17.3.11

POR QUE VOA UM AVIÃO ?

Se for perguntado à maioria das pessoas por que voa um avião elas responderão que é por ter asas. A resposta está certa mas não pode ser aceite com tanta simplicidade, pois o fenómeno é diferente do que ocorre nas aves que batem as suas asas para voar. Qualquer máquina voadora mais pesada que o ar, depende da actuação da energia mecânica ao ar circundante, por forma a produzir um impulso para cima (sustentação), que contraria o peso da máquina , isto é ,o efeito da gravidade. Para que tal aconteça, é necessária uma constante acção da energia mecânica atrás referida que proporcione um movimento para a frente, contra a resistência do ar. Essa energia é fornecida pelas hélices dos motores ou pelo efeito acção reacção do jacto de gases para trás, nos motores deste tipo. O impulso produzido (tracção) é necessário não só para a permanência no ar, como também para à subida do aparelho ou decolagem.

( Na figura acima onde se lê empuxo ( brasileirismo) deverá ler-se tracção) Deixemos de lado helicópteros e autogiros e centremo-nos apenas no vulgar avião a hélice ou a jacto. Basicamente, um avião é composto de um corpo , normalmente em forma de fuso ( fuselagem do avião), e um par de asas, localizado mais ou menos a meio da estrutura, bem como uma empenagem traseira, formada por um plano horizontal e outro vertical, a asa traseira e o leme de direcção . Como todos sabemos, há um ou mais motores, montados praticamente em qualquer lugar do avião, desde o interior da fuselagem propriamente dita, até montados nas asas. Como neste tipo de aeronave, a sustentação se concentra nas asas é também nelas que se deve encontrar o centro de gravidade do avião ou. dito de maneira simplista ,.o peso da máquina. É no formato transversal da asa que está parte do segredo para o avião voar. Recordemos que o ar circundante é atirado contra as asas porque o aparelho se está a deslocar por força dos motores , a já referida tracção ou empuxe, como dizem os brasileiros .O formato da asa do avião faz com que o ar que passa por cima dela se movimente mais depressa do que o ar que passa por baixo. Isso ocorre devido às diferentes curvaturas na parte superior e inferior da asa.


Também se sabe da física que quanto maior for a velocidade do ar, menor é a sua pressão. Daí que a asa do avião sofre MAIOR pressão do ar na sua parte inferior e MENOR na parte superior. Esta diferença de pressões resulta numa força chamada de sustentação. A sustentação produzida pelas asas varia com a velocidade do avião ou, o que é o mesmo, com a velocidade do ar que passa por elas. Quanto mais rápido ele voar, mais sustentação será produzida. Assim, o aparelho tem que ganhar uma velocidade considerável no solo antes de obter sustentação suficiente para decolar. No entanto, maiores velocidades traduzem-se também em maior arrasto ou resistência do ar (mais dificuldade para o avanço), por isso os jactos e outros aviões de alta velocidade têm asas mais delgadas, que oferecem pouca resistência. Mas voltemos ao assunto. Quando em movimento, quatro forças agem sobre o avião: A tracção dos motores, o peso ou acção da gravidade, a sustentação e o arrasto devido ao atrito com o ar . Para facilitar as manobras de voo existem outros mecanismos que passamos a citar. Um dispositivo conhecido como flap foi criado para modificar uma secção da asa, a fim de que a sustentação possa ser alterada pelo piloto. Quando movimentados para baixo, os flaps aumentam a resistência ao avanço, diminuindo a velocidade do aparelho, logo a sustentação Durante o voo, o avião tem que se mover de três maneiras básicas: para cima e para baixo; de um lado para outro; e rolando ao redor de um eixo longitudinal. O movimento para cima ou para baixo é controlado pelas superfícies móveis, chamadas elevadores( na figura designados por profundor) . Movendo-se esses elevadores para cima, o avião tem o nariz ou a frente levantada, em posição de subida. Baixando-se os elevadores, o efeito é o oposto. Para o avião curvar para a direita ou para a esquerda usa-se uma superfície móvel vertical, conhecido como leme . No caso de apenas o leme ser usado, o avião "derrapa" lateralmente, pois não há uma força contrária horizontal que evite o avião de continuar a virar. Movendo-se os ailerons , superfícies de controle nas extremidades das asas, o avião pode ser forçado a inclinar-se para o lado interno da curva. A acção combinada de aileron e leme fazem o avião curvar facilmente , embora inclinado, tal como acontece com um motociclista ao fazer uma curva apertada . Falemos agora do helicóptero cuja diferença para o avião é ter asas não fixas, isto é, são rotativas. Como já dissemos para haver sustentação é necessário que o ar passe com velocidade pela asa ou, o que vai dar ao mesmo que a asa passe com velocidade pelo ar. É o que acontece com as pás do helicóptero (asas rotativas) que giram passando pelo ar com grande velocidade e como essas pás têm o mesmo perfil das asas de um avião criam a sustentação do aparelho. As asas geram sustentação desviando o ar para baixo mas beneficiando-se da reacção oposta e igual que resulta disso. Ao conjunto de pás rotativas do helicóptero é chamado de rotor principal. Estas pás são accionadas por um motor Se for dado às pás um pequeno ângulo de ataque em relação à árvore (suporte onde gira o rotor), as pás começam a gerar sustentação e também tracção ,obrigando o aparelho a movimentar-se para a frente. Este conjunto de forças funciona muito bem até ao momento em que o helicóptero sai do chão. Nesse momento, não existe nada que evite que o motor (e assim o corpo do aparelho) gire exactamente como o rotor principal.( efeito físico denominado torque) Desse modo, na falta de algo que o evite, o corpo do aparelho gira em direcção oposta á do rotor principal . Para evitar que o corpo do aparelho gire, é preciso aplicar uma força em sentido contrário. O modo normal de fornecer força ao corpo do aparelho é anexar outro conjunto de asas rotativas na vertical e na extremidade uma longa viga. Essas asas são chamadas de rotor de cauda. O rotor de cauda produz tracção como uma hélice de avião. Produzindo tracção na direcção lateral, ele age contra a tendência do motor de fazer o aparelho girar. Aqui fica de uma maneira muito simplificada como voam os aparelhos mais pesados que o ar.

15.3.11

CASTELO DE SILVES

Muito embora haja inúmeras opiniões sobre a possível existência de um reduto defensivo anterior ao actual, talvez romano ou mesmo anterior, o que foi confirmado até hoje é a existência de uma muralha construída logo após a conquista árabe ,no séc. VIII, muralha essa quase totalmente oculta. O que existe actualmente remonta quase exclusivamente à ocupação islâmica (séc.XII-XIII), e à época das lutas da reconquista cristã feita pelos primeiros reis de Portugal.
O castelo, como não podia deixar de ser, situa-se no ponto mais alto da cidade, construído em rocha do tipo grés vermelho e próximo das torres da antiga Sé. Destruído parcialmente por vários terramotos acabou por ser recuperado em 1940, ao abrigo das comemorações nacionais da independência de Portugal.
Da sua estrutura fazem parte a Alcáçova que era a zona nobre do castelo, com uma área de 12.000 metros quadrados rodeados por uma muralha contendo duas portas : a principal que dava acesso à cidade (Medina) e outra a norte, mais pequena , de acesso directo ao exterior, a conhecida porta da traição.
As muralhas desta alcáçova são exteriormente reforçadas por onze torres de planta rectangular de concepção diferente, pois duas são albarrãs, isto é, destacam-se do pano de muralha através de um passadiço.
No interior da alcáçova existem duas cisternas, muito provavelmente mouras, uma das quais abobadada, o aljibe, e outra, conhecida por Cisterna dos Cães, muito profunda, havendo quem diga que liga ao rio. Estão em andamento trabalhos de investigação numa habitação muçulmana, quem sabe se o mítico Palácio das Varandas, o Axarajibe..
Como dissemos a porta principal do Castelo abria para a cidade que também era amuralhada. Ainda hoje são visíveis na zona norte e poente algumas torres albarrãs, quase não restauradas. Na Rua Nova da Boavista há duas grandes albarrãs e junto à Câmara Municipal outras três, uma das quais a mais importante porta da Medina, hoje Biblioteca Municipal e outrora a Casa da Câmara.
As Muralhas do Arrabalde envolveriam a parte mais baixa da cidade. Dessa estrutura de material mais pobre resta o conhecido Arco da Rebola (Rua da Cruz da Palmeira).
Completariam este forte dispositivo militar algumas barbacãs e fossos dispostos nos locais mais vulneráveis

11.3.11

FILOSOFANDO SOBRE O AMOR



Hoje deu-me para filosofar sobre o amor que une os seres humanos, normalmente um homem e uma mulher,e que os cientistas querem reduzir a um simples fenómeno hormonal para cumprir o designio de propagação da espécie .
Mas o amor será só bioquímica ou haverá algo mais ? O que é o amor ? Quem o inventou ? Quando surgiu ? Não me sai da cabeça o nosso épico Luis de Camões quando escreveu:
O amor é fogo que arde sem se ver……é ferida que doi e não se sente….
Será o amor aquele fluido invisível que nos entra pelos olhos, pelas narinas e pelos ouvidos e nos inebriaga modificando-nos para sempre ?. É que ele chega , instala-se , e por vezes tem vontade de partir, mas vai ficando, criando como que raízes. Pode haver quem me contradiga e afirme que ele tem um fim. Eu acho que não, ele apenas se transforma com o tempo e por vontade e travessura desse deus pagão a que deram o nome de Eros.
Difícil, é muito difícil definir o amor !….. um amigo dizía-me : uma pessoa diz eu amo-te. Tu não ligas. A pessoa vai-se embora. Tu sentes a falta e queres que ela volte, mas às vezes é tarde de mais. Tu sofres e isso é amor.
Como as crianças são mais sábias que os dultos porque são puras, perguntei a uma de seis anos o que era o amor e ela respondeu:Amor é quando alguém te magoa, e tu, mesmo muito magoado, não gritas, porque sabes que isso fere os seus sentimentos" –
Foi profunda a resposta , mas vejamos agora o que disse sobre o mesmo tema uma adolescente de 16 anos:
O amor é:
Sonhar, intuindo sensações e emoções...
Brilho nos olhos e intensa alegria na alma...
Sentir o palpitar acelerado do coração só de pensar...
Desejar estar junto, sem reservas, disfarces, cúmplice.
Tocar e ser tocada de tantas formas...
Com palavras, com silencio, com olhares, dar e sentir prazer.
Não precisar perguntar, nem responder, apenas compreender.
Falar sobre tudo ou não precisar dizer nada.
Aceitar os defeitos e reconhecer as qualidades
Compartilhar tempo e espaço.
Recordar o passado, viver o presente
e não pensar no futuro.
Maravilhoso o que escreveu Liliana Coutinho Ribeiro, em 2007, e que mostra o que é o amor , numa aluna do secundário.
Continuemos a pesquisa voltando ao amor de adultos , àqueles que perderam o ser amado, lendo Luís de Camões
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou
.


Ou então este outro soneto do mesmo poeta :


Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Embora sem ter ainda uma definição para o amor uma coisa é certa: não é um fenómeno fisiológico. Miguel Esteves Cardoso escreveu:

«Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem.
Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances — porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.(…..)

Continuo sem encontrar uma definição de amor, por isso fico-me por aqui esperando que alguém o consiga fazer e seja feliz.

4.3.11

VELA LATINA


Uma das coisas que desperta a atenção de quem estuda pela primeira vez os feitos marítimos dos Portugueses é a de que eles navegavam contra o vento seguindo a direcção desejada o que, para um leigo na matéria, se afigura impossível.
Tal é possível devido ao tipo de vela usado, de forma triangular, a chamada vela latina. Parece que este tipo de vela terá surgido cerca de 200 anos antes de Cristo, na região do Mediterrâneo, e chegado ao ocidente séculos depois, já na Idade Média.
Foi com este tipo de vela que os marinheiros portugueses deixaram de fazer navegação paralela á costa ( cabotagem) e se aventuram para o interior do oceano .
O uso de velas triangulares em mar aberto permitia navegar à bolina, ou seja, contra o vento, avançando em zig-zag. Esta trajectória podia ser empreendida por entre ventos contrários e mais rapidamente do que as embarcações que utilizavam as velas quadrangulares.
Depois das viagens de exploração na costa africana, seguiram-se trajectos mais longos, como é o caso das viagens para a Índia. Para tal surgiu a nau, que também usava a vela latina juntamente com as de pano redondo
Como funciona a vela latina é o que tentaremos explicar de forma resumida, sem recorrer a um esquema de forças físicas vectoriais.
Imaginemos uma piscina com um barco de borracha dentro. Se o barco estiver ligado a uma corda e uma criança o puxar do lado esquerdo da piscina, o barco vai para o lado esquerdo. Se no entanto o barco tiver outra corda puxada por por outra criança do lado direito o barco avança em frente se as duas forças forem iguais. Se houver uma pequena diferença de forças o barco avança em frente embora deslizando para o lado da força maior.
A vela triangular desenvolve uma série de efeitos ,relacionados à dinâmica dos fluidos. Ela permite navegar contra o vento, aproveitando a diferença de pressão do ar, que se forma entre sua "face externa" (aquela que se torna convexa pela pressão interna do vento) e sua "face interna" (aquela que se torna côncava), isto é ,surgem duas forças com direcções opostas sobre a vela e portanto sobre o mastro que a suporta, tal como no caso das forças das duas crianças ,uma de cada lado da piscina. A resultante destas duas forças, como já vimos, impele o barco para a frente, embora deslizando no sentido da força maior, mas este pequeno desvio pode ser compensado pelo leme da embarcação. O barco navega em frente ,contra o vento ,como em pequenos zig-zag compensados pelo leme traseiro ou pela quilha , nos barcos modenos. Ôvo de Colombo , não é?

Arquivo do blogue