22.12.09

AEMINIUM

Aeminium é o nome romano de um povoado situado na colina sobranceira ao rio Mondego na sua margem direita, vinte quilómetros a norte de uma vila romana designada por Conímbriga. Com o passar dos séculos e talvez por influência do nome Conimbriga , Aeminium acabou por ser Conimbria e depois Coimbra.. Da ocupação romana de Aeminium já pouco resta, a não ser parte de um aqueduto e um grande criptopórtico do século I antes de Cristo, situado sob o que é hoje o Museu Machado de Castro, na zona alta da cidade. Um criptopórtico é uma galeria abobadada subterrânea, cujos arcos serviam para sustentar uma estrutura à superfície que, neste caso, era o fórum de Aemínium , praça pública e lugar de reunião dos diferentes habitantes da urbe. A construção do criptopórtico deveu-se ao facto de, naquele local, o declive do terreno ser muito grande e, por esta forma , se conseguir uma extensa área plana para um edifício grande e respectiva praça. A referida estrutura tem dois pisos, formados por grandes celas e galerias, sendo o piso superior de maior área. Pensa-se que durante a ocupação romana e árabe terá servido como armazem de víveres dado as celas serem lugares frescos e escuros que permitiam a conservação de alimentos. Durante a idade média o fórum foi transformado em palácio episcopal e as galerias do criptopórtico entulhadas com materiais de outros edifícios, possivelmente islâmicos ou romanos . No século XX, o paço episcopal foi transformado no Museu Machado de Castro , as galerias romanas desentulhadas e todo o material e espaço estudados. Durante os trabalhos de escavação , na zona anexa ao antigo fórum, foram descobertas redes de água e de esgotos construídas pelos romanos . A grande conduta de água ligava-se ao aqueduto que vinha de Celas e que hoje é conhecido como Arcos do Jardim.

(aqueduto ou arcos do jardim ,isto é, do Jardim Botânico ali ao lado)

O esgoto romano encontrado funcionava ainda como vazadouro de águas sujas a habitações circundantes dos séculos XIX e XX, isto a quando do início dos trabalhos de arqueologia. Foi ainda descoberta uma fonte monumental que estaria implantada na fachada do fórum , bem como alguns bustos. Outros raros vestígios de Aeminium estarão na Igreja de S.João de Almedina e na zona da porta com o mesmo nome , bem como nas caves da Livraria Almedina a ela colada. Lamentamos não ter encontrado qualquer documento público sobre os trabalhos de recuperação do criptopórtico já que tendo eles demorado mais de uma dezena de anos, certamente terão trazido á luz objectos de grande interesse histórico que aqui poderíamos citar. (foto mostrando as galerias e celas do criptopórtico )

13.12.09

CASTELO DE COIMBRA

Quem visita Coimbra fica admirado por não encontrar um castelo ou um pano de muralha , sendo esta uma cidade tão antiga com vestígios romanos e árabes . Será que nunca teve um castelo? Os documentos antigos provam a sua existência e, como não podia deixar de ser, localizava-se na zona mais alta da cidade, mais ou menos onde hoje está a Praça D. Dinis. Era neste local que se encontrava o castelo propriamente dito, com torres de defesa e de menagem, e dele partiam muralhas cercando o casario e descendo até ao rio,como mostra esta gravura de CONINBRIA.O castelo,cuja planta conhecida data do século XVIII, foi reconstruído no reinado de D.Afonso Henriques, sendo que D. Sancho I o mandou reforçar, aumentando o número de torres defensivas, uma delas em forma de quina junto á torre de menagem, chamada Torre de Hércules ou torre quinada. No século XVI começou a destruição da cintura de muralhas , quer pelo seu estado de ruína , quer porque a cidade crescia para fora delas e era necessária pedra para a construção dos grandes colégios universitários. A machadada final veio com a Reforma Pombalina da Universidade, na década de 1770. A construção de novos edifícios escolares e a beneficiação de outros, levou à destruição da área circundante à torre de menagem, tendo esta também começado a ser derrubada em 1773 para, a partir da sua base quadrangular, ser construído um novo observatório astronómico. Quando, dois anos mais tarde, se verificou que o local não era o melhor para as observações , as obras pararam, mas a torre de menagem já não existia . O novo observatório foi construído no extremo do pátio da universidade ,entre o Colégio de S.Pedro e a Biblioteca Joanina, tendo aí ficado até 1951, data em que foi demolido por haver já um outro moderno no alto de Santa Clara. Na segunda metade do século XIX, com a reforma dos Hospitais da Universidade, as inacabadas e abandonadas obras do primitivo observatório são aproveitadas para fazer a lavandaria e rouparia do hospital. Em 1944 estas instalações são desactivadas e demolidas expondo, pela última vez, a base da torre de menagem,como é documentado na fotografia que se segue.(A foto foi retirada do blog de Sérgio Namorado). Atrás está o Hospital de S.Lázaro que funcionou como hospital de doenças infecto -contagiosas. Neste local situam-se hoje as novas instalações da faculdade de Matemáticas.

Os vestígios mais conhecidos das antigas muralhas e portas que a cidade possuiu são a Torre de Anto e a Porta de Almedina, modificadas há muito
como habitação, o que mostramos a seguir.Em 1945, existia ainda no local onde terminava o aqueduto que abastecia o castelo um arco denominado ARCO DO CASTELO mas que nada tinha a ver com ele . Foi construído como suporte aos edifícos anexos,após o terramoto de 1755
(foto do aqueduto ,do arco do castelo e da porta de entrada do antigo Banco de Urgências dos Hospitais da Universidade ) Aqui fica um breve resumo do que foi um grande castelo e de como este foi desaparecendo, aos poucos e poucos , pelo aumento da cidade e da própria instalação universitária.
A muito custo conseguimos copiar uma planta do castelo cuja legenda é a seguinte : 1-Torre quinada ou de Hércules 2- Torre de Menagem 3- Porta do Castelo 4- Aqueduto A porta do castelo ficava a umas dezenas de metros do que é hoje a Porta Férrea da Universidade.

12.12.09

MOSTEIRO DE SANTA CRUZ -Coimbra

O Mosteiro de Santa Cruz , localizado na baixa de Coimbra , foi fundado em 1131 por D. Telo (São Teotónio) e mais onze religiosos da ordem de Santo Agostinho. Sob a égide de D. Afonso Henriques, foi uma das melhores instituições de ensino no Portugal medieval ,chegando a ter uma grande biblioteca e um scriptorium. O espólio dessa antiga biblioteca encontra-se hoje na Biblioteca Municipal do Porto. Como ilustres alunos desta escola conventual destacamos Fernando Martins de Bulhões, o célebre Santo António de Lisboa, em 1220 , e Luis Vaz de Camões em 1540 (?). Do edifício primitivo, construído em estilo românico entre 1122 e 1223 , já pouco resta. A fachada tinha uma torre central avançada , dotada de um portal encimado por uma grande janela , parecendo-se muito com a Sé Velha da cidade. Alguns aspectos da fachada românica ainda são visíveis por detrás de toda a decoração posterior.

Foi D. Manuel I quem ordenou a modificação da arquitectura externa e interna do mosteiro por o achar pouco digno de albergar os restos mortais dos dois primeiros reis de Portugal. Assim, a fachada românica ganhou duas torres laterais com pináculos e uma platibanda ,obra iniciada em 1507. (ver foto acima )Cerca de uma dezena de anos mais tarde, entre 1522 e 1526,foi-lhe acrescentado um portal cenográfico, em pedra de Ançã. obra de Diogo de Castilho e de Nicolau de Chanterenne. Esta obra escultórica está muito degradada pelas chuvas ácidas que corroeram a pedra. As modificações no interior da igreja foram também enormes e desta feita toda a nave foi coberta por uma abóbada manuelina. Junto à entrada foi construído um coro alto, também obra de Diogo de Castilho, tendo este coro um magnífico cadeiral, de madeira esculpida e dourada, obra do mestre entalhador flamengo Machim. No sec.XVIII foi instalado um orgão novo, estilo barroco ,e as paredes foram cobertas de azulejos com motivos bíblicos. ( ver foto seguinte)

No lado esquerdo da nave única está um belo púlpito esculpido em calcário, datado de 1521 , também obra de Nicolau de Chanterenne. Das alterações mandadas efectuar pelo rei D. Manuel I constam a mudança dos restos mortais de D. Afonso Henriques e de seu filho D. Sancho I, das antigas arcas tumulares junto á fachada românica, para novos túmulos na capela -mor. Estes túmulos, um de cada lado, são parecidos , de estilo gótico-renascentista, concluídos em 1520 e mais uma vez obra de Nicolau Chanterenne e seus discípulos.Mostramos a seguir o túmulo de D. Sancho I que se encontra do lado direito da capela-mor.
A sacristia é de estilo maneirista está decorada com azulejos seiscentistas e tem quadros a óleo de Grão Vasco, entre outros. O Claustro do Silêncio (1517-1522) tem uma decoração manuelina, possuindo anexo uma sala do capítulo com uma capela datada de 1588 , onde se encontram os restos do do fundador do mosteiro.( ver fotos sguintes de Daniel Tiago)

Fora do espaço físico do mosteiro e paralelo ao claustro do Silêncio, está um outro claustro designado da Manga , construído na década de 1530 e obra de João de Ruão. Hoje é um jardim público, entre edifícios modernos que nada têm a ver com o mosteiro,como se pode observar na foto seguinte.

Podemos dizer que os primitivos terrenos agrícolas do mosteiro continuavam para o lado direito da foto anterior, por onde hoje estão os CTT e o Mercado Municipal, continuando pela avenida Sà da Bandeira até ao Jardim da Sereia ou Parque de Santa Cruz. Quem visita a igreja não encontra torre sineira mas ela situava-se em frente ao Claustro da Manga, do outro lado da rua Olimpio Nicolau Fernandes.
A torre estava entre o antigo celeiro do mosteiro (hoje esquadra da PSP) e a enfermaria do referido mosteiro(hoje escola Jaime Cortezão, ex-Escola Comercial e Industrial Avelar Brotero) Em 3 de Janeiro de 1935 a torre foi derrubada pelos bombeiros, com jactos de água nas suas fundações , pois havia muito tempo que ameaçava ruína. A foto a seguir mostra o momento da queda .
No seu lugar ,e só passados cinquenta anos , foram ali construídas uma escadas para dar acesso á rua de Montarroio. Estas escadas têm uma fonte , denominada Fonte dos Judeus que estava originalmente junto ao mercado , no início da av. Sá da Bandeira.
Outras secções do mosteiro há muito tinham sido demolidas para dar lugar ao Edifício da Câmara e outras dependências. No que respeita ao actual Café Santa Cruz,colado ao mosteiro e parecendo fazer parte dele a história resumida é a seguinte: no ano de 1530 frei Brás Braga foi nomeado ,por D.João III ,reformador dos colégios existentes na cidade. Frei Brás Braga decidiu que Santa Cruz ficaria só para os frades crúzios e que para igreja paroquial se construiria ao lado uma nova igreja conhecida como S. João de Santa Cruz, o que veio a acontecer. Com a supressão das ordens religiosas (1834) a paróquia é de novo transferida para Santa Cruz e a igreja de S. João ficou inactiva e meio abandonada. Conheceu muitas funções comerciais, foi quartel de bombeiros,esquadra de polícia, até que em 8 de Maio de 1923 se transforma em café com o piso elevado.

6.12.09

O fim do mundo em 2012 ?


A notícia continua a percorrer o mundo em jornais e revistas, bem como ,no Google, o número de pesquisas sobre este tema já vai nos seis milhões , repartidos pelos sites que não param de crescer. Todo este alvoroço por causa de um calendário Maia que termina numa data correspondente a 21 de Dezembro de 2012 da nossa era. Parece que ,naquela data,um corpo celeste irá surgir repentinamente no nosso sistema solar e produzir o caos que destruirá a Terra ; gigantescas erupções solares produzirão enormes abalos sísmicos e forte vulcanismo. Pelo meio , um alinhamento perfeito de vários planetas do nosso sistema solar com o centro da galáxia ,produzirá uma fatal atracção para o planeta Terra. Tudo a conspirar para que 21 de Dezembro de 2012 seja o último dia da humanidade , mas nenhumas provas científicas são apresentadas.Isto para já não falar das inúmeras vezes que citando Nostradamus e outros que tais , nos foram reveladas datas, já passadas, para o fim da Terra. Os Maias , como outros povos antigos, estavam ligados a uma ideia cíclica do tempo e 2012 correspondia,no seu calendário, ao fim de um ciclo começado a 11 de Agosto do ano 3113 antes de Cristo. Este ciclo deveria durar 1.872.000 dias ,logo a data de 21 de Dezembro de 2012 para terminar o calendário.Findo este calendário seria construído outro. Toda esta confusão que por aí vai, foi alimentada pelo filme catastrófico de Emmerich designado " 2012 aquilo que os Maias previram" e onde são apresentados fenómenos geológicos e geofísicos que acabariam na destruição da Terra, o que nós tentaremos desmontar. Nos últimos milhões de anos a Terra registou cinco inversões de polaridade magnética (como está provado pelos magmas dos fundos oceânicos). sem que a vida tivesse desaparecido. A Terra,na sua órbita, acompanha a rotação do Sol à volta do centro da galáxia e, por causa disso, está todos os anos num plano de alinhamento galáctico,sem que isso tivesse tido qualquer consequência nefasta . O sol sempre teve fases de actividade mais ou menos intensas e desde 2007 que está num período de acalmia; mesmo que ele se encontre em actividade máxima em 2012, os registos mostram que esses picos nunca interferiram letalmente com a vida. Quem se pode queixar serão talvez os radioamadores com as interferências.Quanto á colisão de um corpo celeste desgarrado,vindo provavelmente da cintura de Kulper, nenhum deles seria capaz de destruir a Terra na totalidade e nem os astrónomos , sempre atentos, previram qualquer colisão num futuro próximo. Não podemos esquecer as inúmeras profecias do fim da Terra , nunca concretizadas, senda a última na passagem do milénio ,em 2000. Posto isto ,desejo a todos um bom filme "2012" e um bom Natal nesse ano futuro de 2012, com a crise económica e desemprego resolvidos e sem situações de guerra ou guerrilha.

4.12.09

INVISIBILIDADE


Quem nunca pensou em ficar invisível para espiar a casa do vizinho ou poder escapar aos olhares dos outros? Esta fantasia , tão velha como a humanidade, já tinha sido abordada por Platão no seu livro A República, ao atribuir a um anel o poder de fazer desaparecer o pastor Gygès. Vinte e cinco séculos depois o desejo de invisibilidade mantém-se ,embora o anel de Gygès, ou mais recentemente a capa do Harry Potter, tenham cedido o lugar a materiais compósito e à magia da ciência. O professor Xiang Zhang da universidade de Berkeley (USA) anunciou em Abril passado : Pela primeira vez conseguimos tornar invisível um objecto , utilizando frequências luminosas próximas dos infravermelhos. Para olhos sensíveis à luz infravermelha a invisibilidade é agora um facto. A invisibilidade está relacionada com a transparência . Se um objecto é visível aos nossos olhos é porque reflecte a luz que nele incide ;se tal não acontecer apresenta-se como transparente, como é o caso do ar que é invisível aos nossos olhos por não reflectir a luz visível que nele incide. Para fazer um objecto invisível é pois necessário tornà-lo transparente e se isto é fácil em teoria , na prática é muito complicado.

Pesquisadores da universidade de Jilin(China) conseguiram tornar transparente uma amostra de sódio que normalmente tem uma cor cinzenta baça , embora para isso tivessem de submeter a referida amostra a uma pressão enorme, dois milhões de vezes superior à atmosférica. A essa pressão o Sódio modificou as suas propriedades ópticas e tornou-se não reflector da luz . Em meados da década de 90 o físico John Pendry admitia que, mais do que agir sobre a matéria, era preferível obrigar a luz a contornar um objecto e depois seguir de novo em frente, contrariando o princípio universalmente aceite de que a luz só se propaga em linha recta. Esta ideia de Pendry foi experimentada , em 2006, com a ajuda de David Smith que estava a estudar as propriedades de refracção dos metamateriais, isto é, materiais artificiais. Uma característica chave dos metamateriais é possuírem um índice de refracção negativo, desviando a luz de forma inversa á dos materiais naturais. Todos já verificamos que uma vara mergulhada na água com uma certa inclinação , parece estar quebrada e a aproximar-se da superfície devido ao conhecido fenómeno de refracção da luz . Se a água tivesse um índice de refracção negativo veríamos a parte mergulhada da vara como que saltando para fora dela . Como os metamateriais podem apresentar refracção negativa de campos electromagnéticos , Prendy e David Smith construíram um cilindro onde gravaram a cobre um complexo desenho de anéis em base de fibra de vidro. Verificaram que o objecto se tornava invisível para as frequências próximas dos infravermelhos. Isto levou-os a pensar numa capa de invisibilidade,tal como a do Harry Potter que funcionasse para frequências visíveis do olho humano. Ora uma capa destas teria de ter um desenho com um traço dez vezes fino que os comprimentos de onda da luz visível, ou seja os riscos desse desenho deveriam ter apenas 40 nanómetros de espessura, coisa actualmente impossível de construir sobre uma superfície flexível. Esperemos o que o futuro nos reserva, mas os militares já estão atentos a estas experiências pois desejam fabricar uma tinta que torne aviões e outras armas invisíveis à vista humana. Esta invisibilidade que os militares desejam nada tem a ver com a dos aviões que não são detectados pelo radar, pois aqui é a forma do avião que desvia as ondas do radar para longe do aparelho emissor que assim não recebe o eco e não detecta o avião além de uma tinta, renovada a cada voo, que absorve parte das ondas do radar, sendo o eco quase nulo.

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