25.2.08


A ELECTRICIDADE


Durante milhares de anos o Homem não soube o que era a electricidade e ,no entanto ,convivia com ela. Observava e temia os relâmpagos das trovoadas supondo serem a ira dos deuses e tudo não passava de um fenómeno eléctrico da atmosfera. Com a passagem dos séculos surgiram os cientistas e a tentativa de explicar tal fenómeno. Mas que é a electricidade ? Já na Grécia antiga Tales de Mileto , ao esfregar uma vareta de âmbar numa pele de carneiro, verificara que a vareta atraía pequenos pedaços de palha. O que ele estava a fazer,sem o saber, era a produzir electricidade estática. ( Igual experiência podemos fazer com um pau de lacre esfregado numa camisola de lã. Veremos que atrai pequenos pedacinhos de papel).Para percebermos o que é a electricidade ,vamos recordar que toda a matéria é formada por moléculas e que estas são constituídas por átomos. Um átomo é basicamente formado por uma zona central o núcleo onde estão protões (partículas de carga positiva) e neutrões (partículas sem carga). Em volta do núcleo giram velozmente , em diversas órbitas, partículas de carga negativa chamadas electrões.




Como todos os átomos das substâncias estáveis são elèctricamente neutros ,conclui-se que o número de electrões é igual ao número de protões. É curioso referir que a palavra eléctron (electrão) ,é a pronúncia grega da palavra que significa âmbar, e aqui recordamos de novo a experiência de Tales de Mileto. Voltando ao átomo, verificamos que os electrões que giram mais longe do núcleo ,têm maior possibilidade de o abandonar, embora as cargas positivas do núcleo os atraiam. Quando isso acontece,quebra-se o equilibrio entre cargas positivas e negativas, surgindo electrões livres e o corpo adquire uma carga,deixando de ser neutro. Numa visão simplista, a corrente eléctrica, não e mais que um fluir de electrões ao longo de um elemento condutor. Esta corrente de electões é provocada por uma fonte de energia, melhor dizendo,por uma diferença de carga(diferença de potencial) entre dois corpos . Desse desnível energético resultará o fluxo de electrões,desde que haja um condutor entre os dois corpos, tal como um líquido passará de um vaso mais alto para um mais baixo,se houver um cano condutor entre eles. A diferença de potencial atrás referida é chamada de tensão, embora muitos usem a palavra voltagem.
Um condutor eléctrico é uma substância onde os electrões fluem com facilidade , como é o caso do ouro, prata, cobre e alumínio. As substãncias que não permitem o deslocamento dos electrões são chamadas isoladores. Como exemplo de isoladores temos vidro,porcelana, borracha, plástico e o vazio atmosférico. Já que atrás nos referimos á diferença de potencial que provoca o fluxo de electrões,vejamos outro conceito ; à quantidade de electrões que passam, por segundo, na secção transversal de um condutor, denomina-se intensidade da corrente. Ás vezes ,nos átomos de um corpo, há maior número de electrões do que de protões e a esse excedente damos o nome de carga eléctrica , neste exemplo carga negativa.Se acontecer que os átomos tenham maior número de protões do que electrões o corpo terá carga positiva. O estudo da corrente eléctrica começou quando Alessandro Volta inventou a pilha no ano de 1800.
A pilha de Volta era constituída por um empilhamento de discos de cobre alternados com discos de zinco. Entre cada disco existia um disco de feltro embebido em ácido sulfúrico.Ligando o primeiro disco de cobre ao último de zinco por um fio condutor, obtinha-se uma corrente eléctrica. Hoje não se usam pilhas com líquido ácido, que é substituído por uma substância pastosa .São chamadas pilhas secas ,mas o funcionamento é idêntico. Observemos o esquema abaixo em que os polos de uma pilha estão ligados por um fio condutor que tem intercalado uma resistência ,a lâmpada. Quando o fluxo de electrões percorre o circuito a lâmpada acende .

Costumamos dizer que a corrente eléctrica vai do polo positivo (+) da pilha para o polo negativo (-) mas a verdade é que o fluxo de electrões dá-se em sentido contrário pois estes são atraídos pelo polo positivo, já que cargas do mesmo sinal repelem-se e de sinal contrário se atraiem. O fluxo de electrões referido é a corrente contínua (CC) ou corrente directa e está regulada pela Lei de Ohm. A lei pode ser assim enunciada . " a intensidade da corrente que passa no circuito varia na razão directa da tensão (voltagem) e na inversa da resistência oferecida a essa passagem. " V=I.R ou I= V/R . A intensidade é medida em Ampères ,a resistência em Ohms e a diferença de potencial em Volts .A corrente contínua é produzida pelas pilhas, baterias e pelos dínamos. É este tipo de corrente que temos nas lanternas eléctricas,nos telefones,nos comboios e nos carros eléctricos. Se numa lanterna a intensidade da corrente é fraca porque a diferença de potencial é pequena e a resistência relativamente grande , o mesmo já não se pode dizer das catenárias dos comboios onde a diferença de potencial é de milhares de Volts e a resistência da catenária mínima,logo há uma forte intensidade de corrente, o que se torna mortal se alguem lhe tocar . Vejamos agora uma outra experiência : Se a um circuito onde está a passar corrente contínua aproximarmos uma bússola, veremos que esta é influenciada ,desviando a agulha magnética, logo a corrente contínua cria um campo magnético diferente do existente.Ora o contrário também é verdadeiro : Uma variação do campo magnético pode produzir corrente contínua. Temos aqui fenómenos de indução electro-magnética.


O esquema mostra o funcionamento de um dínamo:"quando o fio enrolado em espiral gira dentro do campo magnético do iman, a corrente eléctrica é induzida no circuito e a lâmpada acende." Há outro tipo de corrente eléctrica,como a que circula nas nossas casas,a que chamamos corrente alterna (CA ou AC).Neste tipo de corrente o fluxo de electrões faz-se alternadamente num e noutro sentido do circuito, variando muitas vezes por segundo. Em Portugal a alternância( frequência) é de 50 vezes por segundo ,podendo-se dizer 50 ciclos/s ou 50 Hertz . As máquinas produtoras de corrente alterna denominam-se alternadores . A corrente alterna é sinusoidal (ver esquema a seguir), não apresentando sempre o mesmo valor. Este varia com o tempo, tomando valores máximos, positivos ou negativos,gradualmente.Chama-se alternância positiva á parte da curva com valores positivos e alternância negativa á parte da curva com valores negativos.. Dá-se o nome de ciclo ao conjunto das duas alternâncias,daí termos dito que a corrente de nossas casas tinha 50 ciclos/s.. O tempo que demora a fazer um ciclo é o período. Ao valor máximo do ciclo dá-se o nome de amplitude . No caso da figura este valor está entre +14 e -14 ..



A obtenção de electricidade é feita de diversas formas já que qualquer tipo de energia se pode transformar noutro; " na Natureza nada se perde e nada se cria,tudo se transforma" O calor gerado pela combustão do carvão ou do petróleo,bem como a luz solar ou o movimento das ondas,tudo isto pode gerar electricidade. O problema eatá em que nem todos os processos são benéficos para o nosso Planeta,criando os muito falados efeitos de estufa e aquecimento global, com consequências futuras desastrosas para a espécie humana. Além disso ,algumas das fontes de energia não são inesgotáveis e tendem a acabar ràpidamente ,com consequências económicas que já se estão a sentir. Repare-se o preço sempre crescente da gasolina e do gasóleo e a sua repercussão no preço dos transportes,da electricidade,do pão e de tudo o mais que necessitamos e que consome energia para ser fabricado.

Dividimos as energias em duas categorias : não renováveis e renováveis. No primeiro grupo estão o carvão,petróleo e gás natural , consumidos em grandes quantidades nas centrais térmicas de produção de electricidade . Os fumos e CO2 saídos das chaminés dessas centrais estão a criar graves problemas ambientais. Também neste grupo se poderia colocar as centrais nucleares, não pelo facto de se esgotar o combustível atómico, mas pelas emissões de vapor de água e pelo perigo de radiação em caso de avaria grave ou acidente,como aconteceu em Chernóbil.




No caso das energias renováveis ou limpas ,agora em franco crescimento, podemos incluir as seguintes:
Energia hídrica.... a electricidade é conseguida em dínamos ou alternadores que são movidos pela água que foi armazenada em barragens e que passa em turbinas que accionam os geradores. A figura mostra a primeira grande barragem portuguesa em Castelo do Bode. Além de produzir electricidade a sua água abastece também a cidade de Lisboa, no seu consumo doméstico.




Energia geotérmica

Utiliza o vapor de água naturalmente saído do interior da terra, nas zonas de vulcanismo atenuado,para pôr em movimento os geradores de electricidade Este processo é utilizado nos Açores com bom rendimento . É uma dessas instalações que se vê na figura , na ilha de São MIguel .



Energia eólica......Em crescente desenvolvimento, aproveita a força do vento para mover geradores de electricidade.

Embora alguns digam que destoa na paisagem, sempre é preferível destoar que destruir a paisagem com emissões poluentes,como os que resultam da queima de combustiveis fósseis. Mais recente é o aproveitamento da energia gerada pelas ondas ao largo da costa ,ou a energia da subida e descida das águas de maré, num estuário de rio. Este movimento da água entrando e depois saíndo no estuário, pode accionar uma turbina ligada a um alternador e produzir electricidade. De igual modo a biomassa(restos de plantas e estrumes animais) em decomposição, liberta metano que pode servir de combustivel para accionar um grupo gerador de corrente eléctrica. O esquema seguinte mostra um aproveitamento da energia de maré.

Energia Solar.... Sendo o Sol a fonte "indirecta" de todas as outras formas de energia, renováveis ou não, por que não aproveitá-lo directamente'? É isso que o Homem tem estado a fazer com os chamados paineis solares ou fotovoltaicos.

O Sol ao incidir sobre estes paineis constituídos por células de silício cristalino e arsenito de gálio excita-as , criando uma diferença de potencial eléctrico , gerando corrente contínua. Cada célula pode produzir 0,5 ampéres a o,5 volts. A corrente contínua pode depois ser modificada para corrente alterna. Em Serpa (Alentejo) estão em funcionamento 52.000 módulos solares que se espera produzam 6.000 Megawatts/hora ,num ano. A electicidade produzida, depois de transformada em corrente alterna, é lançada na rede geral de distribuição.


Esta breve história sobre a electricidade poder-nos-ia levar a outros temas, como o de poupar energia,os perigos de acidentes com crianças nas nossa casas etc, mas isso fica para outra ocasião .




21.2.08

OS AVIÕES E OUTRAS AERONAVES

O desejo de voar existe no Homem desde que observou o vôo dos pássaros e isto já desde a pré-história. Depois,ao longo da história , há vários registos de tentativas mal sucedidas de voar como aquelas em que usaram asas de madeira e penas(imitando asas de pássaros)colocando-as nos braços e balançando-os. Destas experiências muitas vezes resultou a morte. Já no ano 300 antes de Cristo, os chineses tinham inventado o papagaio, bem como as técnicas para o fazer voar. O papagaio é no fundo um planador, logo uma máquina voadora. Cerca de 200 AC ,o matemático e inventor grego Arquimedes descobrira como os objectos flutuavam em líquidos ,conhecimento esse aproveitado em 1290 por Roger Bacon que chegou á conclusão de que se as pessoas pudessem construir um máquina que tivesse as características adequadas , o ar iria suportar a máquina tal como a água suporta um navio. Provàvelmente foi Leonardo da Vinci a primeira pessoa que se dedicou seriamente a projectar uma máquina capaz de voar. Tais máquinas eram planadores e outras ,que usavam o mesmo mecanismo usado por pássaros para voar ,movendo as asas em movimento constante para cima e para baixo. Leonardo nunca construiu tais máquinas, mas os seus desenhos chegaram aos nossos dias ,tendo-se verificado que alguns dos projectos teriam sucesso. Nos séculos VIII e XIX estudaram-se aeronaves mais leves que o ar e, segundo consta ,o primeiro voo bem sucedido de um balão de ar quente foi o da passarola de Bartolomeu de Gusmão em 8 de Agosto de 1709, na corte de D.João V, em Lisboa. Tal invento ter-se-ia elevado no ar durante alguns momentos. O aparelho consistia num globo de papel grosso,tendo no fundo uma tigela com fogo



Emanuel Swedenborg ,em 1716 , fez o desenho de uma máquina voadora que consistia numa fuselagem e duas grandes asas que se movimentariam no eixo horizontal da aeronave,assim gerando o impulso necessário para a sua sustentação. Embora sabendo que tal aeronave jamais voaria disse que no futuro os problemas do desenho seriam resolvidos. As grandes asas móveis que ele referiu são aquilo a que hoje chamamos hélice. O primeiro voo humano de que se tem notícia, realizou-se em Paris em 1783; O Dr. Rozier e o nobre François d' Arlandes,fizeram o primeiro voo livre numa máquina criada pelo homem. Voaram oito Kms num balão de ar quente inventado pelos irmãos Montgolfier, fabricantes de papel.(ver foto acima) O ar dentro do balão era aquecido por uma fogueira de madeira. O rumo tomado pelo balão não era controlado e este voava para onde o vento o levasse.O referido balão, devido ao pêso, subiu até aos 26 metros. Os irmãos Montgolfier continuaram a fabricar balões com êxito ,de tal forma que Napoleão pensou em usá-los para atravessar o mar e invadir a Inglaterra. Mais tarde ,outros inventores passaram a substituir o ar quente por hidrogénio, muito mais leve que o ar, mas mantinha-se o problema da direccão do voo ,que continuava a ser a do vento . O que tinha melhorado era a altitude do voo que podia ser controlada. Em 1852 o dirigível foi então inventado. É um balão em que o rumo é controlado por lemes e um motor. O primeiro dirigível inventado por Henri Giffard,voou 24 Kms utilizando um motor a vapor. Com a invenção do balão e do dirigível, os inventores passaram a tentar criar uma máquina mais pesada que o ar que voasse pelos seus próprios meios. Primeiro surgiram os planadores, máquinas capazes de voar controladamente por algum tempo. George Cayley construiu um protótipo, que fez os primeiros voos planados,sem passageiros, em 1804. Devem-se a este inventor as primeiras leis de aerodinâmica. Teriam de passar mais de cinquenta anos para se descobrir um processo que gerasse um impulso de ar que passando pelas asas rígidas do planador lhe dessem sustentação e movimentassem a aeronave para a frente. Também muitas vidas se perderam nestas experiências e recordamos, por tal motivo ,Otto Lilienthal ,falecido em 1896 numa dessas experiências. Otto que já tinha feito mais de 2.000 voos planados, viu um golpe de vento lateral rasgar a asa da sua aeronave,caindo de uma altura de 17 metros.
No sec XIX algumas tentativas foram feitas para produzir um avião que descolasse por meios próprios, mas como a maioria era construída por pessoas que não tinham conhecimentos técnicos , esses aviões eram de péssima qualidade, tal como aconteceu com William Henson que registou uma patente de aeronave equipada com motores,hélice e uma asa fixa, ou seja,um avião, mas que falhou. O mesmo aconteceu em 1890 com Clement Ader que criou um avião com motor a vapor. Conseguiu descolar,mas não a conseguiu manter no ar .Outro pioneiro Samuel Langley, em Maio de 1896 conseguiu voar mil metros numa aeronave mais pesada que o ar e uns meses mais tarde ,1460 metros a uma velocidade calculada de 40 Kms /h.Diga-se no entanto que estes voos não tinham tripulantes e eram meras experiências. Quando tentou que o aparelho voasse com um tripulante falhou redondamente.Outros também tentaram , mas com resultados negativos e com acidentes fatais. Os primeiros voos dignos desse nome,com aparelhos mais pesados que o ar, foram efectuados pelos irmãos Wright de origem americana. Construiram um biplano (duas asas) em que o piloto ia deitado no asa inferior. Á direita do piloto um motor fazia girar,por meio de correias, duas hélices colocadas entre as asas. A 17 de Dezembro de 1907 efectuaram aquele que seria considerado como o primeiro voo controlado,motorizado e mais pesado que o ar. Durante 12 segundos atingiu a altura de 37 metros e foi ajudado a descolar por meio de uma catapulta.

Continuaram as experiências e a 7 de Novembro de 1910 fazem um voo de uma hora,percorrendo 100 Kms à velocidade de 97 kma/h,tendo descolado com o auxílio dos próprios motores,agora mais potentes . Já no ano de 1906,Alberto Santos Dumond tinha voado 221 metros á volta da torre Eiffel em Paris. Ao mesmo tempo que os aviões de asa fixa se estavam a desenvolver,os dirigíveis ficavam cada vez mais avançados , de tal forma que nas primeiras décadas do sec. XX eram estes que levavam carga e passageiros.Os grandes dirigiveis construídos pelo alemão Zepplin efectuaram os primeiros voos em 1900. Eram enormes balões em forma de charuto e feitos em cabedal, tendo uma armação interna de alumínio. Estavam cheios de hélio. Pendurada sobre o seu bojo ,uma grande cabina de alumínio albergava os passageiros em beliches,salas de convivio e de refeições,WC e salas de navegação e de tripulantes, tal como um pequeno navio. Era impulsionado por dois potentes motores a hélice. No ano de 1936, mais de um milhar de pessoas viajou entre a Europa e a América ,cruzando o Atlântico por este processo, até que um terrivel acidente com incêndio , ao aterrar nos EUA, ditou o fim deste meio de transporte. As fotos seguintes mostram a cabina de passageiros e o desastre .












Pouco tempo depois de ter sido inventado o avião,este passou a ter interesse com finalidade militar durante a Guerra Mundial de 1914-1918. Servia como meio de espionagem das linhas inimigas. Como o inimigo passou também a usar estas máquinas para o mesmo fim, os pilotos alvejavam-se uns aos outros com armas ligeiras, mas enquanto o faziam perdiam, muitas vezes , o controlo do avião. Mais tarde foi montada uma metralhadora á frente e com mira ,o que permitia ao piloto metralhar e manobrar o avião. Nascia assim o avião de combate, feito de lona ou tela leve em estrutura de madeira, pois só em 1915 aparece o primeiro avião metálico ,o JUNKERS 1 de origem alemã.
A era de ouro da aviação dá-se entre as duas grandes guerras de 1918 a 1939,com rápidos avanços no desenho dos aviões,na potência dos motores, e com o alumínio a substituir a madeira e a tela . O avanço tecnológico é de tal ordem que leva ao aparecimento dos aviões de passageiros e das Companhias Aéreas bem como do Correio Aéreo. Paralelamente o hidroavião opera em rios e lagos calmos ,concorrendo com os outros tipos de avião como o DC-3 de passageiros de 1936 ,que mostramos a seguir.


Este Douglas tinha dois motores,capacidade para 21 passageiros e velocidade de cruzeiro de 320 Km/h.Tornou-se muito popular em todo o mundo pela sua estabilidade ,havendo alguns ainda a voar nos nossos dias. Os aviões iam voando mais alto, onde as turbulências era menores, mas com isso surgia o problema de dificuldade em respirar, pelo que são inventadas as cabinas pressurizadas em finais da década de 40. Entretanto rebenta a 2ª Guerra Mundial(1939-1945) e com ela um drástico crescimento na produção e melhoria dos aviões. Foram melhorados os DC (Dakotas) para 4 motores e desenvolvidos os bombardeiros de longa distância.
No início da guerra os aviões de caça eram a hélice e no último ano de conflito tinham aparecido os caças a jacto,desenvolvidos pelos alemães. A seguir mostramos alguns desses aviões de caça que fizeram a guerra. Podemos ver o célebre Spitfire da RAF entre eles.



























Após o final do conflito, a aviação comercial teve novo incremento destacando-se os aviões superconstellation,caracterizados pelos seus três lemes traseiros. Eram utilizados em voos de médio curso . Mais tarde aperfeiçoaram-se os motores e surgiram os aviões turbo-hélice e uns anos depois a aviação comercial entra na era do jacto. Na década de 70 surgem os aviões comerciais supersónicos. O primeiro a voar foi de origem russa ,o Tupolev 144, sendo famoso o avião franco-britânico Concorde que deixou de voar há muito pouco tempo.
Um avião DC4 e o famoso Superconstellation










Turbo-hélice e Jacto moderno .


Paralelamente com o avião ,surgiu o helicóptero que é uma aeronave com asas rotativas,mais pesada do que o ar, movida por um ou mais rotores horizontais (propulsores) que,quando girados pelo motor,criam propulsão e sustentação para o voo. A ideia é antiga e também de Leonardo da Vinci,tendo sido esquecida. O primeiro voo de um helicóptero ocorreu em 1907,realizado por Paul Cornu,em França. Porém o primeiro voo controlado com uma destas máquinas só ocorreu em 1937 em Berlim,por Hanna Reitsch. O desenvolvimento destas máquinas dá-se nos anos 40 e 50 e no final desta década já havia helicópteros de 40 lugares ,que atingiam velocidades de 260 Kms/h. Estes aparelhos continuaram a evoluir até aos dias de hoje,como helicópteros médicos , de salvamento no mar, de passageiros e de guerra.


Nas aeronaves convencionais,o perfil da asa é projectado para deflectir o ar para baixo com grande eficiência ,o que provoca uma reacção contrária de sustentação. O perfil da asa também é desenhado para dar um forte poder de arrasto e deslocar o avião. O helicóptero faz uso dos mesmos princípios físicos, exceptuando o facto de em vez de mover a aeronave inteira, apenas as pás ou asas rotativas é que se deslocam através do ar, acabando por movimentar o conjunto todo

Enquanto nos aviões a estabilidade é grande e qualquer rajada de vento ou toque nos comandos são compensados pelo seu desenho aerodinâmico no caso dos helicópteros dá-se o contrário,reina a instabilidade. Um simples voo a pairar requer constantes correcções do piloto. No caso do helicóptero ser perturbado numa direcção,tenderá a continuar esse movimento até o piloto actuar em sentido contrário. O piloto está em constante actuação em vários comandos. As únicas vantagens em relação ao avião são o poderem pairar,inverter o sentido de marcha e subir ou descer na vertical usando espaços um pouco maiores que o seu tamanho .



Começàmos esta pequena descrição com o desejo do Homem imitar os pássaros e aí temos para finalizar ,nos dias de hoje, o voo de recreio com as asas delta, os planadores (aviões sem motor que são rebocados para atingir altura e depois largados voando pelas correntes térmicas do ar),as avionetas, o paraquedismo e suas variantes etc, para já não falar na recente ideia de viajar turisticamente em foguetão e ficar em órbita algum tempo a observar o nosso planeta. Terminaremos com a foto de um "brinquedo" que ainda não é acessível a todos, mas com a esperança de que num futuro breve surjam os automóveis voadores ,de que já há estudos.

Como complemento deste artigo vêr também neste blog autogiros ou girocópetros (postagem de 1 de Março de 2008 )

19.2.08



ALIMENTAÇÃO ESCOLAR


"Mente sã em corpo são" era um lema dos antigos gregos que o aplicavam á sua juventude,incitando-a a uma dieta mediterrânica e a praticar desporto. Nas nossas escolas há hoje um incentivo ao desporto como fonte de saúde ,mas muito pouco se tem feito em educação alimentar. Por variadas razões, a maioria dos alunos não faz uma boa alimentação, daí o crescente número de obesos juvenis
É na escola que os alunos passam a maior parte do dia e onde tomam várias refeições,nem sempre apropriadas.É possível que haja cantinas que forneçam refeições variadas,ricas em vegetais, com significativo peso de peixe,com sopas, fruta e um reduzido teor de gorduras saturadas, mas de que vale esse plano alimentar se ao lado estão os bolos,os chocolates,as bebidas açucaradas, etc ?. Quando isto não acontece dentro da Escola, está ali mesmo em frente da porta, nos cafés e pastelarias , ao arrepio de uma antiga lei que não permite tais estabelecimentos comerciais a menos de 1 Km da Escola.
Sabemos que a alimentação e seus vícios são influenciados por factores sócioculturais e económicos mas, como diz a nutricionista Drª Alexandra Aleixo , a alimentação escolar deve ultrapassar os objectivos de saciedade e ter objectivos específicos nutricionais com vista á prevenção de futuras doenças metabólicas . Continuando a citar a referida nutricionista :As crianças dos 6 aos 12 anos fazem 4 a 5 refeições ao dia,sendo o pequeno almoço a primeira refeição e a mais importante de todas. O pequeno almoço deverá ser tomado em casa,devendo integrar sempre um alimento á base de cereais,que poderá ser pão,flocos de aveia ou de outros cereais, de preferência sem açucar ou chocolate. A comida deve ser quase insossa,a fruta deve ser comida três vezes ao dia e as hortaliças devem ser nas sopas ou no prato, em duas refeições. As nossas caldeiradas podem ser a alternativa aos fritos e a água deve ser a bebida de eleição. Os principais segredos de uma boa alimentação escolar são a simplicidade , a qualidade e variedade dos produtos utilizados.

Apresentamos agora uma lista de vários vegetais e das suas propriedades para a saúde :
Abóbora...Possui capacidades laxativas e diuréticas e é útil para combater infeccões.
Alho......... Muito importante para o sistema imunitário e circulatório evita tromboses,reduz o colesterol e a tensão arterial e é útil em doenças coronárias.Reduz as inflamaçãoes nas articulações.
Alface...... Reduz o colesterol e a ansiedade. Possui efeitos diuréticos e laxantes.
Batata.....Podem contribuir para o aumento de peso,mas usadas com moderação tem capacidades vasodilatadoras,ajudando na hipertensão.Ricas em vitamina C e em potássio.
Cebola.....Capacidades preventivas das doenças cardiovasculares; reduz o colesterol, a tensão arterial e impede a formação de trombos. É um bom diurético,indicado no tratamento da gota e diarreias . Por possuir enxofre pode ajudar na prevenção do cancro do estõmago.
Feijão verde..Ajuda na calcificação dos ossos durante a menopausa.Rico em cálcio e potássio.
Cenoura.....Antioxidante recomendado para combater a degeneração ocular.Reduz o mau colesterol aumentando o bom.
Pimento vermelho...Potente desintoxicante rico em vitamina C, mais do que os citrinos. Pode aliviar vómitos e é analgésico.
Ervilhas......Combatem a fadiga e a debilidade por serem ricas em sais minerais. Melhoram o sono.
Ananás... Bom para todos os problemas circulatórios,torna o sangue mais fluído e evita tromboses. Depurativo e diurético,melhora a digestão e reduz os gases .
Banana.....Rica em potássio reduz as caimbras musculares,fortalece o cabelo e funciona como antidepressivo.
Cereja.....Combate a prisão de ventre e o ácido úrico.
Laranja e limão..... Ricos em vitamina C,são bons antioxidantes e evitam doenças degenerativas .
Tomate....Anti-inflamatório e antioxidante.
Maçã..... É indicada para quem sofre dos rins. Actua preventivamente em relação ao cancro e tem capacidades anti-inflamatórias no aparelho digestivo.
Pêra.....Benéfica para problemas de próstata.
Vamos agora falar de produtos LIGHT ; Leite,bolachas,refrigerantes, massas....hoje tudo pode ser light e para o ser basta apenas uma redução de 25% em carbo-hidratos, gorduras , proteínas ou açúcares . Podemos nós confiar na rotulagem destes produtos? Parece que não, pois esta é insuficiente e em muitos casos o valor energético global final tem o mesmo valor calórico que o produto normal. No caso de batatas fritas analisadas a redução de calorias era irrisória. Aqui fica o aviso : antes de comprar leia com atenção a rotulagem e verifique se não está a comprar "gato por lebre".

10.2.08


A TERRA

A Terra é um planeta do sistema solar.o terceiro a contar do Sol e o quinto em distância diametral.
.Tem aproximadamente a forma esférica. mas a sua rotação causa uma deformação para a forma elipsoidal. Há quem considere o nosso planeta formado por diversas "esferas" que se costumam designar por : litosfera , a camada sólida formada pelas rochas; hidrosfera a parte aquática constituída por rios,mares,lagos etc; atmosfera formada pelos gases que envolvem o planeta ;biosfera representando o conjunto de todos os seres vivos que a habitam.

Vamos então começar pela litosfera . O interior da Terra não é uniforme e podemos dividi-lo , usando critérios químicos , em uma camada externa (crosta) de rochas á base de silício ; um manto altamente viscoso á base de sílica e magnésio ; um núcleo sólido de ferro e niquel envolvido por uma parte líquida do mesmo material. Esta zona líquida do núcleo, girando sobre a zona sólida,dá origem ao campo magnético terrestre. O interior da Terra tem temperaturas da ordem dos 5.270 graus Kelvim. Este calor interno foi criado inicialmente durante a formação da Terra e é constantemente gerado pelo decaimento dos materiais radioactivos que se concentraram nas zonas profundas do planeta .




CROSTA --Forma a maior parte da litosfera e tem uma extensão variável consoante o local geográfico. Sob as grandes cadeias montanhosas chega a atingir 70 Kms de espessura, mas geralmente anda pelos 30 Kms. É composta basicamente por rochas cuja composição química são silicatos de alumínio sendo por isso designada de zona Sial . Existem vários tipos de crosta, sendo os principais a oceânica e a continental. A crosta oceânica é relativamente nova (150 Milhões de anos) e está em constante formação. É de composição basáltica e está coberta por sedimentos que possuem 7 Kms de espessura. A crosta continental é formada por rochas que vão dos granitos aos basaltos, tendo uma espessura média entre 30 e 40 Kms nas regiões estáveis e entre 60 a 80 Kms nas zonas sob os Himalaias e os Andes, como já nos referimos anteriormente. As rochas mais antigas andam pelos 4 MA (milhões de anos), mas também existem rochas ainda em formação, como é o caso das rochas sedimentares que resultam da destruição ou alteração das mais antigas. A zona de separação entre Crosta e Manto é-nos dada pela chamada zona de descontinuidade de Mohorovicic ou zona Moho, já que há uma descontinuidade brusca na composição quimica das rochas á base se silica e magnésio (Sima). Esta zona foi detectada pela variação brusca do comportamento das ondas sísmicas que se dirigem para o interior do planeta.

MANTO - Esta zona vai desde os 30 Kms de profundidade até aos 2900 Kms.As rochas que o constituem são de natureza silico-magnesiana e estão sujeitas nas zonas mais profundas a pressões de um milhão de atmosferas.O material do manto pode apresentar-se no estado sólido ou como uma pasta viscosa (astenosfera) na zona superior ,e sólido na inferior, devido ás altissimas pressões que contrariam o efeito da temperatura, que vai aumentando para o interior, atingindo 3500 graus Celsius já perto do núcleo. A zona da Astenosfera é importante pois possui movimentos convectivos que explicam o deslocamento dos Continentes, ou melhor, das placas continentais que suportam os continentes, empurradas pelas placas oceânicas em constante crescimento..

NÚCLEO ---Composto em grande parte por ferro (80%) e niquel o (Nife) é dividido em duas partes : o núcleo sólido, praticamente só ferro, é envolvido por uma camada liquida já contendo algum níquel.Pensa-se que é uma camada líquida porque certo tipo de ondas sísmicas são ali bloqueadas. Como já se disse, esta camada líquida girando sobre a sólida provoca o campo magnético terrestre, através de um processo conhecido como teoria do dínamo .


FORMAÇÃO da TERRA . Depois de apresentarmos muito sucintamente a constituição interna do nosso planeta, vamos agora tentar explicar como ele se formou há 4.600 milhões de anos. Naquele tempo ,existiriam poeiras cósmicas em rotação ,que se foram agregando a pouco e pouco em protoplanetas que, por sua vez , se agregaram ainda mais para dar um planeta. Esta fase denomina-se de acreção ,havendo como resultado disso um aumento de temperatura e violentas reacções químicas . O aumento da massa agregada e da gravidade , possibilitou a retenção de gases formando-se uma atmosfera primitiva.Tudo isto contribuiu para que se desse a fusão dos materiais terrestres.Os elementos mais densos e pesados ( ferro e niquel) migraram para o interior e os mais leves (sílica e alumínio ) para a superfície, formando-se assim a estrutura do planeta que anteriormente descrevemos. Esta fase é designada por diferenciação pois se distingue a crosta ,o manto e o núcleo. Existe uma terceira fase a da desintegração dos materiais radioactivos no interior do planeta que promove o aparecimento de materiais no estado liquido ou pastoso o magma , como já referimos. A partir do arrefecimento á superfície deste magma, consolidaram-se as primeiras rochas magmáticas ou igneas, criando-se assim a crosta terrestre. A libertação de gases formando a atmosfera ,deu origem ás primeiras chuvas e á água que constitui a Hidrosfera. Esta água das chuvas ,dos rios ,dos gelos ,dos mares,etc, foi decompondo as rochas primitivas, por erosão ou processos quimicos, dando origem aos solos e a outras rochas sedimentares,diferentes já das magmáticas.Entretanto devido aos movimentos das placas e consequente atrito muitas rochas sedimentares sujeitas a elevados parâmetros de pressão e temperatura deram origem a rochas diferentes denominadas de metamórficas e surgiram também as grandes cadeias montanhosas. O que descrevemos é, sem dúvida , uma visão muito simples do processo, mas é esse o nosso objectivo nesta primeira abordagem. Voltaremos com alguns dos temas mais desenvolvidos.Por agora fica a visão geral.


AS ROCHAS


È difícil dar uma definição simples de rocha mas podemos dizer que são grandes massas naturais de material pétrico formado por um ou mais minerais agregados,sendo o mineral uma subtância natural de composição química bem definida e estrutura cristalina (os seus átomos ou moléculas arranjam-se espacialmente em formas geométricas) . As rochas, dada a sua enorme variedade, podem ser divididas em tres grandes grupos de acordo com a sua génese: Magmáticas,Sedimentares e Metamórficas


MAGMATICA ou Ignea.. é um tipo de rocha que resultou da consolidação do magma pelo seu arrefecimento. Estas rochas são compostas de feldspato (59,5%), quartzo(12%) ,anfíbolas e piroxenas (16,8%), micas (3,8%) e outros minerais acessórios (7%). Ocupam 1/4 da superfície terrestre. O magma ao solidificar e dependendo das condições de pressão e temperatura, pode originar uma grande variedade de rochas, que se dividem em três grandes grupos : plutónicas,vulcânicas e hipoabissais.

PLUTÓNICAS ou intrusivas---São formadas a partir do arrefecimento do magma no interior da crosta,nas zonas profundas, sem contacto com a superfície.( Se hoje aparecem á superfície isso deve-se ao desaparecimento das camadas que as recobriam, o que demorou milhões de anos.) Como o arrefecimento no interior foi muito lento,ocorreu a cristalização de todos os seus minerais . A sua estrutura corrente é granular,isto é, os minerais apresentam-se equidimensionais e ligados entre si . Nas rochas plutónicas podem considerar-se quatro famílias, mas entre elas há toda uma série de rochas intermédias.

Família do granito....O granito é uma mistura de quartzo,feldspatos(ortoclase e microclina) e micas (biotite e moscovite)além de outros minerais acessórios em pequena quantidade como as turmalinas ,topázio e plagioclases. O granito é uma rocha ácida e pouco densa que aparece em grandes massas,formando regiões inteiras ou as zonas centrais de mitas montanhas.
Família do sienito.... tem como minerais essenciais os feldspatos alcalinos, especialmente a ortoclase,aos quais se associa a horneblenda,a augite e a biotite. Não tem moscovite nem quartzo. São rochas neutras.
Família do diorito....Os minerais essenciais são feldspatos calco-sódicos como a oligoclase e andesina a que se associam augite e biotite
Família do gabro....São rochas escuras,verdes ou negras,bastante densas e cconsideradas básicas. Os seus minerais essenciais são os feldpatos básicos anortite e labradorite,acompanhados biotite,augite e olivina .Por vezes ainda se considera uma outra família designada de peridotito composta por rochas ultrabásicas, muito densas e escuras ,constituídas por olivina a que se junta anfibulas e piroxenas. O magma que as formou teve como origem zonas muito profundas, já no manto terrestre.

Rochas VULCÂNICAS,extrusivas ou efusivas São formadas pelo magma expelido pelos vulcões antigos ou recentes. Estas rochas são formadas pelos mesmos magmas que originaram as plutónicas e só diferem destas porque tendo o magma arrefecido mais rápidamente na superfície da crosta ou perto dela, os cristais dos diferentes minerais são microscópicos. A textura da rocha vulcânica é microcristalina ou mesmo vítrea.


Desta forma podemos dizer que o equivalente vulcânico do granito é o riolito; o do sienito é o traquito; o do diorito é o andesito e o do gabro o basalto.
Se o arrefecimento for brusco, no caso do magma arrefecer em contacto com água dos mares, temos rochas de textura vítrea ,sendo as mais vulgares a pedra-pomes de composição química riolítica e a obsidiana de composição química basáltica .

Rochas filonianas ou hipoabissais ..Alguns autores consideram estas rochas como fazendo a transição entre as vulcânicas e as plutónicas.O magma não atinge a superfície e preenche as fissuras existentes na crosta terrestre . Umas formam-se por arrefecimento do magma na fissura e outras são uriundas da cristalizaçao de minerais dissolvidos nas águas termais nessas mesmas fissuras e que alteram a composição inicial do magma. Como exemplo de rochas filonianas temos os aplitos, os pegmatitos e os lamprófiros.


Rochas SEDIMENTARES


São formadas por sedimentos ou detritos de outras rochas carreados pela água ou pelo vento e acumulados em áreas rebaixadas da crosta podendo este tipo de rochas conter fósseis. Há três processos principais para a formação destas rochas:
»»»pela deposição (sedimentação) das particulas originadas pela erosão das outras rochas . São então designadas de rochas sedimentares detríticas.
»»» pela deposição e ou aglutinação de materiais de origem biológica ,como conchas,plantas etc,tomando o nome de rochas sedimentares orgânicas.
»»» pela precipitação de substâncias em solução e são chamadas rochas sedimentares de precipitação química.
São exemplo das rochas sedimentares detríticas as argilas,areias, arenitos, dunas e dunitos e conglomerados do tipo pudim e brecha. Sedimentares orgânicas as diatomácias,. os calcários conquíferos,carvões minerais, petróleo

Sedimentares de precipitação química os calcários,travertinos,estalactites e estalagmites, salgema,etc.

A formação dos materiais que depois de depositarem darão as rochas sedimentares detríticas é muito variada dependendo de vários agentes (água,vento, gelo ). O mesmo se poderá dizer para as sedimentares orgânicas e de precipitação química, pelo que a sua explicação se torna longa e complexa,saindo do âmbito deste trabalho . Assim passemos ás ROCHAS METAMÓRFICAS.

Chamamos rochas metamórficas àquelas que são formadas por transformação física e quimica de outras rochas, quando submetidas a ambientes de calor e pressão diferentes dos que as originaram. Estas transformações dão-se no interior da Terra e sem que a rocha a metamorfizar saia do estado sólido, pois se isso acontecer vai originar uma rocha magmática e não uma metamórfica. Como dissemos as rochas metamórficas são o produto da transformação de qualquer tipo de rocha num ambiente onde a temperatura e a pressão são muito distintas daquelas onde a rocha se formou. Nestes novos ambientes, os minerais tornam-se instáveis e podem reagir entre si dando outros diferentes,gerando assim uma nova rocha. As próprias rochas metamórficas podem sofrer metamorfismo, basta para isso que se alterem as condições de pressão e /ou de temperatura. Além dos principais factores de metamorfismo (pressão e temperatura) há outras condicionantes como os fluidos de circulação no interior profundo da Terra.(águas e gases ) Também o tempo que a rocha está submetida ás novas condições é factor relevante .Analizemos um pouco os principais factores : Temperatura Como se sabe a temperatura vai aumentando naturalmente da superfície para o interior da Terra, mas para além disso quando um magma entra em contacto por exemplo com uma rocha sedimentar, vai sobreaquecer esta rocha. A rocha sedimentar,sem chegar a fundir, altera a sua composição química por formação de novos minerais .Como exemplo deste metamorfismo citamos a passagem do calcário a mármore ou a corneanas. Se abordarmos agora a Pressão diremos que esta também aumenta com a profundidade devido ao peso das camadas superiores( pressão litostática) mas também há pressões a profundidades relativamente pequenas provocadas pelos movimentos de placas,(os tais movimentos que deslocam os Continentes) A orientação destas pressões pode deformar os minerais e alterar a sua orientação de uns em relação aos outros, modificando a estrutura da rocha.Esta pressão orientada e a temperatura resultante do atrito de umas rochas com as outras, provocam como é lógico metamorfismo. Como efeito só da pressão citamos a passagem da argila(sedimentar) a xisto( metamórfica).Apresentamos agora uma série metamórfica,isto é um conjunto de rochas que se vão transformando umas nas outras á medida que a pressão e temperatura vão aumentando :argila»»xisto»»filádio»»micaxisto»» gnaisse»»granito de anatexia (granito não magmático) Muito mais haveria a dizer mas como pretendemos apenas dar uma ideia geral das rochas do nosso planeta ,por aqui nos ficamos .

6.2.08

COMBOIOS

OS COMBOIOS
Foi a invenção da máquina a vapor e a sua aplicação á indústria que levou os governos europeus, por volta de 1835, a criar novos meios de transporte para escoar com rapidez os produtos saídos das fábricas.Desapareciam as carroças e nascia o caminho de ferro, que toma esse nome porque os veículos se deslocavam em carris de ferro. Em Portugal,depois de muitos projectos e constituição de várias empresas fracassadas, foi inaugurada a primeira linha de caminho de ferro entre Lisboa e o Carregado, numa extensão de 37 Kms. A primeira viagem realizou-se no dia 28 de Outubro de 1856 ,levando a bordo o rei D.Pedro V ,sendo a composição rebocada por duas máquinas.( ver foto)



A empresa construtora designava-se Companhia Central e Peninsular dos Caminhos de Ferro em Portugal e tinha por objectivo levar a linha de Lisboa ao Porto (linha do Norte) e ainda uma outra de Lisboa a Badajoz para ligar a Madrid. Dada a lentidão das obras o Governo, em 1860, extinguiu esta Companhia e criou outra designada Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses a quem entregou a obra. Esta ficou concluída em 1864, chegando o comboio a Gaia e aí ficando ,pois havia o problema da travessia do rio Douro. Também este problema foi resolvido em 1877. com a construção da ponte D. Maria, projecto do eng. Gustavo Eiffel, e a linha do norte passou a terminar na estação de Campanhã,na cidade do Porto. Outras linhas tinham sido entretanto lançadas, tanto para sul como para norte de Lisboa e pertenciam a diversas Companhias que as exploraram até 1947. Nesse ano o Governo decide integrá-las todas numa única Companhia , a CP ou Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses que passou a gerir linhas de via larga e estreita, com uma única excepção, a linha de Cascais. Depois desta " viagem" muito rápida e incompleta sobre os caminhos de ferro em Portugal, vamos falar do comboio em geral, já que existem bons sites para os Caminhos de Ferro Portugueses, como é o caso do da APAC. Um comboio é constituído por uma locomotiva e por carruagens de passageiros ou de carga, deslizando sobre carris de ferro ou de aço. A distãncia entre os carris denomina-se de "bitola" e varia de país para país, estando a caminhar-se para uma uniformização. As primeiras locomotivas eram a vapor, tendo como combustível para a caldeira a lenha e depois o carvão mineral. Com o final da 2ª Grande Guerra Mundial (1945) surgem locomotivas a motor diesel.


Estas locomotivas tinham fraco poder de tracção e partiam o diferencial motor-rodado, pelo que foram substituídas pelo modelo diesel-eléctrico. Este sistema consiste num motor diesel ligado a um gerador de corrente eléctrica . A corrente eléctrica assim gerada vai accionar motores eléctricos ligados aos rodados. ( ver fotografia abaixo). Existem variantes deste sistema como as diesel-hidraulicas e as de turbina de gás .


Por uma questão económica e de velocidade o sistema diesel foi .a pouco e pouco, sendo abandonado e substituído por composições que usam locomotiva só eléctrica,cujos motores são directamente alimentados por uma catenária ou por um terceiro carril como é o caso de metropolitano de Lisboa. A corrente injectada nos motores é de milhares de volts. A foto que se segue mostra uma composição com máquina eléctrica alimentada por uma catenária.



Falámos de locomotivas mas as carruagens também variaram muito ao longo dos tempos, quer no aspecto quer no conforto. As primeira eram de madeira e acabaram depois por ser metálicas variando também no comprimento , no tipo de assentos,no número de pisos e até na localização dos rodados independentes do chassis, além de outras soluções técnicas que permitem mais velocidade e menos balanços.














Os vagões de carga também sofreram grandes modificações; Recordemos os velhos Jotas em madeira , para mercadoria em geral e de que mostramos uma fotografia . Hoje os vagões de mercadorias são especializados e vão desde os mineraleiros aos cisternas, para já não falar nos de transporte de automóveis.
Durante a evolução do comboio surgiu a automotora.Trata-se de uma grande carruagem de passageiros com locomoção própria, a diesel ou a electricidade. Tem dois postos de comando, um em cada extremidade,podendo funcionar como uma unidade simples ou em combinação com outras semelhantes e reboques.



A evolução natural das automotoras foi para os comboios de alta velocidade com um número reduzido de carruagens e linhas aerodinâmicas para permitir grandes velocidades. A tracção é eléctrica e a alimentação da energia feita por catenária. Há no entanto alguns modelos diesel eléctricos.



No caso do TGV (comboios de grande velocidade) ,para além das linhas aerodinâmicas há que ter um traçado de via especial para suportar velocidades da ordem dos 300 Kms/Hora.



A fotografia seguinte mostra um comboio de levitação .Não possui rodas e desloca-se numa almofada electromagnética,atingindo grandes velocidades


As estações dos Caminhos de Ferro de Portugal são , na maioria dos casos, belos museus da arte do azulejo, como podemos ver pelas fotografias. Pena é que em alguns casos de linhas encerradas, a CP e o Governo não tenham cuidado deste património como ele merecia .


























Para além dos belíssimos paineis de azulejos que retratam normalmente monumentos ou costumes das regiões onde se encontram construídas, possuiram , em tempos, jardins que eram tratados pelos ferroviários e iam a concurso.
P.S.: Um leitor deste modesto blog mandou um contributo muito curioso sobre bitolas que,com a devida vénia, passo a expor : Na Inglaterra e na América há duas bitolas ,uma de 4' e outra de 8,5' e isto porque a empresa que construiu as primeiras carruagens de comboio era a mesma que construia as carroças de cavalos e elas tinham esta distància entre os rodados. Por que teriam esta distância entre os rodados ? Porque era essa a largura das estradas na Europa, que copiaram por sua vez a largura das antigas estradas romanas. Estas estavam adaptadas aos carros de guerra romanos, que eram puxados por dois cavalos .A largura destes carros era igual á distância que vai desde a ilharga exterior de um cavalo até á ilharga externa do outro. Resumindo: A bitola inglesa e americana foi sucessora directa da distância de rodados de um carro de guerra romano.
(Mário Portugal Leça Faria)

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