26.7.10

VULCANISMO na ISLÂNDIA

Já noutro local deste blogue se falou de vulcões e de como eles se encontram distribuídos pela superfície da Terra, associados aos limites das placas litosféricas, numa simples abordagem da Tectónica de Placas. Contudo alguns vulcões não estão associados aos limites de placas, sendo designados por de intra-placa , como é o caso dos vulcões havaianos no interior da Placa Pacífica e que são alimentados por um ponto quente ou hot spot.
O que hoje vamos referir é o vulcanismo da Islândia que, há meses, tantos problemas criou à navegação aérea de todo o mundo , pelas cinzas que lançou a grande altura. A Islândia é uma ilha toda ela constituída por planaltos de lava expelida através de crateras fissurais e umas poucas crateras clássicas de forma circular. O complexo vulcânico da Islândia tem cerca de 100.000 quilómetros quadrados e a rocha predominante é o basalto.
Em virtude da sua posição relativamente à Dorsal Atlântica, a Islândia está em expansão territorial , devido ao constante crescimento dos fundos oceânicos para um lado e outro da crista .(rever o tema tectónica de placas na etiqueta Geologia). Pelo que dissemos, as rochas mais antigas com cerca de 15 milhões de anos situam-se nas zonas extremas ocidental e oriental que não têm actividade vulcânica. A actividade actual limita-se á parte central da ilha que está situada sobre a crista média atlântica. Como consequência desta emissão vulcânica, tipo explosivo de cinzas vulcânicas, foram dias de espera nos aeroportos. O caos ficou instalado no Norte da Europa e afectou o resto do continente. Este foi o cenário mais visível ou mediático como consequência da erupção do vulcão do glaciar Eyjafjllajokull, no Sul da Islândia. No entanto, a actividade do vulcão poderá ter afectado também a saúde pública dos islandeses e também de populações de mais longe e trazer perigos geológicos.A cinza criada pela erupção do vulcão islandês é muito densa. Segundo Teresa Ferreira, investigadora do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) da Universidade dos Açores, ainda é muito cedo para saber as reais consequências. “Tudo aquilo que se possa dizer é muito especulativo, porque o vulcão pode mudar de características – dependendo da duração da erupção e da sua intensidade”. Embora a actividade seja num local pouco povoado, as cinzas depositam-se em áreas de cultivo o que levou à evacuação da população local. “A inalação de enxofre é muito prejudicial para a saúde pública” .Ainda em termos locais, "o degelo do glaciar leva ao aumento dos caudais nos rios" e, consequentemente, a "danos nas pontes". Esta é “uma erupção subglaciar com características hidrovulcânicas e a sua maior explosividade resulta da erupção do magma quente com a água – o que leva à fusão do gelo do glaciar”. A página do CVARG sublinha que nas regiões vulcânicas activas, os gases dissolvidos no magma libertam-se para a atmosfera quer durante as erupções, quer em períodos de repouso como aqueles que se vivem actualmente nos Açores. Os gases libertam-se à superfície em locais bem definidos como, por exemplo, ao nível das plumas eruptivas, lagos ácidos, lagos de lava, fumarolas e nascentes, ou de um modo difuso, imperceptível e contínuo, através dos solos e de nascentes de água termal ou fria gaseificada.

Um especialista islandês garante que a erupção do vulcão da Islândia terá parado, sendo que, actualmente, a cratera expele apenas vapor de água, representado pelo fumo. Ainda assim, a declaração não é unânime, com alguns peritos a alertar que é necessário esperar mais algum tempo para ter a certeza do fim da actividade do vulcão.
De acordo com o vulcanólogo João Luís Gaspar, em declarações à TSF, ainda é cedo para se garantir que o vulcão voltou a adormecer, apesar de, «, o tremor vulcânico que se fazia sentir na zona ter baixado progressiva e significativamente, assim como o índice de explosividade e as nuvens que se vêem a partir da cratera serem essencialmente constituídas por vapor de água».
«Saber se este é o fim ou não da erupção vai obrigar a que aguardemos mais alguns dias»,
considerou o vulcanólogo português quando deu a referida entrevista «Lembro que este aparelho vulcânico já entrou em actividade há algum tempo, a sua actividade decresceu, pensou-se mesmo que tinha terminado, mas depois começou com mais violência», alertou ainda o especialista.


Em tempo geológico , a acalmia que se regista até hoje nada significa, e como a dinâmica interna do nosso planeta continua, tudo pode acontecer de um momento para o outro.

Terminamos com um mapa da crista média atlântica onde se regista a localização da Islândia.

19.7.10

FILOSOFANDO sobre Física


Passeando distraidamente o olhar pelos expositores de uma livraria deparei-me com um pequeno livro de capa ao gosto oriental cujo título era : SEXO QUANTICO. Quântico ???Será que li bem ? Estava certo, era sexo quântico! Que coisa estranha esta de misturar sexo com Física sub-atómica. Eu sei que fui educado no pensamento ocidental, marcado por uma predominância racional, em oposição ao modo de pensar oriental que tem por base o misticismo , mas falar em sexo sub-atómico era demais . Reconheço não ser de admirar que depois de ter sido editado o livro “Tao da Física”, de Fritjof Capra, tenham surgido conceitos um tanto obscuros como “cura quântica”, “consciência quântica”, e agora este “sexo quântico”, entre outros . No Tau da Física, Capra compara a dança de Shiva – deus hindu que personifica as mutações do Universo – com os movimentos das partículas sub-atómicas descritas pela mecânica quântica e até a dualidade física onda-partícula da luz ,acaba por se transformar na unidade Ying/Yang das religiões orientais. Por causa do referido livro, grande parte das filosofias e misticismos orientais, bem como a parapsicologia e a arte de curandeiro foram apresentadas e pregadas como verdades pelos seus praticantes.
Por que teria o fisico Capra escrito o tal livro ? Tudo terá acontecido num verão de 1969, quando ele estava sentado em frente ao mar, numa praia da Califórnia, observando as ondas e reflectindo sobre os vários movimentos rítmicos da natureza, tais como as ondas, as batidas do coração e o ritmo da respiração, associando-os à "estrutura" física da matéria que, como sabemos, é composta por átomos em constante vibração. A formação e o ensino de tantos anos em Física, juntamente com o ambiente da praia em que estava, acabou por fazer Capra idealizar coisas que estão fora do racionalismo de um professor de física. Recordemos palavras de Capra:
"Neste momento, subitamente, apercebi-me intensamente do ambiente que me cercava: este se afigurava em mim como se participasse, em seus vários níveis ritmicos, de uma gigantesca dança cósmica. Eu sabia, como físico, que a areia, as rochas, a água e o ar ao meu redor eram constituídos de moléculas e átomos em vibração constante (...). Tudo isso me era familiar em razão de minha pesquisa com a Física de alta energia; mas até aquele momento, porém, tudo isso me chegara apenas através de gráficos, diagramas e teorias matemáticas. Mas, sentado na praia, senti que minhas experiências anteriores subitamente adquiriam vida. Assim, eu "vi" (...) pulsações rítmicas em que partículas eram criadas e destruídas (...) Nesse momento compreendi que tudo isso se tratava daquilo que os hindus, simbolicamente, chamam de A Dança de Shiva (...)".
"Eu passara por um longo treino em Física teórica e pesquisara durante vários anos. Ao mesmo tempo, tornara-me interessado no misticismo oriental e começara a ver paralelos entre este e a Física moderna. Sentia-me particularmente atraído pelos desconcertantes aspectos do Zen que me lembravam os enigmas da Física Quântica (...)".
O resultado da apropriação ,fora do contexto , das ideias de Capra, foram livrarias recheadas de publicações místicas , jornais, revistas ,rádio e televisões dando espaço a todo tipo de charlatanismo. Tudo por causa da interpretação aligeirada da mecânica quântica. Continuando a olhar para o livro do Sexo Quântico exposto na livraria , recordei Richard Feynman, também professor e físico quântico, quando disse: “Houve uma época em que os jornais diziam que só havia doze pessoas no mundo que entendiam a teoria da relatividade. Acho que essa época nunca existiu. Pode ter havido uma época em que só uma pessoa a entendia, porque foi o primeiro a intuir a coisa e ainda não havia formulado a teoria. Mas depois que as pessoas leram o trabalho de Einstein, muitas entenderam a teoria da relatividade, de uma maneira ou de outra; certamente mais que doze. Por outro lado, acho que posso dizer sem medo de errar que ninguém entende mecânica quântica.” O que Feynman disse há 60 anos ainda vale hoje. Não entendemos a mecânica quântica pelo facto de que o mundo das partículas sub-atómicas contradizer toda a nossa intuição e concepção do mundo em que vivemos. Ao nível ultramicroscópico o universo torna-se um lugar estranho ,ilógico, onde as partículas podem estar em muitos lugares simultaneamente, atravessar barreiras sólidas, ou não se importarem com distâncias ou o espaço-tempo. Estes fenómenos só acontecem no microcosmos das partículas sub-atómicas mas , para um organismo complexo, formado por muitas partículas diferentes, de átomos e moléculas, as leis da mecânica quântica não se aplicam . A Física clássica explica com precisão tudo o que se passa no nosso mundo macoscópico e não é preciso recorrer à teoria quântica para justificar um sonho extravagante ou experiências pessoais paranormais. Como já dissemos tudo o que acontece no nosso mundo tem ou terá no futuro explicação na física clássica Entremos então um pouco nessa física, aquela que estudei na universidade, para ter uma espécie de contra ponto com os misticismos . Os meus apontamentos universitários diziam que a teoria quântica começara no início do sec XX, quando os cientistas de termodinâmica tentaram medir a energia total dentro de um forno aquecido a uma determinada temperatura. Os cálculos revelavam que esta energia era infinita, coisa impossível perante a lógica do conhecimento. Uma onda, seja ela qual for, sempre foi transporte de energia, definida por uma amplitude, frequência e comprimento. Quanto maior for a frequência, ou quanto menor for o comprimento de onda, maior será a energia envolvida. Segundo se pensava, todos os comprimentos de onda eram possíveis no interior do forno e, desse modo, a energia seria infinita , conclusão ilógica para os pesquisadores. Então, Max Plank propôs que quando se trata de energia, não são possíveis fracções linearmente variáveis da mesma, mas sim blocos mínimos de energia que são transportados, os quanta de energia que são proporcionais à frequência da onda em questão . Nas equações matemáticas que explicavam a ideia surgia a constante de Plank: = 1.05x10^-34 kg.m²/s - número muito pequeno que só se aplica em escala atómica, mas que funcionava com incrível exactidão, embora não se soubesse bem como. Também no início do sec XIX, Thomas Young já demonstrara a natureza ondulatória da luz numa experiência simples, mas que abalou os conceitos newtonianos sobre a luz como sendo unicamente coisa corpuscular. Quase trinta anos depois, era o físico Heinrich Hertz a observar que algumas substancias como o silício libertavam electrões ao serem atingidos por um feixe de luz – o hoje vulgar efeito fotoeléctrico. Em 1905, Einstein sugeriu que, se aplicássemos a noção de que a luz também só pode ser transportada em blocos ou quantas de energia poderíamos entender os mecanismos do efeito fotoeléctrico. Cada quanta de energia corresponderia a um fotão, ou seja, a uma partícula de luz Ficou por isso aceite que a luz – ou qualquer partícula portadora de energia e momento - se comporta simultaneamente como uma onda e como partícula. Acontece porém que este carácter da matéria não pode ser compreendido completamente com base nos conhecimentos que construímos a partir das nossas experiências diárias num mundo que é composto de objectos biliões e biliões de vezes maiores que um fotão.
Voltei de novo ao pensamento dos seguidores de Capra.
Um ponto da teoria quântica em que eles se apoiam é o Princípio da Incerteza de Heisenberg que diz não ser possível prever a posição e o momento de uma partícula . (Existe uma onda, descrita pela equação de Schroedinger, que define o local mais provável onde a partícula se encontra, mas qualquer procedimento que seja usado para observarmos a partícula , afectará a sua posição já que os instrumentos ópticos utilizados, de uma forma ou de outra, terão de usar energia para o tornar observável). É no princípio da incerteza que eles se agarram para rebater a Física do mundo em que vivemos. Segundo o princípio referido, é possível que alguém possa atravessar uma parede mas a hipótese disso ocorrer é infinitamente pequena, tal como a do leitor ganhar o euromilhões todas as semanas , durante dez anos. Por que afirmo isto ? Porque no princípio da incerteza, à medida em que se aumenta a escala, os efeitos são menos observáveis e prováveis. Se as leis da mecânica quântica fossem aplicáveis ao nosso mundo, fenómenos bizarros eram comuns e para nós, seria normal estar em dois lugares ao mesmo tempo, por exemplo . Se o mundo quântico não é o nosso, porquê falar de cura quântica , consciência quântica e sexo quântico e outras coisas quânticas no mundo molecular que, esse sim, é o de que somos feitos e vivemos.
Como já li algures, é triste observar que, enquanto cientistas incansáveis materializam as leis da mecânica quântica em bens e facilidades para o mundo, os desvarios de outras pessoas, sejam elas bem ou mal intencionadas , criem um mercado absurdamente lucrativo e promissor onde o termo “quântico” é usado para vender pseudo-ciências. NÃO ENTREI NA LIVRARIA e o livro “O sexo quântico” ficou na montra. .

5.7.10

IDADE DA TERRA

A determinação da idade da Terra é um caso complicado devido a dois problemas que se põem aos investigadores: em primeiro lugar é necessário ter um método capaz de avaliar uma dimensão de tempo tão grande quanto a do tempo geológico e, em segundo, escolher o material rochoso a datar. Se o primeiro problema foi resolvido com o advento dos métodos de datação utilizando o declínio radioactivo de elementos com semi-vida longa ,o outro ponto, foi de mais difícil solução já que, depois da sua formação, a Terra sofreu intensa modificação que resdistribuiu os elementos químicos.
A tarefa de encontrar as rochas primitivas mostrou-se mais complexa que o previsto ; nas rochas consideradas muito antigas que foram datadas, o resultado revelou-se decepcionante pois as idades inicialmente encontradas foram de apenas 2 a 2,7 Giga anos e nós sabemos que deveria ser de mais ou menos 4 Ga. (quatro mil milhões de anos )
Perante a dificuldade de encontrar na Terra rochas primitivas, o cientista Patterson (1950) resolveu analisar rochas extraterrestres para obter a idade da Terra pois o nosso sistema solar, com os seus planetas, formou-se todo ao mesmo tempo. Aplicando o método de datação do declínio Urânio/Chumbo em meteoritos, obteve a idade de 4,55 Ga e, desde então ,esta é considerada a idade da Terra.
. O intervalo de tempo que compreende toda a história da Terra, desde a sua formação até ao período actual, é o que denominamos por Tempo Geológico,ou seja, o Tempo Geológico corresponde aos 4,6 mil milhões de anos da Terra.
Será que o meu leitor é capaz de imaginar o que significa todo este intervalo de tempo? Provavelmente não.
Para melhor compreender esta escala de tempo faremos uma pequena simulação:"Imagine que os 4,5 mil milhões de anos da Terra foram comprimidos em um só ano . Nesta nova escala de tempo, as rochas mais antigas que se conhecem (~3,6 mil milhões de anos) teriam surgido apenas em Março. Os primeiros seres vivos, (de ~ 3,4 biliões de anos) apareceram nos mares em Maio. As plantas e os animais terrestres surgiram no final de Novembro (à cerca de 400 milhões de anos). Os dinossauros dominaram os continentes e os mares nos meados de Dezembro, mas desapareceram no dia 26, isto é entre 190 a 65 milhões de anos), mais ou menos a mesma época em que as Montanhas Rochosas começaram a elevar-se. Os humanóides apareceram em algum momento da noite de 31 de Dezembro (há aproximadamente 11 milhões de anos). Roma governou o mundo durante 5 segundos, das 23h:59m:45s até 23h:59:50s. Colombo descobriu a América (1492) 3 segundos antes da meia noite, e a geologia nasceu com as escritos de James Hutton (1795), Pai da Geologia Moderna, há pouco mais que 1 segundo antes do final desse movimentado ano dos anos." (extraído de Eicher, 1968)
Deixemos estas fantasias e voltemos á realidade: O tempo geológico está dividido em intervalos que possuem um significado em termos de evolução da Terra. A escala do tempo geológico, cujo esqueleto rudimentar foi estabelecido ainda no século XIX , está dividida em graus hierárquicos cada vez menores da seguinte forma:
Eons , Eras, Períodos e Épocas
A Comissão Internacional sobre Estratigrafia da União Internacional de Ciências Geológicas reconhece no seu Quadro Estratigráfico Internacional três éons:
Arqueano: compreendido entre 3,85 biliões de anos e 2,5 biliões de anos atrás, aproximadamente, marcado pela actividade vulcânica e fluxo de calor três vezes maior que o actual.
Proterozóico: do Latim ("primeira vida") está compreendido entre 2,5 biliões e 542 milhões de anos e é o período onde houve acumulação de oxigénio na atmosfera (atribuído às algas azuis).
Fanerozóico: Começou cerca de 550 milhões de anos e vai até hoje e abrange o período de tempo em que animais com cascos duros que se fossilizariam eram abundantes.
Outros geólogos reconhecem um quarto período anterior ao Arqueano:
Hadeano ( Hades, deus do inferno na mitologia grega,) que vai da formação da Terra (4,5 mil milhões de anos, aproximadamente) até o início do processo de formação das rochas que marcou o início do período Arqueano.
Nota: Há quem chame ao conjunto dos éons anteriores ao Fanerozóico de Pré-Cambrico (uma denominação obsoleta, contudo).
ERAS
As diferentes eras geológicas correspondem a grandes intervalos de tempo, divididos em períodos. A alternância das eras geológicas foi estabelecida através de alterações significativas na crosta terrestre, sendo, portanto, classificadas em cinco eras geológicas distintas: Arqueozoica, Proterozoica, Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. (da mais antiga para a mais moderna)
Arqueozoica É caracterizada pela formação da crosta terrestre, em que surgiram os escudos cristalinos e as rochas magmáticas, com as mais antigas formações orográficas. Esse período teve início há, aproximadamente, 4 biliões de anos .
ProterozoicaEstima-se que esta era geológica teve início cerca de 2,5 biliões de anos atrás e terminou há 550 milhões de anos. Durante esse período ocorreu intensa actividade vulcânica, facto que promoveu o deslocamento do magma do interior da Terra para a superfície, originando os grandes depósitos de minerais metálicos, por exemplo, ferro, manganésio, ouro, etc. Na era geológica do Proterozoico ocorreu grande acumulação de oxigénio na atmosfera. Também ficou caracterizada pelo surgimento das primeiras formas de vida unicelulares avançadas.
Paleozoica A era Paleozoica prevaleceu desde 550 a 250 milhões de anos atrás. Nesse período a superfície terrestre passou por grandes transformações, como o surgimento dos conjuntos montanhosos dos Alpes Escandinavos (Europa). Esta era geológica também se caracteriza pela ocorrência de rochas sedimentares e metamórficas, formadas pela geodinâmica interna , e o aparecimento de grandes florestas, glaciações, e dos primeiros insectos e répteis.
Mesozoica A era Mesozoica iniciou-se cerca de 250 milhões de anos atrás, tendo ficado marcada pelo intenso vulcanismo e consequente derrame de lavas em várias partes do globo. Também ficou caracterizada pelo processo de sedimentação dos fundos marinhos, que originou grande parte das jazidas petrolíferas hoje conhecidas. Outras características dessa era geológica são a fragmentação gradual do único continente existente denominado Pangea, o surgimento de grandes répteis como, por exemplo, o dinossauro, o aparecimento de pequenos mamíferos, e o desenvolvimento de flores nas plantas.
Cenozoica Esta era geológica está dividida em dois períodos: Terciário (aproximadamente 60 milhões de anos atrás) e Quaternário (1 milhão de anos atrás).
- Terciário: Caracterizado pelo intenso movimento da crosta terrestre,(deriva continental e choque de placas) facto que originou os dobramentos modernos, originando as mais altas cadeias montanhosas da Terra, como os Andes (América do Sul), os Alpes (Europa) e o Himalaia (Ásia). Nessa era geológica surgiram aves, várias espécies de mamíferos, além de primatas.
- Quaternário: Era geológica que teve início há cerca de 1 milhão de anos e perdura até os dias actuais. As principais ocorrências nesse período foram: grandes glaciações; actual formação dos continentes e oceanos e o aparecimento do homem.

Passemos agora aos períodos e épocas em que se dividem as eras mas para comodidade dos leitores vamos apresenta-los em esquema com as datas do seu início em Ma (milhões de anos )
ERA
Paleozóica
Período
Pérmico……286 Ma
Carbónico… 360 Ma
Devónico…. 408 Ma
Silúrico…… .438 Ma
Ordivicico….505 Ma
Câmbrico…..545 Ma
Mesosoica
Período
Cretácico…..144 Ma
Jurássico……208 Ma
Triássico…….245 Ma

Cenozoica
Período
Quaternário…………………..
( Èpocas)
Holoceno ou actual 0,01 Ma
Pleistoceno………1,6 Ma

Terceário …………………
(Épocas)
Plioceno…………..5,3 Ma
Mioceno……………23,7 Ma
Oligoceno………..36,6 Ma
Eoceno…………….57,8 Ma
Paleoceno…………66 Ma

Estas subdivisões foram estabelecidas ainda antes do desenvolvimento dos métodos de datação absoluta. As subdivisões de tempo definidas, portanto, não representam intervalos de tempo equivalentes, mas refletem a possibilidade de desvendar os detalhes da evolução geológica em todos os tempos. O registro geológico mais recente é mais completo e apresenta maior número de fósseis, permitindo delimitar intervalos temporais menores. O registro da evolução geológica antiga é muito mais fragmentado e com a ausência de fósseis possibilita apenas a delimitação de intervalos de tempo maiores, marcados por grandes eventos globais.

2.7.10

FÓSSEIS

Por definição, um fóssil é um vestígio ou resto de ser vivo ( animal, planta ou outro ) que ficou preservado em rocha sedimentar ou em âmbar. As rochas sedimentares onde se encontram os fósseis são contemporâneas desses seres vivos, isto é, têm a mesma idade. Quando os fósseis se encontram em rochas metamórficas eles são contemporâneos das rochas sedimentares que deram origem às rochas metamórficas.Os seres vivos do passado podem ser preservados como partes de corpo ,impressões, moldes, rastos e pegadas. O estudo dos fósseis permite conhecer o passado (paleo). daí que a ciência que a eles se dedica se designe por Paleontologia .A formação de fósseis é um fenómeno frequente, havendo inúmeros vestígios fossilizados desses antigos seres vivos, incluindo mesmo restos orgânicos delicados, tudo dependendo das condições em que a fossilização ocorreu. É certo que a conservação de matéria orgânica é um facto raro mas, pelo contrário, as partes esqueléticas duras como conchas, carapaças, dentes e ossos são muito abundantes. Em qualquer das circunstâncias, para que os restos de um organismo fossilizem é fundamental que estes sejam rapidamente cobertos por sedimentos ( lodos,areias , argilas,resinas) e que fiquem ao abrigo do ar. Convém esclarecer que só os vestígios ou restos de organismos com mais de 11.000 anos serão considerados fósseis. Este limite é baseado na data em que ocorreu a última glaciação e, dessa forma, os fósseis mais modernos serão designados por subfósseis. Os fósseis podem ser classificados em dois grupos básicos : somatofósseis e icnofósseis . Os primeiros são constituídos por restos do corpo (soma) dos organismos como, por exemplo, dentes,esqueletos, carapaças, folhas, conchas, troncos,etc , enquanto os segundos serão formados pelos vestígios da actividade biológica e incluem pegadas, escrementos (coprólitos), túneis, e cascas de ovos. As diferentes formas, sob as quais aparecem os fósseis,devem-se aos vários processos de fossilização que ocorrem após o subterramento, sendo o mais frequente a fossilização por mineralização. Este processo, vulgarmente chamado de petrificação, consiste na substituição dos restos orgânicos por matéria mineral, ou a formação de um molde desses restos. Acontece quando o organismo é coberto rapidamente por sedimentos após a morte ou após o processo inicial de decomposição. O grau de deterioração do organismo, no momento em que é recoberto, determina os pormenores apresentados pelo fóssil: alguns são apenas partes de esqueletos ou dentes enquanto outros mostram as penas ou tecidos moles.Os sedimentos que cobriram os seres acabam por se compactar lentamente, formando as rochas sedimentares, e os restos orgânicos dos seres vivos que nelas ficaram aprisionados, podem ser lentamente substituídos por outra substância mineral. Como exemplo ,diremos que o carbonato de cálcio dos ossos poderá ser substituído por sílica dos sedimentos. Mas não há só fósseis de mineralização dos restos orgânicos, pois já dissemos que os sedimentos podem produzir fósseis do tipo molde, quer ele seja um molde externo ou interno. Um molde de fóssil é formado devido aos fluidos infiltrados através dos sedimentos que dissolvem os restos do organismo, criando um espaço na rocha com a forma desse organismo. Se o espaço criado for preenchido, posteriormente, com mais sedimentos minerais, forma-se o fóssil molde. A figura que apresentamos a seguir mostra um fóssil do tipo molde interno. O que vemos são os sedimentos petrificados que encheram o interior de uma concha de forma helicoidal, depois das partes moles terem desaparecido. Posteriormente , os fluidos de circulação dissolveram o material de que era formada a concha, restando apenas os ditos sedimentos internos petrificados.
Vejamos agora os fósseis designados de conservação. Animais como os insectos , aracnideos ou pequenos répteis podem ficar presos em resina ou âmbar de certas árvores do passado, permanecendo intactos durante muitos milhares de anos. Estes fósseis que podem ser encontrados em rochas sedimentares designam-se de conservações totais. Um exemplo raríssimo de um grande animal fossilizado em conservação , são mamutes nas turfeiras da Sibéria.Conservados pelo frio do gelo, estavam em tão bom estado que foi possível analisar o tipo sanguíneo e o que tinham comido antes de morrerem. A figura anterior mostra um fóssil conservação de um insecto.
Podemos ainda encontar os chamados pseudofósseis que,como o nome indica, não são fósseis nem devem ser tratados como tal. São apenas produtos geológicos que fazem lembrar estruturas orgânicas fossilizadas como é o caso das dendrites. Estas são precipitações inorgânicas de minerais dissolvidos na água , e que lembram fósseis de impressão de plantas. (Ilustramos o que dissemos com a foto anterior).Também devemos excluir da paleontologia os designados fósseis vivos que mais não são que organismos actuais vivos e únicos representantes de grupos que foram abundantes e diversificados no passado da Terra. Os organismos actuais apelidados de fósseis vivos apresentam,muito frequentemente, os aspectos morfológicos dos seres do passado, preservados sob a forma de verdadeiros fósseis. Um exemplo muito conhecido são os peixes da espécie Latimeria chalumnae, descoberta em 1938 nos mares da África do Sul e conhecidos como Celecantos, grupo de que só há fósseis.Estudando os fósseis e comparando-os com os seres actuais, os cientistas descobriram a linha evolutiva que muitos animais e plantas tiveram através dos tempos. Quanto ao tipo de informação que um fóssil fornece ,podemos falar em fósseis de idade e fósseis de fácies.Os primeiros, são grupos de fósseis com a mesma idade geológica que datam e caracterizam os estratos onde se encontram. Se os mesmos fósseis de idade se encontrarem em rochas distanciadas milhares de quilómetros, podemos garantir que essas rochas, embora distantes, têm a mesma idade.Os fósseis de facies ou de ambiente , pelo seu lado, dão a conhecer o ambiente em que a rocha se formou. Por exemplo: o fóssil de peixe que surgiu no calcário( ver foto acima) mostra-nos que aquela rocha calcária se formou numa bacia marinha, embora hoje possa estar muito acima do nível do mar e até dele afastada. Recapitulemos então o que já dissemos : Um fóssil é um resto ou vestígio de um ser vivo do passado. Processo de fossilização é o conjunto de transformações( normalmente mineralização) que os seres vivos ou os seus restos experimentaram a seguir á sua morte e ao seu soterramento no solo. Segundo a natureza do corpo, do sedimento onde se conserva e das águas de infiltração que o atravessam, a fossilização realiza-se por vários processos, que voltamos a recordar: lº- conservação ,parcial ou total, neste último caso designada de mumificação, que ocorre no âmbar ou nos desertos onde os cadáveres ficam desidratados;2º- mineralização, em que substâncias minerais como a sílica, carbonato de cálcio, óxidos de ferro ou qualquer outra substância dissolvida podem substituir ,pouco a pouco, os constituintes originais do ser; 3º-incrustação ,em que precipitações de carbonato de cálcio envolvem(incrustam) o organismo como é vulgar nas plantas aquáticas. (Mostramos a seguir um fóssil por incrustação)
4º-moldagem, em que o corpo do animal ou vegetal desaparece completamente mas deixa na rocha um molde; 5º- incarbonização, processo frequente nas plantas, em que a matéria orgânica, ao abrigo do ar, se vai enriquecendo progressivamente em carbono; 6º- marca ou impressão, quando ocorre a conservação de vestígios dos seres vivos, como pegadas, marcas de folhas etc ; A figura seguinte mostra a impressão de folhas num xisto, a que se juntou, para termo de comparação, folhas reais de uma planta da mesma espécie que ainda vive nos nossos dias .
O grande interesse do estudo dos fósseis reside na datação das rochas e na observação da evolução das espécies usando-se, como já dissemos, os fósseis de idade, que tem que obdecer a dois requisitos simultâneos : a) Um curto período de duração da espécie( poucos milhare de anos ) b) Uma grande distribuição geografica, isto é ,que tenham vivido em zonas distantes umas das outras no do nosso planeta. A ampla distribuição presupõe que as espécies tenham possuido uma grande capacidade reprodutiva, para que se encontrem vários exemplares no mesmo local.È o caso das trilobites marinhas que mostramos a seguir. A terminar mostramos um quadro de fósseis característicos ou de idade e fácies

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