31.1.08

O MONSTRO de LOCH NESS

Tudo começou em Agosto de 1963, quando uns agricultores a trabalhar junto do lago Ness,na Escócia, notaram um movimento na superfície da água daquele profundo lago . Um deles ,de nome Ayton ,viu uma criatura gigantesca, semelhante a um réptil,cuja cabeça se elevava cerca de dois metros acima do nível da água. O tronco teria uns dez a doze metros de comprimento. Já antes,em 1933, existia o relato do casal Mackey que por ali passeava. Descreveram, a um jornal local, que o animal tinha duas bossas,cada uma delas com 3 metros de comprimento. Desencadeou-se então uma verdadeira onda de histeria,com vários relatos de avistamentos e até uma fotografia do " monstro ".Todos estes relatos acabaram por ser declarados falsos, mas a "nessiemania" estava lançada. Uma das provas mais convincentes da existência real do Nessie foi apresentada em Agosto de 1972.

O lago foi então navegado por barcos equipados com sonares e a 8 de Agosto, o sonar detectou um objecto com cerca de oito metros e nas imagens do eco, surgem os possiveis contornos de uma criatura com as características de pescoço comprido e bossas. Em 1975 uma outra expedição voltou a produzir imágens semelhantes, pelo que chegaram a classificar esse possível animal como Nessiteras rhombopteryx. Seria ele o último dinossauro do mundo,já que pelas descrições feitas se asemelha aos eslasmossauros, que povoaram a Terra há 60 milhões de anos ? Infelizmente para nós o lago, devido á grande carga de partículas em suspensão na água, não permite aos mergulhadores fazer qualquer fotografia e no fundo lago há uma densa e impenetrável camada de lodo que não deixa ver o fundo nem com sonar. Animais idênticos parece terem sido avistados no Canadá .O Ogapogo vive no lago Okanogan e terá 22 metros de comprimento. Por sua vez o Manipogo, captado em vídeo por câmaras automáticas, terá 8 metros e vive num pequeno lago no leste do Quebeque. Também no Japão há relatos idênticos mas aquilo que está por detràs destas aparições contitui um enigma,tal como o Nessie, que nunca foi avistado pese embora o lago seja pecorrido diàriamente por barcos ,com o intuito de o fotografar .

25.1.08

CARROS ELECTRICOS

Um eléctrico é uma viatura de transporte de passageiros ,movida a electricidade ,que se desloca sobre carris de ferro que em geral estão embutidos nas ruas mais antigas das cidades,constituindo um meio de transporte rápido, já que geralmente tem prioridade sobre o restante trânsito. Os eléctricos foram utilizados por toda a Europa, e também pela América,já no século XX. Actualmente o transporte urbano sobre trilhos (VLT -veículo leve sobre trilhos),uma evolução do eléctrico clássico, encontra-se em expansão em várias cidades de todo o mundo e conhecido como Metro de superfície. Os eléctricos e os VLT têm grandes vantagens em relação aos autocarros, entre as quais se destacam uma menor poluição sonora e do ar e a prioridade no trânsito. Na sua primeira versão, este meio de transporte era movido por cavalos e teve origem nos Estados Unidos, daí o nome de americanos, como por vezes são conhecidos. Em 1832 faziam o percurso Nova Iorque - Harlem e em 1834 em Nova Orleães. Inicialmente a linha férrea era saliente,acima do nível da estrada,transtornando a circulação pedestre e provocando acidentes.Em 1852 passou a usar-se carris embutidos no solo.


O primeiro "americano" na França iria surgir um ano depois,para a exposição mundial,com uma linha montada especificamente para demonstração ao longo de Cours de la Reine. Este meio de transporte propagou-se pela Europa ,embora dispendioso ,dado que os carros eram ainda puxados por tracção animal. Com a invenção do motor eléctrico, em 1881, este meio de transporte seria rapidamente adoptado assim que resolvidos os problemas de produção e transmissão da electricidade. O primeiro eléctrico movido a electricidade foi inaugurado em Berlim em 1881, depois de terem sido experimentadas várias formas de tracção como o vapor e o ar comprimido. A energia para o eléctrico era gerada por um dínamo e a corrente contínua distribuida por um cabo aéreo, tendo o retorno pelos carris.. Em 1884,Frankfurt inaugura a sua rede e nesta cidade alemã funciona hoje em dia o mais antigo sistema eléctrico do Mundo. O eléctrico foi-se desenvolvendo, principalmente ao longo do primeiro quartel do século XX. Na Europa surgiram veículos de dois andares e atrelados, mas nos EUA , a opção recaiu em carruagens mais compridas. Sendo um meio de transporte barato e fiável,deu uma ajuda ao desenvolvimento económico e ao crecimento dos subúrbios e um pouco por todo o Mundo as grandes cidades aderiram ao sistema. A Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945) levou ao fim do eléctrico em países como a Inglaterra e a França mas, por outro lado, proporcionou a reconstrução das linhas em países como Bélgica, Holanda, Luxemburgo ,Alemanha e Europa de Leste. Um período de menor fulgor deu-se na década de 60, já que nesta época os automóveis particulares assumiam-se como principal meio de transporte, mas o excesso de carros nas cidades acabou por levar ao seu renascimento, já que se constactou que os transportes públicos eram uma excelente arma contra a poluição, e o eléctrico foi beneficiado com isso. Surgiram composições mais rápidas e confortáveis, que representam variantes ao conceito original e se chegam a confundir como próprio metro de superfície.


Paralelamente com o eléctrico surgiu um veículo igual a um autocarro mas movido a electricidade e aquele passou a ser substituído por este, já que era muito mais rápido, extremamente silencioso e ,por não estar sujeito aos carris ,desviava-se dos automóveis no caótico transito das cidades. A este carro foi chamado troleicarro ,sendo Coimbra a primeira cidade portuguesa a possuí-los.A imagem documenta o primeiro troleicarro a atravessar o rio Mondego pela velha ponte de ferro,há muito demolida. Iniciaram o serviço na década de 4o ligando a Estação Nova ao alto de Santa Clara.

Daremos agora um resumo do historial dos carros eléctricos das cidades de Porto,Coimbra,Braga ,Sintra e Lisboa, remetendo para os sites específicos destas edilidades um aprofundamento do tema.

PORTO ---Começou também com os americanos em 1872,numa linha que ia do Infante à Foz. A fotografia mostra o interior de um desses "americanos" preservado no museu do electrico nesta cidade.


Em 1878 ,noutra linha que ia da Boavista para a Foz,é introduzido um sistema misto vapor-mulas ,que funcionava da seguinte maneira: Da Boavista para a Foz os carros eram puxados por mulas pois o trajecto era descendente. No sentido contrário os americanos eram atrelados em comboio e uma máquina a vapor trazia-os de volta. A 12 de Setembro de 1895 tem início a tracção eléctrica com a linha Carmo-Arrábida, mas só 5 anos depois um eléctrico chega a Gaia, passando pelo tabuleiro superior da ponte D.Luiz I .Em 28 de Fevereiro de 1928, a estação de recolha dos eléctricos na Boavista é devorada por um incêndio,ardendo 23 eléctricos,4 atrelados e 2 zorras que eram eléctricos de carga e obras de manutenção da via.Além dos eléctricos destruídos seis ficam danificados, gerando-se o caos nos transportes do Porto. Até 1946, o sistema de transporte colectivos era propriedade de uma Companhia privada passando nesse ano para alçada dos Serviços Municipalizados. Assim, dois anos depois, havia já 80 quilómetros de via e 191 carros eléctricos, tendo atingido o seu máximo em 1950. Como o trânsito de automóveis ligeiros crescia também, algumas linhas de éléctricos passam a troleicarros e em 1967 grande número deles são substituídos por autocarros. Os troleicarros teriam também o seu fim em 1997 . Esta cidade tem metro de superfície que por vezes corre no sub solo ,ocupando nalguns casos os antigos traçados dos comboios regionais.Encontra-se ainda em fase de crescimento nesta data. Como recordação dos velhos eléctricos há uma linha em fucionamento, desde o funicular dos Guindais na Batalha, até á zona da Torre dos Clérigos.

Esta fotografia encontrada no blogue "Garatujando" mostra que a Póvoa também teve "americanos" no final do século XIX. A liha ia até Vila do Conde.

COIMBRA
O sistema de "americanos" começou em 1874 numa carreira que ligava a rua Ferreira Borges á estação de comboios da linha do norte ,conhecida como Estação Velha.Este serviço encerrou em 1887 porque,dois anos antes,tinha sido construído o ramal ferroviário entre a Estação Velha e o centro da cidade com a Estação Nova. Em 1904 surge nova tentativa de "americanos" agora ligando a baixa da cidade á Universidade,mas este serviço foi obrigado a encerrar em 1911 dado o traçado da via ser muito inclinado para as mulas , sendo então aplicada a tracção eléctrica. A imagem acima mostra um dos eléctricos que circularam pela cidade ,por vezes conhecidos por amarelos. Os troleicarros aparecem na década de 40 e foram substituindo alguns eléctricos desviados para novas carreiras. Na década de 60 várias carreiras são substituidas por troleicarros e autocarros. O fim dos eléctricos ocorreu em 1980.


A foto ao lado mostra a coexistência pacífica entre o eléctrico e o troleicarro na cidade de Coimbra. Esta fotografia foi tirada ao fundo da Av. Sá da Bandeira , em finais doa anos 70. Nos nossos dias continuam os estudos e algumas poucas obras para a instalação de um metro de superfície, aproveitando parte da linha ferroviária da Lousã. Coimbra é pioneira, tal como com os troleicarros, num novo tipo de transporte movido a electricidade. São mini autocarros ,movidos a electricidade acumulada em baterias, e semelhantes ao da fotografia. Circulam na zona histórica da cidade e vão até á zona alta, percorrendo ruas estreitas. Além de não ser poluente é silencioso e não necessita de uma rêde aérea para obter a energia eléctrica o que lhe dá grande autonomia de trajecto.



BRAGA Nesta cidade os eléctricos têm início em 1914 e coexistem com os troleicarros que foram introduzidos em 1962, tendo estes tido sempre problemas operativos, terminando a sua actividade em 1978,juntamente com os electricos e substituidos por autocarros.



SINTRA Depois de muito tempo desactivada , encontra-se de novo em funcionamento a linha Sintra-Praia das Maçãs. O trajecto demora 45 minutos por uma linha independente da estrada.Utilizando os modelos mais antigos de carros eléctricos é uma atra cção turística, daí termos optado por colocar a foto ao lado,com a devida vénia para o autor da mesmaJulgamos tratar-se do único eléctrico aberto em funcionamento regular.

LISBOA A rede começou em finais do sec XIX com os " americanos" pertencentes a várias companhias. Depois de vários incidentes e polémicas começou a ser substituída por carros eléctricos. O período inicial decorre decorre de 1901 a 1920, sendo que a primeira linha era entre o Cais do Sodre e Ribamar para, em 1905 ,já estarem electrificadas todas as linhas de americanos, alargando-se a rede até 1920. A grande expansão ocorre de 1957 a 1974 com eléctricos de vários modelos e origens ,desde os simples aos articulados. (ver figura ao lado)O declinio inicia-se em em1990 sendo a pouco e pouco, substituídos por autocarros e pelo metropolitano de subsolo ,este em constante aumento. Muitos dos antigos eléctricos de Lisboa circulam ainda hoje em locais tão distantes como a Argentina, em Detroit nos Estados Unidos da América, no Canadá ,no Japão e ainda em Corunha , na visinha Espanha. .Os poucos eléctricos que circulam em Lisboa são praticamente turísticos e ainda duas linhas dos chamados eléctricos rápidos para Belém . Alguns elevadores,não verticais, podem ser considerados como variações dos eléctricos para zonas de grande declive. A maioria funciona com dois carros ligados por um cabo de aço que passa por uma grande roldana ,sendo que o carro que desce obriga o outro a subir. No início o carro que descia tinha como lastro um tanque com água e esse excesso de peso obrigava o outro, vazio de água, a subir. O que descia, ao chegar ao fundo esvaziava a água e o que tinha chegado ao cimo enchia, repetindo-se o processo Hoje a energia hidráulica foi substituída pela energia eléctrica.













Fora do território continental só existiram carros eléctricos na antiga cidade de Lourenço Marques , em Moçambique. As obras de montagem da linha iniciaram-se em 1903 e um ano depois estava a funcionar. A companhia que explorava o serviço era inglesa ,a Delagoa Bay. Não sabemos quando terminaram, mas são de 1920 as fotos que publicamos.













Como já dissemos, em algumas cidades os eléctricos rápidos e articulados confundem-se com o metropolitano de superfície,sendo difícil de distingui-los como é o caso da cidade do Porto , de que mostramos uma foto.

Em algumas cidades houve eléctricos ( ou deveremos chamar-lhe ascensores) movidos a vapor e o que a imagem seguinte documenta, esteve a funcionar na Madeira. Ia desde o Funchal até á pequena povoação do Monte, num trajecto sempre a direito e com grande inclinação, pela rua que é hoje ainda conhecida como "rua do comboio". A explosão de uma das locomotivas acabou de vez com este ascensor de que só resta a estação do Funchal ,já muito modificada, e uma ponte na povoação do Monte.

23.1.08

Mosquitos ao ataque

Biol

MOSQUITOS em ataque



Paludismo e Dengue são doenças responsáveis por milhares de mortes que têm, como ponto comum, o facto de serem transmitidas pelos mosquitos que acabaram de reconquistar definitivamente antigos territórios,resistindo aos insecticidas criados pelo Homem. A ofensiva é planetária e em breve o mosquito será considrado o inimigo público nº1. Tomemos como exemplo o Aedes albopactus mosquito muito activo ao amanhecer e ao crepúsculo que é veículo patogénico do Dengue e da febre do Nilo. Embora ameaçado nas cidades sobrevive muito bem no meio rural . Durante as suas dez semanas de vida não se desloca a grandes distâncias, já que voa pouco e, no entanto, já se instalou nas cidades e nos cinco continentes. A maneira de o evitar é acabar com acumulações de água nos jardins e nas varandas das casas,sabendo-se que os seus ovos resistem ao inverno.
O Dengue por ele transmitido ao homem é um virus que provoca febres altas,dores de cabeça,vómitos, dores musculares e articulares e, por vezes, hemorragias na conjuntiva ocular ou sangramento nasal. Em 1% dos casos ocorre uma hemorragia muito grave, como a gastrointestinal ou a cerebral, que levam á morte. Para o Dengue não existe vacina ou tratamento, daí os milhares de infectados por ano .
Mais comum entre nós o Anophele gambiae que transmite o paludismo,reproduz-se em charcos, nos carreiros das estradas de terra encharcadas de água e até em pneus abandonados que tenham água da chuva ou orvalho. São as fêmeas que picam o ser humano, com um máximo de agessividade á noite. O parasita transmitido pela picada do mosquito provoca febre intensa e cíclica,com dores musculares,distúrbios intestinais e enfraquecimento. Por sua vez a espécie de mosquito designada por Culex vishnui é transmissora da encefalia japonesa .Vivendo na Ásia e picando ao anoitecer, está activo de Junho a Setembro, reproduzindo-se nos arrozais,pântanos ,canais e águas estagnadas,tendo uma grande preferência pelos aviários e suiniculturas com pouca higiene . A encefalia japonesa manifesta-se por febre alta, dores de cabeça, alterações de equilíbrio, movimentos involuntários e coma em muitos casos. Existe vacina mas não tratamento. Como seria fastidioso descrever outras espécies de mosquito e as doenças que transmitem ,preferimos abordar a maneira como eles se infectam. Quando um mosquito nasce é , na maioria dos casos, isento de qualquer virus patogénico,já que a fêmea não transmite aos ovos qualquer virose que possua.
Os mosquitos alimentam-se de líquidos vegetais açucarados do tipo néctar, mas as fêmeas têm necessidade,para o desenvolvimento dos seus ovos, de aceder ás proteínas presentes no sangue dos vertebrados.
Graças aos seus receptores químicos e térmicos,escolhem uma presa de sangue quente e poisam numa zona da epiderme bem irrigada por vasos sanguíneos e aí recolhendo alguns mililitros de sangue. Todos os virus patogénicos existentes no sangue do animal picado, passam agora para o corpo do mosquito, multiplicando-se nele e alojando-se nas glândulas salivares .Este processo infeccioso dura uma a duas semanas e assim o mosquito que tinha nascido isento de doença ,torna-se portador dela. Pode acontecer que este mosquito fêmea infectado ,ao procurar mais sangue para os seus ovos, pique o Homem infectando-o com a sua saliva ,que funciona como anticoagulante.
Felizmente ,nem todos os virus infectam os mosquitos,devido ao seu sistema imunitário e será por isso que ainda não foi encontrado o virus HIV nestes insectos . Um problema que o Homem não pode esquecer é a capacidade de adaptação dos mosquitos aos insecticidas , o aparecimento de gerações cada vez mais resistentes e que se espalham por todo o mundo muito rápidamente viajando em barcos e aviões. O combate tem de ser feito em várias frentes e há quem pense nas andorinhas e outras aves que deles se alimentam, ou na esterilização radiológica de machos que fecundem as fêmeas dos mosquitos com ovos não activos, isto para além da higienização de pecuárias e vacinação de pesoas e animais . O ideal será atacar os locais de postura e evitar águas estagnadas.

22.1.08

A LUZ VISÍVEL




Damos conta do que nos rodeia através da vista ,da audição,do olfacto,do tacto e do paladar , mas 90% da informação entra-nos pelos olhos sob a forma de luz. Mas que será a luz ? Na forma como a conhecemos é um conjunto de comprimentos de onda a que o olho humano é sensível, ou de uma maneira mais rebuscada, uma radiação electro-magnética que se situa entre os infra-vermelhos e os ultravioletas. Mas por que fazemos esta balizagem? É que aquilo que os nossos olhos captam é apenas uma ínfima parte do espectro electro-magnético, a chamada luz visível. Devido ao facto da luz ter propriedades de uma onda e de uma partícula energética vibratória, dizemos que é uma onda-partícula.

As três grandezas físicas básicas da luz são: brilho(amplitude da onda),cor(frequência da onda) e polarização ( ângulo de vibração da partícula). Dissemos atrás que a luz captada pelos nossos olhos era apenas uma pequena parte do espectro electro-magnético e isto porque o referido espectro vai desde as ondas de rádio, com comprimento de milhares de metros, até aos raios gama,cujo comprimento de onda é de milionésimas de milímetro. Se observarmos o gráfico junto, teremos uma ideia do que afirmamos .Há pois muita "luz" que os nossos olhos não captam, mas como o tema é a luz visível dela vamos desvendar um pouco da sua história. Um jovem cientista do século VII ,chamado Isaac Newton desejava saber por que as fôlhas são verdes,o céu azul, a neve branca e o girassol amarelo. Na sua época os cientistas diziam que as cores eram o resultado de uma mistura de luz e escuridão em percentagens diferentes. O vermelho seria 99% de luz e 1% de escuridão enquanto o azul baço seria 99% de escuridão e 1% de luz. As outras cores seriam o resultado das diferentes combinações destes dois factores, explicação esta que não convencia Newton.

Naquele tempo usava-se um prisma de quartzo para estudar as cores : um raio de luz entrava no prisma e projectava ,numa tela branca, um arco-iris. As cores projectadas faziam parte da luz ou estariam armazenadas no prisma ? Para o saber Newton realizou a seguinte experiência :Na tela onde era projectado o arco-iris produzido por um raio de sol que passava por um prisma, foi aberto um pequeno orifício por forma a só deixar passar a luz verde desse arco-iris. De seguida essa luz verde passava por um outro prisma que a projectava numa segunda tela. Quando se esperava ver novo novo arco-iris, observou-se apenas luz verde. Concluíu-se ,assim, que as cores não eram dadas pelo prisma , mas estavam contidas na luz solar. A luz branca é uma mistura de cores que o prisma consegue separar. Este conceito foi reformulado quando se descobriu que a luz era um conjunto de ondas electromagnéticas e passou-se a dizer que as cores não são mais que comprimentos de onda diferentes da luz visível.

Os comprimentos de onda que os nossos olhos não captam, podem ser assim esquematizados : Ondas de rádio , cujo comprimento de onda vai desde os quilómetros aos milímetros, e onde se encontram as emissões das rádios,os telemóveis e os fornos micro-ondas. Infravermelhos,com compimentos de onda de milésimos de milímetro ,com aplicação médica, mas também nos comandos dos televisores, na abertura automática de portas, na visão nocturna,etc. Com comprimentos de onda ainda muito mais pequenos surgem os ultravioleta,os raios X e os raios gama como se pode ver pela primeira foto do texto. A finalizar diremos que quanto menor é o comprimento ,maior é a frequência de oscilação e também o seu poder destruidor para a vida, por serem mais energéticos, daí que não seja benéfico para a saúde a exposição prolongada aos ultravioletas que nos chegam do Sol e que já não são filtrados por causa do célebre buraco do ozono. De igual forma o número de radiografias tiradas influi na nossa saúde e não é por acaso que os técnicos de radiologia operam os aparelhos á distância. Os raios X mais energéticos são utilizados para destruir células de tumores cancerígenos.

20.1.08

OS TIGRES COM DENTES DE SABRE

Com a ajuda de cientistas e da informática , temos hoje uma imagem deste animal que viveu na Península Ibérica há um milhão de anos. Armado de enormes dentes caninos que saíam da mandíbula superior como punhais curvos, matava as presas em poucos segundos, ao cravà-los no pescoço das vítimas. Este animal, denominado cientificamente como Homotherium, deriva de uma espécie que surgiu em Àfrica e se espalhou pela Eurásia e América do Norte. Tratava-se de um felino semelhante ao leão actual, mas melhor preparado para uma corrida de fundo afim de alcançar a presa e a derrubar com as patas, antes de lhe cravar os dentes .Em ossos fossilizados de diversos animais,incluindo hominídeos (antecessores do Homem), foram encontradas marcas dos enormes caninos.
O paleontólogo Maurício Antón e o grafista José Penas do Museu de Ciências Naturais de Madrid conseguiram recrear, através do computador, o aspecto e a movimentação do Homotherium e sobretudo, os movimentos da mandíbula e de outros elementos da cabeça chegando ao pormenor da musculatura do maxilar e do resto do corpo. O aspecto do animal lembra mais o da hiena, que o do tigre ou do leão, pois as patas anteriores são mais compridas que as posteriores. Estudos recentes indicam que embora não fosse um felino veloz,conseguia aguentar uma corrida prolongada,com uma estratégia de caça idêntica á dos lobos que perseguem a presa em grupo,até esta ficar esgotada para depois a derrubar.
A forma como os tigres dentes-de-sabre matavam as presas é assim descrita: " Utilizavam os caninos aguçados, que podiam sobressair mais de dez centímetros da gengiva, para os cravar no pescoço da vítima e matá-la em poucos segundos .Estamos perante um tipo de dentada muito especializada e eficaz,pois o tigre conseguia que a presa ficasse inanimada quase instantaneamente ao cortar ,com a precisão de um bisturi, os vasos sanguíneos e a traqueia. Os actuais felinos também asfixiam as presas,mas o processo pode demorar vários minutos. Mal o Homotherium consguia derrubar a presa e colocar-se sobre ela,imobilizava-lhe a garganta com as fauces.Nesse momento a mandíbula tinha uma abertura de 90 a 100 graus e os músculos masséter e temporal estavam no ponto óptimo para propiciar uma forte dentada.No mesmo instante,entravam em acção os músculos do pescoço,que esticavam a cabeça para baixo efaziam os caninos entrar com força" explica-nos Manuel Salesa .Esta forma especializada de morder ,por outro lado, limitava o leque de presas pois não podiam cravar os dentes em qualquer animal pois corria o risco de partir os dentes ao embater num osso.Assim só caçavam presas grandes como veados,búfalos cavalos e crias de mamutes.Durante as eras glaciares as mudanças climáticas modificaram a vegetação e a fauna o que poderá ter deixado os tigres sem as suas presas preferidas . Talvez também o aparecimento do homem primitivo(Homo heidelbergensis ) na Eurásia tenha encurralado o animal em zonas sem alimento e contribuído para extinguir a espécie .

17.1.08






O FIM DOS DINOSSAUROS

Há 65 milhões de anos, um asteroide colidiu com o nosso planeta, extinguiu os dinossauros e mudou o rumo da evolução animal e vegetal. Calcula-se que esse asteroide com cerca de 10 kms de diâmetro, viajando á velocidade de 72.000 Km/h ,terá embatido onde hoje se situa o golfo do México,abrindo uma cratera de 40 kms de profundidade,fazendo saltar rochas com tal força que algumas entraram em órbita e gerando uma onda de calor de 24.ooo graus,cinco vezes mais que a temperatura á superfície do Sol. Numa fracção de segundo,este acontecimento desencadeou uma devastação sem precedentes com um impacto equivalente a 100 milhões de bombas atómicas
Terramotos,maremotos,vulcanismo,incêndios ,tudo surgiu em escala gigantesca , dando origem a alterações ambientais durante séculos . A poeira levantada pelo impacto impediu,durante meses , a passagem da luz solar provocando o arrefecimento do planeta á superfície. Sem poder fazer fotossíntese as plantas morreram o que ,juntamente com o frio, levou á extinção dos grandes répteis herbívoros e depois aos carnívoros por falta daqueles que lhe serviam de alimento.. A combinação das catástrofes lançou grande quantidade de vapor de água e de dióxido de carbono na atmosfera, causando um enorme efeito de estufa,logo temperaturas mais elevadas,obrigando as espécies que tinham escapado aos séculos de frio a novas adaptações evolutivas . Por outro lado ,o calor atmosférico ionizou moléculas de azoto e oxigénio que se combinaram com o hidrogénio do vapor de água, formando ácido nítrico, o que deu origem a chuvas ácidas torrenciais, alterando ainda mais a vida na Terra.
Como já dissemos, o frio e a falta de alimento levaram á morte dos grandes répteis,até aí senhores do planeta, salvando-se no entanto os pequenos animais como o Paleopsilopterus (arborícola com 200 gramas de pêso que se alimentava de fibras vegetais e de invertebrados ) ou o Paleorytes (mamífero que pesava apenas 2 gramas ). O tamanho ajudou-os a sobreviver , tal como muitos outros que deixaram de ter predadores podendo assim ocupar os ecossistemas deixados livres.
Após alguns séculos, o sol voltou a brilhar sobre a Terra, o aquecimento global foi amenizado quando as novas florestas absorveram o dióxido de carbono do ar que provocava o efeito de estufa, a temperatura estabilizou e a vida voltou a proliferar no nosso planeta . Mas a Terra mudara pois metade das espécies animais e vegetais tinham desaparecido, o mesmo acontecendo nos mares devido á sua acidez.
Há no entanto ,entre nós, herdeiros directos dos dinossauros e são eles as aves,que já existiam há 65 milhões de anos, quase sendo extintas pelo impacto .Como algumas dessas espécies escaparam aí as temos hoje como recordação da era remota dos grandes répteis .
Uma pergunta pode agora ocorrer : Como se sabe que foi um asteroide que provocou tal hecatombe ? É que todas as camadas geológicas com a idade de 65 Ma possuem grande quantidade de irídio , elemento muito raro no noso planeta, mas abundante nos corpos celestes, logo este iridio terá vindo de um corpo celeste que chocou com a Terra, fosse ele um cometa ou um meteoro.

15.1.08


GRIPE DAS AVES ( H5N1)



Este virus da gripe é designado por H5N1, mas a doença por ele provocada é conhecida há já um século. É uma doença contagiosa entre aves e por vezes suínos,transmitindo-se principalmente pelas fezes e produz múltiplos danos nos orgãos internos e a morte em menos de 48 horas. A designação H5N1 deve-se ao seguinte : H é a hemoglutinina, proteína que o virus utiliza para se colar ás células que infecta e N é a neurominidase, enzima que permite aos novos virus saírem da célula hospedeira .Todos os virus gripais,pertencem á família Orthomyxoviridae que pode ser dividida em três géneros A,B e C , sendo os dois primeiros epidemiológicos e o C sem causar doenças graves. O ser humano é infectado pelo género B que costuma provocar epidemias regionais mas não pandemias . Os virus do grupo A contaminam o Homem , mas também suínos,cavalos ,baleias e aves. Nem todas as variedades do virus do grupo A da gripe infectam igualmente os animais . Por exemplo, o nosso organismo é a incubadora onde se desenvolvem as diferentes variedades de virus que nos atacam no inverno e que são seleccionadas para produzir cada vacina anual. Algo semelhante acontece com as aves,sobretudo as aquáticas,cujo organismo é alvo de múltiplos virus gripais .

O virus A da Gripe tem 16 subtipos H e 9 subtipos N mas,que se saiba, apenas os subtipos H5 e H7 causaram surtos de gripe aviária preocupantes pela virulência que alcançaram. Todavia,existem estirpes deste par infeccioso com efeito mais benigno e passageiro . Os cientistas suspeitam que são, precisamente, esses virus inofensivos que se introduzem nos aviários,geralmente transportados por aves migratórias e que se transformaram, depois de circularem algum tempo nos galinheiros, em assassinos das aves. Há exemplos palpáveis dessa metamorfose; na epidemia americana de 1983/84 o discreto virus H5N2 transfigurou-se, em apenas seis meses, num agente agressivo que matou 90% das aves doentes. Os virus A da gripe são muito instáveis e sofrem constantes mutações, pois carecem dos mecanismos genéticos necessários para corrigir os erros que ocorrem durante a divisão do seu material genético. Pouco a pouco algumas dessas mutações conseguem eliminá-los ou atenuá-los, mas podem também torná-los mais agressivos .Por vezes , as alterações sucedem-se de forma drástica, devido a um mecanismo que os biólogos designam por deslocamento antigénico. Quando isso se verifica o virus A da gripe desenvolve uma camuflagem para os seus antigenes (elementos da sua estrutura contra os quais o sistema imunitário do hospedeiro produz anticorpos específicos para os neutralizar), o que lhes permite enganar as defesas do organismo . Recentemente, descobriu-se que o deslocamento pode surgir quando duas estirpes diferentes do virus da gripe coincidem no mesmo organismo. Graças a este conluio dos genes , aparece um novo agente infeccioso para o qual não há tratamento. O século XX foi fustigado por três pandemias : em 1918,no final da 1ª Grande Guerra , a GRIPE ESPANHOLA com o virus H1N1 matou 40.000.000 de pessoas ,depois em 1957 a GRIPE ASIÁTICA com o virus H2N2 liquidou 2.000.000 de seres humanos e ,finalmente, em 1968 a GRIPE DE HONG-KONG com o virus H3N2 fez 1.000.000 de vítimas mortais. Parece que nas duas últimas pandemias foram aves aquáticas que transportaram os genes desconhecidos e os suínos serviram de incubadoras . O H5N1 é preocupante porque tendo surgido em 2003 no sueste asiático, oi um surto gripal prolongado,severo e persistente e apesar de terem sido sacrificadas 150 milhões de aves o virus atingiu a Rússia,Grécia ,Roménia e Turquia. Mas há mais : os patos domésticos podem transmitir o virus sem apresentarem sinais de infecção e tem-se verificado que o actual H5N1 é mais virulento que o mesmo de1997 e 2004. O virus já infectou duas centenas de pessoas e matou muitas dezenas, normalmente em explorações aviárias com más condições de higiene,como acontece na Ásia. O maior risco de contaminação ocorre nos matadouros improvisados ,quando se retiram as vísceras. O virus H5N1 morre á temperatura de 70 graus pelo que não se transmite pelo consumo de carne cozinhada. Até agora a transmissão do mesmo entre humanos não está provada ,já que o contágio exige um contacto muito próximo com a pessoa infectada. Há porém o risco do virus " aprender" atransmitir-se entre humanos, por mutação ou por se aliar a outro virus humano . Embora não haja uma vacina definitiva está-se já a produzir protótipos que oferecem proteccão para o actual H5N1 mas mesmo que a vacina estivesse pronta, como se iriam produzir 100 milhões de doses por mês para combater uma pandemia ? Neste cenário 98% da população mundial ficaria desprotegida ,dada a facilidade com que hoje as pessoas se deslocam não havendo possibilidade de quarentena .Até agora só o medicamento Tamiflu parece combater o H5N1 , mas já apareceram no Vietame estirpes resistentes a ele .

10.1.08

ENIGMAS DA ANTIGUIDADE

No meio de uma vasta planície no sul de Inglaterra uma enorme e solitária construção de pedra designada pelo nome de STONEHENGE atrai tanto turistas como cientistas e embora se editem imensas explicações para a sua sua existência ,ninguém ainda conseguiu uma ,verdadeiramente credível.. Terá sido um observatório astronómico,um templo, ou um presente de extra-terrestres?. Pouco se sabe desta imensa construção de pedra não aparelhada,semelhante aos dólmens ,que os arqueólogos estimam em 5.000 anos, muito mais antiga que as pirâmides do Egipto .Pesquisas realisadas segundo o método moderno de datação pelo carbono radioactivo,confirmaram a grande idade deste megalito. No decurso dessas investigações foi também possível distinguir a existência de diversas fases de construção. A primeira fase de construção remonta a 3.000 anos antes de Cristo,altura em que foi erguido um talude circular e uma vala com 56 buracos . Esse conjunto representava a entrada para o local. Por volta de 2100 AC esta área de acesso sofreu modificações. Vieram blocos de pedra dos montes Preseli ,a 400 Kms de distância, blocos esses que foram dispostos em redor de dois círculos concêntricos no interior do talude. Numa terceira fase continuaram a ser trazidos blocos de pedra para o local. Esta pedra foi usada para dar forma aos trilitos, conjuntos de três pedras.Cerca de 1900 AC o centro deste local sagrado passou a ser assinalado por um conjunto de cinco trilitos dispostos em ferradura. Em seu redor criaram um anel de pedra constituído por 30 monólitos de grés, na vertical e ligados por outros horizontais. Numa quarta fase (1500 AC) é que Stonehenge adquiriu o aspecto actual : No centro do recinto em forma de ferradura foi erigido o altar central. Até hoje ainda ninguém explicou como os gigantescos blocos de pedra foram erguidos ou como foram encaixados os blocos horizontais em juntas pré determinadas. Quem o fez, ou tinha conhecimentos de engenharia admiráveis, ou beneficiou de alguém com capacidades extraordinárias . Como foram transportados blocos de pedra com 20 toneladas de peso ? Pensa-se que de jangada, desde os montes Preseli, ao longo da costa de Gales, e depois pelo rio Avon que dista do local 3,2 Kms. Mas qual a finalidade desta obra gigantesca? Um templo romano ou um templo de druídas ? Actualmente a maioria dos investigadores julga ver ali um observatório astronómico pré-histórico, um " relógio de eclipses,capaz de prever com precisão eclipses do Sol e da Lua ". Fosse qual fosse o intuito dos construtores de Stonehenge , a magnitude dos esforços envolvidos na sua criação revela a enorme importância que deve ter tido . Fossem objectivos religiosos ou astronómicos ,o certo é que os construtores tinham grandes conhecimentos. Terão sido sequer humanos ? Eis um segredo que ainda não foi revelado .




Também na pequena aldeia francesa de Carnac existem numerosos monumentos pré-históricos. Ao longo de quilómetros estendem-se avenidas ladeadas por mais de 2.000 blocos de pedra não trabalhada,blocos esses pesando muitas centenas de quilos.Algumas dessas "avenidas" vão directamente para o mar .. Hoje sabe-se que muitos milhares desses menires terão sido desaparecido,usados em construções ou desaparecidos nas ondas do Atlântico. O desaparecimento desses blocos de pedra dificulta a resolução dum emigma cuja idade deve rondar 6.000 anos A.C.. Quando observada do ar ,a disposição desses grandes e pequenos mególitos parece mostrar figuras geométricas. Podem ser observados grandes triângulos desenhados com exactidão em que a diagonal mede sempre 107 metros e os lados estão na relação 5:12:13. Os triângulos, na mitologia antiga, representavam a harmonia do Cosmos, mas a razão daquela relação 5:12:13 não foi decifrada. Esta matemática de alto nível é referida por Bruno Kremer que afirma : " cada um dos conjuntos foi criado de acordo com instruções de medição bastante precisa, o que mostra a existência de técnicas de medição muito desenvolvidas no Mesolítico." Refira-se que nestas medições há correcções em que parece que foi tomada em linha de conta a esfericidade da Terra ,isto 7500 anos antes de se provar tal facto.

Sobre o maior menir da Europa, a 15 kms de distância de Carnac, encontraram-se oito linhas que seguem em diferentes direcções, passando sempre perfeitamente a direito por outras formações de pedra cuja disposição no terreno teve mão humana Uma dessas linhas ,tem origem em Trevas, passa junto á costa , passa o golfo de Morbihan, atravessa o enorme menir e segue ao de 16 kms a direito até á baia de Quiberon. Pensa-se que em tempos pré-históricos todos estes marcos geográficos teriam sido visíveis da ponta daquele gigante de pedra de 21 m de altura, entretanto fragmentado. Os povos que há 4.000 anos viviam nesta região eram descendentes dos homens de Cro-Magmon a primeira raça de Homo-sapiens da Europa.Dedicavam-se á agricultura e á pesca e iam para mar aberto em pequenos barcos feitos de vime entrelaçado . Como teriam feito aquela obra de precisão matemática e mov ido o colosso de pedra de 348 toneladas é um mistério . Parece pouco crível que tenham sido sacerdotes com poderes mágicos ou poder do seu pensamento a fazer tal telecinese ou mesmo á força de braços de milhares de homens. Estaremos nós perante uma inteligência superior,dotada de maiores conhecimentos técnicos, proveniente de outra paragem do Universo ? Para os místicos nossos contemporâneos, nestas pedras antigas combinam-se os poderes cósmicos com as energias da Terra,criando centros de força universais cujos efeitos se fazem sentir de modo positivo ou negativo. A verdade é que a origem e função destes monumentos vai continuar durante bastante tempo nas trevas do desconhecimento.

8.1.08



QUANDO A ARQUITECTURA IMITA A NATUREZA
Leonardo da Vinci dizia,há já cinco séculos, que "na Natureza tudo tem uma razão de ser" e depois disso,artistas e também arquitectos, inspirando-se nos seres vivos, fizeram obras magistrais.


Se observarmos a imagem ao lado ,da catedral inacabada da Sagrada Família, em Barcelona e obra do falecido arquitecto GAUDI, veremos colunas imitando ramos de árvores ramificados ,suportando o teto da catedral. É preciso dizer que copiando os seres vivos,arquitectos e engenheiros possuem uma fonte inesgotável de inspiração estéctica, mas não só, descobrem também uma organização da matéria e de formas que ultrapassam , de longe, as suas próprias capacidades de cálculo e inspiração e tudo porque o ser vivo levou milhões de anos para optimizar a sua adaptação ao meio ambiente.


Então por que não beneficiar deste caminho já percorrido e ter conhecimentos estruturais,morfológicos e técnicos inéditos ? Esta corrente de ideias é conhecida por " biomimetismo " e para Alexis Karolides o biomimetismo deve ser um aliado incontornável porque a natureza já emendou um grande número de êrros antes de nós; ela foi capaz de construir em grande escala com eficácia, sabendo economizar energia utilizando fontes locais biodegradáveis,sem esquecer o uso de materiais não tóxicos. Fica por saber se a transposição natureza arquitectura trará sempre vantagens no que concerne á fonte de inspiração, porque por detrás dos projectos em curso subsiste uma pergunta : Poder-se-á passar tão facilmente do microscópico da Natureza ao gigantismo de certas realizações humanas? . A maior parte dos gabinetes de arquitectura dizem que sim, prometendo no futuro belas perspectivas arquitectorais.


Podemos dar como exemplos o imóvel em Harare (Zimbabwe) ,na foto ao lado, construído em torno de um grande pátio, contendo 48 chaminés que ventilam refrescando o ar sem recorrer a energia de qualquer espécie, copiando no fundo o arejamento natural de um termiteiro, que como se sabe é um enorme formigueiro cujo interior é arrefecido por dezenas de canais que ligam a grande cavidade interior ao exterior . Este arrefecimento processa-se naturalmente como acontece nas chaminés. Outro exemplo é o de um prédio australiano cuja fachada oeste está recoberta de estores em madeira.
Esta ideia foi baseada na casca de uma árvore que isola os tecidos internos da planta.Também este sistema usado no edifício o isola do vento e do sol tão quentes no território australiano.
Também em Londres foi construída uma torre cuja estrutura foi baseada no sistema de esqueleto de uma esponja cuja rigidez é dada pelas espículas que recobrem o interior da parede desse animal.

O futuro estádio olímpico em Pequim ,na República Popular da China, tem um curioso sistema de iluminação natural,ventilação e proteção aos ventos, baseado, por incrível que pareça, num ninho de ave. Não se trata de loucura arquitectónica, mas sim a aplicação do biomimetismo. Quem diria que os dinossauros,ou os seus ossos fossilizados,estavam também a ajudar os engenheiros de pontes. É o caso do Diplococos, aquele dinossauro de pescoço comprido e de uma cauda muito longa que para além de sólida apresentava uma flexibilidade notável. Com efeito o animal chegava a elevá-la no ar e a bater com ela no solo como se de um chicote se tratasse., facto surpreendente quando se sabe que este apêndice media 30 metros. Foi estudando a estrutura óssea da cauda que o gabinete de arquitectura Maks Barfield projectou uma ponte em arco com 200 metros de comprimento.


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GRAVIDADE ( a sua natureza)


Gravidade é a atracção entre dois corpos,todos o dizem e até aqui, nada a opor. Mas por que existe esta fôrça atractiva ? Newton ,o criador da Lei da Atracção Universal, não se atreveu a emitir uma explicação para a sua existência. Foi preciso esperar pelo sec. XX para que Einstein desse uma resposta satisfatória através da Teoria da Relatividade : a gravidade é a consequência de uma deformação do espaço-tempo,por um qualquer objecto provido de massa. Dito isto,adeus força á distância de Newton que tinha levado ao esquecimento os turbilhões de Descartes. Este último imaginara os astros envolvidos de correntes circulares de éter,uma substância imperceptível mas omnipresente no Universo. Nesta visão das coisas,o movimento dos planetas era regido por contactos que equivaleriam às engrenagens de um relógio mecânico. Isto fora afirmado antes de Newton , no séc XVII, ter provado que o éter não existia e que a Lua caía em direcção á Terra da mesma maneira que um objecto cai em direcção ao solo, com apenas uma diferença : a Lua devido á velocidade de translação em volta da Terra fica sujeita a uma fôrça centrifuga que compensa a acção exercida pelo nosso planeta e a mantém assim em órbita. Mas muitas questões ficavam em aberto : Que tipo de força atrai os corpos entre si ? ;Como age ela á distância no vazio e......instantaneamente ?


Em 1905 Einstein provou que a velocidade da luz (300.000 kms/seg) é inultrapassável e que por isso o conceito de instantâneo não existe, pelo que a gravidade não actua instantaneamente, como pensavam . A noção de força é também afastada ao apresentar em 1916 a sua teoria da relatividade e daí concluir que os planetas tinham trajectórias curvas, não por estarem sujeitos a qualquer fôrça, porque eles não se movem num campo gravitacional, mas sim moverem-se num espaço-tempo deformado pela proximidade de uma grande massa,como por exemplo uma estrêla. Normalmente é costume ilustrar esta ideia,através de um pêso que deforma uma rêde elástica,sobre a qual é colocado. Assim, num espaço-tempo curvo ,qualquer trajectória tem de ser curva. Desde esta altura não se pode dissociar a gravidade da matéria : ela própria dita ao espaço-tempo a maneira de se deformar e esta última dita á matéria a maneira de se deslocar. Sob este ponto de vista a gravidade é um aspecto da geometria do espaço-tempo.








6.1.08

Apresentação

  • Este blog é dedicado aos meus antigos alunos e a quem goste de aprender.

O GENOMA DO GATO FOI TOTALMENTE SEQUENCIADO

O gato doméstico é o sétimo mamífero a ver o seu genoma inteiramente descodificado. Joan Pontius, do Instituto Nacional do Cancro em Frederick ,nos Estados Unidos fornece assim um novo modêlo de estudo para certas patologias humanas. Com efeito o gato apresenta 250 doenças hereditárias sendo um grande número comuns ao homem. A identificação, no gato, dos genes implicados nessas doenças permitirá testar o seu tratamento futuro nos humanos .EN.

BACTÉRIAS SOB TENSÃO AUMENTAM O FABRICO DE H2

Triplicar a quantidade de hidrogénio produzido pelas bactérias a partir da Glucose é a façanha realizada por investigadores da Universidade da Pensilvânia . A fermentação bacteriana da glicose em hidrogénio é há muito conhecida mas para que se tenha um bom rendimento é necessário que os sub-produtos desta reacção ( ácidos acético,butírico, láctico, etc ) sejam também degradados. Uma fermentação rendosa é hoje possível por meio de uma pequena fonte eléctrica inferior a um volt de tensão ,que irá produzir 2,9 vezes mais hidrogénio que usualmente. DS

ALZHEIMER

A terrivel doença incapacitante do homem tem agora um novo processo de diagnóstico que permite verificar se o paciente sofre realmente da doença ou de outra patologia degenerativa ou ainda se o mal é consequência de trauma psicológico ou craneano . Dois médicos do Hospital de Santa Ana em Paris usaram a ressonância magnética para fazer tal destrinça. Segundo o Dr Jean-Claude Monfort este avanço poderá evitar o diagnóstico errado de algumas doenças que se confundem com Alzheimer nos sintomas.No caso de um paciente com Alzheimer as fibras nervosas posteriores do corpo caloso ( que liga os dois hemisférios cerebrais e coordena a função de ambos) estão destruídas de forma simétrica ,enquanto no caso de outra doença isso não acontece.

Uma equipa liderada pelo investigador portugês Ivo Martins descobriu (2007) que certas gorduras podem activar no cérebro as placas de proteínas características da doença e que o metabolismo lipídico pode contribuir para a sua progressão. " Antes do nosso trabalho as placas eram vistas como relativamente inócuas,o último estágio da doença mas mostrámos que são bombas-relógio prontas a serem activadas ao interagirem com gorduras" ,explicou Ivo Martins do Instituto Biotecnológico da Flandres. Até agora considerava-se que as fibrilas e as placas que estas causavam, eram estáveis e que não podiam transformar-se noutra estrutura. Os cientistas demonstraram que certos lípidos que aparecem no cérebro podem desestabilizar as fibrilas e por conseguinte, as placas típicas da doença de Alzheimer .


ULTRA LIGEIRO QUE POUSA EM TODO O LADO

Pousa em terra ,na água e na neve este avião Akoya da construtora francesa Lisa Aeroplanes sendo um ultraleve com características de um avião de aterragem e descolagem curtas e de hidroavião. O segredo é possuir skis retrácteis junto ao trem de aterragem e de uma asa rígida em carbono acompanhada de uma aleta suplementar, podendo assim aterrar e descolar em apenas 100 metros. A bordo dois ou quatro passageiros gosam de uma visão panorâmica de 180 graus o que agradabiliza a viagem. Com uma autonomia de 1500 Kms o aparelho desloca-se sem problemas a uma velocidade de 300 kms/h. Tem uma fuselagem de materiais compósitos e foi concebido para amortecer as vibrações das rajadas de vento. O ultraleve está ainda equipado com um paraquedas exclusivo que assegura uma chegada ao solo sem problemas ,em caso de avaria.Na compra do Akoya está incluído um brevet de pilotagem e ainda um curso de treino em neve e água.Comercializado a partir do fim de 2008 terá depois uma versão eléctrica ,alimentada por paineis solares e pilhas de hidrogénio. Quanto ao preço a brincadeira de 300.000 €.

A HISTÓRIA DO BETÃO

Este material de construção fabricado a partir da areia e cascalho aglomerados por um cimento é conhecido desde há 2000 anos. Vitruve,arquitecto do século 1º antes de Cristo, lembra que os Romanos tinham descoberto desde os anos 80 AC o ancestral do betão : um cimento capaz de endurecer pela acção da água ( cimento hidráulico) que os artesãos misturavam com os calhaus. Para obter este cimento os romanos misturavam cal com cinza vulcânica do Vesúvio ,a pouzulana . Este material foi usado durante séculos como ligamento das pedras, permitindo a realização de aquedutos, templos e outros monumentos notáveis pelo seu tamanho em altura. Muito embora o segredo do fabrico do cimento romano se tenha perdido , durante a Idade Média os pedreiros das grandes catedrais construiram-nas em pedra ligada por argamassa, uma mistura de areia e cal.. Será preciso esperar por 1729 para que o eng. francês Bernard Forest de Belidor rebaptize , de betão, o cimento romano. A receita, á base de calcários cozidos a mais de 1000 graus centígrados,será redescoberta em 1796 pelos ingleses Parker e Wyatt .Esta solução ancestral é aperfeiçoada em 1818 pelo engenheiro de pontes Louis Vicat ,com uma mistura de calcário e argila aquecida a 1200 graus centígrados e posteriormente misturada com areão e água dando, ao secar, o nosso betão moderno.


Em 1845 , o inventor francês Lambot teve a ideia de associar ao cimento fresco uma estrutura de ferro, afim de obter um material mais resistente às compressões e tracções ; tinha nascido o " cimento armado "que apresentado na Exposição Universal de Paris em 1855 teve enorme sucesso.Em 1892 é construído em Paris o primeiro edifício em betão armado, cuja foto reproduzimos ao lado .

Depois do final da 2ª Grande Guerra , a necessidade de reconstruir ,o mais ràpidamente possível ,as cidades bombardeadas,leva á construção de apartamentos em vez de casas e a pedra cede lugar ao betão armado com prédios de vários pisos.

O betão pronto a usar, ou em pré-fabricado, é o material de construção mais usado no mundo,depois do aço e da madeira. O sucesso é explicado pelo seu preço, 100€ o metro cúbico ( em França) contra os 600 € de igual volume de madeira para construção.Este baixo custo explica-se porque os constituintes básicos são fáceis de obter e sobretudo às características que possui: boa resistência á compressão,durabilidade superior a vários milénios, sem esquecer as qualidades de isolamento térmico e acústico. Sofre, no entanto, de dois defeitos: Tem uma forte densidade (2400 Kg/m3) e oferece uma resistência á tracção inferior á das rochas naturais,sendo este "handicap" compensado pelo betão armado.

O betão armado ,constantemente actualizado por novas técnicas, como é o caso do betão fibroso(1997) com altíssima "performance", contém microfibras metálicas ou sintéticas de diâmetro superior a 50 micras o que lhe confere propriedades de resistência á flexão semelhantes á do aço.É usado na construção de obras de arte de extrema leveza arquitectónica como pontes e viadutos modernos.

Nos próximos anos, produtos mais resistentes á corrosão e respeitadores do ambiente deverão chegar ao mercado, já que no fabrico do cimento, para além do grande consumo de energia há a contar com forte produção de CO2, avaliado em 5% das emissões mundiais.





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