31.3.10

Mini BIG -BANG

Ontem,30 de Março , pelas 12 horas de Lisboa , ocorreu uma espécie de Big-Bang, a grande explosão que há 13,7 mil milhões de anos originou o Universo.

Tudo se passou no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), em Genebra, Suiça, isto depois de uma avaria ocorrida ,há dois anos , no colossal equipamento que custou cinco mil milhões de euros e que o não deixou funcionar á primeira.

Apelando á vossa benevolência recordo o que escrevi na altura: A PARTÍCULA DE DEUS
A matéria ainda guarda muitos segredos para os cientistas que ,há dezenas anos ,tentam desvendar o mecanismo pelo qual as mais ínfimas partículas dos átomos são dotadas de massa. Embrenhados em sofisticadas equações matemáticas, tentam decifrar o mistério que continua insondável e Peter Higgs propôs, em 1964, uma hipótese que continua por comprovar.... mas estamos a ir rápido de mais.....! Todos sabemos que a matéria é feita de moléculas e que estas são formadas por átomos. Por sua vez, estes são constituídos por uma núvem de electrões que giram, em várias órbitas, em torno de um núcleo composto de protões e neutrões, cuja massa é milhares de vezes superior à dos electrões. Mas há mais... ! Os neutrões e protões são formados pelos quarks . Estes são partículas elementares da matéria que nunca se podem observar de forma isolada , interagindo com as quatro forças fundamentais da matéria . Sem entrar em grandes detalhes, diremos que há vários tipos de quarks como o Top (com uma massa 350.000 vezes a do electrão ) , o Bottom,o Charm ,o Strange,o Up e o Down, todos eles de massa diferente. As quatro forças fundamentais da matéria que interagem com as partículas e alteram a sua identidade, energia ou movimento são: a força nuclear forte. a nuclear fraca ,a electromagnética e a gravitacional. Para além dos quarks ,há outras partículas da matéria chamadas leptões. Ao contrário dos quarks, podem ser detectadas de forma isolada. São leves, vulneráveis à força nuclear fraca e imunes á forte. Como exemplo de leptões temos: o electrão, o muão.o tau, e os neutrinos(electrónico, muónico e tautónico), todos de massas diferentes. Além das partículas de matéria (quarks e leptões) existem partículas de energia, os bosões. São exemplos de bosão: fotão, W+, W-, Zº, gluão e os hipotéticos gravitão e bosão de Higgs. Os bosões são mediadores que permitem a transmissão de cada uma das forças fundamentais do Universo, a que já nos referimos um pouco vagamente. Voltemos então a essas forças: Força nuclear forte---actua sobre os quarks para formar protões, neutrões e outras partículas. É muito intensa e de curto alcance, mantendo os protões e neutrões coesos no núcleo. A sua partícula mediadora é o gluão . Força nuclear fraca---Actua sobre quarks e leptões e o seu efeito mais conhecido é a transformação de um neutrão em um protão, com emissão de um electrão e de um neutrino. Manifesta-se na radioactividade.Os seus mediadores são os bosões W+,W- e Zº.Força electromagnética----Actua sobre partículas electricamente carregadas, sem alterar a sua identidade. Faz com que cargas iguais se repilam e cargas diferentes se atraiam. Tem longo alcance e o seu mediador é o fotão. Força gravitacional----Age sobre partículas com massa.Tem longo alcance e pensa-se que a sua partícula mediadora seja o hipotético gravitão. Posto isto, chega-se a um quebra-cabeças; os físicos ao desenvolverem este novo modelo de átomo com as partículas e mediadores , atrás referidos, exigem que a massa de todas elas seja nula. Se a massa das partículas tem de ser nula, como é que se entende que a matéria, formada por átomos, tenha massa? Uma tentativa de explicação foi dada por Peter Higgs ao afirmar que o espaço deve ser atravessado por uma força que pode influenciar as partículas nele existentes que assim adquiririam massa. Essa força deve ser mediada por um bosão a que já chamaram bosão de Higgs ou partícula de Deus. Esta ideia colide com a nossa intuição, já que sempre consideràmos a massa como propriedade intrínseca da matéria mas, para os físicos de partículas não é assim. Eles explicam o facto da seguinte maneira : imaginemos uma grande sala cheia de adeptos do futebol.( a sala representa o espaço ocupado pelo campo de Higgs)De repente, entra por uma porta o Cristiano Ronaldo (simboliza a partícula). A presença do jogador gera uma perturbação que se propaga à medida que ele se desloca pela sala e atrai adeptos que se juntam á sua volta, dificultando-lhe a deslocação. Voltemos a falar de partículas; a resistência que a partícula sofre no seu movimento de atravessamento do campo de Higgs, confere-lhe massa. Atente-se na célebre fórmula da Teoria Geral da Relatividade de Einstein E=m.c2 em que massa e energia são convertíveis uma na outra, tudo dependendo do quadrado da velocidade C.. Por tudo aquilo que já descrevemos ,os físicos decidiram, no ano 2000 , construir um enorme acelerador de partículas, a mais potente máquinq alguma vez sonhada, para provar a existência do bosão de higgs. Este LHC (large hadron collider) está instalado num tunel com 27 kms de circunferência, construído na Suissa e pertencente ao CERN (centro europeu de pesquisa nuclear). Também nos Estados Unidos da América, um outro acelerador gigante, o TEVATRON , procura o bosão de Higgs, embora só tenha 6 kms de circunferência e foi nele que foi descoberta a última partícula conhecida, o quark Top. Mas para que serve esta máquina gigantesca, perguntará o leitor ? A ideia é fazer chocar protões, a altíssimas velocidades, afim de observar as partículas que resultam dessas colisões. Os protões e antiprotões são impulsionadas magneticamente num tubo, em sentidos opostos, no anel do acelerador com os tais 27 kms) .Logo que atinjam a velocidade necessária serão desviados para que entrem em colisão frontal, no seio de um detector. O LHC, com os seus 140 milhões de sensores,registará a passagem de milhares de partículas resultantes das colisões, esperando-se que entre elas esteja o bosão de Higgs.É compreensível ser a violência do choque a fazer a diferença entre o ser ou não observada a partícula de Deus., já que a massa das partículas é directamente expressa em energia (eV ou electrão volt) de acordo com a fórmula E=m.c2 .Ora se o Tevatron dos americanos que tem uma energia máxima de 2 Tev ( teraelectrão volt) ou sejam 2 triliões de electrões volt, se arroja à descoberta do bosão de Higgs o que esperar do LHC europeu que terá sete vezes mais ? Esperemos para ver, embora alguns digam que os cientistas estão loucos e que vão criar buracos negros e antimatéria, destruindo a Terra e talvez algo mais. Já passaram 24 horas sobre a experiência e a Terra ainda cá está. O Homem continua um aprendiz de feiticeiro.

24.3.10

O ALÉM DOS EGIPCIOS

Para os egípcios , a morte era a separação das cinco partes que constituíam o ser humano ; três estavam directamente ligadas ao físico e eram o khet (corpo), o shut (sombra) e o ren (nome) ; a duas imateriais seriam o Ka, uma ínfima porção da energia universal cósmica que a pessoa recebia ao nascer e desaparecia com a morte e o ba que poderíamos designar como a personalidade. O nome, atribuído ao nascer, ,era muito importante, pois ele tinha de ser reconhecido e recordado na outra vida . Um dos piores castigos que um egípcio podia sofrer era apagarem-lhe o nome de documentos ou de outro qualquer local pois cairia no esquecimento eterno . A sombra era a imagem do lado negativo do indivíduo enquanto vivente. Como as referidas cinco partes deveriam voltar a juntar-se no Além , uma série de procedimentos teriam de ser executados logo a seguir ao óbito. A preservação do corpo era imprescindível, daí terem de o mumificar. O processo mais perfeito demorava 70 dias e era realizado em fases bem diferenciadas. A mumificação dependia do dinheiro que os familiares do defunto podiam pagar; na realidade havia três qualidades de embalsamamento e só os ricos acediam ao mais elaborado. Os mais pobres tinham de contentar-se com uma limpeza abrasiva das entranhas e a um banho com uma solução de carbonato de sódio para desidratar o corpo mumificando-o. Um tratamento médio consistia em injectar óleo de cedro no abdómen, e o corpo lavado com carbonato de sódio. Passados alguns dias ao retirar-se o óleo de cedro este arrastava consigo os órgãos internos desfeitos e o corpo era enfaixado. Junto à múmia eram colocados amuletos e recitadas fórmulas mágicas para a preservação do corpo.
No caso dos ricos, o corpo era primeiro purificado lavando-o com água fresca perfumada e pelos orifícios nasais era retirada a maior quantidade possível de massa encefálica . Através de um incisão no lado esquerdo do cadáver eram retiradas as vísceras que se embalsamavam em separado e posteriormente guardadas em vasos especiais (vasos canopos) . Esvaziado o corpo este era lavado com vinho de palma e especiarias e recheado com mirra , incenso , carbonato de sódio e perfumes. De seguida era coberto de carbonato de sódio durante 36 dias. Passado este tempo o corpo era retocado e pintado para melhorar o aspecto ; assim o golpe lateral por onde tinham retirado as vísceras era disfarçado com uma camada de cera ou com uma placa de ouro e todos os orifícios naturais tamponados com uma resina. Os dedos eram cobertos com grandes dedais para não se desfazerem. Terminada esta cosmética o corpo era enfaixado numa operação dupla com ligaduras de linho. Após tudo isto fazia-se o funeral. Este consistia numa procissão solene em que o cadáver era levado num andor , por vezes em forma de barca, sob uma cobertura colorida, Uma parelha de bois levava o caixão juntamente com uma caixa onde iam os vasos canopo que continham as vísceras e um enigmático tekenu . Um sacerdote abria o cortejo oferecendo libações e incenso; seguiam-no os familiares e os amigos , as carpideiras e outros sacerdotes menores. Também eram transportados os objectos pessoais do falecido tais como móveis , vestidos, jóias ,perfumes, armas, comida e bebidas e até estatuetas de criados que se transformariam em seres reais no Além, tudo para que nada faltasse ao defunto na outra vida. Para que o falecido pudesse ressuscitar era necessário ainda despertar os sentidos o que era realizado numa complexa cerimónia , conhecida como abertura da boca . Esta cerimónia era presidida pelo filho herdeiro que a oficiava como sacerdote, coberto por uma pele de felino, No fim deste longo e complexo ritual a múmia era finalmente colocada no sarcófago e o túmulo selado

18.3.10

História do Viagra



A potência sexual foi sempre um elemento primordial para o homem , mesmo nas sociedades primitivas pois era significado de poder. Os Gregos antigos não escapavam a esta premissa e a cura da impotência preocupava já os médicos daqueles tempos .
Certamente terão fracassado as rezas dos “ asclépiades” e por isso os “hipocráticos” aplicavam no pénis , no ânus e nas coxas uma mistura de azeite e pimenta , esfregando toda a zona com um ramo de urtigas . Não sabemos se acertaram com o receituário! Também entre os chineses a potência sexual é obsessão histórica : o elixir dourado procurado pela alquimia taoista para obter a imortalidade estava relacionada com o rendimento sexual do homem. Os farmacêuticos ambulantes da antiga China dispunham de vários medicamentos tais como sangue de serpente que os velhos deveriam beber por uma taça de cristal, ou sopas de barbatanas de tubarão ou de ninhos de andorinha. Ainda hoje os ervanários chineses vendem lâminas de cornos de veado para estimular a potência sexual. Não eram só os chineses que assim pensavam; Henrique IV meio irmão de Isabel , a católica, de Espanha chegou a enviar emissários a África para procurarem o corno do unicórnio. Ficou para a história com o cognome de “o impotente”.
Em 1985, dois investigadores dos laboratórios farmacêuticos Pfizer, Simon Campbell e David Roberts que trabalhavam num fármaco para as doenças cardiovasculares , verificaram que o citrato de sildenafil era um poderoso agente eréctil , pois inibia um enzima que limita a produção de oxido nítrico. A substância em causa dava lugar a um maior fluxo de sangue no corpo cavernoso do pénis e a uma prolongada erecção . Os laboratórios da Pfizer patentearam o produto em 1996 e comercializaram-no com o nome de Viagra. Embora surta os efeitos desejados , tem efeitos secundários indesejáveis como dores de cabeça ,vermelhidão no rosto e visão azul, para já não falar em casos raros de morte por enfarte cardíaco . Parece que o nome do medicamento deriva da antiga palavra oriental vyaghra que significa homem com força de tigre.
Não fujo à tentação de transcrever passagens de um site que afirmava :….desde que apareceu o viagra os velhos andam todos malucos ! Embora o viagra tenha salvo alguns casamentos em risco e tenha dado a outros novas cores, serve igualmente para destruir as famílias e semear a desgraça , tudo porque a relação está a ser feita na base de uma performance sexual artificial. Não se pense, no entanto, que este tema diz respeito só aos velhos . A moda do viagra estendeu-se a outras idades . São os jovens que perspectivando uma relação ocasional e querendo fazer boa figura , recorrem ao elixir e a relação que começa esforçadamente na cama ,continua nesta somente até os parceiros se cansarem um do outro. As mulheres devem desconfiar do macho que conheceram na discoteca e que se manteve firme várias horas. Não pensem que ele se manterá sempre assim pois mais cedo ou mais tarde os efeitos secundários do medicamento se farão sentir. O mesmo podemos dizer de certos produtos anunciados como afrodisíacos femininos que transformam a mulher numa devoradora de homens. Os efeitos secundários são inevitáveis.

16.3.10

FILOSOFANDO ( 3 )


Há dias, alguém me questionou sobre o que era o tempo, aquele tempo que os físicos medem em unidades por eles criadas. Fiquei sem resposta imediata pois ainda retinha na memória a experiência que fora realizada pelos físicos quânticos em 2003, e na qual chegaram à conclusão que o tempo não existia. Segundo aqueles físicos havia um pequeno espaço de tempo que não existia, pois nos bilionésimos de segundo durante os quais se observa a formação de fotões, não se pode afirmar que fenómeno se passou antes ou depois, já que o tempo não passa.
Será então o tempo uma ilusão? Se a resposta divide hoje os filósofos , a ciência não oferece resposta e apenas tem uma verdade : o tempo existe apenas desde que alguém o começou a medir , primeiro com a clepsidra e actualmente com os relógios atómicos. Einstein mostrou teoricamente que o tempo é uma noção relativa e que dois relógios , por mais precisos que fossem, apresentariam leituras diferentes consoante se estivessem a afastar ou a aproximar , a velocidades próximas da luz. Também já todos nos apercebemos que às vezes o tempo nos parece passar rapidamente e de outras vezes muito de vagar, tudo dependendo do nosso estado de espírito .Dando um exemplo: uma hora (60 minutos) numa festa parece ter sido um instante e em uma situação de aflição parece ser uma eternidade. A mesma contagem de tempo torna-se diferente , de pessoa para pessoa , consoante a situação que cada uma está a viver. Perante isto voltamos ao princípio : o tempo existe ? Haverá passado, presente e futuro ? Será que vivemos aquilo que consideramos como passado, pois o que temos são lembranças ? E sendo lembranças como podemos garantir que algo realmente existiu da forma como o lembramos ? Sendo o passado uma lembrança , isto é, uma informação do cérebro, ele não existe . Nesta linha de argumentação o presente não existe porque já passou. E o futuro que vem a caminho e se vai tornando presente? Também não existe pois ele é só uma ideia na nossa cabeça. Será que o tempo não existe e é uma criação da mente humana? Sabemos que ao longo da nossa vida a percepção do tempo vai evoluindo por efeito do desenvolvimento do cérebro e do aumento da memória e das capacidades cognitivas. Expliquemos melhor: até aos 15 meses de vida uma criança não tem noção da passagem do tempo e muito lentamente , a partir dessa idade, vai tendo a noção de que o tempo é algo que passa; só lá para os sete anos de idade apreende a ideia de hora, minutos e segundos. Também se sabe que sob a acção de drogas ou por efeito de doenças neurológicas a noção do tempo é distorcida .
Para terminar, deixamos outra pergunta : quando morrermos que acontece ao tempo ? Deixa de existir ou nunca existiu ?

Terminamos com uma velha cantilena da escola
... O tempo pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem ....

8.3.10

Aspectos geológicos da ilha da Madeira


Os recentes e muito graves acidentes naturais ocorridos em 20 de Fevereiro no Funchal (Madeira), provocados por pluviosidade anormal e pela orografia da ilha, levaram-me a descrever alguns aspectos geológicos desta região. O arquipélago da Madeira, constituído pelas ilhas da Madeira e de Porto Santo, além dos ilhéus Selvagens e Desertas, é de origem vulcânica .Este arquipélago está intimamente ligado à formação (abertura) do oceano Atlântico, fenómeno que começou há muitos milhões de anos, mais ou menos há cerca de 200 milhões. As ilhas tiveram origem numa ascensão de magma a partir de um “ponto quente” no Manto Superior da placa Africana . O ponto quente ou "hot spot", é uma estrutura geológica que emite uma “pluma” de material magmático em direcção à superfície da crosta, perfurando a placa litológica. No caso vertente, e dado que esta placa designada de Africana se deslocava no sentido W-E, a pluma foi assim dando origem às várias ilhas e ilheus do arquipélago. Claro que ao longo dos milhões de anos a estrutura das ilhas se foi modificando e, por isso, a ilha da Madeira é hoje formada por dois grandes maciços: o Maciço Vulcânico Central, que ocupa a região central da ilha e onde predomina material de origem vulcânica explosiva como os grandes blocos, bombas, lapilli , cinzas, etc. numa disposição caótica, resultado dos diversos centros de erupção, isto é, de diferentes crateras, hoje muito difíceis de localizar. A pouca coesão do material piroclástico atrás citado permitiu, por erosão, a formação de profundos vales e gargantas, constituindo a morfologia das ribeiras Brava, dos Socorridos, de Machico, S. Vicente e Faial, para só falar das principais. Foi esta pouca coesão e as fortes chuvadas que provocaram o desastre natural ocorrido em 22 Fevereiro de 2010 e de que as televisões de todo o mundo deram notícia. Já a zona plana do maciço do Paul da Serra corresponde a uma plataforma estrutural originada por derrames basálticos, que se encontram dispostos levemente inclinados para SW. Mas não fica por aqui a confusa geomorfologia desta “pérola do Atlântico”!Em torno da ilha da Madeira, formaram-se calcários de recifes de corais, posteriormente erodidos, sendo muito visível o afloramento de calcários de S. Vicente, este a uma cota superior ao actual nível do mar. Posteriormente, as formações de origem sedimentar foram cobertas por novas camadas de materiais eruptivos. A ilha encontra-se recortada por muitos filões de orientações diversas, formando linhas de cumeada vigorosas, como é o caso dos troços superiores da ribeira Brava , no denominado caminho da Encumeada. A grande maioria das formações geológicas da ilha da Madeira são rochas vulcânicas extrusivas ( o magma arrefeceu no exterior) tais como: rochas lávicas, efusivas, muito compactas, ou porosas resultantes de escoadas basálticas , quer dos episódios de actividade explosiva do centro de emissão. Têm inclinações diversas e são mais acentuadas à periferia da ilha. As escoadas basálticas apresentam-se, no geral, escoriáceas na parte superior. São frequentes os aspectos de disjunção prismática. São também comuns certas estruturas que o geólogo Grabham designou por disjunção em lajes, resultante da separação das escoadas basálticas por juntas paralelas às camadas. Mas mais frequentes são os aspectos de disjunção esferoidal , formada por camadas concêntricas de rocha basaltica alterada pelos agentes de meteorização externa. (A rocha basáltica vai-se alterando de fora para dentro em camadas concêntricas , tal como acontece com o descascar de uma cebola que sai em camadas concêntricas) Aparece também um tipo de escória vulcânica, porosa , designada pelos madeirenses por “cantaria rija”, por ser muito usada em cantaria das casas Entre as rochas piroclásticas, existe uma grande variedade de materiais, desde enormes blocos a cinzas muito finas, passando por termos intermédios como já referimos anteriormente. O litoral da ilha relaciona-se com a plataforma submarina. Segundo alguns autores esta tem maior largura a Norte, face à que se situa a Sul, à semelhança do que acontece no Porto Santo. Este facto tem sido interpretado, como maior capacidade de abrasão no litoral virado a Norte .


A propósito da recente enxurrada que ocorreu na Ilha da Madeira e que tantos estragos provocou encontrámos um texto premonitório do acontecimento que transcrevemos na íntegra:

O engenheiro silvicultor Cecílio Gomes da Silva, falecido em 2005, publicou um artigo em que descreve de maneira bastante aproximada o que viria a acontecer na Madeira .( Artigo publicado no dia 13 de Janeiro de 1985 no jornal "Diário de Notícias" do Funchal )
Traumatizado pelo estado de desertificação das serras do interior da Ilha da Madeira, muito especialmente da região a Norte do Funchal e que constitui as bacias hidrográficas das três ribeiras que confluem para o Funchal, dando-lhe aquela fisiografia de perfeito anfiteatro, aliado a recordações da infância passada junto à margem de uma das mais torrenciais dessas ribeiras - a de Santa Luzia - o mundo dos meus sonhos é frequentemente tomado por pesadelos sempre ligados às enxurradas invernais e infernais dessa ribeira. Tive um sonho.
Adormecendo ao som do vento e da chuva fustigando o arvoredo do exemplar Bairro dos Olivais Sul onde resido, subia a escadaria do Pico das Pedras, sobranceiro ao Funchal. Nuvens negras apareceram a Sudoeste da cidade, fazendo desaparecer o largo e profundo horizonte, ligando o mar ao céu.
Acompanhavam-me dois dos meus irmãos - memórias do tempo da Juventude - em que nós, depois do almoço, íamos a pé, subindo a Ribeira de Santa Luzia e trepando até à Alegria por alturas da Fundoa, até ao Pico das Pedras, Esteias e Pico Escalvado. Mas no sonho, a meio da escadaria de lascas de pedra, o vento fez-nos parar, obrigando-nos a agarrarmo-nos a uns pinheiros que ladeavam a pequena levada que corria ao lado da escadaria. Lembro-me que corria água em supetões, devido ao grande declive, como nesses velhos tempos. De repente, tudo escureceu. Cordas de água desabaram sobre toda a paisagem que desaparecia rapidamente à nossa volta. O tempo passava e um ruído ensurdecedor, semelhante a uma trovoada, enchia todo o espaço. Quanto durou, é difícil calcular em sonhos. Repentinamente, como começou, tudo parou; as nuvens dissiparam-se, o vento amainou e a luz voltou. Só o ruído continuava cada vez mais cavo e assustador. Olhei para o Sul e qualquer coisa de terrível, dantesco e caótico se me deparou. A Ribeira de Santa Luzia, a Ribeira de S. João e a Ribeira de João Gomes eram três grandes rios, monstruosamente caudalosos e arrasadores. De onde me encontrava via-os transformarem-se numa só torrente de lama, pedras e detritos de toda a ordem. A Ribeira de Santa Luzia, bloqueada por alturas da Ponte Nova - um elevado monturo de pedras, plantas, arames e toda a ordem de entulho fez de tampão ao reduzido canal formado pelas muralhas da Rua 31 de Janeiro e da Rua 5 de Outubro - galgou para um e outro lado em ondas alterosas vermelho acastanhadas, arrasando todos os quarteirões entre a Rua dos Ferreiros na margem direita e a Rua das Hortas na margem esquerda. As águas efervescentes, engrossando cada vez mais em montanhas de vagas espessas, tudo cobriram até à Sé - único edifício de pé. Toda a velha baixa tinha desaparecido debaixo de um fervedouro de água e lama. A Ribeira de João Gomes quase não saiu do seu leito até alturas do Campo da Barca; aí, porém, chocando com as águas vindas da Ribeira de Santa Luzia, saltou pela margem esquerda formando um vasto leito que ia desaguar no Campo Almirante Reis junto ao Forte de S. Tiago. A Ribeira de S. João, interrompida por alturas da Cabouqueira fez da Rua da Carreira o seu novo leito que, transbordando, tudo arrasou até à Avenida Arriaga. Um tumultuoso lençol espumante de lama ia dos pés do Infante D. Henrique à muralha do Forte de S. Tiago. O mar em fúria disputava a terra com as ribeiras. Recordo-me de ver três ilhas no meio daquele turbilhão imenso: o Palácio de S. Lourenço, A torre da Sé e a fortaleza de S. Tiago. Tudo o mais tinha desaparecido - só água lamacenta em turbilhões devastadores. Acordei encharcado. Não era água, mas suor. Não consegui voltar a adormecer. Acordado o resto da noite por tremenda insónia, resolvi arborizar toda a serra que forma as bacias dessas ribeiras. Continuei a sonhar, desta vez acordado. Quase materializei a imaginação; via-me por aquelas chapas nuas e erosionadas, com batalhões de homens, mulheres e máquinas, semeando urze e louro, plantando castanheiros, nogueiras, pau-branco e vinháticos; corrigindo as barrocas com pequenas barragens de correcção torrencial, canalizando talvegues, desobstruindo canais. E vi a serra verdejante; a água cristalina deslizar lentamente pelos relvados, saltitando pelos córregos enchendo levadas. Voltei a ouvir os cantares dolentes dos regantes pelos socalcos ubérrimos das vertentes. Foram dois sonhos. Nenhum deles era real; felizmente para o primeiro; infelizmente para o segundo.

Oxalá que nunca se diga que sou profeta. Mas as condições para a concretização do pesadelo existem em grau mais do que suficiente.
Os grandes aluviões são cíclicos na Madeira. Basta lembrar o da Ribeira da Madalena e mais recentemente o da Ribeira de Machico. Aqui, porém, já não é uma ribeira, mas três, qualquer delas com bacias hidrográficas mais amplas e totalmente desarborizadas. Os canais de dejecção praticamente não existem nestas ribeiras e os cones de dejecção estão a níveis mais elevados do que a baixa da cidade. As margens estão obstruídas por vegetação e nalguns troços estão cobertas por arames e trepadeiras. Agradável à vista mas preocupante se as águas as atingirem. Estão criadas todas as condições, a montante e a jusante para uma tragédia de dimensões imprevisíveis (só em sonhos).
Não sei como me classificaria Freud se ouvisse este sonho. Apenas posso afirmar sem necessidade de demonstrações matemáticas que 1 mais 1 são 2, com ou sem computador. O que me deprime, porém, é pensar que o segundo sonho é menos provável de acontecer do que o primeiro. DEI O ALARME PENSEM NELE

1.3.10

POMPEIA cidade dos prazeres

Em 21-4-08, publiquei, na etiqueta História , uma mensagem intitulada POMPEIA..auge e morte que hoje vou completar sob outro aspecto. A julgar pelo elevado número de esculturas e pinturas da deusa Vénus , a vida diária dos habitantes de Pompeia estava presidida pelo prazer. O jogo, a bebida e o amor eram prazeres a que os pompeianos se entregavam em banquetes particulares nas tabernas que acolhiam os ociosos bebedores ou os viciados jogadores e que podiam degenerar em orgias. O mesmo acontecia nos bordeis oficiais ou clandestinos.
Aos homens residentes em Pompeia agradava organizar, em suas casas, ceias em que os convidados eram servidos em louça luxuosa. Geralmente, um banquete de requinte disponibilizava sete pratos aos convidados do evento. Pastas, cogumelos e frutos do mar temperados integravam as entradas que aguçavam os sentidos dos convidados. Para o prato principal era indispensável a escolha de uma bela carne acompanhada por frutas, molhos e cebolas que sustentavam a variada gama de sabores a serem degustados. No fim, a sobremesa do banquete era composta por frutas, bolos quentes e flores. Na sala, o triclinium era mobilado com três leitos onde se recostavam três convivas . Naquela época comer deitado era um acto que evidenciava condição social abastada. Apenas os menos afortunados e os escravos comiam sentados. Não podemos esquecer que esses banquetes também se transformavam em grandes orgias onde os prazeres carnais também eram excessivamente consumidos. Para animar o evento, músicos mostravam suas habilidades tocando a lira, a chitara, castanholas de origem hispânica e tambores importados do norte da África. O cordax era uma das danças eróticas que despertavam a paixão entre os convidados. Nesse momento, a festa alcançava o seu auge. Com esta agitação toda, um grande banquete exigia que o seu responsável contasse com um grande número de escravos. Normalmente, eles tinham a função de trocar os recipientes com água quente para lavar as mãos, espantar as moscas da comida e, em alguns casos, eram também utilizados como objectos sexuais dos convidados da festa. Quando a festa era de facto luxuosa, alguns escravos eram especialmente designados para acompanhar os convidados no retorno a casa. Além disso eram usados trajes específicos, bem como elaborados penteados e joias. O afresco que apresentamos a seguir, encontrado em Pompeia, mostra o ambiente : à esquerda , um escravo ajuda a descalçar um convidado , enquanto na direita um outro escravo ampara outro convidado que acabou de vomitar para poder continuar a comer e a beber. Em alguns locais havia salas próprias para vomitar.
Os pompeianos eram viciados no jogo dos dados como é comprovado pelo grande número destes objectos que foram encontrados nas escavações arqueológicas A imagem seguinte mostra uma pintura mural na parede de uma taberna e onde são retratados dois jogadores em plena partida . Uma inscrição na parede regista o caso de um indivíduo que ganhou 850 denários , o equivalente ao soldo de um legionário durante quatro anos .
Em Pompeia abundam pinturas de tema sexual. Na sua maioria aparecem em lugares associados à prostituição, como sejam tabernas, termas ou bordeis , embora também tenham aparecido em quartos escondidos de casas particulares. Nesta cidade a prostituição era uma actividade comum, aceite pela sociedade, comentada até mesmo em grafites nos muros. Os grafites faziam a propaganda! Consignavam os preços e as especialidades sexuais das mulheres. Graças a estes grafites, os arqueologos que estudam Pompéia descobriram que a prostituição era praticada até em reservados restaurantes, como complemento à refeição.
Um dos elementos característicos da paisagem urbana da cidade eram as tabernas, cerca de 200, o que dava uma média de uma por cada 60 habitantes , crianças e escravos incluídos . Isto pode ser explicado pelo elevado número de marinheiros e mercadores que constituíam uma grande população flutuante . Também se pensa que muitas tabernas seriam locais de venda de produtos comestíveis , como legumes, frutos secos, e guisados , estes confeccionados numa cozinha à parte . Estas tabernas, vendessem elas só vinho ou também comida, abriam directamente para a rua. Tinham grandes vasilhas embutidas em buracos no balcão. Há quem pense que por baixo havia brasas para manter os alimentos e as bebidas quentes.
Os bares não tinham bancos e os clientes enquanto bebiam garatujavam as paredes. Numa dessas paredes foi encontrado escrito um duelo amoroso entre dois homens que se apaixonaram por Íris , a escrava da mulher do taberneiro. Em raras tabernas haveria bancos e mesas , onde se poderiam sentar uma vintena de pessoas. Pompeia possuía ainda um teatro, um auditório para actuações musicais, e um anfiteatro onde cabia toda a população para assistir a corridas , jogos e lutas de gladiadores. Assim se pode comprovar que Pompeia era uma cidade de prazeres.

Arquivo do blogue