17.12.08

CASTELO DE VALENÇA Situado sobre o rio Minho e face á também fortificada cidade de Tui, a praça forte de Valença , teve uma vila dentro das suas muralhas, durante muito tempo. Hoje ainda restam recordações da fortaleza medieval integradas nas defesas posteriores impostas pelo uso da artilharia. São elas duas robustas torres , nascente, flanqueando a porta da Gaviarra e trechos de muralha ,no lado nascente e também a poente, nas proximidades da porta de S.João. Fazendo ainda parte das recordações medievais as armas reais de D. Afonso III e a entrada da cisterna com uma profunda escada. Valença, a velha Contrasta,inicia a sua história com a monarquia portuguesa e a D.Afonso V se deve o regresso ao nome actual. Durante séculos sofreu obras militares de vulto promovidas pelos reis D. Afonso III, D.Dinis, D.Fernando,D. João I D.Afonso IV e D. Manuel I. A altura e formas da fortaleza medieval deixaram de servir, como dissemos, a partir da época quinhentista com o aparecimento da pirobalística, ou seja , da artilharia. O que hoje vemos é uma fortaleza construída no sentido norte-sul e com uma ligeira curvatura.



Conforme nos conta Júlio Gil em" Os mais belos castelos de Portugal", os perímetros e da obra adicionada, a coroada, cercam-se de fossos e sobre eles o relêvo em taludes. Paralelo a este existe um segundo recinto, as falsas bragas .Revelins protegem algumas cortinas e portas das muralhas, tendo um ficado em esboço, entre os baluartes de Santa Ana e de S:Jerónimo, a sudoeste da coroada. Além disso possui ainda o baluarte de Santa Bárbara e os meios baluartes de S. José e Santo António., eriçando-se a fortaleza com outros sete baluartes. Duas portas fortificadas , a da Coroada e a do Meio,têm pontes sobre o fosso. Com a guerra da Restauração da Independência,tentaram os espanhóis tomar a fortaleza várias vezes, sendo sempre repelidos. Durante os períodos de acalmia iam-se fazendo novas obras de defesa pois de Espanha "nem bom vento nem bom casamento", obras estas que se prolongaram até meio do século XVIII. Durante as Invasões Francesas as tropas do general Soult chegaram a tomar parcialmente a praça-forte, fazendo explodir a Porta do Sol e bombardeando o resto do complexo com artilharia instalada em Tui. Mesmo assim a fortaleza de Valença manteve-se fora do domínio francês e as tropas de Soult não voltaram a atravessar o rio Minho. A luta intestina entre D. Miguel e o irmão D.Pedro IV, também deixou marcas nestas velhas muralhas que só deixaram de ter utilidade no início do século XX. Ao findar este século notava-se já, em alguns locais, a necessidade de reparações provocadas pela incúria dos moradores e a ignorância dos turistas que a visitam. A última grande reparação foi feita para as comemorações do Centenário da Independência em 1940. Actualmente há estudos e pequenas obras de conservação que desejamos sejam frutuosas.

15.12.08

MEDICINA DO FUTURO



Quando escrevi sobre a Medicina do passado, logo me ocorreu que alguém me perguntaria como seria a medicina do futuro. Dessa forma alinhavei algumas linhas , baseando-me no que se sabe sobre genética, robótica, informática, células estaminais e outras descobertas como a tão falada nanotecnologia. Quem já viu filmes de ficção científica observou que os médicos eram auxiliados por máquinas inteligentes e humanoides robóticos. O que nesses filmes era pura ficção, começa agora a não o ser dando ,como exemplo,o que se passa na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra onde uma equipa liderada pelo Prof. Rui Cortezão está a desenvolver o projecto de um robot que, dentro de seis anos, poderá estar a ser usado em hospitais para cirurgias minimamente invasivas. Designado de WAM difere ,de outros já existentes, pela melhor telemanipulação e telepresença, garantindo ao cirurgião uma sensação de contacto de alta definição. Será usado em cirurgias realizadas através de pequenos orificios ou de aberturas naturais. Na América , estão em fase experimental uns óculos que usando pequenas telas de cristal líquido, projectam uma imagem tridimensional dos ossos do paciente, gerada por computador. Saíndo do capítulo robótico, outros avanços na medicina, como é o caso das células estaminais, permitem sonhar em regeneração laboratorial, de órgãos lesados , ou mesmo criação de órgãos completos,pois já foi provado laboratorialmente que uma célula estaminal adulta é capaz de se modificar em qualquer outro tipo de célula, independentemente do seu tecido de origem, desde que cultivada em condições adequadas. A ser assim,no futuro, serão anuladas certas questões ético-religiosas e os problemas de rejeição de transplantes, por serem usadas células estaminais do próprio paciente,tornando-se assim possível imaginar o fim das filas de espera por um dador compatível. O jornal Correio da Manhã ,de 20-11-2008,noticia que uma mulher de 30 anos, a viver em Barcelona, sofreu um transplante de traqueia construída com células estaminais da própria. A conhecida revista médica LANCET publicou os resultados positivos deste transplante,ocorridos cinco meses após a operação. As células estaminais são células com grande capacidade de se replicarem naturalmente,dando outras semelhantes. As células estaminais encontram-se na medula óssea,sangue, placenta e líquido amniótico podendo, segundo técnicas especiais, dar células diferentes como as do tecido ósseo, muscular,nervoso etc.

A micro-electrónica está também dando uma ajuda á medicina do futuro. Cientistas desta área de conhecimento estão aptos a dar audição a surdos profundos e imagem a certo tipo de cegueira recorrendo, neste último caso,a eléctrodos implantados no cérebro e a mini-câmaras de vídeo instaladas em óculos. Uma outra ideia curiosa surgiu do facto de alguns fabricantes de automóveis terem criado um dispositivo electrónico capaz de detectar o bafo de um condutor alcoolizado e desligar o motor .Aliando esta invenção ao facto de se estarem a treinar cães para que, com o seu olfacto apurado. detectem doenças ainda no seu início, pensa-se em criar um robot olfactivo que venha a fazer o trabalho canino. Com a nanotecnologia prevê-se a criação de máquinas de tamanho inferior ao de uma célula que, percorrendo todo o corpo pelos vasos sanguíneos, façam reparações a nível celular. Estes avanços são forçosamente lentos mas há outros a caminhar mais rapidamente, como o robot-enfermeiro que separa ,na farmácia hospitalar, a medicação prescrita a cada doente e faz a sua entrega personalizada, sem erros e a tempo e horas, registando parâmetros clínicos do paciente , enviando-os, em tempo real , ao médico.

Segundo a opinião do Dr. Nuno Nine existe já moderna tecnologia de diagnóstico. Através do varrimento eléctrico intersticial ( VEI) é possível uma análise , em tempo real, de parâmetros fisiológicos dos tecidos dos orgãos através do seu líquido intersticial. É a medicina quântica ou informática que possibilita ,em três minutos, fazer uma análise geral ao doente ,sem agulhas, recolha de sangue e outros métodos invasivos, apenas medindo impedâncias bio-eléctricas de uma mais que fraca corrente eléctrica aplicada , com eléctrodos, sobre a pele. Desenganem-se no entanto aqueles que pensam que algum dia será vencido o inexorável ciclo do nascimento- vida- morte pois,quando muito,será retardado no tempo, havendo uma longevidade maior com o auxílio robótico.

Mas será o Homem feliz num mundo de robots ? Não se tornará ele um escravo da máquina? Não será este o seu fim como espécie animal? São perguntas angustiantes de resposta difícil de enunciar. Há quem afirme que a medicina do futuro não vai necessitar de robots, pois será criado o homem geneticamente modificado, imune á doença e a medicina servirá apenas para reparar danos acidentais. Será assim ou teremos de admitir que a Natureza pode também criar novas formas de vida que ataquem o homem modificado? Criar-se-á novo homem ,respondem os optimistas. Mas ao fim de várias mutações, será ainda aquele ser um Homo sapiens,sapiens , ou outra coisa qualquer ?-pergunto eu .

10.12.08

ARTE GÓTICA ...enigmas escondidos

Quem visita as catedrais góticas, com as suas dimensões gigantescas de interiores sumptuosos que parecem ser iluminados por uma luz e um espírito sobre-humanos, fica com a ideia de pura perfeição. Imagine-se o efeito que estas construções não terão tido sobre os povos da Idade Média que as visitavam. Não é fácil datar o aparecimento do gótico embora ele apareça subitamente entre 1130 e 1140 em França. Desenvolvendo-se atinge o apogeu em algumas décadas sem qualquer ligação com estilos anteriores. Juntamente com os arquitectos, são os canteiros, os carpinteiros, os ladrilhadores e os vidreiros os obreiros destas maravilhas. Que contextos místicos terá esta arquitectura e que segredos encerra ? Outra pergunta se pode colocar: serão os locais onde estas catedrais estão implantadas ,lugares de concentração de energias? Por exemplo, a grande catedral de Chartres foi implantada numa pequena elevação de uma localidade insignificante na época, mas que fora destino de peregrinações em tempos pré-cristãos Nesta catedral ,orientada em sentido oposto ao habitual nos templos cristãos, a relação ,entre o comprimento a largura e a altura, é estranha e nada vulgar.O mesmo se pode dizer dos vitrais, capazes de decompor os raios de sol de modo tão extraordinário que , até á data, foi impossível fazer outros iguais.

Os grandiosos vitrais, o portal central, as torres e o labirinto desenhado no chão representam uma vivência cujo centro espiritual estava em Jerusalém, daí dever ser obra da Ordem dos Templários. Em plena idade média de onde vieram os conhecimentos necessários á construção das grandes abóbadas góticas? E o dinheiro para as construir? Não veio das colectas realizadas junto dos peregrinos e do povo e muito menos das abastadas ordens Beneditinas e Cistercienses. Só poderiam ter sido financiadas pelos Templários, cuja lendária riqueza, ainda hoje,permanece um mistério. Curioso também o facto de nenhuma das representações da vida de Jesus, inspiradas pelos templários, conter cenas da crucificação e isto porque aqueles recusavam-se a reconhecer o homem crucificado como sendo o verdadeiro Jesus Cristo o que, mais tarde, foi usado nos processos de acusação contra os cavaleiros desta ordem. Os elementos indispensáveis nas catedrais góticas são as rosáceas nas imponentes fachadas, as altas agulhas das torres tocando os céus, os arcos botantes e contrafortes, responsáveis por uma melhor distribuição de peso, tudo contendo saberes que eram excessivos para a época.


Esperemos que estes mistérios todos sejam um dia desvendados!

5.12.08

A MÚSICA ao longo dos tempos


O homem primitivo, para caçar em grupo, tinha necessidade de comunicar, usando sinais sonoros tais como os gritos, batimentos com pedras e sons corporais, como o bater palmas. O homem pré-histórico tinha como principal objectivo apenas imitar os sons da natureza e só muito mais tarde usou a música em cerimónias rituais, como por exemplo, na evocação das forças da natureza, no culto dos mortos e no decorrer da caça. Gradualmente foi introduzindo alguns rudimentares instrumentos e danças para agradar mais aos deuses. Depois de descobrir a música o homem nunca mais se separou dela ! Até ao ano 400 dC, a música assumia um papel importante em várias actividades do dia a dia , em civilizações como a romana, grega e egípcia.

Com a chegada do século XIII, em plena Idade Média, são os monges que continuam a desenvolver a teoria musical e a sua escrita. O repertório desta época são cânticos litúrgicos, transmitidos oralmente através de gerações, variando as interpretações consoante os ritos ou hábitos musicais dos diferentes povos. É assim que surge o canto gregoriano, uma forma de oração para demonstrar o amor a Deus, numa melodia simples que seguia o ritmo das palavras.É neste período que se dá a separação da música sacra da profana, já que a primeira usava apenas o orgão e ,a segunda, variados instrumentos como o alaúde, a charamela, a flauta, a harpa, a sanfona e outros mais. Outra diferença residia no facto de se usar o latim no canto religioso, e a línguagem local na música profana, com os menestreis e trovadores a cantar e compor para os senhores dos paços reais.

O período renascentista (1450-1600) é caracterizado pela mudança de pensamento do homem perante o mundo ,com influência na arte, logo na música. A Igreja fica menos rígida e permite uma troca maior entre as músicas sacra e profana. Os reis e homens ricos dão oportunidades de trabalho aos compositores e aos músicos ,promovendo festas , audições e acontecimentos culturais. As obras musicais que se desenvolvem são essencialmente vocais como a música vocal polifónica. Surgem os madrigais, o motete, a missa coral e com estas músicas os alaúdes e as violas de gamba para o acompanhamento. O Barroco (1500-1750) é o período em que a música instrumental atinge, pela primeira vez, a mesma importância que a música vocal. Neste período a música é exuberante de ritmo enérgico e frases melódicas longas muito bem organizadas. Os compositores fazem uso de um contraponto com grandes contrastes tímbricos. O violino afirma-se devido á evolução da sua construção e os instrumentos de tecla , como o cravo, evoluem também tornando-se solistas e não apenas acompanhantes. A orquestra toma maior dimensão em número de executantes e uma forma mais estruturada. A suite o ballet e a ópera são formas musicais, orquestrais e vocais que surgem e se desenvolvem durante o Barroco. No período seguinte ,o do Classicismo (1750-1810), a música é menos complicada, mais suave e de maior perfeição estética. A melodia é acompanhada de acordes e predomina sobre eles. As frases melódicas são bem definidas , curtas e claras , notando-se o princípio ,meio e fim de cada uma. O cravo cede o lugar ao piano ,e a orquestra, por diversificar os instrumentos, aumenta mais o número de executantes. Os géneros instrumentais deste período são o concerto, a sinfonia, a sonata e o quarteto de cordas.


O Romantismo (1810-1910) caracterizou-se pela liberdade de expressão e de sentimentos. As alterações políticas e sociais provocadas pela Revolução francesa de 1789 fazem ressurgir a música folclórica. Paris e Viena tornam-se os principais centros de música da Europa . Através da música os compositores mostram sentimentos e afectos da sociedade da época. Surgem compositores como Schubert, Mendelsson ou Chopin e instrumentistas como Liszt ou Paganini. Os compositores libertam-se dos mecenas e passam a compor por conta própria, surgindo as grandes salas de espectáculos e concertos, consequência da ascensão da burguesia. O Romantismo desenvolveu o virtuosismo na execução instrumental que atingiu elevados graus de dificuldade e técnica instrumental levando os músicos a tornarem-se figuras públicas de destaque.


.O século XX surgiu como a época das experiências , da procura das novas técnicas instrumentais e uma mudança da sonoridade com novas técnicas de composição, e instrumentos de sons inovadores. Surgem assim as guitarras eléctricas e os sintetizadores e com eles a música Rock e Pop. Há uma maior tendência para as culturas não europeias facto impulsionado pelos discos , gravação em cassete, CD e a popularização da rádio e televisão. Os novos timbres,harmonias, melodias e ritmos, bem como o aparecimento de novos métodos de composição fazem a renovação da linguagem musical. Com a procura e o desenvolvimento de sons novos, a composição foi abandonando o uso das sete notas da escala e começaram a escrever-se obras com a utilização de 12 notas (dodecafonismo). Esta técnica foi criada na década de 1920 pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg. Nascia a atonalidade, desaparecendo, desta forma,a maneira de organizar a música em redor de uma nota particular , a tónica, que definia um tom central, gravitando , em torno dela, a harmonia e a melodia. O dodecafonismo acaba com o papel central da tónica ,assim como a hierarquia que a tonalidade estabelecia entre as sete notas da escala convencional.

3.12.08

PETRÓGLIFOS

Já ouvimos dizer que a natureza se está a vingar dos abusos contra ela cometidos pelo homem nestes últimos séculos, daí as catástrofes globais climáticas com consequências na agricultura, na economia e na vida das populações. Se hoje nos agarramos á tecnologia para sobreviver, há milénios o homem vivia num mundo de criaturas e forças que o podiam conduzir á morte ou á vida tentando, através de práticas mágico-religiosas, defender-se da natureza. Os vestígios mais antigos dessas práticas são as gravuras rupestres (petróglifos) que encontramos em todos os continentes. Essas gravuras esculpidas na rocha com artefactos também de pedra, por vezes pintadas com tintas naturais, mostram motivos variados que julgamos ser astronómicos ou ainda mitológicos e xamanísticos, autênticos livros esculpidos na rocha. Encontramos estes petróglifos na costa gélida do Alasca e na quente Califórnia para já não falar na América do Sul onde abundam, o mesmo se passando na Europa e Ásia. No continente sul-americano muitos destes lugares sagrados são só do conhecimento das populações locais, nos quais sentem campos de forças especiais de modo a estabelecerem ligação com os seus antepassados e espíritos protectores. Já noutra "postagem" nos referimos á Pedra Letreira de Gois e ás enormes figuras de Nasca. O testemunho por detrás destes traçados das culturas da Idade da Pedra continua em segredo ,sendo curioso que na Europa, onde a pesquisa histórica está mais avançada, os círculos,espirais e símbolos animais, são os mesmos em todo o mundo. Será que os círculos concêntricos mostram a fertilidade e a água essencial á vida , ou haverá um outro segredo maior ?



As espirais representarão forças cósmicas? É que estas espirais não estão só nas gravuras rupestres mas também esculpidas em gigantescos túmulos, em escaravelhos e pinturas fúnebres do antigo Egipto. Será que a espiral se integra no complexo movimento cíclico do Sol e na sua influência sobre a água e a fertilidade animal e vegetal ? É sobretudo a espiral dupla que, no âmbito dos seus movimentos giratórios, para dentro e para fora, dá azo á interpretação de retorno e renovação, ao ciclo da vida e morte. No formato de uma espiral, quer seja tridimensional em forma de parafuso, ou plana e bidimensional, não é possível encontrar um verdadeiro princípio ou fim. A espiral continua a girar eternamente como a Via Láctea. E a dança dos dervixes (ordem mística do Islão) recriará o movimento do Universo em forma de espiral e a própria criação ? Conseguirão eles através desta dança em espiral captar as manifestações do Divino ?




E que diremos dos quadrados ? Os cantos são os pontos mais extremos do horizonte visível e correspondem aos solestícios ou aos nossos pontos cardeais. Um aspecto curioso é que quando o quadrado que simboliza o mundo, em conjunto com o altar central, é projectado para o céu, surge a pirâmide dos Maias ou dos Astecas.Teorias muito controversas afirmam que a similitude dos petróglifos e de outros símbolos arquétipicos de diferentes culturas e diversos continentes é o resultado, conforme Carl Jung, de uma estrutura herdada geneticamente no cérebro humano. Outros afirmam que esses desenhos (quadrados e espirais ) foram realizados pelos xamãs num estado alterado de consciência, induzido pelo uso de alucinogénios naturais, pois essas formas geométricas aparecem quando há problemas de visão e alucinação produzidas por drogas ou estímulos físicos. Seja como for,acredita-se que muitos petróglifos representam um tipo de linguagem fazendo referência a algum tipo de fronteira territorial entre tribos, para além de significados religiosos. Esta linha de pensamento leva-nos á escrita rúnica, uma das mais antigas , com milhares de anos. A raíz composta RU é de origem indo-europeia e significa mistério ou segredo.


Os antigos povos nórdicos acreditavam que as runas possuíam poderes mágicos, daí os xamãs as colocarem nas casas, nos barcos e nos leitos do enfermos .No alfabeto rúnico cada símbolo/letra representa uma energia específica e, devido a essa energia,as runas não eram só usadas como letras de alfabeto, mas também como talismãs mágicos, cujo valor era passado oralmente pelos mestres aos iniciados .

1.12.08

CASTELO DE MELGAÇO


"Entre as relíquias do nosso passado histórico que ajudaram ao longo dos séculos a robustecer a Nacionalidade, são decerto os castelos que melhor falam á nossa alma , na vibração ou na saudade que a sua contemplação em nós desperta. Mas não nos basta contemplar no escrínio do tempo, como formas inermes ou redivivas da grandeza que os definiu. É preciso também saber amá-los, encarando o cortejo de heroísmo e tragédias de que foram cenário para sentir a carga espiritual que deles se desprende."(Veríssimo Serrão)

Durante a curta ocupação muçulmana, no século IX, levantaram os invasores, aqui em Melgaço, uma fortificação que pretendia ser de apoio ao seu falhado plano de avanço sobre Santiago de Compostela. Na altura, a região encontrava-se deserta devido á invasão muçulmana e, pouco tempo depois,com a retirada islâmica o castelo acabou por ficar em ruínas. Sabe-se que, em 1182, já aqui existia de novo uma população, pois D. Afonso Henriques lhe concede foral, sendo edificado novo castelo (1170) dada a importância estratégica de Melgaço contra as investidas do Reino de Leão.O castelo foi ampliado no tempo de D. Dinis, com a elevação de uma segunda linha de muralhas envolvendo o quadrilátero inicial de ângulos recurvos.Os diferentes azares da Guerra da Restauração da Independência levaram ao castelo outros cercos, destruições e reconstruções , um duro preço por ocupar sítio tão estratégico. De uma terceira linha de muralhas do século XVII já pouco resta devido aos desastres das guerras e também devido á ocupação pelos invasores franceses que aqui ficaram até ao dia 11 de Junho de 1808, data em que foram expulsos definitivamente. O castelo é de planta circular e está dividido em três recintos; as muralhas ameiadas têm duas portas e três torres ,com a torre de menagem de secção quadrangular e uma outra de secção pentagonal.. Ligado a este castelo existe a lenda da Inês Negra, baseada no cerco sofrido pelo castelo a mando de D.João I, já que ele se encontrava ocupado por forças leais a Castela. Da série de assaltos e escaramuças entre a nobreza instalada dentro dos muros da vila e as classes populares instaladas fora desses muros, no chamado arraial resultou um facto que é narrado em documento antigo : ......escaramuçaram duas bravas mulheres, uma da vila e outra do arraial, e andaram ambas aos cabelos e venceu a do arraial.....(Crónica de D. João I, por Fernão Lopes)

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