29.9.10

CERVEJA E DIURESE


Embora o título desta mensagem pareça despropositado, a ideia é alertar para o abuso desta bebida, sem as devidas precauções.
Comecemos por dizer que diurese é a produção de grande quantidade de urina e que pode haver várias razões para que tal venha a acontecer . Uma delas é a ingestão de cerveja e daí se dizer que a cerveja é diurética. No fundo, tudo está no funcionamento dos rins que fabricam urina com a finalidade de regular a concentração de minerais no sangue e de limpar, dessa forma, o organismo de compostos inúteis. Com esta frase até parece que me estou a contradizer . Recordemos que a urina é composta aproximadamente por 95% de água e 2 % de ureia. Nos 3% restantes, podemos encontrar fosfatos, sulfatos, amónia, magnésio, cálcio, ácido úrico, creatinina, sódio, potássio e outros elementos.
Como estas substâncias não são inertes ou inofensivas em maiores percentagens que o normal, é necessário uma maior quantidade de água para serem diluídas e retiradas do sangue .
Voltando ao assunto do título da mensagem, a cerveja tem grande quantidade daquelas substâncias tais como açúcares, proteínas , iões e outras moléculas, resultantes da fermentação do lúpulo logo os rins necessitam de maior número de moléculas de água para as diluir e excretar, indo buscar essa água ao organismo. Tal facto pode provocar desidratação e desequilíbrio percentual a nível de outros minerais que são necessários ao metabolismo celular. Este é o primeiro alerta que deixo.
Para se ter uma ideia do que afirmei ,direi que, se bebermos um litro de água os rins fabricam 385 ml de urina, mas se bebermos um litro de cerveja eles fabricam 1012 ml de urina, quase três vezes mais.
Mas há mais ! Um consumo exagerado de cerveja, porque tem álcool, provoca forte desidratação e diminuição de água no tecido cerebral com as consequências que são por demais conhecidas a curto e longo prazo. Desta feita o ideal seria que, após uma noite de copos de cerveja, se bebesse bastante água natural. Mas quem se lembra ou consegue fazer tal coisa ?
Afinal devemos ou não beber cerveja ? A resposta ,como para tudo, é moderação. A cerveja é, sem dúvida, uma bebida saudável e que faz parte da dieta do Homem desde tempos ancestrais. Foi muitas vezes olhada como uma bebida dos pobres e inferior ao vinho, mas tem vindo a crescer não só em termos de qualidade como também de consumo. É hoje bem nítido que as cervejas não são apenas boas para beber, como também fazem bem à nossa saúde, desde que consumidas moderada e regularmente, isto é, não mais de duas garrafas " mini" por dia. Há muita publicidade que se refere aos benefícios do vinho na saúde, levando a que as pessoas considerem que apenas esta bebida nos trará bem-estar. Todavia a cerveja, tal como o vinho, contem um grande número de componentes, entre os quais antioxidantes e vitaminas.
Para os meus leitores que querem uma explicação mais alargada de como se dá a filtragem das substâncias nocivas nos rins aqui vai um pequeno resumo que suponho seja suficiente. Cada rim contém cerca de um milhão de unidades encarregadas da filtragem (nefrónios). Um nefrónio é constituído por uma estrutura redonda e oca (cápsula de Bowman), que contém uma rede de vasos sanguíneos (o glomérulo).
O sangue penetra no glomérulo com uma pressão elevada. Por tal facto, grande parte da fracção líquida do sangue é filtrada através de pequenos poros situados nas paredes dos vasos sanguíneos do glomérulo e também pela camada interna da cápsula de Bowman; as células sanguíneas e as moléculas maiores, como as proteínas, não são filtradas. O líquido filtrado, já depurado, penetra no espaço de Bowman (a zona que se encontra entre as camadas interna e externa da cápsula de Bowman) e passa pelo tubo que sai da mesma. Na primeira parte do tubo (tubo proximal), absorvem-se a maior parte do sódio, água, glicose e outras substâncias filtradas, as quais, posteriormente, voltam a integrar o sangue. . A parte seguinte do nefrónio é a ansa de Henle. À medida que o líquido passa através da ansa, o sódio e vários outros electrólitos são bombeados para o interior do rim e o restante fica cada vez mais diluído. Este líquido diluído passa para a parte seguinte do nefrónio (o tubo distal), onde se bombeia mais sódio para dentro, em troca de potássio, que passa para o interior do tubo.
O líquido proveniente de vários nefrónios passa para o interior do chamado tubo colector. Nos tubos colectores, o líquido pode seguir através do rim sob a forma de urina diluída, ou a água desta pode ser absorvida e devolvida ao sangue, fazendo com que a urina seja mais concentrada. Mediante as hormonas que influem na função renal, o organismo controla a concentração de urina segundo as suas necessidades de água.
A urina formada nos rins flui pelos ureteres para o interior da bexiga, onde é armazenada até sair para o exterior.
Depois de tudo isto, beba cerveja , mas com moderação e não esqueça de um copo de água ao deitar para repor a água perdida por diurese.

24.9.10

MIGRAÇÕES

Vou hoje abordar um tema que tem despertado a curiosidade de muitos biólogos e outros cientistas já que o seu conhecimento perfeito pode vir a reverter em benefício humano. Estou a falar das migrações animais e de como eles se orientam nessas deslocações.
Por definição, geralmente aceite por todos, chamam-se migrações animais às deslocações realizadas, periodicamente ou não, em limites de espaço e tempo significativos em relação ao tamanho e à duração da vida da espécie e que não sejam para a busca diária de alimento Alguns autores só reconhecem ser migração quando nela existe periodicidade regular, como, por exemplo, quando ocorre todos os anos. São aceites como migrações, deslocações sazonais determinadas pela modificação das condições alimentares ou climáticas, servindo como exemplo os deslocamentos de alguns animais que habitam regiões descampadas e que se refugiam na floresta, ao surgir o frio do Outono, procurando um estrato de vegetação semelhante àquele em que normalmente vivem. Também há migrações ligadas à reprodução. Peixes marinhos, como o arenque, procuram águas menos profundas, nas proximidades da costa, para a postura. Focas, pinguins e tartarugas marinhas buscam terra firme e aí permanecem durante o período de reprodução, voltando depois ao habitat marinho. Nas migrações entre mar e rios, distinguem-se as espécies que sobem a corrente e outras que a descem. Podem-se observar migrações com periodicidade inferior a um ano, como as de muitas espécies de gafanhotos das regiões quentes, que formam enxames migradores, mais ou menos regularmente. As migrações características de muitas aves, cobrindo grandes distâncias estão ligadas à alimentação e coincidem com certa estação do ano. Vejamos algumas migrações mais em pormenor :
Migrações dos peixes. Os peixes migradores enquadram-se em duas categorias: os que se deslocam sem mudar de ambiente, como o arenque, a anchova e o bacalhau e os que alternadamente se deslocam da água doce para a salgada e vice-versa, como as enguias e robalos. Os salmões do Atlântico abandonam as águas do mar e procuram os rios para desovar subindo em direcção à nascente, onde se dá a postura, a fecundação e o nascimento de novos salmões. Estes, ao atingirem certo grau de desenvolvimento, descem o rio em direcção ao mar, enquanto os adultos permanecem nas cabeceiras dos rios, onde morrem devido ao esforço da subida e da fecundação. Um facto singular é que os salmões migram em direcção ao rio onde nasceram e não a outro qualquer. Acredita-se que, ao aproximarem-se do litoral são atraídos quimicamente pelas partículas dissolvidas nas águas do rio onde nasceram. As enguias comportam-se de maneira oposta: vivem nas águas salobras ou doces da Europa e de África, que em certo momento abandonam em busca do mar do Sargaço. Essa migração abrange a maior parte da vida larvar deste animal.
Aves. As aves são os mais conhecidos viajantes do reino animal, embora nem sempre visíveis, pois em geral se deslocam durante a noite. Com o estudo sistemático das migrações das aves, que inclui o registo dos locais de partida e pouso, descobriu-se que, por exemplo, todos os Outonos bandos de tarambolas-douradas (Charadrius pluvialis) se reúnem no litoral do Alasca, vindas das tundras dessa região. Sobrevoam o estreito de Bering e as Aleutas, e dirigem-se então para o Hawai , a mais de dois mil quilómetros ao sul. Também poderíamos citar , em Portugal ,o caso das andorinhas que chegam ao nosso país na Primavera vindas de África e que a este continente retornam no Outono. Ao voo das andorinhas pode-se comparar o das borboletas Danais plexippus, que surgem na primavera, no norte dos Estados Unidos e sul do Canadá, onde se reproduzem. No Outono, reúnem-se em grandes bandos que emigram para o sul e passam o inverno nos Estados Unidos, perto do golfo do México. A explicação destas migrações não é consensual . Alguns especialistas acreditam que ela se deve directa ou indirectamente a uma razão alimentar. Outros argumentam, porém, que não se pode atribuir a migração a um único factor, seja ele a alimentação, a redução do número das horas de luz no dia etc. Mais provável é a existência de uma combinação de factores externos (como alimentação e temperatura) e internos (como os ritmos de metabolismo) que em conjunto determinariam a força migradora. É que mudanças hormonais são observáveis nesses períodos e a inquietação migradora dá-se mesmo em animais em cativeiro, bem protegidos e alimentados. Peixes de aquário comportam-se de modo semelhante. Por manipulação fotoperiódica é possível mesmo induzir a inquietação nesses peixes Mas como explicar o sentido de orientação dos animais que leva a que, como é caso das andorinhas, voltem a Portugal e aos ninhos onde nasceram ?
Para fazerem a viagem de ida e volta orientam-se pelo Sol, pelas estrelas e pelo campo magnético terrestre, como parecem mostrar as descobertas dos ornitólogos de Marquenterre que coincidem com descobertas de cientistas da Max-Planck-Gesellschaf (Sociedade Max Planck para a Promoção das Ciências), um instituto de pesquisa alemão, e do Instituto Ornitológico de Sempach, na Suíça.
Já que estamos a falar de orientação animal analisemos alguns exemplos mesmo que não ligados a migrações, no verdadeiro sentido da palavra.
Vejamos o caso dos pombos correios que largados a milhares de quilómetros voltam ao pombal onde nasceram ; Os cientistas da Nova Zelândia revelaram que os pombos correio têm minúsculas partículas de ferro no bico superior que funcionam como as agulhas de uma bússola. “Essas partículas, que poderíamos comparar a agulhas, giram e indicam a direcção do norte” magnético terrestre, explica Cordula Mora, coordenadora da pesquisa. Este facto dos pombos serem orientados pelo campo magnético terrestre já tinha sido sugerido por outros investigadores mas nunca comprovado. O mesmo se deverá passar com as andorinhas, a que alguns cientistas acrescentam o sol.
Passemos agora ao bem estudado processo de orientação das abelhas. que é baseado principalmente tendo o sol como referência.
Para retornar à colmeia, por exemplo, aprendem a situar a posição desta em relação ao sol, registando uma posição de que jamais se esquecem, mesmo nos dias nublados e encobertos, graças à sua sensibilidade em captar a radiação ultravioleta emitida pelo sol. Trata-se de uma espécie de memória geográfica.
As abelhas utilizam o mesmo sistema de orientação para guiar as suas companheiras em relação às fontes de alimento recém-descobertas.
Neste caso, quando querem informar sobre a localização e fontes de alimentos, as abelhas transmitem a informação por meio de um sistema de dança. Quando a fonte de alimento está situada a menos de cem metros da colmeia, a abelha executa uma dança em círculo e, quando a fonte de alimento está localizada a mais de cem metros, a dança é em oito. Nas duas situações ela indica a direcção da fonte de alimento pelo ângulo da dança, em relação à posição do sol ,naquele momento.
Outro animal com sentido de orientação desenvolvido é o cão Embora nem todos os cães sejam pombos-correios de quatro patas, a verdade é que eles possuem um sexto sentido que lhes permite encontrar o caminho para casa, de onde quer que se encontrem. A Ciência explica isto como sendo um comportamento instintivo, que se baseia em referências visuais , na posição do sol e das estrelas e odores característicos transportados por ventos. Histórias verídicas, relatam odisseias incríveis de animais que percorrem distancias enormes para regressar a casa. Por vezes parece mesmo que os animais possuíam um sexto sentido especial, um super-poder animal, que escapa a qualquer explicação .
Mais estranho ainda é a orientação das formigas. A descoberta é de uma equipa de investigadores do Instituto Max Planck em Jena, na Alemanha, que estudou e treinou formigas Cataglyphis no deserto da Tunísia para perceber a sua estratégia de orientação naquela paisagem desolada. O artigo foi publicado na Frontiers in Zoology.
As formigas têm visão, mas acima de tudo cheiram, através das antenas. E por causa disso conseguem produzir um sofisticado mapa de odores do local onde se encontram para regressarem direitinhas ao ninho. Se assim não fosse, as formigas do deserto da espécie Cataglyphis fortis perder-se-iam irremediavelmente.
Os investigadores identificaram por cromatografia as assinaturas químicas dos odores que as formigas utilizam para se orientarem de regresso ao ninho, através do deserto - cada micro-habitat tem uma assinatura específica que as formigas conseguem reconhecer. Esta explicação é diferente da que é dada para as formigas que assolam as nossas casas e que vão e voltam por um mesmo carreiro. Neste caso para não perder o caminho, quando a formiga sai do formigueiro para procurar comida, ela arrasta o seu abdomen no chão deixando um rastro de uma substancia chamada de ácido fórmico, que marca o caminho de ida e volta entre a comida e o formigueiro, assim todas as formigas seguem esse caminho. Se passar o dedo no meio desse caminho limpando esse rasto de ácido fórmico as formigas ficam desorientadas e andam em círculos cada vez mais largos até achar de novo a marca química, isto é,o caminho de volta.
Já que estamos a falar de invertebrados analisemos o caso das lagostas : O campo magnético da terra é uma fonte difusa de informações direccionais utilizadas por diversos animais marinhos. Experiências comportamentais com lagostas, revelaram que têm uma orientação magnética que lhes permite adquirir um “ mapa magnético” das zonas onde vivem e determinar a sua posição em relação a objectivos específicos, embora sejam mal conhecidos os mecanismos neurais que estão por detrás da orientação magnética . Um sistema de modelo promissor é o da Tritonia que possui uma bússola magnética num relativamente simples sistema nervoso. Seis neurónios no cérebro de T. diomedea foram identificado por responder às alterações dos campos magnéticos.
Quanto mais estudamos o mundo animal mais admirados ficamos com as capacidades que os animais possuem para utilizarem a natureza em seu proveito e que o homem possivelmente perdeu durante a sua longa evolução.




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15.9.10

FALANDO DE GRAVIDADE




Nos meus verdes anos do Liceu, a força da gravidade que atraía dois corpos na razão directa das suas massas e na inversa do quadrado da distância, era um facto não questionável, mas agora fico perplexo quando vejo escrito que a força que faz cair um objecto para a terra talvez não exista e seja uma ilusão.
Vejamos a questão : A Teoria Universal da Gravidade publicada em 1687, por Isac Newton, dizia que qualquer corpo material é um centro de gravidade que submete os outros corpos a uma força para ele dirigida . A intensidade desta força era definida pela massa do corpo e pela distância entre eles , como referi de início. Tudo bem, mas muitas questões se levantaram desde o tempo de Newton e a principal é não se saber qual o suporte físico que permite a essa força ir de um corpo a outro, nem como ela actua instantaneamente qualquer que seja a distância entre os corpos . As dificuldades levantadas pela teoria de Newton pareceram ficar resolvidas por Einstein, em 1916 , quando afirmou que toda e qualquer matéria deforma a malha espaço-tempo, um pouco à maneira de um peso que afunda um pano sobre o qual é colocado. A força da gravidade confundir-se-ia com a deformação espaço-tempo que obriga os corpos que o atravessam, a uma modificação na sua trajectória .
Pois é, mas os físicos rapidamente se deram conta que esta nova teoria não era compatível com a mecânica quântica já que a teoria da relatividade geral de Einstein não é aplicável ao que se passa com fenómenos de gravidade no mundo do infinitamente pequeno, isto é, no mundo quântico.
Em 1980 surgiu a teoria das cordas que permitia integrar a teoria da relatividade com a mecânica quântica . A teoria das cordas postula que as partículas transportadoras da força da gravidade resultam de vibrações de minúsculas cordas num espaço-tempo particularmente deformado. Seria por troca destas partículas que os corpos se atraíam mutuamente. De acordo com a teoria das cordas, os componentes elementares do universo não são partículas em forma de ponto, mas sim mínimos filamentos unidimensionais que vibram sem cessar.
Estas cordas seriam agentes ultramicroscópicos que formam as partículas que, por sua vez, compõem os átomos. Estes agentes (cordas) são tão pequenas — elas têm em média o comprimento da distância de Planck ( cem biliões de biliões de vezes menor que o núcleo de um átomo)— que parecem ser pontos, mesmo quando observadas com os nossos melhores instrumentos.

Sim , tudo bem , mas o problema é que experimentalmente ainda não foi detectada a existência de cordas , portanto, será que existem ?
Também me afirmaram que a velocidade de propagação da gravidade é igual à velocidade da luz e eu até aceito que seja verdade, mas não me souberam elucidar da razão pela qual ,num buraco negro, nem a luz de lá sai tal é a força da gravidade.
Será a gravidade um fenómeno emergente e não uma força fundamental, tal como a pressão de um gás é uma força emergente, resultante do movimento de átomos em todas as direcções dependendo da temperatura e do volume a que o gás é sujeito ?
Chegados a este ponto e porque os cientistas dos diversos ramos da física não se entendem , o melhor é apenas saber que tudo o que sobe acaba por cair e que o lixo tecnológico que orbita o nosso planeta nos pode cair na cabeça , temor que o Obelix e o Asterix da BD já tinham ,quando pensavam que um dia o céu lhes caía em cima .

11.9.10

A GUERRA DO LÍTIO

As guerras com invasão de outro país têm diversas razões, entre as quais a conquista de recursos naturais. Foi assim com a Alemanha de Hitler que invadiu os países vizinhos com a desculpa da falta de espaço vital e, séculos antes,com os espanhois em relação aos Maias e Incas em busca de ouro fácil. Da mesma forma, a Rússia ocupou os seus vizinhos formando a URSS, tendo em vista as riquezas mineiras de carvão, ferro petróleo e gás natural, entre outras. Recentemente, no Iraque, foi o “ouro negro”,isto é, o petróleo que levou EUA e Inglaterra a intrometerem-se.
Há meses, o New York Times publicou uma reportagem que permite desvendar as razões da invasão e da ocupação do Afeganistão, nada menos que reservas minerais. Nessa reportagem o jornal colocava “panos quentes” nessa invasão e fingia acreditar que as imensas reservas minerais do Afeganistão só foram descobertas posteriormente e “por acaso”, mesmo quando é do domínio público que a identificação preliminar de jazidas desses recursos naturais pode, desde há muito, ser feita por satélites. Dizia o jornal que : os antes desconhecidos depósitos de ferro, cobre, cobalto, ouro e metais críticos para a indústria, como o lítio, são tão grandes que o Afeganistão poderá, no futuro, transformar-se num dos mais importantes centros de mineração do planeta (…) As imensas riquezas minerais do Afeganistão foram descobertas por uma pequena equipa de funcionários do Pentágono e geólogos norte-americanos. Seria assim, ou os USA há muito já o sabiam ? Entre as descobertas encontra-se, também, nióbio, um metal essencial para a produção de super-condutores, além de outros minerais raros. As reservas de lítio são equivalentes ou maiores do que as da Bolívia, até recentemente as maiores conhecidas no mundo. O curioso é que os soviéticos já sabiam dessas minas e fizeram um mapeamento durante o período em que as suas tropas ocuparam o Afeganistão, nos anos 80. Façamos uma pausa nesta análise político –económica e vejamos o que é e para que serve o lítio.
A Wikipedia diz-nos que o lítio é um elemento químico de símbolo Li, número atómico 3 e massa atómica 7 contendo na sua estrutura três protões e três electrões. Na sua forma pura, é um metal macio, de coloração branco-prateada, que se oxida rapidamente no ar ou na água. É um elemento sólido e leve, sendo usado especialmente na produção de ligas metálicas condutoras de calor, em baterias eléctricas e, seus sais, no tratamento da doença bipolar ( neurologia).

Devido ao seu elevado calor específico, o maior de todos os sólidos, é usado em aplicações de transferência de calor e, por causa do seu elevado potencial electroquímico é usado como um ânodo adequado para as baterias eléctricas. Além destes tem outros usos:
Os
sais de lítio, particularmente o carbonato de lítio e o citrato de lítio são usados no tratamento da depressão bipolar, ainda que, ultimamente, se tenha estendido seu uso ao tratamento da depressão unipolar.
O
cloreto de lítio e o brometo de lítio possuem uma elevada higroscopicidade, por isso são excelentes secantes. O segundo é utilizado em bombas de calor de absorção
O
estearato de lítio é um lubrificante geralmente aplicado em condições de alta temperatura.
A base hidróxido de lítio é usada nas naves espaciais e submarinos para depurar o ar, extraindo o dióxido de carbono produzido pelos seus ocupantes.
O lítio é um componente comum nas ligas metálicas de alumínio, cádmio, cobre e manganês, utilizados na construção aeronáutica, e está sendo empregado com êxito na fabricação de cerâmicas e lentes, como a do telescópio Hale de 5,0 metros de diâmetro de "Monte Palomar".
Também tem aplicações nucleares. e é usado como poderoso analgésico em operações de risco. Desde a Segunda Guerra Mundial, a produção de lítio aumentou enormemente, sendo obtido de fontes de água mineral, águas salgadas e das rochas que o contêm, sempre por electrólise.
Considerando a escassez de petróleo, as fábricas de automóveis estão-se virando para carros totalmente eléctricos com baterias de lítio. Vejamos uma noticia da Reuters
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008 - 14h28
CHICAGO - Com o objectivo de produzir em série baterias de lítio para automóveis, 14 companhias americanas especializadas em baterias e em materiais avançados criaram uma aliança com um laboratório do governo.
O grupo, que inclui gigantes como a 3M e a Johnson Controls-Saft, receberá cerca de 2 biliões de dólares do governo dos EUA durante os próximos cinco anos para construírem uma fábrica e aperfeiçoarem as baterias de lítio para serem utilizadas em carros. É um importante acordo para o país e para o laboratório”, disse Mark Peters, responsável pelas pesquisas a respeito de baterias do Laboratório Nacional de Argonne, próximo de Chicago.
A China, o Japão e a Coreia do Sul são os actuais líderes no desenvolvimento de baterias de lítio. Os automóveis híbridos mais vendidos, como o Prius, da Toyota, usam baterias de hidrato de níquel. As baterias de lítio são consideradas o próximo salto tecnológico em direcção aos veículos que funcionam com electricidade, que poderão ser carregados de forma parecida com a que é feita em computadores.
Depois de tudo isto não é preciso dizer mais e se acrescentarmos que o lítio é um metal escasso na crosta terrestre, encontrado disperso em certas rochas e nunca no estado puro ,se perceberá o início do nosso texto

1.9.10

RADIODIFUSÃO COMO ARMA DE GUERRA (2ª PARTE)

Em 6/5/2009, publiquei , na etiqueta de cultura geral um artigo intitulado A RADIODIFUSÃO COMO ARMA DE GUERRA. Vou tentar complementar esse artigo socorrendo-me de várias opiniões que ,com a devida vénia, adaptei. Nesta adaptação tive o cuidado de não alterar as ideias-chave dos respectivos autores.
Diz Carlos Azevedo jornalista e professor da Universidade de Paraíba que…a primeira vítima de uma guerra é a verdade. Em época de conflitos bélicos mundiais, tal afirmação aplica-se muito bem a qualquer meio de comunicação social. A guerra empreendida pelos Estados Unidos contra o Afeganistão, baseada na luta contra o terrorismo, volta a mostar como os meios de comunicação tentam influenciar a opinião pública mundial.
Também no livro Estratégias de Comunicação (Lisboa, 1990), o professor Adriano Duarte Rodrigues da Faculdade de Ciências da Comunicação, da Universidade Nova de Lisboa, nos diz que a comunicação é peça fundamental para as guerras, não sendo de admirar que a fotografia, o cinema, o megafone, a telefonia e a televisão tenham sido logo associados, desde os primeiros tempos, ao campo militar. Em alguns casos, os instrumentos de comunicação são inventados primeiro com fins militares e só depois são explorados comercialmente pelos civis. Mesmo no caso do cinema, que surgiu inicialmente como arte civil, no começo do Século 20 como um divertimento sem maiores pretensões, após o seu desenvolvimento industrial, passou a instrumento de propaganda ideológica, quer para o imperialismo norte-americano quer para o regime nacional-socialista de Adolf Hitler que com os seus discursos racistas e inflamados incitava à união da raça “superior” para dominar o mundo.
A própria internet foi, inicialmente, fruto da engenharia militar. Nascida nos Estados Unidos em 1969, o seu nome original era ARPA (Advanced Research Projects Agency), um produto da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética e a sua função era articular os centros de defesa em caso de um ataque soviético. A segunda fase da tecnologia de comunicação digital foi universitária, quando ela foi popularizada nos Centros de Ensino Superior. Com o desenvolvimento da interface gráfica da WWW (World Wide Web), a internet foi simplificada com o uso de ícones que facilitaram a utilização por um público leigo. Hoje ela está na terceira fase, a comercial
A televisão foi um meio que influenciou muito a população civil norte-americana durante a guerra do Vietname , na década de 60. A exibição dos combates e da crueldade dos próprios militares americanos para com os vietnamitas mudou radicalmente a relação que a opinião pública americana tinha com aquele conflito. Protestos internos foram responsáveis pela retirada dos militares da guerra do Vietname. Aprendida essa lição, agora os norte-americanos antes de começar qualquer conflito bélico promovem uma clara censura aos meios de comunicação, principalmente à TV. Isso ocorreu na Guerra do Golfo(1990-91) contra o Iraque. As imagens dos bombardeios eram nocturnas, reduzidas à apenas clarões numa tela esverdeada. Além disso, o discurso da rede mundial da CNN dizia que com a precisão cirúrgica das bombas guiadas por computadores e sinais de rádio, as baixas civis eram reduzidas. Tratava-se de uma guerra “limpa” segundo a ideologia difundida pelos americanos. No entanto, a realidade foi bem diferente.”.
. Harold Lasswel (1902-1978), escreveu, em 1927, Técnica de propaganda na guerra Mundial, . Promovendo uma sábia dosagem de desinformação, informação e censura, os americanos criaram o conceito de guerra psicológica, no qual o inimigo (comunistas, terroristas, nacionalistas) são alvo de uma propaganda política difamatória. As agressões não se dirigem agora apenas ao corpo mas também à alma, ao espírito, ao ego dos adversários. É nesse contexto que o governo dos EUA criam, em 1933, a chamada rádio Voz da América, para difundir ideologias, quebrando fronteiras. A União Soviética e a China também souberam utilizar muito bem a guerra psicológica, através de campanhas contra o imperialismo dos EUA e estimulando os países colonizados a aderirem ao socialismo, reforçando o bloco oriental. Assim se instala no mundo a técnica da difusão de ideologias diversas através dos meios de comunicação rádio, numa tentativa de convencimento. Com o fim da guerra fria e a dissolução da utopia do socialismo internacionalista, o mundo aparentemente encontrava-se em relativa paz. Engano, puro engano. O pensador Armand Mattelart atesta: a ausência desde o fim da guerra fria, dum adversário global claramente “identificável” para os Estados Unidos ,criou a ideia nos americanos que o inimigo não era mais um país, um estado-nação . O inimigo agora é invisível, e move-se em redes subterrâneas que ligam máfias, radicalismos religiosos e interesses econômicos. É o que Mattelart chama de “novas frentes mundiais de desordem” forças que se movem no “imundus” e desafiam o “mundus”. Uma luta entre a ordem capitalista e suas próprias entranhas, estranhas entranhas.
Ao bombardearem o Afeganistão, os Estados Unidos querem acalmar a opinião pública interna, com frases de efeito, dizendo “calma, já temos o controlo da situação, já identificamos o inimigo”. A guerra, seria preferível chamar de massacre, contra o Afeganistão tem os mesmos princípios consagrados pelos teóricos da propaganda de guerra. Como o que foi feito na Guerra do Golfo (90-91), primeiro o campo de batalha é cercado e a imprensa afastada do local. Nada de imagens iniciais sobre o massacre. No máximo, assépticas imagens geradas por cameras nocturnas de alta tecnologia mostrando os mísseis teleguiados por computador e rádio, atingindo alvos cirurgicamente escolhidos Fechado o cenário de combates e promovida a censura aos meios de comunicação é hora de se manipular a opinião pública em tempos de guerra. São encomendadas pesquisas apoiando a iniciativa de guerra contra o inimigo agora palpável, o Afeganistão, país pobre, sem a menor condição de resistência ao poderio tecno-militar global dos EUA. A repetição das imagens do avião chocando contra as torres gémeas do WTC é exaustiva, talvez a cena mais vista do planeta. O mercado mundial de imagens é manipulado para se costurar a necessidade de guerra, expondo a necessidade de se ter um crescendo global contra o terrorismo, onde apenas existe um culpado que deve ser caçado, o milionário Osama bin Laden. Retoma-se também as polaridades entre oriente e ocidente, islamismo e cristianismo, fé e razão entre outras. A guerra psicológica também chega á frente de batalha: milhares de rádios são distribuídos, lançados pelos aviões para que a população possa ouvir as mensagens transmitidas pelo inimigo. Panfletos conclamando a rendição, redigidos na língua dos habitantes do Afeganistão são atirados do céu, bem como bombas e alimentos.
Segundo Sarmento Santos alguns pesquisadores e estudiosos do assunto ressaltam que na Rússia do início do século XX, a visão de Vladimir Lenine era a de que a rádio tinha o potencial para não apenas alcançar a audiência doméstica , mas também para atingir vastas possibilidades internacionais e valor "revolucionário". Lenine alertou o seu sucessor Joseph Stalin para ampliar a pesquisa sobre a rádio quando escreveu : "Eu penso que sob o ponto de vista da propaganda e agitação, especialmente para aqueles que são iletrados, é absolutamente necessário para nós levar este plano adiante". Os Russos foram os primeiros a estabelecer um sistema de rádio difusão internacional patrocinado pelo governo, de forma continua e extensiva, o qual se revelou um sistema de longo alcance e, por isso, desenvolvido como um meio de obter significativos ganhos políticos e económicos.
Alguns historiadores apontam o ano de 1927 como o marco do nascimento da propaganda pela rádio. A Grã Bretanha seguiu os passos da Rússia e da Alemanha, quando também descobriu o uso das ondas de rádio como "o perfeito meio de comunicação com suas colónias e possessões nos hemisférios ocidentais e orientais do mundo.
Nos anos que se seguiram, a Holanda e a França também iniciaram transmissões regulares para suas colónias
As transmissões de rádio difusão internacional transformaram-se em armas de efeito considerável em influenciar as mentes dos ouvintes.
Quando Adolf Hitler se tornou Chanceler do Governo Nacional Socialista da Alemanha, ele abraçou o uso da rádio difusão como o instrumento chefe de propaganda política e reorganizou a estrutura de emissões até então domésticas para incluir emissões internacionais. Nos fins de 1935, a Alemanha havia transmitido programas regulares para a Ásia, África, América do Sul e América do Norte, em alemão, inglês, espanhol, português e holandês.

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