10.5.08

INCÊNDIO DE ROMA

A cidade de Roma, no ano 64 DC , era imponente e tinha começado a ser reconstruída, alguns anos antes, pelo imperador Augusto. Como dizem os historiadores, tinha recebido de Júlio César uma Roma de adobe ,para a transformar numa cidade de mármore, com o levantar de templos, teatros, aquedutos e termas ,bem como abrindo praças e mercados. Augusto criara também um enorme corpo de bombeiros como resposta a um dos grandes pesadelos da cidade , os incêndios. Cidade nascida sem planificação, o seu crescimento foi caótico, século após século, com bairros desordenados, fétidos, ruidosos ,de casas empilhadas e ruas perigosas. O excesso incontrolado da população fazia com que roubos e outros delitos fossem banais, acrescidos de incêndios devidos ao amontoado de casas em madeira. Um pequeno lume , para lá de uma cozinha ,ou uma lâmpada de azeite que não fora apagada, podiam provocar um incêndio e destruir bairros inteiros.O corpo de bombeiros,formado por 600 escravos, não tinha mãos a medir, numa cidade onde havia 100 pequenos incêndios diários.Poucos anos depois ,o número de bombeiros e vigilantes era de 7000,organizados por bairros, mas o perigo de incêndios continuava. Meio século após a morte de Augusto, já com Nero no poder, tudo continuava na mesma na administração e vida diária até que, um grande incêndio, tudo mudou. Parece que o fogo começou de maneira acidental, na noite de 18 para 19 de Julho , em artigos inflamáveis do mercado junto ao Circo Máximo, onde se praticavam corridas de carros. Favorecidas pelo descampado do terreno, o calor do verão e os ventos de sudeste, as chamas propagaram-se ás habitações vizinhas. Os bombeiros do bairro mobilizaram-se com rapidez, mas nada puderam fazer quando as chamas atingiram as insulae, casas de vários pisos , ligadas umas ás outras e construídas com interiores de madeira. O incêndio expandiu-se em várias direcções, subiu os montes Palatino e Célio, devorando as elegantes casas senatoriais ; uma língua de fogo atingiu o porto fluvial, tomando novo alento ao encontrar os armazéns cheios de lenha e azeite. Em pouco tempo toda a cidade ardia, até mesmo os bairros mais distantes ; a confusão era enorme e a população que tentava fugir para os campos ,acabava por se ver rodeada de chamas, sem fuga possível. O fogo extinguiu-se ao fim de seis dias e sete noites mas, quando tudo parecia ter terminado, novo incêndio que durou três dias, apareceu no sector Emiliano, uma zona onde se haviam demolido muitos edifícios para travar o incêndio inicial. Embora com menos mortes, os danos foram maiores, destruindo templos e monumentos. Quando tudo terminou , Roma era uma cidade fumegante com milhares de mortos e três quartos da sua área reduzida a cinzas. Arderam mais de 4.000 insulae e 132 casas aristocráticas. Ninguém se livrou da catástrofe : os prejudicados iam desde as classes humildes e média, até á cúpula da Roma imperial. Ouro, jóias, documentos, mobiliário e outros bens, tudo desaparecera e com isso um dos pilares da economia romana. Ora, aquando do incêndio, o imperador Nero estava muito mal visto, não só pelas suas excentricidades, mas também pelo assassinato de cidadãos ricos afim de ficar com os bens e encher os cofres do Estado e, desta forma, poder distribuir dinheiro e alimentos pela plebe, tornando-se popular. Mas os "patrícios " também sabiam jogar sujo: aproveitando o incêndio, fizeram correr o boato de que este fora ordem de Nero. Como os romanos começaram a dar crédito ao rumor, Nero tratou de desviar as atenções, atribuindo o incêndio aos cristãos, vistos como sectários, supersticiosos e imorais. Presos alguns cristãos influentes, após tortura, confessaram ser os autores do incêndio e daí a feroz perseguição aos cristãos por parte dos romanos . Quando começou o incêndio, Nero estava em Anzio e é pouco provável que,ao chegar á cidade, se tivesse posto a tocar lira e a cantar a ruína de Troia, enquanto observava Roma a arder.

É que a sua própria mansão, a Domus Transitória,também ardia e com ela as suas valiosas colecções de arte e joias. Será difícil saber a verdade já que os seus inimigos, os adversários e os cristãos tinham interesse em denegrir a sua imagem. Verosímel é que Nero tenha beneficiado com o incêndio ,mas não foi o seu autor. Embora após o incêndio, construísse um palácio melhor que o anterior, Nero actuou como um governante sensível ante a desgraça dos seus súbditos . Para alojar as vítimas, mandou abrir o Campo de Marte -alojamento das legiões- bem como os seus jardins privados. Organizou uma cadeia logística para os abastecer de comida e desceu o preço do trigo para um valor irrisório; empreendeu um ambicioso projecto urbanístico para Roma que beneficiou a população e, em vez de aumentar os impostos nas Províncias, o estado contribuiu com dinheiros e materiais para a reconstrução . Por decreto, as casas de vários andares, cinco no máximo, foram construídas em pedra e tijolo, e espaçadas entre si; em cada lar deveria haver material contra incêncios como areia, mantas e água. Os carros que transportavam para Roma as provisões extra de alimentos, deviam levar de retorno os escombros carbonizados que seriam depositados nos pântanos de Óstia, acabando-se assim com os focos de malária. Os actuais engenheiros de incêndios que estudaram este caso, chegaram á conclusão que problemas arquitecturais levaram á formação de chaminés naturais que activaram as chamas, mesmo contra a direcção dos ventos, e que a sua propagação não foi devida a pirómanos com tochas ,espalhados pela cidade. Neste caso, NERO DEVE SER INOCENTADO .

8.5.08

FENÓMENO BIZARRO

Por certo algum dos meus leitores já reparou que, quando se tira a tampa do ralo do lavatório, a água escoa com um movimento giratório. Se pedir a justificação, muitos dirão que é devido á Força de Coriolis , a mesma que obriga as grandes massas de ar a entrar em um forte movimento de rotação, originando os ciclones; estes giram no sentido contrário aos ponteiros do relógio, no hemisfério norte, e no sentido horário, no hemisfério sul. Será que a Força de Coriolis, servindo para os ciclones , serve também para explicar os redemoínhos nos lavatórios? NADA DE MAIS ERRADO ! A massa de água que se escoa e a sua velocidade são tão pequenas que a força de Coriolis é praticamente inexistente. Então a que é devido o fenómeno ? Pura e simplesmente ao movimento que a água tomou no lavatório quando se abriu a torneira. A água , mesmo parada, guarda uma certa quantidade de movimento residual que, apesar de muito pequena, é ainda maior que a força de Coriolis. Faça a seguinte experiência : Em dois lavatórios cheios de água, com o dedo, mexa a água no sentido horário num deles e no sentido anti-horário no outro.Espere que a água esteja completamente parada; com cuidado retire as válvulas na vertical. Verá que a água escoa, em cada um deles, rodopiando em sentidos contrários. Mas vejamos o que é a Força de Coriolis : começaremos por recordar a primeira Lei de Newton, ou lei da Inércia : um corpo não sujeito a uma força, estará em repouso ou em movimento rectilíneo,com velocidade constante. O recíproco também é verdade: um corpo sob a acção de uma força estará em movimento, com velocidade variando de valor, ou de direcção ou de ambas as coisas. Vejamos um exemplo: Uma pessoa que vai num carro que trava subitamente, é atirada para a frente. Que força empurrou a pessoa ? Nenhuma. Simplesmente o corpo da pessoa segue a lei da inércia e, enquanto não surgir uma força em sentido contrário que o impeça,continua para a frente com a mesma velocidade. Coisa semelhante ocorre se o carro fizer uma viragem brusca, provocada por um golpe no volante ou qualquer outra causa, entrando em derrapagem, isto é, saindo da sua trajectório rectilínea original. O passageiro, não estando sob a acção dessa força, tende a continuar a trajectória rectilínea. Como o carro virou, o passageiro é atirado contra a porta. O passageiro parece ter sido atirado por uma força estranha e inexplicável. Dirá mesmo : foi a força centrifuga ! Mas esta força não existe ,dirá alguém que a não sente porque está fora do carro, isto é, do sistema em movimento. A força centrífuga é um exemplo típico de uma força fictícia , como o é a Força de Coriolis que se manifesta em sistemas que estão em movimento de rotação. Imaginemos então a Terra que,como sabemos, está em movimento de rotação. Se fosse disparado um míssel (voando sempre a direito) do equador em direcção ao polo norte, este míssel deslocava-se para a esquerda em relação ao alvo, já que a Terra (com o alvo) estava em movimento para leste, relativamente á trajectória rectilínea do míssel, tal como acontecera com o passageiro dentro do carro em derrapagem. É esta força fictícia que obriga as massas de ar a entrar em rotação originando os ciclones, mas que nada tem a ver com a rotação da água que se escoa do lavatório ou da banheira.

6.5.08

Á G U A

Singularidades do precioso líquido
Já ouvimos, em variados locais, ser vaticinado que uma futura Guerra Mundial será motivada por falta de água potável e, no entanto, ela encontra-se por todo o lado, até fora do nosso planeta. A água é uma substância absolutamente singular, com propriedades extraordinárias devidas á sua estrutura que consiste em dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio ,ligados num ângulo de 105 graus.A sua fórmula química é por todos conhecida H2O. Deveria ser gasosa á temperatura ambiente, tal como o é o sulfureto de hidrogénio H2S ,uma molécula semelhante. Devido ás suas ligações moleculares permite, por exemplo, que alguns insectos se passeiem nela sem afundar . Não é mistério, apenas um fenómeno de tensão superficial. Cada molécula de água está ligada a outra pelas chamadas pontes de hidrogénio que podemos imaginar como molas Observemos a figura seguinte que mostra, esquematicamente, moléculas de água ligadas pelas pontes de hidrogénio.

Á superfície , a molécula de água não tem outra por cima, mas tem de lado e por baixo. Se a puxarmos para cima , as pontes de hidrogénio ,funcionando como molas , puxam-na para baixo num efeito oposto. De igual modo, o insecto, com o seu peso, ao empurrar as moléculas superficiais para baixo ,vai provocar uma reacção oposta das outras moléculas, mantendo-o á superfície. A tensão superficial das moléculas de água é uma força de fraca intensidade; se ela fosse 2% mais intensa, não poderíamos entrar numa piscina . Também é vulgar ouvir dizer que quem anda á chuva molha-se, mas a verdade é que a água não molha muito. Já pensou por que se lava a roupa usando sabão ou detergente ? Apenas para reduzir a tensão superficial da água e esta empapar melhor a roupa. Outra propriedade curiosa é a elevada capacidade calorífica; é necessário atribuir-lhe uma grande quantidade de calor para aumentar a sua temperatura. Da mesma forma arrefece mais lentamente . Se o gelo é água no estado sólido, por que flutua na água líquida ? Apenas porque a densidade a 0 graus é menor do que a 4 graus centígrados. E que dizer da estrutura cristalina do gelo que varia consoante a pressão a que se formou ? Curioso o comportamento da água que , segundo os entendidos, existe por todo o Universo; na árida Lua em crateras profundas, nos cometas, em planetas fora do sistema solar e até no Sol. Cá na Terra ,a grande festa da água será de 14 de Junho a 14 de Setembro de 2008, em Saragoça- Espanha, na Feira Internacional ,nas margens do Rio Ebro. Enquanto lá não vai , trate bem da água e não a consuma desnecessariamente, para que os seus descendentes não corram o risco de ter que a ir buscar a uma pequena lua de Saturno .

3.5.08

DIATERMIA

Com estas bruscas variações de temperatura e humidade, os velhos ossos ressentem-se daquilo a que muitos chamam de reumatismo. Lembrei-me então do meu amigo Mário Portugal, radioamador da velha guarda e investigador por natureza, que tinha criado uma placa diatérmica de uso caseiro, mas com bons resultados. Na Wikipédia, sobre este tema, encontrei apenas duas linhas, o que é estranho pois os fisioterapeutas usam as correntes de alta frequência para tratamentos.Decidi pois alinhavar estas poucas ideias sobre o assunto. Diatermia é o uso de um transmissor de ondas curtas com o objectivo de provocar aquecimento nos tecidos internos do corpo humano. Os equipamentos de fábrica utilizam um emissor de ondas hertezianas, não ligado a uma antena, numa frequência específica da banda dos 27 Mhz. Se o equipamento não está ligado a uma antena , para onde vai a energia por ele gerada? Vai directamente para um "condensador" formado por duas placas de uns 10 centímetros quadrados,cujo dieléctrico não é o ar, mas o corpo do paciente . A finalidade será que os tecidos do corpo , entre as duas placas, recebam essa energia ondulatória e aqueçam sem queimar. O equipamento debita uma potência superior a 200 w, durante alguns minutos. Não nos podemos esquecer que a radiofrequência pode queimar, se forem usadas grandes potências ou tempo a mais o que, infelizmente, já aconteceu em algumas clínicas. O que o meu amigo Mário Portugal ( CT1DT) conseguiu foi contornar a questão usando ,para o efeito, o seu emissor de radioamador, na banda dos 40m,isto é, frequências mais baixas e menores potências. O emissor também não é ligado a uma antena mas, em vez de um condensador, usa uma placa de circuito impresso, por ele desenhada e calculada. Esta placa é um circuito sintónico, em que a sua aproximação ao corpo do doente, faz com que a radiofrequência passe ,por indução, para o corpo do paciente, que fica a funcionar como uma antena fictícia. ( Mostramos a seguir a dita placa sintónica)


Ora, se o conjunto placa-corpo faz a vez de antena, é necessário sintonizar essa "antena", para não aparecerem as ondas estacionárias. Esse é o outro "segredo" da placa do Sr Mário Portugal, o que conseguiu depois de muitas experiências e muitos cálculos. Desta forma, um emissor de radioamador, com uma potência de apenas 10 w, transforma-se num equivalente aparelho comercial de diatermia. Os ensaios feitos em numerosos pacientes, quase todos radioamadores e seus familiares, tiveram como resultado que infecções bacterianas,dores e outras patologias desaparecessem após algumas sessões de 10 minutos. Não se deve confundir diatermia com radioterapia, pois esta última é o uso de radiações, como os raios X e outras , para o tratamento do câncer.

Termino ,publicando ,com a devida vénia, a fotografia do sr Mário Portugal Leça Faria, na sua estação de radioamador e sala de pesquisa, a sala de visitas para os amigos,na sua casa em Benavente. Aconselhamos ler , neste blog, um artigo sobre autogiros em que este radioamador também fez estudos e experiências. (postagem de 1 de Março 2008)

1.5.08

O TEMPO


Reflectindo sobre o Tempo!
Sentado na sala de espera de um consultório médico, folheava uma revista quando se me deparou um artigo sobre o TEMPO. Como este, naquela sala, parecia não querer passar, fui lendo o artigo em questão mirando, de soslaio, o relógio no alto da parede. Recordei que Einstein, em 1905, mostrara que o tempo estava ligado ao espaço e que a sua medida dependia do observador. Será que o tempo não existe e que não passa de uma ilusão da nossa mente ? Antifonte que viveu no séc V antes de Cristo, já tinha afirmado :" o tempo não é uma realidade, mas um conceito ". Também Parménides, um século antes, dizia que o tempo era uma ilusão. Santo Agostinho escreveu :" se ninguém me perguntar, sei o que é o tempo ,mas quando me perguntam não sei o que responder."Pelo seu lado, o Prémio Nobel da Física,Richard Feynman afirmava: " nem me perguntem! É demasiado difícil pensar no assunto ." É verdade que podemos verificar o tempo nos nossos relógios, mas não podemos observá-lo, nem sujeitá-lo a qualquer experiência e, numa perspectiva física o tempo é a quarta dimensão. Recordemos que a posição de um objecto exige, para além das três coordenadas espaciais ( latitude,longitude e altitude )que se saiba a temporal, da mesma maneira que, ao combinar um encontro com uma pessoa, temos de lhe dizer , para além do local, a hora do encontro. Albert Einstein afirmou que o passar do tempo dependia da velocidade com que o observador se deslocava. Assim,qualquer tipo de relógio que esteja em movimento, atrasa-se em relação aos que permanecem em repouso. A sorte que eu tinha em aquela sala de espera não estar a bordo de uma nave espacial , pois teria o relógio a andar mais devagar e a ter de esperar mais pela consulta. Querendo ser pragmático ,pensei que o tempo era aquilo que o relógio marcava, mas, ao comparar o meu com o do consultório, verifiquei que havia um minuto de diferença. Qual dos dois estava certo ? Qual se adiantava ou atrasava ? Claro que estava a partir do princípio que existe um tempo absoluto, mas como podia afirmá-lo se não é possível medi-lo com precisão? Negar o tempo absoluto exige que se neguem as leis de Newton sobre o movimento, mas Einstein conseguiu fazê-lo. Lembrei-me então dos buracos negros em que, qualquer corpo que caísse na sua direcção iria tendo uma velocidade cada vez menor.( ver postagem de 16/3/08 neste blog) No interior de um buraco negro, um relógio não contaria nada,o tempo não existiria. Lembrei-me a seguir das aulas de Física ,na Universidade, e da Teoria Quântica em que o tempo não tem significado e até pode andar para trás. Quando me dispunha a analisar a possibilidade do tempo andar para trás e de regressar aos tempos em que não necessitava de médico, fui chamado para a consulta, levando no pensamento Julian Barbur que afirmara : "as dores de cabeça que este tipo de questões me provocam "ou como diziam os meus alunos , " demasiada areia para a minha camioneta ".

26.4.08

A RÁDIO


Muito se tem escrito sobre este invento e variadas as abordagens ao tema nos inúmeros sites disponíveis. Pela nossa parte, limitar-nos-emos a uma pequena descrição por forma a não cansar o leitor. Diremos que os primeiros passos foram dados, em 1863, quando Maxwel demonstrou, teoricamente, a existência de ondas electromagnéticas. Vinte e cinco anos depois, Rudolfo Hertz construiu um equipamento onde se verificava ser possível passar energia eléctrica entre dois pontos, sem recorrer a um fio condutor. Hertz provou ainda que a electricidade viajava na atmosfera sob a forma de ondas, a uma velocidade de 300.000 Kms por segundo. São as ondas hertezianas. Parece que, pela mesma altura, o padre Landel de Moura, no Brasil, fazia experiências idênticas . Devemos salientar que anteriores invenções terão contribuído para o aparecimento da rádio como sejam : o telefone (A. Bell), o fonógrafo (T.Edison) e o microfone (E. Berliner). Gugliermo Marconi, em 1896 , baseado nas experiências de Hertz e de Tesla e aproveitando o coesor de Brenly, a antena de Popov e um sistema de sintonia desenvolvido por Lodge, contruiu um equipamento que lhe permitiu emitir sinais de radiofrequência a 100 metros de distância e, tempos depois,distâncias maiores.

(foto que apresentamos acima é a do primeiro emissor Marconi)
Tinha assim começado a era da radiocomunicação que é uma coisa diferente da radiodifusão. A primeira é um sistema de contactos entre duas estações (transmissoras e receptoras) através de ondas de rádio, enquanto a segunda é uma transmissão de sinais num só sentido, pois o receptor(ouvinte) não tem possibilidade de dar resposta. Abordaremos em primeiro lugar a radiodifusão. Consideram alguns que a primeira transmissão radiofónica foi realizada , em 1906, por Lee de Forest ao testar uma válvula tríodo (lâmpada de rádio ).Comprovado está que este cientista realizou, em 1908, uma emissão a partir da Torre Eiffel que foi escutada por postos militares em Marselha e que, em 1916,continuava a fazer emisões de voz e música com uma emissora em Nova York. Como já demos a entender, a radiodifusão é a transmissão de ondas de rádio previamente moduladas , por voz ou música, e que chegam aos ouvintes que possuam um receptor,vulgarmente conhecido por rádio.


( foto acima mostra um rádio a válvulas termoiónias da década 1940 )
As primeiras transmissões comerciais regulares datam de 1920, irradiadas pela estação KDKA ,em Pittsburgh e pela WEAF de New York,em 1922. Nesta década,vários países europeus e americanos montaram os seus emissores de rádio, começando logo a ser notados os primeiros problemas na radiopropagação, tais como interferências, espalhamentos e outros, até então desconhecidos. As interferências entre emissoras eram tão graves, em países distantes e principalmente de noite que foi necessário regulamentar as potências e as frequências de emissão, tendo-se criado um organismo internacional para tal fim. Nascia a URI (União Internacional de Rádiodifusão ) no ano de 1925. A foto seguinte mostra um dos primitivos receptores de rádio, anterior á descoberta das válvulas termoiónicas, o conhecido receptor a cristal de galena.

Ao que julgo saber, Portugal teve a sua primeira emissora de radiodifusão em 1924,com o indicativo P1 AA (ct1AA) e funcionado, mais ou menos com certa regularidade ,até 1934.Foi seu fundador o radioamador Sr Abílio Nunes dos Santos. Seguiu-se o Rádio Clube Português em Novembro de 1931 e só mais tarde a Emissora Nacional de Radiodifusão (actual RDP) que começou a emitir em Agosto de 1935. Quanto á Rádio Renascença, esta começou a emitir em 1 de Janeiro de 1937. Antes de 1931, existiam apenas alguns pequenos postos de radioamadores a emitir ,esporadicamente, palestras, recitais de piano e alguma música de gramofone.


Mas o que é uma estação de radiodifusão ? Basicamente é constituída por um estúdio ,onde são gerados os programas ao vivo ou em sistemas de reprodução, e pelo emissor ligado á respectiva antena. O estúdio é formado por uma ou mais salas acusticamente isoladas, onde microfones, gravadores de fita, leitores de CD ou qualquer outro suporte de som ,podem ser misturados numa consola de comando para depois chegar ao emissor. Quando o emissor fica longe do estúdio, um circuito especial faz o enlace entre as duas unidades. As fotos que se seguem são de estúdios de duas emissoras portuguesas que há muito deixaram de operar ; nelas se podem ver as consolas de comando, microfones, gravadores e giradiscos, a única fonte de música dessa época.




As ondas lançadas no éter são ,posteriormente ,captadas pela antena do aparelho receptor que as amplifica, sintoniza, faz a desmodulação do áudio, sinal este que é amplificado para se escutar nos altifalantes. A faixa de frequências para a onda média vai dos 535 aos 1565 Khz,em AM ; as emissoras que pretendem atingir longas distâncias (milhares de Kms) usam a onda curta dos 3 aos 30 Mhz; as rádios locais utilizam frequências mais altas,dos 88 aos 108 Mhz, em FM. Já que falámos em AM e FM ,vejamos o que isto significa: dissemos que as ondas de rádio,qualquer que fosse a sua frequência, necessitavam ser moduladas, por voz ou música, para se poderem escutar. AM significa modulação em amplitude,isto é, a onda portadora de sinal tem sempre a mesma frequência, o que varia é a amplitude da onda,de acordo com o sinal sonoro que lhe foi introduzido.

FM significa modulação de frequência,isto é, a onda portadora mantém sempre a mesma amplitude e o que varia é a frequência ,consoante o sinal sonoro injectado.

Ultimamente prepara-se a rádio digital que permitirá que as emissões em FM tenham a qualidade de um CD e as de AM parecerem FM. Devido á facilidade actual no acesso á escuta, a radiodifusão oferece inúmeras possibilidades na educação de um país. Ao utilizar este meio aliado á escola consegue-se, em muitos países, uma educação de qualidade em locais distantes dos centros urbanos. O contacto entre locutor e ouvinte cria a oportunidade de grande mobilização e de divulgação de conteúdos cívicos, principalmente nas zonas rurais. A nossa radiodifusão , especialmente a maioria das rádios locais, perdeu muito do misticismo e encanto dos velhos tempos, chegando-se ao ponto de grande parte da emissão ser feita automaticamente, isto é, a música e anúncios são emitidos a partir de um pré-programado computador. É aquilo a que alguém já chamou radiodifusão enlatada.Mostramos a seguir um estúdio de uma rádio local , em funcionamento.


Passemos agora à radiocomunicação que, ,como dissemos, é um contacto entre duas estações emissoras-receptoras como, por exemplo, entre vários radioamadores, as viaturas dos bombeiros e o quartel, os aviões e a torre de controlo ou os taxis e a central coordenadora. A radiocomunicação iniciou-se, por volta de 1912, como um telégrafo sem fio mas,quando se descobriu a modulação das ondas, começou a comunicação vocal, embora a telegrafia (morse) só tenha caído em desuso nos anos 70. No início da radiocomunicação usava-se um emissor separado do receptor mas, desde a década de 80, vulgarizou-se o uso do transceptor que é um equipamento emissor-receptor. O telemóvel,hoje tão vulgar, é um transceptor,como o são os equipamentos da Banda do Cidadão ou dos radioamadores. A estes últimos se deve muito do avanço nas comunicações via rádio, pois as suas constantes experiências na tentativa de melhorar as comunicações, com fracas potências, deram origem a conhecimenos que foram aproveitados e desenvolvidos pela indústria. Mostramos a estação do falecido radioamador CT1 QA, capitão Jaime Varela Santos que foi fundador da Rádio Ribatejo, em Santarém.

Terminaremos dizendo que radiogonometria, GPS, radiotermia médica, radiolocalização, televisão, radioastronomia, farol aeronautico ,radar,tudo são o resultado das ondas hertzianas.

21.4.08

POMPEIA....auge e morte

Pompeia foi uma antiga cidade romana, situada a 20 Kms da actual Nápoles, em Itália. Foi destruída por uma erupção vulcânica do Vesúvio, cujas cinzas e outros piroclastos a cobriram na totalidade. Esquecida durante 1600 anos foi descoberta, por acaso, quando um agricultor, ao passar um arado no terreno ,levantou alguns objectos antigos. A cidade possuia 20.000 habitantes dos quais 16.000 morreram, no trágico dia 24 de Agosto do ano 79 DC. Eram 10 horas da manhã de um dia bonito e quente quando, de repente, se ouviu uma explosão e o topo do monte Vesúvio se partiu em dois. Da fenda aberta escorria lava,por vezes atirada ao ar, qual gigantesco fogo de artifício. Havia 900 anos que o vulcão não dava sinal de vida. Sobre a cidade,durante duas horas, tombam pedaços de lava e pedra-pomes; depois é só fumo e cinzas. Quando tudo parecia ter terminado, os gases venenosos descem a encosta do monte e asfixiam todos os seres vivos que não tinham fugido para longe.

Pompeia é um dos mais significativos testemunhos da civilização romana, um livro aberto sobre arte, costumes, ofícios e vida do povo .Podemos ver como era esta enorme cidade,agora que foi liberta da espessa camada de cinzas que a cobriu durante séculos. As memórias do passado estão tão vivas nos restos trazidos á luz que fascinam quem as visita. Nas paredes das casas ainda se leem inscrições de propaganda eleitoral e piadas mordazes; por cima das portas de lojas os letreiros indicam a actividade desenvolvida ou o nome do seu propritário.( A foto seguinte mostra a fachada da oficina de Verecundus, na rua da Abundância)A par de casas enormes dos "patrícios", surgem as casas modestas dos artífices e comerciantes e ,um pouco mais longe, junto a uma horta ,as dos agricultores. Na periferia, os lupanares e casas de prazer para os marinheiros e comerciantes de passagem pela cidade. Nas ruas estreitas, nas lojas ou nos espaços de serviços, descobre-se o quotidiano dos seus habitantes. Móveis, adornos de ouro e prata, lagares, louças, balcões de bebidas, moínhos de trigo, oficinas, alimentos, vendas de legumes e frutas, tudo se pode encontrar como era aquando da tragédia. Nas paredes ficaram preservadas muitas das pinturas interiores das casas mais ricas, como é o caso da casa dos Vettii que mostramos a seguir.Como já referimos,em consequência da erupção, os habitantes que na sua maioria se tinham refugiado no litoral,morreram sufocados pelos gases. Outros foram gaseados em casa , a dormir ou a trabalhar, e muitos nas ruas ,em fuga com as suas famílias. Por um processo de injecção de gesso nos espaços ocos existentes nas cinzas consolidadas , resultantes do que foram os corpos dos habitantes, obtêm-se moldes que revelam como eram e como estavam no momento da sua morte. As ruas de Pompeia possuiam passeios elevados em relação ao piso, valetas de escoamento de águas e, pasme-se, passadeiras para peões ,estas também elevadas ,mas com aberturas para a passagem do rodado dos carrros. Preservada ficou também a arte erótica que existia nas paredes dos quartos dos lupanares e estalagens, onde as prostitutas anunciavam as suas especialidades do culto a Priapo. A cidade , rodeada por uma muralha defensiva, era enorme com as ruas esquadriadas e com belos monumentos.Uma visita rápida a estas ruínas demorará, no mínimo, três horas e muito ficará por ver nas novas escavações, ainda fechadas ao público .


Vale a pena uma visita a Pompeia , levando uns bons sapatos para calcorrear aquelas ruínas, e sonhar com o passado.

17.4.08

A ORIGEM DO HOMEM

As nossas origens estão directamente ligadas com o desaparecimento dos dinossauros,qualquer que tenha sido a causa desse desaparecimento. Os mamíferos, nossos antecessores, já existiam há milhares de anos ,antes do fim dos grandes répteis. Os acontecimentos de há 40 Ma que ditaram o fim dos dinossauros (ver postagem de Janeiro 08) pouparam tudo o que vivia sob a água e os animais de pequeno porte escondidos nas tocas ou sob uma muito densa vegetação, assim se salvando os muito pequenos mamíferos de apenas alguns centímetros de tamanho.
Nem sempre é possível ler nos fósseis cada um dos passos da linha evolutiva que conduz ao Homem ,mas podemos analisar as características dos mamíferos insectívoros, do tipo musaranho, que vieram ocupar os nichos ecológicos deixados vagos pelo desaparecimento dos grandes répteis. Os pequenos mamíferos que vegetavam no solo, alimentando-se de sementes e de insectos, subiram ás árvores, o que requeria importantes adaptações que ainda hoje são as características dos primatas, nós incluídos. A principal adaptação era uma mão com unhas, em vez de garras, e capaz de se agarrar aos ramos e de apanhar comida. Em segundo lugar, uma boa visão tri-dimensional e estereoscópica, o que só é possível com os olhos colocados na parte da frente da cabeça . Por último, a capacidade do animal se pôr de pé , por forma a libertar os membros anteriores para apanhar os alimentos. Só os primatas possuem, simultaneamente,estas três características.Foram precisos 30 Ma para que os descendentes dos musaranhos originais surgissem equipados com todas as capacidades dos modernos primatas, incluindo a visão a côres. Destes primatas primitivos, por vezes chamados pró-símios, ainda sobrevivem , em Madagáscar, os Lémures que nunca tiveram que competir com os antropoides, primatas mais evoluídos. Sigamos o esquema evolutivo abaixo.Os macacos primitivos, surgidos há 40 milhões de anos, evoluíram em dois ramos : os macacos do velho mundo (europa,ásia e áfrica) e os macacos do novo mundo (continente americano) Uma diferença ressalta nestes dois tipos de pró-símios e que é o facto dos macacos do novo mundo usarem a cauda como um quinto membro para se balançarem nas árvores, além de diferenças menores nas narinas e dentição. Só a linha dos macacos do velho mundo evoluiu e, há 25 milhões de anos, dá-se o aparecimento dos símios que são macacos sem cauda. Esta linhagem de símios, há 10 Ma, divide-se em duas: as dos símios actuais ( chimpanzé, gorila,orangotango) e a dos hominídeos que virá a dar o homem actual. Infelizmente há uma grande lacuna fóssil que não nos permite traçar, com exactidão, a linha evolutiva dos hominídeos até ao homem. (Esta lacuna é aproveitada pelos fixistas e criacionistas para combater o evolucionismo. ) Pensa-se que os hominídeos terão saído das florestas e passado a ter uma postura mais erecta, na savana entretanto surgida com a mudança de clima. Consideremos então que há 10 Ma surgiu um primata hominídeo mais evoluído, provávelmente o antepassado mais directo do homem, a que foi dado o nome de Ramapithecus.Os vestígios deste hominídeo foram encontrados nos montes Siwalick na Índia e, mais tarde, em África. Aparentemente andava erecto e não tinha maxilas alongadas ou salientes. Com um cérebro ainda pequeno, podia agarrar e manejar paus e pedras para afastar os seus inimigos. Há 6 milhões de anos, dos Ramapithecus derivaram três ramos :Australopithecus boisei, Australopithecus africanus e o Homo habilis. Os Australopithecus tinham um volume de cérebro idêntico ao de um macaco moderno, andavam erectos e serviam-se de utensílios, possivelmente ossos e seixos naturalmente aguçados. O Homo habilis tinha um cérebro mais volumoso, andava erecto e fabricava utensílios de pedra.

Australopithecus e Homo habilis chegaram a co-habitar em algumas regiões, possivelmente num relacionamento não pacífico, em nichos ecológicos diferentes e com esporádicos cruzamentos. Os Australopithecus acabam por se extinguir há 2 Ma e o género Homo vai evoluindo. Assim, há 500.000 anos, surgia o Homo erectus que viveu na Ásia, África e Europa. Utilizava o fogo e caçava animais de grande envergadura, actuando em grupo. ( A figura acima é uma reconstituição do Homo erectus )
Há 100.000 anos a espécie Homo erectus terá evoluído para duas linhagens: Homo neanderthal e Homo sapiens. O homem de Neanderthal contemporâneo do último período glaciar, deve ter-se extinguido há 40.000 anos, enquanto o Homo sapiens foi evoluindo até dar o homem moderno (Homo sapiens,sapiens), o que deve ter acontecido há 35.000 anos .
Mas não se pense que os Neanderthais eram seres embrutecidos e insensíveis,pois enterravam os seus mortos segundo um ritual que leva a admitir uma crença religiosa. Por vezes enterravam, juntamente com os mortos, alimentos e utensílios, o que indica acreditarem numa vida do além. As sepulturas eram cobertas com pedras, para evitar profanação por parte de animais. O homem de Neanderthal caçava renas, bovinos, bisontes e veados. Usavam raspadores de silex próprios para tirar a gordura das peles, com que se vestiam rudimentarmente. Fabricavam pequenas pontas de lança e bifaces em silex,chegando ao ponto de criar uma faca com serrilha,destinada a cortar os alimentos. É possível que tivessem praticado canibalismo para herdar a força e a magia dos seus inimigos. No que se refere ao Homo sapiens ,sapiens, revelou-se hábil a trabalhar a pedra e criou uma nova série de utensílios mais complexamente trabalhados com a ajuda de um punção de madeira ou de osso que funcionava como martelo. Possuiam furadores,ou sovelas, com que furavam as peles , e buris com que trabalhavam o osso, uma forma de arte. O osso e o marfim eram utilizados para pontas de lança, anzois, agulhas e arpões. O vestuário, em pele de animais, era muito trabalhado e adornado, por vezes,com conchas ou dentes. Usavam colares de dentes de cervos,cascas de caracois,discos de madrepérola e pérolas de marfim. Há 12.000 anos o homem deixou de ser caçador,dando lugar a comunidades mais numerosas de pastores e agricultores, com chefes e artífices especializados. Trigo e cevada,segados com foices de silex ,eram as culturas principais. A partir do ano 6.000, antes de Cristo, surge a utilização do cobre,bronze e ferro permitindo o fabrico de ferramentas novas e mais resistentes. De uma forma lenta e progressiva ,o animal Homem chegou ao que é hoje. Terminarenos com uma reconstituição dos nossos antepassados Homo erectus.


14.4.08

EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS

Vimos, em outro artigo,como teria surgido a vida na Terra a partir de moléculas inorgânicas e como estas passaram a orgânicas; como as últimas foram adquirindo capacidades e características dos seres vivos,em resumo, como os pré-biontes passaram a biontes.( origem da vida-postagem de Abril de 2008). O que não explicamos foi como, a partir dos primeiros biontes, se formaram outros diferenciados até se chegar às espécies pluricelulares actuais. A este facto chama-se evolução dos seres vivos. Antes de continuar definamos a conceito de espécie ; Ao conjunto de seres vivos (animais, plantas ou outros) que se podem cruzar entre si e dão descendentes férteis, diremos que pertencem à mesma espécie. Por exemplo,o cavalo e a burra podem cruzar-se, mas a sua descendência (mula e macho ) não são férteis, logo cavalo e burro são espécies diferentes. Na teoria da evolução afirma-se que as espécies actuais descendem de outras mais antigas que sofreram modificações ao longo de milhares de anos. As evidências do processo evolutivo podem ser observadas no estudo dos fósseis, na anatomia comparada e na embriologia.
Estudo dos fósseis---A análise da sequência de fósseis existentes,desde as rochas mais antigas até às mais modernas, revela uma modificação contínua das espécies e até extinção de algumas. Observa-se também um aumento do número de espécies, acompanhado de aumento de complexidade das sua estrutura corporal.Há ainda o aparecimento de fósseis de transição entre espécies, cujo exemplo mais conhecido é a Archeopteryx. Esta era uma ave com dentes, garras e longa cauda( características dos répteis) e o corpo coberto de penas . Este fóssil mostra a transição dos répteis para as aves.
Anatomia comparada---O estudo comparativo da anatomia dos animais mostra a existência de um padrão fundamental similar na estrutura dos sistemas de orgãos, o mesmo se passando com as plantas. Damos um exemplo: apesar de serem diferentes no aspecto, a barbatana da baleia, a asa da ave,a asa do morcego,a pata do cão, o braço e mão do homem, são orgãos homólogos. Em cada um deles aparece o mesmo número de ossos, músculos e nervos ,ordenados segundo um mesmo padrão . Embriologia comparada---Animais de espécies diferentes, quando na fase de embrião,tem aspecto muito semelhante. Como exemplo diremos que, na fase embrionária inicial , os peixes, anfíbios,répteis, aves e mamíferos (incluindo o homem), têm cauda e bolsas branquiais respiratórias. A explicação é que nós descendemos de outras espécies em que tais orgãos eram funcionais,como os peixes e os anfíbios. Também durante o desenvolvimento embrionário humano ,o coração começou por ter apenas uma aurícula e um ventrículo ( como o dos peixes), passando depois à fase de duas aurículas e um ventrículo (batráquios),seguindo-se um estádio de duas aurículas e dois ventrículos com um septo incompleto (réptil) para finalmente possuir duas aurículas e dois ventrículos. Estas são, muito resumidamente, algumas das razões porque hoje se aceita a teoria do evolucionismo , mas será conveniente fazer uma resenha histórica desta teoria.O primeiro cientista a tentar explicar o processo da evolução foi Jean-Baptiste Lamarck(1744-1829) . Lamarck combatia as ideias criacionistas e fixistas da época, e foi o primeiro a tentar explicar cientificamente o mecanismo pelo qual a evolução acontecia. Para Lamarck ,os seres vivos vão desenvolvendo determinados orgãos de acordo com as suas necessidades. Um dos exemplos mais conhecidos é o do pescoço das girafas. Segundo este cientista, as girafas com pescoço comprido, eram descendentes e outras girafas mais antigas de pescoço curto mas, a necessidade de atingir as folhas das árvores que lhe serviam de alimento, fazia com que os animais tivessem de esticar o pescoço constantemente e, com este esforço constante, o pescoço alongou-se. Esta característica adquirida foi transmitida aos seus descendentes, originando as girafas actuais. Para Lamarck, o uso ou o desuso de uma característica e a sua transmissão aos descendentes , fazia acontecer a evolução. O cientista chegou mesmo a enunciar duas leis : Quando um organismo não necessita de utilizar um orgão este atrofia e, pelo contrário ,se o utiliza com frequência, este desenvolve-se . Numa segunda lei afirmava: as características adquiridas ,pelo uso ou não uso do orgão , são transmitidas às novas gerações . O alemão Weissman demonstrou que Lamarck estava errado na segunda lei, ao fazer a seguinte experiência : cortou a cauda de ratos durante várias gerações,e os seus filhotes nasciam sempre com cauda, o que provava a não transmissão da característica -ausência de cauda. Foi Charles Darwin (1809- 1882) quem deu uma explicação aceitavel para o assunto, no seu livro AS ORIGENS DAS ESPÉCIES.

Aos 22 anos embarcou no Beagle e nele viajou pelo mundo durante cinco anos .Nas zonas visitadas coleccionou exemplares de organismos locais e registou muitas observações. Quando regressou a Londres e deu início ao estudo do material recolhido, acabou por concluir que as diferenças que ocorriam entre espécies eram alterações de espécies já existentes,tal como acontecia, em Inglaterra, com as diferentes espécies de pombos que eram obtidas da espécie de pombo comum, por selecção dos seus criadores - selecção artificial-.mas não sabia explicar o que levaria as espécies a modificarem-se. Uma pista surgiu quando, ao ler um trabalho de Thomas Maltus sobre populações, este afirmava : as populações tendem a crescer em progressão geométrica, e o seu alimento em progressão aritmética, o que origina a escassez de alimento e falta de espaço vital. Esta verificação levou Darwin a elaborar a TEORIA DA SELECÇÃO NATURAL, na qual concluiu que ,de todos os organismos que nascem, apenas sobrevivem os que têm maiores condições de se adaparem às condições ambientais e de se reproduzirem deixando descendentes férteis .Então como explicava Darwin o caso do pescoço das girafas? Da seguinte maneira: as girafas eram animais de pescoço curto mas, a certa altura, surgiram nessa população algumas de pescoço comprido. Estas estavam melhor adaptadas para comer as folhas dos ramos mais altos tendo, assim ,maior quantidade de alimento à sua disposição. A pouco e pouco, por falta de alimento,as girafas de pescoço curto iam ficando em menor número ,acabando por se extinguir esta espécie. Darwin chegava desta forma á ideia de selecção natural como factor principal da evolução das espécies . O conceito básico de selecção natural é o de que as características favoráveis que sejam hereditárias, tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população e que, características desfavoráveis que sejam heriditárias, tornam-se menos comuns, tendendo a desaparecer. Como já dissemos, Darwin desconhecia a razão porque se operavam as pequenas mudanças numa população de seres de determinada espécie. Nem é de admirar, pois os genes dos cromossomas eram desconhecidos naquela época.Hoje sabe-se porque aparecem as pequenas diferenças e daí ter surgido uma nova teoria designada de TEORIA SINTÉTICA DA EVOLUÇÃO ou NEO-DARWINISMO, que tentaremos explicar o mais simples possível: De acordo com esta teoria, os processos básicos de evolução são quatro: mutação, recombinação genética, selecção natural e isolamento reprodutivo. As pequenas diferenças nos genes dos cromossomas surgem repentinamente e denominam-se mutações. Estas ,por serem genéticas, são transmitidas ás novas gerações. O acumular de pequenas alterações pode conduzir, após muitas gerações, ao aparecimento de modificações visíveis no aspecto desses seres vivos,isto é, no fenótipo da espécie. As mutações podem ser causadas por exposição à radiação ultravioleta, o que deve ter acontecido naturalmente num pasado longínquo, ou à acção de virus. Também surgem mutações aquando da divisão celular (mitose) ou durante a duplicação da cadeia de DNA para dar as células reprodutoras ,na meiose. As mutações que ocorrem nas células reprodutoras dos organismos pluricelulares, são transmitidas aos seus descendentes mas, se ocorrerem em células somáticas (não reprodutoras)tal não sucede. Podemos pois dizer que um acumular de mutações, que sejam transmissíveis ao longo de gerações, poderá levar ao ponto de alterar o fenótipo da espécie. Recombinação genética---Este fenómeno pode ocorrer quando um cromossoma parte, em determinado ponto da sua estrutura e recebe , por colagem, uma porção de outro cromossoma diferente, alterando assim a sua composição. Este fenómeno é vulgar durante a meiose ,quando surge "crossing over" entre cromossomas. O cromossoma resultante, diferente do que seria normal, pode conter um gene diferente. Vamos admitir, como exemplo, que esse novo gene dá à população de descendentes uma capacidade de resistência a baixas temperaturas. Se o clima se tornar frio, a população que tiver esse gene está favorecida em relação à que o não possui. Por selecção natural dar-se-á evolução, como já nos referimos.

Isolamento reprodutivo---Este fenómeno ocorre quando duas populações de indíviduos da mesma espécie não se podem cruzar e, portanto, trocar genes entre si. O isolamento reprodutivo não se faz sempre de igual modo, pelo que daremos vários exemplos: Numa determinada área geográfica de montanha e vale ,existia uma população de coelhos que ficou dividida em duas por uma grande falha geológica, entretanto surgida como resultado de um sismo.. Na população inicial, havia coelhos de pequenas orelhas, resistentes ao frio e outros de orelhas grandes ,não resistentes ao frio, que se cruzavam livremente e que conforme a época do ano iam para a montanha ou vale de acordo com as suas características. O posterior isolamento provocado pela falha geológica e a selecção natural, fizeram com que na zona de montanha só existam coelhos de orelhas curtas e que no vale só existam coelhos de orelhas longas.Este tipo de isolamento denomina-se de isolamento reprodutivo de habitat. Mas também podemos ter um isolamento reprodutivo sazonal, quando populações que vivem na mesma área têm períodos reprodutivos em diferentes estações do ano.Este tipo de isolamento é comum em plantas e em alguns insectos. Vejamos agora o isolamento reprodutivo comportamental: Em muitos animais existem padrões de comportamento relacionados com o acasalamento. Analisemos o caso dos pirilampos onde se verificou que estes insectos não têm todos o mesmo ritmo de piscar a sua luz, consoante a sub-espécie a que pertencem. A cada ritmo do piscar, só respondem determinados parceiros, o que evita muito os cruzamentos e troca de genes entre a população de pirilampos. Deu-se neste caso uma selecção sexual. Pode também surgir um isolamento reprodutivo mecânico quando,devido a uma diferença de formato dos orgãos reprodutores não é possível, por exemplo, uma polinização generalizada. É um caso muito vulgar nas flores das plantas superiores. Passemos agora à Selecção Natural : Como já referimos ,as variações numa espécie são submetidas ao meio ambiente que, através da selecção natural, conserva as favoráveis e elimina as desfavoráveis. Vejamos dois exemplos : Antes da industrialização da Inglaterra, predominavam naquele território as borboletas claras. Às vezes apareciam mutantes escuras dominantes que ,apesar de serem mais robustas , eram eliminadas pelas aves por serem visíveis nas cascas claras das árvores. Com os fumos das muitas fábricas as cascas das árvores ficaram escuras de sujidade, camuflando as borboletas mutantes escuras e pondo em evidência as borboletas claras,que passaram a ser comidas pelas aves.O número de mutantes escuras ficou em maioria e, com o passar dos tempos, só havia cruzamento entre elas. Assim, naquela região, a população de borboletas claras evoluiu para outra escura. Passemos a outro exemplo : A espécie " mosca caseira" foi combatida pelo homem com DDT . Este produto matava a moscas comuns mas algumas, talvez devido a mutações, tinham maior resistência ao produto e escapavam com vida. Estes mutantes conseguiam reproduzir-se , dando moscas sempre resistentes, indiferentes ao DDT. Desta forma, a mosca caseira inicial evoluiu para a mosca caseira resistente.Facto idêntico acontece com espécies de bactérias que se tornaram imunes aos antibióticos, por uso indiscriminado destes.

10.4.08

A HABITAÇÃO....ao longo dos tempos

Desde sempre o Homem sentiu a necessidade de criar um abrigo contra os perigos e intempéries, como qualquer outro animal. Mas, enquanto os animais construiam sempre o mesmo tipo de abrigo com os mesmos materiais, o Homem foi fazendo a sua habitação com os materiais mais diversos e com formas variadas, de acordo com os meios disponíveis e tipo de vida que levava, sedentário ou nómada. Começou pelas grutas, de onde expulsou os animais,protegendo a entrada com uma fogueira. Estávamos no Paleolítico ou Idade da Pedra, sendo o Homem um caçador. Nestas grutas podiam já existir cabanas como é o caso da gruta de Lazaret ou as cabanas de Terra Amata, ambas em Nice, com mais de 300.000 anos. Há 15.000 anos (paleolítico recente) , nas zonas frias do norte da Europa, o homem vivia em tendas de base oval ou rectangular. Estas tendas eram feitas de peles de animais, cosidas entre si, e estendidas sobre uma armação de madeira ou de ossos de grandes animais, como os mamutes.Usavam agulhas de osso e tendões como linha de coser. Alguns tipos de arquitectura são universais, encontrando-se em civilizações muito diversas. É assim que há 6.000 anos, já no Neolítico, a forma rectangular de habitação é a mais comum. O homem já está a polir a pedra, a dedicar-se à agricultura e à domesticação de animais. Usa o barro para utensílios e também na construção. As paredes das casas são feitas de argila, aplicada sobre uma estrutura de madeira. São casas de um só compartimento tendo, por vezes, um alpendre. Em alguns locais a estrutura de madeira não leva revestimento de barro, mas são sempre cobertas de colmo com tecto de duas águas.Imitando as cabanas primitivas emcontramos em Khirokitia (Chipre),casas com base circular em pedra calcária ,suportando paredes de lama seca ou tijolo cru,isto 6000 anos AC. . Terminam em cúpula ,fazendo lembrar as cabanas circulares.O homem do Neolítico que vivia em terrenos pantanosos, junto de rios ou lagos,construia as habitações sobre plataformas de madeira suportadas por estacas - palafitas-. Normalmente estas habitações estavam ligadas a terra firme por um passadiço. Eram de madeira e estavam cobertas de material vegetal, sendo uma protecção e uma facilidade para a actividade de pesca. Ao longo dos séculos a técnica humana foi evoluindo, nos materiais e processos de construção, verificando-se, por exemplo, que a casa romana oferece já elementos de conforto. O centro deste tipo de casa é o "atrium", uma espécie de pátio a céu aberto, pavimentado e com um lago central.( Na mesopotânea do 3º milénio a casa era idêntica mas sem o lago )Á volta do "atrium" existiam várias salas e galerias e não faltava o banho privado . O chão era de mármore ou de mosaicos decorativos, as paredes possuiam pinturas e as portas eram de correr.

















Este modêlo foi adoptado de maneira muito modesta pelos árabes e acabou por dar , no nosso Alentejo, a casa-pátio. No mundo romano do séc.III surgem as casas de apartamentos, possivelmente como a da figura abaixo. A escada que dava acesso aos pisos superiores que, por lei, não podiam ser mais de cinco, abria na rua.
Como é óbvio, as edificações não foram semelhantes em todo o mundo, numa mesma época. Dependiam dos materiais encontrados para as fazer ,e das posses dos seus proprietários . Na América do Sul, antes da influência europeia, as casas eram de adobe ,ou pedra unida com barro, e tinham a forma de povoado fortificado. As pequenas janelas davam só para o pátio interior e a entrada para as habitações fazia-se por aberturas nos terraços, recorrendo-se a escadas de madeira que podiam ser retiradas em caso de ataque.
Gostaríamos de incluir neste apontamento os diversos tipos de casa portuguesa, tão diferentes de norte a sul. Se começarmos pelo norte litoral, região preferida pelo homem desde a pré-história, encontramos nela riqueza dolmética e castreja. A abundância do granito é determinante no tipo e técnica de construção tradicional desta zona. O emprego do granito, mais ou menos elaborado, caracteriza uma casa de compridas varandas em granito ou madeira. O granito é, a maior parte das vezes, rebocado com argamassa caiada de branco .









Para leste , o granito vai dando lugar aos micaxistos, quartzitos e calcários, daí que as casas modifiquem consoante o material existente . Coberturas em ardósia eram típicas no Marão ,bem como as varandas em madeira nos andares cimeiros. Para sul, continuamos a encontrar o granito e o xisto, daí a construção usar estes materiais sem grandes mudanças na forma. A foto seguinte mostra uma conhecida aldeia de xisto na região centro , o PIODÃO . É pena que esteja a ser adulterada com casas de cobertura em telha e as paredes com reboco branco . Muitas foram remodeladas por dentro, mas mantendo a traça primitiva. No litoral, na zona de Mira e Tocha, eram tradicionais as casas em madeira, assentes nas dunas e com uma ocupação estival. Durante os meses de verão as populações viviam da pesca mas, no resto do ano, vinham mais para o interior ,onde praticavam agricultura, vivendo em casas contruídas com as rochas calcárias dessa região. No Alentejo encontramos as casas brancas ,de pedra ou adobe, isoladas ou em grandes aglomerados, ressaltando as grandes chaminés e a quase ausência de janelas, como protecção contra o calor.












Já no Algarve,com a influência do clima mediterrânico, pedrominam as casas brancas, com terraços e chaminés rendilhadas. Não podemos esquecer que estivemos a falar de casas típicas,hoje quase desaparecidas das cidades e vilas devido á globalização de gostos e técnicas de construção.. Nos Açores e Madeira a construção é feita de pedra basáltica, quase todas rebocadas e caiadas,com uma excepção para as zonas de montanha ,na Madeira, onde a habitação era de madeira coberta a colmo. k

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