27.4.10

VILLA ROMANA (Rio Maior)


Que Portugal teve larga ocupação romana é um facto conhecido ; que os melhores , maiores e bem estudados vestígios desse nosso passado romano se encontram em Conímbriga, também é do senso comum embora, nas últimas décadas, tenham aparecido estações arqueológicas romanas noutros locais do país como é o caso da Villa romana de Rio Maior.
Foram as referências existentes num livro de Francisco Pereira de Sousa sobre a história da cidade de Rio Maior que despoletou tudo. Nesse livro relatava que , no séc. XIX, um agricultor ao lavrar o seu campo, puxara para fora da terra dois fustes de coluna em mármore, um deles com cerca de 4 metros de comprido, e ainda fragmentos de mosaico romano. Em 1983, os Serviços de Arqueologia da Câmara procederam a uma prospecção de campo na zona citada no livro, para confirmar a possibilidade de uma estação arqueológica que merecesse ser estudada.
A partir de 1991, começa a surgir na zona estudada uma pressão urbanística aliada à necessidade de expansão do cemitério da cidade e, por tal motivo, os Serviços de arqueologia da Câmara Municipal procederam a novas sondagens arqueológicas nos anos de 1992 e 1993,de modo a avaliar a extensão e grau de conservação dos vestígios romanos escondidos no subsolo. Com estes trabalhos de sondagem ficaram a descoberto uma grande quantidade de mosaicos e várias outras peças arqueológicas, indicadores bastante seguros de que se estava perante uma Vila Romana muito importante.
Só em 1995, no entanto, se reuniram condições para o início das escavações em toda a área, sob a coordenação do Dr. José Beleza Moreira .
A vila (villa) era uma herdade, com campos cultivados, pastagens, mata, etc. e uma parte edificada que servia de apoio e de residência. Esta residência compunha-se da habitação do proprietário, dos alojamentos para os criados e ainda da adega e lagares, celeiro, estábulos , palheiro, bem como outras áreas telhadas . A produção desta quinta era certamente vendida para as cidades romanas vizinhas, como Eburobritium ( Óbidos), Collipo ( Leiria) e Scallabis (Santarém)
O poder económico e elevado estatuto social do proprietário desta vila reflecte-se no requinte e luxo da decoração da habitação, em especial no tratamento do próprio soalho. A presença de grande número de salas pavimentadas com mosaico , associado à estatuária e outros produtos de luxo, é disso uma evidência segura.
A vila fora construída junto ao rio Maior e dominaria todo o vale e terrenos férteis onde hoje está a cidade de Rio Maior. Deverá datar do século I e a inexistência de paredes nesta jazida arqueológica deve-se ao facto de, pelo menos desde o séc. XII, o local ter servido de fornecedor de materiais de construção (pedra, cantarias, etc. ) retiradas das paredes que se encontravam à superfície do solo.
Segundo o site disponibilizado pela Câmara Municipal de Rio Maior, que transcrevemos com a devida vénia, até ao momento o espólio recolhido no decurso das escavações é essencialmente composto por peças indicadoras do grande luxo e riqueza dos proprietários desta Villa. São inúmeros os fragmentos de placas em calcário comum e cristalino, de mármore dos mais variados tipos e cores, usados na ornamentação dos rodapés e outras partes arquitectónicas do imóvel. Alguns destas peças são frisos profusamente decorados com gravações a baixo-relevo. As colunas (bases, fustes e capiteis) também eram feitas com estes tipos de rocha.
Outro elemento constante em todas as salas e corredores postos a descoberto pelas escavações, são os fragmentos de estuque pintado que fariam parte da decoração parietal da Villa.
O chão de todas as dependências e áreas de circulação, até ao momento descobertas, são pavimentados com mosaico. Este é de estilo geométrico associado a alguns motivos vegetalistas e fitomórficos estilizados, com uma extraordinária gama cromática.
Existe, também, um grande número de tesselas de pasta de vidro com uma rica e vasta gama de cores, que deveriam ter sido usadas em composições ornamentais de paredes ou nichos.
Temos ainda vários objectos de luxo, como contas de vidro pertencentes a colares ou brincos (?), fragmentos de terra sigillata, (cerâmica importada que constituía o serviço “chique” da época), na sua maioria de produção norte-africana, fragmentos de vários objectos de vidro (copos, taças, jarros, unguentários, etc.), duas patas de felino, aladas, em bronze, que fariam parte da base de um objecto ainda não determinado (mesa, baú, suporte?), uma asa de um jarro de bronze e algumas moedas.
Outro elemento indicativo do elevado poder económico deste patrício romano observa-se na presença de várias peças de estatuária. Até ao momento foram descobertos fragmentos de, pelo menos, cinco estátuas, uma delas de escala natural, e ainda uma peça quase intacta (faltam muito poucos fragmentos), a Ninfa fontanária de Rio Maior.
Também foram encontrados fragmentos de objectos comuns, como fundos de ânforas, fragmentos de grandes potes de armazenamento , pesos de tear, cerâmica de uso comum (tachos, panelas, vasos, etc.).
Aconselhamos uma visita a esta estação arqueológica, tendo o cuidado de, com antecedência, contactar a Câmara Municipal para a sua viabilidade.

21.4.10

CASTELO DE ALMOUROL



Construído num afloramento granítico que forma uma ilhota no meio do rio Tejo e a uma curta distância de Vila Nova da Barquinha , está o castelo de Almourol que também já foi designado de Almoriol, Almorol, Almourel, e Almouriel. Edificado pelos Romanos sobre um possível castro lusitano , a facilidade de vigiar e defender este troço do rio que foi caminho de largo uso , fez do ilhéu de Almourol um local de interesse militar, antes e depois da reconquista cristã. Tomado aos mouros por D. Afonso Henriques , foi entregue à ordem dos Cavaleiros do Templo que o reconstruiu em 1171, sob direcção do mestre da ordem , Gualdim Pais . Com a extinção da Ordem do Templo passou para a Ordem de Avis , por decisão do rei D. Dinis . A muralha do castelo é reforçada por dez torreões , havendo alguns cilíndricos e de diferentes diâmetros Passada a porta, flanqueada por dois torreões , encontramos um terreiro entre a torre e ruínas de velhas instalações situadas a um nível inferior . Algures por aqui se abria a porta da traição , perto da qual existiu um poço que seria a boca de um dos túneis que ligariam o castelo à margem , isto segundo a crença popular. A torre de menagem de planta quadrada e de dois pisos , tem esculpido o antigo brasão templário. Ameias , seteiras, adarves, eirados e escadas de pedra encontram-se espalhadas pelos espaços restantes , num belo e bem conservado conjunto , pese embora tenha perdido, desde muito cedo, o interesse militar e ficado sem guarnição . A sua conservação natural deveu-se à dificuldade de acesso que só é feita de barco e a ser difícil transportar grandes pesos para as margens , ficando assim a salvo de ser espoliado pelos aproveitadores de pedras já talhadas , como acontecera com os outros castelos por todo o país.

20.4.10

MIMETISMO


O mimetismo (mimesis = imitação) é uma adaptação evolutiva em que um organismo (animal ou planta) desenvolve características que o confundem com o meio ambiente, numa espécie de camuflagem, ou o assemelham a outros seres vivos com quem nada tem a ver filogeneticamente. Tudo isto acontece para escapar aos seus predadores ou para, sendo ele um predador, as suas vítimas o não reconhecerem como tal. Entre os critérios de disfarce destacam-se: o aspecto da coloração do organismo, a textura de sua superfície, a morfologia corporal, bem como o comportamento e características químicas.

( Na foto acima um insecto verde que se confunde com a folhagem)

Do que acabamos de escrever podemos concluir que há várias formas de mimetismo tais como : defensivo, agressivo e um terceiro tipo, não tão evidente, o reprodutivo. Este último tipo é muito comum entre os vegetais e dele falaremos adiante. Para já vejamos alguns tipos de mimetismo animal, exemplos fáceis de entender por todos : Existem serpentes que, conforme o seu habitat é em terra ou nas árvores, possuem escamas epidérmicas com coloração aproximada à do meio ambiente onde vivem, sendo confundidas com restos de folhas e gravetos junto ao solo, ou semelhantes ao estrato arbóreo, isto é, apresentando a cor dos troncos da árvore ou a cor das folhas, passando assim despercebidas às suas habituais vítimas, e até ao homem.
O mesmo acontece com determinados sapos e rãs que, mediante a cor e rugosidade do corpo, praticamente se confundem com o substrato lamacento ou os pedregulhos das margens dos charcos e lagos que habitam. É também muito conhecido o exemplo do camaleão que rapidamente altera a sua cor ,confundindo-se com o ambiente .
Já no caso de alguns ursos e raposas do árctico, a cor do pêlo muda de acordo com a época do ano: durante o inverno é totalmente branca e no resto do ano mais acinzentada. Neste caso não será correcto falar de mimetismo , talvez seja mais camuflagem mas ,de qualquer forma, uma vantagem para se aproximarem das presas sem serem vistos. Existem insectos que praticamente ficam invisíveis, tamanha é a semelhança com a vegetação, não se distinguindo de uma folha ou graveto; é o caso das mariposas, borboletas , joaninhas, e do insecto folha, assim chamado por se parecer com uma folha da planta onde se esconde.

( A figura acima não é uma folha mas sim im insecto com aquela forma)
Em geral, o mimetismo ocorre em espécies com pouca mobilidade, ou que costumam ficar em repouso por longos períodos.
Alguns animais aumentam o volume, a forma ou a cor do corpo para parecerem mais fortes ou perigosos e assim causarem medo em seus habituais predadores. Algumas espécies de cobras não venenosas assumem a forma e a cor, bem como o comportamento, das espécies venenosas para confundir os seus predadores
Dados estes poucos exemplos, vejamos como classificar as diversas formas de mimetismo:

Os mimetismos de defesa são aqueles em que os animais tentam parecer-se a outros muito perigosos, venenosos ou agressivos, para não serem atacados, tal como a borboleta cuja coloração das asas, quando abertas , se assemelha aos olhos de um mocho, ou a cobra do leite que sendo inofensiva, se parece com uma cobra coral (terrivelmente venenosa), afastando os atacantes.


(Borboleta em que as cores das asas lembram olhos de mocho)
Os mimetismos de ataque correspondem a animais predadores que adoptam um aspecto parecido ao da presa para se puderem aproximar sem serem descobertos, como é o caso de uma espécie de aranha que se assemelha a uma das formigas que constituem a sua alimentação. De idêntico modo o Bútio, uma ave de rapina, se confunde com outras e se mistura com elas para poder caçar.
Os mimetismos reprodutores aparecem mais tipicamente em plantas. Há plantas com flores ou partes delas que se assemelham à fêmea de um insecto, com o intuito de que o insecto macho pouse e acabe por fertilizar a planta com o pólen que transporta agarrado ao corpo. Também é aqui colocado o caso de cucos que imitam falcões para afastar as aves dos ninhos. Uma vez conseguido isto o cuco mistura os seus ovos com os da outra ave ou até os substitui . Quando o aparente perigo termina a ave volta ao seu ninho e acaba por chocar os ovos do cuco,.

O naturalista inglês Henry Bates foi o primeiro a propor um conceito de mimetismo, ao observar variadas espécies de borboletas no vale do Amazonas. Bates, cujos trabalhos a esse respeito foram publicados em 1862, verificou que as espécies gregárias de lepidópteros da família dos heliconídeos, dotadas de odor repugnante, se misturavam com outras sem essa propriedade e pertencentes à família das danaídeos. A semelhança morfológica e de coloração entre as borboletas dos dois tipos era tal que só um exame minucioso permitia distingui-las. Bates concluiu então que a aquisição do aspecto externo de uma espécie que estava protegida pelo seu odor nauseabundo fazia com que aquela, embora inofensiva para os predadores, não fosse atacada por estes. A esta modalidade de mimetismo deu-se o nome de mimetismo Batesiano.


Em 1865, o naturalista inglês Alfred Russel Wallace fixou as seguintes leis para o mimetismo:
1º- a espécie mimética (que se disfarça ) ocorre na mesma área e época do ano da que lhe serve de modelo;
2º- as espécies miméticas são sempre menos protegidas;
3º- os seres miméticos são sempre menos numerosos por se reproduzirem menos;
4º- os miméticos pertencem a grupo sistemático diferente do grupo que lhe serve de modelo;
5º- a semelhança nunca se estende a caracteres internos pois estes não são visíveis pelo predador.

Em 1879, o naturalista alemão Fritz Müller, descreveu outro tipo de mimetismo, em que a protecção de um grupo de animais se torna eficiente depois do predador aprender, por experiência própria, a seleccionar suas presas. Por exemplo, a lagarta Euchelia jacobaea, berrantemente colorida com faixas amarelas e negras, é rejeitada por aves insectívoras após um contacto mínimo, devido a secreções nauseabundas que emanam de sua derme. As vespas que trazem o mesmo padrão de coloração têm igualmente um gosto nauseabundo, por causa de seus órgãos digestivos. As aves, após terem atacado vespas ou lagartas daquelas espécies, rejeitam qualquer insecto que exiba o mesmo tipo de padrão cromático. Tal condicionamento permite, assim, protecção colectiva de grande quantidade de insectos que tenham listas amarelas e negras, mesmo sem terem mau cheiro.


O mimetismo Mülleriano apresenta as seguintes características:
--as espécies possuem coloração de advertência e protecção;
--todas as espécies devem ser igualmente abundantes;
-- a semelhança entre as formas não é necessariamente tão exacta como a que ocorre no mimetismo batesiano.

No mimetismo batesiano, uma espécie desprotegida assume o aspecto de outra, abundante e bem protegida, de modo a que fique com a reputação do modelo. No mimetismo mulleriano, várias espécies, todas frequentes e bem protegidas, mostram traços comuns de advertência. Nem sempre, todavia, é possível determinar se uma associação é Batesiana ou Mülleriana.
Tentemos agora explicar como ocorrem alguns destes fenómenos de mascaramento:

Há duas maneiras pelas quais os animais produzem cores diferentes: através de biocromos ou por metabolismo.
Os biocromos são pigmentos naturais microscópicos presentes no corpo do animal que produzem cores quimicamente. A sua química é tal que eles absorvem algumas cores da luz natural e reflectem outras. Não esqueçamos que a cor aparente de um pigmento é a combinação de todos os comprimentos de onda de luz visíveis que estão a ser reflectidos . Desta maneira os biocromos do animal parecerão verdes se a luz que neles incide for a verde, por exemplo emitida pelas folhas das árvores.
Os animais podem também produzir cores através de estruturas físicas microscópicas. Estas estruturas agem como prismas, reflectindo e refractando luz visível. Dessa maneira, uma certa combinação de cores é reflectida. Os ursos polares, por exemplo, têm na realidade a pele preta, mas parecem brancos por terem pêlos translúcidos. Quando a luz incide nos seus pêlos, cada pêlo desvia ligeiramente a luz, fazendo então com que parte dela se desvie para a superfície da pele do urso e o resto da luz seja reflectida produzindo a coloração branca. Em alguns animais, os dois processos de coloração atrás citados estão combinados. Por exemplo, répteis, anfíbios e peixes com coloração verde normalmente têm uma camada de pele com pigmento amarelo e uma camada de pele que espalha a luz para reflectir uma cor azul. Combinadas, estas camadas de pele produzem o verde.
As colorações sejam elas físicas ou químicas são determinadas geneticamente; sendo transmitidas de pais para filhos, mas não podemos esquecer que cada espécie desenvolve a sua coloração da camuflagem gradualmente, através do processo de selecção natural, daí falarmos em genética.
Relembremos que na natureza, um animal que combine melhor suas cores com as do meio em que vive, está mais apto a passar despercebido pelos predadores e, por isso, tem mais probabilidades de sobreviver . Consequentemente, o animal que combina melhor com seu meio ambiente está mais apto a procriar que um animal que não combina. As crias de um animal que se camufla provavelmente herdarão a mesma coloração, e eles também viverão o suficiente para passá-la aos seus descendentes. Desta maneira a espécie, como um todo, desenvolve coloração ideal para a sobrevivência no seu meio ambiente.
Os processos de coloração dependem da fisiologia do animal. Na maioria dos mamíferos, a coloração da camuflagem está nos pêlos, já que esta é a camada mais externa do corpo. Nos répteis, anfíbios e peixes, está nas escamas; nos pássaros está nas penas; e nos insectos estará no exoesqueleto (carapaça). A própria estrutura da cobertura externa pode também evoluir para criar uma camuflagem melhor. Em esquilos, por exemplo, o pêlo é bastante áspero e irregular, lembrando a textura de casca de árvore. Muitos insectos têm uma carapaça que imita a textura macia das folhas.

Já vimos que a forma mais básica de camuflagem é a coloração que combina com o meio ambiente de um animal. Porém, o meio ambiente de um animal pode mudar de tempos a tempos. Muitos animais desenvolveram adaptações especiais que lhes permitem mudar a coloração de acordo com a mudança do seu meio ambiente.
Uma das maiores mudanças no meio ambiente de um animal ocorre na alternância de estações do ano. Na primavera e verão, o habitat de um mamífero pode estar cheio de verde e castanhos, enquanto no outono e inverno tudo pode estar coberto de neve. Enquanto a coloração acastanhada é perfeita para um meio ambiente amadeirado de verão, pode tornar o animal um alvo fácil contra um fundo branco. Muitos pássaros e mamíferos lidam com isto produzindo diferentes cores de pêlo ou de pena dependendo da época do ano. Na maioria dos casos, tanto a mudança da luz do dia como a mudança na temperatura desencadeiam uma reacção hormonal no animal, o que causa a produção de diferentes biocromos, os pigmentos que já antes referimos.

As penas e pêlos em animais são como cabelos e unhas dos humanos - são, na verdade, tecido morto. Estão presos ao animal, mas como não estão vivos, o animal não pode fazer nada para alterar a sua composição. Consequentemente, um pássaro ou um mamífero tem que produzir uma pelagem ou penas completamente novas para mudar de cor. Em muitos répteis, anfíbios e peixes, por outro lado, a coloração é determinada por biocromos em células vivas. Os biocromos podem estar em células na superfície da pele ou em células em níveis mais profundos. Estas células em níveis mais profundos são chamadas de cromatóforos.
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Alguns animais, como algumas espécies de sépias (molusco da classe celafopoda - a mesma de lulas e polvos), podem manipular seus cromatóforos para a troca total da cor de sua pele. Estes animais possuem uma colecção de cromatóforos e cada um deles contém um pigmento singular. Cada cromatóforo simples pode estar envolto por um músculo que pode contrair ou expandir. Quando o músculo da sépia se contrai, todos os pigmentos são empurrados para a parte superior do cromatóforo. No topo, a célula fica achatada dentro de um disco largo e com a cor própria. Quando o músculo relaxa, a célula retorna ao seu formato natural de um pequeno ponto colorido difícil de ser visto . Constraindo os cromatóforos com um determinado pigmento e relaxando todos os outros com outros pigmentos, o animal pode trocar toda a cor do seu corpo. Sépias, com essa habilidade, podem gerar uma ampla gama de cores e muitos desenhos interessantes. Por perceber a cor de um fundo, o animal pode misturar-se a todos os tipos de meio ambiente.


O camaleão, por exemplo, altera a coloração de sua pele usando um mecanismo similar, mas não para se camuflar. Tendem a trocar a cor de sua pele quando o humor deles muda, mesmo sem se moverem para meio ambientes diferentes.
Quanto ao nudibranche (pequeno animal marinho) que se alimenta de um tipo específico de coral, seu corpo deposita os pigmentos deste coral na pele e em extensões externas do intestino. Os pigmentos aparecem, e o animal torna-se da mesma cor que o coral. Como o coral não é só a comida da criatura, é também o seu habitat, a coloração é a camuflagem perfeita. Quando o animal se move para outro coral de cores diferentes das do anterior, o seu corpo troca de cor devido à nova fonte de comida.
Muitas espécies de peixe gradualmente produzem diferentes pigmentos sem ter de mudar a sua dieta. Isto funciona mais ou menos como troca de pelagem sazonal dos mamíferos e pássaros. Quando o peixe troca de meio ambiente, recebe sinais visuais do novo modelo de ambiente. Baseado no seu estímulo visual, estas espécies começam a liberar hormonas que mudam a maneira de seu corpo produzir pigmentos. Com o tempo, a coloração dos peixes muda para combinar com o novo meio ambiente.
E por agora já chega de falar em mimetismo.

14.4.10

HISTÓRIAS DO EGIPTO

Quando, em 1490 antes de Cristo, Tutemosis II morreu sem deixar descendência masculina da sua união com a esposa real que era a sua meia irmã Hatshepsut, entrou em cena o único filho varão do soberano e de uma concubina de nome Isis e que ficou conhecido como Tutemosis III. Como este herdeiro do trono era uma criança , o clero, a nobreza e o exército apoiaram uma regência de Hatshepsut durante a infância do seu sobrinho e enteado. A regência acabou por durar vinte e dois anos , pois rapidamente se tornou num reinado a dois, entre tia e sobrinho, terminando apenas em 1468 aC, com a morte de Hatshepsut. Sabe-se que Hatshepsut sempre teve um papel preponderante na governação, embora o soberano fosse Tutemosis III, de tal forma que no sétimo ano de regente se faz coroar faraó (rei), adoptando título real e até passou a usar a barba postiça. Tal só foi possível com a concordância do poderoso clero de Amon que a rainha protegia e favorecia enormemente .
Este caso estranho de dois faraós a compartilhar o poder está representado no templo de Karnak em que se vêem os dois a fazer oferendas na barca de Amon a quando do regresso da famosa expedição que Hatshepsut enviara ao país de Punt (Somália) em busca de incenso , mirra e outros produtos exóticos.
A rainha também concedeu à sua filha primogénita os atributos dos príncipes herdeiros e é possível que Tutemosis III tenha casado com filhas da soberana e que uma delas, Neferuré tenha sido a mãe do futuro faraó Amenhotep II.
Preparado desde muito cedo para a guerra, Tutemosis III comandou efectivamente o exército e seguiu numa expedição contra a Núbia que se havia rebelado e retomando o controlo das minas do Sinai, expulsando os beduínos. Este facto está recordado , sem esquecer a rainha, numa estela que diz :….. No ano 16, sob a majestade do rei do Alto e Baixo Egipto Maatkare ( Hatshepsut)…….e sob a majestade de Menkhepene (Tutemosis) que viva , seja estável e duradouro ,o rei pôs-se à cabeça dos seus soldados ….. Com a morte da rainha começa o governo a solo de Tutemosis III, então com 34 anos de idade , tendo desenvolvido uma campanha expansionista em 17 acções militares . Assim incluiu nas suas fronteiras a Núbia, a Líbia, Síria e Chipre. Segundo os relatos dos seus generais , além de grande estratega, conseguiu a submissão dos príncipes dos territórios conquistados sem recorrer a actos de crueldade para com eles. Tutemosis III mandou construir o seu templo funerário em Deir el-Bahari, entre os templos de Mentuhotep II e de Hatshepsut. O templo, descoberto em 1962, não possui a grandiosidade do templo da madrasta.
Tutemosis III foi enterrado no Vale dos Reis. À semelhança do que aconteceu com outros túmulos este também foi alvo de pilhagens. As suas paredes encontram-se decoradas com figuras esguias, pintadas a negro e vermelho sobre um fundo cinzento que pretendia simular o aspecto de um papiro, encontrando-se nelas a versão mais completa do Livro de Amduat que fornecia ao faraó defunto um mapa do mundo dos mortos e feitiços protectores e a versão mais antiga que se conhece da Litania de Rá. A sua múmia foi encontrada em 1889 num estado danificado no "esconderijo" de Deir el-Bahari, para onde tinha sido transladada pelos sacerdotes da XXI dinastia que pretendiam proporcionar-lhe uma maior segurança e consequentemente garantir a vida eterna ao faraó.
Voltemos um pouco atrás nesta história e vejamos o ardil montado por Hatshepsut para conseguir convencer o clero de que , embora mulher, podia ser faraó. Nas paredes do seu templo , em Deir el-Bahari, está representado o episódio que relata a sua concepção e o seu nascimento.
A mãe de Hatchepsut, Ahmose, encontra-se no palácio real. O deus Amon- observa-a e, depois de consultar um conselho composto por doze divindades, decide que chegou a altura de gerar um novo faraó. O deus toma a aparência do rei Tutmosis I, que a encontra adormecida no quarto. A rainha Ahmose acorda ao sentir o perfume que emana do corpo do esposo e o Deus Amon mostra-se em toda sua plenitude. Ahmose, cai aos prantos de emoção pela grandiosidade do Deus. O casal une-se sexualmente e depois Amon-Rá informa que a filha que nascerá da união dos dois, governará o Egipto em todas as esferas de poder do palácio.
Apesar de não concordarem, os sacerdotes foram obrigados a legitimar a história, pois viviam bem e com muitas mordomias, principalmente por causa das doações que a rainha lhes fazia . Acreditaram que se o Deus Amon não ficasse satisfeito com as decisões da rainha, o Egipto sofreria com pragas e colheitas ruins. Mas parece que o deus Amon estava de acordo com as ideias de Hatshepsut, pois ela governou num período de muita prosperidade e tranquilidade. Ontem como hoje ,o clero submete-se ao poder instituído desde que obtenha regalias.
Alguns anos após a morte o seu nome foi apagado de monumentos e outros documentos não se sabendo onde se encontra a sua múmia, embora haja notícias que a mesma foi identificada . Sobre este último ponto não encontramos fontes credíveis.

8.4.10

O PRINCÍPIO DE PETER


O «Princípio de Peter» foi proposto por Laurence Johnston Peter (1919–1990), antigo professor na University of Southern California e na University of British Columbia.
De acordo com o autor, em organizações burocráticas , hierarquicamente bem estruturadas, os funcionários tendem a ser promovidos acima do seu "nível de incompetência". O autor, a partir de um conjunto de observações, mostra como os funcionários costumam começar em posições hierárquicas inferiores. Porém, quando se mostram competentes na tarefa que desempenham, normalmente, são promovidos para posições hierárquicas superiores. Esse processo mantém-se até atingirem uma posição onde já não são competentes. isto é, uma posição onde as competências que despoletaram a sua ascensão já não são as necessárias para essa mesma posição. E, visto que a despromoção não é um mecanismo habitual, as pessoas mantém-se nessas posições prejudicando a organização onde se encontram. É isso que Peter designa por "nível de incompetência" - o grau a partir do qual as pessoas já não possuem competências para a posição que ocupam. Porém, não posso deixar de pensar no autor sempre que me deparo com algumas situações que parecem enquadrar-se, perfeitamente, no "princípio de Peter". Como me deparei com algumas em empresas públicas e na política portuguesas dado haver actualmente no nosso país, incompetentes em cargos de gestão e chefia , encontrei para tal uma explicação na blogosfera que passo a citar:
. Sinto nostalgia do tempo em que, quando entrei para o mercado de trabalho do Estado, o Princípio de Peter descrevia bem a gestão. Pelo menos tínhamos um chefe que fora bom em algo — apesar de tomar decisões erradas, porque não tinha aptidões de gestor — e todos tínhamos a esperança de sermos promovidos para além dos nossos níveis de competência. Só que o Princípio de Peter foi substituído pelo Princípio de Dilbert: “Os mais ineficientes são sistematicamente colocados onde podem causar menos danos, isto é, em cargos de gestão.”
Mas quem foi o Dilbert ?
Na década de 90, era bastante popular a “banda desenhada” de um personagem caricato do ambiente de trabalho chamado Dilbert. Esse personagem foi criado por Scott Adams, um americano e empregado típico - submisso e obscuro - de duas grandes corporações. As bandas desenhadas mostravam como os trabalhadores eram colocados diante de situações ridículas e absurdas por chefes incompetentes, insanos e até mesmo, sádicos. Diante disso, é fácil deduzir que elas caíram rapidamente no gosto do público. O livro Princípio Dilbert ocupou o topo da lista dos mais vendidos do New YorK Times e Dilbert chegou a ser considerado uma das 25 personagens mais influentes dos EUA
Scott Adams não perdoava nada. Toda e qualquer técnica ou método de gestão em uso, foi alvo de ironias impiedosas, pois ele aproveitava-se de falhas ou insucessos para generalizar o princípio de que tudo o que acontece no ambiente de trabalho fora cuidadosamente elaborado para alienar as pessoas.
O moral dos empregados é algo de arriscado. Os empregados felizes trabalharão mais sem pedirem salários suplementares. Mas, se estiverem demasiado felizes, começam a lamentar-se de que, com o seu salário actual, terão de viver numa barraca quando se reformarem. O melhor equilíbrio de moral para a produtividade dos funcionários é: felizes, mas com pouca auto-estima.As empresas criaram técnicas que fazem descer a auto-estima dos empregados para a “zona produtiva” sem sacrificarem a felicidade. As que se têm mostrado mais eficazes são as técnicas de humilhação. Eis as mais utilizadas:
Cubículos. São “espaços de trabalho” de pequenas dimensões, separados por biombos, sem tecto nem janelas e são transportáveis. O único contra é que alguns empregados adquirem um sentimento de “lar” na sua pequena parcela de propriedade imobiliária, surge o orgulho de proprietário e ... adeus produtividade! Mas, graças ao novo conceito de atribuição de cubículos aos empregados à medida que vão chegando, este risco pode ser eliminado. Outra vantagem é que acaba com as confusões quando se têm que fazer reduções de pessoal; o empregado nem precisa de esvaziar a secretária;
Vestuário. As empresas descobriram um método barato de obrigarem as pessoas a vestirem-se de forma humilhante, mas variada, sem terem despesa com uniformes. Eis o simbolismo de alguns acessórios de vestuário: a gravata simboliza uma trela; os collants são como grilhetas de prisioneiros; os saltos altos simbolizam masoquismo;
Programas de prémios aos empregados. Enviam uma mensagem a todos os empregados, e não apenas aos vencedores, ou seja: “aqui está mais uma pessoa que só será despedida depois de te tratarmos da saúde”;
Subestimar o contributo dos empregados. O sentimento de que o trabalho está a ser valorizado provoca auto-estima, que surge acompanhada de pedidos de dinheiro nada razoáveis. Os métodos mais cruéis que funcionam melhor são: folhear uma revista enquanto o empregado exprime uma opinião, pedir uma informação com urgência e depois deixá-la em cima da secretária de quem a elaborou durante semanas e mandar a secretária responder a telefonemas que eram para si.
Para terminar digo-lhe como fingir ser um empregado produtivo sem qualquer dispêndio real de tempo ou energia. Eis algumas dicas para o conseguir:
Seja consultor. Se não pode ser gestor, seja consultor de pessoas que fazem o trabalho. Pode necessitar de alguma especialização, mas não exagere. Quando for considerado mais esperto que os outros, não interessa se é 1% ou 1000% mais esperto;Mude frequentemente de funções. Quanto mais tempo se mantiver numa função, maior será o volume de trabalho que lhe pedirão que faça. Mude de funções tantas vezes quantas puder. Dois anos é o tempo máximo de permanência na mesma função;Queixe-se da sua carga de trabalho. Deve inserir em qualquer conversa as frases “estou atolado em problemas”, “hoje recebi 1500 mensagens de voice mail”, “vou ficar cá outra vez no fim-de-semana”. Elas vão penetrando no subconsciente das pessoas, que o considerarão um trabalhador esforçado;Mantenha a secretária desarrumada. Os executivos podem ter a secretária arrumada, mas para os restantes trabalhadores é sinal de que não estão a trabalhar o suficiente. Erga pilhas enormes de documentos porque o que conta para o observador é o volume.
Bom dia de trabalho!
(este texto é uma adaptação, com a devida vénia, de vários outros encontrados na blogosfera )

5.4.10

MAÇONARIA- o que é?


A origem da Maçonaria remonta à Idade Média , sabendo-se que em 24 de Junho de 1717 foi fundada a Grande Loja Maçónica de Londres e em 1723 o Grande Oriente de França. A maçonaria é uma sociedade secreta na qual homens livres e de bons costumes cultivam a liberdade, a fraternidade e a igualdade entre os seres humanos tendo como princípios a tolerância , a filantropia e a justiça. Poderemos ainda afirmar que é uma ordem iniciática e ritualista, baseada no livre pensamento com vista a edificar uma sociedade mais livre, justa e igualitária . A Maçonaria rejeita dogmas, combate a opressão, o terror, a ignorância, a miséria e a corrupção. Dissemos que era iniciática porque nela só ingressa quem se submete à cerimónia de iniciação que significa a passagem das trevas para a luz do conhecimeno ; ritualista porque as reuniões obedecem a determinados rituais,
Os maçons reúnem-se num local chamado loja, onde praticam os rituais de reflexão , dirigidos por um mestre, conhecido como venerável mestre. As cerimónias de reflexão e aprendizagem são sempre realizadas em honra e homenagem a Deus . A maçonaria aceita a existência de um princípio superior, simbolizado pelo Grande Arquitecto do Universo que não tem definição e que cada um interpreta segundo a sua convicção. Para uns será o Deus em que acredita , para outros os Sol ou a Natureza , para outros a resultante de todas as forças que actuam no Universo e o regem. Desta forma há o respeito por todas as religiões , pois todas são verdadeiras se lhe retirarmos o fanatismo e a superstição. No passado medieval, o maçon era obrigado a seguir a religião do seu país , mas com o “ iluminismo” considerou-se adequado apenas impor a religião sob a qual todos estão de acordo , e que consiste em amar o próximo , fazer o bem e ser homem bom, de honra e probidade. Assim a Maçonaria acolhe ateus , agnósticos e pessoas de diversos credos. Há contudo divergências : A Maçonaria Regular, Tradicional ou de Via Sagrada impõe a crença em Deus . na imortalidade da alma e não aceita mulheres na ordem, em clara oposição ao que defendem os do ramo Liberal ou Laico. Os primeiros, ao manterem uma tradição de 300 anos , não se adequando aos valores éticos actuais, excluem três quartos da humanidade. Os ensinamentos maçónicos são transmitidos através de símbolos, dando assim um conhecimento profundo e adequado ao nível intelectual de cada indivíduo. A Maçonaria tem em mente a instrução moral, física e intelectual. Os ensinamentos buscam sempre lembrar três deveres fundamentais do ser humano : os deveres para consigo próprio, para com a humanidade e para com Deus. Para consigo consiste em estabelecer uma perfeita ligação entre a personalidade e a individualidade, entre o corpo e a alma . Para com a humanidade compreendendo a família, a pátria e o universo.. Para com Deus por ser o princípio de tudo.
Como o fim último da Maçonaria é a”construção” de um homem novo e esta ideia de construção é baseada na geometria que os maçons consideram a mais nobre das artes, assim se explica que a régua, o esquadro e o compasso sejam o símbolo do pensamento maçónico, numa recordação simbólica das antigas associações de pedreiros livres , construtores das catedrais góticas. De idêntica forma se explicam os aventais usados nas cerimónias.
Ao que conseguimos apurar, em Portugal existem actualmente duas grandes obediências maçónicas : o Grande Oriente Lusitano, fundado em 1802 e reconhecido pelo Grande Oriente de França desde 1804 . Tem o maior número de filiados e representa a Maçonaria Liberal ; a outra é a Grande Loja Legal de Portugal criada em 1996 tendo a maioria dos membros saído da Grande Loja Regular de Portugal.
Existe ainda a Grande Loja Feminina de Portugal fundada em 1997 e constituída exclusivamente por mulheres.
Fundada em 1923 surge uma ordem maçónica mista designada de O Direito Humano.Pautada por grande descrição e elitismo está também presente em Portugal a Ordem Maçónica Mundial do Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim, pouco se sabendo das suas actividades .

3.4.10

O CASTELO DA LOUSÃ


O castelo da Lousã fica situado na margem direita da ribeira de Arouce ( um sub afluente do rio Mondego ) no alto de um estreito contraforte da serra da Lousã e toma esta designação por se encontrar a cerca de 1,5 Kms da vila com o mesmo nome.
É também conhecido como castelo de Arouce embora mais distante da actual povoação de Foz de Arouce. A antiga vila de Arouce, junto ao castelo, há séculos que desapareceu, restando hoje alguns pedaços de muros espalhados pela serra e não se sabe em que data foi iniciada a construção da fortificação para a sua protecção.
O documento mais antigo que refere esta povoação de Arouce data do ano 943 e é um contrato entre Zuleima Abaiud, um cristão que vivia no mundo muçulmano(um moçárabe ) e o abade Mestúlio do Mosteiro do Lorvão. Nesse documento é mencionado o topónimo Arauz que deve ter originado Arouçe.
Admite-se que a construção do castelo, ou talvez a sua reconstrução, remonte a 1080, quando a povoação de Arouce foi pacificamente ocupada pelo conde Sesnando Davides, governador da zona de Conimbria (Coimbra), por mandato de Fernando Magno, rei de Leão e Castela que havia conquistado aquela cidade aos mouros em 1064, antes da formação do reino de Portugal. O castelo de Arouce foi reconquistado pelos mouros por volta de 1124, e reocupado e reparado por D. Teresa do condado Portucalense e mãe de D. Afonso Henriques . Já com a formação do reino de Portugal , o castelo fez parte da linha de defesa fronteiriça que era o rio Mondego, juntamente com os castelos de Penacova, Soure, Miranda do Corvo Penela e Ladeia, isto até 1147.
Quando D. Afonso Henriques conquista Santarém e depois Lisboa, a linha de fronteira passa a ser o rio Tejo e o castelo perde importância militar mas continua a ser usado como residência de verão pela rainha D. Mafalda, esposa de D. Afonso Henriques. O castelo e a povoação de Arouce recebem foral em 1151 mas mais tarde , em 1160, um novo documento já fala em Lousã como coisa distinta de Arouce , o que demonstra que a antiga povoação romana voltara a ter população com a pacificação da região, crescendo de tal forma que recebeu foral de D. Afonso II, no ano de 1207.
O castelo, de pequenas dimensões, tem as muralhas reforçadas por três cubelos e uma praça de armas de apenas 130 metros quadrados. O portão de entrada é flanqueado por dois cubelos semi-cilíndricos. O topo das muralhas é percorrido por um adarve, defendido por merlões chanfrados . A torre de menagem é ameada e de planta quadrada e nela se rasga uma porta ogival, ao nível do adarve ,com seteiras do lado oposto e mais duas portas no piso superior. A torre de menagem deve ter sido erguida durante o século XIV em alvenaria de xisto da era Silúrica, como aliás as suas muralhas , dado ser esta a única pedra da região. A excepção é a guarnição da porta da torre de menagem em grés branco..Entre a vertente escalvada e a torre de menagem subsistem restos da galeria da poterna , saída secreta do castelo para algum local do povoado.
Os séculos e o vandalismo provocado pela busca de tesouros iam destruindo o castelo até que em 1939,1942 e 1945 se fizeram trabalhos de reparação . Outros trabalhos pontuais foram executados em 1950,1956,1964,1971 e 1985, permitindo hoje mantê-lo em bom estado, numa rica paisagem florestal.

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