21.6.08

D. LUISA DE GUSMÃO

Luisa Francisca de Gusmão,nascida em 1613, na localidade de San Lucar de Barrameda, filha do 8º duque de Medina Sidónia -Espanha- casou ,aos vinte anos, com o Duque de Bragança que viria a ser o nosso rei D. João IV. Na altura, o reino de Portugal estava sob domínio espanhol, e parece que este casamento fazia parte de um plano do conde-duque de Olivares, primeiro-ministro do Rei Filipe IV de Espanha ( Filipe III de Portugal).

Pensava o ministro que, com este casamento, o duque de Bragança ,ao sentir-se ligado á grande casa de Medina-Sidónia, não cedesse aos rogos dos fidalgos portugueses que desejavam a independência e o duque para rei. O plano do primeiro-ministro falhou com a conjura de 1640, pois a nova duquesa de Bragança que também tinha sangue português (pelo lado da sua avó Ana da Silva Mendonça, descendente de D.Afonso Henriques),apoiou a política do marido e te-lo-ia incitado a aceitar a coroa do Reino de Portugal. Desta posição firme da duquesa, surgiu a crença popular de que ela , quando consultada pelo marido sobre a conjura, teria proferido as seguintes frases: antes morrer reinando que servindo ou mais vale uma hora raínha ,do que duquesa toda a vida .Verdade ou não,D. Luisa Francisca , a partir do momento em que o marido foi aclamado Rei, comportou-se sempre como raínha de Portugal, pensando e agindo como uma portuguesa.

( célebre quadro da aclamação de D.João IV em 1640)

Após a aclamação de D.João IV, instalou-se em Lisboa com os filhos vivendo para a sua educação, sendo regente do Reino sempre que o rei se dirigia para a fronteira, em luta com os de Espanha.Em 1656, morria D.João IV e D. Luisa de Gusmão assume de novo a regência, dada a menoridade do filho Afonso VI, então com 13 anos. O filho primogénito D. Teodósio já tinha falecido em 1653. Não foi uma regência fácil, pois para além da guerra com Espanha, os Holandeses atacavam o império português da Ásia e Brasil.Por outro lado, o filho tinha capacidades mentais diminuídas e as conspirações palacianas eram muitas. Sob sua regência, Portugal travou duas batalhas decisivas : a das linhas de Elvas, em 1659, libertando a cidade do cerco espanhol, e a do Ameixial em 1663. Do seu casamento com D.João IV nasceram sete filhos dos quais perdeu quatro: D.Ana, D. Joana:D. Manuel e D. Teodósio. Dos restantes,a D. Afonso VI que, como dissemos ,tinha atraso mental, foi-lhe retirado o título de rei e a mulher ,pelo irmão Pedro que reinou como Pedro II. D. Catarina casou com Carlos II de Inglaterra, casamento que visou uma aliança com aquele país, para combatr espanhois e holandeses Enquanto Afonso VI esteve no trono, o reino foi governado por D .Luis de Vasconcelos e Sousa, 3º conde de Castelo Melhor, que obrigou a regente a abandonar o Paço e a recolher ao covento das Carmelitas Descalças, em Xabregas, tendo aí falecido em1666. Actualmente jaz no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

20.6.08

INTELIGÊNCIA ANIMAL

Durante muitos anos os seres humanos tiveram a ilusão de que eram a única espécie inteligente do planeta , o que se verifica não ser verdade. Será que os animais possuem uma mente ? Serão eles capazes de ter sentimentos e pensamentos ? Alguns dos comportamentos dos animais parecem indicar a existência de uma espécie de mente inferior, dizendo melhor, parecem ter um certo entendimento. É claro que ninguém aceita a ideia de que as formas mais simples de vida, como amibas ou moscas, sejam capazes de pensar, fazer planeamento a longo prazo ou raciocínios abstratos, as bases fundamentais de uma mente, mas ninguém duvida de que as diferentes espécies de macacos tenham atitudes que parecem ser pensamento e cultura. Julgamos oportuno distinguir agora, inteligência de instinto. Inteligência é a capacidade de escolher algo entre outras coisas, a capacidade de discernir, de resolver problemas. Como diz W.Stern : " inteligência é a capacidade de se adaptar a situações novas mediante o consciente emprego de meios ideativos ".Ou na definição de Wiliam James :" inteligência diz respeito á adaptação a novas condições ambientais pela variação da conduta ". O instinto é uma tendência natural, uma força de origem biológica. É um padrão herdado, de reacções a certos tipos de situações por parte de determinadas espécies. Rege as acções de seres vivos, independentemente da sua vontade. Já Renato Sabbatini argumenta que a inteligência não é propriedade única dos seres humanos e que se ela é composta de váriadas funções neurais correlacionadas e cooperantes entre si,e muitas delas estão presentes em outros primatas (gorilas ,orangotangos e chimpanzés), tais como destreza manual, reconhecimento e uso de símbolos complexos, memória a longo prazo, etc. A inteligência humana manifesta-se através da linguagem, para conseguir transmitir informações e conhecimentos, seja essa linguagem,verbal,escrita ou corporal Os animais embora possuam um tipo de linguagem diferente da dos humanos, podem comunicar entre si e connosco, usando uma linguagem oral de latidos, miados,choramingos ,etc , e com uma linguagem corporal de abanar o rabo,rolar no chão,encolher-se, roçar o corpo no nosso, lamber, etc, exprimindo o que sentem, podendo-se assim afirmar que têm inteligência. Uma descoberta recente mostrou que golfinhos chamam uns pelos outros por nomes próprios. e que são capazes de reconhecer o seu reflexo num espelho. Existem vários relatos de golfinhos que enfrentaram tubarões para salvar seres humanos e que os botos( espécie de cetácio) aparecem para ajudar vítimas de naufrágios no rio Amazonas. O neurologista americano John Lilly ensinou a um casal de golfinhos 30 palavras em inglês,combinando verbos, pronomes e substantivos. Uma vez o cientista disse ao macho: "Joe, fundo piscina, disco plástico,trazer caixa boiando." O golfinho desceu, escolheu um de dois discos plásticos e colocou-o na caixa que boiava. Descobriu ainda que possuem uma ética e um sentimento de grupo avançados. Quando um golfinho é ferido. todo grupo retarda a velocidade e alimenta o ferido até este estar sarado. Carl Sagan descobriu que as baleias sabem contar os meses do ano da mesma forma que nós. Em Janeiro, em meio de uma das suas canções, emitem um silvo característico ; em Fevereiro são dois silvos, em Março três e por aí fora até 12 em Dezembro, tornando a um silvo no Janeiro seguinte. O estudo da evolução da inteligência humana forneceu evidências de que parece haver um massa crítica de neurónios por ordem a conseguir consciência, linguagem e cognição e que estas propriedades da mente estararão já presentes, embora de forma mais reduzida, em outras espécies animais. Se os seres humanos sabem que outros humanos têm mentes iguais ás suas, porque podem compartilhar as experiências entre si, através da linguagem oral ,escrita e gestual, não é menos verdade que se consegue ensinar a chimpanzés linguagens artificiais( até com computadores) e que estes são capazes de inventar novas palavras, construir frases abstratas e exprimir os seus sentimentos em linguagem gestual dos surdos-mudos. Sabe-se que ,na natureza , estes animais elaboram roteiros e usam estratégias complicadas para enganar competidores. São capazes de mentir, dissimular, trair e fazer operações mentais indutivas e dedutivas com base em informação externa.Os chimpanzés, tal como os golfinhos, reconhecem a sua imagem num espelho, isto é, são capazes de auto-percepção. Os antropoides fabricam ferramentas para resolver problemas de forma adaptativa, o que evidencia habilidade mental e criatividade. Até mesmo matemática e aritmética parecem não ser mais da exclusividade humana. O reconhecimento da existência ,em animais, do que definimos como pensamento e consciência, tem muitas consequências e a primeira delas é ética, pondo em dúvida a legalidade das experiências médicas nestes animais, o encarceramento compulsivo em circos e jardins zoológicos e assim por diante.
" Os animais selvagens nunca matam por divertimento. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes são divertidas por si." (James Froude)

18.6.08

A TERRA, esgotada e a morrer !

Nos dias de hoje, já não podemos escamotear uma verdade há tanto tempo ocultada; os recursos naturais estão a chegar ao fim e aquilo que uns consomem não pode ser consumido por outros. O petróleo esgota-se, os oceanos esvaziam-se de peixes, os solos empobrecem e o ar e água enchem-se de poluentes. Um sentimento de angústia instalou-se neste início do terceiro milénio, com países muito populosos ( India e China) a disputar, com legítima ambição, os recursos naturais que ainda restam. Deixar a Terra e ir colonizar Marte é ainda uma utopia. À humanidade não resta outra escolha senão viver num mundo esgotado. É verdade que a ciência e a indústria podem dar uma ajuda, mas não são capazes de repor os recursos aos níveis de há um século . È PRECISO AGIR RAPIDAMENTE!
Duplicar a produção agrícola nos terrenos empobrecidos e com falta de água é um problema a resolver até 2050. Não nos podemos esquecer que a população aumenta em 80 milhões de indivíduos, por ano ,e que em 2050 devem existir 9 biliões de seres humanos. Há optimistas a afirmar que, há cinquenta anos, a população tinha crescido para 3 biliões e que a agricultura respondeu favorávelmente a esse crescimento. A FAO desaconselha este optimismo, dados os preços dos fertilizantes necessários e o aumento de resistência aos insecticidas por parte das pragas cerealíferas. Não esqueçamos que, entre 2005 e 2008, o preço do trigo quadruplicou e o de milho e arroz triplicou. Para este problema , alguns especialistas apontam as seguintes soluções : fazer rotatividade de cultivo, reciclando os resíduos sobrantes para criar ecossistemas superprodutivos, recorrendo menos aos adubos químicos ; irrigar menos, mas melhor, recorrendo ao processo gota-a-gota ; apostar em sub-espécies mais produtivas e mais resistentes aos parasitas e poluição, não sendo de excluir espécies geneticamente modificadas para alcançar tais finalidades ; eliminar o lavrar do terreno, colocando mecanicamente as sementes em pequenos orifícios. Se o lavrar da terra tem a vantagem de arejar o terreno e destruir as ervas daninhas, tem como inconvenientes pôr o solo a nú, aumentando a erosão,com o húmus a desaparecer a cada chuvada, bem como a destruição da microfauna que produz o carbono necessário ás plantas; cultivar leguminosas para enriquecer o solo de azoto, reduzindo-se o uso de nitratos químicos .
Deixando a agricultura e passando á indústria onde o problema é mais grave, o lema será produzir com menos. Dado o alto preço da energia e das matérias primas, somado à falta de petróleo (espera-se que em 2030 a produção seja 5 vezes menor que a actual) ,a indústria tem que ser repensada e são apresentadas as seguintes sugestões:1- aplicação de novos materiais,de preferência recicláveis, nos objectos fabricados. 2-Reservar o petróleo para usos nobres como o fabrico de adubos, plásticos, solventes, nylon, resinas e lubrificantes, podendo os transportes usar outras formas de energia com motores híbridos, eléctricos,a ar comprimido, gás natural, hidrogénio ou óleos alimentares já usados.3-Alugar em vez de vender ,como faz a Rank Xerox que, desde 1980, aluga equipamentos e os melhora constantemente, evitando que os compradores os deitem nas lixeiras ,por ultrapassados. 4- Colocar bicicletas gratuítas nos centros urbanos, evitando o uso de carros em percursos relativamente pequenos, experiência já realizada em Aveiro. 5- Partilha do veículo particular em percursos comuns e fomentar o uso de transportes colectivos baratos ,rápidos e frequentes. 6-Reciclar o mais possível .





E o que fazer com o lixo produzido ? Estima-se que, a nível mundial, sejam quatro biliões de toneladas / ano. A solução não é fácil, pois as lixeiras estão a transbordar, a incineração polui, e a reciclegem é parcial, havendo produtos que pela sua perigosidade têm de ser armazenados e selados e sob vigilância constante. Alguns países optaram pela queima dos lixos urbanos embora saibam que as dioxinas que ela liberta passam para os solos e animais ,entrando na cadeia alimentar humana, sendo um potencial risco cancerígeno. A única vantagem de incinerar seria a produção de energia eléctrica, embora com rendimento aleatório, dada a variedade de produtos a queimar. Uma alternativa é a termólise, isto é, não chegar a queimar, aquecendo os detritos entre 350 e 750 º C, na ausência de oxigénio. Este processo permite que a matéria orgânica se decomponha em gases e matéria sólida. Os gases resultantes, metano e hidrogénio, seriam usados para secar os resíduos sólidos e aquecer as paredes do forno . Os produtos sólidos resultantes são estáveis ,tais como vidro, metais, sais e cinzas. Como o carbono se combinaria com o cloro, não se formariam dioxinas. Por sua vez as cinzas seriam transformadas em coque que é um combustível caseiro. Uma tonelada de detritos dariam 240 Kg de coque. Também a prática de compostar os detritos orgânicos ( restos de comida, vegetais, papeis, e lamas das ETAR ), por acção da fermentação, leva á formação de adubos naturais usados na agricultura. De qualquer forma,uma reciclagem levada ao extremo, tem de ser posta em marcha com a colaboração de todos, evitando-se o excesso de lixo. São recicláveis os seguintes produtos : papel, papelão, tecidos, embalagens, garrafas de vidro ,latas de alumínio , fios metálicos, metais, plásticos( PEAD-PEBD- PVC ), parafusos, pregos, pneus, tintas, tinteiros, óleos usados ,restos da construção civil e restos de alimentos. Não são recicláveis ou só o podem ser por algumas empresas :lâmpadas fluorescentes e de baixo consumo, pilhas eléctricas, electrodomésticos, baterias ,espelhos, cristal , papel químico e metalizado, esferovite e plastificados. Como no nosso país não há um local próprio para recolha de lâmpadas fluorescentes e de baixo consumo, podem as mesmas ser colocadas nos " pilhómetros",dado conterem mercúrio. Esta reciclagem, com separação de materiais, deve ser iniciada em casa de cada cidadão, evitando-se um posterior consumo de energia para o fazer industrialmente. Passando agora para o ar e água teremos outro grave problema com o seu lento envenenamento, provocado pela indústria e agricultura em larga escala.O referido problema é agudizado pela destruição sistemática das florestas tropicais em África e na Amazónia, que são o grande repositório do oxigénio da atmosfera. Para se ter uma ideia da contaminação das águas , já se chegou ao extremo de usar águas dos esgotos para se ter água potável .Isto acontece em Singapura ,usando-se um complicado sistema de membranas osmóticas, obtendo-se no final água isenta de sais minerais, microrganismos, metais pesados, etc, mas ao preço de 1 € o metro cúbico , um pouco mais barato que dessalinizar água do mar.Estão a ser produzidos 100.000 metros cúbicos de água, diariamente, mas que equivalem apenas a 15% das necessidades. Em Vanves, arredores de Paris, está a ser aplicado em passeios e ruas, um betão contendo dióxido de titânio, esperando-se que, por acção dos ultra-violetas da luz solar, este fotocatalizador possa tirar do ar 30% do dióxido de azoto. Tudo está a ser tentado, mas a que preço de energia e da saúde do Homem? A TERRA ESTÁ A MORRER....e nós com ela !

17.6.08

PEDRA LETREIRA

Quem seguir pela antiga estrada nacional nº2 Chaves -Faro,hoje estrada nº112, ao Km 290,8, na Portela do Vento, concelho de Gois, encontrará o cruzamento para Castelo Branco. Nesse cruzamento está uma antiga casa de cantoneiros e ,ao lado dela, nasce um caminho carreteiro em direcção ao cabeço da Fonte Fria. Seguindo esse itinerário encontrará um afloramento de xisto pré-Câmbrico onde estão gravadas uma série de figuras geométricas. O processo utilizado para esculpir as figuras do petróglifo, foi o da abrasão,com um instrumento ponteagudo e duro, possivelmente um machado de xisto anfibólico . O que vemos "desenhado" afigura-se a um arco e flecha ,tendo á volta o que se julga ser a representação de pontas de seta e de alabardas, usadas pelos povos da antiguidade, na idade da pedra, possivelmente 2000 anos antes de Cristo. Além destas, outras figuras estão representadas e cuja descrição minuciosa seria fastidiosa para os não especialistas. Diremos apenas que aparece um desenho em xadrez enviesado, semelhante a um fragmento exumado num dólmen da Lomba do Canho, em Arganil, uma região próxima. Parecida com esta só a Pedra Escrita de Ride Vides, Vilariça, Alfândega da Fé, em Tràs-os-Montes. Qualquer que venha a ser a interpretação a dar à Pedra Letreira, não foi por mero acaso que o homem do paleolítico ali deixou um documento da sua vida anímica. Daí que apresentemos apenas umas fotografias ,retiradas de uma pequena brochura intitulada A PEDRA LETREIRA , da autoria de João Castro Nunes, A.Nunes Pereira e A. Melão Barros, edição da Câmara Municipal de Gois ,no ano de 1959.

12.6.08

A PARTÍCULA DE DEUS

A matéria ainda guarda muitos segredos para os cientistas que ,há dezenas anos ,tentam desvendar o mecanismo pelo qual as mais ínfimas partículas dos átomos são dotadas de massa. Embrenhados em sofisticadas equações matemáticas, tentam decifrar o mistério que continua insondável e Peter Higgs propôs, em 1964, uma hipótese que continua por comprovar.... mas estamos a ir rápido de mais.....! Todos sabemos que a matéria é feita de moléculas e que estas são formadas por átomos. Por sua vez, estes são constituídos por uma núvem de electrões que giram, em várias órbitas, em torno de um núcleo composto de protões e neutrões, cuja massa é milhares de vezes superior à dos electrões. Mas há mais... ! Os neutrões e protões são formados pelos quarks . Estes são partículas elementares da matéria que nunca se podem observar de forma isolada , interagindo com as quatro forças fundamentais da matéria . Sem entrar em grandes detalhes, diremos que há vários tipos de quarks como o Top (com uma massa 350.000 vezes a do electrão ) , o Bottom,o Charm ,o Strange,o Up e o Down, todos eles de massa diferente. As quatro forças fundamentais da matéria que interagem com as partículas e alteram a sua identidade, energia ou movimento são: a força nuclear forte. a nuclear fraca ,a electromagnética e a gravitacional. Para além dos quarks ,há outras partículas da matéria chamadas leptões. Ao contrário dos quarks, podem ser detectadas de forma isolada. São leves, vulneráveis à força nuclear fraca e imunes á forte. Como exemplo de leptões temos: o electrão, o muão.o tau, e os neutrinos(electrónico, muónico e tautónico), todos de massas diferentes. Além das partículas de matéria (quarks e leptões) existem partículas de energia, os bosões. São exemplos de bosão: fotão, W+, W-, , gluão e os hipotéticos gravitão e bosão de Higgs. Os bosões são mediadores que permitem a transmissão de cada uma das forças fundamentais do Universo, a que já nos referimos um pouco vagamente. Voltemos então a essas forças: Força nuclear forte---actua sobre os quarks para formar protões, neutrões e outras partículas. É muito intensa e de curto alcance, mantendo os protões e neutrões coesos no núcleo. A sua partícula mediadora é o gluão . Força nuclear fraca---Actua sobre quarks e leptões e o seu efeito mais conhecido é a transformação de um neutrão em um protão, com emissão de um electrão e de um neutrino. Manifesta-se na radioactividade.Os seus mediadores são os bosões W+,W- e Zº.Força electromagnética----Actua sobre partículas electricamente carregadas, sem alterar a sua identidade. Faz com que cargas iguais se repilam e cargas diferentes se atraiam. Tem longo alcance e o seu mediador é o fotão. Força gravitacional----Age sobre partículas com massa.Tem longo alcance e pensa-se que a sua partícula mediadora seja o hipotético gravitão. Posto isto, chega-se a um quebra-cabeças; os físicos ao desenvolverem este novo modelo de átomo com as partículas e mediadores , atrás referidos, exigem que a massa de todas elas seja nula. Se a massa das partículas tem de ser nula, como é que se entende que a matéria, formada por átomos, tenha massa? Uma tentativa de explicação foi dada por Peter Higgs ao afirmar que o espaço deve ser atravessado por uma força que pode influenciar as partículas nele existentes que assim adquiririam massa. Essa força deve ser mediada por um bosão a que já chamaram bosão de Higgs ou partícula de Deus. Esta ideia colide com a nossa intuição, já que sempre consideràmos a massa como propriedade intrínseca da matéria mas, para os físicos de partículas não é assim. Eles explicam o facto da seguinte maneira : imaginemos uma grande sala cheia de adeptos do futebol.( a sala representa o espaço ocupado pelo campo de Higgs)De repente, entra por uma porta o Cristiano Ronaldo (simboliza a partícula). A presença do jogador gera uma perturbação que se propaga à medida que ele se desloca pela sala e atrai adeptos que se juntam á sua volta, dificultando-lhe a deslocação. Voltemos a falar de partículas; a resistência que a partícula sofre no seu movimento de atravessamento do campo de Higgs, confere-lhe massa. Atente-se na célebre fórmula da Teoria Geral da Relatividade de Einstein E=m.c2 em que massa e energia são convertíveis uma na outra, tudo dependendo do quadrado da velocidade C.. Por tudo aquilo que já descrevemos ,os físicos decidiram, no ano 2000 , construir um enorme acelerador de partículas, a mais potente máquinq alguma vez sonhada, para provar a existência do bosão de higgs. Este LHC (large hadron collider) está instalado num tunel com 27 kms de circunferência, construído na Suissa e pertencente ao CERN (centro europeu de pesquisa nuclear). ( A foto acima mostra o tunel do CERN ainda sem o acelerador )Também nos Estados Unidos da América, um outro acelerador gigante, o TEVATRON , procura o bosão de Higgs, embora só tenha 6 kms de circunferência e foi nele que foi descoberta a última partícula conhecida, o quark Top. Mas para que serve esta máquina gigantesca, perguntará o leitor ? A ideia é fazer chocar protões, a altíssimas velocidades, afim de observar as partículas que resultam dessas colisões. Os protões e antiprotões são impulsionadas magneticamente num tubo, em sentidos opostos, no anel do acelerador com os tais 27 kms) .Logo que atinjam a velocidade necessária serão desviados para que entrem em colisão frontal, no seio de um detector. O LHC, com os seus 140 milhões de sensores,registará a passagem de milhares de partículas resultantes das colisões, esperando-se que entre elas esteja o bosão de Higgs.É compreensível ser a violência do choque a fazer a diferença entre o ser ou não observada a partícula de Deus., já que a massa das partículas é directamente expressa em energia (eV ou electrão volt) de acordo com a fórmula E=m.c2 .Ora se o Tevatron dos americanos que tem uma energia máxima de 2 Tev ( teraelectrão volt) ou sejam 2 triliões de electrões volt, se arroja à descoberta do bosão de Higgs o que esperar do LHC europeu que terá sete vezes mais ? Esperemos para ver, embora alguns digam que os cientistas estão loucos e que vão criar buracos negros e antimatéria, destruindo a Terra e talvez algo mais.
(Fotografia aérea do acelerador do CERN com os seus 27 Kms de perímetro)
(vista do acelerador do CERN no interior do tunel)

(A figura mostra um dos vários e gigantescos detectores de partículas.Compare-se o seu tamanho com o de um engenheiro que se encontra no seu interior)

7.6.08

BELEZA e JUVENTUDE

Nos nossos dias proliferam, por tudo quanto é canto, cabeleireiros, ginásios, spas, salões de beleza, perfumarias, cirurgiões plásticos etc, no desejo de retardar os efeitos do inevitavel envelhecimento. Para quem pensar que o fenómeno é recente, diremos que ele já existia no tempo do antigo Egípto,catorze séculos antes de Cristo. Este povo investia muito tempo cuidando do corpo, num desejo de parecer sempre jovem, preocupação que é demonstrada por um papiro médico onde se lê : "Início do livro para transformar um velho em jovem ".Salientamos que o clima, quente e seco, obrigava a actos de higiene desligados do conceito de beleza; como o odor a suor desacreditava socialmente, era rotineiro o uso de essências desodorisantes. É vulgar encontrar pinturas murais em que servas untam o corpo das suas amas com substâncias aromáticas. O corpo de homens e mulheres devia estar depilado, para o que usavam navalhas e pinças de bronze e ainda cremes depilatórios. A barba era um símbolo de decadência e só aparecia como sinal de luto. ( este facto também ocorre em Portugal em algumas zonas rurais ) Para os egípcios , um bom aspecto passava por ter dentes brancos e alinhados e, para isso, usavam uma solução aquosa de bicarbonato e carbonato de sódio, os mesmos produtos que hoje se usam nas pastas dentíficas. Um dos principais atributos da beleza feminina era o cabelo, daí o cuidado com que o tratavam, usando pentes com uma ou duas fiadas de dentes.



A fotografia mostra um pente e uma peruca usados no antigo Egipto. O cabelo era lavado frequentemente ,usando um pó à base de cinza de vegetais e carbonato de sódio mas, as pragas de piolhos e lêndeas favoreceram o uso de perucas, discutindo-se hoje se , por baixo delas, havia cabelos curtos ou cabeças rapadas.No aspecto meramente estético, abusaram da maquilhagem que teve a sua origem em cerimónias de guerra e caça passando, posteriormente, a conceito de beleza. Para os olhos, criaram uma estética particular, ornamentando-os com traços grossos e largos. Ao princípio, delineavam os contornos com um composto à base de galena(sulfureto de chumbo) que lhes conferia a cor negra ; mais tarde usaram um sombreado verde,extraído da malaquite, para voltar definitivamente à cor negra. O curioso é que esta cor negra das pálpebras e canto dos olhos, acabava por ser uma protecção ao reflexo dos raios solares na areia. A composição da tinta usada era ainda um poderoso antiséptico, evitando as conjuntivites. A indústria de perfumaria foi uma das mais prósperas do Egipto, em parte porque os maiores consumidores eram os sacerdotes que usavam esses produtos nas cerimónias religiosas. Para lá do uso litúrgco e funerário, eram disfrutados pela população para desinfectar as habitações tal, como hoje, usamos as velas aromáticas, os sprays e produtos afins. Se pensarmos um pouco, teremos a explicação para a queima de incenso nas igrejas, de açúcar em quartos de doentes, ou de alecrim quando troveja. Como os romanos copiaram os egípcios, não nos devemos admirar da nossa " idade da borbulha" em que eles e elas passam tempos infindos diante do espelho pois, no fundo, deve ser uma reminiscência de hábitos milenares. Ocorre dizer que o conceito de beleza está hoje a ser mais discutido do que nunca ; as revistas juvenis continuam a passar a imagem habitual de beleza, sendo as raparigas as que mais sofrem com as pressões criadas por esse conceito artificial.




Se elas soubessem o trabalho de maquilhagem a que as modelos estão sujeitas e os retoques posteriores das fotografias, não se preocupariam tanto com o espelho e seriam mais felizes pois, como diz Cláudia Pinange, a beleza de uma mulher não está nas roupas que usa ou na maneira como penteia o cabelo; a verdadeira beleza está refletida na sua alma, no amor pelos outros, na paixão que demonstra. Esta beleza não envelhece, cresce com os anos .A terminar e confirmando que existe a idade da borbulha apresento-vos um quadro de Velazquez intitulado a Venus do espelho.

6.6.08

MARÉS NEGRAS

Como se não chegassem as catástrofes naturais, sob a forma de terramotos, tsunamis, incêndios florestais, inundações, secas, etc, o Homem, com a sua imprudência, provoca outras bem mais graves. Neste blog, já nos referimos á poluição dos mares pelos plásticos, em postagem de 25-3-2008; hoje abordaremos o caso da poluição dos mares com hidrocarbonetos (petróleo e afins) dando origem ás tristemente célebres marés negras que afetaram gravemente fauna e flora marinhas e produziram doenças respiratórias nos trabalhadores e voluntários encarregados de as combater. Infelizmente, não são só os acidentes com os navios petroleiros a causar marés negras pois refinarias e plataformas de exploração petrolífera têm a sua quota-parte nestas marés negras.


Em 24 de Março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez, propriedade da empresa americana Mobil, embateu em rochas da baia de Prince, no Alasca, por razões pouco esclarecidas. Devido ao acidente, o barco derramou 40.000 toneladas de crude nesses mares gélidos,com consequências gravosas para os bancos pesqueiros e outra fauna marinha. Êrro humano, negligência grosseira, tripulação não qualificada, levaram a que a Mobil tivesse que pagar multas milionárias. O caso teve uma repercussão insólita em todo o mundo, criando uma grande sensibilidade na opinião pública. Os Estados Unidos aprovaram uma lei que regularia, daí em diante, o transporte marítimo de crude, com consequências negativas para o resto dos países. Esta lei dava um prazo muito curto aos armadores para modificar os navios cisternas, já que só permitia a entrada em portos americanos a navios de duplo casco., além de obrigar a seguros muito mais caros. A Lei, OPA 90,prejudicou imenso as companhias transportadoras do resto do mundo que só podiam operar com os barcos monocasco em rotas diferentes das habituais, mais distantes e ,a maior parte das vezes ,com bandeira de conveniência . Mesmo depois de aprovada a OPA 90, vários foram os acidentes e marés negras que ocorreram por todo o lado. Perto de nós, mais propriamente na Galiza, em 1992, o petroleiro de bandeira Grega ANGEAU SEA, em pleno temporal, iniciou uma arriscada manobra para entrar nos pantanais da Repsol. O barco partiu-se em dois,derramando 70.000 ton. de crude.O último acidente que, por sorte, não atingiu a costa portuguesa, deu-se a 18 de Novembro de 2002, com o petroleiro PRESTIGE. Um temporal abriu um rombo de 40 metros no casco ,por onde ia perdendo o fuel que transportava. O comandante pediu autorização para aportar a La Corunha, pedido que foi negado pelas autoridades espanholas que rebocaram o barco para mar aberto. Depois de várias horas de reboque, o Prestige partiu-se em dois e afundou a 133 milhas do cabo Finisterra. Foram para o mar 77.000 toneladas de fuel. O vento e as correntes marinhas levaram o produto para a zona de Espanha que teve 900 Kms de linha costeira afetada pelo viscoso fuel, mais contaminante que o crude. Bancos de pesca e viveiros de marisco foram totalmente destruídos ; as zonas turísticas impraticáveis e milhares de pesoas intoxicadas. Por sorte, o vento que soprava para norte, impediu que a maré negra chegasse á zona costeira de Portugal.

1.6.08

ENERGIA NUCLEAR

CHERNOBIL o acidente nuclear mais importante da história.
Agora que os preços dos combustíveis fósseis sobem em flecha,volta a falar-se na energia nuclear como solução alternativa para a crise energética ,pelo que será bom não esquecer Chernóbil. As vítimas mortais da energia nuclear não foram só as que resultaram da explosão de duas pequenas bombas atómicas sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki, durante a 2º guerra Mundial, mas também as que resultaram de acidentes com reactores nucleares de uso civil. O mais grave acidente com reactores nucleares ocorreu na Ucrânia, em 26 de Abril de 1986, com uma fuga radioactiva cujo impacto se repercutiu em toda a Europa. O acidente deu-se no reactor nº4 do complexo de Chernóbil, durante um simulacro de falha de corrente eléctrica na central. Para este simulacro baixou-se ao mínimo a potência do reactor e desligaram-se os sistemas automáticos de protecção para que o computador não " percebesse" que devia parar a reacção em cadeia. Com a actividade do reactor reduzida ao mínimo, para evitar que parasse, foram retiradas manualmente as barras de cabeça de grafite que o controlavam. Das 170 disponíveis, deveriam ter ficado 30, por uma questão de segurança mas ,com a pressa em realizar o teste, ficaram apenas oito. Contra o esperado, o reactor sobreaqueceu rápidamente e, quando o pessoal se apercebeu da falha,já era tarde. O núcleo do reactor explodiu, provocou um incêndio e começou a espalhar-se no ar uma fumarada radioactiva. Os bombeiros reagiram rápidamente, mas era uma catástrofe gigantesca; poucos dias depois tinham morrido 31 pessoas, não só devido ao incêndio mas também à forte radiação, 300 vezes maior que a da bomba atómica sobre Hiroxima. Perto de 200.000 tiveram que ser evacuadas da região e, numa área de 4 Kms os pinheiros adquiriram uma estranha luminiscência dourada. Não só o solo ficou contaminado ,como a núvem radioactiva levou partículas letais até zonas distantes na Alemanha e Suécia ,onde aumentou o risco de cancro . O reactor nº4 acabou por ser selado num túmulo de cimento,aço e chumbo mas de entre os bombeiros, operários e voluntários que trataram do assunto , a maioria morreu com cancro da tiroide. Cerca de 500.ooo pessoas estiveram expostas á radioactividade de Chernóbil daí que, anos mais tarde, o número de vítimas mortais devido a cancro tivesse aumentado em mais 10.000. A Greenpeace afirma que até 2021 podem morrer 67.000 pessoas como consequência deste desastre nulear.



Energia nuclear em Portugal? Sim ou não ?


Esqueçamos Chernóbil e pensemos racionalmente: A energia nuclear é a solução para a dependência energética do país? Claro que não! Não é de energia eléctrica que somos dependentes, embora em anos de seca a importemos ou se acabe por queimar carvão ou gás para a obter. O maior consumo energético é o dos transportes ( 34% contra 19% para uso doméstico). Como os transportes usam, na quase totalidade, petróleo e derivados, não é de energia eléctrica que precisamos mais, logo não há necessidade de centrais atómicas. A energia nuclear fica mais barata ao país! Não é verdade! Para além dos custos da construção e manutenção de uma central nuclear, há ainda a ter e conta o seguinte: custo do seu desmantelamento , no final da vida útil ; custo do armazenamento , com alta segurança, dos resíduos radioactivos da laboração, durante milhares de anos. A isto deve somar-se o preço da água de refrigeração dos reactores e a sua qualidade quando devolvida ao meio ambiente .A energia nuclear é uma energia limpa. Êrro enorme pois, como sabemos, ainda não há tecnologia para tratar os residuos nucleares que têm de ser armazenados. Quem já se esqueceu do problema da Espanha que desejava fazer o depósito destes materiais numa gruta de Aldeadavilla, próximo a Miranda do Douro e que só não foi avante por revolta das populações locais. A energia nuclear é segura. Não existem garantias de tal, pois pode acontecer um acidente natural (terramoto) na central, ou um acto terrorista, e teríamos um novo Chernóbil. Não podemos desrespeitar o compromisso de Quioto. Um país com a nossa dimensão, geográfica e industrial, não necessita de energia atómica. Rico em sol, vento, marés,ondas, floresta e seus resíduos, pode e deve investir em energia solar,biodiesel, biomassa e outras formas de energia limpa. A Noruega, um país pequeno ,rico em petróleo, apostou nas energias renováveis.

Por que será que Portugal não faz o mesmo ? Mas há mais ! A TVI, no seu noticiário de 5 de Dezembro de 2007, mostrou um automóvel vulgar, movido a electricidade de baterias que percorria 100 Kms pelo preço de 1,5 Euros e era carregado numa simples tomada de nossas casas. Também em Coimbra circula um autocarro de 15 lugares, fazendo o circuito entre a baixa da cidade e a Universidade, na zona alta, movido a baterias. Além de silencioso não é poluente. Por que será que a indústria automóvel não utilisa e melhora este tipo de motores ? Apenas nos ocorre uma resposta: a indústria automóvel é dominada ,no campo da investigação e inovação, pelos petrodólares.

29.5.08

QUANDO A NATUREZA SE ZANGA

O recente e trágico sismo da China (Maio de 2008) fez-me recordar outro acontecimento de um passado que, embora longínquo, ainda é recordado, como exemplo, nas aulas de Geologia: KRAKATOA. A explosão deste vulcão, na ilha do mesmo nome do arquipélago indonésio, ocorreu a 27 de Agosto de 1883. O imenso ruído da explosão ouvido na Austrália,a 4800 Kms de distância,os tsunamis desencadeados e os vermelhos pôr-do-sol observados em todo o mundo,fizeram com que este caso se mantivesse na memória das pessoas por muito tempo. O célebre quadro "O Grito", do pintor norueguês Edvard Munck, foi inspirado neste acontecimento.


O vulcão que começara apenas com emissão de cinzas vulcânicas e pedra-pomes, pelas 5 horas da manhã do dia 27, mudou a característica da emissão, passando a explosivo. Depois de pequenas explosões ,uma maior aconteceu pelas 10h 02m. Quando tudo terminou, na manhã do dia seguinte, grande parte da ilha havia desaparecido, pois colapsara para a câmara magmática esvaziada, formando-se uma caldeira onde foram parar dois terços da ilha original . A maior parte do magma tinha saído pela cratera, sob a forma de piroclastos, que se depositaram no fundo do mar, formando uma camada de 40 metros. Foram no entanto as ondas gigantes (tsunamis) que provocaram as 36.417 vítimas mortais contabilizadas. Os tsunamis formaram-se em consequência do afundamento da maior parte da ilha ; o mar que se tinha precipitado para o interior do enorme buraco formado, saiu depois disparado em todas as direcções, com enorme violência,formando um comboio de ondas gigantes. Em 1927, uma nova actividade vulcânica deu origem a outra ilha, baptizada com o nome Anak Krakatoa (filho de Krakatoa). Para se ter uma ideia do que é um vulcão e a sua actividade, apresentamos um esquema legendado, que supomos ser entendido por todos.



LEGENDA :1-Bombas vulcânicas-fragmentos de lava que se tornam sólidos no ar. Os maiores podem causar muitos danos se cairem em zonas habitadas. 2- Cinzas- partículas sólidas de tamanho variado, expelidas pelo vulcão. Se acumuladas nos telhados das casas podem provocar o seu derrube. 3- Escoada de lava- corrente de lava que pode deslocar-se vários quilómetros, vertente abaixo. A sua velocidade depende da inclinação do terreno ,podendo subdividir-se. 4-Coluna eruptiva- coluna de gases venenosos,cinzas e piroclastos que saem pela cratera (abertura do vulcão )5-Deslizamento de terra- Podem ter a velocidade de 150 Km/h e sepultar zonas urbanas. 6-Fluxo piroclástico- mistura de rochas e gases de elevada densidade , velocidade e temperatura. É extremamente letal. 7-Lahar- massa fluída formada de lama, rochas e água com aparência á do cimento. São muito perigosos e surgem quando há degelo nas zonas altas do cone vulcânico. 8-Chuva ácida- vapor de água misturado com enxofre que condensa sob a forma de um ácido, destruindo a vegetação .9-Chaminé- canal por onde sobe a lava vinda da câmara magmática- 10- Câmara magmática- local onde se encontra o magma (rocha derretida,com gases ) podendo situar-se muitos quilómetros abaixo da superfície da Terra (Recomenda-se a leitura da postagem de 1-4-08 com o título Sismos)

26.5.08

O V N I

UFO ou OVNI são siglas para objecto voador não identificado e incluem tudo o que seja detectado visualmente ou por radar e cuja natureza não seja conhecida de imediato. O interesse demonstrado pelos OVNI reside apenas na especulação jornalística de que esses avistamentos seriam naves extraterrestres. O formato dos OVNI tem variado muito ao longo dos anos, desde o aspecto de disco até ao de charuto, consoante a opinião do observador ou dos manipuladores das fotografias. Poucas serão as observações OVNI que não tivessem, mais tarde, uma explicação como sendo aviões, satélites, meteoritos ou lixo orbital. Há também quem acredite que parte dos discos voadores avistados serão, na verdade, aeronaves terrestres em forma de disco que desde os anos 40 , têm sido estudadas, construídas e testadas. Esses projectos secretos explicariam a relutância das forças armadas dos USA em falar do assunto. O tema dos discos voadores foi explorado pela literatura e pelo cinema e deu origem a muitos embustes narrativos e fotográficos. Entre os casos mais conhecidos, salientamos o da queda de um objecto estranho em 1947, em Roswel(USA), na sequência da qual, teriam aparecido corpos de ETs junto dos destroços. Este caso só foi encerrado em 1997, cinquenta anos mais tarde, quando a CIA disponibilizou os relatórios oficiais. No entanto, casos como o da Japan Airlines, em 1986 , em que durante o voo 1628 para os Estados Unidos, foram avistadas luzes seguidas do aparecimento de duas possíveis naves espaciais ; ou o caso do Chile, em 2000, quando três helicópteros militares, voando de dia, foram surpreendidos por um grande objecto que subiu vertiginosamente do solo e se colocou á sua frente, carecem de explicação científica. Como dissemos, o tema dos discos voadores foi tão explorado na década de 1950 que o mito ainda hoje se mantém.

A existência de discos voadores não é reconhecida oficialmente pela grande maioria dos governos mas, o grande número de registos visuais faz acreditar serem de origem extraterrestre, dada a grande capacidade de manobra, não conhecida em aparelhos actualmente concebidos pelo ser humano.. Em Portugal existe um grupo de pesquiza de OVNI que tem o site GPPOVNIS.tripod.com No meio de todos os relatos, com ou sem fotografias, há muita mentira, má-fé, ou ignorância. Como não temos a intenção de julgar, limitamo-nos a dar a conhecer algumas notícias : 14-11-2007 Os Estados Unidos interromperam em 1969 o relatório conhecido como LIVRO AZUL, que teve início na Força Aérea em 1952, para investigar os OVNI. O motivo foram as críticas do Congresso ao rigor e a validade das suas investigações. Ontem um grupo de 14 cientistas, bem como pilotos militares e funcionários governamentais de sete países pediu aos EUA que abrissse a investigação oficial sobre os ovni. Os especialistas criticaram a falta de liderança dos EUA no terrreno dos ovnis, assim como, o sigilo governamental sobre o tema. 11-1-2008 Equipas de mergulhadores procuram, desde o dia 5 de Janeiro, um suposto ovni que poderia estar submergido nas águas do rio Bélaya, no nordeste do Cazaquistão Os mergulhadores nada encontraram e tendo medido o nível de radiação da água verificaram não haver anomalias. Pensa-se que se algo caiu foi uma peça de um foguetão espacial russo. 17-3-2008 Imagens gravadas por um jovem transformaram-se no grande medo dos moradores de uma pequena cidade no interior da Argentina. O "gnomo" de General Güenes, província de Salta, teria sido visto ao lado do cemitério da cidade. Ninguém consegue convencer a população de que o vídeo que mostra um pequeno ser caminhando aos saltinhos, não prova a existência de algo sobrenatural. Pensa-se que sendo uma região vinhateira, este caso terá a ver com a pouca sobriedade dos que relatam o caso e o espírito brincalhão de alguém. 25-3-2008 Um Ovni em forma de disco voador, com cerca de um metro de diâmetro, caiu em uma fazenda de Montividiu (GO) ,neste fim de semana. O objecto tem a forma esférica e o Instituto Nacional de Pesquizas Espaciais aconselha a pessoas a não lhe tocar ou estar próximo . 4-5-2008 O objecto não identificado em forma de disco voador que caiu em Góias há um mês foi submetido ás primeiras análises. De acordo com o INPE, tal objecto é um tanque de azoto de alta pressão usado pela NASA em sistemas de propulsão líquida,comum em satélites e foguetes Atlas 5. Os E.U. já pediram a entrega do referido tanque. O mapa que se segue mostra locais de avistamentos de OVNI em Portugal.



Até ao momento presente, não consta que se tenham encontrado restos de seres extraterrestres ou de naves espaciais vindas de outros planetas. O que existe é o medo ancestral do homem por algo que lhe seja superior ; dantes eram os Deuses e hoje, o ateísmo e o agnosticismo criaram os seres vindos das estrêlas. Não sabemos se existem seres vivos noutros planetas e só o pensar em vida inteligente extraterrestre causa-nos problemas existenciais. Para que seres extraterrestres possam existir, é necessário que o planeta de onde possam vir tenha temperatura igual ao nosso; água no estado líquido; atmosfera com oxigénio; alimentos etc. Os planetas mais próximos de nós, Vénus e Marte, não têm essas características, Vénus não tem água e Marte só a tem no estado sólido.. Em ambos falta oxigénio. Vénus tem temperaturasde 480º C e uma enorme pressão atmosférica com núvens formadas de ácido sulfúrico. A temperatura de Marte pode ir desde 0 ºC a -80ºC. Os restantes planetas do nosso sistema solar têm características ainda mais adversas á existência de vida, tal como a conhecemos. Assim é de excluir que os supostos ETs possam vir do nosso sistema solar. Além do mais, existir vida não é o mesmo que existir vida inteligente. É impressionante verificar que, dos milhões de espécies vivas que existem na Terra, só uma é a espécie inteligente ! Excluída a possibilidade de existir vida inteligente no nosso sistema solar, resta procurá-la em planetas que possam girar em torno de outras estrelas. Calcula-se que na nossa galáxia, a Via Láctea, terá cerca de 500.ooo milhões de estrelas, sendo o Sol uma delas. A seguir ao Sol, as estrelas mais próximas de nós são as da constelação Alfa de Centauro, a qual se encontra a 4,3 anos luz de distância. Será de algum dos planetas que, eventualmente, girem em torno delas que vêm os extraterrestres ? É muito difícil verificar a existência de planetas fora do sistema solar, por serem demasiado pequenos em relação ás estrelas e, além disso, não têm luz própria. De qualquer modo, a distância astronómica que existe entre Alfa e a Terra exclui, por si mesma, a possibilidade de contactos directos, mesmo voando á velocidade da luz e nós sabemos que a matéria não pode viajar á velocidade da luz.Também todas as mensagens rádio enviadas em código binário por ondas hertzianas, jamais tiveram resposta. Por outro lado, há que ter em conta os biliões de quilómetros,todas as dificuldades resultantes das atracções dos corpos celestes, as abissais quantidades de energia e alimento que seriam necessárias, a aceleração de arranque, a desaceleração de aterragem,etc,etc. Mesmo viajando a um décimo da velocidade da luz ( 3o.ooo Kms/s ) levariam mais de 40 anos a chegar até nós. Justificam-se todas essas dificuldades, só para nos visitarem sem haver um contacto ou deixarem provas da sua existência ? Se são tantas as dificuldades de deslocação desde um possível planeta girando em torno de uma estrela a 4,3 anos-luz que dizer de outras a distâncias bem maiores ? Essa coisa de universos paralelos e portas do tempo só as vi em filmes e romances de ficção científica ,e também não colhe pensar em seres humanos do futuro com tecnologia para regressar ao passado ( nosso presente) investigar e mudar o rumo da história, pois isso mudava o seu próprio presente e talvez a sua existência e ,se não existisem ,não podiam vir. Este ciclo vicioso leva-nos a pôr de parte tal hipótese. Será melhor esperar que os seus netos ,um dia, possam explicar cientificamente os fenómenos que para nós são ovnis, tal como nós explicámos aos nossos avós que não estão pessoas minúsculas a falar dentro de um rádio nem que a televisão é uma tentação diabólica.

21.5.08

O triunfo da VACÍNIA

Uma das doenças da Europa do séc XVIII era a varíola de origem vírica ; de contágio fácil, afetava muitas pessoas, provocando grande mortandade.Para cúmulo do azar, as pessoas que escapavam à morte ficavam com cicatrizes, principalmente na cara, o que as marcava para toda a vida. Além de desfeiar, na sociedade supersticiosa daquela época, as cicatrizes eram consideradas como um castigo divino para graves pecados. Edward Jenner, médico inglês da última década do sec XVIII,tinha observado o seguinte : os criadores de vacas que haviam sofrido levemente de uma doença destes animais, muito parecida com a varíola, ficavam com uma maior resistência a esta doença. Baseado nesta observação, injectou linfa de vaca doente em indivíduos que queria libertar da varíola. Ao fazer isto, provocou nas pessoas uma reacção de defesa que lhes permitiu superar as consequências de outro contágio de varíola. A "vacinia" (do latim vacca), assim se chamava a doença das vacas, passou então a ser o termo genérico para qualquer produto de laboratório que contenha germes, mortos ou atenuados, da doença a tratar.

No século passado ,criaram-se com êxito vacinas contra a febre amarela , raiva, tétanos, difteria e cólera. Também a rubéola e poliomielite deixaram de ser ameaça na Europa e América do Norte. Mas deixemos a parte histórica e vejamos a científica: uma vacina é uma substância derivada, ou quimicamente semelhante, a um agente infeccioso, causador de doença. Esta substância é reconhecida pelo sistema imunitário do indivíduo vacinado que reage como se tivesse sido realmente atacado pelo agente infectante. O facto do agente não existir na vacina com capacidade para se multiplicar ràpidamente e causar doença dá, ao sistema imunitário das pessoas, tempo para preparar a defesa e memorizá-la. Esta memorização fará com que o sistema imunitário responda com rapidez e eficácia a uma verdadeira infecção, no futuro. Uma vacina tem, em geral, quatro componentes : o antigénio que pode ser o agente infeccioso inactivado ou atenuado ou ainda partes do agente; o solvente é,normalmente, água esterilizada ;conservantes,antibióticos e estabilizadores que servem para estabilizar o antigeno e evitar que este seja alterado por invasão bacteriana; adjuvantes que são compostos á base de alumínio com a finalidade de aumentar a resposta imunológica do indivíduo vacinado. As vacinas podem ser classificadas em três grandes grupos: Vacinas inactivadas ou inertes---o agente bacteriano ou viral é inactivado e incapaz de se multiplicar mas mantendo a capacidade de activar o sistema imunológico. São vacinas muito seguras, não havendo a possibilidade de originar a doença. Têm a desvantagem de requerer várias tomadas, 4 a 5 doses espaçadas, para terem efeitos. São exemplos deste tipo as vacinas a VIP( pólio), Pw (tosse convulsa),DTPa (difteria,tétano). Vacinas VIVAS atenuadas---O agente patogénico, obtido a partir de um indivíduo infectado,é enfraquecido através de um hospedeiro não natural ou de um meio adverso; este agente vivo atenuado, quando inoculado, multiplica-se sem causar doença, estimulando o sistema imunitário. São vacinas fáceis de produzir, existindo um pequeno risco de poder provocar infecção.São exemplo as vacinas :VAP(pólio) VAS,VAR,VASPR (sarampo,papeira e rubéola) e BCG (tuberculose). Finalmente há as vacinas por recombinação genética que se usam técnicas de biologia molecular e engenharia genética.


Actualmente usam-se vacinas polivalentes, tendo em conta os subtipos mais vulgares de virus razão porque, por exemplo, a vacina da gripe tem de ser modificada todos os anos, de acordo com as mutações detectadas no agente patológico. Infelizmente, para a SIDA e Gripe Aviária não foi ainda possível uma vacinação credível, mas não é de desanimar pois ,há pouco tempo ,surgiu a vacina para o cancro do colo do útero, o que se pensava ser impossível realizar . Doenças que na Europa há muito foram erradicadas por vacinação, continuam a provocar em África graves surtos epidémicos, tudo por culpa dos seus venais governantes. A terminar , alertamos para o facto de que qualquer vacina só deve ser tomada sob indicação e controlo médico, pois pode haver contra indicações, por as pessoas serem alérgicas aos conservantes e estabilizadores da vacina, ou por possuirem deficiência imunitária devida ao HIV , a tramento de quimioterapia ou outro.
Algumas vacinas em Portugal são gratuitas, fazendo parte do Plano Nacional de Vacinação, informação que pode colher em qualquer Centro de Saúde. Última Hora . Já depois de publicada esta mensagem chega-nos a notícia (8 de Junho de 2008) de que a Agência Europeia do Medicamento aprovou, a 14 de Maio, a primeira vacina pré-pandémica para humanos contra o virus das aves H5N1(Gripe Aviária) . A vacina tem o nome de PREPANDIX da multinacional GlaxoSmithKline.No entanto, a sub-directora geral de saúde afirmou ser prematuro Portugal adquirir a vacina. Como sempre , andamos no velho adágio de " casa roubada ,trancas na porta".

19.5.08

F O M E

Agora que tanto se fala em biocombustível, paira de novo,sobre o mundo globalizado, o espectro da fome. Dir-se-à que as" fomes "são tão antigas como o Homem ; que existiam no tempo dos Romanos, ou que na China são vulgares, como o são na India,desde a idade média : que África sempre teve fomes devastadoras, mesmo no período colonial e pós -independência, com casos mediáticos como Etiópia, Congo, Zimbabwé ou Darfur. Nem sempre foram causadas pela natureza, com pragas ou secas, mas pelo homem e por motivos políticos. Só no séc.XX, na Ucrânia por ordem de Stalin: na Grécia e Polónia sob ocupação Nazi; no Camboja sob o regime de Pol Pot ; na China com o " salto em frente" de Mao-Tsé-Tung , houve fomes provocadas. Vejamos alguns destes casos : Após a morte de Lenin, e depois de desembaraçar-se dos seus rivais, Stalin empreendeu, em 1929, um projecto gigantesco denominado 1º Plano Quinquenal. Este era um pacote de medidas, com duração de cinco anos, que conferia ao Estado o controlo absoluto da economia. O objectivo era transformar a URSS, até aí país de economia agro-pecuária, numa potência industrial. O plano começou com a colectivização das terras desapossando os seus proprietários. Na Ucrânia, conhecida como celeiro da Europa, houve forte oposição a esta medida que Stalin reprimiu com violência brutal ; houve fusilamentos, torturas e deportações para a Sibéria, onde os presos trabalhavam em condições infra-humanas. Dez milhões de Ucranianos foram despojados das suas terras e como Stalin exigira ao país ,uma quota de alimentos mais alta que o habitual, provocou, em 1933,uma fome em que morreram 7 milhões de ucranianos. O desespero foi tal que comiam folhas de árvores, cães , gatos , ratazanas e até cadáveres humanos .

Hitler, na sua ambição e levado por ideias genocidas, causou a morte pela fome a milhões de pessoas, no gueto de Varsóvia, na Grécia ocupada e durante o cerco de Leningrado, isto sem esquecer os campos de concentração para os judeus. Na China, entre 1958 e 1961, milhões morreram de fome, consequência das ideias de Mao e do seu plano totalitário comunista, tal como no Cambodja, de 1975 a 1979, durante o sangrento regime dos Kemeres vermelhos liderados por Pol Pot. Estes líderes comunistas inspiraram-se , de certo modo, em Stalin e na sua obsessão de reformar a sociedade sem ter em conta as vidas humanas. Na Etiópia, a fome é um fenómeno recorrente: nos finais do século XIX , uma fome ,provocada pela seca, durou 4 anos e foi acompanhada de epidemias de tifo, cólera e varíola; no século xx, entre 1973 e 1974, faleceram 200.000 etíopes devido a falta de alimentos, crise que, por ser mal gerida, levou a um golpe de estado que derrubou o imperador Hailé Sellasié.Nos nossos dias, são os senhores tribais da guerra que continuam a provocar a fome nesta região. Na década de 80 , vinte países africanos perderam as suas colheitas devido a uma scca que reduziu ao mínimo rios e lagos, provocando um milhão de mortos. A tomada de consciência da comunidade internacional, para estes casos,foi incentivada por iniciativas como o famoso Live Aid protagonizado por cantores e grupos rock. Só o envio massiço de alimentos conseguiu travar a calamidade.

Em 2008, o desvio de culturas cerealíferas para produzir biodiesel e a especulação de preços a esse facto associada, estão a provocar um crescente receio de fome a nível mundial e, neste caso, só o homem é culpado. Há pouco tempo, o Banco Mundial revelou que a crise de alimentos já está a afectar 100 milhões de pessoas, mas, se não for encontrada uma solução rápida, o número poderá atingir 300 milhões. Qualquer leigo na matéria sabe de três soluções para debelar o problema : 1º-Em vez de só enviar alimentos aos países pobres, devem ser fornecidas sementes de elevada produção e melhores fertilizantes. Esta política permitiu ao Malawi duplicar a produção em três anos. 2º- Acabar com o subsídio ao milho para o biodiesel, pois existem plantas não alimentares que servem para o mesmo fim. 3º- A construção de reservatórios de água, nos países mais afetados pelas secas, pode fazer a diferença num ano pouco pluvioso. A ideia de um fundo para tal fim já existe, mas ainda não saiu do papel.

12.5.08

NAZCA

A propósito dos temas publicados sob a etiqueta "Enigmas da antiguidade", alguém me perguntava se estávamos sós no Universo ou se aquelas obras se deviam a seres de outros planetas. Á pergunta respondi com um talvez sim, talvez não, resolvendo colocar mais um enigma no blog. Se observarmos a fotografia aérea que abaixo reproduzimos, vemos um gigantesco pássaro, destacando-se no solo escuro do topo plano de uma montanha, próximo de Nasca, no Perú.

As linhas que formam a figura tem alguns quilómetros de comprimento e seguem a direito. Quem teria criado , há milhares de anos, estes desenhos misteriosos, cujas imagens só podem ser vistas do ar ? São aranhas , macacos, colibris, peixes, lagartos , o que se encontra desenhado num solo pobre de vegetação, nesta zona Peruana com a extensão de quinhentos quilómetros quadrados. O macaco desenhado no solo tem 145 m e só se pode ver do ar, não havendo qualquer elevação nas redondezas para o observar, bem como no caso das outras figuras.

Para além das imagens de animais, surgem desenhos geométricos em grande número, fazendo lembrar as pistas de aterragem de um aeroporto. Alguns investigadores, entre eles Maria Reich (1903-1998) que estudou durante décadas estes desenhos, pensam que as várias linhas e figuras de Nazca remetem para pontos onde os astros apareciam e desapareciam no horizonte. A idade destes desenhos deve situar-se a algumas centenas de anos antes da era cristã e, para serem realizados, foram movimentadas toneladas de pedras.


SERÁ QUE OS INCAS SABIAM VOAR ? Se observarmos pinturas feitas em cerâmica da cultura Nazca,vemos objectos que parecem balões de ar quente e talvez fosse este o processo que eles tinham para enviar os chefes tribais defuntos para o Sol, conforme rezam as lendas. E que material usavam para fazer os balões ? Também parece haver resposta: foram encontrados tecidos em túmulos, cuja densidade, leveza e resistência á ruptura chegam a ultrapassar os materiais modernos usados no balonismo. Se os Incas sabiam voar, os criadores dos desenhos gigantescos podiam vigiar a execução rigorosa das linhas e figuras. Até este momento, estou na posição dos que acreditam que estamos sós no Universo como seres humanos, o que não invalida a possível existência de outras inteligências não humanas. Alguns arqueólogos e estudiosos da inteligência extra-terrestre afirmam o seguinte: " Astronautas extra-terrestres construíram duas pistas de aterragem, na planície não povoada de Nazca, para aí fazer descer as suas naves espaciais. Após a partida dos "deuses" para os mundos estelares, as tribus da época pré-inca que ansiavam pelo regresso desses deuses, construiram novas linhas e figuras que evocariam a memória dos visitantes cósmicos . Também alguns desenhos parecem ser uma mensagem em código binário, ou um sistema visual de aproximação de voo." Por mim,é mais um enigma da antiguidade.

10.5.08

INCÊNDIO DE ROMA

A cidade de Roma, no ano 64 DC , era imponente e tinha começado a ser reconstruída, alguns anos antes, pelo imperador Augusto. Como dizem os historiadores, tinha recebido de Júlio César uma Roma de adobe ,para a transformar numa cidade de mármore, com o levantar de templos, teatros, aquedutos e termas ,bem como abrindo praças e mercados. Augusto criara também um enorme corpo de bombeiros como resposta a um dos grandes pesadelos da cidade , os incêndios. Cidade nascida sem planificação, o seu crescimento foi caótico, século após século, com bairros desordenados, fétidos, ruidosos ,de casas empilhadas e ruas perigosas. O excesso incontrolado da população fazia com que roubos e outros delitos fossem banais, acrescidos de incêndios devidos ao amontoado de casas em madeira. Um pequeno lume , para lá de uma cozinha ,ou uma lâmpada de azeite que não fora apagada, podiam provocar um incêndio e destruir bairros inteiros.O corpo de bombeiros,formado por 600 escravos, não tinha mãos a medir, numa cidade onde havia 100 pequenos incêndios diários.Poucos anos depois ,o número de bombeiros e vigilantes era de 7000,organizados por bairros, mas o perigo de incêndios continuava. Meio século após a morte de Augusto, já com Nero no poder, tudo continuava na mesma na administração e vida diária até que, um grande incêndio, tudo mudou. Parece que o fogo começou de maneira acidental, na noite de 18 para 19 de Julho , em artigos inflamáveis do mercado junto ao Circo Máximo, onde se praticavam corridas de carros. Favorecidas pelo descampado do terreno, o calor do verão e os ventos de sudeste, as chamas propagaram-se ás habitações vizinhas. Os bombeiros do bairro mobilizaram-se com rapidez, mas nada puderam fazer quando as chamas atingiram as insulae, casas de vários pisos , ligadas umas ás outras e construídas com interiores de madeira. O incêndio expandiu-se em várias direcções, subiu os montes Palatino e Célio, devorando as elegantes casas senatoriais ; uma língua de fogo atingiu o porto fluvial, tomando novo alento ao encontrar os armazéns cheios de lenha e azeite. Em pouco tempo toda a cidade ardia, até mesmo os bairros mais distantes ; a confusão era enorme e a população que tentava fugir para os campos ,acabava por se ver rodeada de chamas, sem fuga possível. O fogo extinguiu-se ao fim de seis dias e sete noites mas, quando tudo parecia ter terminado, novo incêndio que durou três dias, apareceu no sector Emiliano, uma zona onde se haviam demolido muitos edifícios para travar o incêndio inicial. Embora com menos mortes, os danos foram maiores, destruindo templos e monumentos. Quando tudo terminou , Roma era uma cidade fumegante com milhares de mortos e três quartos da sua área reduzida a cinzas. Arderam mais de 4.000 insulae e 132 casas aristocráticas. Ninguém se livrou da catástrofe : os prejudicados iam desde as classes humildes e média, até á cúpula da Roma imperial. Ouro, jóias, documentos, mobiliário e outros bens, tudo desaparecera e com isso um dos pilares da economia romana. Ora, aquando do incêndio, o imperador Nero estava muito mal visto, não só pelas suas excentricidades, mas também pelo assassinato de cidadãos ricos afim de ficar com os bens e encher os cofres do Estado e, desta forma, poder distribuir dinheiro e alimentos pela plebe, tornando-se popular. Mas os "patrícios " também sabiam jogar sujo: aproveitando o incêndio, fizeram correr o boato de que este fora ordem de Nero. Como os romanos começaram a dar crédito ao rumor, Nero tratou de desviar as atenções, atribuindo o incêndio aos cristãos, vistos como sectários, supersticiosos e imorais. Presos alguns cristãos influentes, após tortura, confessaram ser os autores do incêndio e daí a feroz perseguição aos cristãos por parte dos romanos . Quando começou o incêndio, Nero estava em Anzio e é pouco provável que,ao chegar á cidade, se tivesse posto a tocar lira e a cantar a ruína de Troia, enquanto observava Roma a arder.

É que a sua própria mansão, a Domus Transitória,também ardia e com ela as suas valiosas colecções de arte e joias. Será difícil saber a verdade já que os seus inimigos, os adversários e os cristãos tinham interesse em denegrir a sua imagem. Verosímel é que Nero tenha beneficiado com o incêndio ,mas não foi o seu autor. Embora após o incêndio, construísse um palácio melhor que o anterior, Nero actuou como um governante sensível ante a desgraça dos seus súbditos . Para alojar as vítimas, mandou abrir o Campo de Marte -alojamento das legiões- bem como os seus jardins privados. Organizou uma cadeia logística para os abastecer de comida e desceu o preço do trigo para um valor irrisório; empreendeu um ambicioso projecto urbanístico para Roma que beneficiou a população e, em vez de aumentar os impostos nas Províncias, o estado contribuiu com dinheiros e materiais para a reconstrução . Por decreto, as casas de vários andares, cinco no máximo, foram construídas em pedra e tijolo, e espaçadas entre si; em cada lar deveria haver material contra incêncios como areia, mantas e água. Os carros que transportavam para Roma as provisões extra de alimentos, deviam levar de retorno os escombros carbonizados que seriam depositados nos pântanos de Óstia, acabando-se assim com os focos de malária. Os actuais engenheiros de incêndios que estudaram este caso, chegaram á conclusão que problemas arquitecturais levaram á formação de chaminés naturais que activaram as chamas, mesmo contra a direcção dos ventos, e que a sua propagação não foi devida a pirómanos com tochas ,espalhados pela cidade. Neste caso, NERO DEVE SER INOCENTADO .

8.5.08

FENÓMENO BIZARRO

Por certo algum dos meus leitores já reparou que, quando se tira a tampa do ralo do lavatório, a água escoa com um movimento giratório. Se pedir a justificação, muitos dirão que é devido á Força de Coriolis , a mesma que obriga as grandes massas de ar a entrar em um forte movimento de rotação, originando os ciclones; estes giram no sentido contrário aos ponteiros do relógio, no hemisfério norte, e no sentido horário, no hemisfério sul. Será que a Força de Coriolis, servindo para os ciclones , serve também para explicar os redemoínhos nos lavatórios? NADA DE MAIS ERRADO ! A massa de água que se escoa e a sua velocidade são tão pequenas que a força de Coriolis é praticamente inexistente. Então a que é devido o fenómeno ? Pura e simplesmente ao movimento que a água tomou no lavatório quando se abriu a torneira. A água , mesmo parada, guarda uma certa quantidade de movimento residual que, apesar de muito pequena, é ainda maior que a força de Coriolis. Faça a seguinte experiência : Em dois lavatórios cheios de água, com o dedo, mexa a água no sentido horário num deles e no sentido anti-horário no outro.Espere que a água esteja completamente parada; com cuidado retire as válvulas na vertical. Verá que a água escoa, em cada um deles, rodopiando em sentidos contrários. Mas vejamos o que é a Força de Coriolis : começaremos por recordar a primeira Lei de Newton, ou lei da Inércia : um corpo não sujeito a uma força, estará em repouso ou em movimento rectilíneo,com velocidade constante. O recíproco também é verdade: um corpo sob a acção de uma força estará em movimento, com velocidade variando de valor, ou de direcção ou de ambas as coisas. Vejamos um exemplo: Uma pessoa que vai num carro que trava subitamente, é atirada para a frente. Que força empurrou a pessoa ? Nenhuma. Simplesmente o corpo da pessoa segue a lei da inércia e, enquanto não surgir uma força em sentido contrário que o impeça,continua para a frente com a mesma velocidade. Coisa semelhante ocorre se o carro fizer uma viragem brusca, provocada por um golpe no volante ou qualquer outra causa, entrando em derrapagem, isto é, saindo da sua trajectório rectilínea original. O passageiro, não estando sob a acção dessa força, tende a continuar a trajectória rectilínea. Como o carro virou, o passageiro é atirado contra a porta. O passageiro parece ter sido atirado por uma força estranha e inexplicável. Dirá mesmo : foi a força centrifuga ! Mas esta força não existe ,dirá alguém que a não sente porque está fora do carro, isto é, do sistema em movimento. A força centrífuga é um exemplo típico de uma força fictícia , como o é a Força de Coriolis que se manifesta em sistemas que estão em movimento de rotação. Imaginemos então a Terra que,como sabemos, está em movimento de rotação. Se fosse disparado um míssel (voando sempre a direito) do equador em direcção ao polo norte, este míssel deslocava-se para a esquerda em relação ao alvo, já que a Terra (com o alvo) estava em movimento para leste, relativamente á trajectória rectilínea do míssel, tal como acontecera com o passageiro dentro do carro em derrapagem. É esta força fictícia que obriga as massas de ar a entrar em rotação originando os ciclones, mas que nada tem a ver com a rotação da água que se escoa do lavatório ou da banheira.

6.5.08

Á G U A

Singularidades do precioso líquido
Já ouvimos, em variados locais, ser vaticinado que uma futura Guerra Mundial será motivada por falta de água potável e, no entanto, ela encontra-se por todo o lado, até fora do nosso planeta. A água é uma substância absolutamente singular, com propriedades extraordinárias devidas á sua estrutura que consiste em dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio ,ligados num ângulo de 105 graus.A sua fórmula química é por todos conhecida H2O. Deveria ser gasosa á temperatura ambiente, tal como o é o sulfureto de hidrogénio H2S ,uma molécula semelhante. Devido ás suas ligações moleculares permite, por exemplo, que alguns insectos se passeiem nela sem afundar . Não é mistério, apenas um fenómeno de tensão superficial. Cada molécula de água está ligada a outra pelas chamadas pontes de hidrogénio que podemos imaginar como molas Observemos a figura seguinte que mostra, esquematicamente, moléculas de água ligadas pelas pontes de hidrogénio.

Á superfície , a molécula de água não tem outra por cima, mas tem de lado e por baixo. Se a puxarmos para cima , as pontes de hidrogénio ,funcionando como molas , puxam-na para baixo num efeito oposto. De igual modo, o insecto, com o seu peso, ao empurrar as moléculas superficiais para baixo ,vai provocar uma reacção oposta das outras moléculas, mantendo-o á superfície. A tensão superficial das moléculas de água é uma força de fraca intensidade; se ela fosse 2% mais intensa, não poderíamos entrar numa piscina . Também é vulgar ouvir dizer que quem anda á chuva molha-se, mas a verdade é que a água não molha muito. Já pensou por que se lava a roupa usando sabão ou detergente ? Apenas para reduzir a tensão superficial da água e esta empapar melhor a roupa. Outra propriedade curiosa é a elevada capacidade calorífica; é necessário atribuir-lhe uma grande quantidade de calor para aumentar a sua temperatura. Da mesma forma arrefece mais lentamente . Se o gelo é água no estado sólido, por que flutua na água líquida ? Apenas porque a densidade a 0 graus é menor do que a 4 graus centígrados. E que dizer da estrutura cristalina do gelo que varia consoante a pressão a que se formou ? Curioso o comportamento da água que , segundo os entendidos, existe por todo o Universo; na árida Lua em crateras profundas, nos cometas, em planetas fora do sistema solar e até no Sol. Cá na Terra ,a grande festa da água será de 14 de Junho a 14 de Setembro de 2008, em Saragoça- Espanha, na Feira Internacional ,nas margens do Rio Ebro. Enquanto lá não vai , trate bem da água e não a consuma desnecessariamente, para que os seus descendentes não corram o risco de ter que a ir buscar a uma pequena lua de Saturno .

3.5.08

DIATERMIA

Com estas bruscas variações de temperatura e humidade, os velhos ossos ressentem-se daquilo a que muitos chamam de reumatismo. Lembrei-me então do meu amigo Mário Portugal, radioamador da velha guarda e investigador por natureza, que tinha criado uma placa diatérmica de uso caseiro, mas com bons resultados. Na Wikipédia, sobre este tema, encontrei apenas duas linhas, o que é estranho pois os fisioterapeutas usam as correntes de alta frequência para tratamentos.Decidi pois alinhavar estas poucas ideias sobre o assunto. Diatermia é o uso de um transmissor de ondas curtas com o objectivo de provocar aquecimento nos tecidos internos do corpo humano. Os equipamentos de fábrica utilizam um emissor de ondas hertezianas, não ligado a uma antena, numa frequência específica da banda dos 27 Mhz. Se o equipamento não está ligado a uma antena , para onde vai a energia por ele gerada? Vai directamente para um "condensador" formado por duas placas de uns 10 centímetros quadrados,cujo dieléctrico não é o ar, mas o corpo do paciente . A finalidade será que os tecidos do corpo , entre as duas placas, recebam essa energia ondulatória e aqueçam sem queimar. O equipamento debita uma potência superior a 200 w, durante alguns minutos. Não nos podemos esquecer que a radiofrequência pode queimar, se forem usadas grandes potências ou tempo a mais o que, infelizmente, já aconteceu em algumas clínicas. O que o meu amigo Mário Portugal ( CT1DT) conseguiu foi contornar a questão usando ,para o efeito, o seu emissor de radioamador, na banda dos 40m,isto é, frequências mais baixas e menores potências. O emissor também não é ligado a uma antena mas, em vez de um condensador, usa uma placa de circuito impresso, por ele desenhada e calculada. Esta placa é um circuito sintónico, em que a sua aproximação ao corpo do doente, faz com que a radiofrequência passe ,por indução, para o corpo do paciente, que fica a funcionar como uma antena fictícia. ( Mostramos a seguir a dita placa sintónica)


Ora, se o conjunto placa-corpo faz a vez de antena, é necessário sintonizar essa "antena", para não aparecerem as ondas estacionárias. Esse é o outro "segredo" da placa do Sr Mário Portugal, o que conseguiu depois de muitas experiências e muitos cálculos. Desta forma, um emissor de radioamador, com uma potência de apenas 10 w, transforma-se num equivalente aparelho comercial de diatermia. Os ensaios feitos em numerosos pacientes, quase todos radioamadores e seus familiares, tiveram como resultado que infecções bacterianas,dores e outras patologias desaparecessem após algumas sessões de 10 minutos. Não se deve confundir diatermia com radioterapia, pois esta última é o uso de radiações, como os raios X e outras , para o tratamento do câncer.

Termino ,publicando ,com a devida vénia, a fotografia do sr Mário Portugal Leça Faria, na sua estação de radioamador e sala de pesquisa, a sala de visitas para os amigos,na sua casa em Benavente. Aconselhamos ler , neste blog, um artigo sobre autogiros em que este radioamador também fez estudos e experiências. (postagem de 1 de Março 2008)

1.5.08

O TEMPO


Reflectindo sobre o Tempo!
Sentado na sala de espera de um consultório médico, folheava uma revista quando se me deparou um artigo sobre o TEMPO. Como este, naquela sala, parecia não querer passar, fui lendo o artigo em questão mirando, de soslaio, o relógio no alto da parede. Recordei que Einstein, em 1905, mostrara que o tempo estava ligado ao espaço e que a sua medida dependia do observador. Será que o tempo não existe e que não passa de uma ilusão da nossa mente ? Antifonte que viveu no séc V antes de Cristo, já tinha afirmado :" o tempo não é uma realidade, mas um conceito ". Também Parménides, um século antes, dizia que o tempo era uma ilusão. Santo Agostinho escreveu :" se ninguém me perguntar, sei o que é o tempo ,mas quando me perguntam não sei o que responder."Pelo seu lado, o Prémio Nobel da Física,Richard Feynman afirmava: " nem me perguntem! É demasiado difícil pensar no assunto ." É verdade que podemos verificar o tempo nos nossos relógios, mas não podemos observá-lo, nem sujeitá-lo a qualquer experiência e, numa perspectiva física o tempo é a quarta dimensão. Recordemos que a posição de um objecto exige, para além das três coordenadas espaciais ( latitude,longitude e altitude )que se saiba a temporal, da mesma maneira que, ao combinar um encontro com uma pessoa, temos de lhe dizer , para além do local, a hora do encontro. Albert Einstein afirmou que o passar do tempo dependia da velocidade com que o observador se deslocava. Assim,qualquer tipo de relógio que esteja em movimento, atrasa-se em relação aos que permanecem em repouso. A sorte que eu tinha em aquela sala de espera não estar a bordo de uma nave espacial , pois teria o relógio a andar mais devagar e a ter de esperar mais pela consulta. Querendo ser pragmático ,pensei que o tempo era aquilo que o relógio marcava, mas, ao comparar o meu com o do consultório, verifiquei que havia um minuto de diferença. Qual dos dois estava certo ? Qual se adiantava ou atrasava ? Claro que estava a partir do princípio que existe um tempo absoluto, mas como podia afirmá-lo se não é possível medi-lo com precisão? Negar o tempo absoluto exige que se neguem as leis de Newton sobre o movimento, mas Einstein conseguiu fazê-lo. Lembrei-me então dos buracos negros em que, qualquer corpo que caísse na sua direcção iria tendo uma velocidade cada vez menor.( ver postagem de 16/3/08 neste blog) No interior de um buraco negro, um relógio não contaria nada,o tempo não existiria. Lembrei-me a seguir das aulas de Física ,na Universidade, e da Teoria Quântica em que o tempo não tem significado e até pode andar para trás. Quando me dispunha a analisar a possibilidade do tempo andar para trás e de regressar aos tempos em que não necessitava de médico, fui chamado para a consulta, levando no pensamento Julian Barbur que afirmara : "as dores de cabeça que este tipo de questões me provocam "ou como diziam os meus alunos , " demasiada areia para a minha camioneta ".

26.4.08

A RÁDIO


Muito se tem escrito sobre este invento e variadas as abordagens ao tema nos inúmeros sites disponíveis. Pela nossa parte, limitar-nos-emos a uma pequena descrição por forma a não cansar o leitor. Diremos que os primeiros passos foram dados, em 1863, quando Maxwel demonstrou, teoricamente, a existência de ondas electromagnéticas. Vinte e cinco anos depois, Rudolfo Hertz construiu um equipamento onde se verificava ser possível passar energia eléctrica entre dois pontos, sem recorrer a um fio condutor. Hertz provou ainda que a electricidade viajava na atmosfera sob a forma de ondas, a uma velocidade de 300.000 Kms por segundo. São as ondas hertezianas. Parece que, pela mesma altura, o padre Landel de Moura, no Brasil, fazia experiências idênticas . Devemos salientar que anteriores invenções terão contribuído para o aparecimento da rádio como sejam : o telefone (A. Bell), o fonógrafo (T.Edison) e o microfone (E. Berliner). Gugliermo Marconi, em 1896 , baseado nas experiências de Hertz e de Tesla e aproveitando o coesor de Brenly, a antena de Popov e um sistema de sintonia desenvolvido por Lodge, contruiu um equipamento que lhe permitiu emitir sinais de radiofrequência a 100 metros de distância e, tempos depois,distâncias maiores.

(foto que apresentamos acima é a do primeiro emissor Marconi)
Tinha assim começado a era da radiocomunicação que é uma coisa diferente da radiodifusão. A primeira é um sistema de contactos entre duas estações (transmissoras e receptoras) através de ondas de rádio, enquanto a segunda é uma transmissão de sinais num só sentido, pois o receptor(ouvinte) não tem possibilidade de dar resposta. Abordaremos em primeiro lugar a radiodifusão. Consideram alguns que a primeira transmissão radiofónica foi realizada , em 1906, por Lee de Forest ao testar uma válvula tríodo (lâmpada de rádio ).Comprovado está que este cientista realizou, em 1908, uma emissão a partir da Torre Eiffel que foi escutada por postos militares em Marselha e que, em 1916,continuava a fazer emisões de voz e música com uma emissora em Nova York. Como já demos a entender, a radiodifusão é a transmissão de ondas de rádio previamente moduladas , por voz ou música, e que chegam aos ouvintes que possuam um receptor,vulgarmente conhecido por rádio.


( foto acima mostra um rádio a válvulas termoiónias da década 1940 )
As primeiras transmissões comerciais regulares datam de 1920, irradiadas pela estação KDKA ,em Pittsburgh e pela WEAF de New York,em 1922. Nesta década,vários países europeus e americanos montaram os seus emissores de rádio, começando logo a ser notados os primeiros problemas na radiopropagação, tais como interferências, espalhamentos e outros, até então desconhecidos. As interferências entre emissoras eram tão graves, em países distantes e principalmente de noite que foi necessário regulamentar as potências e as frequências de emissão, tendo-se criado um organismo internacional para tal fim. Nascia a URI (União Internacional de Rádiodifusão ) no ano de 1925. A foto seguinte mostra um dos primitivos receptores de rádio, anterior á descoberta das válvulas termoiónicas, o conhecido receptor a cristal de galena.

Ao que julgo saber, Portugal teve a sua primeira emissora de radiodifusão em 1924,com o indicativo P1 AA (ct1AA) e funcionado, mais ou menos com certa regularidade ,até 1934.Foi seu fundador o radioamador Sr Abílio Nunes dos Santos. Seguiu-se o Rádio Clube Português em Novembro de 1931 e só mais tarde a Emissora Nacional de Radiodifusão (actual RDP) que começou a emitir em Agosto de 1935. Quanto á Rádio Renascença, esta começou a emitir em 1 de Janeiro de 1937. Antes de 1931, existiam apenas alguns pequenos postos de radioamadores a emitir ,esporadicamente, palestras, recitais de piano e alguma música de gramofone.


Mas o que é uma estação de radiodifusão ? Basicamente é constituída por um estúdio ,onde são gerados os programas ao vivo ou em sistemas de reprodução, e pelo emissor ligado á respectiva antena. O estúdio é formado por uma ou mais salas acusticamente isoladas, onde microfones, gravadores de fita, leitores de CD ou qualquer outro suporte de som ,podem ser misturados numa consola de comando para depois chegar ao emissor. Quando o emissor fica longe do estúdio, um circuito especial faz o enlace entre as duas unidades. As fotos que se seguem são de estúdios de duas emissoras portuguesas que há muito deixaram de operar ; nelas se podem ver as consolas de comando, microfones, gravadores e giradiscos, a única fonte de música dessa época.




As ondas lançadas no éter são ,posteriormente ,captadas pela antena do aparelho receptor que as amplifica, sintoniza, faz a desmodulação do áudio, sinal este que é amplificado para se escutar nos altifalantes. A faixa de frequências para a onda média vai dos 535 aos 1565 Khz,em AM ; as emissoras que pretendem atingir longas distâncias (milhares de Kms) usam a onda curta dos 3 aos 30 Mhz; as rádios locais utilizam frequências mais altas,dos 88 aos 108 Mhz, em FM. Já que falámos em AM e FM ,vejamos o que isto significa: dissemos que as ondas de rádio,qualquer que fosse a sua frequência, necessitavam ser moduladas, por voz ou música, para se poderem escutar. AM significa modulação em amplitude,isto é, a onda portadora de sinal tem sempre a mesma frequência, o que varia é a amplitude da onda,de acordo com o sinal sonoro que lhe foi introduzido.

FM significa modulação de frequência,isto é, a onda portadora mantém sempre a mesma amplitude e o que varia é a frequência ,consoante o sinal sonoro injectado.

Ultimamente prepara-se a rádio digital que permitirá que as emissões em FM tenham a qualidade de um CD e as de AM parecerem FM. Devido á facilidade actual no acesso á escuta, a radiodifusão oferece inúmeras possibilidades na educação de um país. Ao utilizar este meio aliado á escola consegue-se, em muitos países, uma educação de qualidade em locais distantes dos centros urbanos. O contacto entre locutor e ouvinte cria a oportunidade de grande mobilização e de divulgação de conteúdos cívicos, principalmente nas zonas rurais. A nossa radiodifusão , especialmente a maioria das rádios locais, perdeu muito do misticismo e encanto dos velhos tempos, chegando-se ao ponto de grande parte da emissão ser feita automaticamente, isto é, a música e anúncios são emitidos a partir de um pré-programado computador. É aquilo a que alguém já chamou radiodifusão enlatada.Mostramos a seguir um estúdio de uma rádio local , em funcionamento.


Passemos agora à radiocomunicação que, ,como dissemos, é um contacto entre duas estações emissoras-receptoras como, por exemplo, entre vários radioamadores, as viaturas dos bombeiros e o quartel, os aviões e a torre de controlo ou os taxis e a central coordenadora. A radiocomunicação iniciou-se, por volta de 1912, como um telégrafo sem fio mas,quando se descobriu a modulação das ondas, começou a comunicação vocal, embora a telegrafia (morse) só tenha caído em desuso nos anos 70. No início da radiocomunicação usava-se um emissor separado do receptor mas, desde a década de 80, vulgarizou-se o uso do transceptor que é um equipamento emissor-receptor. O telemóvel,hoje tão vulgar, é um transceptor,como o são os equipamentos da Banda do Cidadão ou dos radioamadores. A estes últimos se deve muito do avanço nas comunicações via rádio, pois as suas constantes experiências na tentativa de melhorar as comunicações, com fracas potências, deram origem a conhecimenos que foram aproveitados e desenvolvidos pela indústria. Mostramos a estação do falecido radioamador CT1 QA, capitão Jaime Varela Santos que foi fundador da Rádio Ribatejo, em Santarém.

Terminaremos dizendo que radiogonometria, GPS, radiotermia médica, radiolocalização, televisão, radioastronomia, farol aeronautico ,radar,tudo são o resultado das ondas hertzianas.

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