14.11.11

CURIOSIDADE ASTRONÓMICA



Quanto mais se estuda o Universo, mais coisas maravilhosas se vão descobrindo e que julgávamos serem impossíveis, como esta de um planeta designado de kepler 16, orbitando dois sois, isto é, duas estrelas
.A descoberta foi feita graças ao Kepler, o telescópio espacial programado para detectar planetas fora do nosso sistema solar.. O investigador Laurance Doyle usou o telescópio para estudar sistemas binários, ou seja, sistemas solares com duas estrelas sendo esta a primeira detecção inequívoca de um planeta que gira em torno de duas estrelas
O cientista trabalha num instituto da SETI (procura de vida extraterrestre), na Califórnia, e desde que o Kepler foi enviado para o espaço, em 2009, tem estado a observar centenas de sistemas binários que estavam no campo de visão do telescópio, ou seja, um pouco do espaço que apanha as constelações de Balança e do Cisne.

O telescópio tem uma câmara do tipo grande angular que foi desenhada para detectar a luminosidade das estrelas com um detalhe fabuloso. Quando um planeta passa à frente do seu sol faz uma pequena sombra e a quantidade de luz que chega à Terra vinda da estrela diminui algumas fracções. O telescópio consegue detectar essa variação.

No caso de duas estrelas a girar uma à volta de outra, a máquina detecta os eclipses. Foram estes eclipses que Laurance Doyle andou a observar.

“Via eclipses regulares, mas o meu olhar foi atraído para os eclipses extra que ocorriam fora de uma sequência e pensei ‘ou é um terceira estrela ou é um planeta’”, explicou Doyle. A equipa confirmou que existia um astro que passava à frente das duas estrelas, e criava eclipses diferentes.

Depois, através da medição do tamanho das duas estrelas, do grau dos eclipses criados pelo terceiro objecto e da influência que este tem nas órbitas dos sóis, os cientistas concluíram que só podia ser um planeta.
Apresentemos então o planeta Kepler 16.
No centro de gravidade do sistema há duas estrelas e por isso nenhuma está no meio. A maior, com quase sete décimos do tamanho do Sol, é a que está mais próxima deste centro. A segunda estrela tem apenas um quinto do tamanho do Sol, é mais escura e menos quente. As duas estrelas têm um período de rotação de 41 dias e uma órbita excêntrica.

O planeta é grande - do tamanho de Saturno - e meio rochoso, meio gasoso. Tem uma órbita circular à volta dos sóis, com um período de 228 dias e tem uma temperatura média entre os 103 graus negativos e 70 graus negativos.

“Tudo está alinhado de uma forma belíssima”, referiu Laurance Doyle, explicando que isso sustenta a ideia de que este planeta surgiu do mesmo disco estelar que criou os dois sóis e não foi puxado pela gravidade das estrelas, vindo de outro lado do espaço. “

1.11.11

O LUTO EM ANIMAIS




Quando decidi escrever esta mensagem surgiu-me a dúvida se a deveria incluir na etiqueta antropologia ou na de biologia, mas acabei por decidir-me pela primeira pois os exemplos que citarei são passados com antropóides primatas, nossos “ primos” evolutivos. Tentei também não confundir reacções de Pavlov com outras que são, ou parecem ser, sentimento de luto. Postas estas advertências vamos ao assunto!
Quando, no início da década de sessenta, cumpria mobilização militar em Moçambique, comandei dois pelotões que faziam a guarda aos paióis gerais da Região Centro e que se situavam entre a cidade da Beira e a vila do Dondo , área na altura quase despovoada e de densa savana.
Como o perímetro de segurança destes vários paióis não estava ,naquela época, delimitado por qualquer cerca de rede, a zona era severamente guardada e patrulhada de dia para afastar eventuais intrusos, já que era área totalmente restrita. À noite a vigilância era ainda mais severa e, com a escuridão, a ordem era abrir fogo sobre algo que accionasse os improvisados alarmes e não se identificasse de imediato. Esta norma de segurança fez com que alguns macacos fossem abatidos , ao tentarem aproximar-se, no escuro, dos referidos paióis onde lhes cheirava a comida dos soldados.
Ao raiar do dia seguinte a esses incidentes havia sempre forte algazarra entre os macacos mais jovens empoleirados nas árvores, enquanto outros, no terreno capinado ou desmatado, tentavam aproximar-se do local onde estava o corpo do macaco morto, para o resgatar. Para o fazer mostravam atitudes ameaçadoras e chegavam a atirar paus e pedras para afastar os soldados da guarda . Quando estes soldados simulavam retirar, para detrás do paiol , os macacos rapidamente resgatavam o corpo e o levavam para a orla do terreno limpo de vegetação, tendo eu verificado, através de binóculos, que um deles tentava reanimar o companheiro , enquanto o resto do bando assistia em profundo silêncio.. Como tal não acontecesse levavam-no para o mato mais denso. ( Ver foto inserida de um velório entre macacos)
Como explicar esta reacção tão humana ? Será que sentem pena e sofrimento ,ou apenas parecem sentir ? A resposta é difícil e divide os cientistas!
Sem querer cair em antropomorfização , cito Iain Hamilton :
A macaca Tina morreu atacada por um leopardo. O macaco macho dominante manteve-se horas junto do cadáver, impedindo que outros se aproximassem; só deixou que Tarzan , irmão de Tina, se sentasse ao seu lado. Os chimpanzés reagem á morte dos seus congéneres e parece que a vêem como uma mudança profunda pois não comem, ficam deprimidos e chegam a perder peso. Se não ficamos muito admirados com isto porque se trata de animais morfologicamente muito parecidos com os humanos que dizer de situações parecidas passados com elefantes e que foram descritos por vários zoólogos ? Alguns investigadores acreditam que os elefantes manifestam grande preocupação face aos restos mortais de outros elefantes. Quando diante de ossos e outros objectos naturais, os elefantes africanos passam consideravelmente mais tempo a explorar os crânios e maxilares de outros elefantes do que em relação ao de outros animais. Também tentam levantar com a tromba um companheiro ferido ou morto, só desistindo ao fim de algumas horas.

Vejamos agora outros casos em animais não primatas e , por isso, mais afastados de nós evolutivamente:
Perda de apetite, uivos e semblante triste são alguns dos sintomas que muitos bichos de estimação apresentam após a morte de um companheiro, no caso, outro animal. Embora as reacções não sigam um padrão, o "clima de luto" entre cães e gatos é apontado como algo visível por donos que chegam a procurar a ajuda de um veterinário.
A jornalista Juliana Bussab , fundadora da ONG Adopte um Gatinho , afirma ter visto de perto as reacções de luto. Uma das situações aconteceu entre dois de seus cães, um husky siberiano e um weimaraner, apresentados um ao outro já adultos . A convivência, difícil no começo, transformou-se em amizade e, anos depois, em tristeza, após a morte do segundo. "O husky não queria comer e começou a deitar-se onde o outro usualmente descansava". Preocupada, Juliana levou o cão ao veterinário e, cerca de três meses depois da morte do amigo, as melhoras começaram a aparecer.

Já entre os gatos, ela diz que observou a relação entre dois gatinhos da mesma ninhada, acolhidos pela ONG. Com a morte do macho, a fêmea começou a chorar com frequência e procurar o companheiro, mas acabou superando sozinha em alguns meses.

A veterinária Angélica Lang Klaussner diz que casos como estes são comuns, embora também existam cães e gatos que não esbocem qualquer reacção com a morte de outro.
Voltemos aos primatas já que incluÍ esta mensagem na etiqueta antropologia:

Na realidade, segundo os primatologistas, no seio da maioria das espécies primatas a mãe reage sempre à morte das suas crias, abraçando e tratando o pequeno animal como se ainda estivesse vivo. Durante alguns dias, ou mesmo semanas, a mãe carrega o corpo para onde vai e, se necessário, discute com qualquer um que tente separá-la da cria morta.

A primatologista Sarah Hrdy, considera fazer sentido, no que diz respeito à adaptação, que as mães segurem as crias falecidas, mantendo a esperança durante algum tempo. «Se a cria não estivesse realmente morta, mas em coma temporário, porque ficou doente ou porque caiu de uma árvore, ele voltaria à vida», explicou.
«Estamos a falar de primatas que têm partos de uma só cria após longos períodos de gestação. Cada um representa um enorme investimento para a mãe», acrescentou.
Por todos os recantos da natureza, segundo os biólogos, existem animais que se comportam como se tivessem consciência do predomínio da morte, apesar de considerarem que ela não lhes diz respeito.
Michael Wilson, professor assistente de Antropologia na Universidade de Minnesota e que estudou chimpanzés na Tanzânia, comentou que estes primatas «são muito diferentes dos humanos no que toca ao seu entendimento sobre a morte e as diferenças entre os vivos e os mortos».
Os chimpanzés jovens revelam sinais de luto genuíno quando as suas progenitoras morrem. Porém, os chimpanzés adultos raramente expressam algum tipo de sentimentalismo em relação à morte de outro adulto, explicou.
Isto porque os adultos doentes ou já idosos se isolam na floresta para morrerem sozinhos; e aqueles que morrem com companhia, por norma, morrem com outros adultos.
A mesma atitude liberal se aplica ao hábito de caça desses animais. «Quando caçam outros macacos, podem matá-los ou apenas imobilizá-los antes de os começarem a comer», contou.
Para alguns animais, a morte de um membro da mesma espécie pode corresponder, em significado, a uma refeição normal.
Parece confuso e até contraditório o que acabamos de escrever mas não podemos esquecer que ,no passado, havia comunidades humanas que praticavam canibalismo, não sepultando os mortos,principalmente os inimigos. São estes pormenores que nos levam umas vezes a aceitar e outras a duvidar, se há sentimentos de dor e de perda entre os animais e , por tal motivo ,se cumprem um luto..

Arquivo do blogue