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20.1.10

ESCAPAR OU FICAR ?


" A liberdade , Sancho, é um dos bens mais preciosos que os céus nos deram; a ela não podem igualar-se os tesouros que a terra encerra e os mares encobrem..." assim falava D. Quixote no conhecido romance de Miguel Cervantes. Desde a célebre prisão Marmetina dos romanos até aos ultramodernos presídios do século XXI, há registos de evasões ou de tentativas de evasão . A fuga mais conhecida da antiguidade é a de Espartacus , um escravo trácio que fugiu da cidade de Capua , no ano 73 antes de Cristo para acabar por reunir 100.000 homens que lutaram contra Roma. Ao longo da Idade Média numerosos personagens continuaram a elaborar fugas memoráveis mas a escassez de documentação faz com que só a partir do século XVI comecem a aparecer fugitivos, com nomes e apelidos. No século XIX aparece uma literatura romanceada de grandes fugas como, por exemplo, no romance " O Conde de Monte Cristo" de Alexandre Dumas. Se, neste romance, Edmond Dantès consegue fugir da prisão da ilha de If, ao fim de catorze anos , para se vingar da injustiça contra ele cometida, a realidade pode superar a ficção e as experiências de personagens de carne e osso assim o comprovam. As fugas reais foram praticadas com mestria consumada, onde o engenho, tenacidade e audácia foram requisitos indispensáveis para vencer os obstáculos ,à priori intransponíveis , das masmorras ,das celas solitárias no alto de torres ou sofisticadas prisões de aço e cimento armado. Criminosos, ladrões , prisioneiros de guerra, escravos, plebeus, reis, políticos, etc , todos eles retidos contra a sua vontade e vigiados de perto por outros seres humanos , efectuaram fugas inacreditáveis. São fugas individuais , de pequenos grupos, mas também em massa como a de 600 judeus do campo de extermínio de Sobibor. Outro exemplo é o do castelo de Colditz de onde, durante a 2ª guerra mundial, 32 oficiais aliados conseguiram fugir graças a artimanhas de todo o tipo, incluindo um planador caseiro. Quando o muro de Berlim começou a ser construído (1961) e ainda só era uma cerca de arame farpado, o soldado Conrad Schumann foi designado para guardar essa rede na rua Bernauer. O comunista Schumann, quando se viu sozinho montando guarda, não pensou duas vezes : deitou fora a sua espingarda e saltou a rede de arame farpado para o outro lado sendo esta, na verdade, a primeira fuga da RDA para a liberdade.




O muro cresceu em cimento e em armadilhas tecnológias mas ao longo dos seus 155 Kms, e 28 anos de existência, muitas fugas tiveram lugar . Em 1963, um grupo começou a escavar um túnel de 145 metros de comprimento e 80 cms de diâmetro sob o muro e por ele escaparam 57 pessoas nos dias 3 e 4 de Outubro de 1964. Anos mais tarde , duas famílias cruzaram a fronteira num balão de ar quente , na noite de 16 para 17 de Setembro de 1979. Qualquer evasão comporta riscos de vida , não só dentro do recinto prisional como fora dele. No exterior, o espaço e o tempo são primordiais pois em alguns casos o fugitivo só está a salvo ao fim de milhares de Kms. Em relação ao muro de Berlim nem todos tiveram sorte ; entre 1961 e 1989, 136 pessoas foram mortas, abatidas a tiro ou electrocutadas. Algumas outras fugas podem ter mudado a História. Vejamos alguns exemplos: Se Luis XVI e a sua família não tivessem sido recapturados em Varennes e tivessem passado a fronteira, teria havido a Revolução Francesa ? Haveria República ou teria a França sido sempre uma monarquia? Quando comandos de Hitler libertaram Mussolini da prisão de Abruzzos teriam alterado o rumo da guerra ? Se Winston Churchill, na altura um jovem oficial inglês prisioneiro dos Boers, não tivesse fugido, talvez nunca tivesse atingido o prestígio que o levou a 1º Ministro durante a 2ª Guerra Mundial. Sem ele como ministro a condução da guerra teria sido diferente . Se Álvaro Cunhal não se tivesse evadido do Forte de Peniche, com a conivência comprada de um guarda da GNR, a acção política do PCP teria sido a mesma ? Individuais ou em grupo, fortuitas ou meticulosamente preparadas, recordadas ou silenciadas, triunfantes ou malogradas , as evasões forjaram uma história própria que pode ter tido influência na história colectiva. Pelo que dissemos, podemos perceber que a fuga seja uma" questão de honra" entre os oficiais que se encontrem na situação de prisioneiros de guerra.

10.1.10

ILUMINAÇÃO PÚBLICA


Quando hoje caminhamos de noite por qualquer rua urbana, não pensamos em como terá surgido a ideia de a iluminar. Alguns saberão que antes da electricidade se usou o gás , o petróleo e até mesmo o azeite, mas muito poucos saberão que a ideia foi de Luís XIV, o rei sol de França. Este rei, de 24 anos e grande amante de festas, em Outubro de 1662 decidiu converter em dia a noite parisiense, com um serviço público de iluminação. O primeiro passo foi criar o Centro de Portadores de Tochas e Lanternas, uma rede de empregados que se situavam em pontos estratégicos de Paris e eram portadores de luminárias a azeite ou a velas de cera e cebo . A sua função era acompanhar os noctívagos a suas casas, iluminando-lhes o caminho, mediante um preço estipulado e dependente da duração do percurso. O serviço teve tanto êxito que, cinco anos mais tarde, o rei encarregou o alcaide da cidade de criar um sistema fixo de iluminação. Foram assim instalados 2.736 candeeiros de vidro, presos às fachadas das casas e à razão de 2 a 3 por rua. Os habitantes de cada rua, em regime de rotatividade, deviam acender e apagar estes candeeiros a azeite e limpar os vidros sujos pelo fumo da chama . Para facilitar a tarefa, essas lanternas subiam e desciam por meio de uma roldana. Se a ideia despertou interesse em Paris , o que dizer de outras capitais onde reinava completa escuridão após o pôr do sol. A iluminação nocturna de Paris fez aumentar o número de pessoas a andar nelas ,com as lojas comerciais,tabernas e cafés abertos até às 22 horas .Podia-se sair para cear ou fazer compras , sem medo dos meliantes que antes actuavam na escuridão. Esta maravilha atraiu inúmeros visitantes a Paris entre 1680 e 1690, principalmente ingleses, tendo assim nascido a ideia de turismo. Se os parisienses , por causa da iluminação, já podiam andar mais tempo na rua, havia ainda o problema dos dias chuvosos que os retinham em casa. Embora em 1677 se tenha inventado o tecido impermeável, foi em 1705 que um fabricante de capas chamado Jean Marius encontrou a solução definitiva criando o guarda-chuva pregueado, muito parecido com os actuais. Como eram muito caros, cerca de 600 € ao câmbio actual, em 1769 a polícia de Paris criou um sistema de aluguer de guarda-chuvas e as pessoas continuavam a sair. Voltando á iluminação , a euforia era tal na luta contra a escuridão que ,nas casas mais abastadas e nos palácios, o número de velas e candieiros aumentou imenso fazendo a noite parecer dia.

9.1.10

TORNADOS


Em Portugal, os dois últimos registos de tornados datam de 7 de Outubro de 2009, em Ferreira do Zêzere, e 23 de Dezembro de 2009, em Torres Vedras, Lourinhã e Cadaval, havendo a contabilizar enormes danos em telhados , postes de alta tensão, estufas agrícolas e outras estruturas. Mas que fenómeno é este que surge inesperadamente em locais tão imprevisíveis ? Por definição, um tornado é um intenso redemoinho de vento, em forma de funil, originado por um centro de baixa pressão durante uma tempestade.Se o redemoinho atingir o solo pode provocar grandes estragos pois são ventos com velocidades de centenas de quilómetros por hora . Os tornados formam-se associados às super células de tempestade, condições atmosféricas que originam ventos fortes, chuva intensa e granizo que vai desde o tamanho de um berlinde até ao de uma bola de ténis. Normalmente a formação do tornado ocorre ao final da tarde, período em que a atmosfera está mais instável , com forte turbulência e nuvens do tipo cúmulo-nimbo. Também é possível o aparecimento de tornados durante a noite, quando as super células de tempestade ,formadas durante a tarde, foram ganhando força, ou amadurecendo como dizem os geofísicos. Embora não exista consenso sobre o mecanismo que desencadeia o tornado, aparentemente ele se deve a uma interacção entre fortes fluxos de ar, ascendentes e descendentes que originam um movimento intenso na zona das células de tempestade devido aos valores muito diferentes de pressão atmosférica e de temperatura. A super célula é , no fundo, uma tempestade severa com uma corrente ascendente contínua e rotativa, isto é, um mesociclone . O ar quente e húmido, ao subir em rotação horizontal, entra na zona de turbulência criando um vórtice em forma de funil que tudo aspira. Estes vórtices são visíveis porque, devido aos detritos e areias que transportam, tomam uma cor escura.
É conveniente ver a diferença entre tornados e furacões : um furacão tem centenas de quilómetros de diâmetro e forma-se sobre os oceanos , perdendo força ao aproximar-se de terra firme. Os tornados são mais violentos e apresentam a forma de funil cujo diâmetro é inferior a mil metros , tendo também curta duração, cerca de uma dezena de minutos. A intensidade dos tornados é avaliada na Escala de Fujita que varia de F-0 a F-6, sendo este último grau apenas teórico pois nunca foi atingido. Há vários tipos de tornados consoante o aspecto apresentado: o tornado de vórtice múltiplo é um tipo de tornado no qual duas ou mais colunas de ar giram ao redor de um centro comum. O tornado satélite é um tornado mais fraco que se forma muito perto de um tornado mais forte e que parece estar a orbitar o tornado maior, embora os funis sejam independentes. Uma tromba de água é oficialmente um simples tornado sobre a água de um lago ou de um grande rio com aspiração da dita água . Um landspout é um tornado cuja origem não é um mesociclone , sendo portanto muito mais fraco e de curta duração.
Os tornados , por vezes, dão origem a fenómenos curiosos como a chuva de animais . Os animais que costumam cair do céu são peixes e rãs, e por vezes pássaros . Embora os peixes possam sobreviver à queda, os outros animais morrem congelados e vêm encerrados em blocos de gelo, o que demonstra terem sido sugados até grandes alturas onde as temperaturas são negativas. O fenómeno deve ser muito violento já que a maioria das vezes o que cai são apenas pedaços de carne e não animais inteiros. Este fenómeno não é tão raro como se pode pensar pois está citado em papiros egípcios e também na Bíblia como intervenção celestial. Até Plínio, o velho, fala deste acontecimento. Esta chuva de peixes, ratos e outros pequenos animais é explicada pelo facto do tornado ter passado por um rio ou um charco e ter sugado os animais aí existentes juntamente com a água . Em terra pode sugar pequenos roedores e outros animais maiores que caem desfeitos.

25.10.09

EDUCAÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA

Olhando para o que se passa actualmente nas nossas escolas com os professores, desmotivados e sem autoridade, a serem agredidos física e verbalmente por alunos e encarregados de educação, recordo tempos em que , por essas aldeias e vilas, o professor era pessoa tão respeitada como o vigário ou o médico. Veio-me também à memória uma cena cómica escrita por Herondas , no século III antes de Cristo, em que uma mãe grega desabafa sobre o filho pelas suas travessuras e desinteresse nos estudos :"....as tabuinhas que todos os meses me afadigo a cobrir de cera estão para ali atiradas entre a cama e a parede.... nunca escreve nada nelas! ....nem sequer conhece a letra alfa , a não ser que lha repitam cinco vezes." A mãe que levara o filho à escola e ali tivera o desabafo, ouve o mestre exclamar : "Onde está o coiro duro, o meu rabo de boi com que açoito os vadios ? Tragam-mo antes que rebente de cólera !" O rapaz suplica: ..."Não, por favor, mestre Lamprisco, pelas Musas e vida da tua esposa , não me batas com o duro, escolhe um mais macio para o fazer". Esta comédia motivou-me a contar como era o ensino na Grécia antiga. Os rapazes, a partir dos seis ou sete anos de idade, começavam uma instrução não somente profissional, mas também cultural, por forma a fazer deles cidadãos perfeitos que saberiam literatura e retórica, ciência e filosofia, a par de educação física e artística. Os pais colocavam as crianças sob os cuidados de um escravo ,o paidagogos ( pedagogo),O ensino primário era chamado paideia, palavra derivada de paidós que significa criança. A missão do pedagogo era acompanhar a criança à escola , ajudá-la a memorizar as lições e a ensinar-lhe moral e bom comportamento. As raparigas eram educadas em casa.(A excepção era em Esparta) As escolas, todas privadas , tinham à sua frente o grammatistes que ensinava as primeiras letras , ocupando-se das crianças até aos doze anos .Era uma profissão pouco valorizada que não requeria qualificação especial, com um salário modesto, um pouco superior ao de um operário qualificado. O professor sentava-se num lugar elevado, frente aos alunos e pedagogos ; os alunos escreviam nas suas pranchas de madeira cobertas de cera com um estilete que tinha uma ponta afiada e outra romba. Esta última servia para apagar os erros. A prancheta era apoiada nos joelhos como se pode ver numa pintura da época.O professor podia usar outros materiais para o ensino da escrita, como placas de barro cozido ou ardósia, mas quase nunca o papiro por ser muito caro.A leitura era muito difícil dada a inexistência de espaços entre as palavras ou de sinais de pontuação. Os alunos liam em voz alta e decoravam textos poéticos , obras de Homero, máximas dos Sete Sábios , poemas de Hesíodo e preceitos de Quíron. Nesta primeira fase a matemática limitava-se ao cálculo, por vezes com a ajuda de um ábaco. Aprendiam a tocar lira ou flauta para acompanhar o recitar dos poemas.


Neste pedaço de vaso grego vê-se , da esquerda para a direita, o aluno (em pé)a aprender a tocar flauta, depois a aprender a escrever. A figura à direita é o pedagogo; penduradas na parede uma flauta e uma lira. Tal como hoje ,a ida à escola era uma obrigação pouco grata para os jovens, pois se deslocavam para ela muito cedo, no inverno ainda de noite, com o pedagogo a iluminar o caminho com uma candeia. De tarde havia nova sessão de estudo, isto todos os sete dias da semana , excluindo os raros dias festivos .A metodologia era quase inexistente sem atender à idade e mal aprendiam a conhecer as letras já eram obrigados a decorar textos. O ensino secundário, dos 14 aos 18 anos, desfrutava de maior consideração, com o professor (gramanatikos)a ensinar literatura de Antifonte, Demóstenes, Eurípedes,etc. Aprendiam também matemática , geometria, aritmética . música e astronomia . Estes professores eram muito considerados e solicitados por todas as cidades. Além das disciplinas atrás citadas era dada pelo paidotribos a educação física que incluía a luta ,a corrida, o salto e o lançamento do disco e do dardo. Isto tudo correspondia ao ideal de uma educação integral ou universal, aquilo a que os gregos chamavam enkyklios paideia . Finalmente, aos 18 anos ,o adolescente atingia a idade de efebos e começava a formação de cidadão grego .Esta consistia numa espécie de serviço militar que durava dois anos, a efebia, durante a qual os efebos viviam em comunidade e aprendiam o manejo de armas e estratégia para defesa da sua cidade.Também assistiam às palestras e conferências de sofistas, leitores , oradores e professores. Aos vinte e um anos atingiam a idade adulta.Em Esparta as raparigas praticavam ginástica e, mais tarde, no período helenístico, em cidades como Quios e Teos, podiam assistir às palestras e aprendiam a ler e a escrever.

19.7.09

HISTÓRIA DO RELÓGIO

Desde muito cedo que o Homem teve a necessidade de contar o tempo, primeiro a sequência do dia e da noite , depois a das fases da Lua , talvez a das marés e, mais tarde, a sequência das estações do ano. Terão decorrido 6.000 anos para o Homem se aperceber da passagem das horas . Estas eram contadas com o auxílio da sombra de uma vara , de um obelisco, isto é, de um relógio de sol rudimentar que acabou por evoluir para os que , embora antigos, hoje conhecemos e que mostramos de seguida. Seguiu-se o relógio de água constituído por um vaso cheio com água que se ia escoando devido a um pequeno orifício. Nas paredes do vaso estavam marcados traços indicadores do nível da água e correspondentes á passagem das horas. Este aparelho chamava-se clépsidra e difundiu-se por toda a Europa até ao sec XVI, sendo o mais exacto medidor do tempo na ausência de sol. A clépsidra mais antiga que foi encontrada em KarmaK data do reinado de Amenhotep III. Na China ,o astrónomo Y Hang inventou a clépsidra que mostrava a passagem do tempo através de um ponteiro embora a primasia do invento seja atribuída a Arquimedes. A medição do tempo neste aparelho era feita por intermédio de uma boia que elevava consigo uma barra dentada e esta, por sua vez, movia um ponteiro indicador das horas. Também eram usados as ampulhetas de fina areia e os relógios de fogo, estes sob diversas formas, como velas marcadas que se iam consumindo, ou cordas com nós que iam ardendo. Foram os povos do antigo Egipto e Mesopotâmia que dividiram o dia em 24 horas tendo construído os primeiros obliscos (gnomons) que colocados em locais estratégicos projectavam no terreno uma sombra móvel ao longo do dia, criando desta forma uma espécie de quadrante onde eram lidas as horas. Os relógios mecânicos de pesos surgem só no século XIV, aperfeiçoados depois no sec. XVI com a utilização do pêndulo de Galileu. Do sec XVII ao sec XIX introduziram-se mais melhorias nos mecanismos anteriores por forma a obter maior precisão. O relógio de bolso, como o que a seguir se mostra ,surge no séc XVIII , para no princípio do sec XX aparecer o de pulso e no final do século os de quartzo e os atómicos.Mas voltemos um pouco atrás :a medição mecânica do tempo teve origem nos conventos onde havia necessidade de regular o tempo de oração com o de trabalho. Os primeiros relógios mecânicos não mostravam as horas num quadrante ,limitando-se a tocar uma sineta a espaços regulares. Eram máquinas movidas por pesos e situavam-se na cela do monge guardião do relógio. Quando este monge ouvia a sineta tocar, dirigia-se ao sino da torre e fazia neste os toques para as diferentes orações diárias. Mais tarde, ao fazerem-se relógios maiores, estes foram montados nas torres fazendo soar os sinos, dispensando assim o monge guardião do tempo.Estes mecanismos chegaram a ser movidos por pesos de várias dezenas de quilos , o que obrigava a um enorme esforço físico para os elevar diariamente. Até se chegar ao relógio que mostrava as horas com um ponteiro num quadrante, muito teve que evoluir o relógio de soar. Damos como exemplo o sistema de escape que interrompe regularmente a queda dos pesos , como um interruptor que alternadamente trava e solta a força da máquina. Todavia,se a roda de escape girasse livremente , o peso desceria todo de uma só vez desenrolando toda a "corda" e os ponteiros girariam também muito rapidamente. Foi por isso inventado um regulador constante que cadencia o movimento da roda de escape. Esse regulador é a âncora que ligada a um pêndulo vai libertando, a espaços de tempo precisos, uma roda de escape dentada que, por sua vez, movimenta toda uma engrenagem de rodas dentadas e diferenciais ligados ao ponteiro das horas e ao dos minutos. A aplicação do pêndulo fez reduzir um erro diário de 15 minutos para10 segundos. Mais tarde o mecanismo de pesos foi substituído por uma cinta de aço que tinha a mesma função mas que permitia a redução do tamanho das máquinas , até que se chegou ao relógio de bolso, onde não há pêndulo, ou melhor, há um balanceiro que o substitui e que provoca o conhecido tic-tac.. No relógio de quartzo criado ,em 1928, por dois americanos e que se atrasava apenas um segundo a cada dez anos o seu funcionamento pode ser assim resumido: uma pilha fornece energia eléctrica a um circuito electrónico. Este circuito faz com que um cristal de quartzo, talhado de forma precisa, vibre 32.768 vezes por segundo . O circuito detecta esta vibração e transforma-a numa corrente eléctrica alternada de 1 hertz. ( equivale ao balanceiro mecânico)Esta corrente alimenta um pequeno motor e as rodas dentadas que estão ligadas aos ponteiros. Nas novas versões os ponteiros foram substituídos por algarismos de cristais líquidos. Criado como dissemos , em 1928 , só teve uso generalizado a partir de 1970. No que respeita ao relógio atómico o seu funcionamente é parecido ao anterior utilizando a frequência de oscilação da energia de um átomo. Como um pêndulo de relógio ,o átomo pode ser estimulado externamente por micro-ondas e ondas electromagnéticas, utilizando-se normalmente um isótopo do átomo de um elemento chamado Césio -133. Este tipo de átomo oscila 9.192.631.770 vezes por segundo. Desta forma , o Sistema Internacional de Unidades de Pesos e Medidas equiparou um segundo a 9.192.631.770 ciclos de radiação entre dois niveis de energia de um átomo de Césio133. Claro que alguns relógios atómicos podem usar como oscilação os átomos de Hidrogénio ou os de Rubídio. Considerado como o supra sumo da precisão mesmo assim atrasa um segundo a cada 65.ooo anos , ou seja atrasa 0,0000153 do segundo por ano. O primeiro relógio atómico foi construído nos Estados Unidos em 1949. Portugal também possui um relógio deste tipo no Observatório Nacional da Ajuda , em Lisboa, cuja variação ou êrro permitido é de 0,000.000.001 segundo por dia ou seja um bilionésimo de segundo por cada 24 horas.


( Relógio Atómico digital trabalhando com átomo de césio )

14.7.09

A GUERRA DAS CORRENTES ELECTRICAS

Foi em meados do século XIX que na América se teve a ideia de utilizar a electricidade para substituir a energia do vapor nas fábricas e o gás na iluminação das casas. Em breve surgiria também a dúvida se usar a corrente contínua de Edison ou a corrente alternada de Tesla.

Podemos dizer que a história da electricidade começa muito antes quando, em 1570 , William Gilbert demonstra a existência de forças atractivas e repulsivas do magnetismo e sugere que a Terra é um enorme íman. Stephen Gray, em 1729, consegue transmitir cargas eléctricas através de um condutor e em 1800 , Alexandre Volta inventa a pilha , a primeira fonte de corrente contínua funcional. O dínamo é inventado por Thomas Alva Edison em 1882, pondo em funcionamento a primeira central de distribuição de corrente contínua de Nova York para iluminação das habitações.A ideia de Edison foi bem acolhida pelos norte americanos já que o cientista gozava de certa popularidade devido aos seus anteriores inventos mas em breve começaram a surgir problemas: a energia fluía num só sentido e os cabos muitas vezes derretiam com a passagem da corrente, bem como não era possível transportá-la a mais de 2 kms o que obrigava a montar geradores por toda a cidade. Outro inconveniente resultava do facto da corrente contínua não poder alterar a sua voltagem o que obrigava a montagem de linhas separadas para a iluminação e para a indústria.. Dado os factos apontados, o céu de Nova York parecia uma gigantesca teia de aranha tantos eram os cabos transportadores de energia mas pior que isso era a segurança das pessoas . Durante o ciclone de 1888 os cabos partiram e caíram nas ruas matando mais de 400 pessoas e ateando incêndios.

Entretanto chegara a Nova York um jovem sérvio de nome Nikola Tesla que tinha muitas ideias para melhorar o sistema eléctrico da cidade . Edison aceitou-o como técnico e ofereceu-lhe um prémio de 50.000 dólares se conseguisse melhorar o sistema. mas ,pouco tempo passado , começaram os conflitos pois Edison tinha apenas conhecimentos dados pela experimentação, enquanto Tesla possuía uma sólida formação em matemática, mecânica ,física e engenharia sendo capaz de resolver problemas técnicos sem recorrer ao método experimental , o que irritava Edison. Quando um ano após o seu trabalho Tesla afirmou ter a solução para o transporte da energia Edison não acreditou e até desdenhou da solução recusando o pagamento do prémio. O que Tesla tinha inventado era um sistema de corrente alternada que era transportada em alta voltagem e sem perdas a grandes distâncias e que ,por meio de transformadores ,podia diminuir a voltagem no destino, consoante as necessidades .Zangado com Edison, Tesla demitiu-se passando a trabalhar para Western Union Company que o apoiou economicamente na investigação e construção de um grande alternador. Começa então uma guerra entre os dois sistemas eléctricos que durou uma década e que opunha a General Electric (Edison) á Westinghouse Corporation onde trabalhava Tesla.

Com o intuito de manter o monopólio da distribuição , Edison inicia uma campanha de difamação da corrente alternada cobrindo a cidade de cartazes que advertiam para o perigo da corrente alterna, chegando ao cúmulo de electrocutar em público cavalos e porcos para provar a sua perigosidade. Esta guerra só terminou com a Exposição Universal de Chicago, em 1893, na qual participaram 19 países e contou com 27 milhões de visitantes. Os dois sistemas foram testados, tendo-se concluído que o sistema de Tesla para além de ficar por metade do preço, não necessitava de tantos cabos e conseguia alimentar cem mil lâmpadas incandescentes sem quebra de potência , o que não aconteceu com o de Edison que ao ligar o sistema fez baixar a intensidade luminosa da cidade. Perante tal resultado ,as pessoas passaram a aceitar a corrente alterna e a cidade de Búfalo foi a primeira a ser iluminada por corrente alterna que era produzida a 32 Kms numa central hidroeléctrica das cataratas do Niagara. A corrente contínua não desapareceu por completo das cidades de todo o mundo, onde ainda é usada em transportes colectivos e outras pequenas aplicações específicas , na maioria das vezes a partir da corrente alterna rectificada

1.6.09

ELEFANTES DE GUERRA

Quem hoje observa os documentários filmados das últimas guerras não deixa de ficar impressionado com as imagens do avanço de uma coluna de carros de combate , vulgarmente designados por tanks , e pelo terror que eles provocavam nas tropas apeadas que os tinham de enfrentar. É que estas imponentes máquinas de guerra tinham substituído, no início do século XX, as cargas de cavalaria até então usadas no início de uma batalha. O que poucos saberão é que uma arma semelhante fora usada , embora com pouca frequência, na história militar da antiguidade para também "carregar" sobre o inimigo e romper as suas linhas defensivas ; estamos a falar de elefantes que pisoteavam e lançavam o terror, pois a sua grossa pele se tornava quase imune ás armas da época.
Embora há mais de 4.000 anos já existissem elefantes domados e ensinados a trabalhar na agricultura e no transporte de cargas pesadas, só por volta do ano 1.100 aC há notícias , em hinos sâncristos, de elefantes de guerra ,normalmente animais indianos mais fáceis de ensinar que os africanos.Diz-se que , no dia 1 de Outubro do ano 331 aC, o rei persa Dario III enfrentou Alexandre Magno na batalha de Gaugamela e que os 15 elefantes do exército persa causaram tal pavor aos soldados macedónicos que Alexandre teve de oferecer um sacrifício ritual a Febos , o deus do medo, na véspera da batalha para os acalmar. Alexandre ganhou essa batalha, mas ficou tão impressionado com o poder de ataque dos elefantes que posteriormente os incorporou no seu exército. Por esta altura, o rei de Magudha (Índia oriental) possuía 6.000 elefantes de guerra o que afectou de tal forma o exército de Alexandre que este desistiu de conquistar a região. O êxito desta arma de guerra levou, mais tarde, a que egípcios e cartagineses iniciassem o treino de elefantes africanos da selva, já que os da savana , de maior tamanho ,eram mais dificeis de ensinar. Na Europa é lendário o uso de elefantes por parte de Pirro II contra os Romanos na batalha de Heráclea (289 aC) e mais tarde o facto de Anibal ( general cartaginês) ter guiado os seus elefantes através dos Alpes o que afugentou os militares romanos durante a 2ª guerra púnica.

Mas todas as armas de guerra têm um ponto fraco e os romanos aprenderam a contrariar as cargas de elefantes . Assim , na batalha de Zama (202 aC) a carga resultou inútil quando os soldados se deslocaram lateralmente e deixaram passar os elefantes em corrida. Século e meio depois, na batalha de Tapso (46 aC), Júlio César armou os seus soldados com machados para ferir as patas dos elefantes , tal como no século XX a "basuca" foi utilizada para destruir as lagartas dos carros de combate e os imobilizar. Plínio , o velho, dizia que os elefantes se assustam com o grunhido dos porcos e que em Megara fora utilizada a seguinte estratégia : uma vara de porcos com o corpo untado de azeite que incendiaram foi lançada em direcção aos elefantes. Assustados com os grunhidos dos porcos a arder ,os elefantes tresmalharam em todas os sentidos destruindo ,com essa carga ,as suas próprias tropas. Outra táctica era matar com flechas o condutor do elefante ou ferir o animal na tromba com azagaias pois este entrava em pânico e fugia para qualquer lado, arrastando os outros numa espécie de " estoiro" que, se era na direcção pretendida, era um êxito defensivo total. O uso do elefante continuou no oriente por muitos anos mas, no século XIV , o uso da pólvora tornou obsoletas as cargas de elefantes, pois os animais podiam ser abatidos á distância com disparos de canhão, tal como hoje os "tanks" são vulneráveis aos misseis lançados de uma aeronave. O elefante foi também utilizado pelos exércitos como transportador de cargas pesadas ou como plataforma de tiro, pois de um palanque montado no seu dorso os arqueiros tinham um campo de tiro excelente . Documentos históricos do Sri-Lanka relatam que atavam cadeias de ferro com bolas do mesmo metal na ponta ás trombas dos elefantes e que estes as volteavam de tal maneira que dizimavam o inimigo á sua volta com toda a facilidade. Como ponto fraco desta arma do passdo cita-se a necessidade de grande quantidade de vegetação para alimento dos elefantes, o que impedia o seu uso em zonas pouco arborizadas, e o facto de na época do cio das fêmeas , os machos não obedecerem aos tratadores e andarem nervosos.

6.5.09

A RADIODIFUSÃO COMO ARMA DE GUERRA

As guerras mundiais do século XX não foram só feitas com armas letais como os gases, as bombas incendiárias, as granadas de morteiro e de obus, mísseis , etc ,mas também com emissões radiofónicas que nada têm a ver com radares ou comunicações militares. Um exemplo do que acabámos de referir passou-se em Portugal, país neutral na guerra de 1939-45 mas que, durante a chamada "guerra fria", foi actor importante na guerra radiofónica. Vejamos os factos : finda a segunda guerra mundial, a URSS desentende-se com os USA por causa da partilha da Alemanha e da cidade de Berlim e ocupa países do Leste Europeu como a Polónia,Checoseslováquia ,Hungria, etc, formando os chamados países da "cortina de ferro" e dando origem á guerra fria, uma guerra ideológica sem armas. Os Estados Unidos da América resolvem , por isso, criar a Radio Free Europe ( rádio europa livre) com a finalidade de emitir programas de rádio , em onda curta, direccionados aos países ocupados pela URSS e nas suas próprias línguas. Para que tal fosse possível, era necessário colocar os emissores em local correcto por forma ás ondas de rádio irem incidir naqueles países com um forte sinal e escuta razoável. O local ideal recaiu numa zona de Portugal denominada Glória do Ribatejo, local semidesabitado onde foi montado o maior centro emissor da REL (Rádio Europa Livre). Este complexo de emissores e grandes antenas transmitia continuamente programas de ideologia capitalista para os países dominados pelo comunismo e funcionou mais de 40 anos , até á queda da dominação soviética da URSS. O local da REL , com cerca de 196 hectares , onde estavam instaladas gigantescas antenas além de edifícios de apoio aos emissores, está hoje desocupado , tendo as antenas e o material de emissores sido desmantelado. Estas instalações da REL eram denominadas de RARET - sociedade anónima de rádio retransmissão e fora criada ,em 1951, para retransmitir os programas da Rádio Europa Livre cujos estúdios estavam em Munique (Alemanha). Segundo Manuel Cardoso ,engenheiro da RARET, os conteúdos programáticos eram de forma a seduzir os ouvintes dos países-alvo para as vantagens do mundo ocidental e assim, notícias censuradas ou leituras de obras proíbidas pelos regimes comunistas faziam parte da grelha da REL, gravadas com a voz de exilados políticos que se encontravam em Munique. Isto é explicado por outro ex-funcionário da RARET o Sr Mário Portugal L. Faria quando diz: " Salazar só permitia que servíssemos de espelho, ou seja, que recebêssemos e retransmitíssemos os programas vindos de Munique ." Para tal a RARET estava ligada a um importante centro de escuta na Maxoqueira (Benavente) que recebia as emissões de Holzkirchen ,oriundas dos estúdios de Munique, e as gravava ou reencaminhava logo para os diferentes emissores da Glória do Ribatejo. Estes emissores da Glória, com centenas de KWatts de potência, tinham as antenas dirigidas para a Roménia, Checoslováquia , Polónia,Hungria e Bulgária e, a partir dos anos 60, para países comunistas do médio oriente , num total de 18 línguas diferentes. Esta aparente confusão de emissões vindas da Alemanha para Portugal onde eram captadas, melhoradas tecnicamente , estruturadas conforme os países e emitidas posteriormente em diferentes comprimentos de onda , logo por diferentes emissores, só vem demonstrar a importância da radiodifusão na guerra psicológica. Em época mais recente , na guerra do Iraque , um dos primeiros edifícios que os EUA destruíram foi o dos estúdios da Rádio Bagdá, propriedade do Governo . Logo que esta deixou de emitir , aviões americanos passaram a sobrevoar o país com emissores potentes em onda curta,AM e FM emitindo música árabe e mensagens para que o povo deixasse de apoiar Saddam. A potência destes emissores era tal que abafava as outras emissoras locais do Iraque , criando na população um sentimento antiSaddan e a desmoralização nas tropas . A Rádio Iraque Livre chegou a ter emissões contínuas de cinco horas diárias . Esta táctica de guerra psicológica é muito eficiente , pois a rádio chega muito longe e é montada com facilidade durante um confronto. Também não é por acaso que, mesmo em tempo de paz, os países mantêm no ar programas radiofónicos em onda curta , destinados a outros países e na língua destes , numa constante acção de propaganda . A BBC, a Rádio Moscovo, a Rádio Neetherland, a Voz da América, a RDP África e até a Rádio Vaticana e outras mais por todo o lado, têm emissões em várias línguas e são exemplo da força psicológica deste meio de informação e contrainformação. A fotografia com que terminamos este apontamento refere-se ás antenas de onda curta da Rádio Vaticana.

7.4.09

ASPIRINA medicamento centenário



Quando alguém se queixa de uma qualquer dor, é mais que certo ouvir outro dizer: "toma uma aspirina que isso passa!" O que nem todos sabem é que este medicamento ,de marca registada, tem 112 anos. Tudo começou em 19 de Agosto de 1897, quando Félix Hoffman, químico da Bayer, procurava um produto que aliviasse as dores reumáticas de seu pai. Ao criar a formula estável do ácido acetilsalicílico , deu ao mundo um analgésico ainda hoje usado e que, quanto mais tempo passa, mais se descobrem outras aplicações terapêuticas. A droga foi patenteada em 1899 com o nome de ASPIRINA : A de acetil SPIR de Spirea ulmaria (planta de onde se extrai o produto activo ) e INA sufixo usado nos produtos farmacêuticos. Era vendida como um pó para dissolver em água e embalado num frasco de vidro. (ver foto acima) .Félix Hoffman sabia que Hipócrates , há mais de 3500 anos , usara uma infusão de folhas e cascas de salgueiro, ricas em salicina, para aliviar as dores e febres, daí tentar obter o ácido salicílico estável.. Em 1950 a ASPIRINA entrou para o Guiness Book como o analgésico mais vendido no mundo e, ao fazer cem anos de existência (1997) nesse ano venderam-se 17 biliões de comprimidos. A embalagem do medicamento foi variando ao longo dos anos e disso mostraremos algumas fotos, sobre caixas em cartão, metal e até cortiça. Nos nossos dias, o maior uso da Aspirina é em cardiologia , nas doenças cardiovasculares, como substância capaz de diminuir o risco de formação de trombolos,isto é, de se vir a ter uma trombose.Mas todos os medicamentos têm um efeito colateral negativo e o da ASPIRINA é a sua agressão aos tecidos do estômago daí que hoje se junte ao comprimido carbonato de cálcio, carbonato de magnésio e óxido de magnésio para contrariar esse efeito.Também se podem revestir os comprimidos com uma fina película de etilcelulose por forma ao fármaco só ser absorvido no intestino mas, mesmo com estas precauções todas, a aspirina pode prolongar hemorragias pelo que não pode ser administrada a pacientes com hemofilia ou úlcera gástrica. O seu efeito é potenciado se consumida com álcool. Por tudo isto o uso prolongado de Aspirina deve ser controlado pelo médico através de análises clínicas periódicas. Terminamos este apontamento com o aspecto da recente (2009) embalagem do produto.

25.3.09

UM EXÉRCITO EM TERRACOTA



Em Março de 1974, camponeses chineses de Lintong (na região de Xi'an) que abriam um poço, viram aparecer da argila uma cabeça humana de tamanho natural,feita de terracota. Embora o facto não fosse inédito na região , as autoridades foram informadas e , em breve,um grupo de arqueólogos estudava o local. Estes acabaram por descobrir que ali estaria enterrado o lendário 1º Imperador da China, QIN SHI HUANGDI. (século III antes de Cristo). Este imperador que em vida podia mobilizar mais de um milhão de soldados , desejou que o seu túmulo fosse guardado por um exército de terracota em tamanho natural. Durante as escavações arqueológicas, não surgiu apenas o túmulo,mas um verdadeiro microcosmo do império Qin, com 7.000 guerreiros,600 cavalos e 100 carros de guerra , tudo modelado em argila e distribuídos por três fossas, além de outras figuras de artesãos.
Os soldados , em cada uma das fossas, diferem uns dos outros e revelam um tratamento muito cuidadoso dos pormenores do rosto, já que ao serem modelados ficaram com uma expressão individualizada e com as características das diferentes etnias da China. Dá a impressão de que cada soldado posou para o escultor pois que se podem reconhecer 24 formas diferentes de bigodes, pêras ,suíças , tranças e rabos de cavalo.O pormenor chegou á variedade de capacetes dos oficiais e á sua categoria, bem como aos diferentes tipos de cintos e sapatos.


As estátuas eram coloridas e de acordo com o fardamento usado pelos diferentes regimentos a que pertenciam, isto é, archeiros, infantaria, cavalaria com carros , quartel general e regimento de serviços de apoio. Cavalos, arreios, carros de combate , tudo tem pormenores que os diferenciam, como acontecia na realidade.


A descrição individualizada de cada uma das fossas, com a posição de soldados , carros e cavalos, tornar-se-ia fastidiosa para os nossos leitores menos entendidos em arqueologia , pelo que nos debruçaremos sobre outros aspectos deste gigantesco complexo funerário de 56.000 metros quadrados. Qin Shi Huangdi, de seu verdadeiro nome, Ying Zheng, era um senhor feudal dotado de excepcionais qualidades políticas e militares. Tendo subido ao trono com apenas 13 anos conseguiu , no ano 221 antes de Cristo, unificar os reinos e fundar a China, o primeiro país feudal constituído por múltiplas etnias. Na sua política de unificação padronizou a escrita, a moeda e as unidades de medida. Implementou também um novo siatema de administração, dividindo o país em 36 províncias e criando ministérios que dependiam de si directamente, nomeando os principais oficiais políticos e militares. Fortemente supersticioso, acreditava na vida eterna do seu reino e dinastia , começando a construir o seu túmulo logo após ascender ao trono. As obras do túmulo prolongaram-se por 37 anos e chegaram a empregar mais de 720.000 trabalhadores, a maior parte dos quais condenados e prisioneiros de guerra. O túmulo propriamente dito erguia-se a 115 metros de altura e estava rodeado por duas muralhas..Era formado por um palácio onde foi deposto o sarcófago de pedra rodeado de objectos de prata ,ouro e pedras preciosas de valor incalculável. Além das já citadas fossas onde estão os soldados, o complexo compreende centenas de outras galerias que reproduzem o império terrestre de Qin Shi Haungdi. Os guerreiros e cavalos de terracota simbolizavam o exército de elite que o guardavam na sua passagem para o outro mundo. Ao longo dos séculos a cobertura em madeira deste exército apodreceu e abateu, danificando uma boa parte das estátuas, mas a maioria encontra-se perfeitamente conservada , constituindo um testemunho do passado, classificado como património mundial pela UNESCO, desde 1987.


3.3.09

O QUE COMEMOS

Um estudo recente indica que, numa escala de 1 a 10 , as pessoas dão, em média, 8 pontos á qualidade do que se come e nota negativa para pratos pré-cozinhados, pizzas e hamburguers. Embora se oiça dizer frequentemente que a fruta de hoje não sabe a nada ou que o peixe congelado não presta ,ou ainda que já não há frango do campo e que os enchidos caseiros é que eram bons, a verdade é que se verifica o contrário. Se alguns perderam o sabor natural, ganharam em segurança e quantidade disponível. Eu sei que, por vezes, a qualidade e inocuidade dos alimentos são afectadas, originando intoxicações em massa, mas isso é devido a fraudes e não aos alimentos em si. Foi o caso da doença das vacas doidas que não se deveu ao facto dos animais serem alimentados com rações , mas sim a essas farinhas estarem já contaminadas com priões antes de servirem de rações. Faltou o controlo no início da cadeia alimentar, como era obrigatório, daí o surto. O mesmo poderíamos dizer dos surtos da peste suína africana, da febre aftosa ou do perigo recente da gripe das aves em aviários orientais sem controlo sanitário. Estes escândalos alimentares levaram as autoridades sanitárias internacionais a estender o controlo a todas as etapas do processo de produção, desde as sementeiras no campo á criação de animais em herdades ,passando pela sua alimentação, abate, transformação, acondicionamento, distribuição e venda final.
Vamos focar este nosso apontamento no produto alimentar mais antigo o pão. Tradicionalmente visto como um bem de primeira necessidade, era fabricado só com farinha, água, fermento e sal mas, nos nossos dias, a química entrou na panificação. A grande diferença entre o fabrico artesanal e o industrial do pão reside no seguinte: as panificadoras utilizam cerca de 90 produtos químicos para obterem uma maior regularidade na produção, simplificação do processo e tempo de levedação. Assim são acrescentados anti oxidantes para melhorar a massa, emulsionantes (E-322 e E-482) para retardar o endurecimento, fermentos á base de amilase para acelerar a levedação, reguladores de PH (E-341), anti aglomerantes, branqueadores, leveduras geneticamente modificadas que reduzem para 30 minutos o tempo de fermentação em vez das antigas cinco horas do pão artesanal. A adição de levedura de cerveja e de vinho de inferior qualidade servem para gaseificar a massa.
A Organização Mundial de Saúde recomenda a dose diária de 250 g de pão, que fornecerá ao organismo humano as quantidades necessárias de hidratos de carbono,fibras, cálcio ,ferro,iodo, magnésio,zinco e vitaminas (tiamina,riboflavina,ácido fólico). Sabemos que se não fossem estes processos industrializados de fabrico, o pão não chegaria aos habitantes dos grandes centros urbanos ou teríamos de ter uma padaria com forno por cada mil habitantes, o que se traduziria em milhares de padeiros, de fornos e uma quantidade enorme de combustível para além do tempo perdido no fabrico.
O tipo de pão que encontramos á venda pode classificar-se em dois grupos : Pão Comum-(carcaças, papo-seco, baguette francesa etc) Quer seja o de miolo duro ou o de miolo mole, é feito com farinha de trigo, água ,sal e levedura, sendo permitidos os aditivos que melhorem o valor nutritivo ou acelerem a fermentação. Pão especial - distingue-se do anterior pela sua composição, havendo as variedades seguintes: Pão integral --- é feito com farinhas que contêm 100% da moagem do grão. Pão com farelo--- possui 200g de farelo por cada quilo de farinha. Pão de leite---para além dos ingredientes básicos entram o leite e o açúcar. Tosta--- o pão depois de normalmente cozido é cortado em fatias e sujeito a um processo de tostagem eléctrica. Pão de passas---Á massa acrescentam-se 500 g de passas por quilo de farinha sendo uma variante deste o pão com passas em que a quantidade de passas adicionada é de apenas 100 gramas. Gressinos--- Á massa primária é adicionada grande quantidade de gordura, para poder ser laminada e cortada em cilindros antes de ser levada ao forno. Pão ázimo---- a massa não é fermentada antes de cozer.

Como vivemos na era da velocidade, do desperdício e do descartável temo que alguém ,um dia , nos venha dizer que o pão se faça de tudo, até de farinha,água, sal e fermento, parodiando um conhecido viticultor da Bairrada que, em 1940, dizia que o vinho se podia fazer de tudo, até de uvas.

11.1.09

ESCRITA CHINESA

No mês de Dezembro 08, apareceram neste blog uns comentários em inglês e assinados em chinês que me deixaram perplexo, bem como a alguns dos meus leitores habituais.Pedi ajuda, mas poucos ou nenhuns entendiam esta escrita, até que me disseram que ,num dos casos ,estava um convite para jogar poker via Internet.Desde já os meus agradecimentos aos colegas radioamadores Júlio César que conseguiu a tradução automática e Mário Portugal que procurou o auxílio. Vai daí decidi tentar perceber como era a escrita chinesa embora soubesse que os caracteres , ou melhor, os símbolos gráficos dessa escrita , não representam letras mas sim ideias, daí serem chamados ideogramas. Quando descobri que existiam cerca de 15.000 ideogramas que podem ainda ser agrupados, pensei nas pobres crianças que têm de os aprender. Ainda por cima eles foram evoluindo ao longo dos tempos de formas complexas para mais simples. Embora sem pincel para os desenhar, vou tentar dar-vos uma ideia de como isto funciona. Olhemos o quadro abaixo: uma montanha é um conjunto de serras,imaginemos três. Uma criança muito pequena desenharia os três cumes como se vê. Um rio estaria representado pelas margens e a água dentro. No caso da árvore temos o solo,por debaixo as raízes e o tronco por cima , tendo a copa desaparecido com a evolução e simplificação.
Se usar um pouco de imaginação verá que há neles uma certa lógica. Olhe , com calma o quadro e veja se não há lógica neles , tendo em atenção que a mesma figura na vertical quer dizer uma coisa e será diferente se estiver na horizontal. Veja agora o caso acima da janela através da qual se vê o solo. Se isso acontece é porque é dia ou há sol. Faça sozinho um estudo do quadro abaixo:

Há ou não uma lógica neles ?
Como dissemos os ideogramas podem associar-se para definir ideias diferentes. Veja o exemplo a seguir:

Mais uma vez a lógica a funcionar. Até parece que estamos perante linguagem militar cifrada do século passado ,deixada nos caminhos pela guarda avançada. Demoremos um pouco sobre o quadro a seguir;



Não há dúvida que se a porta está aberta e eu posso observar a árvore no jardim é porque não há perigo á vista, pois nesse caso fechava a porta para me proteger. Se não há perigo , há tranquilidade !
Os ideogramas chineses actuais provêm de várias origens,das quais destacamos: imagem/forma ,imagem/som. Os ideogramas antigos são um desenho aproximado dos objectos representados. Vejamos abaixo o ideograma actual de homem e de onde ele veio:


O ideograma de luta é um pouco mais difícil de ver mas também se lá chega.


É melhor ficarmos por aqui pois isto é demasiado complicado para quem, como eu, não têm a veleidade de ser linguista, nem a de dizer possíveis asneiras num tema que desconhece. (Se fizer uma pesquisa no Google encontrá um site em que há frases diárias banais que poderá utilizar) .

5.12.08

A MÚSICA ao longo dos tempos


O homem primitivo, para caçar em grupo, tinha necessidade de comunicar, usando sinais sonoros tais como os gritos, batimentos com pedras e sons corporais, como o bater palmas. O homem pré-histórico tinha como principal objectivo apenas imitar os sons da natureza e só muito mais tarde usou a música em cerimónias rituais, como por exemplo, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos e no decorrer da caça. Gradualmente foi introduzindo alguns rudimentares instrumentos e danças para agradar mais aos deuses. Depois de descobrir a música o homem nunca mais se separou dela ! Até ao ano 400 dC, a música assumia um papel importante em várias actividades do dia a dia , em civilizações como a romana, grega e egípcia.

Com a chegada do século XIII, em plena Idade Média, são os monges que continuam a desenvolver a teoria musical e a sua escrita. O repertório desta época são cânticos litúrgicos, transmitidos oralmente através de gerações, variando as interpretações consoante os ritos ou hábitos musicais dos diferentes povos. É assim que surge o canto gregoriano, uma forma de oração para demonstrar o amor a Deus, numa melodia simples que seguia o ritmo das palavras.É neste período que se dá a separação da música sacra da profana, já que a primeira usava apenas o orgão e ,a segunda, variados instrumentos como o alaúde, a charamela, a flauta, a harpa, a sanfona e outros mais. Outra diferença residia no facto de se usar o latim no canto religioso, e a línguagem local na música profana, com os menestreis e trovadores a cantar e compor para os senhores dos paços reais.

O período renascentista (1450-1600) é caracterizado pela mudança de pensamento do homem perante o mundo ,com influência na arte, logo na música. A Igreja fica menos rígida e permite uma troca maior entre as músicas sacra e profana. Os reis e homens ricos dão oportunidades de trabalho aos compositores e aos músicos ,promovendo festas , audições e acontecimentos culturais. As obras musicais que se desenvolvem são essencialmente vocais como a música vocal polifónica. Surgem os madrigais, o motete, a missa coral e com estas músicas os alaúdes e as violas de gamba para o acompanhamento. O Barroco (1500-1750) é o período em que a música instrumental atinge, pela primeira vez, a mesma importância que a música vocal. Neste período a música é exuberante de ritmo enérgico e frases melódicas longas muito bem organizadas. Os compositores fazem uso de um contraponto com grandes contrastes tímbricos. O violino afirma-se devido á evolução da sua construção e os instrumentos de tecla , como o cravo, evoluem também tornando-se solistas e não apenas acompanhantes. A orquestra toma maior dimensão em número de executantes e uma forma mais estruturada. A suite o ballet e a ópera são formas musicais, orquestrais e vocais que surgem e se desenvolvem durante o Barroco. No período seguinte ,o do Classicismo (1750-1810), a música é menos complicada, mais suave e de maior perfeição estética. A melodia é acompanhada de acordes e predomina sobre eles. As frases melódicas são bem definidas , curtas e claras , notando-se o princípio ,meio e fim de cada uma. O cravo cede o lugar ao piano ,e a orquestra, por diversificar os instrumentos, aumenta mais o número de executantes. Os géneros instrumentais deste período são o concerto, a sinfonia, a sonata e o quarteto de cordas.


O Romantismo (1810-1910) caracterizou-se pela liberdade de expressão e de sentimentos. As alterações políticas e sociais provocadas pela Revolução francesa de 1789 fazem ressurgir a música folclórica. Paris e Viena tornam-se os principais centros de música da Europa . Através da música os compositores mostram sentimentos e afectos da sociedade da época. Surgem compositores como Schubert, Mendelsson ou Chopin e instrumentistas como Liszt ou Paganini. Os compositores libertam-se dos mecenas e passam a compor por conta própria, surgindo as grandes salas de espectáculos e concertos, consequência da ascensão da burguesia. O Romantismo desenvolveu o virtuosismo na execução instrumental que atingiu elevados graus de dificuldade e técnica instrumental levando os músicos a tornarem-se figuras públicas de destaque.


.O século XX surgiu como a época das experiências , da procura das novas técnicas instrumentais e uma mudança da sonoridade com novas técnicas de composição, e instrumentos de sons inovadores. Surgem assim as guitarras eléctricas e os sintetizadores e com eles a música Rock e Pop. Há uma maior tendência para as culturas não europeias facto impulsionado pelos discos , gravação em cassete, CD e a popularização da rádio e televisão. Os novos timbres,harmonias, melodias e ritmos, bem como o aparecimento de novos métodos de composição fazem a renovação da linguagem musical. Com a procura e o desenvolvimento de sons novos, a composição foi abandonando o uso das sete notas da escala e começaram a escrever-se obras com a utilização de 12 notas (dodecafonismo). Esta técnica foi criada na década de 1920 pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg. Nascia a atonalidade, desaparecendo, desta forma,a maneira de organizar a música em redor de uma nota particular , a tónica, que definia um tom central, gravitando , em torno dela, a harmonia e a melodia. O dodecafonismo acaba com o papel central da tónica ,assim como a hierarquia que a tonalidade estabelecia entre as sete notas da escala convencional.

12.11.08

HISTÓRIA DA BORRACHA

A borracha, produto usual nos nossos dias , já era conhecida pelos ameríndios antes dos europeus chegarem ao continente Americano. Os índios utilizavam-na para fazer objectos de uso pessoal como botas e chapéus impermeáveis á chuva. A borracha é o produto sólido resultante da coagulação natural da secreção da " seringueira", quando se faz uma incisão na sua casca. Esta planta arbórea tem o nome científico de Hévea brasiliensis e é abundante na floresta do Amazonas. Parece que a palavra borracha teve a sua origem no facto dos portugueses terem utilizado o produto no fabrico de botijas ou odres, em substituição dos de cabedal, para o transporte de vinho e que se designavam de borrachos. Há quem afirme que a primeira aplicação da borracha tenha sido como apagador de lápis , na Inglaterra, com a designação de India Rubber. O látex, tal como é segregado pela planta, é um polímero de isopreno e não é muito prático para fabricar objectos pois torna-se quebradiço com o frio e pegajoso com o calor. O produto necessita, por isso, ser purificado e vulcanizado , isto é, aquecido com adição de enxofre e óxidos metálicos o que vai alterar a sua estrutura química molecular, melhor dizendo, vai fazer com que as moléculas simples e individualizadas do polímero se liguem umas ás outras numa rede tridimensional , dando-lhes maior resistência e flexibilidade. Este processo de vulcanização foi descoberto acidentalmente por Goodyear,em 1840. A história da borracha natural está ligada a uma mudança radical do Brasil pois que ,desde a segunda metade do século XIX até 1920, houve uma corrida á extracção do látex semelhante á corrida ao ouro na América do Norte. Não podemos esquecer que se vivia o período da revolução industrial e da " belle époque" com uma certa prosperidade e uso de telefone, luz eléctrica,comboio etc. A corrida aos seringais amazónicos transformou a região norte do Brasil, pobre e pouco povoada, numa das mais prósperas, com a instalação de bancos e empresas estrangeiras nas cidades de Belém e Manaus. Estas cidades passaram a ter luz eléctrica, esgotos , água canalizada, telefone, grandes edifícios, luxuosas vivendas e uma vida cultural comparável á de Paris. Tudo isto durou até 1910, data em que entra no mercado internacional a borracha das colónias britânicas da Malásia ,Índia e Singapura, a um preço muito inferior ao do Brasil. Tudo aconteceu porque, em 1876, os ingleses haviam levado sementes da Hevea brasiliensis para o Jardim Botânico de Londres e ali fizeram enxertos obtendo variedades muito resistentes ao clima e ás pragas. Nas suas colónias ,utilizando plantações racionalizadas e em regime de monocultura ,obtiveram grande produtividade e maior competitividade. Assim a produção brasileira entrou em declínio e com ele se apagou o período áureo do norte deste país. Voltando um pouco atrás no tempo, para o ano de 1820, um industrial inglês , de nome Nadier, fabricou fios de borracha que vendia como suspensórios de calças. Por essa época, na América, produziam-se tecidos impermeáveis e botas de neve á base do látex pois se havia descoberto o processo industrial de corte, laminação e prensagem da borracha. Este processo deve-se a Mac Intoch que observou ser a benzina um solvente da borracha e também se deve a Hancock, um serralheiro que criou a máquina de prensagem a quente, depois de estudar o processo de vulcanização de Goodyear. Em 1845, R.W. Thomson inventa o pneumático e a câmara de ar que se tornam populares com a invenção da bicicleta , em 1869, por Michan. Nesta data já existiam brinquedos de borracha e bolas ocas e maciças para golfe e ténis .Em 1895, Michelin teve a ideia de adaptar o pneu ao automóvel passando a borracha a ser considerada essencial no mundo moderno. Este facto despertou o interesse dos químicos em a sintetizar, sendo os russos e os alemães os pioneiros nessa pesquisa. Já durante a 1ª Guerra Mundial os alemães haviam desenvolvido a borracha sintética. Este tipo de borracha é produzido a partir de derivados do petróleo (hidrocarbonetos) ,havendo duas variedades: a branca para apagar o lápis e a preta, mais resistente á corrosão, para os pneus dos carros . Um dos principais passos para produzir borracha sintética de boa qualidade foi a descoberta do modo como estão distribuídos os átomos na molécula da borracha natural. Descobriu-se que quando os átomos de carbono e de hidrogénio estão reunidos de certo modo formam a gasolina , de modo diferente o querosene e de um terceiro modo a borracha. Mesmo com tal conhecimento, não se conseguiu produzir uma borracha sintética exactamente igual á natural, pois ainda não foi possível encontrar a maneira de reproduzir as gigantescas moléculas de borracha que as árvores produzem. São os segredos técnicos da natureza a provar que o homem não lhe é superior. Mesmo assim a borracha sintética ocupou grande parte do espaço da borracha natural em todas as suas aplicações. A sua produção hoje supera em muito a da borracha natural sendo os Estados Unidos o maior produtor mundial, seguidos pelo Japão , Alemanha ReinoUnido e Brasil. As novas experiências realizadas com as borrachas sintéticas levaram já ao aparecimento de borrachas autocolantes. É este um tipo de borracha que caso se rasgue, basta colocar os dois pedaços juntos para que eles se unam novamente ,voltando a ser uma única peça. Este processo leva apenas alguns minutos e acontece espontaneamente, á temperatura ambiente, sem necessidade de adição de qualquer outro produto. O segredo está em que, ao contrário das borrachas tradicionais que são formadas por longas cadeias de polímeros, a nova borracha consiste em pequenas moléculas que se ligam entre si por pontes de hidrogénio., ligações estas muito mais fracas do que as dos polímeros naturais. Esta nova borracha é produzida a partir de ácidos gordos retirados do milho ou de outras plantas a que se adiciona ureia. Pense-se em pneus que se auto-consertam em caso de furo ,ou em roupas que nunca se rasgam e teremos um futuro brilhante. Enquanto esta borracha não estiver no domínio público apoiemos a borracha regenerada que é obtida pela reciclagem de pneus, câmaras de ar e outros objectos em borracha.

9.10.08

CÉLULAS DE COMBUSTÍVEL

Sobe e desce o preço do crude mas o dos combustíveis que usamos, quer em casa quer no carro, não varia igualmente. Este diferencial de preços pode ter muitas explicações, desde a especulação oportunista até á economia global , mas o que todos os consumidores dizem é que é necessário um substituto para os combustíveis fósseis e que a motorização dos automóveis tem que ser diferente. A modificação dos automóveis começou,em 1996, quando a General Motors colocou á venda , na Califórnia, o seu EV-1, um modelo eléctrico produzido em série.Foram construídas 1.000 unidades que eram entregues aos clientes sob a forma de aluguer, a 300 dólares mensais. Sem explicações , a GM recolheu os carros no fim do aluguer e colocou um ponto final no projecto. Que se passou ? Falta de lugares públicos para recarregar as baterias ou pressões dos produtores de petróleo? Alguns construtores já se viraram para motores híbridos de gasolina e electricidade mas Larry Burns, responsável pela área de pesquisa da GM, afirma : É essencial reduzir, quase na totalidade, a dependência do petróleo. O caminho é a célula de combustível e os sistemas que desenvolvemos são totalmente funcionais e fiáveis. Protótipos como o Sequel que funciona com uma célula de combustível e três motores eléctricos, só não são acessíveis pelo preço, por enquanto .Mas o que é uma CÉLULA DE COMBUSTÍVEL ? Basicamente é uma bateria em que é consumido um combustível , normalmente hidrogénio puro, sendo libertada energia e em que os elementos que compõem o sistema não se gastam como acontece nas baterias normais. São altamente eficientes, pouco poluentes, tendo como desvantagem o seu alto custo de fabrico. Tentaremos descrever uma célula em que o combustível é o hidrogénio, o oxigénio o oxidante e o produto final vapor de água. Vamos socorrer-nos de uma figura encontrada em vários sites sobre o tema. Como qualquer bateria possui dois eléctrodos ,os vulgares cátodo(-) e ânodo(+) e um electrólito para movimentação dos electrões. Como acelerador das reacções electroquímicas existe um catalisador. O hidrogénio gasoso (puro) que é introduzido na célula, ao ficar em contacto com o catalisador de platina, é oxidado e desta reacção resultam 2 protões e 2 electrões, por cada molécula de hidrogénio. Os electrões assim produzidos ( representados na figura por pequeninas bolas sem cor) são transportados ,sob a forma de corrente eléctrica contínua , por um circuito eléctrico onde realizam um trabalho( representado pela lâmpada acesa ). Por sua vez, os protões ( representados pelo sinal + ) são deslocados do ânodo para o cátodo, através do electrólito. Chegados ao cátodo reagem com o oxigénio dando, como produto final, vapor de água e calor. A escolha do electrólito é importante pois este, para além de uma espessura reduzida só deve deixar passar electrões num sentido ( os protões no outro) e não outras substâncias.. Associando, em série, várias células podemos obter potências que variam dos miliwatts aos megawatts. Consoante as necessidades, há vários tipos de células de combustível que resumiremos sem entrar em detalhe, por terem funcionamento análogo.Células de combustível com membrana de permuta protónica CCMPPCélulas de combustível alcalinas CCA ; células de combustível de ácido fosfórico CCAF: células de combustível de carbonato fundido CCCF e células de combustível de óxido sólido CCOS. As vantagens das células de combustível de hidrogénio são as seguintes : 1º- convertem mais de 90% da energia contida no combustível em electricidade e calor. 2º- a central de produção de energia pode situar-se junto do posto de consumo, não havendo perdas nem custos no transporte. 3º- o calor gerado pode ser aproveitado para outros fins. 4º-Não havendo partes móveis as avarias são mínimas. 5º- poluição quase nula . Como desvantagens teremos : a necessidade de usar metais nobres como a platina que é rara e muito cara; a necessidade de usar hidrogénio puro com problemas associados de armazenamento e transporte. Na década de 1990 as células de combustível para meios de transporte eram do tipo CCMPP . A figura mostra um autocarro com um sistema de 120 KW, utilizando o hidrogénio como combustível.

Em Novembro de 2000, a Daimler-Chrysler criou um automóvel que usa o metanol líquido como fonte de hidrogénio, pois é mais fácil de armazenar que o hidrogénio. Independentemente da escolha do combustível (hidrogénio, metanol, metano ou etano ) as células de combustível representam a solução do futuro. As desvantagens atrás apontadas estão sendo, a pouco e pouco, ultrapassadas com o aparecimento de novas membranas de troca iónica, melhores catalisadores e melhores desenhos de células. Há contudo problemas de difícil solução ,senão vejamos : O hidrogénio livre não existe neste planeta de modo que para obtê-lo há que partir moléculas que o contenham e, para tal, há consumo de energia. Os catalisadores ajudarão a reduzir essa energia, mas haverá sempre perda de energia. A maior parte do hidrogénio molecular ,hoje produzido, é obtido a partir do gás natural e, desta forma, não podemos fugir á dependência dos hidrocarbonetos não renováveis. Este gás( metano) é tratado com vapor de água para quebrar as suas moléculas e obter hidrogénio e neste processo há, globalmente, 60% de perdas de energia. Também o preço deste hidrogénio está dependente das variações de preço do gás natural. Fazer a quebra da molécula de água (H2O) , por electrólise , para obter hidrogénio é fácil e há água por todo o lado ,só que a quantidade de energia para tal é ainda maior que a do gás. Pode-se alegar que a energia eólica ou a solar proporcionariam essa energia mas não esqueçamos que a energia exigida para produzir 1 terawatt de hidrogénio é 1,3 terawtt de electricidade, logo pouco rentável. Também teríamos de ter em conta o preço da água para a electrólise da mesma ou o preço de energia obtido por central nuclear se fosse esse o caminho seguido. Mas há mais.... o hidrogénio liquefeito exige um reservatório quatro vezes maior que o de gasolina e transportar uma quantidade de hidrogénio com a energia equivalente para um posto de abastecimento exigiria 21 vezes mais auto-tanques. Tudo custos a ter em conta!. O hidrogénio comprimido ou liquefeito apresenta problemas que lhe são inerentes e sempre á custa de energia e de custos adicionais. Um outro aspecto a ter em conta é que sendo o hidrogénio o elemento mais simples ,pode escapar de qualquer contentor por mais perfeito que seja na vedação e em armazenagem evaporará á taxa de 1,6 % por dia, daí não pode ser estacionado um veículo destes em garagem, nem ao sol e, como se não bastasse, ele atravessa metais ,tornando-os quebradiços. Além de 10 vezes mais inflamável que a gasolina , arde sem chama visível. Não será preciso dizer mais para se ver o perigo em que nos metíamos. Como notícia de última hora, temos a FORD a fazer testes, neste mês de Outubro de 2008. A viatura combina uma célula de combustivel com motores eléctricos alimentados por baterias de iões de lítio. Tem o mérito de ser o primeiro híbrido do mundo a ser conduzido normalmente na via pública e pode recarregar as baterias através de uma tomada eléctrica das nossas casas. As baterias permitem andar cerca de 40 Kms com a sua energia acumulada., entrando em funcionamento automático a célula de combustível o que lhe permite fazer mais 320 Kms. O depósito de hidrogénio é de 4,5 Kg á pressão de 350 bar. Para percursos pequenos citadinos nunca é necessário usar o hidrogénio recarregando as baterias a cada 30 Kms percorridos.


( veículo da FORD a que nos referimos no texto e em testes de circulação)

14.8.08

O FUTURO

Um enorme número de investigadores e especialistas de todas as ciências procuram prever o que será o futuro da humanidade, como irá evoluir a ciência e que níveis poderá atingir o conhecimento humano. Já em 1964, Nikolai Kardashev tinha criado uma escala para avaliar a evolução tecnológica de uma civilização, baseada na quantidade de energia que tivesse á sua disposição. Segundo essa escala, o grau I pertenceria á civilização que aproveitasse toda a energia própria do seu planeta, controlasse o clima, cultivasse os oceanos e explorasse o seu sistema solar. As do grau II conseguiriam colonizar outros sistemas solares, usando a energia das estrelas. As de grau III, usariam a energia das galáxias e manipulariam o espaço-tempo a bel-prazer. Nesta escala estaremos hoje no grau 0,7, pois entre os avanços tecnológicos necessários para atingir o grau I, estarão a produção barata da antimatéria, a produção de energia por fusão nuclear, a inteligência artificial e a utilização de nano tecnologia. Alguns dos pressupostos atrás enunciados estão a ser desenvolvidos, embora dando ainda os primeiros passos. Raymond Kurzwell vaticina que, nos próximos 25 anos, os computadores atingirão a capacidade e subtileza do cérebro humano, isto é, teremos a inteligência artificial, que acabará por conduzir à fusão do ser humano com a tecnologia que desenvolveu. As inteligências não biológicas terão capacidade de reinventar outras, avançando tanto que teremos de melhorar a nossa artificialmente para não ficarmos para trás.. Isso seria feito á custa de nano-robõts interagindo directamente com os nosos neurónios. Também a NASA tenta encontrar planetas extra-solares, parecidos com a Terra e que possam ser colonizados . Michio Kaku , físico americano, considera que, teoricamente, não há nada que nos impeça de viajar no tempo. Para tal, será só necessário criar e manter um pequeno buraco negro que agiria como porta entre duas regiões do espaço-tempo. O único óbice será a quantidade quase infinita de energia para o manter, pelo que deverão passar vários milénios antes de a saber obter. Se nos voltarmos para o teletransporte que todos conhecemos da série televisiva Star Trek diremos que, em Junho de 2004, uma equipa de investigadores de Innsbruck anunciou ter conseguido transferir, de forma autónoma, estados quânticos entre átomos fisicamente isolados,o que é ainda imensamente longe de transportar uma simples molécula . Na altura este pequeno avanço foi considerado útil para desenvolver computadores ultra rápidos, enviando e recebendo informação de forma instantânea . Michiro Kaku pensa que as impossibilidades actuais de atingir o grau I poderão estar resolvidas dentro de dois séculos. Até lá fazemos votos de que a Humanidade consiga sobreviver como espécie natural .

6.8.08

STRADIVARIUS

Qualquer pessoa medianamente culta, mesmo sem ser melómana, ao ouvir a palavra Stradivarius associa-a a um violino raro e muito cobiçado. Na realidade os violinos desta marca têm uma sonoridade especial e valem milhares de euros cada. O nome deriva do seu construtor o italiano António Giacomo Stradivari, nascido em Cremona em 1648 e falecido em 1737 que se tornou célebre na arte de fabricar instrumentos de corda como violas, violinos, violoncelos e harpas. O seu êxito surge , entre 1700 e 1722 , quando construiu os seus violinos mais famosos como o Beto em 1705, o Cremonese em 1715, o Messias e o Medici em 1716. Pensa-se que Stradivari terá construído um milhar de violinos dos quais só há registo de 650 . O mais famoso é o Messias que se encontra no museu Ashmoleara em Oxford. A sonoridade dos violinos Stradivarius é tão especial que foram estudados ao pormenor para se tentar descobrir o seu segredo. Sabe-se que as madeiras usadas eram o acer e o abeto, o primeiro para o tampo harmónico e o segundo para o fundo e braço. As madeiras seleccionadas eram as mais antigas e ressequidas, posteriormente tratadas com diversos minerais (boratos e silicatos ) e verniz de Bianca. Também se aceita como certo que a sonoridade dos violinos se deve ao verniz usado que continha pozolana, uma cinza vulcânica antigamente usada como cola entre o verniz e a madeira, tornando o instrumento mais duro. Há quem pense que Stradivari seleccionava madeiras de navios naufragados pois seria mais dura devido ao contacto com a água salgada.Outros afirmam que o frio extremo que se fazia sentir na Europa daquela época terá feito com que as árvores desenvolvessem fibras mais compactas logo madeiras mais duras. A análise feita por TAC aos violinos antigos mostra esse facto. Qualquer que seja o segredo destes famosos violinos o que sabemos é que , em 2006, um Hammer Stradivarius de 1707 foi leiloado por 2,4 milhões de Euros e há meses (Abril de 2008) um outro Stradivarius, do ano 1700 , foi comprado por 1.273.000 dólares americanos .

1.8.08

NANOTECNOLOGIA

Se procurarmos uma definição simples para nanotecnologia teremos que é o processo de montar matéria a partir dos átomos, organizando-os a bel-prazer e de maneira diferente do que acontece naturalmente .A ideia é antiga e foi "sonhada" pelo físico Richard Feynman, em 1959, numa altura em que o átomo era a parte mais pequena da matéria. Hoje em dia o sonho de Feynman está a tornar-se uma realidade e o nanómetro ( 1 milionésimo de milímetro) é uma vulgar unidade de trabalho dos cientistas . Se Freyman apenas dizia que os princípios da Física não eram contra a possibilidade de manipular a matéria, átomo a átomo e que teoricamente era algo que podia ser feito, embora nunca levado a cabo por sermos grandes demais,os cientistas de hoje pensam em criar máquinas que actuem dentro do corpo humano levadas pela corrente sanguínea, ou gravar bibliotecas nacionais inteiras numa superfície de poucos centímetros quadrados e outras coisas fantásticas. Se for conseguido este sistema de engenharia molecular, haverá nova revolução industrial com importantes consequências económicas, sociais, ambientais e militares. Tudo isto começa a ser pensado porque os conceitos da física clássica foram derrubados e a física quântica nos mostra que as partículas sub-atómicas (ver postagem de 12-6-2008 sob o título a partícula de Deus )não se comportam como no mundo molecular.Tentam os cientistas dos nossos dias ligar os átomos de forma a criar novas moléculas,isto é, novos materiais.O processo seria feito através de um montador molecular, uma máquina de tamanho microscópico capaz de organizar átomos e moléculas de acordo com instruções dadas. Um montador molecular poderia actuar de forma isolada ou em conjunto podendo, neste caso, ser capaz de construir objectos macroscópicos. Este fabrico de moléculas novas com propriedades especiais, nomeadamente com funções de sensores ou reparadores, revolucionaria o mundo. Há quem imagine, por exemplo, a possibilidade de desobstrução de vasos sanguíneos por nanorobots feitos á medida, ou o fabrico de telhas que além de isoladoras de água e luz, sejam fotovoltaicas Será que um dia podemos criar nanofábricas ,isto é, um aparelho simples e pequeno, na aparência, cheio de processadores químicos,computadores e robots em que os produtos seriam fabricados directamente a partir dos projectos nele introduzidos? Das nonofábricas resultariam produtos de alta qualidade a um preço irrisório bem como a criação de novas nanofábricas, num fenómeno de autoreprodução que podia ser útil em Biologia ou no fabrico de novas fábricas a ritmo exponencial. Esta capacidade de reprodução é , teoricamente, uma das grandes vantagens de um montador molecular e também um dos seus grandes riscos.Um montador poderia reproduzir-se descontroladamente e ameaçar vidas humanas de forma semelhante ás epidemias. Especialistas advertem que é necessário tomar precauções pois os riscos para a saúde humana não são conhecidos, além de persistirem outros problemas como a dificuldade de trabalhar com os átomos individuais necessários á construção do montador. É também difícil modelar o comportamento de objectos complexos em escala nanométrica que obdecem ás leis quânticas que são diferentes das da física clássica á escala do nosso mundo. Outro dos possíveis problemas será a poluição gerada pelos nanomateriais, já que as nanopartículas , dado o seu ínfimo tamanho, podem entrar nas células animais e vegetais, acumulando-se na cadeia alimentar, num efeito idêntico ao dos metais pesados e ao do DDT. Já foram colocadas várias questões ,tais como : A quem pertencerá a nova tecnologia ? Estará ela acessível a todos ? Terá efeitos negativos sobre os seres vivos ? Quem controla as armas destruidoras dela obtidas? Será que a contrução de máquinas inteligentes capazes de fabricar outras ,destruirão a espécie humana? As perguntas são tão pertinentes que já existe um organismo internacional para dar a conhecer as teorias da gestão responsável da nanotecnologia.

7.6.08

BELEZA e JUVENTUDE

Nos nossos dias proliferam, por tudo quanto é canto, cabeleireiros, ginásios, spas, salões de beleza, perfumarias, cirurgiões plásticos etc, no desejo de retardar os efeitos do inevitavel envelhecimento. Para quem pensar que o fenómeno é recente, diremos que ele já existia no tempo do antigo Egípto,catorze séculos antes de Cristo. Este povo investia muito tempo cuidando do corpo, num desejo de parecer sempre jovem, preocupação que é demonstrada por um papiro médico onde se lê : "Início do livro para transformar um velho em jovem ".Salientamos que o clima, quente e seco, obrigava a actos de higiene desligados do conceito de beleza; como o odor a suor desacreditava socialmente, era rotineiro o uso de essências desodorisantes. É vulgar encontrar pinturas murais em que servas untam o corpo das suas amas com substâncias aromáticas. O corpo de homens e mulheres devia estar depilado, para o que usavam navalhas e pinças de bronze e ainda cremes depilatórios. A barba era um símbolo de decadência e só aparecia como sinal de luto. ( este facto também ocorre em Portugal em algumas zonas rurais ) Para os egípcios , um bom aspecto passava por ter dentes brancos e alinhados e, para isso, usavam uma solução aquosa de bicarbonato e carbonato de sódio, os mesmos produtos que hoje se usam nas pastas dentíficas. Um dos principais atributos da beleza feminina era o cabelo, daí o cuidado com que o tratavam, usando pentes com uma ou duas fiadas de dentes.



A fotografia mostra um pente e uma peruca usados no antigo Egipto. O cabelo era lavado frequentemente ,usando um pó à base de cinza de vegetais e carbonato de sódio mas, as pragas de piolhos e lêndeas favoreceram o uso de perucas, discutindo-se hoje se , por baixo delas, havia cabelos curtos ou cabeças rapadas.No aspecto meramente estético, abusaram da maquilhagem que teve a sua origem em cerimónias de guerra e caça passando, posteriormente, a conceito de beleza. Para os olhos, criaram uma estética particular, ornamentando-os com traços grossos e largos. Ao princípio, delineavam os contornos com um composto à base de galena(sulfureto de chumbo) que lhes conferia a cor negra ; mais tarde usaram um sombreado verde,extraído da malaquite, para voltar definitivamente à cor negra. O curioso é que esta cor negra das pálpebras e canto dos olhos, acabava por ser uma protecção ao reflexo dos raios solares na areia. A composição da tinta usada era ainda um poderoso antiséptico, evitando as conjuntivites. A indústria de perfumaria foi uma das mais prósperas do Egipto, em parte porque os maiores consumidores eram os sacerdotes que usavam esses produtos nas cerimónias religiosas. Para lá do uso litúrgco e funerário, eram disfrutados pela população para desinfectar as habitações tal, como hoje, usamos as velas aromáticas, os sprays e produtos afins. Se pensarmos um pouco, teremos a explicação para a queima de incenso nas igrejas, de açúcar em quartos de doentes, ou de alecrim quando troveja. Como os romanos copiaram os egípcios, não nos devemos admirar da nossa " idade da borbulha" em que eles e elas passam tempos infindos diante do espelho pois, no fundo, deve ser uma reminiscência de hábitos milenares. Ocorre dizer que o conceito de beleza está hoje a ser mais discutido do que nunca ; as revistas juvenis continuam a passar a imagem habitual de beleza, sendo as raparigas as que mais sofrem com as pressões criadas por esse conceito artificial.




Se elas soubessem o trabalho de maquilhagem a que as modelos estão sujeitas e os retoques posteriores das fotografias, não se preocupariam tanto com o espelho e seriam mais felizes pois, como diz Cláudia Pinange, a beleza de uma mulher não está nas roupas que usa ou na maneira como penteia o cabelo; a verdadeira beleza está refletida na sua alma, no amor pelos outros, na paixão que demonstra. Esta beleza não envelhece, cresce com os anos .A terminar e confirmando que existe a idade da borbulha apresento-vos um quadro de Velazquez intitulado a Venus do espelho.

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