17.4.08

A ORIGEM DO HOMEM

As nossas origens estão directamente ligadas com o desaparecimento dos dinossauros,qualquer que tenha sido a causa desse desaparecimento. Os mamíferos, nossos antecessores, já existiam há milhares de anos ,antes do fim dos grandes répteis. Os acontecimentos de há 40 Ma que ditaram o fim dos dinossauros (ver postagem de Janeiro 08) pouparam tudo o que vivia sob a água e os animais de pequeno porte escondidos nas tocas ou sob uma muito densa vegetação, assim se salvando os muito pequenos mamíferos de apenas alguns centímetros de tamanho.
Nem sempre é possível ler nos fósseis cada um dos passos da linha evolutiva que conduz ao Homem ,mas podemos analisar as características dos mamíferos insectívoros, do tipo musaranho, que vieram ocupar os nichos ecológicos deixados vagos pelo desaparecimento dos grandes répteis. Os pequenos mamíferos que vegetavam no solo, alimentando-se de sementes e de insectos, subiram ás árvores, o que requeria importantes adaptações que ainda hoje são as características dos primatas, nós incluídos. A principal adaptação era uma mão com unhas, em vez de garras, e capaz de se agarrar aos ramos e de apanhar comida. Em segundo lugar, uma boa visão tri-dimensional e estereoscópica, o que só é possível com os olhos colocados na parte da frente da cabeça . Por último, a capacidade do animal se pôr de pé , por forma a libertar os membros anteriores para apanhar os alimentos. Só os primatas possuem, simultaneamente,estas três características.Foram precisos 30 Ma para que os descendentes dos musaranhos originais surgissem equipados com todas as capacidades dos modernos primatas, incluindo a visão a côres. Destes primatas primitivos, por vezes chamados pró-símios, ainda sobrevivem , em Madagáscar, os Lémures que nunca tiveram que competir com os antropoides, primatas mais evoluídos. Sigamos o esquema evolutivo abaixo.Os macacos primitivos, surgidos há 40 milhões de anos, evoluíram em dois ramos : os macacos do velho mundo (europa,ásia e áfrica) e os macacos do novo mundo (continente americano) Uma diferença ressalta nestes dois tipos de pró-símios e que é o facto dos macacos do novo mundo usarem a cauda como um quinto membro para se balançarem nas árvores, além de diferenças menores nas narinas e dentição. Só a linha dos macacos do velho mundo evoluiu e, há 25 milhões de anos, dá-se o aparecimento dos símios que são macacos sem cauda. Esta linhagem de símios, há 10 Ma, divide-se em duas: as dos símios actuais ( chimpanzé, gorila,orangotango) e a dos hominídeos que virá a dar o homem actual. Infelizmente há uma grande lacuna fóssil que não nos permite traçar, com exactidão, a linha evolutiva dos hominídeos até ao homem. (Esta lacuna é aproveitada pelos fixistas e criacionistas para combater o evolucionismo. ) Pensa-se que os hominídeos terão saído das florestas e passado a ter uma postura mais erecta, na savana entretanto surgida com a mudança de clima. Consideremos então que há 10 Ma surgiu um primata hominídeo mais evoluído, provávelmente o antepassado mais directo do homem, a que foi dado o nome de Ramapithecus.Os vestígios deste hominídeo foram encontrados nos montes Siwalick na Índia e, mais tarde, em África. Aparentemente andava erecto e não tinha maxilas alongadas ou salientes. Com um cérebro ainda pequeno, podia agarrar e manejar paus e pedras para afastar os seus inimigos. Há 6 milhões de anos, dos Ramapithecus derivaram três ramos :Australopithecus boisei, Australopithecus africanus e o Homo habilis. Os Australopithecus tinham um volume de cérebro idêntico ao de um macaco moderno, andavam erectos e serviam-se de utensílios, possivelmente ossos e seixos naturalmente aguçados. O Homo habilis tinha um cérebro mais volumoso, andava erecto e fabricava utensílios de pedra.

Australopithecus e Homo habilis chegaram a co-habitar em algumas regiões, possivelmente num relacionamento não pacífico, em nichos ecológicos diferentes e com esporádicos cruzamentos. Os Australopithecus acabam por se extinguir há 2 Ma e o género Homo vai evoluindo. Assim, há 500.000 anos, surgia o Homo erectus que viveu na Ásia, África e Europa. Utilizava o fogo e caçava animais de grande envergadura, actuando em grupo. ( A figura acima é uma reconstituição do Homo erectus )
Há 100.000 anos a espécie Homo erectus terá evoluído para duas linhagens: Homo neanderthal e Homo sapiens. O homem de Neanderthal contemporâneo do último período glaciar, deve ter-se extinguido há 40.000 anos, enquanto o Homo sapiens foi evoluindo até dar o homem moderno (Homo sapiens,sapiens), o que deve ter acontecido há 35.000 anos .
Mas não se pense que os Neanderthais eram seres embrutecidos e insensíveis,pois enterravam os seus mortos segundo um ritual que leva a admitir uma crença religiosa. Por vezes enterravam, juntamente com os mortos, alimentos e utensílios, o que indica acreditarem numa vida do além. As sepulturas eram cobertas com pedras, para evitar profanação por parte de animais. O homem de Neanderthal caçava renas, bovinos, bisontes e veados. Usavam raspadores de silex próprios para tirar a gordura das peles, com que se vestiam rudimentarmente. Fabricavam pequenas pontas de lança e bifaces em silex,chegando ao ponto de criar uma faca com serrilha,destinada a cortar os alimentos. É possível que tivessem praticado canibalismo para herdar a força e a magia dos seus inimigos. No que se refere ao Homo sapiens ,sapiens, revelou-se hábil a trabalhar a pedra e criou uma nova série de utensílios mais complexamente trabalhados com a ajuda de um punção de madeira ou de osso que funcionava como martelo. Possuiam furadores,ou sovelas, com que furavam as peles , e buris com que trabalhavam o osso, uma forma de arte. O osso e o marfim eram utilizados para pontas de lança, anzois, agulhas e arpões. O vestuário, em pele de animais, era muito trabalhado e adornado, por vezes,com conchas ou dentes. Usavam colares de dentes de cervos,cascas de caracois,discos de madrepérola e pérolas de marfim. Há 12.000 anos o homem deixou de ser caçador,dando lugar a comunidades mais numerosas de pastores e agricultores, com chefes e artífices especializados. Trigo e cevada,segados com foices de silex ,eram as culturas principais. A partir do ano 6.000, antes de Cristo, surge a utilização do cobre,bronze e ferro permitindo o fabrico de ferramentas novas e mais resistentes. De uma forma lenta e progressiva ,o animal Homem chegou ao que é hoje. Terminarenos com uma reconstituição dos nossos antepassados Homo erectus.


14.4.08

EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS

Vimos, em outro artigo,como teria surgido a vida na Terra a partir de moléculas inorgânicas e como estas passaram a orgânicas; como as últimas foram adquirindo capacidades e características dos seres vivos,em resumo, como os pré-biontes passaram a biontes.( origem da vida-postagem de Abril de 2008). O que não explicamos foi como, a partir dos primeiros biontes, se formaram outros diferenciados até se chegar às espécies pluricelulares actuais. A este facto chama-se evolução dos seres vivos. Antes de continuar definamos a conceito de espécie ; Ao conjunto de seres vivos (animais, plantas ou outros) que se podem cruzar entre si e dão descendentes férteis, diremos que pertencem à mesma espécie. Por exemplo,o cavalo e a burra podem cruzar-se, mas a sua descendência (mula e macho ) não são férteis, logo cavalo e burro são espécies diferentes. Na teoria da evolução afirma-se que as espécies actuais descendem de outras mais antigas que sofreram modificações ao longo de milhares de anos. As evidências do processo evolutivo podem ser observadas no estudo dos fósseis, na anatomia comparada e na embriologia.
Estudo dos fósseis---A análise da sequência de fósseis existentes,desde as rochas mais antigas até às mais modernas, revela uma modificação contínua das espécies e até extinção de algumas. Observa-se também um aumento do número de espécies, acompanhado de aumento de complexidade das sua estrutura corporal.Há ainda o aparecimento de fósseis de transição entre espécies, cujo exemplo mais conhecido é a Archeopteryx. Esta era uma ave com dentes, garras e longa cauda( características dos répteis) e o corpo coberto de penas . Este fóssil mostra a transição dos répteis para as aves.
Anatomia comparada---O estudo comparativo da anatomia dos animais mostra a existência de um padrão fundamental similar na estrutura dos sistemas de orgãos, o mesmo se passando com as plantas. Damos um exemplo: apesar de serem diferentes no aspecto, a barbatana da baleia, a asa da ave,a asa do morcego,a pata do cão, o braço e mão do homem, são orgãos homólogos. Em cada um deles aparece o mesmo número de ossos, músculos e nervos ,ordenados segundo um mesmo padrão . Embriologia comparada---Animais de espécies diferentes, quando na fase de embrião,tem aspecto muito semelhante. Como exemplo diremos que, na fase embrionária inicial , os peixes, anfíbios,répteis, aves e mamíferos (incluindo o homem), têm cauda e bolsas branquiais respiratórias. A explicação é que nós descendemos de outras espécies em que tais orgãos eram funcionais,como os peixes e os anfíbios. Também durante o desenvolvimento embrionário humano ,o coração começou por ter apenas uma aurícula e um ventrículo ( como o dos peixes), passando depois à fase de duas aurículas e um ventrículo (batráquios),seguindo-se um estádio de duas aurículas e dois ventrículos com um septo incompleto (réptil) para finalmente possuir duas aurículas e dois ventrículos. Estas são, muito resumidamente, algumas das razões porque hoje se aceita a teoria do evolucionismo , mas será conveniente fazer uma resenha histórica desta teoria.O primeiro cientista a tentar explicar o processo da evolução foi Jean-Baptiste Lamarck(1744-1829) . Lamarck combatia as ideias criacionistas e fixistas da época, e foi o primeiro a tentar explicar cientificamente o mecanismo pelo qual a evolução acontecia. Para Lamarck ,os seres vivos vão desenvolvendo determinados orgãos de acordo com as suas necessidades. Um dos exemplos mais conhecidos é o do pescoço das girafas. Segundo este cientista, as girafas com pescoço comprido, eram descendentes e outras girafas mais antigas de pescoço curto mas, a necessidade de atingir as folhas das árvores que lhe serviam de alimento, fazia com que os animais tivessem de esticar o pescoço constantemente e, com este esforço constante, o pescoço alongou-se. Esta característica adquirida foi transmitida aos seus descendentes, originando as girafas actuais. Para Lamarck, o uso ou o desuso de uma característica e a sua transmissão aos descendentes , fazia acontecer a evolução. O cientista chegou mesmo a enunciar duas leis : Quando um organismo não necessita de utilizar um orgão este atrofia e, pelo contrário ,se o utiliza com frequência, este desenvolve-se . Numa segunda lei afirmava: as características adquiridas ,pelo uso ou não uso do orgão , são transmitidas às novas gerações . O alemão Weissman demonstrou que Lamarck estava errado na segunda lei, ao fazer a seguinte experiência : cortou a cauda de ratos durante várias gerações,e os seus filhotes nasciam sempre com cauda, o que provava a não transmissão da característica -ausência de cauda. Foi Charles Darwin (1809- 1882) quem deu uma explicação aceitavel para o assunto, no seu livro AS ORIGENS DAS ESPÉCIES.

Aos 22 anos embarcou no Beagle e nele viajou pelo mundo durante cinco anos .Nas zonas visitadas coleccionou exemplares de organismos locais e registou muitas observações. Quando regressou a Londres e deu início ao estudo do material recolhido, acabou por concluir que as diferenças que ocorriam entre espécies eram alterações de espécies já existentes,tal como acontecia, em Inglaterra, com as diferentes espécies de pombos que eram obtidas da espécie de pombo comum, por selecção dos seus criadores - selecção artificial-.mas não sabia explicar o que levaria as espécies a modificarem-se. Uma pista surgiu quando, ao ler um trabalho de Thomas Maltus sobre populações, este afirmava : as populações tendem a crescer em progressão geométrica, e o seu alimento em progressão aritmética, o que origina a escassez de alimento e falta de espaço vital. Esta verificação levou Darwin a elaborar a TEORIA DA SELECÇÃO NATURAL, na qual concluiu que ,de todos os organismos que nascem, apenas sobrevivem os que têm maiores condições de se adaparem às condições ambientais e de se reproduzirem deixando descendentes férteis .Então como explicava Darwin o caso do pescoço das girafas? Da seguinte maneira: as girafas eram animais de pescoço curto mas, a certa altura, surgiram nessa população algumas de pescoço comprido. Estas estavam melhor adaptadas para comer as folhas dos ramos mais altos tendo, assim ,maior quantidade de alimento à sua disposição. A pouco e pouco, por falta de alimento,as girafas de pescoço curto iam ficando em menor número ,acabando por se extinguir esta espécie. Darwin chegava desta forma á ideia de selecção natural como factor principal da evolução das espécies . O conceito básico de selecção natural é o de que as características favoráveis que sejam hereditárias, tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população e que, características desfavoráveis que sejam heriditárias, tornam-se menos comuns, tendendo a desaparecer. Como já dissemos, Darwin desconhecia a razão porque se operavam as pequenas mudanças numa população de seres de determinada espécie. Nem é de admirar, pois os genes dos cromossomas eram desconhecidos naquela época.Hoje sabe-se porque aparecem as pequenas diferenças e daí ter surgido uma nova teoria designada de TEORIA SINTÉTICA DA EVOLUÇÃO ou NEO-DARWINISMO, que tentaremos explicar o mais simples possível: De acordo com esta teoria, os processos básicos de evolução são quatro: mutação, recombinação genética, selecção natural e isolamento reprodutivo. As pequenas diferenças nos genes dos cromossomas surgem repentinamente e denominam-se mutações. Estas ,por serem genéticas, são transmitidas ás novas gerações. O acumular de pequenas alterações pode conduzir, após muitas gerações, ao aparecimento de modificações visíveis no aspecto desses seres vivos,isto é, no fenótipo da espécie. As mutações podem ser causadas por exposição à radiação ultravioleta, o que deve ter acontecido naturalmente num pasado longínquo, ou à acção de virus. Também surgem mutações aquando da divisão celular (mitose) ou durante a duplicação da cadeia de DNA para dar as células reprodutoras ,na meiose. As mutações que ocorrem nas células reprodutoras dos organismos pluricelulares, são transmitidas aos seus descendentes mas, se ocorrerem em células somáticas (não reprodutoras)tal não sucede. Podemos pois dizer que um acumular de mutações, que sejam transmissíveis ao longo de gerações, poderá levar ao ponto de alterar o fenótipo da espécie. Recombinação genética---Este fenómeno pode ocorrer quando um cromossoma parte, em determinado ponto da sua estrutura e recebe , por colagem, uma porção de outro cromossoma diferente, alterando assim a sua composição. Este fenómeno é vulgar durante a meiose ,quando surge "crossing over" entre cromossomas. O cromossoma resultante, diferente do que seria normal, pode conter um gene diferente. Vamos admitir, como exemplo, que esse novo gene dá à população de descendentes uma capacidade de resistência a baixas temperaturas. Se o clima se tornar frio, a população que tiver esse gene está favorecida em relação à que o não possui. Por selecção natural dar-se-á evolução, como já nos referimos.

Isolamento reprodutivo---Este fenómeno ocorre quando duas populações de indíviduos da mesma espécie não se podem cruzar e, portanto, trocar genes entre si. O isolamento reprodutivo não se faz sempre de igual modo, pelo que daremos vários exemplos: Numa determinada área geográfica de montanha e vale ,existia uma população de coelhos que ficou dividida em duas por uma grande falha geológica, entretanto surgida como resultado de um sismo.. Na população inicial, havia coelhos de pequenas orelhas, resistentes ao frio e outros de orelhas grandes ,não resistentes ao frio, que se cruzavam livremente e que conforme a época do ano iam para a montanha ou vale de acordo com as suas características. O posterior isolamento provocado pela falha geológica e a selecção natural, fizeram com que na zona de montanha só existam coelhos de orelhas curtas e que no vale só existam coelhos de orelhas longas.Este tipo de isolamento denomina-se de isolamento reprodutivo de habitat. Mas também podemos ter um isolamento reprodutivo sazonal, quando populações que vivem na mesma área têm períodos reprodutivos em diferentes estações do ano.Este tipo de isolamento é comum em plantas e em alguns insectos. Vejamos agora o isolamento reprodutivo comportamental: Em muitos animais existem padrões de comportamento relacionados com o acasalamento. Analisemos o caso dos pirilampos onde se verificou que estes insectos não têm todos o mesmo ritmo de piscar a sua luz, consoante a sub-espécie a que pertencem. A cada ritmo do piscar, só respondem determinados parceiros, o que evita muito os cruzamentos e troca de genes entre a população de pirilampos. Deu-se neste caso uma selecção sexual. Pode também surgir um isolamento reprodutivo mecânico quando,devido a uma diferença de formato dos orgãos reprodutores não é possível, por exemplo, uma polinização generalizada. É um caso muito vulgar nas flores das plantas superiores. Passemos agora à Selecção Natural : Como já referimos ,as variações numa espécie são submetidas ao meio ambiente que, através da selecção natural, conserva as favoráveis e elimina as desfavoráveis. Vejamos dois exemplos : Antes da industrialização da Inglaterra, predominavam naquele território as borboletas claras. Às vezes apareciam mutantes escuras dominantes que ,apesar de serem mais robustas , eram eliminadas pelas aves por serem visíveis nas cascas claras das árvores. Com os fumos das muitas fábricas as cascas das árvores ficaram escuras de sujidade, camuflando as borboletas mutantes escuras e pondo em evidência as borboletas claras,que passaram a ser comidas pelas aves.O número de mutantes escuras ficou em maioria e, com o passar dos tempos, só havia cruzamento entre elas. Assim, naquela região, a população de borboletas claras evoluiu para outra escura. Passemos a outro exemplo : A espécie " mosca caseira" foi combatida pelo homem com DDT . Este produto matava a moscas comuns mas algumas, talvez devido a mutações, tinham maior resistência ao produto e escapavam com vida. Estes mutantes conseguiam reproduzir-se , dando moscas sempre resistentes, indiferentes ao DDT. Desta forma, a mosca caseira inicial evoluiu para a mosca caseira resistente.Facto idêntico acontece com espécies de bactérias que se tornaram imunes aos antibióticos, por uso indiscriminado destes.

10.4.08

A HABITAÇÃO....ao longo dos tempos

Desde sempre o Homem sentiu a necessidade de criar um abrigo contra os perigos e intempéries, como qualquer outro animal. Mas, enquanto os animais construiam sempre o mesmo tipo de abrigo com os mesmos materiais, o Homem foi fazendo a sua habitação com os materiais mais diversos e com formas variadas, de acordo com os meios disponíveis e tipo de vida que levava, sedentário ou nómada. Começou pelas grutas, de onde expulsou os animais,protegendo a entrada com uma fogueira. Estávamos no Paleolítico ou Idade da Pedra, sendo o Homem um caçador. Nestas grutas podiam já existir cabanas como é o caso da gruta de Lazaret ou as cabanas de Terra Amata, ambas em Nice, com mais de 300.000 anos. Há 15.000 anos (paleolítico recente) , nas zonas frias do norte da Europa, o homem vivia em tendas de base oval ou rectangular. Estas tendas eram feitas de peles de animais, cosidas entre si, e estendidas sobre uma armação de madeira ou de ossos de grandes animais, como os mamutes.Usavam agulhas de osso e tendões como linha de coser. Alguns tipos de arquitectura são universais, encontrando-se em civilizações muito diversas. É assim que há 6.000 anos, já no Neolítico, a forma rectangular de habitação é a mais comum. O homem já está a polir a pedra, a dedicar-se à agricultura e à domesticação de animais. Usa o barro para utensílios e também na construção. As paredes das casas são feitas de argila, aplicada sobre uma estrutura de madeira. São casas de um só compartimento tendo, por vezes, um alpendre. Em alguns locais a estrutura de madeira não leva revestimento de barro, mas são sempre cobertas de colmo com tecto de duas águas.Imitando as cabanas primitivas emcontramos em Khirokitia (Chipre),casas com base circular em pedra calcária ,suportando paredes de lama seca ou tijolo cru,isto 6000 anos AC. . Terminam em cúpula ,fazendo lembrar as cabanas circulares.O homem do Neolítico que vivia em terrenos pantanosos, junto de rios ou lagos,construia as habitações sobre plataformas de madeira suportadas por estacas - palafitas-. Normalmente estas habitações estavam ligadas a terra firme por um passadiço. Eram de madeira e estavam cobertas de material vegetal, sendo uma protecção e uma facilidade para a actividade de pesca. Ao longo dos séculos a técnica humana foi evoluindo, nos materiais e processos de construção, verificando-se, por exemplo, que a casa romana oferece já elementos de conforto. O centro deste tipo de casa é o "atrium", uma espécie de pátio a céu aberto, pavimentado e com um lago central.( Na mesopotânea do 3º milénio a casa era idêntica mas sem o lago )Á volta do "atrium" existiam várias salas e galerias e não faltava o banho privado . O chão era de mármore ou de mosaicos decorativos, as paredes possuiam pinturas e as portas eram de correr.

















Este modêlo foi adoptado de maneira muito modesta pelos árabes e acabou por dar , no nosso Alentejo, a casa-pátio. No mundo romano do séc.III surgem as casas de apartamentos, possivelmente como a da figura abaixo. A escada que dava acesso aos pisos superiores que, por lei, não podiam ser mais de cinco, abria na rua.
Como é óbvio, as edificações não foram semelhantes em todo o mundo, numa mesma época. Dependiam dos materiais encontrados para as fazer ,e das posses dos seus proprietários . Na América do Sul, antes da influência europeia, as casas eram de adobe ,ou pedra unida com barro, e tinham a forma de povoado fortificado. As pequenas janelas davam só para o pátio interior e a entrada para as habitações fazia-se por aberturas nos terraços, recorrendo-se a escadas de madeira que podiam ser retiradas em caso de ataque.
Gostaríamos de incluir neste apontamento os diversos tipos de casa portuguesa, tão diferentes de norte a sul. Se começarmos pelo norte litoral, região preferida pelo homem desde a pré-história, encontramos nela riqueza dolmética e castreja. A abundância do granito é determinante no tipo e técnica de construção tradicional desta zona. O emprego do granito, mais ou menos elaborado, caracteriza uma casa de compridas varandas em granito ou madeira. O granito é, a maior parte das vezes, rebocado com argamassa caiada de branco .









Para leste , o granito vai dando lugar aos micaxistos, quartzitos e calcários, daí que as casas modifiquem consoante o material existente . Coberturas em ardósia eram típicas no Marão ,bem como as varandas em madeira nos andares cimeiros. Para sul, continuamos a encontrar o granito e o xisto, daí a construção usar estes materiais sem grandes mudanças na forma. A foto seguinte mostra uma conhecida aldeia de xisto na região centro , o PIODÃO . É pena que esteja a ser adulterada com casas de cobertura em telha e as paredes com reboco branco . Muitas foram remodeladas por dentro, mas mantendo a traça primitiva. No litoral, na zona de Mira e Tocha, eram tradicionais as casas em madeira, assentes nas dunas e com uma ocupação estival. Durante os meses de verão as populações viviam da pesca mas, no resto do ano, vinham mais para o interior ,onde praticavam agricultura, vivendo em casas contruídas com as rochas calcárias dessa região. No Alentejo encontramos as casas brancas ,de pedra ou adobe, isoladas ou em grandes aglomerados, ressaltando as grandes chaminés e a quase ausência de janelas, como protecção contra o calor.












Já no Algarve,com a influência do clima mediterrânico, pedrominam as casas brancas, com terraços e chaminés rendilhadas. Não podemos esquecer que estivemos a falar de casas típicas,hoje quase desaparecidas das cidades e vilas devido á globalização de gostos e técnicas de construção.. Nos Açores e Madeira a construção é feita de pedra basáltica, quase todas rebocadas e caiadas,com uma excepção para as zonas de montanha ,na Madeira, onde a habitação era de madeira coberta a colmo. k

7.4.08

NAN MADOL


Na pequena ilha de Temuen, no oceano Pacífico,fica situada Nan Madol um conjunto de 82 ilhas artificiais com construções e fortificações em pedra e uma idade estimada em 200 anos antes de Cristo. Alguns dos 400.000 blocos de basalto destas construções chegam a pesar 2.500 Kg.Quem construiu esta Veneza do Pacífico e como as pedras foram transportadas pelas selvas húmidas e pelas águas pouco profundas do mar, é um enigma. Nan Mandol em polinésio significa " o lugar dos espaços livres", sendo conhecido como recife celestial pelas populações locais que acreditam ser ali que os deuses desceram á Terra. As 82 pequenas ilhas artificiais têm alicerces aquáticos formados de pedras maciças , preenchidos com fragmentos de pedra e de coral. Por cima foram construídas habitações semelhantes a pequenos fortes que resistem às investidas do mar. Que conhecimentos de engenharia ou máquinas poderosas possuiriam os seus construtores ? Seria esta a mesma sabedoria que permitiu, na Europa da Idade da Pedra, erguer menires e outras construções idênticas com preceitos astronómicos ? É que David Childress, arqueólogo americano, descobriu em mergulhos a 25 m de profundidade,monólitos em posição vertical, em linha perfeitamente recta que termina nas profundezas do oceano. Nan Mandol foi uma cidade grande ,com um verdadeiro labirinto de corredores subterrâneos. Para Walter Langbein, especialista em assuntos de astronáutica, este sítio era o local onde "seres das estrêlas" desciam á Terra. Segundo ele, os túneis subterrâneos onde circula água que alimenta lagos artificiais em ilhas artificiais, não foi obra de seres humanos, mas de seres inteligentes anfíbios de outro planeta. As lendas da Polinésia falam do seguite : " Em tempos remotos desceu dos céus uma canoa. Não chegou vinda do mar alto, mas dos céus que ficam por cima. A bordo vinham três homens. Esse barco voador veio ter a Nan Mandol tendo pairado no ar sobre a ilha. Os homens do barco convidaram um chefe local para ir a bordo e juntar-se a eles. Depois partiram e ,quando voltaram, esse chefe tornou-se o primeiro rei " . Consta que durante a ocupação Japonesa, entre 1919 e 1944, mergulhadores da marinha terão encontrado debaixo de água não apenas o que resta das residências, das estradas e das abóbadas, mas também algo que surge nas lendas, a casa dos mortos, onde estariam sepultados os antigos governantes. Os mergulhadores da armada japonesa terão encontrado caixões feitos em platina, perfeitamente estanques, tendo trazido pedaços deste valioso metal. Espantoso é o facto de numa relação dos principais bens exportados em 1930, constar platina, juntamente com a baunilha,tapioca e madrepérola. Este valioso metal deve ter enriquecido os cofres do Império Japonês durante muito tempo, só terminando quando dois mergulhadores não regressaram das suas excursões subaquáticas ao sítio onde estavam os caixões de platina. Este é mais um ENIGMA DA ANTIGUIDADE, semelhante ao que publicámos em Janeiro de 2008.

4.4.08

A ORIGEM DA VIDA

Desde os tempos mais remotos que o Homem tenta explicar a origem da vida tal como a conhecemos hoje. As primeiras explicações foram de natureza religiosa, atribuindo a vida a um Cridor supremo.(Teoria Criacionista).Quatro séculos antes de Cristo, no tempo de Aristóteles, apareceu a primeira explicação não religiosa: a vida surgia da matéria inorgânica que, devido a um princípio activo,originava os seres vivos. Os defensores desta teoria designada de Abiogénese ou Geração Espontânea afirmavam que os mosquitos provinham da lama, os sapos da terra húmida, os peixes do lodo, os ratos da palha podre e outras coisas que tais, tudo por acção do tal princípio activo que ninguém sabia o que era. Esta teoria foi posta em causa no séc XVII pelas experiências de Francisco Redi e no séc XVIII pelas de Lázaro Spallanzani. Estes cientistas mostravam que a vida só podia surgir de outra pré-existente. Infelizmente as suas experiências não eram totalmente conclusivas,dadas as condições de trabalho na época, e só em 1862 Louis Pasteur realizou outras, totalmente credíveis ,que acabaram com a teoria da Abiogénese. Segundo Pasteur, " nas condições actuais ,a vida provém sempre de outra já existente ". A questão não ficou por aqui encerrada, pois havia o problema de explicar o aparecimento da primeira forma de vida. Em 1908,Arrhenius apresenta a hipótese da Panspermia , afirmando que a vida na Terra se devia a esporos vindos do espaço sideral e transportados por meteoritos que cairam no nosso planeta. O problema mantinha-se : e lá no espaço como tinham surgido esses esporos ? A ideia foi retomada por Francis Crick, em 1980, só que, em vez de meteoritos, foram naves espaciais não tripuladas que transportaram colónias de microrganismos. Os lançadores dessas naves pertenceriam a uma civilização muito avançada tecnologicamente, há já biliões de anos . Por nos parecer haver uma hipótese de explicação lógica e comprovada laboratorialmente sobre a origem da vida na Terra, tentaremos explicar a Teoria de Aleksandr Oparin . Em 1924 este cientista russo partiu do pressuposto de que as condições do planeta Terra, no seu início, eram diferentes das actuais . Vamos tentar sintetizar as suas ideias : »»» Há 4.000 Ma (milhões de anos) a jovem Terra não tinha ainda arrefecido a sua crosta ,e a atmosfera por não possuir oxigénio, era redutora.»»» Havia milhares de vulcões em actvidade que lançavam na atmosfera hidrogénio (H2),metano (CH4),amoníaco (NH3), vapor de água ( H2O)e sulfureto de hidrogénio (H2S) .»»» Como a atmosfera não continha oxigénio os raios ultravioleta eram muito fortes.»»» As trovoadas eram constantes e as águas resultantes foram-se acumulando dando os mares primitivos, ainda sem qualquer vida.»»» Os gases da atmosfera primitiva, sujeitos às descargas eléctricas das trovoadas e aos fortes raios ultravioleta, ionizaram as suas moléculas que se combinaram entre si dando moléculas inorgânicas mais complexas. Estas recombinaram-se também dando, por sua vez, moléculas orgânicas simples.»»» As moléculas orgânicas simples foram arrastadas pelas chuvas para os mares primitivos onde se acumularam originando aquilo a que Oparin chamou de caldo primitivo .
Até este ponto a Hipótese de Oparin foi comprovada pela experiência que Stanley Miller e seus colaboradores realizaram em 1953 e que passamos a descrever:



No balão (lado direito)foram colocados os gases :hidrogénio, metano, amoníaco, dióxido de carbono e azoto, simulando a atmosfera primitiva. Havia também vapor de água vindo do balão do lado esquerdo. Este simulava os mares primitivos muito quentes que tinham forte evaporação. Os gases do balão foram submetidos a descargas eléctricas de 60.000 volts, durante uma semana, simulando as trovoadas e os ultravioleta. O vapor de água e gases eram condensados no lado direito do aparelho, simulando as chuvas primitivas. Ao fim de uma semana de trabalho contínuo deste aparelho a água estava amarelada e ,depois de analisada ,verificou-se conter aminoácidos (alamina, glutamato, ácido aspártico) e ácidos orgânicos (fórmico, acético, propriónico, láctico e succínico) tudo isto moléculas orgânicas. Para termos uma ideia de como as moléculas inorgãnicas originaram , por recombinação, as moléculas orgânicas simples observemos o esquema a seguir:


«As moléculas orgânicas têm , em conjunto,átomos de carbono(bola preta)hidogénio( bola azul)e oxigénio(bola vermelha)» VOLTEMOS À HIPÓTESE DE OPARIN : »»» No caldo primitivo, as moléculas orgânicas simples (formaldeído)reagiram entre si e deram outras mais complexas (ribose ,glucose ,etc).Estas estruturas mais complexas,rodearam-se por uma espécie de membrana de hidrocarbonetos que as isolavam do restante caldo primitivo . Estavam formados os coacervos estruturas parecidas com as células, mas ainda sem qualquer característica de vida . »»»As reacções no caldo primitivo eram catalisadas pelas argilas e basaltos quentes das margens dos mares.( também este facto foi confirmado em laboratório por Fox) »»» Nos coacervos, algumas moléculas orgânicas reagiram entre si dando outras mais complexas, algumas até tendo capacidade de autocópia e outras capazes de controlo de reacções ,surgindo assim as primeiras características de vida. Os coacervos não são seres vivos, por isso chamar-lhe-emos de pré células ou pré-biontes.»»» Os pré-biontes ( semelhantes a uma bactéria actual) eram heterotróficos,isto é, absorviam novas moléculas do caldo primitivo, para manter e aumentar a sua estrutura e para produzir a energia que os mantivesse . A energia necessária era obtida a partir de moléculas sulfurosas tal como sucede,hoje em dia,com bactérias dos fundos marinhos. »»» Durante milhões de anos os pré-biontes terão evoluído quimicamente a sua estrutura para uma posição autotrófica de síntese de "alimento". »»» O aparecimento de oxigénio na atmosfera da Terra levou a que as bactérias autotróficas se desenvolvessem em cianobactérias, obtendo a energia para o seu metabolismo por reacções fotossintéticas, possivelmente há 2.000 Ma. »»»A pouco e pouco os pré-biontes adquiriram mais características dos seres vivos, mas esta evolução é tão gradualmente ténue, que não podemos precisar o momento em que deixamos de ter um pré-bionte e passamos a ter um ser vivo.

Estima-se que a vida terá surgido há 3.4oo Ma.; células com núcleo contendo RNA e DNA há 2.000 Ma e organismos pluricelulares há 700Ma. Depois é a EVOLUÇÃO NATURAL ,o aparecimento e desaparecimento de espécies, mas isso é outro assunto.

1.4.08

SISMOS

Os sismos,tremores de terra ou terramotos são abalos naturais da crosta terrestre que ocorrem num período de tempo de alguns segundos, em determinado lugar , e que se propagam em todas as direcções como ondas sísmicas ,dentro e á superfície da Terra, sempre que uma energia é libertada bruscamente. A energia libertada pode ter várias origens: ser o resultado de vulcanismo explosivo ou de movimento de grandes massas rochosas no interior do planeta ( Tectónica de Placas ). O local onde se liberta essa energia denomina-se Foco ou Hipocentro. Ao ponto que ,á superfície, está na vertical do Foco ,dá-se o nome de Epicentro e é o local onde o sismo se faz sentir com maior intensidade. Por que acontecem os sismos é o que tentaremos explicar. De acordo com a física ,qualquer material rígido quando submetido á acção de forças (pressões e tensões) deforma-se até atingir o seu limite de elasticidade.Caso a acção da força continue, o material entra em ruptura, libertando instantaneamente toda a energia que havia acumulado durante a deformação elástica. Em termos gerais, é aquilo que se passa quando as rochas do interior da Terra ficam submetidas a tensões. Sob o efeito destas tensões ,a litosfera (parte sólida da crosta terrestre) acumula energia. Logo que, em certas regiões,o limite de elasticidade é atingido, as grandes massas rochosas quebram dando origem a falhas.( A foto a seguir mostra uma falha).A energia bruscamente libertada na formação da falha origina o sismo . Se as tensões continuarem na mesma região, a energia continua a acumular-se e a ruptura seguinte far-se-á ao longo da falha já existente. As forças de fricção entre os dois lábios de uma falha e os seus deslocamentos de um em relação ao outro, não se fazem de maneira contínua e uniforme , mas por impulsos sucessivos, originando cada um deles um sismo. Depois da ruptura inicial, verifica-se uma série de rupturas secundárias , as quais correspondem ao reajustamento das rochas fracturadas, originando sismos de menor intensidade a que damos o nome de réplicas. As réplicas só terminam quando o reajustamento estiver concluído . Os sismos só se produzem em material rígido, daí que só ocorram na litosfera e nunca na astenosfera que é constituída por material pastoso e fluído. ( ver postagem deste blog em Fevereiro 2008 ,sob o título A Terra) As ondas sísmicas propagam-se através das rochas por movimentos ondulatórios, dependendo a sua propagação da composição química dessas mesmas rochas e ainda do seu estado físico. As ondas que se geram nos Hipocentros ou Focos e se propagam pelo interior, são chamadas de ondas internas ,como é o caso das ondas P e S e as que são geradas á superfície ,quando as internas lá chegam, são designadas de ondas superficiais como é o caso das ondas L e R. (Love e Rayleigh) As ondas P são também chamadas de primárias por serem as primeiras que são registadas nos sismógrafos: de compressão por comprimirem as moléculas das rochas . As ondas S podem tomar o nome de secundárias pois são as segundas a ser registadas ; transversais já que as partículas das rochas vibram transversalmente á direcção de propagação do sismo . As ondas P propagam-se em todos os meios pelo intertior da Terra, aumentando a velocidade com a distância percorrida, enquanto as ondas S só se propagam em meio sólido, não se propagando na astenosfera que é fluída. As ondas L e R são as causadoras dos estragos visíveis á superfície. Os focos dos sismos podem ser superficiais ,intermédios e profundos,consoante a sua localização. Os epicentros dos sismos não se apresentam distribuídos aleatóriamente á superfície,antes pelo contrário,estão de acordo com a Tectónica de Placas. Por uma questão de método ,a Tectónica de Placas será explicada no final deste tema de sismologia, ficando agora só a ideia de que a distribuição dos focos sísmicos corresponde aos limites das Placas Tectónicas. Alguns sismos são acompanhados de fenómenos secundários,tais como ruídos,vulcanismo atenuado e maremotos ou tsunamis que são enormes vagas oceânicas com mais de 15 metros de altura , que se abatem sobre as regiões costeiras destruindo tudo, já que são verdadeiras " montanhas " de água com velocidades de 700 Km /hora. Há duas escalas para avaliar os sismos: a de Mercalli modificada, baseada nos relatos sobre os efeitos produzidos pelo sismo e em que existem 12 graus de intensidade, como se pode ver abaixo: Esta escala de Mercalli é muito subjectiva, pois depende daquilo que as pessoas dizem que sentiram ou viram e ainda pelo facto das construções dos edifícios não serem todas iguais,umas mais frágeis que outras. Por estes factos passou a usar-se uma escala matemática, dependente apenas da quantidade de energia libertada no foco sísmico. Esta escala denominada de Richter ,tem 9 graus de grandeza e é dada por uma fórmula matemática em que entra a amplitude das ondas registadas no sismógrafo.Os graus dessa escala avaliam magnitudes do sismo. Agora que temos uma ideia geral do que é um sismo vamos abordar, da maneira mais simples possível, a teoria da TECTÓNICA de PLACAS.

A teoria da Deriva dos Continentes deve-se ao alemão Alfred Wegner que considerava que, há 200 milhões de anos, existia apenas um super continente-Pangea -rodeado por um único mar - Pantalassa- A Pangea começou a fracturar-se ao longo de milhões de anos dando dois grandes blocos a Laurásia e a Gondwana. Os dois grandes blocos também se foram fracturando, ao longo de muitos milhões de anos, até darem os continentes actuais. Esta teoria de Wegner era apoiada pelos seguintes factos : o encaixe quase perfeito entre os continentes sul americano e o africano; nestas zonas de encaixe as rochas eram as mesmas, estavam pela mesma ordem de deposição e tinham a mesma idade,isto tanto na costa africana como na americana;
também as espécies fósseis de um lado e outro eram as mesmas e não se tratava de animais aquáticos,pelo contrário ,eram de animais e de plantas terrestres Tudo isto levava a pensar que, em épocas muito recuadas, os dois continentes estiveram unidos.Mas que forças colossais são estas que deslocam continentes a tais distâncias ? A explicação para este fenómeno foi dada ,anos depois da morte de Wegner ,com a teoria da Tectónica de Placas. Esta teoria diz-nos que a camada superficial da Terra (Litosfera) é formada por várias placas (enormes plataformas) que estão em movimento relativo umas com as outras. O estudo dos fundos oceânicos veio mostrar que estes estão em crescimento constante, descoberta esta feita pela análise dos sedimentos marinhos e das anomalias magnéticas impressas nas rochas basálticas( férricas) desses fundos marinhos. As inversões magnéticas são simétricas de um lado e do outro da crista média oceânica, uma linha de grandes elevações que vão de norte até ao sul do oceano Atlântico.como uma coluna vertebral. Chegou-se á conclusão que os fundos marinhos cresciam igualmente para os dois lados da crista média, sendo os basaltos junto á crista mais novos que os mais afastados . Se os fundos marinhos (placa oceànica)estão em constante crescimento, a Terra tem de estar a aumentar de volume ,o que não acontece . Então só pode haver uma explicação: Se eles crescem constantemente a partir da crista dorsal oceânica, estarão também a ser constantemente destruidos noutro local. Esse local pode ser, por exemplo, no limite com a placa continental, numa região de fossa oceânica. Como estes fenómenos de origem e destruição da placa oceànica não se fazem pacificamente , será ao longo das cristas e das fossas que se localizam os focos sísmicos.
As placas podem ter os seguintes limites: Divergentes -- onde a nova crusta ou crosta oceânica é gerada, enquanto as placas são empurradas,afastando-se. Convergentes---onde a crosta é destruída. Transformantes---onde a crosta não esta a ser produzida nem destruida, com as placas a deslizarem horizontalmente uma em relação á outra.


Como se dá a deriva continental é o que tentaremos explicar a seguir, socorrendo-nos da figura abaixo:
Já sabemos que a Astenosfera está no estado fluído tendo por cima, no estado sólido, a crosta oceânica e a crosta continental, ou se quizermos a placa oceânica e a continental. Devido ás altas temperaturas formam-se na Astenosfera correntes circulares do seu material (magama),as correntes convectivas. Estas correntes tendem a trazer o magma da Astenosfera para a superfície,através do Rift , uma fenda na crista dorsal. O material arrefecido nos bordos laterais do Rift vai empurrando o mais antigo para os lados,afim de dar lugar ao novo material que por essa fenda vai subindo e arrefecendo ,num processo contínuo. Este local é um limite divergente de placas e assim a crosta oceânica está sempre a crescer e a mover-se ,porque as correntes convectivas da Astenosfera funcionam como rolamentos para o material sólido que lhe fica por de cima. O movimento da crosta oceânica, com uma velocidade média de 3 cm por ano, vai fazer com que esta entre em oposição (choque). por exemplo, com a placa continental , num limite convergente de placas .Devido á diferença de densidades das placas, a placa oceânica mergulha sob a continental, segundo um plano inclinado denominado zona de subducção ou de Beniof, sendo de novo reabsorvida pela astenosfera. Como este movimento de mergulho se faz com enorme atrito, provoca gigantesca concentração de energia, que se libertará sob a forma de vulcão ou de sismos.(lado direito da figura acima) O mesmo acontece quando há choque entre duas placas oceânicas em que uma mergulha sob a outra( lado esquerdo da figura) Quando a convergência (choque) é entre duas placas continentais, nenhuma mergulha, mas enrugam os seus bordos dando origem ás grandes cadeias montanhosas como no caso dos Himalaias. Em princípio os interiores das placas são geologicamente calmos, por não haver forças em oposição. Existem contudo excepções: observando um mapa do Oceano Pacífico revelam-se. muitas ilhas afastadas dos limites da Placa. Todas elas tiveram origem em vulcanismo do fundo do mar,como no caso das ilhas do Hawai. A datação de lavas da cadeia Havaiana mostrou que as suas idades aumentam á medida que nos afastamos do vulcão actualmente activo. Este facto explica-se porque a maior parte dos vulcões que surgem no interior das placas, são criados por pontos de erupção,fontes fixas de magma que se erguem das profundezas do manto e não da Astenosfera. Estes pontos quentes são conhecidos por Hotspots. Tais pontos quentes normalmente dão origem a emissões vulcânicas não explosivas. É notável a ligação entre a actividade vulcânica e as placas continentais e oceânicas, particularmente nos limites das placas. Deste modo podemos falar em vulcanismo de subducção resultante do choque de placas oceânicas, originando os arcos de ilhas com vulcanismo ou do choque de uma placa oceânica com uma continental, dando montanhas costeiras com actividade vulcânica; vulcanismo no interior das placas oceânicas,associado como referimos aos pontos quentes; vulcanismo de crista oceânica, originando a nova crosta oceânica e que é observado no Rift . Concluiremos dizendo que os sismos resultam ,na quase totalidade, da energia libertada quando uma placa cede em relação á outra. Uma minoria deles terá como origem abatimentos de tectos de cavernas ou de um vulcão adormecido que entrou em actividade explosiva.

28.3.08

LUA,o nosso satélite natural


VIAGEM Á LUA

Quando a 20 de Junho de 1969 foram vistas imagens de televisão do pouso da nave Apolo XI na superfície lunar, muitos pensaram tratar-se de um truque televisivo característico da "Guerra Fria" entre os Estados Unidos e a União Soviética. Mesmo hoje há alguns descrentes que o continuam a afirmar baseados em presumíveis êrros de fotografia e filmagem, como sombras em diversas direcções. Só não se entende por que a ex- URSS não tivesse tentado desmascarar esta possível fraude americana, se era do seu interesse manter o primeiro lugar na corrida espacial.

O desejo de conquistar a Lua sempre foi ambição do Homem, de tal forma que Júlio Verne ,em 1865, escreve um romance em que um grupo de homens viaja até á Lua usando, para o efeito, um gigantesco canhão. Os Americanos não usaram um canhão, mas sim os conhecimentos de Wernher von Braun, cientista alemão capturado no final da IIª Guerra Mundial e que era o pai das bombas voadoras V2, impulsionadas por um pequeno foguetão. Este técnico acabou chefiando o grupo de cientistas americanos autor do foguetão Saturno V, que levou as naves Apollo até á Lua .Antes do Homem pisar o nosso satélite natural, muito teve que se estudar e testar : Lembremos a cadela russa Laica que foi lançada para a espaço a 3 de Novembro de 1957 e onde acabou por morrer por falta de oxigénio, ou os diversos chimpanzés, utilizados como astronautas cobaias, primeiro em terra e depois no espaço. Só depois de muitos testes em simuladores e em voos orbitais com estes animais , é que Russos e Americanos se arriscaram a orbitar seres humanos. O primeiro foi o russo Yuri Gagarin, posto em órbita a 12 de Abril de 1961.Foi ele que viu ,pela primeira vez o nosso planeta do espaço e afirmou que a Terra era azul.


(cadela Laica e a Terra vista do espaço)

Russos e Americanos continuaram a competição no envio de satélites, testando os seus foguetões lançadores. Após muitos voos não tripulados a missão Apollo XI pousou na superfcie lunar, a 20 de Junho de 1969 ,num local designado Mar da Tranquilidade. Os primeiros astronautas a caminhar na Lua foram Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Ficou célebre a frase de Armstong quando pisou o solo lunar: Um pequeno passo para um homem,um salto gigantesco para a Humanidade. Depois da Apollo XI, cinco outras missões estiveram na Lua e ninguém contestou o facto A primeira permanência na Lua foi de 2 horas e10 minutos, tendo lá sido deixados um sismógrafo, um reflector de
raios laser,uma câmara de vídeo e uma antena de comunicações, bem como uma bandeira dos Estados Unidos. Foram recolhidas 27 amostras de pedras e poeiras lunares. Estas e outras amostras posteriores mostram que as rochas lunares são diferentes das rochas da superfície terrestre. Como respondem a isto os que não acreditam nas viagens á Lua ? Como é que lá está ainda em funcionamento o reflector de raios laser, que permite medir com grande precisão a distância da Terra á Lua? Os soviéticos nunca colocaram um homem na Lua, mas isso não invalida o seu mérito na conquista do espaço. Pese o facto de não ter havido mais alunagens , depois das seis efectuadas, o nosso satélite natural continua a ser estudado através de sondas orbitais e embora esteja perto no nosso planeta, estamos longe de solucionar todos os seus mistérios, desde o da sua formação e até se a vida na Terra teve lá a sua origem ou o seu futuro . A maioria dos cientistas pensa que a Lua nasceu a partir de uma gigantesca colisão que a Terra sofreu há 4,5 mil milhões de anos e que os detritos que resultaram dessa colisão acabaram por coalescer formando uma lua semi-fluida. As amostras lunares trazidas pelas Apollo e outras missões, sugerem que a Lua tem uma composição química rochosa igual ao manto terrestre. O bombardeamento da Lua por cometas e asteroides ricos em água, ao longo de milhões e milhões de anos, pode ter deixado nela água, possivelmente escondida dentro de crateras nos seus pólos, sob a forma de gelo. A missão da NASA , Lunar Reconnaissance Orbiter, vai lançar este ano de 2008 duas sondas, que irão embater na superfície lunar para procurar gelo no pólo sul.

Que futuro reservamos para a Lua ? Poderemos levar vida da Terra para a Lua?Poderemos um dia habitá-la? São questões ainda sem resposta!O que sabemos é que ela é rica em metais e consegue-se algum oxigénio. Infelizmente é pobre em carbono e daí que, para a cultivarmos com plantas , teremos de transportar para ela carbono e fósforo .


ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL

O fim da guerra fria entre os Estados Unidos e a ex URSS proporcionou uma aliança internacional para a construção da Estação Espacial Internacional, com a finalidade de realizar experiências científicas, fazendo parte deste consórcio dezasseis países, muitos deles europeus. O seu custo estimado em 100 mil milhões de dólars, por muitos criticado, já deu algum retorno com a comercialização das tecnologias desenvolvidas com a exploração espacial tripulada. A Estação Espacial Internacional também é conhecida pela sigla ISS.

Iniciada em 1998 ,foi sendo construída por módulos, mas após o acidente ocorrido com o vaivem espacial americano Colúmbia( 11de Fevereiro de 2003) a construção foi suspensa porque os módulos principais, de tão pesados, só lá podem ser colocados por aquelas naves. Esta paragem de cinco anos levou a que o módulo da Agência Espacial Europeia só fosse lançado em Fevereiro deste ano de 2008.


A paragem, contudo, não evitou que as tripulações da ISS lá continuassem e fossem rendidas,pois eram transportadas pelas naves russas Soyuz. Durante o período de paragem das naves americanas Columb formou-se acumulação de lixo e outro material descartável pois as Soyus não o podiam transportar. O problema ficou resolvido com o auxílio de outras naves russas de carga, as Progress. A Estação Internacional terá 14 módulos pressurizados que incluem laboratórios, compartimentos tipo cais para as naves espaciais,áreas de convívio e módulos de ligação entre as estruturas.Dos 14 previstos , oito já estão em órbita, tendo o primeiro sido lançado em 20-11-1998. Chamou-se Zarya e serviu de gerador eléctrico, armazem e motor de propulsão e orientação durante as primeiras acoplagens.Hoje serve apenas de armazém. O oitavo , lançado este ano (7/2/2008) é a principal zona de experiências científicas dos países europeus. A Estação Espacial Internacional encontra-se em órbita a 300 Kms de altitude, mas tem de ser corrigida diáriamente, pois perde 100 metros de altitude a cada 24 horas. Demora 92 minutos a orbitar a Terra e neste momento tem capacidade para três tripulantes residentes (russos e americanos), embora já tenha sido visitada por astronautas de outros países.As experiências científicas realizadas a bordo são variadas e podem ampliar conhecimentos de biologia,física de fluídos,radiação solar ,além de preparar futuras missões tripuladas a Marte. Antes da Estação Espacial Internacional existiu uma outra da ex-URSS, também habitada e com fins de pesquisa científica. Chamava-se MIR e começou a ser construída em 1986 tendo funcionado até 23 de Março de 2001. Orbitava a 400 Kms de altitude e recebeu cosmonautas não russos , depois do fim da guerra fria . A Rússia decidiu destruir a MIR (foto final), depois de 15 anos em órbita , por carência de meios técnicos e financeiros para a manter no espaço. A sua destruição fez-se com grandes cuidados e apreensões, já que pesava 137 toneladas e a sua desintegração, ao entrar na atmosfera, podia provocar fragmentos de 700 quilos .Tudo correu bem e os seus fragmentos caíram no Oceano Pacífico, a 2.000 Kms da Austrália. O saber adquirido com a MIR foi de grande ajuda para a construção da ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL.

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