23.1.11

AQUEDUTO DE TRAJANO


Todos os dias aparecem achados arqueológicos de civilizações perdidas há milénios ou de obras arquitectónicas mais recentes que conhecíamos apenas por documentação escrita , mas cuja localização real, no terreno, se havia esquecido. Está incluído neste último caso o aqueduto mandado construir pelo imperador Trajano , considerado na época ( ano 109 dC) uma obra de grande vulto.
A cidade de Roma ,naquela época, consumia já 160 milhões de litros de água por dia, sobretudo em fontes, lagos, banhos e latrinas públicas. Uma parte desse caudal de água ia também directamente para casa dos patrícios ricos que viviam em “vilas”. O resto da população recorria a fontanários públicos espalhados pela cidade. A água era levada á cidade de Roma por canais e aquedutos sendo um destes o de Trajano do qual, como afirmámos, se perdeu o rasto com o crescimento da cidade de Roma no século XVII, pois se foi utilizando a pedra desse aqueduto para construção das casas.
Sabia-se da sua existência por documentos antigos e até havia uma ideia da zona por onde ele passava, hoje uma das grandes avenidas de Roma, mas nada de concreto aparecia que servisse de testemunho.
Ora dois documentalistas britânicos ,Tedy e Michael O’Neill, especialistas da Roma antiga, descobriram (2009-2010) os restos de uma fonte pertencente á cisterna de captação de água para o aqueduto de Trajano.
Esta estrutura, de que também se havia perdido o rasto há séculos , estava debaixo de uma abandonada igreja do século XIII, a 35 km de Roma , perto do lago Bracciano., A fonte estava coberta por uma gruta artificial que acolhia uma capela dedicada á Virgem e que fora remodelada no século XVIII.


A fonte é, sem dúvida , uma estrutura romana pois foi construída com a técnica usada no tempo de Trajano. Possui um labirinto de galerias abobadadas, poços, túneis de captação e o canal que dá início ao aqueduto, tudo isto observável por não ter água.
A fonte é composta por uma sala dedicada ao deus da fonte ou ás ninfas , tendo lateralmente duas cavidades cobertas por arcos e pintadas com um azul egípcio . A base eram arcas de água das quais partia o canal para o aqueduto que fora construído no ano 109 dC, Este aqueduto era um dos onze que abasteciam Roma e a descoberta da sua nascente permite confirmar a estimativa do seu trajecto até à cidade.

8.1.11

OS NOSSOS ANTEPASSADOS

Um grupo de cientistas, chefiados por Svante Pääbo, descobriu que todos os humanos actuais , excluindo os africanos , compartilham uma pequena percentagem de ADN do Homem Neandertal que viveu na Eurásia 230.000 anos antes da nossa era e que se terá extinguido há cerca de 37.000 anos.
Essa pequena porção de genoma Neandertal vem mostrar que o pequeno grupo de Homo sapiens que saiu do continente Africano (onde teria surgido) se cruzou com Homo neanderthal no Próximo Oriente, há 80.000 anos . Os seus descendentes espalharam-se pela Ásia e Europa e não devem ter voltado a ter novos contactos com mais Neandertais.
Para fazer o estudo, a equipa de Svante obteve genoma de Neandertal a partir de ossos fósseis das jazidas de Vindija na Croácia , de Mexmaiskaya na Rússia , de Feldhoper na Alemanha e Sidrón nas Astúrias (Espanha) . O referido genoma foi comparado com o de actuais sul-africanos negros , chineses han , franceses e nativos da Papua Nova Guiné. Os resultados indicam a presença de genes comuns aos neandertais em todos os grupos da população actual, excluindo os africanos negros.
O curioso é que talvez esteja aqui a possível explicação para o aparecimento do Homo sapiens de pele clara ,diferente do original africano ,de pele escura. Descobriu-se que o genoma do homem Neandertal de Lessini (Itália) e Sidrón (Espanha) , possuem o gene mclr, conforme afirma o professor Charles Lalueza- Fox da Universidade de Barcelona. O gene em causa contém a receita para a produção de uma proteína especializada na regulação de pigmentos dos mamíferos , pois actua na superfície das células que produzem os pigmentos escuros ( melanina). Quando este gene sofre mutações, produz nos humanos uma pele muito clara e cabelos ruivos.
Assim se os Neandertais tivessem duas cópias desse gene ( uma vinda do pai e outra da mãe) teriam uma pele claríssima e cabelo ruivo. Caso só houvesse uma cópia do gene, apareceria toda uma variedade de tons de pele e de cabelo, como hoje verificamos no norte da Europa.
É certo que existe hoje um longo debate sobre a razão de a humanidade ter desenvolvido olhos e cabelos claros ; há quem fale em selecção sexual, por essas características serem consideradas como atractivas e por isso procuradas, embora outros prefiram explicar o facto por uma selecção natural relacionada com a luminosidade da zona onde habitavam os povos.
Seja como for, os Homo sapiens de pele escura depois de se cruzarem com os Neandertais , deram origem a humanos de pele clara, olhos também claros e cabelo diferente na cor e no aspecto.
Os neandertais desapareceram da face da terra há 37 mil anos, como já havíamos referido, e esta nova datação foi feita por uma equipa de investigadores liderada pelo arqueólogo e investigador português João Zilhão, da Universidade britânica de Bristol, com base em achados do lugar de Pego do Diabo, em Loures, perto de Lisboa. Também neste caso as características morfológicas mistas (de neandertal e homem moderno) são apresentadas pelo menino do Lapedo, descoberto em1998, no Lagar Velho (Leiria). .
Apresentamos a seguir uma reconstituição fotográfica dessa criança
O estudo do esqueleto e dentes da criança, que tinha cinco anos na altura da sua morte, ocorrida há 30 mil anos, revelou que o menino tinha características do homem moderno, mas também de neandertal, o que abalou o mundo da arqueologia e tem, desde então, sido motivo de debate .
Nunca antes do achado do menino do Lapedo tinha sido encontrada uma prova material de mestiçagem entre Homo sapiens e Neandertal . Esta mistura de características "reflecte", assim, necessariamente um processo de miscigenação extensiva dos dois tipos de populações à época do contacto".
A permanência tardia dos neandertais nesta região lusitana deverá ter estado relacionada com factores climáticos.
O denominado Homo sapiens neanderthalensis existiu entre 230 000 e cerca de 30 000 anos. A média do cérebro( 1450 cc), é sensivelmente maior que a do Homem actual embora com uma caixa craniana mais longa e baixa e uma marcante saliência na parte traseira do crânio. Possuía um maxilar proeminente e uma testa recuada. Os Neandertal viveram maioritariamente em climas frios e as suas proporções corporais são semelhantes às das actuais populações das regiões frias: baixas e sólidas, com membros curtos, facilitando a retenção do calor. Os homens mediam em média 1,68 m com ossos fortes e pesados, mostrando sinais de uma poderosa estrutura muscular. Foram as primeiras populações que criaram rituais funerários, com o enterramento mais antigo datado de há cerca 100 000 anos. A área de dispersão dos Neandertal inclui a Europa e o Médio Oriente.
Seja qual for a verdade científica do que atrás escrevemos sobre a origem da população branca no mundo, uma outra verdade permanece ; postas de lado as diferenças genéticas e fenotípicas ( aspectos exteriores do indivíduo), as populações humanas são principalmente diferenciadas pelos seus usos e costumes, que são transmitidos de geração em geração. A espécie humana caracteriza-se então por uma forte dimensão cultural. É por isso que o conceito de etnia é hoje em dia preferido ao conceito de raça .

5.1.11

ORIGEM DOS VERTEBRADOS



Por vezes surgem-me , através de E-mail, perguntas como a que dá título a esta mensagem e a que tento dar resposta o mais simples possível , por isso vejamos o assunto em epígrafe! Como vertebrado consideramos qualquer animal dotado de crânio e de uma espinha dorsal que envolva a corda dorsal ou notocorda e, geralmente, com dois pares de membros. Há sete classes vivas de vertebrados: Agnatha ou ciclóstoma( lampreia e similares) Chondrichthyes, ou peixes cartilaginosos ; Osteichthyes ou peixes osseos; Amphibia ou dos anfíbios; Reptilia ou dos répteis; Aves; e Mammalia ou dos mamíferos,
Como apareceram estes animais no nosso planeta é o que tentaremos explicar , pois muitas foram as teorias que, ao longo dos tempos, tentaram justificar o aparecimento da vida na Terra. Da intervenção divina à teoria evolucionista de Darwin, passando pela geração espontânea, as explicações foram-se sucedendo, com defensores e opositores, mas a verdade de que ninguém tem dúvidas , é a de que os primeiros vertebrados surgiram no meio líquido, há milhões de anos atrás.
A comunidade científica no entanto continua à procura dos antepassados dos vertebrados que se relacionem com os NÃO CORDADOS , como os equinodermes primitivos, ou com CORDADOS PRIMITIVOS como a Ascídia´, cujo esquema larvar aprsentamos a seguir.
Este animal dos nossos dias só apresenta uma corda dorsal na fase larvar, desaparecendo esta quando o animal se modifica no aspecto físico e fica fixo ao substrato. ( ver foto)Mesmo na fase larvar a , corda dorsal é tão simples que só chega a meio do corpo. De qualquer forma esta corda dorsal simples é precursora da coluna vertebral de outras espécies mais evoluídas.
Vejamos então como tudo se terá passado : da Ascídia os seres cordados svoluiram para o Anfioxo que já tem notocorda ao longo de todo o corpo durante as fases larvar e adulta , mas ainda sem vértebras a protegê-la. O Anfioxo pode ser considerado uma forma muito primitiva de peixe cuja fotografia apresentamos a seguir:
Estes protopeixes surgiram e vivem, ainda hoje, em água doce . Curioso é referir que espécies semelhantes aos protopeixes conseguiram chegar aos nossos dias e estamos a referirmo-nos á lampreia que não é classificada como peixe pois embora possua uma corda dorsal desenvolvida não tem mandíbulas , característica própria dos peixes actuais.
No entanto, em rochas com 540 milhões de anos foram já observados fósseis de peixes sem mandíbulas e que, por isso, foram designados por Agnatas . A partir destes evoluíram peixes mandibulados de esqueleto cartilaginoso, como os tubarões e as raias. Nestes peixes cartilaginosos a notocorda é rodeada e limitada por anéis de cartilagem, formando assim já uma coluna vertebral. Destes ,evoluíram por calcificação das cartilagens, os peixes ósseos , com verdadeiras vértebras ,deixando de haver uma noto corda, no seu real sentido.
A partir deste ponto é fácil entender que algumas espécies de peixes ósseos pudessem viver também fora de água, enterrados na lama. Ainda hoje em África existem essas espécies que respiram por guelras na água e pela bexiga natatória fora dela, quando os pântanos secam.
Também se compreende e admite que as barbatanas de alguns destes peixes de dupla respiração evoluíssem para patas , dando outros animais que foram os antepassados dos actuais batráquios (rãs ,sapos etc). Dos batráquios evoluíram os répteis de todas as formas e feitios, com patas ou sem elas, aquáticos , terrestres ou aéreos . com escamas ou com carapaças, todos eles vertebrados com costelas e vértebras . Dos répteis evoluíram dois ramos actuais: os das aves e o dos mamíferos .
Resumindo podemos dizer que os vertebrados (do latim vertebratus, com vértebras) constituem um subfilo de animais cordados, compreendendo os agnatos, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Caracterizam-se pela presença de coluna vertebral segmentada e de crânio que lhes protege o cérebro.
Outras características adicionais são a presença de um sistema muscular geralmente simétrico ( a simetria bilateral é também uma característica dos vertebrados ) e de um sistema nervoso central, formado pelo cérebro e pela medula espinhal localizados dentro da parte central do esqueleto (crânio e coluna vertebral). Julgamos que ,desta maneira simplista , respondemos á questão que nos fora posta.

1.1.11

MÁQUINA QUÂNTICA


Durante o ano de 2010 referi-me várias vezes, na etiqueta Física , ao mundo quântico onde as leis físicas são diferentes das da Física Clássica que regem este nosso mundo de objectos visíveis . Ora em Dezembro do ano que acabou de findar, surgiu a revelação da criação da primeira ligação entre o universo quântico do infinitamente pequeno e o mundo visível , sendo o facto considerado a descoberta mais significativa de 2010,isto segundo a revista norte-americana Science.
A realização de um aparelho quântico, por uma equipa de físicos da Universidade da Califórnia, foi revelada em Março, na revista britânica Nature ,mas só agora foi conhecida pelo comum dos mortais.
Até 2010, todos as máquinas fabricadas pelo homem seguiam as leis da mecânica clássica, mas Andrew Cleland e John Martinis obtiveram um efeito quântico num pedaço de metal suficientemente grosso para ser observado a olho nu, logo fugindo à física clássica . Com a ajuda de um micro circuito eléctrico supercondutor conseguiram que o pedaço de metal vibrasse pouco e, simultaneamente, vibrasse muito ,o que só é possível pelas leis da mecânica quântica , isto é, no mundo do infinitamente pequeno .Embora os físicos não tenham conseguido ter o objecto em dois sítios diferentes ao mesmo tempo, o que seria a lei quântica total , o feito é extraordinário.
Para que se compreenda melhor o valor da experiência ,lembramos de novo que ,até agora, todos os objectos construídos pelo homem se regem pelas leis da mecânica clássica. Ora o grupo de cientistas atrás referido, ao criar um dispositivo visível a olho nu que se move segundo as leis comportamentais das coisas infinitamente pequenas, como moléculas, átomos e partículas sub-atómicas, deu um salto enorme para um mundo que se considerava ficção.
O Site Inovação Tecnológica anunciou o feito, na reportagem Mecânica quântica aplica-se ao movimento de objectos macroscópicos, destacando então que se tratava de uma experiência histórica. A máquina quântica tem uma aparência muito simples: uma pequena haste metálica, semelhante à extremidade de um estilete, fixada de modo a vibrar no interior de um sulco escavado num material semicondutor, considerado tecnicamente como um ressoador mecânico. Os cientistas resfriaram-no até que ele atingisse o estado fundamental de energia, isto é, o estado de menor energia permitida pelas leis da mecânica quântica .
De seguida, injectaram na máquina um único quanta de energia, um fonão, a menor unidade física de vibração mecânica, provocando-lhe o menor grau de excitação possível.
Verificaram então aquilo que era previsto pela mecânica quântica: a máquina vibrava muito e vibrava pouco, ao mesmo tempo, provando que os princípios da mecânica quântica podem ser aplicados ao movimento de objectos macroscópicos, tal como o são às partículas atómicas e sub atómicas. Tudo aconteceu à temperatura de apenas 25 milikelvins e o seu efeito durou apenas alguns nanossegundos, já que ele é afectado pelas mais ínfimas influências do mundo macroscópico ao seu redor.

Tal controlo sobre o movimento deste dispositivo, cuja fita metálica media 60 micrómetros,logo visível a olho nu, deverá permitir aos cientistas manipularem esses movimentos minúsculos, de forma parecida com o que eles fazem hoje ao manipular as correntes eléctricas e as partículas de luz.
A experiência abrirá o caminho para que se discutam as fronteiras da mecânica quântica e da mecânica clássica e até mesmo o nosso próprio sentido do que é a realidade.
Se a mecânica quântica permite que uma partícula atómica esteja em dois lugares ao mesmo tempo, por que não admitir que algo grande , formado por moléculas, não poderia conseguir o mesmo feito ? Por que não pensar que esse algo grande poderia ser um homem ? Teríamos então o teletransporte da série televisiva Guerra das Estrelas.
Só sabemos com exactidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida (GOETHE)

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