1.4.08

SISMOS

Os sismos,tremores de terra ou terramotos são abalos naturais da crosta terrestre que ocorrem num período de tempo de alguns segundos, em determinado lugar , e que se propagam em todas as direcções como ondas sísmicas ,dentro e á superfície da Terra, sempre que uma energia é libertada bruscamente. A energia libertada pode ter várias origens: ser o resultado de vulcanismo explosivo ou de movimento de grandes massas rochosas no interior do planeta ( Tectónica de Placas ). O local onde se liberta essa energia denomina-se Foco ou Hipocentro. Ao ponto que ,á superfície, está na vertical do Foco ,dá-se o nome de Epicentro e é o local onde o sismo se faz sentir com maior intensidade. Por que acontecem os sismos é o que tentaremos explicar. De acordo com a física ,qualquer material rígido quando submetido á acção de forças (pressões e tensões) deforma-se até atingir o seu limite de elasticidade.Caso a acção da força continue, o material entra em ruptura, libertando instantaneamente toda a energia que havia acumulado durante a deformação elástica. Em termos gerais, é aquilo que se passa quando as rochas do interior da Terra ficam submetidas a tensões. Sob o efeito destas tensões ,a litosfera (parte sólida da crosta terrestre) acumula energia. Logo que, em certas regiões,o limite de elasticidade é atingido, as grandes massas rochosas quebram dando origem a falhas.( A foto a seguir mostra uma falha).A energia bruscamente libertada na formação da falha origina o sismo . Se as tensões continuarem na mesma região, a energia continua a acumular-se e a ruptura seguinte far-se-á ao longo da falha já existente. As forças de fricção entre os dois lábios de uma falha e os seus deslocamentos de um em relação ao outro, não se fazem de maneira contínua e uniforme , mas por impulsos sucessivos, originando cada um deles um sismo. Depois da ruptura inicial, verifica-se uma série de rupturas secundárias , as quais correspondem ao reajustamento das rochas fracturadas, originando sismos de menor intensidade a que damos o nome de réplicas. As réplicas só terminam quando o reajustamento estiver concluído . Os sismos só se produzem em material rígido, daí que só ocorram na litosfera e nunca na astenosfera que é constituída por material pastoso e fluído. ( ver postagem deste blog em Fevereiro 2008 ,sob o título A Terra) As ondas sísmicas propagam-se através das rochas por movimentos ondulatórios, dependendo a sua propagação da composição química dessas mesmas rochas e ainda do seu estado físico. As ondas que se geram nos Hipocentros ou Focos e se propagam pelo interior, são chamadas de ondas internas ,como é o caso das ondas P e S e as que são geradas á superfície ,quando as internas lá chegam, são designadas de ondas superficiais como é o caso das ondas L e R. (Love e Rayleigh) As ondas P são também chamadas de primárias por serem as primeiras que são registadas nos sismógrafos: de compressão por comprimirem as moléculas das rochas . As ondas S podem tomar o nome de secundárias pois são as segundas a ser registadas ; transversais já que as partículas das rochas vibram transversalmente á direcção de propagação do sismo . As ondas P propagam-se em todos os meios pelo intertior da Terra, aumentando a velocidade com a distância percorrida, enquanto as ondas S só se propagam em meio sólido, não se propagando na astenosfera que é fluída. As ondas L e R são as causadoras dos estragos visíveis á superfície. Os focos dos sismos podem ser superficiais ,intermédios e profundos,consoante a sua localização. Os epicentros dos sismos não se apresentam distribuídos aleatóriamente á superfície,antes pelo contrário,estão de acordo com a Tectónica de Placas. Por uma questão de método ,a Tectónica de Placas será explicada no final deste tema de sismologia, ficando agora só a ideia de que a distribuição dos focos sísmicos corresponde aos limites das Placas Tectónicas. Alguns sismos são acompanhados de fenómenos secundários,tais como ruídos,vulcanismo atenuado e maremotos ou tsunamis que são enormes vagas oceânicas com mais de 15 metros de altura , que se abatem sobre as regiões costeiras destruindo tudo, já que são verdadeiras " montanhas " de água com velocidades de 700 Km /hora. Há duas escalas para avaliar os sismos: a de Mercalli modificada, baseada nos relatos sobre os efeitos produzidos pelo sismo e em que existem 12 graus de intensidade, como se pode ver abaixo: Esta escala de Mercalli é muito subjectiva, pois depende daquilo que as pessoas dizem que sentiram ou viram e ainda pelo facto das construções dos edifícios não serem todas iguais,umas mais frágeis que outras. Por estes factos passou a usar-se uma escala matemática, dependente apenas da quantidade de energia libertada no foco sísmico. Esta escala denominada de Richter ,tem 9 graus de grandeza e é dada por uma fórmula matemática em que entra a amplitude das ondas registadas no sismógrafo.Os graus dessa escala avaliam magnitudes do sismo. Agora que temos uma ideia geral do que é um sismo vamos abordar, da maneira mais simples possível, a teoria da TECTÓNICA de PLACAS.

A teoria da Deriva dos Continentes deve-se ao alemão Alfred Wegner que considerava que, há 200 milhões de anos, existia apenas um super continente-Pangea -rodeado por um único mar - Pantalassa- A Pangea começou a fracturar-se ao longo de milhões de anos dando dois grandes blocos a Laurásia e a Gondwana. Os dois grandes blocos também se foram fracturando, ao longo de muitos milhões de anos, até darem os continentes actuais. Esta teoria de Wegner era apoiada pelos seguintes factos : o encaixe quase perfeito entre os continentes sul americano e o africano; nestas zonas de encaixe as rochas eram as mesmas, estavam pela mesma ordem de deposição e tinham a mesma idade,isto tanto na costa africana como na americana;
também as espécies fósseis de um lado e outro eram as mesmas e não se tratava de animais aquáticos,pelo contrário ,eram de animais e de plantas terrestres Tudo isto levava a pensar que, em épocas muito recuadas, os dois continentes estiveram unidos.Mas que forças colossais são estas que deslocam continentes a tais distâncias ? A explicação para este fenómeno foi dada ,anos depois da morte de Wegner ,com a teoria da Tectónica de Placas. Esta teoria diz-nos que a camada superficial da Terra (Litosfera) é formada por várias placas (enormes plataformas) que estão em movimento relativo umas com as outras. O estudo dos fundos oceânicos veio mostrar que estes estão em crescimento constante, descoberta esta feita pela análise dos sedimentos marinhos e das anomalias magnéticas impressas nas rochas basálticas( férricas) desses fundos marinhos. As inversões magnéticas são simétricas de um lado e do outro da crista média oceânica, uma linha de grandes elevações que vão de norte até ao sul do oceano Atlântico.como uma coluna vertebral. Chegou-se á conclusão que os fundos marinhos cresciam igualmente para os dois lados da crista média, sendo os basaltos junto á crista mais novos que os mais afastados . Se os fundos marinhos (placa oceànica)estão em constante crescimento, a Terra tem de estar a aumentar de volume ,o que não acontece . Então só pode haver uma explicação: Se eles crescem constantemente a partir da crista dorsal oceânica, estarão também a ser constantemente destruidos noutro local. Esse local pode ser, por exemplo, no limite com a placa continental, numa região de fossa oceânica. Como estes fenómenos de origem e destruição da placa oceànica não se fazem pacificamente , será ao longo das cristas e das fossas que se localizam os focos sísmicos.
As placas podem ter os seguintes limites: Divergentes -- onde a nova crusta ou crosta oceânica é gerada, enquanto as placas são empurradas,afastando-se. Convergentes---onde a crosta é destruída. Transformantes---onde a crosta não esta a ser produzida nem destruida, com as placas a deslizarem horizontalmente uma em relação á outra.


Como se dá a deriva continental é o que tentaremos explicar a seguir, socorrendo-nos da figura abaixo:
Já sabemos que a Astenosfera está no estado fluído tendo por cima, no estado sólido, a crosta oceânica e a crosta continental, ou se quizermos a placa oceânica e a continental. Devido ás altas temperaturas formam-se na Astenosfera correntes circulares do seu material (magama),as correntes convectivas. Estas correntes tendem a trazer o magma da Astenosfera para a superfície,através do Rift , uma fenda na crista dorsal. O material arrefecido nos bordos laterais do Rift vai empurrando o mais antigo para os lados,afim de dar lugar ao novo material que por essa fenda vai subindo e arrefecendo ,num processo contínuo. Este local é um limite divergente de placas e assim a crosta oceânica está sempre a crescer e a mover-se ,porque as correntes convectivas da Astenosfera funcionam como rolamentos para o material sólido que lhe fica por de cima. O movimento da crosta oceânica, com uma velocidade média de 3 cm por ano, vai fazer com que esta entre em oposição (choque). por exemplo, com a placa continental , num limite convergente de placas .Devido á diferença de densidades das placas, a placa oceânica mergulha sob a continental, segundo um plano inclinado denominado zona de subducção ou de Beniof, sendo de novo reabsorvida pela astenosfera. Como este movimento de mergulho se faz com enorme atrito, provoca gigantesca concentração de energia, que se libertará sob a forma de vulcão ou de sismos.(lado direito da figura acima) O mesmo acontece quando há choque entre duas placas oceânicas em que uma mergulha sob a outra( lado esquerdo da figura) Quando a convergência (choque) é entre duas placas continentais, nenhuma mergulha, mas enrugam os seus bordos dando origem ás grandes cadeias montanhosas como no caso dos Himalaias. Em princípio os interiores das placas são geologicamente calmos, por não haver forças em oposição. Existem contudo excepções: observando um mapa do Oceano Pacífico revelam-se. muitas ilhas afastadas dos limites da Placa. Todas elas tiveram origem em vulcanismo do fundo do mar,como no caso das ilhas do Hawai. A datação de lavas da cadeia Havaiana mostrou que as suas idades aumentam á medida que nos afastamos do vulcão actualmente activo. Este facto explica-se porque a maior parte dos vulcões que surgem no interior das placas, são criados por pontos de erupção,fontes fixas de magma que se erguem das profundezas do manto e não da Astenosfera. Estes pontos quentes são conhecidos por Hotspots. Tais pontos quentes normalmente dão origem a emissões vulcânicas não explosivas. É notável a ligação entre a actividade vulcânica e as placas continentais e oceânicas, particularmente nos limites das placas. Deste modo podemos falar em vulcanismo de subducção resultante do choque de placas oceânicas, originando os arcos de ilhas com vulcanismo ou do choque de uma placa oceânica com uma continental, dando montanhas costeiras com actividade vulcânica; vulcanismo no interior das placas oceânicas,associado como referimos aos pontos quentes; vulcanismo de crista oceânica, originando a nova crosta oceânica e que é observado no Rift . Concluiremos dizendo que os sismos resultam ,na quase totalidade, da energia libertada quando uma placa cede em relação á outra. Uma minoria deles terá como origem abatimentos de tectos de cavernas ou de um vulcão adormecido que entrou em actividade explosiva.

28.3.08

LUA,o nosso satélite natural


VIAGEM Á LUA

Quando a 20 de Junho de 1969 foram vistas imagens de televisão do pouso da nave Apolo XI na superfície lunar, muitos pensaram tratar-se de um truque televisivo característico da "Guerra Fria" entre os Estados Unidos e a União Soviética. Mesmo hoje há alguns descrentes que o continuam a afirmar baseados em presumíveis êrros de fotografia e filmagem, como sombras em diversas direcções. Só não se entende por que a ex- URSS não tivesse tentado desmascarar esta possível fraude americana, se era do seu interesse manter o primeiro lugar na corrida espacial.

O desejo de conquistar a Lua sempre foi ambição do Homem, de tal forma que Júlio Verne ,em 1865, escreve um romance em que um grupo de homens viaja até á Lua usando, para o efeito, um gigantesco canhão. Os Americanos não usaram um canhão, mas sim os conhecimentos de Wernher von Braun, cientista alemão capturado no final da IIª Guerra Mundial e que era o pai das bombas voadoras V2, impulsionadas por um pequeno foguetão. Este técnico acabou chefiando o grupo de cientistas americanos autor do foguetão Saturno V, que levou as naves Apollo até á Lua .Antes do Homem pisar o nosso satélite natural, muito teve que se estudar e testar : Lembremos a cadela russa Laica que foi lançada para a espaço a 3 de Novembro de 1957 e onde acabou por morrer por falta de oxigénio, ou os diversos chimpanzés, utilizados como astronautas cobaias, primeiro em terra e depois no espaço. Só depois de muitos testes em simuladores e em voos orbitais com estes animais , é que Russos e Americanos se arriscaram a orbitar seres humanos. O primeiro foi o russo Yuri Gagarin, posto em órbita a 12 de Abril de 1961.Foi ele que viu ,pela primeira vez o nosso planeta do espaço e afirmou que a Terra era azul.


(cadela Laica e a Terra vista do espaço)

Russos e Americanos continuaram a competição no envio de satélites, testando os seus foguetões lançadores. Após muitos voos não tripulados a missão Apollo XI pousou na superfcie lunar, a 20 de Junho de 1969 ,num local designado Mar da Tranquilidade. Os primeiros astronautas a caminhar na Lua foram Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Ficou célebre a frase de Armstong quando pisou o solo lunar: Um pequeno passo para um homem,um salto gigantesco para a Humanidade. Depois da Apollo XI, cinco outras missões estiveram na Lua e ninguém contestou o facto A primeira permanência na Lua foi de 2 horas e10 minutos, tendo lá sido deixados um sismógrafo, um reflector de
raios laser,uma câmara de vídeo e uma antena de comunicações, bem como uma bandeira dos Estados Unidos. Foram recolhidas 27 amostras de pedras e poeiras lunares. Estas e outras amostras posteriores mostram que as rochas lunares são diferentes das rochas da superfície terrestre. Como respondem a isto os que não acreditam nas viagens á Lua ? Como é que lá está ainda em funcionamento o reflector de raios laser, que permite medir com grande precisão a distância da Terra á Lua? Os soviéticos nunca colocaram um homem na Lua, mas isso não invalida o seu mérito na conquista do espaço. Pese o facto de não ter havido mais alunagens , depois das seis efectuadas, o nosso satélite natural continua a ser estudado através de sondas orbitais e embora esteja perto no nosso planeta, estamos longe de solucionar todos os seus mistérios, desde o da sua formação e até se a vida na Terra teve lá a sua origem ou o seu futuro . A maioria dos cientistas pensa que a Lua nasceu a partir de uma gigantesca colisão que a Terra sofreu há 4,5 mil milhões de anos e que os detritos que resultaram dessa colisão acabaram por coalescer formando uma lua semi-fluida. As amostras lunares trazidas pelas Apollo e outras missões, sugerem que a Lua tem uma composição química rochosa igual ao manto terrestre. O bombardeamento da Lua por cometas e asteroides ricos em água, ao longo de milhões e milhões de anos, pode ter deixado nela água, possivelmente escondida dentro de crateras nos seus pólos, sob a forma de gelo. A missão da NASA , Lunar Reconnaissance Orbiter, vai lançar este ano de 2008 duas sondas, que irão embater na superfície lunar para procurar gelo no pólo sul.

Que futuro reservamos para a Lua ? Poderemos levar vida da Terra para a Lua?Poderemos um dia habitá-la? São questões ainda sem resposta!O que sabemos é que ela é rica em metais e consegue-se algum oxigénio. Infelizmente é pobre em carbono e daí que, para a cultivarmos com plantas , teremos de transportar para ela carbono e fósforo .


ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL

O fim da guerra fria entre os Estados Unidos e a ex URSS proporcionou uma aliança internacional para a construção da Estação Espacial Internacional, com a finalidade de realizar experiências científicas, fazendo parte deste consórcio dezasseis países, muitos deles europeus. O seu custo estimado em 100 mil milhões de dólars, por muitos criticado, já deu algum retorno com a comercialização das tecnologias desenvolvidas com a exploração espacial tripulada. A Estação Espacial Internacional também é conhecida pela sigla ISS.

Iniciada em 1998 ,foi sendo construída por módulos, mas após o acidente ocorrido com o vaivem espacial americano Colúmbia( 11de Fevereiro de 2003) a construção foi suspensa porque os módulos principais, de tão pesados, só lá podem ser colocados por aquelas naves. Esta paragem de cinco anos levou a que o módulo da Agência Espacial Europeia só fosse lançado em Fevereiro deste ano de 2008.


A paragem, contudo, não evitou que as tripulações da ISS lá continuassem e fossem rendidas,pois eram transportadas pelas naves russas Soyuz. Durante o período de paragem das naves americanas Columb formou-se acumulação de lixo e outro material descartável pois as Soyus não o podiam transportar. O problema ficou resolvido com o auxílio de outras naves russas de carga, as Progress. A Estação Internacional terá 14 módulos pressurizados que incluem laboratórios, compartimentos tipo cais para as naves espaciais,áreas de convívio e módulos de ligação entre as estruturas.Dos 14 previstos , oito já estão em órbita, tendo o primeiro sido lançado em 20-11-1998. Chamou-se Zarya e serviu de gerador eléctrico, armazem e motor de propulsão e orientação durante as primeiras acoplagens.Hoje serve apenas de armazém. O oitavo , lançado este ano (7/2/2008) é a principal zona de experiências científicas dos países europeus. A Estação Espacial Internacional encontra-se em órbita a 300 Kms de altitude, mas tem de ser corrigida diáriamente, pois perde 100 metros de altitude a cada 24 horas. Demora 92 minutos a orbitar a Terra e neste momento tem capacidade para três tripulantes residentes (russos e americanos), embora já tenha sido visitada por astronautas de outros países.As experiências científicas realizadas a bordo são variadas e podem ampliar conhecimentos de biologia,física de fluídos,radiação solar ,além de preparar futuras missões tripuladas a Marte. Antes da Estação Espacial Internacional existiu uma outra da ex-URSS, também habitada e com fins de pesquisa científica. Chamava-se MIR e começou a ser construída em 1986 tendo funcionado até 23 de Março de 2001. Orbitava a 400 Kms de altitude e recebeu cosmonautas não russos , depois do fim da guerra fria . A Rússia decidiu destruir a MIR (foto final), depois de 15 anos em órbita , por carência de meios técnicos e financeiros para a manter no espaço. A sua destruição fez-se com grandes cuidados e apreensões, já que pesava 137 toneladas e a sua desintegração, ao entrar na atmosfera, podia provocar fragmentos de 700 quilos .Tudo correu bem e os seus fragmentos caíram no Oceano Pacífico, a 2.000 Kms da Austrália. O saber adquirido com a MIR foi de grande ajuda para a construção da ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL.

25.3.08

POLUIÇÃO


POLUIÇÃO DOS OCEANOS (na era do plástico)

Aprendemos na escola que os oceanos ocupam 70% da superfície da Terra e que a fauna e flora que neles habitam ainda não estão totalmente conhecidas, principalmente as das suas profundezas , onde não chega a luz. Também constantemente ouvimos relatos das agressões a que os oceanos estão sujeitos por via da acção humana. A Greenpeace e outras organizações ambientalistas têm alertado para as lavagens dos tanques dos petroleiros em alto mar, para o transporte de substâncias redioactivas e mais recentemente para este facto : o material plástico nas águas marinhas atingiu níveis inéditos na história,com um impacto ambiental colossal, que pode ser calculado em 15.000 fragmentos desse material por cada quilómetro quadrado de oceano. As primeiras vítimas desta poluição são mamíferos marinhos que engolem os plásticos julgando ser alimento, ou os levam para as suas crias, pela mesma razão. Há meia dúzia de anos uma baleia "minke "(espécie em vias de extinção) foi encontrada morta na costa da Normandia com 800Kg de plástico no estômago. Não são só os mamíferos marinhos as vítimas desta poluição. pois moluscos e peixes estão a ser envenenados pelos compostos de estanho das tintas dos plásticos PVC. O plástico encontrado no mar não é apenas formado por sacos e garrafas, existindo um bem pior --as pellets-- pequenas bolas com meio centímetro de diâmetro utilizadas pela indústria e que chegam ao mar como lixo da mesma. Como têm grande capacidade de absorção de poluentes, cada uma delas tem uma concentração tóxica um milhão de vezes maior do que a água onde se encontram. Com tudo isto os oceanos estão a ser transformados em enormes lixeiras, fazendo com que 3/4 das regiões pesqueiras de todo o mundo estejam ameaçadas. Para além da falta de pescado o Homem corre o risco de ser contaminado através da cadeia alimentar,pagando caro a sua irresponsabilidade. Só para se ter uma ideia da tragédia vamos citar alguns exemplos :A baía de Guanabara (Rio de Janeiro) recebe 20.000 litros de esgoto não tratado, por segundo, o que levou á destruição total da vida marinha naquela zona ; As costas da China e do Japão, por serem muito populosas e industrializadas, têm as águas mais poluídas do mundo com metais pesados e fertilizantes agrícolas, tormando-se mortais para o Homem, através da cadeia alimentar; Dois terços do stock de bacalhau e outros peixes alimentares foi destruído pelas plataformas petrolíferas do mar do Norte e pelos fertilizantes agrícolas arrastados pelos rios . Esta espiral destruidora não terá retorno se não for travada a tempo. A inconsciência do Homem vai levar á sua destruição dentro de pouco tempo ou a mutações que ninguém pode prever, podendo desaparecer como espécie da face deste planeta .
DENGUE

Os jornais ,rádio e televisões noticiaram , no Domingo de Páscoa, o surto de Dengue que grassa no Rio de Janeiro com títulos que não deixam margem para dúvidas : "Exército nas ruas para combater Dengue " Mais de 30 pessoas já morreram no Rio de Janeiro " "Mosquito assassino ".
Estatística do assassino na América do Sul em 2007 : Colombia 2o mortos.Equador 5;Paraguai 17; Brasil 158, Não há vacina para o DENGUE
A TAP informou que vai reforçar as medidas de desinfestação dos aviões provenientes do Rio de Janeiro , antes de descolarem daquela cidade. Vai ser aplicado um spray na cabina ,depois de todos os passageiros estarem a bordo,como já vinha acontecendo nos voos oriundos de África. Não podemos esquecer que todos os anos e em todo o Mundo são infectadas 50 milhões de pessoas.Destes casos 500.000 são de Dengue Hemorrágico, vinte mil dos quais são mortais.

Portugal está no limite da zona de maior risco de transmissão da doença.
Sobre este tema aconselhamos a leitura do que publicàmos neste BLOG em 23 de Janeiro de 2008,sob o título Mosquitos em ataque .

19.3.08



LÂMPADAS DE BAIXO CONSUMO
Poupança de electricidade ou a saúde ?

Há tempos, jornais e televisões noticiavam com pompa e circunstância o seguinte: As velhas lâmpadas tradicionais podem ter os dias contados.Tudo graças á concorrência das sofisticadas luzes fluorescentes actuais,que ganharam um novo brilho com a introdução de vários componentes electrónicos modernos permitindo uma maior poupança de energia e mais qualidade luminosa. Como todas as belas têm um senão, vamos tentar esclarecer o assunto: PREÇO Uma lâmpada fluorescente custa entre quatro a doze euros enquanto uma encandescente oscila entre 40 cêntimos e 2 euros mas, a longo prazo , o consumidor fica a ganhar se optar pela mais cara. Ao fim de um ano as lâmpadas fluorescentes poupam mais de cinco euros relativamente ás tradicionais. Isto porque as lâmpadas incandescentes perdem cerca de 80% da energia que consomem sob a forma de calor, enquanto nas modernas fluorescentes a energia que consomem é quase toda convertida em luz . DURABILIDADE Uma lâmpada incandescente dura cerca de mil horas, enquanto as fluorescentes podem ir até 15.000 horas. COMPETITIVIDADE As vantagens das actuais lâmpadas de baixo consumo ficam a dever-se aos componentes electrónicos inseridos no seu casquilho. Antigamente, um dos pontos fracos das fluorescentes era o facto de piscarem quando se ligava o interruptor pois o arrancador demorava algum tempo a estabilizar. Com estas novas lâmpadas a luz acende-se quase de imediato e a qualidade da luz também é melhor . FUNCIONAMENTO A lâmpada de baixo consumo é a velha lâmpada fluorescente modernizada: a corrente eléctrica de nossas casas faz com que a fluorescente acenda e apague 100 vezes por segundo, mas as novas ,com os componentes electrónicos que possuem, fazem com que o número de disparos luminosos suba para milhares por segundo, resultando daí melhor qualidade de luz. No polo positivo de cada tubo,existe um filamento de tungsténio que ,aquecido, produz electrões e como a tensão entre os dois bornes é de 2.000 volts, forma-se uma faísca. Esta vai vaporizar o mercúrio dentro da lâmpada. Quando a tensão volta a descer estabelece-se uma corrente de electrões que acaba por ser em vaivem ,dentro do tubo. Este movimento de electrões em contacto com os átomos de mercúrio vaporizado, produz radiação ultravioleta. A radiação UV ao atingir o revestimento fluorescente do vidro do tubo faz a lâmpada brilhar com luz visível. LADO NEGATIVO:
Dissemos atràs que todas as belas tinham um senão e é esse lado negativo que vamos analisar: A Agência para o Ambiente, no Reino Unido, está preocupada com os potenciais riscos para a saúde e para o ambiente provocados pelas lâmpadas de baixo consumo. Segundo os toxicologistas estas lâmpadas contêm seis a oito miligramas de mercúrio, quantidade não passível de colocar em risco o consumidor ,mas se uma destas lâmpadas se partir em casa, deve sair do compartimento durante 15 minutos, pois o mercúrio, quando inalado, tende a acumular-se nos tecidos do cérebro e é nocivo a partir de determinada quantidade. As autoridades avisam também que os fragmentos da lâmpada não devem ser recolhidos com aspirador, mas com luvas de borracha, e que as pessoas devem ter cuidado para não inalar o pó libertado. O material deve ser guardado num saco plástico e entregue ás autoridades.O que acontecerá quando milhões destas lâmpadas terminarem o seu tempo de vida e forem parar às lixeiras? Contaminação dos solos e aquíferos! Mas há mais ! Pessoas que têm estudado estas lâmpadas, como é o caso de Mário Portugal Leça Faria , diz-nos :Para que estas lâmpadas funcionem existe no seu casquilho um circuito electrónico que, por não ter ligação á massa, irradia uma frequência supersónica de 40.000 Hz. Esta frequência não audível ,perto da minha cabeça, provocava-me insónias e dores de cabeça..A própria Associação Contra as Dores de Cabeça , em Inglaterra ( Migram Action Association) atribui a estas lâmpadas as dores de cabeça em algumas pessoas ,bem como riscos de epilepsia noutras . FUTURO . Os fabricantes dizem que o futuro passa pela nova geração de lâmpadas de díodos (LEDS), mas Mário Portugal contrapôe : " mesmo que vão para os LED,teremos um outro problema pois terão de usar fontes de alimentação comutadas para passar dos 220 volts alternos, de nossas casas, a tensões de corrente contínua muito baixas."
Tudo isto nos faz pensar na pressa com que ,no início de 2008, o Conselho de Ministros aprovou a aplicação de uma taxa ambiental sobre as lâmpadas incandescentes, por forma a incrementar o uso de lâmpadas de baixo consumo. Uma pergunta fica no ar : Será que ninguém se importa com os espinhos que esta rosa de lâmpada tem ? Esteja de que lado estiver a razão sobre este assunto, melhor seria aguardar um pouco mais por novos estudos antes de termos biliões de lâmpadas a gerar o tal ruído supersónico de 40.000 Hz. Este assunto é semelhante ao uso excessivo de telemóvel, pelo que todo o cuidado é pouco antes de embarcar em modernidades. Se tiver dores de cabeça não vá logo ao médico...certifique-se primeiro se não tem uma destas lâmpadas na mesa de cabeceira e lê um pouco antes de adormecer.
ATENÇÃO Quando uma lâmpada fluorescente normal ou uma de baixo consumo deixar de funcionar ,não a deite no caixote do lixo nem a quebre. A loja onde for comprar outra nova (mesmo os supermercados) são obrigados por lei a aceitar a velha e posteriormente a entregá-la numa unidade de reciclagem.DEFENDA A SAÚDE DOS SEUS FILHOS E NETOS. O mercúrio é veneno, não esqueça!

16.3.08

BURACOS NEGROS

Um buraco negro é um fenómeno astronómico difícil de explicar e até de provar que existe.Antes de continuar vejamos a noção de velocidade de escape. Quando se pretende pôr um satélite em órbita, tem que se dar ao foguetão lançador uma velocidade que contrarie e força atractiva da Terra. A essa velocidade (11,2 Km por segundo ) dá.se o nome de velocidade de escape da Terra. Voltemos então ao nosso tema .Um buraco negro é um astro que desafia a nossa imaginação; surgiu no plano teórico como consequência da Teoria da Relatividade Geral de Einstein mas, a pouco e pouco, os astrónomos têm vindo a aceitar que é real. Este astro tem um campo gravítico tão intenso que a sua velocidade de escape é superior á velocidade da luz ( 300.000 km/s ), pelo que nenhuma matéria pode de lá sair, nem mesmo a luz. Se a luz não sai, tal astro não pode ser visto , dai o conceito de negro.
Pensa-se que os Buracos Negros resultem de estrêlas gigantes que, no final de vida e ao terminar o seu combustível nuclear, acabam por se contrair. Neste colapso tendem para um volume mínimo e para uma densidade incalculável. Esta densidade, a tender para o infinito, origina uma força gravítica de tal ordem, que a velocidade de escape será superior á velocidade da luz, formando-se assim o Buraco Negro. Se, como já afirmámos, este astro não é visível, como sabemos da sua existência ? Apenas por observação indirecta,isto é, analisando os fenómenos que acontecem nas suas vizinhanças. Damos um exemplo: a velocidade das núvens de gàs e de poeiras que orbitam o Buraco Negro, só pode ser explicada pela existência de um colossal campo gravítico e este , resultado de uma massa imensa. Em 1994, astrónomos do telescópio Hubble, detectaram um buraco negro no centro da galáxia M-87. Através do Efeito de Doppler relativo ao espectro luminoso, foi possível calcular a velocidade dos gases e poeiras que giravam em torno do buraco negro, chegando-se á conclusão que a " massa" que provocava tal velocidade , era três biliôes de vezes superior á do nosso Sol. Num buraco negro as Leis da Física não se aplicam e até o conceito espaço-tempo é alterado, sofrendo uma deformação em forma de poço de onde nada sai, daí o conceito de buraco e de negro. O tamanho destes objectos varia desde o tamanho de um protão (0,00000000000001 cm) com uma massa de 1 bilião de toneladas, até ao tamanho diametral de 1 dia luz ( 24x60x60x300.000 km). Podem ter origem no colapso de uma estrêla ou resultar da união de vários buracos negros , a quando da colisão de duas galáxias.
O que se passa dentro do Buraco Negro é apenas especulativo e conseguido em simulações de super computadores.

14.3.08

UNIVERSIDADE

ORIGEM DA UNIVERSIDADE EM PORTUGAL


O estudo das Humanidades, no séc. XIII, sempre esteve confinado aos conventos e á Igreja. Portugal não podia fugir á regra e ,por isso, a primeira aula pública de que se tem notícia foi dada no Convento de Alcobaça ,em 1269. Sabe-se que o rei D.Dinis, que já era letrado, revelou a intenção de criar uma Universidade,corria o ano de 1284, pois o que existia nesse tempo eram estudos rudimentares em algumas ordens religiosas. Em 1288 ,doze dos mais importantes prelados do Reino,incluindo o Abade de Alcobaça e o prior de Santa Cruz de Coimbra,solicitam ao Papa Nicolau IV autorização para que parte das rendas de vários Mosteiros e Igrejas servissem na dotação de salários de uma universidade a instalar em Lisboa. Tal viria a acontecer em Março de 1290 pela bula " De statu regni Portugaliae " do Papa Nicolau IV , enviada ao Rei D. Dinis. Portugal ganhava assim a sua Universidade, quando na Europa só existiam a de Bolonha (1088) ,Paris (1170),Cambrige (1209) e Salamanca (1218). A autorização papal não concedia o Curso de Teologia, por temer desvios doutrinários,sendo apenas autorizados os cursos de Direito Civil ,Direito Canónico ,Medicina e Artes. As Artes eram: gramática,lógica , dialéctica (trivium) , aritmética,geometria,astronomia e música (quadrivium). Como o curso mais procurado era Direito e não havia Teologia, muitos dos estudantes sairam de Lisboa para Salamanca e Paris. O principal objectivo dos estudantes era obter licença para ensinar ,saindo com os graus de Bacharel,Licenciado e Doutor . Pese embora a tradição do estudo e do saber nas escolas islâmicas, Lisboa não possuia essa tradição com o nível de Coimbra ou de Alcobaça, daí que a criação da Universidade em Lisboa fosse vista como um previlégio papal. Em 1308 a Universidade é transferida para Coimbra, regressando a Lisboa trinta anos depois .Em 1354, por ordem de D.João III ,volta definitivamente para Coimbra. A razão desta transferência prende-se ao facto de estar longe de um porto de mar e das novas heresias. É assim que em 1400 lhe é autorizado o ensino de Teologia, após insistência da Ordem Franciscana junto da Santa Sé. A Universidade sempre se regeu por uma estrutura corporativa que juntava, por um lado, professores e assistentes (repetidores da aula) e por outro ,os alunos . Á semelhança da Universidade de Bolonha, era aos estudantes que cabia a eleição dos Reitores, que com os chanceleres mantinham a organização.A universidade de Coimbra sempre foi dotada de regalias,isenções e direitos, como o de possuir uma guarda privativa (os archeiros ) que vigiavam o comportamento dos estudantes dentro da universidade e na cidade. O rei D. Dinis ordenou a criação de Colégios,que funcionavam como residências dos estudantes pobres ou deslocados . A Universidade desde logo ficou instalada nos Paços reais desta cidade. A foto mostra a Sala dos Actos Grandes (sala dos Capêlos) nos dias de hoje, mas que era o salão nobre dos Paços Reais.Desde o reinado de D.Manuel I todos os monarcas portugueses passaram a usar o título de "protectores da Universidade", podendo nomear professores e alterar os estatutos ,o que veio a verificar-se várias vezes. No reinado de D.José a universidade sofre uma profunda alteração (1772) com os " estatutos pombalinos " que marcam o início da Reforma do Marquês de Pombal . Esta manifestou-se no grande interesse pelas Ciências da Natureza e pelas Ciências do Rigor,até aqui afastadas do ensino universitário. São criados os laboratórios.o jardim botânico,o observatório astronómico e inicia-se a ciência experimental.Em 1836 dá-se a fusão da Faculdade de Cânones com a de Leis surgindo a Faculdade de Direito para em 1911, já na República, receber novos estatutos. É nesta data que são criadas as Universidades do Porto e Lisboa, tendo em vista dotar estas cidades com estudos idênticos aos de Coimbra, já que nelas só existiam Escolas Superiores.

(biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra )


(antigo Laboratório Químico )


(lago central do Jardim Botânico)
(Porta Férrea- Entrada da Universidade antiga)




10.3.08

PONTE AÉREA PARA BERLIM (1948-1949)

Por ser um dos acontecimentos mais dramáticos ocorrido na Europa depois do final da 2ª Guerra Mundial, merece ser recordado.
A concordância de acções que existira entre os Estados Unidos e a URSS,durante a guerra contra os Alemães, começou a desaparecer logo que o III Reich deu sinais de cair. Com a derrota da Alemanha e o final da guerra na Europa, logo na Conferência de Potsdam se verificou que ia haver problemas com a partilha do território alemão . O território fora dividido em quatro zonas (britânica, francesa, americana e russa ) e a capital (Berlim) que se encontrava na zona russa, dividida em quatro sectores.
Stalin (URSS) afirmava que devia dominar inteiramente a cidade de Berlim pois tinha sido o "exército vermelho" o primeiro a entrar na cidade e ainda por esta estar bem no meio da zona Russa. Os americanos e ingleses consideravam que tinham o mesmo direito, pois as suas tropas também tinham combatido na cidade. Afirmavam ainda que a zona oriental da Alemanha estava a ser comunisada e esta doutrina a expandir-se pelas regiões de leste.Para combater esta expansão , os Estados Unidos da América oferecem planos de ajuda militar e monetária a todos os governos que resistissem ao avanço do comunismo. Um destes planos ficou conhecido por Plano Marshall e tinha por finalidade ajudar a reconstrução da economia,das vias de comunicação, das habitações e das fábricas, que a guerra havia destruído. A URSS e os paises da " cortina de ferro" (países da sua órbita) ,consideravam que os Americanos não estavam a ajudar convenientemente os países do leste europeu, os mais sacrificados pela guerra. O desacordo cresceu ainda mais quando os Estados Unidos, o Reino Unido(Inglaterra )e a França lançam uma nova moeda, comum nas suas zonas , criando assim na Alemanha duas economias paralelas, com prejuizo para o bloco comunista. Em retaliação a URSS decide bloquear todos os acessos terrestres aos sectores da América,Reino Unido e França ,na cidade de Berlim.
Perante esta grave situação, os Americanos ameaçam abrir á força uma passagem e caso o exército russo reagisse, bombardeariam com os B-29 todos os aeródromos da Alemanha oriental. Como os B-29 estavam conotados como lançadores de bombas atómicas, temeu-se o pior . Os bombardeamentos não se chegaram a efectuar porque surgiu um outro problema mais grave : havia necessidade urgente de carvão para abastecer as tropas e civis cercados em Berlim.É então posta em marcha uma enorme operação aérea com todos os aviões de carga disponíveis e outros trazidos dos Estados Unidos. Durante onze meses, pelos três estreitos corredores aéreos, fizeram-se 300.000 voos que aterravam ,dia e noite, nos três aeroportos de Berlim levando carvão,gasolina,comida , medicamentos e tudo o mais que era solicitado. A média foi de um avião a cada três minutos, embora os Russos os tentassem impedir com voos de caças , balões de barragem e holofotes para cegar os pilotos durante as aterragens nocturnas. Eram transportadas cerca de 15.000 toneladas de produtos , por dia . Na figura, vemos crianças alemãs assistindo aos voos e aguardando goluseimas que lhe eram atiradas em pequenos paraquedas, alguns feitos com lenços de assoar . O cerco a Berlim durou de 24 de Junho de 1948 a 12 de Maio de 1949, data em que Stalin se convenceu da inutilidade da sua atitude de bloqueio. Nesta operação morreram 39 aviadores Americanos,31 Britânicos e 5 Alemães . O fim do bloqueio não trouxe paz ás pessoas de Berlim, pois a URSS isolou o seu sector dos restantes , através de um muro fortemente armado, para evitar a fuga dos cidadãos para os outros sectores. É deste muro, denominado "muro da vergonha" que mostramos uma foto. Este muro foi derrubado a 9 de Novembro de 1989 e tendo acabado a guerra fria,deu-se a reunificação alemã.

7.3.08

ORIGEM DE PORTUGAL E DAS SUAS GENTES
A Península Ibérica,onde se localiza Portugal, já era povoada por Neandertais há 500.000 anos, sendo estes os antecessores do Homem moderno. Também está provado que há 10.000 anos a península era habitada por um povo, diferente de qualquer outro conhecido, a que os historiadores denominaram de Iberos . Milhares de anos depois (700 A.C.) chegaram ao território os Celtas de origem indo-europeia. Do cruzamento lento entre iberos e celtas ,surgem os Celtiberos, povo heterogéneo dividido em dezenas de grupos de que destacamos os Lusitanos, os Galaicos e os Cónios. Nas zonas do litoral havia pequenas feitorias de Gregos,Fenícios e Cartagineses que pouco contribuíram para modificar a população dos Celtiberos. No séc.III antes de Cristo, os Romanos invadem a Península Ibérica, na luta que mantinham contra Cartago, e aqui fundam duas grandes províncias romanas.

A ocupação romana foi combatida por Viriato, chefe dos Lusitanos. Perito em táctica de guerrilha,Viriato lutou contra os Romanos nas zonas de montanha (área de Viseu) até ser assassinado por três companheiros que se venderam aos romanos, no ano de 140 A.C: . Após a morte de Viriato um general romano,de nome Sertório, comanda os Lusitanos na luta contra Roma, de tal forma que a ocupação total da província pelos romanos , e relativa pacificação, só se vem a dar no tempo do imperador Augusto .Os Romanos pouco se cruzaram com as populações locais, mas deixaram um importante legado cultural de que salientamos a língua,o direito administrativo e as vias de comunicação (estradas) Foi também durante a ocupação Romana que o Cristianismo chegou á Península,trazido pelos escravos e soldados,facto este que irá ter consequências mais tarde. No ano 409 DC povos bárbaros do norte da Europa (Suevos,Vàndalos e Alanos) invadem a região então designada por HISPANIA,dividindo-a entre si . Pouco depois chegam os Visigodos,apoiados por Roma, para combater os anteriores invasores. De todos estes povos,os Suevos e Visigodos,foram os que por cá permaneceram mais tempo e se cruzaram com as populações locais. Os Suevos estabelecem a sua capital em Bràcara Augusta (Braga) e os Visigodos inatalam-se a norte do rio Minho,criando aí o seu reino. No ano de 585 DC o rei visigodo Leovigildo toma Brácara (Braga) e anexa o reino Suevo .Quase toda a Península fica unificada sob o Reino Visigodo embora a sua estabilidade fosse sempre difícil ,por razões religiosas e dinásticas.Após a morte de Leovigildo as lutas reacendem-se resultando a desagregação do reino em vários. Em 711 DC a Península Ibérica é invadida pelos Mulçumanos( árabes e berberes)de religião islâmica que ocupam vasta zona e aqui permanecem durante 500 anos.

A única região que resistiu aos Mulçumanos foi a das Astúrias ,com Pelágio a iniciar o movimento de reconquista cristã, no ano 718. Este movimento de reconquista até á victória final só terminou séculos depois com a tomada de Granada,no ano de 1492. Esta lenta reconquista foi originando vários reinos. O reino das Astúrias deu lugar aos de Leão e Castela e mais tarde aos de Navarra,Aragão e Galiza. Em 1095,ainda na reconquista cristã, Afonso VI de Leão e Castela entrega ao seu genro D. Henrique o governo dos territórios entre os rios Douro e Minho (Condado PORTUCALENSE) e também os de entre Douro e Mondego (Condado de COIMBRA), o primeiro fundado em 868 por Vímara Peres e o segundo formado em 871 . A morte do Conde D.Henrique(1112) leva a que fique regente destes dois condados a viúva D. Teresa,durante a menoridade de seu filho D. Afonso Henriques.

Com 14 anos Afonso Henriques arma-se cavaleiro e passa a viver em Coimbra (1125). Revoltado contra os nobres galegos que queriam tomar conta do Condado Portucalense vence as tropas da Regente,sua mãe, na batalha de S. Mamede ( 1128 ) e assume o comando do Condado, transformando-o num principado independente de Leão e Castela. Afonso Henriques enquanto resiste a Afonso VII de Leão e Castela ,vai guerreando os mouros a sul de Coimbra. Após a batalha de Ourique (1139) em que derrota os muçulmanos,declara-se rei. Nascia assim o Reino de Portugal cuja capital era Coimbra. O Reino vai-se alargando para sul, nma primeira fase até Lisboa,que também conquista aos mouros. (ver mapa acima).Esta visão resumida da origem de PORTUGAL tem de ser complementada com a origem da população.

Recordemos então que temos sangue Celtibero (lusitanos),Galaico,Visigodo e Suevo. Um pouco menos de Grego,Fenício,Cartaginês,Vândalo e Alano, e um pouco mais,para sul,de berberes do norte de África. Após a época dos Descobrimentos a população do Reino de Portugal cruza-se com povos de Àfrica,Índia e Timor, sendo a mistura mais visível nesses territórios. Após o fim do ciclo colonial(1975) alguma dessa população transferiu-se para Portugal, o mesmo acontecendo com emigrantes de leste, com a queda da União Soviética. Até há pouco tempo viviam no nosso país 550.000 imigrantes, a maioria vinda do Brasil (66.700),seguida de Ucranianos(65.800) e de Cabo Verde (64.300), mas não podemos esquecer os oriundos da Moldávia,Roménia,Guiné-Bissau,Angola ,Moçambique,Timor e Rússia.Por naturalização muitos já fazem parte da população portuguesa, mas não podemos esquecer os seus descendentes que aqui nasceram. Da mesma maneira que a população portuguesa se foi espalhando pelo mundo está agora a receber novo material genético com os que cá se vieram fixar, daí que terminemos este apontamento com uma fotografia ilustrativa da actual população do nosso País.


2.3.08

O AUTOMÓVEL

O AUTOMÓVEL
Qualquer veículo que se mova pelos seus próprios meios pode chamar-se automóvel. mas este nosso apontamento vai incidir apenas nos que servem para transportar passageiros. A história tem início quando o Homem pensou em substituir a tracção animal por outra do tipo mecânico , como é o caso de Nicolas Cugnot, na França de Napoleão, ao utilizar um motor a vapor para movimentar peças de artilharia. No entanto, só se começou a pensar a sério no assunto, a quando da descoberta do motor de explosão interna.Este deve-se a Karl Benz ,cidadão alemão que o construiu em 1885. As primeiras viaturas eram autênticas carroças e carruagens de cavalos,com a diferença de serem movidas por um motor. Um dos primeiros entusiastas destas máquinas foi Gottlieb Daimler,daí que haja viaturas com o seu nome. O fabrico destas primeiras viaturas era artesanal e só em 1906 é que Henry Ford inventa a linha de montagem, para fabrico em série.Da época artesanal mostramos o triciclo de Benz de 1885 e o Benz de 1895.

Ao longo dos anos, estes veículos foram melhorando tecnicamente com a introdução do travão de mão, da caixa de velocidades e do volante na direcção. Se observarmos as fotos, veremos que de início era uma corrente,como as das bicicletas, que ligava o motor ao rodado e não existia volante ,mas sim uma espécie de timão. Estes veículos eram tão perigosos que uma lei inglesa obrigava a que eles circulassem antecedidos por um homem a pé com uma bandeira vermelha e tocando uma corneta .Olhamdo,á primeira vista, para para estas peças de museu, o que parece estar em exposição é uma carruagem de cavalos . Não nos podemos esquecer que os construtores eram muitas vezes os mesmos. Uma dezena de anos teria de se esperar, até que este aspecto desaparecesse e surgisse um veículo que já não se confundisse com um carro de cavalos. Henry Ford ,com a construção da primeira linha de montagem e fabrico em série, cria o célebre FORD T, de que se venderam 15 milhões de unidades entre os anos de 1908 e 1927. (ver foto abaixo)

O primeiro veículo automóvel a chegar a Portugal foi um Panhard Levassor, importado de Paris pelo Conde de Avilez ,em 1895. Na alfândega de Lisboa não souberam como classificar este veículo para efeitos tributários e, por isso ,registaram-no como máquina agrícola. Na sua primeira viagem de Lisboa ao Cacém atropelou um burro e tal facto ficou na história como o primeiro acidente com um automóvel .

Compare-se esta foto de um Panhard Levassor (1890) mesmo com automóveis da década de 1930 e veja-se a diferença . Se atentarmos na matrícula, são carros que circularam em Portugal.


Matrícula AA-00-03 leva-nos a supor ter sido o terceiro a possuir chapa de matrícula. Está em museu mas ainda funciona.


Alguns veículos do séc XX tornaram-se célebres ,mesmo antes da 2ª guerra mundial ,como é o caso do Volkswagen ( carro do povo em alemão ) da autoria de Ferdinand Porsh a solicitação de Adolf Hitler ,que o utilizou com fins militares e de propaganda política.

Adolf Hitler,na sua propaganda ,afirmava que qualquer trabalhador poderia vir a ter uma destas viaturas e havia até uma caderneta com selos de prestações e prémios de produção laboral, para o adquirir. Esta viatura de 1938 era descapotável,possuia motor traseiro de 986 c.c., refrigerado a ar,26 cavalos de potência e atingia 90 Kms/h. Consumia 7 litros de gasolina aos 100 Kms, numa época em que era normal o consumo de 12 litros .
A partir deste momento, a história do automóvel torna-se difícil de contar já que os construtores industriais são muitos e os modelos apresentados, vários e para todos os gostos. Optaremos assim por referir apenas alguns , sem que isto represente algum desprimor para os omitidos.»»»» Em 1903,Henry Ford construiu o modelo A,ainda de fabrico artesanal e que era ,como a figura documenta,um autêntico caixote com rodas.

Mas Ford estava determinado a construir um carro simples,confiável e acessível ,que o trabalhador comum americano pudesse comprar.Surgiu então o célebre modelo T, saído de uma linha de montagem. As fotografias seguintes mostram modelos de 1932,1964 de 2008 da Ford

De igual modo é conhecida entre nós a marca Mercedes Benz cuja firma foi criada em 1924 e é o resultado da fusão da Benz com a Daimler, para estimular a economia alemã após a 1ª Guerra Mundial, fusão esta que durou até ao ano 2000.Mostramos quatro belíssimos modelos desde o ano 1957 até hoje.

Em França ,fundada em 1919 por André Citroen,temos a Citroen que se encontra hoje ligada á Peugeot, outra conhecida marca francesa.Mostraremos alguns modelos famosos daquela marca, como é o caso da célebre "arrastadeira",viatura bastante baixa que a fábrica garantia ser muito difícil capotar.( O modelo é dos anos 40/50) . O mais simples e barato carro da Citroen,destinado aos agricultores e preparado para as esburacadas estradas agrícolas em terra, foi o " dois cavalos". No início trazia apenas um farol e um conta quilómetros e era extremamente leve.


Este dois cavalos da fotografia é recente, mas mantém no essencial as linhas do modêlo original,pois teve que se adaptar ás exigências do trânsito citadino. Outros modelos que deram brado foram o "boca de sapo" de suspensão hidráulica, surgido em1967, bem como o BX de 1991 e o C5 de 2003

A "joia da coroa " do mundo do automóvel está na Rolls-Royce fundada em 1906.Tornou-se famosa pelo fabrico de motores de avião e de carros de extremo luxo e fabrico cuidado. Tudo neste carro revela classe ; o luxo e extras do interior,o silencioso motor e o abafado som emitido pelo fechar das portas, são algumas das suas grandes virtudes. Pode ser fabricado por encomenda, com as características solicitadas pelo comprador,podendo os cromados ser substituídos por ouro ou prata ou outras excentricidades. Poucos são de série , blindados ou não, e o seu custo elevadíssimo.Em caso de hipotética avaria só podem ser reparados na fábrica e, ao que consta, gratuitamente. Actualmente a Rolls-Royce foi adquirida pela BMW.São viaturas usadas pelos chefes de estado e milionários. Mostramos o primeiro modelo(1906) e outro de 1959.

Descendo novamente á terra ,que é como quem diz, aos carros do comum mortal, temos em Itália a Fiat ( fábrica italiana de automóveis de Turim),fundada em 1899. Hoje o GRUPO FIAT é constituído pela Ferrari,AlfaRomeo,Lância, Maserati,Iveco e outros. No início do séc XX fabricou, para além de automóveis, ambulâncias, metralhadoras,motores para aviões e submarinos . Dos seus modelos utilitários mostramos veículos citadinos de pequeno porte e fácil estacionamento, que fazem a delícia dos coleccionadores.












(Um Fiat do século XXI)


Nos nossos dias já não é só a Europa e América a fabricar automóveis. O Japão e Coreia do Sul são grandes construtores possuindo mais do que uma marca. Com a globalização e fusão de empresas os modelos são muito semelhantes e têm componentes que pouco,ou nada, diferem entre marcas. No que se refere ao combustível usado e atendendo ao preço crescente da gasolina e do diesel, começaram a circular automóveis com motores a álcool,gás natural, hidrogénio e bio-diesel. Recentemente surgiram os carros híbridos que usam um motor de combustão e outro eléctrico. Há três tipos de motorização híbrida :1º--- o motor de explosão é responsável pela locomoção e o eléctrico com corrente de bateria, um auxiliar extra. É usado em veículos de pequeno porte. 2 º---O motor eléctrico é responsável pela locomoção ,sendo que o de combustão apenas serve para carregar as baterias . 3º....Há um sistema que é a combinação em paralelo dos dois anteriores .


Para além desta evolução dos motores os construtores dos carros actuais apostaram na segurança com os" air-bags " e estruras deformáveis que absorvem o impacto do choque,bem como sistemas de travagem sem bloqueio de rodas e até sistemas de correcção de direcção e inclinação nas curvas . Hoje em dia a evolução do automóvel é tão rápida que todos os anos há modelos novos . Longe vão os tempos em que os modelos duravam décadas,com muito poucas variações como foi o caso do "carocha" da VW,o dois cavalos ,ou a "arrastadeira". Talves no futuro tenhamos automóveis movidos a energia solar e guiados por computador, sem necessidade de condutor,pois os protótipos já existem nas universidades.

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