4.7.08

D I A M A N T E S



Os geólogos têm uma visão infernal dos primeiros 500 milhões de anos de idade do nosso planeta e que podemos descrever da maneira seguinte: Uma imensa bola de material em fusão, pontuada por pequenas ilhas de material solidificado e ausência absoluta de água e vida. Este cenário ter-se-ia mantido até que o lento arrefecimento do material magmático permitiu a formação de um supercontinente (Pangeia ) e a água atmosférica condensou, originando um gigantesco e único mar (Pantalassa), o que deve ter ocorrido há 4 biliões de anos . A visão apocalíptica destes primeiros 500 milhões de anos, começou a ser questionada com a surpreendente descoberta de Martina Menneken ao revelar diamantes cuja idade está avaliada em 4,25 biliões de anos, isto é, muito mais antigos que a data proposta para a formação da Pangeia. Os diamantes mais antigos ,até então conhecidos, datavam de 3,2 biliões de anos,logo posteriores à Pangeia. A descoberta de pedras preciosas, quase tão velhas como o próprio Planeta, permitirá saber melhor como eram as condições ambientais da jovem Terra e modificar os nossos conhecimentos sobre a origem da vida. Os diamantes são minerais formados de carbono, em ambientes de altas temperaturas e altas pressões. Os geólogos propoem quatro hipóteses para a presença de diamantes na Terra: a mais exótica é a de serem formados fora do sistema solar, antes mesmo da Terra se ter agregado e trazidos para ela com a queda de meteoritos.Claro está que o choque de meteoritos com a superfície da Terra pode, só por si, gerar diamantes devido às enormes pressões e temperaturas do embate, desde que haja carbono nesse local. Os diamantes descobertos por Martina Menneken poderiam ter origem na primeira hipótese, não fosse o facto de serem muito pequenos, o que invalida a origem extra terrestre.No nosso planeta há dois processos de génese de diamantes: uns formaram-se em zonas do interior da Terra, a cerca de 150 Kms de profundidade( Manto), onde a pressão é de 40 Kilobar e a temperatura de 1.000º C. e viriam á superfície devido a erupções vulcânicas ; outros terão sido formados em zonas de subducção (mergulho) de placas oceânicas ,onde se encontram as condições idênticas às anteriores. Falemos agora um pouco dos diamantes em geral ; como dissemos são uma forma alotrópica do carbono, que cristaliza no sistema cúbico em forma octaédrica (8 faces) ou hexaoctaédrica (48 faces),sendo frequente essas faces terem superfícies arredondadas, incolores ou coloridas. Sendo carbono puro, o diamante arde quando sujeito a uma chama, embora infusível. É o mineral mais duro actualmente conhecido, embora frágil ao choque, o que fez com que eles não fossem talhados durante muitos anos.Possuem um brilho adamantino devido ao elevado índice de refracção da luz. Não são só os diamantes incolores que se chamam pedras preciosas pois ,hoje em dia, já são usados diamamntes de cor, sendo os de cor natural muito valiosos O valor de um diamante reside na ausência total de impurezas e de cor. As variedaddes negras e microcristalinas, não tendo valor comercial, são utilizadas na indústria como abrasivos e em cabeças de brocas perfuradoras para materiais muito duros. Os diamantes azulados ou rosados são raros e, por isso, muito valiosos. Actualmente é possível fazer diamantes sintéticos mas dadas as suas reduzidas dimensões só têm aplicação industrial.

DIAMANTE HOPE .Este diamante pesa 45,52 quilates e tem o tamanho de uma noz.Não sendo o maior do mundo, nem o mais refinado é, no entanto, conhecido pela intensa cor azul que irradia, encontrando-se exposto no Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsoniano em Washington.É originário da mina de Kollur no sub-continente Indiano e teria 112 quilates lapidado em forma de coração . O seu primeiro proprietário foi o francês Jean-Baptiste Tavernier que, segundo os periódicos do inicio do séc.XX, o teria retirado da testa de um ídolo indú, cometendo assim um sacrilégio. Por tal motivo, a maldição do deus indú recaíria sobre ele e sobre os futuros proprietários da joia . Parece que a maldição se cumpriu, pois o próprio Tavernier, bem como outros donos como Luis XVI e Maria Antonieta se viram afectados pela desgraça. Deixando de lado o folclore da maldição, diremos que o Hope foi várias vezes talhado e polido o que diminuiu o seu tamanho original, mas ganhando muito mais brilho. Em 1668, Tavernier vendeu o diamante ao Rei Luis XIV de França que o mandou talhar de forma diferente passando a ter 67 quilates . O filho, Luis XV, mandou readaptar a joia que depois passou para as mãos de Luis XVI. Este, por sua vez, ofereceu-o a Maria Antonieta no dia do seu casamento . Durante a Revolução Francesa, de 1792, o diamante foi roubado com as outras joias do Tesouro Real . Embora em 1809, já com Napoleão no poder, grande parte destas joias tivessem sido recuperadas, faltava o Diamante Azul da Coroa. Supostamente apareceu vinte anos mais tarde, nas mãos do joalheiro londrino Daniel Eliason e segundo o gemólogo francês Charles Barbot, o Diamante Azul de Eliason era o que pertencera a Luis XIV, embora cortado para reduzir o tamanho. Daniel Eliason terá vendido o diamante ao Rei Jorge IV do Reino Unido e , em 1824, foi adquirido por Henry Hope, passando a ser conhecido por Diamante Hope. A cor azul do diamante é causada pela presença de átomos de Boro na sua estrutura cristalina . Outro famoso diamante é o Koh-i-nor e a primeira vez que se falou nele foi em 1304 como pertença do Rajá de Malwa e nessa altura tinha 108,93 quilates. Em 1850 foi oferecido á rainha Victória de Inglaterra para recordar os 250 anos da Companhia das Indias. A rainha mandou que o relapidassem. Em 1911 uma nova coroa para a raínha Mary foi feita com ele e com outros obtidos pelo corte do inicial. O pedaço maior foi, em 1937, colocado na coroa de Isabel II.

2.7.08

RECICLAR

Há pouco tempo, sob o título "A Terra esgotada e a morrer ", referimos a necessidade de reciclar ao máximo todos os desperdícios e, sobretudo, os electrodomésticos e equipamentos electrónicos que devem ser tratados por empresas especializadas, em virtude dos materiais perigosos que contêm. No nosso país, desde o ano 2006,quando se compra um aparelho eléctrico ou electrónico , paga-se uma taxa ecológica para financiar a reciclagem desses equipamentos ,quando termina a sua via útil. Compete à ASAE fiscalizar se a lei é cumprida, pois os comerciantes são obrigados a receber os equipamentos velhos, na compra de outros novos, e a encaminhá-los para as empresas de reciclagem. Para se ter uma ideia do que são estas empresas de reciclagem diremos que a Metec, no Japão, destroi 900 frigoríficos por dia, tendo outras secções onde são desmantelados televisores, aparelhos de ar condicionado e computadores. Como a Metec, há dezenas de outras no Japão. Antes dos aparelhos serem destruídos pelas máquinas trituradoras são-lhes retirados os elementos contaminantes do meio ambiente . O colossal número de 40 mil toneladas anuais de lixo electrónico no mundo, deve-se ao facto da vida útil dos equipamentos ser cada vez mais curta, dois a três anos, por ficarem ultrapassados tecnologicamente. Em 2004, os americanos deitaram para o lixo 315 milhões de computadores pessoais, 90% dos quais ainda estavam em perfeitas condições de operacionalidade.Durante muitos anos não houve consciência das populações em saber para onde ia este lixo; se alguma quantidade ia parar ás lixeiras, juntamente com outro tipo de detritos, a maioria dele foi exportado para países do terceiro mundo , como India, Paquistão e países africanos onde é reciclado sem qualquer tecnologia, estando a envenenar pessoas, solos, aquíferos e atmosfera. Para termos uma ideia desta contaminação diremos : o arsénio dos Leds provoca cancro do pulmão ; o bário, dos tubos catódicos dos velhos televisores e computadores, altera-se com o ar e afecta músculos, fígado e coração; o cádmio das baterias, toners e tintas de impressoras está associado a cancer pulmonar. A preocupação é tal que a Comissão Europeia, em 2005, emitiu uma directiva proíbindo o uso de chumbo, mercúrio e cádmio em qualquer equipamento, mas os resultados não devem ser positivos, pois há ainda milhões de aparelhos a funcionar com estas substâncias e que, daqui a alguns anos, estarão nas lixeiras africanas. Uma solução para este problema será usar o equipamento durante mais anos e não ir na moda de o trocar, só porque apareceu um modelo novo. Se têm um televisor a cores há três anos, por que trocar por um" plasma" se os programas visualisados são os mesmos? O "plasma " ao fim de um ano estará também ultrapassado ! E quem fala em televisores fala em telemóveis, onde a moda de trocar caiu no absurdo de o fazer duas vezes por ano .

1.7.08

EINSTEIN ENGANOU-SE ?

Como se aprende na escola, a Teoria Geral da Relatividade defende o carácter relativo do movimento e da massa de um corpo, bem como a interdependência da matéria, do espaço e do tempo . Antes de Einstein dizia-se que um objecto mantinha as suas características quer estivesse em movimento ou em repouso .Dizia-se também que este princípio da física só não era aplicado á luz que seria afectada pelo movimento, embora nunca o tivessem provado experimentalmente . Einstein explicava este falhanço experimental pelo facto da luz ter uma velocidade constante em todo o Universo, aproximadamente 300.000 Kms/segundo. A ideia da física clássica do espaço e do tempo serem absolutos foi destronada, pois o tempo não é o mesmo em todos os locais do universo e a distância entre dois pontos depende da velocidade do local onde se encontra o observador. Foi verificado que quando se põe um relógio atómico em órbita da Terra ele se atrasa em relação aos que estão fixos no nosso planeta. Voltemos ao nosso tema : SERÁ QUE EINSTEIN SE ENGANOU ? A dúvida foi despoletada em 1980, quando a Nasa se apercebeu que a sua sonda Pioneer 10 apresentava "um pequeno" atraso no seu itinerário. Ninguém se atrevia a dar um palpite para esta anomalia ,a não ser que ela se devesse a um efeito gravitacional que Einstein não tinha previsto e, neste caso, havia uma falha na Teoria da Relatividade. A Pioneer 10 tinha sido lançada em 1972 e saído do nosso sistema solar em 1988, como previsto. Em 2007 estaria a 14 biliões de Kms do Sol e teria um atraso de 400.ooo Kms. Quando a Nasa lançou a sonda Pioneer 10 nunca imaginou encontrar uma anomalia e, no entanto, qualquer coisa trava a sua progressão pelo espaço. Se o atraso da sonda não for devido a avaria ou êrro de observação, ele será provocado pelo binómio espaço-tempo e teremos uma falha na teoria da relatividade, como já referimos. Os cientistas já colocaram várias hipóteses : 1- Mau posionamento das antenas terrestres devido á deriva dos continentes ou a um defeito no mecanismo de pontaria do feixe hertziano. 2- O vento solar a retardar as ondas de rádio que fazem a telemetria com a Terra. 3- A cintura de Kniper, entre Neptuno e Plutão, ser mais densa que o esperado e ter provocado esse atraso. 4- A poeira interplanetária travou mais que o previsto. 5- A influência das estrêlas da nossa Galáxia não foi tomada na devida conta . 6- Um buraco negro,não detectado até hoje, ocasionou o problema. 7- A expansão do Universo modificou a posição relativa da sonda perante nós. Se nenhuma destas hipóteses se verificar, poderá ser ainda o s o calor dos reactores nucleares a interferir com a antena de comunicações e esta estar a enviar dados não precisos. Se não for nada disto, a anomalia da Pioneer 10, já baptizada de" efeito pioneer", será a primeira autorização para mudar as sacro-santas leis da gravidade. Os cientistas, temendo perder a credibilidade,nada afirmam embora alguns, mais audazes, se lancem á revisão das equações matemáticas da Teoria da Relatividade, baseados no facto que, desde 1933, muitas das previsões teóricas de vários fenómenos como as velocidades de rotação e de espansão das galáxias se revelarem diferentes da práctica. Vários cientistas estão a analisar todas as gravações, em fita magnética e em disquete, dos dados enviados pela Pioneer, na esperança de encontrar uma explicação.

( Imagem da sonda Pioneer 10, lançada para o espaço em 1972)
Esperemos para ver! A única verdade é que o Universo e a sua origem são ainda um mistério para a inteligência humana. Se a mensagem que a Pioneer leva consigo, numa placa de ouro anodisado,, for interpretada por alguma inteligência do Cosmos, talvez ela nos venha dizer se Einstein estava ou não errado .


(Mensagem criada por Carl Sagan que a Pioneer 10 transporta consigo)

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