver fotografia) No salão de orações não há cadeiras nem bancos, apenas tapetes onde os crentes fazem as suas orações. Homens e mulheres ocupam lugares distintos no salão, com estas a orar em lugares protegidos por cortinas para não serem vistas pelos crentes. Dentro do salão de orações existe um nicho orientado para Meca designado de mirhab que simboliza a caaba e para onde os crentes se viram ao orar. (ver figura seguinte )6.9.08
C I B E R G U E R R A

1.9.08
A ROTA DA SEDA
Quem diria que a larva de um simples insecto, cuja espécie é classificada cientificamente de Bombyx mon, fosse originar uma tão grande revolução comercial entre o oriente e o ocidente, isto há 4.000 anos. As larvas ,oriundas das centenas de ovos postos pelo insecto, alimentando-se constantemente de folhas de amoreira , têm um período de vida de 40 dias findo os quais constroem casulos onde se encerram para se transformarem em novos insectos. É destes casulos, construídos durante três dias e três noites que se retira a seda. Cada casulo é formado por um único fio de material proteico fabricado pelas glândulas salivares da larva (bicho da seda). Este fio de baba , com cerca de 1200 metros, solidifica instantaneamente em contacto com o ar, podendo ser retirado se colocarmos o casulo intacto em água a ferver. Hoje, como no passado, um tecido de seda natural é um luxo pese embora o produto já não ser exclusivo da longínqua e interdita China, como acontecia na dinastia HAN. Segundo registos da época ,a seda além de macia e bonita tinha poderes mágicos contra a chuva e trovoadas. Para chegar á Europa, fazia um longo percurso terrestre, de cerca de 6.000 kms, entre Chang' an (capital do país na dinastia Tang) e Constantinopla no Maditerrânio. Este trajecto, longo e difícil, atravessava montanhas, desertos, oásis, ás vezes a altitudes superiores aos 2.500 metros, era feito em caravanas de camelos e foi designado de Rota da Seda, embora outros produtos como pérolas e pedras preciosas fossem também comercializadas. A viagem durava cerca de um ano e estava sujeita aos ataques de salteadores.
Havia a possibilidade de transporte marítimo desde Cantão até ao mar Mediterrânio, passando pelo sul da Índia e da Península Arábica, mas embora mais rápida e com maior volume de carga, estava contudo sujeita a tempestades, naufrágios e pirataria. O caminho terrestre não era um único havendo, em algumas zonas, alternativas para evitar assaltos ou situações climáticas adversas. A seda que já conhecida na China 2000 anos antes de Cristo, começou a ser usada na Europa só nos últimos dois séculos ,antes da nossa era. O segrêdo do seu fabrico manteve-se muito bem guardado até ao século VI; parece que, por esta altura, alguém terá trazido, ás escondidas ,alguns bichos da seda para a Europa e aqui reproduziram-se tanto que acabaram com o monopólio da China. A rota da seda, importante sobre o ponto de vista comercial, influenciou também a maneira de pensar e a cultura dos povos por onde passou, muito especialmente no aspecto religioso, pois com os comerciantes viajavam monges ,soldados e aventureiros. Desta forma expandiu-se o Budismo e o Islãmismo até terras orientais da China. Quando os países da Europa já tinham a sua própria produção de seda, o comércio com a Ásia virou-se para as especiarias e daí uma luta pelo controlo das rotas marítimas, terminando o interesse pela rota terrestre. Importante para o crescimento da rota marítima foi o feito dos portugueses ao descobrir o caminho marítimo para a Índia através do cabo da Boa Esperança , o que evitava os ataques de piratas . A paixão pela legendária Rota da Seda mantem-se ainda hoje com exploradores, geógrafos e aventureiros a percorre-la , agora em caravanas de camiões com telefone de satélite, GPS, e outras comodidades modernas.
Existem muitas lendas em torno do fabrico da seda: uma delas diz-nos que foi descoberta ,por acaso, por uma raínha chinesa que, quando tomava chá sob uma amoreira, um casulo de bicho da seda terá caído na sua chávena de chá a ferver e , desta forma, soltou o fio de seda. O processo para desmanchar o casulo ainda continua hoje a ser o mesmo,isto é, mergulhá-los em água a ferver. Na China a deusa da seda é a imperatriz Hsi Ling Shi que teria inventado o tear. A figura ao lado é uma antiga pintura chinesa em um biombo, onde se observa um recipiente cheio de casulos em água a ferver e um tambor para enrolar o fio de seda que se vai soltando dos casulos.22.8.08
OS CELTAS NOSSOS ANTEPASSADOS
Não se pode falar de uma raça, nem sequer de um povo, talvez de várias tribos aparentadas com usos comuns. Oriundos do norte da Europa, passaram os Pirineus em direcção á Península Ibérica por volta do ano 900 A.C., fixando-se no norte da Ibéria . Se durante 200 anos Celtas e Iberos praticamente se ignoraram, a partir do ano 700 A.C , começaram a misturar-se dando origem aos Celtiberos . Eram agricultores e pastores, mas também possuiam armas metálicas como lanças, espadas, machados, escudos ,capacetes e couraças. Eram politeístas adorando os seres da natureza, principalmente as árvores, daí que muitos dos nossos apelidos sejam Pereira, Nogueira,Pinheiro, Oliveira,Castanheira, etc. O chefe religioso era o druída, mistura de mago e curandeiro, conhecedor das estrelas e da natureza. Altos e fortes eram cultos, pois gostavam do canto dos poetas e faziam artesanato artístico. Homens e mulheres prendiam os longos cabelos penteados com alfinetes de ouro, prata ou bronze, consoante as posses. Da sua passagem deixaram numerosos vestígios, como os que encontramos no nosso país nas regiões de xisto e granito. São restos de construções, normalmente circulares que muitos associam a " povoados fortificados ", embora a maioria fossem simples locais de habitação , característicos da Idade do Ferro e denominados de castros. Os castros, tomam a designação de citânias quando de maiores dimensões e habitados permanentemente, como é o caso da citânia de Briteiros. Invariavelmente localizados no cimo dos montes permitiam um controlo táctico dos campos agrícolas em redor. Nestes montes havia sempre fontes,poços ou cursos de água o que lhes permitia resistir em caso de cerco. Um castro típico possui duas a três muralhas de defesa e dentro as casas de três a cinco metros, na maioria circulares, feitas de pedra solta e terra, com telhado cónico de colmo suspenso por um pilar central de madeira.
A distribição das casas dentro do castro é alinhada, revelando já uma organização. Alguns historiadores afirmam que alguns castros são da idade do bronze e do Neolítico, anteriores aos Celtas terem vindo para a península Ibérica. Os Romanos destruiram muitos castros,devido á feroz resistência dos povos castrejos á sua ocupação, embora outros fossem aproveitados e aumentados como cidades romanas. A zona castreja encontra-se, para além da Galiza espanhola, na região entre os rios Douro e Minho, nos concelhos de Caminha, Cerveira, Valença, Coura, Viana do Castelo,Ponte de Lima e Esposende. As citânias mais conhecidas são as de Sanfins, Briteiros, Bagunte, Alvarelho e ainda a cividade de Terroso.

Dissemos atrás que muitos dos castros celtas foram aproveitados pelos romanos que os modificaram. É o caso da citânia de Briteiros descoberta ,em 1875, pelo arqueólogo Martins Sarmento.É um povoado da Idade do Ferro, situado no monte de S. Romão, freguesia de Briteiros, concelho de Guimarães. Possui três muralhas de dois metros de largura e cinco metros de altura; as casas são circulares e de origem céltica pela sua disposição e desenhos decorativos. A influência da romanização neste povoado é evidenciada pelas inscrições latinas, moedas, cerâmica, vidros ,etc. Como testemunho da antiguidade da citânia de Briteiros estão os achados de instrumentos de pedra neolíticos ou de bronze. Por outro lado, as mamoas e as gravuras rupestres , nas proximidades , mostram a existência de uma cultura anterior á romana. A citânia deve ter sido abandonada no séc III D.C. Das mamoas falaremos mais adiante pois ainda há que dizer dos castros e para isso vamos aproveitar o que já foi estudado sobre a cividade de Terroso . Erigida no monte da Cividade (Póvoa de Varzim) fica a 5 kms da costa o que possibilitava o comércio com o Mediterrâneo. Terá sido construída entre os anos 900 e 800 AC, como consequência de deslocação de populações da planície litoral . A cividade foi erguida a 152 metros de altitude o que permitia uma excelente posição de vigilância sobre a região. As três cinturas de muralhas eram compostas de grandes blocos de pedra sem argamassa e a altura dependia do relêvo. Nas zonas de fácil acesso as muralhas eram altas e largas enquanto nas zonas de declive eram mais simples.
As habitações estavam agrupadas em núcleos com algumas casas possuindo um átrio. Os núcleos familiares eram compostos por quatro a cinco divisões circulares que abriam para um pátio central.Os núcleos eram separados por arruamentos estreitos que dividiam o povoado em quatro partes sendo, cada uma delas, composta por 4 a 5 núcleos familiares. A população cultivava trigo , cevada e fava e pastoreava vacas, ovelhas, porcos e cavalos. Estando perto do mar alimentavam-se também de lapas , mexilhões e ouriços do mar.. Cremavam os mortos depositando as cinzas em pequenas fossas circulares, dentro e fora do povoado. Vejamos agora as mamoas,também elas ligadas ao rito funerário. O nome deriva dos romanos que deram o nome de mammulas ás pequenas elevações de terreno parecidas com os seios de uma mulher. As mamoas ou tumuli eram edificações artificiais de pedra e areia com a finalidade de proteger o dólmen, cobrindo completamente a câmara mortuária e o corredor, quando este existia. A mamoa, ao esconder e proteger a sepultura dava-lhe, ao mesmo tempo, uma certa monumentalidade.Também é possível que tivesse servido de rampa para o transporte da pedra que servia de tampa da câmara mortuária. Em Portugal as mamoas estão normalmente dispostas em grupo, ocupando zonas planas que não serviam para a agricultura, ou á beira de caminhos. Estas sepulturas megalíticas monumentais deviam ser de antepassados importantes ou de suas relíquias ,pois os mortos comuns não eram assim enterrados. Estes monumentos funerários devem ter tido um significado simbólico importante que desconhecemos. Encontramos dólmens desde o fim do quinto milénio antes de Cristo até ao fim do terceiro milénio AC..Estes monumentos pré-históricos são também conhecidos por antas, arcas ou orcas.
A anta ou dólmen escondido debaixo de uma colina artificial (mamoa) era como um útero abrigado do olhar, onde se colocavam relíquias no interior da terra. Podemos imaginar que para os Celtas essa deposição de relíquias funerárias seria como que o regresso de um humano ao útero do ventre materno da Terra Mãe. Julga-se que a origem mais remota dos Celtas esteja em povos de origem Indo-Europeia, já que a língua usada tem muitas semelhanças com duas daquela zona.Terminamos este apontamento sobre os celtas mostrando moedas por eles utilizadas e o vestuário branco de um druída. Para os mais pequenos talvez uma leitura do Asterix e do Obelix podesse ilustrar a vida destes povos cujo sangue nos corre nas veias, mesmo que em pequena percentagem.



