30.9.08

HINDUÍSMO

Aquilo que os ocidentais consideram hinduísmo é ,para os hindus, a sanatano dharma, isto é, a verdade eterna, a lei universal que não conhece princípio nem fim, facto que leva a ser simbolizada por uma roda,o dharmachakra. (ver figura ao lado ). Esta doutrina é uma compilação mitológica e religiosa feita ao longo de cinco mil anos. Na fé dos hindus existem inúmeros cultos e tradições de adoração Deus . O hinduísmo é uma doutrina libertadora que ensina a possibilidade de se desligar deste mundo material e ilusório por meio do ascesticismo, dos livros sagrados, do ioga e da meditação. Para um hindu um verme,uma ave,um elefante, uma pedra, uma árvore ou o homem são coisas sagradas pois o absoluto está em todas elas, já que foram criação de Deus. O hinduísmo não pode ser definido como uma religião pois não tem fundador, hierarquia, liturgia ou dogmas e no entanto é praticada por 35% da população da Índia. Embora possua um vasto número de divindades tem uma trindade principal composta por Brahama (criação) Vishnu (preservação) e Shiva (destruição) (ver fotos a seguir) Apesar desta trindade ,o hinduísmo não é politeísta pois considera que tudo vem do Brahama. Os livros sagrados são os Vedas (conhecimento divino) que apresentam hinos, escritos em sânscrito arcaico que teriam sido revelados por Brahama . Os Vedas são comentados, explicados e complementados por outras obras tais como : Brâma , Upanixada, Mahabharata e Ramayana. Quanto ao culto , os actos da vida dos crentes revestem-se de um carácter sagrado. A oração deve fazer-se duas vezes ao dia,ao nascer e põr do sol. Recitam-se textos dos Vedas e oferecem-se flores e fogo á divindade a que se presta homenagem. Existem sacerdotes os brâmanes que consagram a vida aos deuses. Muitos ritos e festas acompanham a vida dos hindus, desde o nascimento até á morte, passando pelo dom do nome, iniciação religiosa, casamento, etc,daí a dificuldade em conseguir um alinhamento de ideias para explicar o hinduísmo neste curto espaço de que dispomos, pois o culto varia de lugar para lugar ,bem como o ritual usado .



20.9.08

A MEDICINA DO PASSADO (1º parte)

Em Espanha, na gruta de Gargas, em uma das suas paredes, há a impressão de uma mão com as cinco falangetas dos dedos amputadas. Acidente, acto ritual ou medida disciplinar, o que impressiona nesta pintura pré-histórica é a regularidade com que as extremidades dos dedos foram amputadas. A observação de remanescentes fósseis da Idade da Pedra (3000 AC ) evidencia já alguns conhecimentos empíricos das moléstias do aparelho esquelético do homem. A perfuração da caixa craniana (trepanação), observada em crânios, fósseis mostra que o cirurgião-curandeiro a praticava tanto em cadáveres como em pessoas vivas. Muitos dos "pacientes" devem ter morrido devido a infecções provenientes do acto, mas alguns sobreviveram. A razão da trepanação pode ter sido um acto médico para retirar um "demónio" da cabeça da pessoa . Essa pessoa ,pensa-se hoje, sofreria de histeria ou de epilepsia mas,tal como na Idade Média eram espancados á paulada, na piedosa intensão de escorraçar o demónio, naquele passado longínquo abria-se um buraco na cabeça para o tal demónio sair. Quanto á trepanação realizada nos mortos poderia tratar-se de uma tentativa de devolver a vida ao defunto . Qualquer que fosse a finalidade das trepanações pré-históricas, houve perícia na sua execução. Verificam-se trepanações em que a remoção do rectângulo ósseo foi feita após prévia perfuração de pequenos orifícios a que se seguiu o corte. Mais vulgar era o tratamento de membros fracturados em que os ossos eram recolocados na posição original, imobilizados com talas e enfaixamentos semelhantes aos de hoje.. Também as amputações de membros eram feitas como solução radical contra a mordedura de animais venenosos ou de gangrena de uma ferida.Feridas de flechas e de lanças eram tratadas com habilidade, pois se a flecha penetrasse em região delicada, o "cirurgião" limitava-se a retirar a haste, sem tocar na ponta de pedra,isto 10.000 anos antes de Cristo. Se dermos um grande salto no tempo, para 2500 A.C, vemos estelas funerárias egípcias contendo o relatório de como o médico teria diagnosticado a causa de morte do paciente como, por exemplo, um ataque cardíaco. Nesta época a classe médica já estava separada da dos sacerdotes e havia três especialidades : oculistas, dentistas e internistas. Os médicos do Egipto treinavam os seus conhecimentos na observação interna dos animais sacrificados como o fariam, mais tarde, os gregos e os romanos. O costume egípcio de embalsamar os mortos levava também ao conhecimento e estudo da anatomia interna humana o que já não aconteceu na Europa obscurantista do sec V, por culpa da Igreja Católica que condenava o estudo em cadáveres. Nas ruínas da cidade de Kahum, encontraram-se dois fragmentos de papiro em que estão escritas receitas para doenças femininas, 1900 anos antes de Cristo. O papiro de Ebers, documento com 110 colunas, apresenta receitas para numerosas moléstias, preceitos de higiene e um tratado de fisiologia. Já na Babilónia de 4000 anos atrás , ser médico era exercer uma profissão cheia de perigos e imprevistos. O código de Hamurabi, terrível estatuto penal, indicava o que o médico receberia por determinados tratamentos realizados com êxito, mas também as consequências de uma cirurgia falhada , em que a penalização ia desde a multa pecuneária até ao corte da mão . Na Europa do sec XVI dá-se o renascimento da anatomia. É a época em que os estudantes se esgueiram pela calada da noite para recuperar cadáveres de enforcados, ou desenterrarem corpos nos cemitérios para suprir, com esse material , a insuficiência do ensino médico teórico, imposto pelo catolicismo. Dissecam esses corpos em locais secretos ,sem se importar com a podridão e os miasmas. Leonardo da Vinci usou os mesmos estratagemas para estudar a anatomia muscular que depois aplicava nas pinturas e estatuária. Muito se andou desde os tempos primitivos até aos nossos dias em que se usa tecnologia avançada para o diagnóstico e tratamento de doenças e acidentes. Com o avanço da nanotecnologia e outras ciências, talvez um dia o médico seja apenas um robot.
(A figura mostra um vaso babilónico em que está representado o Deus da Cura e que terá servido para fabricar um medicamento ) (Este tema tem continuação em medicina do passado 2ª parte)

11.9.08

O ISLAMISMO

Quando publiquei A rota da seda (1-9-08) afirmei que fora por esta longa via que os mercadores espalharam o Islamismo, da Arábia até á China, influenciando de tal forma as civilizações que hoje é uma das grandes religiões do mundo. Dissertar sobre Islamismo é tarefa para teólogos especializados e no contexto deste blog caber-nos-ia apenas abordar o tema sintéticamente. O fundador desta religião foi o profeta Maomé (Muhammad), nascido em Meca no ano 570 da nossa era. Até aos cinco anos de idade ficou entregue a uma ama . Por morte de sua mãe herda uma escrava, alguns carneiros e cinco camelos ; é recolhido pelo avô e depois pelo tio materno Abû Tâlib . Protegido por Deus dos perigos da juventude, foi pastor de carneiros e depois, aos vinte anos, caravaneiro ao serviço de Khadidja, viúva rica, com quem acaba por casar. Deste casamento nasce Fátima, a sua muito amada filha.. Por esta altura, os povos da Arábia eram politeístas mas Maomé, agora um mercador bem sucedido, foi influenciado pela crença judaico-cristã da existência de um só Deus. No ano 610, tinha Maomé 40 anos, foi sujeito a várias visões do arcanjo Gabriel (Jibreel). Após uma acalmia visionária de dois anos, na noite de 26 para 27 do mês Ramadão, a aparição surge de novo , no monte Hira, e ordena : Prega em nome do teu Senhor . As revelações, repetem-se violentas e acabam por lhe ditar o que viria a ser o livro sagrado dos muçulmanos O Corão ( Al-Quran). Nessas visões recebeu instruções para pregar a oração , a purificação e a fé num Deus único , Alá (Allah). A pregação da nova religião não foi fácil, pois os governadores de Meca sentiam-se ameaçados pelas novas ideias. Esta oposição foi de tal forma violenta que Maomé e os seus seguidores tiveram que fugir para Medina, caminhada realizada no ano 622 e que é conhecida como a Hégira. Em Medina angaria facilmente mais adeptos pois as suas ideias tendiam a construir uma sociedade mais justa, já que a maioria da população era muito pobre. Com o rápido crescimento de apoiantes recaptura Meca, em 630, torna-se seu governador e cria um estado Islâmico, banindo os adoradores de ídolos. Faleceu no ano de 632, aos sessenta e dois anos de idade, mas a religião por ele fundada espalhou-se , em apenas dez anos, pela Palestina, Síria, Pérsia e Egipto em consequência de uma Jihad ,ou guerra santa, levada a cabo pelo califa Omar. No ano 656, iniciou-se uma disputa entre Muawiya e Ali (genro de Maomé) pela chefia da religião islâmica e que termina com o assassinato de Ali , em 661. Como resultado deste assassinato surgem duas correntes religiosas, os sunitas e os xiitas cuja rivalidade ainda hoje se mantém. Duzentos anos após Maomé, o Islão já se tinha difundido por todo o Médio Oriente, norte de África e Península Ibérica.. Deixando o capítulo histórico, vejamos um pouco da sua religião . O Islão é visto pelos seus seguidores como um modo de vida ( diin) pois inclui instruções que regulam toda a actividade do crente, não havendo uma distinção entre o temporal e o espiritual. A mensagem do Islão assenta em cinco pilares : Recitação do Credo (Shahada) ; cinco orações diárias( Salah ); Esmola obrigatória (zakah); Jejum durante o Ramadão ;fazer, pelos menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca ,se houver disponibilidade financeira. O Islão ensina seis crenças principais: - Crença em Alá , único Deus.- Crença nos Anjos, seres criados por Alá. - Crença nos Livros Sagrados ( A Tora entregue por Deus a Moisés,os Salmos a David, o Evangelho a Jesus Cristo e o Corão , o último e completo livro sagrado , a Maomé)- Crença nos profetas enviados por Deus, incluindo neles Jesus Cristo, sendo Maomé o sêlo dos profetas, por ser o último . -Crença no dia do Juizo Final, no qual as acções de cada um serão julgadas.- Crença na predestinação ou em que tudo o que acontece é por vontade de Alá. Todos os capítulos do livro corânico começam com a seguinte frase: Em nome de Deus (Alá) ,o beneficiente, o misericordioso ... Os três lugares mais sagrados para o Islão são : a Caaba (o cubo) um edifício situado dentro da mesquita principal de Meca e que contém num canto a pedra negra. (ver foto ao lado )O segundo lugar é Medina onde se encontra o túmulo de Maomé.O terceiro é Jerusalém por estar associado aos profetas anteriores a Maomé e também por crerem que foi nesta cidade que o Profeta ascendeu aos céus (Mi'raj) onde dialogou com Deus e com os outros Profetas . O Islamismo confere um estatuto de protecção aos judeus e cristãos já que estes acreditam num Deus único e possuem um livro sagrado. Não consideram Jesus Cristo como filho de Deus, apenas como penúltimo profeta e Maria, sua Mãe, como a mulher mais virtuosa só comparada a Fátima ,a filha de Maomé. Os templos são designados de mesquitas (masjid) e o oficiante das orações de imâ. Os crentes são chamados para as cinco orações diárias pelo muezim, cuja voz se faz ouvir do ponto mais alto da mesquita, normalmente dos miranetes, as altas e delgadas torres que, diga-se a verdade, nem sempre existem em todas as mesquitas.(ver fotografia) No salão de orações não há cadeiras nem bancos, apenas tapetes onde os crentes fazem as suas orações. Homens e mulheres ocupam lugares distintos no salão, com estas a orar em lugares protegidos por cortinas para não serem vistas pelos crentes. Dentro do salão de orações existe um nicho orientado para Meca designado de mirhab que simboliza a caaba e para onde os crentes se viram ao orar. (ver figura seguinte )Perto do mirhab está um púlpito a partir do qual se faz o sermão. As mesquitas têm também uma funçao de escola religiosa e de ensino geral. Como a limpeza é sinal de pureza, não se pode orar sem lavar as partes do corpo geralmente expostas á sujidade, poeiras, etc, havendo no pátio das mesquitas locais próprios para tal. Este ritual consiste em lavar três vezes as mãos, a boca, o nariz, a cara e os braços e uma vez com a mão molhada , a cabeça , as orelhas e o pescoço, para finalmente lavar os pés três vezes. Após este ritual de pureza o crente entra descalço no salão de orações e faz a oração sozinho ou em conjunto. (este ritual está muito bem documentado fotográficamente em várias imagens no site http://www.comunidadeislamica.pt/ ) No deserto ou onde não haja água, este ritual pode ser alterado segundo normas bem definidas. As duas correntes islâmicas, sunitas e xiitas,diferem essencialmente no seguinte: Os sunitas consideram como chefes os sucessores directos de Maomé, defendem a sunna ou práticas do Profeta tal como foram relatadas oralmente pelos seus companheiros e foram postas em livros de hadith. Os xiitas consideram chefes os sucessores de Ali, genro de Maomé. Nas mesquitas não há imagens nem qualquer desenho figurativo e as representações,a existirem, são estilizadas.Chegámos assim ao fim desta resenha ,esperando ter mostrado, ainda que muito rápidamente, o que é o Islamismo. O futuro desta religião dependerá das respostas que os países que a praticam derem a duas questões fundamentais: uma, a definição do Islão como força de unidade e a outra a sua adaptação ao mundo novo global em que são lançados os seus filhos.


(As figuras com que terminamos mostram a escada de um púlpito e o tecto da mesquita azul em Marrocos)

6.9.08

C I B E R G U E R R A


Numa época em que um computador é coisa banal, mesmo os que os não possuem estão deles dependentes ; receber o vencimento, a pensão, ir ao médico, fazer análises clínicas, um movimento bancário, pagar a luz ou o telefone, etc,etc e lá estão computadores e bases de dados a funcionar. Tudo muito bonito, rápido e fácil neste nosso mundo tecnológico, mas uma espada de Democles sobre a nossa cabeça. Um ataque puramente informático ,de origem criminosa ou militar, aos servidores computacionais de um país e temos o caos nesse país. É a ciberguerra e ela não é ficção, pois já foi praticada. Em Abril de 2007, a Estónia foi vitima de um agressão ciberterrorista, ao que parece ,em retaliação ao derrube de uma estátua em homenagem aos soldados soviéticos que combateram os exércitos alemães de Hitler. Ficheiros do governo, dos grandes bancos e até as caixas multi-banco sofreram um ataque de pedidos de informação que deixaram a Estónia isolada do resto do mundo. Perante este facto concreto ,os Governos de todo o mundo decidiram criar equipas especializadas em segurança digital. Em Portugal o CERT é a única equipa preparada para combater uma ameaça digital e resulta de um protocolo assinado entre um departamento governamental (UMIC) e a Microsoft. A técnica mais perigosa dos atacantes consiste em provocar o colapso dos servidores, os gigantescos computadores onde estão alojadas as Webs que podemos ver nos nossos monitores. O colapso obtem-se através de uma avalanche de pedidos simultaneos para uma mesma página, vindos de vários pontos do mundo e a que o servidor não dá resposta,bloqueando. Chama-se a isto denegação de serviço (denial of service) . Para dominar os milhares de computadores de cada país , de onde partirão os pedidos simultâneos para a mesma web, será necessário "escravizá-los" ou, como outros dizem, transformá-los em zombies. Um zombie é um computador no qual foi introduzido, sem o utilizador saber, um programa que o permite operar á distância. Calcula-se que haverá 6 milhões de zombies controlados para fins criminosos e cuja actividade é paga a 25dolars (USA) por hora de ataque. Se quizermos evitar que o nosso computador se torne em zombie devemos ter os seguintes cuidados:
1- Evitar navegar em páginas de empresas desconhecidas.
2- A conta de utilizador não deve ter previlégios de administrador.
3-Devemos utilizar antivirus, antispams, firewalls,etc e actualizá-los regularmente.
O perigo circula na Internet e é real, senão vejamos : Em Maio ,deste ano de 2008, lia-se no jornal India Times : ...os chineses estão constantemente a esquadrinhar e mapear as nossas redes oficiais ..... Diz-se também que um bombardeamento feito pela aviação Israelita a um edifício militar Sírio, fora apoiado por um ataque informático contra as defesas de radar daquele país que ,bloqueadas ,não detectaram os aviões. Dois meses depois, no dia em que começou o conflito entre a Rússia e a Geórgia, houve um ataque aos sites governamentais da Geórgia, ao que parece provocado pela rede criminal de hackers " Russian Business Network " com ligações ao mais alto nível. Se uma denegação distribuída de serviço atingisse o nosso país, como iríamos fazer a entrega electrónica do IRS,o levantamento ou pagamento em postos multibancos, transferências etc ? Uma corrida aos bancos a levantar dinheiro vivo para fazer pagamentos ,levaria ao encerramento dos mesmos por falta de liquidez. O maior receio de todas as autoridades internacionais é que os ataques da ciberguerra não se limitem ás grandes empresas ou a determinado país mas ao funcionamento global da Internet, num apagão geral que provocaria o fim da rêde. Isto já foi tentado em 2002 e 2007 tendo como alvo o DNS (sistema de nomes de domínios) ,isto é, o local onde estão os complexos códigos numéricos de cada site. A listagem oficial de todos os domínios activos encontra-se apenas em treze servidores,sendo eles a verdadeira chave da INTERNET. Se fossem atingidos a internet deixaria de existir. O ataque de 2007 foi feito por zombies sobre seis dos treze servidores mundiais de DNS, sendo dois deles afetados grandemente. Foi este ataque que levou a uma aliança de defesa internacional.,como já referimos. A mais recente defesa é a criptografia quântica do DNS. Como se processa o ataque pode ser assim sintetizado: O país A quer atacar o país B. A contracta cibercriminosos (botmasters)para atacar B . Os botmasters dominam os botnets que são redes de milhares de zombies. Quando o botmaster dá a ordem os milhares de zombies lançam pedidos ao site que deve se atacado (governo , empresa, banco,laboratório,etc ) que acaba por colapsar deixando de funcionar. A III guerra mundial vai ser a guerra electrónica de computadores e poucos soldados no campo de batalha, mas com consequências devastadoras.

1.9.08

A ROTA DA SEDA

Quem diria que a larva de um simples insecto, cuja espécie é classificada cientificamente de Bombyx mon, fosse originar uma tão grande revolução comercial entre o oriente e o ocidente, isto há 4.000 anos. As larvas ,oriundas das centenas de ovos postos pelo insecto, alimentando-se constantemente de folhas de amoreira , têm um período de vida de 40 dias findo os quais constroem casulos onde se encerram para se transformarem em novos insectos. É destes casulos, construídos durante três dias e três noites que se retira a seda. Cada casulo é formado por um único fio de material proteico fabricado pelas glândulas salivares da larva (bicho da seda). Este fio de baba , com cerca de 1200 metros, solidifica instantaneamente em contacto com o ar, podendo ser retirado se colocarmos o casulo intacto em água a ferver. Hoje, como no passado, um tecido de seda natural é um luxo pese embora o produto já não ser exclusivo da longínqua e interdita China, como acontecia na dinastia HAN. Segundo registos da época ,a seda além de macia e bonita tinha poderes mágicos contra a chuva e trovoadas. Para chegar á Europa, fazia um longo percurso terrestre, de cerca de 6.000 kms, entre Chang' an (capital do país na dinastia Tang) e Constantinopla no Maditerrânio. Este trajecto, longo e difícil, atravessava montanhas, desertos, oásis, ás vezes a altitudes superiores aos 2.500 metros, era feito em caravanas de camelos e foi designado de Rota da Seda, embora outros produtos como pérolas e pedras preciosas fossem também comercializadas. A viagem durava cerca de um ano e estava sujeita aos ataques de salteadores. Havia a possibilidade de transporte marítimo desde Cantão até ao mar Mediterrânio, passando pelo sul da Índia e da Península Arábica, mas embora mais rápida e com maior volume de carga, estava contudo sujeita a tempestades, naufrágios e pirataria. O caminho terrestre não era um único havendo, em algumas zonas, alternativas para evitar assaltos ou situações climáticas adversas. A seda que já conhecida na China 2000 anos antes de Cristo, começou a ser usada na Europa só nos últimos dois séculos ,antes da nossa era. O segrêdo do seu fabrico manteve-se muito bem guardado até ao século VI; parece que, por esta altura, alguém terá trazido, ás escondidas ,alguns bichos da seda para a Europa e aqui reproduziram-se tanto que acabaram com o monopólio da China. A rota da seda, importante sobre o ponto de vista comercial, influenciou também a maneira de pensar e a cultura dos povos por onde passou, muito especialmente no aspecto religioso, pois com os comerciantes viajavam monges ,soldados e aventureiros. Desta forma expandiu-se o Budismo e o Islãmismo até terras orientais da China. Quando os países da Europa já tinham a sua própria produção de seda, o comércio com a Ásia virou-se para as especiarias e daí uma luta pelo controlo das rotas marítimas, terminando o interesse pela rota terrestre. Importante para o crescimento da rota marítima foi o feito dos portugueses ao descobrir o caminho marítimo para a Índia através do cabo da Boa Esperança , o que evitava os ataques de piratas . A paixão pela legendária Rota da Seda mantem-se ainda hoje com exploradores, geógrafos e aventureiros a percorre-la , agora em caravanas de camiões com telefone de satélite, GPS, e outras comodidades modernas. Existem muitas lendas em torno do fabrico da seda: uma delas diz-nos que foi descoberta ,por acaso, por uma raínha chinesa que, quando tomava chá sob uma amoreira, um casulo de bicho da seda terá caído na sua chávena de chá a ferver e , desta forma, soltou o fio de seda. O processo para desmanchar o casulo ainda continua hoje a ser o mesmo,isto é, mergulhá-los em água a ferver. Na China a deusa da seda é a imperatriz Hsi Ling Shi que teria inventado o tear. A figura ao lado é uma antiga pintura chinesa em um biombo, onde se observa um recipiente cheio de casulos em água a ferver e um tambor para enrolar o fio de seda que se vai soltando dos casulos.

22.8.08

OS CELTAS NOSSOS ANTEPASSADOS



Não se pode falar de uma raça, nem sequer de um povo, talvez de várias tribos aparentadas com usos comuns. Oriundos do norte da Europa, passaram os Pirineus em direcção á Península Ibérica por volta do ano 900 A.C., fixando-se no norte da Ibéria . Se durante 200 anos Celtas e Iberos praticamente se ignoraram, a partir do ano 700 A.C , começaram a misturar-se dando origem aos Celtiberos . Eram agricultores e pastores, mas também possuiam armas metálicas como lanças, espadas, machados, escudos ,capacetes e couraças. Eram politeístas adorando os seres da natureza, principalmente as árvores, daí que muitos dos nossos apelidos sejam Pereira, Nogueira,Pinheiro, Oliveira,Castanheira, etc. O chefe religioso era o druída, mistura de mago e curandeiro, conhecedor das estrelas e da natureza. Altos e fortes eram cultos, pois gostavam do canto dos poetas e faziam artesanato artístico. Homens e mulheres prendiam os longos cabelos penteados com alfinetes de ouro, prata ou bronze, consoante as posses. Da sua passagem deixaram numerosos vestígios, como os que encontramos no nosso país nas regiões de xisto e granito. São restos de construções, normalmente circulares que muitos associam a " povoados fortificados ", embora a maioria fossem simples locais de habitação , característicos da Idade do Ferro e denominados de castros. Os castros, tomam a designação de citânias quando de maiores dimensões e habitados permanentemente, como é o caso da citânia de Briteiros. Invariavelmente localizados no cimo dos montes permitiam um controlo táctico dos campos agrícolas em redor. Nestes montes havia sempre fontes,poços ou cursos de água o que lhes permitia resistir em caso de cerco. Um castro típico possui duas a três muralhas de defesa e dentro as casas de três a cinco metros, na maioria circulares, feitas de pedra solta e terra, com telhado cónico de colmo suspenso por um pilar central de madeira.

A distribição das casas dentro do castro é alinhada, revelando já uma organização. Alguns historiadores afirmam que alguns castros são da idade do bronze e do Neolítico, anteriores aos Celtas terem vindo para a península Ibérica. Os Romanos destruiram muitos castros,devido á feroz resistência dos povos castrejos á sua ocupação, embora outros fossem aproveitados e aumentados como cidades romanas. A zona castreja encontra-se, para além da Galiza espanhola, na região entre os rios Douro e Minho, nos concelhos de Caminha, Cerveira, Valença, Coura, Viana do Castelo,Ponte de Lima e Esposende. As citânias mais conhecidas são as de Sanfins, Briteiros, Bagunte, Alvarelho e ainda a cividade de Terroso.


Dissemos atrás que muitos dos castros celtas foram aproveitados pelos romanos que os modificaram. É o caso da citânia de Briteiros descoberta ,em 1875, pelo arqueólogo Martins Sarmento.É um povoado da Idade do Ferro, situado no monte de S. Romão, freguesia de Briteiros, concelho de Guimarães. Possui três muralhas de dois metros de largura e cinco metros de altura; as casas são circulares e de origem céltica pela sua disposição e desenhos decorativos. A influência da romanização neste povoado é evidenciada pelas inscrições latinas, moedas, cerâmica, vidros ,etc. Como testemunho da antiguidade da citânia de Briteiros estão os achados de instrumentos de pedra neolíticos ou de bronze. Por outro lado, as mamoas e as gravuras rupestres , nas proximidades , mostram a existência de uma cultura anterior á romana. A citânia deve ter sido abandonada no séc III D.C. Das mamoas falaremos mais adiante pois ainda há que dizer dos castros e para isso vamos aproveitar o que já foi estudado sobre a cividade de Terroso . Erigida no monte da Cividade (Póvoa de Varzim) fica a 5 kms da costa o que possibilitava o comércio com o Mediterrâneo. Terá sido construída entre os anos 900 e 800 AC, como consequência de deslocação de populações da planície litoral . A cividade foi erguida a 152 metros de altitude o que permitia uma excelente posição de vigilância sobre a região. As três cinturas de muralhas eram compostas de grandes blocos de pedra sem argamassa e a altura dependia do relêvo. Nas zonas de fácil acesso as muralhas eram altas e largas enquanto nas zonas de declive eram mais simples. As habitações estavam agrupadas em núcleos com algumas casas possuindo um átrio. Os núcleos familiares eram compostos por quatro a cinco divisões circulares que abriam para um pátio central.Os núcleos eram separados por arruamentos estreitos que dividiam o povoado em quatro partes sendo, cada uma delas, composta por 4 a 5 núcleos familiares. A população cultivava trigo , cevada e fava e pastoreava vacas, ovelhas, porcos e cavalos. Estando perto do mar alimentavam-se também de lapas , mexilhões e ouriços do mar.. Cremavam os mortos depositando as cinzas em pequenas fossas circulares, dentro e fora do povoado. Vejamos agora as mamoas,também elas ligadas ao rito funerário. O nome deriva dos romanos que deram o nome de mammulas ás pequenas elevações de terreno parecidas com os seios de uma mulher. As mamoas ou tumuli eram edificações artificiais de pedra e areia com a finalidade de proteger o dólmen, cobrindo completamente a câmara mortuária e o corredor, quando este existia. A mamoa, ao esconder e proteger a sepultura dava-lhe, ao mesmo tempo, uma certa monumentalidade.Também é possível que tivesse servido de rampa para o transporte da pedra que servia de tampa da câmara mortuária. Em Portugal as mamoas estão normalmente dispostas em grupo, ocupando zonas planas que não serviam para a agricultura, ou á beira de caminhos. Estas sepulturas megalíticas monumentais deviam ser de antepassados importantes ou de suas relíquias ,pois os mortos comuns não eram assim enterrados. Estes monumentos funerários devem ter tido um significado simbólico importante que desconhecemos. Encontramos dólmens desde o fim do quinto milénio antes de Cristo até ao fim do terceiro milénio AC..Estes monumentos pré-históricos são também conhecidos por antas, arcas ou orcas. A anta ou dólmen escondido debaixo de uma colina artificial (mamoa) era como um útero abrigado do olhar, onde se colocavam relíquias no interior da terra. Podemos imaginar que para os Celtas essa deposição de relíquias funerárias seria como que o regresso de um humano ao útero do ventre materno da Terra Mãe. Julga-se que a origem mais remota dos Celtas esteja em povos de origem Indo-Europeia, já que a língua usada tem muitas semelhanças com duas daquela zona.Terminamos este apontamento sobre os celtas mostrando moedas por eles utilizadas e o vestuário branco de um druída. Para os mais pequenos talvez uma leitura do Asterix e do Obelix podesse ilustrar a vida destes povos cujo sangue nos corre nas veias, mesmo que em pequena percentagem.


19.8.08

FILOSOFANDO


Há dias ,sentado diante do computador, pensava num novo tema que interessasse aos meus leitores do NOVAS quando me surgiu na cabeça aquela frase de Descartes :" penso, logo existo ". Mas por que surgiu aquela frase no meu consciente e como se formou?- continua a ser um enigma.É que os pensamentos sejam eles geniais, delirantes, tristes ou alegres,jorram constantemente sem sabermos a sua origem. Eu sei que os filósofos empiristas afirmam que os pensamentos nascem das nossas sensações e que outros, já no sec XIX, afirmavam que eles resultavam das sensações que se combinariam com ideias simples,originando ideias abstratas mais complexas que seriam a base dos pensamentos.Neste momento comecei a sorrir ao lembrar-me de Mill quando dizia :" Vejo um cavalo :é uma sensação. Penso no dono do cavalo : é uma ideia. A ideia do proprietário faz-me pensar que o seu cargo é ministro do Estado: é outra ideia. A ideia de ministro faz-me pensar em cargos públicos e eis-me envolvido numa série de ideias políticas.." Assim estou eu enredado numa série de pensamentos sem saber como eles surgem. Como é que eu saio disto ? Eles ensinaram-me que as ideias são fruto de uma mistura aleatória de sensações externas e de processos cognitivos internos. No cérebro as ideias saltitariam de forma inconsciente até que alguns destes elementos de pensamento se combinariam como peças do Lego, para produzir uma nova ideia. Mas em que consiste este jogo do Lego cerebral ? Estou como no princípio : mistério!.Também sei que é o cortex pré-frontal que funciona como chefe de orquestra, pois lá convergem as sensações de visão e da audição e também zonas ligadas á memória .Esta ligação privilegiada assegura as funções cognitiva de alto nível, tais como planificação e criatividade. E eu continuo sem criar nada para os meus leitores. Sabemos que pensamos mas não sabemos como pensamos. Isto é mais um enigma da ciência ou a prova da nossa ignorância. Agora surgiu o Sócrates: Só sei que nada sei ". Isto assim não vai lá. A minha área é a ciência pura dos números , das leis físicas e químicas, dos quantas e de outras coisas que tais, mas como o tema está na memória do computador,vou publicar. A propósito, a memória do computador é como a nossa? Isto dava outro artigo ! Não, não me meto nessa aventura. Até breve com um tema da minha área de saber e continuem a visitar o wwwnovas.blogspot.com

14.8.08

O FUTURO

Um enorme número de investigadores e especialistas de todas as ciências procuram prever o que será o futuro da humanidade, como irá evoluir a ciência e que níveis poderá atingir o conhecimento humano. Já em 1964, Nikolai Kardashev tinha criado uma escala para avaliar a evolução tecnológica de uma civilização, baseada na quantidade de energia que tivesse á sua disposição. Segundo essa escala, o grau I pertenceria á civilização que aproveitasse toda a energia própria do seu planeta, controlasse o clima, cultivasse os oceanos e explorasse o seu sistema solar. As do grau II conseguiriam colonizar outros sistemas solares, usando a energia das estrelas. As de grau III, usariam a energia das galáxias e manipulariam o espaço-tempo a bel-prazer. Nesta escala estaremos hoje no grau 0,7, pois entre os avanços tecnológicos necessários para atingir o grau I, estarão a produção barata da antimatéria, a produção de energia por fusão nuclear, a inteligência artificial e a utilização de nano tecnologia. Alguns dos pressupostos atrás enunciados estão a ser desenvolvidos, embora dando ainda os primeiros passos. Raymond Kurzwell vaticina que, nos próximos 25 anos, os computadores atingirão a capacidade e subtileza do cérebro humano, isto é, teremos a inteligência artificial, que acabará por conduzir à fusão do ser humano com a tecnologia que desenvolveu. As inteligências não biológicas terão capacidade de reinventar outras, avançando tanto que teremos de melhorar a nossa artificialmente para não ficarmos para trás.. Isso seria feito á custa de nano-robõts interagindo directamente com os nosos neurónios. Também a NASA tenta encontrar planetas extra-solares, parecidos com a Terra e que possam ser colonizados . Michio Kaku , físico americano, considera que, teoricamente, não há nada que nos impeça de viajar no tempo. Para tal, será só necessário criar e manter um pequeno buraco negro que agiria como porta entre duas regiões do espaço-tempo. O único óbice será a quantidade quase infinita de energia para o manter, pelo que deverão passar vários milénios antes de a saber obter. Se nos voltarmos para o teletransporte que todos conhecemos da série televisiva Star Trek diremos que, em Junho de 2004, uma equipa de investigadores de Innsbruck anunciou ter conseguido transferir, de forma autónoma, estados quânticos entre átomos fisicamente isolados,o que é ainda imensamente longe de transportar uma simples molécula . Na altura este pequeno avanço foi considerado útil para desenvolver computadores ultra rápidos, enviando e recebendo informação de forma instantânea . Michiro Kaku pensa que as impossibilidades actuais de atingir o grau I poderão estar resolvidas dentro de dois séculos. Até lá fazemos votos de que a Humanidade consiga sobreviver como espécie natural .

6.8.08

STRADIVARIUS

Qualquer pessoa medianamente culta, mesmo sem ser melómana, ao ouvir a palavra Stradivarius associa-a a um violino raro e muito cobiçado. Na realidade os violinos desta marca têm uma sonoridade especial e valem milhares de euros cada. O nome deriva do seu construtor o italiano António Giacomo Stradivari, nascido em Cremona em 1648 e falecido em 1737 que se tornou célebre na arte de fabricar instrumentos de corda como violas, violinos, violoncelos e harpas. O seu êxito surge , entre 1700 e 1722 , quando construiu os seus violinos mais famosos como o Beto em 1705, o Cremonese em 1715, o Messias e o Medici em 1716. Pensa-se que Stradivari terá construído um milhar de violinos dos quais só há registo de 650 . O mais famoso é o Messias que se encontra no museu Ashmoleara em Oxford. A sonoridade dos violinos Stradivarius é tão especial que foram estudados ao pormenor para se tentar descobrir o seu segredo. Sabe-se que as madeiras usadas eram o acer e o abeto, o primeiro para o tampo harmónico e o segundo para o fundo e braço. As madeiras seleccionadas eram as mais antigas e ressequidas, posteriormente tratadas com diversos minerais (boratos e silicatos ) e verniz de Bianca. Também se aceita como certo que a sonoridade dos violinos se deve ao verniz usado que continha pozolana, uma cinza vulcânica antigamente usada como cola entre o verniz e a madeira, tornando o instrumento mais duro. Há quem pense que Stradivari seleccionava madeiras de navios naufragados pois seria mais dura devido ao contacto com a água salgada.Outros afirmam que o frio extremo que se fazia sentir na Europa daquela época terá feito com que as árvores desenvolvessem fibras mais compactas logo madeiras mais duras. A análise feita por TAC aos violinos antigos mostra esse facto. Qualquer que seja o segredo destes famosos violinos o que sabemos é que , em 2006, um Hammer Stradivarius de 1707 foi leiloado por 2,4 milhões de Euros e há meses (Abril de 2008) um outro Stradivarius, do ano 1700 , foi comprado por 1.273.000 dólares americanos .

1.8.08

NANOTECNOLOGIA

Se procurarmos uma definição simples para nanotecnologia teremos que é o processo de montar matéria a partir dos átomos, organizando-os a bel-prazer e de maneira diferente do que acontece naturalmente .A ideia é antiga e foi "sonhada" pelo físico Richard Feynman, em 1959, numa altura em que o átomo era a parte mais pequena da matéria. Hoje em dia o sonho de Feynman está a tornar-se uma realidade e o nanómetro ( 1 milionésimo de milímetro) é uma vulgar unidade de trabalho dos cientistas . Se Freyman apenas dizia que os princípios da Física não eram contra a possibilidade de manipular a matéria, átomo a átomo e que teoricamente era algo que podia ser feito, embora nunca levado a cabo por sermos grandes demais,os cientistas de hoje pensam em criar máquinas que actuem dentro do corpo humano levadas pela corrente sanguínea, ou gravar bibliotecas nacionais inteiras numa superfície de poucos centímetros quadrados e outras coisas fantásticas. Se for conseguido este sistema de engenharia molecular, haverá nova revolução industrial com importantes consequências económicas, sociais, ambientais e militares. Tudo isto começa a ser pensado porque os conceitos da física clássica foram derrubados e a física quântica nos mostra que as partículas sub-atómicas (ver postagem de 12-6-2008 sob o título a partícula de Deus )não se comportam como no mundo molecular.Tentam os cientistas dos nossos dias ligar os átomos de forma a criar novas moléculas,isto é, novos materiais.O processo seria feito através de um montador molecular, uma máquina de tamanho microscópico capaz de organizar átomos e moléculas de acordo com instruções dadas. Um montador molecular poderia actuar de forma isolada ou em conjunto podendo, neste caso, ser capaz de construir objectos macroscópicos. Este fabrico de moléculas novas com propriedades especiais, nomeadamente com funções de sensores ou reparadores, revolucionaria o mundo. Há quem imagine, por exemplo, a possibilidade de desobstrução de vasos sanguíneos por nanorobots feitos á medida, ou o fabrico de telhas que além de isoladoras de água e luz, sejam fotovoltaicas Será que um dia podemos criar nanofábricas ,isto é, um aparelho simples e pequeno, na aparência, cheio de processadores químicos,computadores e robots em que os produtos seriam fabricados directamente a partir dos projectos nele introduzidos? Das nonofábricas resultariam produtos de alta qualidade a um preço irrisório bem como a criação de novas nanofábricas, num fenómeno de autoreprodução que podia ser útil em Biologia ou no fabrico de novas fábricas a ritmo exponencial. Esta capacidade de reprodução é , teoricamente, uma das grandes vantagens de um montador molecular e também um dos seus grandes riscos.Um montador poderia reproduzir-se descontroladamente e ameaçar vidas humanas de forma semelhante ás epidemias. Especialistas advertem que é necessário tomar precauções pois os riscos para a saúde humana não são conhecidos, além de persistirem outros problemas como a dificuldade de trabalhar com os átomos individuais necessários á construção do montador. É também difícil modelar o comportamento de objectos complexos em escala nanométrica que obdecem ás leis quânticas que são diferentes das da física clássica á escala do nosso mundo. Outro dos possíveis problemas será a poluição gerada pelos nanomateriais, já que as nanopartículas , dado o seu ínfimo tamanho, podem entrar nas células animais e vegetais, acumulando-se na cadeia alimentar, num efeito idêntico ao dos metais pesados e ao do DDT. Já foram colocadas várias questões ,tais como : A quem pertencerá a nova tecnologia ? Estará ela acessível a todos ? Terá efeitos negativos sobre os seres vivos ? Quem controla as armas destruidoras dela obtidas? Será que a contrução de máquinas inteligentes capazes de fabricar outras ,destruirão a espécie humana? As perguntas são tão pertinentes que já existe um organismo internacional para dar a conhecer as teorias da gestão responsável da nanotecnologia.

4.7.08

D I A M A N T E S



Os geólogos têm uma visão infernal dos primeiros 500 milhões de anos de idade do nosso planeta e que podemos descrever da maneira seguinte: Uma imensa bola de material em fusão, pontuada por pequenas ilhas de material solidificado e ausência absoluta de água e vida. Este cenário ter-se-ia mantido até que o lento arrefecimento do material magmático permitiu a formação de um supercontinente (Pangeia ) e a água atmosférica condensou, originando um gigantesco e único mar (Pantalassa), o que deve ter ocorrido há 4 biliões de anos . A visão apocalíptica destes primeiros 500 milhões de anos, começou a ser questionada com a surpreendente descoberta de Martina Menneken ao revelar diamantes cuja idade está avaliada em 4,25 biliões de anos, isto é, muito mais antigos que a data proposta para a formação da Pangeia. Os diamantes mais antigos ,até então conhecidos, datavam de 3,2 biliões de anos,logo posteriores à Pangeia. A descoberta de pedras preciosas, quase tão velhas como o próprio Planeta, permitirá saber melhor como eram as condições ambientais da jovem Terra e modificar os nossos conhecimentos sobre a origem da vida. Os diamantes são minerais formados de carbono, em ambientes de altas temperaturas e altas pressões. Os geólogos propoem quatro hipóteses para a presença de diamantes na Terra: a mais exótica é a de serem formados fora do sistema solar, antes mesmo da Terra se ter agregado e trazidos para ela com a queda de meteoritos.Claro está que o choque de meteoritos com a superfície da Terra pode, só por si, gerar diamantes devido às enormes pressões e temperaturas do embate, desde que haja carbono nesse local. Os diamantes descobertos por Martina Menneken poderiam ter origem na primeira hipótese, não fosse o facto de serem muito pequenos, o que invalida a origem extra terrestre.No nosso planeta há dois processos de génese de diamantes: uns formaram-se em zonas do interior da Terra, a cerca de 150 Kms de profundidade( Manto), onde a pressão é de 40 Kilobar e a temperatura de 1.000º C. e viriam á superfície devido a erupções vulcânicas ; outros terão sido formados em zonas de subducção (mergulho) de placas oceânicas ,onde se encontram as condições idênticas às anteriores. Falemos agora um pouco dos diamantes em geral ; como dissemos são uma forma alotrópica do carbono, que cristaliza no sistema cúbico em forma octaédrica (8 faces) ou hexaoctaédrica (48 faces),sendo frequente essas faces terem superfícies arredondadas, incolores ou coloridas. Sendo carbono puro, o diamante arde quando sujeito a uma chama, embora infusível. É o mineral mais duro actualmente conhecido, embora frágil ao choque, o que fez com que eles não fossem talhados durante muitos anos.Possuem um brilho adamantino devido ao elevado índice de refracção da luz. Não são só os diamantes incolores que se chamam pedras preciosas pois ,hoje em dia, já são usados diamamntes de cor, sendo os de cor natural muito valiosos O valor de um diamante reside na ausência total de impurezas e de cor. As variedaddes negras e microcristalinas, não tendo valor comercial, são utilizadas na indústria como abrasivos e em cabeças de brocas perfuradoras para materiais muito duros. Os diamantes azulados ou rosados são raros e, por isso, muito valiosos. Actualmente é possível fazer diamantes sintéticos mas dadas as suas reduzidas dimensões só têm aplicação industrial.

DIAMANTE HOPE .Este diamante pesa 45,52 quilates e tem o tamanho de uma noz.Não sendo o maior do mundo, nem o mais refinado é, no entanto, conhecido pela intensa cor azul que irradia, encontrando-se exposto no Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsoniano em Washington.É originário da mina de Kollur no sub-continente Indiano e teria 112 quilates lapidado em forma de coração . O seu primeiro proprietário foi o francês Jean-Baptiste Tavernier que, segundo os periódicos do inicio do séc.XX, o teria retirado da testa de um ídolo indú, cometendo assim um sacrilégio. Por tal motivo, a maldição do deus indú recaíria sobre ele e sobre os futuros proprietários da joia . Parece que a maldição se cumpriu, pois o próprio Tavernier, bem como outros donos como Luis XVI e Maria Antonieta se viram afectados pela desgraça. Deixando de lado o folclore da maldição, diremos que o Hope foi várias vezes talhado e polido o que diminuiu o seu tamanho original, mas ganhando muito mais brilho. Em 1668, Tavernier vendeu o diamante ao Rei Luis XIV de França que o mandou talhar de forma diferente passando a ter 67 quilates . O filho, Luis XV, mandou readaptar a joia que depois passou para as mãos de Luis XVI. Este, por sua vez, ofereceu-o a Maria Antonieta no dia do seu casamento . Durante a Revolução Francesa, de 1792, o diamante foi roubado com as outras joias do Tesouro Real . Embora em 1809, já com Napoleão no poder, grande parte destas joias tivessem sido recuperadas, faltava o Diamante Azul da Coroa. Supostamente apareceu vinte anos mais tarde, nas mãos do joalheiro londrino Daniel Eliason e segundo o gemólogo francês Charles Barbot, o Diamante Azul de Eliason era o que pertencera a Luis XIV, embora cortado para reduzir o tamanho. Daniel Eliason terá vendido o diamante ao Rei Jorge IV do Reino Unido e , em 1824, foi adquirido por Henry Hope, passando a ser conhecido por Diamante Hope. A cor azul do diamante é causada pela presença de átomos de Boro na sua estrutura cristalina . Outro famoso diamante é o Koh-i-nor e a primeira vez que se falou nele foi em 1304 como pertença do Rajá de Malwa e nessa altura tinha 108,93 quilates. Em 1850 foi oferecido á rainha Victória de Inglaterra para recordar os 250 anos da Companhia das Indias. A rainha mandou que o relapidassem. Em 1911 uma nova coroa para a raínha Mary foi feita com ele e com outros obtidos pelo corte do inicial. O pedaço maior foi, em 1937, colocado na coroa de Isabel II.

2.7.08

RECICLAR

Há pouco tempo, sob o título "A Terra esgotada e a morrer ", referimos a necessidade de reciclar ao máximo todos os desperdícios e, sobretudo, os electrodomésticos e equipamentos electrónicos que devem ser tratados por empresas especializadas, em virtude dos materiais perigosos que contêm. No nosso país, desde o ano 2006,quando se compra um aparelho eléctrico ou electrónico , paga-se uma taxa ecológica para financiar a reciclagem desses equipamentos ,quando termina a sua via útil. Compete à ASAE fiscalizar se a lei é cumprida, pois os comerciantes são obrigados a receber os equipamentos velhos, na compra de outros novos, e a encaminhá-los para as empresas de reciclagem. Para se ter uma ideia do que são estas empresas de reciclagem diremos que a Metec, no Japão, destroi 900 frigoríficos por dia, tendo outras secções onde são desmantelados televisores, aparelhos de ar condicionado e computadores. Como a Metec, há dezenas de outras no Japão. Antes dos aparelhos serem destruídos pelas máquinas trituradoras são-lhes retirados os elementos contaminantes do meio ambiente . O colossal número de 40 mil toneladas anuais de lixo electrónico no mundo, deve-se ao facto da vida útil dos equipamentos ser cada vez mais curta, dois a três anos, por ficarem ultrapassados tecnologicamente. Em 2004, os americanos deitaram para o lixo 315 milhões de computadores pessoais, 90% dos quais ainda estavam em perfeitas condições de operacionalidade.Durante muitos anos não houve consciência das populações em saber para onde ia este lixo; se alguma quantidade ia parar ás lixeiras, juntamente com outro tipo de detritos, a maioria dele foi exportado para países do terceiro mundo , como India, Paquistão e países africanos onde é reciclado sem qualquer tecnologia, estando a envenenar pessoas, solos, aquíferos e atmosfera. Para termos uma ideia desta contaminação diremos : o arsénio dos Leds provoca cancro do pulmão ; o bário, dos tubos catódicos dos velhos televisores e computadores, altera-se com o ar e afecta músculos, fígado e coração; o cádmio das baterias, toners e tintas de impressoras está associado a cancer pulmonar. A preocupação é tal que a Comissão Europeia, em 2005, emitiu uma directiva proíbindo o uso de chumbo, mercúrio e cádmio em qualquer equipamento, mas os resultados não devem ser positivos, pois há ainda milhões de aparelhos a funcionar com estas substâncias e que, daqui a alguns anos, estarão nas lixeiras africanas. Uma solução para este problema será usar o equipamento durante mais anos e não ir na moda de o trocar, só porque apareceu um modelo novo. Se têm um televisor a cores há três anos, por que trocar por um" plasma" se os programas visualisados são os mesmos? O "plasma " ao fim de um ano estará também ultrapassado ! E quem fala em televisores fala em telemóveis, onde a moda de trocar caiu no absurdo de o fazer duas vezes por ano .

1.7.08

EINSTEIN ENGANOU-SE ?

Como se aprende na escola, a Teoria Geral da Relatividade defende o carácter relativo do movimento e da massa de um corpo, bem como a interdependência da matéria, do espaço e do tempo . Antes de Einstein dizia-se que um objecto mantinha as suas características quer estivesse em movimento ou em repouso .Dizia-se também que este princípio da física só não era aplicado á luz que seria afectada pelo movimento, embora nunca o tivessem provado experimentalmente . Einstein explicava este falhanço experimental pelo facto da luz ter uma velocidade constante em todo o Universo, aproximadamente 300.000 Kms/segundo. A ideia da física clássica do espaço e do tempo serem absolutos foi destronada, pois o tempo não é o mesmo em todos os locais do universo e a distância entre dois pontos depende da velocidade do local onde se encontra o observador. Foi verificado que quando se põe um relógio atómico em órbita da Terra ele se atrasa em relação aos que estão fixos no nosso planeta. Voltemos ao nosso tema : SERÁ QUE EINSTEIN SE ENGANOU ? A dúvida foi despoletada em 1980, quando a Nasa se apercebeu que a sua sonda Pioneer 10 apresentava "um pequeno" atraso no seu itinerário. Ninguém se atrevia a dar um palpite para esta anomalia ,a não ser que ela se devesse a um efeito gravitacional que Einstein não tinha previsto e, neste caso, havia uma falha na Teoria da Relatividade. A Pioneer 10 tinha sido lançada em 1972 e saído do nosso sistema solar em 1988, como previsto. Em 2007 estaria a 14 biliões de Kms do Sol e teria um atraso de 400.ooo Kms. Quando a Nasa lançou a sonda Pioneer 10 nunca imaginou encontrar uma anomalia e, no entanto, qualquer coisa trava a sua progressão pelo espaço. Se o atraso da sonda não for devido a avaria ou êrro de observação, ele será provocado pelo binómio espaço-tempo e teremos uma falha na teoria da relatividade, como já referimos. Os cientistas já colocaram várias hipóteses : 1- Mau posionamento das antenas terrestres devido á deriva dos continentes ou a um defeito no mecanismo de pontaria do feixe hertziano. 2- O vento solar a retardar as ondas de rádio que fazem a telemetria com a Terra. 3- A cintura de Kniper, entre Neptuno e Plutão, ser mais densa que o esperado e ter provocado esse atraso. 4- A poeira interplanetária travou mais que o previsto. 5- A influência das estrêlas da nossa Galáxia não foi tomada na devida conta . 6- Um buraco negro,não detectado até hoje, ocasionou o problema. 7- A expansão do Universo modificou a posição relativa da sonda perante nós. Se nenhuma destas hipóteses se verificar, poderá ser ainda o s o calor dos reactores nucleares a interferir com a antena de comunicações e esta estar a enviar dados não precisos. Se não for nada disto, a anomalia da Pioneer 10, já baptizada de" efeito pioneer", será a primeira autorização para mudar as sacro-santas leis da gravidade. Os cientistas, temendo perder a credibilidade,nada afirmam embora alguns, mais audazes, se lancem á revisão das equações matemáticas da Teoria da Relatividade, baseados no facto que, desde 1933, muitas das previsões teóricas de vários fenómenos como as velocidades de rotação e de espansão das galáxias se revelarem diferentes da práctica. Vários cientistas estão a analisar todas as gravações, em fita magnética e em disquete, dos dados enviados pela Pioneer, na esperança de encontrar uma explicação.

( Imagem da sonda Pioneer 10, lançada para o espaço em 1972)
Esperemos para ver! A única verdade é que o Universo e a sua origem são ainda um mistério para a inteligência humana. Se a mensagem que a Pioneer leva consigo, numa placa de ouro anodisado,, for interpretada por alguma inteligência do Cosmos, talvez ela nos venha dizer se Einstein estava ou não errado .


(Mensagem criada por Carl Sagan que a Pioneer 10 transporta consigo)

21.6.08

D. LUISA DE GUSMÃO

Luisa Francisca de Gusmão,nascida em 1613, na localidade de San Lucar de Barrameda, filha do 8º duque de Medina Sidónia -Espanha- casou ,aos vinte anos, com o Duque de Bragança que viria a ser o nosso rei D. João IV. Na altura, o reino de Portugal estava sob domínio espanhol, e parece que este casamento fazia parte de um plano do conde-duque de Olivares, primeiro-ministro do Rei Filipe IV de Espanha ( Filipe III de Portugal).

Pensava o ministro que, com este casamento, o duque de Bragança ,ao sentir-se ligado á grande casa de Medina-Sidónia, não cedesse aos rogos dos fidalgos portugueses que desejavam a independência e o duque para rei. O plano do primeiro-ministro falhou com a conjura de 1640, pois a nova duquesa de Bragança que também tinha sangue português (pelo lado da sua avó Ana da Silva Mendonça, descendente de D.Afonso Henriques),apoiou a política do marido e te-lo-ia incitado a aceitar a coroa do Reino de Portugal. Desta posição firme da duquesa, surgiu a crença popular de que ela , quando consultada pelo marido sobre a conjura, teria proferido as seguintes frases: antes morrer reinando que servindo ou mais vale uma hora raínha ,do que duquesa toda a vida .Verdade ou não,D. Luisa Francisca , a partir do momento em que o marido foi aclamado Rei, comportou-se sempre como raínha de Portugal, pensando e agindo como uma portuguesa.

( célebre quadro da aclamação de D.João IV em 1640)

Após a aclamação de D.João IV, instalou-se em Lisboa com os filhos vivendo para a sua educação, sendo regente do Reino sempre que o rei se dirigia para a fronteira, em luta com os de Espanha.Em 1656, morria D.João IV e D. Luisa de Gusmão assume de novo a regência, dada a menoridade do filho Afonso VI, então com 13 anos. O filho primogénito D. Teodósio já tinha falecido em 1653. Não foi uma regência fácil, pois para além da guerra com Espanha, os Holandeses atacavam o império português da Ásia e Brasil.Por outro lado, o filho tinha capacidades mentais diminuídas e as conspirações palacianas eram muitas. Sob sua regência, Portugal travou duas batalhas decisivas : a das linhas de Elvas, em 1659, libertando a cidade do cerco espanhol, e a do Ameixial em 1663. Do seu casamento com D.João IV nasceram sete filhos dos quais perdeu quatro: D.Ana, D. Joana:D. Manuel e D. Teodósio. Dos restantes,a D. Afonso VI que, como dissemos ,tinha atraso mental, foi-lhe retirado o título de rei e a mulher ,pelo irmão Pedro que reinou como Pedro II. D. Catarina casou com Carlos II de Inglaterra, casamento que visou uma aliança com aquele país, para combatr espanhois e holandeses Enquanto Afonso VI esteve no trono, o reino foi governado por D .Luis de Vasconcelos e Sousa, 3º conde de Castelo Melhor, que obrigou a regente a abandonar o Paço e a recolher ao covento das Carmelitas Descalças, em Xabregas, tendo aí falecido em1666. Actualmente jaz no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

20.6.08

INTELIGÊNCIA ANIMAL

Durante muitos anos os seres humanos tiveram a ilusão de que eram a única espécie inteligente do planeta , o que se verifica não ser verdade. Será que os animais possuem uma mente ? Serão eles capazes de ter sentimentos e pensamentos ? Alguns dos comportamentos dos animais parecem indicar a existência de uma espécie de mente inferior, dizendo melhor, parecem ter um certo entendimento. É claro que ninguém aceita a ideia de que as formas mais simples de vida, como amibas ou moscas, sejam capazes de pensar, fazer planeamento a longo prazo ou raciocínios abstratos, as bases fundamentais de uma mente, mas ninguém duvida de que as diferentes espécies de macacos tenham atitudes que parecem ser pensamento e cultura. Julgamos oportuno distinguir agora, inteligência de instinto. Inteligência é a capacidade de escolher algo entre outras coisas, a capacidade de discernir, de resolver problemas. Como diz W.Stern : " inteligência é a capacidade de se adaptar a situações novas mediante o consciente emprego de meios ideativos ".Ou na definição de Wiliam James :" inteligência diz respeito á adaptação a novas condições ambientais pela variação da conduta ". O instinto é uma tendência natural, uma força de origem biológica. É um padrão herdado, de reacções a certos tipos de situações por parte de determinadas espécies. Rege as acções de seres vivos, independentemente da sua vontade. Já Renato Sabbatini argumenta que a inteligência não é propriedade única dos seres humanos e que se ela é composta de váriadas funções neurais correlacionadas e cooperantes entre si,e muitas delas estão presentes em outros primatas (gorilas ,orangotangos e chimpanzés), tais como destreza manual, reconhecimento e uso de símbolos complexos, memória a longo prazo, etc. A inteligência humana manifesta-se através da linguagem, para conseguir transmitir informações e conhecimentos, seja essa linguagem,verbal,escrita ou corporal Os animais embora possuam um tipo de linguagem diferente da dos humanos, podem comunicar entre si e connosco, usando uma linguagem oral de latidos, miados,choramingos ,etc , e com uma linguagem corporal de abanar o rabo,rolar no chão,encolher-se, roçar o corpo no nosso, lamber, etc, exprimindo o que sentem, podendo-se assim afirmar que têm inteligência. Uma descoberta recente mostrou que golfinhos chamam uns pelos outros por nomes próprios. e que são capazes de reconhecer o seu reflexo num espelho. Existem vários relatos de golfinhos que enfrentaram tubarões para salvar seres humanos e que os botos( espécie de cetácio) aparecem para ajudar vítimas de naufrágios no rio Amazonas. O neurologista americano John Lilly ensinou a um casal de golfinhos 30 palavras em inglês,combinando verbos, pronomes e substantivos. Uma vez o cientista disse ao macho: "Joe, fundo piscina, disco plástico,trazer caixa boiando." O golfinho desceu, escolheu um de dois discos plásticos e colocou-o na caixa que boiava. Descobriu ainda que possuem uma ética e um sentimento de grupo avançados. Quando um golfinho é ferido. todo grupo retarda a velocidade e alimenta o ferido até este estar sarado. Carl Sagan descobriu que as baleias sabem contar os meses do ano da mesma forma que nós. Em Janeiro, em meio de uma das suas canções, emitem um silvo característico ; em Fevereiro são dois silvos, em Março três e por aí fora até 12 em Dezembro, tornando a um silvo no Janeiro seguinte. O estudo da evolução da inteligência humana forneceu evidências de que parece haver um massa crítica de neurónios por ordem a conseguir consciência, linguagem e cognição e que estas propriedades da mente estararão já presentes, embora de forma mais reduzida, em outras espécies animais. Se os seres humanos sabem que outros humanos têm mentes iguais ás suas, porque podem compartilhar as experiências entre si, através da linguagem oral ,escrita e gestual, não é menos verdade que se consegue ensinar a chimpanzés linguagens artificiais( até com computadores) e que estes são capazes de inventar novas palavras, construir frases abstratas e exprimir os seus sentimentos em linguagem gestual dos surdos-mudos. Sabe-se que ,na natureza , estes animais elaboram roteiros e usam estratégias complicadas para enganar competidores. São capazes de mentir, dissimular, trair e fazer operações mentais indutivas e dedutivas com base em informação externa.Os chimpanzés, tal como os golfinhos, reconhecem a sua imagem num espelho, isto é, são capazes de auto-percepção. Os antropoides fabricam ferramentas para resolver problemas de forma adaptativa, o que evidencia habilidade mental e criatividade. Até mesmo matemática e aritmética parecem não ser mais da exclusividade humana. O reconhecimento da existência ,em animais, do que definimos como pensamento e consciência, tem muitas consequências e a primeira delas é ética, pondo em dúvida a legalidade das experiências médicas nestes animais, o encarceramento compulsivo em circos e jardins zoológicos e assim por diante.
" Os animais selvagens nunca matam por divertimento. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes são divertidas por si." (James Froude)

18.6.08

A TERRA, esgotada e a morrer !

Nos dias de hoje, já não podemos escamotear uma verdade há tanto tempo ocultada; os recursos naturais estão a chegar ao fim e aquilo que uns consomem não pode ser consumido por outros. O petróleo esgota-se, os oceanos esvaziam-se de peixes, os solos empobrecem e o ar e água enchem-se de poluentes. Um sentimento de angústia instalou-se neste início do terceiro milénio, com países muito populosos ( India e China) a disputar, com legítima ambição, os recursos naturais que ainda restam. Deixar a Terra e ir colonizar Marte é ainda uma utopia. À humanidade não resta outra escolha senão viver num mundo esgotado. É verdade que a ciência e a indústria podem dar uma ajuda, mas não são capazes de repor os recursos aos níveis de há um século . È PRECISO AGIR RAPIDAMENTE!
Duplicar a produção agrícola nos terrenos empobrecidos e com falta de água é um problema a resolver até 2050. Não nos podemos esquecer que a população aumenta em 80 milhões de indivíduos, por ano ,e que em 2050 devem existir 9 biliões de seres humanos. Há optimistas a afirmar que, há cinquenta anos, a população tinha crescido para 3 biliões e que a agricultura respondeu favorávelmente a esse crescimento. A FAO desaconselha este optimismo, dados os preços dos fertilizantes necessários e o aumento de resistência aos insecticidas por parte das pragas cerealíferas. Não esqueçamos que, entre 2005 e 2008, o preço do trigo quadruplicou e o de milho e arroz triplicou. Para este problema , alguns especialistas apontam as seguintes soluções : fazer rotatividade de cultivo, reciclando os resíduos sobrantes para criar ecossistemas superprodutivos, recorrendo menos aos adubos químicos ; irrigar menos, mas melhor, recorrendo ao processo gota-a-gota ; apostar em sub-espécies mais produtivas e mais resistentes aos parasitas e poluição, não sendo de excluir espécies geneticamente modificadas para alcançar tais finalidades ; eliminar o lavrar do terreno, colocando mecanicamente as sementes em pequenos orifícios. Se o lavrar da terra tem a vantagem de arejar o terreno e destruir as ervas daninhas, tem como inconvenientes pôr o solo a nú, aumentando a erosão,com o húmus a desaparecer a cada chuvada, bem como a destruição da microfauna que produz o carbono necessário ás plantas; cultivar leguminosas para enriquecer o solo de azoto, reduzindo-se o uso de nitratos químicos .
Deixando a agricultura e passando á indústria onde o problema é mais grave, o lema será produzir com menos. Dado o alto preço da energia e das matérias primas, somado à falta de petróleo (espera-se que em 2030 a produção seja 5 vezes menor que a actual) ,a indústria tem que ser repensada e são apresentadas as seguintes sugestões:1- aplicação de novos materiais,de preferência recicláveis, nos objectos fabricados. 2-Reservar o petróleo para usos nobres como o fabrico de adubos, plásticos, solventes, nylon, resinas e lubrificantes, podendo os transportes usar outras formas de energia com motores híbridos, eléctricos,a ar comprimido, gás natural, hidrogénio ou óleos alimentares já usados.3-Alugar em vez de vender ,como faz a Rank Xerox que, desde 1980, aluga equipamentos e os melhora constantemente, evitando que os compradores os deitem nas lixeiras ,por ultrapassados. 4- Colocar bicicletas gratuítas nos centros urbanos, evitando o uso de carros em percursos relativamente pequenos, experiência já realizada em Aveiro. 5- Partilha do veículo particular em percursos comuns e fomentar o uso de transportes colectivos baratos ,rápidos e frequentes. 6-Reciclar o mais possível .





E o que fazer com o lixo produzido ? Estima-se que, a nível mundial, sejam quatro biliões de toneladas / ano. A solução não é fácil, pois as lixeiras estão a transbordar, a incineração polui, e a reciclegem é parcial, havendo produtos que pela sua perigosidade têm de ser armazenados e selados e sob vigilância constante. Alguns países optaram pela queima dos lixos urbanos embora saibam que as dioxinas que ela liberta passam para os solos e animais ,entrando na cadeia alimentar humana, sendo um potencial risco cancerígeno. A única vantagem de incinerar seria a produção de energia eléctrica, embora com rendimento aleatório, dada a variedade de produtos a queimar. Uma alternativa é a termólise, isto é, não chegar a queimar, aquecendo os detritos entre 350 e 750 º C, na ausência de oxigénio. Este processo permite que a matéria orgânica se decomponha em gases e matéria sólida. Os gases resultantes, metano e hidrogénio, seriam usados para secar os resíduos sólidos e aquecer as paredes do forno . Os produtos sólidos resultantes são estáveis ,tais como vidro, metais, sais e cinzas. Como o carbono se combinaria com o cloro, não se formariam dioxinas. Por sua vez as cinzas seriam transformadas em coque que é um combustível caseiro. Uma tonelada de detritos dariam 240 Kg de coque. Também a prática de compostar os detritos orgânicos ( restos de comida, vegetais, papeis, e lamas das ETAR ), por acção da fermentação, leva á formação de adubos naturais usados na agricultura. De qualquer forma,uma reciclagem levada ao extremo, tem de ser posta em marcha com a colaboração de todos, evitando-se o excesso de lixo. São recicláveis os seguintes produtos : papel, papelão, tecidos, embalagens, garrafas de vidro ,latas de alumínio , fios metálicos, metais, plásticos( PEAD-PEBD- PVC ), parafusos, pregos, pneus, tintas, tinteiros, óleos usados ,restos da construção civil e restos de alimentos. Não são recicláveis ou só o podem ser por algumas empresas :lâmpadas fluorescentes e de baixo consumo, pilhas eléctricas, electrodomésticos, baterias ,espelhos, cristal , papel químico e metalizado, esferovite e plastificados. Como no nosso país não há um local próprio para recolha de lâmpadas fluorescentes e de baixo consumo, podem as mesmas ser colocadas nos " pilhómetros",dado conterem mercúrio. Esta reciclagem, com separação de materiais, deve ser iniciada em casa de cada cidadão, evitando-se um posterior consumo de energia para o fazer industrialmente. Passando agora para o ar e água teremos outro grave problema com o seu lento envenenamento, provocado pela indústria e agricultura em larga escala.O referido problema é agudizado pela destruição sistemática das florestas tropicais em África e na Amazónia, que são o grande repositório do oxigénio da atmosfera. Para se ter uma ideia da contaminação das águas , já se chegou ao extremo de usar águas dos esgotos para se ter água potável .Isto acontece em Singapura ,usando-se um complicado sistema de membranas osmóticas, obtendo-se no final água isenta de sais minerais, microrganismos, metais pesados, etc, mas ao preço de 1 € o metro cúbico , um pouco mais barato que dessalinizar água do mar.Estão a ser produzidos 100.000 metros cúbicos de água, diariamente, mas que equivalem apenas a 15% das necessidades. Em Vanves, arredores de Paris, está a ser aplicado em passeios e ruas, um betão contendo dióxido de titânio, esperando-se que, por acção dos ultra-violetas da luz solar, este fotocatalizador possa tirar do ar 30% do dióxido de azoto. Tudo está a ser tentado, mas a que preço de energia e da saúde do Homem? A TERRA ESTÁ A MORRER....e nós com ela !

17.6.08

PEDRA LETREIRA

Quem seguir pela antiga estrada nacional nº2 Chaves -Faro,hoje estrada nº112, ao Km 290,8, na Portela do Vento, concelho de Gois, encontrará o cruzamento para Castelo Branco. Nesse cruzamento está uma antiga casa de cantoneiros e ,ao lado dela, nasce um caminho carreteiro em direcção ao cabeço da Fonte Fria. Seguindo esse itinerário encontrará um afloramento de xisto pré-Câmbrico onde estão gravadas uma série de figuras geométricas. O processo utilizado para esculpir as figuras do petróglifo, foi o da abrasão,com um instrumento ponteagudo e duro, possivelmente um machado de xisto anfibólico . O que vemos "desenhado" afigura-se a um arco e flecha ,tendo á volta o que se julga ser a representação de pontas de seta e de alabardas, usadas pelos povos da antiguidade, na idade da pedra, possivelmente 2000 anos antes de Cristo. Além destas, outras figuras estão representadas e cuja descrição minuciosa seria fastidiosa para os não especialistas. Diremos apenas que aparece um desenho em xadrez enviesado, semelhante a um fragmento exumado num dólmen da Lomba do Canho, em Arganil, uma região próxima. Parecida com esta só a Pedra Escrita de Ride Vides, Vilariça, Alfândega da Fé, em Tràs-os-Montes. Qualquer que venha a ser a interpretação a dar à Pedra Letreira, não foi por mero acaso que o homem do paleolítico ali deixou um documento da sua vida anímica. Daí que apresentemos apenas umas fotografias ,retiradas de uma pequena brochura intitulada A PEDRA LETREIRA , da autoria de João Castro Nunes, A.Nunes Pereira e A. Melão Barros, edição da Câmara Municipal de Gois ,no ano de 1959.

12.6.08

A PARTÍCULA DE DEUS

A matéria ainda guarda muitos segredos para os cientistas que ,há dezenas anos ,tentam desvendar o mecanismo pelo qual as mais ínfimas partículas dos átomos são dotadas de massa. Embrenhados em sofisticadas equações matemáticas, tentam decifrar o mistério que continua insondável e Peter Higgs propôs, em 1964, uma hipótese que continua por comprovar.... mas estamos a ir rápido de mais.....! Todos sabemos que a matéria é feita de moléculas e que estas são formadas por átomos. Por sua vez, estes são constituídos por uma núvem de electrões que giram, em várias órbitas, em torno de um núcleo composto de protões e neutrões, cuja massa é milhares de vezes superior à dos electrões. Mas há mais... ! Os neutrões e protões são formados pelos quarks . Estes são partículas elementares da matéria que nunca se podem observar de forma isolada , interagindo com as quatro forças fundamentais da matéria . Sem entrar em grandes detalhes, diremos que há vários tipos de quarks como o Top (com uma massa 350.000 vezes a do electrão ) , o Bottom,o Charm ,o Strange,o Up e o Down, todos eles de massa diferente. As quatro forças fundamentais da matéria que interagem com as partículas e alteram a sua identidade, energia ou movimento são: a força nuclear forte. a nuclear fraca ,a electromagnética e a gravitacional. Para além dos quarks ,há outras partículas da matéria chamadas leptões. Ao contrário dos quarks, podem ser detectadas de forma isolada. São leves, vulneráveis à força nuclear fraca e imunes á forte. Como exemplo de leptões temos: o electrão, o muão.o tau, e os neutrinos(electrónico, muónico e tautónico), todos de massas diferentes. Além das partículas de matéria (quarks e leptões) existem partículas de energia, os bosões. São exemplos de bosão: fotão, W+, W-, , gluão e os hipotéticos gravitão e bosão de Higgs. Os bosões são mediadores que permitem a transmissão de cada uma das forças fundamentais do Universo, a que já nos referimos um pouco vagamente. Voltemos então a essas forças: Força nuclear forte---actua sobre os quarks para formar protões, neutrões e outras partículas. É muito intensa e de curto alcance, mantendo os protões e neutrões coesos no núcleo. A sua partícula mediadora é o gluão . Força nuclear fraca---Actua sobre quarks e leptões e o seu efeito mais conhecido é a transformação de um neutrão em um protão, com emissão de um electrão e de um neutrino. Manifesta-se na radioactividade.Os seus mediadores são os bosões W+,W- e Zº.Força electromagnética----Actua sobre partículas electricamente carregadas, sem alterar a sua identidade. Faz com que cargas iguais se repilam e cargas diferentes se atraiam. Tem longo alcance e o seu mediador é o fotão. Força gravitacional----Age sobre partículas com massa.Tem longo alcance e pensa-se que a sua partícula mediadora seja o hipotético gravitão. Posto isto, chega-se a um quebra-cabeças; os físicos ao desenvolverem este novo modelo de átomo com as partículas e mediadores , atrás referidos, exigem que a massa de todas elas seja nula. Se a massa das partículas tem de ser nula, como é que se entende que a matéria, formada por átomos, tenha massa? Uma tentativa de explicação foi dada por Peter Higgs ao afirmar que o espaço deve ser atravessado por uma força que pode influenciar as partículas nele existentes que assim adquiririam massa. Essa força deve ser mediada por um bosão a que já chamaram bosão de Higgs ou partícula de Deus. Esta ideia colide com a nossa intuição, já que sempre consideràmos a massa como propriedade intrínseca da matéria mas, para os físicos de partículas não é assim. Eles explicam o facto da seguinte maneira : imaginemos uma grande sala cheia de adeptos do futebol.( a sala representa o espaço ocupado pelo campo de Higgs)De repente, entra por uma porta o Cristiano Ronaldo (simboliza a partícula). A presença do jogador gera uma perturbação que se propaga à medida que ele se desloca pela sala e atrai adeptos que se juntam á sua volta, dificultando-lhe a deslocação. Voltemos a falar de partículas; a resistência que a partícula sofre no seu movimento de atravessamento do campo de Higgs, confere-lhe massa. Atente-se na célebre fórmula da Teoria Geral da Relatividade de Einstein E=m.c2 em que massa e energia são convertíveis uma na outra, tudo dependendo do quadrado da velocidade C.. Por tudo aquilo que já descrevemos ,os físicos decidiram, no ano 2000 , construir um enorme acelerador de partículas, a mais potente máquinq alguma vez sonhada, para provar a existência do bosão de higgs. Este LHC (large hadron collider) está instalado num tunel com 27 kms de circunferência, construído na Suissa e pertencente ao CERN (centro europeu de pesquisa nuclear). ( A foto acima mostra o tunel do CERN ainda sem o acelerador )Também nos Estados Unidos da América, um outro acelerador gigante, o TEVATRON , procura o bosão de Higgs, embora só tenha 6 kms de circunferência e foi nele que foi descoberta a última partícula conhecida, o quark Top. Mas para que serve esta máquina gigantesca, perguntará o leitor ? A ideia é fazer chocar protões, a altíssimas velocidades, afim de observar as partículas que resultam dessas colisões. Os protões e antiprotões são impulsionadas magneticamente num tubo, em sentidos opostos, no anel do acelerador com os tais 27 kms) .Logo que atinjam a velocidade necessária serão desviados para que entrem em colisão frontal, no seio de um detector. O LHC, com os seus 140 milhões de sensores,registará a passagem de milhares de partículas resultantes das colisões, esperando-se que entre elas esteja o bosão de Higgs.É compreensível ser a violência do choque a fazer a diferença entre o ser ou não observada a partícula de Deus., já que a massa das partículas é directamente expressa em energia (eV ou electrão volt) de acordo com a fórmula E=m.c2 .Ora se o Tevatron dos americanos que tem uma energia máxima de 2 Tev ( teraelectrão volt) ou sejam 2 triliões de electrões volt, se arroja à descoberta do bosão de Higgs o que esperar do LHC europeu que terá sete vezes mais ? Esperemos para ver, embora alguns digam que os cientistas estão loucos e que vão criar buracos negros e antimatéria, destruindo a Terra e talvez algo mais.
(Fotografia aérea do acelerador do CERN com os seus 27 Kms de perímetro)
(vista do acelerador do CERN no interior do tunel)

(A figura mostra um dos vários e gigantescos detectores de partículas.Compare-se o seu tamanho com o de um engenheiro que se encontra no seu interior)

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