30.5.11

Filosofando sobre a vaidade





Da janela de minha casa, olhava para a “ quinta do solar “ onde um casal de pavões ia debicando na terra húmida pelo orvalho, quando reparei que o macho abrira o seu leque de magníficas penas , numa atitude de galantear a fêmea.
Vaidoso, pensei eu alinhando pela óptica dos que afirmam que vaidoso é todo aquele que quer chamar a atenção, destacando-se dos demais. Os que assim pensam talvez tenham alguma razão , mas não nos podemos esquecer que todos nós demonstramos uma certa vaidade no que fazemos .
Será que a vaidade é fundamento dos nossos actos ? Não sei responder, mas verifico que em algumas pessoas a vaidade é sem limites e dou como exemplos : os que criam Fundações ,por vezes inoperantes, só para que tenham o seu nome nelas ; aqueles que em vida, edificam túmulos aparatosos para o seu repouso eterno ; os que recebem comendas e outros “ penduricalhos “ e desejam depois que em vez do seu nome de baptismo lhe chamem de “senhor comendador” ou” senhor conselheiro” ; os que autorizam lhe sejam erguidas estátuas ou seja dado o seu nome a ruas ou avenidas; os que tudo fazem para serem focados por uma câmara de televisão num evento social ; os que tendo sido alguma vez presidentes de alguma agremiação e já não presidindo a nada , exigem ser tratados ainda por senhor Presidente .
Será a vaidade uma coisa inata ? Não me parece, já que durante a infância o objectivo é ser igual aos demais do grupo do bairro ou da ” escolinha”, sem haver comparações ou desejo de saber quem é o mais rico, o mais inteligente ou o mais bonito. O mal está na fase de adolescente em que, para se ser aceite pelo grupo, é necessário destacar-se . Como esse destaque pode ser difícil de concretizar , muitos jovens afastam-se dos pais e dos colegas , acolhendo-se numa “tribo” onde todos são indiferenciados.
A ânsia de destaque atrás referida , na procura de ser aceite pelo grupo de adultos, leva a uma individualização e a uma via oposta à da integração social. Vencer significa destacar-se e assim, com o êxito, vem a VAIDADE, uma espécie de droga do prazer que deve ser obtida por qualquer meio, mesmo que prejudicando os outros.
Contrariamente, a derrota significa humilhação que por vezes leva à depressão. Estar sob os holofotes do sucesso, nem que seja por pouco tempo, alimenta a fogueira da vaidade e , desta forma, as pessoas tornam-se escravas dela, criando fantasias e sofrendo com qualquer pequena e eventual derrota. Recordemos o que aconteceu em toda a parte aos vencedores dos Big Brothers televisivos e outros programas similares onde há uma efémera notoriedade . Quando os programas acabam e surgem outros ídolos do público, vem a depressão, os problemas com a droga e justiça e algumas vezes o suicídio. As pessoas que não sabem administrar a perda de popularidade, perdem o sentido comum da vida, já que passa a ser um desafio constante , uma meta sempre distante, a busca de nova notoriedade.
Voltei a olhar para o pavão e admiti que a vaidade nada tem a ver com o género nem é inata no ser humano.
É a pressão da sociedade que nos subtrai o bom senso e nos faz querer ganhar qualquer disputa , mesmo que seja uma simples opinião, e o curioso é que embora conheçamos muito bem as vaidades alheias não admitimos as nossas.
Afinal a vaidade é ou não necessária embora, em geral, seja considerada como coisa negativa ? Creio que, se não for exibicionista, como nos casos que atrás citei, ela poderá ser aceitável e se vencer não for a óptica única de vida.
Nesta minha intromissão pela vaidade ainda não referi a da aparência física que leva muita gente a ser escrava da moda . Quem não conhece os casos de dietas loucas e prejudiciais à saúde só para ter determinadas medidas corporais ? Ou o bronzeado excessivo porque é essa a moda de momento ? Quem não conhece os que desejam a eterna juventude submetendo-se a cirurgias estéticas ,não sabendo envelhecer com elegância? Quem não conhece os que gastam o que já não têm para vestirem o que viram num desfile mundano ?
Todos esquecemos que um dia , mais cedo ou mais tarde, seremos pó , cinza e nada.

22.5.11

Pontos Quentes (HOTSPOT)



Os pontos quentes (em inglês hotspot), são locais da zona do manto terrestre com temperatura mais alta do que nas outras regiões. A teoria dos pontos quentes foi formulada pelo geofísico J. Tuzo Wilson ,em 1963, para explicar a existência de vulcões formando linhas coincidentes com a direcção do movimento das placas sobre as quais assentam. No Hawai ,zona que foi estudada, os vulcões parecem mostrar a passagem da crosta terrestre sobre uma zona de material magmático, localizada no manto terrestre, e que ao ascender à superfície origina sucessivos vulcões.
A origem dessas plumas térmicas ( zonas magmáticas) foi durante muito tempo atribuída à formação de uma coluna ascendente de material mais quente da zona fronteiriça entre o manto e o núcleo terrestre, e que viria até á superfície. Dados recentes põem em causa a existência destas estruturas a tais profundidades, apontando como origem das plumas térmicas a formação de zonas estáveis de convecção térmica, nas camadas mais superficiais do manto terrestre.
De acordo com a teoria de Wilson, os alinhamentos de ilhas vulcânicas ( não associadas a limites de placas ) são explicadas pela existência de zonas relativamente pequenas , mas muito quentes que existem sob a litosfera. Recordemos que a litosfera é a camada sólida da Terra formada pela crosta e pelo manto até á astenosfera, e nada melhor do que rever um pouco como é o interior do nosso planeta. O interior da Terra não é uniforme e podemos dividi-lo , usando critérios químicos , em uma camada externa (crosta) de rochas á base de silício ; um manto altamente viscoso á base de sílica e magnésio ; um núcleo sólido de ferro e niquel envolvido por uma parte líquida do mesmo material. Esta zona líquida do núcleo, girando sobre a zona sólida,dá origem ao campo magnético terrestre. O interior da Terra tem temperaturas da ordem dos 5.270 graus Kelvim. Este calor interno foi criado inicialmente durante a formação da Terra e é constantemente gerado pelo decaimento dos materiais radioactivos que se concentraram nas zonas profundas do planeta .



CROSTA --Forma a maior parte da litosfera e tem uma extensão variável consoante o local geográfico. Sob as grandes cadeias montanhosas chega a atingir 70 Kms de espessura, mas geralmente anda pelos 30 Kms. É composta basicamente por rochas cuja composição química são silicatos de alumínio sendo por isso designada de zona Sial . Existem vários tipos de crosta, sendo os principais a oceânica e a continental. A crosta oceânica é relativamente nova (150 Milhões de anos) e está em constante formação. É de composição basáltica e está coberta por sedimentos que possuem 7 Kms de espessura. A crosta continental é formada por rochas que vão dos granitos aos basaltos, tendo uma espessura média entre 30 e 40 Kms nas regiões estáveis e entre 60 a 80 Kms nas zonas sob os Himalaias e os Andes, como já nos referimos anteriormente. As rochas mais antigas andam pelos 4 MA (milhões de anos), mas também existem rochas ainda em formação, como é o caso das rochas sedimentares que resultam da destruição ou alteração das mais antigas. A zona de separação entre Crosta e Manto é-nos dada pela chamada zona de descontinuidade de Mohorovicic ou zona Moho, já que há uma descontinuidade brusca na composição quimica das rochas á base se silica e magnésio (Sima). Esta zona foi detectada pela variação brusca do comportamento das ondas sísmicas que se dirigem para o interior do planeta.

MANTO - Esta zona vai desde os 30 Kms de profundidade até aos 2900 Kms.As rochas que o constituem são de natureza silico-magnesiana e estão sujeitas nas zonas mais profundas a pressões de um milhão de atmosferas.O material do manto pode apresentar-se no estado sólido ou como uma pasta viscosa (astenosfera) na zona superior ,e sólido na inferior, devido ás altissimas pressões que contrariam o efeito da temperatura, que vai aumentando para o interior, atingindo 3500 graus Celsius já perto do núcleo. A zona da Astenosfera é importante pois possui movimentos convectivos que explicam o deslocamento dos Continentes, ou melhor, das placas continentais que suportam os continentes, empurradas pelas placas oceânicas em constante crescimento..

NÚCLEO ---Composto em grande parte por ferro (80%) e niquel o (Nife) é dividido em duas partes : o núcleo sólido, praticamente só ferro, é envolvido por uma camada liquida já contendo algum níquel.Pensa-se que é uma camada líquida porque certo tipo de ondas sísmicas são ali bloqueadas. Como já se disse, esta camada líquida girando sobre a sólida provoca o campo magnético terrestre, através de um processo conhecido como teoria do dínamo .
Voltando ao tema em epígrafe diremos que a distribuição dos pontos quentes ao nível do globo terrestre não assume uma forma aleatória, ocorrendo preferencialmente em zonas de enorme arqueamento do geóide terrestre, quer ao nível do Pacífico Ocidental quer do Atlântico.
Estes pontos quentes podem ser referenciados quer em zonas situadas entre placas, quer em zonas de dorsais, como no caso da Islândia, Açores e Tristão da Cunha, ou mesmo numa zona de formação de riftes continentais (rifting), como no caso do Afar. Os pontos quentes podem estar também localizados em zonas intraplaca do tipo continental (Yellowstone) ou numa zona de intraplaca do tipo oceânica, como no caso do Havai.

1.5.11

NEM TUDO O QUE LUZ É OURO



O velho ditado popular que afirma que nem tudo o que luz é ouro e nos alerta para as falsificações ou mistificações , pode também aplicar-se neste mundo moderno a tudo o que parecia ser uma boa ideia mas que o tempo se encarregou de demonstrar o contrário. Vejamos alguns exemplos :
Comecemos pelo plástico, surgido nos anos 50 do século XX, que parecia ser o substituto ideal para o vidro, dado o seu baixo preço de produção , facilidade de moldagem e resistência ao choque que quase levou á extinção da indústria vidreira , e que é hoje considerado uma encarnação do mal. Esta maneira de pensar ocorre pelo facto de que quando acaba a vida útil do objecto em plástico, este acaba numa lixeira, ou no mar arrastado pelas águas dos rios e, nestes lugares, demora mais de 700 anos a degradar-se com todas as consequências nefastas para o ambiente. Também se reconheceu que muitos plásticos não podem ser reciclados ou queimados pois no seu fabrico foram incorporadas substâncias que, por combustão, libertam gases tóxicos. (aconselhamos a leitura de dois artigos deste Blogue, na etiqueta Ecologia ,com os títulos : RECICLAGEM ««««POLUIÇÃO marinha )
Falemos agora do mercúrio usado nos termómetros, pilhas eléctricas e outros equipamentos cuja inalação dos vapores libertados ataca rins e sistema nervoso, Um pequeno derrame de mercúrio, mesmo que acidental, pode contaminar enormes massas de água doce ou marinha e chegar até nós pela ingestão de peixe que foi também contaminado. O perigo é tão grande que a CEE proibiu , em Abril de 2009 , o uso de termómetros de mercúrio, aparelhos de medir a tensão arterial com coluna de mercúrio e tudo o mais que contenha esta substância , mesmo que em quantidades ínfimas.
Mas há mais exemplos de que nem tudo o que luz é ouro !
O avião “Concord” considerado ideia tecnológica brilhante que podia voar a mais de 2.000 Km/h já não é fabricado ,nem voa, por ser muito ruidoso e o custo de manutenção extremamente elevado. Deixando os ares e voltando à terra, a gasolina com chumbo que aumentava a potência dos motores e os lubrificava ,foi proibida pois o chumbo é muito tóxico para as pessoas e ambiente , tal como o mercúrio de que já falamos.
E as lâmpadas incandescentes não escapam! Cento e cinquenta anos após a sua descoberta começam agora a ser eliminadas pois grande parte da energia que consomem é gasta em calor. Deixarão de ser fabricadas em 2014 e substituídas por lâmpadas de baixo consumo.
Mas até estas parecem já trazer problemas. Transcrevo o que escrevi há tempos sobre elas neste blogue (etiqueta Física):
A lâmpada de baixo consumo é a velha lâmpada fluorescente modernizada: a corrente eléctrica de nossas casas faz com que a fluorescente acenda e apague 100 vezes por segundo, mas as novas ,com os componentes electrónicos que possuem, fazem com que o número de disparos luminosos suba para milhares por segundo, resultando daí melhor qualidade de luz. No pólo positivo de cada tubo ,existe um filamento de tungsténio que ,aquecido, produz electrões e como a tensão entre os dois bornes é de 2.000 volts, forma-se uma faísca. Esta vai vaporizar o mercúrio dentro da lâmpada. Quando a tensão volta a descer estabelece-se uma corrente de electrões que acaba por ser em vaivém ,dentro do tubo. Este movimento de electrões em contacto com os átomos de mercúrio vaporizado, produz radiação ultravioleta. A radiação UV ao atingir o revestimento fluorescente do vidro do tubo faz a lâmpada brilhar com luz visível.
LADO NEGATIVO das lâmpadas de baixo consumo:
Dissemos atrás que todas as belas tinham um senão e é esse lado negativo que vamos analisar: A Agência para o Ambiente, no Reino Unido, está preocupada com os potenciais riscos para a saúde e para o ambiente provocados pelas lâmpadas de baixo consumo. Segundo os toxicologistas estas lâmpadas contêm seis a oito miligramas de mercúrio, quantidade não passível de colocar em risco o consumidor ,mas se uma destas lâmpadas se partir em casa, deve sair do compartimento durante 15 minutos, pois o mercúrio, quando inalado, tende a acumular-se nos tecidos do cérebro e é nocivo a partir de determinada quantidade. As autoridades avisam também que os fragmentos da lâmpada não devem ser recolhidos com aspirador, mas com luvas de borracha, e que as pessoas devem ter cuidado para não inalar o pó libertado. O material deve ser guardado num saco plástico e entregue ás autoridades .O que acontecerá quando milhões destas lâmpadas terminarem o seu tempo de vida e forem parar às lixeiras? Contaminação dos solos e aquíferos! Mas há mais ! Pessoas que têm estudado estas lâmpadas, como é o caso de Mário Portugal Leça Faria , diz-nos :Para que estas lâmpadas funcionem existe no seu casquilho um circuito electrónico que, por não ter ligação á massa, irradia uma frequência supersónica de 40.000 Hz. Esta frequência não audível ,perto da minha cabeça, provocava-me insónias e dores de cabeça..A própria Associação Contra as Dores de Cabeça , em Inglaterra ( Migram Action Association) atribui a estas lâmpadas as dores de cabeça em algumas pessoas ,bem como riscos de epilepsia noutras .

Terminaremos com outro exemplo de que nem tudo o que luz é ouro: neste século XXI, os SPAM, mensagens electrónicas que circulam aos milhões diárimente na Internet , podem imitar mensagens personalizadas e até infectar milhares de computadores , transformando-os em zombies que acabam por ser plataformas para outras actividades, sem que os antivírus ganhem a batalha. ( ver guerra electrónica neste blogue )

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